HAICAIS
Andorinhas chegam,
Em revoada na praça:
Chão fertilizado.
Manoel F. Menendez – SP
Há pouco chovia –
Agora apenas o...
Ando de pé por prazer,
De ônibus por vaidade,
Mas de pé consigo ver
A sujeira da cidade.
Gilson de Abreu Marinho – RJ
As l...
Mordo com prazer.
Enterrando os dentes
Em polpas e fibras
Amparando o sumo
Na ponta da língua.
Amar
É a consistência da se...
Só devolvo o beijo
Que te roubei dormindo,
Se vieres tomá-lo
Boca-a-boca...
DEUSES DE PAUPÉRIA
Era uma cidade
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Letras Taquarenses Ano VIII Nº 61 Nov/Dez 2014 * Antonio Cabral Filho - Rj

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Letras Taquarenses Ano VIII Nº 61 Nov/Dez 2014 * Antonio Cabral Filho - Rj

  1. 1. HAICAIS Andorinhas chegam, Em revoada na praça: Chão fertilizado. Manoel F. Menendez – SP Há pouco chovia – Agora apenas o vento É dono da rua. Humberto Del Maestro – ES Flores de café Se desprendem com o vento, Cobrindo o gramado. Renata Paccola – SP Dessas flores murchas, Se entorno a água do vaso, Virão novas flores. Neide Rocha Portugal – PR Sertão nordestino, Fogueiras, fogos, bebidas... Noite de São João. João Batista serra-Ce Pássaro azul, Na contenção do seu vôo, Sobra perspicácia. Na manhã de domingo, Passeio a colher flores: Só trouxe gardênia. Aí vem setembro: Crianças querem saber Quando é Cosme-e-Damião. Tapete de cores Para alguma santidade: Paineiras floridas. Sanhaço perscruta, Silente, meu mamoeiro: Tem mamão devês. Caminho do mar: A navalha no meu rosto, Corta que nem gelo. Trilha do mosteiro: O andarilho vai convicto, Buscar paz de espírito. Vai de galho em galho, Pára, olha, me vigia: Esquilo mineiro... Cai um temporal Sobre o calor de domingo: São águas de março. Chove em Parati: Mil peixinhos vêm à tona, Provar outras águas. Antonio Cabral Filho – RJ TROVAS Felicidade, um evento, Uma graça fugidia... Como lufada de vento, Passa por nós, algum dia! Fernando Vasconcelos – Pr Desse jeito, esperneando, Considero-te a criança, Que sempre tenta chorando Quando o que quer não alcança João Batista Serra – CE Dê-se ao jovem liberdade Para sem medo ele ousar. - É no ardor da mocidade Que o sonho aprende a voar. A. A. de Assis - PR Raia o dia, terno e lindo, Piam na mata, nambus, E o sol acorda sorrindo Dentro de um ninho de luz. Humberto Del Maestro – ES Se a tua cruz é pesada, E vives só de lamento, Hás de encontrar pela estrada Outros com mais sofrimento. Jessé Nascimento – RJ A lenda de Cantagalo, Encontro mui benfazejo: Do belo canto do galo Com o nome do lugarejo. Henny Kropf – RJ Não confies no destino, Pois na última viagem Não vale o desatino, Bondade vira passagem. Osael de Carvalho – RJ Brigar com gente de saia, Foi coisa que nunca fiz, É tudo rabo de arraia, Padre, mulher e juiz. Arlindo Nóbrega – SP Eu velejo mar adentro, Sem temer a tempestade, Indo em busca do meu centro A toda velocidade. Ivone Vebber – RS Nesta pedra está gravada Toda a minha emoção De saber que não sou nada Além de mera ilusão. Silvério da Costa – SC Urubu sobre o telhado E voando abertamente Ficou muito bem olhado Pelo suspiro da gente. Franc Assis Nascimento - Go Ao brincar com seu cabelo E puxar o seu vestido, Vento sede a um sexy apelo E revela ter crescido. Olivaldo Júnior – SP Ano VIII nº61 Nov/Dez 2014 Distribuição Gratuita Editor: Antonio Cabral Filho Rua São Marcelo, 50/202 Rio de Janeiro – RJ Cep 22.780-300 Email: letrastaquarenses@yahoo.com.br http://blogdopoetacabral.blogspot.com.br / http://letrastaquarenses.blogspot.com.br Filiado à FEBAC
