2
Rules Of Attraction
Simone Elkeles
Livro dois da Série Química Perfeita
3
Tradução:
M. West
Revisão:
Dill, Mirelamt, Juliana Vieira S. Machado
Leitura Final:
Josi T.
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Agradecimentos
Este livro não seria possível sem Emily Easton, minha editora, quem sempre
acompanhou os drafts da histór...
5
À Karen Harris, uma incrível amiga, mentora, parceira crítica, escritora, e muito mais.
Eu estaria perdida sem sua ajuda...
6
Sinopse
Quando Carlos Fuentes retorna aos Estados Unidos, depois de ter vivido no
México durante um ano, não quer nenhum...
7
1. Carlos
Quero viver minha vida sob meus próprios termos. Mas sou mexicano, assim
mi familia está sempre aí para me gui...
8
O avião está quase vazio, assim não posso procurar por mais desculpas.
Agarro minha mochila e sigo os sinais para a área...
9
– Por que leva isso no pescoço? – Pergunta-me meu irmão.
– É um rosário – Respondo manuseando a cruz preta e branca. – M...
10
Agora que estava na Universidade, acreditava que podia acatar as normas e
fazer do mundo um lugar brilhante no qual viv...
11
– Pergunto-me quem é você e que diabos fez com meu irmão. Meu irmão Alex
costumava ser um rebelde, e agora fala sobre m...
12
Ele pode ser meu irmão mais velho, mas nosso pai havia sido morto e
enterrado faz muito. Não quero nem necessito suas r...
13
É um prédio de oito andares que lembra um gigantesco condomínio, que pouco
se parece com um lar, mas tanto faz. Tiro mi...
14
– Se o Alex não importar, – diz Mandi.
Alex se afasta e mete uma mão no cabelo.
– Vou me colocar em problemas se entrar...
15
Merda. Isso não é bom.
– Que merda se supõe que vou fazer quando estiver entendiado?
– Ler um livro.
– Estás chiflado, ...
16
chave do apartamento e sua bolsa em uma mão e uma sacola de papel
marrom na outra.
Parece uma boneca Barbie ambulante.
...
17
Ela se gira para a cozinha.
– Alex, quer me ajudar aqui?
Alex aparece com pratos de papel e utensílios de plástico nas ...
18
– Está bem. De verdade. – diz ela beijando meu irmão.– Desfrutem do almoço.
Te vejo amanhã. Adeus, Carlos.
– Uh–huh. - ...
19
– Me desculpar com minha namorada e logo depois vou para o trabalho. Sinta-
se em casa, – diz me lançando uma chave do ...
20
2. Kiara
– Kiara, não posso acreditar que tenha te deixado por uma mensagem de texto.
- Meu melhor amigo, Tuck, me diz ...
21
– Nunca confie em um cara que diz que te ama no segundo encontro. Isso já
me aconteceu uma vez e foi um desastre total....
22
que me preocupar quando começava a falar, esperando que as pessoas me
entendessem e logo obtinha um olhar de “Oh, enten...
23
– Todo mundo gosta dela.
–Isso é porque têm medo dela, secretamente todos a odeiam. – Tuck começa a
rabiscar palavras e...
24
– Vamos ao básico. Tem que medir o atrativo em três partes para obter um
resultado completo.
– Quem compõe as regras?
–...
25
Ele retira seus cabelos fora de seus olhos.
– O que, tetas?
– Ugh, simplesmente diga peitos, por favor. A palavra com '...
26
– Quero um homem que tenha confiança. Muita confiança.
– Bom – diz, enquanto anota.
– Quero um tipo que seja agradável ...
27
– Que surpresa! Um rádio vintage, para que coincida com seu carro velho! –
Diz Tuck com sarcasmo, então aplaude fingind...
28
– Ele está de visita do México? – Pergunto-lhe.
– Não está de visita. Passará seu último ano no Flatiron, começará aman...
29
Minha boca se transforma em um sorriso amplo, e recordo o que Tuck me
disse...
–Eu adoro um bom desafio.
30
3. Carlos
–Não necessito de um guia.
Essas são as primeiras palavras que saem de minha boca quando o Sr. House,
o diret...
31
– Está pronto? – pergunta a garota com um grande sorriso. – O segundo sinal
para o primeiro período já soou.
Posso pedi...
32
– Meu armário está a dois do teu, – diz, como se acreditasse que fosse algo
bom. Quando fiquei pronto, ela revisou meu ...
33
supervisores. Era suficientemente ruim que eu tivesse que deixar o colégio e
começar a trabalhar para poder pôr pão na ...
34
– Obrigada por me fazer chegar tarde a aula sem nenhum motivo, – diz,
apressando-se atrás de mim.
– Não me culpe. Não f...
35
Kiara me apresenta ao Sr. Hennesey rapidamente, e igualmente rápido sai da
sala. Espero que minha paquera a tenha assus...
36
– O que sabe a respeito de carros?
– Mais que você. – Diz sobre seu ombro.
Eu rio – Quer apostar?
– Talvez. – ela para ...
37
– Melhor se apressar, – Olho para meu pulso, que não tem relógio, mas ela
nem o nota. – o sinal vai soar.
– Te vejo dep...
38
Um menino latino caminha para a mesa. Este menino é uma versão mais alta
do melhor amigo do Alex, Paco.
Quando estavam ...
39
Meu nome também é latino, mas não sinto a necessidade de trocar minha
herança e me chamar Carl para me encaixar. Uma ol...
40
– É o cara novo do Meh-hee-co?
Sempre me irrita quando os brancos tentam falar como se fossem mexicanos.
Pergunto-me o ...
41
–Honestamente, você não quer se aproximar o suficiente para descobrir. Só
tem que saber que ao final da nossa relação, ...
42
– Que mau, – digo, pretendendo soar simpático. – Teria esperado se
soubesse...
– Sim, claro. – Ela olha para a mesa de ...
43
talento especial. Ram volta totalmente concentrado em comer uma pizza de
pepperoni.
O som dos lábios do Madison me faze...
44
4. Kiara
– Então, como é ser uma guia? – pergunta mamãe na mesa do jantar. Sei que
estava desejando que chegasse esse m...
45
–Essa é uma maravilhosa ideia.
Estou segura que a última coisa que Carlos quer fazer é vir a minha casa. Ele
deixou per...
46
Encolho-me de ombros.
– Possivelmente sou muito inteligente para entender suas piadas.
– Então por que quer sair?
– Min...
47
– Huh?
– Geléia.
Sinto muito, mas simplesmente não há maneira diferente de dizer a palavra
“geleia”, se todas estas let...
48
– Porque isso é justamente o que ele quer, – digo, enquanto entramos em meu
carro e saímos do estacionamento. –Não quer...
49
5. Carlos
Na quarta-feira, saio da escola e me dirijo à loja para me encontrar com o Alex.
Justo quando cruzo a rua, um...
50
– De fato, bati em três meninos e um pitbull – brinco, mas acredito que ela
levou a sério porque sua boca se abre em ch...
51
– Tem tanta sorte, – diz Lacey. – Meus pais estão todo o tempo perto, e minha
irmã é uma completa psicopata, mas me esc...
52
Ambas as garotas se giram para o Alex e lhe lançam aqueles brilhantes
sorrisos. Elas gostam do elogio, embora acredite ...
53
Alex tira sua atenção do pára-choque e volta para mim.
– Por favor, me diga que não foi um completo idiota com ela.
– S...
54
6. Kiara
– Sim, – diz Carlos, sua cara mostra desafio e diversão. – Me prove.
Alex levanta uma de suas mãos em sinal de...
55
–Não. Mas incomodar o meu irmão faz. E te incomodar faz com que incomode
o meu irmão. Sinto muito, mas esta no meio de ...
56
A escola não iniciará até cerca de quarenta e cinco minutos, assim só umas
poucas pessoas passam no corredor. Abro o ar...
57
–Sim, mas tenho que ver sua reação – digo – Vamos nos esconder na sala da
senhora Hadden.
Cinco minutos mais tarde, Tuc...
58
–Sim – diz levantando uma sobrancelha – Estou impressionado. Estou puto da
vida, mas impressionado.
Fecha seu armário, ...
59
7. Carlos
Não posso tirar o cheiro de coockies. Está em minhas mãos, está em meus
livros... é um inferno, até em minha ...
60
– Não sabe muitas coisas a meu respeito.
– Eu costumava saber.
Empurro ao redor a comida em meu prato, de repente não t...
61
que marcaram-me como um Guerrero, ele ficaria doido. Sei que poderia estar
em Colorado, mas ainda tenho ligações.
– Bri...
62
– Sim. Ouviste falar disso?
– Ouvi falar disso. Também sei o que acontece nas festas. – Ela se senta junto
ao Alex. – F...
63
– Está bem, Alex. Sério. Iamos pegar o ônibus para visitar minha irmã de
qualquer maneira.
Por um milésimo de segundo e...
64
– Carlos está aqui – Grita uma garota. Finjo que não escuto o eco de gritos que
lhe seguem.
Madison, que usava um vesti...
65
Estou seguro de que a definição de “sala de diversões” a um nível
completamente diferente.
Um cara branco está sentado ...
66
O cara é muito escorregadio, e meu radar apita. Conheço seu jogo, porque vi
uma centena de Nicks em minha vida. Inferno...
67
– Ouvi que Madison quer entrar em suas calças – diz Nick enquanto tira uma
bolsa de pílulas de seu bolso dianteiro. As ...
68
8. Kiara
– Sou daltônico, – queixa-se o senhor Whittaker com mau humor, sua voz tão
áspera como ele, inunda um pincel e...
69
Estende uma mão para cima com dedos calosos, artríticos e olha-me mais
perto.
– Eu tenho dois pés esquerdos. Mas não o ...
70
– Talvez eu deva ficar sozinha pelo resto de minha vida.
Ambos, Mildred e Sylvia, sacodem a cabeça com força, seus cabe...
71
9. Carlos
– Heeey – canta Madison. – Estou de volta.
E trouxe umas dez pessoas mais com ela. Todos se reúnem em volta d...
72
– Tem sentido. – Vejo Madison dar outra tragada. Ela me vê olhando para ela,
então me sorri enquanto se move para meu l...
73
– Vamos.
A noite se move muito rápido. Estou tranquilo, e no fundo de minha mente me
lembro de que Ram me advertiu a re...
74
porque sabia que ele sabia. Não é como se sua mãe tivesse nos encontrado e
tivesse nos detido.
Doeu a cabeça de ouvi-la...
75
Claro que quero fazer. Mas quando olho para o lado e vejo uma foto de seus
pais sorridentes na mesa ao lado da cama, si...
76
encontrar um lugar para parar ou dormir no carro. Aperto o botão para reclinar
o assento e fecho os olhos, com a espera...
77
relaxar. Juro que posso sentir seus olhos aborrecidos em meu crânio como
dois pequenos lasers.
– O que quer? – Murmuro ...
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10. Kiara
Na segunda-feira, os rumores voam sobre a festa de Madison Stone. A maioria
deles giram ao redor do Carlos e ...
79
Meu pensamento se dirige aos rumores a respeito dele e Madison. Nem sequer
sei por que, mas a ideia deles se agarrando ...
80
– Kiara. – ele chama.
Aproximo-me do meu papel. Quando o Sr. Furie me entrega, não está sorrindo.
– Pode fazer muito me...
81
– Como escrever um documento de persuasão quando não temos tempo para
investigar? – pergunta alguém na parte de atrás d...
82
Pego meu papel e caminho frente à classe. Digo a mim mesma para respirar
profundamente e pensar nas palavras antes que ...
83
–... as pessoas nos reality shows são celebridades... –Faço uma pausa e tomo
uma respiração profunda, e logo continúo. ...
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Simone elkeles [química perfeita 02] - regras da atração

  1. 1. 2 Rules Of Attraction Simone Elkeles Livro dois da Série Química Perfeita
  2. 2. 3 Tradução: M. West Revisão: Dill, Mirelamt, Juliana Vieira S. Machado Leitura Final: Josi T.
  3. 3. 4 Agradecimentos Este livro não seria possível sem Emily Easton, minha editora, quem sempre acompanhou os drafts da história do Carlos comigo. Eu acho que você merece ser canonizada por isso. Dr. Olympia González tem um agradecimento especial por passar seu tempo me ajudando a tempera meu livro com o espanhol e a cultura mexicana. Eu assumo todos os créditos pelos erros que cometi, já que eles são todos meus, mas espero que você fique orgulhosa de mim. Sou sortuda por ter Ruth Kaufman e Karen Harris como amigas e colegas. Vocês duas me ajudaram desde o começo até o fim. Eu não posso agradecer o suficiente por vocês estarem presentes no momento em que eu mais precisei. Quero agradecer Alex Strong por ser minha inspiração para Tuck. Espero que ele seja tão divertido e espirituoso como você, Alex. Eu também quero agradecer minha agente, Kristin Nelson, por seu infinito apoio enquanto eu estava escrevendo este livro. Significou muito para mim ter uma animadora de torcida torcendo me animando. Você até foi fazer rafting comigo em Colorado quando eu fui lá para pesquisar, coitadinha. Isso sim que é agente! Outras pessoas que me ajudaram neste livro ou foram incrivelmente amigos (e família) apoiadores são Nanci Martinez, Dayna Plusker, Marilyn Brant, Erika Danou-Hasan, Meko Miller, Randi Sak, Michelle Movitz, Amy Kahn, Joshua Kahn, Liane Freed, Jonathan Freed, Debbie Feiger, Nickey Sejzer, Marianne To, Melissa Hermann, Michelle Salisbury, and Sarah Gordon. Conhecer Jeremy, Maya, Sarah, Koby, Victor, e Savi foi de extrema ajuda para me dar ideias de como é ser um adolescente em Colorado. E eu nunca poderia esquecer de agradecer Rob Adelman por sua infinita sabedoria. Também quero agradecer meus fãs. Eles são a melhor parte de escrever novelas, e eu nunca me canso de ler e-mails de fãs quando algum deles me envia uma mensagem. Por último, mas não menos importante, quero agradecer à Samantha, Brett, Moshe, e Fran. Eles definitivamente são minha inspiração e têm sido incríveis e pacientes enquanto eu estava escrevendo este livro.
  4. 4. 5 À Karen Harris, uma incrível amiga, mentora, parceira crítica, escritora, e muito mais. Eu estaria perdida sem sua ajuda e amizade nestes últimos sete anos. Obrigada um milhão de vezes por compartilhar desta jornada comigo.
