A Verdade Sobre os 144 Mil

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Autor: Leandro Bertoldo. Para mais obras acesse: http://pesquisasbiblicas.blogspot.com

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A Verdade Sobre os 144 Mil

  1. 1. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil A VERDADE SOBRE OS 144 MIL Leandro Bertoldo
  2. 2. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil Dedico este livro aos meus amados e falecidos pais José e Anita, aquem tudo devo pelo que hoje sou. À minha querida esposa Daisy, companheira detodas as horas, que nunca deixou de compreender a minha atividade de escritor. Àminha preciosíssima filha Beatriz, que nos conforta com a sua meiga e doce presença.Aos meus amorosos e felpudos cachorrinhos: Fofa, Pitucha, Calma e Mimo, pela alegriaproporcionada nas horas mais aborrecidas.
  3. 3. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil “Procuremos, com todo o poder que Deus nos tem dado, estarentre os cento e quarenta e quatro mil” (RH, 9 de março de 1905). Ellen Gould White Escritora, conferencista, conselheira, e educadora norte-americana. (1827-1915)
  4. 4. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil SumárioMeu TestemunhoResumoPrefácioIntrodução1 144 Mil: Literal ou Figurado2 144 Mil: Duas Listas de Tribos3 144 Mil: Testemunho dos Teólogos4 144 Mil: As Tribos Espirituais5 144 Mil: Um Quadrado Perfeito6 144 Mil: A Grande Multidão7 144 Mil: Padrões Paralelos8 144 Mil: O Cântico9 144 Mil: A Grande Multidão de Vivos10 144 Mil: A Resposta de João11 144 Mil: Paralelos com a Multidão12 144 Mil: O Espírito de Profecia13 144 Mil: Milhares e Milhares14 144 Mil: A Grande Tribulação15 144 Mil: As Provações16 144 Mil: Os Santos Vivos17 144 Mil: Todos Santos Vivos18 144 Mil: Os Santos Mortos19 144 Mil: A Sétima Praga20 144 Mil: Todos Justos Vivos21 144 Mil: O Assinalamento22 144 Mil: O Sinal de Deus23 144 Mil: O Sinal da Besta24 144 Mil: Apenas Dois Grupos25 144 Mil: O Início do Assinalamento26 144 Mil: O Fim do Assinalamento27 144 Mil: O Chip28 144 Mil: Os Mandamentos de Deus29 144 Mil: A Igreja Triunfante30 144 Mil: A Pregação do Evangelho31 144 Mil: As Primícias32 144 Mil: O Caráter33 144 Mil: As Honras Especiais34 144 Mil: Os Salvos Diante do TronoPosfácioAPÊNDICES: 144 Mil: Estudo Bíblico 144 Mil: Estudo Bíblico Comentado
  5. 5. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil 144 Mil: O Sinal da Besta 144 Mil: Aplicação do Sinal da Besta 144 Mil: O Sinal de Deus 144 Mil: O Assinalamento 144 Mil: O Caráter 144 Mil: O Tempo de Angústia 144 Mil: A Grande Tribulação 144 Mil: As Perseguições 144 Mil: A Grande Multidão 144 Mil: As Ressurreições Especiais 144 Mil: A VitóriaBibliografiaEpílogoEndereços
  6. 6. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil Meu Testemunho Meu nome é Leandro Bertoldo. Sou o primeiro filho do casal José BertoldoSobrinho e de Anita Leandro Bezerra. Nasci numa terça-feira do dia 03 de março de1959. Foi nesse dia que os Estados Unidos lançaram o primeiro satélite que conseguiuescapar da gravidade terrestre, o Pioneer 4, que passou a 60.000 km da Lua. Numa sexta-feira do dia 23 de setembro de 1960, o meu irmão FranciscoLeandro Bertoldo nasceu na cidade de Guarulhos – SP. Ele se casou com a escreventeCarla dos Reis Leandro Bertoldo, advindo o nascimento de dois saudáveis e inteligentesfilhos: Leandro e Felipe. Atualmente, meu irmão exerce a função de Oficial de Justiçaem Itaquaquecetuba. Mudança de Casa. Vim ao mundo no seio de uma humilde família denaturalidade cearense que, por ocasião do meu nascimento, residia no bairro doBelenzinho, localizado na capital do Estado de São Paulo. Alguns meses após o meunascimento, os meus pais mudaram-se para a cidade de Guarulhos, onde nasceu meuirmão. Posteriormente eles mudaram-se para o município de Ibiá, no Estado de MinasGerais, quando eu tinha apenas três anos de idade. Minha mãe me chamava pelo apelido de “Santo” e meu pai de “Gordo”. Até aossete anos, a minha infância foi muito tranquila. As duas casas onde morei no municípiode Ibiá tinham grandes quintais com muitas árvores, especialmente plantações debananeiras. Também tinha um grande galinheiro. Naquela época não havia tantos perigos em brincar na rua, de modo que eu tinhaa plena liberdade para brincar fora do quintal de casa. Eu era um garoto muito solitárioe, praticamente, não tive amigos. Minhas principais distrações consistiam em cavarburacos no fundo do quintal, colecionar pedrinhas e tampinhas de garrafas, subir emárvores, observar as nuvens, estrelas, insetos, pássaros e as galinhas do galinheiro, bemcomo ouvir as conversas dos adultos. Nova Mudança. Quando eu tinha cinco anos de idade, meus pais retornarampara o Estado de São Paulo, vindo fixar residência no bairro do Mogilar, na sossegadacidade de Mogi das Cruzes. Nesta mudança trouxemos de Minas Gerais um cachorro vira-lata macho de pêlobranco chamado “Titiu”, que uma vizinha havia dado de presente para o meu irmão. Eutinha um terrível medo desse cachorro, haja vista que ele mordia por qualquer coisa. Àmedida que foi ficando velho foi ficando cego e perdendo os dentes. Mesmo estandovelho, ainda tentava morder as pessoas com as gengivas. Ele morreu numa idade bemavançada, aos dezesseis anos. Nas casas em que morei na cidade de Mogi das Cruzes, os quintais aindacontinuavam sendo grandes. As minhas principais brincadeiras dessa época consistiamem construir brinquedos de legumes, madeira e papelão. Eu cortava latas de óleo comuma tesoura de ferro e construía lanternas elétricas, figuras de estrelas, casinhas etc.Gostava de soltar papagaios, rodar pião, jogar bolinhas de gude, andar de bicicleta,explorar terrenos baldios e os lixos da vizinhança à procura de algum brinquedo velhojogado fora.
