1
! "#       $    %             &     !             (   )$                ! % *     + ,-                 .      - !    ,/   ...
AGRADECIMENTOS                 4( +                          * 56                                                         ...
4 5             :                    2         (                #$                 (                      /       . + ,   ...
! # $% $         "    "                &     #()* " + ,  +                          -     . !+ +                 -"       ...
;                 A            @                                   +          ;                .                @         ...
&       7
Este trabalho tem sua origem na imperiosa necessidade de mobilizar a dor, paracompreender a ambigüidade vivida pelos norte...
que resolver partir para uma conversa” (1986: 184). Para James Clifford, a dialogia é umsituar-se ‘“entre’ poderosos siste...
,       .                                                                                  . "              .             ...
sentidos dos pólos constitutivos da hierarquia mineira, sendo que o englobado, o sertão, érecorrente nas duas totalidades....
A realidade social mineira é descrita por João Guimarães Rosa (1978), em seu artigo MinasGerais, que recorre à diversidade...
chamado de baianeiro, o mineiro nega similitude e participação do norte mineiro naidentidade mineira e informa-lhe uma ide...
confiança em si, pelo seu cepticismo, pela indolência e sedentarismo exagerados, por suahipercrítica, seu recalque, sua de...
/ +       .                                2              -           .                .                       .          ...
0           .                    .                                                                                       -...
. ,             3                       1           .                                 -                .                  ...
2 -                 +                                    + 3                                                              ...
<                     6                                                                                   +         2     ...
+ 2                               !    - 2 ,/                             .                                             ,/...
+                     @               . 1         .           .                           &           .                   ...
2                                =                       .                                        .       ,/              ...
6                                                                                                                   0     ...
(           .                                "                          /                            /                    ...
,/                                   2                                              .       .                        21   ...
#() 7    #           .           &   &                       26
.                                                                              .   .           2                          ...
