O Centro - n.º 9 – 2.08.2006

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Versão integral da edição n.º 9 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 2.08.2006.

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Para saber mais sobre a arte e as técnicas de titular na imprensa, assim como sobre a “Intertextualidade”, visite http://www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm (necessita de ter instalado o Java Runtime Environment), e www.youtube.com/discover747

Visite outros sítios de Dinis Manuel Alves em www.mediatico.com.pt , www.slideshare.net/dmpa,
www.youtube.com/mediapolisxxi, www.youtube.com/fotographarte, www.youtube.com/tiremmedestefilme, www.youtube.com/discover747 ,
http://www.youtube.com/camarafixa, , http://videos.sapo.pt/lapisazul/playview/2 e em www.mogulus.com/otalcanal
Ainda: http://www.mediatico.com.pt/diasdecoimbra/ , http://www.mediatico.com.pt/redor/ ,
http://www.mediatico.com.pt/fe/ , http://www.mediatico.com.pt/fitas/ , http://www.mediatico.com.pt/redor2/, http://www.mediatico.com.pt/foto/yr2.htm ,
http://www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm ,
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O Centro - n.º 9 – 2.08.2006

  1. 1. DIRECTOR J O R G E C A S T I L H O OPINIÃO Carlos Carranca Renato Ávila Rui Lucas Santos Cardoso Sertório P. Martins Varela Pècurto PÁG. 16, 20 e 21 | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado ANO I N.º 9 (II série) 2 de Agosto de 2006 € 1 euro (iva incluído) Marinhas de sal Chefe de cozinha de Coimbra contribuiu da Figueira da Foz para êxito da Selecção podem desaparecer PÁG. 14 e 15 Jovem de Coimbra eleita presidente dos Estudantes Democratas Europeus PÁG. 11, 12 e 13 PROFESSOR DA GUARDA CORRE A EUROPA EM AUTO-CARAVANA Mais de 130 mil km em “Pão-de-Forma” para ir alimentando Ana Janine com a Chefe do Governo o espírito alemão, Chanceler Angela Merkl PÁG. 4 e 5 PÁG. 5 DESPORTO ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO ASSINE O “CENTRO” E GANHE OBRA DE ARTE Assinantes Académica: Cães à espera do “Centro” novos de quem com 10% equipamentos os adopte de desconto provocam Os perigos na compra polémica do calor de livros PÁG. 2 e 3 PÁG. 16 e 17 PÁG. 10
  2. 2. 2 2 DE AGOSTO DE 2006 EDITORIAL O “Centro” faz pausa Jorge Castilho jorge.castilho@zmail.pt na “estação pateta” E pronto! Cá estamos chegados a mais dois parágrafos, mas que nesta época são Não para descansar – embora o esforço É a pensar em vós que nos empenhamos um mês de Agosto, que é conotado com promovidos a acontecimentos com honras destes últimos meses o justificasse… – em preencher as nossas páginas com temas aquilo que em inglês se define como “silly de primeira página (nos jornais) ou de aber- mas antes para preparar a reentrada em interessantes, sempre com a preocupação season” – o que, nesta riquíssima língua que turas de noticiários (nas televisões e rádios). Setembro, planeando conteúdos, progra- de evitar o sensacionalismo inconsequente, Camões genialmente soube utilizar, se po- Não é preciso ser adivinho para prever mando iniciativas, tentando dar maior con- apostando antes em divulgar pessoas e ins- derá designar por “estação pateta”. que os espaços noticiosos voltarão a ser sistência a um projecto jornalístico que tituições que, quase sempre de forma dis- Digamos que é aquela época do ano em preenchidos em larga medida, infelizmente, tem enfrentado grandes obstáculos para creta, desenvolvem trabalho muito meritó- que vai para férias quase toda a gente que com as vagas de fogos florestais que este conseguir singrar. E isto porque não em- rio, que bem merece o reconhecimento pú- costuma gerar notícias com que a comuni- ano já deixaram marcas trágicas. barca em cómodos facilitismos, porque blico. cação social alimenta, quotidianamente, os E também não é difícil adivinhar que não se rende aos poderes vigentes, porque Essa continuará a ser a nossa linha edito- seus ávidos consumidores de escândalos. voltaremos a ser massacrados, todos os não faz fretes nem se deixa instrumentali- rial, mesmo sabendo que tal opção não nos Assim, com os políticos a molhar os pés dias, com as declarações, tão vazias de con- zar, porque preza, acima de tudo, a sua li- facilitará a existência, antes a tornará mais nas salsas águas algarvias ou brasileiras, a teúdo como repetitivas, dos senhores trei- berdade e independência, e faz da isenção complexa e atribulada. deleitarem-se em cruzeiros pelo Mediter- nadores do Sporting, do Benfica, do FCP... e pluralismo a cartilha que rege a sua acti- Mas tal não nos desviará do rumo que há râneo ou pelas Caraíbas, ou a adrenalina- Perante esta inelutável realidade, e consi- vidade do dia-a-dia. décadas nos norteia, e que é o de honrar a rem-se em safaris no Quénia, mais não resta derando que a maior parte dos nossos assi- Nesta pausa para retemperar forças e re- confiança que os Leitores em nós deposi- aos jornais, rádios e televisões do que ir des- nantes e leitores fiéis foram levados pela organizar projectos, voltamos a apelar aos tam. cobrindo factos mais ou menos insólitos, onda estival, decidimos nós próprios fazer nossos Leitores para que nos façam chegar que noutra altura não mereceriam sequer uma paragem neste mês de Agosto. sugestões e críticas construtivas. Boas férias e até Setembro! COOPERATIVA CRIADA EM BRAGA Portugueses “vão Sociedade Portuguesa para fora cá dentro” de Autores tem concorrente Um grupo de autores, artistas e produtores ca, que não os autores. O novo organismo, que Portugal é dos Estados-membros da cento) viajam para outro país da União de eventos de Braga fundou uma entidade de tem já uma sede aberta ao serviço dos autores União Europeia (UE) onde mais se gozam Europeia e somente um terço (7,4 por registo de direitos de autor para concorrer com da região e do resto de Portugal, actuará, tam- férias “domésticas”, com praticamente qua- cento) deixa o espaço comunitário. a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), disse bém, com serviços de apoio aos jovens autores tro em cada cinco portugueses a viajarem A preferência por férias domésticas é à Lusa o seu presidente. e artistas, quer no domínio do registo de obras em turismo dentro do país, indica um estu- ainda mais acentuada em quatro Estados- Segundo António Peixoto, a Daicoop - quer no apoio à edição e divulgação. do divulgado em Bruxelas pela Comissão membros, designadamente Grécia (90 por Cooperativa de Direitos de Autor e Imagem - Nos termos legais e com o avanço do pro- Europeia. cento), Espanha (88), França (83) e Polónia iniciou já a actividade, tendo registado a adesão cesso de angariação de associados - que deverão O estudo do gabinete oficial de estatísti- (82), sendo que em termos gerais 60 por de várias dezenas de associados, quer a título in- atingir os 500 em finais de Outubro - a Daicoop cas da UE, Eurostat, sobre “os europeus cento dos cidadãos da União Europeia dividual (músicos, cantores, actores, escritores, vai arrancar com a cobrança de direitos de autor, em férias” revela que Portugal é o quinto gozam férias nos respectivos países. designers, e jornalistas), quer a nível colectivo, mas praticando uma tabela de preços mais mo- país entre os “Vinte e Cinco” onde mais se O estudo elaborado pelo Eurostat, com (grupos rock, pop e folclóricos, bandas de mú- derada do que a da SPA que - acusa - “penaliza privilegia o turismo nacional, com 77,4 por dados relativos a 2004 e 2005, avalia tam- sica, tunas académicas e grupos de teatro). os empresários da cultura e do espectáculo e da cento dos cidadãos a fazerem férias (via- bém os meios de transporte utilizado pelos “Defendemos uma maior aproximação restauração”. gens turísticas com pelo menos quatro noi- turistas europeus, concluindo que o auto- entre quem cobra e gere os direitos de autor e O vice-presidente da SPA, José Jorge Letria tes de estadia) dentro do país. móvel particular é o mais utilizado no con- quem é beneficiário, o autor, em sentido lato”, disse que o organismo “não teme a concorrên- Apenas 22,6 por cento dos portugueses, junto da União Europeia (57,5 por cento), afirmou António Peixoto, frisando que a cia de outras entidades”, já que abarca um uni- ou seja praticamente um em cada cinco, es- sendo o transporte eleito por praticamente Daicoop vai também actuar no domínio dos verso de dezenas de milhares de autores e está colhe o estrangeiro como destino turístico, dois terços dos portugueses (64,6 por chamados direitos conexos, relativos aos intér- presente, através de delegações e corresponden- sendo que, destes, dois terços (15,1 por cento). pretes e outros participantes numa obra artísti- tes, em 300 cidades e vilas de Portugal. Assinantes do “Centro” com 10% de desconto Director: Jorge Castilho (Carteira Profissional n.