Luciana madureira

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Luciana madureira

  1. 1. Universidade Presbiteriana MackenzieSUSTENTABILIDADE E GOVERNANÇA CORPORATIVA DENTRO DE ORGANIZAÇÕESSUSTENTÁVEIS NIVEL NOVO MERCADO: ANÁLISE DAS EMPRESAS QUE COMPOEMO RANKING DO GUIA EXAME DE SUSTENTABILIDADE 2009Luciana Madureira Domingues (IC) e Denise Pereira Cardoso (Orientadora)Apoio: PIVIC MackenzieResumoO tema Governança Corporativa tem ganhado destaque nas discussões empresariais por mostrar aimportância das boas práticas gerenciais no aumento de valor para o acionista. Ao mesmo tempo,muito se discute o mérito da adoção de ações sustentáveis, pelas organizações, também na geraçãode valor para os acionistas (Hart e Milstein, 2004). Inspirado pelas possíveis sinergias existentesentre estes dois campos de estudo, este trabalho de pesquisa teve como objetivo identificar apresença do Nível Novo mercado de Governança Corporativa em empresas sustentáveis. Para tanto,realizou-se uma pesquisa exploratória a partir de dados secundários oriundos do Ranking do GuiaExame de Sustentabilidade de 2009. Foram analisados os balanços das vinte empresas quecompõem o referido ranking, dando-se destaque àquelas organizações que possuem o nível NovoMercado de Governança Corporativa, conforme informações obtidas no Instituto Brasileiro deGovernança Corporativa (IBGC, 2010). Estas informações foram colocadas em uma tabela, a partirda qual se iniciou a análise dos dados contidos nestes relatórios. Este trabalho de pesquisa permitiuconstatar que as empresas sustentáveis estudadas ainda não têm incluído a Governança Corporativanível Novo Mercado, apesar da sinergia existente entre ambos.Palavras-chave: governança corporativa, sustentabilidade, responsabilidade social, transparência,triple bottom lineAbstractThe theme of Corporate Governance has gained prominence in business discussions to show theimportance of good management practices in increasing shareholder value. At the same time, much issaid about the merits of adopting sustainable actions by organizations, also in generating value forshareholders (Hart and Milstein, 2004). Inspired by the potential synergies between these two fields ofstudy, this research aimed to identify the presence of the New Market Level Corporate Governance insustainable enterprises. To this end, we carried out an exploratory research from secondary data fromthe Ranking of Sustainability Review Guide 2009. We analyzed the balance sheets of twentycompanies that make such rankings, giving prominence to those organizations that have the level ofNew Market corporate governance, according to information obtained from the Brazilian Institute ofCorporate Governance (IBGC, 2010). This information was placed on a table, from which began theanalysis of the data contained in these reports. This research has found that sustainable companiesstudied have not yet included in the Corporate Governance at New Market, despite the synergybetween the two.Key-words: corporate governance, sustainability, corporate social responsibility, transparency, triplebottom line 1
  2. 2. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 I. IntroduçãoDiversos autores (Batistella, F. D. et al., 2010; Rodrigues, J. et al., 2004; Silveira, A., 2005 eHart e Milstein, 2004)¸ cada um em sua área de conhecimento, têm tratado da importânciadas “boas práticas” de sustentabilidade e Governança Corporativa para a geração de valorpara os acionistas e para a sociedade como um todo. Tais assuntos, normalmente, sãotratados isoladamente como forma de geração valor para as organizações, porem, quandoabordados mais amiúde é possível identificar pontos simulares em ambos os constructos.Sendo assim, este trabalho buscou estabelecer possíveis sinergias entre estes campos deestudos, mais especificamente no que se refere ao Nível Novo mercado.Como ponto de partida para este trabalho de pesquisa deve-se, no entanto, elucidar algunsconceitos que aparecerão ao longo deste artigo, e que serão tratados mais profundamenteno tópico revisão bibliográfica. Para introduzir o leitor ao tema é mister, portanto, algunsesclarecimentos.O conceito de Governança Corporativa trata dos mecanismos externos e internos quebuscam alinhar os interesses entre os gestores e os acionistas, os quais desejam maiortransparência entre si e os gestores (MACHADO FILHO, 2006).Já a palavra “sustentabilidade” ganhou importância a partir do relatório “Nosso FuturoComum”, apresentado em 1987 por Gro Harlem Brundtland. Neste relatório, o termo“desenvolvimento sustentável” foi definido como sendo o desenvolvimento que satisfaz asnecessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprirsuas próprias necessidades. Na ocasião ficou claro que este desenvolvimento só seriaatingido se fossem respeitadas três condições: o equilíbrio ambiental, a equidade social e odesenvolvimento econômico. Perceba-se, então, que a sustentabilidade possui uma estreitarelação com a melhoria das condições sociais de uma determinada comunidade.De acordo com Hart (2008), reconhecer a sustentabilidade como catalisador para novosnegócios é um fator cada vez mais importante para a sobrevivência corporativa no séculoXXI, de acordo com o autor, uma das formas de se atingir este intento é por meio daResponsabilidade Social Empresarial (RSE), estabelece-se, assim, uma relação entre aSustentabilidade e a Responsabilidade Social Empresarial.Hart (2008, pg. 75) entende que a RSE é uma forma de gestão estratégica, capaz de focaros negócios das empresas no desenvolvimento sustentável, na transparência, norelacionamento com os seus públicos de interesse (stakeholders) e no compromisso com asociedade.Os construtos de RSE colocam, deste modo, a transparência nas ações da empresa comoponto fundamental para suas relações com os stakeholders. 2