.                           .                                              /                          1 Z[                ...
0       .        ,/                  .               =                                   ,=                               ...
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Mineiros e Baianeiros
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Mineiros e Baianeiros

538 visualizações

Publicada em

Tese

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
538
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
0
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Mineiros e Baianeiros

  1. 1. 1
  2. 2. ! "# $ % & ! ( )$ ! % * + ,- . - ! ,/ 0 . 1 2 3 2
  3. 3. AGRADECIMENTOS 4( + * 56 ,/ - 2 2 . 7 . + + 6 8 . . 9 2 : 1 . . 2 . . 1 7 2 4 ,/ / ; ! <2 . . ,/ . . 6 7 / ;62 %3 * %! / . 1 : 5 1 5 . . - . 6- 7 4 . 0 + . . ! ,= + . . < 1 + . / + . . . , . 0 > ? . 1 . = . . .@ 7 . . # AB <. ,C 1 . 2 2 7 : 52 B - = . 1 . 4 . , . = . 2 . - . % $ + . 2 . . 1 . @ 4 . . + . . . - . 6 . 2 . .2 3
  4. 4. 4 5 : 2 ( #$ ( / . + , ( + < 5. 2 + ,/ . 7 4 . / 2 . ! 6 < 6. + + . , . .1 C! % ) . 0 + + = . . ,/ ! . . . 62 4
  5. 5. ! # $% $ " " & #()* " + , + - . !+ + -" + " . . .2 ,= #( " + /" 0 $ + " " . ,/ . ,/ ,/ , 22 = . ,= A @ . ,= . ; . #( " $ +$ + 1 $ +; 6 . . ,/ . , 22 = . ,= A @ . ,= / ; . #( 2 -" %" + " . 3- + + " / " + / + " 5
  6. 6. ; A @ + ; . @ ; 2 6+ . , 1 @B2 6 A+ ,= . @ @ A@ 2 @ A + ,/ .# ;8 ,/ < +; ,/ @ #( 24 "" 1 , " + "5 - " + " A 6 A . . A 1 - ) CD CD C EFFE 6
  7. 7. & 7
  8. 8. Este trabalho tem sua origem na imperiosa necessidade de mobilizar a dor, paracompreender a ambigüidade vivida pelos norte mineiros perante o fato de serem ao mesmotempo incluídos com valor negativo na mineiridade e dela excluídos, como também osmeios que mobilizam para resistir à imagem totalizadora de Minas Gerais que invisibilizasua especificidade cultural e identitária. A dor é também sentida pelos mineiros perante aerosão dessa imagem, assentada nas virtudes da civilização gerada na região montanhosado estado, quando da exploração do ouro. Esta tese é um esforço de ir além da dorparticular do norte mineiro para encontrar os sentidos coletivos e partilhados que a causam.A esse respeito, Appel nota que sem o entendimento que transcende o eu, “... oconhecimento não poderia converter-se em argumento; conservaria, de certo modo, ostatus de certeza vivencial, cega para o sentido, como a vivência da dor meramente privadaque, conforme Wittgenstein, [somente] pode suprimir-se quando trata-se do acordo sobre aminha dor ou a tua dor” (1985, 211).A proposta central deste trabalho é que a ambigüidade do lugar ocupado pelo norte deMinas no conjunto de Minas Gerais explica-se teoricamente pela coexistência de duasdinâmicas de constituição da hierarquia, distintas e até mesmo contraditórias, que aqui seconceituam, seguindo Louis Dumont, como englobamento do oposto e, seguindo NorbertElias e John Scotson (2000), como exclusão do “de fora”. A etnografia, neste caso, cumpreo papel dialógico da comunidade de comunicação e argumentação a que se refere Appel(1985), porque, na perspectiva da dialogia