a arvore de Sophia de M.B Andresen (reconto)

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Este reconto eminentemente visual apoia-se em estampas japonesas na sua maioria do séc. XIX . Uma compilação articulada que resultou da vontade de identificar cabalmente as quatro estampas japonesas que ilustram este conto de Sophia de Mello Breyner Andresen, no livro editado originalmente pela editora Figueirinhas em 1985, num arranjo gráfico de Armando Alves. ManuelaD.L.Ramos –2010/11 (atualizado em março de 2015)

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a arvore de Sophia de M.B Andresen (reconto)

  1. 1. Sophia de Mello Breyner Andresen edição: Manuela D.L.Ramos
  2. 2. BREVE NOTA INTRODUTÓRIA: Este reconto eminentemente visual apoia-se em estampas japonesas na sua maioria do séc. XIX. Uma compilação articulada que resultou da vontade de identificar as reproduções japonesas que ilustram o conto “A Árvore” no livro homónimo de Sophia de Mello Breyner Andresen, editado originalmente pela editora Figueirinhas em 1985, num arranjo gráfico de Armando Alves. ManuelaD.L.Ramos –2010/11 atualizado em março de 2015 Ver versão vídeo )
  3. 3. 1-Hiroshige (1797-1858): Karasaki no yau (Evening Rain at Karasaki) Neste conto recorda-se o amor de um povo de uma ilha japonesa por uma árvore muito bela e antiga: «(…) uma árvore enorme que crescia numa ilha muito pequenina.»
  4. 4. 2- Hiroshige (1797-1858) O respeito e amor pela natureza em geral e por esta árvore em particular era muito grande. Nota 1 A árvore (reconto)- Sophia de Mello Breyner Andresen
  5. 5. 3-Hokusai (1760 - 1849) Mas ao longo das gerações, a árvore foi crescendo de tal modo…
  6. 6. 4-Gesso Yoshimoto (1881-1936) …que cobriu metade da ilha quase tapando a luz do sol o que causou imenso problemas.
  7. 7. 5-Hiroshige (1797-1858) Depois de muito deliberarem, os habitantes chegaram à conclusão que, infelizmente, tinham de cortar a árvore.
  8. 8. 6-Hiroshige (1797-1858) Como as suas casas eram construídas em madeira, as pernadas e ramos da velha árvore foram muito úteis:
  9. 9. 7-Hiroshige (1797-1858) aplicaram a sua madeira na construção e também em objetos de uso diário, alguns utilitários, outros ormamentais,
  10. 10. 8-Kitagawa Utamaro (1750-1806) como por exemplo, os pentes e ganchos com que as mulheres prendiam o cabelo e o enfeitavam. A árvore (reconto)- Sophia de Mello Breyner Andresen
  11. 11. 9-Hokusai (1760 -1849) Entretanto, começaram a chegar à ilha pretendentes ao enorme tronco da árvore:
  12. 12. 10-Hokusai (1760-1849)
  13. 13. 11-Hiroshige (1797-1858) construtores de barcos e outros comerciantes de madeira.
  14. 14. 12-Hokusai (1760-1849) Mas os habitantes da ilha resolveram não vender o tronco e decidiram construir eles próprios uma grande barca.
  15. 15. 13-Hokusai (1760-1849) Trabalharam arduamente e em pouco tempo a barca ficou pronta.
  16. 16. 14-Hiroshige (1797 -1858) O feito foi celebrado com uma grande festa e fogo de artifício. A árvore (reconto)- Sophia de Mello Breyner Andresen
  17. 17. 15-Chikanobu (1838-1912) Todos quiseram assistir ao lançamento ao mar da grande barca feita com a velha e amada árvore.
  18. 18. 16-Hiroshige II (1826-1869) A partir de então, a vida dos habitantes da ilha melhorou muito, pois puderam navegar para mais longe, fazer negócios mais rentáveis,
  19. 19. 17- Hiroshige (1797-1858) e apreciar melhor as belezas da ilha e das suas paisagens.
  20. 20. 18-Hokusai (1760-1849) Durante o inverno, gostavam de recordar esses passeios e fazer planos para a primavera.
  21. 21. 19-Eisen Tomioka (1864-1905) Começavam os preparativos para os meses mais amenos: arejavam-se os quimonos primaveris
  22. 22. 20-Hiroshige (1797-1858) e compravam-se outros novos. A árvore (reconto)- Sophia de Mello Breyner Andresen
  23. 23. A árvore (reconto)- Sophia de Mello Breyner Andresen21-Hiroshige (1797-1858) Em breve as cerejeiras iriam florir e era preciso estar tudo preparado. Nota 2
  24. 24. 22-Mori Sosen (1747–1821): O Festival da Primavera era anunciado pelo macaquinho amestrado,
  25. 25. 23-Sugimura Jihei (c.1681 - 1703) pela dança do leão de papel e pelos homens dos tambores.