º 99) na compra de livros Propriedade: Audimprensa No sentido de proporcionar mais alguns to que proporcionamos aos assinantes do ligar para o 239 854 150 para fazer a sua Nif: 501 863 109 benefícios aos assinantes deste jornal, o “Centro” assume especial significado (isto assinatura, ou solicitá-la através do e-mail “Centro” acaba de estabelecer um acordo é, só com o que poupa por um filho fica centro.jornal@gmail.com. Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho com a livraria on line “livrosnet.com” (ver pago o valor anual da assinatura). São apenas 20 euros por uma assinatura rodapé na última página desta edição). Mas este desconto não se cinge aos anual – uma importância que certamente Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 Para além do desconto de 10%, o assi- manuais escolares. Antes abrange todos os recuperará logo na primeira encomenda de Composição e montagem: Audimprensa - nante do “Centro” pode ainda fazer a en- livros e produtos congéneres que estão à livros. Rua da Sofia, 95, 3.º comenda dos livros de forma muito cómo- disposição na livraria on line “livrosnet”. E, para além disso, como ao lado se in- 3000-390 Coimbra - Telefone: 239 854 150 da, sem sair de casa, e nada terá a pagar de Aproveite esta oportunidade, se já é assi- dica, receberá ainda, de forma automática e Fax: 239 854 154 custos de envio dos livros encomendados. nante do “Centro”. completamente gratuita, uma valiosa obra e-mail: centro.jornal@gmail.com Numa altura em que se aproxima o iní- Caso ainda não seja, preencha o boletim de arte de Zé Penicheiro – trabalho original Impressão: CIC - CORAZE cio de um novo ano lectivo, e em que as que publicamos na página seguinte e envie-o simbolizando os seis distritos da Região Oliveira de Azeméis famílias gastam, em média, 200 euros em para a morada que se indica. Centro, especialmente concebido para este Tiragem: 10.000 exemplares material escolar por cada filho, este descon- Se não quiser ter esse trabalho, bastará jornal pelo consagrado artista.
  3. 3. 2 DE AGOSTO DE 2006 NACIONAL 3 CONSTITUÍDOS NO PASSADO DOMINGO EM CÔJA (ARGANIL) Fundação e Centro de Estudos homenageiam Fernando Vale A Fundação Beatriz Vale e o Centro de ponibilizam em património e dinheiro um Estudos e Documentação Fernando Vale valor total de 392.450 euros. foraam constituídos no passado domingo “O meu pai deixou escrito que o seu es- (dia 30 de Julho) em Côja, concelho de Ar- pólio seria aquilo que os filhos quisessem. ganil. O seu principal objectivo é a promo- Pensámos em criar a fundação e demos o ção de acções de carácter cultural, educati- nome da minha mãe porque foi um grande vo científico, social e filantrópico. amparo do meu pai e de todos nós”, expli- A cerimónia decorreu na casa do médico cou Mário Vale. e anti-fascista Fernando Vale, um dos funda- A Fundação e do Centro de Documen- dores do Partido Socialista, de que foi presi- tação vai localizar-se na Quinta do Casal, dente honorário, falecido em 2004, com mais propriedade da família, que será alvo de de cem lúcidos anos (no passado domingo uma intervenção a cargo dos arquitectos passaram 106 anos do seu nascimento). Miguel Pinheiro e Pedro Mendonça. “A fundação tem objectivos fundamen- “Em Setembro vamos tentar apresentar talmente culturais, englobando aspectos ar- a ideia concreta do edifício à Fundação e tísticos, técnicos e científicos. Através do até ao final de 2006 o projecto estará con- centro de documentação penso que no es- cluído e será apresentado”, explicou Miguel pólio que o meu pai legou poderá haver Pinheiro, que não adiantou qualquer prazo algo de importante para os investigadores”, para a conclusão das obras. sublinhou Mário Vale, um dos quatro filhos Dos órgãos sociais da Fundação fazem de Fernando Vale. parte os herdeiros fundadores, Luís Vale, A criação da Fundação e do Centro de Maria Teresa Vale, Fernando Maia Vale e Luís Valle, Mário Valle, Fernando Valle e Teresa Valle, filhos do fundador histórico do Documentação surge como uma homena- Mário Vale, entre personalidades da vida Partido Socialista Fernando Valle, assinam a escritura de criação da Fundação Beatriz gem dos filhos de Fernando Vale, que dis- pública, social, cultura e científica do país. Valle, instituição de homenagem ao médico APENAS 20 EUROS POR UMA ASSINATURA ANUAL! Jornal “CENTRO” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA Assine o jornal “Centro” Poderá também dirigir-nos o seu pedi- do de assinatura através de: telefone 239 854 156 e ganhe valiosa obra de arte fax 239 854 154 ou para o seguinte endereço Nesta campanha de lançamento do jor- nio arquitectónico, de deslumbrantes pai- terá sempre bem informado sobre o que de e-mail: nal “Centro” temos uma aliciante propos- sagens (desde as praias magníficas até às de mais importante vai acontecendo nesta centro.jornal@gmail.com ta para os nossos leitores. serras verdejantes) e, ainda, de gente hos- Região, no País e no Mundo. De facto, basta subscreverem uma assi- pitaleira e trabalhadora. Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, por Para além da obra de arte que desde já lhe natura anual, por apenas 20 euros, para au- Não perca, pois, a oportunidade de rece- APENAS 20 EUROS! oferecemos, estamos a preparar muitas ou- tomaticamente ganharem uma valiosa obra ber já, GRATUITAMENTE, esta magní- Não perca esta campanha promocional, tras regalias para os nossos assinantes, pelo de arte. fica obra de arte, que está reproduzida na e ASSINE JÁ o “Centro”. que os 20 euros da assinatura serão um ex- Trata-se de um belíssimo trabalho da primeira página, mas que tem dimensões Para tanto, basta cortar e preencher o celente investimento. autoria de Zé Penicheiro, expressamente bem maiores do que aquelas que ali apre- cupão que abaixo publicamos, e enviá-lo, O seu apoio é imprescindível para que o concebido para o jornal “Centro”, com o senta (mais exactamente 50 cm x 34 cm). acompanhado do valor de 20 euros (de “Centro” cresça e se desenvolva, dando cunho bem característico deste artista plás- Para além desta oferta, passará a receber preferência em cheque passado em nome voz a esta Região. tico – um dos mais prestigiados pintores directamente em sua casa (ou no local que de AUDIMPRENSA), para a seguinte portugueses, com reconhecimento mesmo nos indicar), o jornal “Centro”, que o man- morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando representado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, com o Desejo receber uma assinatura do jornal CENTRO (26 edições). seu traço peculiar e a inconfundível utiliza- ção de uma invulgar paleta de cores, criou Para tal envio: cheque vale de correio no valor de 20 euros. uma obra que alia grande qualidade artísti- ca a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para representar a Nome: Região Centro, concebeu uma flor, com- posta pelos seis distritos que integram esta Morada: zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Localidade: Cód. Postal: Telefone: Cada um destes distritos é representado por um elemento (remetendo para respec- Profissão: e-mail: tivo património histórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta forma tão Desejo receber recibo na volta do correio N.º de contribuinte: original, está a desabrochar, simbolizando o crescente desenvolvimento desta Região Assinatura: Centro de Portugal, tão rica de potenciali- dades, de História, de Cultura, de patrimó-