etnográfica, fazer etnografia pressupõe umencontro e a modificação pela via do diálogo das idéias dos sujeitos, nele, envolvidos.Nesse sentido, o trabalho de campo foi desenvolvido na perspectiva de encontroetnográfico, visto por mim como um processo de “comunicação pública que envolvesucessivas aproximações e justaposições de esquemas conceituais e a captação de códigosestruturais” (Michel Ficher, 1985: 60). No processo dialógico há o despertar de consciênciacrítica, possibilitando acesso duplo ao produto da etnografia. Nesse ir e vir de informações,cria-se um espaço intermediário, que para Dennis Tedlock, permite desenvolver a“compreensão das ‘diferenças entre’ dois mundos, que existe entre pessoas que seencontram indeterminadamente distantes, de todas as formas possíveis, no momento em 8
  9. 9. que resolver partir para uma conversa” (1986: 184). Para James Clifford, a dialogia é umsituar-se ‘“entre’ poderosos sistemas de significados [que] coloca suas questões nasfronteiras de civilizações, classes, raças e gêneros [ao mesmo tempo em que] decodifica erecodifica, narrando as bases da ordem coletiva e diversidade, inclusão e exclusão” (1986,2), sendo ao mesmo tempo parte desses processos.O outro, como parceiro do diálogo, foi um tema recorrente para a crítica da textualizaçãoetnográfica, que para James Clifford (1998) significa a luta para a representação do nativoconcreta e historicamente, já que as imagens construídas sobre ele, assentam-se em relaçõesespecíficas de dominação e de diálogo. Por outro lado, para Vincent Crapanzano (1991), oencontro etnográfico se constitui numa negociação dialógica quanto às formas apropriadasde discurso. Este mesmo autor argumenta que em todo processo de comunicação entre doisdialogantes existe sempre a presença real ou imaginária de um terceiro participante, tantopara o nativo, quanto para o pesquisador; pois por meio de diálogos ocultos, o nativoestabelece conversação com sua cultura, enquanto o antropólogo recorre aos colegas e àsposições teóricas para o desenvolvimento da conversação.( ,/ 6 6+ . . ,= @ 2 2 . / 6 . . ,/ / / 2 2 6 . ,/ 2 , + = - + ,= 6+ 0 ,/ . 6+ + 6+ 6 6+ - . . + 1 2 6- ,= . 1 + ,/ 6 / . 6 . . . . 2 2 - ! . . . + @ ,/ . 2 . . . . G . 8 2 / @.G 8 2 H IK GIJ 2 2 GILF . @ / < ,/ . + . 9
  10. 10. , . . " . , . 1 3 2 + 0@ @ . . 6 . / . . ,/ 6 . 1 + 2 6 .1 . . . . . .1 . + 22 . .1 . + . 22; . + + . + . . . . M ,/ +N)C C 1 N)CC C < . . . + . + O6 . + ,/ . . ,/ . . ,= . + + . . . /I.A hierarquia mineira se instaura no século XVIII, conjugando dois pólos distintos eopostos, a região aurífera e o sertão sanfranciscano, que expressa a civilização erigida nasminas gerais2 e o vazio de civilização existente nos sertões dos currais da Bahia. Énecessário salientar que em Minas Gerais e no Brasil o sertão, não aparece por acaso, comoo englobado. Seus pólos distintos e opostos, o litoral e o sertão, expressam os mesmos / . , . + ,/2 9 2 + . & D D + - ! / 1 + & D D + - ! + 2 & 6 D 10