  26. 26. 24-Hiroshige (1797-1858) Finalmente, as cerejeiras que tinham sido plantadas no local onde dantes se erguia a velha e venerável árvore, cobriam-se de flores, e era uma grande alegria.
  27. 27. 25-Hiroshige (1797-1858) A árvore (reconto)- Sophia de Mello Breyner Andresen
  28. 28. 26-Sadanobu II (1881-1963)
  29. 29. 27-Hiroshige (1797-1858) Mas os habitantes da ilha não esqueciam a árvore antiga, que tinha sido amada e venerada por tantas gerações.
  30. 30. 28-Hiroshige (1797-1858) Nem mesmo toda a beleza das cerejeiras em flor conseguia apagar a sua memória.
  31. 31. 29-Hiroshige (1797-1858) Entretanto, quando descobriram que a barca construída com o tronco da velha árvore estava a apodrecer, ficaram muito aflitos mas logo decidiram fazer outra, pois tinham ganho muito dinheiro e podiam comprar madeira para a sua construção.
  32. 32. 30-Kuniyoshi (1797-1861) A velha barca teve que ser queimada.
  33. 33. 31-Hiroshige (1797-1858) Só se salvou o grande mastro pois esse não tinha apodrecido. O que fazer com ele? A árvore (reconto)- Sophia de Mello Breyner Andresen
  34. 34. «Depois de muito pensar resolveram fazer uma biwa, que é uma espécie de guitarra japonesa. Quando a obra ficou pronta (…) sentaram-se em silêncio em redor do melhor músico da ilha para ouvirem o som da biwa. Mas, mal os dedos do músico fizeram soar as cordas, de dentro da biwa ergueu-se uma voz que cantou:
  35. 35. A árvore antiga Que cantou na brisa Tornou-se cantiga Então, todos compreenderam que a memória da árvore nunca mais se perderia, nunca mais deixaria de os proteger, porque os poemas passam de geração em geração e são fiéis ao seu povo.» * * In A árvore de Sophia de Mello Breyner Andresen 32-Kuwagata Keisai (1764-1824)
  36. 36.  Índice das ilustrações  Sophia de Mello Breyner Andresen e a origem das histórias contadas no livro A Árvore.  Mapas  Notas  Sítios consultados Extratexto A árvore (reconto)- Sophia de Mello Breyner Andresen
  37. 37.  0-Capa do livro A Árvore de Sophia de Mello Breyner Andresen (1985) que reproduz a estampa japonesa de Hiroshige (1797- 1858), Karasaki no yau – ver 1  1-Hiroshige (1797-1858): Karasaki no yau (Evening Rain at Karasaki) (nota: gravura reproduzida no livro A Árvore )  2-Hiroshige (1797-1858): Festival Hotohoto no Grande altar- Província de Izumo  3-Hokusai (1760- 1849): uma das 36 vistas do Monte Fuji  4-Gesso Yoshimoto (1881-1936): Pine Tree at Karasaki (ca.1930)  5-Hiroshige (1797-1858): Fushimi  6-Hiroshige (1797-1858): SimoSuwa  7-Hiroshige (1797-1858): Mitake  8-Kitagawa Utamaro (ca 1753-1806): Beauty Ochie  Kitagawa Utamaro (1753-1806): A Flower of the Ôgiya (Ôgiya uchi Hana -1794)  9-Hokusai (1760-1849): Fishing boats at Choshi  10-Hokusai (1760-1849): Kanagawa Oki Nami Ura, também conhecida como “A grande onda/The Great Wave” (nota: gravura parcialmente reproduzida no livro A Árvore)  11-Hiroshige (1797-1858): The Rokugo Ferry at Kawasaki  17-Hiroshige (1797-1858): Autumn moon at Ishimaya Temple  18-Hokusai (1760- 1849): Snowy Morning at Koishikawa
  38. 38.  18-Hokusai (1760- 1849): Snowy Morning at Koishikawa  19-Eisen Tomioka (1864-1905): Airing Clothes  20-Hiroshige (1797-1858): Fukaya  21-Hiroshige (1797-1858): da série 100 vistas do Monte Fugi (Fujimi hyakuzu)  22-Mori Sosen (1747–1821): Monkey Performing the Sanbaso Dance  23-Sugimura Jihei (c.1681 to 1703): Lion Dance  24-Hiroshige (1797-1858): Keishi  25-Hiroshige (1797- 1858): Kiyomizu Hall and Shinobazu Pond at Ueno  26-Sadanobu III (1881- 1963): Cherry Blossom Viewing  27-Hiroshige (1797-1858): Festival Hotohoto no Grande altar- Província de Izumo  28-Hiroshige (1797-1858): Inaba Province, Karo, Koyama  29-Hiroshige (1797-1858): Nagato Province, Shimonoseki  30-Kuniyoshi (1797- 1861): Boat Repair and Sumida River (nota: gravura parcialmente reproduzida no livro A Árvore)  31-Hiroshige (1797- 1858): Iyo Province, Saijo  32-Kuwagata Keisai (1764-1824 ): Biwa_hoshi_Tokyo_Museum • Nota: optou-se por não traduzir para português o título de todas estampas transcrevendo-se a sua denominação tal como é referida nas fontes consultadas. 
