A literatura infantil e seu poder de formar leitores

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A literatura infantil e seu poder de formar leitores

  1. 1. A Literatura Infantil e seu poder de formar leitores Márcia Cristina da Silva Souza Resumo: Este trabalho vem mostrar a importância da Literatura Infantil emdesenvolver a criatividade, os sonhos da infância; tem o poder de suscitar o imaginário,responder a tantas perguntas, ampliar o mundo da criança. A Literatura é ímpar, não sócomo uma forma de leitura, mas como uma obra de arte compreensível para a criançacomo nenhuma forma o é, como acontece com toda grande arte; o significado maisprofundo será diferente para cada um. A criança extrairá significados, dependendo deseus interesses e necessidades do momento. A Literatura conserva as crianças para ainfância sem forçar a natureza, sem provocar o amadurecimento artificial desse frutodelicadíssimo que é a alma infantil. Quanto mais oportunidades tenham de ouvir, ver,sentir leituras alheias, maior será o desenvolvimento da leitura e da escrita, pois éatravés da Literatura que a criança se relaciona com o mundo.Palavras Chave: Literatura. Fantasia. Criatividade. Instrução. DesenvolvimentoAmplitude.Abstract: This work has shown the importance of Childrens Literature to developthe creativity, the dreams of childhood, has the Power to stir the imagination to answermany questions, expand the world of the child. The literature is unique, not only as away of reading, but as a work of art comprehensible to the child as any form is, as withall great art, the deeper meaning Will be different for each. The children drawmeanings, depending on their interests and needs of the moment. The literature keepsthe children without forcing children to nature, without causing the artificial ripening offruit is extremely sensitive to the soul children. The more opportunities they have tohear, see, feel extraneous readings, the greater the Development of reading and writing,it is through literature that the child relates to the Word.
  2. 2. Keywords: Literature. Fantasia. Creativity. Instruction. Development. AmplitudeIntrodução Um sonho... Um sonho de manter acesa a chama vibrante, intensa e colorida dainfância. Um tempo marcado pelo encantamento da atmosfera onírica que rege aprimeira e mais importante fase de nossas vidas. Uma marca singular, rica, pessoal eintransferível. Período que representa uma galáxia em meio a todos os outros milhõesde sistemas escolares produzidos pela fértil imaginação infantil, imaginação livre depreconceitos, negativismo e de limitações. A pureza, a ousadia, o espírito quaseselvagem dos primeiros anos nos marca de forma indelével por toda a existência... Écomo se o período fosse comandado pelo ritmo de um relógio e os ponteiros marcamdiversão e alegria... Um tempo com cheiro, gosto, cor e som; continuamos perseguindode forma consciente ou inconsciente por toda a vida. Cabe a nós, estarmos conscientesda importância da Literatura, é nosso papel de amparar, reerguer, reavivar ossentimentos, valores e atitudes que poderão renovar a confiança em dias melhores.Várias são as formas de reconduzir o barco da Literatura na direção do sucesso daaventura humana, uma delas é lançando um olhar mais atento às grandes histórias, demodo a aprender seus ensinamentos com maior competência. Neste trabalho, procuramos mostrar a Literatura em suas origens, seu conceitoe o que alguns teóricos falam sobre o assunto, apontando caminhos que tornem essaviagem mais segura, fazendo da Literatura um elo permanente inquebrantável entre arazão e emoção, determinando o equilíbrio necessário às realizações da vida, afinalquem não deseja manter no coração e na mente o enredo mágico das históriasencantadas? De um modo geral, as obras literárias têm como uma de suas peculiaridades acapacidade de romper a barreira do tempo e do espaço, preservando uma impressionanteatualidade. Os grandes clássicos da Literatura, pó exemplo, recebem essa denominaçãopor retratar em suas narrativas, grandes questões universais com a habilidade, o talento
  3. 3. e a sensibilidade de seus autores. Artífices da palavra, eles nos deixaram, nasfascinantes histórias que escreveram belíssimas lições de vida. Textos que nosensinaram a cada leitura algo novo e essencial ao nosso crescimento e amadurecimento. Com maestria, escritores e escritoras constroem poemas e personagensabordando temas que despertam o interesse, a curiosidade e as emoções diversas nohomem. Emoções vivamente descritas com genialidade e perspicácia dessesespecialistas em observar os mistérios da alma. O que é Literatura Infantil?Qual sua importância na vida da criança. A Literatura infantil demarca um conjunto de produções literárias a toda equalquer manifestação do sentimento ou pensamento por meio de palavras. Define – senão apenas pelo texto resultante dessa manifestação, mas também por se destinar a umdeterminado público, o qual tem da sua parte, características