  5. 5. 6 Sinopse Quando Carlos Fuentes retorna aos Estados Unidos, depois de ter vivido no México durante um ano, não quer nenhuma parte da vida que seu irmão mais velho, Alex, escolheu para ele em uma escola secundária no Colorado. Carlos gosta de viver sua vida no limite e quer trilhar seu próprio caminho, igual fez Alex. Então conhece Kiara Westford. Ela não fala muito e é totalmente intimidada pelos modos selvagens de Carlos. Ao se conhecerem, Carlos assume que Kiara pensa que é muito boa para ele, e se nega a admitir que pudesse ficar com ele. Mas logo se dá conta de que ser ele mesmo é exatamente o que ela precisava no momento.
  6. 6. 7 1. Carlos Quero viver minha vida sob meus próprios termos. Mas sou mexicano, assim mi familia está sempre aí para me guiar em tudo o que faço, querendo eu ou não. Bom, “guiar” é uma palavra muito fraca, “obrigar” se aproxima mais. Mi mamá não me perguntou se queria sair do México e me mudar para o Colorado, viver com meu irmão Alex durante meu último ano da escola. Ela tomou a decisão de me enviar aos Estados Unidos “para meu próprio bem”, suas palavras, não as minhas. Quando o resto de mi família a apoiou, não era como se eu tivesse opção. Realmente acreditam que me enviar de volta aos Estados Unidos evitará que termine morto ou na prisão? Desde que fui despedido da fábrica de açúcar a dois meses, eu vivi la vida loca. Nada vai mudar isso. Olhei através da janela enquanto o avião se elevava sobre as montanhas rochosas nevadas. Definitivamente já não estou mais em Atencingo... e tampouco estou nos subúrbios de Chicago, onde vivi toda minha vida antes de que mi mamá nos fizesse arrumar as malas e nos mudar para o México durante o segundo ano da escola secundária. Quando o avião aterrissou, eu olhei os outros passageiros se empurrando com dificuldade para a saída. Fiquei para trás e esperei a situação melhorar. Estou prestes a ver meu irmão pela primeira vez em quase dois anos. Demônios, nem sequer estou certo que quero lhe ver.
  7. 7. 8 O avião está quase vazio, assim não posso procurar por mais desculpas. Agarro minha mochila e sigo os sinais para a área de bagagens. Quando saio do terminal vejo meu irmão Alex me esperando mais à frente das grades de proteção. Pensei que não lhe reconheceria, ou que me sentiria como se fôssemos estranhos em vez de família. Mas não havia como não reconhecer meu irmão mais velho... sua cara é tão familiar como a minha própria. Sinto uma pequena satisfação por ser mais alto que ele agora, eu já não pareço mais aquela criança fracote que ele deixou atrás. – Ya está sen Colorado, – ele disse enquanto me abraçava. Quando me soltou, notei ligeiras cicatrizes sobre suas sobrancelhas e perto de suas orelhas que não estavam lá da última vez que tinha lhe tinha visto. Parecia mais velho, mas não havia perdido a aparência cautelosa que sempre o rodeava, como um escudo. Acredito que herdei esse escudo. – Gracias –Disse com um fio de voz. Ele sabe que não quero estar aqui. O tio Julio ficou ao meu lado até que me obrigou a subir no avião. E então me ameaçou de ficar no aeroporto até que soubesse que minha bunda estava no ar. – Recorda como falar inglês? –Pergunta-me meu irmão enquanto caminhamos para a saída de bagagens. Giro meus olhos. – Só vivemos no México dois anos, Alex. Ou melhor dizendo, mamá, Luis e eu vivemos no México. Você se desfez de nós. – Não me desfiz de vocês. Vou à Universidade para poder fazer algo produtivo com a minha vida. Deveria tentar alguma vez. – Não obrigado. Minha vida não-produtiva me parece boa. Pego minha mala da esteira e sigo Alex para fora do aeroporto.
  8. 8. 9 – Por que leva isso no pescoço? – Pergunta-me meu irmão. – É um rosário – Respondo manuseando a cruz preta e branca. – Me tornei religioso desde a última vez que você me viu. – Religioso, minha bunda. Sei que é o símbolo de uma gangue – Diz enquanto alcançamos o conversível Beemer prateado. Meu irmão não podia pagar um carro como esse. Devia ter pego emprestado com sua noiva, Brittany. – E se for? Alex tinha feito parte de uma gangue em Chicago. Mi papá também foi antes dele. Queira Alex admitir ou não, ser um mau elemento é meu legado. Tratei de viver segundo as regras. Nunca me queixei quando ganhava menos de 50 pesos por dia e trabalhava como um cão depois da escola. Depois não pude mais e comecei a andar com os Guerreros del barrio, e ganhava perto de 100 pesos por dia. Podia ser dinheiro sujo, mas não faltava comida na mesa. – Você não aprendeu nada com os meus erros? – Ele perguntou. Merda, quando Alex estava no Sangue Latino em Chicago, eu lhe idolatrava. – Não quer escutar minha resposta a isso. Balançando a cabeça com frustração, Alex tira a bolsa de minhas mãos e a joga na parte traseira do carro. E daí que tivesse deixado o Sangue Latino? Ele levaria suas tatuagens durante o resto de sua vida. Quisesse aceitar ou não, sempre estaria associado com o SL, fosse um membro ativo da gangue ou não. Jogo um demorado olhar a meu irmão. Ele definitivamente mudou. Senti no minuto em que o vi. Poderia se parecer com o Alex Fuentes, mas podia jurar que tinha perdido o espírito de luta que uma vez possuiu.
  9. 9. 10 Agora que estava na Universidade, acreditava que podia acatar as normas e fazer do mundo um lugar brilhante no qual viver. Era surpreendente o quão rápido ele havia esquecido, não fazia muito nós vivíamos nos barracões dos subúrbios de Chicago. Algumas partes do mundo não podem brilhar, não importa quanto limpe a sujeira. – Y mamá? – pergunta Alex. – Está bem. – E Luis? – Igual. Nosso irmãozinho é quase tão preparado como você, Alex. Acredita que vai ser astronauta como José Hernández. Alex inclina a cabeça como um papá orgulhoso, eu acho que ele realmente pensa que Luis realmente pode realizar seu sonho. Ambos são uns iludidos... meus dois irmãos são sonhadores. Alex acredita que pode salvar o mundo criando curas para as enfermidades e Luis acredita que pode deixar este mundo para explorar alguns novos. Enquanto entramos na autoestrada, eu vejo uma parede de montanhas ao longe. O que me lembra dos terrenos acidentados no México. – Chama-se Front Range – diz Alex. - A universidade está na base das montanhas. – Ele aponta à esquerda. – Aqueles são os Flatirons, porque as rochas são planas como pranchas de engomar. Te lavarei lá uma hora destas. Brit e eu caminhamos por ali quando queremos nos afastar do campus. Quando ele olha para mim, eu estou olhando para o meu irmão, como se ele tivesse duas cabeças. – O que? – Pergunta. Será que ele esta brincando? - Me estás tomando los pelos?
  10. 10. 11 – Pergunto-me quem é você e que diabos fez com meu irmão. Meu irmão Alex costumava ser um rebelde, e agora fala sobre montanhas, pranchas de engomar e passear com sua namorada. – Preferiria falar sobre tomar um porre e foder alguém? – Sim! – Respondo no ato com excitação. – Então pode me dizer onde posso me embebedar e foder alguém, porque não durarei muito se não conseguir algum tipo de substância ilegal em meu organismo. – Minto. Mi mamá certamente lhe contou suas suspeitas sobre que ando usando drogas, assim posso interpretar o papel. – Sim, claro. Guarde estas merdas para Mamá, Carlos. Eu não acredito nisso mais do que você. Coloquei meus pés em cima do painel. – Não tem nem a menor ideia. Alex retira os meus pés do painel. – Importa-se? É o carro da Brittany. – Você está seriamente domado, cara. Quando vai se desfazer da gringa e começar a ser um cara normal da universidade que se enrola com um montão de garotas? – Pergunto. – Brittany e eu não saímos com outras pessoas. – Por que não? – Isso se chama ter uma ‘namorada’. – Isso se chama estupidez, panocha. Não é normal para um cara estar só com uma garota, Alex. Eu estou sozinho e sou livre e decidi ser para sempre. – Apenas para que fique claro, senhor agente livre, você não vai levar qualquer uma no meu apartamento.
  11. 11. 12 Ele pode ser meu irmão mais velho, mas nosso pai havia sido morto e enterrado faz muito. Não quero nem necessito suas regras de merda. É hora de ser eu mesmo. – Só para que fique claro, eu pretendo fazer o que eu quiser enquanto estiver aqui. – Só me faça um favor e escute. Você pode realmente aprender alguma coisa. Dou uma risada curta. Sim, claro. O que vou aprender com ele, como preencher inscrições de Universidades? Fazer experimentos químicos? Não planejo fazer nenhuma dessas coisas. Nós dois ficamos calados nos proximos 45 minutos de trajeto, as montanhas se aproximavam cada vez mais a cada quilometro. Atravessamos a Universidade do Colorado deixando os edifícios do campus ao lado direito. O edifício Redbrick se sobressai e há universitários com mochilas, esparramados por todas as partes. Alex acreditava que podia agir contra as probabilidades e que realmente encontraria um trabalho bem pago que o tirasse da pobreza o resto de sua vida? Não havia muitas oportunidades para que isso ocorresse. As pessoas vão dar uma olhada para ele e suas tatuagens e jogá-lo para fora. – Tenho que ir trabalhar em uma hora, mas quero te deixar instalado primeiro – diz, enquanto estaciona. Eu sei que ele conseguiu um emprego em uma mecânica para ajudá-lo a pagar a porra das taxas da escola e empréstimos do governo. – Aí está, – diz enquanto mostra o edifício que está diante de nós. – Tu casa.
  12. 12. 13 É um prédio de oito andares que lembra um gigantesco condomínio, que pouco se parece com um lar, mas tanto faz. Tiro minha mochila da parte de trás e sigo Alex ao interior. – Espero que esta seja a parte pobre da cidade, Alex, – digo. – Porque me dá urticária estar perto de gente rica. – Não vivo no luxo, se é o que quer dizer. Estes apartamentos de estudantes estão subvencionados. Subimos no elevador até o quarto andar. Cheira a pizza, e há manchas pulverizadas pelo tapete. Duas garotas gostosas vestidas com roupa de ginastica passam por nosso lado. Alex lhes sorri. Por sua reação sonhadora poderia dizer-se que estão surpreendidas e não me surpreenderia se de repente se ajoelhassem e beijassem o chão pelo que ele caminha. – Mandi e Jessica, este é meu irmão Carlos. – Olá, Carlos... – Jessica me olha de cima abaixo. Definitivamente cheguei a exitante Faculdade. E definitivamente sinto isso também. – Por que não nos disse que ele era tão quente? – Ele ainda está na Escola, – advertiu-lhes Alex. O que ele era? Um desmancha-prazeres? – No último ano – replico, esperando que não perca a atração, ao saber que não sou um universitário.– Terei dezoito em um par de meses. – Faremos-lhe uma festa de aniversário, – disse Mandi. – Genial, – respondo. – Posso ter as duas como presente?
  13. 13. 14 – Se o Alex não importar, – diz Mandi. Alex se afasta e mete uma mão no cabelo. – Vou me colocar em problemas se entrar nessa discussão. Desta vez, as garotas riem. Então se afastam pelo corredor, não sem antes olhar atrás e despedir-se com a mão. Entramos no apartamento do Alex. Definitivamente não vive no luxo. Uma cama de solteiro com um fino cobertor de lã de um lado do quarto, uma mesa e quatro cadeiras no centro, e uma pequena cozinha em que duas pessoas teriam dificuldade para passar pela porta. Isto nem sequer é um pequeno apartamento de um prédio. É um estudio. Um pequeno estudio. Alex aponta para a porta próxima à sua cama. – Este é o banheiro. Pode pôr suas coisas no armário da cozinha. Atiro minha mochila dentro do armário e dou mais uma olhada pelo apartamento. – Um, Alex... Onde se supõe que vou dormir? – Pedi emprestado uma cama inflável a Mandi. – Está buena, ela é bonita.– Eu olho a sala de novo. Na nossa casa em Chicago eu compartilhava um quarto ainda menor com o Alex e Luis – Onde está a televisão? – pergunto. – Não tem.
  14. 14. 15 Merda. Isso não é bom. – Que merda se supõe que vou fazer quando estiver entendiado? – Ler um livro. – Estás chiflado, está louco. Eu não leio. – Pode começar a fazê-lo amanhã, – diz enquanto abre a janela para deixar entrar ar fresco. – Já enviei sua papelada. Esperam-lhe no Instituto Flatiron amanhã. Instituto? Meu irmão está falando sobre estudos? Cara, essa é a última coisa sobre a qual um menino de dezessete anos quer pensar. Acreditei que me daria uma semana para me readaptar a viver nos EUA de novo. Hora de trocar de tema. – Onde esconde a erva? – digo sabendo que estou levando sua paciência ao limite. – Provavelmente deveria dizer-me isso agora para não ter que revirar toda sua casa tentando encontrá-la. – Não tenho. – Ok. Então… Quem é seu fornecedor? – Não tenho, Carlos. Já não faço mais essa merda. – Você disse que trabalha. Não tem dinheiro? – Sim, posso pagar a comida, ir à universidade e enviar algo do que sobra a mamá. Enquanto estou assimilando a notícia, a porta do apartamento se abre. Reconheço imediatamente o cabelo loiro da namorada de meu irmão, com a
  15. 15. 16 chave do apartamento e sua bolsa em uma mão e uma sacola de papel marrom na outra. Parece uma boneca Barbie ambulante. Meu irmão agarra a bolsa e lhe dá um beijo. Parecem casados. – Carlos, lembra de Brittany? Ela se aproxima e me abraça. – Carlos, é ótimo que esteja aqui! – diz Brittany com a voz animada. Quase me tinha esquecido que era animadora de torcida no segundo grau, mas logo que abre a boca não pude evitar de lembrar. – Para quem? – digo com um fio de voz. Ela anda para trás. – Para você. E para o Alex. Ele sentia saudades de ter a sua família perto. – Aposto que sim. Ela pigarreia e parece um pouco preocupada. – Umm... bom, bem, trouxe-lhes comida Chinesa para o almoço, meninos. Espero que estejam com fome. – Somos mexicanos, – digo. – por que não trouxeste comida mexicana? As perfeitas sobrancelhas do Brittany se franzem. – Está brincando, não? – Pois, não.
