UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA                       CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO                    GESTÃO DA EDUCAÇÃO A...
2Blogs Educacionais: ambiente de interação e           escrita colaborativa             MARIA DE FÁTIMA FRANCO            ...
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4Agradecimentos         Agradecimentos especiais:          Às professoras: Marli, da Escola Padre Colbachini, no Rio Grand...
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9alunos do ensino fundamental e a metodologia de análise das estratégias lingüísticas-cognitivas produzidas pelos sujeitos...
10apresenta como tendência geral, como novo ambiente comunicacional em nosso tempo,como novo paradigma que pode substituir...
11weblogs por assuntos, onde o internauta pode pesquisar e ler aquele que mais convémaos seus interesses, como no blog Blo...
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13através de narrativas e diálogos. As características dos blogs, como o espaçopersonalizado que fornece, e os links dentr...
14particular, a linguagem. Além disto, Vygotsky destaca a interação como funçãomediadora no desenvolvimento cognitivo. Int...
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24                     REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASBARROS, Moreno Albuquerque de. Ferramentas informacionais para educaçãoe ...
25  BLOGOPÉDIA. Disponível em: http://blogopedia.blogspot.com/ Acesso em:  3/05/2004  BLOGLIST. Disponível em: http://www....
26O último castelo em que morou, de repente virou uma confusão. É que teve um casamento de um jogador                     ...
27                                                   Angelina.                                   - Quem é Belinha? pergunt...
28                                       Capítulo 9 – Conversando                                - Como é seu nome? pergun...
29                                       que tinha acontecido com ela.Mas, já era hora de trabalhar. E a primeira coisa qu...
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Monografia Blog educacionaL -Ambiente de interação e escrita colaborativa

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Monografia Blog educacionaL -Ambiente de interação e escrita colaborativa

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO GESTÃO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA BLOGS EDUCACIONAIS: AMBIENTE DEINTERAÇÃO E ESCRITA COLABORATIVA Maria de Fátima Franco JUIZ DE FORA Julho, 2005
  2. 2. 2Blogs Educacionais: ambiente de interação e escrita colaborativa MARIA DE FÁTIMA FRANCO Trabalho de monografia apresentado ao Curso de Especialização em Gestão da Educação a Distância da Universidade Federal de Juiz de Fora. Orientadora: Profª Drª Neide Santos JUIZ DE FORA JULHO, 2005
  3. 3. 3 Blog Educacional: ambiente de interação e escrita colaborativa Maria de Fátima FrancoMONOGRAFIA APRESENTADA AO CORPO DOCENTE DA COORDENAÇÃODE PÓS-GRADUAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORACOMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA OBTENÇÃO DO GRAUDE ESPECIALISTA EM GESTÃO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA.Aprovada por: _____________________________________________ __ Presidente- Profª Drª Neide Santos ______________________________________________ Nome, título _________________________________ __ Nome, título JUIZ DE FORA, MG – BRASIL JULHO, 2005
  4. 4. 4Agradecimentos Agradecimentos especiais: Às professoras: Marli, da Escola Padre Colbachini, no Rio Grande do Sul eWendy, da Escola 21 de abril, em Lins, Estado de São Paulo, por autorizarem o uso dasinterações escritas por seus alunos, para a realização desta pesquisa. Aos alunos das escolas, acima citadas, pelo empenho em participar no weblog. À professora Neide Santos, por aceitar a orientação desta monografia.
  5. 5. 5 RESUMOEste trabalho tem como objetivo analisar as formas de interação lingüísticas-cognitivasutilizadas por alunos do ensino fundamental, num blog educacional, que tem comofinalidade a construção de textos narrativos, de forma colaborativa. Para isto,apresentam-se inicialmente, o conceito de interação, um breve histórico da evolução dosweblogs, suas características e as possibilidades de uso na educação. Em seguida, combase na teoria da Atividade Verbal é apresentada a metodologia da pesquisa. Osresultados demonstraram que os participantes não se limitaram a repetir ou parafrasear otexto lido, mas utilizaram estratégias cognitivas que contribuíram para a construçãocoletiva do texto, demonstrando que um weblog é uma ferramenta adequada aoprocesso de interação mediada por computador e à construção de textos colaborativos.
  6. 6. 6 SUMÁRIO RESUMO...................... 5 Lista de gráficos .......... 7 INTRODUÇÃO................. 8 I A INTERAÇÃO EM AMBIENTES COMPUTACIONAIS 10 1.1 Os blogs: uma nova forma de interação na Web......................................... 10 1.2 Características de interação nos weblogs .................................................... 11 1.3 Possibilidades e vantagens do uso do blog na educação.............................. 13 1.4 O processo de interação na teoria vygotskyana........................................... 14 II METODOLOGIA DA PESQUISA............................................................... 16 2.1 2.1. A metodologia de análise......................................................................... 18 III OS RESULTADOS ........................................................................................ 20 CONCLUSÕES.............................................................................................. 22 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................ 25 ANEXO 1 ........................................................................................................ 26 Lista de GráficosGráfico 1- Formas de interação Lingüísticas-Cognitiva.................................................. 20
