AMAZÔNIA<br />A NAÇÃO DAS ÁGUAS IMENSAS<br />URBANISMO RIBEIRINHO<br />
Minúscula e baixa, mas note o cultivo ao redor. Sinal de trabalho. <br />Atrás, junto ao telhado, poste elétrico.<br />
Duas águas laterais, uma varanda coberta, guarda-corpo e poste elétrico.<br />
Além do telhado de duas águas com protuberância para ventilação, <br />ela é toda avarandada<br />Com entrada central lade...
Apenas duas águas, mas prolongadas, obtendo um delicado efeito oriental. <br />Duas varandas generosas, uma oposta ao rio,...
Implantação incomum, até pela escassez de orla elevada. <br />O inconveniente é o acesso, longe do rio. Note que mesmo ali...
Os etílicos são bem recebidos nessa bodega graciosa, de aberturas arredondadas.<br />
Podemos supor: loja à frente e casa do lojista atrás,<br /> confirmando nossa teoria do rio como uma rua singular. <br />D...
Muitas comunidades ordenam-se ao lado de igrejas. Notei algo curioso:  <br />quase sempre a igreja é alvo de um arrojo con...
Um centro de eventos aberto nos 3 lados, solução incomum, <br />mas muito funcional neste clima. Outro resultado é que obt...
À esquerda o salão formal, feito com arte: varanda com colunas e, em cada uma, um capitel <br />elementar, mas proporciona...
Simples, de presença forte, usando os símbolos clássicos: cruz no ápice e falsa bandeira <br />sobre as aberturas, simulan...
Igrejas <br />Como todas as outras construções, as igrejas olham para o rio. Esta implantação<br />parece chamar o navegan...
A construção ribeirinha depende bem pouco da indústria de materiais<br />de construção. O telhado, quase sempre de fibro-c...
Muito comum um pequeno galpão aberto, para serviços. <br />Este parece ser o caso, à direita. Sendo mais alto que o normal...
O rio é o acesso.  A implantação se dá numa gamboa, assim é preciso manter <br />desobstruídas as entradas. Lembra um cond...
As faixas revelam envolvimento com quem passa. A comunidade, aqui, convida.<br />
Apesar de dispor de uma boa ribanceira atrás, a opção foi ficar à margem. <br />Chalé bem resolvido: varandas, acesso late...
O flutuante às vezes é residência, mas normalmente é prestador <br />de serviço ou comércio de estiva (secos e molhados).<...
Boa solução com ventilação e sombra. Pé direito alto; ventilação cruzada;<br />varanda recuada. Pilares com capitéis, dand...
Cor, até na canoa! Há uma apreço pelo jogo visual de duas cores, <br />Sempre em contraste.<br />
Acontece! E parecia ser uma bela solução em sombra.<br />
Mas, lá estão os ocupantes, heróis da resistência!<br />
Além de graciosa, um detalhe: a entrada se dá com a porta na lateral, da sombra.<br />Algo inusitado por aqui.<br />
Algumas cabeças de gado e uma trave de futebol!<br />Tudo bem, mas quem vai pegar a bola quando o chute for exagerado?<br />
A cor de barro é típica do Solimões. <br />Nas lagoas e afluentes a água é preta e mais transparente, como no Rio Japurá.<...
Não é comum que haja uma grande árvore à beira do rio.<br />A próxima foto mostra uma, maravilhosa.<br />Veja a rês descan...
Garças se alimentam dos insetos que perturbam o gado.<br />Assim o boi a tolera como amiga.<br />
Por um Planejamento Urbano Rural<br />Por mais paradoxal que pareça ser esta expressão, sinto-me inclinado a usá-la, espec...
Osório Barbosa, amazonense e intelectual, contou-me sobre a cidade flutuante<br />que havia em Manaus, à beira do rio, qua...