  7. 7. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil Em minhas garimpagens pelos lixos da vizinhança lembro-me de ter achadomuitos brinquedos interessantes, como carrinhos, bolas, robozinhos, bonecas, lente deaumento, imãs, lanterna, gibis, revistas, moedas etc. Muitos desses brinquedos estavamquebrados, mas eu mesmo os consertava com arames, cola, tinta, pregos e parafusos.Muitas vezes tirava peças de alguns dos brinquedos quebrados para tornar outrosfuncionais. Atividades. Comecei a trabalhar muito cedo. Ajudava a minha mãe compequenos afazeres domésticos, tais como lavar e enxugar as louças, encerar o piso dacasa, lustrar o piso puxando o meu irmão num tapete, varrer o chão do quintal, tirar o pódos móveis etc. Esporadicamente, também trabalhei entregando nos bares ossalgadinhos produzidos pela dona Josefina e vendendo pelas ruas da cidade as balas decoco produzidas pela da dona Luíza. Também catava nos lixos do bairro cacos de vidro,pedaços de metais, papel e papelão para vender num ferro-velho localizado na RuaCasarejos, no bairro do Mogilar. Com o dinheiro obtido desses trabalhos eu ajudada aminha mãe e muitas outras vezes comprava doces e revistas em quadrinhos, que eramuma de minhas poucas diversões. Nossa família não possuía televisor, telefone, energia elétrica ou água encanada.Naquela época, no bairro em que morávamos, não havia iluminação pública. Ailuminação de minha casa era feita com lamparinas a querosene, que deixavam asnossas fossas nasais pretas pela fuligem que produziam. A água que bebíamos era tiradade um poço no fundo do quintal ou então recolhida de uma bica natural. As ruas eramde terra vermelha e quase sempre atolávamos os pés na lama produzida pelas chuvas.Uma vez ao ano, o Rio Tiete transbordava e o nosso quintal eram atingido pelas águasda enchente. Como qualquer criança, eu brincava naquelas águas, soltava barquinhos depapel e aproveitava para fazer pequenas pescarias. Meu Pai. Naquela época o meu pai era o meu herói. Eu gostava muito quandoele chegava do trabalho à tarde porque me sentia seguro e sem medo da escuridão danoite. Quando ele estava em casa tínhamos carne como mistura. Aos domingos pelamanhã ele dava dinheiro para minha mãe comprar coxinhas de batatas fabricadas pelajaponesa da esquina, que era nossa vizinha. Também era aos domingos que tínhamosmacarronada e frango cozido. Quando eu e meu irmão estávamos com mais idade, meupai nos levava numa pastelaria, localizada em frente da estação de trem, para comermossalgadinho com guaraná. Minha Mãe. Minha mãe foi a melhor mãe do mundo. Ela era baixinha e muitobonita. Também era muito inteligente e esperta. Minha mãe tornou-se uma mulher deoração. Foi ela quem me colocou no caminho da fé. Quando eu tinha seis anos de idade meu pai ameaçou abandonar a nossa famíliae voltar para o Ceará. Foi então que minha mãe pediu-me para orar pelo nosso lar.Segundo ela, Deus ouve as orações das crianças e até onde sei meu pai nunca nosabandonou. Foi a parti deste momento que passei a ter um interesse sempre crescentepelas coisas divinas. Desde então, nunca deixei de orar e jamais abandonei a minhaconvicção na existência de Deus. Durante toda a sua vida, a minha mãe enfrentou sérios problemas. Ela tinhaproblema de relacionamento com meu pai, problema com a falta de dinheiro, problemacom a frágil saúde de meu irmão e problemas com sua própria saúde emocional. Mesmopassando por todas essas dificuldades, ela sempre se esforçava para me agradar. De vezem quando ela comprava um doce ou alguma revista em quadrinhos, e quando faziacompras nas feiras livres, ela sempre costumava trazer algum suco ou algum salgadinho.
