Teste de Português de 8º ano- texto dramático

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Teste de Português de 8º ano sobre o texto dramático- com proposta de correção.

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Teste de Português de 8º ano- texto dramático

  1. 1. AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE FELGUEIRAS 1 Teste de Avaliação de Português Escola: 8.° ano de escolaridade Nome: N.°: Turma: Duração do teste: 100 minutos Data: Professor: Encarregado de Educação: ______________________________ Classificação: _____________________________________________________________________________________ Grupo I (50 pontos) Parte A Lê atentamente o texto. 5 Jovens de bairros sociais são um “Bando à parte” no Teatrão Projeto de quase dois anos chega ao fim com um espetáculo onde cada um dos atores apresenta a personagem por si criada. Margarida Alvarinhas Dez jovens, oriundos de bairros sociais e municipais de Coimbra, aceitaram o desafio proposto pelo Teatrão. Com isso, mudaram um pouco as suas vidas. Passaram a ter novas rotinas, a sentir a necessidade de gerir melhor o tempo, porque esse tempo passou a ser também necessário para os ensaios, para a preparação, para todo o processo que envolveu a produção do espetáculo. Porque ser artista requer esforço. De hoje a sábado, esses jovens são um “Bando à parte” que se apresenta no palco da Oficina Municipal de Teatro. São atores, músicos e bailarinos; são personagens que eles próprios idealizaram e construíram, após um longo processo de aprendizagem que começou há 22 meses. O projeto “Bando à parte: culturas juvenis, arte e inserção social” é um processo de formação específica em teatro, música e dança, que implicou um trabalho continuado desde janeiro de 2010 até ontem, último dia dos ensaios. Pelo meio houve todo um longo processo de aprendizagem, que foi muito além dos ensaios e da criação das personagens. Os jovens, conta Cláudia Pato Carvalho, coordenadora do projeto, “começaram por vir assistir a espetáculos de formação para perceberem que há diferentes coisas”. Ou seja, aos participantes foi permitida uma interligação com as atividades do Teatrão e, inclusivamente, participar nos espetáculos da companhia. Houve também espaço para intercâmbios, nomeadamente com projetos semelhantes de Itália e Holanda. Experiência de crescimento Ao envolver jovens de bairros sociais e municipais de Coimbra, o Teatrão pretendeu o desenvolvimento do raciocínio e da capacidade de reflexão sobre o mundo. E os jovens sentem que o conseguiram. “Todos nós crescemos muito. Nota-se a diferença na nossa maneira de pensar, de agir. Hoje sou uma Maria João muito mais preenchida, porque todo este processo nos foi enriquecendo”, contou a Maria João, uma jovem oriunda da Urbanização Fonte do Castanheiro, uma das participantes. 10 15 20 25
  2. 2. AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE FELGUEIRAS 2 30 Maria João, que optou pela área do teatro, fala da personagem, idealizada e trabalhada por si. “Sou uma exploradora, ando sempre à procura de alguma coisa, à procura de um caminho”, explica a jovem de 16 anos, visivelmente entusiasmada com o projeto que, admite, lhe tem roubado muito tempo. E explica também como chegou à personagem final: “começámos com sessões individuais, a falar sobre o que achávamos que era importante e interessante mostrar às pessoas. Trabalhei com textos para chegar à “Exploradora”. Houve uma espécie de processo que nos levou às personagens”. No final, juntaram-se as personagens e criou-se o espetáculo. Leonor Picareto, por exemplo, baseou-se na sua vida para criar algo e levar ao público. “Sou cigana e tento mostrar às outras pessoas a outra faceta dos ciganos, que não os feirantes que não querem outra vida”. O projeto chega ao fim, com os espetáculos de hoje a sábado, às 21:30, mas é intenção dar-lhe seguimento, através de novos ciclos, em que se possam integrar outros jovens. Aliás, interessados em participar não faltaram, garante Cláudia Pato, recordando que a divulgação do projeto começou em finais de 2009, nos bairros sociais da cidade, onde foram estabelecidos contactos com as associações locais, no sentido de se perceber quem poderiam ser os potenciais participantes. “Encontrámos muitas pessoas interessadas”, garante a coordenadora do projeto. in Diário de Coimbra, 13 de outubro de 2011 35 40 Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas. 1. Indica se as afirmações seguintes são verdadeiras (V) ou falsas (F). (5 pontos) a. O projeto denomina-se “Bando à parte”. b. O projeto foi desenvolvido durante um ano. c. A meta final do projeto é a criação de um espetáculo teatral. d. Participaram no projeto jovens oriundos de todo o país. e. Este projeto beneficiou de intercâmbios com projetos análogos em Itália e na Bélgica. f. Pretende-se dar continuidade ao projeto. 2. Para responderes a cada item (2.1. a 2.4.), seleciona a única opção que te permite obter uma afirmação adequada ao sentido do texto. 2.1. Este projeto visou desenvolver nos jovens participantes… (3 pontos) a. a capacidade de reflexão. b. o conhecimento de dramaturgos portugueses. c. o contacto com a língua italiana. 2.2. O espetáculo teatral levado a público baseia-se… (3 pontos) a. num texto dramático definido. b. em personagens criadas pelos atores. c. num facto real, passado na Urbanização Fonte do Castanheiro. 2.3. A personagem representada por Leonor Picareto tem patente uma dimensão… (3 pontos) a. coletiva. b. interativa. c. estética.