  16. 16. 17 Ela se gira para a cozinha. – Alex, quer me ajudar aqui? Alex aparece com pratos de papel e utensílios de plástico nas mãos. – Carlos, qual é seu problema? Eu me encolho de ombros. – Não há problema. Só estava perguntando a sua namorada por que não havia trazido comida mexicana. Ela é a única que se pôs na defensiva. – Tenha educação e lhe agradeça ao invés de fazê-la sentir como lixo. Está muito claro do lado de quem está meu irmão. Uma vez que Alex disse que se uniu ao Sangue Latino para proteger a nossa família, Luis e eu não tivemos que nos unir. Mas agora podia ver que a família não significava nada para ele. Brittany levanta as mãos. – Não quero que briguem por minha culpa. - Coloca a bolsa no ombro e sussurra. – Acredito que será melhor que eu vá e os deixem colocar a conversa em dia. – Não vá, – diz Alex. Dios mío, acho que meu irmão perdeu suas bolas em algum lugar entre aqui e México. Ou possivelmente a Brittany as guardou em sua bolsa chique. – Alex, deixa que ela vá se quiser. É a hora de tirar a colera que ela lhe colocou.
  17. 17. 18 – Está bem. De verdade. – diz ela beijando meu irmão.– Desfrutem do almoço. Te vejo amanhã. Adeus, Carlos. – Uh–huh. - Assim que ela se foi, peguei a sacola marrom da cozinha e a pus na mesa. Leio as etiquetas de cada recipiente: Frango chow mein... beef chow divertido... pu-pu ao prato. – Pu-pu ao prato? – São aperitivos, –explica Alex. Não vou nem me aproximar de algo que se chame “pu-pu”. Inclusive me incomoda que meu irmão saiba o que é um prato pu-pu. Deixo de lado esse recipiente enquanto coloco a colher em uma embalagem de comida a Chinesa identificável e começo a mastigar. – Não vai comer? –pergunta Alex. Ele está me olhando como se fosse algum estranho. – Qué pasa? –pergunto. – Brittany não vai a nenhum lugar, você sabe. – Esse é o problema. Não te dá conta? – Não. O que me dou conta é que meu irmão de dezessete anos age como se tivesse cinco. É hora de crescer, mocoso. – Para que me torne um chato de merda como você? Não, obrigado. Alex agarra suas chaves. – Onde vai?
  18. 18. 19 – Me desculpar com minha namorada e logo depois vou para o trabalho. Sinta- se em casa, – diz me lançando uma chave do apartamento. – E fique longe de problemas. – Enquanto você vai falar com Brittany. – Eu digo quanto mordo o fim de um rolo de ovo. – Por que você não pede a ela as suas bolas de volta.
  19. 19. 20 2. Kiara – Kiara, não posso acreditar que tenha te deixado por uma mensagem de texto. - Meu melhor amigo, Tuck, me diz enquanto lê as três frases na tela de meu celular, enquanto se senta próximo à minha mesa no meu quarto. -ñ stá fncndo. Snt mto ñ m ode.* Ele me entrega o telefone. – O mínimo que podia ter feito era escrever cada uma das palavras completas. “Não me odeie?” O cara tá de brincadeira. É óbvio que você vai odiá-lo. Deito-me em minha cama e fico olhando o teto, recordando a primeira vez que Michael e eu nos beijamos, foi no concerto do verão ao ar livre no Niwot, atrás do vendedor de sorvete. – Eu gostava dele. –Sim, bom, eu nunca gostei. Não confie em alguém que conhece na sala de espera do escritório do seu terapeuta. Virei-me sobre meu estômago e me apóio sobre meus cotovelos. –Foi nos bate-papos da terapia. E ele só levava o irmão para as sessões. Tuck nunca gostou de nenhum dos meninos com que saí, tira um bloco de notas rosa na gaveta da escrivaninha e uma caneta. Assinala com seu dedo indicador. *Não está funcionando. Sinto muito, não me odeie
  20. 20. 21 – Nunca confie em um cara que diz que te ama no segundo encontro. Isso já me aconteceu uma vez e foi um desastre total. – Por quê? Não acredita no amor a primeira vista? – Não. Eu acredito na luxúria a primeira vista e na atração. Mas não no amor. Michael te disse que te amava só para poder entrar nas suas calças. – Como você sabe? – Sou homem, por isso sei. – Tuck franze o cenho. – Não fez com ele, fez? – Não – Digo balançando a cabeça para enfatizar minha resposta. Nós falávamos a respeito disso, mas não queria chegar ao segundo nível. Eu só, não sei... Eu não estava preparada. Não vi nem falei com o Michael desde que as aulas começaram, faz duas semanas. Claro, nos falamos por mensagens de texto algumas vezes, mas ele sempre me dizia que estava ocupado e que me chamaria quando tivesse um momento livre. Ele é um estudante do último ano no Longmont a vinte minutos de distância e eu vou à escola em Boulder, então eu pensei que ele estava ocupado com coisas da escola. Mas agora sei qual era a razão pela qual não nos falamos, não foi porque estivesse ocupado, mas sim porque queria romper comigo. Era por que tinha outra garota? Era por que eu não era o suficientemente bonita? Era por que eu não queria transar com ele? Não pode ser porque eu gaguejo. Estive trabalhando na minha fala todo o verão e não gaguejeitanto desde junho. Toda semana eu fui à terapia da fala, todos os dias pratiquei falando diante de um espelho, agora todo minuto sou consciente das palavras que saem de minha boca. Até agora sempre tinha tido
  21. 21. 22 que me preocupar quando começava a falar, esperando que as pessoas me entendessem e logo obtinha um olhar de “Oh, entendo… ela tem um problema”. Depois vinha o olhar de pena. E então o de “deve ser estúpida”. Ou no caso de algumas das garotas de minha escola, fizeram de minha gagueira uma fonte de diversão. Mas eu já não gagueijo mais. Tuck sabe que este era o ano em que eu estava decidida a mostrar meu lado confiante — um lado que eu nunca tinha mostrado aos meninos da escola. Sempre tinha sido tímida e introvertida nos primeiros três anos da escola secundária, porque eu tinha um medo intenso de que as pessoas debochassem de mim pela gagueira. Não queria ser recordada como Kiara Westford, a tímida, a partir de agora queria que lembrassem de mim como a que não tinha medo de falar diante de todos. Eu não contava com que Michael rompesse comigo. Pensava que íamos juntos ao baile de graduação... – Deixe de pensar no Michael – Tuck me diz. – Ele era lindo. – Assim como é um furão peludo, e não quero que saia com um. Poderia estar com alguém melhor, não seja tão fácil. – Olhe pra mim – digo, – Encare a realidade, Tuck. Não sou Madison Stone. – Graças a Deus que não é. Eu odeio Madison Stone. Madison aumenta o nível do termo ‘garotas malvadas’ a um nível completamente novo. A garota é boa em tudo o que tenta, e poderia facilmente ser coroada como a garota mais popular na escola. Cada garota queria ser sua amiga para poder sair com gente popular. Madison Stone faz as pessoas serem populares.
  22. 22. 23 – Todo mundo gosta dela. –Isso é porque têm medo dela, secretamente todos a odeiam. – Tuck começa a rabiscar palavras em meu caderninho e logo me entrega. – Aqui diz… – em seguida ele atira uma caneta. Fico olhando a página. REGRAS DA ATRAÇÃO está escrito na parte superior e uma grande linha no meio divide a página. – O que é isto? – Na coluna da esquerda vai escrever todas as coisas fantásticas que tem. Ele está brincando? – Não. – Vamos, começe a escrever. Considere como um exercício de autoajuda, e uma forma de se dar conta de que as garotas parecidas com Madison Stone nem sequer são atrativas. Termine a frase: Eu, Kiara Westford, sou genial porque... Eu sei que Tuck não vai deixar de me incomodar, assim escrevo algo estúpido e o entrego. Ele lê minhas palavras e se encolhe. –Eu, Kiara, sou genial porque... Sei como lançar uma bola de futebol, seit rocar o oleo do meu carro e consigo escalar uma montanha. Ugh, os meninos não se importam com estas coisas. Ele agarra a caneta, senta na beira da minha cama, e começa a escrever furiosamente.
  23. 23. 24 – Vamos ao básico. Tem que medir o atrativo em três partes para obter um resultado completo. – Quem compõe as regras? – Eu. Estas são as Regras da Atração de Tuck Reese. Em primeiro lugar, começamos com a personalidade. Você é inteligente, divertida e sarcástica. – diz enumerando cada uma destas características no bloco de notas. – Não estou segura de que todas essas coisas sejam boas. – Confie em mim, são. Mas espera, não terminei. Você também é uma amiga leal, você adora desafios mais que a maioria dos caras que eu conheço, e é uma grande irmã para o Brandon. – Ele olha para cima quando termina de escrever. – A segunda parte são suas habilidades. Você sabe sobre arrumar carros, é atlética, e sabe quando se calar. – Este último não é uma habilidade. – Querida, confia em mim. É uma habilidade. – Te esqueceu da minha especialidade em fazer salada de espinafres – Eu não sei cozinhar, mas a salada é um clássico de todos os tempos. – Você faz uma salada matadora – diz, acrescentando na lista. – Okay, por ultimo: atrativos físicos – Tuck me olhou de cima abaixo, me avaliando. Vou reclamar quando terminar esta humilhação. – Sinto-me como se fosse uma vaca que está a ponto de ser leiloada. – Sim, sim, tanto faz. Tem uma pele perfeita e um nariz alegre para combinar com suas tetas. Se não fosse gay, poderia estar tentado a… –Eww – digo enquanto dou um golpe sobre o papel com minha mão – Tuck, pode, por favor, não dizer ou escrever essa palavra?
  24. 24. 25 Ele retira seus cabelos fora de seus olhos. – O que, tetas? – Ugh, simplesmente diga peitos, por favor. A palavra com 't' parece... vulgar. Tuck sopra e roda seus olhos. – Muito bem... peitos. – Ele gargalha, totalmente divertido. – Sinto muito, Kiara, é que isso soa como se você fosse almoçar numa churrascaria ou pedisse o menu. – Ele finge que o bloco de notas fosse um menu, e o lê com sotaque falso, – Sim, garçom, eu gostaria que os peitos fossem cozidos na brasa com uma guarnição de salada de couve, por favor. Eu jogo Mojo, meu enorme urso de pelúcia azul, na cabeça de Tuck – Só vamos chamar de partes privadas e superar. Mojo bate nele e cai no chão. Meu melhor amigo não deixa de rebater. – Tetas alegres, risca. Peitos alegres, risca. – Ele faz uma cara de riso ao riscar as palavras. – Substituir por coisas como... partes privadas. – diz, escrevendo cada palavra do mesmo modo que as diz. – Pernas longas e largas pestanas. – Me olha e enruga o nariz. – Não se ofenda, mas poderia ir a manicure. –Isso é tudo? – Pergunto-lhe. – Não sei. Te ocorre alguma outra coisa? Sacudo a cabeça. – Muito bem, assim agora que sabemos o quão bonita és, temos que fazer uma lista sobre que tipo de pessoa você deseja. Vamos escrever isto na parte direita da página. Vamos começar com a personalidade. Você quer um tipo que...? Preencha os espaços em branco.
  25. 25. 26 – Quero um homem que tenha confiança. Muita confiança. – Bom – diz, enquanto anota. – Quero um tipo que seja agradável comigo. Tuck segue escrevendo. – Um cara legal. – Eu gostaria de um cara que fosse inteligente – adiciono. – Inteligente da rua ou inteligente de livros? – Ambos? – Pergunto-me, sem saber se era a resposta correta ou errada. Ele me dá uma palmada na cabeça, como se eu fora uma menina pequena. –Bem. Passamos agora às qualidades. Ele faz eu me calar, e não permite que colabore. Melhor pra mim. – Vou escrever esta parte por você. Quer um menino que tenha as mesmas habilidades que você, e alguma mais. Alguém que gosta de esportes, que tenha algum interesse nesses carros velhos e estúpidos e… – Uh!! – Salto de minha cama. – Quase me esqueci. Tenho que ir à cidade para pegar uma coisa na loja de carros. – Por favor, não me diga que são dados de pelúcia para pendurarno espelho retrovisor. – Não são dados de pelúcia. É um rádio. Um vintage.* * Vintage – antigo
  26. 26. 27 – Que surpresa! Um rádio vintage, para que coincida com seu carro velho! – Diz Tuck com sarcasmo, então aplaude fingindo alguma emoção. Olho nos seus olhos. – Quer vir comigo? – Não – Ele fecha meu caderno e o guarda de volta na gaveta. – A última coisa que quero fazer é te escutar falar de carros, com gente que realmente se importe. Depois de deixar Tuck em sua casa, levo quinze minutos para chegar à loja de Carros McConnell. Estaciono em frente à loja e encontro Alex, um dos mecânicos, inclinado sobre o motor de um Fusca. Alex foi um dos estudantes de meu pai. No ano passado, depois das férias escolares, meu pai soube que Alex trabalhava com carros. Ele falou para Alex sobre o Monte Carlo 1972 que estive restaurando e Alex me esteve ajudando a conseguir as peças para o carro desde então. – Olá, Kiara. – Ele limpa as mãos em um pano e me atende, pede que espere enquanto busca meu rádio. –Aqui está – diz, abrindo a caixa. Retira o rádio do envoltório de papel bolha. Os cabos saem para todos os lados, mas é simplesmente perfeito. Sei que não deveria estar tão entusiasmada por um rádio, mas o carro não estaria completo sem ele. O que veio com meu carro nunca funcionou e o plástico frontal estava rachado, motivo pelo qual Alex esteve procurando por uma substituição autêntica. – Não tive a oportunidade de testá-lo. –diz enquando move cada arame para comprovar que se as conexões são sólidas. – Tive que buscar meu irmão no aeroporto, assim não pude chegar cedo.