  8. 8. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil Dificuldades. Nem todas as recordações de minha infância são felizes porquemeu pai passou a trabalhar longe de casa e muitas vezes ficava ausente durantesemanas, meses e, até mesmo, anos. Minha mãe era muito medrosa e tinha medo deficar sozinha, isto me levava também a ter medo. Ela costumava contratar uma garotavizinha para lhe fazer companhia todas às noites. Eu não podia ter amigos ou colegas em casa. Nessa fase de minha infância,durante muitos anos, não podia brincar fora do quintal. Com exceção da comemoraçãodo meu aniversário de nove anos de idade, todos os demais ficaram na terra doesquecimento, e a maioria dos meus natais passou em brancas nuvens. Nestas ocasiões onatal tornava-se o dia mais triste de minha vida. Sentia-me muito solitário e entediadocom os meus próprios pensamentos. Para agravar a situação, os meus afazeresdomésticos viraram obrigações. Curso Primário. Quando completei sete anos de idade fui matriculado naEscola Primária Leonor de Oliveira Mello. Eu não estava preparado para ficar na escolalonge de minha mãe, razão pela qual não fui muito bem nos primeiros anos escolares.Era a primeira vez que ficava longe de casa e de minha mãe. Minhas primeirasprofessoras eram emotivamente instáveis, indiferentes e distantes. Sentia-me sozinho,abandonado e amedrontado. Eu chorava todos os dias com o rosto voltado para parededa escola para que ninguém pudesse me ver naquela situação constrangedora. No primeiro dia de aula, meus pais advertiram-me de que, caso eu brigasse naescola e apanhasse, então quando chegasse em casa levaria outra surra. Diante dessaameaça, muitas vezes eu apanhava na escola e ficava quieto para não levar outra surraem casa. No terceiro ano primário, ao fugir de um menino briguento chamado Paulo,acabei pisando em falso e desloquei o calcanhar, mas não contei nada para ninguém.Durante anos fiquei com o calcanhar deslocado, até que na sétima séria ginasial, o seuNelson, professor de matemática, observando o meu caminhar pediu-me para ver osmeus pés e colocou o meu calcanhar no lugar. Desde então nunca mais senti qualquerespécie de dor no calcanhar. No quarto ano primário um menino gostava de dar-me petelecos na cabeça, masum dia revoltei-me com tudo aquilo e lhe dei um violento murro no meio da barriga. Elejamais esperava a minha reação e ficou aturdido. Desde então, ele passou a me respeitarcom temor. Senti-me muito bem e mais confiante, porém não contei nada aos meus pais.Desde este acontecimento jamais permiti que alguém me molestasse sem que eureagisse. Durante os anos decorridos no período primário eu gostava de desmontarrelógios velhos, despertadores quebrados, isqueiros, pilhas elétricas, rádios à pilha,lanternas à pilha ou qualquer outro tipo de mecanismo ou aparelho eletrônico queganhasse ou pudesse encontrar nos lixos. Sentia uma enorme curiosidade para sabercomo as coisas funcionavam. Também foi na quarta série primária que me apaixoneipor uma aluna chamada Maria Antonieta. Ela tinha um longo cabelo preto, usavaóculos, era bonita e muito inteligente. Curso Ginasial. Quando terminei o curso primário minha família mudou-separa o bairro da Vila Industrial, em Mogi das Cruzes, onde meu pai tinha comprado umimóvel residencial. Logo a seguir fui matriculado no curso ginasial da Escola Estadual de 1º Grau -Dr. Deodato Wertheimer. Neste período escolar comecei a desenvolver-meintelectualmente, interessando-me pelas aulas de ciências e literatura. Nessa época tive
  9. 9. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Milmuitas paixões platônicas. Apaixonei-me por Iara, Rosana, Roselena, Roseli, Selma,Zenita e tantas outras que nem me lembro do nome. Tive muitos colegas e amigos, entre os quais se destacaram o Cláudio, Pedro,Ademar, Celinho, Luiz Carlos, Almir, Marcelo, Mauro e tantos outros. Nessa época,meu apelido na escola era “Tiradentes” porque precocemente tive farta barba e minhapele era tão sensível que não conseguia barbear-me. Em 1974 meu pai adquiriu um botequim conhecido como “Big Bar”, localizadoem Mogi das Cruzes. Porém, ele nunca ficou sequer um dia no bar, mas colocou-mepara trabalhar naquele local junto com um administrador chamado Oswaldo. Decorridoalgum tempo, o administrador, que mais bebida do que administrava, largou a função eeu tive que assumir o seu lugar. Em menos de um ano o botequim entrou em falência.Ninguém queria beber pinga ou cerveja com um adolescente com ares de intelectual quenão bebia e nem gostava das conversas fiadas dos bêbados. Nesse período meu paimatriculou-me num curso de datilografia, no qual fui aprovado com excelente nota. Entre 1974 a 1977 escrevi algumas cadernetas – mais precisamente dezenovecadernetas – onde registrava as minhas próprias idéias, pensamentos e pesquisasoriginais. A epígrafe de todas essas cadernetas era a seguinte: “O mundo é pequeno,mas o conhecimento é grande”. Nelas desenvolvi alguns códigos secretos, escrevipoesias, estórias em quadrinhos, músicas, artes, matemática, teorias científicas, idealizeimotos-perpétuos e muitas outras invenções etc. Enfim, durante anos, eu registravalivremente nessas cadernetas todas as imaginações dos meus pensamentos. Nelas eu medava ao luxo de ser inovador e criativo. O principal mérito dessas cadernetas é que elasrepresentam a minha modesta libertação e independência intelectual. Curso Colegial. Terminando o curso ginasial, matriculei-me no curso colegialda Escola Estadual de 2º Grau - Francisco Ferreira Lopes. Nesses três anos de colégiominha vida sofreu uma verdadeira revolução. Comecei a trabalhar no Fórum de Mogidas Cruzes como Auxiliar Judiciário no Cartório do Distribuidor. Iniciei minhasproduções científicas sérias. Comecei a escrever um tratado matemático sobreElasticidade, outro sobre Fotodinâmica e ainda outro sobre o Fluxo do Tempo. Meu paiensinou-se a dirigir e presenteou-me com um Volkswagen Fusca vermelho, ano 1966.Por cinco meses tive uma namorada loira de olhos azuis chamada Márcia. No últimoano do colégio fui convocado para servir o exército. Minha mãe também serviu comigoacordando-me todas as madrugadas. Naquela época eu trabalhava das 9h00 às 17h00 no Cartório do DistribuidorJudicial, localizado Fórum de Mogi das Cruzes. Após o trabalho, eu chegava em casa,tomava um banho jantava e dirigia-me para o colégio para entrar às 19h00. Quandoterminava as aulas, eu retornava para casa quase 11h00 e acordava às 4h30 parapreparar-me para o Tiro de Guerra. Fiz o curso de “Cabo” e dei baixa com “Honra aoMérito”. O exército foi um grande divisor de águas em minha vida, especialmenteporque senti que havia abandonado a adolescência para tornar-me um adulto. Universidade. Terminado o colégio realizei o vestibular na área de CiênciasExatas e Tecnológicas com o objetivo de estudar Física. Disputando uma vaga entrecem interessados, fui aprovado e matriculei-me na Universidade de Mogi das Cruzes –UMC. Durante os anos de faculdade dediquei os meus melhores esforços nodesenvolvimento de minhas próprias teorias cientificas. Não levava a sério o curso dafaculdade e nem estudava para as provas porque eu estava por demais envolvido emminhas próprias pesquisas. Eu gostava das aulas de laboratório de Física, Química e deBiologia.
