Evangélico william menzies e stanley horton - doutrinas bíblicas cpad

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Evangélico william menzies e stanley horton - doutrinas bíblicas cpad

  1. 1. Conhecendoasdoutrinas fundamentais da fécristã
  2. 2. % Conhecendoasdoutrinas | | fundamentais da fécristã I * * William W. Menzies Stanley M. Horton
  3. 3. . c :; :>DireitosReservados. Copyright © 1995 para alínguaportuguesa da Casa Pubücadora das Assembléias de Deus. "P.rolc io original em inglês: 5 ble Doctrines - A Pentecostal Perspective L gi:n Press/Springfield, Missouri Primeira edição em inglês: 1993 Tradução: João Marques Bentes Capa: Alexander Diniz R da Silva 230 - Doutrina Menzies, William W., e Horton Stanley M. MENd Doutrinas Bíblicas.../William W. Menzies e Stanley M. Horton l.ed. - Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1995. p. 312.cm. 14x21 ISBN 85-263-0055-5 1. Doutrina 2. Teologia Cristã CDD 230 - Doutrina Casa Publicadora das Assembléias de Deus Caixa Postal 331 20001-970, Rio de Janeiro, RJ, Brasil 3aEdição 1999
  4. 4. ÍNDICE Prefácio...........................................................................9 Introdução.................................................................11 1. A Inspiração das Escrituras..............................19 A Regra Autorizada.......................................... 19 A Revelação de Deus à Humanidade...............22 A Verbalmente Inspirada Palavra de Deus .... 24 A Regra Infalível.................................................29 O Canon e as Traduções MaisRecentes.........32 2. O Deus Único e Verdadeiro...............................41 A Existência de Deus........................................45 A Natureza de Deus..........................................47 Os Atributos de Deus........................................50 A Trindade.........................................................52 3. A Deidade do Senhor Jesus Cristo...................61 A Pessoa de Cristo..............................................61 Os Ofícios de Cristo.......................................... 66 A Obra de Cristo................................................68 4. A Queda do Homem........................................... 79 A Origem da Humanidade................................79
  5. 5. Doutrinas Bíblicas A Natureza da Humanidade..............................84 A Imagem de Deus.............................................87 A Origem do Pecado..........................................89 5. A Salvação do Homem....................................101 O Conceito de Sacrifício.............................. 101 A Expiação.....................................................103 Resultados da Obra de Cristo no Calvário... 105 A Conversão..................................................107 6. As Ordenanças da Igreja...............................117 Batismo em águas..........................................118 A Ceia do Senhor..........................................122 7. O Batismo no Espírito Santo..........................129 A Promessa do Pai......................................... 129 Terminologia Bíblica do Batismo....................131 O Propósito do Batismo no Espírito Santo... 132 Recebendo o Batismo no Espírito Santo.....136 8. Evidência Física Inicial do Batismo no Espírito Santo................................................141 Sinais do Derramamento.................................141 Funções do Falar em Línguas........................ 145 Questões Sobre o Falar em Línguas...............146 9. A Santificação..................................................... 153 Definindo Termos............................................154 Três Faces da Santificação............................ 155 10. A Igreja e Sua Missão.......................................167 Que é a Igreja?..................................................167
  6. 6. Como Tomar-se Membro da Igreja.............. 173 A Obra da Igreja............................................. 174 11. O Ministério........................................................189 Organização da Igreja.................................... 187 Funções do Ministério.....................................193 A Chamada para o Ministério...................... 195 12. Cura Divina.......................................................203 O Argumento em Favor das Curas.................203 O Grande Médico............................................205 Cura na Expiação............................................207 Curas Disponíveis Hoje...................................211 Renovação Interior..........................................213 Ajuda à Fé........................................................214 As Enfermidades e os Demônios....................215 As Curas e a Profissão Médica.......................217 O Propósito da Cura Divina...........................218 Por que nem Todos São Curados?..................219 13. A Bendita Esperança........................................223 A Ressurreição dos Crentes.............................223 Jesus Voltará.....................................................225 O Arrebatamento............................................229 A Grande Tribulação.......................................232 O Anticristo......................................................235 O Tempo da Vinda de Cristo.........................235 14. O Reino Milenial de Cristo...............................243 A Revelação de Cristo.....................................243 O Milênio.........................................................245 índice 1
  7. 7. 8 Doutrinas Bíblicas Pontos de Vista do Milenismo........................246 Promessas Nacionais de Deus a Israel............251 15. O Julgamento Final...........................................259 O Destino da Raça Humana..........................259 Os Julgamentos................................................262 A Rebelião Final de Satanás...........................264 O Grande Trono Branco.................................265 Lago de Fogo....................................................266 16. Os Novos Céus e a Nova Terra.......................271 O Novo Substitui o Antigo............................ 271 A Nova Jerusalém............................................275 Apêndice: A Declaração Original de 1916 sobre as Verdades Fundamentais..............279 Glossário..................................................................285 Bibliografia......................... ....................................299 índice de Assuntos.................................................305
  8. 8. PREFACIO O estudo das doutrinas bíblicas faz-se cada vez mais indispensável, especialmente nestes últimos dias, quando se constata um contínuo aumento de falsos mestres e profetas. Conseqüentemente, um número demasiado grande de cren­ tes acha-se agitado de um lado para outro, “levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente” (Ef4.14). Como se não bastasse, alguns fiéis (talvez sem saberem que “doutri­ na”é apenas outra palavra para “ensino”) fazem objeção ao estudo das doutrinas, tornando-se vulneráveis aos “ventos de doutrina”.Eis a razão pela qual Deus quer que os crentes cresçam. Mas, para isto, faz-se necessário conhecer os ensi­ nos básicos da Bíblia. Tal conhecimento haverá de prote­ ger-nos dos falsos mestres e profetas. O livro intitulado Understanding Our Doctrine, de au­ toria do Dr. William W. Menzies, foi originalmente escrito paraserutilizadonumcursode treinamentointitulado “Pontos Fundamentais para Obreiros da Escola Dominical”. O Dr. Menzies, atual presidente do Asia Pacific Theological Seminary (anteriormente Far East Advanced School of Theology), em Baguio, república das Filipinas, deu-me sua
  9. 9. Doutrinas Bíblicas bondosapermissãopara revisar e ampliar seu excelente livro para uso de todo o povo de Deus. Os capítulos deste livro seguem os 16 artigos da Declara­ ção de Verdades Fundamentais, conforme aceitos pelas As­ sembléias de Deus. Nosso propósito, entretanto, não é pro­ mover as doutrinas das Assembléias de Deus, mas antes, salientar a base e as aplicações dessas verdades bíblicas fundamentais. Este estudo, pois, será útil para aqueles que crêem na Bíblia, semimportar sua denominação. Os crentes precisam saber onde estão no tocante às doutrinas da Bíblia. Este livro será útil para os pastores no treinamento de novosconvertidos. Os professores de EscolaDominical achá- lo-ão útil tanto para o seu enriquecimento pessoal, quanto para ministrar a seus alunos em idade colegial, proporcio- nando-lhes sólida base para estudos mais vastos e profun­ dos no campo da teologia. Enfim, esta obra será útil a todos, quer seminaristas, quer leigos, e obreiros de uma forma geral. Desejo agradecer ao Dr. G. Raymond Carlson, superin­ tendente geral das Assembléias de Deus nos Estados Uni­ dos; à Divisão de Missões Estrangeiras das Assembléias de Deus dos Estados Unidos; e a todos que, mediante sua generosidade, tornaram possível este projeto. Agradecimen­ tos especiais também são devidos aGlen Ellard e sua equipe editorial por sua ajuda técnica. Para facilitar aleitura, aspalavras emhebraico, aramaico e grego foram transliteradas por letras latinas. Stanley M. Horton, Th.D. Emérito Professor de Bíblia e Teologia no Assemblies of God Theological Seminary
  10. 10. INTRODUÇÃO As Assembléias de Deus vieram à existência em resulta­ do do reavivamento pentecostal que começou no princípio do século XX. Este reavivamento teve início como a pode­ rosa e sobrenatural resposta de Deus ao modernismo teoló­ gico que já estava tomando conta da maioria das denomina­ ções evangélicas na América doNorte e aoredor domundo. Livros escritos para defender a fé eram ignorados pelos seminários. A possibilidade de milagres operados por Deus era negada. Um vácuo espiritual, por conseguinte, seestava desenvolvendo de forma irremediável e crônica. Essa época foi assim retratada pelo Dr. William Menzies: Os Estados Unidos, nos anos entre a Guerra Civil e o término do século [XIX], estavam em estado de fermentação social e religiosa. A corrupção moral, política e econômica aumentava as tensões ocasionadas pela organização das diversas classes, pela industrialização e pela imigração. As grandes denominações, bem sucedidas na cristianização das fronteiras, tornaram-se compla­ centes e sofisticadas, faltando-lhes a visão e a vitalidade para enfrentarem as necessidades em mutação de uma população aflita. Graus variegados de acomodação à idéias populares, re­ centem ente im portadas da Europa, que assaltavam o
  11. 11. Doutrinas Bíblicas evangelicalismo ortodoxo, debilitaram ainda mais as grandes co­ munhões evangélicas. Contra a erosão na Igreja de Cristo surgi­ ram os movimentos Fundamentalista e Holiness. Foi principal­ mente devido às preocupações espirituais geradas por esse seg­ mento que nasceu o anseio por um novo Pentecoste. Antes do ano de 1900, havia manifestações carismáticas, mas isoladas e episódicas em sua natureza. Mas estava sendo armado o cenário para o grande derramamento do Espírito Santo que, em breve, tomaria conta da terra, trazendo-nos o grande refrigério dos Últimos Dias. (William W. Menzies, Anointed to Serve: The Story ofthe Assemblies ofGod, Springfield, Mo.: Gospel Publishing House, 1971, pág. 33). O atual movimento pentecostal traça sua origem desde oreavivamento noBethelBibleCollege, emTopeka, Kansas, que teve início a l°dejaneiro de 1901. Estudantes, com base em seus estudos bíblicos, concluíram que o falar em línguas (ver At lAt) é a evidência física e inicial do batismo no Espírito Santo. Uma das estudantes, Agnes Ozman, decla­ rou que sentia “como serios de água viva estivessem saindo de seu ser mais interior”. (Stanley H. Frodsham, With Signs Following, ediçãorevisada, Springfield, Mo.: GospelPublishing Fíouse, 1946, pág. 20). O reavivamento tornou-se umaverdadeira explosãopen­ tecostal quando, em 1906, W. J. Seymour obteve um edifí­ cio de dois andares na rua Azusa, 312, em Los Angeles, Estado da Califórnia. Durante cerca Be três anos, houve cultos quase que continuamente, das dez da manhã à meia- noite. E muitos daqueles que receberam o batismo pente­ costal no Espírito Santo foram espalhados para propagarem a mensagem. Muitas igrejas pentecostais independentes ti­ veram início. E então, Depois que os derramamentos pentecostais começaram, apa­ receram numerosas publicações advogando seus ensinos e ser­ vindo de canais para fornecer informações e sustentar missioná­ rios enviados além-mar. Uma dessas publicações, a Word and Witness, editada por Eudorus N. Bell, publicou um convite, em
