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  1. 1. J o i n v i l l e                   ­                    D o m i n g o ,   1 6   d e   J u n h o   d e   2 0 0 2                   ­                    Santa Catarina  ­  Brasil        ANotícia     SURPRESAS NA RUA Leia também Artistas integram projeto Trindarte, que  extrapola a simples remodelagem dos  Passeio muros e inclui outras manifestações  culturais cheio de surpresas Fotos: James Tavares   Postes de duas ruas de Jaraguá do  Sul são transformados em novos  Trindade suportes artísticos com cara nova Jaraguá do Sul ­ Tudo mudou. Agora, cada poste é  motivo de exclamação. As crianças ficam  encantadas, obrigando os pais a pararem no meio  Projeto de revitalização do espaço urbano em bairro da  do caminho. Os adultos nem sempre sabem  Capital envolve artistas e comunidade responder a tantas perguntas diante de imagens e  desenhos inusitados. A principal rua do bairro  Carla Pessotto Czerniewicz, a Jorge Czerniewicz, que passa em  frente ao centro cultural da Sociedade Cultura  os poucos, o visual do bairro Trindade, na  Artística (Scar) de Jaraguá do Sul, sofreu radicais  A Capital, vai mudando. Muros antes cinzas ou  recobertos por cartazes estão ganhando  modificações com a transformação dos cinzentos  postes em painel para obras de artistas locais,  desenhos e cores através do trabalho desenvolvido por  ganhando cores e formas em estilos variados, do  um grupo de artistas plásticos da cidade. O processo  clássico ao contemporâneo. O mesmo aconteceu  de revitalização do espaço urbano do local, no  com outros 16 postes da rua Ângelo Rubini, na  entanto, começou há mais tempo e envolve uma série  Barra do Rio Cerro, rua que dá acesso ao Parque  de outras ações. Malwee e a Pomerode.  Nos últimos dois anos, quatro projetos foram sendo  Os artistas plásticos de Jaraguá do Sul e o  colocados em prática pela Associação dos Empresários da Trindade  convidado especial Môa mostraram sua técnica e  (Asset), entidade vinculada à Associação Comercial e Industrial de  habilidade num novo suporte. O projeto foi  Florianópolis (Acif). O primeiro foi dirigido à limpeza  o Trindade Limpa,  idealizado pela diretora de artes da Scar, Denyse  com a colocação de 65 lixeiras ao longo das duas principais vias, Lauro  Zimmermann da Silva. "A idéia é mostrar os  Linhares e Madre Benevenuta. talentos dos nossos artistas, e também embelezar  Depois, foi a vez do Trindade Verde, com a adoção de praças e canteiros,  a cidade", situa ela.  que ganharam novas plantas e manutenção constante. O trabalho teve  A diversidade plástica impressa nas obras é o  continuidade com o Ande Bem, que incentiva a padronização das  ponto alto do projeto, que contou com o apoio das  calçadas pelos proprietários dos imóveis e que já trocou 300 metros de  "Voluntárias da Arte", denominação dada a 17  passeio.  pessoas que facilitam o trabalho dos artistas. Um  "É possível sentir uma mudança nos moradores e em  dos próximos desafios da Associação  quem estuda ou trabalha no bairro. Eles se sentem  Jaraguaense dos Artistas Plásticos (Ajap) é  mais valorizados", afirma Rodolfo Hess Neto,  conseguir autorização para fazer pinturas artísticas  empresário e morador do bairro, que também participa  no viaduto do bairro Vila Lenzi. da Acif­Asset.   Para Rafael Pereira Oliveira, produtor cultural da Áprika,  que assina a coordenação do Trindarte  projeto que  inclui a pintura dos muros  de imediato, o novo visual  Participantes tem como conseqüência uma mudança de humor nos  moradores, pela aparência mais agradável das ruas. "O  acesso à arte de qualidade também estimula uma reflexão crítica, que  Revitalização passa a ser utilizada pelas pessoas no cotidiano", argumenta ele.  do espaço urbano "Estamos criando uma galeria de arte ao ar livre." Ana Paula Alves de Souza, estudante de música na Universidade Federal  1ª Etapa  de Santa Catarina (Udesc), é uma das artistas do projeto Trindarte.  