  27. 27. 28 – Ele está de visita do México? – Pergunto-lhe. – Não está de visita. Passará seu último ano no Flatiron, começará amanhã.- diz enquanto preenche a fatura. – Você estuda lá, não é verdade? Concordo com a cabeça. Ponho o rádio na caixa. –Precisa de ajuda com a instalação? Eu acreditava que não, antes, mas agora que o vi de perto, não estava tão segura. – Talvez – digo. – A última vez que soldei os cabos, terminou mal. – Então não pague por isso agora – diz – Se não tiver nada que fazer amanhã depois da escola, passe por aqui e lhe instalarei, isso me dará tempo para testá-lo. – Obrigada, Alex. Ele pega de volta a fatura. –Sei que isto vai soar loco, mas pode ajudar a meu irmão e lhe mostrar a escola? Ele não conhece ninguém. – Temos um programa de extensão inter- escolas – digo, orgulhosa de poder ajudar. – Posso me reunir com ele no escritório do diretor pela manhã e me registrar para ser sua guia. – A velha Kiara teria sido muito tímida e nunca se ofereceria, mas não a nova Kiara. – Só tenho que te avisar... – Sobre o que? – Meu irmão pode ser difícil de tratar.
  28. 28. 29 Minha boca se transforma em um sorriso amplo, e recordo o que Tuck me disse... –Eu adoro um bom desafio.
  29. 29. 30 3. Carlos –Não necessito de um guia. Essas são as primeiras palavras que saem de minha boca quando o Sr. House, o diretor da secundária Flatiron, me apresenta a Kiara Westford. – Nos orgulhamos de nossos programas de extensão inter-escolas, – diz o Sr. House ao Alex. – Eles ajudam a garantir uma transição sem problemas. Meu irmão assente com a cabeça. – Sem problemas para mim. Estou vendido à ideia. –Eu não... – murmuro. Não necessito do maldito guia por que: 1) É óbvio que pela maneira como Alex saudou Kiara faz uns minutos, ele a conhece, 2) Agarota não é gostosa, tem seu cabelo recolhido em um rabo-de-cavalo, usa botas de couro para escalar com uma calça elástica de três quartos com um logotipo do Armour que aparece na parte inferior, e está coberta do pescoço ao joelho por uma camiseta imensa com apalavra – Alpinista – escrita nela, e 3) Não necessito de uma babá, especialmente uma que meu irmão arrumou para mim. O Sr. House se senta em uma poltrona de couro café e entrega a Kiara uma cópia de meu horário. Perfeito, agora a garota sabe onde se supõe que estarei a cada segundo do dia. Se esta situação não fosse tão humilhante, seria engraçada. – Esta é uma escola grande, Carlos, – diz House como se eu não pudesse entender o mapa por mim mesmo. – Kiara é uma estudante exemplar. Ela te mostrará onde está seu armário e o acompanhará a cada uma de suas aulas durante a primeira semana.
  30. 30. 31 – Está pronto? – pergunta a garota com um grande sorriso. – O segundo sinal para o primeiro período já soou. Posso pedir outra guia? Uma que não esteja tão feliz de estar na escola às sete e meia da manhã? Alex se despede de mim, e estou tentado a lhe mostrar o dedo, mas não estou seguro de que o diretor vá gostar. Sigo à aluna exemplar pelo corredor vazio e acredito que entrei no inferno. Uma linha demensagens e pôsteres estão espalhados sobre as paredes, onde diz: SIM NÓS Khan!* – VOTE EM MEGAN KHAN PARA PRESIDENTE ESTUDANTIL e em outro onde se lê JASON – O MENINO PARA TESOUREIRO DO CONSELHO ESTUDANTIL! Estão junto com o resto de anúncios de pessoas que na verdade acredita em FAREMOS UM MELHOR ALMOÇO PARA OS ESTUDANTES! – VOTE EM NORM REDDING Almoço melhor para estudantes? Raios, no México se come o que se leva de casa ou algo que ponham na sua frente. Não havia opções. Onde eu vivia no México se come para sobreviver, sem se preocupar por calorias ou carboidratos. Isso não quer dizer que algumas pessoas não vivam como reis no México. Igual aos Estados Unidos, há definitivamente as áreas ricas em cada um dos trinta e um estados mexicanos... mas minha família simplesmente não é uma delas. Não pertenço a Escola Flatiron, e certamente não quero seguir esta garota durante toda a semana. Me pergunto quanto aguentaria a estudante exemplar antes de renunciar. Ela me leva ao meu armário e empurrei minhas coisas dentro. *Do original: “Yes we Khan” – paródia com o slogan da candiatura de Barack Obama: “Yes we can”
  31. 31. 32 – Meu armário está a dois do teu, – diz, como se acreditasse que fosse algo bom. Quando fiquei pronto, ela revisou meu horário e fomos pelo corredor ao mesmo tempo. – A aula do Sr. Hennesey é um andar mais acima. – Dónde está el servicio? – Eu pergunto. – Huh? Não falo espanhol. Je parle Français — falo francês. – Por quê? Por acaso vivem muitos franceses no Colorado? – Não, mas quero estudar um semestre na França, no meu segundo ano da Universidade como minha mãe fez. Minha mãe nem sequer terminou o colégio. Ficou grávida do Alex e se casou com meu pai. – Está aprendendo um idioma que só usará por um semestre? Me parece estúpido. – Detenho-me quando vejo uma porta com um adesivo em forma de homem. Aponto a porta com o polegar. – Servicio, é banheiro… te perguntei onde era o banheiro? –Oh. – Parece confusa, como se não pudesse conciliar a mudança de tema. – Bom, suponho que vou te esperar aqui fora. Era o momento para me divertir um pouco, incomodando a minha guia. – A menos que queira vir e assim me mostrar o lugar… digo, para ver o quão longe vai levar este assunto de guia. – Não tão longe. – Ela junta os lábios e nega com a cabeça. – Vá, eu te espero. No banheiro, levo minhas mãos a pia e respiro profundamente. Tudo o que posso ver no espelho acima da pia é um cara cuja família acredita que é um completo fodido. Talvez deva dizer a verdade a mamá: que me despediram por proteger ao Emilie Juárez, de quinze anos, de ser agredido por um dos
  32. 32. 33 supervisores. Era suficientemente ruim que eu tivesse que deixar o colégio e começar a trabalhar para poder pôr pão na mesa. Quando nosso chefe acreditou que podia pôr suas mãos sujas nela, só porque ele era el jefe, explodi. Sim, me custou o trabalho… mas valeu a pena e faria de novo inclusive se sofresse as mesmas consequências. Um golpe na porta me traz de volta à realidade, eo fato de que tenho que ser escoltado a aula por uma garota retorna a minha mente. Não posso imaginar que uma garota como Kiara necessite que alguém brigue por ela, porque se algum tipo chegasse a ameaçá-la, ela provavelmente o estrangularia com a enorme camiseta. A porta se abre um pouco rangendo. – Ainda está aí? – Avoz de Kiara ecoa pelo banheiro. –Sim. – Terminou já? Giro os olhos. Quando caminho para fora do banheiro, um minuto depois vou para as escadas, me dou conta que minha escolta não me segue. Esta parada no corredor vazio, e ainda tem esse olhar frio em sua cara. – Você nem precisava ir. – diz, soando incomodada. – Não estava fazendo nada. – É um gênio, – digo-lhe ironicamente, depois caminho pelas escadas de dois em dois. Ponto para Carlos Fuentes. Escuto suas pegadas atrás de mim, tentando me alcançar. Caminho pelo corredor do segundo piso, pensando em formas de incomodá-la.
  33. 33. 34 – Obrigada por me fazer chegar tarde a aula sem nenhum motivo, – diz, apressando-se atrás de mim. – Não me culpe. Não foi minha ideia ter babá. E para que saiba, posso me localizar perfeitamente sozinho. – De verdade? – pergunta. – Porque acaba de passar da sala do Sr. Hennesey. Merda. Um ponto para a estudante exemplar. O placar está 1 a 1. A coisa é, que eu não gosto de empates. Eu gosto de ganhar... com muita diferença. Não posso evitar estar incomodado com ela pelo brilho de diversão em seus olhos. Aproximo-me dela, muito perto. – Alguma vez matou aula? – pergunto, soando um pouco coquete. Pretendo fazê-la cair para ter a vantagem de novo. –Não, – Ela diz devagar, parecendo um pouco nervosa. Bom. Inclino-me mais perto. – Deveríamos experimentar juntos alguma vez, – digo calmamente, então abro a porta da sala. Escuto-a soltar o ar. Olhe, eu não pedi uma cara e um corpo que as garotas acham atrativos, mas graças à mescla de DNA de meus pais, eu tenho, e não me envergonho de usá-los. Ter a cara de um Adonis para admirar é uma das vantagens que me deu a vida, e uso todo seu potencial, seja para coisas boas ou más.
  34. 34. 35 Kiara me apresenta ao Sr. Hennesey rapidamente, e igualmente rápido sai da sala. Espero que minha paquera a tenha assustado de verdade. Se não, terei que tentar melhor da próxima vez. Entro na aula de matemática e olho a sala. Todos os meninos aqui parecem de classe alta. Esta escola não se parece com Fairfield, o subúrbio em Chicago onde vivi antes de ir para o México. Na escola preparatória Fairfield, havia gente pobre e gente rica. A preparatória Flatiron é muito mais como uma dessas escolas privadas de Chicago, onde os meninos usam roupa de grife e carros de luxo. Nós costumávamos tirar sarro dessas pessoas. Agora estou rodeado deles. Assim que a aula de matemática acaba, Kiara me espera fora da sala. Não posso acreditar. – Então, como foi? – Pergunta-me sobre o ruído dos outros e se apressando para ir a suas próximas aulas. – Você realmente quer que te responda? – Provavelmente não. Vamos, só temos cinco minutos. Ela caminha entre os estudandes. Eu a sigo, vendo o rabo-de-cavalo saltando com cada passo que dá. – Alex me advertiu de que era rebelde. Ela não tinha visto nada. – Como que conhece meu irmão? – Era estudante de meu pai. E me ajuda com o carro que estou restaurando. Esta chica não é real. Restaurando um carro?
  35. 35. 36 – O que sabe a respeito de carros? – Mais que você. – Diz sobre seu ombro. Eu rio – Quer apostar? – Talvez. – ela para em frente a uma sala. – Aqui é sua aula de biologia. Uma garota gostosa passa por nós e entra na sala. Ela está usando jeans apertado e uma camisa ainda mais apertada. – Whoa. Quem é? – Madison Stone, – murmura Kiara. – Apresente-me a ela. – Por que? Por que se incomoda com esta merda. – Por que não? Ela aperta seus livros à altura de seus peitos, como se fossem seu escudo. –Posso te dar as cinco primeiras razões em minha lista. Encolho-me de ombros. – Ok. Fale. –Não há tempo, o sinal vai soar. Pensa que possa se apresentar à Sra. Shevelenko? Acabo de recordar que esqueci minha tarefa de francês no armário.
  36. 36. 37 – Melhor se apressar, – Olho para meu pulso, que não tem relógio, mas ela nem o nota. – o sinal vai soar. – Te vejo depois da aula. – Ela corre pelo corredor. Na sala, espero que Shevelenko olhe para cima de sua mesa e me note. Ela está usado seu notebook, mandando o que parecem ser e–mails pessoais. Quando me percebe, troca de programa. – Escolha qualquer cadeira, vou fazer a chamada em um minuto. – Sou novo, – digo-lhe. Ela deve ter percebido por si mesma, porque eu não estava na sua aula nas ultimas duas semanas, mas quem se importa. – Você é o menino de intercâmbio do México? Na verdade não. Em realidade se chama aluno transferido, mas não acredito que esta mulher se importe com os detalhes. –Sim. Não posso evitar notar as gotas de suor que correm por seu bigode de penugens cor de pêssego. Estou totalmente seguro de que há certas pessoas que podem resolver isso. Minha tia Consuelo teve o mesmo problema até que minha mãe, uma cera quente e ela estiveram na mesma sala. – Fala ingles ou espanhol em sua casa? – Shevelenko pergunta. Não tenho certeza se essa é uma pergunta legal, mas tanto faz. – Os dois. Estica o pescoço e olha ao resto da classe. – Ramiro, vem aqui.
  37. 37. 38 Um menino latino caminha para a mesa. Este menino é uma versão mais alta do melhor amigo do Alex, Paco. Quando estavam no último ano, Alex e Paco se separaram, e nossas vidas mudaram totalmente. Paco morreu. Não sei se algum dia iremos nos recuperar totalmente do que aconteceu. No momento em que meu irmão saiu do hospital, toda a família retornou ao México. Desde o tiroteio, nada tem sido o mesmo. –Ramiro, este é… – Shevelenko me olha. – Qual é o seu nome? – Carlos. Ela olha para Ramiro. – Ele é mexicano, você é mexicano. Se encarregue de que vocês, falantes de espanhol, façam um par. Sigo o Ramiro para as mesas de laboratório. – Ela está falando sério? –pergunto. – Sim. O ano passado escutei que Heavy Shevy chamou esse cara Ivan de “O Russo”, durante seis meses antes de aprender seu nome. – Heavy Shevy?– questiono. –Não me olhe, – diz Ramiro. – eu não o inventei. Ela teve esse apelido durante os últimos vinte anos. O sinal bate, mas todo mundo segue falando. Heavy Shevy está de novo em seu computador, ocupada com seus e-mails. –Me llamo Ramiro, mas é latino demais e todos me chamam de Ram.
  38. 38. 39 Meu nome também é latino, mas não sinto a necessidade de trocar minha herança e me chamar Carl para me encaixar. Uma olhada em mim e saberá que sou latino, então, para quê fingir ser algo mais? Sempre acusei Alex de querer ser branco porque se recusa a usar seu nome verdadeiro, Alejandro. –Me llamo Carlos. Você pode me chamar de Carlos. Agora que estou prestando mais atenção nele, dou-me conta de que Ram está usando uma camiseta de golfe com um logotipo de marca. Ele pode ter família no México, mas aposto que su família não vive perto da minha. – Então, o que tem de divertido para fazer aqui? – pergunto. – A pergunta é o que não há para fazer. – diz Ram. – Ir ao Pearl Street Mall, ir ao cinema, escalar, esquiar, rafting, festas com garotas do Niwot e Longmont. Nenhuma dessas coisas são minha idéia de diversão, a exceção da parte da festa. No outro lado da mesa está Madison, a garota gostosa. Junto com suas roupas justas, tem o cabelo comprido, com mechas loiras, um grande sorriso, e umas grandes chichis, que em realidade lhe fazem competir com às da Brittany. Não que me fixei muito na namorada de meu irmão, mas é difícil não as notar. Madison se inclina sobre a mesa. – Soube que é o menino novo. – diz. – Sou Madison. E você é…? –Carlos, – Ram deixa escapar antes de que possa dizer qualquer coisa. – Estou certa de que ele pode se apresentar, Ram. – diz entre dentes, e logo coloca o cabelo atrás da orelha, mostrando uns brincos de diamantes que podem realmente deixar alguém cego, se a luz incindir no ângulo certo. Inclina- se para mim e morde o lábio inferior.
