Ancilostomíase 2015.1

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Ancilostomíase 2015.1

  1. 1. ANCILOSTOMÍASE Profa. Dra. Maria do Socorro Vieira dos Santos MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI FACULDADE DE MEDICINA MÓDULO: MB0302 – RELAÇÃO PARASITO-HOSPEDEIRO
  2. 2. INTRODUÇÃO2
  3. 3.  A ancilostomíase, popularmente conhecida como amarelão, é uma doença parasitária intestinal que causa diarréia moderada e dor abdominal.
  4. 4.  Amarelão ocorre principalmente em climas tropicais e subtropicais.  Os vermes parasitas causadores da doença são Ancylostoma duodenale e Necator americanus.
  5. 5. Necator americanus Ancylostoma duodenale
  6. 6.  Necator americanus  África tropical, nas Américas e ilhas do Pacífico;  Ancylostoma duodenale  países do Hemisfério Norte.
  7. 7.  Em ambos os casos, o homem constitui a única fonte de infecção para a ancilostomíase, pois os demais mamíferos possuem ancilostomídeos de outras espécies que normalmente não completam sua evolução no organismo humano.
  8. 8.  A ancilostomíase, no Brasil, tem como maior causador o Necator americanus.
  9. 9. MORFOLOGIA9
  10. 10. Reino: Animalia Subreino: Metazoa Filo: Aschelminthes Classe: Nematoda Ordem: Strongylida Família: Ancylostomatidae Gênero: Necator e Ancylostoma Taxonomia
  11. 11. Ancylostoma duodenale  parasito habitual do homem, principalmente nas zonas da Bacia do Mediterrâneo, Europa, África e Asia. Taxonomia
  12. 12. Ancylostoma braziliense  próprio de canídeos e de felídeos domésticos ou silvestres; Taxonomia
  13. 13. Ancylostoma caninum  infecta cães e gatos, mas eventualmente invade o organismo humano produzindo dermatites; Taxonomia
  14. 14. Ancylostoma ceylanicum  parasita cães e gatos, além do homem, estando presente em regiões da Ásia, do Pacífico e da América. Taxonomia
  15. 15. Necator americanus  parasito exclusivo do homem e com larga distribuição geográfica pelas Américas, África, Ásia e Oceania. Taxonomia
  16. 16. 16  Helmintos  medem cerca de 1 cm de comprimento, os machos sendo pouco menores que as fêmeas.  Apresentam duas estruturas muito características  a cápsula bucal e a bolsa copuladora dos machos. Vermes Adultos
  17. 17. a) cápsula bucal; b) glândula cefálica; c) testículo; d) vesícula seminal; e) canal ejaculador; f) espículos; g) bolsa copuladora h) faringe; i) útero; j) ovário; k) intestino; l) reto e ânus. Macho Fêmea Ovos Ancylostoma duodenale
  18. 18. 18  Cápsula bucal  modificação da extremidade anterior, formada pela cutícula  permite ao verme aderir, por sucção, à parede do intestino.  Forma globular  ampla abertura para o exterior, em cujas margens encontram-se papilas sensoriais. Vermes Adultos
  19. 19. Ancylostoma duodenale: dois pares de dentes Necator americanus: lâminas cortantes Ancylostoma braziliensis: par de dentes grandes e um pequeno Ancylostoma caninum: 3 pares de dentes
  20. 20. A. caninum A. duodenale Necator americanus As relações parasito-hospedeiro têm lugar através da fixação do helminto à mucosa intestinal que é aspirada e dilacerada, seja com as placas cortantes de Necator, seja com os dentes e lancetas dos Ancylostoma.
  21. 21.  Bolsa copuladora  é uma expansão cuticular da extremidade posterior dos machos, sustentada por raios carnosos agrupados de modo diferente para cada espécie e permitindo a identificação.
