Eduardo Torroja Miret

180 visualizações

Publicada em

Eduardo Torroja Miret - capitulo 1

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
180
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
7
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Eduardo Torroja Miret

  1. 1. EDUARDO TORROJA MIRET RAZON Y SER DE LOSTIPOS ESTRUCTURALES Capítulo 1 Em português Tradução de Carlos Elson Lucas da Cunha
  2. 2. Cada material tem uma personalidade específica e distinta, e cadaforma impõem uma configuração tensional diferente. A soluçãonatural de um problema – arte sem artifício – ótima frente ao conjuntode condições prévias que a originaram, impressiona com suamensagem, satisfazendo, ao mesmo tempo, as exigências do técnico edo artista.O nascimento de um conjunto estrutural, resultado de um processocriativo, fusão de técnica com arte, de gênio com estudo, deimaginação com sensibilidade, foge do domínio da lógica pura paraentrar nas secretas fronteiras da inspiração.Antes e a acima de todo o cálculo está a ideia, modeladora do materialem forma resistente, para cumprir sua missão.A essa ideia se dedica esse livro.
  3. 3. CAPÍTULO 1Na literatura técnica da construção se encontram centenas de obras decaráter teórico, sobre o cálculo de suas estruturas; bem poucas sobreas condições gerais de seus diferentes tipos, sobre as razõesfundamentais que os determinam, sobre as bases que hão de orientar oproblemas de sua escolha e as ideias principais que guiam o projetistaem seu trabalho inicial, seguindo princípios que, pouco-a-pouco,acumulam-se em sua mente, mas que raras vezes, se dá conta.Não se trata, na realidade, de dizer nesta obra, nada de novosobre otema. Apenas se pretende acompanhar o técnico e projetista daconstrução – seja arquiteto, engenheiroou simplesmente amador – emuma tranquila caminhada pelo labirinto, cada vez mais enredado, datécnica, para colher, ordenar e reforçar ideias e conceitos fora de todoo numérico e quantitativo.As teorias raras vezes dão mais que uma comprovação da justeza oudesacerto das fórmulas e proporções que se imaginam para a obra.Estas surgirão primeiro de um fundo intuitivo dos fenômenos, que seacumulam como um depósito íntimo de estudos e experiências aolongo da vida profissional. Disto e apenas disto se pretende trataragora.O cálculo não é mais que uma ferramenta para prever se as formas edimensões de uma construção, simplesmente imaginada ou járealizada, são aptas para suportar as cargas a que estará submetida.Não é mais que a técnica opertória que permite o passo de concepçõesabstratas dos fenômenos resistentes aos resultados numéricos econcretos de cada caso. O assombroso avanço que nas teorias
  4. 4. mecânicas das estruturasou elementos sutentadores das construçõesforam produzidos nos séculos 19 e 20, fazer menosprezarexcessivamente o estudo ontológico da moforlogia resistente. Todoprojetista que despreze o conhecimento de seus princípios, está sujeitoa graves fracassos; e o caso é que nas escolas há tanto que seaprender que raras vezes sobra tempo para pensar.Para acertar na criação e desenho das estruturas, e ainda dasconstruções de modo geral, é necessário meditar e conhecer bem ascausas profundas, a razão de ser de sua maior ou menor resistência; ese trata de focar, agora, a questão prescindindo todo o acessório e, emespecial, de tudo que representa um processo ou um valor numérico;trata-se de considerar o problema de pontos de vistas mais gerais equalitativos. Pois é absurdo se partir para o arranjo quantitativo sem asegurança de terencarado o conjunto em seus domínios específicos. Éum erro demasiado comum começar a calcular a viga númeor 1 semhaver antes meditado se a construção deve ter vigas ou não.O eforço é audaz, pois como dizia Confúcio, tão inútil é aprender semmeditar como perigoso é pensar sem antes ter aprendido de outros; eneste caso é raro encontrar na literatura moderna – a que se fez háalguma décadas já pode se mostrar inútil – autores que apresentam oproblema tal como agora se pretende enfocar. Todavia, a mesmabanalidade destes comentários talvez sirva para incentivar outros afalar e escrever sobre o tema, preenchendo esta lacuna que se nota naliteratura técnica. Em todo problema desse gênero se tem umafinalidade sob condições essenciais, e outras acessórias, a cumprir; ese tem alguns meios para realizá-las.A finalidade varia enormemente de um caso a outro, mas sempreexiste. Construir por construir resulta muito custoso para servir de jogoa homens maduros desta e de todas as épocas. A humanidade constrói
