Memorial do Convento: o tempo histórico

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Memorial do Convento: o tempo histórico

  1. 1. Memorial do Convento<br />O tempo Histórico em que decorre e em que medida se reflecte na obra.<br />Inês Cabral – nº 11 12ºB<br />Ano lectivo 2009/2010<br />Escola Secundária Artística António Arroio<br />D. João V Rei de Portugal A obra o “Memorial do Convento” evoca a história portuguesa do reinando de D. João V, em pleno século XVIII. É a época do apogeu da corte em Portugal, que procura imitar o luxo, a grandeza e o esplendor da corte francesa do Rei-Sol, Luís XIV. O poder absoluto e o Iluminismo caracterizam este século como o Século das Luzes, marcando-o com os seus gostos e mentalidades de uma forma decisiva, assim como o obscurantismo da população e o medo do poder da inquisição.<br />O Iluminismo<br />Movimento cultural, social, politico e espiritual que se verificou na Europa do século XVIII. As suas raízes intelectuais, pretendiam teorizar filosoficamente a ciência moderna e o racionalismo matematicista. De carácter mais universal do que, movimentos anteriores, constitui uma etapa fundamental da historia do pensamento europeu no sentido de tentar substituir a metafísica e a teses católicas, suscitando um desafio ao pensamento oficial do século XVIII.<br />As consequências deste movimento não foram apenas de natureza ideológica mas, também de carácter político (tendo como exemplo a Revolução Francesa).<br />Desenvolveu-se uma grande capacidade de crítica, que levou a um repúdio geral de toda a espécie de tradições. O universo, que antes havia sido contemplando de uma forma mais estática do que dinâmica, deixou de ser um cosmos necessitado de ajuda divina e converteu-se num conjunto ordenado de átomos, substancia e forças. <br />O pensamento iluminista proclamou a sua fé na razão como norma exclusiva de verificação e único meio de afastar a superstição e ignorância. Em matéria de filosofia, tentou conciliar o sensualismo com o empirismo.<br />A principal arma do Iluminismo foi a Enciclopédia, publicada em 28 volumes, entre 1751 e 1772. Essa obra constituiu uma tentativa de coordenar as diferentes formas do pensamento iluminista. O seu objectivo era divulgar as ciências e os novos conhecimentos, bem como criticar as instituições em nome da Natureza, da razão e da humanidade.<br />Em Portugal, o Iluminismo desenvolveu-se em meados do século XVIII e acabou por encontrar figuras significativas pelo seu interesse sobre a necessidade de regeneração nacional. José Anastácio da Cunha, Bocage, Filinto Elísio e Nicolau Tolentino deram, porém, um cunho mais literário do que filosófico ao iluminismo português. A Academia das Ciências de Lisboa tomou a direcção do movimento.<br />O seu representante mais importante foi o abade Correia da Serra. Deparavam-se ainda com a oposição do pensamento teológico, muito enraizado em Portugal, o que possibilitou a evolução original do pensamento iluminista português. <br />A Inquisição em Portugal<br />A Inquisição portuguesa foi criada em 1536 e existiu até 1821.<br />Podemos considerar Portugal pioneiro na censura literária na defesa da fé e dos bons costumes. Antes mesmo da instituição da Inquisição em Portugal (1536), observamos por parte do Estado a preocupação em cercar as ideias consideradas como perigosas ao regime.<br />A Inquisição foi pedida inicialmente por D. Manuel I, em resultado da política integracionista levada a efeito e de que foi ponto de partida a conversão dos judeus em 1497. A 17 de Dezembro de 1531, o Papa Clemente VII, instituiu a bula: “Cum ad nihil magis”em Portugal, mas um ano depois anulou a decisão. Em 1533 concedeu a primeira bula de perdão aos cristãos-novos portugueses (neste momento com D. João III no trono).<br />Em 23 de Maio de 1536, por outra bula em tudo semelhante à primeira, foi instituída a Inquisição em Portugal. A sua primeira sede foi Évora, onde estava a corte. Tal como nos demais reinos ibéricos, tornou-se um tribunal ao serviço da Coroa. Toda a população foi convidada a denunciar os casos de heresia de que tivesse conhecimento. <br />Os castigosNo ano seguinte, a corte voltou para Lisboa e com ele o novo Tribunal. O primeiro livro de denúncias tomadas na Inquisição, iniciado em Évora, foi continuado em Lisboa, a partir de Janeiro de 1537. Em 1539 o cardeal D. Henrique, irmão de D. João III e depois ele próprio rei, tornou-se inquisidor geral do reino.