Evangélico thomas e trask e david a womac - de volta ao altar cpad

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Evangélico thomas e trask e david a womac - de volta ao altar cpad

  1. 1. Thomas E. Trask David A. Womac Digitalizado : Karmitta Semeadores da Palavra Revisado: Escriba Digital Uma chamada ao despertamento espiritual
  2. 2. Todos os direitos reservados. Copyright © 1997 para a língua portuguesa da Casa Publicadora das Assembleias de Deus. Título do original em inglês: Back lo the Altar Gospel Publishing House Springfieid,Missouri, USA Primeira edição em inglês: 1994 Tradução: Leclerc Victer Caitano Capa: Hudson Silva 269 - Avivamento Trask, Thomas E. & Womack, David A. TRAd De volta para o Altar.../ Thomas E. Trask & David A. Womack 1ª ed. - Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 1997. p. 184. cm. 14x21. ISBN 85-263-0100-4 1. Avivamento Espiritual CDD 269 - Avivamento Espiritual Casa Publicadora das Assembleias de Deus Caixa Postal 331 20001-970, Rio de Janeiro, RJ, Brasil 1ª edição/1997
  3. 3. Índice Prefácio..........................................................................................................5 1 Desperta, Tu que Dormes....................................................................9 2 Chamada ao Avivamento..................................................................19 3 Chamada ao Arrependimento ........................................................31 4 O Poder Pentecostal e a Igreja...........................................................45 5 Avivamentos na Bíblia......................................................................60 6 Redescobrindo o Pentecoste..............................................................71 7 O que Significa Ser Pentecostal........................................................86 8 Retorno à Santidade..........................................................................97 9 Ser Igreja e Viver como Igreja........................................................106 10 O Louvor e Adoração......................................................................118 11 Assim Diz o Senhor.........................................................................129 12 Onde Começa o Avivamento..........................................................146 13 Chamada Pentecostal ao Altar.........................................................157
  4. 4. Prefácio Esta obra que propaga uma chamada ao avivamento espiritual foi escrita em poucos meses. Entretanto, sua preparação veio através de décadas de experiências de dois pregadores das assembléias de Deus. Um grande número de pessoas, entre irmãos e líderes, contribuíram grandemente para a elaboração deste livro. Todo aquele que sempre conheceu as maravilhas do fogo pentecos- tal não poderá jamais estar satisfeito com o fenecer das brasas do aviva- mento. Nosso propósito não é retornar ao início do século XX, mas salientar nossa associação à mesma fonte de poder, da qual brotou o avivamento de nossos antepassados — o Cristianismo originário da Igreja do Novo Testamento. Nos parágrafos que se seguem, falaremos sobre cada uma destas associa- ções separadamente, e nos demais, de forma globalizada. Thomas E. Trask: Este livro é o resultado da conscientização que Deus tem gerado em nossos corações, sobre a obra do Espírito Santo, e pode ser resumido em duas palavras: necessidade e desejo.
  5. 5. A primeira tarefa do Espírito Santo na vida do crente é fazer com que ele seja capaz de perceber a sua grande necessidade de Deus. Com o fracasso do mundo em atender às necessidades básicas do homem, é mais do que imperativo que a Igreja se levante para ser um hospital que salve vidas, leve cura aos doentes e proporcione conforto aos feridos. O aviva- mento trará vida e sensibilidade à Igreja. O Espírito Santo nos levará a tomar posse das oportunidades dadas por Deus ao ministério. Olhos que se encontram fechados serão abertos, e todos os cristãos verão e sentirão como Cristo. Além disso, estaremos cumprindo suas ordenanças, no tocante à obra e plenitude do Espírito. Mas é também tarefa do Espírito Santo colocar desejo e fome de mais e mais do Senhor em nossos corações. Ao contemplarmos as necessidades do mundo e nossa total incapacidade para satisfazê-las, perceberemos então a nossa completa dependência de Deus! Isto nos motivará a correr para Ele, com um ardente anseio pelo poder capacitador do Espírito Santo. Este desejo nos dará fome da presença e da palavra de Deus e também da plenitude de seu Espírito, que será satisfeita somente através da oração. As Escrituras declaram que "Sião esteve de parto e já deu à luz" (Is 66.8). Cremos que Deus já está criando, dentro dos corações de líderes e membros das Assembleias de Deus, algo gerado pelo Espírito, que causará o avivamento e o estabelecimento do seu reino. David A. Womack: Alguns anos atrás, voltei à velha fazenda onde passei parte da minha infância. Tudo havia mudado. As cabras com as quais brincava já não estavam mais lá. No lugar onde havia uma pequena casa de dois como dos, com dois chiqueirinhos e um celeiro com feno, outra casa havia sido construída, pois a primeira fora totalmente consumida por um incêndio. Os castores haviam represado o riacho onde eu costumava pescar e tomar bons banhos; e o pior, todas as trilhas e caminhos que eu havia feito pela fazenda estavam cobertos pelo mato. Vários dias de verões escaldantes e rigorosos invernos destruíram todas as evidências de que eu estive lá!
  6. 6. Enfrentamos hoje um problema similar nas Assembleias de Deus. Os antigos caminhos se foram e poucos se lembram onde começaram, como foram usados e em que direção. Com o passar das gerações, não podemos depender de memórias longínquas do antigo Movimento Pentecostal, mas precisamos experimentar um novo avivamento espiritual para o século XXI! O objetivo deste livro não é apontar erros, mas encontrar soluções. Avivamento é sobrevivência. Não implica em retornar ao passado, mas sim ao avivamento original do Novo Testamento, marca registrada do cristianismo apostólico nascido no dia de Pentecostes. Deixe-me fazer uma tentativa, para que o leitor compreenda como cheguei a trabalhar com Thomas neste livro. Há um velho ditado dos indígenas de Burkina Faso, Oeste da África, que diz: "A pedra que se misturou com os feijões entrou na panela!" Rego- zijo-me pelo fato de estar sob a liderança desses dedicados homens de Deus. Homens que foram chamados para conduzir um avivamento: o superintendente geral das Assembleias de Deus nos Estados Unidos, pastor Thomas E. Trask; o assistente geral, pastor Charles T. Crabtree; o secretá- rio geral, pastor George O. Wood; e o tesoureiro geral, pastor James K. Bridges. Por todo o livro, identificarei as minhas narrativas, as de Thomas E. Trask e a de outros líderes. Entretanto, o leitor deve reconhecer que o livro em sua totalidade foi desenvolvido com grande esforço, cooperação, muitos diálogos fervorosos e momentos de grande sensibilidade e unção divina. Essas podem ser as nossas palavras, mas cremos que tudo o que realizamos foi pela vontade e ordem de Deus. Como contribuição ao nosso trabalho, o livro inclui notas de oficiais, ministros e muitos outros, que, com os autores, escreveram especificamente para este projeto, os quais serão identificados pelo autor, conforme forem sendo citados. Não houve nenhuma tentativa de apresentarmos o avivamento sob o ponto de vista subjetivo. Na verdade, tornou-se muito claro para nós que o tema despertamento espiritual veio ao encontro da atual necessidade de um Movimento Pentecostal. Muitos leitores irão sugerir outras passagens
  7. 7. bíblicas que poderíamos ter usado. No entanto, nossa pretensão é que este livro se adapte completamente à nova onda de intensa renovação, de pregações ungidas e de escritores inspirados através de nosso movimento, a fim de trazer todos de joelhos perante o Senhor.
  8. 8. 1 Desperta, Tu que Dormes! Desde crianças, temos ouvido o velho comentário: "O que esta igreja precisa não é apenas de um despertamento, mas de uma ressurreição!" Na verdade, isto faz uma pequena diferença de como identificamos a condição da igreja. Para pessoas comissionadas a levar o Evangelho a todo o mundo, o fato de a igreja estar doente, adormecida ou "morta" é apenas uma leve consequência pelo fato de a incumbência divina não estar sendo cumprida. Se a igreja está doente, temos um poderoso remédio, infinitamente capaz de nos abençoar com uma vida nova. Se a igreja dorme, ao invés de estar trabalhando, precisamos chamá-la a um despertamento. Se a igreja está morta, precisamos lembrá-la da visão do profeta Ezequiel sobre o vale de ossos secos. Ossos Secos (Ez 37.1-14) Uma das características típicas de uma pregação pentecostal é o fato de sempre usarmos histórias bíblicas, contextualizando-as às nossas vidas. E isso não é apenas uma aproximação alegórica das Escrituras para crermos firmemente que são legítimas. Mas é a razão pela qual vemos um significado especial nas histórias, além de seu valor secular. Durante o cativeiro de Israel na Babilônia, no século VI A.C, o Espírito do Senhor levou o profeta Ezequiel a um vale que estava cheio de ossos secos e perguntou: "Poderão viver esses ossos?" Ezequiel compreendeu que aqueles ossos representavam a condição espiritual do povo de Deus, e não viu nenhum motivo para sentir-se animado. Mas respondeu: "Senhor Jeová, tu o sabes".
