Ano IX nº65 Junho 2015 Distribuição Gratuita Editor: Antonio Cabral Filho
Rua São Marcelo, 50/202 Rio de Janeiro – RJ Cep ...
TROVAS
Tão pura no sentimento,
santa, não há outra igual.
Ah, vida (!), como lamento
não ser a mãe imortal.
Jessé Nascimen...
Quando mãe Eva, imprudente,
provou, também, da maçã,
a serpente foi semente
das gerações do amanhã.
Pedro Giusti – RJ
É po...
NÃO NOS DEITAMOS,
Mas deixaste
As tuas mãos
No suor das minhas.
J. Cárdias – RJ
HAIKAI
Apesar da crueldade
Como sabem pore...
LIMITE Nº 1
No quarto, silêncio...
Nas curvas do escuro
Procuro o medo,
Saio de mim
Para viver como palavras.
O labirinto ...
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Letras Taquarenses Ano IX Nº 65 Junho 2015 * Antonio Cabral Filho - Rj(Lt65 xx2)

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LETRAS TAQUARENSES, fanzine literario, com edições impressas, virtuais e em ebook. Divulga poesia, contos e cronica. É editado pelo poeta Antonio Cabral Filho. Rio de Janeiro - Rj.

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Letras Taquarenses Ano IX Nº 65 Junho 2015 * Antonio Cabral Filho - Rj(Lt65 xx2)

  1. 1. Ano IX nº65 Junho 2015 Distribuição Gratuita Editor: Antonio Cabral Filho Rua São Marcelo, 50/202 Rio de Janeiro – RJ Cep 22.780-300 Email: letrastaquarenses@yahoo.com.br http://blogdopoetacabral.blogspot.com.br / http://letrastaquarenses.blogspot.com.br Filiado à FEBAC HAICAIS Fecho minha porta. Silencioso vou deitar-me. Prazer de estar só... Matsu Bashô – Japão Lírios muito brancos A cintilar pelo espaço – Noite de ternura. Humberto Del Maestro – ES Árvores balançam – Espalhadas pelo chão, Flores de ipê roxo. Renata Paccola – SP Violência manda – Vivemos atrás das grades, Paz está distante. João Batista Serra – CE Sons na alvorada, O canto dos passarinhos – Cena encantada. Auri Antonio Sudati – RS Esquadria antiga – Os meus rabiscos não dormem Em noite de lua. Neide Rocha Portugal – PR Chuvinha vernal – O lavrador agradece De chapéu na mão. Hazel de São Francisco – SP Quando ando pela rua O coração entra em festa – Ipês sob a lua. Aparecida M. de Barros – SP Menino extasiado – A pandorga atingiu Altura do telhado. Manoel F. Menendez – SP A gardênia azul Envolve, com seu perfume, Um casal na praça. Amália M. G. Bornheim – RS Rolinhas se enroscam Nas palmeiras do quintal – Ovinhos à vista. Eliana Ruiz Jimenez – SC Colibri esvoaça. Tem rosa nova, solteira, No jardim da praça. Antonio Augusto de Assis – PR Rebrilhando ao sol, Um cardume de sardinhas... Moedas no mar. Hermoclydes S. Franco – RJ Beleza e perfume. Deus desabrocha no galho Da rosa vermelha. Fernando Vasconcelos – PR Uma árvore nua Aponta o céu. Numa ponta Brota um fruto. A lua ? Guilherme Figueiredo – SP Cavalos de escamas. Em meio às algas marinhas, Escondem segredos. Urhaci Faustino – RJ Ipê amarelo. Ao abaixar a cabeça, Um chão de flores. José Marins – RJ Infância distante... Ainda estremeço Ao som da trovoada. Mônica Martinez – SP Morre lento o sol... Nas grandes sombras deitadas, Um pranto de folhas. Luis Antonio Pimentel – RJ Bate breve o gongo. Na amplidão do templo ecoa O som lento e longo. Helena Kolody – PR Pássaros no ninho. Novas vidas que iluminam Os olhinhos do menino. Antonio Luis Lopes – SP O sol nasce para todos, Mas a maioria prefere Dormir um pouco mais. Eno Teodoro Wanke – PR Na sarjeta, caído, O pobre sonha Com pão dormido. Carlos Ayres Brito – SE Ouço um bem-te-vi, Cujo canto espanta o frio Dos ventos do Norte. Edweine Loureiro – Japão No jardim bem cedo, Vi Louva-deus de mãos postas: Caçador exímio. & Cigarras cantando, Na manhã ensolarada: Início de outono. & No Dia da Mentira, Ganhei “Primeiro de Abril!”: Só pastel de vento. & Enquanto garoa, Lambaris dão cambalhotas Sobre o espelho d’água. Antonio Cabral Filho – RJ