Adolfo Zimmermann, Mármara Gonçalves,  Responsável pelo pintura de dois muros, ela tem como inspiração as  Mariângela Ferreira Guimarães, Rossana Subtil,  inscrições rupestres ­ desenhos em rochas deixados por civilizações pré­ Ana Paola Bruck Ramos, Fernando Bastos,  históricas. Marilda Freitas Puff, Rosane Breithaupt, Reinhardt  "A arte visual é uma linguagem. O meu trabalho tenta passar uma  Mathias Conrads, Dú Jahnke, Inácio Carreira, Tito  mensagem sobre a necessidade de preservação da cultura e de respeito  Hille, Marisa Kaufmann, Celaine Refosco, Paulo  aos nossos ancestrais", explica. Segundo ele, o processo histórico leva a  Saban, Valdete Hinning, Heloísa Hinning, Cristina  uma elitização da arte, enquanto que essa proposta, garante, é  Pettri, Fernando Bastos, Cláudia Flesch e Daniele  democratizante. Ehlert O Trindarte extrapola a simples remodelagem dos muros e inclui todas as  manifestações culturais, explica Pereira Oliveira. Já foram organizados  espetáculos de teatro, dança e música ao ar livre, com acesso grátis à  2ª Etapa  população. A fase atual propõe a formação de arte­educadores que,  Rosane Breithaupt, Adolfo Juliano Zimmermann,  depois de fazer um estágio já acertado com Gilberto Dimenstein em São  Valdete Hinning, Cristina Pettri, Maria Aparecida  Paulo, vão atuar junto aos alunos de 5ª a 8ª séries da Hilda Theodoro e  Maes Beleza, Simão Hess, duas escolas públicas do bairro. O jornalista desenvolve o  Karla Graciola, Fernando Bastos, Inácio Carreira,  projeto Aprendiz junto a crianças carentes da periferia de São Paulo, que  Paulo Saban, Bianca Macoppi Oliari, Mônica  tem como suporte a arte. "Depois disso, os alunos é que deverão pintar  Macoppi, Tito Hille os muros", explica o produtor. Aurélia Valentin Gomes, Beatriz Bertoli de Araújo,  Outra proposta é a criação de um quiosque cultural, um caminhão­palco  Roberto Lanznaster, Marina Lueders, Môa, Rodrigo  itinerante, que fará uma apresentação semanal em locais diferentes do  Martello, Michel Albuquerque, Jonas dos Santos,  bairro. "Temos a chancela municipal e estadual para a captação de  Marisa Kaufmann, Denyse Zimmermann da Silva,  recursos através das leis de incentivo cultural e são estes recursos que  Ana Paola Bruck Ramos, Rossana Subtil, irão viabilizar a idéia." Marilda Freitas Puff, Ronaldo Lima Edson Lima, Celaine Refosco, Alencar Giovanella,  Dú Jahnke, Diovani Rubens Riedel e Marlene Mann Dança dá ritmo e movimento ao galpão cultural de Joinville Aposta na força da família
  2. 2. irão viabilizar a idéia." Marilda Freitas Puff, Ronaldo Lima Edson Lima, Celaine Refosco, Alencar Giovanella,  Dú Jahnke, Diovani Rubens Riedel e Marlene Mann Dança dá ritmo e movimento ao galpão cultural de Joinville Aposta na força da família Divergências na Casa da Cultura mudam rumos dos  professores, que montam oficina já com resultados Em cartaz em São José, "Os  Excêntricos Tenenbaums" fala das  Marlise Groth relações humanas com humor e Joinville ­ Após 12 anos de trabalho na Escola Municipal de Balé da Casa  amargurada Cultura Fausto Rocha Júnior, em Joinville, o professor Marcos Sage, detentor de 25 prêmios como coreógrafo e bailarino, alça novos rumos.  Luiz Carlos Merten Desde março, ele, em conjunto com a professora Alessandra Hilário, é o  Agência Estadoresponsável pela Oficina do Ballet instalada na Cidadela Cultural Antarctica. As atividades, que iniciaram meio no improviso, já ganharam  São Paulo ­ Talvez a mais clássica de todas as forma. O galpão, destinado ao ensino de dança, recebeu benefícios e  histórias sobre crianças prodígios que viram embora ainda necessite de ajustes, com o apoio dos alunos ­ e seus  adultos fracassados seja a de "O Que Terá familiares, tornou­se um local onde é possível realizar ensaios regulares,  Acontecido a Baby Jane?", de Robert Aldrich, com criar e trabalhar em harmonia.  Bette Davis e Joan Crawford como as duas irmãs Prova disso são as 16 coreografias ensaiadas na oficina, em parceria com  que nunca se amaram e agora fazem de tudo para os integrantes do Projeto de Apoio e Incentivo ao Esporte Educacional  infernizar a vida uma da outra. Wes Anderson não (Paiee). Além de oferecer aulas regulares de balé clássico, o espaço  segue essa trilha em "Os Excêntricos assessora grupos locais que buscam aperfeiçoamento. O Paiee é o  Tenenbaums". O filme, em cartaz em São José, primeiro deles. Todo o trabalho é gratuito. possui um charme todo particular. Não é nem um A transferência de Marcos Sage e Alessandra Hilário para a Cidadela  pouco realista ou naturalista. Anderson trabalha no Cultural Antarctica não se deu por acaso. Como explica o diretor cultural  registro da parábola. Mostra personagens da Fundação Cultural de Joinville (FCJ), Jair Mendes, é fruto de um  confrontados com eles mesmos, que precisam problema de "coexistência pacífica que existiu ano passado na Escola  reavaliar suas vidas para seguir em frente. Municipal de Ballet. Esses