  9. 9. Ezequiel pensou que sua tarefa seria juntar todos aqueles ossos e dar- lhes um enterro decente. Mas Deus tinha planos diferentes. Ele nunca desiste do seu povo. Deus disse: "Profetiza sobre estes ossos e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor". Não havia programação, nem anúncios, nem homenageados e muito menos música ambiente ao fundo. Deus determinou: "Pregue!" A resposta para o problema da sequidão foi pregar com poder, para que muitos mortos levantassem. Ossos secos podem reviver. Se ministrarmos a Palavra com poder e autoridade, muitos se levantarão! Deus declarou: "Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis... e sabereis que eu sou o Senhor". Ezequiel escreveu: "Então profetizei como se me deu ordem. E houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um reboliço e os ossos se juntaram, cada osso ao seu osso". Músculos e nervos vieram sobre os ossos, e estendeu-se a pele sobre eles. Você crê nisso? Então Deus disse: "Profetiza ao Espírito... assim diz o Senhor..." Ezequiel sabia que o Espírito estava associado com o sopro de Deus. A palavra do hebraico para espírito é ruach, que também significa "fôlego" ou "vento". Ezequiel levantou-se diante daqueles ossos secos e profetizou ao vento. E "então o espírito entrou neles e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo". Hoje, nem as necessidades nem as soluções mudaram. A cura de Deus para uma igreja "morta" ainda é pregar! Aliás, mais que isso — profetizar! Ezequiel não entregou àqueles ossos um sermão de três partes acerca de sua teologia sobre a morte. Ele simplesmente ouviu a voz de Deus e entregou a Palavra do Senhor. Ele falou com autoridade e experiência: "Assim diz o Senhor..." Não houve nenhum movimento da parte dos ossos pela manutenção da vida, nenhuma organização, nenhum pedido de socorro! O Espírito do Senhor levou Ezequiel ao vale de ossos secos e lhe disse crer no impossí- vel, para proclamar a Palavra de Deus a um povo desconjuntado e corrompido e ver toda uma nação se levantar com vida novamente. Observemos que Deus ordenou: "Profetiza!" E Ezequiel obedeceu. Por mais que lhe parecesse impossível ou uma total perda de tempo, ele
  10. 10. agarrou-se racionalmente à sua nova experiência com Deus e cumpriu sua ordem diante de todas as evidências que apontavam aquelas pessoas como mortas. E, quando Ezequiel cumpriu a sua parte, Deus fez a dEle. Não era responsabilidade do profeta realizar o milagre, mas pregar a Palavra de Deus àquela multidão que parecia indiferente. Só então Deus realizou o grande milagre sobre todos aqueles ossos. Ezequiel correspondeu a Deus, e o Senhor, à sua obediência. Ele profetizou ao vento. Podemos imaginar sua capa esvoaçando, os braços estendidos para os céus, declarando outra vez: "Assim diz o Senhor Jeová..." E foi assim que Deus concedeu nova vida àquela nação morta. Agora responda-. De que precisamos hoje, de um despertamento ou de uma ressurreição? Na verdade não faz diferença. Nosso Deus pode curar enfermidades, libertar vidas da depressão e ressuscitar os mortos com a mesma aplicação de seu tremendo poder. Ouvimos vários termos para o que precisamos: despertamento, restauração, revitalização, renovação, rejuvenescimento etc. Mas são apenas palavras. Precisamos apenas do que Ezequiel possuía: a inspiração e o frescor de seu encontro diário com o Espírito de Deus! Então levante-se! Não fique aí sentado lamentando a dispersão do povo e seu esquecimento. Precisamos de um avivamento de palavras proféticas que declarem: "Assim diz o Senhor Jeová". Poderíamos pensar que a igreja raramente se levantaria numa época como esta, ao final do poderoso século do avivamento pentecostal e começo do novo milênio. As profecias sobre a breve volta do Senhor Jesus estão se espalhando por todo o mundo, o qual já percebe que alguma coisa está para acontecer. O movimento que se iniciou em uma sala em Topeka, Kansas, em 1901, multiplicou-se e alcançou a impressionante marca de milhões de cristãos em mais de 130 países — e justamente quando estamos prontos para nos lançarmos ao desafio final, começamos a hesitar e tropeçar em nossos próprios pés. Analisemos a raiz do problema. No início do século XX, o Movimento Pentecostal nasceu de uma grande explosão do poder espiritual, enquanto a igreja redescobria o genuíno batismo no Espírito Santo do cristianismo pentecostal apostólico do Novo Testamento. Mas a
  11. 11. novidade daquela experiência desgastou-se. Estamos tentando combater nossa guerra espiritual com armaduras de uma geração diferente. Com o passar dos anos, a intensidade espiritual daquele avivamento vem se diluindo, e estamos nos tornando semelhantes aos membros de muitas igrejas de onde o nosso povo fugiu ou dispersou-se. Estaria tudo errado? É claro que não! Somos uma grande igreja com um futuro promissor. Em muitos aspectos, crescemos e amadurecemos. Estamos posicionados no alto, juntamente com todas as igrejas que podem ser classificadas como nós. Somos populares, aplicados e equilibrados. E, ainda, quando olhamos para o alto e medimos nosso sucesso — pela relação entre a quantidade de grãos que ainda ficaram nos campos e os que armazenamos em nossos celeiros — o embaraço diminui. O nosso problema é que, quando tínhamos oportunidade de enviar uma grande comissão, começamos a perder a visão e a fechar nossos olhos espirituais. O dicionário define o sono como uma "condição natural de descanso do corpo e da mente que ocorre regularmente, durante algum pensamento ou movimento". Talvez seja essa realmente a nossa condição. A Filha de jairo (Lc 8.26 - 9.2) Esta é outra passagem bíblica que ilustra muito bem a nossa situação difícil e sua única solução. Jesus havia acabado de se confrontar com um homem endemoninhado, da terra dos gadarenos, e enviara todos os seus demonios a uma manada de porcos (Lc 8.26-39). Os fazendeiros judeus, proibidos de comer os porcos, comprometeram-se em fornecer porcos para alimentar a guarnição romana que estava estacionada a leste das montanhas sobre o mar da Galileia. No entanto, ninguém se atreveu a queixar-se quando os porcos se precipitaram no mar e morreram afogados. Jesus falou ao homem: "Torna para tua casa, e conta quão grandes coisas te fez Deus". As pessoas ficaram tão assustadas com aquele fenômeno espiritual, que suplicaram a Jesus que as deixasse e não fizesse mais sinais ou maravilhas entre eles. Eis a misteriosa reação de pessoas religiosas, que por alguma razão inexplicável preferem adoração sem milagres, sermões sem o poder do Espírito Santo e orações sem respostas eloquentes. Assim, exceto por razões sociais, por que alguém atentaria para uma igreja onde nada de sobrenatural acontece, orações nunca são
  12. 12. respondidas e expressões de louvor nunca são ouvidas pela cura ou libertação de alguém? Seguindo seu caminho, Jesus estava retornando pela estrada de Cafanaum, quando Jairo, príncipe da sinagoga, veio encontrá-lo. Aquele líder religioso prostrou-se aos pés de Jesus, rogando-lhe "que entrasse em sua casa; porque tinha uma filha única quase de doze anos, que estava à morte". Passando através da multidão, no caminho da casa de Jairo, uma mulher que tinha um fluxo de sangue há 12 anos, aproximou-se e tocou em Jesus, sendo instantaneamente curada. Jesus disse: "Alguém me tocou, porque bem conheci que de mim saiu virtude". Muitos pastores, missioná- rios e evangelistas têm testemunhado a restauração física através de seus ministérios de cura. A imposição de mãos é, obviamente, muito mais que um simples ritual ou ato de obediência; é a transferência do poder que ocasiona a cura quando a pessoa está doente. Enquanto Jesus dizia à mulher curada: "A tua fé te salvou", um homem da sinagoga chegou informando: "A tua filha já está morta". Era a avaliação humana das condições da menina — estava morta; tudo acabado; tudo terminado! Lucas escreve: "Porém..." Quão importante é esta palavra para mostrar como a fé contradiz os fatos! "Jesus, porém, ouvindo-o respondeu- lhe dizendo: Crê somente, e será salva". Ponha a fraqueza de lado, tenha fé e encontre a firmeza das promessas de Deus. Algum tempo se passou, e, quando Jesus retomou o caminho para a casa de Jairo, os instrumentistas e a multidão em alvoroço já haviam iniciado o funeral (Mt 9.23). Ninguém tinha dúvidas de que a menina estava morta. Jesus deixou entrar no quarto onde se encontrava a menina, somente Pedro, Tiago, João e os pais dela. Todos estavam chorando, mas Jesus disse: "Não choreis; não está morta, mas dorme" (Lc 8.52). Riram-se dEle, sabendo que ela estava morta; mas Ele, to-mando-a pela mão, ordenou: "Levanta-te, menina. E o seu espírito voltou". E Jesus mandou que lhe dessem de comer. Esta história aconteceu realmente e foi registrada em três dos quatro evangelhos (Mt 9.18-26, Mc 5.22-43; Lc 8.41-56). Contém princípios fan-
  13. 13. tásticos que podem ser aplicados igualmente em muitas áreas de nossa vida e na da igreja. Em primeiro lugar, Jesus foi cercado por uma curiosa mas incontável multidão, não muito diferente das pessoas que hoje atraímos às nossas igrejas. Mas Jesus reduziu toda aquela multidão a apenas 12 discípulos e aos parentes imediatos da menina; e depois, restringiu mais ainda, permitindo apenas a presença de Pedro, Tiago, João e dos pais da menina no quarto onde se encontrava morta. Não fazia nenhuma diferença para Jesus se aquela menina precisava de um avivamento ou de ressurreição. O problema não estava na menina morta, mas na multidão incrédula que aceitava a morte como uma fatalidade, um ponto final, escarnecendo de qualquer sugestão contrária. Jesus precisou colocar os descrentes para fora antes de começar o processo milagroso da ressurreição. Lucas relata: "Seu espírito voltou, e ela logo se levantou" (Lc 8.55). Será que o Senhor terá de colocar alguns de nós para fora antes que possa fazer alguns milagres e avivar a sua igreja? Como a filha de Jairo, precisamos ter o nosso espírito de volta! Não é uma coincidência: logo após este acontecimento, Jesus, "convocando os seus doze discípulos, deu-lhes autoridade e poder sobre todos os demônios, e para curarem enfermidades; e enviou-os a pregar o reino de Deus, e a curar os enfermos" (Lc 9.1,2). Essa ainda é ordenança dada à igreja! Como, então, podemos ousar ser cristãos conservadores diante do exemplo do ministério de Jesus e de suas instruções aos discípulos? O mundo não pode ser vencido por cristãos que se detêm quietos, com as mãos abaixadas! A evangelização mundial requer olhos bem abertos, intimidade com a presença e o poder de Jesus Cristo para salvar, curar e libertar! Não encontramos ilustração melhor para a história de nossa igreja, neste fim de segundo milenio, que a ressurreição da filha de Jairo. Nossa igreja está "amortecida", e sabemos disto. Nossos antepassados (as antigas gerações) não podem mais nos ajudar. Nossos líderes não podem agir sozinhos, e são, na verdade, muitas vezes eleitos por igrejas conservadoras que não querem perder o controle. Aquele famoso grupo social dos que "se vestem para o Senhor" não pode fazer acontecer um avivamento. A verdade é que só Jesus Cristo pode ressuscitar os mortos, levantar as igrejas e
  14. 14. restaurá-las à vida plena. Só com Jesus Cristo uma igreja poderá ir adiante com poder renovado (força dinâmica) e autoridade (permissão para usar essa força) para anunciar o Evangelho, controlar o mal, amarrar o diabo e trazer cura à nossa terra! Os acontecimentos no vale de ossos secos e na casa de Jairo resumem exatamente o assunto deste livro. O avivamento não pode começar através da multidão, da igreja ou de um grupo seleto de pessoas, mas sim quando alguém pede socorro a Jesus e convida-o a entrar em sua casa. Aí então, Jesus — SOZINHO — poderá fazer um milagre que reavivará a igreja para uma novidade de vida. E a questão passa a ser: Jesus quer que sejamos avivados? Veja que interessante: o fator determinante na história de Jairo não foi uma decisão soberana vinda do Céu, mas a resposta divina ao choro de um Pai que cria em Jesus! E Ele responde ao nosso pedido de socorro. E, se precisarmos de ajuda para nos levantarmos da morte, o momento é agora! A história toda começou com Jairo pedindo a Jesus para curar sua filha. Todo avivamento começa com um pedido, frequentemente com jejum e uma oração! Em sua primeira semana no trabalho, o superintendente geral Thomas E. Trask escreveu aos líderes das Assembleias de Deus: "Convoquem a igreja para orar e jejuar. Através da oração, abriremos as portas para nos o avivamento que virá". Teria Alguém Colocado o Relógio para Despertar? (Ef 5) Após convocar todos os cristãos para serem "imitadores de Deus como filhos amados" (5.1) e exortá-los ao amor e à santidade pessoal, Paulo escreve: "Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá" (5.14). É disto que precisamos: despertar de um profundo sono espiritual e levantar dentre os mortos! Não faz nenhuma diferença a circunstância em que nos encontramos, tampouco se estamos espiritualmente adormecidos ou mortos. Precisamos nos levantar e caminhar para a luz. A Palavra de Deus funciona como um verdadeiro despertador para nós! Veja o que ela diz sobre o nosso sono espiritual. Em Juízes 5.12, lemos: "Desperta, desperta Débora; desperta, desperta, entoa um cântico; levanta-te Baraque, e leva presos a teus prisioneiros". Era tempo de Israel
  15. 15. se levantar para a batalha, mas seus líderes tinham de se levantar primeiro. Agora veja Salmos 17.15: "Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça; satisfar-me-ei da tua semelhança quando acordar". Precisamos ser semelhantes a Jesus. E, para aqueles que confiam em estruturas e imagem pública, brada o profeta Habacuque: "Ai daquele que diz ao pau: Acorda! e à pedra muda: Desperta! Pode isto ensinar? Eis que está coberto de ouro e de prata, mas no meio dele não há espírito algum" (He 2.19). Em poucas palavras podemos dizer que estes são restos de uma igreja materialista que precisa desesperadamente de um avivamento espiritual. Paulo escreve, em Romanos 13.11: "E isto digo, conhecendo o tempo que é já hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé". Se já naquela época os pentecostais aguardavam pela vinda em breve do Senhor Jesus Cristo, agora devemos estar muito mais atentos a esse abençoado evento! Veja agora 1 Coríntios 15.34: "Vigiai justamente e não pequeis; porque alguns ainda não têm o conhecimento de Deus: digo-o para vergonha vossa". Sim, é vergonhoso que estejamos nos afastando de Deus e com as portas fechadas para o mundo! Em Efésios 5, Paulo adverte: "Pelo que diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá". Ele também chama os cristãos a serem "seguidores de Deus", e acrescenta: "Andai em amor". E ainda: "Mas a prostituição, e toda impureza ou avareza, nem ainda se nomeie entre vós como convém a santos; nem torpezas, nem parvoíces, nem chocarrices, que não convêm; mas antes ações de graças". Imoralidade sexual, estilo de vida impuro e idolatria não têm "herança no reino de Cristo e de Deus". E, sobre as pessoas que cometem esses pecados, Paulo aconselha a igreja: "Não sejais seus companheiros". A igreja precisa ser justa, santa e estar separada do mundo para a glória de Deus. Sobre isto, Paulo ordena: "E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito" (Ef 5.18). O apóstolo, obviamen- te, fala da responsabilidade dos cristãos em estarem "embriagados" do Espírito Santo, assim como as pessoas se embriagam com vinho! Podemos recordar o dia de Pentecostes, quando uma multidão viu os sinais e o som de pessoas sendo cheias do Espírito Santo e pensou que os 120 estavam