  2. 2. Ando de pé por prazer, De ônibus por vaidade, Mas de pé consigo ver A sujeira da cidade. Gilson de Abreu Marinho – RJ As lágrimas, pra quê servem, Além de molhar a face? Pra demonstrar alegria Ou pra chorar de saudade. Cida Micossi – SP Desperto e ainda indolente, Tenho teu corpo abraçado, Pois sonhando no presente, Vivo este amor do passado. Fernando Câncio Araújo – CE Eis um fato que deplora Meu coração rico e nobre, Muito rico sempre explora O trabalho do mais pobre Renato Báez – MS Quando Mãe Eva, imprudente, Provou, também, da maçã, A serpente foi semente Das gerações do amanhã. Pedro Giusti – RJ Olhai, racistas papalvos, Das mães o exemplo de amor: Seios negros, seios alvos Dão leite da mesma cor. Jacy Pacheco – RJ Separou-se e...com mais pique Justifica encabulada: Marido que dá chilique, Não consegue dar mais nada. Maria Nascimento – RJ OS ESPELHOS Os espelhos que vivem em mim Encontram nos seus olhos O afeto, o silêncio E a sinceridade. Espelho Minha imagem pelo ar, Solto os impulsos Nos fios de ternura E me alimento dos desejos Que moram em sua pele. Luiz Fernandes da Silva - Pb Primavera Hibiscos vermelhos floridos Pinhados de beija-flores. Selmo Vasconcellos – RO PAUTA Solam guitarras Sutis enlevos Alcoóis Ventríloquos À meia voz flutuam Inevitável silêncio A sede e a fome sacio Imaginária paisagem Balem ovelhas ao longe Incompleto O meu nome balbucio Dias semanas não sei Quiprocós Tartamudo repasso Notas de uma canção Hélvio Lima – MG LONGA ESTRADA Todo poeta Tem a cabeça cheia De letras, Palavras, frases, Pensamentos loucos, Que tenta, com a mão, Colocar no papel, Na máquina de escrever, No teclado do PC. Porém, como é longa E acidentada a estrada Entre a cabeça e a mão do poeta! Araci Barreto – RJ OCULTO Visto ao longe Sou nebuloso Como alto da serra Em dia cinza, Coberto Meu verde-mistério Só pra quem vê de perto. Marlos Degani – RJ BLA-BLA-BLA Bla-bla-bla Bla-bla-bla Existe muita gente no senado Bla-bla-bla Bla-bla-bla Muita gente na Câmara dos deputados Bla-bla-bla Bla-bla-bla Muita gente com fome Sem casa Bla-bla-bla Bla-bla-bla De dois em dois anos eleições Bla-bla-bla Bla-bla-bla Bla-bla-bla Lírian Tabosa – RJ POEMAS DO TOUCHÉ Pássaros no ninho: Novas vidas que iluminam Os olhinhos do menino. GUERREIRA ILUMINADA Aquém do escuro silêncio Servido em redomas azuis; No sorriso da guerreira Brilha a lúcida trincheira Em versos de ira e luz. FRUTA Eu te amo como quando Saboreio as fruta madura, Na cumplicidade da degustação. Te amo como quando
  3. 3. Mordo com prazer. Enterrando os dentes Em polpas e fibras Amparando o sumo Na ponta da língua. Amar É a consistência da semente. Gênese. CHAMA A saudade é azul... Cinzentas São as tempestades. Que rabis na alma... Antonio Luiz Lopes Touché – SP AMANHECE Orvalho cai Gotas de mel De teus lábios De rosa Eu beija-flor Sugo-te o Doce Faço-te prosa Semíramis Reis – RJ SALDO ESCASSO Após devorar A sagrada esperança De Agostinho Neto, Com gosto de suor africano Explorado em solo brasileiro, Regada a muito café E mergulhado em insônia, Vou passear no quintal Ver se colho um poema Ou o sal da escassez. NOITE Depois de trabalhar O dia inteiro A noite fica exausta E se dependura Lá do céu sobre nós E dorme como os morcegos... É por isso que acordamos Chamuscados de escuridão. METAPOÉTICA De tanto Alavancar o poema Acabei pavimentando O verso E instalando a poesia Sempre no ponto final. COMPLEXO DE KAFKA Não fossem os calafrios Da pobre coitada mãe Que vivia em panos quentes Pra manter seu pai Em banho-maria Teríamos mais psicanalistas Tentando livrar as pessoas Dos estados parasitários E Kafka transformado em barata. LARGO DA BATALHA Já diz