  3. 3. Universidade Presbiteriana MackenzieSegundo o Instituto Ethos (2010), uma empresa que possui práticas de RSE precisa, alémde outras coisas, ser ética e transparente com o seu público, ajudando a impulsionar açõesde desenvolvimento sustentável na sociedade rumo à sustentabilidade e igualdade social.Sendo assim, as empresas têm buscado satisfazer as necessidades e desejos dos seusconsumidores os quais têm se tornado cada vez mais exigente em relação às questõesambientais. Nesta direção, Porter e Kramer (2006) afirmam que responsabilidade socialempresarial é uma prioridade para os dirigentes de empresas.Além de satisfazer as necessidades e desejos de seus clientes, as empresas buscam,também, atrair capital para si. Neste contexto, conforme lembram Batistella et al. (2004), aGovernança Corporativa pode trazer maior segurança para os acionistas, visto que a práticada boa governança envolve um maior nível de transparência das informações divulgadas aomercado.Percebe-se, desta forma, que a transparência da organização, além de ser uma exigênciadas boas práticas de Responsabilidade Social Empresarial pode, também, ser consideradacomo um quesito para as boas práticas da Governança Corporativa. Em consonância,Machado filho (2006) entende que para que a Governança Corporativa seja, cada vez mais,implementada, criando valor para o investidor, há a necessidade de transparência por partedas organizações.Tal exigência, ou seja, a existência da transparência nas relações com os stakeholders,principalmente os acionistas, tanto nas práticas de Responsabilidade Social Empresarial,como nas de Governança Corporativa mostra uma ação concomitante entre os doisassuntos, e que inspirou este trabalho de pesquisa que visa responder a questão:Empresas que são sustentáveis incluem a Governança Corporativa nível Novo Mercado emsuas práticas?Espera-se que este trabalho possa contribuir com a academia demonstrando as possíveisinterligações entre estes dois temas e, também, para as organizações no sentido deesclarecer a relação entre a Governança Corporativa e a Sustentabilidade, para que fiqueclara a necessidade de um em relação ao outro.Este trabalho se divide em cinco partes: em um primeiro momento a Introdução, que visasituar o leitor sobre o assunto principal que será discutido, no segundo tópico será realizadaRevisão da Literatura, que traz suporte teórico ao trabalho, para tanto foram revisados ostemas sustentabilidade e Governança Corporativa e Governança Corporativa eSustentabilidade, a terceira parte, Metodologia da pesquisa, conta como o trabalho foidesenvolvido e como a pesquisa foi realizada, posteriormente, foi realizada a Análise dos 3
  4. 4. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011Dados contidos nos balanços da empresas pesquisadas e, finalmente, apresenta-se asprincipais conclusões e achados deste trabalho de pesquisa. As Referências Bibliográficasserão apresentadas serão apresentadas ao final do trabalho. II. Revisão da LiteraturaNesta parte do trabalho foram realizadas revisões bibliográficas em obras de autores quetratam da questão sustentabilidade (Campos, 1995; Huberman, 1984; Andrade et al., 2006;Comissão Mundial Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – CMMAD, 1991; Almeida,2002; Barbieri, 2006; Harris, 2007; Porter e Kramer, 2006; Hart e Milstein, 2004; Prahalad,Nidumolu e Rangaswami, 2009; Fialho, 2008;, Silva et al., 2009; Melo Neto e Brennand,2004;, Orsato, 2002 e Dowbor, 2009), por entender-se que são obras atuais e que trazemvaliosa colaboração nos estudos relacionados a este tema.Sobre Governança Corporativa as fontes foram Handy (2002), Freeman e Reed (1983),Rodrigues e Mendes (2004), Instituto Brasileiro de Governança Corporativa –IBGC (2010),Andrade e Rossetti (2009), Machado Filho (2006), Silveira (2005) por serem autoresreferência em Governança Corporativa.Foram utilizados, ainda, trabalhos de Elkington (1994), Porter e Kramer (2006), GlobalReporting Iniciative (GRI, 2010) e Handy (2002) a fim de amarrar os estudos desustentabilidade com Governança Corporativa.Desta forma, analizaram-se autores nacionais e internacionais para enriquecer ainda mais apesquisa.1. SustentabilidadeO processo de industrialização, iniciado no século XIX, permitiu o crescimento dos negóciosde forma mais incisiva, principalmente, devido à produção em massa e à redução doscustos de produção. A partir da Revolução Industrial as cidades passaram a concentrar ocomércio e o sistema financeiro, o eixo econômico deslocou-se para a produçãomanufatureira e o poder político passou a se concentrar nos centros urbanos (CAMPOS,1995).Os produtores artesãos deixaram paulatinamente de serem donos dos instrumentos detrabalho, dos meios de produção, passando a constituir os trabalhadores assalariados, quepassaram a enfrentar jornada de trabalho determinada, com duração de muitas horasdiárias, tendo que adaptar-se aos novos ritmos de trabalho, às novas instalações, 4
  5. 5. Universidade Presbiteriana Mackenzieequipamentos e materiais, que foram modernizados ao longo do tempo (HUBERMAN,1984).Os recursos ambientais eram usados indiscriminadamente sem a preocupação com suarenovação. Não se quer dizer, no entanto, que no período que antecede à RevoluçãoIndustrial não houvesse poluição. Moura (2008) chama a atenção para que o fato de que aolongo da história o homem sempre utilizou os recursos naturais do planeta e gerou resíduoscom pouca preocupação: “os recursos eram abundantes e a natureza aceitava semreclamar os despejos realizados, já que o enfoque sempre foi ‘diluir e dispersar’.” (MOURA,2008).Ainda neste contexto, Barbieri (2008) lembra que no período que antecede a RevoluçãoIndustrial, a poluição gerada pelas atividades humanas ficava confinada em áreasespecíficas e era absorvida com mais facilidade, pois era basicamente de origem orgânica.O autor ressalta, ainda, que a partir da Revolução Industrial surge uma diversidade desubstâncias e materiais que não existiam na natureza, sendo assim, a industrializaçãoalterou a maneira de produzir degradação ambiental.Os estudos sobre relação entre meio ambiente e crescimento econômico, contudo, têm sidoaprofundados após a década de 1970 quando os membros do Clube de Roma publicaram orelatório The Limits to Growth publicado por