  16. 16. cheios de vinho (At 2.15). Essas passagens nos mostram o que Deus espera de nossos cultos. Muitas outras passagens em Efésios descrevem o serviço da igreja. Por exemplo: "Falando entre vós com salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor em vosso coração; dando sempre graças por tudo ao nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo" (Ef 5.19,20). Paulo prossegue, no restante do livro de Efésios, comparando também o relacionamento entre Cristo e sua Igreja à relação entre marido e mulher. Certamente este é um relacionamento baseado na emoção, no amor e na paixão. Paulo afirma, na mesma passagem: "Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja". Não há indicação nas Escrituras de que o Senhor deseje uma igreja reservada e conservadora. Pelo contrário, em sua igreja, Ele espera uma explosão de emoções, demonstradas no seu amor por Ele e compaixão pelas almas. Tentemos identificar em nossas igrejas os elementos inerentes à sociedade e às tradições históricas, pois não há lugar numa igreja pentecostal para a religiosidade e suas práticas não-bíblicas. Dormindo na Presença de Deus (Lc 9-28-36) Um dos mais inquietantes versículos da Bíblia é Lucas 9.32-. "E Pedro e os que estavam com ele estavam carregados de sono; e, quando despertaram, viram a sua glória". É uma cena inacreditável: Jesus foi orar e levou consigo os discípulos mais chegados ao topo do monte da Transfiguração, "e, estando ele orando, transfigurou-se a aparência do seu rosto, e as suas vestes ficaram brancas e mui resplandecentes, e eis que estavam falando com ele dois varões, que eram Moisés e Elias, os quais apareceram com glória". E o que faziam os futuros líderes cristãos? Dormiam no exato momento em que o Senhor manifestava-se em sua glória. Não é essa nossa condição hoje? Como é possível um movimento que se espalhou tão rapidamente pelo mundo achar-se em tão terríveis condições, que não consiga acrescentar em 12 meses de trabalho uma única pessoa aos cultos de domingo? A chave para o avivamento está na oração. Quando eles retornaram do monte da Transfiguração, no dia seguinte, encontraram um menino
  17. 17. oprimido por possessão demoníaca. E Jesus disse: "Esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum" (Mt 17.21). A Gloria no topo da montanha era maravilhosa, mas eles ainda precisa- vam orar e jejuar para enfrentar o mal. Charles G. Finney disse: "A ação é a ligação essencial para uma sucessão de fatos que levam ao avivamento". Vamos apenas levantar, esfregar o olhos, espantar o sono, olhar para glória de Deus e uma vez mais entrar em jejum e oração. Estamos precisando de um novo despertamento espiritual nas Assembleias de Deus!
  18. 18. 2 Chamada ao Avivamento A primeira pessoa com quem falei sobre este livro foi o pastor Trask, em uma sala da Assembleia de Deus Central em Springfield, Missouri. Ele acabara de ser eleito superintendente geral, no Concílio Geral de Mineápolis, em agosto de 1993, retornando a Springfield depois de uma ausência de 15 anos, para trabalhar na Gospel Publishing House, sob a coordenação geral de Joseph W. Kilpatrick. No início de setembro, num domingo de manhã, tivemos um culto tão abençoado que o pastor Philip Wannenmacher não pregou à congregação, mas continuou o louvor e deixou fluir as manifestações dos dons do Espírito Santo. Naquele dia, soubemos que este livro era uma ordenança de Deus. Sendo assim, entrevistei o pastor Thomas E. Trask logo após sua mudança e início do novo trabalho, em dezembro de 1993. Nos próximos dois capítulos, quero que você ouça uma verdadeira chamada ao avivamento Pelo superintendente geral das Assembleias de Deus nos Estados Unidos. David A. Womack: Ouvi sobre sua campanha por um avivamento. O que ativou este interesse? "Thomas E. Trask: Quando visitei os concílios distritais e alguns seminários para líderes, o Senhor revelou-me a necessidade de uma nova vitalidade em seus seguidores. Nos dias que se seguiram, a Assembleia de Deus deu lugar à pessoa e ao trabalho do Espírito Santo-, quando agimos desta forma, experimentamos crescimento. Depois compartilhei minhas experiências com Charles Crabtree: "Charles, precisamos de uma santa convocação, pela qual nós, e também a igreja pentecostal, venhamos em unidade reconhecer nossa necessidade de Deus e pedir perdão por nossas falhas". Somente então Deus abençoará com seu Espírito. No domingo anterior ao Concílio Geral de Portland, mais ou menos pelas quatro da manhã, o Espírito Santo acordou-me e disse:
  19. 19. "Quero que você elabore uma proposta, que se chamará uma santa convocação". Apresentei a proposta ao superintendente geral G. Raymond Carlson, que a leu diante da assembleia. Esta, de forma unânime e entusiasmada, concordou. (Depois chamamos àquela reunião "Assembleia Sagrada"). Minha preocupação e desejo profundo é que nós, como seguidores, retornemos à total direção e dependência do Espírito Santo. Womack: O Senhor tem dito que o fundamental em um avivamento é a salvação das almas. Um avivamento poderoso nas Assembleias de Deus aumentará a nossa responsabilidade nos campos missionários? Trask: Realmente acredito nisso. Deus tem abençoado tremendamente o trabalho evangelístico, devido à nossa ênfase à pessoa e obra do Espírito Santo. Quando dermos espaço para o Senhor atuar, Ele trará para frente o que está em seu coração. E, esse é o motivo pelo qual temos missões nas Assembleias de Deus, enquadrando-a na vanguarda do Evangelho mundial. E se as Assembleias de Deus não atentarem e se prepararem para isso, estarão em uma situação difícil. Womack: O Senhor cresceu em um lar pentecostal? Trask: Tive o privilégio de crescer em um lar de pregadores da Assembleia de Deus. Minha mãe e meu pai, Waldo e Beatrice Trask, já não trabalham como antes, mas o seu ministério continua ativo. Meu pai era comerciante e açougueiro quando encontrou a Cristo. Após sua conversão, logo tornou-se diácono na Assembleia de Deus local, até o Senhor chamá- lo para o serviço no Reino de Deus. Ele nunca teve o privilégio de cursar um seminário, mas dependia totalmente da Palavra de Deus e vivia no Espírito. Womack: O Senhor disse que Deus chamou seu pai para o serviço no Reino de Deus. Como podemos saber se Deus está falando conosco? Trask: Somos seres espirituais. Creio que, como seres espirituais, podemos viver em comunhão com Deus e conhecer a voz do Espírito. Veja, se escolhi ao Senhor e o fiz parte da minha vida, logo posso aprender a ouvir sua voz. Sou um forte defensor dessa ideia, mas hoje em dia não se fala muito sobre isso. Não há nenhum mistério para se conhecer a vontade do Senhor. Provérbios 3.5,6 diz: "Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te
  20. 20. estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos e ele endireitará as tuas veredas". Se eu confiar no Senhor de todo o meu coração, Ele endireitará as minhas veredas. E fará isso através da voz do Espírito. Costumo dizer que Deus confirma sua presença em nós de três formas: testifica em nós pela Palavra, pelas circunstâncias e pelo Espírito. Womack: Atualmente, o Senhor ouve a voz do Senhor? Trask: Sim. Sempre ouvimos dizer, que após duas pessoas permanecerem casadas por muito tempo, começam a se parecer e a agir da mesma forma. Bem, é esse tipo de relacionamento que temos com o Senhor através de seu Espírito. Se vivo na Palavra e no Espírito, então sou sensível à vontade do Espírito. E há um recuo nesse relacionamento quando faço alguma coisa que entristece o Espírito de Deus. Acredito que os crentes espirituais devem ser cuidadosos em não entristecer o Espírito Santo. Minha plena aliança com Ele se estabelece através da comunhão, oração e estudo da Palavra, o que me torna mais sensível à sua vontade. Fui criado nestes moldes. Posso dizer que sou um grande privilegiado por ter vivido em um lar onde tanto meu pai quanto minha mãe dependiam totalmente de Deus. Eles são de um tempo em que líderes não tinham seguro social, plano de saúde ou aposentadoria; e a maioria dos pastores não tinha sequer um bom salário. Somos totalmente gratos a Deus pelos benefícios que hoje conquistamos, mas precisamos voltar aos grandes ministérios que dependiam totalmente de Deus. Através de suas vidas, nos ensinaram que precisamos orar para sermos dependentes de Deus. Não pretendo jamais ir por outros caminhos. Não me preocupo em ser o melhor, mas nossa dependência deve estar no Espírito Santo. Womack: O Senhor ouve a voz do Espírito Santo claramente, com palavras? Trask: Não em palavras, mas em espírito. O Espírito testifica com o nosso espírito. Em Atos 15.28, vemos: "Na verdade, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós". Creio que quando o Espírito Santo testifica em nossos corações há um sentimento profundo de certeza e satisfação; quando algo está errado, há o sentimento de incerteza e insatisfação. E essa comunhão certamente não está restrita aos que possuem ministérios, mas é possível a todo o que tiver o Espírito de Deus. João escreveu: "Quem tem ouvidos
  21. 21. ouça o que o Espírito diz às igrejas" (Ap 2.7). Veja, o Espírito está falando! E um problema de sintonia: nossa "antena" precisa ser bem sintonizada para captar a mensagem que está vindo do Espírito Santo às igrejas. Tive o privilégio de crescer frequentando a escola dominical e os acampamentos de mocidade. E lembro-me das experiências com Deus nas horas de culto. Uma de minhas grandes experiências com Deus aconteceu no acampamento bíblico Lake Geneva, em Minnesota. Jamais me esquecerei, porque Deus falou comigo profundamente. Eu havia acabado de me formar na North Central Bible College, e comecei logo a trabalhar em uma igreja nova. Um homem de negócios me havia feito uma excelente oferta de emprego, na área secular, enquanto a igreja não podia pagar nada. Aquela oferta me balançou. Nunca esquecerei aquela experiência com Deus enquanto viver, porque naquela noite deixei todas as minhas ansiedades no altar do Senhor e nunca mais voltei atrás. Eu reconheci o chamado do Senhor. Womack: O senhor se sente realizado, como quem alcançou um alvo, por ser o superintendente geral das Assembleias de Deus? Trask: Absolutamente! Isso jamais passou pela minha cabeça e eu vou lhe dizer por quê. Primeiramente, não acredito que Deus se agrade de pessoas que procuram cargos. A chave é querer a sua vontade. Jesus disse: "Todavia não se faça a minha vontade, mas a tua" (Lc 22.42). Jesus vivia com o ardente desejo de fazer a vontade do Pai. Como cristãos, precisamos desejar viver sempre na vontade de Deus e encher as nossas vidas com os seus propósitos. Deus não se impressiona com títulos. O ministério de Jesus não era feito de títulos, mas de compromisso! Serviço! Sou um servo de Jesus Cristo. Se Ele deseja que eu atue como pastor, sinto-me feliz por ser um pastor e amo pastorear! Era feliz como superintendente distrital. Quando Deus me chamou para ser o tesoureiro geral, fiquei satisfeito e, sendo assim, nunca me frustei. Aceitei o cargo de tesoureiro geral porque esta era a vontade de Deus para a minha vida. Não precisamos lutar. Precisamos apenas dizer: "Senhor, quero fazer a tua vontade". Womack: O senhor tem servido a Jesus toda a sua vida? Trask: Aceitei a Jesus quando era menino, mas só comecei nos caminhos do Senhor quando me tornei calouro da North Central Bible College. Foi meu pai quem me colocou no instituto bíblico. Ele era presbítero, e eu
  22. 22. andava "meio" à toa. Ele me disse: "Vou colocá-lo numa escola bíblica; talvez consigam dar um jeito em você". Pois foi exatamente o que aconteceu. Quando me lembro disso, fico comovido. Houve um mover de Deus na escola, que nos envolveu. Simplis- mente, as classes foram todas abaladas. Deus movia-se soberanamente através do corpo estudantil e durante dias pude ver alunos e professores servindo diante do Senhor. Durante todo o tempo permanecíamos na presença de Deus, e vidas foram transformadas. Sei que ainda menino recebi a salvação em minha igreja local e fui batizado no Espírito em um acampamento de jovens, mas foi o avivamento no instituto bíblico — e o suprimento com o Espírito Santo — que mudou minha vida. Por isso creio que as pessoas que tiveram uma experiência com Deus quando jovens precisam de uma nova experiência com Ele e uma verdadeira renovação do Espírito Santo, para que cresçam e alcancem maturidade. Nossa experiência necessita de renovações constantes e novas porções do Espírito Santo. Womack: O senhor acredita que derramamentos do Espírito Santo podem ocorrer nas escolas bíblicas hoje? Trask: Naturalmente! Recentemente falei a presidentes de colégios para deixarem Deus mover-se, porque sei o que pode acontecer com nossas escolas se houver um derramamento do Espírito Santo: os estudantes se tornarão pregadores pentecostais. Womack: Ao nos propormos buscar um novo avivamento nas Assembleias de Deus, qual deve ser a nossa preocupação quanto às igrejas locais? Trask: Uma de minhas maiores preocupações é com o altar nas igrejas, aquela área entre o púlpito e os primeiros bancos (este espaço têm sido totalmente preenchido por instrumentos, músicos, cantores, corais, conjuntos etc). É ali que a conversão tem o seu lugar. No "altar" as pessoas se encontram com Deus, e vidas são mudadas. Aprecio a adoração que Deus tem trazido às igrejas, e isso é realmente necessário. Mas a adoração nunca deve tomar o lugar da Palavra ou do altar. Estou preocupado, pois acho que temos direcionado nossa atenção à adoração e esquecido da ministração da Palavra. Nada pode substituir a Palavra. Precisamos levar as pessoas de volta à Palavra, pois ela nos deixa preparados para o altar. Adoração sim, mas também a Palavra e entrega da vida ao Espírito Santo.