específicas; pertence a umafaixa etária; uma estimulação familiar, uma relação com o mundo da escola e umconvívio com a sociedade, ou seja, trata-se de uma criança que ainda não ultrapassouuma situação que, se é temporária ou provisória, não deixa de se mostrar importante. Uma maneira de compreender o mundo é através da Literatura infantil, suafunção é exatamente fazer com que a criança tenha uma visão ampla do mundo que arodeia, tornando-a mais reflexiva e crítica, frente a realidade social que vive e atua,desenvolvendo seu pensamento organizado. A Literatura infantil tem o poder de suscitaro imaginário, de responder dúvidas em relação a tantas perguntas, de encontrar novasidéias para solucionar questões e instigar a curiosidade do pequeno leitor. Como escreve Abramovich (1991, p17) “É uma possibilidade de descobrir omundo imenso dos conflitos, dos impasses, das soluções que todos vivemos eatravessamos”. Nesse processo ouvir histórias tem uma importância que vai muito alémdo prazer proporcionado, ela serve para a efetiva iniciação das crianças na construção dalinguagem, idéias, valores e sentimentos, aos quais ajudará na sua formação comopessoa. Malamut (1960, p6), enfatiza que, “... lidas ou contadas, as histórias constituem-se em generoso processo educativo, pois ensinam recreando, dando a criança osestímulos e motivações apropriadas para satisfazer suas tendências, seus interesses, suasnecessidades, seus desejos, sua sensibilidade. O gosta pela leitura vem de um processo que se inicia no lar. Mesmo antes daaprendizagem da leitura, a criança aprecia o valor sonoro das palavras. Aprende a gostar
  4. 4. do livro pelo afeto, quando a mãe canta ao embalar o berço, ou narra velhas históriasaprendidas pelos avós. Sobre esse ponto observa Silva (1994 p 12): “... É tão importanteo papel de quem convive com a criança, pois é, sobretudo, através do afeto que acriança se desenvolve e aprende.” Observando-se o comportamento da criança, ficaevidente a sua capacidade de inventar histórias, por isso, a necessidade do professoroportunizar de expressar suas idéias. Neste contexto, o papel do educador, é de assumiro compromisso com o livro, tendo o hábito de contar histórias, despertando acuriosidade pelos misteriosos signos da escrita, desafiando-os, encorajando-os,solicitando-os, provocando-os, para que essas criem suas hipóteses, abrindo as portaspara o universo da leitura, em que a criança irá livremente penetrar guiadas por suaspreferências. Para confirmar isso Rego (1998, p 60), diz que: “... Um contato diário comatividades de leitura e de escrita, a alfabetização será transformada num processo amenoe descontraído, evitando-se as atuais rupturas existentes na prática pedagógica, entre apreparação para a alfabetização e a alfabetização propriamente dita. “A presença delivros na sala de aula é fundamental para as crianças; por isso, a necessidade doprofessor em organizar em um recanto em sua sala de aula, onde os livros fiquem adisposição das crianças, para que elas possam manuseá-los sempre que desejarem, tendocontato desde cedo com o mundo letrado. A literatura, enquanto universo ficcional é um elemento importante naautoconstrução do indivíduo, percebemos que faz parte de um universo que oferece ascoisas prazerosas de forma material e pronta para usá-las, vinculadas a estímulos eincentivos externos, conhece e compreende apenas aquilo que é muitas vezes castradase limitadas sem condições para desenvolver a percepção, a sensibilidade, a fantasia e acriatividade. Todos os subsídios estimuladores oferecidos pela Literatura infantilpoderão ser anulados se, na sala de aula, o texto literário e/ou história forem submetidosa uma prática pedagógica que não dê possibilidades para sua avaliação sobre leitor. Oprofessor evidentemente necessita estar preparado para cumprir sua função deintermediário entre criança e o livro e/ou a história. A necessidade de ler, segundo Cagliari (2001, p. 173) afirma que: “... Leitura ecultura, mas é a cultura que explica que muito do que se lê, não apenas o significadoliteral de cada palavra de um texto. “Uma pessoa que não conhece uma cultura, temdificuldades em ler textos produzidos por ela, para adquirir os conhecimentos dessacultura”.
  5. 5. Esse impasse é maior quando se começa aprender a ler. Os alunos de culturasdiferentes, mesmo vivendo numa mesma cidade e colocados numa mesma sala dealfabetização, reagem de maneiras diferentes aos textos que lhes são apresentados.Ensinar hoje a leitura e escrita é desenvolver habilidades de ler, compreender,interpretar diferentes tipos de gêneros de textos, escritos em diferentes modalidades delíngua, formal, informal, de interagir com diferentes portadores de textos: habilidadesde escrever diferentes textos que as práticas sociais de escrita exigem de nós. Criar oportunidades para que os alunos descubram o prazer da leitura e daescrita, não obrigá-los a ler, porque isso irá desmotivá-los, fazendo com que elesapreciem de um modo como eles vêem a música.