  7. 7. 7 INTRODUÇÃO A experiência como professora e pedagoga no ensino fundamental, propiciou-nos a constatação da ausência de critérios que possibilitem diagnosticar de formaadequada, o processamento da interação e da produção de textos colaborativos emambientes computacionais, o que conduziu a realização deste trabalho. Um das formas de interação mediada por computador, que tem sido observadoentre crianças e adolescentes é o uso da ferramenta weblog, que tem proliferado pelarede em forma de diários pessoais e, ultimamente, vem sendo utilizada por educadores,
  8. 8. 8como forma de repassar conteúdos, discutir diferentes temas, apresentar trabalhos dosalunos, entre outras situações escolares. Diferentes pesquisas têm demonstrado que o uso de weblogs, denominados deforma abreviada como blogs, em situações de ensino-aprendizagem, além depromoverem o letramento digital (MARCUSCHI, 2004,) promovem situações reais deleitura e escrita (BULL, 2003). Outros autores ainda, apresentam diferentes situaçõespara o uso pedagógico dos blogs, como em DAVIS (2004), que apresenta a professoressugestões de atividades para o uso deste tipo de ferramenta, como recurso paraaprendizagem. Não se encontrou na literatura específica, no entanto, referências quedemonstrassem as estratégias lingüísticas-cognitivas utilizadas por alunos, na escrita decomentários em blogs. Não foram encontrados ainda, estudos que demonstrassem o usoda escrita coletiva em blogs, e que tipos de estratégias são utilizadas na construçãodeste tipo de texto. Este trabalho, portanto, pretende investigar, as estratégias lingüísticas-cognitivasutilizadas como mecanismos de interação e de construção de escrita coletiva, num blogeducacional, que tem por objetivo a construção de textos narrativos.Por estratégiaslingüísticas-cognitivas compreende-se as atividades de uso da linguagem, quepermitem ao locutor garantir a compreensão em um processo de interação (KOCH,2004). Hipotetiza-se que os weblogs, utilizados de forma adequada pelo professor,propiciariam a oportunidade de uso de uma ferramenta de interação na escritacolaborativa e de uso de diferentes estratégias cognitivas na construção de textoscolaborativos, através dos comentários. Como forma de validar ou não estas hipóteses, este trabalho apresenta, nocapítulo 1, algumas concepções sobre interatividade em ambientes computacionais, adescrição dos weblogs e seu funcionamento, as características de interação própriasdeste tipo de ferramenta, além das possibilidades e vantagens do uso dos blogs naeducação. Neste capítulo ainda, é apresentada a concepção de interação Vygostskyana,origem da Teoria da Atividade Verbal, na qual este trabalho se baseia. O capítulo 2 apresenta a metodologia da pesquisa, onde são demonstradas ascaracterísticas do blog objeto desta pesquisa, a caracterização dos sujeitos participantes,
  9. 9. 9alunos do ensino fundamental e a metodologia de análise das estratégias lingüísticas-cognitivas produzidas pelos sujeitos, nos comentários do weblog. No capítulo 3, são apresentados os resultados de forma quantitativa e qualitativa,demonstrando as estratégias cognitivas utilizadas pelos sujeitos, na construçãocolaborativa do texto narrativo. O capítulo 4 apresenta a discussão dos resultados, com base nos dadosapresentados no capítulo anterior, e nas teorias apresentadas no capítulo 1. Por fim, são apresentadas as conclusões do trabalho, as contribuições teóricas epráticas-metodológicas e a indicação de pesquisas futuras que possam aprofundar oestudo apresentado nesta pesquisa. CAPÍTULO I A INTERAÇÃO EM AMBIENTES COMPUTACIONAIS A interatividade não é meramente um produto da tecnicidade informática. Esteadjetivo tem sua raiz anterior à década de 70 e na virada do século XX para o XXI se
  10. 10. 10apresenta como tendência geral, como novo ambiente comunicacional em nosso tempo,como novo paradigma que pode substituir o paradigma da transmissão próprio da mídiade massa (GROTTO, 2005). Atualmente tem-se utilizado o termo “interativo” paraqualificar qualquer coisa (computador e derivados, brinquedos eletrônicos,eletrodomésticos, sistema bancário on-line, shows, teatro, estratégias de propaganda emarketing, programas de rádio e TV, etc.), cujo funcionamento, segundo Grotto,permite ao usuário-consumidor-espectador-receptor algum nível de participação, detroca de ações e de controle sobre acontecimentos. Diferentes estudos têm se preocupado em demonstrar as possibilidades deinteração em ambientes educacionais on line, estabelecendo relações entre o ambiente eo usuário, o papel do professor, o papel do aluno e os fatores psicopedagógicos. Neste trabalho o estudo da interação tem como base as ferramentas de interaçãodisponíveis em um weblog e as estratégias de interação pela linguagem, preconizadapela teoria Vygotskyana.1.1. Os blogs: uma nova forma de interação na Web Historicamente, o primeiro weblog foi o primeiro website, construído por TimBernes Lee e tinha como objetivo apresentar os novos sites à medida que eles eramdisponibilizados on line (WINER, 2002). Os weblogs, blogs, surgidos ao final dos anos 90, difundiram-se rapidamente,pela facilidade de produção, que não exige grandes conhecimentos de linguagem html.Diferentemente da página pessoal, o blog pode ser atualizado diariamente, de formadatada e apresentar registros de situações diárias de quem o escreve. Por esta razão, osblogs ainda são classificados como diários pessoais em formato eletrônico, porapresentarem características como: relatos sobre a pessoa que escreve, “sua família,seus gostos, atividades e sentimentos, crenças e tudo que for conversável”(MARCUSCHI, 2004). Hoje, há uma diversidade de temas discutidos em blogs. Do objetivo inicial,apresentar links para sites emergentes, até os denominados diários pessoais, os blogs sediferenciaram e se tornaram instrumentos de divulgação de diferentes temas e assuntos,principalmente jornalísticos. Há, ainda, sites e blogs especializados em divulgar