Meadows et al. em 1972. Este relatório,apresentado na conferência de Estocolmo no mesmo ano, defendia um crescimento zero,ou um estado estacionário da economia, para evitar dramáticos cenários ambientais nofuturo. A partir de então, e no decorrer da década de oitenta, as preocupações em relaçãoao meio ambiente e à ecologia tiveram um crescimento vertiginoso, particularmente naEuropa, onde é possível identificar o surgimento de várias Organizações NãoGovernamentais (CAMPOS, 1995).Em 1983, as Nações Unidas criaram a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente eDesenvolvimento (CMMAD). Quatro anos mais tarde, liderados pela ex-primeira ministrada Noruega Gro Harlem Brundtland, esta comissão publicou o Relatório Nosso FuturoComum, cuja principal contribuição está no fato de trazer à tônica das discussões asquestões relacionadas às desigualdades sociais, mostrando que não se pode discutir o meioambiente isoladamente do desenvolvimento social. Como corolário acontece a divulgação,em escala global, do conceito de Desenvolvimento Sustentável.A CMMAD (1991) define desenvolvimento sustentável como: “não deixar de atender àsnecessidades atuais do ser humano e meio ambiente preocupando-se com asconseqüências que possam comprometer o futuro”. Assim, o desenvolvimento sustentávelnão prejudica nem a geração atual nem as próximas. 5
  6. 6. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011É possível encontrar visões contraditórias sobre essa definição. Valle (2002), por exemplo,sob um aspecto não econômico, entende que sustentabilidade é atender as necessidadesdo consumo atual sem comprometer o consumo das gerações futuras. Já sob a óticaeconômica, Fialho (2008) defende que sustentabilidade é crescer economicamentedestruindo o mínimo o meio ambiente e afetando positivamente a qualidade de vida dapopulação.De acordo com Campos (1995), este relatório deixou claro que a economia mundial deveresponder às necessidades legítimas dos povos em nível mundial, no tocante aocrescimento econômico e aos avanços tecnológicos e científicos.Em uma visão empresarial, Barbieri (2006) entende que baseadas no conceito desustentabilidade defendido pela CMMAD, por meio das habilidades dos membros daorganização as empresas conseguem satisfazer às necessidades dos clientes de forma apreservar o meio ambiente.Silva et al. (2009) apontam a grande discussão existente entre lados econômicos e sociaisque é a busca de uma maneira de crescer economicamente sendo competitivo e sustentávelsimultaneamente.Sustentabilidade nas organizaçõesDe acordo com Almeida (2007), a introdução dos conceitos de sustentabilidade temmudado, de forma gradativa, a estrutura de poder que, neste caso, é tripolar composta por:governos, empresas e organizações da sociedade civil. O autor defende, também, que nofinal do século XX, no entanto, boa parte dos poderes – ou responsabilidades - do governo,em termos globais, foi passada para as empresas, e, devido a isto, ganha vulto a cobrança,pela sociedade, de que elas sejam sustentáveis. Ou seja, de que elas sejam orientadaspara a criação produtos que possuam preocupação sócio-ambiental.Andrade et al. (2006) também argumentam nesta direção. Os autores lembram que emfunção das exigências da sociedade para um posicionamento mais adequado eresponsável, como uma forma de minimizar a diferença verificada entre os resultadoseconômicos e sociais, bem como da preocupação ecológica, tem-se exigido das empresasum novo posicionamento em sua interação com o meio ambiente. A partir destasobservações, os autores definem três elementos-chave, que são característicos de umaestratégia de gestão com consciência ecológica: inovação, cooperação, e comunicação.Tais elementos justificam, segundo eles, a preocupação das empresas em realizar práticase programas inovadores de gerenciamento ecológico no mundo inteiro (ANDRADE et al.,2006). 6
  7. 7. Universidade Presbiteriana MackenziePorter e Kramer (2006) afirmam que a Responsabilidade Social Empresarial não deve serencarada genericamente, apenas como um custo para a organização, e sim ser aproveitadautilizando-a junto à estratégia da empresa para que assim todos ganhem. Um grandeproblema, contudo, é que algumas empresas publicam os relatórios das ações sociais querealizaram, mas, dificilmente divulgam os impactos que suas ações trouxeram. Outro erro éfazer ações sociais sem levar em conta as reais necessidades da sociedade na qual aempresa está inserida, esquecendo-se que a empresa e sociedade são interdependentes,se a empresa souber aproveitar esta interdependencia poderá gerar lucros a longo prazotanto para si, quanto para o meio ambiente e para a sociedade.De acordo com Harris (2001), os consumidores têm valorizado cada vez mais as questõesambientais e têm se tornado amigos do meio ambiente. Tal fato explica-se, principalmente,devido às questões, tais como o aquecimento global.As empresas, no entanto, não se tornam sustentáveis da noite para o dia, pois essatransformação não é algo tão simples. Para isso, é necessário planejamento e a utilizaçãode ações realizadas como foco no curto, médio e longo prazo (ALMEIDA, 2002).Ainda em relação às organizações, Hart e Milstein (2004) discutem que a opção pelasustentabilidade pode não só contribuir para um mundo melhor, mas, também, para gerarriqueza para o acionista no longo prazo. No mesmo sentido, Prahalad et al. (2009)defendem que não há outra alternativa para o desenvolvimento sustentável que não apreservação do meio ambiente na geração atualFialho (2008) afirma que as empresas que decidem em ter gestão sustentável utilizamcompetências de modo a combinar recursos tangíveis e intangíveis, satisfazendo, assim, asnecessidades e desejos dos clientes, não se preocupando apenas com seus processos,mas, também, em ser sustentável.Silva et al. (2009) comentam que um dos principais desafios do século XXI, é conceber umprocesso de crescimento que traga a perspectiva de proteção do meio ambiente, bem comoa inserção social da população.Para ser considerada sustentável, de acordo com (Melo Neto e Brennand (2004), a empresadeve estar nos padrões ambientais e reconhecer que os recursos ecológicos não sãoinfinitos, podendo, portanto, afirmar que ao longo do tempo, ocorreram mudançascomportamentais em três estágios: 1. Nos anos 70 obediência aos preceitos legais. Esta data marca a preocupação das empresas apenas em atender as legislações ambientais. Almeida (2002) complementa que as empresas entendiam a questão ambiental como um mal necessário e se viam obrigadas a atender os controles legais apenas. 7