  4. 4. 4 ENTREVISTA 2 DE AGOSTO DE 2006 Mais de 130 mil km em “Pão-de-Forma” PROFESSOR DA GUARDA CORRE A EUROPA EM AUTO-CARAVANA QUE JÁ TEM 37 ANOS Um professor da Guarda há 20 anos que aproveita as férias para viajar pela Europa, sozinho, ao volante de uma emblemática auto-caravana (conhecida por “pão-de-forma”) de que restam raros exemplares, e com o objectivo primordial de visitar museus, conhecer outras terras e outras gentes. Já percorreu com ela mais de 130 mil km, visitando muitas dezenas de Museus e quase todos os países da Europa José António Alves Ambrósio é profes- sor na Guarda, onde ele próprio fez os es- tudos liceais antes de vir para a Univer- sidade de Coimbra, em cuja Faculdade de Letras se licenciou em História (tendo de- pois feito uma pós-graduação em Sala- manca). Para além das coisas da cultura, tem uma outra paixão: os “Volkswagen”. Foi no mais célebre modelo dessa marca alemã (que significa “carro do povo”) que fez a sua primeira grande viagem de turismo cul- tural, em 1986, em busca do que restava da presença portuguesa em Marrocos. E nessa (que se publica aos sábados) dá-me uma in- olina saiu do lugar e a carrinha está à beira co tinha fato-macaco, pois os outros dois incursão pelo Norte de África, o “Carocha” formação preciosa. Outra é-me dada in loco, da estrada a um quilómetro daqui. Tenho senhores estavam de gravata. Três homens (designação dada a esse famoso modelo da nos próprios museus ou equivalentes, que, que lá passar a noite”. “Vamos já a rebocá- a trabalhar durante meia-hora e não paguei marca) rodou mais de 5 mil km sem qualquer em convénio com outros, publicitam expo- -la para aqui”, respondeu prontamente. E um centavo – de forma nenhuma quiseram problema. E ainda no “Carocha” foi depois sições e acontecimentos. Um exemplo: em assim foi. Terminada a operação dei-lhe levar nada. Com uma garrafa cada um foi conhecer toda a Península Ibérica. Uma es- 2005 o Palácio-Residência do Arcebispo uma caixa com seis garrafas de vinho do como se um tesouro os abençoasse. pécie de aperitivo a aguçar o apetite para via- em Vurtzburgo, anunciava uma série de Porto. (Chego a levar meia centena de gar- Sempre que vou para Augsburgo ou gens muito mais longas. importantes exposições na Alemanha. rafas para agradecer gentilezas, como seja Munique deixo-lhes o mesmo presente. Como confessa na entrevista ao jornal Ademais, e ainda antes, enquanto curioso, mudarem-me o óleo na VW-Oslo e não me São amigos de peito e, às vezes, mudo lá “Centro”: esteta, professor de História da Arte, há quererem um centavo. Eu levo o óleo). o óleo. “Sou do signo Sagitário, e os Sagitários gos- objectivos que me proponho desde há Em Münster, da última vez, quando Em Friburgo da Brisgóvia, enquanto es- tam de viagens, quanto mais longe melhor”. muito: há anos visitei Clúnia, em 2005 vinha a sair da Sala do Tratado, a funcioná- perávamos num semáforo para peões, meti Contudo, sublinha que ter de andar a Conques e, dentro de dias, visitarei Mois- ria da recepção, ao ver-me com a minha lei- conversa com uma rapariga com uma bici- pernoitar em hotéis “era uma maçada” e to- sac e a Cartuxa de Dijão, tal qual Munique tura debaixo do braço (um livro de Thomas cleta pela mão. Decidimos ir jantar e eu fi- lhia a liberdade que tanto preza nas viagens. (pela segunda vez), Linderhof, Regens- Moore), insistiu em que, por ser tão incó- quei a saber por que é que o Japão e a Assim, em 1991 decidiu adquirir uma auto- burgo, Dresda e Berlim. modo para mim, devia trazê-lo num saqui- Coreia do Sul tinham uma tal quantidade de caravana em segunda-mão, que lhe servisse nho de plástico. Com tocante carinho deu- crédito mal- parado. A Ute era economista de casa nas suas deambulações. E a escolha RAZÕES DA PREFERÊNCIA -me um. e acabara de fazer um estágio na Coreia e de recaiu sobre uma “Volkswagen Kombi - PELA ALEMANHA Chegado a Kiel às 22,30 , um rapaz, na visitar o Japão. 23”, fabricada em 1969 – um modelo cujo casa dos 20, disse-me: “Todo o património Em Tubinga realço o acolhimento na bi- desenho invulgar levou a que fosse apelida- A Alemanha parece ser o seu país foi destruído durante a 2ª Grande Guerra”. blioteca universitária, na qual precisei de da de “Pão-de-Forma”. Mas passemos a re- preferido. Por quê? Não foi isso que o impediu de me mostrar trabalhar durante um bocado. produzir o essencial da entrevista: Estar em Portugal ou Espanha é igual o que, em seu criterioso entender, eu devia Em Flensburgo, a pegar com a fronteira parar mim, mesmo se a Catalunha, a este ver. Sabem todos como os alemães se dei- danesa, a simpatia do guarda de armazém O que o motiva para empreender todas respeito, é peculiar. Além-Pirinéus, a Ale- tam “com as galinhas”. que me indicou um lugar para estacionar e estas viagens, desde há tantos anos? manha é soberba. Simplesmente soberba! Descia os Alpes da Suábia e o motor d’ dormir. O que a Vida postula para cada um de Apenas alguns exemplos. arranque acoplou ao volante do motor (di- E não me alongo mais. A Alemanha é nós e as possibilidades que nos propicia são Saído da Holanda na direcção de Ham- recção Munique-Estugarda). Parei num re- soberba, porque é hierática. Duas teologias infinitas. Mas são infinitas como resultado burgo, a escassos 60 quilómetros da fron- fúgio à beira da auto-estrada. Escassos mi- em confronto fizeram um país ímpar. do esforço, do optimismo, portanto. Quan- teira, está Haselünne. O acolhimento e a nutos passados chega uma VW – Trans- Talvez também para o nazismo… do se conhece a si próprio, o homem sabe qualidade da área de serviços levaram-me a, porter com uma família. Explicada a situa- que, para ele, não há outro lugar excepto o logo da primeira vez, oferecer uma garrafa ção ao chefe de família, foi-me deixar na Qual o critério para a escolha dos mais alto, a maior exigência. Museus, patri- de vinho do Porto ao proprietário, o senhor VW mais próxima (Kircheim-unter-Teck). museus que visita? mónio, arte, História, conversar com pesso- Josef Brümmer. A minha auto-vivenda fez 36 anos no pas- Desde logo procuro tudo o que à minha as extremamente interessantes, falarmos Isto repete-se sempre e, entretanto, tor- sado Dezembro. Há uma tocante solidarie- área toque. E, como já antes referi, não ape- vários idiomas, sentirmo-nos cosmopoli- námo-nos amigos. Numa ocasião, chegado dade entre os proprietários VW e, junto do nas museus. tas… Isto é o mais alto e uma feliz exigên- sexta- feira à tarde, perguntou-me: “Qual o agente oficial, senti-me absolutamente se- cia no uso do tempo. 30 dias de Agosto não seu programa para o fim-de-semana?”. A guro. Àquele amigo dei uma garrafa de “OS DIRIGENTES DESTE PAÍS podem – para mim, claro – ser usados de minha resposta foi: “Amanhã vou a Porto, claro. Todos os que a recebem ficam SÃO GENTE DEPLORÁVEL” outro modo. Münster ver a Sala do Tratado (onde se as- deliciados. Como decide o que vai visitar? sinou o tratado que pôs fim à Guerra dos Na agência-oficina estavam apenas o Perante o vasto conhecimento que No princípio ia um pouco sem destino. Trinta Anos); domingo vou a Bremen”. Chefe de Serviço de Clientes, outro senhor, tem da Europa, como vê Portugal neste Agora preparo as viagens, embora a pro- Cerca do meio-dia de domingo, ao ver- e um mecânico. Era o fim do dia. conjunto? gramação delas não seja rígida. Leitor do -me sentado a ler, numa mesa corrida, no Descarregada a carrinha do pronto-so- Em toda a Europa que conheço, diário espanhol “El País”, desde há déca- exterior, perguntou-me: “Que é que se corro substituíram o sistema de ignição – e Portugal destaca-se por uma idiossincrasia das, o seu suplemento cultural “Babelia” passa?”. “Um tubo de alimentação de gas- não me levaram um centavo. Só o mecâni- muito forte, única. Mas está condenado a
  5. 5. 2 DE AGOSTO DE 2006 ENTREVISTA 5 para ir alimentando o espírito ser fonte de dissabores para os seus filhos. Igreja é, igualmente, muita fraca; a Im- e, assim, as pessoas nem se situam, nem A sua auto-caravana deve despertar a Os dirigentes deste País são – tradicional e prensa mal apresenta gente em condições. identificam o que os próprios olhos vêem. atenção, pela raridade… actualmente – gente deplorável. É uma Não é lamúria. Tenho muito má impressão Trabalhar para além do sistema, É um facto. Em Portugal, Espanha, pena. Mais: quem tiver o mínimo de desta- da imprensa francesa. identificá-lo na perfeição e ser domina- França, Suécia, as pessoas acham-na muito que será pasto de maledicência. Universi- Aqui em Portugal, o laicismo, a boçalida- do por i n c o e r c í v e l o p t i m i s m o, e i s bonita, ou excepcional. Às vezes pedem-me dade, Liceu, Primária, são debilíssimos, a de e o “vale tudo” imperam, avassaladores, a s o l u ç ã o. para a fotografar. Ana Janine Presidente de Associação JOVEM JURISTA DE COIMBRA ELEITA COM 83% DOS VOTOS que representa 400 mil estudantes Ana Janine, 23 anos, recém-licenciada sável, em 2004/2005, pelo Pelouro de em Direito pela Universidade de Coimbra e Política Educativa Internacional da Direc- dirigente nacional da JSD, foi eleita Pre- ção-Geral da Associação Académica de sidente dos Estudantes Democratas Eu- Coimbra. Fez também parte da tuna femi- ropeus (EDS). nina “Mondeguinas” e do Orfeon Acadé- A eleição realizou-se durante a “Univer- mico de Coimbra. No último ano lectivo sidade de Verão” dos EDS, que decorreu até estudou, ao abrigo do Programa Erasmus, ao passado domingo na zona de Lisboa, com na Universidade de Siena (Itália). a presença de cerca de uma centena de dele- A JSD foi admitida nos EDS em 2001. gados de toda a Europa. Ana Janine recolheu Diogo Freitas do Amaral foi Presidente 83% dos votos expressos. Honorário dos EDS, por nomeação, entre É a primeira vez que um estudante por- 1978 e 1981. Outros dois portugueses de- tuguês assume a presidência da organização, sempenharam funções como Vice- fundada em 1962. Os EDS agrupam estru- Presidentes: António Correia de Oliveira, turas representativas de 34 países europeus, em 1975/76, e Luís Queiró, em 1980/81 e num total superior a 400 mil estudantes. 1981-82. Ana Janine, natural de Coimbra, foi elei- Ana Janine sucede na presidência dos ta presidente depois de três anos como EDS ao alemão Sven Henrik. Vice-Presidente da organização. Nos últi- mos dois anos, dirigiu o órgão oficial dos Informações adicionais: EDS, a revista “Bullseye”. Directora do Gabinete de Relações Site dos EDS: Internacionais da Juventude Social www.edsweb.org Democrata (JSD), a estudante portuguesa Site da Universidade de Verão (EDS): tinha sido eleita Vice-Presidente dos EDS www.summeruniversity2006.eu nas assembleias realizadas na Croácia (2003), Inglaterra (2004) e Bulgária (2005). Contactos: Durante o percurso universitário, e para além das responsabilidades que assumiu 913 463 816 (JSD) nos EDS e na JSD, Ana Janine foi respon- anajanine@mail.telepac.pt