  5. 5. para algo. Nem sempre atinge esse algo; mas constrói para algo. Asobras não são feitas para que perdurem. Constrói-se para outrafinalidade ou função que leva, como consequência especial que aconstrução mantenhasua forma e condições ao longo do maior tempo.Sua resistência é uma condição fundamental; mas não sua finalidadeúnica, nem sequer a finalidade primária.Ao que nos interessa, as finalidades funcionais básicas podem agrupar-se da seguinte forma:1 – Isolar um determinado volume do meio externo. Ou seja, defenderesse volume dos agentes naturais exteriores: vento, chuva, neve,ruídos, temperaturas, visão de outros, etc etc. do ponto de vistaestrutural constuma-se de distinguir neste grupo os muros defechamento e as coberturas.2 – Suportar cargas fixas ou móveis – quer dizer, ligar ou estabeleceruma plataforma que permita a passagem de pessoas, veículos etc. são ,de um lado, os pisos dos edifícios e, de outro, as pontes, viadutos,passarelas etc.3 – Conter esforços horizontais ou estabelecer um arrimo que suportevolumes de terra, água ou outros materiais líquidos, áridos ousemelhantes. São as represas, paredes de depósitos e silos, muros decontenção, diques de abrigo etc.Além dos grupos de construções tradicionais há outros menos comuns-como são as tubulares, revestimentos de túneis, mastros, chaminés,canais, muros de cerca etc – e que não são fáceis de classificarrigidamente, nem importa fazê-lo agora.A finalidade funcionalprimária sempre vem acompanhada de outras, mais ou menosobrigatórias, que determinam a infinidade de variações e que
  6. 6. conferem personalidade a cada caso concreto.Assim, por exemplo, opiso de uma ponte de rodagem precisa apresentar superfície lisa e depouca rugosidade para permitir a passagem de veículos; se é depedestres pode apresentar degraus, ainda que seja o mais convenientepor questões de comodidade. Uma casa necessita de aberturas paradar passagem a luz; porém, mesmo que seja econômico usando novosmateriais, pode não convir que haja transparência em toda a suasuperfície. E assim, poderíamos multiplicar-se os exemplos.Existem, porém, condições imprescindíveis, outras puramenteacessórias ou convenientes e algumas itermediárias: absolutamentenecessárias em termos de qualidade, mas que admitem em suaquantidade, uma margem maior ou menor. Por uma ponte ondulante,sem vigas rígidas, talvez seja possível se passar, como em um tobogã,mas ninguém admitiria esta solução; certamente uma pequena flexãoseria aceitável. Até onde se aceita a elasticidade do sistema é um pontodifícil de acordo e está sujeito a opiniões puramente subjetivas. Emtodos estes casos deve haver um acordo entre as possibilidadestécnicas, econômicas e outras que vamos comentar.Entretanto, qualquer que seja o caso, deve sobressair a fundamentalimportância que tem fixar, em cada situação as finalidades e ascaracterísticas da construção proposta, separando nela o que éessencial do conveniente e do meramente acessório.Por outro lado,toda construção tem uma função resistente a cumprir. Emprega-se aquio termo resistente num sentido lato e pouco técnico. Refere-se a todoo conjunto de condições necesssárias para assegurar a imobilidade totae parcial; quer dizer, a condição estática das formas ao longo do tempo.Isto porque não basta que sua resistência afaste o risco de ruptura.Énecessário também, quea construção seja estável e imóvel. Uma obrapode romper ou cair sem romper – que se rompa ou não ao chegar aochão é secundário - pode deslizar sobre a base, ou acomodar-se ao
  7. 7. movimento das ondas como um barco. As construções que trataremosaqui não devem admitir semelhantes movimentos nem mostrar-seflexíveis como um trampolim. Talvez, no lugar de falar de uma funçãoresistente, seria melhor falar, de forma mais genérica, de uma funcãoestática.A função estática é sempre essencial; pois se algo para cumprir suafinalidade, não necessita ser resistente e estável, não se chamaconstrução; ou não entra nas que nos interessam aqui.A construçãodeve manter suas características essenciais um certo tempo mínimo.Estas características não são apenas as geométricas ou volumétricas.Requerem que os materiais dos quais são feitas tais construções semantenham diante de todo tipo de agentes exteriores; ou