  11. 11. 11weblogs por assuntos, onde o internauta pode pesquisar e ler aquele que mais convémaos seus interesses, como no blog Blogopédia (2004), ou no site BlogList (2004),exclusivo para blogs brasileiros, que oferece a busca por categorias como : pessoais eestilo de vida, natureza e meio ambiente, cinema e televisão,história em quadrinhos,esportes, política e sociedade e educação e cultura. Nesta última categoria foiencontrado o registro de 400 blogs cadastrados. Considerando que os cadastros denovos blogs no BlogList foram suspensos em julho de 2004, conforme informações dosite, pode-se supor que o total de blog relacionados à educação estejam bastanteampliados. Isto se deve, principalmente, ao fato de que as escolas, no dizer deMARCUSCHI (2004) não podem passar à margem das inovações tecnológicas, “sobpena de não estar situada na nova realidade dos usos lingüísticos”, o que se reflete noletramento digital, papel também atribuído à escola atual. Como já se tem um consenso,em que a área em que mais se verifica a presença e a força da computação no contextolingüístico, é a escrita (MARCUSCHI, 2004), há em conseqüência, a necessidade de umnovo tipo de letramento.1.2. Características de interação nos weblogs Por ser uma ferramenta interativa, os blogs apresentam características técnicasque podem ser consideradas pedagógicas, embora não tenham sido criadas com esteobjetivo, que permitem alcançar o letramento digital. Como característica técnica, os blogs apresentam a possibilidade de publicaçãoinstantânea, em entradas cronologicamente inversas, permitindo a divulgação de textos,imagens, músicas, a capacidade de arquivamento de mensagens anteriores, disponívelao leitor, além de hiperlinks, que tanto podem, complementar o assunto em debate,quanto relacionar um blog a outros blogs. Nos programas específicos para criação dos weblogs, há ainda, ferramentas que,apesar de fazerem parte da estrutura técnica, podem ser consideradas pedagógicas, sedevidamente utilizadas num blog que se proponha a trabalhar com aspectoseducacionais, que são as ferramentas de interação com o público: como o espaço doscomentários, o livro de visitas e os murais virtuais. Estas ferramentas podem
  12. 12. 12proporcionar situações de debates escritos, discussão de idéias, complementação detemas e pesquisas sobre diferentes assuntos educacionais, a partir dos textos lidos naparte referentes aos posts, ou até mesmo nos comentários. Além disto, o visitante doblog ao deixar um comentário, tem seu e-mail ou seu site identificado, o que permite aoautor do weblog, comunicar-se com quem escreveu, propiciando assim, mais uma formade interação. Em relação à linguagem,assim como nos chats e e-mails, nos blogs uma dasestratégias de produção escrita é o uso de textos mais curtos. Observa-se, ainda, nalinguagem utilizada pelos blogueiros, a reprodução de situações do uso da língua comonuma conversa informal, e no dizer de HALLIDAY (1996), uma escrita mais amigável.Pode-se observar, por exemplo, que mesmo sendo amigos virtuais, os blogueiros, comonos exemplos abaixo, se utilizam de convenções próprias de uma conversa face a face,principalmente nos comentários, como se pode comprovar em um blog educacional eem um blog pessoal, como nos exemplos, a seguir. Em um blog educacional, que apresentava no post, um texto sobre a importânciada leitura e da escrita, foi encontrado o seguinte texto: ” oiii adorei a crônica da Martha,elacomo sempre manda muito bem nos textos(...)Blog opinião, 2005” O mesmo tipo de escrita relacionada à fala foi encontrado em blogs pessoais:“Pô, amigo ! Mas tu tá parado mesmo , hem? Cadê aquele ânimo inicial? Vamos lá. Acelera!Blog do Mateus, 2005” Por estes motivos, os blogs segundo Bull ( 2003), criam um marco de interaçõessociais e ativa o desejo das pessoas se comunicarem.1.3. Possibilidades e vantagens do uso do blog na educação Diferentes pesquisadores têm se preocupado em analisar e descrever aspossibilidades de uso dos weblogs na educação. Em DAVIS (2004) pode-se encontraruma relação de atividades a serem desenvolvidas por professores utilizando os blogs.Segundo a autora, os professores podem propor a criação de um blog para discutir livroslidos, expor suas idéias sobre determinados assuntos, escrever e discutir sobre notíciasdiárias e criar projetos em grupo, entre tantas outras. Para BARROS, (2005) os blogsrepresentam uma excelente oportunidade para educadores promoverem a alfabetização
  13. 13. 13através de narrativas e diálogos. As características dos blogs, como o espaçopersonalizado que fornece, e os links dentro de uma comunidade on-line, criam umexcelente contexto de comunicação mediada por computador para expressão individuale interações colaborativas no formato de narrativas e diálogos. Apontando a necessidade de que alunos utilizem espaços reais de uso dalinguagem escrita, BULL (2003), argumenta que os blogs ao apresentarem espaçoslimitados, obrigam os estudantes a condensarem seus textos e demonstrarem comopensam enquanto trabalham como leitores ou escritores. Os autores apresentam ainda,algumas características instrutivas de um blog: a economia, pois nos blogs se exigeprecisão e comunicação de idéias, de forma específica; os comentários estimulam ocompartilhamento e a revisão por parte dos leitores e dos escritores, que dão início a umprocesso de comunicação interativa; o imediatismo, pois tão logo se publica algo em umblog, ele aparece na rede, o que inicia o sistema de comentários e respostas e ainda, aparticipação ativa, já que o blog proporciona a oportunidade de discutir temas de sala deaula, complementando-os, pensando sobre o assunto, e respondendo, o que induz umamaior participação de todos os estudantes. Os autores concluem ainda, que os espaços de escrita eletrônica podem ampliar amotivação e ensinar habilidades do mundo real, como a narração de histórias, que elesdenominam como narrablogs, o que oferece aos estudantes a possibilidade de verificarcomo trabalham os escritores, mas também é uma forma menos exigente para que osalunos se empenhem na criação de textos. Como a interação é a base do processo educacional, buscou-se em VYGOTSKY(1988) a base teórica adequada, que propiciasse a verificação do processo de interaçãoem um blog educacional.1.4. O processo de interação na teoria vygotskyana O conceito de interação, fundamental no estudo da comunicação mediada porcomputador, pode ser explicado através da teoria sócio-interacionista preconizada porVYGOTSKY (1988). Para o autor, os processos psicológicos superiores, tais como a representaçãosimbólica, são processos de natureza dialógica, cuja construção se dá através do jogo derelações semióticas propiciado pelos agentes da cultura e pelos produtos culturais, em