  10. 10. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil Muitos professores eram enfadonhos e, com exceção do professor de Geologia,todos os demais eram desprovidos de didática. Eles ensinavam física como se estivessetratando de demonstrações matemáticas. Os fenômenos físicos que estava por detrás dasdemonstrações era apenas um nome. É claro que na faculdade também havia uns poucos excelentes professores.Alguns eram inteligentes, outros nem tanto. Lembro-me de que, quando estava noterceiro ano do curso de Física, um professor fazia no quadro uma demonstraçãomatemática elementar da teoria do francês De Broglie sobre as ondas de matéria, a qualeu conhecida muito bem. Porém, ao terminar a sua demonstração, ele havia chegado aum resultado inesperado, o qual o deixou claramente confuso. Percebendo que eleestava atrapalhado, solicitei-lhe a palavra e indiquei onde havia um equivoco em suademonstração. Ele, gentilmente, agradeceu-me, consertou a demonstração e continuoucom a sua apresentação. Produções Científicas. Todas as minhas principais realizações científicassituam-se entre os anos de 1978 a julho de 1985. Em 1976 descobri a Teoria doDinamismo e a sistematizei em 1978. Esta teoria apresenta uma nova abordagem daforça, na qual o corpo mantém o seu estado de movimento, devindo a uma forçainduzida, a menos que uma força externa atue sobre ele alterando a força induzida, oque produz uma mudança no movimento. Nos anos de 1979 a 1981 escrevi um longotratado sobre Elasticidade, estudando exaustivamente as propriedades físicasmacroscópicas das deformações elásticas. Entre 1978-1985 escrevi quarenta e seisartigos, defendendo diversas teses inéditas na área da Matemática. Em 1980-1981 crieio Calculo Modular, que procura calcular a tendência da função à unidade. Entre 1981-1982 idealizei a Geometria Leandroniana, criando um novo plano geométricoconsistente em dois eixos verticais, sendo o primeiro chamado de eixo das abscissas e osegundo de eixo das ordenadas. Tinha o intuito de estudar as propriedades biunívocascom o designo de transformar a Teoria do Conjunto numa Geometria. Em Janeiro de1983, concebi a Teoria Matemática do Cálculo Seguimental, que estuda os seguimentosdas Permutações e dos Arranjos. Além dessas produções, entre os anos de 1978-1985também desenvolvi centenas de outras teses originais abrangendo a Física Clássica e aFísica Moderna. Algumas Teses. A título de exemplo segue o abstract de algumas de minhasteses científicas, entre centenas de outras, que foram produzidas fundamentadas namatemática entre os anos de 1978 a 1985. 1. Em Eletrodinâmica Elementar, procurei estudar as propriedades elétricas daspartículas elementares relacionando com as suas propriedades ondulatórias. 2. Desenvolvi a Teoria da Absorciologia ao preocupar-me com o estudo dasmais diversas situações que envolvem a absorção de fluídos pelos corpos absorvedores. 3. Na Teoria da Mecânica Elementar procurei estudar a Cinemática e a Dinâmicados corpúsculos em termos de suas propriedades ondulatórias. 4. Estudando o campo magnético do planeta, ocorreu-me que tal campo nãoestaria limitado ao núcleo de ferro no centro da Terra, mas devia-se ao cinturão departículas elétricas que circulam o globo planetário (ionosfera). Ao calcular qual seria aintensidade do campo magnético terrestre pela minha hipótese, pude constatar que o seuvalor estava muito próximo ao que atualmente é aceito. 5. Num outro artigo demonstrei que a energia se converte em massa emquantidades fundamentais e indivisíveis, que chamei de quantas de massa. Basicamenteessa teoria defende a tese de que quando a energia é transformada em matéria, mudandode um estado para outro, ela o faz em saltos quânticos, ou seja, em valores discretos, de
  11. 11. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Miltal modo que não é possível a existência de nenhum valor intermediário. Com isso ateoria prevê a existência de uma partícula de menor massa possível. É a partículafundamental constituinte de toda a matéria do Universo. 6. Também propus com fundamento na matemática que os corpúsculos comvelocidades próximas à da luz sofre um encurtamento em seu comprimento de onda.Outra consequência a respeito do efeito físico do movimento corpuscular em altavelocidade é a contração do período de onda, que se torna cada vez menor à medida quea velocidade do corpúsculo se aproxima da velocidade da luz. Nesse processo, afrequência sofre um aumento e se torna infinita quando alcança a velocidade da luz. 7. Com o objetivo de encontrar uma equação ou um método que pudesse prevera sequência dos números mágicos dos níveis energéticos do núcleo atômico, observeique o diagrama de níveis de energia nucleares dispostos abaixo da energia de Fermi emníveis energéticos e suas capacidades em ordem crescente de energia poderiam serreclassificada em “grupos de energia” ou “grupo de níveis”. Com isso cheguei àconclusão de que os números mágicos poderiam ser calculados ou previstos porintermédio da minha Teoria do Cálculo Seguimental. 