  23. 23. Assim, Deus poderá atuar totalmente e completar a obra que iniciou no começo da reunião. Na igreja Brightmoor Tabernacle, em Detroit, éramos fortes na ênfase da Palavra de Deus, pois dávamos destaque a ela. Aquela igreja de duas mil pessoas nunca se limitava ao tempo de duração do culto. Pregasse eu por 45 minutos ou uma hora, para eles era um tempo curto. E, no domingo à noite, voltavam às centenas. Eles amavam a Palavra e conse- quentemente a igreja tinha uma fé viva, milagres e curas ocorriam e pessoas eram salvas. Durante anos, este foi o perfil dessa igreja. A Palavra precisa ir adiante na pregação, e assim deve ser concedida para completar o propósito para o qual foi enviada. Não consigo ver outros elementos tão necessários como a adoração e a Palavra. A adoração é boa, mas precisamos dar mais ênfase à Palavra de Deus em quanto é tempo, para que a obra do Espírito Santo seja completa. FOI isto que trouxe minha atenção à necessidade de um avivamento em nossas igrejas. Womack: Como o senhor pretende ir ao encontro dessas necessidades na Assembleia de Deus? Trask: Não creio que os problemas internos das Assembleias de Deus sejam tão complexos. Quando experimentarmos o mover soberano do Espírito Santo — um despertamento espiritual na Assembleia de Deus — as consequências imediatas do avivamento (como a manifestação dos dons e a revelação dos frutos do Espírito) irão cuidar de todas as necessidades. Deixe-me dar um exemplo. Jesus disse: "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas" (At 1.8). Ele está falando de caráter e estilo de vida. Na verdade, não erramos ensinando sobre santidade, se o estilo de vida da igreja está sendo modelado pelo Espírito Santo. Igualmente, não é errado falar de uma vida cheia do Espírito Santo, através de doutrinas e comportamentos. Realmente não estou interessado em ensinar sobre santidade, mas em deixar que o Espírito Santo traga esta convicção! Porque uma igreja cheia do Espírito terá o estilo de vida que agrada ao Senhor. Inevitavelmente, o evangelismo acontecerá, porque somos testemu- nhas vivas. Surgirá naturalmente, porque as pessoas hão de querer demonstrar o que Jesus está fazendo nos seus corações. Não creio que
  24. 24. possam existir pessoas que têm comunhão com o Senhor Jesus e ao mesmo tempo não se preocupam com as almas perdidas. Womack: Não querendo ser impertinente, há algo que eu gostaria de Perguntar. Esta chamada para um despertamento espiritual é apenas um tema temporário, que depois trará consigo novos temas, ou podemos ter a certeza de que este será o tema principal de sua administração? Trask: O que eu disse em minha posse repetirei: não descansarei enquanto não ver um soberano mover do Espírito Santo nas Assembleias de Deus! E isto nada tem a ver com "popularizar" a igreja, pois digo-lhe que a maioria das coisas que realizamos ontem já não serão tão populares amanhã. Há um grupo de pessoas que acha mais fácil realizar e dirigir programações do que orar. Você realmente precisa ter programações, organização, direção e um calendário de eventos; não tenho nada contra isso. Porém, a não ser que esses eventos "respirem" o Espírito Santo e estejam por Ele ungidos, estarão condenados a se tornar programações totalmente sem importância, vazias. Alguns dirão que minha chamada ao despertamento espiritual é somente um tema da moda. Mas digo a você que estou confiante, pois aqueles que conhecem um verdadeiro despertamento do Espírito e sabem o que fazer dirão: "Estamos com você, irmão Trask. Nós também cremos!" Eles já experimentaram a frustração dos "congressos de avivamento". Imagino que esteja chegando o tempo de as pessoas saberem que o despertamento, a meu ver, não é apenas mais um modismo. Ele é absolutamente necessário às Assembleias de Deus. Eu já me preocupava com este despertamento espiritual muito antes de Mineápolis. E, quando olho para trás, vejo que não houve nenhuma razão especial para a minha eleição a tesoureiro ou superintendente; tudo foi providência de Deus, que deseja o despertamento! Isso não está no meu coração, mas no coração dEle. E simplesmente uma questão de nos alinharmos à sua vontade. Por isso não há problema algum quando algumas pessoas se levantam das sombras para serem meros espectadores. Womack: Nós temos um número muito grande e diversificado de igrejas em nossa denominação. Quando ocorrer o despertamento, não reagirão de formas diferentes?
  25. 25. Trask: Não me preocupo com a reação das igrejas ou o método utilizado por Deus, desde que, dure o que durar, possamos alcançar os mesmos objetivos: ver o nome do Senhor Jesus Cristo glorificado e vidas transformadas. Tenho a plena consciência de que nem todas as nossas igrejas enveredaram pelo caminho do pecado, permitindo em sua comunhão pessoas que ainda não experimentaram uma real mudança de vida. O discipulado sempre exige uma mudança no estilo de vida. As igrejas podem agir com estratégias diferentes, mas o resultado deve ser o mesmo: cristãos vivendo efetivamente para Jesus Cristo e almas sendo salvas! Wotnack: O mundo inteiro sabe que não somos a igreja que melhor adapta cultural, social ou economicamente à sociedade. Sendo assim como conse- guimos alcançar tantas camadas da sociedade? Trask: Você sabe o que é isso? É a obra do Espírito Santo! Não é a denominação ou a estrutura, mas a pessoa e obra do Espírito Santo! Ele sabe que existe uma porta de entrada para todo coração. Se lhe pedirmos que nos ajude a encontrar essa porta, Ele nos ajudará a alcançar pessoas de diferentes níveis sociais. O Espírito sabe como convencer cada pessoa a Jesus Cristo. Nosso Senhor é um Deus que possui muitas alternativas. Wotnack: Alguém me disse que tais ideias representam um retorno ao passado. Isso é verdade? E, se for, o que o senhor pretende reviver? Trask: A história da Igreja nos mostra que toda vez que uma organização nasceu após a divisão de sua missão original, não demorou a chegar ao fim e tornar-se objeto de escárnio. Mas as Assembleias de Deus foram levantadas por uma voz pentecostal. Tenho enorme respeito e amor pelas igrejas evangélicas, porém somos mais que evangélicos: somos pentecostais! Lembro-me do tempo em que nosso crescimento foi tão grande que o Evangelho tornou-se uma força real no mundo. Naquela época, permitíamos que o Espírito Santo nos guiasse, revestisse e impelisse. E, se você chama isso de retornar ao passado, ou retornar ao que é "velho", então é exatamente o que estou fazendo. Estou voltando à força impulsionadora do Evangelho! E devemos ministrar isso através da pessoa e obra do Espírito Santo, porque para isso fomos chamados. Wotnack: No dicionário, encontramos as seguintes definições para a palavra "avivamento": 1) ato ou instante de despertamento; renovação da
  26. 26. atenção ou interesse por alguma coisa; nova apresentação ou reedição de alguma coisa; período de renovação pelo interesse religioso; encontros evangelísticos de alto nível emocional ou uma série de encontros; 2) restauração de força, validade e efeito. É disso que o senhor está falando? Trask: Acredito que o avivamento envolva tudo isso, mas eu gostaria que a terminologia usada para a igreja fosse "despertamento espiritual". Quero ver um avivamento como o que Deus pretende realizar; um despertamento que englobe um estilo de vida agradável ao Senhor; onde o Espírito Santo queira atuar domingo após domingo em nossas igrejas locais, onde Deus atue soberanamente na comunidade. Acredito que o Espírito Santo paira sobre a comunidade, pois pode atravessar paredes e portas fechadas quando a igreja está orando, como tenho visto acontecer. E, quando as outras igrejas começarem a perceber o que Deus está fazendo, também se ligarão a Ele, a fim de levar pessoas ao encontro de Jesus Cristo. Da mesma forma, um despertamento de almas gera vitalidade e novo nascimento no corpo da igreja, trazendo a vida do Espírito Santo para o meio dela. Muitas vezes, o despertamento só produz efeitos emocionais, porém não deve ser assim. Já assisti a cultos onde o mover de Deus sempre atuava em silêncio, e de repente alguém se levantava e começava a dizer o que se andava fazendo de errado. Mas também assisti a cultos onde Deus só se fazia presente através de exuberantes momentos de louvor e adoração. Ora, recuso-me a colocar Deus dentro de um tabuleiro e moldá-lo sempre do mesmo jeito! É um grande erro achar que Deus atua sempre da mesma forma. Fico pensando em quando Jesus atuava; ninguém podia prever nada. Era a obra do Espírito. Jesus entrava nas casas, Deus atuava soberanamente sobre as pessoas e um grande avivamento ocorria. As igrejas que permaneceram alertas e atentas ao mover do Espírito Santo souberam exatamente como lidar com os mais jovens, e assim seus membros têm manifestado a vida de Cristo. Tenho notado muita ênfase à cura divina e à restauração espiritual, mas o nosso Senhor é um Deus de tantas possibilidades que, sinceramente, não faço a menor ideia de como Ele fará para nos trazer um grande avivamento. É como se andássemos nas pontas dos pés, flutuando. Eu sempre pergunto quando oro: "Deus, o que o Senhor vai fazer, e onde acontecerá?" Porque o que desejo é estar no centro quando o avivamento chegar! Desejo que as Assembleias de Deus sejam abundantes no Senhor e