  6. 6. Literatura InfantilAlguns autores importantes Ah, como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas, muitas histórias...Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamenteinfinito de descoberta e de compreensão do mundo...Fanny Abramovich Os primeiros impressos Os primeiros impressos para crianças não tinham nenhuma intenção mais amena. Páginas coladasa um suporte, que a primeira vista podia servir também de palmatória. Começam a ser usadas em 1440e continuam a aparecer até 1850. Além do ABC incluíam orações, ensinamentos morais ou políticos.Mas logo a criança descobre as anedotas, contos maravilhosos, episódios de cavalaria. E se apossamdessas narrativas populares, que não foram escritas especialmente para elas.Origens da Literatura Infantil O impulso de contar histórias deve ter nascido no homem, no momento em que ele sentiunecessidade de comunicar aos outros alguma experiência sua, que poderia ter significação para todos.A célula máter da Literatura Infantil, hoje conhecida como “clássica”, encontra-se na NovelísticaPopular Medieval que tem suas origens na Índia. Descobriu-se que desde essa época a palavra impôs-se ao homem como algo mágico, como um poder misterioso, que tanto poderia proteger, comoameaçar, construir ou destruir. São, também, de caráter mágico ou fantasioso, as narrativas conhecidas,hoje, como literatura primordial. Nela foi descoberto o fundo fabuloso das narrativas orientais, que se forjaram durante séculosantes de Cristo, e se difundiram por todo o mundo, através da tradição oral. A Literatura Infantil apareceu durante o século XVII, época em que as mudanças na estrutura dasociedade desencadearam repercussões no âmbito artístico, que persistem até os dias atuais. Oaparecimento da Literatura Infantil tem características próprias, pois decorre da ascensão da famíliaburguesa, do novo “status” concedido à infância na sociedade e da reorganização da escola. Suaemergência deveu-se, antes de tudo, à sua associação com a Pedagogia, já que as histórias eram
  7. 7. elaboradas para se converterem em instrumento dela.É a partir do século XVIII que a criança passa a ser considerado um ser diferente do adulto, comnecessidades e características próprias, pelo que deveria distanciar-se da vida dos mais velhos e receberuma educação especial, que a preparasse para a vida adulta. O caminho para a redescoberta da Literatura Infantil, em nosso século, foi aberto pela PsicologiaExperimental que, revelando a Inteligência como um elemento estruturador do universo que cadaindivíduo constrói dentro de si, chama a atenção para os diferentes estágios de seu desenvolvimento(da infância à adolescência) e sua importância fundamental para a evolução e formação dapersonalidade do futuro adulto. A sucessão das fases evolutivas da inteligência (ou estruturas mentais)é constante e igual para todos. As idades correspondentes a cada uma delas podem mudar, dependendoda criança, ou do meio em que ela vive. Fábulas (do latim- fari - falar e do grego - Phao - contar algo)Narrativa (de natureza simbólica) de uma situação vivida por animais, que alude a uma situaçãohumana e tem por objetivo transmitir certa moralidade. Nascida no Oriente, vai ser reinventada noOcidente pelo grego Esopo (Séc. VI a.C.) e aperfeiçoada, séculos mais tarde, pelo escravo romanoFedro (Séc. I a.C.) que a enriqueceu estilisticamente. Entretanto, somente no século X, começaram aser conhecidas as fábulas latinas de Fedro. Ao francês Jean La Fontaine (1621/1692) coube o mérito de dar a forma definitiva a uma dasespécies literárias mais resistentes ao desgaste dos tempos: a fábula, introduzindo-a definitivamente naliteratura ocidental. Embora escrevendo para adultos, La Fontaine tem sido leitura obrigatória paracrianças de todo mundo. Podemos citar aqui algumas fábulas de La Fontaine: “O Lobo e o Cordeiro”,“A Raposa e o Esquilo”, “Animais Enfermos da Peste”, “A Corte do Leão”, “O Leão e o Rato”, “OPastor e o Rei”, “O Leão, o Lobo e a Raposa”, “O Leão Doente e a Raposa”, “A Corte e o Leão”, “OsFunerais da Leoa”, “A Leiteira e o Pote de Leite”. Para quem as inventa, a fábula é um jogo deraciocínio. Um jogo ágil e lógico, cujo resultado é um ensinamento. Contos de Fadas Quem lê“Cinderela” não imagina que há registros de que essa história já era contada na China, durante o séculoIX d. C.. E, assim como tantas outras, tem-se perpetuado há milênios, atravessando toda a força e aperenidade do folclore dos povos, sobretudo, através da tradição oral. Pode-se dizer que os contos defadas, na versão literária, atualizam ou reinterpretam, em suas variantes questões universais, como osconflitos do poder e a formação dos valores, misturando realidade e fantasia, no clima do “Era umavez...”. Por lidarem com conteúdos da sabedoria popular, com conteúdos essenciais da condiçãohumana, é que esses contos de fadas são importantes, perpetuando-se até hoje. Neles encontramos oamor, os medos, as dificuldades de ser criança, as carências (materiais e afetivas), as auto-descobertas,