professores prestam um serviço fabuloso à  Já era assim em seus filmes anteriores, "Pura comunidade. Não podíamos deixá­los na rua por causa de diferenças  Adrenalina" e "Três é Demais", mas agora ele pessoais com a administradora da escola, Flávia Vargas", justifica. muda completamente o tom. A família Tenenbaum O interessante, é que além de Marcos e Alessandra, concursados,  é realmente excêntrica. O primeiro capítulo do nenhum dos professores contratados para lecionar ano passado  filme, narrado como conto infantil, com direito a permanece na Escola Municipal de Ballet em 2002. O quadro foi todo  ratinho na esquerda da tela e tudo, mostra quem remodelado. Segundo a diretora da Casa da Cultura, Marina Mosimann, o  são essas pessoas. As crianças são todas motivo alegado por Flávia Vargas foi "que os antigos professores não se  geniais. Um é um gênio das finanças que enquadravam em sua maneira de trabalho". Para Marina, que lamenta os  comanda um escritório como se fosse a coisa atritos, não se pode questionar o profissionalismo dos professores, mas é  mais natural do mundo, outro é campeão de tênis preciso respeitar a coordenadora que assumiu o cargo em 2001, com  e, a terceira, pois é ela, é uma menina que foi autonomia didática e pedagógica.  adotada e publicou sua primeira peça aos 10 anos. Em 2001, o impasse administrativo e pedagógico chegou a tal ponto que os professores teriam pedido a exoneração de Flávia. "Ela tirou nossa  Anjelica Huston é a mãe e viaja no sucesso dos autonomia em classe e criou uma situação de paternalismo junto a um  filhos, escrevendo um livro sobre o processo de grupo de alunas que originalmente pertenceu à sua própria academia",  lidar com todas essas personalidades fora de comenta o professor Ronald Soares. Para as jovens Sarah Fanarof, 16,  esquadro. Gene Hackman é o pai e aqui o Tatiane Guesser, 16, Kayka Oliveira Couto, 12 e Zaiane Almeida, 16, a  problema é mais complicado. Ele não apenas não transferência do professor Marcos Sage para a Cidadela Cultural  liga para a genialidade dos filhos. Não liga para Antarctica foi um pouco traumatizante, mas só serviu para ressaltar sua  eles, mesmo. competência.  Papai e mamãe separam­se, mamãe arranja um "Joinville precisa descobrir o valor do Marcos. Ele tem muito talento para  pretendente e os filhos, que eram gênios, revelam­ficar escondido aqui", argumenta Sarah que há oito anos iniciou estudos  se adultos fracassados. Você já viu esse filme, de balé na Casa da Cultura. Para Zaiane, sete anos de clássico, "é um  mas nunca tratado dessa maneira. Por uma série absurdo ver o professor sair da Casa da Cultura, um local que ajudou a  de circunstâncias, a família vê­se reunida sob o construir". Em licença maternidade, Flávia Vargas foi procurada cinco  mesmo teto. O pai simula estar morrendo de vezes, por telefone, mas não retornou as ligações para comentar o  câncer para ser aceito. Os filhos exibem graus assunto. variados de ressentimento. O mais radical é Ben  Stiller, o ex­gênio das finanças. Luke Wilson, o ex­ campeão de tênis, é apaixonado pela irmã, mas  Gwyneth Paltrow, afinal de contas, não é irmã de  verdade. E há um quarto "irmão", interpretado por  Autonomia amplia Owen Wilson. É o vizinho cujo único sonho era  entusiasmo e agenda do grupo fazer parte da família Tenenbaum, sendo aceito  como um deles. Espera consegui­lo casando­se Com autonomia para trabalhar na Oficina do Ballet instalada num dos  com a outrora promissora dramaturga Gwyneth. galpões da Cidadela Cultural Antarctica, Marcos Sage e Alessandra  Brigas, ressentimentos, todo tipo de agressões Hilário estão com agenda cheia. Ministram aula de balé clássico para  verbais e até físicas. A família desintegrou­se, mas crianças e adolescentes, e dão assessoria para grupos de dança  isso não dura muito tempo, pois o diretor contemporânea. "Um dos principais pontos que diferencia uma escola de  Anderson acredita na unidade familiar, a despeito balé de uma academia é a regularidade de aulas. E é assim que  de tudo. Mas convém não assistir a "Os trabalhamos, com aulas diárias. O ensaio de coreografias é apenas uma  Excêntricos Tenenbaums" à espera de um happy conseqüência do processo", destaca o professor. end, pelo menos no sentido convencional. A Satisfeito com os resultados obtidos até o momento, e com a procura  família, apesar de tudo, une­se, mas a mistura de pelo trabalho (que atrai novos interessados e simpatizantes a cada  alegria e tristeza, de humor e drama é que dá o semana), Sage aposta na qualidade "independente do lugar de trabalho".  