  2. 2. TROVAS Tão pura no sentimento, santa, não há outra igual. Ah, vida (!), como lamento não ser a mãe imortal. Jessé Nascimento – RJ A onda neoliberal é uma outra visão: Pra cada regra moral, há um monte de exceção. Carlos Ayres Brito – SE Ir morar no paraíso... Viver qual bem lhe convier... É como rir sem sorriso, se não tiver a mulher. José Feldman – PR Ver para crer, eis o lema, O lema de São Tomé; A desconfiança é o tema Para o enredo pouca-fé. Arlindo Nóbrega – SP Não confies no destino, pois na última viagem não vai valer desatino, vondade vira passagem. Osael de Carvalho – RJ Tua beleza que atrai, não a afogues na vaidade, aproveite-a que ela vai, um dia, virar saudade. João Batista Serra – CE Eu gostaria de ser a água do teu chuveiro e em gota a gota descer beijando teu corpo inteiro. Oefe de Souza – SP Por amor à trova, trovo, pondo à prova o coração. A trova, já disse e provo, mais que trova, é emoção. Silvério da Costa – SC Na velhice, uma cantada, corpo ruim, mas alma acesa, ela topar não foi nada, dar certo é que foi surpresa. Fernando Vasconcelos – PR Gosto da trova da roça, com cheiro de mato e flor. Seu recado me remoça como um abraço de amor. Humberto Del Maestro – ES Se a felicidade aqui é tão frágil como um véu - por tudo que já ouvi – é muito forte... no céu! Mercedes Lisbôa Sutilo – SP Fortuna, meu companheiro, fortuna, é amor e tão só; tudo o mais, luxo, dinheiro, o tempo reduz a pó. Antonio Augusto de Assis – PR Trovas, um sublime dom, destinado ao trovador, num só acorde de tom, exaltar da vida o amor. Henny Kropf – RJ As graças que sempre faço, têm o poder de encobrir a tristeza que o palhaço faz de conta não sentir... Renata Paccola – SP Quer seja bom como vinho, quer seja ponta de lança, quem passa em nosso caminho, sempre fica na lembrança. Maria Thereza Cavalheiro – SP Para a vida ter valor, é preciso meditar, fazer o bem com amor, deixar o mal se calar. Ivone Vebber – RS Cidadania é saber manter a honra constante, ser sincero no dever e servir ao semelhante. Ruth Farah – RJ Já de miolo torrado, não percebo nem de leve: - Que lucra o aposentado que ameace entrar em greve? Diamantino Ferreira – RJ Na vida és um lampião... com seu belo lumiar. Em versos te cantarão para nossa paz voltar. Maria A.M. Calandra – SP Por caminhos percorridos fui sentindo as leis da vida, os meus versos têm sabor de lembranças mui queridas. Maria José Menezes – ES Esse amor que me consome eu temperei com paixão, e escrevi o seu nome a fogo, em meu coração. Antonio Pereira Mello – RS As horas vão caminhando através dos meses novos e todos concretizando: - Paz, união entre os povos. Francisco A. Nascimento – GO Tal perfume tem Poenísia que ao lê-lo, pelo ar, dispersos, sinto olores de Artemísia em frascos de quatro versos. Sergio Bernardo – RJ Da vida sei o começo, mas dela não sei o fim, porém tudo o que mereço será dado só pra mim. Araci Barreto – RJ