  39. 39. 40 – É o cara novo do Meh-hee-co? Sempre me irrita quando os brancos tentam falar como se fossem mexicanos. Pergunto-me o que mais escutou de mim. – Sí –respondo. Ela me dá um sorriso sexy e chega mais perto. – Estás muy caliente. Acho que acaba de me chamar de gostoso. Não é assim como falamos no Meh–hee–co, mas a entendo. – Eu poderia precisar de um tutor de espanhol. O último resultou ser um fracasso total. Ram dá uma tossidinha. – Qué tipa! Se não estou enganado, eu fui seu último tutor. Sigo olhando para Madison. Definitivamente ela sabe o que tem, e obviamente não tem nenhum problema em usar. Enquanto que normalmente as mexicanas de pele morena, são meu tipo, tenho a ligeira suspeita de que não há homem que resista a Madison. E ela sabe. Quando uma garota da outra mesa a chama, giro-me para Ram. – Foi seu tutor ou saiu com ela? –Pergunto-lhe. – Ambos. Algumas vezes, as duas coisas de uma vez. Terminamos faz um mês. Escute meu conselho e se afaste. Ela morde. – Literalmente? – pergunto sorrindo.
  40. 40. 41 –Honestamente, você não quer se aproximar o suficiente para descobrir. Só tem que saber que ao final da nossa relação, eu me converti no aluno e ela na tutora. E não falo de espanhol. –Está sabrosa. Verei minhas chances. –Então vá à caça, homem. – Ram encolheu os ombros, enquanto Heavy Shevy se levanta e começa a aula. – Mas depois não diga que não te avisei. Não planejei ser namorado de ninguém, mas não me incomodaria levar algumas garotas da Flatiron para a casa do Alex, para provar que sou justamente o contrário dele. Olho para Madison uma vez mais e ela sorri como prometendo algo mais. Definitivamente ela é perfeita para levar a casa do Alex. É como a Brittany, mas sem a auréola sobre sua cabeça. Depois de sofrer com minhas aulas da manhã, estou definitivamente preparado para o almoço. Quando o sinal toca, me alegro que Kiara não esteja fora da sala me esperando, como disse que faria. Vou ao meu armário para pegar o almoço que trouxe da casa do Alex. Talvez minha guia tenha renunciado. Está tudo bem por mim, exceto que levo 10 minutos para encontrar a cafeteria. Quando entro na cafeteria, estou preparado para me sentar sozinho em uma das mesas, quando vejo Ram me chamando. – Obrigado por me abandonar. – diz uma voz vindo atrás de mim. Vejo a minha guia chegar. – Pensei que tinha desistido. Ela move sua cabeça como se fosse à coisa mais ridícula que escutou em toda sua vida. –Claro que não abandonei, só que não pude sair da aula cedo.
  41. 41. 42 – Que mau, – digo, pretendendo soar simpático. – Teria esperado se soubesse... – Sim, claro. – Ela olha para a mesa de Ram. – Vá sentar com Ram, eu vi ele te chamando. Olho para ela em choque. – Está me dando permissão para me sentar com ele? – Pode sentar comigo, – diz, como se essa fosse uma verdadeira opção. – Não, obrigado. – É o que pensava. Enquanto Kiara fica na fila da comida, eu caminho para a mesa de Ram. Arrasto uma cadeira enquanto Ram apresenta seus amigos, todos brancos que parecem clones um do outro. Estão falando de garotas, futebol e de suas equipes preferidas. Duvido muito que algum deles possa sobreviver um dia nos engenhos azucareros no México. Alguns de meus amigos faziam menos de quinze dólares ao dia. Provavelmente os relógios deles custem mais que algum dos salários anuais de meus amigos. Madison aparece em nossa mesa quando Ram vai pra fila da cafeteria. – Olá, meninos, – diz. – Meus pais sairão da cidade durante o fim de semana. Vai haver uma festa na sexta-feira, se alguém quer vir... Só não digam ao Ram. Madison procura em sua bolsa e tira o brilho lábial. Inunda a aste várias vezes, então faz biquinho e a coloca em seus lábios. Quando acredito que terminou, seus lábios formam um O perfeito e começa a dar voltas. Olho se alguém mais está olhando o show erótico de brilho labial. Como esperava, dois dos amigos de Ram pararam de falar e estão totalmente concentrados em Madison e seu
  42. 42. 43 talento especial. Ram volta totalmente concentrado em comer uma pizza de pepperoni. O som dos lábios do Madison me fazem retornar a ela. – Carlos, me deixe te dizer o meu endereço, – diz,então tira uma caneta e escreve em meu braço. Começa a escrever seu número de telefone e endereço em meu braço, acima de minhas tatuagens como se fosse uma artista. Quando termina, despede-se movendo os dedos, então se vai e se senta com suas amigas. Eu pego o meu sanduíche e olho pela cafeteria, procurando a Kiara, a anti- Madison. Esta sentada com um menino loiro que tem o cabelo caído na cara. O cara tem a minha altura e estrura corporal. Será seu namorado? Se o for, sinto pena por ele. Kiara é o tipo de pessoa que espera que seu namorado seja submisso e lhe beije o traseiro. Meu corpo e mente não são para ser submissos, e morrerei antes de beijar o traseiro de alguém.
  43. 43. 44 4. Kiara – Então, como é ser uma guia? – pergunta mamãe na mesa do jantar. Sei que estava desejando que chegasse esse momento desde a manhã. – Não é o melhor, – respondo enquanto entrego a meu irmão caçula um terceiro guardanapo, porque tem molho de espaguetes em toda sua cara. Penso no final do oitavo período, quando fui à sala do Carlos me encontrar com ele, já tinha ido embora. – Carlos me abandonou duas vezes. Papai, um psicólogo que pensa que as pessoas são espécies para analisar, franzio o cenho enquanto pega outra colherada de feijões verdes. – Te abandonou? Por que faria isso? – Um... Porque pensa que é muito bom para ser escoltado por toda a escola. Minha mãe toca minha mão. – Abandonar seu guia não é bom absolutamente, mas seja paciente com ele. Está deslocado. Não é fácil. – Sua mãe tem razão. Não seja muito critica, Kiara, – diz papai. – Talvez só esteja tentando descobrir onde pertence. Alex esteve em meu escritório depois das aulas e tivemos um longo bate-papo. Pobre menino. Recém tem vinte e um, e agora é responsável por um de dezessete anos. – Por que não convida Carlos para vir aqui amanhã depois da escola? – sugere Mamãe. Papai a assinala com o garfo.
  44. 44. 45 –Essa é uma maravilhosa ideia. Estou segura que a última coisa que Carlos quer fazer é vir a minha casa. Ele deixou perfeitamente claro que só está me tolerando esta semana, porque tem que fazê-lo. Uma vez que meu trabalho de Guia terminena sexta-feira, ele provavelmente vai fazer uma festa para celebrar. Não sei. – Convide, – diz Mamãe, não percebendo minhas dúvidas. – Farei as coockies desta nova receita de geleia de laranja que Joanie me deu. Não estou segura de que Carlos aprecie coockies de geleia de laranja, mas... – Vou convidar. Mas não se surpreenda se disser que não. – Não te surpreenda se disser que sim, – diz Papai, sempre tão otimista. Na manhã seguinte, enquanto escolto Carlos para a aula entre o terceiro e quarto período, finalmente reúno coragem suficiente para lhe perguntar, – Quer vir comigo depois da escola? Ele arqueia as sobrancelhas. – Você me convidando para sair? Apuro os dentes. – Não crie ilusões. – Certo, porque não é meu tipo. Eu gosto de mulheres sexys e estúpidas. – Você tampouco é meu tipo, – respondo bruscamente. – Eu gosto de meninos inteligentes e divertidos. – Eu sou divertido.
  45. 45. 46 Encolho-me de ombros. – Possivelmente sou muito inteligente para entender suas piadas. – Então por que quer sair? – Minha mãe... fez coockies. – Tremo depois que as palavras sairam de minha boca. Quem convida a um menino a comer coockies? Talvez meu irmão faça, mas ele está no jardim de infância – Não é como se fosse um encontro ou algo assim, – digo caso ele pense que estou tentando dar em cima dele. –Só são… coockies. Queria poder voltar toda esta conversa, mas não há como voltar atrás. Chegamos a porta de sua sala de aula, e ele ainda não respondeu. – Vou pensar no caso, – diz, e logo me deixa sozinha no corredor. Vai pensar? Como se por ir a minha casa estivesse fazendo um grande favor ao invés do contrário? Em nossos armários ao final do dia, quando espero que tenha esquecido inclusive que lhe perguntei antes, ele apóia seu peso sobre um pé e coloca as mãos nos bolsos dianteiros. – Que tipo de coockies? De todas as perguntas do mundo, por que tem que perguntar isso? – De laranja, digo. De geléia de laranja. Inclina-se mais perto, como se eu não o houvesse dito em voz alta o suficiente ou o suficientemente claro. – Laranja o que? – Geléia.
  46. 46. 47 – Huh? – Geléia. Sinto muito, mas simplesmente não há maneira diferente de dizer a palavra “geleia”, se todas estas letras juntas parecem estranhas. Pelo menos não gaguejei. Ele se vira. Posso dizer que esta tentando manter uma cara séria, mas não pode. Começa a rir. – Pode dizer uma vez mais? – Para que possa rir de mim? – Si. É a única coisa que quero na vida. Acontece que você é tão fácil de incomodar. Fecho com golpe a porta de meu armário. – Se considere desconvidado. – Me afasto, mas me dou conta de que deixei todos meus deveres em meu armário e tenho que abri-lo de novo. Rapidamente agarro os três livros que necessito, os coloco em minha mochila, e saio. – Se fossem de chocolate, teria ido, – diz atrás de mim, e ri. Tuck está esperando no estacionamento superior. – Por que demorou tanto tempo? – Estava discutindo com o Carlos. – De novo? Escuta, Kiara é terça-feira. Tem três dias a mais com ele. Por que não renuncia de ser seu Guia e termina com a miséria?
  47. 47. 48 – Porque isso é justamente o que ele quer, – digo, enquanto entramos em meu carro e saímos do estacionamento. –Não quero lhe dar a satisfação de me irritar todo o tempo. É tão odioso. –Tem que haver algo que possa fazer para fazê-lo engolir suas palavras. As palavras do Tuck fazem ter a ideia perfeita. – Isso! Tuck, você é um gênio, – digo emocionada. Faço um retorno. – Aonde vamos? – pergunta Tuck, apontando para trás de nós. – Sua casa está por lá. –Primeiro vamos parar no supermercado e no McGuckin’s. Necessito dos ingredientes para coockies de chocolate. – Desde quando essa? – pergunta Tuck. – E por que coockies de chocolate? Lanço-lhe um sorriso malicioso. – Vou usar para fazer Carlos comer suas palavras.
  48. 48. 49 5. Carlos Na quarta-feira, saio da escola e me dirijo à loja para me encontrar com o Alex. Justo quando cruzo a rua, um Mustang vermelho se detém do meu lado. Madison Stone esta dirigindo, sua janela está completamente aberta. Quando me aproximo, pergunta-me aonde vou. – Ao McConnell— o lugar onde trabalha meu irmão, – digo. – Disse que podia ajudá-lo a conseguir um pouco de dinheiro extra. – Entra. Te levo lá. Madison ordena à sua amiga Lacey que se sente no banco traseiro e diz para eu me sentar à frente, ao seu lado. Nunca vivi em um lugar onde não se é julgado pela cor de sua pele ou as contas de banco de seus pais, assim sou cauteloso pelo repentino interesse de Madison em mim. Demônios, usei meu charme com a Kiara antes da aula da Heavy Shevy e ela nem sequer pestanejou ou tentou fazer desaparecer seus lábios franzidos. Tudo o que recebi foi um aborrecido cumprimento. Embora ontem, tenha me convidado para comer coockies. Coockie de geléia laranja. Quem diabos convida alguém a comer coockies de geléia laranja? A parte mais engraçada disso, é que pensei que ela falava a sério. Hoje, me levou de aula em aula sem me dizer uma maldita palavra. Inclusive tratei de coagi-la para que falasse tentando enganá-la, mas ela se recusou a cair na armadilha. Madison põe o endereço do McConnell em seu GPS. – Então, Carlos, – diz Lacey, recostando-se entre os assentos enquanto Madison começa a conduzir. Toca no meu ombro como se não a houvesse escutado. – É verdade que você foi expulso de sua ultima escola por bater em alguém? Só estou na escola há três dias, e as pessoas já estão falando.
  49. 49. 50 – De fato, bati em três meninos e um pitbull – brinco, mas acredito que ela levou a sério porque sua boca se abre em choque. – Wow! – Bate em meu ombro de novo. – Permitem cães nas escolas do México? – Lacey é mais burra que um burrito. – Oh, sim. Embora somente Pitbulls e Chihuahuas. – Não seria genial se pudesse trazer o Puddles à escola? – bate no ombro outra vez. Estou tentado a bater nela de volta várias vezes para que saiba o quão incomodo é. – Puddles é meu Labradoodle. Que diabos é um Labradoodle? O que quer que seja, aposto que o pitbull de minha prima Lana poderia comer Puddles, o Labradoodle no almoço. – Então, seu irmão é o cara que te trouxe para aescola na segunda-feira quando te registrou? –pergunta Madison. – Sim, – respondo enquanto entramos no estacionamento da loja. – Minha amiga Gina me disse que os viu no escritório do Diretor. Seus pais estavam fora da cidade? – Vivo com meu irmão. O resto de minha família está no México. – Não preciso dar minha completa história familiar e lhe contar que meu pai morreu em um negócio de drogas quando eu tinha quatro anos e como minha mãe virtualmente me enviou com um chute pra cá. Madison parece surpreendida. – Vive com seu irmão? Sem pais? – Sem pais.
