MESTRADO EM SEGURANÇA E HIGIENE NO TRABALHOSTRESS E DESGASTE PROFISSIONAISPSICOSSOCIOLOGIA DO TRABALHOProf. Dr.ª Maria Ode...
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ÍndiceIntrodução.............................................................................................................
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IntroduçãoTodos nós, numa altura ou noutra, da nossa vida, conhecemos a sensação de sermosimpotentes perante uma situação ...
c) Relação entre as características do ambiente do trabalho e do indivíduoRefere-se à percepção/avaliação dos estímulos e ...
Os indivíduos não reagem todos da mesmo modo aos diversos estímulos e o stresspode ter uma conotação positiva ou negativa,...
de perturbações cardíacas decidiram investigar de que forma estas se correlacionavamcom o estilo de vida e a personalidade...
- cultura organizacional, com prioridades que relegam os interessesindividuais para último plano, com ênfase em valores pa...
Consideram-se a este nível os:- agentes químicos;- os agentes físicos, nomeadamente o ruído, o frio, a radiação;- a defici...
- Outros sintomas: alterações respiratórias (asma), tensão e doresmusculares, fragilidade do sistema imunitário, alergias,...
Integra três componentes – a síndroma de exaustão emocional, a despersonalização e aredução do sentido de realização pesso...
As causas do desgaste profissional podem estar relacionadas com:- As mudanças sociais, económicas, tecnológicasExigem do p...
3.2 Avaliação psicológicaApoiam-se em medidas de auto-relato, através de instrumentos diversos, como porexemplo:a) Escalas...
b) Inventários de diagnóstico de stress e de desgaste profissional;O inventário de diagnóstico do desgaste profissional ma...
O M.B.I. seria mais apropriado para os resultados mais precisos, maisdinâmicos.Em resumo, eles medem bem o mesmo fenómeno ...
Na esfera individualNão existe um método exacto para enfrentar o stress tudo depende da pessoa, dasituação e do contexto e...
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A organização do trabalho que permita espaços e momentos de interacção entreelementos de equipas ou unidades de trabalho é...
tipo de stress psico-emocional pode ser desencadeado quer por uma situação real, querpor pura representação mental. E mais...
BibliografiaBorrel, M., Maslo, P. (2000). Stress não é uma fatalidade. Cascais: Editora Pergaminho.Cabral, F., Veiga, R. –...
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ANEXOS23
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Morte do cônjuge 100Divórcio 73Separação 65Prisão 63Morte de um familiar 63Doença ou acidente grave 53Casamento 50Despedim...
Morte de um filho 19.3 Problemas financeiros pouco graves 10.9Morte de um cônjuge 18.7Ruptura de uma relação poucoimportan...
Maslach Burnout Inventory (M.B.I.)Leia atentamente cada uma das afirmações e desenhe uma circunferência em redor dapontuaç...
Inventário:Afirmações Frequência Intensidade1. Sinto-me emocionalmente esgotado(a) com o meutrabalho.0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4...
Tedium Measure (T.E.)Leia atentamente cada um dos adjectivos e atribua a pontuação que julga adequar-semelhor a si:Escala:...
QUAL É O SEU NÍVEL DE STRESS E DESGASTE PROFISSIONAL?Avalie o seu nível de stress e desgaste profissional respondendo às 2...
Nível 3 – Entre 75 a 100 pontosSe o total obtido se encontra neste intervalo de valores você está a necessitar derepensar ...
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Psicossociologia do trabalho trabalho de avaliacao - versao final

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Psicossociologia do trabalho trabalho de avaliacao - versao final

  1. 1. MESTRADO EM SEGURANÇA E HIGIENE NO TRABALHOSTRESS E DESGASTE PROFISSIONAISPSICOSSOCIOLOGIA DO TRABALHOProf. Dr.ª Maria Odete PereiraMagda ReisAntónio AlvesEduardo CaldeiraSetúbalJulho de 2009
  2. 2. 2
  3. 3. ÍndiceIntrodução...................................................................................................................... 51. Stress ........................................................................................................................ 52. Desgaste Profissional............................................................................................ 113. Avaliação do Stress e Desgaste Profissional...................................................... 134. Prevenção do Stress e Desgaste Profissional..................................................... 165. Controle do Stress e Desgaste Profissional........................................................ 18Conclusão.................................................................................................................... 19Bibliografia...................................................................................................................21Anexos .........................................................................................................................233
  4. 4. 4
  5. 5. IntroduçãoTodos nós, numa altura ou noutra, da nossa vida, conhecemos a sensação de sermosimpotentes perante uma situação que nos “ultrapassa”, de estarmos sem forças sob asdiversas pressões que nos assaltam num problema do qual não conseguimos apreenderas dimensões. O responsável por este mal-estar é o stress. Um fenómeno que abrangeindistintamente todas as categorias sociais, todas as idades.O stress tem-se manifestado ao longo dos últimos anos como um autêntico “vírus” queinibe o potencial humano instalado nas organizações e, mais grave, indutor de fortesdisfuncionamentos e elevados riscos para as organizações em geral e, para osindivíduos em particular.Este facto, tem-se tornado tão evidente que em 1993, a Organização Internacional doTrabalho (OIT) classificou o stress como uma epidemia global.O stress é pois, uma área importante no domínio profissional, sendo mais recentementeassumido como um problema de saúde pública.Envolve, directa e indirectamente, custos elevados, não só em termos materiais, mastambém ao nível da qualidade de vida dos profissionais.Ao longo deste trabalho sobre stress profissional e a sua forma mais desestruturante –burnout ou desgaste profissional – serão analisadas as respectivas causas econsequências, as suas manifestações e ainda as formas de proceder à suaidentificação, avaliação, prevenção e protecção.1. Stress1.1 ConceitoAs diferentes perspectivas sobre o conceito de stress organizam-se em torno de 3categorias básicas e definem-no como:a) Condição do ambiente de trabalho, stressor ou conjunto de stressoresConsiste em estímulos ou stressores (físicos, psicológicos oucomportamentais) que agem sobre o indivíduo e o pressionam, assumindo,assim, um papel determinante do seu comportamento.A preocupação central neste domínio consiste na identificação dos factores edas propriedades do ambiente (fontes) que constituem risco para o indivíduo eque podem ser definidas e medidas objectivamente.b) Resposta ou reacção particular a uma ameaça externaEsta reacção é de natureza adaptativa e de consequência de qualquer acção,situação ou acontecimento que coloca exigências suplementares a umapessoa. Inclui alterações fisiológicas, psicológicas, emocionais ecomportamentais.5