  12. 12. Introdução 1913, para uma conferência de crentes pentecostais a ser realiza­ da em Hot Springs, Estado do Arkansas, no ano seguinte. Assim foi realizada a reunião de fundação do Concilio Geral das Assem­ bléias de Deus (Gary B. McGee, “A Bried History of the Modern Pentecostal Outpouring”, Paraclete 18, primavera de 1984, pág. 22). Cinco razões básicas foram apresentadas para a convoca­ ção do Concilio Geral, que funcionou entre 2e 12 de abril de 1914. Os convocados “(1) deveriam atingir uma melhor com­ preensão e unidade de doutrina; (2) saber como conservar a obra de Deus na própria pátria e no estrangeiro; (3) consultar os órgãos competentes quanto à proteção de fundos para os esforços missionários; (4) explorar aspossibilidades de unificar asigrejas sobumnome legal; e (5) consideraroestabelecimen­ to de uma escola de treinamento bíblico com uma divisão literária”(In theLastDays:An EarlyHistoryofthe Assemblies ofGod, Springfield, Mo.: Assemblies ofGod, 1962, pág. 11). Mais de trezentas pessoas fizeram-se presentes, e elege­ ram E. N. Bell como o presidente de sua nova comunhão - as Assembléias de Deus. Em 1916, foi preparada uma “De­ claração de Verdades”, primariamente por Daniel Warren Kerr, de Cleveland, Ohio (Carl Brumback, Like a River: The Early Years ofthe Assemblies ofGod, Springfield, Mo.: Gospel Publishing House, 1977, pág. 55). Este documento foi adotado com o seguinte preâmbulo: Esta declaração de Verdades Fundamentais não tem por intuito ser um credo da igreja, e nem a base da comunhão entre os cristãos, mas somente o alicerce da unidade para o ministério (ou seja, que todos digamos a mesma coisa, 1 Co 1.10 e At 2.42). A fraseologia empregada em tal declaração não é inspirada e nem a defendemos contenciosamente, mas a verdade nela expos­ ta é considerada essencial para o ministério pleno do Evangelho. Embora não contenha ela toda a verdade da Bíblia, cobre nossas atuais necessidades quanto às questões fundamentais básicas da fé (Concilio Geral das Assembléias de Deus, Atos do Concilio
  13. 13. Doutrinas Bíblicas Geral, 2 a 7 de outubro de 1916. A redação foi levemente modificada na atual declaração apresentada em forma de livrete: The General Council of the Assemblies of God Statement of FundamentalTruths, revisado, Springfield, Mo.: Gospel Publishing House, 1983). A declaração original serviu às Assembléias de Deus por muitos anos. Havia pouca insatisfação com qualquer dos 16 artigos. (Originalmente havia 17 artigos. A revisão combinou os artigos 2 e 13, adicionou um artigo sobre a deidade de Cristo, e combinou os artigos 10 e 11, restando-assim 16 artigos ao todo.) Visto que algumas das doutrinas haviam sido formuladas de forma muito sucinta, sentiu-se mais tarde a necessidade de se reescrever e ampliar alguns artigos. Em 1960, pois, uma comis­ são pôs-se a trabalhar em cima dessas declarações, surgindo daí uma redação nova e mais detalhada. O trabalho foi aprovado e adotado pelo Concilio Geral, em 1961. A única mudança signifi­ cativa foi o abandono da expressão “inteira santificação”, por­ quanto era compreendida de diferentes maneiras, gerando ambi­ güidades. “O esclarecimento de 1961 especificou a crença de que a justiça imputada, outorgada ao crente, por ocasião de sua justificação, deveria ser evidenciada numa vida de santidade” (Menzies, Anointed, pág. 318). A preocupação com a preservação da integridade doutri­ nária, dentro do movimento, também resultou na promulga­ çãode diversasmanifestações. Eramestas feitasporministros dasAssembléiasde Deus, que sentiam anecessidade demaior ajuda e esclarecimento sobre vários assuntos atinentes ao campo de trabalho. A maior parte desses documentos foi preparada pela Comissão Sobre Pureza Doutrinária, uma co­ missão permanente nomeada pelo Presbitério Executivo das AssembléiasdeDeus.Osmaisdiversospastores,oficiaisdistritais e professores dos colégios bíblicos e seminários já fizeram parte dessa comissão. As declarações daí resultantes foram aprovadaspelo PresbitérioExecutivo epeloPresbitérioGeral, sendo a seguir publicadas. Todos os documentos, impressos
  14. 14. Introdução até 1989, eram coligidos e publicados sob o título Where We Stand- Onde Estamos (Springfield, Mo.: Gospel Publishing House, 1990). Seguem-seostítulosdessesdocumentos: (1) “A Inerrância das -Escrituras”: (2) “Podem os Crentes RegéneradoíTSer Possuídos pelos. Demônios?”; (3) “Divórcio e Novo Casa- mento”: (4) “O Ministério do Corpo de Cristo”; (5) “Curas Divinas: Uma Parcela Integral do Evangelho”; (6) “0~Mo- vimento do Discipulado e da Submissão”; (7) “Meditação Transcendental”; (8) “Diáconos e Encarregados”; (9) “Pu­ nição Eterna”; (10) “Visão das Assembléias de Deus Sobre a Ordenação”; (11) “A Doutrina da Criação”; (12) “A Segu­ rança do Crente”; (13) “Homossexualismo”; (14) “O Arre- batamento da Igreja”; (15) “O Crente e a Confissão Positi­ va”; (16) “A Evidência Física Inicial do Batismo no Espírito Santo”; (17) “Uma Perspectiva Bíblica Sobre o Jogo”; (18) “A Abstinência”; (19) “Uma Perspectiva Bíblica Sobre o Aborto”; e (20) “O Reino de Deus Conforme Descrito nas Santas Escrituras”. Desde a publicação de Where We Stand, outro docu­ mento que manifesta posição veio a público: “Papel das Mulheres no Ministério,Conforme a Descrição das Santas Escrituras”. Há ainda outros trabalhos que surgiram em decorrência de várias necessidades. Eles são um valioso suplemento para a nossa compreensão acerca da doutrina e da prática das Assembléias de Deus. Sempre que nos pare­ cer apropriado, parte do material constante nesses trabalhos e documentos será discutida neste livro.
  15. 15. IBLICAS 1a Verdade Fundamental
  16. 16. AREGRAAUTORIZADA As Escrituras Sagradas, tanto o Antigo quanto o Novo Testamento, são inspiradas verbalmente por Deus. Elas são a revelação de Deus à humanidade, e nossa infalível e autorizada regra de fée conduta (1Ts 2.13; 2 Tm 3.15,16; 2 Pe 1.21).
  17. 17. AInspiraçãodas Escrituras A REGRA AUTORIZADA Como posso saber qual a verdadeira religião? Eis uma importante pergunta feita com freqüência. Ela merece ser respondida, visto que o bem-estar eterno de quem a faz está em jogo. A questão real é a da autoridade. Há três tipos básicos de autoridade religiosa: (1) a razão humana, (2) a Igreja e (3) a Palavra de Deus. Talvez o tipo mais comum, hoje, seja a razão humana. Não perderemos :empo discutindo acerca das realizações do intelecto huma- no. Elas são realmente admiráveis. Nem poremos de lado a r.ecessidade de se manusear os negócios da vida diária de _mamaneira lógica. O processo de se abordar problemas de ::rma acorresponder aobom senso chama-se racionalidade. Não épecado agircom arazão. A racionalidade, porém, não deve ser confundida com o racionalismo. O racionalismo é aquela crença que coloca a razão humana como a mais elevada das autoridades. Alegamosracionalistas que, com o :empo, o gênio humano desvendará todos os segredos do Lniverso, e conduzirá o planeta a uma vida de paz, saúde e prosperidade para todos.
  18. 18. Doutrinas Bíblicas CAPÍTULO 1 A Inspiração das Escrituras Uma forma de racionalismo é o cientismo. Acredita ele que a ciência, com suas metodologias e instrumentos, será capaz de analisar e solucionar todos os problemas que fusti­ gam a raça humana. Entretanto, tal ponto de vista sofre de severas restrições, pois falha em reconhecer a incapacidade da ciência em analisar determinadas coisas. Não pode, por exemplo, trabalhar diretamente com a cor e o som. E vê-se obrigada a expressar tais qualidades mediante termos quan­ titativos. Mas qualidades não são quantidades. Exemplificando: apesar de os cegos de nascença serem ca­ pazes de compreender a ciência e amatemática dos compri­ mentos das ondas da luz, não significa que possam fazer a mínima idéia sobre o pôr-do-sol, a rosavermelha ou o estra­ nho colorido das asas da borboleta. O mesmo se pode dizer dos surdos. Embora possam vir a compreender a ciência e a matemática das ondas sonoras, jamais terão qualquer idéia acerca de uma sinfonia, ou de uma congregação que louva a Deus e glorifica a Jesus, no Espírito Santo. A ciência é incapaz de estudar elementos que não possam ser pesados ou medidos, como a alma humana. E nem pode tratar com ocorrências ímpares, como os milagres, pois estes são uma manifestação distinta e separada da graça e do poder de Deus. Logo, omilagre não pode ser repetido para análise em laboratório. Na realidade, os que tomam o racionalismo como sua autoridade terminam por aceitar aprópria razão como auto­ ridade suprema. Mas, conforme Salomão observou: “Nada há de novo abaixo do sol”, esse mesmo tipo de arrogância também se manifestava nos tempos antigos. No capítulo 11 de Gênesis, lemos sobre aqueles que tentaram desafiar a Deus, edificando uma torre altíssima, em Babel. Os racionalistas de todos os séculos assemelham-se a estes: põem sua confiança final na própria capacidade de racioci­ nar. Nos dias dos juizes, “cada qual fazia o que parecia direito aos seus olhos” (Jz 17.6 e 21.25). O caos e a confu­ são, resultantes dessa atitude, são claramente retratados nas trágicas histórias registradas no livro de Juizes.
  19. 19. A Inspiração das Escrituras 21 A segunda crença comum aponta a Igreja como a auto­ ridade suprema. Alguns alegam que, já que o Cristo outor- gou sua autoridade a Pedro, este, ao impor as mãos sobre os bispos que ordenara, conferiu-lhes automaticamente a mes­ ma autoridade. E, assim, surgiu acadeia sucessória de Pedro. Através da “sucessão apostólica”, a autoridade vem sendo transmitida desde Cristo, através dos doze apóstolos, atra­ vessando os séculos. Com base nessa idéia, certas igrejas consideram-se acima das demais, arrogando-se como as úni­ cas representantes autorizadas de Cristo. Seus líderes, por isso, procuram exercer uma autoridade que o Senhor jamais lhes outorgou. Associada ao ponto de vista da sucessão apostólica, acha-se a asserção de que oNovo Testamento éum produto da Igreja, conferindo a esta uma espécie de prioridade sobre a Bíblia. Devemos observar, no entanto, que a teoria da sucessão apostólica não apareceu senão já no segundo sécu­ lo de nossa era. Outrossim, o concilio de Cartago, efetuado em 397 d. C., jamais autorizou o cânon dos livros do Novo Testamento que hoje reconhecemos como inspirados pelo Espírito Santo. Limitou-se, porém, a corroborar o que já era reconhecido por todas as igrejas da época. A morte de Cristo pôs aNova Aliança em vigor (ver Hb 9.15-17). Após a sua ressurreição, Ele e o Espírito Santo trouxeram a Igreja à existência. Ato contínuo, o Espírito Santo inspirou os escritores que nos legaram os livros do Novo Testamento. Atualmente, visto haverem disputas e querelas entre os corpos eclesiásticos, o coração do homem anela por uma autoridade superior a da organização eclesiástica terrena. A terceira alternativa consiste em se confiar explicita­ mente na autoridade da Palavra de Deus. Esse ponto de vista encontra-se baseado na convicção de que Deus, por sua natureza, é auto-revelador. (A diferença-chave entre as outras religiões e o Cristianismo é que elas vêem a humani­ dade no escuro, buscando por alguma coisa dentro de si mesma ou para além de si mesma. O Cristianismo revela o CAPÍTULO 1 A Inspiração das Escrituras
  20. 20. 22 Doutrinas Bíblicas CAPÍTULO 1 A Inspiração das Escrituras Deus que dissipa as trevas, que intervém na história huma- na e estende seu amor aos que se acham caídos.) Deus é um Deus que fala; Ele deseja comunicar-se com suas criaturas. Hebreus 1.1,2 disserta sobre esta característi' ca do Supremo Ser: “Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho. . .” Sim, Deus falou. Sua declaração final e plena, conforme nos indica Hebreus 1.1,2, foi feita através da pessoa de seu Filho, Jesus Cristo. Chamamos a essa maneira de falar de encarnação, onde o divino foi revestido pelo humano. Essa é a medida mais completa pela qual Deus pode comunicar' se conosco. Trata-se de uma comunicação de pessoa para pessoa. Jesus Cristo, segundo nos lembra oprimeiro capítulo do evangelho deJoão, é o “Verbo”,o mensageiro e amensa­ gem de Deus. Ora, assim como Jesus Cristo é a Palavra Viva, assimtambém aBíblia é a Palavra escrita de Deus. Na ausência pessoal de Jesus, a Bíblia é a autoridade que o Espírito Santo usa para dirigiroCorpo de Cristo. O apóstolo Paulo, em Romanos 10.8-15, afirmou dramaticamente que, sem a proclamação das Boas Novas - a mensagem da Bíblia - o homem jamais poderá reatar sua comunhão com Deus. Ela é abase da nossa fé. Ela nos leva a confessar que “Jesus é o Senhor”. A REVELAÇÃO DE DEUS À HUMANIDADE Se admitirmos que Deus de fato fala, é a Bíblia o único meio de Ele se comunicar conosco? Deus também torna-se conhecido, até certo ponto, a todas as pessoas (1) mediante a criação e (2) através da consciência. Tal maneira de Deus falar é usualmente chamada de revelação geral ou natural. Os capítulos 1e 2 da epístola aos Romanos esboça a forma pela qual Ele fala conosco. Romanos 1.20 refere-se ao co­ nhecimento divino disponível a todas as pessoas, em todos os lugares; é o conhecimento colhido junto à natureza:
  21. 21. A Inspiração das Escrituras 23 “Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se enten­ dem e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis”. Noutras palavras, os seres humanos, sem exceção, têm condições de saber que nenhum deus feito de ouro, prata, bronze, madeira ou barro, poderia ter criado um Universo tão imenso e comple­ xo como o nosso. Enem os muitos deuses pagãos, represen­ tados como quem luta uns contra os outros, poderiam ter criado a consistência, a boa ordem e abeleza que encontra­ mos na natureza. Quem haveria de negar a expressão inspi­ rada do Salmo 19: “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos?” A Bíblia afiança que Deus fala através da consciência do indivíduo: “Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei, os quais mostram a obra da lei escrita no seu coração, testificando juntamente a sua cons­ ciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer de­ fendendo-os” (Rm 2.14,15). O próprio fato de que as pesso­ as, em todos os lugares, possuem uma consciência, uma idéia de certo eerrado que se coaduna com aBíblia, mostra- nos que há uma autoridade acima do indivíduo e das cir­ cunstâncias. Até aqueles que rejeitam aBíblia retêm a cons­ ciência, embora esta opere àbase daquilo em que se acredita ser o certo e o errado. Externamente, Deus fala através do Universo que Ele criou; e, internamente, por intermédio da consciência de cada indivíduo. Entretanto, a tragédia registrada nos capí­ tulos 1e 2 da epístola aos Romanos pode ser assim resumi­ da: a humanidade, tendo recebido aluz difusa disponível no Universo, amaldiçoou aDeus, erebelou-se contra Ele. Mes­ mo assim, há uma luz suficiente para que ninguém venha a afirmar que Deus é injusto. E, por haverem rejeitado voluntariamente a luz, não serão poucos os condenados à punição eterna. Não é Deus CAPÍTULO 1 A Inspiração das Escrituras
  22. 22. Doutrinas Bíblicas quemmanda aspessoaspara oinferno. São elas próprias que exigem que Ele as deixe em paz, para que possam viver de acordo com os seus desejos, luxúrias e concupiscências. E, quando Deus, emmeio à tristeza e àrelutância, permite que os tais se entreguem aos seus próprios caminhos, só lhes pode restar a perversão, a destruição e o inferno. Uma mensagem especial, que somente a Bíblia pode transmitir, é a notícia de que Deus interveio no drama humano para redimir-nos. A natureza e a consciência não poderiam jamais revelar semelhante verdade. Mas o Antigo Testamento discorreu demorada e antecipadamente acerca da vinda do Redentor; e o Novo mostra-nos como se deu a sua vinda e revela-nos a plenitude de seu significado. A VERBALMENTE INSPIRADA PALAVRA DE DEUS O termo grego que mais se aproxima do vocábulo portu­ guês “inspiração” acha-se em 2 Timóteo 3.16. E a palavra theopneustosque, literalmente, significa“sopradoporDeus”. Mediante o hálito eopoder divinos, oEspírito Santo moveu os autores da Bíblia com tal precisão que o que eles deixa­ ram escrito reflete com exatidão o que o próprio Deus quis dizer. Os profetas e apóstolos deixaram bem patente os sinais da inspiração divina em suas respectivas obras. Isso significa que os 66 livros do cânon sagrado, que compõem a Bíblia, na sua expressão original, são inteiramente dignos de confiança, tanto quanto a voz do Espírito Santo (ver 2 Pe 1.17-21). Quanto à inspiração, diversos pontos devem ser levados em conta. A teoria do ditado mecânico afirma que Deus falou de tal forma através dos profetas e apóstolos a ponto de lhes suprimir a personalidade. Esta teoria, porém, é errô­ nea. Personalidades e vocabulários particulares dos vários escritores são facilmente distinguíveis. Entre os aproxima­ damente quarenta autores das Sagradas Escrituras, pode-se observar suas várias ocupações - pastores, estadistas, sacer­
  23. 23. A Inspiração das Escrituras 25 dotes, pescadores, os bem-educados e os de pouca cultura. Os escritores não foram manipulados como se fossem robôs, ou como se estivessem em transe. Deus não os apanhou ao acaso, e ordenou-lhes que escrevessem. Mas separou, por exemplo, a Jeremias para ser um profeta; e, para tanto, começou a prepará-lo desde que ele se encontrava no ven­ tre materno (Jr 1.5). Enfim, o Senhor Deus preparou os autores das Escrituras através de experiências, separando-os convenientemente a que trouxessem a lume a verdade exa­ tamente como lhas revelara. Desse modo, a personalidade dos escritores foi cuidadosamente preservada pelo Espírito Santo. O Espírito Santo “impulsionou o pensamento original na escolha das palavras que melhor o expressassem (Ex 4.12,15). E, finalmente, Ele nos ilumina a mente para que compreendamos a sua Palavra^conforme no-la transmitiram os autores sagrados (1 Co 2.12; Tsf 1.17,18). Assim sendo, tanto o pensamento quanto a linguagem são igualmente inspirados e reveladores” (Where We Stand, Springfield, Mo: Gospel Publishing House, 1990, pág. 7). Outro ponto de vista largamente defendido éoda inspi­ ração dinâmica. Esta posição concebe a Bíblia não como a obra que tencionava transmitir “verdades proposicionais”- istoé, informações reais, objetivas eracionais - arespeito do próprio Deus. Os advogados dessa idéia assim a defendem por haverem concluído que Deus semantém irreconhecível. Alegam que Ele é infinitamente diferente dos seres huma­ nos, e, que, por isso mesmo, não pode ser reconhecido na Bíblia. Nesta, complementam, Ele não se dá a conhecer; limita-se a mostrar como devem viver os seres humanos. Essa interpretação é conhecida também como funcio­ nal, pois a Bíblia, conforme dizem, nada pode revelar-nos sobre o que Deus é, mas somente acerca de seu trabalho. Negando o elemento sobrenatural, constitui-se tal posição no âmago dos temas modernistas ou teologicamente libe­ rais. Em síntese: dá a idéia de que a Bíblia não passa, CAPÍTULO 1 A Inspiração das Escrituras
  24. 24. 26 Doutrinas Bíblicas CAPÍTULO 1 A Inspiração das Escrituras basicamente, de um folclore. De acordo com essa teoria, a ética suplanta a doutrina. Assim, abre a porta para o relativismo moral, levando as pessoas ainterpretarem, por si mesmas, o que julgam ser apropriado aceitar ou rejeitar, como se tudo não passasse de meras tradições (Jz 17.6). Uma variante desse ponto de vista é a ênfase sobre a história da salvação. De acordo com esta postura, há de fato inegáveis indícios de que Deus vem atuando na história da humanidade visando a salvação desta. Semelhante teoria aceita a Bíblia como um registro da atividade salvadora de Deus, mas reivindica ser ela apenas um registro humano; logo, passível de erros, limitada pela experiência e visão dos que a escreveram. O aspecto positivo desse posicionamento é a aceitação da Bíblia como o registro dos eventos sobrena­ turais de Deus em sua obra redentiva. Sua maior falha acha- se em afirmar que até a interpretação dos eventos narrados na Bíblia, tem de ser inspirada pelo Espírito Santo. Visto que os eventos, por simesmos, são prenhes de ambigüidade, não haverá completa revelação enquanto eles não forem autorizadamente revelados. O que a Bíblia realmente ensina acerca da inspiração? Ela enfatiza a inspiração real dos escritores. Em alguns ca­ sos, Deus falou com eles em voz audível. Noutros, deu-lhes revelações por meio de sonhos e visões. Falou-lhes ainda de maneira que lhe viessem a reconhecer a voz. O trecho de Amós 3.8 enfatiza: “Bramiu o leão, quem não temerá? Falou o Senhor Jeová, quem não profetizará?”Jeremias, certa vez, decidiu não mais profetizar; parecia-lhe que ninguém o esta­ va ouvindo. Mas a Palavra de Deus, em seu coração, tor- nou-se como um fogo que lhe ardia nos ossos, e ele viu-se compelido a dar prosseguimento ao seu ministério (Jr 20.9). Não admira, pois, que declarações como “assim diz o Se­ nhor” ocorram 3808 vezes só no Antigo Testamento. O trecho de 2 Pe 1.20,21 mostra-nos que nenhum dos autores das Escrituras jamais dependeu de seu próprio raciocínio ou imaginação no processo da escrita: “Sabendo primeiramen­
  25. 25. A Inspiração das Escrituras 27 te isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”.A expressão “movi­ dos pelo Espírito Santo”pode soar como se eles estivessem no meio da correnteza do Espírito Santo, efossemimpelidos por Ele. Porém, um exame mais detido das Escrituras mos­ tra-nos que Deus mesmo ensinou-os e guiou-os (Ex 4-15). Voltando a 2 Timóteo 3.16, pode-se ver claramente que a inspiração das Escrituras também se estende às palavras e à inteireza do texto dos documentos originais, ou autógrafos. Jesus aceitou a plena inspiração do Antigo Testamento nesta sua assertiva: “. . .e a Escritura não pode ser anulada” (Jo 10.35; Mt 5.18). A essa abordagem chamamos de inspi­ ração plenária (completa, pois envolve até as próprias pala­ vras). Romanos 3.2 faz eco com essa assertiva quando alude ao Antigo Testamento como “os oráculos de Deus”. Assim também se vê em Hebreus 3.7-11 ao mencionar o Salmo 95.7-11, introduzindo a citação com as palavras “como dizo Espírito Santo. . .” Alguém poderia perguntar: “Quanto ao Antigo Testa­ mento, tudo bem. Mas, e quanto ao Novo?” De aldeia em aldeia, ia Jesus ensinando a Palavra de Deus e ministrando os mistérios concernentes ao Reino de Deus. Conforme as necessidades, repetia Ele muitos de seus ensinos, formando assimum corpo de doutrinas eensinamentos que norteariam avida de sua Igreja. Antes de sua paixão e morte, prometeu aos discípulos que “oEspírito Santo. .. vos ensinará todas as coisas evos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14.26). As doutrinas e ensinos de Cristo foram transmitidos à Igreja pelos apóstolos (At 2.42). O Espírito Santo também dirigiu os escritores dos evangelhos aselecionarem omateri­ al indispensável acerca da vida, ministério, morte e ressur­ reição de Jesus Cristo. Lucas, por exemplo, informa-nos ter feito uma “acurada investigação de tudo, desde o princípio” Cc 1.3). Ele, sem dúvida alguma, foi movido pelo Espírito ianto para assim proceder. CAPÍTULO 1 A Inspiração das Escrituras
  26. 26. 28 Doutrinas Bíblicas CAPÍTULO 1 A Inspiração das Escrituras Durante a era apostólica, havia um processo de revela- ção em andamento, sendo Cristo o fiel cumprimento das profecias da Antiga Aliança. Portanto, o registro de seu nascimento virginal, ensinos, morte e ressurreição (como os encontramos nos evangelhos) fez-se indispensável à Igreja. Fizeram-se necessários também anarrativa da instituição da Igreja com os seus padrões e normas, e um vislumbre da consumação da presente era. Que os apóstolos reconheceram a realidade de um novo pacto, ou testamento, constatamo-lo em passagens como 2 Pedro 3.15,16: “... e tende porsalvação alonganimidade de nosso Senhor, como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição”. Note o leitor a expressão “as outras Escrituras”. Tão claro testemunho, prestado na sétima década do pri­ meiro século d.C., coloca os escritos de Paulo no mesmo plano das demais Escrituras do Antigo Testamento. Aliás, o próprio Paulo já o declarara ter uma palavra do Senhor para apoiar o que escrevia (1 Co 11.23; 1 Ts 4.1,2,15). Embora nem sempre o afirmasse, isso não significa que o restante de seus escritos fosse menos inspirado pelo Espírito Santo (1 Co 7.12). A própria Bíblia ensina que o Espírito Santo moveu de tal modo os profetas e apóstolos na produção das Sagradas Escrituras, que até as próprias palavras destas, nos docu­ mentos originais, são plenamente autorizadas. Se elas não fossem inspiradas, teríamos então liberdade de alterá-las para que se ajustassem às nossas idéias e conveniências. Por conseguinte, a inspiração das palavras foi necessária a fim de proteger a verdade. Jesus indicou a importância de cada palavra ao declarar: “Porque em verdade vos digo que, até que océu e aterra passem, nem umjota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido” (Mt 5.18).