  3. 3. AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE FELGUEIRAS 3 2.4. Os organismos cujo papel foi essencial para divulgar o projeto e chegar a potenciais interessados foram as associações… (3 pontos) a. locais. b. municipais. c. nacionais. 3. Seleciona a opção que corresponde à única afirmação falsa, de acordo com o sentido do texto. (3 pontos) a. “isso” (l. 4) refere-se a “aceitaram o desafio proposto pelo Teatrão”. b. “lhe” (l. 30) refere-se a “jovem de 16 anos”. c. “onde” (l. 42) refere-se a “da cidade”. Parte B Lê atentamente o texto. Andando, andando 5 ELA – E como é que eu vou saber se és tu o verdadeiro Amor…? ELE – Basta que to diga. Porque é que eu havia de dizer que era o Amor se não fosse?! ELA – Então mostra-me como é que tu fazes para ver se gosto da tua voz! ELE – Ah! não recomeces com histórias da Carochinha que eu já não vou nisso! ELA – Vês? Vês que és tu…? Eu bem desconfiava! ELE – Que eu sou eu já eu sabia há muito tempo. Mas eu, quem é? ELA – Andas há tanto tempo à tua procura e ainda não te achaste? ELE – Pensas que uma pessoa se acha a si própria assim de repente, como a Carochinha achou cinco réis a varrer a cozinha…? ELA – Então porque é que dizes que és o Amor…? ELE – Se eu não sei quem sou, e tu andas à procura de alguém que não sabes quem é, pode muito bem ser que esse alguém seja eu! ELA – Para amar alguém tenho que saber quem é esse alguém. Se tu não sabes quem és, como é que eu hei de saber? ELE – E tu, sabes quem és? Ela não responde. E tu, não andas também à tua procura? ELA – Não, eu ando à procura do Amor. ELE – Se calhar é a mesma coisa. ELA – Quem sabe se tens razão… Suspira. Tenho fome. Não tens por aí uma maçã? ELE – (alegre, tirando uma maçã do saco e dando-lha) Toma! (Pausa) E se fizéssemos um foguinho? Vai juntar lenha. Ela ajuda-o. ELA – Ainda tens batatas? ELE – Claro! E azeitonas! Arranjei-as a pensar em ti! ELA – Sempre pensei que o Amor oferecia flores e não azeitonas… 10 15 20 25
  4. 4. AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE FELGUEIRAS 4 30 ELE – O Amor oferece aquilo de que a gente está precisada. E tu, o que é que me ofereces? ELA – (tira, com gestos misteriosos, qualquer coisa do bolso) Adivinha. ELE – O que mais jeito agora nos fazia era azeite para temperar as batatas! ELA – (amuando) Pronto! Já não te dou! Não sabes apreciar o que é bonito! ELE – Se gosto de ti como é que não sei?! Dá cá! ELA – (apaziguada tira um pássaro do bolso e entrega-lho, nas duas mãos fechadas) Não é lindo…? ELE – É… Sobretudo a voar... Vamos deitá-lo a voar? ELA – Não gostas dele? ELE – Gosto. Gosto muito. Por isso é que gostava que o deitássemos a voar. Posso…? ELA – Já que to dei, podes fazer dele o que quiseres… ELE – (para o pássaro) Vá, vai à nossa frente e descobre o nosso caminho. Se eu soubesse voar já tinha descoberto. Abre a mão e o pássaro solta-se. Agora vamos assar as batatas! ELA ajuda-o. Acocoram-se ambos em volta da fogueira. Às vezes sonho que sou um pássaro. É tão bom voar! ELA – E eu sonho que sou a Lua. É tão bom andar pelo céu como por uma praia deserta! A luz diminui lentamente. Escuro. Canto de galo. Súbita claridade. ELE – Já é de manhã! ELA – Ainda tenho um bocadinho de sono… ELE levanta-se. Vais-te embora? ELE – Não, espero por ti. ELA – P’ra quê? ELE – P’ra partirmos juntos. Afinal, se andamos à procura do mesmo, vamos na mesma direção. ELA – E se nos tornamos a zangar? ELE – Tornamos a ir cada um para o seu lado. Um apito longínquo de navio. ELA – Onde estamos? ELE – A caminho. Teresa Rita Lopes, Andando, Andando, Campo dasLetras, 1999 35 40 45 50 55 60 Responde, de forma completa e bem estruturada, aos itens que se seguem. 