  27. 27. possam dizer: "O que quiseres fazer, faze-o em nós! Deixa-nos desfrutar da tua presença". Womack: O que o senhor tem certeza que ocorrerá neste avivamento? Trask: O mundo terá uma grande fome de Deus, e haverá um enorme desejo de buscar ao Senhor em cada um dos membros da igreja. E o resultado será o evangelismo e a salvação de muitas pessoas. Jesus disse: "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim" (Jo 12 32). Muitos milagres acontecerão, porque esta batalha pertence totalmente ao Espírito Santo. Você pode até não ser tão eficiente, mas o Espírito pelejará e realizará verdadeiros milagres. Haverá muitas curas e aonde quer que você for verá a unidade com a vontade de Deus e a certeza de que enfim estaremos habitando nos lugares celestiais. E o mais importante: quando o avivamento acontecer, todas as atenções estarão voltadas para a pessoa de Jesus Cristo. O despertamento no espírito do homem é provocado por fome e desejo de Deus. Se você deseja a Jesus, quererá estar sempre na Casa de Deus. E, se ir à igreja não fazia parte da sua rotina, passará a fazer. Esta é a razão pela qual as igrejas estão tendo grande dificuldade em atender às pessoas aos domingos. Mas quando Deus está operando, não precisamos nos preocupar se elas virão ou não à igreja. Estarão lá, porque hão de querer estar! No avivamento, o doce frescor da presença de Deus envolve toda a atmosfera da igreja. Womack: Quando falamos em retornar ao passado, não estamos falando em retornar à formação das Assembleias de Deus de 1914, estamos? O que o senhor quer dizer com retornar ao que é "velho"? Trask: Quero dizer que precisamos voltar à Igreja Primitiva! Acredito que, se as Assembleias de Deus observarem o modelo da Igreja Primitiva, encontrarão a chave. A Igreja Primitiva possuía os melhores ingredientes. Eu pastoreava uma igreja onde algumas pessoas costumavam vir a mim dizendo: "Irmão Trask, será que não deveríamos nos desligar de nossa denominação?" Então eu lhes respondia com o que as Escrituras dizem a respeito da Igreja Primitiva: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações" (At 2:42). Esses são os ingredientes indispensáveis à igreja local, para que ela venha a se tornar um corpo saudável de cristãos. Se esses ingredientes estiverem na igreja, creio
  28. 28. que não precisamos sair dela. Mas se a Palavra de Deus não está sendo ensinada, então estamos com um grande problema de sobrevivência espiritual. Agora, se as pessoas desejam sair da igreja para sobreviver, não é problema de Deus trancar a porta, mas da igreja, que precisa viver em comunhão constante com o Senhor Jesus Cristo. A Igreja Primitiva é o modelo que deve ser seguido pelas Assembleias de Deus. Womack: O avivamento depende exclusivamente de um mover condicionado a tempos e épocas, ou Deus está sempre pronto para atuar, esperando apenas por uma sinalização nossa neste sentido? Trask: Fiquei muito feliz com esta pergunta, porque creio que este é um ponto fundamental. Acredito que há um equilíbrio neste ponto. Em primeiro lugar, é o Espírito Santo quem nos ajuda a reconhecer nossas necessidades e a nos aproximarmos de Deus! Ele disse: "Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Limpai as mãos, pecadores; e vós de duplo ânimo, purificai o coração" (Tg 4.8). A palavra de Deus é acionada ao mesmo tempo que Deus usa homens para chamar o povo para Ele. Da mesma forma, uma liderança que foi levantada por Deus e trabalha sob o seu comando estará sempre se preocupando em levar as ovelhas a um avivamento. É responsabilidade da liderança estar atenta ao Cabeça da igreja, porque Cristo está sempre pronto a revelar-se a ela. Sendo assim, há tempos de grandes avivamentos e operações sobrenaturais do mover de Deus; mas é preciso haver constante oração e busca pelos avivamentos. Não acredito que de tempos em tempos devamos ser movidos por avivamentos. A igreja pode e deve viver em espírito de avivamento! Womack: Existem coisas nas Assembleias de Deus que precisam mudar antes que o avivamento ocorra? Trask: Uma coisa que Deus requer é a santidade, nada poderá substituí-la. Sempre fomos reconhecidos como uma igreja santa, e clamo ao Senhor para que jamais percamos esta identidade. Deveríamos desejar sempre tal vida com Deus porque, afinal, sem santidade ninguém verá o Senhor! (Hb 12.14). E uma de minhas preocupações está em que permaneçamos como um povo santo. Porém há um ponto: santidade não pode ser ensinada, ela deve nascer de dentro para fora, como fruto de um relacionamento íntimo com Deus. Se quero me aproximar de Deus, afasto-me do mundo, não participo de suas atividades nem me misturo com ele. Começo então a
  29. 29. dirigir minha vida de tal forma, que todas as minhas atitudes busquem agradar a Deus e produzir santidade — que significa um estilo de vida que agrada a Deus. Penso que isto sim deveria ser ensinado, praticado e vivido como testemunho na igreja . Observei em meus pais que tudo o quanto pregavam no púlpito também viviam do lado de fora da igreja. Suas vidas não eram uma contradição. Da mesma forma que eles, o que prego é exatamente o que vivo! Diferente de hoje, quando vemos pessoas ensinando coisas no domingo e agindo diferente na segunda-feira. Você não pode andar com o Senhor no domingo e correr atrás do diabo o resto da semana! Womack: Algumas pessoas têm dito que o verdadeiro avivamento precisa criar raízes, ou logo se deteriorará em campanhas promocionais sem efeito algum. E, ainda, avivamentos na Bíblia começam sempre nas lideranças. O que o senhor pode dizer sobre isso? Trask: Esteja certo de que Deus levanta os líderes. Posso apontar-lhe vários líderes bem "estabelecidos" que dizem: "Irmão Trask, reconhecemos que Deus está falando conosco sobre a necessidade de um avivamento". Então creio que as duas coisas estão acontecendo: lideranças nacionais e internacionais estão se mobilizando, e o Espírito está testificando em nossos corações que o movimento vem do Senhor. Womack: Se as lideranças são essenciais em um avivamento, o que costumam dizer sobre a responsabilidade de nossos pastores? Trask: Estão completamente apavoradas. Afinal, o pastor, sendo o líder, deve pastorear as ovelhas, assumindo a responsabilidade de guiá-las à água, a fim de tratá-las para Deus. Não podemos esquecer que o rebanho nunca será mais espiritual que o pastor. Womack: Irmão Trask, obrigado pelo favor que o senhor prestou aos nossos leitores. Tenho certeza de que, a partir de agora, muitos estarão orando com o senhor pelo avivamento. Em nossa próxima entrevista, aremos sobre o papel do arrependimento no avivamento.
  30. 30. 3 Chamada ao Arrependimento Poucos dias após nossa primeira entrevista, estive novamente no escritório do superintendente geral, localizado no terceiro andar do edifício central das Assembleias de Deus nos Estados Unidos. Do lado de fora da sala e lá embaixo no salão central, estavam outros oficiais e ministros da igreja. Na sala de conferências, com sua enorme mesa de reuniões, bem à minha frente, sentou-se o pastor Thomas E. Trask. Liguei meu gravador e continuei minha entrevista exatamente do ponto em que paramos da última vez. David A. Womack: O senhor falou sobre a assustadora responsabilidade dos pastores. De quem é a responsabilidade do avivamento? Thomas E. Trask: Como na Bíblia, acredito que a responsabilidade pelo avivamento é de toda a igreja, mas também dos líderes. Quando Deus levantava homens, eles se tornavam porta-vozes do Senhor a fim de chamar todo o povo ao arrependimento. Os líderes devem ditar o ritmo e o tom do avivamento. womack: Quando o avivamento começar, o que o senhor acha que acontecerá com as nossas igrejas? Trask: Em primeiro lugar, a presença de Deus será tão gloriosa Os cultos que os não-salvos compreenderão sua posição e serão convencidos do pecado. Esta convicção também virá para os cristãos que estiverem falhando. Quando o avivamento acontecer, seremos mais sensíveis ao pecado, à nossa tarefa como cristãos e à nossa omissão — não que pequemos deliberadamente, mas reconheceremos nossas falhas. Nos tornaremos cuidadosos em nossa vida devocional para não negligenciarmos
  31. 31. a leitura da Palavra de Deus e nos dedicarmos mais à oração. Estaremos atentos ao que fazemos de errado. Quando o avivamento vier, nossa sensibilidade estará mais aguçada para ouvir a voz do Espírito Santo, que nos ensinará a cuidar de nossas prioridades e assumir novas responsabilidades. Isto é avivamento: o total controle e domínio do Espírito Santo em nossas vidas e corações. A leitura e estudo da Palavra, devocionais diários, oração, altar familiar e igreja tornam-se prioridade para nós. Tais procedimentos nos levam a um estilo de vida que é agradável a Deus. Womack: O senhor costuma pregar em diversas igrejas. Quais as principais características de uma igreja restaurada? Trask: Existe uma presença de vida. Um dos fatores mais importantes do Evangelho está no fato de que temos tido vitalidade e vida abundante. E não estou falando simplesmente de lindos corais que cantam com alegria, mas de uma atmosfera regida pelo poder de Jesus Cristo. Quando os não- salvos vêm à igreja, eles sentem muito calor humano e o amor abundante de Jesus Cristo. A vida que há na presença de Cristo afeta o louvor, a oração, as ofertas, a ministração da Palavra de Deus, a bênção apostólica e as intercessões. E com a vitalidade vem a fé! E fé é vida! Há uma expectativa e antecipação, uma plena e maravilhosa convicção de que alguma coisa vai acontecer a cada culto. Jesus disse: "Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mt 18.20). Quando uma comunidade tem a certeza de que a presença de Jesus está ali, todos ficam na expectativa de que algo acontecerá. Milagres, coisas sobrenaturais, situações extraordinárias, tudo o que ocorre é comandado por Deus, e não por homens. Observe que às vezes podemos planejar os cultos de nossa igreja e deixar Deus de fora. Precisamos programá-los, mas primeiramente é necessário nos abrirmos para Deus. Muitas vezes, chamo as pessoas para que venham receber a oração durante o louvor, porque sentimos no ar a palpável presença de Deus naquele momento. Womack: O senhor sempre dá muita ênfase à necessidade do altar e tem dito que a ministração no altar tem sido esquecida na maioria de nossas igrejas. O que gostaria de dizer sobre isso?