  11. 11. sentidos dos pólos constitutivos da hierarquia mineira, sendo que o englobado, o sertão, érecorrente nas duas totalidades. Seu oposto, valorizado como superior, é construído comsignificados distintos nas duas hierarquias, ou seja, a região aurífera e o litoral.A construção do englobamento do contrário, tanto no Brasil como em Minas Gerais,merece uma pesquisa específica, entretanto é possível indagar sua constituição a partir deduas perspectivas distintas. Considerando que para Otávio Paz o lugar colônia é umaconstrução da própria colônia, podemos afirmar que qualquer construção social realizadanas colônias dos países europeus não foram transposições ou replicações da realidade socialdas metrópoles. Por outro lado tem-se que qualquer construção social realizada nas colôniaspode ser vista como nutrida nas ordens sociais metropolitanas, como Gilberto Freire pensaa constituição da hierarquia no Brasil. Esta é uma questão que não será tratada aqui e quemerece desdobramento posterior por demandar pesquisas na perspectiva dos estudos delonga duração. Entretanto, há que considerar que Lúcia Lippi de Oliveira (1990) ao tratarda questão nacional na Primeira República, argumenta que a cultura política brasileirarevelou-se capaz de integrar os componentes do ufanismo, principalmente aqueles advindosdo espaço geográfico, fazendo-os presentes nas formulações do “homem cordial”, do “luso-tropicalismo” e da “mineiridade”, construções simbólicas que marcam a identidadenacional.Por outro lado, Sena (2000) argumenta que a unidade tomada por intelectuais brasileirosconstitutivos do Pensamento Social nacional foi a própria nação e que as regiões, quaisquerque seja, foram subordinadas à mesma.Nesse sentido, a emergência de qualquer região subalternizada à nação, coloca em risco asconstruções simbólicas que marcam sua identidade. Ante a força que surge das realidadessociais e identidades subalternizadas, as construções simbólicas que marcam a unidadenacional fragmentam-se e novas vozes emergem no cenário nacional. Este é o caso do nortede Minas, cuja voz, contrariada ante a ambigüidade de sua posição inferiorizada edesvalorizada, encontra em minha tese revisada e aqui publicada um canal de expressãopara enunciar sua identidade regional.D + - ! . 6 ,= + 11
  12. 12. A realidade social mineira é descrita por João Guimarães Rosa (1978), em seu artigo MinasGerais, que recorre à diversidade de culturas regionais existentes nesse estado para afirmara unidade do mineiro. Nesta afirmativa, que é lugar comum, esconde-se a contradiçãoimplícita no uno perpassado pela multiplicidade, decorrendo daí a expressão enigma deMinas3. A partir da teoria antropológica o enigma mineiro pode ser expressado por meio doconceito de englobamento dumontiano que supõe a incorporação do oposto e sua imediatavaloração em relação a uma totalidade sempre definida como superior. Entretanto, há quenotar que as demais regiões mineiras não se constituem propriamente em partesincorporadas à hierarquia, mas em partes desdobradas e distintas da região geratriz. Suasespecificidades não são entendidas como opostas à totalidade mineira, como é o caso donorte sertanejo, nem são valoradas a partir dessa totalidade.A base da minha leitura é a consciência de sujeitos norte mineiros, que