Folclore que encobre perversão: pedofilia, incesto e abuso de menores.<br />
AMAZÔNIA<br />A NAÇÃO DAS ÁGUAS IMENSAS<br />URBANISMO RIBEIRINHO<br />
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Urbanismo Ribeirinho

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O Solimões como uma grande avenida, ocupada por residências e comércio. Este é o ponto de vista proposto no conceito de Urbanismo Rural, rompendo a diferenciação entre rural e citadino. Por que esse enfoque? Porque vimos uma situação singular que requer estratégia e planejamento inteligente a fim de prevenir desastres. Veja como se dá a ocupação ribeirinha. Entenda como o isolamento produz grandes desafios de gestão pública e situação de fragilidade de crianças e menores de idade ante o abuso sexual e como a lenda do boto é usada para encobrir muita perversão. Acompanhe-nos, nesta aventura de 7 dias no Amazonas. Carlos Elson L. da Cunha - elsonbrasil@hotmail.com

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  1. 1. AMAZÔNIA<br />A NAÇÃO DAS ÁGUAS IMENSAS<br />URBANISMO RIBEIRINHO<br />
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  8. 8. Minúscula e baixa, mas note o cultivo ao redor. Sinal de trabalho. <br />Atrás, junto ao telhado, poste elétrico.<br />
  9. 9. Duas águas laterais, uma varanda coberta, guarda-corpo e poste elétrico.<br />
  10. 10. Além do telhado de duas águas com protuberância para ventilação, <br />ela é toda avarandada<br />Com entrada central ladeada por duas varandas, olhando o rio, como é costume. <br />Notável trabalho de conforto térmico e ventilar.<br />
  11. 11. Apenas duas águas, mas prolongadas, obtendo um delicado efeito oriental. <br />Duas varandas generosas, uma oposta ao rio, coisa rara.<br />
  12. 12. Implantação incomum, até pela escassez de orla elevada. <br />O inconveniente é o acesso, longe do rio. Note que mesmo ali, há palafitas. <br />
  13. 13. Os etílicos são bem recebidos nessa bodega graciosa, de aberturas arredondadas.<br />
  14. 14. Podemos supor: loja à frente e casa do lojista atrás,<br /> confirmando nossa teoria do rio como uma rua singular. <br />Difícil será cobrar os fiados!<br />
  15. 15. Muitas comunidades ordenam-se ao lado de igrejas. Notei algo curioso: <br />quase sempre a igreja é alvo de um arrojo construtivo; <br />uma audácia criativa rara nas residências. <br />
  16. 16. Um centro de eventos aberto nos 3 lados, solução incomum, <br />mas muito funcional neste clima. Outro resultado é que obtém um<br />espaço mais informal para uso civil da comunidade. <br />Edícula se revela pelas portas de serviço, nos lados.<br />Provavelmente banheiros. <br />O suave arquear do frontão, em 3 momentos, conferem graça e leveza à obra.<br />
  17. 17. À esquerda o salão formal, feito com arte: varanda com colunas e, em cada uma, um capitel <br />elementar, mas proporcional e com ritmo.<br />
  18. 18. Simples, de presença forte, usando os símbolos clássicos: cruz no ápice e falsa bandeira <br />sobre as aberturas, simulando arcos tradicionais, porém cegos.<br />
  19. 19. Igrejas <br />Como todas as outras construções, as igrejas olham para o rio. Esta implantação<br />parece chamar o navegante, característica histórica dos prédios religiosos: <br />conclamar a todos, se oferecendo como centro de reunião público.<br />Ainda assim é curioso que nenhuma construção surge implantada lateralmente.<br />Uma vez que o solo seco é muito reduzido, em algumas comunidades, <br />seria razoável que surgisse, aqui e acolá, uma variação na direção da planta.<br />Tal não ocorre. O que equivale a dizer que a posição do sol jamais <br />é levada em conta, sendo a única orientação confrontar frontalmente o rio.<br />Mesmo o letreiro denuncia essa obsessiva comunicação com o viajante: <br />são grandes e postos bem altos, em detrimento do usuário local, <br />que em sua posição não é favorecido para ler a informação. <br />Naturalmente ele já sabe que ali é a igreja daquela comunidade. <br />Esse desprezo pela escala humana do usuário local reflete-se na ausência de <br />largos ou praças, ainda que pequenos, onde as famílias possam <br />descansar ou se reunir. Fico imaginado quão isolado se sente um <br />morador incrédulo, ou de outra fé, que por acaso se veja morando <br />numa dessas comunidades. Em que grau se respira a liberdade e <br />tolerância nesses núcleos tão reduzidos e herméticos?<br />
  20. 20. A construção ribeirinha depende bem pouco da indústria de materiais<br />de construção. O telhado, quase sempre de fibro-cimento, não é artesanal.<br />Aqui uma exceção.<br />
  21. 21. Muito comum um pequeno galpão aberto, para serviços. <br />Este parece ser o caso, à direita. Sendo mais alto que o normal, temos uma área sombreada <br />para depósito ou trabalho com maior frescor.<br />
