Processos De Produção Textual

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  • Os diversos tipos de produção textual adontam construções linguistica idênticas, uma vez que todos usam a mesma lingua
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Processos De Produção Textual

  1. 1. Processos de Produção Textual 1ª parte da obra– Produção Textual, Análise de Gêneros e Compreensão - Luiz Antônio Marcuschi
  2. 2. 1.1 Quando se ensina língua, o que se ensina? <ul><li>Não se ensina língua, mas sim se faz um estudo dela. </li></ul><ul><li>Quando ensinamos alguma coisa partimos de uma motivação. Cada teoria lingüística possui um motivo, então fica difícil dizer qual é adequada ou não. </li></ul>
  3. 3. 1.2 Análise da língua com base na produção textual <ul><li>Já é consenso entre os lingüistas, tanto os teóricos como os aplicados, que o trabalho com a língua na escola deve se dar através de textos. Os PCNs também disseminam essa idéia e há boas razões para ser pensar assim. </li></ul><ul><li>Com o textos pode-se trabalhar, entre outros aspectos: </li></ul>
  4. 4. <ul><li>Questões da historicidade da língua; </li></ul><ul><li>As relações entre as diversas variantes; </li></ul><ul><li>As relações entre a fala e a escrita; </li></ul><ul><li>Fonologia, Morfologia, Semântica e Sintaxe; </li></ul><ul><li>Leitura e compreensão; </li></ul><ul><li>O estudo dos gêneros textuais; </li></ul><ul><li>Estratégias de redação e estilística. </li></ul>
  5. 5. <ul><li>A missão da escola, atualmente, é dar prioridade à língua escrita. Ela é muito importante para a formação do aluno, mas não se deve esquecer que a oralidade não pode ser deixada de lado. </li></ul><ul><li>É possível trabalhar o funcionamento da língua através de textos como forma de acesso natural à língua. Explorando a oralidade e a escrita. </li></ul>
  6. 6. 1.3 Quando se estuda a língua, o que se estuda? <ul><li>O que justifica a intervenção escolar num processo de aquisição que acontece naturalmente? </li></ul><ul><li>Segundo a autora Fátima Carvalho Lopes, um dos objetivos da aula de Português é desenvolver a competência comunicativa. </li></ul>
  7. 7. <ul><li>Uma das formas de trabalhar esta competência é levar para a escola situações orais que acontecem no dia-a-dia. Proporcionar aos alunos questões de argumentação e raciocínio crítico. </li></ul><ul><li>É preciso valorizar a reflexão, saindo do ensino normativo para um ensino reflexivo. </li></ul>
  8. 8. <ul><li>O que a escola pode oferecer ao aluno? </li></ul><ul><li>Quando o aluno chega à escola ele já possui uma competência comunicativa. Portanto a escola não ensina a língua, mas formas de fazer uso dela nas ações corriqueiras de escrita e oralidade. </li></ul><ul><li>O foco de trabalho da língua portuguesa é o contexto da compreensão, análise e produção textual. </li></ul><ul><li>Mesmo com propostas sociodiscursivas, a gramática tem lugar na escola também, pois não há língua sem gramática. O que não deve ser feito é reduzir as aulas de português à análise sintática. </li></ul>
  9. 9. 1.4 Noção de língua, texto, textualidade e processos de textualização <ul><li>A concepção de produção textual abordada aqui é sociointerativa. É muito importante definir o conceito de língua com o qual se trabalha. </li></ul><ul><li>Podemos ver a língua de 4 formas diferentes: </li></ul><ul><li>a) Forma ou estrutura : a língua é vista como um sistema abstrato de regras e é trabalhada no nível da frase ou de palavras isoladas. O texto também situa-se no uso do sistema. Vemos aqui as idéias de Saussure e Chomsky. </li></ul>
  10. 10. <ul><li>b) Como instrumento : desvincula da língua do seu lado cognitivo e social. Ela é vista com um instrumento transparente e sem problemas. Esta perspectiva é geralmente adotada em livros didáticos, quando tratam os problemas da compreensão textual. </li></ul><ul><li>c) Como atividade cognitiva : vê a língua somente como uma atividade cognitiva, descartando seu lado social. A língua envolve fenômenos cognitivos, mas ela não é penas algo biológico . </li></ul>
  11. 11. <ul><li>d) Como atividade sociointerativa situada : toma a língua como sócio-histórica, cognitiva e sociointerativa. </li></ul>