  14. 14. 14particular, a linguagem. Além disto, Vygotsky destaca a interação como funçãomediadora no desenvolvimento cognitivo. Interação esta, que se realiza tanto comadultos, portadores de referências e significados da cultura, quanto com indivíduos emníveis de desenvolvimento diferenciado. Em conseqüência, a aprendizagem é umprocesso social, que se realiza desde o nascimento, e que ocorre na interação com outraspessoas. A partir da interação social, o sujeito desenvolve a sua relação com o mundo,mediada pela linguagem, que lhe permitirá ter acesso aos bens culturais da sociedadeem que está inserido. Esta concepção de interação deu origem à Teoria da Atividade Verbal (KOCH,2004), desenvolvida a partir das idéias de Leontiev e Luria, seguindo idéias deVygotsky. Segundo a teoria, a linguagem é uma atividade social, realizada com vistas aatingir determinados objetivos. Desta forma, toda atividade lingüística seria compostapor um enunciado, produzido com dada intenção ou finalidade, em condiçõesnecessárias para alcançar o objetivo visado e as conseqüências decorrentes da realizaçãodo objetivo. Em conseqüência, o locutor/leitor/produtor do texto deve realizaratividades lingüísticas-cognitivas para garantir a compreensão como repetir, parafrasear,completar, resumir, exemplificar, corrigir ou enfatizar ou para estimular, facilitar oucausar a aceitação, fundamentando, justificando, preparando o terreno, etc., comoafirma Koch (2004). Esta teoria, no entanto, tem recebido algumas críticas, por considerar apenas asatividades do locutor, sem considerar o papel do interlocutor, já que o processamentotextual por parte do interlocutor também é uma atividade, pois o leitor/receptor não épassivo e lhe cabe atuar sobre o material lingüístico de que dispõe (KOCH,2004). Noentanto, decidiu-se por adotar esta teoria neste trabalho, pois o objetivo proposto é aanálise das atividades lingüísticas-cognitivas realizadas pelos sujeitos, já que não serãoanalisadas as interações entre o autor do blog e os participantes da pesquisa. Portanto, arelação estabelecida entre o interlocutor e o locutor, embora tenham acontecido duranteo processo, não fazem parte deste trabalho. A partir desta fundamentação teórica, pode-se afirmar que a teoria da AtividadeVerbal possibilita o embasamento de atividades escolares que privilegiem odesenvolvimento da linguagem contribuindo para o processo de desenvolvimentolingüístico e cognitivo. E, por considerar-se a escrita e a leitura como formas de
  15. 15. 15desenvolvimento da linguagem, nas diferentes instâncias do processo educacional, o usode blogs na educação, mediada por professores, adultos mais experientes, podemcontribuir para o acesso aos bens culturais preconizados por Vygotsky. Como forma de verificar as estratégias lingüísticas-cognitivas utilizadas poralunos num blog educacional, elaborou-se a presente pesquisa, cuja metodologia éexplicitada no capítulo 2. CAPÍTULO II METODOLOGIA DA PESQUISA Esta pesquisa baseou-se na análise das estratégias lingüísticas-cognitivas,produzidas por alunos, como forma de interação com a autora, em um blog educacional,o Historinhas, que tem como objetivo a produção de textos narrativos, de formacolaborativa. O blog Historinhas1, como os demais disponíveis em rede, apresenta três partes:o perfil, onde são apresentados os objetivos do blog, as informações sobre a autora,links para outros blogs, campanhas, um mini-mural de recados, além do link para o livro1 http://fatimafrancohistorinhas.weblogger.terra.com.br
  16. 16. 16de visitas, e, ultimamente, links para o álbum de fotos dos leitores; na segunda parte,são apresentados os posts, que se diferenciam dos demais blogs, já que neste espaço sãoapresentados capítulos de histórias; a terceira parte é o espaço reservado ao leitor, logoabaixo dos posts/capítulos, onde eles apresentam sugestões para o desenvolvimento datrama, e, principalmente, sugerem situações nas quais o personagem deve se envolver,no capítulo seguinte. O número de capítulos pode variar de uma história para outra,dependendo das situações em que os personagens são envolvidos pelos leitores, nassugestões enviadas pelos comentários. Em conseqüência, o blog, em questão, não segueuma ordem diária de postagem, já que para o desenvolvimento da história é necessária acontribuição do leitor. O blog foi construído em novembro de 2004 e até o momento, já foramdesenvolvidos quatro textos narrativos, que privilegiam a fantasia, com toques derealidade, sempre com a participação dos leitores. A melhor forma de definir este tipode blog partiu do comentário de uma visitante: “Que delícia, historinhas com pitadas defantasia, realidade e ainda podemos sugerir o final. Adorei!!G .... enviado em 31/5/2005 12:16:00.” Este comentário demonstra o diferencial presente na produção do blog analisado.Nos blogs pessoais e na maioria dos blogs educacionais, o autor apresenta um post, osvisitantes comentam e o autor pode interagir por e-mail com este visitante. Mas, o textoapresentado logo a seguir, num novo post, não considera os comentários enviados e umnovo tema é apresentado. O blog, portanto é desenvolvido de forma linear, já que nãohá referências aos comentários feitos nos posts seguintes, e não há a certeza por parte doleitor de que seus comentários foram lidos, se o autor não se comunicar com ele, por e-mail. No entanto, no blog analisado nesta pesquisa, o post seguinte só é apresentadoapós a participação dos leitores. Isto, porque, como o objetivo do blog é a construção detextos colaborativos, os posts só podem ser criados a partir das sugestões enviadas.Exemplificando: quando um aluno questiona “por que a fada está procurando emprego,ao invés de fazer uma mágica?”, no post seguinte a fala da personagem esclarece quepara fazer mágica é preciso que as pessoas acreditem em fadas. No clímax da história, aautora sempre apresenta uma pergunta: “O que você acha que vai acontecer?” O final dahistória, portanto, depende dos comentários dos leitores, que são compilados para a
