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A influência da linguagem virtual em redações escolares de alunos do ensino fundamental

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RESUMO: Cada vez mais, a Internet e, com ela, os comunicadores instantâneos (p.ex., Messenger) estão presentes na vida de milhões de pessoas no mundo todo, e, assim, tornam-se fundamentais para a interação entre os membros de uma comunidade. Isso pode influenciar a comunicação escrita dos internautas, os quais agregam elementos da linguagem virtual a outros contextos, o que, porém, parece afetar o aprendizado da linguagem escrita de alguns alunos do ensino fundamental. A partir de observações realizadas em quarenta produções textuais de estudantes de uma oitava série da rede pública de Londrina, notamos que os seus textos apresentam tanto marcas de oralidade quanto elementos característicos da linguagem cibernética. Verificar essa influência da linguagem virtual em redações de alunos do ensino fundamental é o nosso objetivo. Para compreender melhor esse fenômeno, recorremos a teorias da Linguística Textual e da Análise da Conversão.

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A influência da linguagem virtual em redações escolares de alunos do ensino fundamental

  1. 1. XIX Seminário do CELLIP De 21 a 23 de outubro de 2009Pesquisa em Língua e Cultura na América Latina UNIOESTE – Cascavel, Paraná A influência da linguagem virtual em redações escolares de alunos do ensino fundamental Letícia Jovelina STORTO1 Prof. Dr. Paulo de Tarso GALEMBECK2RESUMO: Cada vez mais, a Internet e, com ela, os comunicadores instantâneos (p.ex., Messenger)estão presentes na vida de milhões de pessoas no mundo todo, e, assim, tornam-se fundamentaispara a interação entre os membros de uma comunidade. Isso pode influenciar a comunicação escritados internautas, os quais agregam elementos da linguagem virtual a outros contextos, o que, porém,parece afetar o aprendizado da linguagem escrita de alguns alunos do ensino fundamental. A partirde observações realizadas em quarenta produções textuais de estudantes de uma oitava série da redepública de Londrina, notamos que os seus textos apresentam tanto marcas de oralidade quantoelementos característicos da linguagem cibernética. Verificar essa influência da linguagem virtualem redações de alunos do ensino fundamental é o nosso objetivo. Para compreender melhor essefenômeno, recorremos a teorias da Linguística Textual e da Análise da Conversão.PALAVRAS-CHAVE: Produção Textual; Língua Escrita e Falada; Linguagem Virtual. ―Quanto à ordem dos discursos, o mundo eletrônico provoca uma tríplice ruptura: propõe uma nova técnica de difusão da escrita, incita uma nova relação com os textos, impõe-lhes uma nova forma de inscrição.‖ (Roger Chartier)Introdução A sociedade atual exige que sejamos, cada vez mais, céleres e que a nossa comunicação,além de eficaz, consiga realizar-se com pouco gasto de tempo e até de dinheiro. Disso deriva aimportância dada a algumas tecnologias, como o telefone, o correio eletrônico, o comunicadorinstantâneo3 (p.ex., o Messenger), entre outros, os quais permitem manter o acelerado processo decomunicação sem deixar a compreensão de lado. Esses instrumentos apresentam características próprias que diferem a sua linguagem daquelautilizada em outros meios. Neles, a velocidade de produção e recepção do texto reclama o uso deabreviações, aglutinações, ausência de pontuação e de acentuação, imagens etc. Isso, porém, podemafetar a linguagem verbal de alguns adolescentes, os quais transmitem esse ―modo de escrever‖ paraoutros contextos, de maneira que notamos algumas redações escolares com recursos linguísticos domundo digital. Assim, os objetivos desse artigo são verificar se a linguagem virtual influencia a escrita dealunos que utilizam comunicadores instantâneos para interagir socialmente e examinar queelementos dessa linguagem são observados em seus textos. Para tanto, utilizamos como objeto de análise quarenta produções de vinte estudantes, detreze e quinze anos, de uma oitava série de um colégio estadual situado em Londrina. Os textosdesses discentes foram separados em quatro conjuntos principais: a) daqueles alunos que nãoutilizam comunicadores instantâneos e têm a leitura como hábito (com dez redações); b) daqueles1 Letícia Jovelina Storto, Mestranda. Universidade Estadual de Londrina – UEL – le_storto@yahoo.com.br2 Paulo de Tarso Galembeck, Doutor. Universidade Estadual de Londrina – UEL – ptgal@uel.br3 Espécie de chat fechado, no qual os usuários conversam, em particular, com pessoas de seu círculo de relacionamentosocial. Segundo o Dicionário Aurélio (2004 - CD-ROM), chat é uma ―forma de comunicação através de rede decomputadores [...], similar a uma conversação, na qual se trocam, em tempo real, mensagens escritas; bate-papo on-line,bate-papo virtual, papo on-line, papo virtual‖. XIX CELLIP Anais ISSN 2175-2540