  12. 12. 1.5 Aprofundando a noção de língua por nós adotada <ul><li>A perspectiva de língua adotada é a “d”, chamada de textual-interativa . Ela toma a língua como um sistema de práticas cognitivas abertas, flexíveis, criativas e indeterminadas quanto à formação ou estrutura. Resumindo, a língua é um sistema de práticas sociais com a qual os usuários agem e expressam suas intenções adequadas a cada circunstância. </li></ul><ul><li>Falar é agir sobre si, sobre os outros e sobre o mundo. Além de comunicarmos algo quando falamos, produzimos sentidos, identidades, imagens, experiências... </li></ul>
  13. 13. <ul><li>A variação lingüística pode ser explicada nas relações sociais. A noção de língua adotada admite-a como variada e variável. Ela é heterogênea, pois a população brasileira não é homogênea, a linguagem do dia-a-dia possui estilos diferentes da linguagem mais técnica e a língua possui regras variáveis, seja na fonologia, morfologia ou semântica. </li></ul>
  14. 14. <ul><li>Pode-se admitir que a língua quanto homogênea é: </li></ul><ul><li>Um sistema simbólico e indetermidado sintaticamente; </li></ul><ul><li>Ela não exterior ao falante; </li></ul><ul><li>Recebe sua determinação a partir de um conjunto de fatores definidos pela condições da prática discursiva; </li></ul><ul><li>A língua é uma atividade social, histórica e cognitiva, seguindo convenções de uso fundadas em normas socialmente instituídas. </li></ul>
  15. 15. <ul><li>Com base no que foi visto até aqui, cabe dizer que a língua: </li></ul><ul><li>Se manifesta em textos triviais do cotidiano e em textos mais prestigiosos; </li></ul><ul><li>O uso se faz em eventos discursivos e não em unidades isoladas; </li></ul><ul><li>Os enunciados em um texto não são aleatórios, mas regidos por determinados princípios de textualização locais ou globais. </li></ul><ul><li>Um texto não se esclarece apenas no âmbito da língua. Ele precisa de aspectos sociais e cognitivos para ser entendido. </li></ul>
  16. 16. <ul><li>Mais algumas considerações sobre a língua: </li></ul><ul><li>Uma mesma forma pode funcionar com várias significações (aí se tem alguns casos de ambigüidade); </li></ul><ul><li>Ex: Presidente Lula aceita falar sobre crise na TV ( sem ler o restante do texto não se pode verificar se a crise é no governo ou na televisão brasileira. ) </li></ul><ul><li>A função mais importante na língua não é a informação, mas inserir os indivíduos em contextos sócio-históricos e permitir que eles se entendam; </li></ul><ul><li>A língua é uma forma de ação que se desenvolve colaborativamente entre os indivíduos da sociedade; </li></ul><ul><li>Não se nega a individualidade, mas se afirma que as formas enunciativas e as possibilidades de enunciação não emanam do indivíduo isolado e sim do indivíduo numa sociedade e no contexto de uma instituição. </li></ul>
  17. 17. 1.6 Noção de Sujeito e Subjetividade <ul><li>Para muitos autores, a reflexão sobre o funcionamento da língua em sociedade depende da noção de sujeito. </li></ul><ul><li>A questão é: o que caracteriza o sujeito enquanto ser humano? Sua natureza, os aspectos sociais ou fatores ligados ao inconsciente? </li></ul><ul><li>Possenti (1993): tratar de sujeito é responder à relação entre quem fala e o que é falado . Neste caso há 3 respostas possíveis: </li></ul>
  18. 18. <ul><li>“ Eu falo” – acredita-se que o falante agrega ao enunciado algum ingrediente relevante para a interpretação. O enunciado está marcado pela subjetividade. O sujeito da enunciação é responsável pelo enunciado. O sujeito faz a história, assim como produz sentidos. </li></ul><ul><li>O falante pode controlar o sentido do seu enunciado. Sua consciência, quando existe, é produzida de fora e ele não pode saber o que faz e o que diz. Usa o “se” para fazer a enunciação. Ex: “fala-se” ao invés de “eu falo”. É um sujeito anônimo, repetidor. Neste caso é difícil que fale algo que ainda não tenha sido dito. O sujeito não fala, é um discurso anterior que fala por ele. </li></ul>
