Antropocénico

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Trabalho sobre o Antropocénico ou a era do homem

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Antropocénico

  1. 1. Antropocénico A Era do Homem Docentes: ÍndiceIntrodução _______________________________ 3-4
  2. 2. Antropocénico _______________________________ 5-7O Mundo depois de Nós _______________________________ 8-9Conclusão _______________________________ 10Bibliografia _______________________________ 11 Sociologia do Desenvolvimento e Sustentabilidade 2
  3. 3. IntroduçãoVivemos num mundo no qual a humanidade tem vindo a deixar marcasprofundas, o homem tornou-se num fenómeno capaz de transformar apaisagem terrestre e com isso tornamo-nos numa força geológica. Para queessas marcas não tragam com ela a destruição do próprio Homem, é necessárioque utilizemos a inteligência para adaptarmos as sociedades a um estilo de vidaharmonioso com a natureza. Ou corremos o risco de esgotar os recursos quenos sustentam.Para melhor se entender a Terra, os cientistas dividiram a idade do Planeta emTempo Geológico. A escala do tempo geológico representa a linha do tempodesde o presente até à formação da Terra (cerca de quatro mil e seiscentosmilhões de anos) (Kolbert 2011), essa escala divide-se em éons, eras, períodose épocas (wikipedia s.d.), que se baseiam nos grandes eventos geológicos dahistória do planeta.As alterações atmosféricas, geológicas, químicas, biológicas, grandes erupções,grandes extinções e outros acontecimentos do passado podem ser lidos noschamados testemunhos geológicos, camadas de sedimentos que guardam ahistória das modificações planetárias (estudadas pela estratigrafia). (Martini2011, 39)A época antes da que eu me proponho analisar neste trabalho era oHolocénico, que se tinha iniciado na última glaciação, mas a opinião quaseunânime dos cientistas é que realmente o homem interferiu de tal modo noplaneta que se entrou numa nova época, o “Antropocénico”, ou a Era doHomem.O termo “Antropocénico” foi utilizado pela primeira vez há cerca de uma décadapelo holandês Prémio Nobel da Química Paul Crutzen, desde esse dia, muitosoutros cientistas o adoptaram e tem sido aceite por quase toda a classecientífica. Algumas dúvidas ainda se levantam, mas em relação ao começo doAntropocénico e ao fim do Holocénico, e não à época em si. Há quem defenda Sociologia do Desenvolvimento e Sustentabilidade 3
  4. 4. o inicio desta nova época com o surgimento da Revolução Industrial, outrosdefendem que o homem ao fixar-se à terra e mesmo com uma agriculturarudimentar já tinha deixado marcas profundas no planeta, outros aindadefendem que o Antropocénico só começou na era nuclear. Esta discussão estálonge de gerar consensos, mas por si só é reveladora da extensão de estragosno planeta que desde muito cedo os humanos têm infligido à Terra.Podemos perguntar, porquê fazer uma análise sobre uma época geológica numcurso de sociologia? Ou o porquê de uma preocupação ambiental por parte dossociólogos? Não serão estes assuntos da responsabilidade de ciências como abiologia, a física, ou de outras ciências vocacionadas para estudar estatemática? A resposta pode ser sim, mas a verdade é que as indústrias e astecnologias que poluem o planeta desenvolveram-se ligadas a instituiçõessociais específicas. Logo as origens do nosso impacto no ambiente são sociais emuitas das suas consequências também o são. Portanto minimizar o impactohumano no planeta passa por mudanças quer sociais quer tecnológicas.(Giddens 2010)Neste trabalho, vou ainda tentar, sem fazer futurologia, antecipar, o queaconteceria às nossas cidades e a toda uma civilização que os Homensconstruíram, se um dia, de uma só vez ou mesmo que faseadamente osHumanos desaparecessem da Terra. Sociologia do Desenvolvimento e Sustentabilidade 4