  27. 27. A Inspiração das Escrituras 29 A REGRA INFALÍVEL CAPÍTULO A origem divina e a autoridade das Escrituras assegu- ram-nos ser a Bíblia também infalível, ou seja: incapaz de AInspiração erro, ou de orientar de maneira enganosa, ludibriadora ou das Escrituras desapontadora a seus leitores. Alguns eruditos estabelecem distinção entre a inerrância (“estar isenta de erro”) e a infalibilidade, mas ambos os termos são sinônimos bem pró­ ximos. “Se existe mesmo alguma diferença de significado entre ambos os termos, a inerrância enfatiza a veracidade das Escrituras, ao passo que a infalibilidade enfatiza quão dignasdeconfiança sãoasEscriturasSagradas.Talinerrância e infalibilidade aplicam-se a toda aPalavra de Deus, e inclui tanto a inerrância das revelações quanto a dos fatos narra­ dos. As Escrituras revelam-nos a verdade (2 Sm 7.28; SI 119.43,160; Jo 17.17,19; Cl 1.5)” (Where We Stand, 7,8). A incredulidade engendrada no humanismo é a real fonte das objeções à autoridade e infalibilidade da Bíblia. Seus argumentos não são nenhuma novidade. Escritores cristãos antigos, como Irineu, Tertuliano eAgostinho, tive­ ram de combater algumas dessas objeções. E, ao fazê-lo, declararam sua plena confiança nas Escrituras. Os reformadores, como Zwínglio, Calvino e Lutero, também aceitaram sem reservas a autoridade das Escrituras (Where We Stand, 9). Através dos séculos, osincrédulos vêm fazendo extensas listas do que consideram discrepâncias da Bíblia. Alguns deles, inclusive, ousaram afirmar que a Bíblia era um erro indisputável e singular. Em 1874, J. W. Haley fez um com­ pleto estudo sobre o assunto, que ainda continua bastante atual (John W. Haley, Alleged Discrepancies of the Bible, Grand Rapids: Baker Book House, 1988). Haley classificou essas alegadas discrepâncias, e desco­ briu que eram causadas por várias causas: 1. A falha em se ler exatamente o que a Bíblia diz. 2. Interpretações falsas, especialmente as que não levam em consideração antigos costumes e modos de falar.
  28. 28. 30 Doutrinas Bíblicas CAPÍTULO 1 A Inspiração das Escrituras 3. Idéias erradas sobre a Bíblia como um todo, e a falha em reconhecer que ela, em várias circunstâncias, registra palavras até de Satanás e de pessoas por ele usadas. Exemplificando, Deus disse aos amigos deJó: porque vós não falastes de mim oque era reto como o meu servoJó” (Jó 42.8). A Bíblia, entretanto, fornece-nos um minucioso re­ gistro do que eles disseram, embora suas opiniões não fos­ sem corretas. 4- O fracasso em reconhecer que algumas declarações são condensações do que foi dito ou feito. 5. Dificuldades cronológicas devido ao fato de os babilônios, egípcios, gregos e romanos usarem sistemas dife­ rentes para medir o tempo e marcar datas. Até mesmo Israel e Judá diferiam ocasionalmente em seus métodos de contar os anos de reinado de seus respectivos monarcas. (Quanto a uma boa discussão sobre o assunto, ver Edwin R. Thiele, TheMysteríousNumbersoftheHebrewKings, GrandRapids; Zondervan Publishing House, 1983.) 6. Aparentes discrepâncias ocasionadas por passagens que usam números arredondados, ao passo que outras for­ necem cifras mais exatas, dependendo do propósito de cada escritor. 7. Em alguns lugares, os erros dos copistas foram incor­ porados a manuscritos antigos. Uma comparação entre os manuscritos tem ajudado a corrigir a maior parte desses erros. De fato, a maioria dos eruditos concorda quanto ao que era o conteúdo original desses textos (R. K. Harrison e outros, Biblical Criticism: Historiai, Literary and Textual, Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1980, pág. 150). 8. Finalmente, algumas das chamadas discrepâncias são causadas pelas palavras hebraicas e gregas que apresentam mais de um significado, tal como acontece com oportuguês. A palavra“manga”,porexemplo, pode significartanto manga de camisa como fruta. Um após outro, esses alegados equívocos e discre­ pâncias vêm semostrando falsos. Vezes semconta, asdesco­ m
  29. 29. A Inspiração das Escrituras 31 bertas feitas pelos arqueólogos e outros eruditos têm de­ monstrado que os aludidos erros apontados pelos críticos não têm quaisquer consistências. Para exemplificar, o Dr. Stanley Horton ouviu um professor de Harvard dizer que não havia lâmpadas com sete ramos nos tempos de Moisés. Por conseguinte, aBíbliaestava equivocada ao registrar que um candeeiro assimfora no tabernáculo - ver Exodo 37.17- 24. Entretanto, numa expedição arqueológica em Dotã, em 1962, com o Dr. Joseph Free, do Wheaton College, o Dr. Horton observou trabalhadores desenterrarem um candeei­ ro com sete lâmpadas datado de 1400 a. C., exatamente da época de Moisés (Stanley M. Horton, “Why the Bible is Reliable”, PentecostalEvangel, 14de janeiro de 1973, págs. 8-11). Alguns dos que negam a infalibilidade das Escrituras, acreditam não obstante ser a Bíblia um livro de real valor. Dizemque não importa se ahistória e aciência da Bíblia são verdadeiras ou não, pois um pecador pode ser salvo sem conhecer toda a Bíblia ou suas reivindicações quanto à inspiração divina. E verdade que o pecador nada precisa saber acerca do nascimento virginal, das curas divinas, da santificação, do batismo no Espírito Santo e da segunda "inda de Cristo a fim de ser salvo. Mas uma vez que o recador se converta, tais ensinos servirão para torná-lo mais maduro na fé (Hb 5.11 e 6.2). Para os que se perturbam com o que consideram impre­ cisões da Bíblia, principalmente quanto à descrição dos renômenosnaturais, recomendamos-lhes quelevememconta : seguinte fato: a terminologia científica somente começou a desenvolver-se a partir do início do século XIX. Além do mais, cada ciência adquiriu o seu próprio vocabulário. A palavra “núcleo”, por exemplo, significa uma coisa para o nólogo e outra bem diferente para o astrofísico. Os cientis­ tas empregam as palavras nos mais variados sentidos. Mas a linguagem da Bíblia não é científica. Ela usa termos como ‘erguer-do-sol”ou “pôr-do-sol”, tal como o fazemos, embo- CAPÍTULO 1 A Inspiração das Escrituras
  30. 30. 32 Doutrinas Bíblicas CAPÍTULO 1 A Inspiração das Escrituras ra saibamos que é a terra que se movimenta e não o sol. Todavia, quando a Bíblia declara que “Deus criou os céus e a terra”, não há o que se duvidar: a Bíblia realmente é infalível. A Bíblia jamais nos induzirá ao erro. Ela é a admirável revelação de Deus como nosso Criador e Redentor; um Deus pessoal que nos ama e se interessa por nós; um Deus que tem um plano e que enviou a seu Filho a fim de morrer em nosso lugar (1 Co 15.3). Um Deus que continuará a operar até que Satanás sejaesmagado, eestabelecidos novos céus e nova terra. A Bíblia toda mostra-nos que Ele é digno de confiança; podemos depender totalmente dEle. Sua pró' pria natureza garante a autoridade, a infalibilidade e a inerrância de sua Palavra. O CÂNON E AS TRADUÇÕES MAIS RECENTES Embora estejamos convictos de que os autógrafos foram realmente inspirados por Deus, não mais os possuímos. Mui provavelmente hajam sido desgastados devido ao uso e ao trabalho incessante dos copistas. Todavia, como podemos confiar no texto que aparece em nossas Bíblias? A natureza fidedigna das Bíblias atuais está vinculada à história do cânon, à transmissão e às traduções dos livros das Sagradas Escrituras. A palavra “cânon”significa “regra, padrão, vara de me­ dir”.Portanto, canônico é o livro que satisfaz a certos crité­ rios ou padrões. Na época de Jesus, os 39 livros do Antigo Testamento já eramplenamente aceitos pelojudaísmo como divinamente inspirados. O Senhor referiu-se repetidas vezes ao Antigo Testamento, reconhecendo-o como a Palavra de Deus (Mt 19.4 e 22.29). Para se conferir a confiança que os escritores do Novo Testamento tinham no Antigo, basta conferir as centenas de citações da Lei, dos Profetas e dos Escritos feitas por eles. Há apenas uma ocasião em que, talvez, seja citado um livro apócrifo (espúrio ou duvidoso):
  31. 31. A Inspiração das Escrituras 33 Judas vs. 14 e 15, onde parece haver uma similaridade com o livro de Enoque 1.9. E, mesmo nesse caso, não é difícil de se atribuir a ocorrência a uma tradição oral, disponível tanto para o escritor do livro de Enoque quanto para Judas. E o que dizer do cânon do Novo Testamento? Eis uma história fascinante e toda própria. Movamo-nos, porém, para a conclusão da história, já no século IV. Em 367 d. C., o mais ortodoxo dos teólogos da época, o grande campeão da verdade bíblica, Atanásio, fez uma seleção de todos os livros que até então circulavam no mundo mediterrâneo, e que se diziam documentos apostólicos. Seu exame concluiu que apenas 27 livros (os mesmos que temos hoje no Novo Testamento) podiam ser considerados de fato como a infa­ lível e inspirada Palavra de Deus (Everett F. Harrison, Introduction to the New Testament, Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Pub. Co., 1982, pág. 108). Trinta anos mais tarde, de formamuito independente de Atanásio, reuniu-se um concilio eclesiástico em Cartago, com o intuito de discutir a genuinidade dos livros tidos como Sagrada Escritura (idem). Nesse concilio, foram aplicados quatro testes aos docu­ mentos que reivindicavam inspiração divina: (1) Apostolicidade: O livro era da lavra de um apóstolo ou de alguémrelacionado com o colégio apostólico? (2) Universa­ lidade: O livro era largamente aceito e usado pelas igrejas? 3) Conteúdo: O assunto do livro parece estar em pé de igualdade com as Escrituras conhecidas? (4) Inspiração: O livro trazia aquela qualidade especial que deixa transparecer a inspiração divina? Note o leitor que dos quatro testes a que os livros foram submetidos, três eram objetivos, e um implicava numá questão de evidência factual. Somente o quarto teste (oda inspiração) poderia serconsiderado subje­ tivo, ou seja: de juízo pessoal. O concilio de Cartago, após ievar em conta todos esses fatos, concluiu que os 27 livros, que atualmente temos em nossoNovo Testamento, eram os únicos que estavam de conformidade com os critérios esta- Á Inspiração das Escrituras CAPÍTULO 1
  32. 32. 34 Doutrinas Bíblicas CAPÍTULO 1 A Inspiração das Escrituras belecidos. Para todos os propósitos práticos, a questão do cânon estava devidamente encerrada até ser reaberta pelo racionalismo moderno. A outra questão que continuava pendente era quanto à exatidão da transmissão do texto sagrado. A inspiração divina estende-se somente até ao autógrafo; nenhum argu­ mento é apresentado acerca da inspiração das traduções ou versões da Bíblia. Você, então, poderia indagar: Até que ponto minha Bíblia conforma-se aos documentos originais inspirados por Deus? Examinemos primeiramente o Novo Testamento por estar mais próximo de nós do que o texto do Antigo. O fato mais notável é que há mais de 5.300 cópias manuscritas, de respeitável antigüidade, do Novo Testamento no grego ori­ ginal. Algumas dessas cópias são dos séculos III e IV. Há um fragmento do evangelho de João, por exemplo, datado de cerca de 125 d. C., ou seja: apenas trinta anos após ter sido copiado. Que tremendo contraste com as cópias de outros escritos. O mais antigo manuscrito de que dispomos - de Virgílio - é de aproximadamente 350 anos após o seu faleci­ mento. A maior parte dos manuscritos de Platão é de 1.300 anos após a sua morte (Sir Frederic Kenyon, The Story of the Bible, 2aedição, Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Pub. Co., 1964, pág. 26). Sir Frederic Kenyon, notável erudito bíblico, discor­ rendo acerca das descobertas modernas feitas pela arqueo­ logia bíblica, afirmou: “Elas têm estabelecido, com uma riqueza de evidências que nenhuma outra obra da literatura antiga é capaz de apresentar, a autenticidade substancial e a integridade do texto sagrado, conforme o encontramos em nossas Bíblias” (Sir Frederic Kenyon, Our Bible and the Ancient Manuscripts, 5aedição revisada, Londres: Eyre &. Spottiswoode, 1958, págs. 318 e 319). O texto do Antigo Testamento alcançou uma dramática e inesperada vitória neste século. Em 1947, nas cavernas de Cumram, jánas vizinhanças do mar Morto, foramencontra-