  2. 2. XIX Seminário do CELLIP De 21 a 23 de outubro de 2009Pesquisa em Língua e Cultura na América Latina UNIOESTE – Cascavel, Paranáalunos que não utilizam comunicadores instantâneos e não têm a leitura como hábito (com dezredações); c) daqueles alunos que utilizam comunicadores instantâneos e têm a leitura como hábito(com dez redações); d) daqueles alunos que utilizam comunicadores instantâneos e não têm a leituracomo hábito (com dez redações). Quanto aos textos, foram selecionadas duas dissertações de cada participante da pesquisa.As produções versavam a respeito de três temas centrais, violência na escola, „adultização‟ dainfância e preconceito racial, e foram produzidas no segundo semestre de 2008. A professora daturma nos informou que houve todo um preparo para a escrita dos textos, de modo que os alunosleram e examinaram algumas dissertações antes do momento de escrita.1. Relação entre Fala e Escrita Para se comunicar, por meio dos comunicadores instantâneos, é preciso dominar a línguafalada e a escrita, pois essa ferramenta possibilita uma ampliação dos horizontes conversacionais.Além disso, os interactantes4 já não precisam estar presentes em um mesmo espaço físico paradialogar sincronamente e para perceber a expressividade do texto dos interlocutores, porque oMessenger está de tal maneira instrumentalizado que podemos ver e ouvir, em tempo real, nossointerlocutor, mesmo que ele esteja no Japão e nós, no Brasil. Além de tudo isso, nos comunicadores instantâneos, os usuários buscam reproduzir umalinguagem mais natural e espontânea possível, para isso se utilizam dos diversos recursosdisponíveis: aproximação com a oralidade, uso de emoticons5 etc. Tudo isso é possibilitado pelasnovas tecnologias de comunicação e informação, nas quais o conhecimento da linguagem verbal(língua escrita e falada) e da não verbal são, sempre, imprescindíveis. A escrita foi considerada, durante muito tempo, a representação do bem falar, como a únicalinguagem aceitável, sendo a Literatura a sua mais altiva expressão. A escrita era, desse modo,considerada complexa, formal e abstrata, enquanto a fala, simples ou desestruturada, informal,concreta e dependente do contexto (FÁVERO; ANDRADE; AQUINO, 2007, p.09), o que gerava,para muitos, a noção de que a fala é ―inferior‖ à escrita. O que não é verdade. Esse prestígio da escrita durou muito tempo e ainda hoje encontramos quem defenda alíngua escrita como superior à falada. Porém, não há melhores ou piores nesse assunto, há diferentesformas de utilização e representação da língua que usamos. A fala possibilitou o surgimento daescrita, que, por sua vez, nos permitiu mergulhar pelo espaço cibernético, cuja existência, muitoprovavelmente, não seria possível sem a escrita. Esse mesmo espaço, contudo, recorre também eintensamente à fala, a qual tende a diminuir os efeitos da distância entre os interactantes. Assim, duas são as posturas elencadas ao se discutir essa relação: uma contrapõe fala eescrita – noção dicotômica; a outra as aproxima como modalidades da linguagem humana – comoum continuum, em que os textos podem ser classificados de acordo com o gênero mais ou menosfalado ou escrito. Contudo, para Marcuschi (2007), a língua falada e a escrita não são modalidades estanques,tão pouco uma se sobressai sobre a outra, pois ambas são formas por nós utilizadas para interagir4 Neste trabalho, o termo interactante é tomado como sinônimo de interlocutor. Os interlocutores são os participantesdo ato comunicativo, o falante e o ouvinte, ou seja, são as pessoas que paticipam do processo de interação que se dá pormeio da linguagem.5 Em inglês emotion (emoção) + icons (ícones). Os emoticons são, portanto, ícones ou símbolos formados por sinaisdiacríticos e de pontuação que representam emoções, mas não só isso, atualmente eles simulam também característicasfísicas, letras, palavras ou frases, sinais, atitudes e ações, dando mais expressividade ao texto virtual, no qual o tom devoz e os elementos cinésicos, característicos da interação face a face, não estão disponíveis sem esses outros recursos. XIX CELLIP Anais ISSN 2175-2540
  3. 3. XIX Seminário do CELLIP De 21 a 23 de outubro de 2009Pesquisa em Língua e Cultura na América Latina UNIOESTE – Cascavel, Paranános mais diversificados contextos de comunicação. O que carece saber é como e em que momentodevemos optar por determinada modalidade, a qual, como a linguagem mais ou menos formal, deveadequar-se às situações de comunicação em que estão inseridas. Oralidade e escrita são, portanto, práticas comunicativas (ou sociais) distintas, compeculiaridades próprias, mas não são estanques, pois não formam uma dicotomia, mas se agrupamnum mesmo sistema linguístico. Além disso, oralidade e escrita possibilitam a construção de textoscoerentes e coesos, formais e informais, com variações de diversos níveis (estilística, social,geográfica etc.) de acordo com as especificidades contextuais de cada texto (cf. MARCUSCHI,2007; FÁVERO, 2001). Para Hilgert (2000) e Marcuschi (2005), as modalidades falada e escrita da língua nãodevem mais ser percebidas como antagônicas ou como uma dicotomia, mas na perspectiva de queos variados gêneros discursivos se configuram como mais ou menos orais ou escritos de acordocom o seu contexto de produção e recepção. Só podemos pensar dicotomicamente fala e escrita nasua