8. Desenvolvi uma teoria molecular sobre a força de resistência que o ar exerceem objetos que se deslocam no seu meio. As deduções matemáticas obtidas em funçãode tal teoria concordam perfeitamente com os resultados empíricos até entãoconhecidos, tanto para o Movimento Uniforme quanto para o MovimentoUniformemente Variado. 9. Também defendi a tese matemática de que Universo sofre uma depreciação àmedida que sua energia utilizável sofre uma diminuição. Portanto, ao conceito dedegradação da energia, associei o conceito físico de depreciação. Ficandocaracterizado que a depreciação evidência uma propriedade intrínseca dos sistemas.Assim, o valor da depreciação aumenta quando aumenta a degradação da energia. Casamento. No segundo ano da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnológicasfiz um estágio obrigatório no período noturno, que durou dois meses na Escola Estadualde 1º Grau - Dr. Deodato Wertheimer. Nessa escola conheci uma aluna chamadaFrancineide Maciel. Ela morava na casa do senhor Expedito e da dona Luzia, ondeprestava pequenos serviços domésticos. Como o meu chefe Silvio da Silva Pires estava contratando funcionárias para oCartório do Distribuidor Judicial de Mogi das Cruzes, ofereci-lhe uma das duas vagasexistentes. Em resposta, ela disse que iria aconselha-se com o seu Expedito e a donaLuzia. Tendo recebido a aprovação, a Francineide aceitou o emprego. Quase queimediatamente comecei a namorá-la e um ano depois ela tornou-se minha esposa. Por insistência de minha mãe, o meu pai construiu dois cômodos com umbanheiro no fundo de sua casa. Tais cômodos foram pintados na cor azul-celeste, a corpreferida de meu pai. Após o meu casamento, passei a morar naqueles cômodos.Mobiliei a casa inteirinha pelo crediário “a perder de vista” das lojas Ultralar e CasasBahia. Comprei fogão, geladeira, guarda-louças, armários, mesa e cadeiras. Todos essesmóveis eram da cor azul-celeste. Também comprei um televisor portátil, rádio relógio,estante, guarda-roupa, cama de casal, criado-mudo, um tapete grande, jogo de panelas,pratos, talheres e eletrodomésticos como liquidificador e batedeira. Francineide era muito viva, alegre e falante, embora tivesse um temperamentomuito forte e fosse obstinadamente determinada. Quando a conheci, ela tinha seindisposto com todas as colegas de sua classe. Certo dia, aproximadamente umas dezalunas de sua classe reuniram-se com o objetivo de linchar a Francineide no término dohorário escolar. Fiquei sabendo e fui buscá-la com a intenção de intimidar as garotascom a minha presença, mas não adiantou muito. Elas nos seguiram por vários
  12. 12. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Milquarteirões, gritando ordem de linchamento. Muitos curiosos começaram a juntar-se aobando. Como a situação estava ficando grave, entrei numa residência, devidamenteautorizado pelo morador, e solicitei reforço policial para dissipar aquelas arruaceiras.Quando as garotas souberam que a polícia fora chamada elas se debandaram e a arruaçaacabou. Minha filha. Minha filha Beatriz Maciel Bertoldo nasceu no Hospital eMaternidade Ipiranga de Mogi das Cruzes. Com a concordância da Francineide, eu aregistrei com o nome de “Beatriz” em homenagem à amada Beatriz de Dante Alighieri. A princesa do meu mundo nasceu de parto normal, às 7h00 do dia 04 defevereiro de 1982, pesando três quilos e duzentos e cinquenta gramas e tinha umaestatura de 50 centímetros. Quando fui visitá-la na maternidade, a enfermeira mostrou-me uma lindacriancinha de madeixas douradas. Através do vidro da maternidade pude observar que aminha recém-nascida estava toda enrolada num grosso tecido de cor cinza e com osbraços para fora. A enfermeira informou-me que a menina não deixava enrolar osbraços. Após sair da maternidade, uma forte emoção abateu-se sobre o meu coração.Comecei a chorar copiosamente e incontrolavelmente. Era um choro de felicidade,alegria e de gozo. Eu havia tornado pai de uma saudável menina, a mais linda domundo. Três dias depois a parturiente Francineide teve alta hospitalar. Quando fui buscá-la percebi que havia me esquecido de levar as roupinhas do bebê. Porém, as enfermeiraspermitiram que a criancinha saísse do berçário vestida com as roupas da maternidade,que era um conjunto cinza e rústico parecendo uniforme de presidiário. Essa meninatem sido um tesouro especial e agradeço a Deus por ter-me concedido a graça dereceber tamanha dádiva. Com o nascimento de minha linda filha pude sentir a tremenda responsabilidadeque meus pais enfrentaram para criar-me. Passei a ter mais admiração e respeito pelosesforços que minha mãe desprendeu para cuidar e educar