  33. 33. A Inspiração das Escrituras 35 dos diversos manuscritos dos livros do Antigo Testamento, com exceção do de Ester. Eles eram de 250 a.C., fazendo- nos recuar cerca de mil anos antes dos melhores manuscri­ tos hebraicos até então disponíveis. A mais importante con­ tribuição dos papiros do mar Morto foi a luz lançada sobre o texto do Antigo Testamento, proporcionando-nos inequí­ voca segurança quanto à precisão e autenticidade do texto que aparece em nossas Bíblias. Eles tornaram possível a comparação de um grande número de textos, levando-nos a reconhecer que o texto do Antigo Testamento “permane­ ceu virtualmente sem mudanças durante os últimos dois mil anos” (Geza Vermes, The Dead Sea Scrolls in English, 2a edição, Harmondsworth, Middlesex, Inglaterra: Penguin Books, Ltd., 1975, pág. 12). De fato, há notável conformi­ dade entre os documentos do mar Morto e os textos que atualmente conhecemos. O propósito de Deus, na chamada de Abraão e na esco­ lha de Israel como seu servo (ver Isaías 44-1), foi preparar o caminho para gerar bênção a todas as nações da terra (Gn 12.3; 22.18). Importava, pois, fosse a Bíblia posta nas lín­ guas dasvárias famílias da terra. Todos ospovos precisam da Bíblia por ser esta a espada do Espírito (Ef 6.17). Ela é o único meio de ganharmos vitórias espirituais; é igualmente o martelo de Deus. Eo instrumento que temos para esmiga­ lhar a oposição e construir o edifício da fé (Jr 23.29). Sim, a Palavra de Deus é uma lâmpada para iluminar-nos avereda (SI 119.105). Até mesmo quando as pessoas se acham cegas pelo pecado, e a Bíblia lhes parece loucura, ainda assim Deus usa tal “loucura”para salvar os que confiam em Cristo 1Co 1.18,21). A Bíblia é também necessária para o cresci­ mento dos crentes. Conseqüentemente, assim que a Igreja começou a espalhar-se por países onde não se falavam nem o hebraico nem o grego, os crentes começaram areivindicar fosse a Bíblia traduzida aos seus respectivos idiomas. A história das versões da Bíblia é comovente. (Grande parte da discussão que se segue sobre as traduções foi extra- À Inspiração das Escrituras CAPÍTULO 1
  34. 34. 36 Doutrinas Bíblicas CAPÍTULO 1 A Inspiração das Escrituras ida do livro de Stanley M. Horton, “Perspective of Those New Translations”, Pentecostal Evangel, 11 de julho de 1971, págs. 6-8.) Na verdade, essa história começou antes da era cristã. Em virtude das conquistas de Alexandre, o Grande, o grego tornou-se alíngua do comércio, dos negóci­ os e da educação no Oriente Próximo e no Médio Oriente. A cidade de Alexandria, no Egito, veio a tornar-se o grande centro da erudição e da cultura gregas. Foi exatamente nesse período, que vai de 250 a 150 a.C., que veio a lume a famosa versão da Septuaginta (Gleason L. Archer, Jr., A Survey of Old Testament Introduction, edição revisada, Chicago: Moody Press, 1981, pág. 44). A Septuaginta era freqüentemente usada pelos cristãos primitivos na pregação do Evangelho, conforme nos indica o uso que dela fazoNovo Testamento. Ao mesmo tempo, o Espírito Santo dirigiu os autores do Novo Testamento a escreverem não no grego clássico, usado pelos grandes filó­ sofos, mas no grego falado pelo povo comum nas ruas e mercados. Deus sempre quis que a sua Palavra fosse pregada na linguagem comum do povo. Moisés, ao escrever a Lei, não se utilizou dos hieroglíficos usados pelos eruditos do Egito, mas lançou mão do hebraico falado nas tendas de Israel. Jesus pregou e ensinou com tal simplicidade que levava a gente humilde a ouvi-lo com deleite (Mc 12.37). Quando o Evangelho se espalhou, os vários povos, naturalmente, co­ meçaram a traduzir a Bíblia para seus próprios idiomas. Quatro séculos depois de Cristo, quando já não era falado nem o grego, nem o antigo latim, Jerônimo encetou nova tradução da Escritura para o latim “vulgar” ou “comum”. Essa versão tornou-se conhecida como a Vulgata Latina (idem, pág. 80). Infelizmente, a Vulgata tornou-se a versão oficial da Europa Ocidental e da Inglaterra. E, assim, as diversas ten­ tativas para se traduzir a Bíblia para outras línguas foram desencorajadas, embora a população européia já não mais
  35. 35. A Inspiração das Escrituras 37 falasse o latim. O que faltava realmente era colocar a Pala- vra de Deus nas mãos do povo. Foi o que fez o inglês Wycliffe. Ele traduziu a Vulgata Latina para o inglês. E, como resultado desse seu trabalho pioneiro, muitas pessoas converteram-se a Cristo. Deus, porém, estava trabalhando. A invenção da im­ prensa foi responsável pela grande mudança. Entre 1462 e 1522, apareceram, só em alemão, pelo menos dezessete versões e edições da Bíblia. Tais versões ajudaram a prepa­ rar o caminho para a Reforma Protestante que, sob o co­ mando de Martinho Lutero, levou o povo a compreender melhor a salvação pela graça. O próprio Martinho Lutero apelou para os originais hebraico e grego a fim de preparar uma melhor tradução da Palavra de Deus em alemão. Influ­ enciado por Lutero, William Tyndale elaborou, em 1525, a primeira tradução impressa do Novo Testamento em inglês (idem, págs. 20 e 21). A primeira tradução da Bíblia em português foi iniciati­ va de um pastor evangélico: João Ferreira de Almeida. Ele nasceu em Portugal, nas proximidades de Lisboa, em 1628. Abraçando os ideais da Reforma Protestante, Almeida pas­ sou a freqüentar a Igreja Reformada Holandesa, da qual tornou-se ministro. Um dos maiores anseios deJoão Ferreira de Almeida era traduzir para o português. Mas, para levar adiante o seu trabalho, viu-se obrigado a refugiar-se na Ilha de Java, no Oceano Indico. E, assim, pôs-se a trabalhar. Primeiro, ele traduziu oNovo Testamento, que foipublicado na Holanda em 1681. Quanto aoAntigo Testamento, não opôde tradu­ zir todo. O Senhor o recolheu quando ele completava o livro de Ezequiel. Mas a sua obra não ficaria imcompleta. Seus amigos encarregar-se-iam de traduzir o restante do Antigo Testa­ mento. Hoje, onde quer que sefaleoportuguês,JoãoFerreira de Almeida é lembrado pela bravura e pioneirismo de seu espírito. A Inspiração das Escrituras CAPÍTULO 1
  36. 36. 38 Doutrinas Bíblicas CAPÍTULO 1 A Inspiração das Escrituras A tradução deJoão Ferreira de Almeidajá foisubmetida a diversas revisões. Em 1951, a Imprensa Bíblica Brasileira publicou a edição revista e corrigida, mais conhecida como ARC. E, em 1958, era lançada, pela Sociedade Bíblica do Brasil a edição revista e atualizada de Almeida - a ARA. Tanto a ARC quanto a ARA foram relançadas, em segun- da edição, em 1995, pela Sociedade Bíblica do Brasil. Eis outras versões da Bíblia em português: IBB- Impren- saBíblica Brasileira; Tradução Brasileira; Figueiredo; Matos Soares e outras traduções usadas pela Igreja Católica. PERGUNTAS PARA ESTUDO 1. Por que o racionalismo é insuficiente como base para a autoridade religiosa? 2. Por que a Bíblia é uma base melhor para se funda­ mentar a autoridade religiosa do que a Igreja? 3. O que a própria Bíblia nos ensina sobre sua inspira­ ção? 4. Como devemos cuidar dos alegados erros e discre- pâncias existentes na Bíblia? 5. Quais as principais bases para se aceitar os 66 livros da Bíblia como canônicos? 6. Quais as principais razões por que novas versões da Bíblia têm sido preparadas? 7. Por que é importante obter a Bíblia traduzida na linguagem que o povo realmente fala? 8. Como podemos receber a iluminação do Espírito Santo nos estudos da Bíblia hoje em dia?
  37. 37. BBLICAS 2- Verdade Fundamental
  38. 38. O DEUS ÚNICO E VERDADEIRO O Deus Único e Verdadeiro revelou-se como o eterno e auto-existente “Eu Sou”, o Criador dos céus e da terra, e o Redentor da humanidade. Ele também se revelou como aquEle que incorpora os princípios de relação e associação como Pai, Filho e Espírito Santo (Dt 6.4; Is 43.10,11; Mt 28.19; Lc 3.22).
  39. 39. 0 DeusUnicoe Verdadeiro Em 1913, reuniu-se uma grande multidão em Arroyo Seco, no Estado norte-americano da Califórnia, para ouvir a Sra. MariaWoodworth-Etter, durante arealizaçãodoAcam­ pamento Mundial Pentecostal (William W. Menzies, Annoínted to Serve: The Story of the Assemblies of God, Springfield, Mo.: Gospel Publishing House, 1971, pág. 111). Numa noite, John Scheppe despertou a todos ao gritar o nome de Jesus. Esse imigrante alemão acabara de ter uma visão de Jesus, que o fez sentir que o Salvador deveria ser verdadeiramente honrado. Frank J. Ewart, ex-ministro ba­ tista, procurou logo tirar partido da situação, insinuando que a melhor maneira de o crente honrar a Cristo era ser rebatizado na água apenas no nome de Jesus (Menzies, Anointed, págs. 112 e 113). Tanto Scheppe quanto Ewart haviam sidoinfluenciados por um sermão de R. E. McAlister sobre o batismo em água no nome de Jesus Cristo. Não demorou muito, e os mais afoitos já estavam decla­ rando que os que rejeitassem o rebatismo acabariam por perder a salvação. O incidente foi narrado por Myrle M. Fisher, em 1913. Embora tenha sido rebatizada, ela, através de seus próprios estudos das Escrituras, acabou por retornar
  40. 40. 4 2 Doutrinas Bíblicas CAPÍTULO 2 / 0 Deus Unico e Verdadeiro àposição trinitária. A irmã Myrle M. Fisher casou-se pouco depois com Harry Horton, e tornou-se a mãe de Stanley M. Horton, o qual, por muitas vezes, ouviu-a referir-se ao la­ mentável ocorrido. Os autores do incidente declararam ainda que só existe uma pessoa na deidade: Jesus, o qual sempre cumpriu os papéis e ofícios do Pai, do Filho e do Espírito Santo, confor­ me o tempo ou a ocasião o requeressem. Os promotores dessa heresia tornaram-se logo conhecidos como Nome de Jesus, Jesus Somente ou Unidade. Eles referiam-se à sua doutrina como “A Nova Questão”, mas na realidade não passava de uma antiga heresia reavivada: era defendida pelos sabelianos e monarquianos do terceiro século. Os cristãos da época condenaram-na energicamente. Pouco depois de as Assembléias de Deus serem forma­ das, em 1914, houve ainda quem teimasse em propagar tal doutrina. Para combatê-la, a igreja, em 1916 (quanto à discussão dessa controvérsia ver Thomas F. Harrison, Christology, 2aedição revisada, Springfield, Mo.: págs. 35- 77), incluiu um artigo, em sua Declaração de Verdades Fundamentais, intitulado “A Adorável Deidade”. Essa de­ claração, hoje, traz a seguinte redação: (a) Definição de Termos Os termos “trindade”e “pessoas”, relacionados à deida­ de, apesar de não serem encontrados nas Escrituras, acham- se em plena harmonia com as mesmas Escrituras, mediante as quais podemos transmitir nossa compreensão imediata da doutrina de Cristo com referência ao Ser de Deus, distin- guindo-o dos “muitos deuses e senhores”. Professamos, por conseguinte, ser Deus o Único Deus e Senhor, subsistindo Ele na Trindade. Deus, pois, é um Ser composto por três pessoas. E nem por assim professarmos deixamos de ser absolutamente bíblicos (Mt 28.19; Jo 14.16,17; 2 Co 13. (b) Distinção e Relações Dentro da Deidade Cristo ensinou como se processa as relações entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Mas tais distinções e relações