tudo O nome do local Que nos lembra Algo longe Transido de combates E ainda agora Nos seus arredores Chegam avisos da pólvora: Seguem escaramuças Por seu corpo escarpado, Todo respingado de rubro. PONTO CEM RÉIS Não sei quantos reis Passaram por este ponto E não sei ainda Se era sem réis Caso houvesse pedágio Transitar livremente. ENQUETE O vovô anarquista Perguntou para o netinho Se acreditava em Papai Noel: - Por quê, vai me dar presente? Inquiriu o garoto, todo serelepe, Enquanto o avô confabulava Com seus bigodes: - Que menino materialista! ANTI GULLAR Inútil a luta corporal Sem poemas concretos Sobre romances de cordel A sós dentro da noite veloz Pra cometer poema sujo E acender uma luz no chão Em plena vertigem do dia Causar crime na flora E sair por aí fazendo barulhos Com muitas vozes E argumentação contra A morte da arte Pleno de antologias... HORA DA RVOLUÇÃO É hora da revolução! É hora da revolução! Não! Não é nenhum Sinal dos tempos Nem devido à queda De algum ditador. É que eu vi Um homem no ônibus Lendo o Manifesto Comunista. CACETE BAIANO Depois de apanhar Até gato morto miar, Por dizer gracinhas Para a menina dos olhos Do paizão ciumento, Diz que ganhou O maior cacete baiano. APROPRIAÇÃO INDÉBITA Eu sei que o boca-a-boca É a melhor propaganda, Mas não adianta resmungos Nem choro pelos cantos.
  4. 4. Só devolvo o beijo Que te roubei dormindo, Se vieres tomá-lo Boca-a-boca... DEUSES DE PAUPÉRIA Era uma cidade Fundada por ATA E lá estava escrito: Artigo Único – Aqui todos somos felizes, Pela graça dos deuses. E todos tudo fazem Para o bem de todos. § Único – Revogam-se as disposições em contrário. POEMINHO IDEOLÓGICO Comunismo, Você, foi-se.... Eu martelo, Hasta la revolución ! Antonio Cabral Filho – RJ MAIS TROVAS DO CABRAL Não sinto nenhum perigo Numa sexta-feira treze; Minha jornada eu prossigo E meus amigos são treze. & Meu coração é um cofre Carregado de troféus; Ninguém sabe por que sofre, Mas seu amor anda ao léu. & Futebol, mulher e pinga Não discuto com ninguém, Pois lá na casa do Tinga Todo mundo é de ninguém. & Meu avô nunca foi rico Mas não invejava nobre; Diz que título de pobre É nunca pedir pinico. & Dia 26 de Julho É data muito bacana, Pois El Che é meu orgulho Da revolução cubana. & Amor tem três dimensões: É pai, mãe e professor; Mas pai, mãe, são ligações, Professor, só puro amor. & Te escrevi a zero três, Respondeste a zero sete; Não sou tipo que se mete Onde tem bola da vez... & Vai sem olhar para trás Quem acha que sempre acerta, Sem saber que a vida faz Estoque de porta aberta. & Acordei Morubixaba Bem disposto esta manhã E sem ligar pra piaba, Brinquei logo com a cunhã. & Esqueça das horas mortas, Que o futuro se anuncia, Pois tudo que mais importa É termos um novo dia. & Os poetas são pescadores, Que fazem do peito lavra, Tomam para si as dores Do pescador de palavra. 0020 Os poetas são pescadores Que fazem do peito mar, Tomam para si as dores De quem não sabe remar. & Pulsa lá nas profundezas A flecha do olhar sentido, Que suspirava tristezas Sem amor correspondido. & Parabéns programadores Pela data celebrada, Mas 12e 13 são dores Por tanta pule lavrada. & Nas profundezas do peito Guardei as mágoas sentidas, E cuidei sempre com jeito Até serem esquecidas. & Amizade com poesia São flores em nossas vidas; Desejo-lhes todo dia Mil primaveras floridas. & Minha terra tem palmeiras, Disse o poeta a cantá-las; Mas pra cantar as palmeiras Precisamos replantá-las. & Um raio de sol me guia Por onde o amor impera, Mostrando-me mais um dia Nos reinos da primavera.

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