de seus dois filhos. Desentendimentos. O meu casamento com a Francineide durou exatamentequatro anos e dois meses. Durante todo esse tempo, eu sentia uma forte insegurança emmeu relacionamento matrimonial. Essa insegurança nasceu em meu espírito quandoalgumas semanas depois do casamento ela disse-me o seguinte: – Caso o nosso casamento não dê certo, a separação existe para resolver esseproblema. A partir desse momento em diante um ciúme doentio passou a dominar o meucoração. Eu sentia ciúme de sua maquiagem, de seu esmalte e batom, de suas roupas, desuas amizades, de suas conversas etc. Constantes eram as cobranças da Francineide. Ela queria casa, carro e certo luxo,mas eu não tinha recursos financeiros para satisfazê-la. Não tinha a mínima condição decomprar-lhe uma mansão com piscina como era o seu desejo, afinal de contas eu tinhaapenas vinte e dois anos de idade e estava começando a vida. Eu procurava economizar tudo o que podia para tentar realizar o sonho dela. Porcausa da minha obstinação em economizar tornei-me, até mesmo, avarento. O meuúnico prazer se tornou em ganhar e guardar. Eu não mandava mais no dinheiro, mas odinheiro mandava em mim. Parei de comprar roupas novas, sapatos ou qualquer outrogênero de primeira necessidade. Além disso, todo tipo de lixo, como prego, parafuso,arruela etc., que achava pelas ruas, eu os levava para casa na esperança de ter alguma
  13. 13. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Milutilidade ulterior. Eu dizia “um dia desses posso precisar dessas coisas”. Nunca preciseide nada, mas juntava todos os tipos de cacarecos que achava pelas ruas. Apesar dos meus esforços a Francineide não tinha paciência e as brigastornaram-se constantes e mais agressivas. Sua frase preferida era a seguinte: – Isso é o que dá casar com um pé rapado. Confesso que essa frase magoou-me profundamente. Ela não reconhecia os meusesforços. Separação. Depois de mais uma feia discussão, Francineide ficou sem conversarcomigo durante dois meses. Para romper o silêncio eu sempre procurava algum assuntopara conversar. Mas ela me ignorava totalmente e não dava nenhuma resposta.Finalmente, numa fria tarde do fatídico dia 21 de setembro de 1985, numa de minhasabordagens, ela rompeu o silêncio e disse: – Realmente precisamos conversar. Eu quero a separação. Não aguento maisessa vida. Sinto que estou desperdiçando a minha vida com você. Tentei contra argumentar dizendo que mudaria o meu comportamento e que tudoseria diferente. Mas ela não quis nem saber; já tinha tomado a decisão de romper ocasamento e dar um novo rumo à sua própria vida. Então pegando um saco de pano, ela colocou algumas roupas e alguns pertencespessoais, e dando-me um beijo de despedida no rosto, saiu pela porta da cozinha emdireção ao corredor que passava em frente da porta da casa de minha mãe. Peguei no colo a minha filhinha que chorava copiosamente e fiquei olhando aFrancineide ir embora. Quando ela estava atravessando o corredor, a minha mãe tentouimpedi-la, segurando-a a força. Então eu disse para a minha mãe: – Deixa-a ir. Se ela quer assim, não posso fazer nada para impedi-la. – Foi entãoque a minha mãe a soltou. Eu não estava preparado para a separação, e mergulhei em profunda tristeza edepressão. Não sentia mais vontade de viver, alimentar-me ou fazer qualquer outracoisa. Sentia-me humilhado e fracassado. Em minha angústia perdi em seis meses quasetrinta quilos, o que foi bom já que estava com noventa e quatro quilos. Aqueles foram dias muitos difíceis de caminhar rumo à vida. Meu mundo estavaacabando, meus sonhos estavam sendo destruídos e a minha vida estava sendoaniquilada. A partir de então, tudo se tornou vazio, triste, frio e escuro. Os dias ficaramnublados, os pássaros eram tristes e as flores eram secas. Eu nunca havia passado portamanho sofrimento e angústia. Em meu desespero e aflição fiz de tudo para reatar o casamento que estava sedesfazendo, mas não obtive nenhum sucesso. Pedi, implorei, agradei, briguei e rezei,mas tudo fracassou. Procurei até mesmo um centro espírita para resolver o meuproblema. Conversei com os médiuns e com os espíritos e também de nada adiantou. Minha solidão era muito grande, o meu vazio era imenso e minha tristezaparecia não ter fim. Não conseguia dormir e somente vivia chorando pelos cantos.Naqueles dias não eu conseguia enxergar qualquer luz no fundo do túnel em que meencontrava. Eu perambulava na solidão do vazio que minha vida havia se transformado.A minha única companheira de todos os instantes era uma profunda tristeza e nadamais. Curso Bíblico. Cinco meses após a separação, com o coração ainda ferido pelosofrimento e partido pela dor do abandono, solicitei o curso bíblico intitulado “Encontrocom a Vida”, que vinha sendo ministrado aos meus colegas de cartório pela funcionáriaCélia Regina de Souza Xavier.
