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Página |83. Contexto da pesquisa3.1 Pedagogia da SituaçãoSegundo Gisèle Barret, a espontaneidade e o imprevisto de situaçõ...
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P á g i n a | 183. por fim, levar ao forno para secar e colocar os fios.Algumas imagens das mandalas pintadas nas tchirts ...
P á g i n a | 196. A experiência vivida dia-a-dia:Dia um (diário de bordo):"O primeiro dia, é sempre o mais difícil, quebr...
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P á g i n a | 23A Mariana tem 11 anos, muito agressiva,conflituosa, disse-me que não pintava,porque não queria. reparei qu...
P á g i n a | 247. A interpretação de cada um(alguns exemplos):Alexandre 9 anosO Alexandre retracta-se como umacriança esc...
P á g i n a | 25Dulce 18 anosA Dulce é uma rapariga amorosa,muito expansiva. Não fez a 2ª mandalapor estar sob o efeito de...
P á g i n a | 268. Resultados da experiência:A análise feita após toda experiência vivida ao longo destes quatro dias, per...
9. Referências Bibliográficas:ARNHEIM, Rudolf (1980). Arte e Percepção visual: uma psicologia da visãocriadora. Thompson l...
P á g i n a | IIGRAUE, M. E. e WALSH, D.J. (1998/2003) Investigação etnográfica com crianças:teorias, métodos e ética. Lis...
P á g i n a | IIITUCCI, Giuseppe (1969). The theory and practice of the Mandala. Dover publications,inc. Mineola, New York...
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Oficina de Expressão - Acredita em ti Mandalas

  1. 1. Departamento de Educação e Ensino a Distância Mestrado em Arte e Educação Oficina de expressão: Acredita em tiUm projecto de investigação no âmbito do Mestrado em Arte e Educação da Universidade Aberta Ana Margarida Mira Lisboa, 2010 Trabalho final da disciplina de ADEA Mestrado em Arte e Educação Professor: Amílcar Martins
  2. 2. Página |2"... um projecto diferencia-se de uma mera actividade de ensino-aprendizagem não sópelos domínios do sentido e da intenção que o orientam, mas também pela própriaorganização, realização e efeitos que dele se engendram..." (Martins, 2002: 93)
  3. 3. Página |3ÍndiceMestrado em Arte e Educação .......................................................................................... 1Introdução ......................................................................................................................... 41. Enquadramento ............................................................................................................. 5 1.1. A cidade de Almada .............................................................................................. 52. A Associação Shams..................................................................................................... 63. Contexto da pesquisa .................................................................................................... 8 3.1 Pedagogia da Situação ............................................................................................ 84. Quadro teórico-conceptual da pesquisa: ....................................................................... 95. Oficina de expressões: Acredita em ti ........................................................................ 10 Destinatários ............................................................................................................... 10 Objectivos da pesquisa: .............................................................................................. 10 Materiais disponibilizados pela Pousada de Juventude de Almada: .......................... 11 Meios necessários: ...................................................................................................... 11 Duração da Oficina: .................................................................................................... 11 Coordenação da Colónia de férias: ............................................................................. 11 Coordenação da Oficina: ............................................................................................ 11 Estratégias:.................................................................................................................. 126. A experiência vivida dia-a-dia:................................................................................... 19 Dia dois (diário de bordo):.......................................................................................... 20 Dia três (diário de bordo): .......................................................................................... 22 Dia quatro (diário de bordo): ...................................................................................... 237. A interpretação de cada um: ....................................................................................... 248. Resultados da experiência: ......................................................................................... 269. Referências Bibliográficas:............................................................................................ I
  4. 4. Página |4Introdução No âmbito da disciplina de ADEA1, foi pedido como trabalho final, um projectode investigação em Arte-Educação. Este trabalho tem como título Oficina de expressão:Acredita em ti. Este trabalho surgiu, através de um convite muito especial que aAssociação Shams, me fez, no sentido de participar em regime voluntariado numacolónia de férias com crianças. A maioria das crianças, encontra-se em regime deinternato em diversas instituições sociais, retiradas aos seus pais devido a maus tratos eoutros problemas de cariz social. No inicio, este estudo, era suposto funcionar comouma antevisão da questão que pretendo investigar e analisar na dissertação de mestradoem Arte e Educação, na criação de uma oficina/actividade a desenvolver através daconstrução de mandalas, com a participação de várias Escolas públicas e privadas doconcelho de Almada. No final, acabou por se reflectir numa ajuda preciosa nocrescimento moral e afectivo destes meninos, que apelam ao coração, sedentos de amore atenção. A aprendizagem foi comum, tanto ao nível afectivo, como ao nível educativoe pedagógico. A finalidade deste estudo2 consistiu em determinar se a representaçãovisual de mandalas em contexto formal, permitiria a construção de um saber próprio esignificativo para os jovens actuais. A utilização de uma linguagem iconográficasignificante, para um sujeito que procura uma interpretação lógica ao que apreende e ointerioriza. O contexto teórico desta pesquisa, procurou envolver o significado inerentee o papel desempenhado pelas iconografias mandalianas, a subjectividade da arte noprocesso cognitivo de aprendizagem e em especial a vertente artística e iconográfica dasmandalas associada a uma reflexão consciente potenciadora de relações afectivas,evocando os princípios e conceitos da doutrina budista, da Arte e de uma AprendizagemConjunta.1 ADEA: Animação e Didáctica das Expressões Artísticas, coordenada pelo professor Amílcar Martins2 Este artigo baseia-se num estudo de investigação da procura da individualidade transcendental eiconográfica de cada um, associando-o a um significado mnemónico.