  6. 6. 6 NACIONAL 2 DE AGOSTO DE 2006 Pedro Machado preside à Região de Turismo do Centro Pedro Machado foi eleito na passada reza, saúde e bem-estar, gastronomia e vi- sexta-feira para a presidência da Região de nhos e turismo náutico”, adiantou. Turismo do Centro (RTC), num sufrágio O novo Presidente da RTC salientou em que votaram cerca de 80 por cento dos também o “esforço de harmonização e de- inscritos no caderno eleitoral. senvolvimento do turismo para combater Vice-presidente (PSD) da Câmara de as assimetrias entre o litoral e o interior nos Montemor-o-Velho, Pedro Machado enca- distritos” que integram a RTC. beçava a lista única para a presidência da Licenciado em Filosofia e mestrando em comissão executiva da RTC, que teve 29 Psicologia Educacional, Pedro Machado, 39 votos favoráveis e um negativo, além de três anos, integra a Comissão Política Nacional brancos. do PSD, foi director de campanha de Cavaco Em declarações à agência Lusa, o novo Silva, no distrito de Coimbra, nas últimas Presidente da RTC expressou a sua “home- eleições presidenciais, e chefe de gabinete de nagem e respeito” pelo anterior Presidente José Cesário quando este foi Secretário de do organismo [José Manuel Alves, que fale- Estado da Administração Local. ceu no mês passado] e pela sua equipa. A RTC integra cerca de quatro dezenas Sobre a orientação para os próximos qua- de associados, sendo a maioria Câmaras dos tro anos, Pedro Machado afirmou tencionar distritos de Coimbra, Viseu e Leiria, orga- “cumprir e desenvolver” o projecto da ante- nismos desconcentrados da administração rior equipa, nomeadamente apostando na central, associações e sindicatos, entre ou- promoção do Centro de Portugal a nível ex- tras entidades. terno, em países como a Alemanha, Itália, Da nova Comissão Executiva fazem parte Espanha e Holanda. ainda Luís Vilar, vereador da Câmara de “No plano estratégico nacional para o Coimbra actualmente com o mandato sus- turismo, a região Centro encontra-se bem penso, José Reis, Luís Antunes e José Elísio posicionada, com cinco produtos basilares: (autarcas das Câmaras de Penela, da Lousã e Pedro Machado o turismo natural e de património, de natu- da Figueira da Foz, respectivamente). LANÇADA CAMPANHA DE PREVENÇÃO DEFENDE A CDU DE COIMBRA DA SINISTRALIDADE RODOVIÁRIA Centro de Educação É preciso diminuir Ambiental na Mata a tragédia nas estradas A campanha de prevenção da sinistralidade correcta, numa altura em que muitas famílias de Vale de Canas rodoviária lançada na passada sexta-feira, em resultado de uma parceria Ministério da Admi- vão para férias, com as suas crianças”. Por sua vez, o Presidente da Galp Ener- A CDU de Coimbra defendeu na passada semana a aprovação da candidatura em nistração Interna/Galp Energia, visa a redução gia, José Marques Gonçalves, afirmou que a análise no Instituto da Conservação da Natureza (ICN) para reflorestação e instala- da velocidade nas estradas e tem como “clique empresa patrocinou a campanha no quadro ção de um Centro de Educação Ambiental na Mata de Vale de Canas. emotivo” as crianças. da sua “política de responsabilidade social”, Numa visita à mata, que foi atingida no Verão de 2005 por um violento incêndio, “Todos os anos a velocidade nas estradas com o objectivo de “mitigar a sinistralidade autarcas e dirigentes da CDU alertaram para o facto de estar em causa a candidatu- vitima um avião cheio de crianças. Este ano rodoviária”. ra para a reflorestação e criação do Centro de Educação Ambiental. ajude-nos a evitar uma tragédia. Reduza a velo- “Queremos contribuir para uma redução “Era importantíssimo aproveitar a Mata de Vale de Canas para aqui se fazer edu- cidade”, é esta a mensagem de suporte da cam- significativa até 2010 do número de mortos e cação ambiental, prevenção de incêndios e conhecimento das espécies”, afirmou panha multimédia, que tem um enfoque nas feridos nas estradas portuguesas”, frisou o res- Francisco Queirós, da Comissão Política Concelhia, preocupado com notícias recen- crianças, para “mais facilmente despertar as ponsável, que alertou os condutores para as tes de que o ICN teria desistido do projecto. consciências” para o problema dos acidentes “boas práticas de condução”. Com 16 hectares de extensão, a Mata de Vale de Canas está encostada a Coimbra de viação. Concebida e produzida pela BBDO, em- e recebe anualmente a visita de 5.000 a 6.000 crianças das escolas do concelho, de- O Ministro de Estado e da Administração presa de serviços na área de comunicação, para vido à sua biodiversidade. Interna, António Costa, realçou na conferên- a Galp Energia, a campanha “é forte, chocan- “Não há no país muitas cidades com a nossa dimensão que tenham junto de si cia de imprensa de apresentação da campanha te e não deixará ninguém indiferente” ao manchas florestais com a potencialidade para educação ambiental que tem Vale de que 59 mil pessoas foram vítimas de acidentes drama da sinistralidade rodoviária, segundo Canas”, sublinhou o vereador Gouveia Monteiro, único eleito da CDU na autarquia. de viação em Portugal nos últimos cinco anos, José Marques Gonçalves, que defendeu a ne- A candidatura apresentada ao Programa Operacional do Ambiente representa um sendo que entre 300 e 400 crianças morrem ou cessidade de promover “valores de respeito investimento de 400 mil euros, dos quais 300 mil corresponderiam a financiamento ficam feridas por ano devido à sinistralidade pelo próximo”. comunitário e o restante ao Estado português. rodoviária. A campanha começou já a ser divulgada na O projecto prevê o apetrechamento e ampliação da Casa do Fogo, melhoramen- “Muitas pessoas nesta altura vão partir para televisão, na rádio, em outdoors e nos 800 pos- tos no Centro de Informação, arranjo de caminhos, infra-estruturas, jardim e bene- férias. tos da Galp existentes no país, principalmente ficiação do Centro de Acolhimento de Aves, colocação de painéis informativos e Há que lembrar-lhes a necessidade de cum- nos situados nas vias de maior trânsito. melhoramentos no parque de merendas. prir o Código da Estrada, nomeadamente no A Galp custeou a produção da campa- “Temos de deixar um alerta às instituições de Coimbra para fazerem voz connos- que se refere à velocidade”, referiu o gover- nha com 500 mil euros, enquanto o co para que esta oportunidade seja aproveitada e a candidatura consolidada”, insis- nante, que se regozijou por a campanha ter Ministério da Administração Interna inves- tiu Gouveia Monteiro. sido iniciada agora, em que a circulação auto- te um milhão de euros na divulgação da Aos jornalistas, os dirigentes da CDU adiantaram que será preparada uma moção móvel é mais intensa. mesma, provenientes do Fundo de Ga- para apresentar nos órgãos autárquicos, de modo a que se aumente a força reivindi- Questionado pelos jornalistas sobre a razão rantia Automóvel. cativa de Coimbra em torno da aprovação da candidatura. de a acção incidir sobre as crianças, António Os acidentes de viação em Portugal este Segundo o autarca, é fundamental “transformar Vale de Canas, puxando para Costa explicou: “A campanha tem um clique ano já causaram 436 mortos, 1.870 feridos gra- Coimbra um grande Centro de Educação Ambiental”, que ensine a prevenir o fogo emotivo, que é a questão das crianças vítimas ves e 22.878 feridos ligeiros, num total de na floresta de acidentes de viação. O objectivo é reforçar 25.184 vítimas, segundo os dados mais recen- a atenção dos condutores para uma condução tes da Direcção-Geral de Viação.
