A Nova Literatura Potiguar

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A Nova Literatura Potiguar

  1. 1. l lillllllIl/ lllll . I -ÍIIll/ !lllf ur ! m tua/ nbr; u¡ ¡I/ ::us b. g¡ 3.1 Í- Presença da Vanguarda O novo, a ousadia de experimentar, antecipar- se ao que vai acontecer é uma interessante característica da Cultura Norte-rio-grandense (voto feminino, incremento da aviação civil, antecipação da abolição, em Mossoró). E mesmo que tenhamos assinalado no início desses nossos comentários sobre a Literatura Potiguar a existência do anacronismo (o romantismo condoreiro de Segundo Wanderley, por exemplo), é inegável que o fascínio pelo novo se projeta também em nossa produção literária. O modernista _Jorge Eependg é o precursor desse interesse pela vanguarda, não apenas por sua adesão ao movimento liderado pelos intelectuais paulistas, emnoomopelaousadiavisualnacriaçãodemnpoema, aquele seu REDE. .. que todos já conhecem. Vanguarda 0 temia deriva da linguagem Militar: avant- garde em francês, servindo para designar pelotões que iam à _frente das demais tropas, numa guena. Os movimentos artísticas, a partir do Manifesto F uturista de Marineüi, publicado na França em . Ã/ : c: ' -c 1909, passaramial aid-Ê; para signar um tipo de produção revolucionária, capaz de introduzir novos gostos estéticos. 0 movimento Modemista, de 1922, é um típico movimento de vanguarda Mas a afirmação mais veemente dessa “vocação" vanguardística no campo poético viria a ocorrer mesmo em meados dos anos 60 - mais precisamente em 1966. Nesse ano, um grupo de jovens poetas decide-se a comemorar em Natal os dez anos de lançamento da Poesia Concreta, movimento ocorrido em São Paulo, no qual se destacaram, entre outros, os irmãos _Augusto e Harpldp de Çampgselãécio liigaatan- À yillífillll/ lll! i O que pretendiam ggeopçretistag? C f: :- 5; ; e uma altemativa à criação literária conven c: : : _ ; ;A entendiam que a literatura estava muito palavra; ; ~- a excessiva valorização do verso bem feito s. : * isto, decidiram Añnal, vivia-se ÍDÍBILQLÍE' . - uma era marcada pela instantaneidade das mem '- _r s* (cinematográficas, televisivas, mesmo radiofôm' ; a a aliteratura, segundo sua ótica, nãoparecia acompazf; este ritmo. Queriam, por isso, eliminar a chan: : L. discursividade, ou seja: optavam pela síntese e p-; Ç _ força visual de um mínimo de palavras na campos-I ; í : do poema: çqneretude, que deveria ser utilizada e: vez dos longos poemas dominados pela inspiração. Num primeiro momento a atuação dos jove: poetas natalenses esteve restrita à comemoração cc exposição dos principais trabalhos dos paulistas. Porém logo começaram a surgir poemas potiguares de forte expressividade, tomando conhecidos nacionalmente nomes como feixes, lgnilgr mig, e os críticos Anchieta Fernandes e Meg Cisne, este (que depois se tomaria uma das maiores autoridades em Literatura de Quadrinhos do país) tornando-se indiscutivelmente o líder domovimento. ano dia ano cotidiano ano dia ano Dailor Varela (1967) PEDRO ou PEDRA? TEIXEIRA ou PEIXEIRA? PAZ ou IRA? DIRÁ CAIM: IRÁ SEMTERRA P R A T E R R A Anchieta Fernandes Q “w
  2. 2. Iülzl/ III/ Ittlll : ur/ m u/ ¡I/ Lu_ Já nos ; r * ' e _ se registrar um novo movimento. r. : . e l : :ande do Norte teve grande panicf; 7 ; ' “ _- e _. Processo. Trabalhando com materip - . i e ~ s. : m palavras - exigia, por assim ç' ; fã r , e ; i3 do “leitor”, criando ele própr": 'e r . ieentendimento: novas versões : V: Í : ema Daí a idéia de process. ? - u. “ : jesenvolvendo. Money gnu; (c: 7 : _- ÍÍJYÍIIICHÍO, juntamente com 31; e Í reza mato-grossense que havia si: : . . às _ e , ; ; sãgnação genérica para os poert: _› , . : íiido da visão: Poema Visual. ; e . ; . . u» coisas. No Rio Grande do No: : - ; :staque nacional e até intemací ' e 7 -_ e _àg*ginc)_deA_rznijp. C . ' . t er pelos poemas reproduz ; 'e ~ utilizaram-se de um mínimo . '; ' ; ando o impacto da mensageáí - _ . . Í: iior“traduzi1”, através dos seus _: ' ' * e. #emos - na aparente desordem . . ' o das mesmas. N_ t ; * ___'e ilustra esta página podemos ' : r A o _ _ __ ; 'Z a e síntese dos poemas de vangug, _ _ e . “ . por exemplo, reutiliza marcas c": :e _. _ *: ~. para denunciar que, se é cen: .e o _ ~ _ e / r-se politicamente em 1822,ccr: . . ; ;:: ornicarnente. No de Qail_c›r_'-_; : i _ ; .: :i diano, que se revela na palavr, * r ”, i. : verticalmente pelas indicaçõe: ; _a ; ~ ~ -gerir umacruz, cruz de rotina, se _: ›:«; : ", _ e ;3 gnclnetaferngrgles, a palavra Petr* e , :ea: "i. como simbolicamente sugere a hftí . e r - _ 7 - : ~ apóstolo como base da Igreja) rerres: - - ; i -; :nlência nordestinas e, sobretudo. v; ;; _ . ;3 ietz. O poema visual de êgelig) têm › _gev ~ 27;_ ferramente impactantes: uma pr0pO>l; :CN_'; - ; 7 : :o única forma de “ler poeticamente" c _ ': : : A r *› c' e violência: a segregação racial, que há 2_- JA: : : a do Sul ganhou o nome de Apartheid: um scneto onde os versos são pedaços de arame farpado. De : ele/ ee há um excelente poema na unidade II, de Artes Plásticas. Todos tocados pela ironia, revelam na crítica, no Il . Afllgizzlll/ I!! ! 71* e; Slgnalc) _' y"", "¡ 155' vr-gãr- l t~ abas _a l; s: .. Fr : ri f, [oâlqiaõ Nei Leandro de Castro (I 966) inconformismo, o profundo compromisso que os poetas têm como cidadãos. Paralelamente a essa produção da poesia visual, consolidava-se a obra de pelo menos cinco poetas da “Coleção Jorge Femandes" (a saber: Qi; Carlos Guimarães, Myriam Coeli, Qorian Gra , Deñjlp Qnrgtgl e Qanclereon Negrenos) o mesmo acontecendo com Nei Leandro de Casífo. Os dois primeiros, 7-: r t: : Tz-: t , -_'°›'-T. __: f Avelino de Araújo (1988) H
  3. 3. Inu/ puxar¡ . I eua/ tw ur m¡ 'till/ IM u¡ ¡nui lamentavelmente já falecidos, constituíram obra admirável. Quanto aos quatro últimos, verifica-se uma curiosa situação: mesmo mantendo-se poetas, desdobraram-se por outras atividades, nas quais também têm se destacado - Dgriapfjray, como o mais importante pintor do Estado; _Dçjtllg , Q11_rg_ce_l, como folclorista; §at_ncjçrso_gl_lçgr_eir_o_s como jomalista e ljlej Leandro como ñccionista. 5.2)- Panorama Contemporâneo / ¡x/ .Uigr *3Iírv"-. ll›('[/ .'7 zuar”. b t¡ Enquanto isto, outros poetas se revelavam, alguns mantendo um lirismo tardio - como o macauense / gilbçrtg Avelino - outros revelando igual talento e uma notável disponibilidade para a produção lírica; como período, surge outro poeta extraordinário que logo decide-se a abandonar a poesia, tocado por indagações existenciais e místicas: Mguelçigilg, autor de um único livro: Os Elementos do Caos. Do final dos anos sessenta para o início dos setenta, como decorrência das restrições editoriais (de ordem econômica e também como conseqüência da terrível censura que foi instalada durante o período ditatorial, sobretudo com a instituição do A I-5, os jovens poetas passaram a se valer de muita criatiwdade para justificar o atrevimento em sua produção artística. Surge uma geração que recebeu, tal como acontecia nacionalmente, a designação de "Geração Mirneggafg". Como a própria expressão indica, os seus integrantes utilizavam-se da precária impressão de máquinas disponíveis, sobretudo nas repartições públicas e escolas, para reproduzirem os seus poemas. E os reuniam em livros artesanalmente produzidos. No Rio Grande do Norte vários nomes de expressão surgiram nesse contexto, como Ançlrçllg, J ois Alberto, élgízio Mathias, JptagMedeiros, _lfljnig a. .__. ___. ._ . _._. §.