  8. 8. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 2. O segundo estágio ocorreu nos anos 80. É o chamado de certificação ambiental. Neste estágio foram somadas ações que faziam com que a empresa se destacasse no mercado. 3. O terceiro estágio foi o de gestão ambiental, ocorrido nos anos 90, neste as empresas que atendiam os dois anteriores poderiam obter lucros devido a se tornarem visíveis à sociedade.Foi na década de 90, que a questão ambiental tomou forma perante as empresas,resultando em um debate onde foi discutido se seria interessante realmente para asempresas aplicar no que Orsato (2002) chamou de investimento verde. Neste período, oobjetivo da discussão era tentar descobrir se haveria lucratividade em investimentosambientais independentemente do seu ramo de atividade, ou se o retorno financeiro comesta prática dependeria do ramo de atividade de cada organização. Orsato (2002) concluiuque obter lucratividade utilizando investimentos em tecnologias ambientais está ligado afatores estruturais do setor em que a empresa opera, não sendo possível a todas, mas asque conseguirem podem obter até mesmo vantagens competitivas. A estruturaorganizacional também é um fator importante visto que as tranformações estruturais daorganização podem influenciar em seu desempenho ambiental (CORAZZA, 2003)Dowbor (2009) afirma que, na década de 1990, com o aumento da concorrencia, os clientespassaram a ser conquistados por compromisso social pelas empresas assumido, bonsprodutos que preservem o meio ambiente, informações seguras, dentre outrascaracteristicas que antes não eram consideradas pelas empresas.Devido a isso, Almeida (2002) afirma que as organizações que buscam a sustentabilidadedevem ter como objetivo além da preocupação com o meio ambiente, a satisfação de seusstakeholders e dos moradores da redondeza da empresa. Estas empresas devem sepreocupar com sua reputação, devido ao fato de que sociedade tem exercido pressão sobreempresas para que sejam mais éticas e transparentes, neste sentido, a boa reputação daempresa pode ajudá-la em momentos ruins.Freeman e Reed (1983) definem stakeholders como as pessoas que afetam e são afetadaspelos resultados da empresa no geral, e tem uma responsabilidade e visão mais amplasobre a organização como um todo, tais como: empregados, parceiros e sociedade estockholders como o acionistas que tem suas preocupações voltadas especificamente aolucro da empresa, o autor ressalta a importância de se conhecer o ambiente e a legislaçãopara que se tenha boa governança.Observa-se, a partir da análise destes autores, que empresas sustentáveis, ou que possuemresponsabilidade social empresarial, preocupam-se com as transparências de suas 8
  9. 9. Universidade Presbiteriana Mackenzieatividades, com o estabelecimento de ações de melhorias contínuas para o meio ambiente ea sociedade com o todo, com a qualidade de seus produtos e processos. Estas ações,possivelmente, revertem na melhorias da imagem da empresa, na qualidade dos produtos eno estabelecimento de relações duradouras com todos os stakeholders da organização.2. Governança Corporativa (GC)De acordo com Machado Filho (2006), em qualquer situação em que o poder de decisão étransferido ou compartilhado, surge, uma assimetria informacional alem do conflito deinteresses oriundo da delegação de poder. Para o autor, é a governança que tratará daminimização destas assimetrias e conflitos de interesse.Segundo Handy (2002), existe a desconfiança de que as empresas buscam seus interessesacima de tudo, acionistas entram no negócio pelo dinheiro apenas, e não são proprietáriosnem carregam consigo tal responsabilidade . Sendo assim, o objetivo da empresa não deveser apenas obter lucros, mas, também, satisfazer uma necessidade da sociedade fazendoalgo da melhor maneira possível.A expressão governança corporativa pode ser entendida como o sistema de relacionamentoentre acionistas, auditores independentes e executivos da empresa, liderados pelo Conselhode Administração (LODI, 2000). A governança e a forma de propriedade varia de país apaís, porém a necessidade de transparência transcede os modelos de organização e asfronteiras regionais.Segundo Rodrigues e Mendes (2004), a Governança Corporativa cuida do relacionamentoentre a alta administração da empresa e o acionista a fim de proporcionar projetos maislucrativos e menos arriscados, bem como, auxiliando para que as melhores decisõesestratégicas sejam tomadas, sendo assim bom tanto para organização como para oacionista. Ainda, quanto mais a mostra estiver a Governança Corporativa, mais valor elacria, pois transmite confiança ao investidor, aos acionistas e a própria organização, uma vezque a Governança garante que a organização está trabalhando de maneira correta e ética.Na mesma direção, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa IBGC, (2010) explicaque a Governança Corporativa surgiu para superar o “conflito da agencia”, que diz respeitoaos interesses do agente principal, no caso o acionista, pois o interesse dos executivosanda em disparidade com os do acionista. Para tanto, a Governança Corporativa preocupa-se em assegurar que o comportamento do executivo seja alinhado ao do acionista. As linhasmestras das boas práticas de GC são: transparência, prestação de contas, equidade eresponsabilidade corporativa 9