manifestação gráfica ou fônica. Desse modo, a fala e a escrita devem ser analisadas na perspectiva do uso, não mais dosistema, pois algumas práticas sociais são predominantemente mais orais que outras, as quais, porsua vez, são mais escritas. Enfim, muito tem sido pesquisado e questionado a respeito de fala e escrita, porém aindanão há uma postura unânime a respeito. Enquanto isso, existe apenas a certeza de que poucosabemos e de que muito precisa ser estudado.2. Comunicadores Instantâneos Atualmente, há pessoas para as quais a sua vida social ou profissional está centrada ou é, nomínimo, mediada pela Internet e pelas ferramentas nela disponíveis. Esse fato é notado empesquisas que apontam que em janeiro de 2007, em relação ao mesmo período de 2006, houve umaumento de 10% no número de pessoas que estiveram conectadas à rede (FRANCE-PRESSE,2007). Segundo a Agência Mundial de Informação, a Agence France-Presse, um ―estudo [...]calculou que 747 milhões de pessoas com mais de 15 anos usaram a internet no mundo em janeirode 2007‖. Isso nos leva a crer que a nossa sociedade é permeada por ações que se realizam nomundo virtual: compras, lazer, interação, pesquisas etc. Além disso, é notável o número crescente de usuários de programas para envio erecebimento de mensagens e aqueles destinados à interação e à socialização: Messenger(comunicador instantâneo), Orkut (comunidade de pessoas com interesses em comum, em que épossível conhecer ou encontrar pessoas), blogs (diário virtual), e-mails (correio eletrônico para trocade mensagens assincronamente), chats (salas de bate-papo – abertas ou fechadas), fotologs (diáriosem que há divulgação de fotos pessoais), entre outros. Para Marcuschi (2005, p.13), ―pode-se dizerque, na atual sociedade da informação, a Internet é uma espécie de protótipo de novas formas decomportamento comunicativo‖. Não podemos, portanto, negar a influência que esses instrumentostêm sobre a sociedade moderna e, consequentemente, do seu modo de utilização da linguagem, pois,em cerca de cinco décadas de existência, a Internet e seus recursos tornaram-se imprescindíveis emmuitos lares e em grande parte das empresas, nacionais e internacionais. Segundo Marcuschi (2005, p.13), o que nos chama a atenção e nos impressiona na novatecnologia é o ―fato de reunir num só meio várias formas de expressão, tais como texto, som eimagem, o que lhe dá maleabilidade para a incorporação simultânea de múltiplas semioses,interferindo na natureza dos recursos lingüísticos utilizados‖. O que, talvez, altere, de maneirasignificativa, a nossa maneira de enxergar a língua e os seus usos e de como lemos, escrevemos e―falamos‖. XIX CELLIP Anais ISSN 2175-2540
  4. 4. XIX Seminário do CELLIP De 21 a 23 de outubro de 2009Pesquisa em Língua e Cultura na América Latina UNIOESTE – Cascavel, Paraná Isso tudo revela a necessidade de realizarmos pesquisas, nos mais diversos campos dasciências, em busca de maior e, se possível, pleno conhecimento, porque ―a utilização freqüente docomputador e da Internet demanda pesquisas de cunho social e, dessa perspectiva, o papel dalinguagem torna-se central‖ (KOMESU, 2005, p.110). Os programas de mensagens instantâneas têm-se difundido entre os internautas com grandevelocidade, pois apresentam como características a flexibilidade da escrita, a rapidez, o dinamismoe a interconexão em tempo real - peculiaridades consideradas essenciais para o mundo globalizado.Dentre os mais conhecidos, está o Windows Live Messenger - ou, simplesmente, Messenger (MSN),da empresa americana Microsoft -, que facilita a comunicação entre falantes das mais diversaspartes do mundo. Nele, o mais importante, para o usuário, é que sua mensagem seja transmitidarápida e coerentemente. Para isso, ele abrevia ou muda a grafia das palavras, além de utilizarimagens e recorrer à oralidade, de modo que a prática escrita da língua torna-se mais flexível einformal tanto mais perto estiver da modalidade falada. Nas conversas via comunicador instantâneo, os interactantes não se encontram face a face, oque poderia limitar a expressividade e a interação entre os participantes, porém muitas ferramentasestão sendo empregadas para minorar esse fator. Entre elas está, como já referido anteriormente, aproximidade com a língua falada e os seus recursos, a utilização de emoticons, de vídeo ouaudioconferências, o envio de sons, imagens e arquivos, entre outros. Segundo Modesto (2007, p.03), ―os comunicadores instantâneos são aplicações (programas)que permitem o envio e recebimento de mensagens de texto em tempo real‖. Conforme salientaModesto (2007, p.03): O primeiro programa deste tipo largamente utilizado em escala global foi o ICQ, que inovou e revolucionou o conceito de mensagens online. O MSN Messenger (atualmente numa versão chamada Windows Live Messenger) é um desses comunicadores. Podemos dizer que é um dos preferidos pelos brasileiros, pois, é um dos programas mais baixados em sites populares de downloads no Brasil, como o www.baixaki.com.br. Ainda de acordo com o autor supracitado, podemos compreender as trocas interacionais viacomunicadores instantâneos como conversações pelas razões