  7. 7. 2 DE AGOSTO DE 2006 NACIONAL 7 JOSÉ SÓCRATES NÃO DIZ SE VOLTA AO QUÉNIA… As férias dos políticos A costa alentejana destronou este ano as que habitualmente se muda com a família Pelo Parlamento, os destinos não são cilmente evitará cruzar-se em Agosto com praias algarvias entre os destinos de eleição por esta altura para a casa de Verão, em muito diferentes, com os deputados e líde- o líder parlamentar do CDS-PP, já que para as férias de Verão dos líderes partidá- Odemira, no litoral alentejano. res parlamentares a seguirem o conselho Nuno Melo escolheu também Moledo para rios e parlamentares, com as ilhas e Espa- Este ano, o plano do Presidente demo- publicitário “vá para fora cá dentro”. gozar as suas férias. nha a converterem-se no ‘top’ nos destinos crata-cristão inclui ainda uma volta de carro O Presidente da Assembleia da Repú- No grupo parlamentar do CDS, a maio- mais longínquos. por Portugal e por algumas capitais euro- blica, Jaime Gama, estará de férias durante ria irá a banhos no Algarve, mas o ex-líder Se o Primeiro-Ministro e líder do PS, José peias, que deverá acontecer na primeira todo o mês de Agosto, a maior parte do Paulo Portas preferiu não revelar o seu des- Sócrates, continua a manter secreto o seu desti- quinzena de Agosto. tempo na sua casa de Sesimbra. Mas, de tino de eleição. no de férias - na segunda quinzena de Agosto - Pela costa alentejana já anda o Se- acordo com o seu gabinete, é provável que Pelo PSD, o líder parlamentar Marques , o líder do maior partido da oposição, do PSD, cretário-Geral do PCP, Jerónimo de Sousa, dê ainda “um salto” aos Açores, de onde é Guedes partiu com a família para o Marques Mendes, repetirá a rotina habitual no que se manterá de férias “até meados de originário. Alentejo, o mesmo destino escolhido pelo Verão: férias durante as duas primeiras semanas Agosto”, de acordo com o seu gabinete. Já o líder parlamentar do PS, Alberto Presidente da bancada comunista, de Agosto na sua casa em Vilamoura, Algarve. Um pouco mais longe estará o coorde- Martins, tirará férias também durante o mês Bernardino Soares, para parte das suas fé- No entanto, Mendes será o único líder nador da comissão permanente do Bloco de Agosto, primeiro rumo às praias de rias. partidário a passar férias no Algarve. de Esquerda, Francisco Louçã, que tam- Moledo do Minho e, depois, com destino à No entanto, Bernardino Soares não se fi- Um pouco mais acima vai estar o Pre- bém já se encontra de férias, na ilha Galiza. cará por Portugal e gozará uma parte do pe- sidente do CDS-PP, José Ribeiro e Castro, Graciosa (Açores), onde tem família. O Presidente da bancada socialista difi- ríodo de descanso no sul de Espanha PSP VIGIA A SUA CASA GRATUITAMENTE Alunos portugueses brilharam Vá para férias nas Olimpíadas da Matemática descansado Alunos portugueses arrebataram uma medalha de ouro, duas de prata e várias de bronze nas Olimpíadas de Maio de Matemática - anunciou a Faculdade de Carreira Pereira, de Souto do Meio, arre- bataram medalhas de prata. Os jovens portugueses foram tam- bém distinguidos com oito medalhas de Até ao próximo dia 30 de Setembro a A PSP recomenda também a quem vai Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC). bronze e uma menção honrosa. PSP vigia, de forma gratuita e regularmen- de férias que faça uma lista dos objectos de Segundo uma nota divulgada na pas- Dirigidas a jovens alunos com inte- te, as residências das pessoas que se ausen- valor com os respectivos números de série, sada semana pela FCTUC, este foi “o resse por esta disciplina, as Olimpíadas tam para veranear, no âmbito da utilizando um impresso disponibilizado melhor resultado de sempre” obtido por de Maio são organizadas, desde 2001, “Operação Férias 2006”. pela polícia. Portugal nesta prova, que se realizou em pelo Departamento de Matemática da O objectivo é combater a criminalidade E, lembra a PSP, quem decidir antecipar simultâneo em vários países latinos. FCTUC, com o apoio da Sociedade Por- associada às alterações demográficas verifi- o regresso das férias deve avisar esta força “Pela primeira vez, alunos do nível 1 tuguesa de Matemática. cadas na época balnear, especialmente o policial, para evitar situações constrangedo- (menores de 13 anos) receberam meda- Embora a competição tenha decorri- furto no interior de residências desocupa- ras como algumas que já aconteceram no lhas e, no nível 2 (entre os 13 e os 15 do em Maio deste ano, só agora os resul- das. passado, em que pessoas quase foram pre- anos), o destaque é para a primeira me- tados foram divulgados. Quem pretenda aderir a esta operação sas nas suas próprias casas. dalha de ouro obtida”, lê-se na nota. Os diplomas referentes às medalhas tem de preencher um formulário confiden- A “Operação Férias” é executada desde Além da medalha de ouro, conquista- serão entregues em Novembro, no cial que está disponível nas Unidades 1977, abrangendo desde 1985 todo o terri- da por Miguel Neto Afonso Villa de mesmo departamento da Universidade Policiais, no site da PSP (www.psp.pt) e no tório. Brito, Lisboa, os participantes Sílvia Mo- de Coimbra, no dia da realização das Portal do Cidadão (www.portaldocida- Nos últimos três anos foram vigiadas reira Cavadas, de Paredes, e João Morais Olimpíadas Paulistas de Matemática. dao.pt), indicando o período de ausência. 20.384 residências.