1. O presente excerto começa com uma dúvida, que remete para o tema que será abordado ao longo do texto. 1.1. Identifica essa dúvida, bem como o tema que introduz. (4 pontos) 2. Transcreve as falas que mostram como, para a personagem “ELE”, a questão do amor está ligada à questão da identidade pessoal. (4 pontos) 3. Foca a tua atenção nos presentes que as personagens oferecem uma à outra. 3.1. Identifica esses presentes, referindo o seu possível simbolismo. (6 pontos) 3.2. Tendo em conta os presentes que dão, caracteriza psicologicamente as personagens “ELE” e “ELA”. (6 pontos)
  5. 5. AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE FELGUEIRAS 5 4. Considera a seguinte fala: “E eu sonho que sou a Lua. É tão bom andar pelo céu como por uma praia deserta!” (l. 47) 4.1. Identifica dois recursos expressivos nela presentes. (4 pontos) 4.2. Explicita a sua expressividade. (6 pontos) GRUPO II (20 pontos) 1. Identifica o hiperónimo presente em cada alínea. (4 pontos) a. mobília – secretária – estante – armário b. televisão – Internet – jornal – media c. lilás – cor – azul-marinho – verde-alface d. estrelas – corpos celestes – cometas – planetas 2. Reescreve as frases seguintes, substituindo a expressão sublinhada pelo pronome pessoal adequado. Faz as transformações necessárias. (4 pontos) a. Ele procurou, mas afinal não trazia batatas no alforge. b. Se pudesse, o João ofereceria também flores à Maria. 3. Reescreve o enunciado seguinte no discurso indireto, procedendo às alterações necessárias. (4 pontos) “ELA – Ainda tens batatas? ELE – Claro! E azeitonas! Arranjei-as a pensar em ti! ELA – Sempre pensei que o Amor oferecia flores e não azeitonas…” 4. Indica a função sintática que a expressão sublinhada desempenha na frase abaixo. (3 pontos) “Então porque é que dizes que és o Amor…?” (l. 10) 5. Os segmentos A., B., C., D. e E. constituem partes de um texto e estão desordenados. Escreve a sequência de letras que corresponde à ordem correta dos segmentos, de modo a reconstituíres o texto. Começa pela alínea B. (5 pontos) A. Regressou a Portugal em 1976 e hoje é catedrática da Universidade Nova de Lisboa. B. Teresa Rita Lopes é algarvia, de Faro, e, no início dos anos 60, matriculou-se na Faculdade de Letras de Lisboa. Perseguida pela ditadura salazarista exilou-se em Paris, onde estudou, e foi professora na Sorbonne. C. Como dramaturga, Teresa Rita Lopes escreveu ainda cinco volumes de teatro, que incluem peças como Rimance da Mal Maridada, Esse Tal Alguém (Grande Prémio de Teatro da Associação Portuguesa de Escritores) ou A Asa e a Casa. D. Diz que dedicou o melhor da sua vida ao estudo da obra de Fernando Pessoa. E. Mas desse melhor ainda sobrou talento e arte para escrever sete livros de poesia, com destaque para Cicatriz e a sua última obra, saída recentemente, A Fímbria da Fala. in http://www.wook.pt/authors/detail/id/25520 (adaptado e consultado em 21-04-14)