  8. 8. as perdas, as buscas, a solidão e o encontro. Os contos de fadas caracterizam-se pela presença doelemento “fada”. Etimologicamente, a palavra fada vem do latim fatum (destino, fatalidade, oráculo).Tornaram-se conhecidas como seres fantásticos ou imaginários, de grande beleza, que se apresentavamsob forma de mulher. Dotadas de virtudes e poderes sobrenaturais, interferem na vida dos homens,para auxiliá-los em situações-limite, quando já nenhuma solução natural seria possível. Podem, ainda,encarnar o Mal e apresentarem-se como o avesso da imagem anterior, isto é, como bruxas.Vulgarmente, se diz que fada e bruxa são formas simbólicas da eterna dualidade da mulher, ou dacondição feminina. O enredo básico dos contos de fadas expressa os obstáculos, ou provas, que precisam servencidas, como um verdadeiro ritual iniciativo, para que o herói alcance sua auto-realizaçãoexistencial, seja pelo encontro de seu verdadeiro “eu”, seja pelo encontro da princesa, que encarna oideal a ser alcançado. Lendas (do latim legenda/legen - ler)Nas primeiras idades do mundo, os homens não escreviam. Conservavam suas lembranças na tradiçãooral. Onde a memória falhava, entrava a imaginação para supri-la e a imaginação era o que povoava deseres o seu mundo. Todas as formas expressivas nasceram, certamente, a partir do momento em que ohomem sentiu necessidade de procurar uma explicação qualquer para os fatos que aconteciam a seuredor: os sucessos de sua luta contra a natureza, os animais e as inclemências do meio ambiente, umaespécie de exorcismo para espantar os espíritos do mal e trazer para sua vida os atos dos espíritos dobem. A lenda, em especial as mitológicas, constitui o resumo do assombro e do temor do homemdiante do mundo e uma explicação necessária das coisas. A lenda, assim, não é mais do que o pensamento infantil da humanidade, em sua primeiraetapa, refletindo o drama humano ante o outro, em que atuam os astros e meteoros, forçasdesencadeadas e ocultas. A lenda é uma forma de narrativa antiqüíssima, cujo argumento é tirado datradição. Relato de acontecimentos, onde o maravilhoso e o imaginário superam o histórico e overdadeiro. Geralmente, a lenda está marcada por um profundo sentimento de fatalidade. Estesentimento é importante, porque fixa a presença do Destino, aquilo contra o que não se pode lutar edemonstra irrecusavelmente, o pensamento do homem dominado pela força do desconhecido. Deorigem muitas vezes anônima, a lenda é transmitida e conservada pela tradição oral. Poesia O gênero poético tem uma configuração distinta dos demais gêneros literários. Sua brevidade,aliada ao potencial simbólico apresentado, transforma a poesia em uma atraente e lúdica forma decontato com o texto literário. Há poetas que quase brincam com as palavras, de modo a cativar as
  9. 9. crianças que ouvem, ou lêem esse tipo de texto. Lidam com toda uma ludicidade verbal, sonora emusical, no jeito como vão juntando as palavras e acabam por tornar a leitura algo muito divertido.Como recursos para despertar o interesse do pequeno leitor, os autores utilizam-se de rimas bemsimples e que usem palavras do cotidiano infantil; um ritmo que apresente certa musicalidade ao texto;repetição, para fixação da idéias, e melhor compreensão dentre outros. Pode-se refletir acerca da receptividade das crianças à poesia, lendo as considerações deJesualdo: “(...) a criança tem uma alma poética. E é essencialmente criadora. Assim, as palavras do poeta,as que procuraram chegar até ela pelos caminhos mais naturais, mesmo sendo os mais profundos emsua síntese, não importa, nunca serão mais bem recebidas em lugar algum do que em sua alma, por sermais nova mais virgem (...)”Histórias de Sherazade Sherazade foi uma das mulheres do sultão árabe Sheriar. O sultão tinha o hábito de casar-setodos os dias com uma nova mulher e, no dia seguinte, mandava matá-la. Sherazade, ao casar-se com osultão, contou-lhe uma história e a interrompeu na melhor parte. O sultão, que gostava muito dehistórias, deixou-a viver para ouvir a continuação na noite seguinte. E assim passaram-se mil e umanoites, até que o sultão resolveu não matá-la mais. “As mais conhecidas são: “Ali Babá e os QuarentaLadrões”, “Simbad, o marujo” e Aladim e a Lâmpada Maravilhosa”.As Mil e Uma Noites É a mais célebre compilação de contos maravilhosos, que circularam no mundoocidental. Sua forma original deve ter-se completado em fins do século XV. Entretanto, só no início doséculo XVIII foi divulgada no mundo europeu, quando Antoine