  10. 10. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011Andrade e Rossetti (2009) caracterizam os problemas de agência que são os riscos que odono do capital corre ao entregar os cuidados de seus bens a um terceiro que teoricamentecuidaria desse bem melhor que ele mesmo, porém corre-se o risco de desvios de condutaconseqüentemente o gestor querer tirar proveito indevidamente do capital alheio.Para Machado Filho (2006), a Governança serve para reduzir as diferenças de interessesque possam existir entre gestores e acionistas, para ele a governança monitora osgovernantes sejam quais forem a fim de que as duas partes sejam beneficiadas com asdecisões tomadas, havendo alinhamento entre os interesses.Silveira (2005) entende que o Estado interfere no modelo de Governança Corporativaadotado pelas empresas devido às diferenças dos mercados, o que leva a não haverresolução total dos problemas de Governança Corporativa, pois mesmo os melhoresmodelos que são o anglo-saxão, alemão e japonês têm diferenças entre si.Conforme o IBGC (2010), os mercados em desenvolvimento têm aderido às boas práticasde GC, valendo ressaltar que em cada país o emprego das boas práticas de governançaapresenta diferenças, não havendo uma completa convergência sobre a melhor maneira deaplicação dessas práticas, entretanto todos se baseiam nos princípios da transparência,independência e prestação de contas para atrair investimentos. Para adaptação asdiferenças culturais foram criados os códigos de GC locais.Segundo Machado Filho (2006), para que a Governança Corporativa seja cada vez maisimplementada criando valor para o investidor há necessidade de transparência por parte dasorganizações. Visando a maior transparência a Bolsa de Valores da São Paulo (Bovespa)criou, em 2001, os chamado níveis diferenciados de Governança Corporativa, quedependendo do grau de compromisso da empresa pode se enquadrar nos níveis 1, 2 ounovo mercado, para tanto, estas empresas precisam ter um contrato com a Bovespa.O IBGC (2010) corrobora com o autor e criou, com o objetivo de estimular os interesses dosinvestidores nas empresas a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a listagem dasempresas que são diferenciadas em Governança Corporativa os chamados nível 1, nível 2 eNovo Mercado, existem também empresas que por não estarem no nível diferenciado deGovernança Corporativa são consideradas tradicional Bovespa. Basicamente, o segmento de Nível 1 caracteriza-se por exigir práticas adicionais de liquidez das ações e disclosure. Enquanto o Nível 2 tem por obrigação práticas adicionais relativas aos direitos dos acionistas e conselho de administração. O Novo Mercado, por fim, diferencia-se do Nível 2 pela exigência para emissão exclusiva de ações com direito a voto (IBGC, 2010). 10
  11. 11. Universidade Presbiteriana Mackenzie3. Governança Corporativa e SustentabilidadeÉ possível relacionar Governança Corporativa aos conceitos de Sustentabilidade por meiodos construtos de Elkington (2004) denominados Triple Bottom Line, que tratam dasorganizações, não apenas tendo em vista seu valor econômico, mas, também, ambiental esocial. Elkington (1999) afirma que para o desenvolvimento de uma organização énecessário que se valorize e invista no capital humano, no que condiz ao apecto social, ecuidado com o meio ambiente além dos valores econômicos expressos nos balanços. Oautor trata das sete revoluções trazidas pela sustentabilidade que direcionam os lucros daorganização, são eles: (i) o mercado, diz respeito ao fato de que a concorrência cada vezmais será acirrada e impulcionará o crescimento das organizações; (ii) os valores humanose sociais da organização, que influenciam na aceitação da organização pelos seus clientes;(iii) a tranparência, pois as organizações necessitam dia-a-dia serem cada vez maistransparentes. O Global Reporting Initiative (GRI), entidade internacional, criada em 2001,com o objetivo de padronizar a apresentação de balanços sociais construídos com base notriple bottom line; (iv) as tecnologias de ciclo de vida (CVP) analisadas sobre o enfoque daexistência do produto desde sua concepção (berço) até o seu descarte (túmulo); (v) osparceiros dos quais a organização depende; (vi) o tempo, enquanto as organizações sãoforçadas pelo mercado a serem cada vez mais ágeis utilizando-se de técnicas, como just-in-time, a dimenção social exige que se pense em longo prazo. Este assunto foi, também,complementado por Porter e Kramer (2006) que reafirmam a necessidade de se pensar emlucros no longo prazo sem realização de ações nocivas a sociedade e ao meio ambiente nocurto prazo; e (vii) a governança corporativa, que traz o equilibrio para a organização entreos lucros almejados pelos acionistas e diretores, utilizando como base o tripple bottom line.Para o autor quanto melhor o sistema de gorvernança corporativa maior a chance de seobter um capitalistmo sustentável.Segundo Handy (2002), as empresas precisam liderar as questões como ética,sustentabilidade e sociedade para que passem de agente prejudicador para agentebeneficiador do mundo, e não apenas ocupar posição defensiva, uma vez que as empresasnecessitam do meio ambiente intacto para sobreviverem. É bom lembrar que que na maioriadas empresas o retorno vem apenas com o longo prazo, algumas delas têm obtido lucrosgraças à inovações tecnológicas e por meio do desenvolvimento de produtos e serviços quelevam em conta a sustentabilidade.Percebe-se, graças a estes autores, que tanto a questão da Sustentabilidade quando aGovernança Corporativa defendem a transparencia em suas ações, com a divulgação desuas ações e de seus impactos perante a sociedade, meio ambinte e economia, como 11