  50. 50. 51 – Tem tanta sorte, – diz Lacey. – Meus pais estão todo o tempo perto, e minha irmã é uma completa psicopata, mas me escapo para a Madison na maioria dos dias, porque ela é filha única e seus pais nunca estão em casa. Madison está olhando seu espelho retrovisor. Com a menção de seus pais, fica séria por um momento antes de sorrir de novo. – Sempre estão viajando, – explica, enquanto volta a aplicar mais desse brilhante brilho labial. – Mas eu gosto, porque posso fazer o que quiser e com quem quero sem nenhuma regra. Considerando que minha vida esteve cheia de pessoas tratando de controlá-la, sua vida soa bueno para mim. – Oh, meu Deus, seu irmão e você parecem gêmeos, – dizLacey enquanto Alex se aproxima do Mustang. – Eu não acho. – digo-lhe enquanto abro a porta. Madison e Lacey também saem. Por acaso esperam que as apresente? Ficam em pé em frente de mim com sua perfeita pele pálida e sua maquiagem brilhando com o sol. – Obrigado pela carona. – digo. Ambas me abraçam. Madison um apertou extra–comprido. É definitivamente um sinal de que está interessada. Posso dizer que Alex não está exatamente seguro do que estou fazendo com estas duas garotas. Coloco meus braços ao redor de Madison e em Lacey pelos ombros. –Olá, Alex, estas são Madison e Lacey. As garotas mais bonitas da Escola Flatiron.
  51. 51. 52 Ambas as garotas se giram para o Alex e lhe lançam aqueles brilhantes sorrisos. Elas gostam do elogio, embora acredite que elas lembrem que estavam fumando e que não preciso lembra-las. – Obrigado por trazerem o meu irmão, – diz Alex, logo se virando e se dirigindo ao interior da loja. Depois de que as garotas se foram, vou atrás dele o encontro trabalhando na frente de um pára-choque de uma SUV que obviamente sofreu um acidente. – É o único aqui? – pergunto. – Sim. Me ajude a tirar esta coisa, – diz, e me lança uma Phillips. Alex e eu estávamos acostumados a trabalhar com automóveis juntos na oficina de meu primo Enrique. Era uma das poucas coisas que fazíamos quando de verdade tentávamos nos manter fora dos problemas. Meu irmão e meu primo me ensinaram tudo o que sei de carros, e o que não ensinaram, aprendi por minha conta, quando eu ficava nos fundos da oficina. Coloco-me abaixo da SUV e trabalho nos parafusos internos. O som de metal ecoa através da oficina e por um segundo sinto como se estivéssemos de volta em Chicago no Enrique. – Lindas garotas, – diz, sarcásticamente meu irmão enquanto trabalhamos de um lado a outro. – Sim, sei. Estava pensando em convidar ambas para sair. – Coloco a Phillips em meu bolso traseiro. – OH, e antes que me esqueça de dizer isso, Kiara me convidou a comer coockies ontem. – Por que não foi? – Além do fato que não queria ir, ela me desconvidou.
  52. 52. 53 Alex tira sua atenção do pára-choque e volta para mim. – Por favor, me diga que não foi um completo idiota com ela. – Só me diverti um pouco, isso é tudo. A próxima vez que queira me conseguir uma escolta, se assegure de que não use camisas de tamanho grande com estúpidas frases sobre elas. Kiara me lembra um cara que conheci em Chicago, Alex. Nem sequer estou seguro de que seja uma garota. – Quer que te p–p–prove? – a voz da minha ex-guia ecoa da porta. Oh, demônios.
  53. 53. 54 6. Kiara – Sim, – diz Carlos, sua cara mostra desafio e diversão. – Me prove. Alex levanta uma de suas mãos em sinal de protesto – Não. Não faça. – Empurra Carlos contra o carro e murmura algo em espanhol. Carlos murmura algo de volta. Não tenho nem ideia do que estão dizendo, mas tampouco soa como algo alegre. Eu tampouco estou feliz. Não posso acreditar que acabei de gaguejar. Estou tão zangada comigo mesma, por permitir que Carlos me coíba desta forma e faça que gagueje. Isso significa que tem poder sobre mim e esse feito me faz sentir mais zangada. Não posso esperar até sexta-feira, quando a Operação Coockies finalmente entrará em vigor. Tenho que esperar até que os coockies estejam bons e rançosos de uma vez para que funcione. Pelo menos ele não estará esperando. Um Alex frustrado se afasta do caminho do Carlos, tira uma caixa de atrás do escritório. – Testei o rádio, e acredito que é uma mola o que lhe falta. Não acredito que funcione, mas eu gostaria de tentar. Me dê as chaves vou testar no seu carro. – volta-se para o Carlos. – Não diga uma palavra na minha ausência. Um segundo depois de que Alex se retirou, Carlos diz: – Assim, se ainda quer demonstrar que não é um cara, estou preparado. – Agir como um idiota faz com que se sinta melhor contigo mesmo? – Digo-lhe.
  54. 54. 55 –Não. Mas incomodar o meu irmão faz. E te incomodar faz com que incomode o meu irmão. Sinto muito, mas esta no meio de um fogo cruzado. – Me deixe fora disto. –Não é algo que possa ocorrer tão cedo. – Carlos se agacha diante do carro que estava trabalhando e tira a coberta do pára-choque. –É necessário tirar os ganchos primeiro – digo, feliz por demonstrar que sei mais de carros que ele. – Não sairá até que se retire dos ganchos. – Fala de ganchos ou de pára-choque? – pergunta, e logo põe um sorriso arrogante. – Porque sou um perito em desenganchar os dois. Eu não deveria ter feito isto. É imaturo. Esse comentário sexy e tolo que Carlos fez, combinado com sua brincadeira pela forma em que disse a palavra “geléia”, é o que me motiva a fazer que coma suas palavras. É sexta-feira. Tuck e eu chegamos cedo à escola para arrumar o armário do Carlos. Na terça-feira depois da escola, Tuck e eu fizemos mais de cem coockies de chocolate. Quando esfriaram, colocamos um pequeno, mas poderoso ímã na parte posterior de cada um. Agora são coockies imantados. Quando Carlos abrir seu armário esta manhã, o interior vai estar decorado com uma centena de biscoitinhos. Quando tentar tirar os ímãs de cada coockie, eles se quebrarão em pedaços e se destruirão em sua mão. São fortes e pequenos ímãs do tamanho de uma moeda de dez centavos. Será uma situação complicada, isso é certo, assim terá duas opções: manter os coockies com os ímãs presos dentro de seuarmário, ou tirá-los um por um e encher seu armário de farelos de coockies. – Me lembre de nunca entrar numa briga contigo – diz Tuck enquanto observa a situação.
  55. 55. 56 A escola não iniciará até cerca de quarenta e cinco minutos, assim só umas poucas pessoas passam no corredor. Abro o armário do Carlos com a combinação que estava escrita na parte superior de seu horário, que o Sr. House me entregou. Sinto-me culpada, mas não o suficiente para não fazê-lo. Ponho uns coockies, então olho para Tuck que olha aos arredores, está na busca do Carlos ou qualquer outra pessoa que pudesse chegar a suspeitar. Cada vez que ponho um coockie, o tinido do ímã contra o metal faz Tuck rir. Clink. Clink. Clink. Clink. Clink. Clink. – Ele vai enlouquecer – diz Tuck. – Saberá que foi você. Quando alguém faz alguma pegadinha, o objetivo é fazer de maneira anônima para que não saibam que foi você. – Agora é muito tarde. – Ponho mais coockies com ímãs, e me pergunto como vou pôr as cem no interior. Coloco-as na parte superior, no fundo, e na porta, aos lados... Estou ficando sem espaço, mas está quase terminado. Parece que o interior de seu armário tem sarampo marrom. Coloco a mão na bolsa. – Falta apenas um. Tuck coloca a cabeça no interior. – Esta poderia ser uma das melhores brincadeiras de Flatiron High, Kiara. Poderia ir direto à história com este fato. Estou orgulhoso de ti. Coloque a ultima no exterior da porta do armário, bem no meio. – Boa ideia. – Fecho seu armário antes que alguém nos veja e coloco o último coockie, então olho o relógio. As aulas começam em vinte minutos. – Agora só temos que esperar. Tuck olha pelo corredor. – As pessoas estão chegando. Não deveríamos nos esconder?
  56. 56. 57 –Sim, mas tenho que ver sua reação – digo – Vamos nos esconder na sala da senhora Hadden. Cinco minutos mais tarde, Tuck e eu damos uma olhada pela janela da porta, vemos o Carlos que vem caminhando pelo corredor. – Aí está ele – sussurro-lhe. Meu coração está pulsando com fúria no peito. Suas sobrancelhas se levantam quando chega ao seu armário e vê um coockie marrom grande nele. Olha a esquerda e a direita, obviamente a procura de sinais para ver quem fez isso. Quando tira o coockie, esfarela-se na mão, mas deixa o ímã preso ao seu armário. – Qual é a reação? – Pergunto ao Tuck, porque ele é mais alto e tem uma visão melhor. – Está sorrindo. E sacudindo a cabeça. Agora está colocando os restos do coockie no lixo. Carlos não vai estar sorrindo quando abrir seu armário eencontrar noventa e nove coockies com ímãs. – Vou sair – digo ao Tuck. Saio da sala da senhora Hadden onde estava escondida e caminho para o meu armário como se tudo estivesse normal. – Olá – digo ao Carlos enquanto seus olhos vêem o interior de seu armário com todos os coockies presos. – Te dou um A+ por sua originalidade e execução– me diz. – Te incomoda que tire notas boas em tudo, inclusive nas brincadeiras?
  57. 57. 58 –Sim – diz levantando uma sobrancelha – Estou impressionado. Estou puto da vida, mas impressionado. Fecha seu armário, com noventa e nove coockies ainda no interior, como se não existissem, e caminha para sua primeira aula. Não posso evitar de sorrir, enquanto caminhamos pelo corredor. Ele nega com a cabeça algumas vezes, como se não pudesse acreditar no que tinha feito. – Trégua? – Digo-lhe. –De maneira nenhuma. É possível que tenha ganho esta batalha, mas esta guerra, chica, está longe de terminar.
  58. 58. 59 7. Carlos Não posso tirar o cheiro de coockies. Está em minhas mãos, está em meus livros... é um inferno, até em minha mochila. Tentei tirar alguns deles fora do meu armário, mas foi um desastre e desisti. Vou deixa lá até que estejam realmente horríveis... então vou recolher todos os miolos e os colocarei no armário de Kiara. Ou melhor, colocarei super cola dentro. Tenho que deixar de pensar nos coockies e na Kiara. Não há nada melhor que a comida de mi’amá’s, mas assim que chegarem casa depois da aula de hoje, vou pegar tudo o que possa encontrar no apartamento do Alex e tentarei fazer uma comida mexicana autêntica. Isto vai fazer com que deixe de pensar nesses malditos coockies de chocolate. Isso, combinado com o fato de que estava aqui quase uma semana e ainda não tinha comido comida mexicana picante, está me deixando louco. Alex se apóia na panela de carne guisada e aspira o aroma. Posso dizer simplesmente pela expressão de sua cara que o lembra de casa. – Chama-se carne guisada. É mexicana. – Digo as palavras lentamente, como se nunca tivesse ouvido falar disso. – Sei o que é. - Coloca a tampa, deixa cozinhando, põe a mesa e volta a estudar. Sentamos para comer uma hora depois. Posso ver como meu irmão inala seu prato antes e espera um segundo. – Vai comer muito? – Nada é tão bom como isto. – Alex lambe o garfo. – Eu não sabia que podia cozinhar.
  59. 59. 60 – Não sabe muitas coisas a meu respeito. – Eu costumava saber. Empurro ao redor a comida em meu prato, de repente não tenho fome. – Isso faz muito tempo. – Mantenho os olhos centrados na comida. Nem sequer reconheço meu irmão, depois que ele foi baleado, acredito que tenha medo de falar sobre isso porque vai tornar real. Alex nunca disse exatamente o que se passou, quando chegou a pertencer aos Sangue Latino, e nunca perguntei. Mas na amanhã de ontem consegui uma pista. – Vi suas cicatrizes quando saia do chuveiro. Ele para de comer e larga o garfo. – Pensei que ainda estava dormindo. – Não estava. – A imagem de suas cicatrizes retorna, cheia do que parecem ser marcas de facas, está gravada em meu cérebro. Quando me dei conta da pele pintada entre as omoplatas com as letras LB, em uma marca permanente nele como uma cabeça de gado, minha pele se eriçou pela ira e os pensamentos de ódio evingança. – Esqueça –, diz Alex. – Não vai acontecer. – Alex não é o único irmão Fuentes que se sente um protetor feroz de sua família. Se voltar a Chicago e encontrar o responsável pelas marcas no corpo de Alex, será um homem morto. Poderia me rebelar contra mi familia, mas seguem sendo meu sangue. Alex não é o único com cicatrizes. Tenho mais briga em meu nome que um boxeador profissional. Junto com minhas cicatrizes, se Alex souber das tatuagens em minhas costas
  60. 60. 61 que marcaram-me como um Guerrero, ele ficaria doido. Sei que poderia estar em Colorado, mas ainda tenho ligações. – Brittany e eu vamos visitar sua irmã Shelley esta noite. Quer vir? Sei que a irmã do Brittany é desabilitada e permanece em um lugar perto da universidade. – Não posso. Vou sair. – Com quem? – diz Alex – Pelo que me lembre, nosso papá estava morto. Não tenho que te responder. Alex e eu nos olhamos um ao outro. Estava acostumado a ser capaz de chutar minha bunda sem sequer olhar, mas não mais. Estamos a ponto de começar uma briga, mas nisso a porta se abre e entra Brittany. Ela deve ter se dado conta de que existe uma tensão no ar, porque seu sorriso se desvanece quando chega à mesa. Coloca sua mão sobre o ombro do Alex. – Tudo bem? – Tudo está perfecto. Certo, Alex?– Digo, me levantando, recolho meu prato e faço meu caminho a seu redor para chegar à cozinha. – Não. Fiz-lhe uma pergunta simples, e nem sequer pode responder –, diz Alex. Juro que isso é algo que só deve sair da boca dos pais. Deixo escapar um suspiro de frustração. – Vou a uma festa, Alex. Não é como se fosse assassinar alguém. – Uma festa? – Brittany pergunta.