  8. 8. 8 SAÚDE 2 DE AGOSTO DE 2006 Há falta de médicos nos Centros de Saúde? Neste contexto, interessará conhecer a re- QUADRO II sulta normal pelo seu médico de família ou alidade actual dos meios disponíveis no país, Região de Saúde % de utilizadores por outro médico da equipa que o substitua, no sentido de conhecer se há falta de meios Norte 61,2 mas com acesso ao seu processo clínico, ao humanos ou se há organização inadequada. Centro 66,1 contrário do que sucede nos SAP. Pelos dados disponíveis nos sítios da Lisboa e VT 56,1 Concomitantemente, pretende-se com o Internet da Direcção Geral de Saúde Alentejo 64,1 encerramento dos SAP, que a libertação das Santos Cardoso (DGS) e do Instituto de Gestão Financeira Algarve 51,7 horas de trabalho médico nos mesmos per- Administrador hospitalar (IGIF), constata-se que o número de inscri- Continente 60.3 mitam prolongar o tempo de atendimento tos nos Centros de Saúde é superior ao nú- pelas USF e, concomitantemente, a organi- A reestruturação dos Cuidados de Saúde mero de residentes por Região de Saúde e No sistema actual, o número de utentes zação de Unidades Básicas de Urgências Primários (Centros de Saúde) está na ordem no Continente, conforme quadro seguinte: inscritos por médico não deve exceder (UBU) em locais estratégicos, dispondo do dia. A necessidade de reestruturação é bem 1500. Considerando o número de residen- estas de meios complementares de diagnós- patente nos dados obtidos no inquérito recen- tes (inscritos + não inscritos nos Centros tico essenciais. te efectuado pelo Centro de Estudos e In- de Saúde), os números médios de residen- Os custos actuais com remunerações QUADRO I vestigação em Saúde (CEIS) da Faculdade de Região Residentes Inscritos % tes por médico (considerando somente clí- nos SAP (horas extraordinárias, tempo noc- Economia da Universidade de Coimbra, onde Norte 3251,2 3283,5 101 nicos gerais e de medicina geral e familiar) turno e fins de semana) serviriam para ins- se conclui que 67% dos Utentes dos Centros Centro 2399,8 2591,0 108 e por enfermeiro constam no seguinte tituir o pagamento de incentivos aos médi- de Saúde não conseguem marcar uma consul- Lisboa e VT 3456,0 3739,9 108 quadro: cos das USF, segundo sistema de remunera- ta para o próprio dia, o tempo médio de espe- Alentejo 450,8 475,6 106 ções experimental já em vigor nalguns ra por uma consulta é de 27 dias, o tempo Algarve 401,9 444,2 111 Centros de Saúde. médio de demora na sala de espera para além Pelos dados disponíveis e constantes nos QUADRO III Continente 9959,5 10534,2 106 da hora marcada é de 1,16 horas e só 17,8% Região Residentes/ Residentes/ quadros anteriores penso que a prometida /Médico /Enfermeiro conseguem marcar uma consulta pelo telefone. As primeiras consultas em cada ano são re- reforma é possível, criando um sistema de Para além desta realidade, é frequente- gistadas como primeiras consultas, mesmo Continente 1.542 1.430 transporte de doentes adequado para as mente referido pelos meios de comunica- quando estas sejam consultas seguintes às do Reg. Norte 1.584 1.369 consultas urgentes nas UBU, com interco- ção social haver centenas de milhares de ano anterior, o que permite contabilizar o nú- Reg. Centro 1.418 1.418 municação directa entre as USF e os seus portugueses sem médico de família atribuí- mero médio de utilizadores ou inscritos acti- Reg. LVT 1.637 1.697 utentes, possibilidade de marcação de con- do e, por isso, poderia ser aceitável o recur- vos. Acresce, que para obter a renovação de Reg.Alentejo 1.387 887 sultas no próprio dia ou no dia seguinte e a so aos Serviços de Atendimento Perma- receitas (patologias crónicas) os utentes não Reg. Algarve 1.440 1.139 organização de visitas médicas e/ou de en- nente (SAP), atendimentos efectuados pelo passam do balcão administrativo do Centro fermagem domiciliárias. médico que estiver de serviço, o qual, na ge- de Saúde, mas pagam taxas moderadoras e O actual Ministro da Saúde iniciou um Todavia, o encerramento de SAP e de al- neralidade dos casos, não é o médico de fa- contam como consultas normais. Vejamos a processo de criação de Unidades de Saúde gumas extensões de saúde antes da anuncia- mília do utente, este sim conhecedor dos percentagem de utilizadores ou inscritos acti- Familiares (USF), que, sucintamente, podem da reforma dos Centros de Saúde e criação seus antecedentes através das consultas an- vos, (incluindo as designadas consultas para ser referidas por medicina de grupo ou de das UBU é, necessariamente, um contra- teriores e do respectivo processo clínico. renovação de receitas): equipa – o utente deve ser atendido em con- senso. Portugal em 16.º ALERTA DO “MOVIMENTO DOS UTENTES DA SAÚDE” “Quem paga os cuidados no “ranking” europeu da Saúde Portugal ocupa o 16º lugar no ranking que avalia os serviços de saúde dos 25 países da União Europeia (UE), mais a Suíça, no qual so- bressai pelas medidas contra a mortalidade infan- til. De acordo com um relatório elaborado pela continuados?” organização europeia Health Consumer Power- O “Movimento dos Utentes da Saúde” Avelar para pagar a importância de 762,09 nome do utente, são os normais, devendo house, a França é o país com o melhor sistema (MUS) enviou-nos, com o pedido de publi- euros. este efectuar o pagamento e remete-lo à de saúde público dos 26 países avaliados (os 25 cação, um alerta relativo ao pagamento dos A pedido do utente, o MUS levantou a ADSE para a competente comparticipação». da UE, mais a Suíça). cuidados continuados, que se baseia num questão à Administração Regional de Saúde Segundo o MUS, “o desinteresse da Em segundo lugar neste ranking está a Ho- caso concreto que assim relata: do Centro com o objectivo do Serviço ARSC perante este caso é reprovável: des- landa, seguida da Alemanha e da Suécia. Portugal “Em Setembro de 2004 um idoso de (68 Nacional de Saúde proceder ao referido pa- prezo por saber se o utente tem capacidade ocupa o 16º lugar. anos), beneficiário da ADSE, sofreu um gamento, dado o interesse de desocupação económica para adiantar a importância em No relatório, o sistema de saúde público por- acidente de viação tendo sido conduzido ao de camas hospitalares, razão de ser do acor- causa – desprezo pelo facto do utente nem tuguês (Serviço Nacional de Saúde) é interpreta- Hospital Geral dos Covões, onde foi trata- do presumidamente existente entre o SNS e sequer ter sido previamente avisado de que do como “não tão avançado como o espanhol”. do de um traumatismo craniano e fractura o Hospital do Avelar. teria de adiantar o pagamento – mesmo que As medidas implementadas em Portugal con- da coluna. Finda a primeira fase dos trata- Após várias insistências recebemos in- a ADSE viesse a comparticipar o pagamen- tra a mortalidade infantil são salientadas neste re- mentos, a família foi informada de que de- formação da ARS do Centro (ofício nº to, mostra ainda desconhecimento de que a latório, o que para a presidente da Comissão vido a outras prioridades não podia conti- 7929 de 2006-06-02), a qual, embora con- comparticipação, dado não haver conven- Nacional da Saúde da Criança e do Adolescente nuar ali internado, embora carecesse de cui- firmando a existência de acordo entre o ção entre a ADSE e o Hospital do Avelar, (CNSCA) é totalmente justificado. dados hospitalares durante cerca de duas SNS e o Hospital do Avelar, diz o seguinte: muito provavelmente, não deveria ultrapas- Em declarações à Lusa, Maria do Céu semanas, pelo que o doente ia ser transferi- «Conforme informação da Senhora sar 40%”. Machado referiu que este declínio da mortalida- do para o Hospital da Fundação de Nossa Directora do Centro de Saúde de Condeixa, Por isso, o MUS alerta os utentes do de infantil (até um ano de idade) em Portugal tem Senhora da Guia, no Avelar, o que veio a foi emitido boletim de referência solicitando SNS “para eventuais casos semelhantes que sido constante e que se deve às medidas levadas acontecer através de solicitação do Hospital ao Hospital da Fundação Nossa Senhora da podem vir a acontecer com a tão propagan- a cabo desde os anos 80. dos Covões e do Centro de Saúde de Guia do Avelar o internamento… Não deada rede de cuidados continuados que Em 1980, por cada mil crianças que nasciam, Condeixa-a-Nova, onde esteve internado tendo aquele Hospital convenção com a anunciam para breve”. cerca de 24 morriam antes de completar um ano durante dez dias. ADSE, mas apenas com o SNS, os procedi- Mais informações sobre o “MUS” po- de idade. No ano 2000, esse valor situava-se nos Posteriormente, o mesmo utente rece- mentos subsequentes ao internamento, dem ser obtidas em www.mus-portugal.org 5,5 (por cada mil crianças). beu a factura nº 2.832 do Hospital do como é o caso de emissão da factura em ou através do e-mail mus@netvisao.pt.