  39. 39. JL- Jornal de Artes e Letras, nº 135, 5 de fevereiro, 1985 – in entrevista de Miguel Serras Pereira reproduzida in Sophia de Mello Breyner Andresen – Uma Vida de Poeta (Caminho, 2011) «“A Ávore” foi-me contada pelo escritor Isaac Tesuka (sic). Ao seu conto acrescentei diversos pontos, variações, divagações. Assim o poema do leão de papel é uma tradução minha de um poema tradicional japonês que li em inglês, num livro sobre o Japão. O segundo poema que aparece no final da história é um poema meu.» Sophia de Mello Breyner Andresen in “Nota”, A Árvore, p. 6 (Figueirinhas, 1987) Sophia de Mello Breyner Andresen e a origem das histórias contadas no livro A Árvore.
  40. 40. Mapa-múndi e mapa do arquipélago do Japão
  41. 41. Nota 1- «Os japoneses têm um grande amor e um grande respeito pela natureza...». Este apreço pela Natureza associa o aspecto estético (relativo à beleza) a um respeito que deriva de práticas ancestrais ligadas ao Xintoísmo. Trata-se de “espirualidade tradicional” ou religião que se caracteriza pela crença na existência dos “kami”, espíritos, divindades ou essências do mundo natural (das árvores, plantas, água, rios, pedras, montanhas, vento, etc.). Os seres humanos também se tornam “kami” quando morrem. Há actualmente cerca de 119 milhões de praticantes de Xintoísmo no Japão. voltar Nota 2- Os festivais das cerejeiras em flor- Todos os anos os japoneses esperam ansiosamente pela época em que as cerejeiras florescem. Sakura 桜 é o termo que designa as flores das cerejeiras. Começa então a época dos hanami (花見, flor ver)– termo japonês para ir ver as árvores floridas. As pessoas reunem-se nos parques e nos jardins, onde fazem piqueniques e admiram a beleza das árvores em flor. Chega a haver diariamente no boletim meteorológico o anúncio do avanço da floração (sakura zenshen), que começa no sul, em fins de Março e se prolonga até ao princípio de Maio. Fora do Japão a maior colecção de cerejeiras encontra-se no Jardim Botânico de Brooklyn (Nova Iorque) onde também se celebra um festival de cerejeiras em flor (ver). gal.... (quem quiser conhecer uma triste história pesquise na net “Jardim Japonês de Lisboa” Voltar A árvore (reconto)- Sophia de Mello Breyner Andresen
  42. 42. Estampas Japonesas  artelino - Japanese Prints and Contemporary Chinese Art Prints > http://www.artelino.com/  Fuji Arts Japanese Prints - Japanese Woodblock Prints and Decorative Arts > http://www.fujiarts.com  Japanese Woodblock Prints By Ronin Gallery > http://www.japancollection.com/japanese-prints-home.php  Man-Pai-Gravuras Japonesas: Ukiyo-e & Shin Hanga > http://www.man-pai.com/  Hiroshige- Wikipedia, the free encyclopedia > http://en.wikipedia.org/wiki/Hiroshige  Hokusai- Wikipedia, the free encyclopedia> http://pt.wikipedia.org/wiki/Katsushika_Hokusai  Utamaro -artcyclopedia.> http://www.artcyclopedia.com/artists/utamaro_kitagawa.html Biwa  http://www.accessjapan.co.uk/newlookfactfile/music.html  http://sonic.net/~tabine/heike081003/Heike_performing.html  Ver e ouvir no Youtube aqui Sakura  http://hubpages.com/slide/Travel-sakura/840192  http://bartman905.wordpress.com/2010/04/12/bokutei-sakura-matsuri/  http://en.wikipedia.org/wiki/Cherry_blossom  http://www.tjf.or.jp/eng/content/japaneseculture/11hana.htm  http://www.kyoto-np.co.jp/kp/english/photos/sakura/sakura1.html Xintoísmo  http://pt.wikipedia.org/wiki/Xinto%C3%ADsmo  http://www.japan-guide.com/e/e2056.html (acedidos em Abril 2011) Sítios consultados Manuela D.L.Ramos A árvore (reconto)- Sophia de Mello Breyner Andresen

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