  41. 41. O Deus Único e Verdadeiro 4 3 são, em si mesmas, inexcrutáveis e incompreensíveis, por serem inexplicáveis (Mt 11.25-27; 28.19; Lc 1.35; 1 Co 1.24; 2 Co 13.14; 1Jo 1.3,4). (c) Unidade do Ser do Pai, Filho e Espírito Santo De acordo com esse pressuposto, há algo específico no Filho que o identifica de fato como Filho, diferenciando-o do Pai. Ehá, no Espírito Santo, algoque o identifica como o Espírito Santo, diferenciando-o do Pai e do Filho. Portanto, o Pai é o gerador, o Filho é o gerado, e o Espírito Santo é aquele que procede do Pai e do Filho. Visto estarem as três pessoas da Trindade em perfeita unidade, há então um só Senhor Deus Todo-poderoso, e seu nome é um só (Zc 14.9; Jo 1.18; 15.26; 17.11,21). (d) Identidade e Cooperação na Deidade O Pai, o Filho e oEspírito Santo não são idênticoscomo pessoas;e jamais foram confundidos quanto à relação. Não estão divididos no tocante à deidade, nem estão em oposi­ ção no que tange à cooperação. Concernente à relação, o Filho está no Pai e o Pai está no Filho. O Filho está com o Pai, e o Pai está com o Filho, quanto à comunhão. Quanto à autoridade, o Pai não vem do Filho, mas o Filho vem do Pai. O Espírito Santo, por sua vez, vem tanto do Pai quando do Filho, no que tocante ànatureza, à relação, àcooperação e à autoridade. Portanto, nenhuma pessoa da Trindade existe, ou trabalha, separada e independentemente das ou­ tras (Jo 5.17-30,32,37; 8.17,18). (e) O Título, Senhor Jesus Cristo O título “Senhor Jesus Cristo” é um nome próprio. Ja­ mais é aplicado ao Pai ou ao Espírito Santo. Este nome pertence exclusivamente ao Filho de Deus (Rm 1.1-3,7; 2 Jo 3). Quanto à sua natureza divina e eterna, o Senhor Jesus Cristo éoUnigênito do Pai, mas concernente àsuanatureza humana, é Ele o próprio Filho do Homem. Portanto, Jesus é reconhecido tanto como Deus quanto como homem. E por ser Ele verdadeiro homem e verdadeiro Deus, apresenta-se CAPÍTULO 2 0 Deus Único e Verdadeiro
  42. 42. 4 4 Doutrinas Bíblicas CAPÍTULO 2 0 Deus Único e Verdadeiro como “Emanuel”-“Deus conosco” (Mt 1.23; 1Jo 4.2,10,14; Ap 1.13,17). (g) O Título, Filho de Deus Visto que o nome “Emanuel” abrange a Jesus Cristo tanto como Deus quanto como homem, numa única pessoa, segue-se que o título “Filho de Deus”descreve-lhe a deida- de, enquanto que “Filho do Homem”ressalta-lhe ahumani­ dade. Por isso, o título Filho de Deus pertence à ordem da eternidade, ao passo que Filho do homem acha-se ligado à ordem do tempo (Mt 1.21-23; Hb 1.1-13; 7.3; 1 Jo 3.8; 2 Jo 3). (h) Transgressão Contra a Doutrina de Cristo Constitui-se grave transgressão doutrinária afirmar que Jesus Cristo haja derivado o título “Filho de Deus” de sua encarnação, ou de sua relação com a economia da redenção da raça humana. Negar, pois, que o Pai seja real e eterno Pai, e que oFilho também o seja, significa anular adistinção e relação que existe na divindade. E uma negação tanto do Pai quanto do Filho; é negar que Jesus Cristo tenha vindo em carne (Jo 1.1,2,14,18,29,49; Hb 12.2; 1Jo 2.22,23; 4.1- 5;2Jo 9). (i) Exaltação de Jesus Cristo como Senhor Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, tendo, por si mesmo, nos expurgado de nossos pecados, sentou-se à mão direita da Majestade, nas alturas. Tendo em vista sua exaltação, os anjos, principados e poderes se lhe sujeitaram. E, feito tanto Senhor como Cristo, enviou-nos Ele o Espírito Santo para que, no nome de Jesus, ajoelhemo-nos e confes­ semos que Cristo Jesus é o Senhor. Mas, quando da consu­ mação de todas as coisas, opróprio Filho sujeitar-se-á ao Pai para que Deus seja tudo em todos (At 2.32-36; Rm 14-11; 1 Co 15.24-28; Hb 1.3; 1Pe 3.22). (j) Honra Igual ao Pai e ao Filho Visto ter o Pai entregue todo ojulgamento ao Filho, não é somente dever expresso de todos, quer no céu, quer na terra, dobrarem os joelhos, mas, acima de tudo, alegria
  43. 43. O Deus Único e Verdadeiro 45 indizível, no Espírito Santo, atribuir ao Filho todos os atri- butos da divindade, e dar-lhe toda a honra e toda a glória contidas em todos os títulos e nomes da divindade, exceto osque servempara individuar as outras pessoas da Trindade (ver os parágrafos b, c e d). Assim agindo, haveremos de honrar tanto ao Pai quanto ao Filho (Jo5.22,23; Fp 2.8,9; 1 Pe 1.8; Ap 4.8-11; 5.6-14; 7.9,10). A EXISTÊNCIA DE DEUS A Bíblia não se preocupa em provar a existência de Deus. O livro de Gênesis começa reconhecendo que Ele é: “No princípio Deus...” EHebreus 11.6 afirma enfaticamen­ te: “... é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe. . .”As Escrituras deixam bem claro que acreditar na existência de Deus constitui a base da experi­ ência humana. Dizer que não existe um Ser Supremo - ou viver como se Ele não existisse - eqüivale a negar o que todos sabem de maneira intuitiva (Jo 1.9; Rm 1.19). A existência de Deus é algo tão fundamental ao pensamento humano que abandonar tal conceito significa embarcar no encapelado mar da irracionalidade, onde nada tem signifi­ cado ou propósito. Embora a Bíblia não apresente argumentos em favor da existência de Deus, há não poucas implicações que apoiam plenamente taisargumentos. Argumentosclássicosvemsendo apresentados desde a era medieval. Apesar de limitados em simesmos, provêem eles, em seu conjunto, o apoio intelec­ tual suficiente para corroborar a verdade da Bíblia. O pri­ meiro desses argumentos é o ontológico. Defende este que umSer Perfeito implica numa existência real. A idéia de um Ser Perfeito que não se manifeste genuinamente na realida- ie, pressupõe que este Ser não seja totalmente perfeito. Por conseguinte, para se conceber um Ser Perfeito, é necessário se acreditar que este Ser Perfeito realmente exista (para uma discussão sobre o valor do argumento ontológico, ver JamesOliverBuswell,A Systematic Theologyofthe Christian CAPÍTULO 2 0 Deus Único e Verdadeiro
  44. 44. 46 Doutrinas Bíblicas CAPITULO Religion, v o l. 1 , Grand Rapids: Zondervan PublishingHouse, 1962, págs. 98-100). 0 DeilSÚnico e O segundo argumento clássico é o cosmológico. Segue- Verdadeiro se mane'ra coerente ao ontológico. O universo, como todos o admitimos, não existe por simesmo. Todos os even­ tos que presenciamos dependem de alguma causa além de­ les mesmos. Se você buscar a origem dessas causas primei­ ras, eventualmente chegará àPrimeira Causa: um Ser auto- existente que não depende de qualquer outra coisa, além de si, para existir. O terceiro argumento clássico em prol da existência de Deus é o teleológico, ou argumento do desígnio. O mundo maravilhoso descoberto pela inquirição científica desvenda uma notável e espantosa ordem em toda a natureza. As improbabilidades matemáticas de todas estas maravilhas te­ rem ocorrido por mero acaso, leva-nos a enaltecer aquEle que éoautorde quanto vemos eadmiramos. Comosalmista, juntemos nossas vozes: “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (SI 19.1; quanto a uma discussão acerca do Salmo 19 e outras passagens referentes àrevelação geral por meio da natureza, ver Millard J. Erickson, editor, Christian Theology, Grand Rapids: Baker Book House, 1986, págs. 166-171). O quarto argumento clássico é o moral. Ele apresenta-se como o senso inato do que é certo e do que é errado. Que ser humano não o possui? A realidade de um grande Legis­ lador é a evidência mais que lógica da vida moral de nossa consciência. Embora os padrões de moralidade variem lar­ gamente de cultura para cultura, a consciência dos valores morais permanece intacta. Similar ao anterior é o quinto argumento. Acha-se ele alicerçado sobre a estética ou beleza. Que todas as pessoas possuam um conceito de valores relativos acerca da beleza (por mais largamente que variem seus padrões), é algo que aponta na direção de alguém que, em si mesmo, é o doador da beleza. Seu amor não conhece limites.
  45. 45. O Deus Único e Verdadeiro 47 A NATUREZA DE DEUS Romanos 1.19,20 indica que a existência de Deus é algo que pode ser apreendido por todos através da revelação geral. Entretanto, para conhecermos a natureza divina, será mistervoltarmo-nos àrevelação especial que o próprio Deus nos proporciona. Em sua Palavra, Ele revela-se de variadas maneiras. Uma das maneiras mais empolgantes de oconhe­ cermos é através de seus diversos nomes. ‘El (no hebraico, “Deus”), que se encontra no singular, ocorre cerca de 250 vezes na Bíblia, e enfatiza a idéia de força (ver Gênesis 14.18-22). Uma outra forma singular, ‘Eloah, ocorre apenas no livro de Jó, 42 vezes. Mas sua forma plural, ‘Elohim, pode ser encontrada mais de 2.000 vezes no Antigo Testamento. Usualmente acha-se vincula­ da ao poder criativo de Deus, e ao cuidado que Ele dispensa ao Universo e à humanidade. Além disso, implica na pluralidade existente no Supremo Ser (ver Gn 1.26; 3.22). Yahweh é outra palavra hebraica. Em muitas versões da Bíblia, foi traduzida por “Senhor” (as consoantes do nome pessoal de Deus: YHWH, foram transliteradas para o latim novo comoJHVH, e, combinando-as com ossinaisvocálicos do substantivo hebraico “Senhor”,deu origem a uma forma não-bíblica: “Jeová”). Trata-se de um nome que manifesta a observância do pacto (Ml 2.5; 3.6). Esse nome ocorre cerca de 7.000 vezes no Antigo Testamento. Eis o seu significado: “Ele continuará [ativamente] a ser”. Subentende que Deus mostrara que tipo de Deus é Ele realmente. Ele o fará através de seus atos que se acham ligados à promessa que diz: “... Eu serei contigo” (Êx 3.12). Nomes especiais, compostos com ‘El e Yahweh, enfatizam a natureza de Deus e seu relacionamento com os vários pactos estabelecidos com o seu povo. Entre estes nomes, podemos citar: ‘EIShaddai, “Deus Todo-poderoso” (Gn 17.1, derivado de uma raiz, shadu, que significa “mon­ tanha”); ‘ElElyon, “Deus Altíssimo” (Gn 14.18); ‘ElRo’i, “o CAPÍTULO 2 0 Deus Único e Verdadeiro
  46. 46. 48 Doutrinas Bíblicas CAPÍTULO Deus que me vê” (Gn 1 6 .1 3 );‘El ‘Olam, “o Deus eterno” (Gn 2 1 .3 3 ) ;‘El ‘Elohe Yisra’el, “Deus, o Deus de Israel” 0 Deus Único e (r e a ^Çaa relação especial de Deus com Israel, Gn 3 3 .2 0 ) ; Verdadeiro Yahwehw^ropheka, “o Senhor, teu Médico [pessoal]” (Ex 15.26); Yahweh-nissi, “oSenhorminhaBandeira”(Êx 17.15); "ahwehshalom,“o Senhor é Paz” (Jz6.24); Yahweh-ro’i, “o Senhor é meu Pastor” (SI 23.1). Aquele que perdoa é deno­ tado por Yahweh-tsidkenu, “o Senhor, Justiça Nossa” (Jr 23.6). O nome da Nova Jerusalém será Yahweh-shammah, “o Senhor está ali” (Ez48.35). Eo nome celestial de Deus é Yahweh-sabaoth, “oSenhordosexércitos [incluindoashostes angelicais]” (SI 148.2; cf. Mt 26.53). Existem, ainda, outros termos importantes que descre­ vem a natureza de Deus: ‘Adonai (hebraico), Kuríos (gre­ go), “Senhor”; ‘Attiq Yomin (aramaico), “oAncião de Dias”, um título que se acha em conexão com os juízos divinos na administraçãodosreinosdestemundo (Dn7.9,13,22); Qedosh Yisrael (hebraico), “o Santo de Israel” (usado vinte e nove vezes por Isaías); Tsur (hebraico), “Rocha”; ‘Ab (hebraico; ‘Abba, aramaico; Ho Pater, grego), “Pai” ou “ó Pai” (uma forma de tratamento que demonstrava grande respeito nos tempos bíblicos); Melek (hebraico), “Rei” (Isaías 6.1,5); Go’el (hebraico), “Redentor”; Despotes (grego), “senhor”, “proprietário”; e, finalmente, Rishon wa~'acharon (hebrai­ co; no grego é Ho Protos kai Ho Esxatos), “o Primeiro e o Ultimo” (fala de seu governo sobre o curso da história, Is 44.6; 48.12; Ap 2.8). Passando dos nomes e títulos de Deus usados nas Escri­ turas, e que falam de sua natureza, examinemos, de forma abreviada, alguns conceitos importantes acerca da natureza divina. Deus é, antes de tudo, infinito, nada o pode limitar. E maior do que o Universo; foi Ele quem o criou. Este é um quadro demasiado grande para que as nossas mentes finitas o apreendam, mas é uma descrição imprescindível à nossa compreensão de Deus (1 Rs 8.27). Intimamente relaciona-