___ _. _.. ._ gandçrsgn e mesmo Mari_§e__C_as_t_rg, que viria a se tornar referência de uma nova geração de poetisas que, além das conquistas estéticas, adotavam posturas ousadas, ao reunir os seus poemas numa edição convencional, no livro Marrons Crepons Marjins. ; Iéizzlll/ !zal A I -5 0 periodo ditatorial iniciado no Brasil em - '- ' de 64, se encerraria cerca de vinte anos dep- Em dezembro de 68 um decreto - o Ato Institucional no. 5 - aumentava as restrições - liberdades individuais, com o estabelecimenn» rigoroso da censura. Tal determinação estendL- se a todas as áreas da produção cultural. Qualquer obra podia deixar de ser divulgada, desde que, segundo a orientação militar, atentasse contra o regime. Restava aos artistas buscarem alternativas. Uma delas foi publicar livros mimeografados. Superada a fase artesanal acima mencion; ; s_ surgem vários e importantes poetas como ? Q1155 . : Tarso Correia de Melo, Erancisco Ivam e * _~. ______. ..__. ___-. ..___ _É . _.__. . mossoroense âgqqçapdg). Porém, há um evids# e : / _Diggeng gla^C_unha Lima, ljrançplasiellq. Nesse , A _ destaque para um elenco feminino de que participa* f” ' " Ijiyalgege F"_errei_ra (que estreou com um belo lix TL Sertanias, antes mesmo de Marise Castro), IQ: : Çggha (também competente pesquisadora c, Literatura Norte-rio-grandense), Carine# . ... ..___ Y_a§c_o_nç_e1_os e Iracema Macedo, autora ; É . ___. _.. _.. _._. _.___ excelente Lance de Dardos, que fazendo uma 3h15: 1.4' ; día ! l TS t. , , p_ ; Por TS lzirilàFiui TS Capa do livro Marrons Crepons Marrns de 'Je-ze 2 ,
  4. 4. .. .r u, 'qr 'ur w- *ur ur up' uy un. -u« u, “u, Wu, 'dl' 'd' 'UD' 'UF' "UV V4. lillfl/ III/ iãll/ í ; Till/ EW Ill lili 'I/ !IIII/ l III Ill/ ll”. ao verso famoso de Mallarmé no título do seu livro se revelará uma poetisa de ousadas características. Qual o significado dessa poesia de que M3113: Ça§t_r_o é precursora no Rio Grande do Norte, para a nossa cultura? Primordialmente (embora em graus diversos) o de uma produção lírica cujos poemas contêm questões como cidadania, eroticidade, ousadia de dizer o que bem entendesse sua autora, com autonomia não apenas estética. Não se trata do que ficou rotulado como Feminismo nos anos sessenta; nem se trata também de movimento político. Mas de uma clara sintonia entre as poetisas mencionadas (e outras que porventura estão surgindo - mesmo que não componham um grupo, convém lembrar) de que a questão de gênero masculino ou feminino não pode ser priorizada nas questões poéticas. E embora determinados poemas soem como gritos de revolta, contra a opressão de que a mulher é vítima secularmente, não buscam firmar distinção, como poesia feminina. São poemas de inquestionável qualidade, os que produzem e é isso que conta. Como, por exemplo, este, da própria Mariz_e_C_astrQ: Neste mundo manco clamo pelo milagre das loucas. Por um rei a quem eu beije as pálpebras E me revele o mistério sagrado que ninguém menciona. Já fui a noiva do amor. O dilúvio destruiu os meus trajes e a minha fidelidade. Desde então sou moça e rapaz E choro nesta cela a perda da alegria. Neste mundo manco clamo por espadas. Harpas, liras, redomas. Por tudo o que agoniza e cama. Estou nos braços de um jardim de flores aladas. E ainda amo inevitáveis garças e solitários cisnes. Neste mundo manco clamo. Vários outros poetas começam agora a firmar seus nomes no panorama da atual Literatura Potiguar: com uma poesia marcada por uma v a lêalllll/ i!! ! B( Feminismíno l Movimento que, tendo surgido na Inglaterra, espalhou-se por todo o mundo ocidental, visando a emancipar a mulher: Entre as precursoras do mesmo, encontra-se a educadora potiguar Nísia Floresta. Nos anos sessenta obteve grande repercussão a atividade de uma feminista americana, Beth Fryedan, e neste inicio de milênio e' possível admitir que, se a mulher ainda não exerce a sua cidadania em toda a plenitude, já conheceu grandes conquistas em sua luta. lina ironia e um sarcasmo explícito; Eliçelso, de humor