  5. 5. Página |51. Enquadramento1.1. A cidade de AlmadaA cidade de Almada, sempre foi ponto de apoio e de auxilio no desenvolvimento dacidade de Lisboa, pela sua proximidade, factor este determinante, para a fixação dapopulação junto às suas margens, utilizando o Tejo como meio de subsistência. Acidade de Almada, contém vestígios humanos, que datam desde a pré-história. No finaldo séc. XIX, a indústria existente em Almada proliferou devido ao aumento do sectorcorticeiro e das pequenas indústrias de moagem, expandindo-se e crescendo enquantocidade própria.Em 19973, Almada aderiu ao Movimento das Cidades Educadoras4, assumindo assim "um paradigma de desenvolvimento local, assente no compromisso do diálogo, datransversalidade das acções, da relação entre administrações (local, regional e central)e a sociedade civil", (retirado da página oficial da Câmara Municipal de Almada). Em2004, Almada voltou a subscrever a revisão da Carta das Cidades Educadoras, emGénova. Actualmente, encontra-se a desenvolver um site destinado à construção daCidade Educadora, com vista à implementação das novas tecnologias, como forma dedivulgação da(s) oferta(s) educativa(s) de todas as instituições almadenses. Aparticipação de todos, proporciona "igualdade, de cidadania inclusiva, de participação,de coesão" (retirado da página oficial da Câmara Municipal de Almada), por parte detoda a população e em prol dela."... A cidade educadora deverá encorajar o diálogo entre gerações, não somenteenquanto fórmula de coexistência pacífica, mas como procura de projectos comuns epartilhados entre grupos de pessoas de idades diferentes. Estes projectos, deverão serorientados para a realização de iniciativas e acções cívicas, cujo valor consistiráprecisamente no carácter intergeracional e na exploração das respectivas capacidadese valores próprios de cada idade..." (retirado da Carta das Cidades Educadoras, 2004).3 Década do Desenvolvimento Integrado, com a implementação de novas estruturas viárias, deequipamentos sócio-culturais, educativos e desportivos, implementação de novos espaços verdes e apoiona construção social.4 A Carta das Cidades Educadoras, baseia-se na Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948), noPacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais (1966), na Declaração Mundial daEducação para Todos (1990), na Convenção nascida da Cimeira Mundial para a Infância (1990) e naDeclaração Universal sobre Diversidade Cultural (2001).
  6. 6. Página |6Palco de diversas actividades em prol dos habitantes, diversas associações, esforçam-sepor chegar a todos (crianças e adultos), amor, atenção e principalmente auxílio, numaépoca em que o egoísmo é uma constante na vida das pessoas. É através destasAssociações, que o nosso olhar deve repousar, deve sentir e guardar por estes meninosque precisam do nosso apoio. É através do Seu olhar, que sentimos que um simplesgesto pode significar tanto na vida de alguém.2. A Associação Shams5 A Associação Shams sediada em Almada, promove actualmente, consultas de Apoio Psicológico e Psicopedagógico, de Orientação Escolar e Vocacional, e de Avaliação Psicológica em parceria com a Santa Casada Misericórdia de Almada. Este ano, elaborou uma colónia de férias com criançascompreendidas entre os 9 e os 18 anos de várias instituições sociais, na grande maioriaretiradas aos pais por mal tratos. Ilustração 1 - Actividades desenvolvidas na pousada da Juventude de AlmadaA colónia de férias proporcionou alojamento e alimentação na Pousada de Juventude deAlmada e promoveu inúmeras actividades e passeios por Lisboa, Almada, Trafaria eCosta da Caparica. Todos os monitores que acompanharam estas crianças, foram emregime de voluntariado, abdicando das suas férias em prol delas. A sua extrema5 Sediada na Rua D. Maria da Silva, nº 8, 1º Dto. Sala D – Almada (Praça Gil Vicente), no Conselhode Almada, Setúbal. Contactos: Telefones: 960050044 / 934403872 / 919399109 Email:associacao.shams@gmail.com
  7. 7. Página |7dedicação e carinho para com eles, proporcionou ambientes de elevado companheirismoe cumplicidade. Numa destas actividades, tive a felicidade de poder participar e acabeipor ficar durante quatro dias a acompanhar estas crianças que muito marcaram a minhavida e que me fizeram olhar de uma forma diferente, estes pequenos mundos tãofechados à nossa sociedade. Ilustração 2- Vista da Pousada da Juventude de Almada Ilustração 3 - vistan para Lisboa da Pousada da Juventude de Almada
  8. 8. Página |83. Contexto da pesquisa3.1 Pedagogia da SituaçãoSegundo Gisèle Barret, a espontaneidade e o imprevisto de situações que surgem nodesenvolvimento de uma actividade, são como degraus que nós, enquanto Educadorespela arte, subimos, na construção e enriquecimento de uma visão pedagógica e afectivaentre alunos e pedagogos. A vivência e a cumplicidade criadas pela proximidade"privilegia o vivido individual e colectivo no aqui e agora" (Martins, 2006: 117).Através desta experiência, realizada em contexto educativo-afectivo, a visão de umEducador poderá ser matriz para uma nova construção de proximidade em fazeracreditar mais no potencial expressivo que cada jovem tem dentro de si. Aintencionalidade deste estudo é abordar um conceito doutrinal e iconográfico milenar nacomunidade educativa, possível de suscitar objecto de reflexão para a personagem