  32. 32. Trask: No Antigo Testamento, o altar era o principal lugar do Tabernáculo. Acredito que hoje o altar deva ser também o lugar central na igreja e, na verdade, o principal em nossas vidas e lares. Cresci num lar onde um altar de adoração ao Senhor era erguido todos os dias. Costumo orar todos os dias pela manhã, com meu filho, que tem um ótimo desempenho nos estudos, antes de ele ir para escola. É assim que as pessoas conhecem ao Senhor. Este é o projeto de Deus. Acredito que o altar seja o lugar principal nas igrejas pentecostais, pois nele Deus se encontra com as pessoas e a obra do Espírito Santo é realizada. Então, se dá o clímax de tudo que Deus tem preparado nos nossos corações para realizar a sua obra. O altar dará a vitória que Deus deseja realizar. Sou um forte defensor do altar na casa de Deus. Nas igrejas onde os pastores o enfatizam, seu aconselhamento e cuidado é mais eficiente, porque o Espírito Santo pode realizar mais na vida de todos. E assim, na maioria das vezes, são convertidos ao Senhor tanto a natureza quanto o caráter e o espírito. Quando é realizado o trabalho do Espírito Santo, muitos problemas são resolvidos. Womack: Os pastores devem ter o altar como o principal objetivo a ser alcançado? Trask: Sim. O evangelista Kenneth Schmidt, que foi participante da nossa comunhão, homem muito usado por Deus, me disse: "Nunca inicio um culto sem que antes faça planos para o altar e o que desejo em ver ali realizado durante o culto. Se não acontecer saberei que falhei nalgum ponto."Jamais me esqueci disso, e hoje sei a diferença entre que eu espero e o que Deus deseja realizar. Womack: Curas, libertações, falar em outras línguas e manifestações dos dons do Espírito Santo: todos estes são elementos indispensáveis a um avivamento pentecostal? Trask: Sinceramente, não creio que se possa ter um avivamento verdadeiro sem a presença desses fenomenos! Afinal, representam evidências claras da presença do Espírito Santo. "E estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome expulsarão os demonios; falarão novas línguas" (Mc 16.17). Se você crê na Palavra, verá essas manifestações. Alguns querem os sinais
  33. 33. sem ao menos crer em Deus ou viver com fé, quando o exigido é exatamente o contrário! Você crê para depois ver os sinais. Não haverá um real avivamento do Espírito Santo sem todas estas evidências. O nosso Deus é sobrenatural; um Deus de milagres. Womack: Em alguns cultos pentecostais, esses sinais não são levados a extremos? Trask: É exatamente neste ponto que entra a responsabilidade dos nossos líderes. Creio que Deus sempre dá aos seus líderes senso e percepção suficientes para que percebam o que é equilibrado e o que não é — se são manifestações do Espírito ou da carne. É responsabilidade das lideranças estabelecer os limites. Sempre gosto de dizer que o rio do Espírito Santo tem suas margens! As lideranças devem saber manter a direção e a sabedoria de Deus para que as correntes fluam na igreja dentro dos limites propostos. A Palavra de Deus estabeleceu os nossos limites. Nunca somos direcionados ou impulsionados a dizer: "Olhe, eu não sei se isso é de Deus". Pelo contrário, a Bíblia diz: "O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito..." (Rm 8.16). Womack: Mas temos toda uma nova geração de pregadores e seminaristas que nunca aprenderam como exercitar esse controle ou dominar espiritualmente as atuações do Espírito... Trask: Bem, este é um fator interno crítico dentro do Evangelho. É necessário que desempenhemos este papel a fim de que nossos jovens líderes entendam que esse controle pode ser exercido sem repressão. Temo pelo que tem acontecido hoje, pois penso que temos adotado um caminho "mais seguro", não permitindo as muitas manifestações espirituais Entretanto, fazendo assim, temos privado a igreja da edificação que elas proporcionam. Em 1 Coríntios 14, lemos que as manifestações do Espírito Santo existem para a edificação do corpo de Cristo. Creio que, quando Deus projetou e concedeu os dons à igreja, o fez para que fossem utilizados. Se isso não for permitido, como poderá o corpo de Cristo ser edificado? Além disso, são essas práticas que diferenciam as igrejas pentecostais das demais evangélicas. Cremos nas manifestações dos dons do Espírito Se as igrejas pentecostais não permitirem a manifestação dos dons, então pergunto se somos realmente pentecostais.
  34. 34. Womack: Tenho ouvido dizer que o Pentecoste tem um preço. Para que haja avivamento, deve existir primeiro arrependimento? Trask: Sim, e vou lhe dizer por quê, Porque é bíblico! No livro de Apocalipse, lemos que o Espírito fala às sete igrejas, que hoje representam as nossas igrejas. Repetidas vezes lemos: "Arrepende-te!" Sempre utilizamos estas palavras para pessoas não-salvas, mas aqui o Espírito está falando às igrejas, dizendo que todos nós devemos nos arrepender, por sermos propensos ao fracasso e a olhar para as pequenas coisas. Precisamos deixar o velho homem. O arrependimento nos leva de volta à comunhão e ao arrependimento. Precisamos dizer ao Senhor: "Perdoa-nos por nossa frieza, indiferença e falta de cuidado". João escreveu: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça" (1 Jo 1.9). Isto é arrependimento: abandonar os pecados da carne, os pecados do espírito, de omissão e intromissão. Arrependimento é um processo de purificação. O olho é um instrumento maravilhoso. No momento em que um pouquinho de sujeira penetra no olho, logo surge um rio de lágrimas causado pela irritação. E que fazemos logo? Lavamos o olho e retiramos a impureza. A Palavra diz que o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado. Por viver no mundo contaminado, vim a ser contaminado, e por isso necessito que meu espírito, alma e corpo sejam limpos, Só Jesus Cristo pode fazer isso. Então reconheço a minha necessidade e digo: "Senhor, eu me arrependo; perdoa-me". Womack: Há diferença entre o arrependimento individual e o arrependimento coletivo? Trask: Creio que o arrependimento deve começar dentro de cada um de nós. Agora, como igreja — o coletivo — precisamos pedir a Deus perdão por nossa dependência dos sucessos do passado. Temos nos tornado orgulhosos de nossas próprias realizações — sucessos que só aconteceram porque Deus nos abençoou. Deus não divide sua glória com ninguém. Se há uma coisa que Deus não suporta é o orgulho. Como comunidade, precisamos ter o cuidado de nunca tomar o crédito de algo que Deus tenha feito... ou está fazendo. Precisamos nos arrepender dizendo: "Deus, temos errado como denominação, como comunidade, como Assembleia de Deus; temos sido orgulhosos, auto-suficientes e arrogantes. Perdoa-nos, Senhor!"
  35. 35. Womack: Como podemos convencer cristãos adormecidos e negligentes da necessidade de arrependimento? Trask: Bem, em primeiro lugar precisamos voltar a pregar a Palavra de Deus. Posso martelar verdades nas pessoas sem realizar nada, mas posso pregar a Palavra de Deus ungida com o Espírito Santo, e ela se tornará um verdadeiro martelo. Tenho por convicção, que precisamos voltar à Palavra. A ministração de uma Palavra pentecostal não pode ser concretizada em vinte minutos, no sermão de domingo. Este é um dos grandes perigos que tenho detectado nas Assembleias de Deus: reservamos 45 minutos para a adoração e apenas 15 para a Palavra! Deveríamos ter 15 minutos para a adoração e 45 para a Palavra. Afinal, a fé vem pela Palavra: "De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus" (Rm 10.17). A fé vem por obra do Espírito Santo através da Palavra de Deus. E, quanto mais estudo a Palavra, mais ela se torna viva dentro de mim. Então devemos deixar o Espírito operar através da Palavra, porque se tudo o que realizarmos for baseado em emoções, quando nosso povo atravessar momentos de verdadeiras crises não terá nenhum fundamento, nem onde se segurar. Mas quando a Palavra de Deus é objeto de equilíbrio, temos uma igreja madura. Esse é o nosso desafio. Womack: Quando encorajamos as pessoas à confissão e ao arrependimento, não estaremos abrindo uma porta às péssimas lembranças e maus pensamentos? Trask: Não me preocupo com as lembranças negativas, porque se há um extremo de um lado, do outro também há. Elas são boas para fazermos avaliações e buscarmos o equilíbrio e a moderação. Só precisamos tomar o cuidado de não permitir que o ceticismo venha invadir a fé e matar de vez o que Deus está tentando fazer. Womack: A concepção bíblica de um arrependimento com saco, pó e cinza traria consigo a ideia de que fomos liberados, ou melhor, libertos das coisas materiais que nos aprisionam diante de um avivamento? Trask: Não creio que exista algo errado com a igreja que possui bens materiais. As bênçãos materiais e espirituais vêm do Senhor. Quando os bens materiais possuem a igreja, aí sim ela está com grandes problemas! No entanto, devo admitir que para algumas pessoas isso é muito difícil.
  36. 36. Quando começam a adquirir muitas bênçãos materiais, perdem a noção de prioridade nas coisas concernentes ao Reino de Deus. E o mesmo pode acontecer com a igreja. Os cristãos devem compreender que tanto a mordomia de determinadas coisas quanto a posse de outras nos são dadas pelo Senhor; não são nossas, apenas estão sob nossa responsabilidade. Womack: Se conseguirmos obter nas Assembleias de Deus uma resposta em larga escala a esta chamada ao arrependimento, o que acontecerá em seguida? Trask: Logo após o arrependimento, virá uma grande fome e um intenso desejo pela presença de Deus. Observe que as promessas de Deus estão condicionadas: "E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus Pecados, e sararei a sua terra" (2 Cr 7.14). Todas as promessas de Deus dependem da nossa humilhação e busca pelo Senhor, das nossas ações e do arrependimento pelos nossos maus caminhos. Se fizermos todas estas coisas,"... então eu...", diz o Senhor. Se verdadeiramente atentarmos para o processo de santificação produzido pelo arrependimento, realmente poderemos esperar algo de Deus em nossas vidas. Mas é preciso entender bem: arrependimento implica em estilo de vida, e não apenas em um pedido de perdão por causa da consciência pesada; porque é como tenho dito: o mundo todo está contaminado pelo pecado, e nos tornamos impuros pelo simples fato de estarmos em contato com ele! Mas a partir do momento que caminhamos em direção ao Senhor, o nosso espírito começa a se abrir para as coisas de Deus, estudamos sua palavra e contemplamos a sua face, começamos a ter a mão de Deus atuando sobre a nossa vida. Womack: Algumas das bases do Movimento Pentecostal foram firmadas por A. B. Simpsom e o Movimento da Santidade. Ainda fazemos parte daquele movimento? Trask: Nós somos o próprio movimento! Porque sem santidade ninguém verá o Senhor! Hoje creio piamente que a santidade e o crescimento nela estão diretamente ligados à comunhão com Deus. Meu relacionamento com o Senhor Jesus Cristo é determinado pelo meu modelo de vida. Somos uma igreja solidamente firmada no estilo de vida cristão, no trabalhar e viver para Cristo. E por isso, em Atos 1.8, Jesus diz: "Mas recebereis a virtude do
  37. 37. Espírito Santo, que há de vir sobre vós, e ser-me-eis testemunhas..." Somos testemunhas de Cristo! Devemos viver abundantemente como Ele viveu — em santidade. E, quanto mais unidos a Ele, mais representaremos sua vida. Não teremos mais aquele terrível problema de não poder fazer isso ou aquilo. Teremos ultrapassado todos os limites e, falando muito francamente, através dos anos temos perdido gerações inteiras porque fomos muito "certinhos" em nossos dogmas e com as nossas proibições. A cada dia que passa, aumenta a minha certeza de que o "não pode" será substituído pelo nosso "não queremos". Não iremos mais desejar fazer nada que desagrade ao Senhor. Não é mais uma questão de não poder. Não pecarei mais porque tenho comunhão com o Senhor Jesus Cristo. O avivamento produzirá um povo santo. Womack: Tenho ouvido que cremos em duas coisas: santificação progressiva e santificação instantânea, ou seja, somos purificados no momento da conversão. Mas precisamos aprender a viver uma vida cristã. Será que algumas vezes temos exigido muito dos novos-convertidos? Trask: Há alguns anos, era obrigatório o velho cartão de membro. Ele significava que se você fizesse "isso" ou "aquilo", poderia ser um membro das Assembleias de Deus. Na verdade, teorizávamos a santidade. Havia pessoas que desejavam fazer parte de nossa igreja, mas ainda não tinham um relacionamento forte com o Senhor para tanto. Deus ainda precisava modificar sua natureza e seu caráter. Deixe-me dar um exemplo: o cigarro. Um homem foi salvo pelo Senhor Jesus e deseja profundamente mudar a sua vida e deixar o hábito de fumar; mas ainda que tente com todas as suas forças, o vício é tão forte quanto ele, e por isso sozinho não consegue deixar o cigarro. E o que fazemos? Puxamos do bolso um lindo cartão de membro e o colocamos bem debaixo do seu nariz logo após ele ter sido salvo, dizendo:" Se você quer ser um membro da Assembleia de Deus, tem de parar de fumar!" Uma terrível responsabilidade. Precisamos entender que Deus, e não a igreja, liberta as pessoas! E — a parte maravilhosa — é o Espírito Santo quem produz as convicções sem que precisemos sair por aí dizendo o que o crente pode ou não fazer. Porque quando o Espírito Santo produz as convicções, os cristão começam a viver pelo Espírito Santo. E o resultado final é um mesmo padrão para toda a igreja.