que seguem: a) ocorrem em temporeal (as conversas são, temporalmente, sincrônas) do mesmo modo que os telefonemas; b) há aparticipação de ao menos dois participantes. Atualmente, os programas de mensagens instantâneaspossibilitam a comunicação entre dois ou mais usuários, porém a maioria das conversas dá-se entreduas pessoas; c) há a alternância de turnos, os quais, nesse meio, caracterizam-se por serem curtos eobjetivos. Segundo Hilgert (2000), as trocas de turno realizam-se a partir do envio da mensagempelo ―falante‖ e o intervalo entre turno é marcado pelo momento em que a mensagem enviada pelo―falante‖ aparece na tela do ―ouvinte‖ em relação ao tempo do último envio. Hilgert (2000)argumenta também que as trocas de turnos, nas conversas virtuais, mostram-se mais frequentes doque na interação face a face; d) ―o envolvimento se dá numa interação centrada‖ (MODESTO,2007, p.02). Embora a rede ofereça muitas opções de atividades (ler e enviar e-mails, fazerpesquisas, ouvir músicas, jogar, conversar com outras pessoas etc.), que podem ser realizadassimultaneamente à conversação virtual, muitas vezes os participantes estão centrados na interação.Isso se deve ao fato de que ―geralmente os interlocutores estão voltados para a interação,interagindo regularmente durante as trocas‖ (MODESTO, 2007, p.02). Acrescentamos a essa lista outros elementos: a) o fato de os interlocutores, mesmo seapresentando com nicknames, não serem anônimos nem desconhecidos, como é o caso dos chats.No Messenger, que é mais pessoal, usam-se tanto nomes reais quanto expressões que revelem overdadeiro estado de ânimo em que se encontram os usuários desse programa; b) por ser uma escritarápida, prevalece a informalidade; c) formam-se pequenas comunidades, nas quais o mesmo código XIX CELLIP Anais ISSN 2175-2540
  5. 5. XIX Seminário do CELLIP De 21 a 23 de outubro de 2009Pesquisa em Língua e Cultura na América Latina UNIOESTE – Cascavel, Paranáprevalece; d) para uma maior velocidade da escrita, abreviações, aglutinações e substituições sãobastante recorrentes; e) a rapidez de digitação é requisito importante para a comunicação síncrona:isso favorece estruturas coloquiais e erros gramaticais; f) no ato comunicativo face a face, usamosgestos, expressões faciais e entonação de voz. Nos comunicadores instantâneos, para preencher essalacuna da linguagem não verbal, esses recursos são substituídos por emoticons, símbolos,interjeições e onomatopeias (linguagem holofrástica); g) letras maiúsculas simulam gritos, eco(―FabianAAAAAAAAAA‖; ―ME POUPE!‖); h) há uma frequente sonorização dos elementos(―naum‖, ―paum‖, ―entaum‖); i) a escrita de números por extenso é, praticamente, nula; j) poucouso vocabular, o que gera a repetição das palavras (algo também característico da língua falada); k)ausência de maiúscula em início de frases e de nomes próprios (―adriana‖, ―fabiano‖); l) línguas decontato: há a mescla de duas linguagens em consistência, estrangeirismo (―okey‖ (ok); ―ólraite‖; ―sesairá very good‖). Caiado (2007, p.40) vislumbrou outras características bem particulares do Internetês(denominação atual para a linguagem virtual), em especial a dos blogueiros6: Sons das letras iniciais das palavras associados a símbolos matemáticos: D+ [demais]; Escrita consonântica: bjs [beijos], tb [também], td [tudo], mt [muito]; Expressões reduzidas a três letras: fds [fim de semana]; A letra K substituindo o dígrafo QU: akeli, aki, eskeceraum, daki; Subtração de vogais mediais: qm [quem], qnd [quando], tbm [também]. Além disso, nos ciberespaços, a acentuação e a pontuação cedem lugar a outros elementos,tais como repetição de grafemas, o uso de caixa alta, de abreviações, sonorizações, entre outros. Apontuação deixa de ter o uso normatizado da gramática, para possuir, principalmente, funçãoenfática. Todas essas peculiaridades reiteram que se trata de uma escrita eletrônica (ou híbrida)mais dinâmica, informal e expressiva. Isso tudo faz do texto eletrônico ―um texto móvel, maleável,aberto‖ (CHARTIER, 2002, p.25).3. Linguagem Eletrônica: do Texto ao Hipertexto Atualmente, está sendo criado um novo mundo, o dos Ciberespaços, no qual a Internet eseus recursos são propulsores de uma nova forma de comunicação que está em evidência: acomunicação virtual em tempo real. Isso muda a maneira de ler e escrever, pois a leitura já não évista mais como exclusiva do livro impresso, mas se estende à tela do computador. Assim, comoafirma Lévy (1996), a leitura atualiza-se, virtualiza-se. No momento em que o leitor lê, escuta, olha,ele constrói, modifica o texto, ―modernizando-o‖. Ler é ―desdobrar o sentido‖ do texto, pois ―o espaço do sentido não preexiste à leitura. É aopercorrê-lo, ao cartografá-lo que o fabricamos, que o atualizamos‖. (LÉVY, 1996, p.36). Alémdisso, enquanto lemos, ―relacionamos (...) o texto a outros textos, a outros discursos, a imagens, aafetos, a toda a imensa reserva flutuante de desejos e signos que nos constitui‖ (LÉVY, 1996, p.36).A leitura é, portanto, ressignificar o texto, é a sua atualização. Sob esta perspectiva, o texto é visto como algo não finalizado, algo que está sempre por seconstruir, um processo, não mais um produto. Lévy (1996, p.36) argumenta que o texto é uma―construção sempre a refazer, inacabada‖. Cabe, então, ao leitor, completá-lo, valendo-se, para isso,6 Blogueiro é aquele que escreve, lê ou comenta blogs. XIX CELLIP Anais ISSN 2175-2540