  6. 6. AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE FELGUEIRAS 6 GRUPO III (30 pontos) 1. No texto que acabaste de ler, ELE e ELA ouvem o apito longínquo de um navio. 1.1. O que lhes terá sucedido? Terão embarcado no navio ou escolhido outra opção? O que terão decidido ELE e ELA fazer das suas vidas? Escreve uma cena de um texto dramático, correta e bem estruturada, com um mínimo de 180 e um máximo de 240 palavras, em que desenvolvas, além de outros, os tópicos sugeridos. No teu texto, deves incluir, para além das falas das personagens, pelo menos duas didascálias, uma sobre o cenário e outra sobre a postura/atuação das personagens. BOM TRABALHO E BOAS FÉRIAS!!! A PROFESSORA: Lucinda Cunha
  7. 7. AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE FELGUEIRAS 7 PROPOSTA DE CORREÇÃO NOTA: TESTE E CORREÇÃO RETIRADOS DOS RECURSOS DO MANUAL Paratextos de 8º ano, da Porto Editora. Teste de avaliação n.° 5 Grupo I Parte A 1. a. V; b. F; c. V; d. F; e. F; f. V. 2.1. a.; 2.2. b.; 2.3. a.; 2.4. a. 3. c. Parte B 1.1. “ELA” duvida se “ELE” é realmente o verdadeiro Amor. Portanto, o tema é a identificação do verdadeiro Amor, de como reconhecê-lo. 2. “ELE – E tu, sabes quem és? Ela não responde. E tu, não andas também à tua procura? ELA – Não, eu ando à procura do Amor. ELE – Se calhar é a mesma coisa.” (ll. 15-19) 3.1. Ele, em vez de flores, oferece uma maçã, batatas, azeitonas. Ela oferece-lhe um pássaro. No contexto, as oferendas dele situam-se na realidade física/material; o pássaro representará a liberdade, o sonho. 3.2. De acordo com os presentes, Ele é alguém mais “terra a terra”, mais objetivo, com uma personalidade mais prática; Ela, alguém mais sonhador e romântico. 4.1. Estão presentes no excerto a metáfora e a comparação. 4.2. Tanto a metáfora como a comparação revelam que ela tem uma mentalidade poética, o anseio de grandes espaços onde o sonho não tenha amarras. Grupo II 1. a. mobília; b. media; c. cor; d. corpos celestes. 2. a. Ele procurou, mas afinal não as trazia no alforge. b. Se pudesse, o João oferecer-lhe-ia também flores. 3. Ela perguntou-lhe se ele ainda tinha batatas. Ele replicou que as tinha e também azeitonas, e que as tinha arranjado/arranjara a pensar nela. No entanto, ela observou que sempre tinha pensado/pensara que o Amor oferecia flores e não azeitonas… 4. Complemento direto. 5. B.; A.; D.; E.; C. Grupo III 1.1. Sugestão de resposta: Sentados à beira-mar, ELE e ELA fitam o horizonte. ELA –Também ouviste um apito de navio, ou foi produto da minha imaginação? ELE – Vês como duvidas? A imaginação deve ter asas se descolar de terra firme… Não, eu também ouvi um apito de navio. ELA – Mas a praia esta deserta e o mar limpo de navios… ELE – É porque já partiu… Talvez seja um sinal de que o nosso destino não passa pelo mar…
  8. 8. AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE FELGUEIRAS 8 ELA – Sempre julguei que os portugueses eram inseparáveis do mar, que o mar era nosso… Bem, não desanimemos. O nosso lema é “a caminho”. ELE – Alcançaremos um porto, um dia. Caminharemos juntos. Pensa: não foi o Amor que nos juntou na mesma jornada? É o Amor que nos animará doravante… ELA não responde logo. Levanta-se primeiro e sorri, agitando os seus longos cabelos negros. ELE – Não precisas de dizer nada. O silêncio vale mais que mil palavras… Vê só como já estou a falar como tu, a raciocinar como tu… ELA – Então, vou também eu falar como tu. Provaste que és o meu grande Amor. Não, não sou só vento, sonho e ilusão. Vou fazer-te uma surpresa. ELE – Como tu dirias, o Amor alimenta-se de surpresas… ELA (rindo, abrindo o xaile com que se aconchegava da aragem marinha) – Tenho comigo uma bolsa cheia de moedas de ouro. Seremos filhos da planície e da seara.

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