Ficha formativa- os maias- a educação de Carlos

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Teste sobre a educação de Carlos- Os Maias- corrigido.

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Ficha formativa- os maias- a educação de Carlos

  1. 1. Agrupamento de Escolas de Ribeira de PenaFICHA DE AVALIAÇÃO FORMATIVA- OS MAIAS DE EÇA DE QUEIRÓSA educação de Carlos151015202530354045TEXTO 1- Então, o nosso Carlinhos não gosta de esperar, hem? Já se sabe, é ele quem governa... Mimos emais mimos, naturalmente...Mas o Teixeira muito grave, muito sério, desiludiu o Sr. administrador. Mimos e mais mimos,dizia s. S.ª? Coitadinho dele, que tinha sido educado com uma vara de ferro! Se ele fosse a contar aoSr. Vilaça! Não tinha a criança cinco anos já dormia num quarto só, sem lamparina; e todas asmanhãs, zás, para dentro duma tina de água fria, às vezes a gear lá fora... E outras barbaridades. Senão se soubesse a grande paixão do avô pela criança, havia de se dizer que a queria morta. Deus lheperdoe, ele, Teixeira, chegara a pensá-lo... Mas não, parece que era sistema inglês! Deixava-o correr,cair, trepar às árvores, molhar-se, apanhar soalheiras, como um filho de caseiro. E depois o rigor comas comidas! Só a certas horas e de certas coisas... E às vezes a criancinha, com os olhos abertos, aaguar! Muita, muita dureza. […]- Sabe V. S.ª, apenas veio o mestre inglês, o que lhe ensinou? A remar! A remar, Sr. Vilaça, comoum barqueiro! Sem contar o trapézio, e as habilidades de palhaço; eu nisso nem gosto de falar... Queeu sou o primeiro a dizê-lo: o Brown é boa pessoa, calado, asseado, excelente músico. Mas é o que eutenho repetido à Gertrudes: pode ser muito bom para inglês, não é para ensinar um fidalgoportuguês... Não é. Vá V. S.ª falar a esse respeito com a Sr.ª D. Ana Silveira...TEXTO 2Tanta vivacidade surpreendeu também Vilaça. Quis ouvir mais o menino, e pousando o seutalher:- E diga-me, Carlinhos, já vai adiantado nos seus estudos?O rapaz, sem o olhar, repoltreou-se, mergulhou as mãos pelo cós das flanelas, e respondeu comum tom superior:- Já faço ladear a Brígida.Então o avô, sem se conter, largou a rir, caído para o espaldar da cadeira:- Essa é boa! Eh! Eh! Já faz ladear a Brígida! E é verdade, Vilaça, já a faz ladear... Pergunte aoBrown; não é verdade, Brown? E a eguazita é uma piorrita, mas fina...- Ó vovô- gritou Carlos já excitado- diz ao Vilaça, anda. Não é verdade que eu era capaz degovernar o dog-cart?Afonso reassumiu um ar severo.- Não o nego... Talvez o governasse, se lho consentissem. Mas faça-me favor de se não gabar dassuas façanhas, porque um bom cavaleiro deve ser modesto... E sobre tudo não enterrar assim as mãospela barriga abaixo...O bom Vilaça, no entanto, dando estalinhos aos dedos, preparava uma observação. Não se podiadecerto ter melhor prenda que montar a cavalo com as regras... Mas ele queria dizer se o Carlinhos jáentrava com o seu Fedro, o seu Tito Liviozinho... […]- Deve-se começar pelo latinzinho, deve-se começar por lá... É a base; é a basezinha!- Não! Latim mais tarde! exclamou o Brown, com um gesto possante. Prrimeiro forrça! Forrça!Músculo...E repetiu, duas vezes, agitando os formidáveis punhos:- Prrimeiro músculo, músculo!...Afonso apoiava-o, gravemente. O Brown estava na verdade. O latim era um luxo de erudito...Nada mais absurdo que começar a ensinar a uma criança numa língua morta quem foi Fábio, rei dosSabinos, o caso dos Gracos, e outros negócios duma nação extinta, deixando-o ao mesmo tempo semsaber o que é a chuva que o molha, como se faz o pão que come, e todas as outras coisas do Universoem que vive...- Mas enfim os clássicos, arriscou timidamente o abade.- Qual clássicos! O primeiro dever do homem é viver. E para isso é necessário ser são, e ser forte.