  19. 19. <ul><li>3. A psicanálise diz que quem fala é o nosso inconsciente, mesmo que rompa censuras que o ego não quer. Neste caso, novamente, o sujeito não é consciente, não controla o que diz. </li></ul><ul><li>O sujeito que é abordado aqui é aquele que ocupa um lugar no discurso e que se determina na relação com o outro. </li></ul><ul><li>O sujeito é um produto da clivagem da relação linguagem e história. </li></ul><ul><li>Como diz Benveniste: “é na linguagem e pela linguagem que o homem se constitui como sujeito; porque só a linguagem fundamenta na realidade, na sua realidade que é a do ser, o conceito de “ego”. </li></ul><ul><li>“ A consciência de si mesmo só é possível pelo contraste.” </li></ul>
  20. 20. 1.7 Noção de texto e lingüística de texto <ul><li>A comunicação lingüística não se dá a partir de frases isoladas, mas através de unidades maiores, ou seja, textos . </li></ul><ul><li>O texto é o resultado de uma ação lingüística e suas fronteiras são determinadas pelo mundo em que ele está inserido. Esse fenômeno não é apenas uma extensão da frase, mas uma entidade teoricamente nova, como já dizia Charolles. </li></ul><ul><li>O texto pode ser tido como um tecido estruturado, uma entidade significativa e de comunicação, um artefato sócio-histórico. </li></ul>
  21. 21. <ul><li>Também é possível se dizer que o texto é uma (re) construção do mundo e não uma simples refração ou reflexo. Bakhtin dizia que a linguagem ‘refrata’ o mundo e não o reflete. O texto refrata e reordena na medida em reconstrói o mundo. </li></ul><ul><li>Aqui será privilegiada o conceito de Beaugrande (1997) para texto: evento comunicativo em que convergem ações lingüísticas, sociais e cognitivas. </li></ul>
  22. 22. <ul><li>A Lingüística Textual (LT) pode ser definida como: estudos das operações lingüísticas, discursivas e cognitivas reguladoras e controladoras da produção, construção e processamento de textos escritos ou orais em contextos naturais de uso. </li></ul><ul><li>A LT aceita algumas posições: </li></ul><ul><li>Observa o funcionamento da língua em uso; </li></ul><ul><li>Se preocupa com os processos sociocognitivos; </li></ul><ul><li>Dedica-se a eventos dinâmicos da língua, como por exemplo, diferença entre os gêneros, aspecto social...; </li></ul>
  23. 23. <ul><li>O ponto central é a relação entre a teoria e a prática entre o processamento e o uso do texto. </li></ul><ul><li>O que se postula na LT é que a língua não tem autonomia sintática, semântica e cognitiva. O texto é um artefato dos eventos lingüísticos inserido num contexto. </li></ul>
  24. 24. <ul><li>Aspectos que abrangem a LT: </li></ul><ul><li>Coesão Superficial – constituintes lingüísticos; </li></ul><ul><li>Coerência Conceitual – semântico, cognitivo, intersubjetivo e funcional; </li></ul><ul><li>Sistema de Pressuposições – nível pragmático de produção de sentidos. </li></ul><ul><li>O texto não é uma unidade exclusiva da langue (sistema da língua) ou da parole (uso da língua). Ele é uma unidade comunicativa e uma unidade de sentido realizada tanto no nível do uso quanto no nível do sistema. </li></ul>
  25. 25. <ul><li>O texto é construído na perspectiva da enunciação. A visão aqui destacada é a sociointerativa. Um dos aspectos centrais no processo interlocutivo é a relação dos indivíduos entre si e com a situação discursiva. </li></ul><ul><li>Do ponto de vista sociointerativo, produzir um texto é como participar de um jogo. Os jogadores devem colaborar um com outro e seguir regras para que algum dos dois saia vencedor. E, aspecto muito importante, eles devem jogar o mesmo jogo. O mesmo acontece com a comunicação. Os falantes/escritores quando produzem textos estão enunciando conteúdos e sugerindo sentidos que devem ser construídos, inferidos e determinados mutuamente. </li></ul>
  26. 26. <ul><li>Sabemos que para produzir um texto devemos seguir regras, mesmo que elas não sejam rígidas. É importante saber o quanto se deve dizer e como se deve dizer. Definir os interlocutores é algo essencial. Esse é um dos maiores problemas da escola, pois nem sempre o professor define o tema e o interlocutor dos textos produzidos pelos alunos. </li></ul>
  27. 27. <ul><li>O texto se dá como um ato de comunicação unificado num complexo de ações humanas e colaborativas. </li></ul><ul><li>Refinando esta visão podemos, com Beaugrande (1997), dizer: </li></ul><ul><li>“ O texto é um sistema atualizado de escolhas extraído de sistemas virtuais entre os quais a língua é o sistema mais importante.” </li></ul><ul><li>“ É essencial tomar o texto como um evento comunicativo no qual convergem ações lingüísticas, cognitivas e sociais.” </li></ul>