  6. 6. c) Relação entre as características do ambiente do trabalho e do indivíduoRefere-se à percepção/avaliação dos estímulos e dos recursos ou estratégiasde enfrentamento que o indivíduo possui para lidar com as exigências que secolocam.1.2 O processo de instalação do stress profissionalAs respostas do indivíduo a situações de pressão acrescida, passam por um conjunto demecanismos e de etapas que se estruturam do seguinte modo:a) Reacção de alarmeConstitui uma fase de cativação dos mecanismos de defesa. Os processospsicofísicos preparam o indivíduo para enfrentar as questões profissionaissuscitadas (“ataque”) ou então para as evitar ou mesmo afastar-se das fontesde incómodo, mal-estar e pressão (“fuga”). É uma resposta à exposição inicialao agente stressor.Sinais característicos desta fase são a preocupação, a ansiedade eirritabilidade persistentes, a insónia, os esquecimentos ocasionais e algumadificuldade de mobilizar a atenção e a concentração.b) Resistência ou adaptaçãoEsta fase é marcada pelo confronto continuado com a fonte de pressão, queexige um esforço prolongado (resistência) ou que conduz a uma progressivahabituação do profissional (adaptação) à situação de trabalho particular,desenvolvendo formas apropriadas para com ela lidar.Enquanto que na fase de adaptação o indivíduo revela-se organizado, na fasede resistência são típicos os comportamentos de absentismo, de atraso para otrabalho, cansaço e fadiga sem razão aparente, oscilação emocional porestados de cinismo, ressentimento, indiferença e auto-censura, e aumentosignificativo de substâncias como tabaco, café e álcool.c) ExaustãoVerifica-se sempre que há colapso dos mecanismos adaptativos e o indivíduoesgotou a sua capacidade de continuar a enfrentar os problemas profissionais,quer pela sua continuidade, quer pelo facto de estar a trabalhar no limite, querainda pela necessidade de se afastar das situações e de restaurar a suaenergia.Indivíduos nesta fase exibem um conjunto de sinais que incluem tristeza oudepressão crónica, fadiga mental e física, doenças e sintomas relacionadoscom o stress – dores de cabeça, de estômago, isolamento social epensamentos auto-penalizantes e destrutivos, que podem levar inclusivamenteao suicídio.6
  7. 7. Os indivíduos não reagem todos da mesmo modo aos diversos estímulos e o stresspode ter uma conotação positiva ou negativa, dependendo dos resultados da acção dosstressores e da medida em que ultrapassam ou não as capacidades de adaptaçãoindividuais.Enquanto o nível de pressão que é exercido sobre o indivíduo gera um estado deestimulação interna que maximiza o desempenho, estamos perante situações de stressfavorável (eustress). Quando essa força exige do indivíduo uma estimulação excessivaque o faz entrar em ruptura com o seu equilíbrio, então estamos perante um estado destress desfavorável (distress) e o desempenho do trabalhador é posto em causa.1.3 A importância da percepção do indivíduo na origem do stressIndependentemente da fonte que origina o stress no indivíduo, é a forma como este apercepciona que está verdadeiramente na origem do stress. Ou seja, o que é fonte destress para um indivíduo poderá não ser para outro.Esta percepção do indivíduo é influenciada por vários factores, entre os quais a suapersonalidade, as suas experiências anteriores ao lidar com situações iguais ousemelhantes, a sua capacidade para resolver a situação percepcionada. A influênciadestes factores determinará se uma determinada fonte é sentida como desafiante oustressante.A experiência anterior (positiva ou negativa), bem como, as capacidades que o sujeitopossui são cruciais para o desenvolvimento da percepção do nível da sua auto-eficácia,perante a potencial fonte de stress, ou seja, quanto maior for a sua percepção de auto-eficácia, menor a tendência para o indivíduo sentir a pressão ou exigência como fonte destress.No que diz respeito à personalidade, existem alguns traços que influenciam a percepçãoda fonte, uma predominância de traços e de neuroticismo ou de afectividade negativasão indutores de percepções de pressões e exigências geradoras de stress. Pelocontrário, a predominância de traços de extroversão, afectividade positiva e abertura anovas experiências dão origem a percepções das pressões e exigências comogeradoras de desafio.Os padrões de comportamento A e B mostram como dois tipos diferentes depersonalidade podem mediar a percepção que se tem das próprias fontes de stress.Pessoas com um padrão de comportamento de tipo A, são mais activas, maisapressadas, encontram-se permanentemente numa corrida contra o tempo, fazendofrequentemente diversas actividades simultaneamente. Por oposição, pessoas cujopadrão de comportamento é o oposto e identificado como sendo do tipo B, sãoaparentemente calmas, relaxadas, tomam o seu tempo no decurso das actividades e, deforma geral, resistem às pressões do meio mantendo usualmente um ritmo pausado etranquilo.Os padrões de comportamento A e B foram encontrados na sequência de estudosdesenvolvidos por cientistas da área da cardiologia que, preocupados com a incidência7