  38. 38. Womack: E não há muitas coisas que as pessoas que nasceram de novo, os cristãos espirituais, não podem fazer? Trask: Ao contrário, há muitas coisas que elas podem fazer! Deixe-me dar um exemplo: eu não creio que uma pessoa nascida de novo e repleta do Espírito Santo queira olhar pornografia. Essa pessoa não esta agradando ao Senhor, porque a pornografia é um fruto da carne produzido pela lascívia. Há alguns anos, não estava tão em evidência nem era tão viável como hoje. Raramente enfrentávamos o problema da pornografia; pois na verdade não a relacionávamos entre as nossas prioridades. Se tivéssemos agido assim e atacado o problema, então teríamos quebrado com antecedência as estratégias e invenções do inimigo. Falhamos em não estabelecer prioridades para fazer a obra do Espírito Santo. Sim, haverá claras evidências de uma santa separação na igreja avivada. Quando as pessoas tiverem um verdadeiro encontro com Jesus e começarem a ter uma nova vida nEle, você ouvirá que elas se afastaram de determinadas coisas — não porque a igreja as proibiu, mas porque não desejam fazê-lo. Womack: Não é verdade também que, quando o avivamento chegar, muitas das coisas que parecem não ser erradas podem tornar-se verdadeiros problemas? Trask: Olhamos para as coisas não com os nossos olhos carnais, mas com os do Espírito Santo. Esta é uma grande e maravilhosa verdade, porque quando Deus remover as limitações, começaremos a enxergar através da ótica do Espírito e colocaremos nossas prioridades nos locais adequados. É por isso que Tiago, escrevendo sobre a oração, diz: "O homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos" (Tg 1.8). E acrescenta: "Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites" (Tg 4.3). Isto significa que podemos orar dentro da vontade de Deus ou para que ela seja consumada em nós. Isso também é uma grande verdade para o estilo de vida de uma pessoa. Quando experimentamos um avivamento em nosso espírito, atendermos às prioridades estabelecidas por Deus, e não pela igreja, o que implicará na transformação de nossas vidas. Womack: O que o senhor diria a um pastor que deseja um grande avivamento em sua igreja?
  39. 39. Trask: O avivamento não acontece sem oração, por isso a primeira coisa que lhe diria era que estabelecesse um ministério de intercessão atuante na igreja. Há muitos tipos de ministérios de intercessão, porém quando o assunto é especificamente o avivamento, precisamos começar do zero, com orações específicas por ele. Realmente encorajaria o pastor a levar seu rebanho à oração e também a estabelecer dias específicos para a prática do jejum. Sou um forte defensor do jejum. As igrejas de hoje não têm usado este benefício como no passado, porque estamos sempre mais propensos aos deleites e desejos da carne. No entanto, há na Palavra uma forte admoestação ao jejum. Jejuar, orar e esperar em Deus — já não somos tão bons nisso como antes. Estamos mentalmetne tão acostumados com os fast- foods, que às vezes desejamos que Deus leve os pratos embora! Ou que sejamos tão abençoados, ponto de recebermos tudo de Deus sem que haja necessidade de um esforço maior da nossa parte! Eu encorajaria o pastor a ministrar sobre avivamento, a fim de encontrar respostas para questões importantes sobre o seu significado A maioria das pessoas em nossas igrejas não tem a menor ideia sobre o que estamos falando! Não estou me referindo a encontros de avivamento, mas a um grande e novo despertamento espiritual! Vamos deixar crescer dentro de nós um grande avivamento como resultado do entrosamento do Espírito com a fé e o desejo da presença de Deus. Inclusive, começaria falando ao povo sobre os grandes avivamentos que têm acontecido hoje. Movimentos que geram fome de Deus em nossos corações. Falaria das experiências de grande avivamento em algum país da América do Sul. Recentemente, sentei-me para conversar com o superintendente das Assembleias de Deus em Cuba, que contou-nos como Deus quadruplicou os resultados obtidos na Década da Colheita em seu país, nos primeiros três anos. Movimento? Não, avivamento! Eu disse a ele: "Ore conosco, e os ventos do avivamento soprarão e agitarão as águas, vindo sobre a nossa nação através da América!" As Escrituras admoestam: "Lembra-te pois donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, eu brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres" (Ap 2.5). O Senhor diz: "Lembre-se, arrependa-se, retorne!"
  40. 40. Womack: Dar prioridade à oração e ao clamor não é um propósito superior ao do jejum? Trask: Através do jejum, aprendemos a não manipular o Senhor. Isso deve ser bem entendido. Não devemos manipular Deus com as nossas orações, mas caminhar em direção à sua vontade. Precisamos entender que o jejum é para a nossa disciplina e o nosso bem. O que o Senhor gostaria de dizer àqueles que estão nas lideranças das Assembleias de Deus? Trask: Creio que os líderes devem sempre ser exemplos, impondo a ordem na casa de Deus. E é por isso que Deus coloca pessoas na liderança. O meu primeiro desejo é que possamos ver um soberano mover do Espírito de Deus, a começar por aqui, no edifício central das Assembleias de Deus. E assim acontecendo, que cresçamos através da comunhão. Precisamos urgentemente de um avivamento! Nossa eficácia é medida pelo quanto somos espirituais, e não por quantos recursos, equipamentos, luxo ou sabedoria humana dispomos. Os resultados são apurados de acordo com a capacidade que temos de obedecer e amar ao Senhor. Womack: O que o senhor tem a dizer para os nossos evangelistas? Trask: Quero dizer aos evangelistas: "Amados, vão para suas igrejas com novas revelações de Deus e creiam que Ele vai usá-los no ministério apostólico". Esse é o objetivo dos evangelistas: sacudir as igrejas! Porém não conseguirão fazer nada se continuarem a pregar sempre os mesmos sermões. Cada igreja local é um corpo em particular, com necessidades específicas. Deus sabe como quebrantar os seus rebanhos e sacudi-los. Se você utilizar a mesma fórmula e a mesma receita em todo lugar, seu trabalho será mera repetição. Para uma nova sacudida, a Palavra de Deus precisa ser entregue com revelações recentes, a fim de produzir frescor em nossos corações. Se os evangelistas direcionarem a igreja para orar, crerem que Deus faz e opera milagres, clamarem a Deus por uma fresca e nova mensagem do Espírito Santo para o rebanho, buscando a operação dos dons do Espírito Santo, o avivamento alcançará o seu lugar. Os evangelistas devem ser responsabilizados pelo que foi perdido e orar pelo que se foi.
  41. 41. Há alguns anos, quando eu exercia o meu ministério pastoral, havia em minha igreja evangelistas que queriam sair durante o dia e conduzir pessoas à igreja. Existia responsabilidade e preocupação em seus corações. Os evangelistas precisam deixar que a compaixão de Deus encha os seus corações e suas vidas. Womack: O que o senhor gostaria de dizer aos institutos bíblicos? Trask: dito aos nossos diretores de institutos: "Por favor, ajude-nos a enfatizar entre os alunos que os nossos institutos são pentecostais". Não estou sugerindo que ensinem apenas doutrinas pentecostais; refiro-me à experiência e prática. Nossos professores devem ser verdadeiros modelos de vidas pentecostais! Eu estava ensinando a Palavra em um dos nossos institutos, quando fiz uma pergunta: "Quantos de vocês já participaram de um verdadeiro avivamento — não encontros de avivamento, mas o real e poderoso mover do Espírito Santo?" Era uma classe onde cerca de quarenta estudantes se preparavam para o ministério, e apenas sete levantaram a mão. Você reconhece o que isso significa? Estamos formando ministros que não têm a mínima ideia do que significa um avivamento espiritual! Na verdade, o que faz com que meu coração clame pelo avivamento é exatamente o fato de ter participado de um verdadeiro, quando estava no instituto bíblico. Womack: O senhor tem dito que um avivamento mudou completamente a sua vida no instituto bíblico. O senhor experimentou avivamento em outros lugares? Trask: Experimentamos um verdadeiro avivamento em Vicksburg, Michigan. Pertencíamos a uma pequena comunidade de setecentas pessoas, e nossa igreja possuía apenas vinte membros. Então o superintendente distrital disse: "Quando você chegar lá, então saberá se deve ficar ou correr!" Era um daqueles lugares "difíceis". No entanto, Deus falou aos nossos corações que aquele era o lugar onde deveríamos exercer os nossos ministérios. Começamos então a orar, e direcionamos as pessoas à oração. Deus trouxe um grande mover do Espirito Santo que balançou aquela comunidade, e 250 pessoas foram acrescentadas à igreja! Experimentamos também um verdadeiro avivamento em Viscksburg, Michigan . A igreja, com cerca de 150 membros, tinha acabado de passar
  42. 42. por uma divisão. Todas as pessoas estavam deprimidas e totalmente atordoadas. Então eu disse: "Não estamos aqui para nos preocupar com o que algumas pessoas têm feito; estamos aqui porque cremos em Deus e no mover do seu Espírito Santo". Assisti a um poderoso mover do Espírito e pude contemplar a nuvem da glória do Senhor cobrindo todo o vale de Vicksburg. É muito gratificante ver, semana após semana, durante anos, pessoas sendo salvas, curadas e batizadas no Espírito Santo. Também experimentei um grande avivamento no Brightmoor Tabernacleem, uma de nossas igrejas históricas, em meu último ministério. Eu era o superintendente no distrito de Michigan, e quando surgiu a necessidade lutei com Deus insistentemente para que pudesse ter a certeza se deveria sair e retornar ao meu ministério pastoral. Minha proposta foi a seguinte-. "Vou para Brightmoor Tabernacle; mas só irei se for isto mesmo o que tu queres que eu faça. Só deixo a superintendência se comprovares meu chamado com um avivamento". Eu não estava procurando status. Apenas não estava realmente programado para tal direção. Algumas pessoas acham muito confortável ficar sempre em evidência e mudar de vez em quando, de ministério em ministério, semana após outra. No entanto, nunca veem pessoas sendo salvas ou algo realmente espiritual acontecer! Eu conhecia aquela igreja, ela havia se dividido e decrescido numericamente, estava realmente se destruindo, e eu não queria fazer parte daquilo. Mas Deus assegurou-me que, se eu fosse obediente e submisso à sua voz, nos enviaria um avivamento. E como o Senhor é fiel! Cumpriu sua palavra e enviou-nos a sua glória. A igreja começou a crescer, passou de novecentos membros para 2.200 em poucos anos. Ela se fortaleceu, e diariamente pessoas passaram a ser salvas, batizadas no Espírito Santo e curadas. Isso é maravilhoso! Por isso sei o que Deus é capaz de fazer e posso afirmar que não haverá uma Assembleia de Deus sequer sem avivamento, se o seu pastor, juntamente com todo o povo, confiar e obedecer às admoestações da Palavra de Deus! Esta é a formula certa para o avivamento! Womack: Na verdade, muitos de nós foram levantados com a certeza de que o Espírito do avivamento é altamente essencial para o sucesso de uma igreja genuinamente pentecostal!