<br />Até 1541, data em que foram criados os tribunais de Coimbra, Porto, Lamego (em Viseu) e Évora, existia apenas a Inquisição portuguesa que funcionava junto à Corte. Mas em 1544 o Papa Paulo III mandou suspender a execução de sentenças da Inquisição portuguesa e os autos-de-fé sofreram uma interrupção.<br />Foram, então, redigidas as primeiras instruções para o seu funcionamento, assinadas pelo cardeal D. Henrique, e datadas de Évora, a 5 de Setembro. <br />De acordo com Henry Charles Lea no período entre 1540 e 1794, os tribunais de Lisboa, Porto, Coimbra e Évora resultaram na morte por fogueira de 1,175 pessoas, e na queima de 633 efígies, e em 29,590 mortes através de outras penas. <br />Contextualização histórica na obra<br />Em Portugal, D. João V deixa-se influenciar pelos diplomatas que o cercam – intelectuais estrangeirados (que trazem as ideias iluministas) – e pela riqueza vinda do Brasil. <br />O aparecimento no Brasil de grandes jazidas de ouro permite a resolução de alguns problemas financeiros e leva o rei a investir no luxo dos palácios e das igrejas. No entanto o aumento da receita pública e privada não se repercutiu em transformações duradouras no plano económico, ou em modificações sensíveis na estrutura social portuguesa. O rei consumiu quase tudo quanto ao estado coube no rendimento das minas brasileiras na manutenção de uma corte luxuosa e em gastos enormes relacionados com o prestígio real, no entanto, o dinheiro não podia, por si só, resolver nenhum problema. A sua utilização reflectia a mentalidade e formação das pessoas que o utilizavam. <br />Ao querer ultrapassar a magnificência do Escorial de Madrid e do palácio de Versalhes, e em acção de graças perante o nascimento do seu filho, manda construir o convento de Mafra, com a inclusão de um grandioso palácio e uma extraordinária basílica (a mais importante realização pessoal de D. João V). Mas Portugal não dispunha de técnica nem de gente para realizar esse projecto, por isso, foi necessário recorrer à importação maciça de artistas estrangeiros e obras de arte inteiramente produzidas fora do país.<br /> O projecto do Palácio Convento foi do arquitecto alemão, Ludwig. Este incluía um grande palácio real, um convento para trezentos religiosos e uma basílica. As obras iniciaram-se em 1717 e duraram até 1750. O rei exigiu que a sagração da basílica se fizesse em 1730, no dia do seu aniversário. Para tentar terminar a obra, foram arrebanhados todos os homens válidos da País e mandados para Mafra, amarrados. Juntaram-se, assim, em Mafra quarenta e cinco mil trabalhadores, além de sete mil soldados que os vigiavam e obrigavam a trabalhar. Com excepção da pedra de lioz, trazida de Pêro Pinheiro, tudo veio de fora. <br />Assim o rei português adquire o cognome de o Magnânimo, devido ás grandes obras no campo das artes, da literatura e das ciências, como o referido convento de Mafra, o Aqueduto das Aguas Livres de Lisboa, a Real Academia Portuguesa de História, a introdução da ópera italiana (com Domenico Scarlatti e a companhia de Paheti).<br />Enquanto o rei se interessava pela ostentação e esplendor da corte, a Inquisição ocupa-se com a ordem religiosa e a moral, estendendo a sua acção aos campos culturais, sociais e políticos. O dramaturgo António José da Silva, o Judeu (1705-1739), que o autor, José Saramago refere no fim do Memorial do Convento, é uma das vítimas.<br />Memorial do Convento é uma narrativa histórica que percorre este período de aproximadamente 30 anos da história portuguesa, no reinado de D. João V, entrelaçando personagens e acontecimentos verídicos com seres conseguidos pela ficção. Saramago fundamenta-se na realidade histórica da Inquisição, da família real, do padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão (inventor da passarola voadora) e de muitas das figuras da intelectualidade e da política portuguesa, embora ficcionasse a sua acção. <br />Passarola Voadora - sonho impossível <br />Bibliografia<br />LUCAS, Ana Maria e CORREIA, Fátima Vieira; Sebenta Editora; Análise: Memorial do Convento<br />http://pt.wikipedia.org/wiki/Inquisi%C3%A7%C3%A3o#A_inquisi.C3.A7.C3.A3o_em_Portugal_e_no_Brasil<br />http://novosnavegantes.blogs.sapo.pt/13018.html<br />MOREIRA, Vasco e PIMENTA, Hilário; Porto Editora; Preparação para o Exame Nacional 2010<br />

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