queeduca e a personagem criativa, que aprende, partilha e constrói o seu próprioconhecimento. Na observação de várias pesquisas feitas por diversos investigadores,especificamente Carl Jung, tenciono analisar imagens e ícones específicos, utilizadospor cada jovem, na construção de mandalas, como processo de aprendizagem. “ (…) Only gradually did I discover what the mandala really is: Formation, Eternal Mind’s eternal recreation (…)” (JUNG: 1973: V)Avaliar a importância das mandalas como iconografia artística num contexto decomunicação pela Arte. A mandala, permite assim, alcançar um estágio de consciênciasuperior, na procura interior de um caminho mais próximo da transcendência. Naimplementação do estudo, considera-se a mandala da Pedagogia da Situação6. Estaanálise pedagógica permite que o Espaço, ou seja, o lugar físico da actividade, numarelação directa com a variável Tempo, predisponha uma análise reflexiva entre aaprendizagem de construção de mandalas num contexto educativo. Além do seuconhecimento científico e da correcta aplicação dos conteúdos programáticos, umpedagogo, deve ter atenção na sua atitude, postura e sensibilidade perante cada um dosseus alunos, para que através da motivação, incentivo, auto-estima, partilha,colaboração e cooperação, cada aluno possa chegar ao seu próprio auto-conhecimento.6 A pedagogia da Situação foi apresentada por Gisèle Barret, em “Essai sur la pédagogie de la situationen expression dramatique et en éducation” em 1986
  9. 9. Página |94. Quadro teórico-conceptual da pesquisa:No enquadramento teórico será analisada a mandala como arquétipo e significadocultural de povos orientais, numa perspectiva histórica da filosofia budista, como "purafilosofia moral, assim como um sistema de ética e metafísica transcendental".7 Nafundamentação teórica das investigações existentes, serão observados alguns autores,entre os quais Carl Jung, como contextualização das teorias ocidentais e metodologiasutilizadas em processos cognitivos. Segundo Jung, o inconsciente pessoal contém todasas informações adquiridas ao longo da vida, mas que são esquecidas, enquanto, que oinconsciente colectivo, é composto por arquétipos e símbolos que representam assituações de formas diferentes. No Budismo Tibetano a mandala é usada como ritual deauxílio à concentração e à meditação (yantra). A mandala como matriz iconográfica epotenciadora da criação e representação de mnemónicas como instrumentos de estudo,funciona como retroacção dos conhecimentos adquiridos nas aulas e serve como meiode reflexão e análise para o pedagogo do processo de entendimento de cada um dos seusalunos. Assim, a expressão plástica, como instrumento mnemónico e auxiliar dememória, nesta situação pedagógica, proporciona a utilização de experiências vividaspor cada um, tanto na sala de aula, como das diferentes variáveis aleatórias ouimprevisíveis que possam ocorrer no exterior. As indicações e principais directrizes dasexpressões artísticas na educação, determinadas pelo professor Amílcar Martins,relativas às"intenções/acções/retroacções/investigações do educador, professor ouanimador: - objectivos gerais de ensino; - acentuações a privilegiar face ao contexto; - princípios de orientações pedagógicas e didáctica; - perfil de atitudes e competências do educador; - formas de intervenção; - retroacção, reflexão e auto-avaliação; - investigação-acção sobre as experiências educativas.".87 TRAVASSOS, Lubélia (2005). Budismo. A filosofia Moral e científica. Inserida na obras da série"Sabedoria Divina". Projecto Anjo Dourado, Mafra. (pp.95).8 MARTINS, Amílcar (coord.)(2002). Didáctica das Expressões. Lisboa. Universidade Aberta, p. 56.
  10. 10. P á g i n a | 10Concepção de mandalas, através da simbologia das cores, representação do Eu.Aplicação e uso de mandalas em contextos educacionais e formativos, de caráctereducativo.Interpretação e significações sobre o uso de mandalas em processos educativos eformativos (concepção de objectivos cromáticos e iconográficos de mandalas, diário debordo e registos áudio e vídeo).5. Oficina de expressões: Acredita em tiA actividade que seguidamente se expõe, foi desenvolvida, como oficina de expressões,com crianças dos 9 aos 18 anos, inseridas em programas de instituições desolidariedade, durante o mês de Julho de 2010, em Almada. As diversas animações quese encontravam inseridas dentro desta oficina, antes apenas destinadas a estas crianças,foram abrangidas pelos próprios monitores que as acompanhavam. O interessedespertado à medida que o "gelo se ia quebrando", fez com que a proximidade afectivafosse uma constante, como à frente irei desenvolver. Com este trabalho, adquiriinstrumentos de observação destas crianças. O seu olhar perante um novo tema, o seuolhar perante o seu Eu e a forma como se interpretavam e principalmente o seu olhar,numa viagem fantástica ao seu interior, num acreditar que todos são capazes de seexprimirem criativamente, sentidas e vividas. O olhar prende-se numa viagem entre oimaginário e o fantástico escrito e desenhado por crianças.Destinatários- Crianças dos 9 aos 18 anos ( grupo de 28 crianças)- Monitores (grupo de seis)Objectivos da pesquisa:- Apreender as características da organização geométrica e cromática da iconografiamandaliana;- Realçar o significado da geometria sagrada e artística nos processos de concepção e decomunicação assentes na estrutura da mandala;- Sensibilizar para o acreditar nas competências artísticas de cada um;