  22. 22. O rio é o acesso. A implantação se dá numa gamboa, assim é preciso manter <br />desobstruídas as entradas. Lembra um condomínio fechado, ou não?<br />
  23. 23. As faixas revelam envolvimento com quem passa. A comunidade, aqui, convida.<br />
  24. 24. Apesar de dispor de uma boa ribanceira atrás, a opção foi ficar à margem. <br />Chalé bem resolvido: varandas, acesso lateral e muita sombra.<br />
  25. 25. O flutuante às vezes é residência, mas normalmente é prestador <br />de serviço ou comércio de estiva (secos e molhados).<br />
  26. 26. Boa solução com ventilação e sombra. Pé direito alto; ventilação cruzada;<br />varanda recuada. Pilares com capitéis, dando leveza e rítmo.<br />Provavelmente, uma escola.<br />
  27. 27. Cor, até na canoa! Há uma apreço pelo jogo visual de duas cores, <br />Sempre em contraste.<br />
  28. 28. Acontece! E parecia ser uma bela solução em sombra.<br />
  29. 29. Mas, lá estão os ocupantes, heróis da resistência!<br />
  30. 30. Além de graciosa, um detalhe: a entrada se dá com a porta na lateral, da sombra.<br />Algo inusitado por aqui.<br />
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  33. 33. Algumas cabeças de gado e uma trave de futebol!<br />Tudo bem, mas quem vai pegar a bola quando o chute for exagerado?<br />
  34. 34. A cor de barro é típica do Solimões. <br />Nas lagoas e afluentes a água é preta e mais transparente, como no Rio Japurá.<br />
  35. 35. Não é comum que haja uma grande árvore à beira do rio.<br />A próxima foto mostra uma, maravilhosa.<br />Veja a rês descansando à sombra.<br />
  36. 36.
  37. 37. Garças se alimentam dos insetos que perturbam o gado.<br />Assim o boi a tolera como amiga.<br />
  38. 38. Por um Planejamento Urbano Rural<br />Por mais paradoxal que pareça ser esta expressão, sinto-me inclinado a usá-la, especialmente em virtude do que notei no Solimões. <br />A definição clássica de Benévolo, que separa o urbano do rural fracassa aqui <br />e, portanto, deve ser abandonada.<br />O flutuante é uma casa ou comércio feito sobre uma balsa que fica estacionada em determinados pontos do rio, sendo um elemento de encontro e compras, <br />característica mais própria de cidade do que de aldeia.<br />Vemos flutuantes surgirem esparsamente em todo o rio, o que <br />a meu ver significa uma fragmentação urbana, ou seja, a construção de uma cidade que explodiu e se espalhou numa área gigantesca. <br />Entendo que o rio se tornou uma avenida monumental onde o viajante encontrará igrejas, bares, oficinas, venda de grãos, frutas e peixes. <br />Sendo assim, podemos esperar encontrar problemas <br />típicos de qualquer rua ou avenida convencional, como: lixo, esgoto, acesso etc.<br />Compreender a orla como uma rua ímpar nos moverá a pensar no planejamento <br />e regulação de sua ocupação, o que impedirá termos no futuro uma <br />situação caótica causando efeitos devastadores em termos sócio-ambientais.<br />
  39. 39. Osório Barbosa, amazonense e intelectual, contou-me sobre a cidade flutuante<br />que havia em Manaus, à beira do rio, quando os flutuantes se multiplicaram, formando uma aldeia muito grande, intricada e de difícil acesso. <br />Ali se tornou um centro de criminosos, como nas favelas urbanas, pois <br />o labirinto era tal que a polícia tinha dificuldades em localizar os bandidos.<br />Foi necessário eliminar a cidade flutuante e assim Manaus respirou aliviada.<br />O que demonstra ser necessário regular e restringir o uso dos flutuantes.<br />Outro dado relevante: Maraã é um município gigantesco, com 124 <br />comunidades ribeirinhas. Podemos imaginar o desafio que é levar assistência médica, ambulância, vacinação, eletricidade, água e esgoto a tantos centros espalhados.<br />Isso reforça a tese do planejamento urbano ribeirinho. É necessário aglutinar tais comunidade, e reduzir seu número. É necessário lutar contra a tendência de se achar que o rio não tem <br />dono e todo mundo pode construir sua casinha isolada do mundo. <br />Tal isolamento, diga-se de passagem, tem muito a ver com o abuso de crianças, pedofilia e incesto, como descobri conversando com Gerliane, gestora na secretaria da saúde de Maraã. <br />Depois desta conversa passei a ver com outros olhos a lenda do boto e seu folclore: <br />o peixe certamente não tem ideia de que serve de justificativa a tantos canalhas ribeirinhos. <br />
  40. 40. Folclore que encobre perversão: pedofilia, incesto e abuso de menores.<br />
  41. 41. AMAZÔNIA<br />A NAÇÃO DAS ÁGUAS IMENSAS<br />URBANISMO RIBEIRINHO<br />

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