  17. 17. 17criação de um novo post, de tal forma que o texto final seja produzido. Um exemploretirado dos comentários demonstra a participação do leitor, sugerindo como a históriadeveria terminar: “Acho que devia ser assim: a Angelina alcançava o carro e perguntavapara o homem se é verdade que ele acredita em fadas e duendes e falasse para ele queela era uma fada e que tava difícil das pessoas acreditarem nas fadas (...)e elecontratasse a fadinha para trabalhar com ele(...)J.e J.enviado em 3/06/2005 11:25:00.”Um outro exemplo de comentário demonstra a certeza do leitor de que seu texto fazparte da história coletiva: ‘Amamos o capítulo 8, ficou do jeito que nós esperávamosque fosse.Nós achamos que a mulher fosse uma fada. N e A.-enviado em 17/6/2005-7:40:00” Provavelmente, por ter a certeza de que seu comentário será utilizado naconstrução do texto, os leitores acompanharam todos os capítulos, o que explica oíndice de acessos. Até meados do mês de julho, 2005, já havia sido registrado, pelocontador de visitas do provedor do blog, um total de 2200 acessos, inclusive de outrospaíses, o que pode ser considerado um bom índice estatístico, devido às característicaspedagógicas do weblog. Inicialmente previsto para o trabalho com alunos do ensinofundamental, o blog passou a contar também com participação de adultos, queapresentam sugestões para as histórias, escrevem recados no mini-mural, no livro devisitas e até mesmo, nos comentários. Para a apresentação deste trabalho decidiu-se apresentar apenas a análise dasinterações dos alunos, numa determinada história, A Fada Desempregada, (anexo 1) jáque a análise de todo o material disponibilizado no blog, tornaria muito extenso otrabalho. Os alunos participantes, de ensino fundamental, são de duas escolas: umalocalizada em Nova Bassano, uma turma de 3ª série, no Rio Grande do Sul e a outra,uma turma de 6ª série, localizada em Lins, no Estado de São Paulo. Foram coletados 236 comentários para a história escolhida. Deste total, 167 sãocomentários de alunos. Portanto, serão apresentadas apenas as interações dos alunos,objetivo deste trabalho, demonstrando as estratégias lingüísticas-cognitivas, de acordocom a teoria da atividade verbal, anteriormente apresentada.2.1. A metodologia de análise
  18. 18. 18 A história escolhida para esta pesquisa, A Fada Desempregada, desenvolveu-seem 12 capítulos, nos meses de maio e junho/05 e, como já apresentado, houve um totalde 167 comentários de alunos, relativos aos capítulos da história . Os critérios definidos para apresentação das interações, foram as estratégiaslingüísticas-cognitivas, encontradas nos comentários e que demonstraram: acomplementação, a correção, a enfatização, a exemplificação, a justificativa, aparáfrase, a repetição e o resumo. Cada comentário foi analisado de acordo com ocapítulo da história ao qual ele se referia , como forma de verificar a contextualizaçãodas respostas ao post/capítulo apresentado no blog, e possibilitar a classificaçãoadequada das estratégias cognitivas utilizadas. Ao final desta análise, os resultadosforma computados, em termos percentuais, de forma global,e não por capítulos do texto,já que isto tornaria o trabalho muito extenso.Para apresentação dos resultados escolheu-se a forma de gráfico, considerando-se as estratégias utilizadas para compreensão globaldo texto. As estratégias lingüísticas-cognitivas são explicitadas a seguir: Por complementação compreende-se o processo pelo qual o sujeito sugere oacréscimo de componentes ao texto básico apresentado no blog, como neste exemplo:“A fada tentou recomeçar a sua vida com um novo emprego, porque as coisas andammuito difíceis não dá para viver só de imaginação (...)L. e G. - enviado em 20/5/200512:05:00”. Já na correção, os participantes questionam os eventos da história e tentamencontrar uma forma de corrigi-los, como em: “ACHAMOS MUITO INTERESSANTE E UMPOUCO ESTRANHO QUE UMA FADA FIQUE SEM EMPREGO.H. e J. - enviado em 20/5/2005 11:56:00” Na enfatização, os alunos além de corroborarem os eventos do texto, aindaenfatizam sua participação na história: “Nossa ... está ficando muito bom, temos certezaque Angelina irá gostar do emprego, estamos esperando o final ansiosos. Beijos!Y. e A. F. - enviado em 17/6/2005 07:49:00” No processo de exemplificação, utilizam as situações lúdicas do texto parademonstrar situações da vida real: “ Oi ... nós estamos gostando muito da história.Que coisa hein, até para as fadas as coisas estão dando errado.Um abraço, W. & A. - enviado em 20/5/2005 11:27:00”
  19. 19. 19 Na justificativa, no entanto, além de situar a história na vida real, os sujeitosjustificam as ações dos personagens. “As pessoas às vezes são ignorantes, pois nãorespeitam os outros: “Eu acho que as crianças não atendiam porque os pais nãodeixavam atender a porta. um abraço- CH. - enviado em 20/5/2005 08:48:00” A paráfrase caracterizou-se pela concordância com os eventos apresentados nahistória, mas para isto os sujeitos recontam o texto apresentado no capítulo/post de umaforma um pouco diferenciada: “Oi ... O nono capítulo está maravilhoso, que bom, afadinha Angelina conseguiu arrumar um emprego para ela, pois assim ela vai ficar pertode quem acredita em fadas.Beijos e abraços.A. e P. - enviado em 17/6/2005 07:43:00” Na repetição, o que se pode observar, é que os sujeitos simplesmente repetem asinformações apresentadas no texto:”Oi ... gostamos do capitulo 8 porque as criançassem família precisam de cuidados e a Angelina é a pessoa ideal pra cuidar delas.Um abraço.J. C. e J.M. - enviado em 17/6/2005 08:28:00” E por fim, no resumo, pode-se perceber que os sujeitos foram capazes desintetizar o capítulo lido, além de relacioná-lo com todos os eventos da história.:“Adoramos como tudo acabou, a Angelina com emprego que ela gosta e trazendofelicidade para todos. Que bom que no final conseguimos encontrar pessoas boas.Beijos!!! L. & G. - enviado em 24/6/2005 08:31:00” Os resultados são apresentados no capítulo 3, a seguir. CAPÍTULO III OS RESULTADOS Os dados, como já apresentado, foram analisados a partir dos comentários dosalunos, segundo os critérios definidos de acordo a teoria de Atividade Verbal adotadaneste trabalho, considerando-se as formas de interação lingüísticas-cognitivas utilizadaspelos alunos, de forma quantitativa e qualitativa. Os percentuais são apresentados no gráfico1.