  12. 12. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011sendo importante para o aumento dos lucros das empresas e geração de valor para osacionistas. III. MetodologiaAo tratar do problema de pesquisa, Luna (1998) aborda a questão juntamente com aquestão das hipóteses, elucidando que a clareza na formulação do problema de pesquisa éfundamental no processo do que vai se pesquisar. De acordo com o autor: [...] com alguma freqüência estabelece-se uma confusão entre elementos relativos a um problema de pesquisa e o próprio problema, dando-se andamento ao trabalho de pesquisa sem uma clareza suficiente quanto ao que se pretende pesquisar (LUNA, 1998 p 28).Neste trabalho de pesquisa, definiu-se como o problema: Empresas que são sustentáveisincluem a Governança Corporativa nível Novo Mercado em suas práticas?Ainda de acordo com Luna (1998), os objetivos da pesquisa são elementos do processo deformulação do problema de pesquisa. O autor chama a atenção, no entanto, para o fato deque muitas vezes os problemas de pesquisa são tomados por objetivos da pesquisa. Oautor defende que o bom senso seja suficiente para dirimir dúvidas sobre a formulação dosobjetivos no projeto ou relato. De acordo com Luna (1998): [...] de fato, ou os objetivos coincidem com o problema (e, neste caso, não há porque criar um novo item no relato), ou com “objetivos” pretende-se chamar a atenção para a relevância da pesquisa, para a aplicabilidade dos resultados (que, de resto, sempre foi um item esperado dentro da introdução e/ou ao final do relato, na discussão dos resultados). [...](LUNA, 1998 p 36).O autor entende que ao chamar a atenção para a relevância do trabalho o pesquisador devechamar a atenção do que se espera por vir, no entanto, o objetivo não substituirá oproblema de pesquisa.Lakatos e Marconi (2009) defendem a existência de dois tipos de objetivos: os gerais e osespecíficos. De acordo com os autores, o objetivo geral está ligado a uma visão global eabrangente do tema e relaciona-se com o conteúdo intrínseco, quer dos fenômenos, querdas idéias estudadas, vinculando-se, desta forma, à própria significação das proposições doprojeto. Já os objetivos específicos, de acordo com os autores, apresentam um caráter maisconcreto e possuem uma função intermediária e instrumental, permitindo de um lado atingiro objetivo geral e, de outro, aplicar este à situações particulares. 12
  13. 13. Universidade Presbiteriana MackenzieEste trabalho tem como objetivo geral entender se as empresas que são sustentáveisincluem a Governança Corporativa nível Novo Mercado em suas práticas?Os objetivos específicos foram assim definidos: OE1: Entender a relação entre sustentabilidade e o nível novo mercado de Governança Corporativa por meio da publicação de balanço segundo critério triple bottom line. OE2: identificar a presença da transparência nos relatórios apresentados pela empresa OE3: Identificar se na estrutura organizacional é contemplada uma diretoria específica para cuidar das questões relacionadas à sustentabilidadeCom o objetivo de entender fatos ainda pouco estudados sobre os temas GovernançaCorporativa e Sustentabilidade, foi feita pesquisa exploratória, justificada pelo fato de que,de acordo com Cervo et al. (2007, pg. 63), a pesquisa exploratória realiza descriçõesprecisas da situação e quer descobrir as relações existentes entre os elementoscomponentes de uma pesquisa.Buscou-se base de dados secundários que são, de acordo com Lakatos e Marconi (2009),dados fornecidos por meio de outras bases que não o próprio fornecedor da informação.Essa metodologia atendeu a esta pesquisa, tendo em vista que o trabalho visou investigar atransparência da empresa perante a sociedade e seus investidores no geral, assim, osdemonstrativos divulgados mostrou-se uma alternativa interessante para se conhecer estesdados.Optou-se por investigar diferentes alternativas de governança, usando-se uma estrutura jáexistente. Para compor amostra escolheram-se as empresas que compõem o Guia Examede Sustentabilidade 2009, por acreditar-se na fidedignidade desta publicação, que a partirde condições metodológicas claramente definidas, elege as vinte empresas que maisadotaram práticas sustentáveis em determinado ano.Os dados financeiros, sociais e ambientais foram obtidos a partir de Relatórios deSustentabilidade e Balanços publicados referentes ao mesmo ano, disponíveis nos sites dasempresas. As informações referentes à Governança Corporativa e ao Nível Novo Mercadoforam extraída do site da Bovespa. Neste sentido, as empresas selecionadas seguiram umalógica dedutiva, pois partiu da premissa que: as empresas sustentáveis incluem aGovernança Corporativa nível Novo Mercado em suas práticas. 13
  14. 14. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 IV. Análise dos dadosQuando confrontadas as empresas que compõem os Indicadores da Revista Exame com osIndicadores do Índice Bovespa (BM&F Bovespa, 2010), através do próprio site da Bovespa,percebeu-se que das vinte empresas constantes na Revista Exame (2009) apenas dez dasempresas sustentáveis possuem Governança Corporativa e apenas cinco possuem o nívelnovo mercado de governança, conforme demonstrado na tabela 1, as demais apesar de nãoterem GC divulgam seus balanços normalmente.Quadro 1 – Nível de Governança corporativa das empresas Empresa Novo mercado Nível 1 Nível 2 Tradicional Bovespa Wall mart Aes Brasil Alcoa Amanco Anglo American Bradesco Brasil Foods Bunge alimentos Coelce CPFL EDP Fibria ItauUnibanco Massisa Natura Philips Promon Serasa Experian Suzano Tetra Pak Fonte: Elaborado pelo autor a partir de dados do Guia Exame de Sustentabilidade (2009)Foram separadas apenas as empresas sustentáveis de nível Novo Mercado (primeiracoluna do Quadro 1) para verificar se estas empresas obedecem ao conceito Triple BotomLine e, assim, responder aos seguintes objetivos específicos:OE1- Entender a relação entre sustentabilidade e o nível Novo Mercado de GovernançaCorporativa por meio da publicação de balanço segundo critério Triple Bottom Line.OE3 – Se na estrutura organizacional é contemplada uma diretoria específica para cuidardas questões relacionadas à sustentabilidade 14