  11. 11. P á g i n a | 11- Utilizar uma mandala como expressão de um sentimento, acontecimento ou memória;- Desenvolver a apetência artística de cada um e o gosto pelo desenho e pintura;- Utilizar a Arte como canal de aproximação entre um Educador/animador/pedagogo eos alunos;- Desenvolver a cooperação e a afectividade dentro do grupo;- Reflectir sobre os comportamentos tidos nesta experiência educativa por parte de todosos participantes- Avaliar as competências adquiridas na concepção de mandalas e na interculturalidade,tendo em conta, a relação criada na atribuição de significados a certos objectos, ao nívelda concepção, implementação e impacto da Arte na Educação;Materiais disponibilizados pela Pousada de Juventude de Almada:- Computador;- DataShow;A sala disponível, foi a sala de convívio, onde foram colocadas mesas e cadeiras, paraas crianças trabalharem.Meios necessários:- Todo o material de desenho e pintura foi levado por mim (lápis de cor e de cera ecanetas de feltro)- Acompanhamento por parte dos monitores durante as actividades (a sua participaçãofoi essencial para as crianças observarem e compararem desenhos);Duração da Oficina:- consoante cada actividade e a participação de todos. Foi estimado duas horas para onúmero total dos participantes (34: 28 crianças e 6 monitores), por cada actividade.Horário:Sábado: da parte da tardeDomingo, 2ª e 3ª feira: depois de jantar, por volta das 9 da noiteCoordenação da Colónia de férias:Drª Maria do RosárioCoordenação da Oficina:Ana Margarida Mira
  12. 12. P á g i n a | 12Estratégias:O projecto foi todo desenvolvido na sala de convívio da Pousada de Juventude deAlmada, pelo espaço físico e pelos materiais disponíveis pela mesma para a realizaçãodesta oficina. Fases Conteúdos Actividades Actividades Complementares A mandala A construção da Observação de um Pintura de uma tibetana mandala powerpoint com imagens mandala já existente. Tibetana. da técnica utilizada na (ficha 3) A filosofia e a construção de uma doutrina Budista. mandala feita por monges As mandalas tibetanos. (ficha 1) indianas e Explicitação da filosofia e chinesas. a doutrina budista. Observação de imagens de diversas mandalas indianas e chinesas (ficha 2) Como A construção de Técnicas de construção de Construção de uma desenhar uma mandala uma mandala. mandala que uma A simbologia das cores. represente o Eu de mandala (ficha 4). cada um Observação de um vídeo onde é desenhada uma mandala pela pintora Milliande (ficha 5)Apresentação Construção de Técnica de representação Construção de uma final uma mandala expressiva de um mandala que Exposição dos acontecimento. represente a colónia trabalhos Técnicas de modelagem de de férias. objectos (ficha 6) Entrega de mandalas Técnicas de pintura em feitas em massa de tecido. modelar a todos os participantes Entrega de tchirts com um desenho de uma mandala desenhada por mim aos monitores.
  13. 13. P á g i n a | 13Ficha 1 - A construção de uma mandalaA todos os participantes (meninos e meninas e seus monitores) foram mostradas uma sequência de imagens daconstrução de uma mandala tibetana. O PowerPoint foi elaborado por mim, não tinha som, nem animações, para queeu pudesse ir explicando todas as fases da construção e permitisse possíveis perguntas que fossem feitas à medidaque ia explicando. Como acabou por verificar.Material para fazer mandalas tibetanas:AreiaPedras transformadas em pó de forma a criar areias de várias coresTampo liso de grandes dimensõesInstrumentos de precisãoComo construir as mandalas:1. Desenhar a giz todo o contorno da mandala. A construção deverá ser feitacom o máximo de rigor geométrico.2. Começar a preencher os espaços com as areias. Deverá ser preenchida do centro para o exterior, por simbolizar adivindade principal, geralmente Budha.Cada preenchimento deve ter atenção à divindade que se presta homenagem. O cuidado é extremo e apormenorização uma constante.3. No final da construção toda a mandala é apagada, da divindade mais importante para a menos e lançada ao mar.Esta decisão de a apagar dá importância não ao produto final, mas sim a todo o processo de construção. Os mongestibetanos acreditam que através da construção de uma mandala, conseguem criar uma canal com o Universocósmico, com o Conhecimento supremo, a Luz, mas que através da sua entrega ao rio ou mar, o entregam de novo àsua origem, quase como uma bênção, uma atitude partilha. Onde tudo é da natureza, o Homem apenas tem acesso aela mas nunca tem o direito de a manter.
  14. 14. P á g i n a | 14Nota: a construção da mandala tibetana, simboliza o palácio da divindade, cada área é preenchida por ummonge. Este processo pode demorar dias ou até mesmo semanas. A concentração é essencial para a suaconstrução.Ficha 2 - Mandalas Indianas e ChinesasA todos os participantes (meninos e meninas e seus monitores) foram mostradas uma sequência de imagens demandalas indianas e chinesas.Material para fazer mandalas indianas:Areia /giz brancoFlores (no caso de mandalas indianas)Como construir as mandalas:1. Desenhar a giz a mandala `aporta de casa todas as manhãs como sinal de protecção.2. Algumas mandalas são feitas com flores no meio da rua, geralmente em épocas festivas.
