Revista Brasileiros - Mapa da Cachaça e Casa da Cultura Digital

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O projeto cultural Mapa da Cachaça está sediado na Casa da Cultura Digital de São Paulo, tema da última edição da Revista Brasileiros de Julho de 2012

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Revista Brasileiros - Mapa da Cachaça e Casa da Cultura Digital

  1. 1. inovação | comportamento VILA OPERÁRIA EM REDE A CASA DE CULTURA DIGITAL é um coletivo formado por uma dúzia de organizações – entre empresas e ONGs – ligadas de alguma forma às novas tecnologias e transformações sociais. Por enquanto, funciona em São Paulo e Santos, mas logo, logo estará também no Rio de Janeiro texto ANDRÉ DE OLIVEIRA fotos LUIZA SIGULEM Visto de fora, o sobrado de tijolinhos 2009 a Casa de Cultura Digital, ou não impressiona, mas ao abrir o portão apenas CCD – um espaço compar- de metal preto o visitante encontra, tilhado por empresas de diferentes além de um espaçoso e caprichado áreas. Mas não é só isso. O que as jardim, outras casinhas do mesmo une, além da vila, é uma forma digital estilo. Na verdade, é uma vila ope- de pensar o mundo. Em outras pala- rária construída por volta dos anos vras, o trabalho em rede, a colabo- 1920, no bairro central paulistano da ração e a descentralização de deci- Barra Funda. É lá que funciona desde sões são o mote do lugar.30 Inovação
  2. 2. Rodrigo Savazoni, umdos criadores da CCD,diz que descentralizaçãoé um dos motes do lugar Inovação 31
  3. 3. inovação | comportamento A IDEIA ERA TER UM AMBIENTE LIBERTÁRIO DE CRIAÇÃO. HOJE, É UM LABORATÓRIO DE VIVÊNCIAS” Rodrigo Savazoni Por ali, trabalham programadores, recriarmos o que fazemos em São Paulo, engenheiros e tecnólogos, empenhados tudo depende de quem vai ocupar o em construir máquinas e desvendar espaço”, diz Savazoni. O colega de códigos-fonte. Mas há também jorna- espaço Adriano de Angelis, que pre- listas, publicitários, cineastas, produ- tende levar em breve a vivência da tores, comunicadores em geral. Rodrigo casa para o Rio de Janeiro, faz a sua Savazoni, um dos idealizadores da casa, definição do que é a CCD. “A casa formou-se em Jornalismo e, até 2008, consegue transferir para o cotidiano trabalhou na grande imprensa. De lá uma lógica digital, que vai potencia- para cá, está na CCD operando em pro- lizar as ações a serem desenvolvidas. jetos ligados ao mundo digital e às novas Muita gente acha que trabalhar com tecnologias. “A casa surgiu como um cultura digital é simplesmente operar sonho de construir um ambiente liber- com tecnologias no ambiente digital. tário de criação e hoje é uma espécie É mais que isso.” de laboratório de vivências”, explica. “Por abrigar empresas e pessoas com A experiência da CCD de São Paulo pensamentos consoantes, a casa possi- já começa a se estender por aí. A casa bilita a troca de informações e ideias, também está em Santos, desde o mês permitindo a criação e a promoção de passado. “Não existe uma receita para soluções inovadoras”, segundo Savazoni.32 Inovação
  4. 4. Na tentativa de facilitar o entendimento, projetos”, diz Gilberto Vieira, um dos Trabalham diariamente nas empresasele compara a CCD a um cluster (con- organizadores do festival. Formado em da CCD pelo menos 60 pessoas, masjunto de computadores ligados ao mesmo Publicidade, Vieira não está ligado a a população flutuante da casa beiratempo). Para ele, a casa, guardadas nenhuma empresa da vila, mas parti- cem pessoas, segundo estima Pauloas devidas proporções, é semelhante cipa de todas as rotinas da casa, traba- Fehlauer, um dos três criadores daa Hollywood. “Os caras juntaram um lhando em projetos que vão surgindo. Garapa, produtora que está na casamonte de gente no mesmo lugar para “Uma vez aqui, não consigo mais sair.” desde a fundação. “Atuamos em duasfazer cinema. Por isso, a produção é Como é possível realizar um festival frentes. De um lado, produzimos umtão boa”, acredita. com uma verba pequena? “O Baixo trabalho mais autoral. De outro, mate-Resultado: é praticamente impossível Centro foi um investimento nosso, não rial multimídia para clientes, como Itaúdar conta de todos os projetos que deu dinheiro para nenhum dos organi- Cultural e o jornal Folha de S. Paulo.”acontecem na Casa de Cultura Digital. zadores”, diz Savazoni. “Conseguimos Gabriela Barreto, que já trabalhou na“Aqui, pensamos inovação como formas realizar o evento porque o ambiente de Garapa, hoje ocupa uma mesa em umacriativas de transformar a cultura, e criação da casa propicia isso. Muitas sala com a estante preenchida por gar-não formas de melhorar a produção das tecnologias usadas na divulgação rafas de pinga. Ela e Felipe Jannuzziindustrial”, diz Savazoni. A jogada é