  9. 9. DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 MUNDO ANIMAL 9 NA ZONA DA FIGUEIRA DA FOZ, SITUAÇÃO INÉDITA NA EUROPA “Baleia-Piloto” bebé sobrevive graças a exemplar tratamento - equipa precisa de apoios para ser bem sucedida Uma “Baleia-Piloto” bebé que deu à costa no Centro de Portugal no fim do passado mês de Agosto está a sobreviver na zona da Figueira da Foz, num caso inédito na Europa, que fica a dever-se ao esforço de uma equipa que a acompanha 24 horas por dia. Mas para além da voluntária e desinteressada dedicação pessoal, esta equipa precisa de auxílio material de amigos dos animais, já que o tratamento tem custos muito elevados. Foi no passado dia 27 de Agosto que ar- rojou à costa portuguesa uma “Baleia- Piloto” bebé, com cerca de 1,70 de compri- mento e que se supõe ter então apenas um mês de idade. Chamaram-lhe “Nazaré”, por ter dado à costa próximo dessa praia. Mas a verdade é que se trata de um mamífero macho e não é baleia, mas golfinho. “Globicephala” é o nome científico desta espécie de golfinho que na idade adul- ta atinge uma imponente envergadura de especialista referiu ao “Centro”, esta espé- – como sublinha o veterinário) para obter a Apesar de ser muito difícil levar essa cerca de 7 metros, razão pela qual é vulgar- cie de golfinho tem um tempo de amamen- mistura mais adequada para alimentar árdua tarefa a bom porto, os membros da mente conhecida como “Baleia-Piloto”. tação de cerca de 20 meses. Por isso, quan- “Nazaré” e tentar que sobrevivesse. E a equipa de recuperação do “Nazaré” têm tra- “Nazaré” terá perdido a mãe por razões do “Nazaré” deu à costa, “foram pondera- verdade é que a fórmula tem dado bons re- balhado afincadamente dia e noite, com um que se desconhecem. Quando tal sucede, a das as graves questões da impossibilidade sultados, a par da assistência médico-veteri- apoio extraordinário dos técnicos de outros morte é, quase sempre, o inevitável desfe- estatística em recuperar um cetáceo bebé”. nária que é feita a “Nazaré” e do acompa- centros de recuperação nacionais e estran- cho. Mas “Nazaré” teve sorte, já que houve O caso foi entregue aos técnicos da nhamento constante, 24 horas por dia. geiros, através de conselhos e sugestões re- quem se apercebesse do seu insólito apare- “Sociedade Portuguesa da Vida Selvagem” De acordo com Salvador Mascarenhas, sultantes da sua experiência acumulada. cimento, tendo promovido imediata ajuda. (SPVS) que resolveram tentar o (quase) im- “decorrido todos estes dias o bebé está no Diversos técnicos de renome internacional Uma ajuda que se mostrou vital, já que, três possível. Assim, lançaram mãos à obra, le- Centro de Recuperação da ‘SPVS’ a recupe- nesta área são unânimes em afirmar que, semanas volvidas, o bebé continua vivo. vando “Nazaré” para um recinto apropria- rar bem, a ganhar peso, a nadar com destre- apesar das graves dificuldades decorrentes Um caso de sobrevivência que se julga do, na zona da Figueira da Foz, e procuran- za e a brincar”. E acrescenta: “Exceptuan- dos parcos meios de que a “SPVS” dispõe, ser único na Europa, como nos referiu o do a melhor fórmula para o “leite” do bebé. do alguns achaques naturais do crescimen- este trabalho tem sido extraordinário. veterinário Salvador Mascarenhas, um dos Essa era uma medida de extrema urgência e to, ele continua a sua caminhada, que resul- Salvador Mascarenhas confessa que ele e abnegados elementos da equipa que tem decisiva, pelo que estabeleceram muitos ta da batalha dia-a-dia, devido à delicadeza os seus colegas da clínica veterinária conseguido este “milagre”. Segundo este contactos (“literalmente com meio mundo” da sua reabilitação”. “Vetcondeixa” sentem muito orgulho por fazer parte da equipa multidisciplinar que tem acompanhado o golfinho bebé, ajudan- do a avaliar as análises sanguíneas regulares, bem como na assistência médica em cola- boração com outros elementos da equipa. Muitas pessoas têm sacrificado o seu tempo para poderem ajudar nos turnos 24/24H junto do “baby Globicephala”. Mas para além dessa preciosa ajuda, é preciso pagar as análises, a alimentação, os filtros, os medicamentos, os equipamentos dispendio- sos e essenciais para a recuperação do bebé, etc, etc, sendo uma conta que não pára de crescer devidos aos parcos apoios financei- ros disponibilizados para a protecção da Natureza. Por isso a “SPVS” necessita de apoio financeiro urgente para poder ajudar o bebé a recuperar e a voltar ao oceano. Por isso aqui deixamos o apelo: Ajudem o golfinho-bebé! Quem quiser dar essa ajuda poderá fazê- -lo contactando a “Sociedade Portuguesa de Vida Selvagem” através do telemóvel número 913 241 188.
  10. 10. 10 MUNDO ANIMAL Calor perigoso 2 DE AGOSTO DE 2006 para animais de estimação O Hospital Veterinário do Porto alertou aponta a prevenção como a melhor forma A respiração ofegante e salivação, o Além das altas temperaturas, o HVP para o perigo dos golpes de calor nos ani- de evitar os golpes de calor. olhar arregalado ou ansioso, a ausência de aponta as praganas existentes na relva e os mais de estimação, apontando os mais jo- “Nunca deixe o seu animal de estimação resposta às ordens do dono, a pele muito químicos usados para embelezar os jardins vens e idosos e os que têm focinho acha- fechado num carro estacionado e mantenha seca e quente, febre alta, batimento cardía- e controlar pestes como os principais peri- tado e excesso de peso como os mais sus- sempre disponível água limpa e fresca”, co acelerado, fadiga e fraqueza muscular ou gos do Verão para os animais. ceptíveis. aconselha. colapso são os principais sinais de que o “As praganas podem causar infecções do- Entre os animais mais predispostos a so- Quando o animal é mantido num canil animal pode ter sofrido um golpe de calor. lorosas e os químicos podem envenenar o frer golpes de calor, o Hospital Veterinário ou num recinto fechado, o HVP recomen- Neste caso, alerta o HVP, o dono deve ten- seu animal”, explica o HVP no comunicado. do Porto (HVP) destaca ainda os que so- da a verificação de que existem ventilação e tar reduzir a temperatura do animal, “imergin- Também perigosa nesta altura do ano é a frem de problemas cardiovasculares e respi- circulação do ar adequadas, enquanto fora do-o gradualmente em água fria ou usando leishmaniose, uma doença potencialmente ratórios e os que possuem já um historial de de casa aconselha a preferência por locais sacos de gelo na cabeça e no pescoço”. fatal transmitida por um mosquito, assim Quem quer ganhar susceptibilidade às altas temperaturas. com sombra e a não realização de exercício Depois o animal de estimação deve ser como as mais frequentes pulgas e carraças Em comunicado, o Hospital Veterinário excessivo nas horas de maior calor. levado ao veterinário. e as mordidas e picadas de outros animais. um grande amigo? CÂMARA DE LISBOA Intercâmbio DÁ EXEMPLO A SEGUIR de animais domésticos Quem tem, ou já teve, cães, sabe que não há amigo mais para contar. Agora é alimentada e acarinhada por al- para evitar mais dedicado, companheiro mais fiel. guém que tenta fazer-lhe esquecer a maldade humana. Quem nunca foi dono de um desses excelentes animais Vamos tentar repetir a história com os outros sobrevi- tem agora oportunidade de confirmar o que se diz acima. ventes. Contamos convosco para ajudar a passar a palavra. abandono De facto, há vários cães à espera de que alguém queira Bem hajam”. adoptá-los. O apelo aqui fica, esperando que encontre eco junto de Entre estes, alguns que vivem bem perto de Coimbra e alguns dos leitores do “Centro”. que estão a precisar urgentemente de alguém que deles Os interessados em adoptar um destes companheiros, tome conta. poderão ligar para o telemóvel 912 454 122. Trata-se de uma situação que há algum tempo foi de- A Câmara Municipal de Lisboa está a levar a cabo uma orig- nunciada por um colaborador do “Centro”, o veterinário Labradores inal campanha de intercâmbio de