  22. 22. 22 Ancylostoma duodenale Necator americanus BOLSA COPULADORA
  23. 23. 23  Sistema digestório  continua-se com um esôfago muscular claviforme e um intestino simples  fêmeas termina no ânus e, nos machos, abre-se na bolsa copuladora. Vermes Adultos
  24. 24.  Cápsula bucal profunda  2 pares dentes dorsais Ancylostoma duodenale
  25. 25.  Dimensão  8 -11 mm de comprimento  Extremidade posterior com bolsa copuladora Machos
  26. 26. Fêmeas  Dimensão  10 – 15 mm de comprimento  Extremidade posterior afilada com processo espinhoso terminal
  27. 27.  Cápsula bucal profunda  2 lâminas cortantes subventral  2 lâminas cortantes subdorsal  Fundo cápsula: dente longo Necator americanus
  28. 28.  Dimensão  5- 9 mm de comprimento  Bolsa copuladora desenvolvida Machos
  29. 29.  Dimensão  9-11 mm de comprimento Processo espinhoso Fêmea Fêmeas  Extremidade posterior afilada sem processo espinhoso
  30. 30.  Formato  ovóides, casca fina e transparente  Espaço largo entre a casca e o conteúdo do ovo Ovo
  31. 31. Ancylostoma duodenale  56-60 m 20.000 a 30.000 ovos/dia Necator americanus  64-76 m 6.000 a 11.000 ovos/dia
  32. 32.  Desenvolvimento do ovo  condições adequadas de oxigênio, umidade de temperatura (23 - 33°C)  Eclosão 1-2 dias  larva rabditóide Ovo
  33. 33. Ovos de ancilostomídeos em duas fase de embrionamento e com uma larva já formada no seu interior.
  34. 34.  Tamanho  250 µm  Cápsula bucal  vestíbulo longo  Esôfago  dividido em três partes Larvas Rabditóides
  35. 35. 35  Ela se alimenta ativamente de bactérias e matéria orgânica do solo e cresce de modo que aos três dias tem lugar a 1ª muda. Larvas Rabditóides
  36. 36. Larva rabditóide de Necator americanus
  37. 37. 37  A larva rabditóide de 2º estádio (L2) cresce mais até atingir 500 a 700 µm.  Seu esôfago alonga-se, passando a ser de tipo filarióide. Larvas Rabditóides
  38. 38. 38  Ocorre a 2ª muda  a larva filarióide embainhada ou encistada (L3).  Uma semana depois torna-se infectante. Larvas Filarióides
  39. 39.  Tamanho  700 µm  Esôfago  cilíndrico  Extremidade posterior  afilada Larvas Filarióides
  40. 40. 40  Nesse 3º estádio, ela já não se alimenta, mas passa a consumir suas próprias reservas energéticas, que lhe permitem crescer e mover-se ativamente com um geotropismo negativo. Larvas Filarióides
  41. 41. Larva infectante de Ancilostomídeo
  42. 42. Penetração ativa na pele Longevidade: 3 a 4 sem. Larva rabditóide Ovos nas fezes Vermes adultos no intestino delgado Larva filarióide 5 a 10 dias 24 horas
  43. 43. 43  Ambientes naturais de zonas endêmicas  sobrevivem até 6 meses; Radiação solar, temperaturas muito altas poucas semanas Larvas Filarióides
  44. 44. 44  Terrenos arenosos, sombreados  favoráveis para manter seu potencial infectante; Larvas Filarióides
  45. 45. TRANSMISSÃO45
  46. 46.  Produção diária de ovos  9 a 20.000 ovos;  Peridomicílio  área importante de transmissão em áreas de alta endemicidade  rural.
  47. 47. Ovo de Ancilostomídeo
  48. 48.  As larvas vivem meses em ambientes úmidos e sombreados, mas poucas semanas em ambientes secos e quentes;  Ocorre infecção transplacentária e transmamária;
  49. 49.  A penetração cutânea não demora mais do que 5 ou 10 minutos;  Ela é a única via utilizada pelas larvas de Necator americanus para instalar-se no organismo do seu hospedeiro.
  50. 50. CICLO BIOLÓGICO50
  51. 51.  Os ancilostomídeos têm ciclo monoxeno, com fase larvária no meio exterior.  Vida livre  ovo, ovo embrionado, L1, L2 e L3.
  52. 52.  Vida parasitária  L3, L4, L5 e adulto  Habitat  adultos vivem na mucosa do intestino delgado
  53. 53. Infecção por Necator americanus
  54. 54.  Só se produz por penetração cutânea das formas infectantes  larvas filarióides;  Em contato com a pele  penetram utilizando as lancetas do vestíbulo bucal
  55. 55. http://interna.coceducacao.com.br/ebook/content/pictures/2002-21-142-14-i003.jpg
  56. 56. http://www.gefor.4t.com/concurso/parasitologia/necatoramericanus.jpg
  57. 57. INFECÇÃO ATIVA – L3  PELE L3 (filarióide)  penetração pele Circulação sangüínea e/ou linfática Coração  artérias pulmonares Passando pelos pulmões  L4  faringe  deglutição L5 final do duodeno  adulto
  58. 58.  Localizam-se de preferência no duodeno e no jejuno, fixando-se à mucosa com sua cápsula bucal;  Os ovos de Necator, só aparecem depois de 7 a 8 semanas.