  6. 6. XIX Seminário do CELLIP De 21 a 23 de outubro de 2009Pesquisa em Língua e Cultura na América Latina UNIOESTE – Cascavel, Paranáde sua subjetividade, sua experiência, sua concepção de mundo e de suas leituras anteriores. O leitorpassa a ser parte ativa nesse fazer textual, e ler torna-se uma forma de reescrever o texto. Assim,também, afirmou Clarice Lispector: ―O personagem leitor é um personagem curioso, estranho. Aomesmo tempo que inteiramente individual e com reações próprias, é tão terrivelmente ligado aoescritor que na verdade ele, o leitor, é o escritor‖ (1999, p.78-79). Barthes (2004, p.69-70) questiona o texto por meio de algumas proposições, nas quais eleafirma que o texto ―só existe tomado num discurso‖, que ele não deve ser simplificado através degêneros, pois é ―radicalmente simbólico, um sistema sem fim nem centro‖. O autor declara, ainda,que o texto é plural, na acepção que realiza o próprio plural do sentido. O pesquisador supracitado apresenta, desse modo, o texto como um conjunto designificantes, não como uma estrutura de significados. Conjunto que não tem início determinado,sem hierarquias e com uma abertura para produção de sentido indeterminada por se basear numalinguagem infinita. Os sistemas de sentido podem apoderar-se desse texto inteiramente plural, maso seu número nunca é fechado, tendo, por medida, o íntimo da linguagem. Como afirma Kristeva (2005, p.10), não há ―um conjunto conceitual (...) o qual acederia àparticularidade do texto, destacaria suas linhas de força de mutação, seu devir histórico e seuimpacto sobre o conjunto das práticas significantes‖. Para Silva (2003, p.211), a resposta para questões como ―o que é o texto?‖ e ―onde o textocomeça e termina?‖ é a de que: Há uma forte tendência a conceber o texto não mais como sendo restrito a um, por assim dizer, sistema semiótico particular, mas como algo comum a todo e qualquer sistema, bem como às diversas práticas que promovem o entrecruzamento entre diferentes sistemas. Por esse viés, uma poesia, um filme, um quarteto de cordas, uma partida de futebol: tudo é texto. Nos hipertextos (ou, simplesmente, textos eletrônicos dos ciberespaços), ler é sinônimo denavegar; a leitura passa, consoante Lévy (1996), a ser não linear. Ao ler, tem-se a possibilidade deacessar, ao longo do texto, palavras com a função de hiperlinks que dão acesso a outros textossituados no mesmo sítio ou em outra página, podendo o leitor, então, escolher entre as váriaspossibilidades de leitura (CRUZ, 2005). O leitor interage com o hipertexto de modo a saltar de umnó ao outro de acordo com sua vontade. Segundo Chartier (2002, p.23), a leitura eletrônica (ouvirtual) é descontínua e busca, ―a partir de palavras-chave ou rubricas temáticas, o fragmentotextual do qual quer apoderar-se‖. Daí ser essa leitura fragmentária. No mundo eletrônico, as obras,os textos deixam de ser percebidos na sua unidade, na sua totalidade, e passam a ser notados comopartes de um todo muito maior: o ciberespaço. Marcuschi (1999, p.01) caracteriza o hipertextocomo ―um processo de escritura/ leitura eletrônica multilinearizado, multiseqüencial eindeterminado, realizado em um novo espaço‖. Por fornecer uma multiplicidade de leituras ecorrelação entre outro(s) (hiper)texto(s), para que se possa fazer uma leitura proveitosa de umhipertexto, é preciso, então, que haja ―um grau maior de conhecimentos prévios e maior consciênciaquanto ao buscado‖ (1999, p.02). O hipertexto digital, diferentemente do hipertexto concebido dentro de uma concepçãoclássica, ―permite novos tipos de leituras (e de escritas) coletivas‖ (LÉVY, 1996, p.44). Dessemodo, ―o hipertexto digital seria, portanto, definido como uma coleção de informações multimodaisdisposta em rede para a navegação rápida e intuitiva‖ (LÉVY, 1996, p.44). De fato, as novasproduções (hiper)textuais, consubstanciadas pelas novas tecnologias, nos permitem reavaliar e até(re)construir nossas práticas sociais, podendo fazer com que elas ―mudem e alterem de forma tal aconstituírem um novo evento‖ (MARCUSCHI, 1999, p.03). Para Lévy (1993, p.33), o hipertexto é ―um conjunto de nós ligados por conexões. Os nóspodem ser palavras, imagens, gráficos ou parte de gráficos, seqüências sonoras, documentos XIX CELLIP Anais ISSN 2175-2540
