MARÇO 2013
Freakonomics
O Estranho Mundo da Economia
Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner
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  1. 1. MARÇO 2013 Freakonomics O Estranho Mundo da Economia Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner Este livro é considerado uma obra de referência na área da Gestão, pois oferece-nos todos os insights e algumas curiosidades sobre o mundo da Economia, tendo por objetivo mostrar ao leitor como é que esta pode afetar o comportamento da sociedade de forma profunda. Os estudos encabeçados pelos autores levam-nos a viajar por entre os maiores segredos da economia norte-americana – que vai obviamente ter um impacto a nível mundial –, passando pela História, Finanças e outras áreas de relevo. Steven D. Levitt - Formado em Economia pela Universidade de Harvard, fez carreira enquanto professor na Universidade de Chicago. CRÍTICA LITERÁRIA AYR Consulting, Trends & Innovation | Lisboa | Madrid | São Paulo | Miami Stephen J. Dubner - É colaborador regular do “New York Times” e o “The New Yorker”. Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  2. 2. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 1 Freakonomics O Estranho Mundo da Economia O Lado Escondido de Todas as Coisas – 6ª EDIÇÃO LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006, 262 páginas Categoria: Gestão/Estratégia 1. A forma como a Economia pode ser aplicada à sociedade. 2. A forma como as estatísticas e os números podem ajudar na procura da verdade. 3. O que é e de que maneira se expande a lógica do senso comum pela sociedade. 4. Como é que determinados acontecimentos históricos podem influenciar o pensamento contemporâneo de um país. 5. O que é um especialista e de que maneira pode este exercer poder simplesmente através de conhecimento. 6. Várias formas de discriminação e de que forma é que estas se manifestam em diferentes ambientes e estruturas sociais. 7. O que são incentivos e de que maneira podem afetar a nossa perceção das coisas. O que irá aprender: Principais Ideias 1. Um especialista é aquele que se encontra em vantagem por possuir mais informação sobre determinado tema ou assunto. 2. Todos nós somos conduzidos através de incentivos e na maior parte das vezes, fazemo-lo em benefício próprio. 3. Existem três tipos de incentivos: morais, sociais e económicos. 4. Todo o ser humano age em sociedade em virtude da perceção que os outros têm de si. Ou seja, a opinião e visão de terceiros importa e tem um grande peso na forma como cada um de nós se comporta. 5. As estatísticas e teorias da Economia são capazes de refutar as teorias de senso comum, muitas vezes tomadas como verdade absoluta, mas que acabam por não ter qualquer fundamento. Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  3. 3. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 2 Introdução 3 Revisão de Conteúdos 4 Capítulo 1 - O que é que os professores e os lutadores de sumo têm em comum? 5 Capítulo 2 – O que é que o Ku Klux Klan e um grupo de agentes imobiliários têm em comum? 8 Capítulo 3 - Porque é que os traficantes de droga ainda vivem em casa dos pais? 11 Capítulo 4 - O que é feito de todos os criminosos? 14 Capítulo 5 - O que faz os pais perfeitos? 16 Capítulo 6 - Pais perfeitos, Parte II; ou: será que uma Roshanda pareceria tão doce se tivesse outro nome? 19 Impacto 21 Principais Conclusões 22 Bibliografia 23 Índice Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  4. 4. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 3 Freakonomics é considerada uma obra de referência na área da Gestão. Foi escrita por Stephen J. Dubner, jornalista do New York Times, e por Steven Levitt, economista e professor na Universidade de Chicago. A obra oferece-nos todos os insights e algumas curiosidades sobre o mundo da Economia, tendo por objetivo mostrar ao leitor como é que esta pode afetar o comportamento da sociedade de forma profunda. Os estudos encabeçados pelos autores levam-nos a viajar por entre os maiores segredos da economia norte- americana – que vai obviamente ter um impacto a nível mundial –, passando pela História, Finanças e outras áreas de relevo. Pode até dizer-se que Freakonomics explora tudo o que existe, baseando-se na economia e nos números para tentar arranjar soluções e respostas para algumas questões, debruçando-se sobre temas que podem parecer mesmo descabidos ao leitor, mas que têm uma boa razão para serem abordados, pois remetem-nos para outras questões de maior importância. Para os autores, “a Economia é, acima de tudo, uma ciência de medida. Compreende um conjunto extraordinariamente poderoso e flexível de ferramentas que permitem avaliar com fiabilidade um vasto conjunto de informação para determinar o efeito de um qualquer fator ou até mesmo, o efeito global”1 . Em nota introdutória, Levitt e Dubner advertem para a necessidade de abertura de espírito e mentalidade para saber interpretar este livro corretamente, pois não se trata de uma obra convencional, que corresponda às regras normativas daquilo que um livro sobre economia deve conter. Baseia-se em conceitos e teorias económicas para explicar fenómenos aparentemente inexplicáveis, que costumam ser respondidas pela via do senso comum – conceito igualmente explicado durante a obra. Recentemente foi realizado um filme documental com base na obra do jornalista e do economista, que trata os mesmos assuntos, mas escolheu alguns especialistas de diversas áreas para participarem no documentário. Freakonomics: The Movie foi realizado em 2010, por Heidi Ewing, Alex Gibney, Seth Gordon, Rachel Grady, Eugene Jarecki e Morgan Spurlock2 . 1 In LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. – Freakonomics. Lisboa: ed. Presença, 2006, p. 28. 2 Para visionamento do trailer e mais informações sobre Freakonomics: The Movie, consultar http://www.imdb.com/title/tt1152822/. Introdução Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  5. 5. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 4 Atualmente, as obras dedicadas ao estudo da Economia são transformadas em algo por vezes aborrecido e integralmente técnico, pelo que, acaba por cansar o leitor e no final não permite que este pense sobre os assuntos, fornecendo-lhe a teoria sem que depois este consiga colocá-la em prática por falta de exemplos ilustrativos ou qualquer tipo de relação das informações dadas com a realidade experienciada. Assim, entende-se que Freakonomics é tida como uma obra de “vanguarda”, pois mostra-nos formas novas e mais criativas de aplicarmos teorias da Economia no dia-a- dia e por vezes, nas situações mais impensáveis mas que revelam fazer bastante sentido, quando corretamente contextualizadas e enquadradas. Um dos mais importantes parâmetros a ter em conta ao ler Freakonomics é que é necessário esquecer tudo aquilo que conhecemos através do senso comum. Ainda em nota introdutória, os autores dizem-nos que a obra se centra na ideia dos incentivos e na forma como o comportamento de cada um de nós se altera de acordo com a quantidade ou importância dos incentivos que vislumbramos. Um dos casos mais interessantes que é focado é o de Norma McCorvey, uma adolescente toxicodependente que já havia dado dois filhos para adoção e estava novamente grávida. Corria o ano de 1970 e o aborto era uma prática ilegal nos Estados Unidos – e altamente censurável no estado do Texas, de onde era oriunda esta rapariga. Acabou por se tornar num dos temas mais mediáticos da altura por lutar pela legalização do aborto. A sua luta acabou por não dar os resultados pretendidos, mas pelo menos conseguiu atrair a atenção de milhões de pessoas, que a apoiaram veementemente, bem como à sua causa. Esta foi uma das principais causas para a diminuição da taxa de criminalidade nos EUA, e não todas aquelas justificações em que o senso comum3 (também conhecido por opinião geral da sociedade) acreditava – mais policiamento nas ruas, aumento das medidas de prevenção de crimes, etc.. Esta e outras curiosas conclusões dos autores vão ser abordadas com mais profundidade ao longo desta crítica para percebermos que a Economia pode contribuir para melhorar o quotidiano de cada um de nós das mais diversas formas. 3 “Apesar de ter um objetivo concreto, traduz um conjunto incompleto de atos de conhecimento”. Definição contida em http://www.knoow.net/ciencsociaishuman/filosofia/sensocomum.htm. Revisão de Conteúdos Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  6. 6. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 5 O que é que os professores e os lutadores de sumo têm em comum? A obra começa com alguns exemplos sobre como é que previsões e lógicas do senso comum podem conduzir a resultados errados. É-nos mostrado como é que as multas em infantários não surtem efeito ou como é que um negócio pode resultar, sem que se tenha que monitorizar o pagamento dos serviços. Denominado O que é que os professores e os lutadores de sumo têm em comum?, este capítulo fala sobre como é que as situações de burla ou crimes de colarinho branco se processam, sem que ninguém repare nisso. Aqui, explora-se a ideia de que todos nós – indivíduos inseridos numa sociedade – acabamos sempre por cometer algum tipo de crime (por menor que este seja) ao longo da nossa vida. Os autores escolheram dois estudos que comprovaram que tanto professores de escolas básicas nos Estados Unidos, como lutadores de sumo4 no Japão forjam os resultados finais das provas. Uma das mais irrefutáveis realidades da sociedade mundial é a de que, todos nós, somos movidos pela força do incentivo, ou seja, pelas coisas que deverão resultar melhor para o nosso lado, que nos vão beneficiar. Ainda que seja socialmente inadmissível que um lutador de sumo se esforce para perder pontos para o seu adversário, tal acontece inúmeras vezes, principalmente devido a combinações entre os jogadores, em que fica acordado que de uma vez ganha um e da próxima ganhará o outro: tudo em benefício de cada um. O que se quer dizer com isto é que o comportamento humano depende, em grande parte das vezes, das vantagens e do peso das consequências que os resultados finais podem ter na vida de cada um. Imagine o leitor que tem uma consulta médica e que já está bastante atrasado. Ao chegar com o carro ao local, não encontra um lugar disponível para o estacionar que não seja pago. Não tem muito dinheiro para despender, mas fá-lo porque “valores mais altos se levantam” – a consulta médica. Como esta situação existem milhares e o mais importante acaba por ser o valor e a importância dos resultados, não importando muitas vezes quais os meios que utilizamos para os atingir. Ao longo desta crítica, vão dissecar-se algumas das razões que levam a que as pessoas mintam e enganem os outros, mesmo que seja através de ações quase insignificantes. A resposta para a pergunta colocada no título deste capítulo é simples: ambos os professores e os lutadores de sumo enganam os outros para seu próprio benefício. O fenómeno relativo aos professores das escolas básicas dos EUA também já acontece 4 Sumo é um desporto com origem no Japão e que tem semelhanças com algumas artes marciais. É tido como um jogo de honra e muitos acreditam que tem uma forte carga religiosa. Capítulo I Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  7. 7. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 6 em Portugal. Estes são anualmente avaliados com base nos resultados que os seus alunos tiveram nas provas globais que fazem anualmente. As sanções para os professores cujas turmas tiverem más notas são bastante fortes, podendo estes ser mesmo despedidos ou transferidos de escola. Por isso mesmo, os professores encarregam-se de alterar os resultados finais das provas dos seus alunos para obterem uma boa avaliação. Tal os lutadores de sumo, também neste caso é socialmente inadmissível que os professores alterem os resultados dos seus alunos para seu próprio proveito, mas está provado que acontece, pois o grau de incentivo é bastante elevado: “Houve vinte estados que recompensaram individualmente escolas devido aos bons resultados obtidos pelos seus alunos nos testes ou pela melhoria significativa desses resultados; trinta e dois estados aplicaram sanções às escolas que tiveram maus resultados”5 . Outro dos exemplos é o de Paul Feldman, funcionário de uma grande empresa nos EUA. Levava bolos caseiros para o local de trabalho e estes começaram a ser bastante cobiçados pelos seus colegas, até que decidiu despedir-se e abrir o seu próprio negócio, que consistia na venda desses bolos (que são hoje conhecidos como bagels) a empresas. O pagamento fazia-se da seguinte forma: Feldman entregava os bolos numa empresa, juntamente com uma caixa aberta onde deveria ser posto o dinheiro que os funcionários pagavam pelo serviço. Embora Feldman acreditasse que a taxa de pagamento era de 95 por cento, a verdade não era essa. Grande parte das pessoas retirava os bolos e não pagava, mas o pioneiro dos bagels não conseguia monitorizar este comportamento, pois não estava presente em todas as empresas onde fazia as entregas, no ato do (suposto) pagamento. Uma outra realidade que veio a ser comprovada aquando do estudo deste curioso caso, é que, quanto maior era a empresa, menos pessoas cometiam o roubo de bolos, pois havia mais gente presente para testemunhar o “crime”. Nas mais pequenas isto era mais frequente, mas mesmo assim, conseguiu contradizer-se a lógica de que todos nós mentimos sempre que temos uma oportunidade para tal. Na maioria dos casos, tal não se verifica, embora acabe por depender em grande parte, dos valores morais de cada indivíduo – que espantosamente se encontram relativamente equilibrados em termos coletivos. Em suma, sabemos viver em sociedade e comportamo-nos como seres humanos civilizados, embora às vezes tenhamos pequenos “desvios criminosos”, por mais pequenos que estes sejam. Mas porque é que isto acontece? Porque é que algumas vezes sentimos necessidade de o fazer e outras não? Serão apenas as ocasiões que dão aso a que os nossos comportamentos se tornem moralmente puníveis ou será que depende apenas e somente da natureza de cada um? 5 In LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. – Freakonomics. Lisboa: ed. Presença, 2006, p. 42. Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  8. 8. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 7 A resposta reside em ambos os argumentos acima referidos: muitas vezes depende da situação em que nos encontramos – se não tivermos rodeados de pessoas e se a hipótese de haver testemunhas e pessoas que condenem os nossos atos for diminuta – mas ao mesmo tempo, depende muitas vezes dos nossos valores morais e daquilo que simplesmente encaramos como errado, tanto relativamente a ações desencadeadas por outras pessoas, como por nós próprios – sendo a pior das consequências, nestes casos, a chamada “consciência pesada”. Capítulo I – Ideias 1. O ser humano comporta-se de acordo com incentivos, que normalmente devem funcionar para seu próprio benefício. 2. Neste livro, “incentivo” entende-se como sendo a principal força que nos move para sermos melhores pessoas – ou pelo menos, menos más. 3. Existem três tipos de incentivos: económicos, morais e sociais, sendo os morais e sociais vastamente mais eficientes do que o primeiro. 4. Tal como professores e lutadores de sumo, também os restantes membros da sociedade mentem para chegar aos resultados que pretendem, muitas vezes não olhando a meios para atingir os seus fins. Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  9. 9. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 8 O que é que o Ku Klux Klan e um grupo de agentes imobiliários têm em comum? Anteriormente abordámos a forma como muitas vezes mentimos e forjamos resultados em nosso próprio benefício. Vamos agora então ver como é que os autores descortinaram a lógica da mentira. Ou seja, porquê e como é que isto se processa? Já sabemos que geralmente é em benefício próprio, mas este capítulo mostra-nos como é que, em alguns casos, existem outros parâmetros envolvidos e que também são socialmente relevantes. Já foi dito que esta obra aborda a sociedade de uma perspetiva económica, encarando resultados matemáticos e estatísticos para determinar e dar sentido a alguns comportamentos da sociedade ao longo dos tempos. Começa com o grupo de segregação racial Ku Klux Klan, verificando-se, que na verdade, a maioria daquilo que se diz sobre este grupo é mentira. Foram informações enfoladas pelo senso comum, conclusões tiradas a partir de números muito pouco fiáveis. Ao analisarmos as estatísticas sobre os linchamentos nos EUA durante as primeiras duas décadas do século XX, podemos ver que têm decresceram significativamente e que em nada estão relacionados com o KKK. Assim, podemos concluir que este grupo não passou da teoria para a prática em grande parte das situações. O que fez com que a sociedade os receasse foram as suas investidas verbais e a forma como funcionavam enquanto grupo. A sua dinâmica coletiva assustava a população norte-americana por não saberem com quem estavam a lidar e qual o nível das suas ameaças. Foi de facto, um grupo com bastante expressão (negativa) e que deixou a sua marca na história dos EUA, mas não foi certamente devido a crimes contra outros seres humanos, pelo que a maioria das suas atividades consistia na vandalização de habitações e lojas, passeios a cavalo por zonas rurais e de toda uma criação de rituais. Enfim, encaravam-se a si próprios como um pequeno grupo secreto que aterrorizava todos os restantes grupos raciais não caucasianos. O que o KKK tem em comum com os agentes imobiliários, bem como com os médicos, é o princípio inconsciente pelo qual regem a sua atividade. Claro que um médico segue o princípio de curar doentes e um agente imobiliário, de vender casas, mas a verdade é que todos eles levam vantagem por causa do medo, pois será difícil admitir que vamos desconfiar do diagnóstico de um médico ou recusar fazer os exames que nos prescreveu. Freakonomics diz-nos que tudo isto tem uma mesma base: a informação. O poder que o conteúdo informacional exerce pode ser estrondoso e ter resultados nefastos – como aconteceu com o KKK – ou simplesmente fazer com que cada um minta e não seja descoberto. Porquê? Porque enquanto Capítulo II Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  10. 10. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 9 leigos, somos levados a acreditar que tudo aquilo que um especialista afirme, é verdade; encaramos o que dizem como verdades absolutas, quando nem sempre assim o é. Parece não fazer sentido, mas se cruzarmos estas premissas com as do primeiro capítulo, percebemos o que acontece. Se todos nós agimos em benefício próprio na maior parte das vezes, então terá lógica que queiramos que os outros se encontrem em desvantagem relativamente a nós: “A informação é uma baliza, um sinal, um varapau, um ramo de oliveira ou um dissuasor, dependendo de quem a esgrime e da forma como o faz. A informação é tão poderosa que a assunção da informação, até mesmo se a informação realmente não existe, pode ter um efeito tranquilizador”6 . Um importante conceito que se encontra na obra aqui em análise, é o de assimetria da informação, que simboliza a distância de capacidades de conhecimentos que existe entre uma pessoa e outra – entre um especialista/vendedor e um mero consumidor, por exemplo. Embora a Internet tenha minorado essa distância (pois as pessoas podem adquirir mais informações a partir desta poderosa fonte), ela continua a existir e vai sempre existir, em grande parte devido ao poder da manipulação da informação. Por outras palavras, pode dizer-se que as noções que adquirimos das pessoas e a credibilidade que lhes imputamos é, em grande medida, consequência direta da forma como percecionamos essas mesmas pessoas e as situações que as envolvem. Freakonomics fala sobre um estudo7 que foi feito ao conhecido concurso televisivo O Elo Mais Fraco. O objetivo era apurar se haveria discriminação entre os concorrentes, tendo-se concluído que sim. Primeiro, considera-se importante apurar o que é que se entende por discriminação, de acordo com os economistas: “O primeiro tipo é designado de discriminação baseada no gosto e significa que uma pessoa adota uma atitude discriminatória simplesmente porque prefere não interagir com um determinado tipo de pessoa. No segundo tipo, conhecido como discriminação baseada na informação, as pessoas acreditam que um outro tipo de pessoa tem fracas capacidades e age em conformidade”8 . Debrucemo-nos então sobre os resultados obtidos no estudo supramencionado. Normalmente, os grupos mais discriminados socialmente são a raça negra e as mulheres, mas não foi isso que se verificou neste caso. Os concorrentes negros ou de sexo feminino raramente eram votados para sair pelos restantes. Naturalmente, pensaríamos que não existe então discriminação, mas no final, apurou-se que “(...) a discriminação de certos grupos passou a ser uma atitude tão anacrónica que, à exceção das pessoas mais insensíveis, todos fazem o maior esforço para, pelo menos em público, parecerem pessoas bem-pensantes”9 . Ou seja, a sociedade está cada vez mais educada no sentido de ser politicamente correta 6 In LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. – Freakonomics. Lisboa: ed. Presença, 2006, p. 82. 