  2. 2. 5055606570Toda a educação sensata consiste nisto: criar a saúde, a força e os seus hábitos, desenvolverexclusivamente o animal, armá-lo duma grande superioridade física. Tal qual como se não tivessealma. A alma vem depois... A alma é outro luxo. É um luxo de gente grande...O abade coçava a cabeça, com o ar arrepiado.- A instruçãozinha é necessária, disse ele. Você não acha, Vilaça? Que V. Ex.ª, Sr. Afonso daMaia, tem visto mais mundo do que eu... Mas enfim a instruçãozinha...- A instrução para uma criança não é recitar Tityre, tu patulae recubans... É saber factos, noções,coisas úteis, coisas práticas...Mas suspendeu-se: e, com o olho brilhante, num sinal ao Vilaça, mostrou-lhe o neto que palravainglês com o Brown. Eram de certo feitos de força, uma história de briga com rapazes que ele lheestava a contar, animado e jogando com os punhos. O precetor aprovava, retorcendo os bigodes. E àmesa os senhores com os garfos suspensos, por trás os escudeiros de pé e guardanapo no braço,todos, num silêncio reverente, admiravam o menino a falar inglês.TEXTO 3- Então que lhe ensinava você, abade, se eu lhe entregasse o rapaz? Que se não deve roubar odinheiro das algibeiras, nem mentir, nem maltratar os inferiores, por que isso é contra osmandamentos da lei de Deus, e leva ao inferno, hem? É isso?...- Há mais alguma coisa...- Bem sei. Mas tudo isso que você lhe ensinaria que se não deve fazer, por ser um pecado queofende a Deus, já ele sabe que se não deve praticar, porque é indigno dum cavalheiro e dum homemde bem...- Mas, meu senhor...- Ouça abade. Toda a diferença é essa. Eu quero que o rapaz seja virtuoso por amor da virtude ehonrado por amor da honra; mas não por medo às caldeiras de Pêro Botelho, nem com o engodo deir para o reino do céu...E acrescentou, erguendo-se e sorrindo:- Mas o verdadeiro dever de homens de bem, abade, é quando vem, depois de semanas dechuva, um dia destes, ir respirar pelos campos e não estar aqui a discutir moral. Portanto arriba!(Cap. III)O método segundo o qual Carlos está a ser educado é o assunto destes excertos, que reproduzem asconversas entre diversas personagens, na casa de Santa Olávia.1. De que forma, no texto 1, o Teixeira manifesta o seu total desacordo relativamente ao “sistema” deeducação inglês aplicado a Carlos?1.1.Os comentários do Teixeira estão apresentados, quer em discurso direto, quer em discursoindireto livre. Delimita as duas situações.1.2.Reescreve as frases sublinhadas, utilizando o discurso direto.2. Como se manifesta, no texto 2, o crescente interesse do Vilaça pelo método educacional aplicado aCarlos?2.1.Parece-te que os Procurador dos Maias está inteiramente de acordo com Afonso no que dizrespeito ao ensino? Justifica com base no texto 2.3. No texto 3, a questão da educação abrange um âmbito mais profundo.3.1.Qual é?3.2.Em que diferem as posições do abade e de Afonso?4. Com base nos três textos, faz uma lista das regras de educação do “sistema inglês”.
  3. 3. BOM TRABALHO!!!!A PROFESSORA: Lucinda CunhaPROPOSTA DE CORREÇÃO (ficha e proposta de correção retiradas do manual “Plural 11” da LisboaEditora, pp. 193-194):1. Exprime pena por Carlos ser vítima daquilo que considera “vara de ferro”, “barbaridades” eexcessiva dureza, a tal ponto que, afirma, chegara a pensar que Afonso queria mal ao neto.1.1.O discurso indireto livre ocupa todo o 2º parágrafo e o discurso direto o 3º.1.2. – Sr. Vilaça, se eu lhe contasse… - Deus me perdoe, que eu cheguei a pensá-lo.2. Pergunta a Carlos como vão os estudos e, depois de ouvir como a conversa evolui, exprimetimidamente a sua opinião, ao querer saber se o rapaz já tinha iniciado o estudo dos autoresclássicos.3.1. A discussão versa o ensinamento de princípios éticos, por via laica ou religiosa.3.2. Afonso entende que os princípios que um ser humano não pode deixar de respeitar devem serinteriorizados e defendidos por amor da honra e não por temor de um castigo divino.4. Respeito por regras, sem proteção excessiva: dormir sozinho, obedecer a horários, ter umaalimentação saudável, praticar muito exercício. Desenvolver a observação e o conhecimento darealidade prática. Interiorização da obediência a princípios éticos invioláveis.

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