  3. 3. Quando mãe Eva, imprudente, provou, também, da maçã, a serpente foi semente das gerações do amanhã. Pedro Giusti – RJ É possível sentir fome, Dd amor, por onde estiver, sem manchar o próprio nome, por uma esquina qualquer. Sinésio Cabral – CE A trova fácil só sai, se existir inspiração, mas logo pro espaço vai, se faltar lápis na mão. Genésio Cabral – CE Toda natureza cheia com os possuídos seus, é um grãozinho de areia na palma da mão de Deus. Patativa do Assaré – CE Nessas tardinhas vazias ouço a cigarra em seresta. Assim vou contando os dias com meu coração em festa. Euclides da Cunha – MG As atitudes coerentes, promovem bons resultados; coerência entre os agentes deixa-os valorizados. MIFORI – SP Mineirinho caloteiro, perante o credor, se trai. - Pague a dívida, mineiro! - Eu não sou mineiro, uai ! Arlindo Tadeu Hagen – MG Quero um amor que me valha, e espero o tempo que for, pois sou celeiro de palha pronto a queimar por amor. Eliana Ruiz Jimenez – SC Se a vida pede uma pausa, faça isso, por favor, ou por amor a uma causa, ou por causa de um amor. José Ouverney – SP Nestas meninas me olhando, em ruas por onde andei, quanta criança sonhando o que em criança sonhei. Leila Mícolis – RJ Entre lágrimas e preces, meu amor, vou te escrevendo... Ai, pena, se tu soubesses as penas que estou sofrendo. Franklin Coutinho – RJ Menina da boca doce, de lábios sabor de mel, beijá-la é como se fosse estar entrando no céu. José Carlos Dutra de Toledo-RJ Por pensar demais em ti, vivo o carma desta prova, incorporo um bem-te-vi, bem te vejo e faço trova. Olivaldo Júnior – SP Se o meu silêncio diz tudo, que a minha boca não diz, o amor no peito é escudo que me faz viver feliz. Walter Siqueira – RJ Corumbá, terra adorada, meu céu azul cor de anil, recanto meu, a morada mais bela deste Brasil. Benedito CG Lima – MS O passado já não temos, o futuro não se sente, o presente é o que vivemos e morremos no presente. Miguel J. Malty – DF É na arte de dedilhar, a guitarra e o violão, Manassés sempre a tocar, com afinco e precisão. Antonio Fernando Andrade - PE Esporte, ciência, arte, no campo em que se apresente, o mito, sempre que parte, e vai uma parte da gente. Waldir Neves – RJ Noite de tédio, comprida, tão sem graça e tão vazia, que eu bebo qualquer bebida, e aceito qualquer Maria... Mário Peixoto –Ubtce.bs.com O entendimento se faz, com amor no coração, sem guerra, com muita paz, e abraçando nosso irmão... Clério José Borges – ES Vem o amor e depois... Se houver entendimento, há união entre os dois, celebrada em casamento. Euclides cavaco – Canadá Às Vezes, nossa ciência, tão avançada e precisa, não enxerga uma evidência, que nem precisa pesquisa. Josafá Sobreira da Silva – RJ A trova não tem ciência: - Carece de intuição, um pouco de inteligência e de muita inspiração. Raymundo de Salles Brasil – BA Numa frase ou num versículo, num abraço ou numa cruz, nenhum conselho é ridículo quando pleno de Jesus! Olivaldo Júnior – SP
  4. 4. NÃO NOS DEITAMOS, Mas deixaste As tuas mãos No suor das minhas. J. Cárdias – RJ HAIKAI Apesar da crueldade Como sabem porem-se épicas As águas da tempestade. Irineu Volpato – SP INICIAÇÃO Funabem, Fuma bem, Funga bem, Cafunga, Furta, Tudo bem? Ricardo Aquino – RJ OUVIU ESTRELAS, Cortejou a lua, Criou universo. Foi para a rua E em algum muro, Deixou seus versos. Anonimamente, O sol acordou, Iluminando a poesia. Jaime Vieira – SC METÁFORA Poeta não é quem transa A terra e o mangue Poeta não é quem traça A troça e o chiste Poeta É quem põe A terra em transe. Simão Pessoa-DF NEGRO, Reluzindo através Do gramado imenso, Se agigantando, Gato, Transformando-se Em pantera. Assim a metamorfose Da dor. Jurema Barreto de Souza – SP o que pode existir de mais experimental do que um poema inacabado inacabad inacaba inacab inaca inac Ina In In Leontino Filho –PI CONTRAPONTO Ruas & becos Castelos & casebres Mil & um Menino Sem canção de ninar João B.S. Filho – SP TROCA JUSTA Não vens E a noite surge! Já não há A esperança do amanhã! A saudade chega E se aninha Sem querer partir. É uma troca justa. Tu partes E ela