Ficha formativa de 12º ano- Os Lusíadas

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Teste formativo sobre Os Lusíadas- com correção

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Ficha formativa de 12º ano- Os Lusíadas

  1. 1. Teste formativo de Português- 12º ano- Os LusíadasALê atentamente as estâncias seguintes, extraídas do Canto IV d’ Os Lusíadas, de Luís Vaz deCamões.98— "Mas ó tu, geração daquele insano1Cujo pecado e desobediênciaNão somente do reino soberanoTe pôs neste desterro e triste ausência,Mas inda doutro estado, mais que humano ,Da quieta e da simples inocência,Idade de ouro2, tanto te privou,Que na de ferro e de armas te deitou:99Já que nesta gostosa vaidadeTanto enlevas a leve fantasia,Já que à bruta crueza e feridadePuseste nome esforço e valentia,Já que prezas em tanta quantidadeO desprezo da vida, que deviaDe ser sempre estimada, pois que jáTemeu tanto perdê-la quem a dá,100Não tens junto contigo o Ismaelita,Com quem sempre terás guerras sobejas?Não segue ele do Arábio a lei maldita,Se tu pela de Cristo só pelejas?Não tem cidades mil, terra infinita,Se terras e riqueza mais desejas?Não é ele por armas esforçado,Se queres por vitórias ser louvado?101Deixas criar às portas o inimigo,Por ires buscar outro de tão longe,Por quem se despovoe o Reino antigo,Se enfraqueça e se vá deitando a longe;Buscas o incerto e incógnito perigoPor que a fama te exalte e te lisonje,Chamando-te senhor, com larga cópia3,Da Índia, Pérsia, Arábia e de Etiópia.Luís Vaz de Camões, Os Lusíadas1. Identifica o episódio a que pertencem as estâncias transcritas, indicando o responsável pelodiscurso proferido e o assunto nele desenvolvido.1Adão2O primeiro dos quatro estádios da vida humana: idade da inocência, da pureza. Seguem-se-lhe a Idade da prata, do ferro e dobronze em que o homem foi perdendo a pureza e ávida se foi degradando, nomeadamente pelo uso das armas.3abundânciahttp://textosintegrais.blogspot.pt Página 1
  2. 2. Teste formativo de Português- 12º ano- Os Lusíadas2. Refere o destinatário das palavras, identificando as figuras de retórica que o expressam.3. Explica a alternativa apresentada à política externa das descobertas marítimas.4. Indica três argumentos usados para defender a alternativa à exploração marítima.5. Considera os seguintes versos: “Já que prezas em tanta quantidade/ O desprezo da vida”.5.1. Explicita a crítica neles contida, mencionando a figura de retórica que a evidencia.BConsidera a seguinte transcrição:O favor com que mais se acende o engenho,Não no dá a Pátria, não, que está metidaNo gosto da cobiça e na rudezaDua austera, apagada e vil tristeza. (X, 145)Somos levados a perguntar se, afinal de contas, Os Lusíadas são um poema de satisfaçãoe vitória, ou de deceção e de descrença.Maria Vitalina Leal de Matos, Introdução à poesia de Luís Vaz de CamõesCom base na tua experiência de leitura d’ Os Lusíadas, comenta a questão formulada por MariaVitalina Leal de Matos.BOM TRABALHO!!!A PROFESSORA: Lucinda Cunhahttp://textosintegrais.blogspot.pt Página 2
  3. 3. Teste formativo de Português- 12º ano- Os LusíadasPROPOSTA DE CORREÇÃO:Ficha e proposta de correção retiradas do caderno de exercícios do manual “Português + 12”, Areal (p. 20-21):1. As estâncias transcritas do canto IV d’ Os Lusíadas dizem respeito ao episódio do Velho doRestelo, uma personagem que na despedida das naus se ergue no cais para proferir um discursoque contradiz o entusiasmo e o empenho dos portugueses na expansão marítima.2. Nas estâncias transcritas, o Velho do Restelo dirige-se ao Homem em geral, como se depreendeda apóstrofe, “ó tu”, e da perífrase com que é designado Adão, o primeiro homem, criado por Deus,de acordo com a Bíblia, “geração daquele insano”.3. O Velho do Restelo propunha como alternativa à expansão marítima a continuidade da expansãono Norte de África, posição defendida por uma fação da população portuguesa, nomeadamentepela aristocracia.4. A defesa da expansão no Norte de África é suportada, no texto citado, por três argumentos: se aintenção é defender a cristandade, poderão converter os muçulmanos, que povoam o Norte deÁfrica; se o propósito é enriquecer, existem numerosas cidades de grande extensão de terreno noNorte de África; se a ideia é o desejo de glória e de fama obtidas pela valentia, são os muçulmanosinimigos à altura, dada a sua capacidade bélica.5. Nos versos citados a antítese estabelecida pelos termos “prezas o desprezo” reforça a crítica feitaao ser humano, que, na opinião do Velho do Restelo, menospreza o valor da vida e, em nome doque ele considera ser vaidade, vai em busca de perigos e de riscos as mais das vezes fatais.B. Os Lusíadas conjuga uma dupla dimensão:- a da euforia, da celebração do mérito e da coragem, do valor dos portugueses e dos seus feitos, daaventura formidável protagonizada pelos portugueses de “dar novos mundos ao mundo”, o que resultaem relatos de vitórias, elogios de heróis, na subjugação de inimigos, no vencer de perigos;- a da inclusão de um certo ceticismo e desconfiança, presente pela voz do Velho do Restelo, querevela os perigos ou a outra face dos Descobrimentos; presente também nas considerações do poeta,que alerta para os perigos como o da corrupção do ouro, o da falta de cultura, o do abuso de poder, oda hipocrisia, o da exploração dos humildes.http://textosintegrais.blogspot.pt Página 3

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