  8. 8. de perturbações cardíacas decidiram investigar de que forma estas se correlacionavamcom o estilo de vida e a personalidade dos seus doentes, tendo sido demonstrado que,efectivamente, os problemas cardíacos eram significativamente mais frequentes naspessoas que apresentavam um padrão de comportamento de tipo A.Naturalmente, ao encontrarem-se dois extremos, há sempre que levar em consideraçãoque existirá um número significativo de pessoas cujo estilo de vida é marcado por umapersonalidade que não se reflecte perfeitamente em nenhum destes padrões decomportamento.Se, perante pressões externas de características semelhantes, estes dois tipos depersonalidades respondem com padrões de comportamentos distintos, evidenciando umdeles uma resposta típica de stress e o outro não, pressupõe-se que a dois estilosopostos de personalidade correspondem diferentes preceptivas que levam num caso umindivíduo a perceber a estimulação externa como uma pressão à qual deverá respondere, no outro caso, não.O locus de controlo que diz respeito à forma como a pessoa acredita que pode controlaro seu comportamento, é também um aspecto crucial na forma como é percepcionada apotencial fonte de stress. Indivíduos com um locus de controlo interno, ou seja, queacreditam que na maioria das vezes podem controlar o próprio comportamento, têmtendência a sentirem-se menos ansiosos perante potenciais fontes de stress, do queindivíduos com um locus de controlo externo, ou seja, que acreditam que na maioria dassituações o seu comportamento é controlado pelo exterior.Todavia, independentemente de existir a mediação da percepção individual, existe umconjunto de condições que são mais causadoras de stress do que outras.1.4 As causas do stress profissionalO stress nas organizações pode surgir, de causas internas (que apenas têm que vercom o indivíduo, enquanto pessoa) ou de causas externas (condições a que o indivíduoestá sujeito). Estas causas, quer internas, quer externas, também podem serdenominadas por fontes de stress.Enumeram-se de seguida, as fontes de stress com origem no trabalho propriamente ditoe fora deste, dado o interface existente, com interferências recíprocas entre as diferentesesferas em que se move o profissional.1.4.1 Organizacionaisa) Factores ligados à estrutura e dinâmica organizacionalTêm em conta os seguintes elementos:- processos comunicacionais centralizados;- adopção de políticas rígidas e segmentadoras;- distanciamento efectivo entre elementos e unidades;8
  9. 9. - cultura organizacional, com prioridades que relegam os interessesindividuais para último plano, com ênfase em valores paternalistas eintimidatórios;- relações e jogos de poder, com base em manipulação, intimidação,associação de interesses com prejuízo de outros.b) Factores ligados ao exercício de funçõesSão um conjunto de características stressoras intimamente ligadas aoconteúdo da actividade propriamente dita, designadamente:- a incerteza e ambiguidade;- a sobrecarga quantitativa e qualitativa de trabalho;- o trabalho rotineiro, monótono ou exigente do ponto de vista físico eintelectual;- a sujeição a riscos e a insegurança no trabalho;- a baixa autonomia e controlo sobre a execução do trabalho.c) Características desadequadas do sistema de recompensasAs noções de justiça organizacional e de gestão das motivações estão muitorelacionadas com a aplicação de um sistema de incentivos, que se revelamconstritores quando:- o feedback sobre o desempenho é insuficiente;- as recompensas atribuídas são desajustadas;- os procedimentos avaliativos não são claros, com prejuízo para o rigor,objectividade e transparência;- a avaliação do supervisor ou chefia é comunicada de modo inapropriado;- a distribuição dos incentivos não é equitativa.d) Natureza desfavorável das relações no espaço laboralContribuem para um clima stressante as ocorrências de:- isolamento, apoio social ausente ou deficiente;- tensão, competitividade exacerbada e conflituosidade com os colegas echefias;- orientação, supervisão e formação deficiente do responsável hierárquico;- assédio moral e sexual;- discriminação e estereotipia em razão da raça, etnia, idade, credo políticoou religioso.e) Deficiente gestão de carreirasContribuem para um clima stressante as ocorrências de:- ausência ou baixas oportunidades de carreira, de enriquecimento ecrescimento profissional;- tendência de estagnação;- insuficiente ou deficiente treino e formação.f) Stressores físicos9
  10. 10. Consideram-se a este nível os:- agentes químicos;- os agentes físicos, nomeadamente o ruído, o frio, a radiação;- a deficiente ergonomia;- as desadequadas condições e instruções de trabalho.1.4.2 Extra – OrganizacionaisNão são negligenciáveis as dificuldades encontradas pelos indivíduos nos planosfamiliar, económico, emocional, legal e/ou de inserção comunitária, para além de outrosque interferem na sua disponibilidade, motivação e capacidade de concretizar no espaçode trabalho.Os próprios sintomas podem ser geradores de novas fontes de stress e, portanto,geradores de stress, dando origem a novos sintomas. Consideremos, por exemplo, umaorganização em que um trabalhador sente que tem uma carga de trabalho excessivadevido à pressão que é exercida sobre ele. Suponhamos que entre os sintomasmanifestados se encontra uma maior irritabilidade, o que leva esse trabalhador aproblemas de relacionamento com os colegas. Estas dificuldades de relacionamentopoderão tornar-se, por si só, numa nova fonte de stress.1.5 As consequências do stress profissionalO estado emocional do stress manifesta-se através de sintomas. Estes sintomaspoderão ser claramente observáveis, como por exemplo, a irritabilidade, ou maisdificilmente observáveis a olho nu como alterações do ritmo cardíaco ou hipertensão.Por outro lado, os sintomas podem manifestar-se de forma imediata perante a presençada fonte, ou poderão surgir mais tarde eventualmente como resultado, não de uma únicafonte específica, mas de um acumular de estados de stress.Os sintomas do stress manifestam-se das seguintes formas:a) Manifestações FisiológicasO stress opera através dos sistemas nervoso e endócrino que controlam eregulam a actividade interna, de modo que as alterações registadas não sãoapenas num órgão individual, mas nos centros de controlo somático.- Sintomas cardiovasculares: constrição dos vasos sanguíneos periféricosque induzem o aumento da pressão sanguínea, elevação dos níveis decolestrol e da actividade cardíaca;- Alterações bioquímicas: alteração dos níveis de epinefrina, norepinefrina edopamina, corticol e ácido úrico;- Sintomas gastrointestinais: desenvolvimento de problemas como a gastritee a úlcera péptica;10