às margens daestrutura mineira compreendem sua ambigüidade e afirmam uma outra consciênciaidentitária, distinta daquela considerada superior. Essa pode ser uma situaçãoinconveniente, mas como dito por Gayatri Spivak (1988), ela escancara, para o sujeitosubalterno, a dor do eu percebido dentro de uma situação especial, histórica, específica ediferente. Para interpretar a organização simbólica mineira, baseio-me numaconceitualização construída para possibilitar entender a identidade mineira, desde sua partemais desvalorizada e, mineiramente referida como “baianeira” pelos mineiros abaixo doparalelo 18 (Luis de Paula Ferreira, 1975). Para melhor esclarecer o signo “baianeiro”,transcrevo um diálogo recorrentemente estabelecido quando qualquer norte mineiro equalquer mineiro estabelecem conversação pela primeira vez. Este pergunta àquele: “você ébaiano de onde?” e recebe como resposta, “sou norte mineiro”. Imediatamente exclama:“ah... baianeiro!”. Este termo carrega sentidos pejorativos e discriminatórios, mas o utilizopara poder identificar os significados que permitem explicar a posição subalterna destaregião de Minas Gerais. Antropólogos postulam que o sujeito toma consciência de suaidentidade individual e coletiva, contrastivamente. Assim, quando o norte mineiro é3 < 2 + + . . . # 8 H GK GIP & . + ( B H K GILQ + . 2 2 . 2 1. . ,/ 6+ . 2 ,/ @ . 12
  13. 13. chamado de baianeiro, o mineiro nega similitude e participação do norte mineiro naidentidade mineira e informa-lhe uma identidade distinta, situando-o na fronteira damineiridade.Em Minas Gerais, há os mineiros e os baianeiros que se distinguem por um conjunto detraços diacríticos contrastivos. Entre os diacríticos que conformam a identidade nortemineira, destacam-se o sotaque, a comida distinta da reconhecida culinária mineira porestar baseada na carne de sol e nas frutas típicas do cerrado, como o pequi, e da caatinga,como o umbu. Em termos geográficos, é uma região onde se articulam o cerrado, a caatingae a mata atlântica, constituindo-se num espaço de transição entre essas diversas formaçõesambientais. Há, ainda, o destaque para a especificidade da cultura regional descrita comotradicional e apoiada nos costumes dos negros que historicamente ocuparam a região e, porúltimo, o fenótipo que para Auguste de Saint-Hilaire (1975) era distinto daquele dosmineiros, por ser a população, quase toda ela, de cor. Essa característica fenotípica édecorrente da mestiçagem entre indígenas, negros, paulistas, nordestinos e mineiros que noespaço regional criaram uma ordem social largamente diferenciada e relativamenteacentrada, secularizada e resistente aos centros de poder. O sujeito norte mineiro éconsiderado extrovertido, comunicativo e palrador (Antônio Teixeira, 1975), orgulhoso desua regionalidade e das características sociais e culturais que o fazem singular nainterioridade da realidade social mineira.Os traços diacríticos dos mineiros são por demais conhecidos, mas não custa lembrar queem termos fenotípicos a elite mineira se assemelha aos portugueses e o povo é descritocomo alto, esguio e magro. A esse respeito, Burton (1977) nota