  20. 20. 20 Gráfico 1- Formas de interação Lingüísticas-Cognitivas2 Fonte: Comentários no weblogger Historinhas 25 22,2 19,7 20,3 20 18,5 15 10 8,4 4,7 5 3,6 2,4 0 Com. Corre. 1Enfatiz Exemplif. Justificat. Paráfrase Repetição Resumo Os resultados demonstram que: A complementação ao texto é a estratégia que apresenta maior valor, com22,2%, seguido pelo resumo do texto, com 20,3%. Em seguida, aparecem os dados dajustificativa com 19,7% e os resultados relativos à enfatização com 18,5%. Os menoresvalores são apresentados para a paráfrase com 8,4%, a repetição com 4,7% aexemplificação com 3,6% e a correção, é a estratégia que apresenta o menor resultado,com 2,4%. Estes dados indicam que, no blog educacional analisado, ao apresentaremmaiores índices para a complementação, os sujeitos produziram estratégias quecomplementavam ou sugeriram novas situações para os eventos apresentados no texto.Um outro dado relevante é o que se refere ao resumo, já que ao escreverem comentáriosque demonstravam resumo do capítulo lido, relacionando-o a todas as partes do texto,os alunos demonstraram a compreensão do texto lido. O terceiro percentual, a justificativa, demonstra que os alunos justificam asações dos personagens comparando-as com as situações próprias da vida real, o queindica a relação entre a aprendizagem adquirida no texto e a transferência destaaprendizagem para as situações diárias.2 As abreviações referem-se a Com:Complementação;Corre; Correção; Enfatiz:Enfatização;Justificat:Justificativa
  21. 21. 21 Já a enfatização que apresentou a quarta posição nos índices, (18,5%), indica queos sujeitos ao lerem texto, corroboram os eventos apresentados e enfatizam a própriaparticipação na história. Isto parece demonstrar que a construção coletiva do texto,através de um blog, foi para os participantes, uma atividade prazerosa. Os menores valores apresentados, a paráfrase (8,4%), que consistia apenas emrecontar o texto lido de uma forma diferenciada, a repetição (4,7%) a exemplificaçãoque consistia em exemplificar as situações do texto com as da vida real (3,6%) e acorreção (2,4%) que consistia no questionamento aos eventos apresentados no texto,indicam que os sujeitos privilegiaram as estratégias que dessem continuidade ao texto enão que repetissem, corrigissem, exemplificassem ou simplesmente parafraseassem oque haviam lido. CONCLUSÕES Este trabalho demonstrou que o uso de um weblog educacional pode ser umaoportunidade de, além de vivenciar situações reais de leitura e escrita com o uso docomputador, com um interlocutor real, pode ser também uma oportunidade paraverificação do processo de compreensão textual, de análise das estratégias lingüísticas-cognitivas utilizadas por alunos na construção de um texto, em diferentes séries. Alémdisto, a oportunidade de vivenciar situações de escrita colaborativa, sugerindo situaçõesa serem vivenciadas pelos personagens, apresentando propostas, discutindo com o autordos posts, possibilita que o aluno não utilize apenas estratégias de repetição ou de
  22. 22. 22 parafraseamento, tão comuns nas atividades escolares, o que propiciará uma aprendizagem real da língua escrita, contribuindo para o processo de letramento digital. As hipóteses anteriormente levantadas de que o espaço de interação dos weblogs proporcionariam a oportunidade de escrita colaborativa e de uso de diferentes estratégias cognitivas na construção do texto, através dos comentários, foram totalmente confirmadas, neste blog. Isto porque, o uso dos comentários para criação de novos posts/capítulos, permitiu que o leitor participasse realmente da construção do texto. Neste trabalho, no entanto, por analisar apenas duas turmas de alunos, de contextos culturais e idades diferenciadas, não foi possível, estabelecer dados comparativos que demonstrassem as estratégias utilizadas por alunos em diferentes faixas etárias e nível diferenciado de escolaridade. Pesquisas futuras poderiam utilizar estes subsídios, para estabelecer os diferentes usos das estratégias lingüísticas- cognitivas, que considerassem estes fatores. Contribuições A partir dos dados desta pesquisa e das conclusões apresentadas, é possível indicaralgumas implicações deste trabalho, tanto teóricas quanto práticas-metodológicas. Contribuições teóricas Esta pesquisa demonstrou que o uso de um weblog, como ferramenta educacional éviável em diferentes séries do ensino fundamental, e que a atividade de escrita noscomentários pode ser uma forma do professor analisar as diferentes estratégias que seusalunos utilizam. Isto possibilitaria ao docente, a oportunidade de criar situações nas quaispudesse promover o desenvolvimento do letramento digital em seus alunos. Demonstrouainda, que, a escrita colaborativa entre alunos e o autor de um weblog, é um instrumentoapropriado para o desenvolvimento de estruturas narrativas. Para isto, no entanto, énecessário que o blog não seja desenvolvido de uma forma linear. Isto é, o professor nãodeve apenas apresentar um post para discussão/análise para que os alunos comentem, e emseguida, um novo post seja apresentado. Para que o aluno perceba a importância de suaparticipação é imprescindível que os comentários sejam compilados, os resultados dasdiscussões sejam apresentados em um post seguinte, demonstrando a participação efetiva
  23. 23. 23dos sujeitos, tanto para a turma participante, quanto para os outros leitores que visitem oblog. Desta forma, o professor poderá analisar as estratégias lingüísticas utilizadas, ebuscar soluções para os problemas de produção textual que possam surgir. Contribuições práticas- metodológicas Neste trabalho foram apresentadas as estratégias lingüísticas-cognitivas, utilizadasna produção colaborativa de um texto narrativo, a partir dos comentários de alunos. Ossujeitos envolvidos, de séries diferenciadas, demonstraram bom desempenho na produçãodas referidas estratégias. Os resultados, úteis a professores de ensino fundamental,evidenciam a necessidade de se repensar as práticas de escrita escolares que privilegiam oparafraseamento de textos lidos, comuns em livros didáticos. Isto porque, ao participaremde uma forma diferenciada de produção textual os alunos foram capazes decomplementarem, questionarem as idéias apresentadas no blog, enfatizarem o que leram,realizarem resumos do texto lido de forma adequada, e principalmente, compararem osconhecimentos lúdicos do texto, às situações da vida real. Pesquisas futuras Nesta pesquisa utilizou-se apenas o texto narrativo. Devido á abragência, e ao objetivo específico do blog analisado, não foi possível analisar comentários que envolvessem outros tipos de textos. Pesquisas futuras, portanto, poderiam demonstrar os resultados obtidos na construção coletiva de outros tipos de textos e que também considerassem a série, dos alunos envolvidos, como forma de diagnosticar as diferentes estratégias utilizadas em cada período escolar e m cada tipo de texto. Se pesquisas deste tipo forem realizadas, o processo de construção das estratégias lingüísticas-cognitivas poderão ser melhor explicitadas, proporcionando aos professores, recursos que possibilitem o desenvolvimento do letramento digital.