  11. 11. - Outros sintomas: alterações respiratórias (asma), tensão e doresmusculares, fragilidade do sistema imunitário, alergias, desordensendócrinas, eczemas, degeneração e aceleração do processo deenvelhecimento.De entre estas, as respostas somáticas mais frequentemente registadas são asdificuldades cardiovasculares (alterações da pressão arterial, do ritmo cardíaco, entreoutros).b) Manifestações PsicológicasSão múltiplas as respostas ao stress frequentemente encontradas, quecontemplam tanto componentes cognitivos como emocionais.- Reacções cognitivas: fadiga manifesta, dificuldade de coordenação econcentração, dificuldade em memorizar e recordar informação, diminuiçãoda qualidade do processo decisório, baixos sentidos de auto-confiança eauto-estima;- Reacções emocionais: insatisfação com o trabalho e com a vida em geral,ansiedade, sentimentos de impotência e inferioridade, irritação, raiva ehostilidade, depressão e, no limite, exaustão emocional. Violênciadoméstica, divórcios e separações de facto; consumo acentuado debarbitúricos são outros sinais característicos.c) Manifestações Comportamentais- Disrupção no trabalho: baixa de rendimento, acidentes e erros durante odesempenho da actividade;- Agressividade no trabalho: hostilidade, prática de actos contra-produtivoscomo furtar, danificar, difundir boatos e rumores;- Retirada no trabalho: absentismo, turnover, greves e reforma precoce;- Disrupção de outros papéis na vida do profissional: relações de família,amizade e de cidadania; comportamentos compulsivos, alterações dehábitos e estilos de vida, isolamento.Resta referir que a exposição prolongada ao stress pode ter efeitos debilitantes, tanto anível físico e psicológico, como na capacidade profissional do indivíduo.2. Desgaste Profissional2.1 ConceitoO termo burnout ou desgaste profissional foi introduzido em 1974, por Freudenberger.É considerado um processo psicológico gerado pelas pressões no trabalho que sedesenvolve gradualmente e que, por isso, apresenta sinais ou indicadores progressivosque devem ser interpretados e sujeitos a intervenção, dadas as consequênciasnegativas que produzem nos profissionais e no rendimento e qualidade do seu trabalho.11
  12. 12. Integra três componentes – a síndroma de exaustão emocional, a despersonalização e aredução do sentido de realização pessoal:- A exaustão emocional corresponde a um sentimento de cansaço e fadiga que sedesenvolve à medida que a energia se esgota e o profissional se sente no limite;- A despersonalização consiste na diminuição do interesse dos sentimentospositivos e da apreciação dos outros que pode evoluir para o distanciamento,frieza e cinismo;- O baixo sentido de realização pessoal que se manifesta no declínio dossentimentos de auto-eficácia, da avaliação favorável do trabalho executado e doimpacto sobre os outros desenvolvendo o profissional uma auto-estima baseadana inferioridade.2.2 O processo de instalação do desgaste profissionalO desgaste profissional é uma consequência do stress significativo, na duração e naintensidade. Desenvolve-se quando os recursos físicos e psicológicos se esgotam a umritmo que excede a capacidade de recuperação, ficando o indivíduo perante umasituação em que não consegue descompensar nem mobilizar os seus recursos paraenfrentar os problemas sentidos.Pode evoluir faseadamente e de acordo com as etapas indicadas:- O Envolvimento: o compromisso do indivíduo com o trabalho é uma condição pré-requisita para a sua ocorrência, ou seja, este tipo de fenómeno bio-psico-socialverifica-se, sobretudo, naqueles profissionais que se dedicam e investem muitode si próprios na actividade que desenvolvem.- A Estagnação: identifica-se pela diminuição gradual da satisfação, da eficiência epela instalação da fadiga física. O trabalho pode ainda ser realizado em níveisaceitáveis, mas já sem o entusiasmo e satisfação observados no primeiroestádio;- O Desinvestimento: é observável através da realização do esforço mínimo paramanter a sua posição, ao mesmo tempo que se evitam desafios e oportunidadesde desenvolvimento, nesta fase interpretadas como novas pressões e ameaças;- O Momento Crítico: caracterizado pela acentuação dos sintomas físicos ecomportamentais do desgaste e pelo predomínio da dúvida sobre ascapacidades pessoais;- A Intervenção: é uma tentativa de ruptura com o ciclo e de procura de mudanças,que podem passar pela modificação da função, das responsabilidades, oumesmo do local de trabalho.2.3 As causas do desgaste profissional12
  13. 13. As causas do desgaste profissional podem estar relacionadas com:- As mudanças sociais, económicas, tecnológicasExigem do profissional esforços contínuos de ajustamento, de actualização, deacréscimo de rendimento e de apresentação de valor para a unidade de trabalhoque integra;- A natureza da actividadeConstata-se que as actividades que envolvem mais contacto humano directopotenciam a ocorrência de um desgaste físico e psicológico mais acentuado;- O contacto e relacionamento interpessoalA construção do desgaste profissional pode ser um processo de contágio,resultante do relacionamento interpessoal. A incerteza acerca da situação detrabalho predispõe o indivíduo a comparar as suas percepções com as de outrose a ser permeável aos pensamentos, sentimentos e comportamento dos seusreferentes sociais, e que são habitualmente os seus colegas;- Características inerentes ao próprio indivíduoReconhece-se que a probabilidade de instalação deste padrão erosivo éaumentada por variáveis ao nível da personalidade de tipo A (marcada pelainflexibilidade e pelo sentido de urgência), do perfeccionismo, doestabelecimento de expectativas, padrões e idealismos excessivamenteelevados, por vezes, não correspondidos e reconhecidos.2.4 As consequências do desgaste profissionalPara as situações de maior visibilidade, o cansaço emocional é o componente que maisse evidencia.Nestes casos, os profissionais manifestam o desejo de abandonar a sua actividade emuitas vezes concretizam-no.3. Avaliação do Stress e Desgaste ProfissionalA generalidade da avaliação dos fenómenos de stress e desgaste profissionais organiza-se em função de três categorias principais:3.1 Avaliação fisiológicaÉ invulgar o recurso a este tipo de indicadores em contexto profissional, pelo grau deintrusividade que se verifica junto dos avaliados, sendo mais comum identificar a suautilização em processos de pesquisa e investigação.Nessas circunstâncias, recorre-se habitualmente a medidas bioquímicas (ex:corticosteróides e colesterol) e psicofísicas (ex: ritmo cardíaco e pressão sanguínea).13