  15. 15. P á g i n a | 15Ficha 3 - Pintura de uma mandalaA todos os participantes (meninos e meninas e seus monitores) foi pedido que pintassem a mandala abaixo emanexo. Cada um deveria começar por pintar o centro (simbolizando o Eu de cada um) e continuassem para o seuexterior.Material para fazer mandalas tibetanas:Desenho de uma mandala pré-concebidoLápis de cor e de ceraCanetas de feltroNome: __________________________________________________________ Idade: _____
  16. 16. P á g i n a | 16Ficha 4 - Panfleto sobre mandalasA todos os participantes (meninos e meninas e seus monitores) foi entregue um panfleto de explicação sobre tudoapreendido ao longo das actividades. Mandala As mandalas são muitas vezes constituídas por A palavra mandala de origem sânscrita, caracteriza-se uma série de círculos concêntricos, cercados por um quadrado que, por sua vez, é cercado por outro por um círculo, (círculo mágico) parte do centro círculo. O quadrado possui um portão no centro de sagrado. É uma representação geométrica da relação cada lado, o principal voltado para o leste, com outras três entradas em cada ponto cardeal. Eles entre o Homem e o Cosmo. Representa a roda (círculo) representam entradas para o palácio da divindade e a Totalidade (todo). principal e são baseados no desenho do templo indiano clássico de quatro lados. Mand= essência La= iluminação Tais mandalas são plantas elaboradas do palácio, visto de cima. Os portais, porém, muitas vezes são "deitados", assim como os muros externos. O conjunto é a perfeição da alma, do espírito. As Estes portais são elaboradamente decorados com símbolos tântricos. A arquitectura da mandala representa tanto a natureza da realidade como a ordem de mandalas ajudam cada um de nós a reflectir sobre a uma mente iluminada. [...] nossa vida. A divindade central representa o estado da iluminação [...] e as várias partes do No Budismo, representa o palácio da divindade, palácio indicam os aspectos chave da personalidade iluminada. As divindades a dimensão da mente iluminada (do iradas representam as próprias emoções negativas — como a raiva, o ódio, o conhecimento). No Tibete, os monges desejo e a ignorância — transmutadas na consciência iluminada de um buddha. representam mandalas com areia, demoram horas, dias a fazê-las e no fim apagam e lançam (John Powers, Introduction to Tibetan Buddhism) ao mar. Em toda a nossa história, muitos povos desenharam mandalas. A ideia importante não é o aspecto final, mas como cada um representa a sua mandala. Como utiliza as cores e o que cada uma significa para si. São muito utilizadas para desenvolver a criatividade de cada um de nós. Calendário Inca Rangoli (arte indiana) Vitral da Igreja Santana S. Paulo Existem três tipos de mandalas: Culto (mandalas tibetanas) têm no centro a divindade mais importante: Shiva ou Budha Terapêuticas: muitas vezes servem para "curar" o nosso interior, são imagens de As mandalas representam-se através de imagens como nos sentimos, o que concêntricas (á volta de um círculo) ou através de temos de melhorar, figuras geométricas. o que nos preocupa. Muitas das mandalas japonesas que conhecemos, são baseadas em doutrinas e ensinamentos budistas, Meditação: para reflectir originalmente trazidos da Índia para a China. sobre nós.(estrutura da parte da frente do panfleto) Como pintar mandalas 1º O centro é a parte mais importante da mandala. Pode estar marcado ou não, mas tem de se perceber a sua existência. Antes de se desenhar e pintar uma mandala, deve-se lavar as mãos. Este elemento não pertence ao mundo material: é a força da mandala. Lavar as mãos simboliza o afastar do nosso O círculo exterior que fecha a mandala deve ser preenchido com desenhos, corpo e do nosso espírito tudo o que existe de negativo. reflectir ou fazer uma oração sobre o símbolos e cores. Simboliza o espaço sagrado do profano. que se pretende desenhar. 2º Trabalha a mandala até sentires que está concluída. Roda o desenho várias vezes, de diferentes ângulos. Deve ter um certo equilíbrio. É muito importante saber o motivo (intenção) pelo qual se desenha uma mandala. Cada um dá o significado que quer à sua mandala. 3º Quando encontrares a orientação que aches correcta, marca-a para saberes para que lado fica voltada. No final dá-lhe um título. Significados das cores: Vermelho A cor do amor, da atração, força e vitalidade. Pode ser usada para dar energia a alguém que está diante de situações difíceis. Azul A cor da paz, relaxamento, suavidade e paciência. Pode ser usada para pessoas que estão a passar por momentos de stress, ou simplesmente para acalmar o ambiente e os que estiverem ali. Amarelo A cor do pensamento, activadora da mente e energizante. Ideal para estimular os estudos e para pessoas com algum problema de memória ou falta de concentração. Verde A cor da cura e saúde. Pode ser usada para diminuir problemas de saúde, não esquecendo que o verde tem um pouco do azul e do amarelo e trás consigo as características destas duas cores. Lilás A cor da elevação espiritual, bondade e harmonia. Pode ser usada por alguém que se sente injustiçado sem motivo real, alguém em busca de explicações sobre a existência e a religiosidade, não esquecendo que o lilás tem um pouco do azul e trás consigo as características desta cor. Laranja A cor da energia. É a mistura de vermelho e amarelo e trás em si as qualidades de ambas de maneira equilibrada. Boa para todos os ambientes se aplicando a todos os tipos de negócio. Branco A cor que é a junção de todas as cores existentes na natureza. Purifica e equilibra o indivíduo e o ambiente. Bom para qualquer ambiente e negócio.(verso do panfleto)
  17. 17. P á g i n a | 17Ficha 5 - Pintura de uma mandala pela artista MillianeA todos os participantes (meninos e meninas e seus monitores) foi mostrado um vídeo onde a pintora Milliane,desenha uma mandala. Zendalas- How to Draw a Mandala Zentangle Style.mp4Nota: O vídeo poderá ser visto no Youtube.http://www.youtube.com/watch?v=C4Nlz4XMxcsFicha 6 - Construção de uma mandala através da modelagemForam oferecidos a todos os participantes (meninos e meninas e seus monitores) uma mandala criada por mim.Material para fazer mandalas:Pasta de modelarFios de couro azul e brancoMissangas e pedras de cores branca e violetaMoldes de figuras geométricas (estrelas e círculos)fornoComo construir as mandalas:1. Trabalhar a pasta de modelar e cortá-la em círculos, utilizando um copo.2. Com os moldes, fazer desenhos. No centro uma estrela (simbolizando cada um), à volta outra (de protecção).Preencher com missangas violetas cada vértice da estrela. Os espaços formados pelos vértices, preencher com pedrasbrancas.