  24. 24. 24 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASBARROS, Moreno Albuquerque de. Ferramentas informacionais para educaçãoe alfabetização: considerações acerca do uso dos blogs como tecnologiaeducacional. Disponível em:http://www.bsf.tehospedo.com.br/ojs/include/getdoc.php?id=16&article=5&mode=pdf .Acesso em 15/ 04/05BULL, Glen Bull, BULL Gina, KADJER, Sara. Learning & leading Technology.Iste publications. Vol. 31. Setembro, 2003 .Disponível em:http://www.iste.org/inhouse/publications/ll/31/1/index.cfm?Section=LL_31_1
  25. 25. 25 BLOGOPÉDIA. Disponível em: http://blogopedia.blogspot.com/ Acesso em: 3/05/2004 BLOGLIST. Disponível em: http://www.bloglist.com.br/ Acesso em: 24/05/2004 BLOG HISTORINHAS. Disponível em: http://fatimafrancohistorinhas.weblogger.terra.com.br. Acesso 22/07/05 BLOG DO MATEUS. Disponível em: http://www.mateusseda.weblogger.terra.com.br/index.htm Acesso em: 25/06/05 DAVIS, Anne. What are the possibilities for weblogs in education? Disponível em: http://anvil.gsu.edu/NECC2004/ Acesso:abril/2004 van Dijk,Teun A. Cognição, Discurso e Interação.São Paulo:Contexto,1996 GROTTO, Eliana Maria Balcevicz, et all. Interação em ambientes baseados na web: uma reflexão necessária. Disponível em: http://www.cinted.ufrgs.br/ciclo3/ af/13-interacao.pdf. Acesso: março, 2005 HALLYDAY, M.A.K. An Introduction to Functional Grammar. London:Arnold, 1996 KOCH,Ingedore Villaça. A inter-ação pela linguagem.São Paulo:Contexto,2004 MARCUSCHI, Luis Antônio. Gêneros Textuais Emergentes no contexto da tecnologia Digital. IN: MARCUSCHI, Luis Antônio, XAVIER, Antônio Carlos.Org. Hipertexto e Gêneros Digitais – Novas formas de construção de sentidos. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004 VYGOTSKY, Lev S., A Formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 1988. . WINER,Dave The History of Weblogs. Disponível em: http://newhome.weblogs.com/ historyOfWeblogs. Acesso em 05/02/2004 ANEXO 1 TEXTO COLABORATIVO CONSTRUÍDO NO WEBLOG A fada desempregada Capítulo 1 - Angelina Angelina era uma fada, muito charmosinha mas, atualmente, estava com um problemão. Ela estava desempregada. Pois é. Até para as fadas as coisas andam complicadas hoje em dia. É que ela trabalhava como fada madrinha e ninguém mais anda acreditando nisto.Além disto, muitos castelos, onde as fadas moravam se tornaram pontos turísticos. É um tal de guia de turismo, visitantes, gente arrumando pra lá, arrumando pra cá, que ela não tinha mais sossego para trabalhar em paz.
  26. 26. 26O último castelo em que morou, de repente virou uma confusão. É que teve um casamento de um jogador de futebol e foi uma barulheira danada. Capítulo 2 - A mudançaPor causa da última confusão no castelo, Angelina resolveu se mudar para a cidade. Ia procurar emprego, pois estava cansada de não fazer nada. Resolveu bater de porta em porta, à procura de um trabalho. Depois de algum tempo fazendo isto, elacomeçou a achar esquisito, pois ninguém tinha tempo para atender. E, resolveu espiar pelas janelas.Para ela era fácil fazer isto. Era só assoprar um pozinho mágico e já estava voando nas janelas dos prédios.Na primeira casa não tinha ninguém. Na segunda, também. Na terceira, e nas outras casas, ela começou aachar a coisa mais estranha ainda. É que, nestas casas tinham crianças que não haviam atendido, quando ela bateu à porta. Angelina resolveu então ficar espionando, para descobrir a causa. Capítulo 3 -Surpresas Angelina ficava cada dia mais surpreendida, pelas coisas que observava. As crianças eram muito ocupadas. Quando não estavam jogando vídeo-game, iam para a aula de inglês, de natação, ou então,tinham um monte de dever de casa para fazer. Havia até algumas crianças que trabalhavam!!! Era por isto que elas não tinham tempo para receber as fadas Capítulo 4 - Procurando emprego Depois disto, ela desistiu de bater de porta em porta, e resolveu comprar um jornal para procurar emprego. Leu, com calma, um monte de classificados. Mas, não achou nenhum emprego de fada. Só tinha um de recepcionista, numa escola para crianças. Angelina, então, pensou: - Acho que este é um bom caminho. Assim fico perto das crianças, vou conversando... e quem sabe não consigo fazê-las acreditar que as fadas existem Capítulo 5- Na agência de empregos Angelina fez uma mágica, para trocar de roupa e foi para a entrevista. Chegando lá, a atendente pediu que ela preenchesse uma ficha e, depois aguardasse um pouco, para fazer uma entrevista com a gerente de recursos humanos. A fadinha não sabia muito bem o que era isto, mas pegou a ficha e foi para uma mesa escrever. Angelina preencheu assim: FICHA DE CADASTRAMENTO Nome : Angelina Krushnovisky Idade : 1200 anos Profissão : Fada Último emprego: Ajudante da Bela Adormecida. Motivo da demissão: O problema da Belinha foi resolvido. Emprego pretendido: Qualquer um, onde as pessoas tenham imaginação. Pretensão Salarial : Nenhuma Assinatura: AK Capítulo 6 – A entrevista A fada entregou a ficha e ficou esperando chamar para a entrevista. Depois de um tempão, uma moça, muito séria, convidou-a para entrar em uma sala, e foi logo dizendo: - O seu nome, Angelina Krushnovsky, é de origem russa? - Ah, não! É de origem de fada, mesmo! Era o nome que a Belinha brincava com a gente, respondeu