7 Estudo patente em LEVITT, Steven D., “Testing Theories of Discrimination: Evidence from the Weakest Link”, Journal of Law and Economics, ed. outubro 2004, pp. 431-452. 8 In LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. – Freakonomics. Lisboa: ed. Presença, 2006, p. 96. 9 Idem, ibidem. Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  11. 11. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 1 0 e não dizer grande parte daquilo que pensa. Ao invés de segregar negros e mulheres, agora a sociedade mudou o foco da descriminação para os hispânicos e os idosos. A razão é simples: não é tão evidente e não foram alvo de fortes campanhas em prol da inserção social como os grupos anteriores. O que interessa concluir depois de feito este estudo com O Elo Mais Fraco é que as pessoas se importam realmente com o que os outros pensam de si, com a forma como os outros as percecionam e isto acontece em quase todas as situações, obrigando a que ajam de acordo com os parâmetros social e moralmente aceites – o que vem então dar sentido à lógica dos três tipos de sanções (morais, sociais e económicas). Em suma, este capítulo mostra-nos exemplos que corroboram que “a diferença entre a informação que proclamamos publicamente e a informação que sabemos ser verdadeira é, frequentemente, muito grande”10 . Nesta crítica, vamos ainda falar de algumas outras situações focadas no livro de Levitt e Dubner e mostrar ao leitor alguns curiosos factos acerca dos comportamentos de cada um em sociedade, passando pela forma como esta acaba por ser a principal “moldura” que determina as linhas da nossa vivência e pela qual estamos constantemente a ser questionados, avaliados e julgados por terceiros. Esta é a ordem natural dos acontecimentos, mas muitas vezes, chegamos a conclusões que acabam por se revelar erradas, pois fomos conduzidos pelo senso comum e é aqui que entram os autores da obra em análise. Mais do que aplicar teorias da economia ao estudo da sociedade contemporânea, propõem desmistificar alguns dos maiores mitos relativos ao Mundo em que vivemos. 10 In LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. – Freakonomics. Lisboa: ed. Presença, 2006, p. 102. Capítulo II – Ideias 1. A informação é das “armas” mais poderosas e pode ser usada para os mais diversos fins, sendo o interesse próprio o mais frequente. 2. Essa informação parece ganhar valor extra quando transmitida de especialistas (vendedores) para pessoas leigas na matéria (consumidores). 3. Os economistas definem dois tipos de discriminação: por gosto e por informação. 4. A característica comum entre o Ku Klux Klan e aos agentes imobiliários é que ambos funcionam pela força do medo, ferramenta que move grande parte da sociedade e que permitiu ao KKK permanecer tanto tempo enquanto força anti racial nos Estados Unidos. 5. A sociedade está cada vez mais direcionada para conter as suas opiniões e vontades mais básicas, centrando-se na ideologia de se ser “politicamente correto”. Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  12. 12. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 1 1 Porque é que os traficantes de droga ainda vivem em casa dos pais? O leitor é agora conduzido para os problemas que podem advir do “senso comum”. Este termo foi introduzido por John Kenneth Galbraith11 , autor de várias obras sobre economia. Galbraith criou a expressão conventional wisdom e definiu-a como a associação da verdade com conveniência. Ou seja, o ser humano tende a encarar factos aparentemente lógicos como verdades absolutas, quando nem sempre é assim. É sobre isso mesmo que Levitt e Dubner falam neste terceiro momento do seu livro. Duas das ferramentas que melhor promovem a expansão do senso comum são os media e a publicidade. Hoje em dia, nada passa para a opinião pública sem que primeiro seja filtrado e noticiado pelos media ou trabalhado por uma agência de publicidade. Temos novamente a informação enquanto motor agregador da sociedade, mas desta vez de uma perspetiva de adulteração dos factos. Melhor dizendo, não se trata de alterar os factos, mas sim de os mostrar de uma perspetiva própria: a de cada jornalista, de cada agente publicitário, de cada empresário. A promoção de determinado produto ou marca é inteiramente dependente da forma como este é colocado no mercado, comunicado, publicitado e, por sua vez, percecionado pelo consumidor12 . O mesmo se verifica com os acontecimentos chamados de mediáticos – aqueles que se encontram na esfera central de importância dos meios de comunicação. Exemplo disso são as guerras do Iraque ou o recente casamento real entre o Príncipe William e Kate Middleton. Estes eventos foram catapultados de tal forma, que a população já só os encara de uma determinada perspetiva, tudo devido à abordagem escolhida pelos media, que foi anteriormente delineada pelos órgãos de informação de poderosas instituições (sendo nestes casos, a Casa Branca e a Família Real Britânica respetivamente). Esta questão do mediatismo noticioso tem sido vastamente estudada por vários teóricos por todo o Mundo, sendo que se focam principalmente na problemática do enquadramento13 . Este conceito foi teorizado por Erving Goffman14 e tornou-se 11 John Kenneth Galbraith (1908-2006). O economista criticou veementemente as políticas económicas dos EUA nas suas obras, tendo tido uma forte influência enquanto contra-poder e voz sonante no mundo contemporâneo. Para mais informações sobre o autor, consultar http://www.johnkennethgalbraith.com/. 12 Veja o exemplo do Listerine em LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. – Freakonomics. Lisboa: ed. Presença, 2006, p. 109. 13 Por enquadramento (ou framing), entenda-se o uso de imagens, palavras ou contextualizações que modelem o conteúdo noticioso, de forma a destacar alguns aspetos e ocultar outros. Capítulo III Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  13. 13. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 1 2 bastante popular, principalmente no que toca a determinados acontecimentos, como os acima referidos. Freakonomics fala mesmo da mais recente Guerra do Iraque que, tal como acontece com a ‘guerra do senso comum’, um dos extremos acaba sempre por vencer e, neste caso, a sociedade foi levada a acreditar que os iraquianos tinham efetivamente armas de destruição maciça em sua posse e que os norte-americanos seriam os “heróis” que deveriam salvar o Mundo dos “vilões”. Essa imagem foi transmitida para o público geral através do enquadramento feito pelos media dos EUA. Este exemplo explica a capacidade da palavra e da informação quando queremos transmitir determinada ideia ou teoria. Tal como a guerra do Iraque, também muitos outros acontecimentos são alvo de um enquadramento do género, sedo que, muitos desses framings são desconhecidos à maioria da população que acaba por acreditar naquilo que os (aparentes) especialistas proclamam. Um dos temas mais discutidos na obra aqui em análise é o crime. Porquê? Porque tal como os médicos ou os agentes imobiliários, também os criminosos respondem a incentivos. Estudar grupos de tráfico de droga e de delinquentes juvenis em bairros sociais dos EUA é uma tarefa bastante perigosa e complicada, que exige muito trabalho de campo, algo que poucos conseguem fazer. Um estudante indiano que estava a fazer a sua tese de doutoramento decidiu saber mais sobre a pobreza em bairros difíceis de Chicago, mas depressa chegou à conclusão de que era impossível fazer a sua investigação se se baseasse somente nos métodos investigativos académicos. Sudhir Venkatesh decidiu inserir-se no seio de um grupo de traficantes de crack do sul de Chicago. Entretanto conheceu o jornalista Levitt e juntos publicaram os dados que constavam nos minuciosos relatórios de grupo. Depois de analisados os relatórios, concluíram que o chefe desse grupo, T. J., era o mais poderoso e mais temido de todos os membros. Tal como numa empresa multinacional, também aqui a hierarquia era respeitada e levada a sério. Com o tempo, Venkatesh descobriu que não existia apenas o grupo de T.J. mas sim que este pertencia a uma imensa rede de outros pequenos grupos de tráfico espalhados pela cidade. O que interessa retirar dos resultados obtidos pelos investigadores é que, na verdade, as estruturas hierárquicas funcionam todas a partir de uma premissa principal: o mais poderoso assim o é porque conquistou o seu lugar e esforçou-se para chegar até lá, mas ainda mais curioso é descobrir que estes são sempre vistos como os mais sábios, os mais temidos. Segundo os autores, “Para conquistar um lugar melhor na competição, é preciso provar, não apenas que se está ao nível da média, 14 Erving Goffman (1922-1982). Sociólogo canadiano reconhecido pelas suas análises sobre a interação humana. Escreveu sobre assuntos que vão desde a forma como as pessoas se comportam em público até às diferentes "formas" de conversa, sempre do ponto de vista de que todas as facetas do comportamento humano são significativas na estratégia e nas táticas de luta social. Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  14. 14. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 1 3 mas que se é espetacular”15 . Tal como os lutadores de sumo do Japão ou os altos membros do Ku Klux Klan, também T.J. era a entidade mais “espetacular”. 15 In LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. – Freakonomics. Lisboa: ed. Presença, 2006, p. 125. Capítulo III – Ideias 1. Tanto os media como as marcas (através da comunicação e da publicidade) usam a informação para seu benefício e “moldam-na” de acordo com aquilo que querem que o público percecione – e que nem sempre é a verdade. 2. Esses dois poderes são quem mais expande a lógica do senso comum e faz com quem este perdure. 3. O poder conquista-se e para que isso aconteça é preciso que estejamos sempre a provar que somos merecedores o suficiente. 4. Os grandes grupos de tráfico de droga nos EUA funcionam com a mesma estrutura de qualquer empresa de renome: através de uma hierarquia na qual os “empregados” têm funções muito bem definidas. 5. Considera-se que um “especialista” o é quando detém vantagem sobre uma pessoa menos informada sobre determinado assunto. Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  15. 15. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 1 4 O que é feito de todos os criminosos? Taxas de criminalidade e de aborto. Que relação pode existir entre estas duas variáveis? Levitt mostra-nos como é que a lógica pode ter influenciado fortemente a forma como as pessoas percecionam e pensam em determinados assuntos. A taxa de criminalidade desceu significativamente nos anos 90, se compararmos com a década de 80. As pessoas estavam indignadas e não percebiam a causa desta descida. Por isso, tiraram-se elações e construíram-se supostas justificações com sentido, entre as quais o aumento do número de agentes policiais nas ruas e estratégias inovadoras, maior rigor no recurso à prisão ou o envelhecimento da população. Todas parecem fazer aparente sentido, mas os resultados são diferentes quando olhamos para os números. Grande parte das causas apontadas não tiveram em nada que ver com a diminuição da taxa de criminalidade, mas como são logicamente aceitáveis, as pessoas preferem admiti-las como corretas e não as refutar. Assim se processa a construção do senso comum, partindo de presunções que acabam por não ter qualquer fundamento de facto. Na verdade, a diminuição da criminalidade nos EUA está relacionada com a legalização do aborto no país. A explicação dos autores é que a grande maioria das mulheres a quem não era permitido abortar, acabavam por ter os bebés que consequentemente cresciam em ambientes pouco produtivos, tanto em termos de riqueza económica como a nível educacional e cultural. Assim, tornavam-se adolescentes enraivecidos e com uma grande propensão para “embarcarem” no mundo do crime, juntando-se a clãs violentos, a gangues de tráfico de droga e outros grupos pouco recomendáveis. As mães destes jovens eram muitas vezes irresponsáveis e despreocupadas relativamente à sua educação e negligenciavam- nos. Este capítulo envolve vários dados estatísticos que comprovam a ligação entre a legalização do aborto e a criminalidade nos Estados Unidos, mas o que interessa saber é que se trata de mais um exemplo de como “temos tendência para ligar a relação de causalidade a coisas que podemos tocar ou que podemos sentir e não a um fenómeno distante ou difícil de entender. Principalmente acreditamos nas causas próximas ou de efeito rápido (...)”16 . Considera-se que o mais importante a reter pelo leitor nesta fase da obra é que o conhecimento que advém do senso comum é raramente o correto e não deve por isso ser encarado como verdade absoluta, pois 16 In LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. – Freakonomics. Lisboa: ed. Presença, 2006, p. 161. Capítulo IV Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  16. 16. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 1 5 como vimos no exemplo anterior, as justificações dadas pelos media como causas da diminuição da taxa de criminalidade estavam incorretas e não se basearam em dados precisos, apenas em lógicas de causalidade sem fundamento. Tudo isto nos remete para a ideia de que devemos estar mais atentos aos dados antes de chegarmos a conclusões precipitadas, baseadas em pensamentos que parecem fazer sentido. Esta premissa pode fazer com que o leitor comece a tornar-se cético em relação a tudo aquilo que os outros dizem, fazem e pensam, mas não é isso que Freakonomics pretende. A ideia é fazer com que o leitor pense em assuntos problemáticos e emergentes e coloque o senso comum para segundo plano, pensando de uma forma mais aberta e pesando todos os argumentos, de forma a arranjar justificações que podem até parecer não fazer sentido. Capítulo IV – Ideias 1. O senso comum impera sobre todos os outros tipos de conhecimento, pois é mais fácil e faz- nos chegar a conclusões que parecem mais lógicas. 2. O senso comum não se baseia em matéria de facto. 3. A legalização do aborto é tida pelos autores como uma das principais causas para a diminuição da taxa de criminalidade nos EUA nos anos 90, mas só foi possível chegar a esta conclusão, pesando muitos outros parâmetros sociais e fazendo um mapa cronológico de acontecimentos no país. Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  17. 17. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 1 6 O que faz os pais perfeitos? Anteriormente, Levitt e Dubner tentaram provar que algumas coisas que assumimos como verdades absolutas, afinal não são assim tão verdadeiras. Aliás, algumas são mesmo falsas e fundamentadas em justificações ilógicas. Já com a noção da diferença entre senso comum e especialistas, vamos abordar um outro assunto que tem que ver (ainda que indiretamente) com a problemática da criminalidade entre os jovens: a escolaridade e a “arte de educar”, a chamada parentalidade. Quase tida como uma ciência, tem sido uma problemática abordada por milhares de investigadores e de especialistas sobre a área. Um pouco como a teoria de que a Terra era quadrada, também as teorias sobre educação são constantemente refutadas e substituídas por outras mais recentes – e supostamente mais certas. Se se tratasse de qualquer outra área do saber, o primeiro passo seria comprovar determinada teoria até que não restassem dúvidas de que estava correta mas, neste caso específico, existe um grande obstáculo que impede que isto aconteça: os pais e o desejo de fazer tudo de melhor pelos seus filhos. Assim, adotam todas as teorias que são presentemente as mais corretas e assumem-nas como verdades absolutas sem hesitar, tudo pelo bem dos seus filhos. Isto faz com que cada pai ou mãe acabe a educar os seus filhos de forma diferente, havendo um grande fosso entre a maneira como uma e outra criança foram educadas – seja a forma de amamentar, a posição mais acertada para dormirem, entre muitas outras coisas. Têm-se criado as mais diversas teorias sobre como melhor educar as crianças e é aqui que surge novamente o medo, aquela grande e poderosa ferramenta. No que toca à educação (desde o primeiro ano de vida) das crianças, esta funciona mesmo como a mais poderosa ferramenta de todas, sendo a morte (do filho) o maior dos medos dos pais: “(...) o medo prospera no tempo presente. É por isso que os peritos confiam nele; num mundo cada vez mais impaciente com os processos de longo prazo, o medo é um jogo poderoso de curto prazo”17 . Os autores embarcam então numa explicação para a complicada pergunta: será que os pais têm uma influência assim tão marcada no futuro dos seus filhos e na forma como serão mais tarde quando crescerem? Através de alguns exemplos, concluem que não existe uma influência direta efetiva, embora as suas escolhas possam obviamente ter algum peso. A obra torna-se interessante pelos exemplos que utiliza para explicar a lógica que quer transmitir ao leitor. Para nos mostrar que muitas vezes 17 In LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. – Freakonomics. Lisboa: ed. Presença, 2006, p. 172. Capítulo V Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  18. 18. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 1 7 os pais agem sem pensar nos números, mas sim com base na lógica do senso comum, costumam preferir que os filhos brinquem na piscina de uns amigos, do que deixá-los brincar em casa de um amigo cujos pais sejam portadores de uma arma de fogo. Na verdade, por ano, morrem mais crianças afogadas em piscinas do que atingidas por uma arma de fogo (cerca de 1 a cada 11 000, em comparação com 1 a cada 1 milhão de crianças, respetivamente). Neste capítulo, os autores usam estudos feitos em escolas secundárias de Chicago para fundamentarem a premissa de que os pais não exercem qualquer influência direta na personalidade ou percurso dos seus filhos, nem tão pouco o faz o tipo de escola para que vão, ou seja, a escola que escolhem para os seus filhos. Em Chicago, os jovens podem escolher a escola onde pretendem estudar e isso deveria significar que o seu desempenho iria depender disso mesmo e que os resultados das suas avaliações e o seu sucesso escolar estariam em consonância com a qualidade de ensino da escola onde estudam. Na realidade, tal não se verificou, tendo Levitt e Dubner concluído que, na maior parte das vezes, os alunos que escolheram as melhores escolas não tiveram melhores resultados escolares do que aqueles que acabaram por ficar em escolas piores. Outro facto curioso realçado no livro é o de que as pessoas estão muito mais atentas e os seus níveis de preocupação e de alarme são muito maiores, quanto mais desconhecidos e distantes forem os perigos que enfrentam. Vejamos os seguintes exemplos: existem muito mais pessoas com medo de andar de avião do que com medo de andar de automóvel, embora a taxa de mortes provocadas por estes dois transportes seja quase a mesma; criou-se um ambiente de alarme à escala mundial relativa à doença das vacas loucas, mas é raro preocuparmo-nos com as bactérias que estão constantemente presentes no lava-louças ou nos alimentos da nossa cozinha. Porque é que estas coisas acontecem deste modo? Precisamente porque tanto a nossa cozinha, como a condução do automóvel são coisas que podemos controlar em primeira mão – somos nós que limpamos a nossa bancada, que desinfetamos e cozinhamos os alimentos que comemos e somos nós que conduzimos o nosso próprio carro e por isso mesmo sentimos que podemos comandar essas ações, que temos controlo sobre elas. Peter Sandman18 intitula-se como “avaliador de risco de comunicações” e desenvolveu a teoria de que “Risco = Perigo + Alarme”. Esta equação parece ser o fundamento correto para todos os exemplos usados em Freakonomics e vem comprovar precisamente que o ser humano é mais responsivo a teorias do senso comum do que a outras teorias que parecem não fazer tanto sentido, mas que são na verdade, as 18 Peter Sandman é um dos oradores e consultores proeminentes de comunicação de risco nos Estados Unidos hoje, tendo também trabalhado extensivamente na Europa e Austrália entre outros lugares. A sua abordagem é única e eficaz para gerenciamento de controvérsias de risco. Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  19. 19. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 1 8 certas. Isto irá sempre acontecer porque existirão sempre “especialistas” que querem agir em benefício próprio seja o seu incentivo moral, económico ou social – pode até nem ter que ver com dinheiro, mas somente com o desejo de ver o seu nome publicado e de ser reconhecido publicamente. Anteriormente foi dito que os pais não exercem uma influência direta no desenvolvimento dos seus filhos, mas não deixam por isso de ser cruciais. Segundo os autores “Grande parte das coisas que são importantes já foram decididas há muito tempo – quem é, com quem se casou, que tipo de vida tem. Se é inteligente, se é trabalhador, se tem um nível elevado de habilitações literárias, se tem um bom ordenado e se é casado com alguém igualmente afortunado, então os seus filhos terão mais oportunidades de ter sucesso. Não interessa assim tanto como se é como pai, mas quem se é”19 . Esta citação vem precisamente comprovar que os livros escritos por especialistas sobre parentalidade não têm muita influência na forma como os filhos se desenvolvem, pois na verdade, tudo depende do desenvolvimento dos respetivos pais e por sua vez, da pessoa em que se tornaram. 19 In LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. – Freakonomics. Lisboa: ed. Presença, 2006, p. 198. Capítulo IV – Ideias 1. Os seres humanos são, enquanto pais, os maiores crentes nas teorias do senso comum, pois são os que mais são conduzidos pelo medo – de perder os filhos. 2. O desempenho e futuro das pessoas não dependem diretamente da educação que os seus pais lhes dão, mas sim de si mesmos. 3. A lógica do senso comum parece fazer sempre mais sentido, porque é aquela que molda uma realidade mais próxima de nós. 4. “Risco = Perigo + Alarme” porque o ser humano tem tendência para ter mais receio de coisas que lhe são distantes e menos das coisas que lhe são próximas, porque sente que as pode controlar. Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  20. 20. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 1 9 Pais perfeitos, Parte II; ou: será que uma Roshanda pareceria tão doce se tivesse outro nome? Como pode o nosso nome influenciar o nosso percurso de vida? É sobre isso mesmo que este sexto capítulo se desenvolve: a escolha dos nomes que se dão aos filhos, em que é que as pessoas se baseiam para o fazer e se existem alguma lógica pertinente por detrás dessa escolha. São conhecidos vários casos em que os nomes foram escolhidos de acordo com perspetivas futuras e o livro dá-nos o exemplo de dois irmãos: Loser (perdedor) e Winner (vencedor), que ironicamente, não corresponderam corretamente às expetativas dos seus pais. Quem deveria vencer, perdeu, e quem não deveria vencer, singrou belamente na vida. Existem várias situações como esta, mas também existem aqueles casos em que os pais assumem uma posição de tal despreocupação face ao nascimento de um filho, que não têm especial cuidado na escolha de determinado nome. Levitt e Dubner focam alguns outros casos em que os nomes foram dados literalmente ao acaso, como aconteceu com Amcher, cujo nome surgiu depois da entrada da sua mãe na clínica para dar à luz, lembrando-se assim que poderia nomear a sua criança com as iniciais do hospital (Albany Medical Center Hospital Emergency Room). Também Temptress (sedutora) faz parte deste conjunto. Este tipo de “escolhas infelizes” parece não influenciar o futuro de ninguém e, nos casos em que tal acontece, trata-se apenas de uma infeliz coincidência. Roland Fryer Jr.20 dedicou grande parte da sua vida a estudar um fenómeno parecido com este: a disparidade entre os nomes dados a crianças negras e os nomes dados a crianças brancas. Existe efetivamente uma diferença gritante entre os nomes destes dois grupos raciais, mas as razões sempre foram desconhecidas e pareciam intrigar este investigador. As suas pesquisas apuraram que as pessoas com nomes “tipicamente” negros no currículo tinham menos hipóteses de serem chamados para uma entrevista do que aqueles com um nome “tipicamente” branco. Seria apenas uma questão de racismo por parte do departamento de recursos humanos das empresas, ou teria isto que ver com outras questões mais intrincadas? 20 Roland Fryer Gerhard, Jr. (1977- ) é um economista americano e professor de economia na Universidade de Harvard, onde ingressou em 2003 como um dos mais jovens professores Afro- americanos na história da escola. A sua pesquisa tenta responder à pergunta de por que é que os Africano-americanos são mais afetados pela pobreza do que outros grupos demográficos na América. Capítulo VI Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  21. 21. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 2 0 No final deste capítulo, o livro esclarece que se trata de uma simbiose entre estes dois elementos e que o facto de uma pessoa branca singrar na vida e de uma pessoa negra não, tem principalmente que ver com um outro elemento crucial: a esfera socioeconómica em que cada um deles nasceu e cresceu. Mais uma vez, os números dizem-nos que é bastante mais provável que a uma criança nascida num “berço de ouro”, não seja dado um nome “tipicamente negro” e que a uma criança nascida no seio de um bairro violento e pobre, não seja dado um nome “tipicamente branco”, até porque as estatísticas mostram-nos que existe uma maior percentagem de crianças negras em bairros sociais. Na verdade, não existe qualquer correlação entre o nome e o percurso de vida: “Se dois rapazes negros, Jake Williams e DeShawn Williams, tivessem nascido no mesmo bairro e em circunstâncias familiares e económicas iguais, provavelmente terão trajetórias de vida semelhantes. Mas o tipo de pais que batiza o filho com o nome Jake não tende a viver no mesmo bairro ou a partilhar as mesmas circunstâncias económicas com o tipo de pais que batiza os filhos com o nome de DeShawn. E é por isso que em média, um rapaz a quem foi dado o nome de Jake tende a ganhar mais dinheiro e a adquirir um nível de educação mais elevado que um rapaz a quem foi dado o nome de DeShawn”21 . A grande pergunta que o leitor deverá estar a fazer é se a vida de DeShawn teria sido melhor se tivesse alterado o seu nome para Jake. Tendo em conta o caso dos currículos que vimos acima, esta seria uma premissa com bastante lógica. Na verdade, isto seria apenas uma suposição, mas curiosamente, os autores não se baseiam no fator “raça” ou esfera socioeconómica, mas sim no grau de incentivo que o sujeito possui, dando até o exemplo de que “qualquer pessoa que se desse ao incómodo de mudar o seu nome tendo em vista o sucesso económico estava (...) pelo menos, altamente incentivado, e convenhamos que a motivação é, provavelmente, um indicador de sucesso mais forte do que um nome”22 . 