  5. 5. AntropocénicoO Homem foi, desde sempre, um poderoso factor de alteração do meio. Aprimeira demonstração dessa capacidade terá consistido na destruição degrandes áreas de floresta, com recurso ao fogo, para garantir áreas depastagem e para a prática da agricultura. Sabemos que as queimadas libertamCO2, e que os terrenos sem árvores ou outro tipo de vegetação, estão muitomais expostos à erosão, “Algumas paisagens que hoje pensamos seremnaturais, como as zonas rochosas e inóspitas do sudoeste da Grécia, sãoresultado da erosão do solo provocada pelos agricultores de há cinco mil anos.”(Giddens 2010, 611). Defende ainda o paleoclimatologista William Ruddiman,da Universidade da Virgínia, que a invenção da agricultura há cerca de 8 milanos, e a “desflorestação dela resultante provocaram um aumento significativode CO2 na atmosfera suficiente para travar aquilo que, de outro modo, teriasido o princípio de uma nova glaciação: no seu entender, os seres humanostêm sido a força dominante no planeta praticamente desde o início doHolocénico”. (Kolbert 2011, 39)Mas se não há dúvidas quanto ao efeito que erosão provocada pelo homem, eque se traduz em alterações profundas no planeta, tão profundas, que sãocapazes de deixar uma marca geológica para o futuro, no entanto e“provavelmente a alteração mais importante de um ponto de vista geológico,não é visível ao olhar: a mudança na composição química da atmosfera. Asemissões de dióxido de carbono são incolores, inodoras e, num sentidoimediato, inofensivas.” (Kolbert 2011, 35) Por outro lado, e com adesflorestação, provocamos extinções em massa, de tal forma que acontecemhoje a um ritmo centenas de vezes mais rápida do que nos últimos 500 milhõesde anos. Mas pior, é que se não fizermos nada para estancar estas extinções, ese mantivermos esta tendência, esse ritmo pode acelerar para dezenas demilhares de vezes superior. (Kolbert 2011) O secretário da Convenção sobre aDiversidade Biológica da Organização das Nações unida (ONU), Oliver Hillel,afirma que até 2030 cerca de 75% das espécies animais e vegetais poderão Sociologia do Desenvolvimento e Sustentabilidade 5
  6. 6. estar ameaçadas de extinção. Alguns cientistas consideram esse fenómenocomo a sexta grande extinção do planeta. (Martini 2011, 41)O efeito de estufa é um fenómeno natural, e essencial para à vida na terra, éele o responsável pela temperatura ideal para que seja possível a nossaexistência, mas o aquecimento global é provocado pelo homem. As emissões degases poluentes como CO2, CH4 ou o óxido nitroso para a atmosfera, por parteda queima de combustíveis fósseis, como o carvão, petróleo, ou a madeira, sópara dar alguns exemplos, são responsáveis pela subida das temperaturasmédias do planeta. É quase certo que a actividade desenvolvida pelassociedades humanas foi responsável pelo aquecimento registado ao longo doúltimo século, como se pode ler no relatório fundamental apresentado em 2001pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), dasnações Unidas. (Appenzeller 2004) O aquecimento global poderá ainda elevar onível dos mares em alguns metros, através do degelo dos pólos, e de glaciaresespalhados por todo o planeta. Levando a um êxodo maciço das populaçõesque vivem no litoral mais para o interior dos continentes. Com esse êxodo, ecom a destruição de muitos habitats, ao mesmo tempo que se destroem osmeios de subsistência dessas populações, como zonas de pesca, camposagrícolas entre outros, possivelmente condenaremos à fome e mesmo à mortemuitos milhões de seres humanos. (Giddens 2010, 624)Sem dúvida que a industrialização e acção directa dos humanos contribuírampara a transformação química da atmosfera, de tal maneira que se no final doséculo XVIII, “quando começou a Revolução Industrial, a concentração dedióxido de carbono no ar era de 280 partes por milhão (ppm). Em 2005,chegou a 379 partes por milhão. E, até ao final do século XXI, na pior dashipóteses esses níveis duplicaram em relação aos níveis pré-industriais. Nuncanos últimos 650 mil anos e provavelmente no último milhão de anos o dióxidode carbono havia superado as 300 partes por milhão na atmosfera.”(Walisiewicz 2008, 30) No entanto a libertação desses gases não alteramapenas a composição química da atmosfera e provocam aquecimento global,“também se infiltram nos oceanos, acidificando-os a um tal ponto que os corais Sociologia do Desenvolvimento e Sustentabilidade 6