tom do filme. Você vai rir, com certeza, mas não é Apesar das dificuldades, ele e Alessandra tiveram três coreografias  uma comédia desopilante. Há um travo amargo selecionadas no 20º Festival de Dança de Joinville, e planejam, em  que emerge da dificuldade dessas relações e do conjunto com o Paiee, participar de mostras em Santa Maria, Bento  que as pessoas precisam abrir mão para entender­Gonçalves e Porto Alegre.  se. Wes Anderson pode não ter inventado a A parceria também deve render, no final do ano, um espetáculo temático  fórmula, mas cria o que não deixa de ser uma com 60 minutos de duração, onde participam todos os alunos que fazem  fantasia com os pés bem firmes no chão. aperfeiçoamento na oficina. Entre estudantes do Paiee e regulares de  Boa parte do encanto de "Os Excêntricos clássico, a companhia alcança o número de 80 integrantes. Para o  Tenenbaums" vem do trabalho dos atores, todos coreógrafo Ronald Soares, é gratificante ver o bom entrosamento do grupo  ótimos, num registro não naturalista. Gwyneth e a qualidade do trabalho desenvolvido em conjunto. "Iniciativas como  Paltrow e Anjelica Huston são ótimas, mas quem essa revertem positivamente para a cultura. Em contrapartida, as  rouba a cena é Gene Hackman. Desde "Uma empresas precisam apoiar os grupos locais, valorizando quem realmente  Rajada de Balas", de Arthur Penn, nos anos 60, faz a história da dança no município", resume. no qual fazia o irmão de Clyde Barrow, Hackman é A Oficina do Ballet da Cidadela Cultural Antarctica ministra aulas  considerado um dos grandes atores de Hollywood. regulares de balé, gratuitas, para crianças e jovens maiores de dez anos.  Curiosamente, não é um dos preferidos do público, Informações sobre aulas e aperfeiçoamento para grupos podem ser  pelo menos no Brasil, onde seus filmes raramente  emplacam e viram grandes êxitos. Hackman 
  3. 3. coreógrafo Ronald Soares, é gratificante ver o bom entrosamento do grupo  ótimos, num registro não naturalista. Gwyneth e a qualidade do trabalho desenvolvido em conjunto. "Iniciativas como  Paltrow e Anjelica Huston são ótimas, mas quem essa revertem positivamente para a cultura. Em contrapartida, as  rouba a cena é Gene Hackman. Desde "Uma empresas precisam apoiar os grupos locais, valorizando quem realmente  Rajada de Balas", de Arthur Penn, nos anos 60, faz a história da dança no município", resume. no qual fazia o irmão de Clyde Barrow, Hackman é A Oficina do Ballet da Cidadela Cultural Antarctica ministra aulas  considerado um dos grandes atores de Hollywood. regulares de balé, gratuitas, para crianças e jovens maiores de dez anos.  Curiosamente, não é um dos preferidos do público, Informações sobre aulas e aperfeiçoamento para grupos podem ser  pelo menos no Brasil, onde seus filmes raramente obtidas no local, em horário comercial. O trabalho é reconhecido e  emplacam e viram grandes êxitos. Hackman financiado pela Fundação Cultural de Joinville (FCJ). (MG) poucas vezes esteve tão bem e num papel que lhe  permite explorar sua veia mais cômica. O QUÊ: Oficina do Ballet da Cidadela Cultural Antarctica. QUANDO:  Por melhor que seja o elenco de "Os Excêntricos Segunda a sexta, horário comercial. ONDE: Cidadela Cultural Antarctica,  Tenenbaums", a estrela do filme é mesmo o diretor rua 15 de Novembro, 1.383, centro, Joinville, tel.: (47) 433­0127  Anderson. Talvez ele não seja (ainda não seja) o (informações). QUANTO: Gratuito. gênio anunciado pela crítica norte­americana, que  pôs seu filme nas alturas, mas talentoso, com  certeza, é. Anderson é co­autor do roteiro (com o  ator Owen Wilson). Sabe que, no cinema, tudo se  resolve na mise­en­scène, segundo a fórmula  Casa cheia de problemas famosa estabelecida pelo crítico francês Michel  Mourlet. Tratada de forma realista, ou naturalista, a Pisos e vidraças quebradas, paredes com infiltrações, esquadrias caindo  história dos Tenenbaums seria banal. O segredo pela ferrugem. Isso sem falar na falta de segurança do estacionamento  de Anderson está no tom que ele adota e nos que já virou alvo constante dos ladrões de carro, em Joinville. Esses são  recursos que utiliza para dar sustentação às alguns dos problemas de infra­estrutura enfrentados pela Casa da Cultura  imagens (e ao ritmo). Fausto Rocha Júnior, em Joinville. O local, que atende a 1.400 alunos  Sua trilha é uma das