  18. 18. P á g i n a | 183. por fim, levar ao forno para secar e colocar os fios.Algumas imagens das mandalas pintadas nas tchirts dos monitoresSimbologia da mandala pintada em tecido:Centro o S: simboliza o S da Associação ShamsOs círculos laranjas e brancos: os monitores e todos os que dinamizaram esta colónia de férias.À volta, Flores que se transformam em corações: simbolizam os cinco grupos de criançasdistribuídas aos monitores(Sky, wind, water, star, sun).
  19. 19. P á g i n a | 196. A experiência vivida dia-a-dia:Dia um (diário de bordo):"O primeiro dia, é sempre o mais difícil, quebrar barreiras, portas que se fechamperante os nossos olhos, perante as nossas palavras. Foi uma decisão muito pensada,como seria esta minha viagem neste mundo tão desconhecido para mim. Vinte e oitocaras que se mostram perante mim... vinte e oito portas que se fecham à medida queinterfiro no seu mundo. Converso com os monitores e sinto que cada olhar repousa emmim, cada gesto que faço é observado ao milímetro. Sou analisada. Sinto isso! Sintoque me consideram uma intrusa, não percebem qual é o meu papel, a minha função.estarei ali para os analisar. Farto disso estão eles. os mais novos não me sentem muitocomo ameaça, mas os mais velhos sim! Pelo que percebi, pessoas que fazemdemasiadas perguntas, ou que os tentam analisar, são as principais responsáveis por não estarem com os seus pais. Senti-me uma ameaça. Como também sou mãe, levei os meus filhos, para que me vissem, não como uma intrusa, mas sim como uma pessoa, também ela com família, também ela comreceios e alegrias. O carinho e a atenção que me viram demonstrar para com os meusfilhos, foi como uma porta aberta que eles permitiram abrir para esta viagem que mepropus fazer. Consegui falar com alguns, apenas os mais novos. Sinto um toque no meubraço e ouço umas palavras cheias de preocupação e ao mesmo tempo de maturidadedos seus 9 anos. A sua voz doce permite-me voar perante aquele emaranhado decaracóis que se vislumbra à minha frente. Chama-se Alexandre, reparo que só tem umaperna, mas pelo o que soube é o mais vivaço de todos.- Se calhar ele tem medo das minhas muletas. (referia-se ao meu filho mais novo,Tomás com 1 ano).- Não. Digo-lhe. - Porquê?- Porque toda a gente tem medo, ninguém se aproxima de mim, quando vêm as muletas.
  20. 20. P á g i n a | 20Aquelas palavras, fizeram-me abanar, senti vontade de o abraçar, aqueles olhossedentos de amor e carinho, fizeram-me oscilar.- Não te preocupes, ele não tem medo, ele até se ri para ti.Aqueles olhos de um momento para o outro encheram-se e brilharam, durante o restodo tempo que lá estive, teve sempre ao lado dele. Duas meninas mais velhas (ambascom 18 anos), a Sandra e a Dulce, vieram pegar no Tomás ao colo, andaram com elepara cima e para baixo.Os rapazes mais velhos, foram a maior dificuldade, percebi que as suas atitudes eramleis para os mais novos. Um sentimento de respeito incrível. percebi que seria atravésdeles que teria de ganhar a sua confiança. Tomei uma decisão, os mais velhos têmautorização de fumar, desde que acompanhados com algum monitor. Aproveitei isso,em meu próprio benefício. Sentei-me no chão ao lado deles, meti conversa sobremúsica. O gelo foi-se quebrando. Ao final daquela tarde, tinha conseguido muito,recebi os parabéns dos monitores. Até eu própria estava feliz e surpresa. Passei a serum deles.Vi, com atenção o carinho que as meninas continuavam a prestar ao meu filho maisnovo fazendo as delícias daquelas carinhas larocas. Fizeram questão de lhe dar a papa.senti-me feliz, tinha quebrado o gelo. Olhei com carinho, o meu filho mais velho jogavaà bola com uns amiguinhos que fizera. Conversei com os monitores, amanhã voltarei."Dia dois (diário de bordo):" Hoje aprendi muito com estes miúdos. Aprendi a olhar de forma diferente, a olharpara cada um deles, a aprender através de cada um. Quando cheguei fui recebida pelosmais novos, esperavam com ansiedade a minha chegada. Sentados no chão outros em cadeiras, formavam pequenos grupos à espera da minha suposta aula. Os mais velhos com um ar de "seca", olhavam para mim e de vez em quando "atiravam bocas" pelos minutos que demorou ainda a instalar o power point nocomputador. Senti-me nervosa. Apesar dos largos anos de experiência que tenho comoprofessora, senti-me julgada. Continuei. As luzes apagaram-se e começaram a surgir