Galland traduziu para o francês umaprimeira seleção. Galland, culto compilador/tradutor de textos originais, reuniu nesta fabulosacoletânea textos originário de todas as regiões do Oriente.Fábulas de Fedro Supõem-se que tenha vivido no século I d.C., era filho de escravos, mas era livre.Inspirou-se nas histórias de Esopo, acrescentando melhorias em algumas.Fábulas de La Fontaine Jean de la Fontaine (1621-1695) nasceu na França e conquistou a celebridadeatravés de suas fábulas. Passou praticamente toda a sua vida como hóspede de personagens ilustres(duques e condes) que o admiravam. Apesar de La Fontaine contar fábulas de outros mestres, ele asescrevia mais em verso do que em prosa. Para ele “os animais simbolizavam os homens, suas manias eseus defeitos”. Na fábula A Formiga e o Escaravelho de Esopo, o Escaravelho caçoa da Formigaatarefada, enquanto todos se divertem no verão. O comportamento da formiga fica mais perdoável. Já onosso querido Braguinha não iria deixar uma colega cigarra nessa situação de penúria. Na sua versão,publicada pela Moderna, a história termina com a Formiga fazendo sua autocrítica: Eu acho que tem
  10. 10. razão,/ minha cigarra querida./ Vivo juntando mil coisas / e desperdiçando a vida.Os Contos de Fadas de Perrault Charles Perrault (1628-1703), advogado e superintendente do rei da França, foi o primeiro autora escrever especialmente para as crianças. Ao aposentar-se, Perrault transformou contos do folclorepopular em histórias infantis. Os mais conhecidos são: “A Bela Adormecida”, “Barba Azul”, “Opequeno Polegar”, “O Gato de Botas”. Charles Perrault publicou em 1697 suas “Histoires ou contes du temps passé” conhecidas comoas estórias de Mamãe Gansa, uma coletânea de oito contos. Perrault é ainda considerado o Pai dosContos de Fadas, mas isto é uma coisa que está mudando de figura ultimamente. Apensar de algunsteóricos ainda não aceitarem, o que o autor francês realizou não foi uma recolha de estórias da tradição,isenta de qualquer manipulação. Ao contrário, Perrault ajustou ao gosto e ao propósito da classearistocrática, na época, a corte francesa. Embora seja o mais famoso “Pai”, muitas “Mães” oantecederam, entre elas, Mme. D’Aulnoy, Mme. Lubert, Mme. de Beaumont... que escreviam comodivertimento, sem grandes pretensões literárias ou intelectuais; enfim, o termo “conto de fadas” temsua origem nesta França de Luís XIV.Os Contos dos Irmãos Grimm Os irmãos Jacob (1785-1863) e Wilhelm (1786-1859), eram alemães. Após a morte dos paiscomeçaram a viajar muito a trabalho. As histórias que as pessoas contavam deram aos irmãos a idéiade escrevê-las. As mais famosas são: “Chapeuzinho Vermelho”, “Rapunzel” e “Branca de Neve e osSete Anões”. Recolhem, diretamente, da memória popular as antigas narrativas, lendas ou sagas germânicas,conservadas por tradição oral. Buscando encontrar as origens da realidade histórica germânica, ospesquisadores encontram a fantasia, o fantástico, o mítico... E uma grande Literatura Infantil surge paraencantar crianças de todo o mundo. Tinham dois objetivos básicos com a pesquisa: 1. Levantamento de elementos lingüísticos para fundamentação dos estudos filológicos da línguaalemã; 2. Fixação dos textos do folclore literário germânico, expressão autêntica do espírito da raça.Os Contos de Andersem
  11. 11. Hans Christian Andersem (1805-1875) viveu na Dinamarca e vinha de uma família muito pobre.Adorava as histórias contadas pelos homens que eram pobres e ficaram ricos. Escreveu cerca de 160contos, traduzidos em mais de cem idiomas, como “A roupa nova do imperador”, “O patinho feio” e a“Pequena Sereia”. Célebre poeta e novelista dinamarquês, Andersen nasce no mesmo ano em que NapoleãoBonaparte obtinha suas primeiras vitórias decisivas. Assim, desde menino, vai respirar a atmosfera deexaltação nacionalista. A Dinamarca também se entrega à descoberta dos valores ancestrais, não com o espírito de auto-afirmação política, mas no sentido étnico, de revelar o caráter da raça. Tal como fizeram os IrmãosGrimm. Andersen foi um escritor que se preocupou, essencialmente, com a sensibilidade exaltada peloRomantismoAs histórias de Monteiro Lobato O advogado José Renato Monteiro Lobato (1882-1948), nasceu no município de Taubaté, emSão Paulo. Em 1911 herda as terras do Visconde de Tremenbé, e descobre a velha estrutura rural dopaís. Assim nasceu o bem-humorado “Jeca Tatu”, símbolo do caipira brasileiro. Em 1920, Lobatoelabora um conto infantil, “A história do peixinho que morreu afogado”, e em 1921, “Narizinhoarrebitado”. Estava dado o início para a criação de uma série de aventuras no Sítio do Pica-PauAmarelo. Assinava as histórias como José Bento Monteiro Lobato, JBML, que eram as iniciaisgravadas na bengala que usava herdada de seu pai. Foi Lobato