seja, que nãose prejudiquemos os que vão usufruir delas; que suportem os efeitosdas variações térmicas ou sonoras; sua cor, sua massa, etc. Concluindo,requer que mantenham suas propriedades, necessárias ouinteressantes, ante qualquer agente a que venha ser submetido aconstrução. Ainda reduzindo a questão estática a simplesmenteresitente, convém observar que são muitos e diversos tipos dequalidade mecânicas que podem solicitar.Primeiramente, os materiais devem ser resistentes, resistência essaque significa sua capacidade de suportar as solicitações mecânicas aque hão de estar submetidos em cada área. Para isto, requer-seconhecer tais solicitações. Sua dedução, a partir de um conjunto decargas ou forças exteriores, que tem dado, e das característicasmecânicas (elásticas, plásticas, etc) do material, constitue a parte maiscomentada em livros e escolas técnicas; por isso, quanto a estaquestão, só os fundamentos ou linhas gerais serão tratadas maisadiante. Porém, não se deve esquecer que junto com o fenômeno deresitência tensional interna, apresentam-se inúmeras variantes, cadauma das quais requerem, do material, uma propriedadeespecífica
  8. 8. diferente. Emalguns casos requer-se resistência superficial à abrasão-como em um piso – pois estará submetido aum certo tipo de desgaste;em outros, se exige determinada dureza etc.Passando a outro aspecto: todos sabemos que a construção temsempre condicionantes ou limitações econômicas. No mesmo nível dedas outras condições, a obra deve ser o mais econômica possível.Certamente há obras suntuosas. A razão humana e social disso sãodifíceis de justificar. Os excessos são sempre condenáveis; mas ele estáno fundo da natureza humana. O problema, como sempre, está emdemarcar seus limites, que variam muito de um caso a outro. Salvoalgumas exceções, existe sempre um limite de gastos que marcam atéonde é realizável ou não. No geral podemos dizer que a condição decusto mínimo sempre é válida e deve ser atendida. A solução, semdúvida, não é quase nunca clara; traduz-se em aumento ou redução dasegurança da obra, de sua duração, das possibilidades que se desejam,de sua melhor aparência estética etc. Se a variável ‘custo’ émeramente numérica as vantagens ou inconvenientes que isto implicaem questões tão diversas quanto são, com frequência, impossíveis demedir quantitativamente. Por isso, a justificativa, necessariamentesubjetiva da questão, enseja questões frequentes e debates. Semdúvidas, com em muitos destes casos, a lógica e a matemática podemprestar valiosa colaboração ao se obter um acordo e uma poderação,ou bom senso, que sempre devem dirigir as decisões humanas.O custo depende, por sua vez, de muitas variáveis, taiscomo: o preçodos materiais, o valor das jornadas de trabalho, o rendimento da mão-de-obra, os gastos gerias e de toda ordem que pesam sobre o conjunto,assim como do processo construtivo que se escolheu, dentro dosavanços que a técnica permite em cada caso. Ainda no pontoeconômico temos que considerar também os gastos de conservação,que podem resultar diferentes de um material a outro, incluindo o tipo
  9. 9. estrutural, de um ou outro tamanho. Por outro lado o custo precisaconsiderar a relação com os benefícios, diretos ou indiretos,censuráveis ou imponderáveis que se esperam da construção.Costuma-se fazer algumas presuposições em cada construção definida,dentro do estreito limite das condições locais estabelecidasnomomento; mas o técnico consciente de sua missão no seio dasociedade que o rodeia, deve pensar também que convém, de quandoem quando, enfocar o problema desde mais cedo, com característicasamplas e meditar sobre as enormes consquências sociais eeconômicas que tais questões possuem. A técnica mais ou menosavançada, melhor ou pior organizada em sua equipe e adaptada ascaracterísticas próprias de cada país, pode permitir que se produzamnotáveis melhoras ou terríveis perdas que podem significar facilmentemilhões e milhões.A importancia que se tem dado a este tema nos últimos tempos emtodo o mundo se vê nas organizações que surgem em todos ospaíses,para facilitare e incentivar o progresso da técnica com vistas amaior eficácia e menor custo das construções, são temas do maiorinteresse; mas fogem bastante do que se quer tratar aqui.Convém,pois, recordar apenas – para voltar a questão – que na economia totalda construção ou de um elemento, podem influir fatores como: o clima,o solo, densidade populacional, facilidade de transportes,industrialização, capacidade da equipe e gestores, o volume deelementos comuns a outras obras simultâneas ou que realizarão nofuturo próximo etc etc.Junto ou em oposição a questão econômica surge o prazo daconstrução. Toda obra, em uma região e época determinada, tem umritmo de execução que lhe dá menor custo direto. Entretanto, deve-seter em conta outras razões que podem tornar conveniente alterar essa