  59. 59. Infecção por Ancylostoma duodenale
  60. 60.  Penetração das formas infectantes  via cutânea  via oral.
  61. 61. http://images.slideplayer.com.br/2/355406/slides/slide_13.jpg
  62. 62.  As larvas ingeridas com alimento ou com água contaminada completam sua evolução no tubo digestivo, sem fazer o ciclo pulmonar. Ancylostoma duodenale no intestino
  63. 63. Água /alimento contaminado  L3 (filarióide) Estômago  L3 perde cutícula L3  migram intestino delgado  duodeno penetram mucosa  L4 L4  luz intestino  fixam-se mucosa e iniciam repasto sanguíneo  L5 Adultos  cópula  produção ovos  eliminados através fezes INFECÇÃO L3  VIA ORAL
  64. 64. Homem  intestino delgado  verme adulto Fezes com ovos Eclosão  larva rabditóide (L1) (L2) rabditóide  produz nova cutícula interna L3 (filarióide)  larva infectante
  65. 65. Ovos nas fezes L1 rabditóide no ambiente L2 no ambiente L3 (filarióide infectante) não se alimenta Penetração pela pele Coração Deglutição Vasos sangüíneos L5  adultos Infecção (L3) L5 no duodeno Pulmões Ingestão Adultos L4 no duodeno
  66. 66.  O ciclo completo normal de Ancylostoma duodenale dura 4 a 5 semanas, aparecendo os ovos nas fezes na 5ª ou 6ª semanas depois da infecção.
  67. 67. http://www.farmaciasaude.pt/site/images/stories/artigosimage/ancilostomiase.gif
  68. 68. ANCYLOSTOMA DUODENALE NECATOR AMERICANUS
  69. 69. PATOGENIA E SINTOMATOLOGIA70
  70. 70.  Ancilostomíase é determinada por etiologia primária e secundária. 1ª  migração e instalação dos parasitas no hospedeiro.
  71. 71. 2ª  permanência dos parasitas no hospedeiro  decorrentes da anemia e hipoproteinemia.
  72. 72.  Geralmente assintomática; Pele  lesões traumáticas, sensação de picada, prurido e edema resultante processo inflamatório e infecções secundárias.
  73. 73.  Período incubação  até surgirem sintomas intestinais 1 a 2 meses e pode durar anos.
  74. 74. Migração das larvas na pele, pulmão e instalação dos vermes no intestino.  Odor epigástrica  Diminuição do apetite / Indigestão  Cólica Fase Aguda
  75. 75.  Náuseas  Vômitos  Constipação  Diarréia sanguinolenta
  76. 76. Nas infecções pesadas, durante o ciclo pulmonar pode ocorrer uma pneumonite disseminada, que constitui a síndrome de Loeffler, observada também na estrongiloidíase e na ascaríase.
  77. 77.  Espoliação sanguínea Ancylostoma duodenale  suga 0,15 a 0,30 ml/sangue/dia Necator americanus  suga 0,03 a 0,06 ml/sangue/dia
  78. 78. A perda diária sofrida pelo paciente (100 a 1.000 vermes), pode ser na ordem de 10 a 30 ml (5 – 15 mg de Fe/dia), mas pode chegar a 100 ou 250 ml, quando a carga parasitária estiver entre 1.000 a 3.500 vermes.
  79. 79. Fase Crônica Caracteriza a fase da anemia  vermes adultos + espoliação sangüínea + deficiência nutricional  Anemia  microcítica e hipocrômica  Leucocitose e eosinofilia
  80. 80.  Baixa de hemoglobina  Hipoalbuminemia  Lesões mecânicas  no local de implantação da cápsula bucal Fase Crônica
  81. 81.  Hipoproteinemia  atrofia da mucosa intestinal, redução ou achatamento das vilosidades e diminuição da absorção intestinal. Fase Crônica
  82. 82.  Hipotensão  com aumento da diferença entre a pressão máxima e a mínima.  Ocorrem, tonturas, vertigens, zumbidos nos ouvidos e manchas no campo visual. Fase Crônica
  83. 83.  Crianças  abdômen agudo ou uma apendicite Retardo no desenvolvimento físico e mental Apatia e falta de apetite Baixo rendimento escolar Fase Crônica
  84. 84. DIAGNÓSTICO85
  85. 85.  Presença de sintomas duodenais;  Anemia súbita;  Procedência e hábitos de vida do paciente.