  15. 15. Universidade Presbiteriana MackenzieObservando-se as premissas de Porter e Kramer (2006) de que RSE não deve ser encaradagenericamente, mas como uma ação estratégica da empresa. Foram observados nosbalanços de 2009 das empresas analisadas, ações sociais e ambientais que pudessem serrelacionadas às ações estratégicas das empresas. Algumas destas ações fazem parte doQuadro 2.Quadro 2 – Síntese de ações das empresas em 2009Empresa Ações sociais 2009 Ações ambientais 2009 RamoBrasil Ação Social Impacto ambiental das embalagens AlimentosFoods 5 KM Perdigão Impacto Ambiental de Produtos e ServiçosCPFL Programa CPFL de Oportunidades Ações ambientais nas usinas Energia Programa Fale Comigo Projeto Planeta SustentávelEDP Workshop sobre “gestão da segurança no Geração Limpa e Captura e Seqüestro Energia trabalho na EDP” de CO2 Projeto Co-combustãoNatura Lançamento do Projeto Trilhas, do Crer 5,2% de redução no volume de Cosméticos para Ver, em 210 municípios brasileiros, emissões relativas de gases do efeito alcançando cerca de 200 mil alunos das estufa (GEE), por meio do Projeto escolas públicas Carbono Neutro.Fibria Relacionamento com comunidades Gerenciamento dos recursos hídricos Celulose especificas Manejo do solo Relacionamento com movimentos de luta pela terraFonte: Elaborado pelo autor a partir dos dados disponibilizados nos sites das empresasDe acordo com o IBGC (2010) a empresa que opta pelas boas práticas de governança deveadotar como uma de suas linhas mestras a responsabilidade corporativa. Neste sentido,Conselheiros e executivos devem zelar pela perenidade das organizações (visão de longoprazo, sustentabilidade) e, portanto, devem incorporar considerações de ordem social eambiental na definição dos negócios e operações. Percebeu-se, na análise das empresaspesquisadas de nível Novo Mercado de Governança Corporativa que elas seguem o critérioTriple Bottom Line na demonstração de seus resultados, e que os resultados sociais eambientais estão perfeitamente alinhados à estratégia da empresa, indo ao encontro dospressupostos de Porter e Kramer (2006).O IBGC (2010) defende ainda que a Responsabilidade Corporativa é uma visão mais amplada estratégia empresarial, contemplando todos os relacionamentos com a comunidade emque a sociedade atua. A "função social" da empresa deve incluir a criação de riquezas e deoportunidades de emprego, qualificação e diversidade da força de trabalho, estímulo ao 15
  16. 16. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 desenvolvimento científico por intermédio de tecnologia e melhoria da qualidade de vida por meio de ações educativas, culturais, assistenciais e de defesa do meio ambiente. Pontos que ficaram evidentes em todas as empresas pesquisadas. Indo ao encontro destas premissas, identificou-se nas demonstrações analisadas, uma preocupação em esclarecer à sociedade, e a todos os stakeholders a importância das ações da empresa na área ambiental e social, bem como, a demonstração dos impactos e benefícios de suas ações, as alternativas que os gestores buscaram para vencer a crise, quantos empregos foram gerados, se há ou não preocupação com a formação, treinamento e qualidade de vida de seus funcionários. Os relatórios assinados pelos executivos destas companhias trazem um resumo dos principais acontecimentos do ano e quais são os futuros passos da empresa. Estas informações, no entanto, ainda trazem mais o cunho econômico do que social e ambiental, apesar da “linguagem social” que utilizam. Foi verificado, também, que todas as empresas estudadas possuem diretorias ou comitês específicos para sustentabilidade de acordo com a estrutura organizacional descrita nos seus relatórios anuais de 2009 e resumido no quadro 3, indo ao encontro do que sugere Corazza, 2003. Foi observada a relação entre a Sustentabilidade e a Governança Corporativa por meio da transparência que as empresas demonstram ao utilizar o critério Triple Bottom Line na divulgação de seus resultados anuais. Quadro 3 – Análise dos balanços O relatório segue Possui Publica Relatório o padrão do Demonstra Demonstra Demonstra diretoria/comitê de Triple Bottom Informações Informações Informações especifica paraEmpresa Sustentabilidade Line Financeiras Sociais Ambientais sustentabilidadeBrasil Foods Sim Sim Sim Sim Sim SimCPFL Sim Sim Sim Sim Sim SimEDP Sim Sim Sim Sim Sim SimNatura Sim Sim Sim Sim Sim SimFibria Sim Sim Sim Sim Sim Sim Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos dados extraídos dos sites das empresas Em busca de responder o OE2- identificar a presença da transparência nos relatórios apresentados pela empresa, segundo IBGC (2010), as boas praticas de Governança Corporativa se baseiam nos princípios da transparência, independência e prestação de contas para atrair investimentos, portanto, todas as empresas que conseguem obter o nível Novo Mercado de Governança Corporativa tem alto nível de transparência, visto que as boas práticas de Governança são um pré requisito para a obtenção de tal. 16
  17. 17. Universidade Presbiteriana MackenzieConclusõesAo tentar estabelecer sinergia entre a Governança Corporativa nível Novo Mercado e aSustentabilidade, intui-se que a Governança Corporativa tem sido pouco incluída emempresas sustentáveis, visto que das vinte empresas sustentáveis pesquisadas apenascinco possuem tal classificação, apesar de tanto o nível de Governança Corporativa quantoa Sustentabilidade exigirem requisitos comuns tais como a transparência que serve paraatrair cada vez mais investimentos e, também,para comunicar ações ambientais e sociaispara a sociedade.Nas empresas analisadas que possuem Nível Novo Mercado de Governança Corporativa foiobservada transparência na divulgação de seus resultados financeiros, sociais e ambientais,bem como uma preocupação em esclarecer aos acionistas e à sociedade os principaiseventos ocorridos durante o ano e as perspectivas e projeções para o futuro.A utilização do conceito Triple Bottom Line na divulgação dos balanços analisados, deixaclaro a preocupação da empresa na valorização não só de seus resultados econômicos,mas, também, dos resultados sociais e ambientaisA preocupação com o meio ambiente pode ter levado as empresas analisadas à criação dediretorias especificas para cuidar da questão da sustentabilidade, demonstrando aimportância da elaboração de estruturas organizacionais adequadas às praticas ambientaise sociais.Este estudo sugere, finalmente, que a sinergia entre Sustentabilidade e GovernançaCorporativa poderia ser melhor aproveitada pelas empresas, visto que ao ser sustentável aorganização passa a possuir algumas das exigências para possuir o nível Novo Mercado deGovernança Corporativa.Cervo et al. (2007) lembram que a pesquisa exploratória deve servir de base para a criaçãode hipóteses que serão usadas em estudos futuros, sendo assim, sugere-se que para novosestudos, que se realize novamente o estudo de forma longitudinal com as empresas quecompõem o ranking do Guia Exame de Sustentabilidade para aferir se o interesse dasempresas sustentáveis em se tornarem nível Novo Mercado de Governança Corporativa temaumentado ou se tem sido indiferente a estas organizações, que poderiam utilizar-se dospadrões que utilizam para serem sustentáveis para também atraírem investimentos por meioda geração de valor porporcionado pela Governança Corporativa. 17