que, fazendo a herança do passado submergir no presente, encontrou o novo caminhocriador de que a Literatura Infantil brasileira estava necessitando. Seu sucesso imediato entre ospequenos leitores ocorreu de um primeiro e decisivo fator: a realidade comum e familiar à criança, emseu cotidiano, é, subitamente, penetrada pelo maravilhoso, com a mais absoluta verossimilhança enaturalidade. Com o crescimento e enriquecimento do fabuloso mundo de suas personagens, omaravilhoso passa a ser o elemento integrante do real. Assim é que personagens “reais” (Lúcia,Pedrinho, D. Benta, Tia Nastácia, etc.) têm o mesmo valor das personagens “inventadas” (Emília,Visconde de Sabugosa e todas as personagens que povoam o universo literário lobatiano). Emília é apersonagem mais importante para se compreender o universo lobatiano. Ela revela-se como oprotótipo-mirim do “super-homem”, com sua vontade e domínio, além de exacerba a vasta produçãode Lobato, na área de Literatura Infantil, engloba obras originais, adaptações e traduções. Dentre osoriginais estão: “A Menina do Nariz Arrebitado”; “O Saci”; “Fábulas do Marquês de Rabicó”;“Aventuras do Príncipe”; “Noivado de Narizinho”; “O Pó de Pirlimpimpim”; “Reinações de
  12. 12. Narizinho”; “As Caçadas de Pedrinho”; “Emília no País da Gramática”; “Memórias da Emília”; “OPoço do Visconde”; “O Pica-pau Amarelo” e “A Chave do Tamanho”. Nas adaptações, Lobato preocupou-se com um duplo objetivo: levar às crianças o conhecimentoda tradição, o conhecimento do acervo herdado e que lhes caberá transformar; e também questionar,com elas, as verdades feitas, os valores e não-valores que o tempo cristalizou e que cabe ao presenteredescobrir e renovar. Nesse sentido, merecem destaque: “D. Quixote das Crianças”; “O Minotauro” ea mitologia grega na série “Os Doze Trabalhos de Hércules”.do individualismo.Contos de Malba Tahan Júlio Cesar de Melo e Souza (1895-1974) nasceram no Rio de Janeiro. Foi educador do ServiçoNacional de Assistência aos Menores e catedráticos de matemática do Colégio Pedro II e da FaculdadeNacional de Arquitetura. Ao adotar o pseudônimo de Malba Tahan, criou uma biografia: Ali Iezid Izz-Edim Ibn Salim Hank Malba Tahan nasceu na aldeia de Muzalit, próximo a antiga cidade de Meca...Popularizou a arte de contar histórias nas escolas. Ao todo são 115 obras entre livros didáticos dematemática e contos juvenis. “O Homem que Calculava” é um dos livros mais conhecidos. AutoresModernos A década de 70 ficou conhecida como a época do "boom" da literatura infantil. Com aconsolidação do mercado editorial, e a crescente dependência do livro com a escola, aumentouexpressivamente o número de autores produzindo para a infância. Surgiram escritoras marcantes como Ana Maria Machado, Sylvia Orthof, Marina Colasanti eLygia Bojunga Nunes, Ruth Rocha, Roseana Murray. Autores como Ziraldo e Pedro Bloch, dignos"filhos de Lobato", trouxeram o humor de volta ao leitor infantil e juvenil. Encontramos de tudo umpouco nos livros brasileiros para crianças e jovens. O realismo mágico, em que as fronteiras entre arealidade cotidiana e o imaginário se diluem. O maravilhoso, mostrando situações ocorrendo fora denosso espaço-tempo. Que caminhos a literatura brasileira para crianças e jovens tomará no século queagora se inicia? Não sabemos. Mas temos por certo que essa manifestação artística não pode continuarsendo subestimada ou desprezada pela sociedade ou pela mídia. Nosso país tem inúmeros problemas, enão há um só deles que não possa ser resolvido, ou atenuado, pelo investimento na educação e nacultura de nosso povo. Ora, se falamos em educação / cultura, falamos em livros.Estórias-em-quadrinhos.
  13. 13. As estórias-em-quadrinhos são tão válidas quanto os livros ilustrados., o interesse maior que ospequenos demonstram pelos livros ilustrados ou, ainda, pelas estórias-em-quadrinhos, está nafacilidade com que esse tipo de literatura “fala” à mente infantil; ou melhor, atende diretamente ànatureza ou necessidade específicas da criança. As imagens atingem direta e plenamente o pensamentointuitivo que é característico da inf6ancia. Daí o fascínio da meninada pelas estórias-em-quadrinhosnão resulte apenas no fato de gostarem desse tipo de literatura “fácil”, mas porque essa literaturacorresponde a um processo de comunicação que atende mais facilmente à sua própria predisposiçãopsicológica. A estória-em-quadrinhos, atacada por uns e defendida por outros, vem se firmando cada vez maisna indústria cultural contemporânea. No Brasil, embora ainda não haja uma produção de estórias-em-quadrinhos que represente o nacional, já existe uma certa tradição: o primeiro jornal em quadrinhos,dedicado às crianças – o famoso O Tico-Tico – começou a ser publicado em 1905. Cresce deimportância o terreno