  61. 61. 62 – Sim. Ouviste falar disso? – Ouvi falar disso. Também sei o que acontece nas festas. – Ela se senta junto ao Alex. – Fomos a várias na escola secundária, apesar de que aprendemos com nossos erros, deixe-o ir assim aprenderá com os dele. Não pode fazer com que não saia, – diz a meu irmão. Alex me olha com tom acusador. – Devia ver as garotas que estavam com ele outro dia, Brittany. Têm ‘Darlene psicótica’ escrito sobre elas. Lembra-se dela? Essa garota tinha fodido toda a equipe de futebol na escola secundária e ainda tinha elevado o status de popularidade. Uma vez mais, meu irmão não está ajudando a minha causa. Obrigado, irmão. – Bom, foi agradável ficar escutando vocês dois falarem de minha vida diante de mim, mas eu tenho que ir. – Como vai? – Alex pergunta. – Andando. A menos que... – Vejo as chaves deBrittany na parte superior de sua bolsa. – Ele pode usar meu carro –, diz a meu irmão. Ela não diz para mim, porque Deus não permita que meu irmão ou ela tomem uma decisão sem ter a aprovação do outro. – Mas não beba. Ou use drogas. – Está bem, mamãe – lhe digo com sarcasmo. Alex nega com a cabeça. – Não é uma boa idéia. Ela coloca seus dedos nos dele.
  62. 62. 63 – Está bem, Alex. Sério. Iamos pegar o ônibus para visitar minha irmã de qualquer maneira. Por um milésimo de segundo eu gosto da namorada de meu irmão, mas logo me lembro de como ela controla sua vida, e essa sensação quente e imprecisa desaparece tão rápido como um raio. Pego as chaves da Brittany, e as giro em minha mão. – Vamos, Alex. Não faça minha vida de merda pior do que já é. – Muito bem – diz ele. – Mas traz esse carro em perfeitas condições. Concordo. – Sim, senhor. Ele tira seu telefone celular de seu bolso traseiro e me atira. – E toma isto. Antes que nenhum deles possa trocar de opinião, dirijo-me para a porta. Esqueci de perguntar onde está estacionado o carro, mas não é difícil de detectar. O Beemer brilha como um anjo diante do bloco de apartamentos, que me chamava. Coloco a mão em meu bolso traseiro e saco uma folha de papel com o endereço de Madison nele. Escrevi antes de lavar o braço. Depois de averiguar como se usa essa coisa, coloco a direção no GPS, olho para os lados, e saio do estacionamento. Finalmente... liberdade. Estaciono na rua e sigo caminhando à casa do Madison. Sei que estou no local certo porque a música soa pela segunda janela e os meninos estão fora pendurando algo na grama dianteira. A casa é enorme. A princípio eu não estou seguro se era uma casa ou um bloco de apartamentos até que me aproximo e posso ver que é só uma grande mansão. Quando chego ao interior da monstruosidade, reconheço um grupo de meninos de minha sala.
  63. 63. 64 – Carlos está aqui – Grita uma garota. Finjo que não escuto o eco de gritos que lhe seguem. Madison, que usava um vestido curto negro e justo sustentando uma lata de Bud Light na mão, passa através da multidão e me dá um abraço. Acredito que a cerveja derramou sobre minhas costas. – Oh Deus, você está aqui. – Sim. – Temos que te arrumar algo. Me siga. Sigo por uma cozinha que parece que saiu de uma revista. Tem eletrodomésticos de aço inoxidável. Grandes aparadores de granito por cima dos balcões. Ao lado da pia tem uma enorme bandeja cheia até a borda com gelo e latas de cerveja. Chego e pego uma. – Kiara esta aqui?– Pergunto. Madison bufa. – Até parece. Suponho que isso seja minha resposta. Madison envolve sua mão ao redor de meu cotovelo e me conduz por um corredor e subimos um lance de escadas. – Tenho alguém que você precisa conhecer. – Ela para quando chegamos a uma sala de jogos, cheia de jogos antigos, uma mesa de bilhar e uma mesa de air–hoquey. É o sonho de qualquer adolescente. Também cheira a maconha. Acredito que to ficando ‘alto’ apenas por inspirar o ar. – É a sala de diversões – explica Madison.
  64. 64. 65 Estou seguro de que a definição de “sala de diversões” a um nível completamente diferente. Um cara branco está sentado em um sofá de couro marrom, empurrando-se para trás como se estivesse sendo obrigado a permanecer nessa posição para sempre. Usa uma simples camiseta branca e jeans preto e botas. Posso dizer que acredita que é o cara mais legal. Em uma pequena mesa frente a ele tem uma pipa*. –Carlos, este é Nick, – Madison diz. Nick assente com a cabeça para mim. Assento com a cabeça para trás. – E aí. Madison se senta junto ao Nick, recolhe a pipa e um isqueiro junto a ela, e inspira um golpe muito comprido. Maldita seja, essa garota sabe inalar. – Nick queria te conhecer – disse-me. Dei-me conta que ele tem os olhos injetados em sangue. Pergunto-me quantas vezes usou antes de chegar aqui. Lacey aparece só a cabeça a uma distância – Madison, preciso de você – Ela grita. – Venha aqui! Madison diz que já volta e sai da sala. Nick me convida ao sofá junto a ele. *Pipa – bong, bongo ou water pipe – utilizado no consumo de qualquer erva – maconha, sálvia, etc. – Sente-se.
  65. 65. 66 O cara é muito escorregadio, e meu radar apita. Conheço seu jogo, porque vi uma centena de Nicks em minha vida. Infernos, eu era um “Nick” no México. – Você que vende as coisas? – Pergunto. Ele ri. – Se quer comprar, eu lido com elas. – Pega a pipa. – Quer uma? Tenho a lata de cerveja na mão. – Mais tarde. Ele limita-se a colocar os olhos em mim. – Você não é um policial, não? – Pareço um? Encolhe-se de ombros. – A gente nunca sabe. Os policiais são de formas e tamanhos diferentes hoje em dias. Penso imediatamente na Kiara. Ela definitivamente se tornou meu entretenimento diário. Trato de persegui-la, vendo suas reações cada vez que faço meu melhor esforço para lhe encher o saco. Seus lábios cor de rosa se apertam em uma fina linha, cada vez que faço um comentário escandaloso ou paquero uma garota. Não importa o que lhe dissesse, ou quantos farelos de coockies ainda se encontram dispersos no interior de meu armário, me divirto muito com ela sendo minha guia. Ainda não decidi o que vou fazer para lhe devolver a façanha dos coockies. Seja o que for, ela nunca vai imaginar o que vai acontecer.
  66. 66. 67 – Ouvi que Madison quer entrar em suas calças – diz Nick enquanto tira uma bolsa de pílulas de seu bolso dianteiro. As derrama sobre a mesa. – É? – Pergunto. – De onde ouviu isso? – De Madison. E sabe o que? – O que? Ele coloca uma pequena pílula azul na boca e a cabeça joga para trás para engolir. – Em geral, o que Madison quer, ela consegue.
  67. 67. 68 8. Kiara – Sou daltônico, – queixa-se o senhor Whittaker com mau humor, sua voz tão áspera como ele, inunda um pincel em uma taça de pintura marrom e o golpeia no tecido. – Isso é verde? Como vou pintar algo quando as cores não estão etiquetadas? Não há nunca um momento aborrecido na aula de arte no Centro de Atenção Médica de Saúde The Highlands, também conhecido como um asilo de idosos. O professor de arte regular se foi, mas desde que eu era voluntária, para ajudar durante as horas de arte, eu meio que era responsável por tudo sozinha. A administração dava a pintura, e eu venho com os temas para aqueles que querem pintar depois do jantar de sexta-feira de noite. Quando me afasto para o senhor Whittaker, uma velhinha de cabelos brancos, chamada Sylvia Stark, vem para nós arrastando os pés. – Não é daltônico – Sylvia grasna enquanto encontra um cavalete vazio e se senta. – Não é mais que um velho cego. O Sr. Whittaker me olha com sua magra e erodida cara, enquanto me ajoelho a seu lado e etiqueto as tintas com um marcador negro e grosso. – Ela está doída porque não quis dançar com ela na última semana, – diz. – Estou doída porque esqueceu de pôr os dentes no jantar de ontem. – Ela saúda com a mão no ar. – Era todo gengivas. Muito Casanova você. – diz em um bufo. – Grosseira, – O senhor Whittaker grunhe. – Na próxima vez talvez você devesse dançar com ela no evento social, – digo– Fará com que se sinta jovem outra vez.
  68. 68. 69 Estende uma mão para cima com dedos calosos, artríticos e olha-me mais perto. – Eu tenho dois pés esquerdos. Mas não o diga a Sylvia, porque me fará passar por um mau momento. – Não têm aulas de dança aqui? – Sussurro-lhe ao ouvido direito, o suficientemente alto para que possa escutar, mas não o resto da sala. – Eu mal posso caminhar. Nunca serei Fred Astaire. Agora, se você fosse a professora de dança no lugar do velho Frieda Fitzgibbons, definitivamente começaria a assistir às aulas. – Ele agita suas cheias sobrancelhas brancas e dá-me um tapinha no traseiro. Nego com o dedo a ele. – Ninguém lhe disse que isso é perseguição sexual? – Digo incomodada. – Sou um homem velho sujo, querida. Em minha época não havia tal coisa como perseguição sexual e as mulheres deixavam os homens comprar sodas e tinham as portas abertas por eles... e beliscar o traseiro. – Eu deixo os caras abrirem as portas pra mim, enquanto não esperem nenhum favor em troca. Eu poderia fazê-lo sem as palmadas no traseiro e os beliscões. Ele me afugenta. – Ai, as meninas de hoje querem tudo... e algo mais. – Não se incomode com ele, Kiara, – Sylvia diz, acenando para mim. – O que querem é um bom menino... um cavalheiro de verdade. – Não há tais coisas –, diz Mildred a seu lado. Um bom moço. Pensei que Michael era agradável, e ele nem sequer pôde me expulsar como um cavalheiro.
  69. 69. 70 – Talvez eu deva ficar sozinha pelo resto de minha vida. Ambos, Mildred e Sylvia, sacodem a cabeça com força, seus cabelos brancos voando de um lado a outro. – Não! – Dizem. – Você não quer isso –, diz Sylvia. – Não? – Não. – Ela olha ao senhor Whittaker. – porque precisamos deles... embora sejam a encarnação do demônio. – Ela se aproxima mais. – Não me importaria se ele me desse uns tapinhas no traseiro. – Amém a isso, irmã, – Mildred diz enquanto desliza seu pincel sobre o tecido. Está pintando uma silhueta que se parece suspeitosamente a um homem nu. – por que não pedimos a esse agradável moço Tuck vir e posar para nós? Foi dito que podemos fazer pinturas com modelos vivos. – Eu estava pensando em um cão –, digo-lhe. – Não. Nos traga um modelo masculino. – Não desenharei um homem, – o senhor Whittaker lhe grita do outro lado da sala. – Kiara terá que posar também. – Eu não estou prometendo nada – digo a todos. Espere até que eu fale com o Tuck hoje e peça para ser modelo masculino para minha turma. Acredito que ele pode até gostar disso.
  70. 70. 71 9. Carlos – Heeey – canta Madison. – Estou de volta. E trouxe umas dez pessoas mais com ela. Todos se reúnem em volta da pipa e a passam ao redor, cada um dá uma tragada. Pergunto-me o que estarão fazendo Kiara e seus amigos esta noite. Aposto que está estudando para o vestibular ou algo assim, para poder entrar em uma boa universidade, enquanto eu estou em uma festa com pipas e pequenas pílulas azuis. Nick alinha as pílulas em uma bandeja. Me lembrou o que Alex chamou prato de pu-pu. Quando Madison me passa a pipa com um grande sorriso, quero me esquecer da Kiara, do vestibular, da universidade e de ser bom. Sou um vândalo, assim melhor começar a atuar como tal. Pego, inalando a fumaça doce dentro de meus pulmões. O material é, sem dúvida potente, porque sinto os efeitos, antes inclusive de passar a pipa à pessoa que está ao meu lado. Quando volta, desta vez dou uma larga e lenta tragada. À quarta, estou muito drogado para me preocupar com a Kiara e seus coockies ou pelo fato de Alex estar me seguindo de perto todo o tempo, ou o fato de que menti a Brittany quando lhe prometi que não ia beber ou consumir drogas esta noite. Agora mesmo, só quero pensar em questões mais candentes da vida, como... – por que Heavy Shevy não barbeia o bigode? – Talvez seja um homem disfarçado. – Diz Nick. – Mas, por que ia escolher a uma mulher feia como disfarce? – Pergunto. Sério. –Talvez seja um homem feio e não tem outra opção.
  71. 71. 72 – Tem sentido. – Vejo Madison dar outra tragada. Ela me vê olhando para ela, então me sorri enquanto se move para meu lado e lambe os lábios. Pela longitude da ponta de sua língua, acredito que poderia ter genes de iguana em sua árvore genealógica. Inclina-se para frente, seus peitos a centímetros da minha cara. – Nick tem a melhor merda. – Fala, empurrando-se para atrás e estendendo-se sobre mim, como um gato sobre um tapete. Não é necessário dizer que eu sou o tapete. Ela se retorce, estende-se e envolve os braços ao redor de meu pescoço. Tem os olhos meio abertos. – Você é sexy. – E você também. – Somos um casal perfeito. – Ela risca meu queixo com seu dedo e se inclina para frente. Sua língua de iguana escapa e seu corpo começa a retorcer-se contra o meu. Lambe-me o queixo, e tenho que admitir que nenhuma garota tinha feito isto antes. Não estou muito interessado que façam uma segunda vez, tampouco. Começamos fazendo isto na frente a todos. Acredito que Madison gosta da atenção, porque quando uma das garotas faz um comentário, a um dos meninos para que deixe de olhar, Madison se inclina para trás e começa a tirar a camiseta como se fosse uma stripper em um clube, me fazendo um Lap Dance. É óbvio que Madison quer ser vista e admirada por todos os meninos, e invejada por todas as garotas. Esta garota é sem dúvida uma exibicionista, mas quando olho a minha esquerda e vejo o Nick fazendo o mesmo com a Lacey já sem camiseta, começo a me perguntar se todo mundo espera mostrar seus talentos sexuais aqui em público. Esse não sou eu. – Vamos a um lugar privado, – digo a Madison quando ela chega sobre minhas calças jeans. Ela franze os lábios um minuto, então se separa de meu corpo e estica a mão.