  7. 7. XIX Seminário do CELLIP De 21 a 23 de outubro de 2009Pesquisa em Língua e Cultura na América Latina UNIOESTE – Cascavel, Paranácomplexos que podem eles mesmos ser hipertextos‖, que não são ligados linearmente, mas ―estendesuas conexões em estrela, de modo reticular‖ (1993, p.33). Navegar em um hipertexto é percorrerum caminho que pode ser complicado, pois cada nó pode conter uma rede inteira. Landow (1995), por sua vez, definiu o hipertexto como sendo uma narrativa que elimina assequências fixadas de começo, meio e fim definidos. Trata-se de uma narrativa hipertextual em queo autor oferece múltiplas possibilidades, por meio das quais os próprios leitores constroemsucessões temporais e escolhem personagens, realizando saltos com base em informaçõesreferenciais. A grande novidade do hipertexto, segundo Lévy (1993), está no próprio suporte e navelocidade com que os nós são acessados nos ciberespaços e que os hipertextos são, sempre, textos,sejam eles verbais ou não, pois a imagem possibilita a presentificação da mensagem, saindo dacondição ilustrativa para outra, a de um signo autônomo. Theodore Nelson teria inventado o termo hipertexto ―para exprimir a idéia da escrita/leituranão linear em um sistema de informática‖ (apud LÉVY, 1993, p.29). Porque, para Nelson (apudLÉVY, 1993), o hipertexto possibilita novas formas de ler e escrever, um estilo não linear eassociativo, em que noções como ―texto primeiro/segundo‖ e ―original/referência‖ caem por terra.Portanto, uma das características da produção hipertextual é, precisamente, a sua natureza nãolinear, não sequencial, sem início nem fim, muitas vezes, comparada aos processos associativos dopensamento — conceitos muitos próximos dos dados por Barthes para designar o que é o texto. O hipertexto é, assim, um texto construído por meio de uma linguagem digital e veiculadoentre computadores, em geral, via Internet. Em outras palavras, o hipertexto é uma forma deprodução textual viabilizada pelos avanços da microinformática. De acordo com Koch (2007), suascaracterísticas são: a) a não linearidade ou não sequencialidade. A leitura do hipertexto não se fazlinearmente, com começo, meio e fim previamente determinados, mas reticularmente – de acordocom as opções de links elencadas dentro do hipertexto. Essa é considerada a sua característicacentral; b) volatilidade; c) especialidade topográfica, ―por tratar-se de um espaço não-hierarquizadode escritura/leitura, de limites indefinidos‖ (KOCH, 2007, p.25); d) fragmentaridade; e)multissemiose; f) descentração ou multicentramento; g) interatividade; h) intertextualidade, pois ―ohipertexto é um ‗texto múltiplo‘, que funde e sobrepõe inúmeros textos que se tornamsimultaneamente acessíveis a um simples toque de mouse‖ (KOCH, 2007, p.25); i) conectividade; ej) virtualidade. Todas essas características reunidas fazem do hipertexto um novo modo de pensar ede realizar a leitura e a escrita, mas, desta vez, no mundo virtual, no ciberespaço. Essas peculiaridades possibilitam uma leitura comparada, na qual o usuário interligainformações intuitivamente, associativamente. O leitor assume um papel ativo, sendo, ao mesmo,tempo coautor do texto – isso não se verifica apenas nas leituras de hipertextos, pois o leitor ésempre coautor daquilo que lê, é seu papel ser ativo. Ele escolhe o início e o fim do processo (daatividade) de ler, elege links entre os vários disponíveis, decide o percurso a seguir. O hipertexto gera associações com outros textos, pois o leitor evoca, em sua mente, suasdiversas leituras, de modo a agir de forma intertextual, reconhecendo, no hipertexto, outras obras,conectando-os, de maneira a não fechar o texto, mantendo-o aberto para uma possível expansão. Eletambém possibilita a presentificação da mensagem, pois não há limites de espaço físico e demargens. Além disso, o leitor passa a visualizar outros textos, não mais a verificar notas de rodapé.O texto está ali, à distância de um click, tudo o que precisamos fazer é escolher onde queremos ir eo que desejamos encontrar.4. Linguagem Digital e Redações Escolares: relação possível? Após verificarmos a relação entre fala e escrita e a linguagem empregada em comunicadoresinstantâneos, é momento de examinar as redações escolares para compreender se a linguagemdigital tem influenciado a escrita dos nossos alunos. XIX CELLIP Anais ISSN 2175-2540
  8. 8. XIX Seminário do CELLIP De 21 a 23 de outubro de 2009Pesquisa em Língua e Cultura na América Latina UNIOESTE – Cascavel, Paraná Após uma leitura prévia, foi possível observar que, nas produções dos estudantes queutilizavam comunicadores instantâneos, como o Messenger, havia vestígios da escrita digital.Nesses textos, além de ―problemas‖ comuns, como má pontuação e acentuação, falta deconcordância verbo-nominal, inadequações ortográficas, incoerências e outros, alguns elementos dochamado Internetês se apresentavam. Assim, eram comuns as abreviações, as aglutinações, aausência de letra maiúscula iniciando período ou nomes próprios, sonorização das palavras,estrangeirismo, escrita consonântica e repetição de letras.a) “...eu já sofri preconceito. Uma vez eu fui pra escola e nossaaaa um cara me chamou de negra,eu fiquei mtooo triste pq ele só viu a cor da minha pele, ele nem quiz me conhecer ele já foi mexingando..... poxa ele foi preconceituozo e eu naum merecia akilo” (aluna AM do grupo D) Nesse excerto, a aluna pertencente ao grupo D recorreu sucessivamente a elementos dalinguagem virtual para escrever o seu texto, em que podemos observar repetições de letras(nossaaaa, mtooo), abreviações (mtooo, pq, pra), sonorizações de palavras (naum), substituição dodígrafo ―qu‖ por ―k‖ (akilo) etc. Além disso, essa redação apresenta marcas de oralidade, como ouso de ―poxa‖, considerado