  47. 47. O Deus Único e Verdadeiro 49 da a essa idéia acha-se o conceito da unidade divina - só existe um Deus (Dt 6.5; Is 44.6,8). Deus é, aomesmo tempo, transcendental (acima, além e maior do que o Universo que Ele criou) e imanente (pre­ sente e ativo nesse mesmo Universo). Somente o ensino cristão sobre Deus une adequadamente ambos os conceitos. A transcendência preserva a distinção entre Deus e o Uni­ verso. Ignorar tal distinção leva-nos a cair no panteísmo, onde Deus e o Universo são irremediavelmente confundi­ dos. A doutrina panteísta ensina que o Universo, com suas forças e leis, é tudo quanto existe; e, ato contínuo, chama o Universo de Deus, eliminando, assim, a possibilidade de um Deus pessoal. A idéia da imanência divina, por sua vez, reconhece ser apresença de Deus, no Universo que Ele criou, sumamente necessária para preservar sua amorável relação com os seres que Ele também criou (Êx 8.22; At 17.24,25,27,28). Eis o que afirmou Paulo a este respeito: “...ainda que não está longe de cada um de nós” (At 17.27). Os que não reconhe­ cem a presença divina, acabam por cair no deísmo, que, embora admita a existência de Deus, considera-o meramen­ te como uma grande Primeira Causa. Euma noção parecida com a do “fabricante de relógios”desinteressado: depois de haver criado o Universo, foi-se embora, e deixou o aparelho a funcionar por conta própria. Deus também é imutável (não sucetível a mudanças) e eterno. A natureza divina não muda, jamais mudará (Ml 3.6). No Antigo Testamento, há duas palavras hebraicas, mui relevantes, para descrever a Deus: chesed (amor fiel, permanente, cumpridor do pacto) e ‘emeth (dependência, permanência, continuação, fidelidade, verdade). Deus é o ‘Elohe ‘emeth, “o verdadeiro Deus” (2 Cr 15.3). Ele será sempre fiel a simesmo. Esses termos, que ocorrem repetidas vezes no Salmo 89, demonstram vividamente que podemos depender inteiramente de Deus. CAPÍTULO 2 / 0 Deus Unico e Verdadeiro
  48. 48. 50 Doutrinas Bíblicas CAPÍTULO OS ATRIBUTOS DE DEUS 2«' t -mam Além dos atributos que descrevem anatureza interior de 0 DeilSUnico eDeus, há também os atributos que lhe realçam os relaciona- Verdadeiro mentos especiais com a criação. Tais atributos são chama­ dos comunicáveis, porquanto podem ser encontrados (ain­ da que em menor grau) na natureza humana. Eles são divi­ didos em duas categorias: naturais e morais. Entre os atributos naturais de Deus, encontra-se a oni­ potência (a qualidade que o faz Todo-poderoso). Isto signi­ fica que Deus pode fazer tudo quanto estiver em conformi­ dade com asua natureza santa ejusta. Sua soberania sobre o Universo éincontestável. Isaías 40.15 descreve-lhe amajes­ tade: “Eis que as nações são consideradas por ele como a gota de um balde e como o pó miúdo das balanças; eis que lança por aí asilhas como auma coisa pequeníssima”.Toda­ via, alguém poderia perguntar: “Mas se Deus é soberano, porque há pecado no mundo?”A resposta jazno fato de que Deus é soberano sobre si mesmo, e tem o poder de limitar-- se. Uma das maiores evidências desta sua qualidade é vista na vinda de Jesus como um bebê deitado na manjedoura, e em sua vida, ministério e morte sobre a cruz (Fp 2.6-8). Em sua liberdade e onipotência, Deus optou por criar seres (pessoas e anjos) com a integridade da escolha moral. Ele não invade a liberdade de nosso arbítrio. Finalmente, devemos reconhecer que Deus, embora nos conceda seme­ lhante liberdade, continua Senhor da História. Ele controla o destino das nações e de todo o Universo. O Apocalipse, juntamente com importantes passagens de Daniel (4.34,35; 5.20,21; 7.26,27; 8.19-25) e de Ezequiel (37.24-28; 38.3; 39.1), desvenda claramente o controle que Deus exerce sobre o futuro de tudo quanto criou. Mas, nesse ínterim, Ele tem, por razões que só mesmo Ele conhece, concedido livre arbítrio às suas criaturas morais. Deus é onipresente, ou seja, está presente em todos os lugares ao mesmo tempo (SI 139.7-10). Ele não se acha limitado pelo espaço, mas está presente em todos os lugares.
  49. 49. O Deus Único e Verdadeiro 51 Ea todos quantos criou, de maneira maravilhosa e múltipla, dispensa amor e cuidado. Nem mesmo os pardais caem por terra sem que Ele o saiba (Mt 6.25-29). Embora esteja Ele presente em todos os lugares, devemos nos lembrar de que Ele somente habita com aqueles que se humilham, e o admitem no santuário de seus corações (Is 57.15; Ap 3.20). Deus é onisciente. Ele é dotado de conhecimento e discernimento infinitos, universais e completos. Vê a reali­ dade por uma perspectiva diferente da nossa. Vemos as coisas através de uma corrente de consciência. Para nós, seres mortais e limitados, a vida é um fluxo ao longo da linha do tempo. Olhamos à frente, ao futuro, e logo tudo se faz passado. Para Deus, entretanto, toda a realidade lhe é presente. Todos os acontecimentos, quer passados, quer presentesoufuturos, lhe estãomaisquepatentes (Rm8.27,28; 1Co 3.20). Há os que perguntam, por exemplo, como pode Deus saber quem há de se perder, e mesmo assim, permitir que os tais se percam. O conhecimento prévio de Deus, porém, não predetermina as escolhas individuais, porquanto Ele respeita nosso arbítrio. Em Efésios 1.3-14, temos o esboço da história predeterminada do mundo. Mas esse vislumbre da predestinação do Universo não elimina as “ilhas da liber­ dade” que Deus nos reservou, pois Ele nos fez indivíduos e livres. Ele permite que as pessoas escolham o próprio desti­ no: Céu ou inferno. Entre os atributos comunicáveis de Deus, há também os morais. A bondade é um deles. Deus é realmente bom. Ele se dispõe a zelar continuamente pelo bem-estar de sua cria­ ção. Não se inclina por armar-lhe ciladas. O mal é um inimigo tanto da criação quanto de Deus. A Bíblia encon- rra-se repleta de descrições sobre a bondade divina. Seus -ervos atribuem-lhe amor (1Jo 4.8), benignidade e fidelida­ de (SI 89.49), graça (At 20.24) e misericórdia (Ef 2.4). O maior ato do amor de Deus foimostrado no clímax do plano ae redenção na cruz do Calvário. CAPÍTULO 2 0 Deus Unico e Verdadeiro
  50. 50. 52 Doutrinas Bíblicas CAPÍTULO 2 0 Deus Unico e Verdadeiro Ninguém tem um amor maior que este! Deus é santo. Este é o cerne da mensagem bíblica sobre o caráter de Deus. “Santo”,na Bíblia, significa basicamente “separado”, “dedicado”. Há dois importantes aspectos na santidade de Deus. (1) Ele está separado, e acha-se acima de tudo quanto étransitório, permanente, finito, imperfeito, mau, pecaminoso e errado. (2) Ele também encontra-se separado para dedicar-se inteiramente ao cumprimento do grande plano daredenção, do Reino vindouro edo estabele­ cimento da nova terra e do novo céu. Tal conceito é totalmente necessário à devida adoração do Supremo Ser. Deus evoca admiração porque Ele é santo (Is 6.1-5). Deus é também justo. Ele sempre agirá com justiça (Dt 32.4; Dn 4.37; Ap 15.3). Mais do que isso. Deus é essenci­ almente justo (SI 71.19). E de sua natureza ser justo. Ele jamais será incoerente com a sua natureza (Is 51.4-6). Sem essa característica, a ordem moral do Universo não teria qualquerbase. Deus é a concretização da verdade em toda a sua pureza e transparência. Eis porque a justiça e a verdade apresentam-se juntas sempre que Deus se ira contra o peca­ do (Ap 16.1-5). Todavia, Deus anela por redimir o ser humano (2 Pe 3.9). Isto é amor! Foi na cruz de Cristo que a ira e o amor de Deus conjuntamente fluíram para resgatar a pobre humanidade (Rm 3.22-25). A TRINDADE Um grande mistério está à nossa espreita: há somente um Deus, e uma só Trindade (ou “triunidade”). Para des­ vendar tal mistério, não dispomos de analogias ou compara­ ções adequadas. Mas arealidade da Palavra de Deus aí está: o Supremo Ser subsiste numa unidade de três pessoas igual­ mente divinas e distintas. O Dr. Nathan Wood, ex-presidente do Gordon College e da Gordon Divinity School, acreditava ver a marca da Trindade sobre a natureza. Sugeriu, inclusive, que o espaço tridimensional nos mostra a Trindade. Se as dimensões de
  51. 51. O Deus Único e Verdadeiro 53 uma sala fossem tomadas como unidades iguais, verificar- CAPITULO se-ia, segundo Gordon, que o comprimento percorre a sala inteira, o mesmo acontecendo com a sua largura e altura. 0DeilSÚnicoe Mas cada uma dessas três dimensões é distinta. E para se Ygrdadeiro obter o referido espaço, não se adiciona 1 + 1 + 1; mas multiplica-se l x l x l , tendo como resultado: um. A seme­ lhança das outras analogias, essa também fracassa, pois as dimensões não são pessoais. Por mais difícil que nos seja compreender toda essa verdade, temos aí, não obstante, uma doutrina vital e ur­ gente. A história eclesiástica traz dramáticos relatos de gru­ pos cristãos que teimaram em não fazer caso da Trindade. A oração familiar e cotidiana dos judeus, extraída de Deuteronômio 6.4, enfatiza a suprema grandeza da unidade divina: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Se­ nhor”.A palavra“único”,aquiusada, correspondeaohebraico, ‘echad, que pode representar uma unidade composta ou complexa. Embora ohebraico possua uma palavra que signi­ fique “somente um” ou “o único”, yachid, esta jamais é usada em relação a Deus. Paralelamente a unidade de Deus, deparamo-nos com o conceito de sua personalidade. A personalidade envolve o conhecimento (ou inteligência), os sentimentos (ou afetos) e a vontade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo, cada um de per si, revelam tais características à sua própria maneira. O Espírito Santo, por exemplo, faz coisas que o mostram real­ mente como uma pessoa distinta, e não como mero poder impessoal (At 8.29; 11.12; 13.2,4; 16.6,7; Rm 8.27; 15.30; 1Co 2.11; 12.11). A personalidade também requer comunhão. Todavia, antes da existência do Universo, onde estava apossibilidade de comunhão? A resposta jaz no complexo arranjo dentro da deidade. A unidade de Deus não exclui a possibilidade de nela haver personalidades compostas. Há três personali­ dades distintas, cada qual inteiramente divina, mas encon­ tram-se tão harmonicamente inter-relacionadas que resul-
  52. 52. 5 4 Doutrinas Bíblicas CAPÍTULO 2 0 DeusUnico e Verdadeiro tam numa única essência. Como se vê, seria totalmente errado afirmar que na Trindade haja três deuses. Uma maneira de se desvendar as distinções das pessoas, na divindade, consiste em se observar as funções atribuídas especificamente a cada uma delas. Exemplificando: Deus Pai érelacionado àobra da criação; Deus Filho é oprincipal agente da obra de redenção da humanidade; e Deus Espírito Santo é a garantia de nossa herança futura. Esta tríplice distinção é esboçada no primeiro capítulo de Efésios. Con­ tudo, não devemos pressionar tais distinções, pois há abun­ dante testemunho bíblico quanto à cooperação do Filho e do Espírito Santo na obra da criação: o Pai criou através do Filho (Jo 1.3); o Espírito Santo pairava gentilmente sobre a terra, preparando-a para os seis dias da criação (Gn 1.2). O Pai enviou o Filho ao mundo para efetuar a redenção (Jo 3.16), e o próprio Filho, em seu ministério, veio “no poder do Espírito” (Lc 4.14). O Pai e o Filho, de igual modo, tomam parte no ministério do Espírito Santo, que consiste em santificar o crente. A Trindade é uma comunhão harmoniosa dentro da deidade. Essa comunhão é amorosa, porque Deus é amor. Mas esse amor é expansivo, e não autocentralizado. Ele requeria que, antes da criação, houvesse mais de uma Pessoa dentro do Divino Ser. Um importante vocábulo para se guardar, no tocante à doutrina da Trindade, é “subordinação”.Há uma espécie de subordinação na ordem das relações das pessoas da Trinda­ de, mas sem qualquer implicação quanto ànatureza de cada uma delas. O Filho e o Espírito são declarados como “pro­ cedentes” do Pai. È uma subordinação, pois, quanto às relações, mas não quanto à essência. O Espírito, por suavez, é declarado procedente do Pai e do Filho. Esta é a declara­ ção ortodoxa da Igreja Ocidental, adotada por ocasião do Concilio de Nicéia, em 325 d.C, e incorporada em diversos credos. Duas notórias heresias opuseram-se à Igreja quanto à doutrina da Trindade: sabelianismo e arianismo. Por volta