  27. 27. 27 Angelina. - Quem é Belinha? perguntou a gerente. - A Bela Adormecida, nunca ouviu falar? - Hã, hã ! Já sim. Quer dizer que a senhora a conhece? - Muito. Trabalhei no castelo dela muitos anos. - AH!... E sua idade? Aqui no formulário diz: 1200 anos. Está correto? perguntou a gerente, admirada. - Ah,não !! Diminuí um pouquinho... Senão podem pensar que sou velha prá trabalhar. - Ah! Siiiim! Estou vendo aqui, que sua profissão é ... fada. Disse a moça, desconfiada. - É, isto mesmo! - Ah, sei... Bem, se a senhora é fada, porque não faz uma mágica para arrumar emprego? - Sabe o que é? É que, para fazer mágica de fada, é preciso que as pessoas acreditem que eu existo.- Aaaaah, sim! Pois então, senhora Angelina, vamos fazer o seguinte:Eu vou apresentar seu currículo em alguns lugares e, qualquer coisa ... nos comunicamos com a senhora. - Está bem, muito obrigada, falou Angelina, decepcionada. Angelina saiu da sala e a moça falou para a atendente: - Cada maluco que aparece por aqui!!! Capítulo 7 - Desânimo A fadinha estava muito desanimada agora. É que ela ouvira o que a gerente dissera. Perambulando, pela cidade, ela pensava:- Vê lá, se eu sou maluca! Se eu fosse bruxa, ela ia ver !!! Que culpa eu tenho, se as pessoas não têm mais imaginação? Ninguém acredita que eu seja fada. Como vou arrumar emprego? Acho que o jeito é voltar para aquele castelo e ficar sem fazer nada! Angelina estava tão distraída, que nem viu um carro sair do estacionamento. Quase foi atropelada. Mas, havia uma coisa diferente naquele carro: um adesivo enorme que dizia assim: Eu acredito em Duendes e Fadas !!! Angelina saiu voando atrás do carro!!!! E agora ? O que você acha que vai acontecer ? Mande sua sugestão para terminar a história de Angelina. Capítulo 8 - Fazendo novos amigosNo capítulo anterior, Angelina tinha saído voando atrás de um carro, onde havia um adesivo,dizendo que o dono acreditava em fadas e duendes. Depois do primeiro impulso, Angelina respirou fundo e resolveu seguir o carro, para ver se descobria alguma coisa sobre aquelas pessoas. Ela teve que voar bastante . Por fim, pararam em frente a um castelo antigo, num lugar sossegado, e do carro desceram um homem, uma mulher e algumas crianças.Para não ser vista, ela se escondeu atrás de uma árvore, muito antiga, para poder observar bastante antes de se apresentar.Quando eles entraram no castelo, Angelina disfarçadamente, chegou até a porta e leu uma placa que dizia assim: Orfanato Fada Cornélia Angelina viu que estava no lugar certo. O orfanato tinha até nome de fada!!! Ela então, resolveu bater à porta e se apresentar. Foi atendida pela mulher que estava no carro. Angelina foi logo dizendo: - Boa tarde ! Eu vi o seu carro e li o adesivo que dizia... - Que nós acreditamos em fadas e duendes? disse a mulher. - É sim, falou Angelina, e eu queria saber se é verdade. - Claro que é ! Mas, por que você quer saber? - É que eu sou fada e estou procurando emprego. - Não diga ! Então vamos entrar, venha!
  28. 28. 28 Capítulo 9 – Conversando - Como é seu nome? perguntou a mulher - Angelina, disse a fada . - Muito prazer, eu sou Gabriela. Aceita uma xícara de chá? Angelina aceitou o chá e, enquanto bebia, foi contando sua história. Gabriela ficou muito chateada. - Fizeram isto com você ? Que maldade!!! Mas, aqui você será muito bem vinda! - Eu estou muito curiosa. Por que o orfanato tem nome de fada? E por que vocês acreditam nelas? perguntou Angelina.- É que este orfanato foi criado pela minha tia Cornélia, que cuidava de crianças abandonadas. Ela tinhaum monte de receitas de poções mágicas, que faziam as pessoas felizes. E daí, todo mundo dizia que elaera uma fada de bondade! Como ela já está muito velhinha, eu e meu marido continuamos o trabalho. E nós acreditamos em fadas, porque achamos que elas nos protegem. Elas e os duendes que moram nos jardins deste castelo. - Ah, entendi ! Mas, você tem mesmo emprego para mim? - É claro que temos! Estamos precisando de alguém como você, para um trabalho especial. Venha comigo, para conhecer as outras pessoas. Capítulo 10 - Na biblioteca Enquanto andavam pelo castelo,Gabriela foi explicando: -Mantemos tudo isto aqui com a ajuda de pessoas ricas, que fazem doações, e com trabalho devoluntários. Hoje mesmo, temos um grupo de crianças que veio nos visitar, porque acreditam em fadas e queriam saber como nos ajudar. Elas estão na biblioteca. Ao chegar à biblioteca Angelina ficou entusiasmada.Ela era enorme! Parecia coisa de cinema! Havia crianças para todo lado:sentadas nas cadeiras, deitadas em almofadas no chão, escolhendo livros na estante e tinha até uma rede, onde duas meninas estavam com muitos livros. E o melhor foi o que Angelina reparou. Havia muitos livros com Histórias de Fadas. Havia também quatro moças e um senhor, que usavam um casaco escrito assim: "Ministério da Imaginação". Capítulo 11 - As apresentações Gabriela começou as apresentações:- Este é meu marido e aquelas moças são a Wendy, a Marli, a Kel e a Isabel, responsáveis pelo Ministério da Imaginação. O trabalho deles é fazer com que as pessoas não se esqueçam de que existem fadas e duendes. Aquelas crianças sentadas são nossos amiguinhos que moram no castelo. - E aquelas crianças olhando as estantes? Perguntou Angelina. -São nossas visitas. São crianças de uma escola que fica em Lins,São Paulo, e outras que estudam em Nova Bassano,Rio grande do Sul, lá do Brasil, que vieram nos conhecer e oferecer ajuda. Gabriela bateu palmas, para que todo mundo prestasse um pouco de atenção, e disse: - Pessoal, esta é Fada Angelina. Ela veio para trabalhar conosco, e vai ser a chefe do Ministério da Imaginação. Agora, além de ler Histórias de Fadas, vocês poderão perguntar a ela, tudo o que quiserem saber sobre o Mundo das Fadas. Capítulo 12 - Finalmente... o emprego!!! Todo mundo bateu palmas. Angelina não sabia o que dizer, de tão feliz que estava. A criançada toda veio correndo para perto dela. Todos queriam perguntar mil coisas, ao mesmo tempo: de onde ela veio, porque estava ali e até perguntaram se ela era de verdade.Depois que todo mundo se acalmou, Angelina contou sua história. As crianças ficaram indignadas com o
  29. 29. 29 que tinha acontecido com ela.Mas, já era hora de trabalhar. E a primeira coisa que Angelina fez foi contar a História da Belinha. Aquela que as pessoas chamam de Bela Adormecida. E, depois, para comemorar o novo emprego e os amigos que encontrara, Angelina fez uma mágica surpreendente. O jardim do castelo se transformou num imenso salão de festas, cheio de fadas e duendes, com muitas flores, muitas gostosuras e brincadeiras. Igualzinha àquela festa que ela havia feito, no casamento da Belinha.
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