um marcador conversacional, e problemas com a ortografia da línguaportuguesa, decorrentes talvez do pouco conhecimento linguístico da aluna e também de poucaleitura, já que a professora nos afirmar que essa estudante não tem a leitura como hábito. Em outraredação de aluno do mesmo grupo, esses elementos também são notados.b) “O preconceito é qnd a pessoa vê outra e já tira suas conclusão, isso é um „pré‟ „conceito‟, umconceito rápido. Na minha escola uma vez uma menina chorou pq os menino estavam tirando sarrodela pq ela era diferente deles.” (aluno TC do grupo D) Esse aluno utilizou menos elementos da linguagem digital, recorrendo principalmente àescrita consonântica: qnd, pq. Isso tudo denota o quanto a linguagem do mundo virtual tem sidoaceita pelos estudantes, os quais não a veem como ―errada‖, mas como uma forma prática e rápidade escrever. Contudo, eles se esquecem de que a linguagem deve ser coerente com o contexto.Assim, é preciso, em redações escolares, evitar esse tipo de construção.c) “Para mim, a violência é muito ruim, porque as pessoas sofrem muito com ela. O preconceitoracial é também forma de violência, mais é menos comum que a violência verbal e a violênciafísica.” (aluna PF GO grupo C) Esse texto, escrito por uma aluna do grupo C, mostra que, embora os adolescentes utilizemprogramas de mensagens instantâneas para se comunicar, nem sempre ou pouco a linguagem dessesmeios é transmitida para outros contextos. Ademais, não se pode esquecer que os alunos sem grande contato com o ciberespaçoescreveram, em alguns casos, de forma distinta daquele exigida pela norma padronizada, nem porisso são influenciados pela linguagem utilizada nas comunicações virtuais. Porém seus ―erros‖ sãobem mais comuns, ocorrendo em várias redações.d) “A violencia na escola não deve ser assunto só dos professores e diretores mas de todos alunos,por que nós também sofremos com a violencia. É preciso que todos nós se unam para que aviolencia diminua e que nós possamos ir para a escola sem medo, por que a escola é de todos nós.”(aluno SM do grupo B) XIX CELLIP Anais ISSN 2175-2540
  9. 9. XIX Seminário do CELLIP De 21 a 23 de outubro de 2009Pesquisa em Língua e Cultura na América Latina UNIOESTE – Cascavel, Paranáe) “As crianças hoje não são mais tão dependentes e obedientes aos seus pais, muitos tem oubuscam liberdade de escola em roupas, comidas e não buscam mais a essência, a matéria, mas simo status, deixando de lado a mágia e a inocência dessa fase, buscando viver como adultos, fato quevárias delas aos 10 anos gostão de serem chamados e trados por pré-adolescentes.” (aluno SJ dogrupo B) Há, em (d), dois desvios da norma preconizada em gramáticas: a falta de acentuação napalavra ―violência‖ e o uso de ―por que‖ como conjunção coordenativa explicativa. Já, em (e), osdesvios são de outra ordem, são de ortografia e de concordância: ―muitos tem‖, ―gostão‖, ―mágia‖.Além disso, nesse texto, o aluno optou por não escrever o numeral dez por extenso: ―10 anos‖. Essaque poderia ser considerada uma característica da escrita de alunos que utilizam os recursos daInternet está presente na produção de um estudando que não costuma navegar na rede mundial decomputadores. O grupo de redação que menos apresentou todos esses elementos, sejam eles da linguagemdigital ou da língua falada, foi o grupo ―A‖, em que estão os textos daqueles alunos que nãoutilizam comunicadores instantâneos e leem com frequência.f) “... vídeo-game, internet e celular estão tornando os pequenos cidadãos alienados e violentos,diminuindo, assim, a infância.” (aluno RM do grupo A)g) “Antigamente, quando pensávamos em adolescentes, imaginávamos uma criança que aindacontinuava brincando de pega-pega, esconde-esconde, pula corda, carrinho de rolemã,acompanhava seus pais em festas, compras. Hoje a realidade é outra, pois esses menores já temsuas idéias, vontade e opiniões. Alguns já são pais, trabalham, fumam, bebem ou, muitas vezes,caíram na marginalidade.” (aluno LF do grupo A) Nesses dois excertos, notamos maior adequação às normas gramaticais, porém desvios aindaexistem, como ―rolemã‖, ―esses menores já tem‖. Diante disso tudo, optamos por contar as palavras de todas as quarenta redações e verificar aporcentagem da língua falada, de desvios gramáticas e de alguns elementos da linguagem digitalnos textos. Chegamos aos seguintes números: as quarenta produções apresentaram um total de7.608 palavras, uma média de 194,64 palavras por redação. Do total de palavras, em média:Redações Repetição Iniciais em Escrita Desvios Marcas de Sonorização Abreviação do: de letras minúsculas Consonântica Gramaticais OralidadeGRUPO A1.964 palavras 0,2% 0,9% 0,1% 0,3% 0,1% 3,1% 3,5%GRUPO B1.593 palavras 0,5% 0,9% 0,1% 0,4% 0,2% 7,4% 4,2%GRUPO C2.178 palavras 1,6% 1,9% 0,8% 1,2% 1,8% 3,9% 7,7%GRUPO D1.873 palavras 2,0% 2,1% 1,1% 1,4% 2,5% 8,2% 9,1% Tabela 01: Dados observados. XIX CELLIP Anais ISSN 2175-2540