  14. 14. 3.2 Avaliação psicológicaApoiam-se em medidas de auto-relato, através de instrumentos diversos, como porexemplo:a) Escalas de acontecimentos de vida;Nestas escalas, está listado uma série de “acontecimentos de vida” positivosou negativos, ou seja, as mudanças sociais significativas e as adversidades,com o objectivo de quantificar a influência do stress na manifestação depatologias.Estas listas, conhecidas como “mediadores de adaptação social” sãomeramente indicativas, pois são muitos os elementos que entram em jogo,desde a personalidade ao contexto socio-ambiental e factores psico-emocionais relativos a acontecimentos que intervêm na vida quotidiana, familiare socioprofissional de cada indivíduo.Ficam fora da lista os factores stressantes ligados a situações de guerra ou asituações extremas, susceptíveis de poderem ameaçar a integridade física epsíquica do indivíduo, mas que representam casos-limite e não realidadesquotidianas. Além disso, estas listas compreendem apenas acontecimentos davida adulta, excluindo portanto, aqueles ligados à infância, embora estes nãodeixem de ser determinantes para a formação da personalidade de cadaindivíduo.As duas listas mais conhecidas são a de Holmes e Rahe (ver anexo, figura 1),elaborada em 1967, que contém uma classificação de 43 acontecimentos davida psico-emocional na ordem da sua incidência sobre eventuais patologias, ea de Paykel, reelaborada por Ferreri em 1987 (ver anexo, figura 2), queclassifica 57 acontecimentos.Na primeira a pontuação máxima é 100. A interpretação do questionário prevêque somando 300 ou mais pontos num ano, os estados de stress são elevados.Em relação a um indivíduo normal, tem 80% de «probabilidades»suplementares (ou de «sobre riscos») de desenvolver uma doença séria noprazo de dois anos. Entre 200 e 299, o stress é médio, e o sobre risco dedesenvolver uma doença benigna no prazo de dois anos é de cerca de 50%.Entre 150 e 199, é de cerca de 35%. Abaixo de 150 é ainda mais reduzido.Na segunda lista, a pontuação é atribuída em vintésimos e vai de um máximode 19,3 pontos para o acontecimento considerado mais grave (a morte de umfilho) aos 2,9 pontos de um acontecimento “pouco stressante” como ocasamento desejado de um filho. A soma de 50 ou mais constitui um perigosério.É de salientar, para ambas as listas, o facto de acontecimentos positivos,desejados e felizes, também poderem provocar stress.14
  15. 15. b) Inventários de diagnóstico de stress e de desgaste profissional;O inventário de diagnóstico do desgaste profissional mais conhecido é oMaslach Burnout Inventory (M.B.I.), elaborado em 1980 (ver anexo).Neste inventário, Maslach considerou três componentes: critérios de desgasteemocional, de despersonalização e realização pessoal, com uma série de 22itens, que são validados por métodos estatísticos de análise factorial.O inventário destina-se a uma população de diversos profissionais,reconhecidos como estando expostos, em estudos precedentes ao desgasteprofissional.Os itens revelam uma auto-evolução sobre a forma de expressão desentimentos ou atitudes pessoais no trabalho.O inquirido deve avaliar estes dois itens nas duas dimensões:- uma dimensão de frequência, cotada de 0 a 6 (varia entre nunca a todos osdias);- uma dimensão de intensidade cotada de 1 a 7 (varia entre muito pouco aelevado).Dos três subgrupos que fazem parte da escala:- nove itens (afirmações) são para o desgaste emocional;- cinco itens são para a despersonalização;- oito itens são para a realização pessoal.Um quadro de interpretação dos resultados obtidos pode apresentar níveisbaixo, médio ou no trabalho. Contudo, o síndroma não seria influenciado pelaprocura de “vontade social”. Pelo contrário, ele está correlacionadosignificativamente com:- a intenção de abandonar o trabalho;- a diminuição do contacto com os outros;- o absentismo;- as más relações com a sociedade;- recurso excessivo aos fármacos e ao álcool.A par do M.B.I., outras escalas quantitativas foram propostas com mais oumenos sucesso e sobretudo com metodologias sérias.Frequentemente, elas compõem-se de uma série de itens que exploram não sóo fenómeno propriamente dito, mas também, as suas consequências físicas,pessoais, comportamentais e adaptativas.Outra escala quantitativa muito empregue é a “Tedium Measure”.O “Tedium Mesure” (ver anexo) foi definido por Pines como «um desgastefísico, emocional e mental com a negação de si mesmo, do seu ambienteprofissional e familiar».A escala proposta comporta 21 itens de auto-evolução contendo a frequênciade um sentimento. Um único resultado é obtido por adições e subtracções.A comparação entre o M.B.I. e o “Tedium Mesure” (T.M) efectuada por Stout eWilliams (1983) conclui que o T.M é um instrumento simples de utilizar, fiável eválido.15
  16. 16. O M.B.I. seria mais apropriado para os resultados mais precisos, maisdinâmicos.Em resumo, eles medem bem o mesmo fenómeno mas, de maneira diferente enão são pois intermutáveis.b) QuestionáriosQuestionários desenvolvidos para aferir a percepção das condiçõesorganizacionais, do trabalho e da avaliação das características do próprioprofissional, da análise de incidentes críticos, de entrevistas semi-estruturadase dirigidas e da análise de conteúdos de posições expressas.3.3 Avaliação comportamentalAs medidas de comportamento são tendencialmente objectivas e têm como critérios osníveis de desempenho e rentabilidade, de absentismo e de satisfação de clientesinternos e externos, entre outros.Algumas das questões pertinentes que se colocam a este nível são as seguintes:- O absentismo e o turnover estão associados ao stress?- A performance de indivíduos, de unidades e da organização é comprometidapelos efeitos de stress?- Quais as áreas e ocorrências de maior impacto stressor nos profissionais?- Os profissionais que exibem níveis superiores de stress ausentam-se mais vezesdo trabalho, por motivos de saúde? De baixa moral?- Existem diferenças dos níveis relatadas de stress e desgaste profissional e dosseus indicadores em função da idade? Dos anos de trabalho na empresa? Dacategoria profissional?- Existem alturas específicas no ano em que os indicadores de stress/desgaste sãomais alarmantes?- As diferentes práticas de gestão (p.ex.: sistema de motivação e de gestão derecompensas, gestão do desempenho, política de formação e desenvolvimento)têm impacto no stress dos profissionais?4. Prevenção do Stress e Desgaste ProfissionalO stress profissional é determinado por um número vasto de factores. Por isso, existempara cada nível – indivíduo, grupo, organização - um conjunto de soluções diversas queajudam a enfrentar as distintas fontes de pressão, mobilizando também os recursosnecessários à sua atenuação e controlo.16