perturbador, calcado em sólida formação filosófica; ggijtgBgggs, com uma poesia de rara beleza com a deliberada intenção ! de chocar a sociedade convencional; e mais: rGiü_st_avo_L_u_z, Çidêuggsjg, @litígio Barros, l_/ Ia_rç_qs; Ferreira, Demétrio Vieira 111g» Márcio . QQLMIPBES› LaLdâHÀQEQQILÍÇ IÀLIÀJQ . IÁXÍQÁLÍXELÍEI, Caim (E »LOBEL LEQILÚBQ, Líâbâtl¡ Lim? 9293331111, MÀUQEELSQLI, poetas e poetisas, uns já merecidarnente reconhecidos, outros dos quais certamente se ocuparão os críticos e historiadores no futuro, levando adiante a tradição lírica potiguar. Um registro especial deve ser feito quanto a outro poeta mossoroense que, embora tendo formação acadêmica, produz hoje aquela que _será a poesia mais significativa, no que se refere à lírica popular. Isto não é pouco, num Estado que, começando com _Ezpijagdzg _Quejrnztgas já deu lâreñiofwgx E_li_seu Ventania, âeraimLFerrsila› Antonio Sobrinho, Luiz Cam os, Mglsés Skesyom e _. .._. à p_ . ,_. _._ 3§P§1QCa1._Àa. S› Qrispiniarrglíao, ÇDÍJFÀIIÉÀ- E conta com os belos versos produzidos por um _S_e, l›a_sti__ã1g_d21_Si_1_xI_a1 ou um lgsé Lucas. Esse poeta impressionante chama-se _amônio ljrancisqo. Embora demorando-se a ter seus trabalhos impressos (poemas especialmente compostos para publicação em cordel), acabou por reuni-los num interessante volume publicado pela Coleção Mossoroense, com o título de Dez Cordéis num Cordel só. Sem qualquer caráter panfletário, mas sem abrir mão do seu direito de poeta-cidadão, capaz de fazer
  5. 5. Iillll/ III/ ll! !! . I inn/ nn u¡ ! III mir/ Iilnt. u¡ ÍIIHII; ts É . , . a _Ihlvlt sli* Éh# h < . .J ' 4 7: t » : r a” à' x '/ t* * . _l . .g , ;É E. . .l I: - , N W l. , . _ V . Í "' tl , . . __, .l_ . _ Ã R x' '“ 1.1_ : ttzi- : Ill-IM Ôapaíc) Iivrro de Arrifóriirovâancisco belos versos e ao mesmo tempo denunciar as_ mazelas de uma sociedade injusta, _AniônigFpangsgo produz uma poesia de forte signiíicação humana, com um visível apelo à cidadania, credenciando-se a suceder o notável ljatatilafdo Assaré. Mas revela igualmente uma face satírica em que o poeta consegue desempenhar-se com a mesma competência. Pela impossibilidade de reproduzir todo o cordel “Meu Sonho", são reproduzidas abaixo as cinco últimas estrofes do mesmo, um belo poema no qual o autor retoma a questão da Utopia, do país imaginário, terra sem males, onde todos vivem bem, "que já deu um clássico da literatura de cordel brasileira: “Viagem a São Saruê", de Manuel Camilo dos Santos. Utopia: Esse nome, utilizado por Thomas Morus para indicar uma ilha, em lugar incerto, onde os homens poderiam viver numa sociedade tida como ideal, tem como fonte primordial a própria idéia de Paraíso, contida na Bíblia. Mas foi a partir da Idade Média que essa idéia se consolidou, quando um poeta _francês compôs um poema cômico, falando de um certo País da Cocanha onde não existiam males. ilíçlilllllifã! O poema de Antônio Francisco am; .: . : e temática que está presente à literatura desd= _ * . Média, com um certo País da Cocanha", intra' ; elementos da nossa vida atual, tais como c_ _ 5 ecológica, economia, educação infantil, etc. Lei - * com atenção: MEU SONHO (Fragmento) (. ... .) As águas dos nossos mares De sujas mudam de cor. .. Ele disse: - "Espere, pare, Não fale mais, por favor! . . . Me diga somente o nome Do plaryteta do senhor. " Eu disse: - Sou de um planeta Que _só vive em pé de guerra, Onde fabricam doenças, Onde a justiça mais erra. .. Uma gaiola de loucos Com o nome “Planeta Terra' Os olhos daquele homem Aumentaram sua luz. E perguntou: - É verdade Que lá ñzeram uma cruz Pra cruciñcar um santo Conhecido por Jesus? " Fui responder: - É verdade, Nós matamos nosso Rei. Fui falar, abri a boca, Faltou voz, eu não falei, Quis correr, não tive forças. Faltou fôlego, me acordei. Acordei para chorar Debruçado no meu leito. Daquele sonho pra cá, Nunca mais dormi direito. Ora tentando esquecer, Ora pensando em fazer O mundo daquele jeito. E quanto à prosa? Ainda nos anos Cííf' saem os romances de Nilson Patriota Un: C Amargo de Fim e os de Alex Nascimertr. _ QT* _l
