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Cultuar a Deusa não significa substituir o Deus ou rejeitá-lo. Ambos, Deus e Deusa são asexpressões da polaridade que perm...
seguem o Caminho da Deusa celebram a chamada Roda do Ano, constituida pelos 8Sabbatsceltas que marcam a passagem das estaç...
Atualmente existem inúmeros cultos que poderíamos chamar de "centrados na Deusa", ou "AReligião da Deusa". Mas o mais conh...
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A Deusa

  1. 1. A Deusa A Deusa foi a primeira divindade cultuada pelo homem pré- histórico. As suas inúmeras imagens encontradas em vários sítios históricos e arqueológicos do mundo inteiro representavam a fertilidade - da mulher e da Terra. Por ser a mulher a doadora da vida atribuiu-se à Fonte Criadora Universal a condição feminina e a Mãe Terra tornou-se o primeiro contato da raça humana com o divino. Quem é A Deusa?Só o fato de termos que fazer essa pergunta demonstra o quanto nossa sociedade ocidentalformada sob a égide da mitologia judaico-cristã se afastou de nossas origens. Fomos criadoscondicionados por uma cosmologia desprovida de símbolos do Sagrado Feminino, a não serMaria, Mãe Divina, que não tem os atributos divinos, que são reconhecidos apenas ao Pai e aoFilho e é substituída na Trindade pelo conceito de Espírito Santo.Maria é, quando muito, a intermediária para a atuação dos poderes do Deus... "peça à Mãeque o Filho concede..." Mas Maria não é a Deusa, senão um de seus aspectos mais aceitos pelasociedade patriarcal, de coadjuvante do Deus, reproduzindo o fenômeno social do patriarcadoem que a mulher auxilia o homem, mas sempre lhe é inferior e, por isso, deve submeter-se àsua autoridade.Constata-se que a ausência de uma Deusa nas mitologias pós-cristãs se deve ao francopredomínio do patriarcado. Predomínio esse que nos trouxe, ao final do século XX, a umasociedade norteada pelos valores da competição selvagem, da sobrevivência do mais forte, daviolência ao invés da convivência, do predomínio da razão sobre a emoção. Mas a Deusa estáressurgindo. Desde a década de 60, reafirmando-se nas últimas, a descoberta da Terra comovalor mais alto a preservar sob pena de não mais haver espécie humana fez decolar aconsciência ecológica e o renascimento dos valores ligados à Deusa: a paz, a convivência nadiversidade, a cultura, as artes, o respeito a outras formas de vida no planeta.Cultuar a Deusa hoje significa reconsagrar o Sagrado Feminino, curando, assim, a Terra e aessência humana. Quer sejamos homens ou mulheres, sabemos que nossa psique contémaspectos masculinos e femininos. Aceitar e respeitar a Deusa como polaridade complementardo Deus é o primeiro passo para a cura de nossa fragmentação dualística interior.A Deusa é cultuada como Mãe Terra, representando a plenitude da Terra, sua sacralidade.Sobre a Terra existimos e, ao fazê-lo, estamos pisando o corpo Onipotente e distante, que vivenos céus... A Deusa é a Terra que pisamos, nossos irmãos animais e plantas, a água quebebemos, o ar que respiramos, o fogo do centro dos vulcões, os rios, as cores do arco-íris, omeu corpo, o seu corpo... A Deusa está em todas as coisas... Ela é Aquela que Canta naNatureza... O Deus Cornífero seu consorte, segue sua música e é Aquele que Dança a Vida...