  10. 10. marcha, até por questões econômicas, quando o problema se enfocaem seu conjunto; em consequência disso pode-se até mudar o tipoestrutural que se aceite escolher. Falta de dinheiro no curto prazo ourazões contratuais podem obrigar a um ritmo mais lento para evitar oencarecimento que representaria um adiantamento de empréstimos.Ao contrário, os interesses do capital imobilizado durante a obra, ealém disso o não surgimento do lucro que advém da obra terminada,podem justificar aumentos importantes dos custos diretos e favoreceruma maior rapidez. O ritmo mais econômico na obra e o próprio tipo damesma deverão, pois, seravaliados tendo em conta tudo isto e fazendo-se um estudo financeiro completo. Éum problema de custo e deprodutividade do dinheiro empregado na construção.Outro aspecto mais ligado à obraé o aspecto estético da construção. Hámonumentos em que tal questão pode-se dizer, é a finalidade primária;em outras obras, de tipo industrial ou de missão puramentesustentante sem possibilidade de ser vista, o fator estético édepreciado e pode até desaparecer totalmente.Até que ponto serásacrificado o elemento estético em favor da questão econômica, seráconsiderado em cada caso; mas sempre se pode valorizar suainfluência, nem que seja meramente para evitar seu completoabandono.A condição estética deve incluir-se sempre, com uma das muitascondições essenciais ou acessórias da finalidade que se busca. Éconveniente comentá-la em separado, pois tem sua qualidade própria esuas relações específicas com a função estática do conjunto; e porque,outrossim, na maioria das construções, suas exigências não são tãodefinidas como o resto das que se consideram no grupo de finalidades;ao separá-las, pode-se, no úlitmo grupo, incluir somente as finalidadesutilitárias ou funcionais, que motivam a construção, enquanto a
  11. 11. estética se encontra mais abastratamente, junto ao conjunto daspartes visíveis da construção.De todas essas ponderações e fatores tão heterogêneos, há de sair acolocação do problema que trata de resolver o projetista; mas nãoapenas eles, embora muitos, os únicos que hão de considerar.Deve-seter em conta que para resolver o problema, o construtor conta comalguns materiais determinados e com algumas técnicas construtivas ouprocessos de construção dos quais é difícil livrar-se em determinadosmomentos. Cada material possui um conjunto de característicaspróprias que o fazem mais ou menos apto para um tipo de construçãoou parte dela, para algum outro processo construtivo, para uma formade solicitação mecânica etc.As características próprias de cada material influem, pois, no modeloestrutural que se há de eleger. A pedra é apta para resistir acompressão e não a tração. Por sua massa e peso, pode ser boa paraaqueles modelos estruturais que seestabilizam pelo seu próprio peso, emá para outros tipos de solicitações. O processo construtivo é tambémdiferente de um material para outro e seu aspecto, sua resitência aosefeitos das intempéries, como tantas outras coisas, variamenormemente com a classe de materiais empregados. Alguns poder sereconômicos em uma região e carosemoutras. A quantidade devariáveis e condições que influenciam é imensa.Por último, não sedeve deixar esquecida a técnica ou processoconstrutivo que se pretende seguir. Este depende,naturalmente, dosmateriais que se utilizam e em sua escolha deve-se ter em conta asoutras condições já mencionadas: existência e economia da mão deobra apta para tal, ou da maquinaria auxiliar correspondente; prazoque obrigue a adotar o sistema mais rápido ou, ao contrário, o mais