21 In LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. – Freakonomics. Lisboa: ed. Presença, 2006, p. 212. 22 Idem, p. 213. Capítulo IV – Ideias 1. Na verdade, o nome que nos dão quando nascemos, não influencia a forma como nos desenvolvemos pela vida fora – pelo menos não de forma direta. 2. Existem discrepâncias entre o percurso de vida de uma criança com um nome “tipicamente negro” e outra com um nome “tipicamente branco”, mas não devido ao nome que lhes foi dado. 3. O verdadeiro motivo reside no grau de incentivo que essa criança tem para querer singrar na vida e atingir um certo nível socioeconómico. Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  22. 22. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 2 1 A palavra ideal para descrever Freakonomics é: “controverso”. Este é um livro que vem destronar muitas supostas “verdades absolutas” que, depois de analisadas por via da Economia, se revelam totalmente falsas e carecem de matéria de facto. Os autores advertem para que muitas das premissas expressadas no livros “poderão até causar-lhe algum incómodo, serem impopulares. Reivindicar que o resultado da legalização do aborto contribuiu largamente para a redução do crime conduzirá inevitavelmente a reações morais explosivas”23 . As lógicas do senso comum são na maior parte das vezes, impercetíveis, bem como a forma como são expressas pela sociedade. Um dos melhores exemplos são os conselhos sobre parentalidade, que se vão alterando quase de ano para ano, o que faz com que uma mãe que tenha tido um filho no final dos anos 70, siga teorias bastante diferentes daquelas com que vai educar a filha que nascerá no início dos anos 90. A ciência vai logicamente avançando e milhares de teorias vão sendo substituídas por outros milhares de novas premissas, tendo sempre por base as investigações e resultados mais recentes. Ainda assim, é preciso assumir que nem tudo o que os ditos “especialistas” nos dizem é verdade porque, tal como tem vindo a ser dito em toda esta crítica e na obra em si, todos nós temos uma forte tendência para agirmos em benefício próprio – o que acontece mais demarcadamente quando sentimos que possuímos mais informação que os outros, ou seja, sentimos que temos o poder sobre a situação, pois a informação que detemos vale mais do que a das outras pessoas. A reação de qualquer pessoa será acreditar nos especialistas e Freakonomics faz por munir o leitor de armas que o alertem em relação áquilo que ouve e comece a questionar o mundo que o rodeia, baseando-se nos números e nas estatísticas, mais do que no senso comum – que como pudemos ver, não é tido como positivo. O livro desmente vários mitos que toda a sociedade tem considerado dogmas, como o facto de uma pessoa nascida no seio de uma família pobre ter, indubitavelmente, menos hipóteses de sucesso do que uma que nasça no seio de uma família de classe alta. Na verdade, tudo depende dos incentivos que cada um tem. Ao lermos a obra, apercebemo-nos de que existem coisas que fazem manifestamente mais sentido se as olharmos de uma perspetiva económica e não através do senso comum. Em suma, o que Levitt e Dubner defendem é que “se a moral representa o mundo ideal, então a economia representa o mundo real”24 . 23 In LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. – Freakonomics. Lisboa: ed. Presença, 2006, p. 230. 24 Idem, ibidem. Impacto Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  23. 23. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 2 2 Esta crítica apresenta os principais pontos abordados em Freakonomics e em que medida pode este ter tido impacto na sociedade – e principalmente, no leitor. A forma como percecionamos a sociedade depende bastante das premissas que conduzem o nosso percurso de vida e que, por sua vez, afetam a forma como os outros nos percecionam, isto é, dependente da forma como agimos perante os outros e de um outro elemento: o incentivo e o grau deste. Como foi dito anteriormente, existem três tipos de incentivos e todas as pessoas dependem destes e movimentam-se a partir dos mesmos. Sejam os incentivos de cariz moral, económico ou social, a verdade é que todos os seres humanos agem em consonância com pelo menos, um destes. Levitt e Dubner advertem para uma falta de correlação entre os vários temas abordados na obra, sendo que nesta crítica se entende que acaba por existir um ponto comum a todos eles: a comprovação de determinadas lógicas com base em estatísticas destronando, na maior parte das vezes, o senso comum e aquilo que no geral as pessoas acreditam ser a verdade sobre certos assuntos. Neste livro descortinam-se problemáticas e descobre-se a raiz de vários problemas, que embora já tendo sido abordados em teses e outros estudos, confluem neste obra e são cruzados com interessantes resultados. Pode entender-se que Freakonomics analisa a sociedade e alguns dos seus mais profundos e antigos problemas com base na Economia, argumentando e fundamentando nesse sentido. Segundo os autores, não se pretende que este seja um livro que tenha um propósito realmente demarcado e visível, pelo que “o resultado mais provável da leitura deste livro é muito simples: o leitor pode começar a fazer muitas perguntas a si próprio”25 . No fundo, uma das dádivas do Homem enquanto ser pensante é a possibilidade de nos ser permitido pensar e consequentemente, duvidar e perguntar, pois só assim poderemos chegar a conclusões fundamentadas e precisas. 25 In LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. – Freakonomics. Lisboa: ed. Presença, 2006, p. 230. Principais Conclusões Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  24. 24. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 2 3 LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. – Freakonomics. Lisboa: ed. Presença. 2006 LEVITT, Steven D. – Testing Theories of Discrimination: Evidence from the Weakest Link. Journal of Law and Economics, ed. outubro 2004. http://biography.jrank.org/pages/2961/Fryer-Roland-G.html http://people.brandeis.edu/~teuber/goffmanbio.html http://www.imdb.com/title/tt1152822/ http://www.johnkennethgalbraith.com/ http://www.knoow.net/ciencsociaishuman/filosofia/sensocomum.htm http://www.psandman.com/ http://www.psandman.com/bio.htm Todos os sites supramencionados foram consultados entre os dias 20 e 29 de junho de 2012. Webgrafia Bibliografia Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com
  25. 25. Freakonomics LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Editorial Presença © 2006 www.ayr-insights.com 2 4 Documento licenciado a Luis Rasquilha com o email luis.rasquilha@ayrww.com

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