animais domésticos destinada Salvador Mascarenhas, que tem uma clínica em Condeixa. na zona de Lisboa a evitar que estes sejam abandonados pelos donos no período A verdade é que em Eira Pedrinha, local onde os ani- de férias – como, infelizmente, todos os anos acontece de Norte mais estavam em péssimas condições, ainda hoje ali se en- Mais longe da Região Centro, na zona de Lisboa, há tam- a Sul do País. contram seis ou sete a precisar de quem cuide deles. bém uma ninhada de lindos Labradores, pretos, que serão No âmbito da campanha, foi criada uma bolsa de voluntários O que lhes tem valido é um pequeno grupo de pessoas oferecidos a quem os tratar bem. que tomam conta do animal de estimação de outra pessoa enquan- amigas dos animais, que regularmente lhe levam alimento Quem tiver o desejo de assim conquistar um fiel amigo, to ela se encontra ausente, por motivo de férias ou outros. e água. poderá entrar em contacto com Paulo Alves Costa, através Por outro lado, esses voluntários têm a garantia de que quando De uma dessas pessoas recebemos uma enternecedora do telefone 214 706 200 ou do telemóvel 968 776 532. eles próprios se ausentarem, alguém cuidará do seu animal de esti- imagem acompanhada do texto que a seguir transcreve- mação. Iniciado em 2003, este exemplar programa é desenvolvido mos: pelo Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos da Câmara Municipal de Lisboa e pela Liga Portuguesa dos Direitos dos Animais, contando ainda com a colaboração da “SOS Animal”. Com a adesão da “SOS Animal” à campanha, vão ser criadas “Famílias de Acolhimento Temporário” que aceitam acolher ani- mais durante as férias dos seus donos mesmo sem necessidade de reciprocidade de acolhimento. Ora aqui está um excelente exemplo, que bem poderia ser seguido no resto do País, onde o abandono de animais, especial- mente no Verão, é prática habitual. Embora sempre condenável, este abandono é muitas vezes justificado pelos donos dos animais com o facto de não os poderem levar consigo e não terem alter- nativas, preferindo largá-los na rua, à espera de que alguém os ali- mente, do que deixá-los fechados em casa, condenados a morte certa. Enquanto este exemplo de Lisboa não é posto em prática noutros pontos do País, aqui deixamos os contactos, pois pode haver donos mais escrupulosos que optem por ir deixar os seus “Esta é a Rosinha. Uma cadela sobrevivente do terrível fiéis companheiros para umas férias na capital, em vez de os aban- caso de Eira Pedrinha, Condeixa. Foi abandonada pelo donar à sua sorte na rua. “dono” fora do canil onde ainda se encontram outros cães Quem quiser aderir a esta iniciativa basta telefonar para o que, apesar de tudo, tiveram a sorte de escapar ao pesade- Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos (21 325 35 lo dos seus iguais e ainda não foram levados (e abatidos) 55) ou através do correio electrónico: dhurs@cm-lisboa.pt pela edilidade. As inscrições serão encaminhadas para a Divisão de Higiene e Os cães dentro do canil precisam de quem os alimente Controlo Sanitário deste Departamento que, por sua vez, se artic- e estime. Quem adoptar qualquer um deles, terá um amigo ulará com a Liga Portuguesa dos Direitos do Animal e SOS fiel e reconhecido para a vida. Animal. Se não tivesse sido salva, a Rosinha não teria muito
  11. 11. REPORTAGEM 11 Marinhas de sal 2 DE AGOSTO DE 2006 NA FIGUEIRA DA FOZ AINDA HÁ 5 MIL TONELADAS DO ANO PASSADO POR ESCOAR podem desaparecer Enquanto que no século passado muitas famílias sobreviviam do sal, actualmente, dos quase 2000 marnotos que laboravam na Figueira da Foz, não sobram mais de umas poucas dezenas que vendem o produto do seu trabalho a um preço que consideram insignificante Texto e fotos de José Manuel Simões Convenhamos que quem vende o sal a nove cêntimos o quilograma não tem uma actividade muito rentável. Como, em média, uma marinha com um hectare produz, por época, 100 toneladas, sobra muito sal. Na Figueira da Foz, a safra de 2005 ainda não foi escoada, existindo quase 5000 toneladas acumuladas em armazéns. Os mais pessi- mistas receiam que as marinhas de sal ve- nham a desaparecer e que os marnotos te- nham que se dedicar a outras actividades. Pese embora os esforços que têm sido feitos para salvar esta secular profissão, a verdade é que os marnotos estão a ter difi- culdades em sobreviver. Cada vez são menos os interessados em se dedicar a esta função, como o comprova o facto de, das cerca de três centenas de marinhas que compõem o salgado figueirense, actual- mente só funcionarem 44. E nem a tentati- va de comercializarem outros produtos de- rivados do sal (por exemplo ervas aromáti- É essa concorrência, que os marnotos as pessoas, e está a devorar o nosso, que barracões em madeira enquanto eles dei- cas e sais-de-banho) parece conseguir ame- consideram desleal, que representa um dos não leva nenhuma mistura”, diz, aconse- xam o sal na rua coberto com uns plásticos, nizar a crise do sector. maiores problemas para os produtores de lhando que “o sal de mina seja usado na in- o nosso sal é branquinho e brilhante, pare- Para piorar as coisas, as chuvas que se fi- sal da Figueira da Foz. “É verdade que em dústria e o das salinas na culinária. Digo ce neve, enquanto o deles é amarelado por- zeram sentir em meados o passado mês de países como a França os marnotos estão isto com conhecimento de causa, pois já fui que tem argila”, denuncia. Julho, associadas à falta de vento, provoca- mais desenvolvidos que nós, que continua- a França ver como eles trabalham, pensan- Se a situação não for invertida “a tendên- ram uma quebra na produção relativamente mos muito atrasados. Têm grandes coope- do eu que ia descobrir alguma coisa. Afinal, cia é para a nossa actividade morrer”, consi- ao ano passado. Todavia, o maior problema rativas e estão bem associados”, explica. percebi que tudo o que nós temos é melhor. dera. “Porque o sal está barato e tem cada dos marnotos é o escoamento. Os revende- “Mas o pior é que eles estão envolvidos As nossas salinas estão preparadas com ma- vez menos saída. Antigamente, o sal servia dores preferem o sal industrial francês e com sal de mina, que prejudica gravemente deira, enquanto eles é tudo em terra, temos para conservar o peixe e a carne, era utiliza- turco por ser adquirido a preços bastante do em barcos e navios bacalhoeiros, enquan- inferiores. A reportagem do jornal “Cen- to que hoje é tudo congelado. Com isto, per- tro” comprovou que os armazéns estão deu muito”, afirma, dando a entender que a cheios e os marnotos – gente que se levan- sua salvação “é o que vende a 22 cêntimos ta ainda de madrugada para retirar o sal que para a Serra da Estrela, para fazer queijo”. já está produzido e colocar água nas mari- nhas – estão deveras preocupados. “Isto está a perder-se!” “Zé do sal”: Apesar de ter sido criada a associação de de França à Serra da Estrela produtores figueirense Fozsal, Zé do sal opina: “Não estou a ver muito bem que com Há quase duas décadas que todos conhe- isso a gente chegue lá. É um bocadinho com- cem na Figueira da Foz o marnoto José plicado. Fala-se muito mas para se chegar à Brito Jacinto por “Zé do sal”. Foi um realidade é muito custoso. E, como as coisas amigo que o chamou para esta actividade não começam a andar para a frente as pesso- que “de lá para cá não se desenvolveu as desanimam”, explica, para, de seguida, vol- muito”. Pode ser, acredita, que as coisas ve- tar a denunciar: “Nunca tive o apoio de nin- nham a mudar se as pessoas compreende- guém, nem da associação, nem do Governo. rem “que este nosso sal é totalmente puro, Tudo o que consegui foi à minha custa”. que vem do mar, que não tem nada a ver Antigamente havia o hábito de famílias in- com o sal de mina que faz mal à saúde e teiras trabalharem em conjunto nas salinas. não tem nada de natural”, considera. Continua na página seguinte ››

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