  53. 53. O Deus Único e Verdadeiro 55 do século III, Sabélio, numa tentativa de evitar a possibili­ dade de que se ensinasse a existência de três deuses, promo­ veu a idéia de que há apenas um Deus. Embora, segundo ele, possua o Ser Supremo uma única personalidade, mani­ festa-se de três diferentes modos. Primeiramente, há o Deus Pai, o Criador, que, posteriormente, manifestou-se como o Filho, o Redentor. E, finalmente, veio Ele a se revelar como o Espírito Santo. Para Sabélio, Deus estava apenas exibin­ do-se sob três “máscaras”diferentes. Uma modalidade dessa heresiairrompeu nos círculos pentecostais porvolta de 1915, assumindo o epíteto de “Jesus Somente” ou de “Unidade”. Usualmente apontam eles para o fato de que a palavra “nome”,em Mateus 28.19, é singular, e arrematam, dizendo que esse “nome”éJesus. Entretanto, nos tempos bíblicos, o substantivo “nome” incluía tanto os nomes pessoais como os títulos (Lc 6.13), e somente era usado no singular quan­ do dado a uma pessoa - como em Rute 1.2, onde “nome” apareceno singularhebraico. Notemos ainda que, emMateus 28.19, o mandamento foi, literalmente, batizar os converti­ dos “no nome”,que era a maneira de se referir à adoração e serviço do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Todavia, em Atos 2.38, há uma forma diferente usada no original grego, e que significa “no nome de Jesus”: era a maneira de se realçar a expressão “sob a autoridade de Jesus”; autoridade esta expressa em Mateus 28.19. Lucas usou igual terminologia para distinguir o batismo de Cristo do batismo de João Batista. Essa espécie de unitarismo simplifica demasiadamente a Trindade. Os defensores dessa posição usam a seguinte ilus­ tração: O Dr. William Jones é tratado por seu título, Dr. Jones, em seu consultório. No bairro, os amigos chamam-no por seu nome pessoal, William. Em casa, seus filhos cha­ mam-no de pai ou papai. O problema com tal ilustração é que William Jones, numa reunião na sede comunitária de seu bairro, não irá ao telefone falar com o pai Jones, em casa, ou para com o Dr. Jones, em seu consultório. E, no CAPÍTULO 2 / 0 Deus Unico e Verdadeiro
  54. 54. 56 Doutrinas Bíblicas CAPÍTULO 2 0 Deus Único e Verdadeiro entanto, Jesus orou ao Pai, e o Pai declarou: “Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo” (Lc3.22). A simplificação unitarista, pois, arrasta Deus para o nível humano. Ora, no nível humano sóhá uma pessoa para cada ser. Sem importar qual seja a parte de uma pessoa (vontade, emoções etc) que esteja agindo, ela deverá dizer: “Eu fizisso”.No nível divino, porém, há três pessoas para um só Ser. A maioria dos que seguem a doutrina do “Jesus Somen­ te”,ensinam que só pode considerar-se salvo o que ébatiza­ do no Espírito Santo, e fala línguas estranhas. Tal confusão deriva-se de sua falha em não distinguir entre a redenção operada por Cristo e a unção que nos proporciona oEspírito Santo. Outra heresia que tem afligido periodicamente certos segmentos da Igreja é o arianismo. Em 325 d. C., Ário descambou para um outro extremo. Ele enfatizou de tal forma adistinção entre as pessoas da divindade, que acabou por dividi-la em três essências distintas. E o resultado foi a subordinação não sóentre asrelações pessoais, mas também quanto à natureza do Filho e do Espírito Santo. Semelhante arremedo doutrinário esvaziou a divindade tanto de Cristo quanto do Espírito Santo. Ário negava a eterna filiação de Cristo, sugerindo ter Ele começado a existir nalgum ponto do tempo após o Pai. Além disso, declarou que o Espírito Santo teria vindo à existência através da operação do Pai e do Filho, tornando-lhe a deidade inferior à deidade do Fi­ lho. Há vários grupos hoje que negam igualmente adivinda­ de do Filho e do Espírito Santo. Tais grupos consideram-se herdeiros espirituais de Ário. Eis algumas passagens que refutam a tal subordinação: Jo 15.26; 16.13; 17.1,18,23; 1 Co 12.4-6; Ef 4.1-6 e Hb 10.7-17. Embora o termo “trindade” não seja encontrado em nenhum lugar da Bíblia, há numerosas passagens que lhe fazem alusão. Um vivido exemplo é visto de maneira clara nos eventos que cercam o batismo de Jesus no rio Jordão:
  55. 55. O Deus Único e Verdadeiro 57 CAPÍTULO 2 / 0 Deus Unico e Verdadeiro PERGUNTAS PARA ESTUDO 1. Embora os incrédulos não aceitem os argumentos clássicos em prol da existência de Deus, em que sentido tais argumentos são úteis para os crentes? 2. Quando a Bíblia refere-se ao grande nome de Deus, a palavra “nome” pode ser coletivo, incluindo tudo quanto éreveladonosváriosnomesdivinosregistrados na Bíblia. O que o Antigo Testamento revela acerca de Deus? E o que o Novo Testamento acrescenta a isso? 3. ComopodeserDeus, aomesmotempo, transcendental e imanente? 4- Como você pode relacionar os atributos divinos à sua experiência com Deus? 5. Quais são osdois mais importantes aspectos da santi­ dade de Deus, e como esses aspectos relacionam-se à santidade que Ele quer ver em nós? 6. Qual é a diferença entre a santidade e a retidão? 7. Por que é importante reconhecer Deus como uma trindade de Pessoas em um Ser, e não como três deuses separados? “BatizadoJesus, saiulogoda água, eeisque selhe abriramos céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. Eeis umavoz dos céus, que dizia: Este émeu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.16,17). Admitimos ser a Trindade um mistério; um mistério mui profundo: não pode ser compreendido pela mente humana. Mas o Espírito da Verdade ajuda-nos em nossa fraqueza e incapacidade (1 Co 2.13-16). Adoramos o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Reconhecemos-lhes suas respectivas personalidades por suas atuações descritas pela Bíblia. Por conseguinte, humilde­ mente reconhecemos serem Eles Um em comunhão, propó­ sito e substância.
  56. 56. 58 Doutrinas Bíblicas CAPITULO 8. Quais são algumas das maneiras indicadas pela Bí- blia de que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são 0 Deus Único e Pessoas distintas? Verdadeiro 9. Quais as maneiras indicadas pela Bíblia de que real- mente existe uma trindade (“triunidade”)?
  57. 57. IBLICAS 3a Verdade Fundamental
  58. 58. >o ADEIDADE DO SENHORJESUS CRISTO Senhor Jesus Cristo é o eterno Filho de Deus. Escrituras declaram: (a) Seu nascimento virginal (Mt 1.23; Lc 1.31,35). (b) Sua vida impecável (Hb 7.26; 1Pe 2.22). (c) Seus milagres (At 2.22; 10.38). (d) Sua obra vicária sobre a cruz (1 Co 15.2; 2 Co 5.21). (e) Sua ressurreição corporal dentre os mortos (Mt 28.6; Lc 24.39; 1Co 15.4). (f) Sua exaltação à mão direita de Deus (At 1.9,11; 2.33; Fp 2.941; Hb 1.3).
  59. 59. 3 ADeidadedo SenhorJesus Cristo A PESSOA DE CRISTO Jesus é o eterno Filho de Deus. João 1.18 expressa a sua deidade de maneira explícita: “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho Unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer”. O fato de Cristo ter estado “no seio do Pai” expressanão uma distinção quanto à essência ou no sentido de inferioridade, mas antes uma íntima relação com o Pai, poisJesus partilha de sua autoridade. O versículo de abertu- ra do primeiro capítulo do Evangelho de João identifica o Verbo como quem esteve no começo com o Pai, uma decla­ ração da coexistência do Filho com o Pai, desde a eternida­ de. O mesmo capítulo também declara: “E o Verbo era Deus”, ou seja, era deidade. Embora a palavra “Deus”, no grego, não tenha aqui o artigo, significa claramente que tem o “D” maiúsculo, tal como em João 1.18 e 3.21 e muitos outros lugares onde também não aparece o artigo. Note-se que Tomé chamou Jesus, literalmente, de “o Senhor meu e o Deus meu”- no grego, ho theos mou -, indicando, assim, “Deus”com “D”maiúsculo.
  60. 60. 62 Doutrinas Bíblicas CAPÍTULO 3 A Deidade do Senhor Jesus Cristo ‘ s O próprio Jesus reconheceu a sua deidade, pelo menos (por implicação, ao declarar: Quem me vê a mim, vê o Pai...” (Jo 14.9). Ele também recebeu adoração (ver Mt 2.2,11; 14-33; 28.9) e exerceu sua autoridade divina, ao perdoar pecados (ver Mc 2.142). Os discípulos reconhece- ram-no como o Filho de Deus (Mt 16.16). Mesmo oduvido­ so Tomé convenceu-se da deidade de Jesus Cristo no en­ contro dramático, no cenáculo (Jo20.28). E, até hoje, aque­ les que se encontram com o Cristo ressurreto prostram-se em adoração diante dEle, exclamando: “Meu Senhor e meu Deus”. A deidade de Cristo inclui sua coexistência no tempo e na eternidade, com o Pai e o Espírito Santo. Conforme indicaoprólogodeJoão, oVerbo éeternamente preexistente. O uso do termo “Verbo” (no grego, Logos) é significativo, visto que Jesus Cristo é a principal expressão da vontade divina. Ele não é somente o único Mediador entre Deus e a humanidade (1 Tm 2.5), mas foi também o Mediador na criação. Deus, falando, trouxe oUniverso àexistência, atra­ vés do Filho, a Palavra Viva. Porquanto, “sem ele nada do que foi feito [na criação] se fez” (Jo 1.3). Colossenses 1.15 diz que Cristo é “a imagem do Deus invisível”.E apassagem de Hebreus 1.1,2 também proclama a grande verdade: Cris­ to é amais completa e melhor revelação de Deus àhumani­ dade. Desde o começo, o Verbo foi a própria expressão de Deus, e continua ademonstrá-lo. Eentão, “vindo aplenitu­ de dos tempos” (G1 4-4), o “Verbo se fez carne e habitou entre nós...” (Jo 1.14). Antes de manifestar-se à humanidade dessa nova ma­ neira, o Verbo esteve eternamente em existência como aquEle que revela a Deus. E bem provável que as teofanias (aparições da deidade) do Antigo Testamento fossem, na realidade, “cristofanias”,vistoque, emseuestadopreexistente, os encontros com várias pessoas, para revelar a vontade de Deus, estaria de pleno acordo com seu ofício de Revelador. Considere o leitor, por exemplo, passagens como Gênesis
  61. 61. A Deidade do Senhor Jesus Cristo 63 21.17-20; 48.16 e Êxodo 23.20. Nesses trechos bíblicos, “o anjo do Senhor” é claramente identificado como deidade, embora distinto de Deus Pai. Gênesis 48.16 refere-se ao mensageiro celestial especificamente como “redentor” ou “libertador”.Nas outras passagens, onde o anjo do Senhor é tanto identificado com Deus como dEle distinguido, ou onde recebe adoração (como em Jz 13.16-22), parece óbvio ser uma manifestação de Cristo. Alguns temem que identifi­ car o anjo do Senhor com Cristo diminuiria a natureza única da sua encarnação neotestamentária. Todavia, a encarnação envolve a plena identificação de Cristo com a humanidade através do nascimento, vida, ministério, morte e ressurreição. Nenhuma manifestação pré-encarnada tem­ porária a diminui. As manifestações veterotestamentárias da segunda Pes­ soa da Trindade apontavam para a encarnação, quando Cristo viria para habitar entre os homens. •* Jesus Cristo não somente era pleno Deus, como pleno ser humano. Ele não era em parte Deus e em parte homem. Antes, era cem por cento Deus, e, ao mesmo tempo, cem por cento homem. Em outras palavras, Ele exibia um con­ junto pleno tanto de qualidades divinas quanto de qualida­ des humanas, numa mesma Pessoa, de tal modo que essas qualidades não interferiam uma com a outra. Ele há de retornar como “esse mesmo Jesus” (At 1.11). Numerosas passagens ensinam claramente que Jesus de Nazaré tinha um corpo verdadeiramente humano e uma alma racional. Eram características de seres humanos não-caídos (isto é, Adão e Eva), que nEle podiam ser encontradas. Ele foi, verdadeiramente, o Segundo Adão (1 Co 15.45,47). As narrativas dos evangelhos aceitam automaticamente a hu­ manidade de Cristo. Ele é descrito como um bebê, na man­ jedoura, e sujeito às leis humanas do crescimento (ver Lc 2.40,52). Ele aprendeu, sentia fome, sentia sede e se cansa­ va (ver Mc 2.15; Jo 4-6). Ele também sofreu ansiedade e desapontamentos (Mc 9.19); sofreu dor física e mental, e CAPÍTULO 3 A Deidade do Senhor Jesus Cristo

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