  6. 6. u: u, u, u, u, HI' UV UV u¡ 'JV u¡ lfltJl/ III/ Iá/ I/ r @sur/ Ia !1/1 lrqlxixl". m' riu/ u. observador irônico da nossa sociedade cheia de defeitos e hipocrisia: Recomendações a Todos e Quarta-Feira num país de Cinzas. Também nesta década foi lançado Gestos Mecânicos, um premiado romance de Rubem G. Nunes, tratando dos problemas urbanos, onde avultam o consumo da droga e os desencontros amorosos. Alguns livros de crônicas e artigos também trouxeram grande qualidade à prosa potiguar, nos oitenta, especialmente Os Dias de Domingo, de Dorian Jorge Freire e Cena Urbana e Cartas da Redinha, ambos de autoria de Vicente Serejo. A Hora da Lua da Tarde, de Sanderson Negreiros, lançado em 1998, confirma a beleza lírica das suas crônicas. Na aproximação do Século XXI, alguns nomes destacam-se na prosa potiguar. Há entre outros a boa estréia do ficcionista e também poeta mossoroense Gustavo Luz, com o estranho livro Romão Rei e o Roqueiro da Praça do Cid. Neste início de século há sinais de uma animadora atividade. Em primeiro lugar, a confirmação do talento de François Silvestre, vigoroso ficcionista sertanejo que publicou um trabalho de forte expressão: A Pátria não e' de Ninguém. Trata-se de um romance à maneira dos relatos-testemunhos dos militantes políticos que resistiram à ditadura. . i 7. ! alii/ i'll e mitos. O segundo autor, com uma opção bem regionalista, demonstra grande segurança na construção de suas estórias, recriando com grande competência literária a oralidade do habitante do Ceará Mirim, numa prosódia aparentada com a das personagens de Guimarães Rosa; o terceiro (também incluído na citada coleção), uma verdadeira revelação da nova literatura do Rio Grande do N orte. Escrevendo histórias densas, dominadas pelo suspense, faz inquietantes indagações sobre o desafio de ser humano e existir em sociedade. Embora tratando de temas complexos e trazendo à cena das histórias personagens de sua vivência como estudioso de Filosofia, Capistrano consegue produzir um texto ágil, como um bom ficcionista de romance policial, o que comprova o seu notável talento. O seu Pequenas Catástrofes é uma comprovação do que afirmamos. No sempre fértil campo da crônica, a cada dia vêm se firmando os nomes dos já citados Cid Augusto e Marcos Ferreira, mas, sobretudo, o da escritora Lyria Nogueira, (uma perspicaz observadora da vida besta), todos jornalistas em Mossoró. Também publi- g caram importantes textos _UMa _ deficção Clotilde Tavares, à rwlllull tgizlllããllnlípg) ("Funil AÊÊÊÍÚÍÃÍÀ Bartolomeu Correia de , Melo e Pablo Capistrano. . ' . r_ A ° O romance de O i: .. a “ Íllg_ Clotilde - o premiado A p” r' 'F5 . ~ 4 ' " "Í ' a; t' Botija, lançado numa _ - bela edição (caixa con- *Ífflillí* °“": ..'ÊÍ^. É[^7,“ _m prum, “m, tendo dez livros de prosa “ " 'A A “NU” WPF? , potiguar, lançada por S_ l A. S. Editores) ver “ '“ 03-_ ilustração ao lado, trabalha , 5 l n . ÊÍ . *Í* o imaginário popular e " ' V l~ “ seu rico acervo de lendas
  7. 7. Inema/ rali¡ . I : un/ ul u¡ ! In trzlllíht ul : Wen: 3.3 - Instituições Culturais e Movimento Editorial Antes de encerrarmos esta nossa breve introdução sobre a Literatura Potiguar, convém falarmos um pouco sobre as nossas instituições culturais, especialmente aquelas que dispõem de dados' sobre a Literatura Potiguar, capazes de nos interessar e também sobre o atual movimento Editorial do Estado. A mais antiga fica em Natal: é o Instituto Histórico e Geográfico, ftmdado em 1902, que tem como Presidente Enélio Petrovich. Além da sua própria revista, lançada no ano