  12. 12. econômico; número de repetições de elementos iguais que permita aamortização de determinadas instalações etc.Em resumo: cada construção tem sua finalidade e suas característicaspróprias; tem, em consequência, algumas condições resistentes acumprir; tem certas exigências econômicas e prazo de construção; e,geralmente, tem também uma interpretação estética mais ou menosexigente. Para realizar determinada obra se dispõem dealgunsmateriais com características próprias e de certas técnicas paramanejá-los. No conceito de função, há sempre certas condiçõesessenciais que pode ser de ordens muito diversas. Há outras que,mesmo quando imprescindível em sua essência, não determinadasquantitativamente e se apresentam, no final, outras acessórias de puraconveniência, das que em último caso se poderia prescindir, se fossenecessário sacrificar no lugar de outras coisas ou, ao menos, reduzi-lasao mínimo em suas solicitações.A função resistente ou estática é essencial por conta de em não sendo,a obra fugiria do tema que aqui se trata; porém, não é nunca a razãoúnica e primordial da construção. Sem dúvida, é importante destacá-lapor ser aquela – ou o que ela impõem em relação íntima com as demaiscondições – o tema que há de analisar e que poderia definir-se assim:“De como eleger um modelo estrutural que, dentro das condições queimpõem sua finalidade, resulte em mais adequado para construir-secom os materiais e as técnicas que se dispõem.”Esclarecendo que, aose dizer modelo estrutural, se faz referência ao conjunto de elementosresistentes capaz de manter suas formas e qualidades ao longo dotempo, sob ação das cargas e agentes externos a que haverá de sesubmeter; quer dizer, a parte da construção que garanta a funçãoestática, a falta de outra palavra melhor, se chama “estrutura”.
  13. 13. Se dá a esta palavra um sentido mais amplo do que o corrente, que serefere somente ao conjunto de peças prismáticas ou assemelhadasaelas, ao que se aplica normalmente a teoria da Resistência dosMateriais – o que antigamente se chamava a PALAZÓN. Aqui se chamaagora, estrutura, igualmente a isso que a um muro maciço ou a umarepresa; e para distinguir melhor, poderíamos reservar o nome“tramas” para o primeiro grupo de estruturas.Nas construçõesdaantiguidade não eram tão frequente separar a parteestrutural, ou sustentante da construção, do resto dos elementos. Hojeesta distinção total é comum; e por isso há motivo para ocupar-se daestrutura em si e suas relações com o resto dos elemento. Quandotodos eles se fundem em um só, como sucede, por exemplo, narepresa, o problema segue interessando igualmente deste ponto devista.Os fenômenos estático-resistentes requerem, portanto, atençãoespecial, mas sem esquecer do resto das condições que entram noproblema conjunto da construção. Porque, precisamente omenosprezar o resto, o pensar só na estrutura, é um defeito correntedo técnico; do mesmo modo que o é, frequentemente, por parte doartista, o menosprezar a estrutura ao idealizar a linha geral e osdetalhes do conjunto. As exigências econômicas e estéticas hão deestar sempre presentes na alma do projetista, ainda que trate só decriar forma estrutural, porque ela só, sem integrar-se ao conjunto daconstrução, não teria razão de ser.Definitivamente: o problema há de se colocar com estas quatropremissas:finalidade utilitária;função estrutural ou estática;exigência estética
  14. 14. e limitação econômica.Para resolvê-lo dispõem-se, como se disse, de alguns materiais ealgumas técnicas. Só mediante um profundo conhecimento dascaracterísiticas mecânicas e de outras ordens, dos materiais,dastécnicas que cada um requer edosmeios de que dispõem paramanejá-los, se pode atinar a escolha conveniente, tanto dos materiaiscomo dosprocessos de excecução e encontrar o tipo estrutural ótimocom suas formas resistentes ajustadas a todas as exigências.O resultado deve compreender estas quatro coisas:o material,o modelo estrutural,suas formas e dimensões,e o processo de execução ...em relação aos elementos auxiliares que se requeira.As quatro coisas vão unidas e se influem mutuamente. Só umacuidadosa escolha das quatro pode dar uma solução ótima; nenhumapode-se considerar independente das outras; nenhuma pode seresquecida.Conforme o material seja pedra ou tijolo, variaráessenciamente o modelo estrutural, o processo de execução, asdimensões e os meios auxiliares a serem utilizados. A carência dedeterminados meios auxiliares ou seu elevado custo, pode tornarproibitivo o emprego de certos materiais ou de certo sistemaconstrutivo; e não é necessário insistir em que o mesmo sucede comqualquer dos outros pontos.A variedade decondições, mais ou menos impreativas, que aparecementre todos os elementos, tornam mais difícil a solução do problema.