  14. 14. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil Confesso que a princípio fiz as lições do curso simplesmente por fazer, semmaiores interesses, pretensões ou compromissos. À medida que avançava no estudo daslições, uma frase começou a martelar em minha mente: “toda escritura é divinamenteinspirada”. Isto me levou a refletir na natureza das palavras registradas na BíbliaSagrada. Quando chegou o estudo da lição de número dez, intitulada “Quem Criou oDiabo” foi a gota d’água. Naquela época eu ainda estava frequentando o centro espírita,mas essa lição, em particular, me despertou das trevas em que me encontrava para umamaravilhosa luz. Então compreendi minha condição de homem perdido e tive umvislumbre de uma realidade espiritual que vai além da imaginação. Imediatamente descobri que todo esse tempo eu estivera conversando comdemônios. Reconheci que o diabo existe e que, se o diabo existe, então Deus tambémexiste. Pela primeira vez em minha vida estava encontrando fortes evidências paraapoiar a minha fé. Raciocinei que, caso me tornasse cristão, eu seria salvo,independentemente do espiritismo ser verdadeiro ou falso, já que supostamente oespírito é imortal. Também raciocinei que, caso me tornasse espírita, eu não seria salvo,se o cristianismo fosse verdadeiro, já que a salvação é condicional à fé em Cristo Jesus.Abandonei o centro espírita e passei a invocar o nome do Senhor. Separação Judicial. Comecei a jejuar e a orar incessantemente. Algumas vezesmeus jejuns duravam três dias. Numa noite, suplicando ao Senhor pela restauração domeu casamento, pude ouvir claramente a voz do Senhor no interior do meu ser. Essavoz me fez a seguinte pergunta: – Leandro, você continuará sendo fiel a Mim, caso o seu casamento sejarestaurado? Imediatamente, do interior de minhas convicções irrompeu uma resposta que nãopude controlar: – “Não, eu não quero compromisso. Eu só quero minha esposa de volta!” Então aquela voz tornou a falar comigo: – “Então, Eu não a trarei de volta”. Imediatamente perdi minha esperança de restaurar o meu casamento. Na semanaseguinte dei entrada com as papeladas no Judiciário pedindo a Separação JudicialAmigável. Visitando a Igreja. Desde que eu havia deixado de frequentar o centro espírita,resolvi atender ao convite da Célia Xavier e de seu solícito esposo Valdir GonçalvesXavier, passando a visitar regularmente a Igreja Adventista do Sétimo Dia de Sabaúna.Sempre estive acompanhado pela minha adorada filha Beatriz, que na época contavaapenas quatro anos de idade. Eu gostava de ouvir as pregações do Dr. Francisco Romero Marques. Elepregava a Palavra de Deus com profundidade e conhecimento de causa. Suascampanhas sobre tratamentos naturais foram extraordinárias. Esse servo de Deus foipioneiro na fundação da Igreja Adventista do Sétimo Dia de Sabaúna. Depois de quatro meses frequentando a igreja de Sabaúna, fui orientado pelaCélia e pelo Valdir Xavier para frequentar a Igreja Adventista do Sétimo Dia de Mogidas Cruzes, porque ela estava localizada próximo de minha residência. No primeiro sábado em que visitei a Igreja Adventista de Mogi das Cruzes, fuimuito bem recebido pela irmandade. Vários membros da congregação ofereceram-meos seus hinários e as suas bíblias para que eu e minha filha pudéssemos acompanhar oato litúrgico.
  15. 15. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil Nova Paixão. Neste mesmo dia a minha atenção foi imediatamente despertadapara um trio de moças que cantavam no púlpito da igreja, na hora do culto divino. Estetrio era formado pela Margarete, Daisy e Eliana. Enquanto elas cantavam, senti uma forte atração por uma dessas moças. Elachamava-se Daisy Menezes, uma morena clara de baixa estatura, esbelta e bemproporcionada em relação à sua altura e peso. Ela se destacava pelos olhos vivazes,sorriso apaixonante, simpatia e simplicidade. Na época ela era secretária da EscolaAdventista Modelo. Eu a amei deste o primeiro momento. Senti que essa era mulher queDeus havia preparado para ser a minha querida companheira de vida. Estudos Bíblicos. Em atenção ao amável convite feito pelo professor PedroB’ärg, em setembro de 1986, matriculei-me na Classe Bíblica da Igreja Adventista doSétimo Dia de Mogi das Cruzes. A classe funcionava todas as tardes de sábado às 16h00numa das salas de aula da Escola Adventista Modelo. Durante um ano frequentei assiduamente as aulas ministradas naquela classe. Fizcentenas de perguntas ao professor Pedro B’ärg, que sempre procurava respondê-lasmostrando nas Escrituras Sagradas a razão de sua resposta. Pedro B’ärg é tido como um profissional muito competente na área daalfaiataria. Muitos fregueses viajavam até mesmo de outros Estados para solicitar-lhe aconfecção de camisas, calças e ternos. Ele é muito querido pela comunidade local. É umhomem muito bondoso e altamente respeitável. Juntamente com Ozias Pereira, foi umadas colunas da Igreja Adventista do Sétimo Dia de Mogi das Cruzes e um dos pioneirosda Igreja Adventista do Sétimo Dia de Suzano. Fez Teologia, mas não chegou a concluiro curso devido a certas dificuldades de ordem particular. Batismo. Atendendo ao apelo feito pelo professor Pedro B’ärg em agosto de1987, tomei a decisão de ser batizado. Uma semana depois, após o culto