conquistado pela arte dos quadrinhos e principalmente o de Maurício de Souza.Ele é hoje o único desenhista que vive de quadrinhos, os outros são publicitários, ilustradores,professores além de desenhistas de quadrinhos. A Poesia destinada às crianças A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de mudar o mundo, aatividade poética é revolucionária por natureza; exercício espiritual, é um método de liberação interior.A poesia revela este mundo; cria outro. Pão dos eleitos; alimento maldito. isola; une. Convite àviagem; regresso à terra natal. Inspiração, respiração, exercício muscular. Expressão histórica de raças,nações, classes. Nega a história: em seu selo se resolvem todos os conflitos objetivos e o homemadquire por fim a consciência de ser algo mais do que transito. ( Octavio Paz) Nascida em fins do século XIX e expandindo-se nos primeiros anos do nosso século, a poesiainfantil brasileira surge comprometida com a tarefa educativa da escola, no sentido de contribuir paraformar no aluno o futuro cidadão e o indivíduo de bons sentimentos. Daí a importância dos“recitativos” nas festividades patrióticas ou familiares, e a exemplaridade ou a sentimentalidade quecaracterizaram tal poesia. Fazia parte do nosso sistema educativo ( fins do século XIX até os anos30/40 ) a memorização de poemas que deviam ser ditos pelos alunos nas aulas de leitura ou nas datasfestivas. ( Foram inúmeras as queixas que ouvimos de amigos ou familiares mais velhos, aorecordarem a vergonha ou a raiva com que se submetiam a tal recitação obrigatória e que os levou adetestar poesia...). Entende-se hoje, que o dizer poesia é algo muito subjetivo e pessoal que não deve ser imposto àcriança... pois só será gratificante se resultar de um gesto espontâneo, feito com entusiasmo ou alegria.No passado, porém, os objetivos eram outros. A exemplaridade ultrapassada – leia o poema de “BoasManeiras”:Mamãezinha me ensinou / a ser criança educada/ a todos cumprimentar/ para ser apreciada/
  14. 14. cumprimento meus vizinhos/ dos colegas não me esqueço/ agora vão bater palmas/ se acharem quemereço! Nota-se ainda a lição de “etiqueta social”, mostrando que o cumprimento às pessoas é umaregra de educação, e não um gesto de comunicação afetiva, como deveria ser... Além disso, há ainda aexpectativa da recompensa: por ser “apreciada” em sua boa ação, a criança deve ser “recompensada”... A socialização das crianças, hoje, deve ser feita em novas bases. Cecília Meirelles Uma dasvozes mais felizes na percepção dessa autenticidade infantil foi Cecília Meirelles. A partir dos anos 30(e circunstancialmente devido à sua ligação com o magistério e problemas educacionais), Cecíliacomeça a escrever poemas infantis. De início divulga-os na imprensa, como é o caso de “A Canção dosTamanquinhos”, incluído em várias antologias e manuais escolares. Como grande poetisa que eraCecília Meirelles, conseguiu o que raros conseguem: manter a pureza do olhar-criança e a capacidadesempre renovada de se encantar com coisas simples do mundo. Ela transforma as palavras, como numabrincadeira-de-sons, dinâmica e colorida.Vinícius de Moraes Os poemas infantis de Vinícius de Moraes ( poeta que se notabilizou por suas criações para amúsica popular brasileira) foram escritos ao longo dos anos e ao sabor das circunstâncias, foramreunidos em livro, em 71. Poeta do Amor e da Sensualidade mais profunda, Vinícius não seria, talvez,a voz adequada para falar às crianças. Entretanto ele o fez e em muitos momentos de sua poesia infantilreencontra a ingenuidade do olhar antigo e se deixa arrastar pelo ludismo, que é indispensável àcomunicação com a criança. Pra isso, o professor terá claro, que ler um montão de livros. Separar osque são fraquinhos os que contam histórias sem graça, os que não dão nenhuma idéia nova pra resolverum velho problema, os que repetem o que todo mundo já sabe dum jeito chatoso, os que são mal-escritos. Livros fracos existem claro. E de montão. Até podem ser usados em classe, se se trabalhar muitoe sempre com o sentido crítico do aluno. Esteja ele na 1ª ou na 8ª série. Tanto faz. Saber explicar porque gostou ou não gostou, por que se encheu ou se maravilhou o que achou tão bonito que tevevontade de copiar no caderno, o que sentiu como tão bocó que até pulou uns pedaços, por que aquelepersonagem não convenceu de jeito nenhum, por que amou de paixão deslavada outro... Criticarsempre. Ler com atenção e dar a sua opinião. Própria, particular, única. Com qualquer texto que leia.Saber perceber o que aquela história possuía de especial ou de comunérrima. Saber diferenciar. Sacar oque aprendeu, o que estimulou o que deu vontade de reler, de ir mais longe e mais fundo, o que nãoquer saber mais, pelo menos por enquanto, daquele autor ou daquele tema.