  18. 18. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011Referencias BibliográficasALMEIDA, F. O bom negócio da sustentabilidade. São Paulo: Nova Fronteira, 2002.ALMEIDA, F. Os desafios da Sustentabilidade. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.ANDRADE, A.; ROSSETTI, J. P. Governança Corporativa: fundamentos,desenvolvimento e tendências. 4th ed. São Paulo: Atlas, 2009.ANDRADE, R. O. B. DE; TACHIZAWA, T.; CARVALHO, A. B. DE. Gestão Ambiental –Enfoque estratégico, aplicado ao desenvolvimento sustentável. São Paulo: MakronBooks, 2006.BARBIERI, J. C. Gestão ambiental empresarial: conceitos, modelos e instrumentos.São Paulo: Saraiva, 2006.BARBIERI, JOSÉ CARLOS. Gestão Ambiental Empresarial – Conceitos, Modelos eInstrumentos. São Paulo: Editora Saraiva, 2008.BATISTELLA, F. D.; CORRAR, L. J.; BERGMANN, D. R.; AGUIAR, A. B. Retornos de Açõese Governança Corporativa: Um Estudo de Eventos. Disponível em:<http://www.congressousp.fipecafi.org/artigos42004/48.pdf>. Acesso em: 29/12/2010.BM&F BOVESPA, A nova Bolsa. Disponível em:<http://ri.bmfbovespa.com.br/site/portal_investidores/pt/home/home.aspx: Acesso em20/11/2010CAMPOS, J. G. F. DE. Agenda 21 – da Rio 92 ao Local de Trabalho. São Paulo: IgluEditora Ltda, 1995.CERVO, Amado.L.; BERVIAN, Pedro.A.; DA SILVA, Roberto. Metodologia Científica 6ª.Ed. São Paulo: Person Prentice Hall, 2007.CMMAD, C. M. S. M.-A. E. D. NOSSO FUTURO COMUM. 2nd ed. Rio de Janeiro: Editorada FGV, 1991.CORAZZA, Rosana Icassatti GESTÃO AMBIENTAL E MUDANÇAS DA ESTRUTURAORGANIZACIONAL. RAE-eletrônica, v. 2, n. 2, jul-dez/2003.Disponível em:<http://www.rae.com.br/eletronica/index.cfm?FuseAction=Artigo&ID=1392&Secao=ORGANIZA&Volume=2&Numero=2&Ano=2003> Acesso em 7/04/2011DOWBOR, L. Inovação social e sustentabilidade. In: A. J. de H. (org ) GUEVARA (Ed.);Consciência e desenvolvimento sustentável nas organizações, 2009. Rio de Janeiro:Elsevier.ELKINGTON, J. Triple bottom-line reporting: looking for balance. Australian CPA, 1999.Australia.ELKINGTON, J. Enter the triple botton line. In: A. Henriques; J. Richardson (Eds.); TheTriple Botton Line, does it all add up?: assessing the sustainability of business andCSR. p.208, 2004. London: Earthscan. Disponível em:<http://books.google.com.br/books?id=JIiHcXcLSHAC&printsec=frontcover&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false>. . 18
  19. 19. Universidade Presbiteriana MackenzieETHOS. Instituto Ethos de empresas e responsabilidade Social. Disponível em:<http://www1.ethos.org.br/EthosWeb/pt/29/o_que_e_rse/o_que_e_rse.aspx >. Acesso em:29/12/2010.EXAME, Revista. A lista das empresas modelo em responsabilidade social corporativa noBrasil. Guia Exame de Sustentabilidade 2009, 2009. São Paulo.FIALHO, F. A. P. Gestão da Sustentabilidade na era do conhecimento: Odesenvolvimento sustentável e a nova realidade pós-industrial. Florianópolis: VisualBooks, 2008.FREEMAN, R. E.; REED, D. L. Stockholders and stakeholders: a new perspective oncorporate governance. California Management Review, p. 88, 1983. Spring.HANDY, C. Para que serve uma empresa? Harvard Business Review, p. 35, 2002.HARRIS, S. M. Does sustainability sell? Market responses to sustainability certification.Management of Environmental Quality: An International Journal, v. 18, n. 1, p. 50, 2001.HART, S. L.; MILSTEIN, M. B. Criando Valor Sustentável. RAE Executivo, p. 65-79, 2004.São Paulo.HART, Stuart L. O Capitalismo na Encruzilhada. São Paulo:Artmed Editora, 2008HUBERMAN, L. História da Riqueza do Homem. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1984.IBGC. Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Disponível em:<http://www.ibgc.org.br/Home.aspx>. Acesso em: 15/8/2010.LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. DE A. Fundamentos de metodologia científica. 6th ed.São Paulo: Atlas, 2009.LODI, J. B. Governança corporativa : o governo da empresa e o conselho deadministração. Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, 2000.LUNA, S. V. Planejamento de pesquisa: uma introdução: elementos para uma análisemetodológica. São Paulo: Educ, 1998.MACHADO FILHO, C. P. Responsabilidade Social e Governança: o debate e asimplicações. São Paulo: Pioneira Thonson Learning, 2006.MELO NETO, F. P.; BRENNAND, T. M. Empresas Socialmente Sustentáveis. Rio deJaneiro: Qualitymark, 2004.MOURA, L. A. A. DE. Qualidade e Gestão Ambiental – Sustentabilidade e Implantaçãoda ISO 14.000. São Paulo: Editora Juarez de Oliveira, 2008.ORSATO, R. J. Posicionamento ambiental estratégico: identificando quando vale a penainvestir no verde. Revista Eletrônica de Administração – REAd, 2002. Rio Grande do Sul.Disponível em: <http://www.hiec.org.br/ambiental.pdf>. .PORTER, M.; KRAMER, M. R. Estratégia e Sociedade: o elo entre a vantagem competitiva eresponsabilidade empresarial social. Harvard Business Review2, 2006. Harvard.PRAHALAD, C. K.; NIDUMOLU, R.; RANGASWAMI, M. R. Why sustainability is now the keydriver of innovation. Harvard Business Review, 2009. Harvard.RODRIGUES, J. ANTONIO; MENDES, G. DE M. Governança Corporativa: estratégiapara geração de valor. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2004. 19
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