  10. 10. XIX Seminário do CELLIP De 21 a 23 de outubro de 2009Pesquisa em Língua e Cultura na América Latina UNIOESTE – Cascavel, Paraná 100 90 80 70 60 GRUPO A 50 GRUPO B 40 GRUPO C 30 20 GRUPO D 10 0 SONOR. ABREV. REP. ESC. DESVIOS ORALID. LET. CONS. GRAM. Gráfico 01: Dados observados. A partir desses dados, é possível concluir que a linguagem digital influencia, ainda nãomuito, a escrita dos adolescentes. Contudo, a leitura é o fator que mais ―afeta‖ as produções dosalunos, pois aqueles que leem, mesmo que utilizem comunicadores instantâneos para interagir,recorrem a menos elementos da linguagem digital e apresentam menos marcas de oralidade em seustextos dissertativos.Considerações finais A linguagem dos meios virtuais parece, sim, influenciar a escrita dos alunos, os quais, emsuas redações, mostraram estar sintonizados com essa ―nova‖ forma de escrever proporcionada pelaInternet. Fica evidente que alguns discentes, ao produzir textos, não se atêm às normas de escrita tãotradicionalmente cultuadas, mas aderiram a um grupo de ―escritores‖ que utilizam uma linguagemmais fluída, rápida e simples, porém com tanto significado e expressividade quanto obteriam emsuas conversas face a face. Cabe ressaltar que os alunos compreendem o que escrevem, entendendode forma distinta a linguagem, porque, para eles, ela é mais livre e menos difícil, o que muito lhesagrada. Ainda assim, é preciso conscientizar os nossos alunos de que a escrita escolar insere-se emcontexto distinto daquele da escrita digital e, por isso mesmo, a maneira de escrever deve ser outra,pois tem de adequar-se às condições de produção do texto, a fim de que ele seja coerente. É preciso salientar, por tudo que foi visto, a importância da leitura na escola, pois ela tempapel fundamental na formação de bons escritores. Aqueles alunos que costumavam lerapresentaram menos desvios da norma gramatical, menos marcas da oralidade e menos elementosda linguagem cibernética, evidenciando a carga positiva que o ato de ler tem sobre os estudantes esobre outras práticas discursivas. Assim, o item que mais influenciou os resultados deste estudo foi,talvez, o hábito de leitura e não o uso de comunicadores instantâneos. Contudo, ainda é cedo para afirmarmos se a influência da linguagem digital poderá afetarnegativamente a escrita dos adolescentes, pois muitos deles têm consciência da situação em queescrevem, adaptando seus textos a ela, outros, porém, ainda confundem os contextos, mas não tãofortemente quanto esperávamos. Resta-nos efetuar mais pesquisas e leituras para compreendermelhor essa nova realidade linguística que se apresenta. XIX CELLIP Anais ISSN 2175-2540
  11. 11. XIX Seminário do CELLIP De 21 a 23 de outubro de 2009Pesquisa em Língua e Cultura na América Latina UNIOESTE – Cascavel, ParanáReferênciasBARTHES, Roland. O rumor da língua. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.CAIADO, Roberta Varginha Ramos. A ortografia no gênero weblog: entre a escrita digital e a escrita escolar.In: ARAÚJO, Júlio César (Org.). Internet & ensino: novos gêneros, outros desafios. Rio de Janeiro:Lucerna, 2007, 35-47.CHARTIER, Roger. Os desafios da escrita. Tradução de Fulvia M. L. Moretto. São Paulo: UNESP, 2002.CHAT. In: Dicionário Aurélio. 2004. São Paulo: Positivo, 2004. CD-ROM.CRUZ, Mirian Cristina Peres da. A enunciação no meio digital: notas sobre o hipertexto. 2005. Dissertação(Mestrado em estudos da linguagem) – Universidade Estadual de Londrina, 2005.FÁVERO, Leonor Lopes; ANDRADE, Maria Lúcia da Cunha Victório de Oliveira; AQUINO, Zilda GasparOliveira de. Oralidade e escrita: perspectivas para o ensino de língua materna. 6.ed. São Paulo: Cortez,2007.______. Coesão e Coerência textuais. 9.ed. São Paulo: Ática, 2001.FRANCE-PRESSE. Número de usuários de internet aumenta 10% em um ano. 2007. In: Folha Online,disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u21763.shtml>. Acesso: 09/02/2009às 16h25.HILGERT, José Gaston. A construção do texto ―falado‖ por escrito: a conversação na internet. In: PRETI,Dino (Org.). Fala e escrita em questão. São Paulo: Humanitas, 2000, p.17-55.KERBRAT-ORECCHIONI, Catherine. Análise da conversação: princípios e métodos. São Paulo: ParábolaEditorial, 2006.KOCH, Ingedore G. Villaça. Hipertexto e construção do sentido. Alfa, São Paulo, 51 (1), p.23-38, 2007.KOMESU, Fabiana Cristina. Blogs e as práticas de escrita sobre si na Internet. In: MARCUSCHI, LuizAntônio; XAVIER, Antônio Carlos (Orgs.). Hipertexto e gêneros digitais: novas formas de construção desentido. 2.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005, p.111-119.LANDOW, George P. Hipertexto. Buenos Aires: Paidós, 1995.LÉVY, Pierre. O que é virtual? São Paulo: Editora 34, 1996._____. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro:Editora 34, 1993.LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.MARCUSCHI, Luiz Antônio. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. 8.ed. São Paulo: Cortez,2007.______; Gêneros textuais emergentes no contexto da tecnologia digital. In: XAVIER, Antônio Carlos(Orgs.). Hipertexto e gêneros digitais: novas formas de construção de sentido. 2.ed. Rio de Janeiro:Lucerna, 2005, p.13-67._____. Linearização, cognição e referência: o desafio do hipertexto. Línguas, instrumentos lingüísticos, 3. XIX CELLIP Anais ISSN 2175-2540
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