  21. 21. P á g i n a | 21inúmeras imagens, umas após outras comecei a explicar toda a construção dasmandalas. Comecei a ver braços no ar, parei e dei-lhes a palavra. Uns atrás dosoutros, as perguntas eram imensas...."e os monges têm paciência para fazer isso dasmandalas?", "e como partem as pedras para ficar em pó?", "ai, eu não conseguia fazerisso assim tão bonito!". Era extraordinário sentir aquelas caras deslumbrantes a olharpara as imagens e a fazer perguntas. O filme acabou e pedi-lhes para pintar umamandala que lhes tinha trazido. Ouvi inúmeros comentários "eu não sei se consigo", "epinto de que cor?", "monitora, como vou ter tempo para pintar isto?", expliquei-lhesque o tempo era indiferente, que se deixassem ir, tivessem em atenção as cores quemais os simbolizavam e a partir daí começaria a sua viagem. Achei que era capaz deconseguir tirar inúmeras fotografias...inúmeros vídeos... mas com estas crianças foiimpossível, tinha de fazer parte do grupo. Tinha de pertencer a eles. Pousei a máquinae sentei-me ao lado deles. à medida que iam desenhando, iam conversando comigo,contando porque estavam nas instituições, porque não estavam com os seus pais.percebi que os mais pequenos, sentiam saudades dos pais. Sabiam que estavam melhornas instituições, mas a falta do pai e da mãe ao lado é um bem precioso. Percebi quenenhum estava para adopção, os pais não queriam. Mas os mais velhos até nemqueriam regressar. Senti tristeza, naqueles olhares. Senti vontade de os trazer a todoscomigo. Hoje foi um dia muito intenso, para mim, porque vivenciei uma realidade quenão estava à espera. Se eu pudesse guardava-os a todos. perto de mim..."
  22. 22. P á g i n a | 22Dia três (diário de bordo):" Hoje foi o dia mais difícil para eles, vimos um vídeo de uma pintora e a seguir quandolhes pedi para que criassem uma mandala que simbolizasse cada um, começaram-se a ouvir reclamações "não consigo", "para que quer saber como eu sou?", "não sei se sou capaz". Umas atrás das outras começaram a turbilhar dentro de mim. Pedi-lhes silêncio, expliquei-lhes que eram livres de não o fazer. Não iria impor nada, estava apenas a pedirum desenho. deixo aqui alguns comentários que me marcaram. A Inês tem 11 anos, no início começou por pintar a mandala toda em cor de rosa. Puxou- me por um braço e ao meu ouvido disse-me "monitora eu não sou toda cor-de-rosa". larguei tudo e sentei-me com ela. Perguntei de que cor era. Disse-me depois de muito pensar que "eu sou verde...sim verde como a Natureza". Perguntei-lhe " e de um só verde ou vários verdes?" "muitos....sim sou muitos verdes". Propus que fossemos buscar os taisverdes, senti a sua mão na minha, e deixou-se ir. Senti-me feliz, pelo voto de confiança.Sentámo-nos, à medida que ia pintando, ia contando coisas, até que disse "eu sou comoo mar, como as ondas do mar, umas vezes sou calminha outras não" Adorei aquelaexpressão. Fui buscar os azuis. No final, orgulhosa do seu desenho, mostrou-mo.
  23. 23. P á g i n a | 23A Mariana tem 11 anos, muito agressiva,conflituosa, disse-me que não pintava,porque não queria. reparei que tinhapintado os braços dela, cheios decorações, mostravam um amor deinfância platónico, o qual ninguémpoderia saber. Perguntei-lhe se estavaapaixonada "não pode contar a ninguémé segredo"disse-me. Prometi-lhe que não faria. Chamei-a para lhe mostrar as minhasmandalas, também eu quando não quero que ninguém saiba o que penso, por vezesescrevo frases, palavras, ou desenhos que só eu sei o que significa. Perguntei-lhe senão era capaz de fazer o mesmo. Representar aquele amor enorme que a consumia.Este foi a sua representação.Dia quatro (diário de bordo):Hoje tinha planeado inúmeras coisas, mas os miúdos surpreenderam-me! Estavamtodos à minha espera, fizeram-me uma surpresa. Preparam uma pequena festa, tinhamprendas (que a associação comprou por eles, apesar de terem sido escolhidas por eles)para oferecer, aos monitores, uns aos outros e .....a mim....Senti uma alegriaestonteante, não estava á espera. Senti-me que nem Maria Madalena e chorei quandome ofereceram um fio... com UMA MANDALA. Beijos, abraços, lágrimas, risos, aquelasala encheu-se de uma energia tão forte que quase que rebentava com o recinto. Era oseu último dia. Ofereci-lhes as mandalas que estive a fazer durante quase toda a noite.Receberam a prenda com o maior carinho. Percebi que não estavam à espera. Vousentir a falta deles. Apesar do pouco tempo que estive com eles, foi sentido, foiprofundo. Aprendi a dar valor a pormenores que se calhar não percebia. Aprendi aconfiar neles. Sinto que eles aprenderam a acreditar....sim ACREDITAR que sãocapazes de fazer coisas bonitas, mesmo no mundo tão negro onde acham que estão.Acho que esta foi a maior experiência de ambas as partes. Eu conseguir transmitir, quetodos são capazes de fazer uma obra de arte e principalmente de TODOS acreditaremque são capazes de a fazer..."