mais elaboradas da divididos entre as Escola Municipal de Ballet, Escola de Artes Fritz Alt,  atualidade, com canções que se integram ao Escola de Música Villa­Lobos, Galeria de Arte Victor Kursancew e Curso  sentido de cada cena. Anderson não usa a música de Teatro, tem 30 anos de fundação e clama por investimentos urgentes. de forma nostálgica, como Woody Allen, quando Para a diretora Marina Mosimann, aos poucos os problemas estão sendo  escava nos clássicos da american song. Anderson contornados com pequenos reparos e ampliações. "O município tem  recorre ao pop como comentário irônico. Ele projeto para reforma e aumento do prédio mas esperamos pela liberação  também carrega nos signos visuais. Uma família de recursos federais, da mesma forma como ocorreu com o Museu  excêntrica como a dos Tenenbaums precisa de Nacional de Imigração e Colonização e Cemitério do Imigrante.  ambientes e figurinos adequados para transmitir ao Infelizmente, isso demora", fala.  público essa excentricidade. O resultado é um Enquanto isso, argumenta, outras duas salas foram construídas para  filme super, hipercriativo, uma deliciosa abrigar turmas de balé, artes plásticas e desenho. "As salas da escola de  extravagância que diverte homenageando a música que funcionam anexo ao Centreventos Cau Hansen também  inteligência do espectador. A defesa da família de receberam tratamento acústico, ventilação e novo mobiliário. Orçamento já Anderson é o que faltou no Oscar. É um absurdo foi feito para a instalação de gradil e guarita no pátio da escola, mas a  que o filme tenha concorrido só ao prêmio de implantação depende da viabilização de recursos por parte da Prefeitura",  melhor roteiro original. justifica.Se não pode mexer na parte física, Marina tenta, de outras formas, melhorar o trabalho no local. Prova disso são os investimentos na área de ensino que compreendem a contratação de consultores para a área de dança e música: a argentina Mirian Carmen Berrios e o violonista Marcus Llerena, respectivamente. A partir deste mês os alunos do curso de    desenho também passaram a contar com manequim vivo nas aulas. Para Marina, a Casa da Cultura é um local que merece ser olhado com carinho pela comunidade. "Nossa escola é popular. Atende pessoas de todos os bairros. De 1.400 alunos, 500 são bolsistas", informa. (MG)    Teatro põe em xeque o cidadão alienado Dramaturgia brasileira vale­se do palco para dar voz e  rosto aos excluídos da pirâmide social Marco Anselmo Vasques  Especial para A NotíciaO catarinense Mário Guidarini nascido em 1931, em Nova Veneza, formado em história e filosifia pela Universidade de São Paulo (USP) é mestre e doutor em filosofia e estética da arte, também pela USP. Hoje ensina educação e semiótica para mestrados na Universidade do Sul (Unisul) e escreve ensaios sobre a dramaturgia brasileira que já resultou em quatro livros: "Os Pícaros e os Trapaceiros de Ariano Suassuna" (Editora Ateniense), "Jorge Andrade  Na Contramão da História", "Nelson Rodrigues  Flor de Obsessão" e "A Desova da Serpente  Teatro Contemporâneo Brasileiro", todos pela Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC). Nesta conversa, ele fala sobre o teatro brasileiro e, sobretudo, a dramaturgia do final de século 19. Carismático, conta que abandonou a carreira eclesiástica para mergulhar na educação. "Não sou nem de esquerda nem de direita. Sou um sujeito que possui a consciência do momento histórico. Sou o que se pode chamar de um homem socio­histórico. Minha arma é o saber", define­se ele.Anexo ­ Fale uma pouco sobre a perspectiva histórica da obra de Jorge Andrade explorada no livro "Jorge de Andrade  Na contramão da História". Mário Guidarini  A perspectiva histórica da obra de Jorge Andrade localiza­se na diferença, como síntese dialética entre personagens típicos e seu princípio da realidade sócio­histórico, que os identifica como os integrados em versões de mundos voltadas para o status quo, e entre personagens atípicos ou apocalípticos com seus rostos e vozes voltados para o futuro, para a construção de versões de mundos libertários, impregnados em novos valores ético­políticos. Em resumo: os integrados salvaguardam o status quo sócio­político por meio do culto aos seus heróis, santos e pela memória aprisionada ao passado. Os libertários perseguem o futuro como horizonte sócio­histórico capaz de operar o salto qualitativo através da consciência crítica como síntese dialética dessa diferença.