  7. 7. deixarão de ser capazes de construir recifes o que ficará inscrito no registogeológico como uma ausência de recifes.” (Kolbert 2011, 39) Também aqui,como na desflorestação, as implicações para a extinção de uma enormequantidade de vida acontece. Sabemos que a vida acontece num frágilequilíbrio, e que esse equilíbrio uma vez desfeito, provoca um efeito de bola deneve, os recifes de coral, são o berço de muita da vida dos oceanos, aodesaparecerem podem desencadear extinções em massa. A escala deacontecimentos actualmente em curso nos oceanos nunca foi igualada desde aépoca em que há 65 milhões de anos houve o impacto de um asteróide, napenínsula de Yucatan no México e que provocou a extinção dos dinossauros.“Para os geólogos do futuro, o nosso impacte poderá parecer tão súbito eprofundo como o de um asteróide.” (Kolbert 2011, 39)A fome das nossas sociedades por energia parece inesgotável, consumiu-semais energia no século XX do que em qualquer outra época na história dahumanidade, e não parece haver uma tendência para se inverter esta situação,se tivermos em conta que num século a população mundial passou de um biliãode almas para 6 biliões e que hoje já se ultrapassou os 7 biliões, com estecrescimento exponencial, dificilmente se vai harmonizar a procura de fontes deenergia à capacidade de resposta por parte dos recursos, até porque teremosque duplicar a produção só para se manter os mesmos níveis de consumo.O homem através das suas acções, modificou directamente entre 40% a 50%das paisagens do planeta, e a sua influência estende-se a mais de 83% dasuperfície da terra. (Martini 2011, 41) Estas alterações decorrem da construçãode cidades, e de outras infra-estruturas destinadas a manterem a nossaqualidade de vida, mas esta qualidade tem um preço, o preço é o aumento dataxa de transporte de sedimentos 10 vezes mais do que o natural, e asconsequências são a erosão e o empobrecimento dos solos. (Martini 2011, 42)Acrescentando a tudo isto, o nosso consumo desenfreado leva-nos a produzircada vez mais resíduos sólidos, e todo o tipo de lixo, a capacidade do planetapara absorver essa agressão está a chegar ao seu limite. Sociologia do Desenvolvimento e Sustentabilidade 7
  8. 8. O mundo de pois de nós“Os humanos acabarão por se extinguir. Tudo se extinguiu, até agora. É comoa morte: não há razão para pensarmos que somos diferentes. Mas a vida irácontinuar. Poderá ser vida microbiana, a princípio. Ou centípedes a andarempor aí. Depois, a vida melhorará e continuará…” (Weisman 2008, 252)A acreditar no histórico do planeta, extinções em massa ocorrem, felizmentenão com uma grande regularidade, mas pelo menos cinco foram detectadasnos últimos 500 milhões de anos, as razões para que aconteçam são a quedade asteróides e outras catástrofes. (Kolbert 2011, 33) Alguns cientistasacreditam que estamos perto da sexta, e que a causa será o homem.Se essa extinção nos incluir, e acreditando no que nos diz Alan Weisman no seulivro “O Mundo sem Nós”, todas as construções do homem tem o seu destinotraçado, podem levar mais ou menos anos, mas todas serão apagadas dasuperfície da terra. “Nem os orgulhosos construtores do mundo antigo, que tinha sete maravilhas,sonhavam que, num período de tempo bastante menor do que a eternidade, sóuma delas – a pirâmide de Kéops, no Egipto – ficaria de pé. Tal como as velhasflorestas cuja frondosa copa acaba por cair, Kéops diminuiu cerca de novemetros nos últimos 4500 anos.”, “A pedra calcária exposta está agora adissolver-se como qualquer outra colina, e daqui a mais uns milhões de anos jánão parecerá de todo piramidal”. (Weisman 2008, 190)A verdade, é que os materiais que o homem fabrica, têm pouca durabilidadeexpostos ao meio, mesmo os plásticos que com a sua enorme resistência edurabilidade acabam por ser absorvidos pela natureza “terão inevitavelmentede se biodegradar, mas a um ritmo tão lento que tem muito poucasconsequências práticas. Contudo, podem fotodegradar-se num espaço detempo significativo.”, “Quando os hidrocarbonatos se biodegradam, as suasmoléculas de polímero separam-se nas partes que originalmente secombinaram para as criar: dióxido de carbono e água. Quando sefotodegradam, a radiação solar ultravioleta enfraquece a força tênsil doplástico, quebrando as suas longas moléculas de polímero em forma de cadeiaem segmentos mais pequenos. Uma vez que a resistência dos plásticosdepende do comprimento das suas cadeias interligadas de polímeros, quando Sociologia do Desenvolvimento e Sustentabilidade 8