  24. 24. P á g i n a | 247. A interpretação de cada um(alguns exemplos):Alexandre 9 anosO Alexandre retracta-se como umacriança escura (preta), por ser mulata.Acha que não existe cor na sua vida.Quando se retracta junto dos outros (1ªimagem) sente-se integrado.Ana Carina 14 anosA Ana é pouco expansiva, fala muitopouco, por vezes acanhada. Prefere ainstituição a voltar para junto dos pais.
  25. 25. P á g i n a | 25Dulce 18 anosA Dulce é uma rapariga amorosa,muito expansiva. Não fez a 2ª mandalapor estar sob o efeito de medicação(não me foi facultada o motivo damedicação).Inês 11 anosRetracta-se como sendo verde e azul.Mantêm o mesmo raciocínio deassociação de cores em ambas asmandalas.Micael 11 anosO Micael quando se retracta junto dosoutros é um menino feliz. Quando é oseu Eu, utiliza o preto. Confessou-meque descobriu que a mãe tem umcancro e quer voltar para junto dela.Sandra 18 anosRetracta-se de cores cinzenta e rosa,porque acha que é feliz na instituiçãoapesar de ter de sair por fazer agora 18anos. Retractou o Eu (2ª imagem)como se fosse um caos a sua vidaagora.Maria do Rosário (monitora)Considera que o que a faz feliz é estarcom estes meninos, apesar de saberque é uma coisa que a consomeemocionalmente. Considera-se feliz(verde) por trazer a esperança até eles.
  26. 26. P á g i n a | 268. Resultados da experiência:A análise feita após toda experiência vivida ao longo destes quatro dias, permitiu-merever o provérbio chinês, disponibilizada pelo professor Amílcar Martins (Martins:2002: 21) Diz-me e eu esquecerei Ensina-me e eu lembrar-me-ei Envolve-me e eu aprendereiA vida de um pedagogo é uma caixinha de surpresas, a todo o instante somosbombardeados por novos alunos, novas tendências, novas metodologias, mas nuncaestamos preparados para vivenciarmos estas realidades sociais tão descabidas nummundo que se diz tão desenvolvido. Estes jovens, que perderam confiança nas pessoasque as trouxeram ao mundo e que deveriam zelar constantemente por elas. São asprimeiras a falhar. As instituições que as recolhem, também não sabem dar amor eafecto de pai e mãe. Pelos corajosos voluntários, a que ninguém lhes dá o mérito quemerecem, por desenvolverem actividades e experiências para estes jovens. Pela palavrade apoio que todos deveríamos dar a estes jovens para eles ACREDITAREM em si, quesão capazes de conquistar o mundo através da Arte. Que são capazes de voar mais alto.Foi isto que eu aprendi, aprendi a ser melhor, um pouco mais e também eu vou subindomais um degrau desta enorme escadaria, tentando seguir lado a lado destes jovens,dando palavras de amizade, ternura e confiança. Para juntos aprendermos a fazer ummundo melhor.Acredito que esta pequena experiência me fez perceber, qual o caminho a seguir naminha proposta de dissertação e onde poderei estar a falhar e onde devo melhora
  27. 27. 9. Referências Bibliográficas:ARNHEIM, Rudolf (1980). Arte e Percepção visual: uma psicologia da visãocriadora. Thompson learningBARRET, Gisèle (1992). Pédagogie de lexpression dramatique. Montréal: Rechercheen expression.BODGAN, Robert e BIKLEN, Sari (2006), Investigação Qualitativa em Educação –Uma Introdução à Teoria e aos Métodos. Porto. Porto Editora.CARMO e FERREIRA (1998, pp. 175-178) artigo cedido pela docente da disciplinade Metodologias de Investigação Educacional, Universidade AbertaCLÉMENT, Élisabeth e outros (1994) Dicionário prático de Filosofia. Terramar -LisboaCRAFT, Anna (2004). A Universalização da criatividade. In Cadernos de Actividade:Criatividade e Educação. Associação Educativa para o desenvolvimento da Criatividade– Lisboa.CROSSMAN, Sylvie and BAROU, Jean-Pierre (1995). Tibetan Mandala: Art andpractice the wheel of time. Konecky & KoneckyCURRÍCULO NACIONAL DO ENSINO BÁSICO – Competências essenciais.(2001). Lisboa. Departamento do Ensino Básico do Ministério da Educação.DIAS, J.M.Barros (2004) Ética e Educação. Universidade Aberta – LisboaECO, Humberto (1971). A Definição de Arte. Lisboa. Edições 70.FERNANDES, Arménio. Projecto ser mais – Educação para a sexualidade online(artigo).FERNANDES, Domingues (1991). Notas sobre os paradigmas da investigação emEducação. Artigo publicado Noesis (18), pp.64-66.FERNANDES, Luís (2002: 26-27). Em, CARIA, T. (2002) (org), Experiênciaetnográfica em Ciências Sociais, Porto, Edições Afrontamento.FIORAVANTI, Celina (2004) Mandalas 32 caminos de sabiduría. PluralsingularEdiciones, S.L. Madrid – EspanhaFONSECA, Victor da (2001) Cognição e Aprendizagem. Colecção: Educação para oséculo. Rainho e Neves, Lda – Lisboa
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