  4. 4. personagens atípicos ou apocalípticos com seus rostos e vozes voltados para o futuro, para a construção de versões de mundos libertários, impregnados em novos valores ético­políticos. Em resumo: os integrados salvaguardam o status quo sócio­político por meio do culto aos seus heróis, santos e pela memória aprisionada ao passado. Os libertários perseguem o futuro como horizonte sócio­histórico capaz de operar o salto qualitativo através da consciência crítica como síntese dialética dessa diferença.Anexo ­ A dramaturgia de Jorge Andrade pode ser vista como a crônica dos últimos 400 anos da história brasileira ou estaria restrita ao universo rural de São Paulo? Guidarini ­ As ações dos personagens no corpo das 12 versões de teatralidade de Jorge Andrade estão acopladas às práticas sócio­históricas: primeiro passa pelo período dos aprisionamentos dos índios em "O Sumidouro", depois aborda a exploração do ouro em "As Confrarias"; num terceiro momento retrata a criação de gado em "Rastro Atrás e Vereda da Salvação" e, finalmente, passa pelo período do café e da industrialização em "Os Ossos do Barão". A decadência econômica dafamília patriarcal está em "A Moratória e Senhora na Boca do Lixo". Portanto, daí se conclui que, além dos 400 anos, os espaços utilizados por Andrade não seriam e não se limitariam a São Paulo e nem ao rural, mas englobam também o urbano.Anexo  Desde Qorpo Santo, Oswald de Andrade, Nelson Rodrigues, Oduvaldo Vianna, Dias Gomes, Ariano Suassuna, Plínio Marcos, Augusto Boal e Jorge de Andrade, é possível falar num teatro libertário que exclui a visão de que teatro neste País "é diversão para uma elite que não está interessada em resolver problemas? Guidarini  O teatro brasileiro, nos seus diferentes modos de fabricar mundos de teatralidade polifônica, de vozes e rostos miscigenados no tocante aos sangues e às ideologias, desvela­se como espetáculo de vitrine, onde desnuda publicamente a tirania do poder em detrimento do direito do sangue (Dias Gomes), onde a aura da família patriarcal é minada pelo vírus do incesto (Nelson Rodrigues), onde gente avulsa se ajunta para sobreviver aos esquadrões da morte (Plínio Marcos), onde pícaros e trapaceiros denunciam em público as mazelas, tanto dos espaços públicos quanto dos privados (Ariano Suassuna). Essa safra de dramaturgos brasileiros que você cita, criou, sim, versões de mundos libertários, pois, todas essas versões se iluminam mutuamente para darem voz e rosto a todos os que não têm nem voz e nem rosto na práticasocial piramidal da cultura e economia de então.Anexo  Em "A Desova da Serpente" você contrapõe a visão de Bertold Brecht e Nelson Rodrigues. O primeiro destrói com o envolvimento aristotélico, o segundo usa o envolvimento como fator de humilhação e sofrimento do espectador. Guidarini  Há um confronto entre as duas versões de mundos dramatúrgicos, tanto no nível de linguagem quanto no de mensagens. Rodrigues, como jornalista, incorpora paradigmas da comunicação de massa. Reconstrói o tema do incesto de primeiro grau até o grau mais diluído entre cunhados. A família patriarcal e suburbana permitem­lhe criar e recriar variações múltiplas a partir do mesmo tema até o esgotamento e cansaço dessa forma inovadora de teatro. Nelson tinha como modelo de espetáculo o Maracanã, onde a platéia realimentaria a performance dos atores por meio do envolvimento irrestrito ao espetáculo­vitrine. Brecht cultuou o teatro épico, onde o herói, Galileu Galilei, por exemplo, é um cientista a enfrentar o poder eclesiástico numa batalha entre a razão experimental e a fé teológico­eclesiástica. No teatro épico importa o distanciamento crítico como técnica de libertar os espectadores  usuários do envolvimento emocional com o enredo. Brecht em confronto com a sedução dos discursos políticos do 3º Reich, achou por bem valer­se da consciência crítica, inerente ao teatro épico, como instrumento de distanciamento crítico, mediado pelo espetáculo didático.Anexo  Mesmo não aceitando a teoria do distanciamento crítico de Brecht, Nelson Rodrigues cria o que você chama de "dialética das tensões". Qual a diferença entre um e