  72. 72. 73 – Vamos. A noite se move muito rápido. Estou tranquilo, e no fundo de minha mente me lembro de que Ram me advertiu a respeito de Madison, mas ela agarra a mão e levanta-me. – Se divirtam, vocês dois, – diz Nick em voz alta. Dois minutos mais tarde entramos em um grande quarto, com uma cama tamanho gigante contra a parede. – Seu quarto? – Pergunto-lhe. Madison sacode a cabeça. –É de meus pais, mas raramente estão em casa. Neste momento estão em Phoenix. Sinto rastros de amargura em sua voz, e estou seguro de que me jogar em sua cama é sua vingança. Devo lhe dizer que prefiro fazer no chão ao invés da cama de seus pais? – Vamos para seu quarto – digo. Ela nega com a cabeça, e logo me puxa para perto da cama. – O que Ram disse de mim? – pergunta. –É um pouco difícil pensar nisso agora mesmo, – digo-lhe. – Estou tão passado quanto você. – Simplesmente tente lembrar. Mencionou por que nos separamos? Porque se ele disse, não foi minha culpa. Quero dizer, não é como se eu soubesse o que ele sabia e que eu não sabia o que estava fazendo. E se eu sabia, não era
  73. 73. 74 porque sabia que ele sabia. Não é como se sua mãe tivesse nos encontrado e tivesse nos detido. Doeu a cabeça de ouvi-la. –Ok – digo-lhe. Não tenho nem ideia do que acaba de dizer, mas imagino que a resposta ‘ok’ possa cobrir as bases. Apenas uma esperança. – Sério? – Diz, sorrindo. Hun? Não tenho nem puta ideia do que estou falando. Ou o que ela está falando. Ela me abraça forte, seus chichis pressionam com força contra meu peito. Espero que não estourem pela pressão de serem esmagados contra mim. Pensamentos de amassar chichis estão agora me incomodando. E minha mente se distrai com pensamentos sobre a Kiara e como usa essas enormes camisetas. Por um segundo penso que o desconhecido corpo da Kiara é mais sexy, do que o que Madison ostenta todos os dias. Aperto meus olhos fechando-os. O que estou pensando? Kiara não é sexy. E me frustra que me desafia mais que minha própria família. – Te contei o que lhe fez Kiara com o meu armário? – Pergunto. Ela insiste em me puxar a cama. – Kiara realmente não me importa. Deixa de falar de outra garota quando está aqui comigo. – Ela tem razão. Tenho que deixar de falar de Kiara. Eu gosto das coisas que são fáceis para mim, e Kiara não é uma delas. Madison é. Antes que saiba, estamos enroscados na cama de seus pais. Ela está sentada sobre mim, seu cabelo na cara. Acredito que há alguns de seus cabelos em minha boca quando nos beijamos, mas ela não parece se dar conta. Eu o faço. Ela inclina-se para trás. – Quer fazer? – Ela mal consegue perguntar.
  74. 74. 75 Claro que quero fazer. Mas quando olho para o lado e vejo uma foto de seus pais sorridentes na mesa ao lado da cama, sinto um golpe. Ela não me quer porque sou eu, me quer porque sou um valentão drogado, exatamente o contrário ao que seus pais querem que ela esteja. Mas dizer a mim mesmo que sou um valentão é uma coisa. Atuar como um, é outra. – Tenho que ir, – digo. – Espera. Oh, não. Não me sinto bem. Acho que vou ficar doente. Ela se levanta e corre ao banheiro, trancando-se dentro. Os sons de náuseas e vômitos se ecoam através do quarto um segundo depois. Bato na porta. – Precisa de ajuda? – Não. – Abra a porta, Madison. – Não. Vá procurar a Lacey. Quando faço, Lacey e um montão de outras garotas entram no quarto para ajudar. Estou parado na porta, observando que atuam como se Madison realmente estivesse doente em lugar de vomitar por estar bêbada e drogada. Depois de vinte minutos de pé ao redor sendo ignorado, e a confiança de que Madison está tendo todas suas necessidades atendidas, imagino que já tive o suficiente desta festa. Na rua, pego o chaveiro com coração rosa do Brittany. Engato a marcha do motor e começo a conduzir, mas quando vejo que as linhas da estrada estão imprecisas sei que não posso fazê-lo. Estou muito drogado, bêbado, ou uma mescla de ambos. Merda. Tenho duas opções. Voltar para casa de Madison ou
  75. 75. 76 encontrar um lugar para parar ou dormir no carro. Aperto o botão para reclinar o assento e fecho os olhos, com a esperança de que de manhã possa averiguar o queo correu realmente esta noite. Brilhante. É muito brilhante. Abro os olhos e sinto o golpedo sol da manhã direto na mim na cara. Ainda estou no carro de Brittany. Com a parte superior baixada. Quando volto para casa do Alex, encontro-o sentado na mesa com uma xícara de café em suas mãos. Fica de pé quando atiro as chaves de Brittany sobre a mesa. – Disse que estaria em casa em algumas horas. Sabe que são 9? De la mañana. Esfrego minhas mãos sobre meus olhos. – Por favor, Alex, – me queixo. – Pode esperar ao menos até o meio-dia para gritar? – Não vou gritar. Simplesmente não vou deixar que use o carro de Brittany de novo. – Ok. – Dei-me conta de que o colchão inflado está ali. Atiro-me sobre ele e fecho os olhos. Alex tira o travesseiro de debaixo de minha cabeça. – Está drogado? – Não mais, infelizmente. – Pego o travesseiro de novo. Ouço meu irmão sentar-se em sua cama e deixar escapar um profundo suspiro. O pobre provavelmente necessita fumar um pouco de erva para
  76. 76. 77 relaxar. Juro que posso sentir seus olhos aborrecidos em meu crânio como dois pequenos lasers. – O que quer? – Murmuro em meu travesseiro. – Não se importa com ninguém mais além de você? – Mais ou menos. – Não te dá conta de que me preocupo contigo? – Não. Esse pensamento não cruza minha mente nenhuma vez. Alguém bate na porta e por sorte lhe impede de me faze rmais pergunta. Ouço meu irmão dizer: – Hey, chica. Me deixe adivinhar: é a Brittany. – Carlos se esqueceu de subir a capota, – diz ao Alex. – E está começando a chover. Deixou o telefone no assento do passageiro. Espero que ainda funcione. Se eles se casarem, sinto por seus filhos. Espero que os meninos nunca se metam em uma confusão... porque Brittany e Alex, ambos, estão me olhando como se quisessem me prender por toda a vida. Pior para eles, não são meus pais.
  77. 77. 78 10. Kiara Na segunda-feira, os rumores voam sobre a festa de Madison Stone. A maioria deles giram ao redor do Carlos e Madison transando na cama de seus pais. Na terça-feira e na quarta-feira me dou conta de que Madison senta-se com o Carlos na mesa do almoço. Na quinta-feira, Carlos nem sequer está no almoço. Tampouco está Madison. O feliz casal desapareceu para algum lugar. Na sexta-feira pela manhã, Carlos está em seu armário, os coockies seguem presos no interior. – Oi, –diz. - Oi, – digo-lhe de volta. Coloco minha combinação, mas o armário não se abre. Volto a tentar, sei que tenho os números corretos, mas quando puxo a manivela, não se move. Carlos olha por cima de meu ombro. – Tem problemas? – Não. Volto a tentar. Desta vez, puxo a manivela mais forte. Uma vez mais, não acontece nada. Carlos golpeia com os dedos o metal. – Talvez tenha esquecido a combinação. – Sei minha combinação. –digo-lhe. – Não sou estúpida. – Está certa? Porque deveria abrir-se.
  78. 78. 79 Meu pensamento se dirige aos rumores a respeito dele e Madison. Nem sequer sei por que, mas a ideia deles se agarrando provoca minha ira. – Pode ir. Encolhe-se de ombros. – Se você diz. – Toca o primeiro sinal. – Bom, boa sorte. Se me perguntar, parece que alguém a trocou. – Retira os livros de seu armário e se direciona pelo corredor. Corro atrás dele e agarro seu braço. – O que fez com o meu armário? Ele pára. – Eu poderia ter trocado a combinação. – Como? Ele ri. –Se lhe disser isso, teria que te matar. – Muito gracioso. Diga-me como fez isso. – Te darei a informação quando... – Golpeia a ponta de seu dedo indicador contra seu nariz. – Quando todos os coockies estiverem fora do meu armário. Incluíndo todos os farelos. Nos vemos por aí – Diz, entrando na sala de aula e me deixando sozinha no corredor para ver como vou fazer... e daí, arriscar meu próximo movimento. Na aula de inglês, o Sr. Furie tira nossos ensaios. Diz nossos nomes um a um e temos que ir a sua mesa.
  79. 79. 80 – Kiara. – ele chama. Aproximo-me do meu papel. Quando o Sr. Furie me entrega, não está sorrindo. – Pode fazer muito melhor que isto, Kiara. Sei que pode. Vá mais a fundo da próxima vez, e não trate de me dar a resposta que creia que quero. Passo por Madison no caminho de volta a minha mesa. – Como está Carlos? – Pergunta. – Bem. – Sabe que só te da atenção porque sente pena de ti. É um pouco triste, se pensar nisso. Ignoro-a e me sento em minha mesa. Um grande C vermelho está escrito na parte de cima do papel que acaba de me dar o Sr. Furie. Não é bom, especialmente se vou solicitar uma bolsa universitária. – Durante os próximos quinze minutos, irão escrever um documento de convicção. – Diz o Sr. Furie. – Sobre o que? –Pergunta Nick Glass. –O tema é... –O Sr. Furie faz uma pausa, obviamente para aumentar a antecipação e receber a atenção de todos os estudantes, senta-se na borda da mesa e diz: – Deveriam as pessoas dos reality shows serem consideradas celebridades? A classe começa a murmurar sobre o tema. – Mantenham o nível de ruído ao mínimo, gente.
  80. 80. 81 – Como escrever um documento de persuasão quando não temos tempo para investigar? – pergunta alguém na parte de atrás da sala. – Quero seus pensamentos, não uma investigação. Quando está falando com um amigo e tem que convence-lo de que faça, ou de trocar uma opinião, não pode dizer: ‘Espera, tenho que fazer uma investigação ou escrever as estatísticas.’ Tem que encontrar argumentos em sua cabeça. Isso é o que estou pedindo que façam. O Sr. Furie perambula pela classe enquanto escrevemos. – Se quiserem um crédito extra, podem ler o que escreveram em voz alta. Isso é bom. Necessito um crédito extra. E sei que posso dizer meu discurso sem gaguejar. Sei que posso. – Canetas para baixo. – O Sr. Furie ordena quinze minutos mais tarde. Bate as mãos. – Muito bem, algum voluntário para ler o primeiro? Levanto a mão. – Srta. Westford, se levante e compartilhe seus pensamentos. – Oh não, ela não. – Ouço o gemido de Madison junto a mim. Lacey ri junto com seu grupo de amigos. – Tem algum problema, Madison? – Não Sr. Furie. Quase quebrei uma unha! – Ela move seus dedos bem cuidados para ele. – Por favor, guarda seus problemas de unhas para depois da aula. Kiara, começe.
  81. 81. 82 Pego meu papel e caminho frente à classe. Digo a mim mesma para respirar profundamente e pensar nas palavras antes que saissem de minha boca. Quando estou de pé diante, olho a meu professor. Ele me sorri calidamente. – Adiante. Coço minha garganta. E engulo, mas sinto que minha língua é mais grossa que antes de começar a falar, por Madison. Ela me confundiu, mas posso superar. Não tenho que lhe dar poder sobre meu problema de gagueira. Relaxe. Pense nas palavras. Não esqueça de respirar. –Eu p-p-penso... – Olho para meu papel. Posso sentir todos os olhos sobre mim. Alguns, provavelmente estejam olhando com pena. Outros, como Madison e Lacey, provavelmente me olham com diversão. – Eu cr-cr-creio que as p-p-pessoas dos r-r-reality shows... Uma gargalhada estala de uma garota. E sei quem é antes de olhar para cima. – Madison, não acredito que isto seja divertido. Seja respeitosa com sua companheira de classe. – Diz o Sr. Furie, e adiciona – Não é um pedido, é uma ordem. Madison põe sua mão sobre sua boca. – Estou bem, – diz entre seus dedos. – Será melhor que sim, –diz o Sr. Furie com voz severa. – Adiante, Kiara. Continue. Está bem. Posso fazê-lo. Se posso falar com o Tuck sem gaguejar, talvez deveria fingir que estou falando com o Tuck. Olho para meu melhor amigo. Ele me dá uma pequena onda de fôlego, de seu assento na parte posterior da classe.
  82. 82. 83 –... as pessoas nos reality shows são celebridades... –Faço uma pausa e tomo uma respiração profunda, e logo continúo. Posso fazer isto. Posso fazer isto. – porque deixamos que a m-m-mídia... Outra explosão de risadas ecoa na classe, esta vez de Lacey e Madison. – Senhorita Stone e senhorita Goebbert! –o Sr. Furie assinala para a porta. – Fora da minha classe. – Não fala sério, – argumenta Madison. – Nunca falei mais sério. E também lhes dou a ti e à senhorita Goebbert três dias de detenção depois de aula a partir de hoje. – Não faça isso, – sussurro-lhe ao Sr. Furie, esperando que ninguém mais me possa ouvir. – Por favor, não faça isso. Madison põe um olhar de assombro em sua cara. – Nos está pondo em detenção por rir? Vamos, Sr. Furie. Isso não é justo. – Reclame na sala do diretor House, se tiver algum problema com meu castigo. O Sr. Furie abre sua gaveta e tira duas detenções azuis. Ele preenche os dois papéis e entrega a Maddison e Lacey para que peguem. Ambas as garotas me disparam um olhar furioso. Oh, não, isto não é bom. Agora estou no radar de Madison, e não sei se haveria alguma maneira de sair dele. Quando ele lhes passa os cartões azuis, Madison a coloca em sua bolsa. – Não posso ter uma detenção depois da aula. Tenho que trabalhar na boutique da minha mãe. – Deveria ter pensado nisso antes de interromper minha aula. Agora, as duas, peçam desculpas a Kiara. – pede nosso professor.

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