que juntos assemelham-se àdupla Sancho Pança e Dom Quixote. Apegados às aparências externas enunciativas deopulência, na intimidade do lar cultivam a sobriedade no comer, no beber e no modo de serensimesmado, introvertido e pouco dado à falação. Alceu de Amoroso Lima em sua Voz deMinas (1945) sintetiza as características que fazem o mineiro um sujeito singular no Brasil.Para ele, o mineiro é sóbrio, homem de bom senso por ser um sujeito do meio termo,voltado para o passado, um sujeito apegado ao essencialismo, derivando daí suamoderação, seu idealismo e suas utopias. Seu ethos também se define pela falta de 52 * ) H R GIJ K + 2 + ,/ . + , 13
  14. 14. confiança em si, pelo seu cepticismo, pela indolência e sedentarismo exagerados, por suahipercrítica, seu recalque, sua desconfiança e sua suscetibilidade. Não se deixando arrebatarnunca. 6 6+ . 2 ,= ,/ 6 @ + 0 . . $ . .. " / + . + . + . 2 + 2 + . ; .+ . . 6- + . . 1 . 2 ,/ ) 5 ( / + ,/ : . 1; + + 0 . . 20 . . 1. . + . ,/ / . : < + + . + . - + @ + - ! . . 1 . . $ ! 1 + 2 0 L< + . ! . . . ! 1 + 24 O6 8 O (. ,/ 6 < % 6 @ + . 1 2 ! / 2 $ . / . ,/ 6 14
  15. 15. / + . 2 - . . . . . .. .C+ . 1 + 1 + . 2 .+ 0 EFFG 2 0 . . 2 2 . $. - . . - . + ,= 6 . 2 2 . + .. C + 2 = . 2 + S 15 5 , 5 / 8 . O @ 9 2# ; ( .& . , 8 # . ,= 6 ! . / 2 2/; 2 0 - 1. . . = / 2 5 . 1 . ,= . / 2. + - 2= 02 . . 2 2 . . . + ,= . . . 1 + . . . / / , + / . . 22 2 . . 2 .& 0 EFFG$/ + +6 22 . . . 2 .. @ / . A + , + 2 0 2,/ . + 6 . . 0 2 + " 15
  16. 16. 0 . . - 2- 6. . 2 0 . 1 . . , + 22 2 . . + ,= . / 22 . 2 . + 62 + S 2 + ,=. . 2 6 ! ,. 2 - 2$ . + . . . -+ 2 2 2 . 2 . 2 . ./ + / . 2 2 + 6- ,= + 6 . 8 2 2 . 1 2 2/ . ,= . . , . . .. . , + .. . . . + " 2 / % . . 62 + - . + .: 1 2 2 6+. . . + ! . 0,/ . 5 # / 2,/ 6+< 0 EFFG . 2 / . . / . . ,/ - 5 # / . . 6- 6 . ; - . / 16
  17. 17. . , 3 1 . - . 0 . 6 + . , O 2 . . 0 + 2- 6 . + . 2 +$ ,/ . + .. . . . $/ 6 ,= / 2 ! ,/ 2 : 2 ,= . . . + 2 . . ,= 2 1. . 2 + + 1 + 7 2 2 + . . - . = / .8 . 2 0 . . 6 . 2 . 2 . 2 . , . / + 2 + ,/ . . - . + . + < . ., + / + . . + + . . . , M 2 . 2 . . . . . . < . 2-. 1 + + . 2 2/8+ 2 . + - 2 2 . . + 5+ . 2 2/ + 6 . + . . 2 - 2 17
  18. 18. 2 - + + 3 : 1 2 2 6+ . 2 . ! .< 0 EFFE . . 1+ . 2 . .< . . .0 2 6 . . ,/ 2 6 8# 22 < # 2 C2 2 2 - . T . , .& . 6 , 5# . . . . . ,/ 2 + . . . 2 2/ . ,=( 2 2 . 2 . . 2 ++ ,/ . ,= 2 + +5 5 2 .@ + ,/ - - - 2 2 . , . / 6 . . 5 . . 2 2 . 0 2. , . / . . ,/ ( . . . . 6 . / . . 5 . . - 262 .@. . . - 2 2 , ,/ . + . 18
  19. 19. < 6 + 2 . 0 2 ; 6+ + + . + . 2 ,/ 0 2 - & . ! . 2 @.$ " 6 262 . .. . 2 ,/ . 2 . ! + ! , ( / . . 2 ,/ / 2 + . 22 / . . 2 (& . + 7 1 + . 2 . = 0 22 2 3C 2 . ,/ 2 . 0 . / / . . - + ,/ 2 . . , 62 .@. . 0 . . M . . . + . 21 ,/ ! ,/ . . . . 2 @ # # O :H KGIIR . 1 . ,/ 3 @ 1 , . , 2 . 22 . , + , + @.<+ 2 22 . + .6 - 6 . .1 2 19
  20. 20. + 2 ! - 2 ,/ . ,/ . . .= ,/ . / 3 . $ ,/ + ,/+ . ,/ + ,= 2 H 5 % GIR K J . ,/ H GIRIK + ,/ . 6 1 2 . , .. . + 2 ,/ ,6 . 1 . 2 + . +$ + . 5 H J + GIR K .6 2 ,/ + / 2 = 2 ,= . 2 . + 2 .1 . .2 <2 - 6+ 22 . .6 . + @ + ,/ @ 2 2 + ,/+ 0@ @+ . . +B 8 + . 2 + (. 2 2 + - . 1 . . 2 / / / . . " . - + ,= 6 1 .$ < % 5 H EFFFK . + @ - " / 8 . . . 2 ,/ < : H K GIIR 20
