Literatura informativa e jesuitica
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Literatura informativa e jesuitica

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  • 1. Literatura informativaO que é?· É um tipo de literatura composta por documentos a respeito das condições gerais daterra conquistada, as prováveis riquezas, a paisagem física e humana, etc.· Em princípio, a visão européia é idílica: a América surge como o paraíso perdido e osnativos são apresentados sob tintas favoráveis. Porém, na segunda metade do séculoXVI, à medida em que os índios iniciam a guerra contra os invasores, a visão róseatransforma-se e os habitantes da terra são pintados como seres bárbaros e primitivos. OUA Carta de Caminha inaugura o que se convencionou chamar de Literatura Informativasobre o Brasil. Este tipo de literatura, também conhecido como literatura dos viajantesou literatura dos cronistas, como consequência das Grandes Navegações, empenha-seem fazer um levantamento da “terra nova”, de sua floresta e fauna, de seus habitantes ecostumes, que se apresentaram muito diferentes dos europeus. Daí ser uma literaturameramente descritiva e, como tal, sem grande valor literário. A principal característicada carta é a exaltação da terra, resultante do assombro do europeu diante do exotismo eda exuberância de um mundo tropical. Com relação à linguagem, o louvor à terratransparece no uso exagerado de adjetivos.Para o leitor de hoje, a literatura informativa satisfaz a curiosidade a respeito do Brasilnos seus primeiros anos de vida, oferecendo o encanto das narrativas de viagem. Para oshistoriadores, os textos são fontes obrigatórias de pesquisa. Mais adiante, com omovimento modernista, esses textos foram retomados pelos escritores brasileiros, comoOswald de Andrade, como forma de denúncia da exploração a que o país sofrera desdeentão.Principais manifestações: A Carta de Pero Vaz de Caminha:· Descrição minuciosa da nova realidade; -- A simplicidade no narrar osacontecimentos;· A disposição humanista de tentar entender os nativos; -- O ideal salvacionista. Duas viagens ao Brasil, de Hans Staden - Viagem à terra do Brasil, de Jean de Léry:· Relato de viajantes que viveram entre os índios vários meses.· Registro da antropofagia e descrição dos costumes indígenasLiteratura Jesuítica
  • 2. Os impérios ibéricos continham em sua expansão uma profunda ambiguidade. Aoespírito capitalista-mercantil associavam um certo ideal religioso e salvacionista. Poressa razão, dezenas de religiosos acompanhavam as expedições a fim de converter osgentios.Como consequência da Contrarreforma, chegam, em 1549, os primeiros jesuítas aoBrasil. Incumbidos de catequizar os índios e de instalar o ensino público no país,fundaram os primeiros colégios, que foram, durante muito tempo, a única atividadeintelectual existente na colônia.Do ponto de vista estético, os jesuítas foram responsáveis pela melhor produção literáriado Quinhentismo brasileiro. Além da poesia de devoção, cultivaram o teatro de caráterpedagógico, inspirado em passagens bíblicas, e produziram documentos queinformavam aos superiores na Europa o andamento dos trabalhos.O instrumento mais utilizado para atingir os objetivos pretendidos pelos jesuítas(moralizar os costumes dos brancos colonos e catequizar os índios) foi o teatro. Paraisso, os jesuítas chegaram a aprender a língua tupi, utilizando-a como veículo deexpressão. Os índios não eram apenas espectadores das peças teatrais, mas tambématores, dançarinos e cantores.Os principais jesuítas responsáveis pela produção literária da época foram o padreManuel da Nóbrega, o missionário Fernão Cardim e o padre José de Anchieta.José de Anchieta (1534 - 1597) Nascido em 1534 na ilha de tenerife, Canárias, o padre da Companhia de Jesusveio para o Brasil em 1553 e fundou, no ano seguinte, um colégio na região da então cidade de São Paulo. Faleceu na atual cidade de Anchieta, litoral do Espírito Santo, em 1597.Conhecido como o grande piahy ("supremo pajé branco"), Anchieta deixou comolegado a primeira gramática do tupi-guarani, verdadeira cartilha para o ensino da línguados nativos (Arte da gramática da língua mais usada na costa do Brasil). Destacou-setambém por suas poesias e autos, nos quais misturava a moral religiosa católica aoscostumes dos indígenas.Entre as peças de teatro da época, destaca-se o Auto de São Lourenço, escrita pelo padreJosé de Anchieta. Nela, o autor conta em três línguas (tupi, português e espanhol) omartírio de são Lourenço, que preferiu morrer queimado a renunciar a fé cristã.
  • 3. Anchieta intentou conciliar os valores católicos com os símbolos primitivos doshabitantes da terra e com aspectos da nova realidade americana. O sagrado europeuligava-se aos mitos indígenas, sem que isso significasse contradição, pois as ideias quetriunfavam nos espetáculos eram evidentemente as do padre. A liberdade formal dasencenações saltava aos olhos: o teatro anchietano pressupunha o lúdico, o jogocoreográfico, a cor, o som.A obra do padre Anchieta também merece destaque na poesia. Além de poemasdidáticos, com finalidade catequética, também elaborou poemas que apenas revelavamsua necessidade de expressão. Os poemas mais conhecidos de José de Anchieta são:“Do Santíssimo Sacramento” e “A Santa Inês”. Veja, abaixo, um trecho do poema: A Santa Inês Cordeirinha linda, Como folga¹ o povo, Porque vossa vinda Lhe dá lume² novo! Virginal cabeça, Pela fé cortada, Cordeirinha santa, Com vossa chegada De Jesus querida, Vossa santa vida Já ninguém pereça; O Diabo espanta. Vinde mui depressa Ajudar o povo, Por isso vos canta Pois com vossa vinda Com prazer o povo, Lhe dais lume novo. Porque vossa vinda Vós sois cordeirinha Lhe dá lume novo. De Jesus Formoso; Mas o vosso Esposo Nossa culpa escura Fugirá depressa, já vos fez Rainha. Pois vossa cabeça Também padeirinha Vem com luz tão pura. Sois do vosso Povo, pois com vossa vinda, Vossa formosura Lhe dais trigo novo. Honra é do povo, ¹folga: se alegra Porque vossa vinda ²lume: luz Lhe dá lume novo.
  • 4. Esse poema fala do confronto entre o bem e o mal com bastante simplicidade: a chegadade Santa Inês espanta o diabo e, graças a ela, o povo revigora sua fé. A linguagem éclara, as ideias são facilmente compreensíveis e o ritmo faz com que os versos tenhammusicalidade, ajudando o poeta a envolver o ouvinte e a sensibilizá-lo para suamensagem religiosa.