  17. 17. Na esfera individualNão existe um método exacto para enfrentar o stress tudo depende da pessoa, dasituação e do contexto em que ocorre. Contudo, é importante aprender a prevenir e areconhecer quando se está a chegar ao limite. Eis algumas sugestões:- Aprender a dizer assertivamente NÃO, quando nos exigem demasiado;- Praticar exercício físico;- Evitar levar trabalho para casa;- Admitir os erros e fracassos e aprender com eles;- Encarar os problemas discutindo-os em vez de fugir deles;- Praticar uma alimentação equilibrada;- Pedir ajuda se necessário: ninguém é um super herói;- Criar ligações intimas (construir uma vida familiar feliz e um circulo de amigos éuma boa forma de evitar o stress);- Rir, tentando encarar as situações indutoras de stress com humor, que ésegundo o ditado popular o melhor remédio;- Diversificar as actividades, criando hobbies e outras actividades de interesse,para além do contexto do trabalho.Na esfera organizacionalNo que concerne, ao bem estar de uma organização, há que ter em conta que umdiagnóstico de stress efectuado num grupo de profissionais pode ajudar a detectarsintomas, descobrindo-se assim as causas, de maneira a que se possam desenvolver,eficaz e eficientemente, estratégias que venham ao encontro de uma solução para acomplexidade deste problema, que é hoje em dia o stress profissional. Assim devepromover-se:- a realização de entrevistas, questionando os indivíduos acerca do seu trabalho;- a discussão informal com os trabalhadores: incentivando a comunicação naempresa e através do diálogo detectar as fontes de stress;- grupos formais de discussão: através de técnicas como o brainstorming (lança-se o stress como tema de discussão e tenta obter-se informações maisdetalhadas sobre esse fenómeno na empresa);- o controlo através de indicadores como: absentismo, atrasos, acidentes detrabalho,... podendo à posteriori fazer-se uma estimativa das consequências dostress;- o controlo através de exames médicos;- a aplicação de questionários: recolhendo dados dos trabalhadores que possam,ou não, induzir às fontes de stress (para que a informação daqui recolhida sejaválida, os dados deverão ser sujeitos a um correcto tratamento).No que concerne ao processo de desgaste profissional, todas as estratégiasapresentadas lhe podem ser adaptadas, e ainda se podem também ter em conta, osseguintes tópicos de intervenção:- diminuição da pressão no trabalho17
  18. 18. - melhorar organização de carreira e formação- melhorar os processos de comunicação- participar no processo de tomada de decisões- recorrer a : apoio social medicina do trabalho apoio e aconselhamento individualTodas as medidas apresentadas podem ajudar a prevenir o stress profissional e oburnout e consequentemente melhorar o bem-estar dos indivíduos/ profissionais e todo ofuncionamento de uma instituição.5. Controle do Stress e Desgaste ProfissionalTécnicas de intervenção de âmbito organizacional para gestão do stress profissional eburnout:- Compromisso da gestão na efectiva redução do stress profissionalTrata-se de um dos passos mais importantes, que é traduzido na motivaçãoefectiva para prosseguir objectivos compatíveis com uma "organizaçãosaudável".- Produção de mudanças na autonomia e controlo dos profissionaisO incremento do controlo e participação dos profissionais no seu local detrabalho, que se pretende que não seja meramente ilusório mas consequente, épossível de concretizar através de reuniões regulares e temáticas, nodesenvolvimento de equipas semi-autónomas (quando a estruturaorganizacional o permite). Aqui também se inclui o doseamento daresponsabilidade dos profissionais, quer na latitude de decisão, quer naquantidade e complexidade de situações a enfrentar autonomamente ou comsuporte.- Elevação do nível de competênciasProgramas de treino baseados em competências, tanto comportamentais(orientação para o cliente e resultados, liderança, resolução de problemas,gestão de equipas de trabalho), como técnicas (informática, multimedia, línguas,técnicas de vendas, técnicas de atendimento ao público), de acordo com aespecificidade do negócio e a realidade cultural da empresa, a avaliaçãointegrada do desempenho, funcional e consequente, e o estabelecimento deplanos de desenvolvimento com formação correspondente: tais técnicashabilitam melhor os profissionais para enfrentarem os desafios que se lhescolocam.- Reforço do apoio social - tanto do supervisor quanto dos colegasA formação das chefias em técnicas de supervisão, de comunicação assertiva,de resolução de conflito e "team building" são alguns requisitos básicos para oexercício deste papel fundamental na coordenação do trabalho na empresa e narentabilização dos talentos dos profissionais.18
  19. 19. A organização do trabalho que permita espaços e momentos de interacção entreelementos de equipas ou unidades de trabalho é outra forma de atenuar oimpacto dos factores de stress e de promover mecanismos de confronto com taiscircunstâncias.- Alterações nas condições, nos instrumentos, utensílios e tecnologia de trabalhoO cumprimento de condições essenciais relativamente ao controlo de agentesfísicos (ruído, calor, frio, radiação), químicos, de manipulação de instrumentos,de realização de trabalho repetitivo e física e psicologicamente exigente.- Criação de segurança no trabalho e de esquemas de desenvolvimento dacarreiraÉ desejável um clima de transparência e frontalidade relativamente às decisõesde afectação, mobilidade e disponibilização de profissionais, no estabelecimentode critérios e nas acções de acordo com esses princípios relativamente àsdecisões de promoção e de evolução na carreira.Torna-se necessário não só assegurar necessidades básicas (como aestabilidade no posto de trabalho), como também corresponder a necessidadessuperiores de identificação com a actividade, de variedade e significado naacção produtiva. Para tanto, a rotatividade, o enriquecimento dos postos detrabalho a par da movimentação na carreira são instrumentos gestionáriospreciosos.- Na organização de turnos de trabalhoA realização de trabalho por turnos tem impacto significativo não só no modo defuncionamento do profissional (ex.: ajustamento do ritmo circassiano e saúde)como também noutras esferas da sua vida, familiar e social. A organização deturnos rotativos deve considerar os ritmos humanos de adaptação utilizarflexibilidade nos esquemas de trabalho.ConclusãoO stress pode ser provocada pela existência de conflitos, de ambiguidades ou ainda deestilos de gestão de conflitos pouco eficientes.Para lá dos efeitos, por vezes devastadores, sobre as pessoas atingidas, o stressprovoca custos extremamente elevados, ligados ao tratamento de que necessita e aoabsentismo que causa no trabalho.Na sua origem estão numerosos factores típicos do modo de vida das sociedadesindustrializadasA reacção aos diversos estímulos varia de indivíduo para indivíduo, podendo o stress teruma conotação positiva ou negativa, dependendo dos resultados da acção dosstressores e da medida em que ultrapassam ou não as capacidades de adaptaçãoindividuais.Quantificar o stress continua a ser muito difícil, já que aquilo que é stress para umdeterminado indivíduo pode não o ser, sempre e do mesmo modo, para outro. O mesmo19