  21. 21. + @ . 1 . . & . ,/ / . . 2 0 2 . + 2 " 2 @ . . . , .1.@. . " $ . 8 + / . 2 M. 2+ $ 5@< / 262 H EFFEAGGUK + . / .. . 6 @ / 2 . 6 + - . + 6 2 . : H K / GIIR . , , . + , ,/ + 6 . + . , .& . . . . . 2 2 + A $ . . / . @ / H + K . + 6 2 2 / . . + ,/ & . + . + @ 22$ . / ! ,/ . + , 6 2 : .+ ,/ 1 . . $ ,/ ,/ . 1 2 ,/ + . = . 2 /. . < 21
  22. 22. 2 = . . ,/ ,/ $ . = . + 2 5 5 H EFFFK -; . + 6 ; / 6 2 . + 6 . . , ! / ,/ ! + ,/+ , / : 3 " 5 2 ?H R . GIR K 2 . 2 ( . @ - - 0 2 2 . / 2 ,/ 2 + ; 2 - - . @ . ! . 22 .,/ 0 - - 2 22 % B 2. ,= / . 1 2 @ . / / 21 . 1. 2 22 + : + . @ + .. ( 22 + - - 6 + . ,/ 0 2, D / 2D 6 1 2 H A $ GIIR EFK - . . ,/ 6 6 H V V V K . / 0 1 + W . X + 6 . + 2 6 H UK P + . 0 2 6 6 2 6; 0+ 0 # . + . / / . H U GIEK 8 GIP A . . 2 22
  23. 23. 6 0 + 2 .; 6 2 . .6 3 ,= . . . 262 . 21 . 0 . ; . 21 . . . . 2 2 / . . 2 . .= 6 < . 2 - 2 ,/ / 6 + ! 6 - . ,/ ; - + , S . . . - . - + ,/ . . ,= 6 6 0 < 2 / . . . 0 6 . . . , 22 = + , . . ! + , C 0 . . ,= . ,= + / .@.+ ,= . 6 .1 . 0 6+ 2,= . 2 ,= + ,= . 2 @ 6 < + . + . ,/ . 1 2 . . " + , 6 23
  24. 24. ( . " / / . .,/ . @ :O +" 0 + . 8 2- . . :O ! + , 2 = ! 3 A ,= 2 , . 2 . @ 0 22 . 1 2 ,/ 2 . + ,/ ,= ,/ 2 $ 0 : O. + , 2 = / + %/ / , ! ,= 1 ! . ,/ . ! @ . @ . + !$ 2 6+ 1 2 2/ 2 - / 1 + . / . ! 1+ ,/ @ 8 + - .. & 21 = 2 . . .2 2/ 2 3 . . = 2 + . . .1 2 . + ( 2 . - @ 2 2/ 2 < . 2 = - . . +< . ,= .,= @ 2= < . + - . . @ + . ,= + @ + 22 + 24
  25. 25. ,/ 2 . . 21 / O6 @ ,/ / . . . . 2 . .. $ . 6. + / . 2 1 . + - .. - . . 2 1 +. . . .$ @ 2 .. . , + = 6 . 2 . 3 / @ . . . . < . , - 2 !1 ,/ . 3 . 1 2 ,/ ,/ . + 0- . 0 2 . @ .3 + @ ; 0 @ 2 / 6 . 3 . + . ,/ / ,/ " . @ . . . 0 2 - . 2 2 2 ,= +$ & .1 ,/ @ 6 . ,= 1 .1 2 ! . . 2 2 + . ,/ @ 0 . , 0 2 $ . , 22 0 2@ . . ,/ 2 . / . ,/ 25
  26. 26. #() 7 # . & & 26
  27. 27. . . . 2 2 2 .Y : 0 H GIILK 0 . ! . / 2 2 . 55 2/ . . @ / . 2 2 . 2 . 1 H A K GIIJ EJ - . .,= + 2 2 2 1 , . / 1 . . , . / . + .$ + . + 2 . , ,= @ + ,/ .+ + W X. . + , + . H GIII EFLK . . - ,/ / . , 2 + , 6 7 . / D 6 2 + HK . H R GIP AEGPK . & . + H 8 AGIP EFK G . . ,/ . , 6 2 . : O - . . 5 # / +2 8 2 5 6 ! " 2 2 , 2 , / / 2 / . .@. 2 2 . H PPU GIP A P K( - . 6 . 6 2 + . Z; + , . 1. - . 1 . / 2 . 1 Z5/ = 2,/. . @ . 3 ; . @ - . 62 Z . / . / - 27
  28. 28. . . / 1 Z[ . . . . 6 Z$ . ,/ . + + < O ( @ + @ . @ . 2 22 . 6- @ < . . / . 2 @ . +1 O6 2 ,/ + ,/. . + N)C < 0 22 . . @ 0 + , + / . 2 1 2 ( . . 2 1 6 + 6- & . , + . , H A / GIIQ LK . . . ,/ 6 2 2 . . ,/ .. . 2 1 . . 2 $ +: 0 ? # H EFFFK 1 / . 2 . . . . . + @ . 2 . ( . ,/ ,/ 2 < .NC N . .1 ! ,/ . 6 6 . : O ,/ . . . + ,/ . 6 2 + - , / + 26 H . ,+ K H - . , K$ = + 22 . 0 . 2 . , 6 28
  29. 29. 0 . ,/ . = ,= , + + Y: 0 H GIILK + : ; - 0 +. 2 . = ,= , + - . ,= . = . 6. + - . . / .@. . + @ . . + @ 2 6 . . 2 2 . . .6 . . 2 5 . . 1 + . 2 + 2 + 2 + . . 2 . . + 0 . ,/O6 D + + - . ,/ 2 . 1 2 2,/ 2 ,/. . 6 2 2 . . . . . / $ . 2 . , , + 1 = . / . ,= . =5 !. . 2 . . . . .. . 1 . @ . 6 . . + 2 2 $. . 2 . . . 2 . , / ! . , . , . , # 6 . . . : 0 ( . 2- 2/ . @ ! ,/ 21 . . , .. . 2 . ,= = 2 . = + . . . M .5 ; . . UF J 2 2 ,/ 2 2, 2 / . . . - + 2 29

×