  28. 28. <ul><li>Beaugrande costuma dizer que o texto é uma simples seqüência de palavras escritas ou faladas, mas um evento. </li></ul><ul><li>Algumas implicações dessa visão: </li></ul><ul><li>Sistema de conexão entre vários elementos: palavras, sons, imagens, contextos... </li></ul><ul><li>Evento interativo com um processo de co-produção; </li></ul><ul><li>Elementos multifuncionais como as palavras, sons, imagens... </li></ul>
  29. 29. <ul><li>Beaugrande – “As pessoas usam e partilham a língua tão bem precisamente porque ela é um sistema em constante interação com seus conhecimentos partilhados sobre o seu mundo e sua sociedade.” </li></ul>
  30. 30. 1.8 Relacionando texto, discurso e gênero <ul><li>Não é interessante distinguir rigidamente texto e discurso, pois a tendência atual é ver um contínuo entre ambos com uma espécie de condicionamento mútuo. As idéias aqui seguidas são baseadas em Antónia Coutinho (2004) e Jean-Michel Adam (1999). </li></ul>
  31. 31. <ul><li>Coutinho observa que texto e discurso são considerados aspectos complementares da atividade enunciativa. O discurso seria o “objeto de dizer” e o texto o “objeto de figura”. O gênero é aquele que regula a atividade da enunciação. </li></ul><ul><li>Os textos seriam “produções lingüísticas atestadas que realizam uma função comunicativa e se inserem numa prática social.” </li></ul>
  32. 32. <ul><li>Veja o esquema de Adam (1990) </li></ul><ul><li>Discurso= texto + condições de produção </li></ul><ul><li>Texto = discurso – condições de produção </li></ul><ul><li>O contexto é mais do que um simples entorno e não se pode separar o texto de seu contexto discursivo. Contexto é fonte de sentido. </li></ul><ul><li>Em 1999, Adam retoma sua concepção de texto e passa a inseri-lo em um contexto das práticas discursivas sem dissociar a sua historicidade e suas condições de produção. Ele agora trata os gêneros textuais como elementos tipicamente discursivos. Jean-Michel Adam ainda diz que a LT pode ser definida como um subdomínio do campo mais vasto da análise das práticas discursivas. </li></ul>
  33. 33. <ul><li>Agora vemos um outro esquema: </li></ul><ul><li>Discurso </li></ul>texto Contexto Condições de produção e recepção-interpretação
  34. 34. <ul><li>Adam identifica o texto como objeto concreto, material e empírico resultante de um ato de enunciação. Ele observa que até os anos 80 a LT tratava o texto em suas propriedades co-textuais e a partir desta data o texto é visto como um evento comunicativo, deslocando o foco para a questão pragmática, com a análise da intencionalidade e, particularmente, da situacionalidade (Beaugrande e Dressler – 1981). Vai-se do co-texto ao contexto. </li></ul>
  35. 35. <ul><li>Coutinho (2004) diz que a melhor articulação para tratar de textos empíricos seria entre texto, gênero e discurso como “categorias descritivas”. </li></ul><ul><li>(objeto da figura) </li></ul><ul><li>Discurso gênero texto </li></ul><ul><li>(objeto do dizer) </li></ul><ul><li>texto (objeto empírico) </li></ul>
  36. 36. <ul><li>O “objeto do dizer” é visto como “prática lingüística codificada, associada a uma prática social (sócio-institucional) historicamente situada. (Coutinho 2004) </li></ul><ul><li>É o uso interativo da língua. </li></ul><ul><li>A idéia de “objeto de figura” se trata de uma configuração, ou seja, de uma esquematização que conduz a uma figura ou figuração (Coutinho 2004). O texto é o observável, o fenômeno lingüístico empírico que apresenta todos os elementos configuracionais que dão acesso aos demais aspectos da análise. </li></ul><ul><li>Entre discurso e texto está o gênero, que é visto como prática social e prática textual-discursiva. Como diz Coutinho (2004), gêneros são modelos correspondentes a formas sociais reconhecíveis nas situações comunicacionais em que ocorrem. Sua estabilidade é relativa ao momento histórico-social em que surge e circula. </li></ul>