  86. 86.  O diagnóstico da ancilostomíase não oferece dificuldades, pois os ovos são típicos e em geral abundantes nas fezes dos pacientes.
  87. 87.  Métodos de sedimentação espontânea  Hoffman  Método de Centrifugação-Flutuação em solução saturada de sulfato de zinco  Faust Exame de Fezes
  88. 88.  Método de Willis  flutuação dos ovos em fezes diluídas em solução saturada de cloreto de sódio. Exame de Fezes
  89. 89.  Para estimar-se a carga parasitária, fazer uma contagem de ovos pelo método de Stoll. Exame de Fezes
  90. 90. 91  Uma infecção com menos de 50 vermes é considerada leve; entre 50 e 200 já tem significação clínica, podendo causar anemia; entre 200 e 1.000 é intensa e, acima de 1.000 vermes, muito intensa. Exame de Fezes
  91. 91. Imunologia  Fase aguda  eosinofilia  IgE e IgG  Fase crônica  IgE, IgG, IgA, e IgM Imunofluorecência, ELISA e hemaglutinação
  92. 92. TÉCNICA WILLIS TÉCNICA DE HOFFMANN
  93. 93. TRATAMENTO94
  94. 94.  Mebendazol  500 mg (dose única) Efetivo contra Necator americanus e Ancylostoma duodenale  Albendazol  400 mg (dose única)
  95. 95.  Levamisol  50 – 150 mg (dose única) Não usar em menores de 2 anos e em pacientes com problemas renais ou hepáticos  Pirantel  10 mg/kg/pv  1 vez dia  durante 3 dias
  96. 96.  Avaliação da cura  exame de 3 amostras de fezes  período de 15-20 dias  após o término do tratamento.  Anemia associada  sulfato ferroso (200mg, 2-3 vezes ao dia) + alimentação rica em ferro.
  97. 97. EPIDEMIOLOGIA98
  98. 98.  Locais de climas temperados e tropicais.  Nematódeos apresentavam distribuição geográfica restrita aos locais de origem, porém atualmente com a globalização, as espécies tornaram-se cosmopolitas.
  99. 99. 100  Há estimativa de que cerca de 740 milhões de pessoas no mundo tem ancilostomídeos, principalmente a Necator americanus, resultando em 65.000 mortes por ano.
  100. 100. 101  Em escala mundial, a ancilostomíase é devida a Necator americanus em ¾ dos casos, a Ancylostoma duodenale em menos de ¼. Ocorre preferencialmente em crianças ( 6 anos), seguido de adolescentes e idosos.
  101. 101.  Ancylostoma duodenale  restrito ao continente europeu, africano e asiático;  Necator americanus  restrito ao continente americano e parte da África;
  102. 102.  Necator americanus  restrito ao continente americano e parte da África;  Ancylostoma ceylanicum  restrito a Taiwan.
  103. 103.  Brasil  predomina Necator americanus Ancylostoma duodenale é encontrado em 20-30% dos infectados
  104. 104.  Além do parasitismo causado pelos vermes adultos, larva de Ancylostomatidae podem determinar uma enfermidade denominada “larva migrans cutânea”.
  105. 105. CONTROLE106
  106. 106.  Utilização de calçados (sapato ou sandália), evitando o contato direto com o solo contaminado;  Ter o máximo de cuidado quanto ao local destinado ao lazer das crianças, pois acabam brincando com terra;
  107. 107. Lavar as mãos antes das refeições;  Lavar alimentos crús.
  108. 108.  Infraestrutura básica para a população  saneamento básico e condições adequadas de higienização.
  109. 109. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS  NEVES, D. P. et al. Parasitologia Humana - 12ª. ed. – São Paulo: Atheneu, 2011.  REY, Luís. Parasitologia: parasitos e doenças parasitárias do homem nos trópicos ocidentais - 4. ed. – Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S. A., 2013. 110

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