fica! Marisa Alverga – PB ROMANTISMO O trágico, O peito rasgado; A noite enfocada No nó da língua Dos astros. O mágico, O sorriso da amada, O beijo amarrado. Faca, cordão – laço. Tanussi Cardoso – RJ SIMPLESMENTE A visão Do destino E o gear da alma Provocaram-me, Simplesmente, Uma feliz Grandeza humana. Zanoto – MG ENGRENAGEM Poesia Não se entorna, Se transforma. Não se copia, Cria-se. Tem dedos nos pés Pra caminhar na linha Sem desequilibrar. Poesia é máquina E pulsação. Bruno Candéas – PE A NOTÍCIA A notícia chegou como tragédia. O mundo cobriu-se de uma névoa escura. O filho, deitado em sua cama, chorou, chorou, e depois dormiu. A mãe, não voltaria mais, havia adquirido um mal incurável. Djanira Pio – SP NO CAIS De minhas lembranças Está ancorado um veleiro Chamado saudade... Marina de Fátima Dias – MT
  5. 5. LIMITE Nº 1 No quarto, silêncio... Nas curvas do escuro Procuro o medo, Saio de mim Para viver como palavras. O labirinto da memória Fica impresso, Eu fico exposto, O diálogo escorre Entre os lábios E os volumes da angústia Fica nas paredes. Luis Fernandes da Silva - PB A LUZ TÊNUE E cambaleante da vela Ilumina a cama onde um dia Ela evocou Apolo Que com sua lira De melodia delirante A fez principiante Da arte do amor. Cosme Custódio da Silva – BA POÉTICA Que fossem flores mortas A brotar nos meus versos Tristes e cansados E que fossem nos murais A expor meus coloridos ais Para que fossem lidos, relidos Pensados e repensados E ditos lindos, belos Pela voz dos homens... ...e que fossem antes de tudo Minhas palavras poéticas (Por que, meu Deus, fui nascer poeta?) soltas nas ruas, calçadas sofridas, sangradas feitas em sangue para que todos lessem. Rogério Salgado – MG VASTO CÉU DE SHIRLEY Coração e linda paisagem de mulher deusa, da beleza à luz de mil holofotes, extraem-se verdes e sutis versos líricos. Boca sensual de batom carmim. Maçã – vermelha tom maior, norte – sul do corpo, polens harmoniosos e divinos, beijos de anjo, faíscas de estrelas. EU – amante- poeta-menino, hospedo meu olhar luminoso em seu lindo CÉU florescente – feminino. Alberto Araújo – RJ ENGODO Eu ... que sempre fui feito Dessa fúria tonta, Com tamanho egoísmo, Tentando enganar a mim mesmo, fingi ser bom Em cuidar de seres vivos E encharquei as plantas, Encharquei as plantas... Até que morreram os lírios. André Luis Soares – ES HOMENAGEM À MULHER Mulher, a própria beleza, Para a harmonia conduz. O seu sorriso sincero Tranquilamente traduz Que a sua séria caminhada O caminho de amor reluz. Ruth Hellmann – MS NÃO É NADA O nada falou-me nada Mas o não me disse não. Num laconismo malvado O não voltou e disse nada E o nada então disse não. Wilton Martins Santos – BA RENASCIMENTO Nas horas doces da tarde, Resgato a paz do silêncio. Em cada minuto que arde Do ser mistério a ilusão Lacera a angústia covarde. Renasce a manhã serena Em meu dentro, sem alarde. Mardilê Friedrich Fabre – RS MAQUIAGEM Sinto-me Macabéa Como uma flor de plástico Entre a fuligem e o pó compacto Sombras me enfeitam os olhos Ali, logo abaixo À epiderme dos olhos Acinzentada Disfarsa-me Amor compacto O leve amor De ser enfeitada Por cores. Beth Jardim – DF RODA DE PAPOS Oficialmente Não tenho um ofício Oficial pra viver. Ouço nos papos de roda Falas de vozes grossas “Sou petroleiro, pedreiro, Pau-pra-toda-obra” O tempo inteiro, E não me acanho Por não entrar no coro. É que me especializei Nas artes de Cupido E não perco a pose Pra dizer à miragem Do meu desejo: - Quando serás o presente De aniversário do meu prazer? Antonio Cabral Filho – RJ

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