  37. 37. <ul><li>O gênero apresenta dois aspectos importantes: </li></ul><ul><li>Gestão Enunciativa: escolha dos planos de enunciação, modos discursivos e tipos textuais. </li></ul><ul><li>Composicionalidade: identificação de unidades ou subunidades textuais que dizem respeito à seqüenciação e ao encademento e linearização textual. </li></ul><ul><li>Assim, para Coutinho, “o gênero prefigura o texto e o gênero define o que no texto empírico faz a figura do texto.” </li></ul>
  38. 38. 1.9 A textualidade e sua inserção situacional e sociocultural <ul><li>O texto se ancora no contexto situacional. Ele concerne às relações semânticas que se dão entre os elementos no interior do próprio texto. Portanto, um texto tem relações situacionais e co-textuais. </li></ul><ul><li>As relações co-textuais se dão entre os próprios elementos internos (concordância, anáforas, relações sintáticas...). Sem língua não há texto. </li></ul><ul><li>Contudo, sem a situacionalidade e sem a inserção cultural, não há como interpretar um texto. Parafraseando Kant “língua sem contexto é vazia e o contexto sem língua é cego.” </li></ul>
  39. 39. <ul><li>Não se pode produzir ou entender um texto considerando apenas a linguagem. O nicho significativo do texto e, da própria língua, é a cultura, a história e a sociedade. Por isso um texto pode ter várias interpretações. </li></ul><ul><li>Como observam Halliday/Hassan (1976) texto e frase (enquanto entidades lingüísticas), não diferem apenas no tamanho do objeto lingüístico, mas na natureza desse objeto. Quando se diz que uma frase é coesa, tem-se a idéia de que ela é bem estruturada sintaticamente, mas quando se fala que um texto é coesivo, pensamos que a sua tecitura é comunicativa e compreensiva. Texto e estrutura são fatos lingüísticos diversos. A textura emerge um sujeito histórico e dialogicamente construído na relação com o outro, ao passo que na frase não há esse sujeito. </li></ul>
  40. 40. <ul><li>O texto é a unidade máxima de funcionamento da língua. É uma unidade funcional (de natureza discursiva). Podemos ter um texto de somente uma palavra, como por exemplo na placa de trânsito: PARE </li></ul><ul><li>Não é o tamanho físico que faz um texto, mas a discursividade, inteligibilidade e articulação que ele põe em movimento. </li></ul><ul><li>Os textos funcionam basicamente em contextos comunicativos, o que os determina como língua em funcionamento. </li></ul>
  41. 41. <ul><li>Podemos distinguir um texto de um não-texto? </li></ul><ul><li>Por exemplo, uma lista telefônica só será um texto para uma pessoa que vive em uma sociedade em que o telefone seja usado e que ela saiba como manuseá-la. </li></ul><ul><li>Beaugrande (1997) diz: “Um texto não existe, como texto, a menos que alguém o processe como tal.” </li></ul>
  42. 42. <ul><li>TEXTUALIDADE: </li></ul><ul><li>Texto é um evento cuja existência depende de que alguém processe o seu contexto. Dá-se na atividade enunciativa e não na relação de signos. </li></ul><ul><li>Situar-se num contexto sociointerativo e satisfazer um conjunto de condições que conduz cognitivamente à produção de escritos. </li></ul><ul><li>A seqüência de elementos lingüísticos será um texto na medida que consiga oferecer um acesso interpretativo, algo sociocomunicativo relevante para a compreensão. </li></ul>
  43. 43. <ul><li>Um determinado artefato lingüístico pode ser um texto para alguém e não ser um texto para outra pessoa. Uma configuração lingüística só é um texto quando consegue provocar sentido. Se eu não falo russo, algo escrito nessa língua não será um texto para mim, mas será um texto para quem domina esse código. </li></ul><ul><li>O problemas ortográficos ou sintáticos não atrapalha a compreensão se o texto estiver inserido num cultura e circular entre indivíduos que a dominam. A textualidade não depende de regras sintáticas ou ortográficas e sim das condições cognitiva e discursiva. </li></ul>
  44. 44. <ul><li>Um texto se dá numa complexa relação interativa entre a linguagem, a cultura e os sujeitos históricos que operam nesses contextos. Um sujeito social que se apropriou da linguagem ou que foi apropriado pela linguagem e a sociedade em que vive. Chamamos de sujeitos históricos, sociais, integrados numa cultura e numa forma de vida. </li></ul>

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