  2. 2. Cultuar a Deusa não significa substituir o Deus ou rejeitá-lo. Ambos, Deus e Deusa são asexpressões da polaridade que permitiu que o Grande Espírito, o UNO, se manifestasse nouniverso... São os dois lados de uma mesma moeda... as duas faces do Todo, ou sua divisãoprimeira. Assim, crer na Deusa e no Deus ainda é crer em um Ser Supremo que, ao se bipartir,criou o princípio masculino e o princípio feminino, o Yin e o yang, o homem e a mulher.A Deusa também é a Senhora da Lua e, mais uma vez, a explicação desse fato remonta àscavernas em que já vivemos. O homem pré-histórico desconhecia o papel do homem nareprodução, mas conhecia muito bem o papel da mulher. E ainda considerava a mulherenvolta em uma aura mística, porque sangrava todo mês e não morria, ao passo que paraqualquer dos homens sangrar significava morte. Portanto, a mulher devia ser muito poderosa,ainda mais que conhecia o "segredo" de ter bebês... É fácil entender porque a mulher eraidentificada com a Deusa, ou, melhor dizendo, porque a primeira divindade conhecida tinhaque ter caracteres femininos... Ainda mais quando as pessoas descobriram que a gravidezdurava 10 lunações e a colheita e o suceder das estações seguia um ciclo de 13 meses lunares.O primeiro calendário do homem pré-histórico foi mostrado nas mãos da famosa estatueta daVênus de Laussel, que segura em sua mão um chifre em forma de crescente, com 13 talhosque representam as lunações.Por sua conexão com a Lua e a mulher, a Deusa é cultuada em 3 aspectos: a Donzela, quecorresponde à Lua Crescente, a Mãe representada na Lua Cheia e a Anciã, simbolizada na LuaDecrescente, ou seja, Minguante e Nova.Na tradição da Deusa a Donzela é representada pela cor branca e significa os inícios, tudo oque vai crescer, o apogeu da juventude, as sementes plantadas que começam a germinar, aPrimavera, os animais no cio e seu acasalamento. Ela e a Virgem, não só aquela que éfisicamente virgem, mas a mulher que se basta, independente e auto-suficiente.Como Mãe a Deusa está em sua plenitude. Sua cor é o vermelho, sua época o verão. Significaabundância, proteção, procriação, nutrição, os animais parindo e amamentando, as espigasmaduras, a prosperidade, a idade adulta. Ela é a Senhora da Vida, a face mais acolhedora daDeusa.Por fim, a Deusa é a Anciã, que é a Mulher Sábia, aquela que atingiu a menopausa e não maisverte seu sangue, tornando-se assim mais poderosa por isso. Simboliza a paciência, asabedoria, a velhice, o anoitecer, a cor preta. A Anciã também é a Deusa em sua face Negra daCeifeira, a Senhora da Morte. Aquela que precisa agir para que o eterno ciclo dosrenascimentos seja perpetuado. Esta é o aspecto com que mais dificilmente nos conectamos,porém, a Senhora da Sombra, a Guardiã das Trevas e Condutora das Almas é essencial emnossos processos vitais. Que seria de nós se não existisse a morte? Não poderíamos renascer,recomeçar...Desta forma, é fácil compreendermos porque a Religião da Deusa postula a reencarnação. Sefazemos parte de um universo em constante mutação, que sentido haveria em crermos quesomos os únicos a não participar do processo interminável da vida-morte-renascimento? Essarealidade existe no microcosmo do ciclo das estações, da colheita que tem que ser feita paraque se reúnam as sementes e haja novo plantio. É justamente por isso que aqueles que
  3. 3. seguem o Caminho da Deusa celebram a chamada Roda do Ano, constituida pelos 8Sabbatsceltas que marcam a passagem das estações. Ao celebrar os Sabbats cremos que estamosajudando no giro da Roda da Vida, participando assim de um processo de co-criação domundo.Por tudo o que dissemos fica fácil entender porque os caminhos, cultos e tradições centradosna Deusa são religiões naturais, fundamentadas nos ciclos da natureza e no entendimento deseus elementos e ritmos. Estas práticas de magia natural usam a conexão e correlação doselementos da natureza - Água, Terra, Fogo e Ar, as correspondências astrológicas (signoszodiacais, influências planetárias, dias e horários propícios, pedras minerais, plantas, essências,cores, sons) e a sintonia com os seres elementais (Devas Guardiões dos lugares, Gnomos,Silfos, Ondinas, Salamandras,Duendes e Fadas).A Deusa e o Deus"Todas as Deusas são uma só Deusa, todos os Deuses são um só Deus."Conquanto a Deusa presida a pulsação vital constante do Universo, é imprescindível queentendamos o papel do Deus. Ela é a Senhora da Vida, mas Ele é o Portador da Luz; Ela é oventre, Ele o falo ereto; Ela gera a vida, Ele é a faísca que inicia o processo, em plena harmonia,sem predomínios nem competições, mas pela completa união... Ambos parceiros nodesenrolar da música e dança que criam e recriam o universo ainda hoje... Na Primavera Ela éa Donzela, Ele o Deus Azul do Amor... No verão ela é a Mãe, grávida, ele o Galhudo, o Deus daVegetação e dos Animais, Cernnunnos... No outono ele desce para o Mundo Subterrâneo,como o Deus Negro do Mundo Inferior, do sacrifício e da Morte e Ela a Anciã que abre osportais e o acolhe durante sua transmutação. No inverno ele renasce do próprio ventre escuroda Deusa, que quase torna, assim, a um só tempo, sua consorte e sua mãe...Os últimos anos têm assistido o fenômeno chamado "Renascer da Deusa", ou seja, oressurgimento do arquétipo do divino feminino na cultura, nas artes, na ciência e no psiquismodas pessoas. Fazem parte desse renascimento a preocupação ecológica, as manifestaçõespelapaz, o ressurgimento de religiões baseadas na natureza, pondo em relevo valoresfemininos: o respeito à Mãe Terra, o reconhecimento dos seres humanos como irmãos dosdemais seres, a ênfase na conciliação dos sexos e das pessoas, ao invés da competição, a pazao invés dos conflitos, as terapias naturais respeitando o corpo e a Terra, a volta dos oráculos(runas, tarot, geomancia) e das práticas xamânicas.Dentro dessa nova mentalidade, o culto à Grande Mãe pode ser feito em diversos caminhosespirituais. De certa maneira, a própria Igreja Católica participa dessa tendência de váriasmaneiras, colocando em relevo depois de muitos anos a figura de Maria. As religiões centradasna Deusa geralmente têm em comum o reconhecimento da natureza como a própria e, porisso, são designadas como Cultos ou Tradições Naturais, muitos deles oriundos ou aplicando osprincípios do xamanismo. Os cultos à Deusa são religiões xamânicas, no sentido de reuniremprática de magia natural e contatos com outras realidades, além de se basearem na interaçãodos quatro elementos: Fogo, Água, Terra e Ar, unidos pela quitessência que é o Espírito.