  15. 15. Esquematizando em forma matemática poderíamos dizer que temos oseguinte:Equações IncógnitasFinalidade utilitária materialEstatistmo (função estática) tipo estruturalQualidades estéticas forma e dimensões resistentesCondições econômicas processo de excecuçãoA estas equações podemos chamar de compatibilidade, queestabelecem as mútuas exigências e influências de algumas incógnitasem outras. Todas fazem o sistema incompatível,no sentido de que nãoé possível satisfazê-las todas plenamenteou em todo grau que sequeira; e é necesssário conformar-se com resolver o problemaaproximadamente, limitando ao mínimo os inconvenientes esacrificando, em parte, condições menos importantes. Somente pode-se pretender que o sistema feche com o menor erro.Os recursos do cálculo só servempara aferir as dimensõesou paracomprovar se estão suficientemente aferidas. Todo o demais não sepode obter por métodos dedutivos. Algumas tentativas podem servir,no máximo, para resolver o problema econômico, determinando qualdas soluções preestabelecidas é a mais barata; o resto cai, em grande
  16. 16. parte, no campo do subjetivo e opinativo, sempre sujeito a críticas ejulgamentos diversos.Por isso, projetar, ainda que só sejam estruturas, se bem que temmuito deciência e de técnica, tem muito mais de arte, de bom-senso,de atitude, de prazer no trabalho de imaginar a linha oportuna, a que ocálculo não apagará nos últimos toques com a confirmação de suagarantia estático-resistente.Está rápida visão do conjunto de temas e facetas que entram noproblema, há de servir de guia para se esboçar, uma a uma, asquestões que influem nele. Ainda que se trate de diferenciá-las parapoder analisar o problema, todas elas estão tão ligadas entre si que,continuamente, ao tratar de uma, haverá que se referir a outras; esomente ao integrá-las, depois, poderá lograr alguma garantia deacerto em seu julgamento.Não se pretende aqui- mesmo porque seria muita ousadia – mais doque dar ideias e conhecimentos gerais, porque a variedade de casos étal que seria loucura procurar entrar em detalhes. Nada do que sedisse, nem do que se segue, é novo; não é mais do que um conjuntode bom-senso, obviedades. Mas ainda assimpode ser interessanterevisá-las e agrupá-las em algumas páginas; visto que é sempre maisinteressante meditar sobre elas e gravá-las mais e mais no espírito – detécnicos de construção – para poder, com mais facilidade, seguir asboas normas que, constituindo-se um hábito ou uma segunda natureza,hão de conduzir com naturalidade e acerto pelo arriscado e alucinantecaminho da criação.A heterogeneidade dos fatores comentados é tãoforte quenecessariamente há de referir-se uns capítulos nos outros. Temas tãodiferentes, como a tensão, a estética, requerem forçosamente não sóumtratamento diferente, comoinclusive, umestilo expositivo
  17. 17. totalmente distinto, que há de chocar ao leitor quando passardeumcapítulo a outro. Não se trata de dissimular nem uniformizar,porque é precisamente esta diversidade eesta antinomiadosdistintosfatores,qualidades,conceitos, ideais e sentimentos quelevam o projetista integrar dentro desi o próprio caráter e idiosincrasiapessoal. Aperfeição doprojeto nãopode ser asimples consequencia doaprendido nos livros, mas a natural derivação deuma personalidadebemequilibrada emtoda suacomplexidade;e nofundo,comosempre,oqueinteressafundamentalmente éa formaçãodessapersonalidade.Uma advertência: o queimportanão sãoasopiniões do autor, que nãopretende impor nada a ninguém; não importa estar ou não de acordocom muito do que se expôs. Oque se pretende é tão somente chamaraa atenção sobre elas, pois o essencial é meditar, uma e outravez,sobreas diversas questões colocadas,até formar um critériopróprio e conscientesobrea valorarização relativa dos diferentes temase sua eficaz forma de integração no processo criador da obra.

×