  20. 20. tipo de stress psico-emocional pode ser desencadeado quer por uma situação real, querpor pura representação mental. E mais, o mesmo tipo de factor pode ser suportado demaneira diferente em função da motivação do sujeito num dado momento.A origem do stress não depende tanto da fonte que a origina mas, da forma como esta épercepcionada. O que é fonte de stress para determinada pessoa pode não ser paraoutra. Todavia, independentemente de existir a mediação da percepção individual, existeum conjunto de condições que são mais causadoras de stress do que outras.O stress nas organizações pode surgir de fontes internas (que apenas têm que ver com oindivíduo, enquanto pessoa) ou de fontes externas (condições a que o indivíduo está sujeito).Na vida quotidiana o stress provoca toda uma série de problemas com um impactedirecto sobre a saúde.As fontes, ao serem geradoras de stress, manifestam-se em sintomas fisiológicos,psicológicos e comportamentais.O burnout ou desgaste profissional surge como consequência do stress significativo, naduração e na intensidade. Tal como no processo de instalação do stress profissional,também o desgaste profissional evolui faseadamente e de acordo com determinadasetapas.As causas do desgaste profissional podem estar relacionadas com as mudanças sociais,económicas, tecnológicas, a natureza da actividade, o contacto e relacionamentointerpessoal e as características inerentes ao próprio indivíduo.Estas causas desencadeiam diversas consequências, sendo o cansaço emocional acomponente que mais se evidencia.A identificação dos fenómenos de stress e desgaste profissionais organiza-se em funçãode três categorias principais: as medidas fisiológicas, sendo invulgar o recurso a estetipo de indicadores em contexto profissional; as medidas psicológicas, nas quais seincluem as escalas de acontecimentos de vida, os inventários de diagnóstico de stress ede desgaste profissional e as medidas comportamentais.Os custos individuais e organizacionais inerentes ao stress, bem como, as perdas deeficácia que origina, têm levado as melhores empresas a empreender medidas degestão para diminuírem o stress, incrementando desta forma, o nível de desempenhodos seus funcionários e, consequentemente, os resultados do negócio.O stress nas organizações é um processo contínuo que, caso não seja geridoadequadamente, se auto-alimenta de forma crescente, traduzindo-se num constanteincremento dos custos a ele associados.A gestão do stress nas organizações é, não só imperiosa para maximizar a eficáciaorganizacional, como também, para os gestores conseguirem atrair, reter e desenvolveras pessoas nas suas organizações.Sendo este problema aplicável à realidade portuguesa, é necessário identificá-lo eavaliá-lo, a fim de criar e implementar estratégias preventivas e correctivas adequadas,para eliminar ou controlar estes fenómenos que afectam cada vez mais a nossasociedade.20
  21. 21. BibliografiaBorrel, M., Maslo, P. (2000). Stress não é uma fatalidade. Cascais: Editora Pergaminho.Cabral, F., Veiga, R. – Revisor e Coordenador – (2002). Higiene, segurança, saúde eprevenção de acidentes de trabalho. Lisboa: Verlag Dashöfer.Callegari, A. (2000). Como vencer o stress, a ansiedade e a depressão. Lisboa: EditorialEstampa.Camara, P. et all. (2001). Recursos Humanos e Sucesso Empresarial. Lisboa:Publicações Dom Quixote.Trigo-Santos, F. (1996). Atitudes e crenças dos professores do Ensino Secundário:satisfação, descontentamento e desgaste profissional. Lisboa: Instituto de InovaçãoEducacional.21
  22. 22. 22
  23. 23. ANEXOS23
  24. 24. 2424
  25. 25. Morte do cônjuge 100Divórcio 73Separação 65Prisão 63Morte de um familiar 63Doença ou acidente grave 53Casamento 50Despedimento 47Reconciliação 45Reforma 45Doença de um familiar 44Gravidez 40Problemas sexuais 39Aumento do núcleo familiar 39Mudanças significativas no trabalho 39Mudanças no plano económico 38Morte de um amigo intimo 37Nova actividade 36Mudança no relacionamento com o companheiro 35Aquisição de empréstimo elevado ou dívida elevada 34Término antecipado de um empréstimo ou uma dívida 30Mudança de responsabilidades no trabalho 29Saída de casa de um filho 29Problemas com familiares por afinidade 29Grande êxito pessoal 28Cônjuge que inicia ou interrompe uma actividade 26Início ou fim da escola 26Alteração de vida 25Alteração nos hábitos pessoais 24Problemas no trabalho com um superior 23Mudança de horário ou de condições de trabalho 20Mudança de residência 20Mudança de escola 20Alteração na gestão do tempo livre 19Alteração nas actividades de tipo religioso 19Alterações nas actividades sociais 18Aquisição a crédito, pequeno débito 17Alterações na duração e tipo de sono 16Alterações nas reuniões de família 15Mudanças no regime alimentar 15Viagens ou férias 13Natal 12Pequenas infracções à lei 11Figura 1 - Lista de Holmes e Rahe.25
  26. 26. Morte de um filho 19.3 Problemas financeiros pouco graves 10.9Morte de um cônjuge 18.7Ruptura de uma relação poucoimportante10.6Detenção 17.6Preparação para um exameimportante10.4Morte de um familiar 17.2 Separação conjugal consensual 10.3Infidelidade do cônjuge 16.7 Alterações no horário de trabalho 9.9Graves problemas financeiros 16.5 Aumento do núcleo familiar 9.7Falência 16.4 Reforma 9.3Despedimento 16.4 Alterações das condições de trabalho 9.2Aborto 16.3 Mudança de actividade 8.8Divorcio 15.9 Mudança para outra cidade 8.5Separação conjugal litigiosa 15.9 Mudança de escola 8.1Citação em tribunal 15.7 Fim da escola 7.6Gravidez não desejada 15.5 Afastamento de casa de um filho 7.2Doença de um familiar 15.3 Reconciliação conjugal 6.9Desemprego 15.2 Pequena violação da lei 6.0Morte de um amigo 15.1 Nascimento de um filho (para a mãe) 5.9Redução do status social 14.0 Gravidez 5.6Perda considerável de dinheiro 14.0 Casamento 5.6Processo Judicial 13.7 Promoção 5.3Fracasso num exame importante 13.5 Doença pessoal pouco grave 5.2Casamento não desejado de um filho 13.2 Mudança dentro da mesma cidade 5.1Ruptura de noivado 13.2 Nascimento de um filho (para o pai) 5.1Litígios com o cônjuge 13.0 Noivado de um filho 4.5Litígios com um familiar 12.8 Noivado 3.7Litígios com o companheiro 12.6 Projecto de maternidade 3.5Empréstimo elevado 12.6 Casamento desejado de um filho 2.9Partida de um filho para o serviçomilitar12.3Litígio com o patrão ou um sócio 12.2Litígio com um familiar por afinidade 12.1Emigração 11.3Menopausa 11.0Figura 2 - Lista de Paykel-Ferreri.26
  27. 27. Maslach Burnout Inventory (M.B.I.)Leia atentamente cada uma das afirmações e desenhe uma circunferência em redor dapontuação relativa à frequência e intensidade, que melhor descreve o que sente.Escalas:Frequência:NuncaAlgumasvezes poranoUma vezpor mêsAlgumasvezes pormêsUma vezpor semanaAlgumasvezes porsemanaTodos osdias0 1 2 3 4 5 6Intensidade:Muito pouco Um pouco Suficiente Médio Muito Bastante Elevado1 2 3 4 5 6 727