outro? Guidarini  Nelson Rodrigues fabrica tensões primárias, sem qualquer mediação­síntese da dialética hegeliana e marxista incorporada por Brecht. A dialética das tensões nelsonrodriguianas possui um colorido maniqueísta de bem­mal, vida­morte, esposa­prostitutas, estático­movimento, sim­não, zero­um.Anexo  Plínio Marcos cria o que você chama de "a banalidade do bem e abanalidade do mal". No Brasil de hoje, como você avalia a contextualização da obra pliniana? Guidarini  As versões de mundo de Plínio Marcos são fabricadas com um mínimo de personagens avulsos, isto é, sem terem famílias, que se comunicam entre si com o mínimo de signos verbais e não­verbais dentro duma tensão sempre crescente da exploração do homem pelo homem à maneira da prática social dos reformatórios  a banalidade do bem  e a dos esquadrões da morte  a banalidade do mal. Conjugadas, elas registram, em forma de espetáculo­vitrine, o inferno a que estão condenados os rejeitos humanos, os excluídos da cidadania. Plínio Marcos lhes dá voz e rosto, usando os mesmos procedimentos dos espectadores no seu dia­a­dia na cidade­metrópole, projetados no palco face a face com a platéia conivente. Hoje Plínio Marcos é tão atual quanto Lima Barreto, para nosso pesar.Anexo  Você trabalha com dramaturgos de linguagens diametralmente opostas. O que isso revelou para o estudioso de teatro? Guidarini  Cada dramaturgo fabrica modos de fazer mundos dramatúrgicos irredutíveis entre si no tocante às linguagens e conteúdos 
  5. 5. dia na cidade­metrópole, projetados no palco face a face com a platéia conivente. Hoje Plínio Marcos é tão atual quanto Lima Barreto, para nosso pesar.Anexo  Você trabalha com dramaturgos de linguagens diametralmente opostas. O que isso revelou para o estudioso de teatro? Guidarini  Cada dramaturgo fabrica modos de fazer mundos dramatúrgicos irredutíveis entre si no tocante às linguagens e conteúdos temáticos. No entanto, os brasileiros colocam em xeque a alienação dos cidadãos em suas práticas sócio­históricas, e para isso valem­se do palcocomo espaço público, para despertar a dimensão cidadã a que todos fazem jus no convívio e comunicação humana no seu dia­a­dia. Para o estudioso, a diversidade de linguagens aponta para o desafio de compreender vários universos.Anexo  Você que viveu um momento efervescente da dramarturgia e do teatro brasileiros, sobretudo na década de 60 e 70, como avalia a cultura teatral do Brasil de hoje? Guidarini  Após essa efervescência, sobretudo entre os anos 50 e 80, constata­se, hoje, com a retomada da "democracia política" uma pausa­ócio no aguardo de uma nova safra de dramaturgos conectados e antenados aos novos paradigmas da pós­modenidade. No entanto, para além desse ócio criativo em gestação, transparece a prática da sobrevivência teatral apenas como memória fragmentada esteticamente dum passado recente, isto é, o teatro na passagem do milênio incorpora amemória sócio­histórica de personagens e temas dum passado que podia ter sido outro. Essa melancolia estética impregna as versões dramatúrgicas mais recentes.Anexo  O teatro passa por uma certa institucionalização. Será que perdemos o caráter libertário inerente ao teatro? Guidarini  Essa sua pergunta­resposta caracteriza, exemplarmente, a profunda crise instaurada no nível do processo de criatividade dramatúrgica e também do espaço cênico, seguindo o conceito de Artaud,pois a dramaturgia está quase que restrita a espetáculos universitários. Observe­se que os autores mais libertários não trilharam os caminhos da universidade. Os que se formaram sentiam­se limitados em suas criações em decorrência dos quadros teóricos aprendidos e mediados por professores da área. Quanto à teatralidade, ao espetáculo e sua poética, a universidade acaba, sim, tolhendo seu caráter libertário.Anexo  Você explora em seus ensaios duas vertentes do teatro, o texto dramatúrgico como literatura e o texto como teatralidade. Guidarini  A natureza de uma peça teatral como partitura e escritura participa do gênero literário, e quando espetáculo desvela­se teatralidade porque implica a polifonia de informações simultâneas, provenientes