  15. 15. E se o aluno se encantar com um autor ou com um gênero, ir além naquela procura. Ler mais enovos livros daquele escritor tão especial, ou tão divertido, ou tão cutucante, descobrir livros deantigamente que ele, um dia, escreveu sacar sua obra duma maneira mais ampla. Se o aluno curtiu aleitura dum policial ou de poesias, mergulhar fundo em outras publicações desse tipo de escrivinhação.Abrir o leque de autores que mergulharam nesse jeito de escrever, comparar histórias e soluções,palavras e belezuras, finais e ritmos, cadências e coloração. Ah, como é bom saber sacar outros tons, outros subtons, outras cores, outras linhas eentrelinhas... Ler com os olhos, com os poros, com as bateduras do coração, com o entusiasmo dequem se entregou a uma nova aventura. Pura aventura!Quando for ler poesia em classe, ou textos depura prosa poética, deixar o aluno ler em voz alta. Curtir cada palavra, degustar cada imagem, sedivertir com cada achado. Se embalar no ritmo, balançar com cadência, sublinhar cada bonitezaespecial. Deixar viver a comparação. O verso ou frase que um gostou mais é diferente da do aluno quesenta ao lado. A palavra ou parágrafo que outro curtiu apaixonadamente passou despercebido do colega.Trocar essas descobertas pode ser uma grande ampliada. Linda! E depois, quem quiser, copiar mocaderno ou agenda aquela maravilha lida, pra poder usar numa carta especial, reler de noitinha, falarbaixinho pelo telefone. Arrepiante!!Quando se for ler um texto divertido, que se sublinhe a graça. Prauns estava em outro lugar, pra outros nem foi sacada, por outros nem foi entendida enquanto humordeslavado. Trabalhar com isso, sublinhar, fazer aparecer, perguntar, pedir pra lerDiálogos inteiros em voz alta, colocar aqueles personagens em outros lugares ou diferentes situações,inverter, se divertir. Que gostosura plena é ler um livro bem-humorado, com lances inacreditáveis, com diálogosinusitados, com situações não previstas ou nem imaginadas pelo aluno. Maior delícia! Provoca agargalhada pura e deliciosa. Refrescante! Quando for ler uma história de medo, não ter medo do medo.A criança gosta de senti-lo. É uma sensação prazerosa. Coração batendo, arrepios nas costas, mãos secruzando, unhas se arrastando. E depois, ler que o medo foi enfrentado, vencido. Vitória, vitória!!Baita livro. Histórias de terror fazem parte do repertório universal desde sempre. São explicações deenfretamento, de não temer o não saber encarar. Qualquer um pode, de seu jeito particular, enfrentar suas florestas, suas feras, seus gigantes evampiros. E sair vitorioso, porque foi à luta. Porque não temeu o que só estava ali pra provocar, paramedir forças e ameaçar. Precisa apenas Ter coragem, valentia, artimanhas e jeitos pra achar a solução.Dá pra encarar, lutar de ganhar!E quando for necessário ler histórias tristes, sobre vida e morte, dores esofrências, perdas e temores, abandonos e incompreensões, rejeições e desafetos, ir fundo. Não passarrapidinho por cima das grandes questões vitais. Elas requerem tempo para serem deglutidas,
  16. 16. compreendidas, vividas. Não podem Ter um tratamento superficial, porque o tema incomoda. Vidaincomoda?? Crescimento não é doloroso?? Perdas não causam danos?? Rejeições não são sofridas? Fazem parte da vida e de todos. De qualquer idade. Bom poder ler sobre isso tudo numahistoria que mostra que outros já passaram por aquelas angustias todas. E resolveram a seu modo.Talvez o jeito que foi enfrentado possa ser um espelho pro leitor. É lendo a resposta que podemosencontrar a nossa. E depois do livro lido e vivido, sentido e sacado, pedir que façam desenho,teatralizem, inventem novas situações.... E tantas outras idéias que cada livro dá. Fazer vibrar! Ler éum prazer. É uma gostosura. São possibilidades infinitas de descobrir o mundo, os outros. Sãorespostas, novas perguntas, achados. Mas pro aluno ser um apaixonado, é preciso que o professortambém seja. Por isso, aqui vai minha sugestão: comece agora, sem canseira, sem monotonia, sembobice de preguiças, leia! Você terá muito que contar e com o que se encantar...A importância de leitura de textos
  17. 17. São objetivos da escola e das famílias em geral proporcionar às crianças o acesso aoconhecimento e a formação de indivíduos críticos, comprometidos consigo mesmos e com asociedade. Indivíduos estes capazes de intervir modificando a realidade, auto motivados e aptos a buscaro aprendizado e o aperfeiçoamento contínuos, o que passa pela formação de leitores competentes. É fato sabido que várias gerações têm demonstrado não apenas o desinteresse pela leitura,mas também a incapacidade de fazê-la coerentemente, compreendendo um texto em profundidade, oque inegavelmente limita o indivíduo em suas possibilidades de acesso ao conhecimentoculturalmente construído. Portanto, é tarefa urgente dos pais e da escola, em todos os níveis, buscar maneiras deestimular, mais do que a capacidade de ler, o prazer pela leitura. Apenas propiciando aos sujeitosleitores o prazer da leitura poderemos construir as competências necessárias para sua apreensão eprodução. Pensadores como Paulo Freire apontam para o reconhecimento de que a leitura do mundoprecede sempre a leitura da palavra e a leitura da palavra escrita implica na ampliação dapossibilidade de leitura do mundo. Assim, concluímos que o não desenvolvimento de bons leitoreslimita as possibilidades de leitura do mundo, da compreensão da realidade social e da intervenção dosujeito buscando a transformação da sociedade. No intuito de desenvolver, desde a mais tenra idade, o hábito e o prazer da leitura, desde aeducação infantil devemos oferecer oportunidades de leituras variadas, leitura não apenas de textosescritos, mas a própria leitura e interpretação do mundo em que a criança está inserida e do qual fazparte como ator social. O acesso a diferentes tipos de texto, mesmo bem antes da alfabetização, permitirádesenvolver tais capacidades, alem de apresentar à criança elementos constitutivos do texto:vocabulário, estrutura, enredo, coerência interna, elenco de personagens e, além disso, o uso social daescrita, elementos esses que serão fundamentais no processo de alfabetização. Isso porqueconstatamos que “as crianças constroem conhecimentos sobre a escrita muito antes do que sesupunha” (MEC/SEF, 1998, vol.3, p. 123).

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