  28. 28. Inventário:Afirmações Frequência Intensidade1. Sinto-me emocionalmente esgotado(a) com o meutrabalho.0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 72. Sinto-me exausto(a) no final de um dia de trabalho. 0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 73. Sinto-me cansado(a) quando me levanto de manhã paraenfrentar um dia de trabalho.0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 74. Compreendo facilmente o que sentem as pessoas comquem me relaciono no trabalho.0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 75. Trato algumas pessoas no trabalho como se fossemobjectos impessoais.0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 76. Trabalhar com pessoas durante todo o dia causa-metensão.0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 77. Lido eficazmente com os problemas dos utentes/clientes. 0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 78. O meu trabalho deixa-me completamente exausto(a). 0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 79. Através do meu trabalho influencio positivamente a vidadas outras pessoas.0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 710. Tornei-me mais indiferente para com as pessoas devidoa este trabalho.0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 711. Preocupa-me o facto de este trabalho me estar a tornarnuma pessoa mais insensível.0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 712. Sinto-me cheio(a) de energia. 0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 713. Sinto-me frustado(a) no trabalho. 0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 714. Trabalho demasiado no meu emprego. 0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 715. Não me preocupo com o que acontece aosutentes/clientes.0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 716. Trabalhar directamente com pessoas causa-medemasiado stress.0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 717. Consigo criar facilmente um clima descontraído com osutentes/clientes.0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 718. Fico entusiasmado(a) após trabalhar com os utentes/clientes.0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 719. Consigo atingir com o meu trabalho muitas coisas quetêm valor.0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 720. Sinto-me no limite. 0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 721. No meu trabalho enfrento os problemas calmamente. 0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 722. Os utentes/clientes culpam-me por alguns dos seusproblemas.0 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 728
  29. 29. Tedium Measure (T.E.)Leia atentamente cada um dos adjectivos e atribua a pontuação que julga adequar-semelhor a si:Escala:NuncaUma ouduas vezesRaramentePoucasvezesAlgumasvezesFrequentemente Sempre1 2 3 4 5 6 7Inventário:1. Fadigado 12. Inútil2. Deprimido 13. Aborrecido3. Satisfeito com o dia 14. Perturbado4. Fisicamente exausto 15. Desiludido5. Emotivamente exausto 16. Fraco e impotente6. Feliz 17. Desesperado7. Intranquilo 18. Rejeitado8. Exausto 19. Optimista9. Infeliz 20. Energético10. Abatido 21. Ansioso11. IrritadoMétodo para determinar o resultado:Adicione: 1 + 2 + 4 + 5 + 7 + 8 + 9 + 10 + 11 + 12 + 13 + 14 + 15 + 16 + 17 + 18 + 21 = ADepois: 3 + 6 + 19 + 20 = BFaça: 32 – B = CJunte: A + C = DDivida D por 21 = Resultado “Tedium Measure” (RTM)Critério de avaliação:RTM = 1 “Euforia” forte improvável.RTM = 2 ou 3 Sem problema particular.RTM = 3 ou 4Reexamine a sua vida, o seu trabalho, avalie as prioridadese enfrente algumas mudanças.RTM> 4Existe um burnout (ou tedium) para o qual uma investigaçãoé necessária.29
  30. 30. QUAL É O SEU NÍVEL DE STRESS E DESGASTE PROFISSIONAL?Avalie o seu nível de stress e desgaste profissional respondendo às 25 questões que seseguem. No final do teste aponte o nº de respostas para cada coluna A, B, C e D.Multiplique o valor por 4, 3, 2, e 1, respectivamente. Some o total das colunas e terá oseu nível de stress e desgaste profissional.A = Frequentemente; B = Algumas vezes; C= Raramente e D = NuncaA B C DSinto-me emocionalmente instávelSinto o ritmo cardíaco alteradoAcordo de noite a pensar nos problemas do trabalhoSinto-me angustiado com o meu trabalhoSinto-me exausto no final de um dia de trabalhoSinto-me seguroVivo períodos de grande tristezaAndo calmo e descontraídoTenho dificuldade em concentrar-me no trabalhoSinto-me cansadoO meu trabalho deixa-me completamente exaustoTornei-me indiferente para com as pessoas devido a este trabalhoCompreendo facilmente o que sentem as pessoas com quem merelaciono no trabalhoSinto-me cheio de energiaSinto-me frustradoSinto-me tenso e nervosoTrabalho demasiado no meu trabalhoFaço o meu trabalho mais lentamente do que dantesAdormeço facilmenteAndo inquieto e preocupadoTenho dores (dores de cabeça, dores de estômago, ...)Sinto-me deprimido e irritável no trabalhoO meu humor é estávelConsigo atingir com o meu trabalho muitas coisas que têm valorSinto-me no meu limiteSUBTOTAISMultiplique por 4 3 2 1TOTAISA soma das quatro colunas totaliza .......................pontos30
  31. 31. Nível 3 – Entre 75 a 100 pontosSe o total obtido se encontra neste intervalo de valores você está a necessitar derepensar a sua vida e o seu trabalho. Deve procurar um especialista que o ajude a lidarmelhor com as pressões da sua vida e do seu trabalho. Tudo indica que já ultrapassouos seus limites de tolerância e poderá sofrer a qualquer instante de uma doença séria.Compreender os motivos das suas tensões irá decerto ajudá-lo a modificar os seuscomportamentos e tornar a sua vida mais saudável, quer ao nível pessoal, quer ao nívelprofissional.Nível 2 – Entre 50 e 74 pontosNeste nível, você é um forte candidato ao stress e desgaste profissional. Está na alturade começar a ter cuidado. Compreenda-se melhor a si próprio e será capaz decompreender muitos dos seus problemas, quer ao nível pessoal, quer ao nívelprofissional, evitando que o acumular de tensões possa culminar em problemas maissérios.Nível 1 – Entre 25 e 49 pontosParabéns. Você não é nem uma vítima de stress, nem de desgaste profissional. Tudoparece estar bem, quer na sua vida pessoal, quer na sua vida profissional. No entanto,não descure as suas necessidades. As actividades de lazer são fundamentais paratodos nós. Se cuidar de si agora, evitará complicações futuras na sua Vida!31

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