  4. 4. Atualmente existem inúmeros cultos que poderíamos chamar de "centrados na Deusa", ou "AReligião da Deusa". Mas o mais conhecido deles hoje, sem dúvida, é a Tradição Wicca, queinfluencia de muitas formas todos os demais.Wicca é uma religião pagã (usada esta palavra tanto no sentido comum de "não cristã", comono sentido etimológico de "oriunda do campo", por ser uma religião de origem rural) quecultua a Deusa Tríplice e seu consoante o Deus Cornífero. Ambos são expressões empolaridades do Ser Supremo, a Divindade, chamado pelos nativos norte americanos de GrandeEspírito ou o Grande Mistério, O UNO ou a Fonte Criadora, que se manifesta na realidadeconcreta nas representações da Deusa e do Deus.A palavra WICCA se origina do inglês arcaico wicce, significando wise (sábio) e o verbo moldar,dobrar. Portanto, um Wiccan (como são chamados seus adeptos) é um moldador, alguém quedá outra feição à realidade que o cerca.A Wicca surgiu na primeira metade do século XX, do estudo de alguns pioneiros comoMargaret Murray e Gerald Gardner, que procuraram resgatar as raízes da witchcraft (bruxaria)praticada na Inglaterra rural e na Toscana (norte da Itália). Essas práticas eram, na origem, aexpressão popular da religião celta, que dominou a Europa Ocidental por séculos. A Wicca,pois, se propõe a ser a versão moderna da Antiga Religião.Na Tradição Wicca existem diversas vertentes, desde as mais rigidamente estruturadas,seguindo normas e rituais fixos, até aquelas que são predominantemente ecléticas, comadaptações regionais ou pessoais. Entre as mais tradicionais se encontram a Gardeneriana,Alexandrina, Diânica, Celta, Georgiana etc. A Wicca pode ser praticada em grupos chamadoscovens ou por solitários.Todas as Deusas são uma única Deusa", múltiplas manifestações da Grande Mãe. Cultuar aGrande Deusa pode se manifestar no culto a um ou mais dos arquétipos que a representemnas diversas culturas do mundo. Assim, sejam as Lilith e a Shequinah judaicas, a babilôniaInanna, a havaiana Pele, a chinesa Kwan-In, a japonesa Amaterasu, a inca Ixchel, as africanasYemanjá e Oyá, ou as hindus Sarasvati e Kali, sempre se estará prestando culto à mesma eúnica Deusa. As diferentes mitologias enumeram milhares de nomes de Deusas,correspondendo a aspectos ou atributos diversos. Assim, se escolhemos nos conectar com asDeusas Afrodite ou Ishtar ao procurarmos trabalhar a energia do amor, o fazemos porqueessas formas do arquétipos, por disposição de milênios, mais se aproximam dessa energia. Seprecisamos tratar de estudos ou escrita, criatividade nas artes, invocamos Atena ou Saravasti,por exemplo.Muitas bruxas costumam se conectar com Deusas de diferentes mitologias, conforme anecessidade de seus trabalhos. Outras se atém a um panteão determinado e só cultuam asDeusas e Deuses daquela cultura. Ambas as formas de expressão fazem parte dos Caminhos daDeusa. Algumas bruxas preferem se conectar com as Deusas em sua forma mais primitiva,como Mãe Terra, daí utilizarem símbolos das chamadas Vênus pré-históricas, como de Laussel,Willendorf, Deusa serpente de Creta, Deusa do Nilo.
  5. 5. Via:

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