e execução do festival, como sites e são os responsáveis pela Paralelo Mul-complexa, mas funciona. Foi lá, por outras ferramentas, foram criadas aqui.” timídia. A empresa tem, entre outros, oexemplo, que nasceu o Baixo Centro, projeto de mapear a cachaça no Brasil.um festival cultural independente, que Ambiente a la Stanford “Lancei essa ideia na lista de discus-aconteceu entre março e abril e reuniu Uma marca importante da casa é a sões da CCD, que está hospedada namais de cem eventos entre festas, expo- descontração. Na sala coletiva, almo- ferramenta de grupos do Google. Emsições e intervenções de arte, ocupou fadões estão espalhados pelo chão e pouco tempo, eu já tinha a equipe pararuas e polos culturais do centro de São redes foram instaladas em ganchos na desenvolver nosso site sobre a bebida”,Paulo. Até aí, tudo certo. Mas o fato parede, causando um clima relax. A afirma Gabriela, que é formada emmarcante foi como a CCD arrecadou decoração rende à CCD comparações audiovisual. O mapeamento começouverba para realizar as programações: com a Stanford University, uma das mais com vídeos com o sommelier Leandrovia catarse, o site de crowdfunding, importantes universidades dos Estados Batista. “Hoje, somos reconhecidos naque opera sistemas de financiamento Unidos, e com empresas contemporâ- área e temos projetos para lançar umcolaborativo. “Não arrecadamos muito neas, como o Google, conhecidas por guia impresso.”dinheiro, algo em torno de R$ 22 mil. adotarem rotinas mais flexíveis que No porão, funciona o Garoa HackerDepois, abrimos inscrições para os as do mundo corporativo tradicional. Clube, um hackerspace, ou seja, um local em que programadores, engenheiros e aficionados por eletrônica desmontam utensílios, inventam novos equipa- mentos e trocam ideias. “Não somos uma incubadora de empresas, mas um clube que possibilita a interação entre pessoas com as mesmas afinidades e, melhor, propicia espaço e ferramentas que as pessoas não costumam ter em suas casas”, diz DQ, um dos fundadores. Apesar de não ter como finalidade a criação de empresas, o clube inventou a Metamáquina, que também funciona na vila operária, vendendo e fabri- cando impressoras 3D de baixo custo. “A partir de um modelo de impressora com software livre, fizemos a nossa”, explica Rodrigo Rodrigues da Silva. O Na outra página, Gabriela dinheiro inicial para a produção veio Barreto e Felipe Jannuzzi. Acima, um hacker do porão via o site catarse, mas hoje a empresa já toca sozinha o negócio. Inovação 33
  5. 5. inovação | comportamento Equipe faz a programação da Virada Hacker, na sede do Garoa CRIAMOS Informando por aí passado, estacionou em Paraty, cidade do Os hackers são um capítulo à parte. Rio de Janeiro, para participar da Virada UMA LÓGICA Eles embarcam em um ônibus com Digital – evento que também nasceu na DIGITAL PARA um desejo comum: ocupar cidades Casa de Cultura Digital. “Ensinamos, O COTIDIANO. brasileiras com ações políticas. Por por exemplo, crianças a ler dados em ISSO política, eles entendem: “Toda a apro- planilhas, relativos a gastos públicos. priação tecnológica, gambiarra, ques- Surpreendentemente, elas adoram essa POTENCIALIZA tionamento e exercício de direitos”. atividade”, afirma Lívia Ascava, uma AS AÇÕES Por ação: “A prática, o faça você das organizadoras do projeto. A SEREM mesmo, um projeto de lei, uma escola”. O espaço parece ser ultracontempo- DESENVOLVIDAS” O chamado Ônibus Hacker é uma râneo, mas Savazoni discorda. Modes- Adriano de Angelis iniciativa ligada à Transparência tamente, diz que não haver nada de Hacker, grupo locado virtualmente diferente na CCD: “O modelo de dis- com o objetivo de promover a transpa- tribuição do hip hop, por exemplo, rência pública, abrindo dados gover- sempre circulou por uma malha de namentais para os cidadãos. contatos em rede. Desde os anos 1980, O projeto desse ônibus começou em o movimento organizou cenas de forma junho de 2009, quando a Transparência independente, reunindo pessoas do Hacker o lançou no catarse, uma pla- Brasil inteiro. A diferença é que agora taforma de financiamento coletivo. Em existe um aparato tecnológico, que é dois meses, 500 pessoas doaram descentralizado por natureza”. R$ 60 mil para a compra do veículo, É até irônico que a CCD esteja baseada que começou a rodar para valer neste em uma vila operária – o trabalho rea- ano. Ele tem viajado para cidades e lizado ali é radicalmente oposto ao de FOTOS: DIVULGAÇÃO bairros, levando cursos e oficinas que uma indústria. No entanto, as incer- mostram como, por meio da tecnologia, tezas parecem ser uma constante nesse é possível atuar politicamente. No mês novo-velho mundo digital. I34 Inovação

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