  9. 9. os raios UV incidem nelas, o plástico começa a decompor-se”. (Weisman 2008,139)Pegando no exemplo que Alan Weisman nos dá no seu livro, a cidade de NovaIorque, em 36 horas sem humanos estaria completamente inundada, nessaaltura a água começaria a desgastar o solo e o pavimento. Passado poucotempo as ruas começariam a ceder com o desabamento dos tectos dos túneisdo metro. Em 20 anos, as colunas de aço mergulhadas em água que suportamas ruas, enferrujariam e quebra-se-iam. Abatendo as ruas transformando-se emrios. Muito antes disso acontecer, já grande parte das ruas estariam emdificuldade, com o congelamento e descongelamento constante, os materiaisacabariam por ceder. Ao mesmo tempo que o pavimento se abre, sementespenetram nessas fissuras, que se abrem ainda mais. Com o entupimento dosesgotos, a lama acumula-se nas sarjetas e aos poucos todo o chão está cobertode terra, onde as plantas podem germinar à vontade. Nos primeiros anos semcalor, os canos rebentam por toda a cidade, muito por culpa do congelamento-descongelamento. Os edifícios começam a degradar-se rapidamente, asinfiltrações acabam por enferrujar tudo o q é metálico, os pára-raioscomeçaram a partir-se, criando um cenário ideal para que raios provoquemincêndios. Os edifícios por essa altura já estarão coberto de heras e outrasplantas. “Mesmo os edifícios ancorados no xisto duro de Manhattam, como amoaioria dos arranha-céus de Nova Iorque, não foram concebidos para teremos seus alicerces de aço mergulhados na água” (Weisman 2008, 40). “Esgotosfurados, túneis inundados e ruas transformadas em rios irão conspirar paraminar os alicerces e destabilizar as suas enormes cargas. … os ventos fortesameaçarão as estruturas altas e instáveis. Algumas delas cairão, atirando outrasabaixo.”, “Gradualmente, a selva de asfalto dará lugar a uma verdadeira.”(Weisman 2008, 40).Se uma cidade como Nova Iorque pode cair às mãos dos elementos, podemosentão imaginar que a Terra acabaria por se vingar, apagando todos os nossosregistos e respiraria de alívio com a nossa partida. Sociologia do Desenvolvimento e Sustentabilidade 9
  10. 10. ConclusãoSe, de facto, entrámos numa nova época, quando começou ela ao certo?Quando é que os impactes humanos atingiram um nível com importânciageológica?Será o crescimento demográfico a causa principal?Ou será o aumento do rendimento, que gera mais consumo?Ou a tecnologia, que proporciona novas ferramentas de exploração?Estas perguntas ficam sem resposta, quer da parte do meu trabalho quer porparte da ciência.Mas se não é o homem que provoca as alterações no planeta, se tudo o queacontece tem a ver com ritmos naturais, uma coisa é certa, e parece haverconsenso quanto a isso, o carácter global das transformações e a velocidadeque lhe tem sido imposta, é obra do homem. A actividade humana no meio-ambiente tem-se manifestado numa relação directamente proporcional aocrescimento económico.A verdade é que o homem tem mudado o planeta, e não o temos mudadoapenas para o nosso bem. De facto, temos tornado esta nossa casa cada vezmais hostil a outras formas de vida mas inclusive também à nossa.Se a humanidade quer continuar a viver neste planeta, terá que mudar emmuito o seu comportamento, desde logo tentar não continuar a deixar marcasgeológicas, e passar a viver com a natureza de uma forma mais harmoniosa,mais que não seja por pensar em benefício próprio.Faz então todo o sentido, que todos demos um passo para que a sociedadeevolua no respeito pela natureza, pelos ecossistemas, pela biodiversidade, eque caminhe em direcção ao desenvolvimento sustentável, só assim, se podeviver hoje, pensar nas futuras gerações e preservar um planeta único entre osseus pares. A conduta do Homem para com a Natureza terá obrigatoriamenteque ser de mutualismo, simbiose e cooperação. Sociologia do Desenvolvimento e Sustentabilidade 10
  11. 11. Bibliografia Appenzeller, Tim. “Sinais da Terra.” National Geographic Portugal, Setembro de 2004: Edição Especial. Giddens, Anthony. Sociologia. 8ª Edição. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2010. Kolbert, Elizabeth. “Eis o Antropocénico A Era do Homem.” National Geographic Portugal, 11 de 2011: 24-47. Martini, Bruno. Ciência Hoje, Julho de 2011: 39-43. Walisiewicz, Marek. “Energia Alternativa: solar, eólica, hidrelétrica e de biocombustiveis.” São Paulo: Publifolha, 2008. Weisman, Alan. O Mundo sem Nós. 2ª Edição. Cruz Quebrada: Estrela Polar - Oficina do Livro, 2008. wikipedia. wikipedia. http://pt.wikipedia.org/wiki/Escala_de_tempo_geol%C3%B3gico (acedido em 15 de 12 de 2011). Sociologia do Desenvolvimento e Sustentabilidade 11

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