em que foi fundado, tem em seu acervo a coleção do jomal “A República", uma das fontes primordiais para o estudo da nossa literatura. Em suas estantes conservam-se também várias coleções de "A Imprensa". Lamentavelrnente, exemplares dos jomais “Oásis” e “A Tribuna” já não existem ali. Do primeiro é possível ver-se uma reedição fac-sirnilar de alguns números publicados pela Coleção Mossoroense. Outra instituição de grande importância é a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, cujo Presidente é, atualmente, o poeta Diógenes da Cunha Lima. Sua revista, publicada desde 1951 e agora dirigida pelo escritor Manoel Onofre Júnior é outra das fontes imprescindíveis para o estudo da literatura do Estado. Outras instituições que também merecem ser citadas são: o Arquivo Público Estadual, depositário dos mais importantes documentos da vida administrativa do Estado e o Conselho Estadual de Cultura, ambos de grande importância na preservação e defesa da nossa cultura. Entre as Fundações culturais (que em boa hora começam a se multiplicar pelo Estado), há um evidente destaque para a-Fundação José Augusto, dirigida, neste 2003, pelo escritor François Silvestre. E a Fundação Vrngt-Un Rosado em Mossoró. A primeira, em Natal, tem certamente maior visibilidade pela tradição na promoção cultural no Estado em quatro décadas. Mas o esforço 'isolado do patrono da ftmdação mossoroense, que ao longo da sua vida de editor já publicou mais de três mil títulos na legendária "Coleção Mossoroense"é dignodetodos os elogios. ' ¡-__" I;5;! :!IlI! !r! Mas parte do movimento editorial re; e - e deve-se também a nomes que não podem dei: *ç - ; ser mencionados: o do falecido editor Carlos L e que durante os anos oitenta, investindo o seu px' _: ' dinheiro, lançou escritores novos e promc ' : . interessantes reedições, sustentando praticamente ~ o movimento editorial na capital. E o do sebista Abirr - ; Silva, proprietário do Sebo Vermelho, qu e. praticamente sem dispor de recursos, consegue ; magia de, seguindo o exemplo pioneiro de Vmgt-Lí Rosado, publicar livros quase sem parar. Referência obrigatória no mundo cultural c' : Estado, o citado Abirnael lança pequenas tiragens. dividindo oscustos com_ o autor interessado ou algun: _- instituição que com ele estabeleça parceria Deste mcg : vem prestando uma 'lhestimável colaboração ao movimento literário poíguar. Outra empresa que tem realizadoumimportante trabalho no campo editorial do Estado é a A. S. Editores. Suas publicações têm sido marcadas pelo cuidado n: seleção dos títulos e esmerado tratamento gráñco. No seu último lançamento (aatualColeção “letrasPotiguares há pouco referida), entre os dez autores publicados quatro importantes títulos foram relançados: Gizinha, de Polycarpo Feitosa, Oiteim, de Madalena Antunes, Os Mortos são Estrangeiros, de Newton Navarro e 0 Rio da Noite Verde de Eulício Farias de Lacerda. Não se pode também esquecer a contribuiçã 3 que empresas como a FIERN têm dado ao movimen: : editorial do Estado, bem assim o Scriptorim Candirdx Bezerra, e a Fundação Hélio Galvão, com o lançamer. ' : detítulosde grande signiíicaçãoparaaspesquisaslitert - e histórica, como é o caso da reedição de Histórí-: * Fortaleza da Barra do Rio Grande, desse último L; - ' Í : e Natal do Meu Tempo, de João Amorim Guímr: : f ~ No próprio Interior do Estado também se serif ; _ interessante movimento editorial, sendo import: a mencionar que publicações individuais vêm acontecer i : com animadora üeqüência em municípios como i 1;. : _. Açu, Currais Novos, Caicó e outros. Porém. s necessário desenvolver a idéia de mercado (e sem ; e- . . da qualidade literária transformar o livro em p : o: - para que a realidade da nossa vida literária : e ' . muitomais dmarm' ^ 'ea

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