das linguagens verbais e não­verbais atinentes ao espetáculo junto a presença física de atores no palco e espectadores­usuários na platéia. O teatro enquanto gênero literário requer leitores e usuários intérpretes­individuais. O espetáculo teatral dá­se publicamente num palco (ou não) para usufruto de seus usuários, como se fossem um "personagem coletivo" capaz de estimular os atores, responsáveis pela condução do evento para alcançar seu ápice estético.Anexo ­ O que faz com que a obra do dramaturgo Qorpo Santo seja tão pouco difundida e encenada? Guidarini  Qorpo Santo (José Joaquim de Campos Leão) criou um teatro ilógico, moldurado pelo erotismo, condenado pela sociedade do século 19.O teatro do absurdo ou antiteatro precoce de Qorpo Santo recria uma atmosfera alucinante e absurda em nível de linguagens cênicas e de conteúdos obsessivos decorrentes duma prática social reprimida e escravocrata. O teatro do absurdo não vingou entre os autores brasileiros. Há autores latino­americanos que cultivaram esse gênero com certo respaldo, sobretudo os argentinos. A ruptura da obra de Qorpo Santo até hoje assusta diretores e atores.Anexo  Qual a importância da modernidade teatral de Oswald de Andrade para o teatro contemporâneo brasileiro? Guidarini  Oswald de Andrade construiu um teatro eminentemente sociopolítico e ideológico, como, por exemplo, a peça "O Rei da Vela". O gênero da teatralidade de Oswald caracteriza­se transbordante e precisou ser podado pelos diretores nas suas montagens, ao contrário de seus poema­minutos, inspirados nas formas ideogrâmicas dos orientais. Em Oswald existe um transbordamento na área do teatro e uma contenção no fazer poético. A importância desse tipo de teatro sociopolítico e ideológicona modernidade brasileira conecta­se significativamente com os dramaturgos que articulam e desvelam as ideologias subjacentes do poderdespótico e do direito de sangue dos personagens em seus múltiplos registros de representação, tanto do poder quanto do sangue em conflito maniqueísta.Anexo  Os prólogos e epílogos das peças de Suassuna podem ser vistos sob o distanciamento de Brecht? Guidarini  Eles têm a função de balizas do corpo da obra nos autos de Suassuna. Eles representam a voz e o rosto do autor que subsume o papel de enunciar o tema, de apresentar para o público os personagens e delinear o gênero do espetáculo, tudo dentro duma performance sedutora e amena. Nos epílogos, o mesmo rosto e a mesma voz retornam ao espetáculo com a missão pedagógica de síntese dialética: a lição ético­política do espetáculo de caráter popular. Brecht mantém distanciamento crítico frente à própria versão de mundo épico que é o teatro de alusão e não de ilusão. O novo realismo de Brecht difere frontalmente do moralismoque impregna todos os tecidos das obras de Ariano Suassuna: "O assim na terra como no céu".
  6. 6. papel de enunciar o tema, de apresentar para o público os personagens e  delinear o gênero do espetáculo, tudo dentro duma performance sedutora  e amena. Nos epílogos, o mesmo rosto e a mesma voz retornam ao  espetáculo com a missão pedagógica de síntese dialética: a lição ético­ política do espetáculo de caráter popular. Brecht mantém distanciamento  crítico frente à própria versão de mundo épico que é o teatro de alusão e  não de ilusão. O novo realismo de Brecht difere frontalmente do moralismo que impregna todos os tecidos das obras de Ariano Suassuna: "O assim  na terra como no céu". Manchetes AN Das últimas edições de Anexo 15/06  ­  Mestres do acordeom 14/06  ­  Djavan faz celebra çã o na Ilha 13/06  ­  Abordagem metafórica da vida 12/06  ­  Manifesto obriga Joinville a mudar decreto 11/06  ­  Olhares l údicos 10/06  ­  Tert úlia, um mosaico de cores, sons e imagens 09/06  ­  Ivens Machado O engenheiro de fábulas 08/06  ­  Com a bola toda  Copyright  ©  2000 A Notí cia  ­ Fone: 055 ­0xx47 431 9000  ­ Fax: 055 ­0xx47 431 9100  ­ Rua Ca çador, 112  ­ CEP 89203 ­610 ­ C. Postal: 2  ­ 89201­972 ­ Joinville  ­ SC  ­ BRASIL  ­ E X P E D I E N T E   P o r :   T o r q u e   C o m u n i c a çã o   e  In te r n et

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