  43. 43. Trask: Sim! É nisso que acredito! Creio que o que aconteceu em todas estas igrejas locais deve acontecer também em todas as Assembleias de Deus . Fomos levantados em um grande mover do Espírito Santo, e por termos saído da nossa posição começamos a morrer. Precisamos entender que nossa igreja nasceu de um poderoso mover do Espírito Santo e precisamos permanecer neste mover. Nós mudamos de posição, mas Deus continua sendo o mesmo ontem, hoje e eternamente! Womack: Exatamente como as igrejas onde o senhor já pastoreou, eu rambém tenho visto outras igrejas passando por grande avivamento, como as Assembleias de Deus em Bogotá, na Colômbia, e a Assembleia de Deus de San José, Califórnia. No entanto, o número de igrejas avivadas ainda é muito pequeno. Não estamos precisando de um mover espiritual que abale e envolva a nossa igreja em todos os lugares? Trask: É exatamente isso o que Deus está fazendo e continuará a fazer. Os avivamentos que estão ocorrendo em todo o mundo são evidências plenas do que estou lhe dizendo. O profeta Elias perguntou: "Você está vendo alguma chuva?" E, depois de olhar sete vezes, o seu moço voltou e disse: "Eis que se levanta do mar uma nuvem pequena como a palma da mão de um homem" (1 Rs 18.44). Um grande avivamento está para acontecer sobre toda a Terra... Womack: Pastor Trask, muito obrigado por ter nos falado sobre sua visão de um grande avivamento nas Assembleias de Deus.
  44. 44. 4 O Poder Pentecostal e a Igreja É verdade que as pessoas apenas religiosas, ao invés de cristãos verdadeiros, encontram grande dificuldade em manter um alto nível de intensidade espiritual. Consequentemente — já que o movimento cresce — uma revelação que se inicia com uma chama de glória e não é renovada acaba murchando, até alcançar um nível popular de devoção espiritual tão baixo que, com o passar das gerações, perde-se o senso de maravilha e a singeleza do propósito. Então, como Deus consegue manter a chama pentecostal viva por gerações inteiras? Aqui está o ponto. Precisamos compreender esta solene verdade: a morte e a ressurreição são aspectos de nossa religião. Vejamos uma coisa: os filhos de Israel que murmuraram diante das águas amargas de Mara foram os mesmos que mais tarde experimentaram a glória de Deus no monte Sinai. Os israelitas assustados que fugiram em meio aos perigos na Terra Prometida foram os mesmos guerreiros vitoriosos de olhares brilhantes que atravessaram o Jordão em terra seca e milagrosamente derrotaram Jericó! Nem todos Conseguem entender os caminhos do Senhor, mas em todas as épocas Deus levanta homens que cumprem a sua vontade. Ele mesmo provienciará o avivamento, e todos os que estiverem atentos à voz de Deus alcançarão em seu nome numa nova chama de glória. Coloquemos desta maneira: se o Senhor retardar a sua vinda, então no século XXI teremos um povo que proclamará verdadeiramente o Evangelho. A questão não é se acontecerá ou não o avivamento, mas se faremos parte dele! Deus não está em crise; nós estamos passando por ela - indecisos e sem saber se dedicaremos as nossas vidas ao avivamento
  45. 45. pentecostal ou se voltaremos a agir como pessoas perdidas, andando devagar e envolvidas apenas com compromissos menores. Donald Gee, um dos primeiros escritores e palestrantes pentecostais, disse: "Uma das coisas que tenho visto nos movimentos de avivamento mais modernos é a grande tendência que existe em manter-se a igreja 'feliz'. Os evangelistas modernos sempre querem manter todos sorrindo e cantando, e o tema geral parece ser: 'Todos estão alegres com Jesus?' Eles treinam suas igrejas direitinho, e automaticamente todos respondem: 'Amém!' No entanto, se conheço bem a Palavra, um grande avivamento sempre se inicia por pessoas não conformadas à situação que estão vivendo. Os poderosos avivamentos que ocorreram nos dias de nossos pais costumavam fazer a igreja chorar ao invés de rir! Temo pelo fato de podermos estar vivendo um cristianismo muito superficial". As pessoas costumam cultivar a ideia de que um avivamento corresponde a uma série de encontros entusiásticos. O verdadeiro avivamento, no entanto, deixa uma impressão duradoura em cada indivíduo e também sobre a igreja. Ele não é um mero estado da mente, mas uma qualidade de relacionamento individual com Deus. Em uma das mais claras fórmulas para um avivamento, nas Escrituras, Tiago disse: "Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Limpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações. Senti as vossas misérias, e lamentai, e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo, em tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará" (Tg 4.7-10). Este é um princípio muito simples: se nos submetermos a Deus e resistirmos ao diabo, o Senhor irá se aproximar de nós e o inimigo manterá distância. Por outro lado, se nos rendermos ao diabo e resistirmos a Deus, o inimigo se aproximará de nós e Deus afastará. Sendo assim, o Senhor chamou-nos todos para que deixemos os nossos pecados e o nosso duplo ânimo, lavemos as mãos e purifiquemos os nossos corações. Nosso sorriso deve con-verter-se em pranto e o nosso gozo em tristeza. Devemos nos humilhar. Somente assim Deus nos reavivará. E, quando formos tentados a ceder, assim como os não-crentes, precisaremos nos lembrar que Tiago
  46. 46. escreveu palavras de grande consolo aos cristãos "irmãos" (Tg 1.2; 2.1; 3.10). Tanto a história quanto a beleza residem nos olhos do observador. Nas páginas seguintes, veremos um sumário da história da igreja pentecostal. Veremos logo a diferença, nos pontos de vista deste sumário, para a maioria dos livros de história da Igreja, porque todos os outros foram escritos sem a vantagem da experiência e perspectiva pentecostais. É assim que os pentecostais veem a história: a igreja perdeu o essencial para manter a agressividade evangelística, e não deixou ainda a sua marca neste século. E essa perda certamente inclui a experiência do batismo no Espírito Santo e o falar em outras línguas. Mas isso não é tudo: o batismo representa um santo retorno às convicções, experiências, práticas e prioridades do Cristianismo do Novo Testamento estabelecido por Jesus e ensinado por seus apóstolos. E a coisa mais importante que pode acontecer com um verdadeiro cristão pentecostal é a manutenção de um profundo sentimento de respeito pelo Cristianismo original vivido pelos primeiros cristãos e que nos foi concedido pelo Novo Testamento. Algumas pessoas dirão que esquecemos de alguma coisa, outras, que fomos longe demais, mas a intenção desta sinopse é mostrar apenas algumas tendências gerais que demonstram a nossa grande necessidade de receber uma unção fresca do Espírito Santo de Deus, a afim de que possamos reviver outra vez. Não estamos questionando aqui a organização da igreja, sua administração, suas programações ou funções sociais; pois sabemos que, em todas as gerações, ela tem se estruturado para influenciar pessoas, atingir seus objetivos e adaptar seus Métodos, a fim de alcançar vidas de sua época e cultura. Questionamos especificamente a espiritualidade da igreja, sua justiça e dedicação ao Senhor e à sua santa Palavra. Nossas Raízes Pentecostais O Movimento Pentecostal não teve o seu início no século XX, mas no dia de Pentecostes — aproximadamente em 30 d.C. — quando 120 cristãos "foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem" (At 2.4). Logo após a primeira convocação ao altar de Deus, três mil pessoas aceitaram a Jesus Cristo como seu Salvador. Pedro disse: "Arrependei-vos,
  47. 47. e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo" (At 2.38). Todos aqueles três mil foram salvos, batizados nas águas e batizados com o Espírito Santo no dia de Pentecostes. Daquele dia em diante a Igreja multiplicou-se, chegando a ultrapassar os limites do Império Romano. No entanto, com o tempo e as novas gerações, surgiram problemas que levaram a Igreja a perder o seu primeiro amor (Ap 2.4). E o que levou a Igreja pós-apostólica a perder sua natureza pentecostal? Consideremos algumas coisas essenciais: em primeiro lugar, a Igreja se dispersou. Levava muito tempo para que um cristão fora da Gálacia lesse a carta do apóstolo Paulo aos gálatas, da mesma maneira que os cristãos da Ásia Menor custaram a conhecer o que o apóstolo escrevera aos romanos. Pouquíssimos cristãos tiveram o privilégio de ler mais que um dos quatro evangelhos e, provavelmente, a maioria sequer teve a oportunidade de conhecer qualquer livro do Novo Testamento. A deterioração da fé foi inevitável, e o Cristianismo se espalhou. Quando o Novo Testamento finalmente foi registrado e tornou-se conhecido, a Igreja estava longe de ser o que era no princípio. Em segundo lugar, o transporte naquela época era muito lento, e a comunicação entre as igrejas, quase impossível. Em consequência, a Igreja acabou adotando linhas diferentes de pensamento. Assim, surgiram diversas igrejas como a Arménia, a Síria, a Ortodoxa Grega, a Católica Romana e outras. A dispersão sem planejamento ou avaliação mais profunda das lideranças da época acabou sendo altamente prejudicial ao corpo de Cristo. A chamada Era das Trevas realmente correspondeu ao nome, pois a Palavra tornou-se inacessível às pessoas comuns, ficando restrita a homens isolados em monastérios e bibliotecas. Apenas em meados do século XV, quando Gutemberg inventou a imprensa, as pessoas passaram a ter livre acesso à Palavra de Deus, podendo estudá-la e conhecê-lo Surgiram os primeiros exemplares em latim. Mais tarde, Lutero traduziu a Bíblia para o alemão, William Tyndale para o inglês e outras traduções surgiram por toda a Europa. O ressurgimento da Palavra gerou uma verdadeira revolução em todo o mundo, conhecida como Reforma Protestante, porque a Igreja daqueles dias tinha unidade e se parecia com a Igreja Primitiva. Depois que
  48. 48. a Bíblia retornou às mãos das pessoas, a Igreja recuperou passo a passo sua identidade bíblica, originalmente cristã. Já na segunda metade do século XIX, as igrejas começaram a enfatizar a necessidade de estabelecer a diferença entre desejar e viver uma vida cristã. A. B. Simpson foi um dos mais importantes e conhecidos líderes dessa época, conhecida como Movimento da Santidade. Alguns historiadores evangélicos incluem nesse movimento Dwight L Moody e Charles G. Finney — e a maioria desses irmãos deixaram as linhas de pensamento que tendiam à teologia liberal, chamada modernismo. Dentro do movimento, o interesse pela obra do Espírito Santo, como acontecia no Novo Testamento, foi crescendo rapidamente. Em um pequeno instituto bíblico em Topeka, Kansas, um grupo de estudantes que não foram para casa no Natal buscaram a Deus em oração, clamando durante dez dias, exatamente como os primeiros cristãos no dia de Pentecostes. Dez dias depois, em meio às comemorações do Ano Novo de 1901, todos foram cheios do Espírito Santo e falaram em outras línguas, como no dia de Pentecostes. Aquela forte explosão de poder espiritual dinâmico não pôde ficar restrita àquele instituto bíblico e logo espalhou-se pela cidade de Kansas e por outras cidades: No início de 1906, na rua Azusa, em Los Angeles, aconteceu um maravilhoso mover do Espírito de Deus que acabou levando ao conhecimento de todo o mundo a existência de um novo movimento P entecostal. A maioria das igrejas pentecostais surgiram do avivamento daquela rua Charles T. Crabtree, assistente geral da Superintendência das Assembléias de Deus dos Estados Unidos, escreveu em seu livro pentecostal priority "Após o primeiro derramamento espiritual em Topeka, kansas o fenomeno pentecostal deu início a uma verdadeira reação em cadeia. A história registra que, nas primeiras décadas do século XX, surgiram poderosos ministérios, milagres e intensa perseguição. Havia unidade e compartilhavam-se os bens. A intercessão e a oração eram constantes, implicando em comunhão. Houve uma repetição da história da Igreja Primitiva registrada no livro de Atos: 'O Senhor acrescentava à igreja aqueles que se haviam de salvar'". A maior parte das religiões de todo o mundo rejeitaram os novos pentecostais e os expulsaram de sua comunhão. Alguns dos cristãos que

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