divino, fuientrevistado pelo pastor Davi Marski, o qual preencheu a minha ficha batismal e fezuma oração comigo. Em 26 de setembro de 1987, no “batismo da primavera”, recebi o santo batismo.Nesse mesmo dia mais de três dezenas de pessoas também foram batizadas pelo pastorDavi Marski. No dia do meu batismo, a Igreja estava lotada e toda ornamentada com flores eramos. Os batizandos ficaram aguardando no átrio da igreja a chamada do seu nome,que seria feito pela apresentadora, Rute Marski, esposa do pastor. Quando o nome do batizando era mencionado ele entrava na igreja e caminhavapelo corretor central em direção ao púlpito. Enquanto isso, a apresentadora lia umapequena biografia do batizando. Terminada a leitura o batizando sentava-se num dosbancos da frente e o próximo nome era chamado e o ritual repetia-se. Quando terminou o cerimonial religioso do batismo, os batizandos retornarampara o átrio da igreja, onde foram felicitados por todos os membros. Um doscumprimentos que nunca me esqueci foi a do professor Pedro B’ärg que, após abraçar-me, disse o seguinte: – “Se fiel até a morte” disse Jesus “e dar-te-ei a coroa da vida”. Durante toda a minha vida de cristão regenerado pelo poder da Palavra de Deus,tenho refletindo muito nessa expressão. Sinto que ela é uma mensagem do Senhor, quefoi especialmente dirigido à minha pessoa, como uma advertência. Culto de Oração. Em julho de 1988, minha filha e eu passamos a assistir aoscultos matutinos de oração dirigidos pela irmã Maria Vaz de Faria Xavier e que eramrealizados todos os sábados entre 7h00-8h00 na igreja central de Mogi das Cruzes.
  16. 16. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil Certa manhã de sábado ao dirigir-me para o culto de oração, um indigentemaltrapilho solicitou-me ajuda. Eu disse que não tinha nada comigo, como de fato nãotinha. Disse-lhe ainda que eu estava indo para a igreja. Enquanto eu caminhava, ele meacompanhava e desfiava um rosário de contratempos que ocorreram em sua vida.Quando chegamos à porta da igreja ele chorava copiosamente, dei-lhe um abraço com aintenção de confortá-lo e o convidei a entrar, com o que ele consentiu. Os irmãos forammuito solícitos e levaram-no para tomar um banho, deram-lhe roupas novas e umreforçado café da manhã. O indigente assistiu o culto divino e foi embora deixando apromessa de procurar a igreja adventista em sua cidade. Mais tarde pude observar que aminha roupa havia ficado impregnada pelo cheiro de indigente. Por mais que eu alavasse, jamais consegui tirar o cheiro de chiqueiro da roupa. Tive que queimá-la, postoque se tornou imprestável para uso. Embora eu tenha frequentado o culto de oração administrado pela irmã MariaXavier apenas por alguns meses, as músicas, os testemunhos, as meditações e as oraçõesficaram indelevelmente gravadas em minha memória. Ainda posso sentir o frescordaquelas manhãs de sábado enchendo o meu coração de alegria. Culto de Poder. Também frequentei por vários meses e com grande interesse oseminário dirigido pelo irmão Yolando Fisch, intitulado “Chuva Serôdia – PoderTransformador”. Esse seminário era realizado todas às tardes de sábado a partir das 14h00. Osparticipantes eram exortados a prepararem-se para receber a Chuva Serôdia. Todosdeveriam falar, orar e pedir o poder da Chuva Serôdia para pregar o evangelho. Pela Bíblia e pelo Espírito de Profecia, o irmão Yolando Fisch ministrava váriosassuntos, entre os quais se destacavam: natureza do Espírito Santo, dons espirituais,chuva temporã, chuva serôdia, sacudidura, reavivamento e reforma. O irmão Yolandocostumava dizer: – Pelo batismo do Espírito Santo da promessa devemos pleitear agora, devemo-nos reunir em pequeninos grupos para pedir auxílio especial e sabedoria celestial. A maior parte dos membros que frequentaram o seminário “Chuva Serôdia –Poder Transformador” tornaram-se missionários voluntários e bem sucedidosganhadores de almas. Timidez Excessiva. Desde o primeiro momento em que vi a Daisy Menezescantando naquele trio, a minha paixão por ela jamais esmoreceu. Gostava realmentedela, mas não tinha coragem para lhe dizer. Por mais de um ano, tentei por todos os meios possíveis aproximar-se dela.Porém, devido à minha excessiva timidez e insegurança, originada pelo fracasso do meucasamento, eu não conseguia aproximar-me da moça. Estando loucamente apaixonado, não conseguia imaginar algum assunto paratravar com ela numa conversa amigável. Para complicar a situação, disseram-me que aDaisy era inacessível porque era uma professora muito culta e inteligente que falavadois idiomas e que seria muito difícil eu conseguir relacionar-me com ela. Tudo issosomente serviu para intimidar-me ainda mais. Ficava imaginando que espécie deconversa eu poderia ter com uma moça tão inteligente? Durante mais de um ano, eu vinha orando diariamente para alcançar o coraçãoda Daisy. Porém, a jovem nem desconfiava de minha existência. Fiz de tudo paraaproximar-me dela, mas eu sempre desistia antes de falar-lhe sobre qualquer assunto.Não consegui nem mesmo chamar a sua atenção.
  17. 17. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil Decorrido mais de um ano orando e jejuando, vendo que de nada estavaadiantando os meus débeis esforços para travar contato seguro com a jovem, resolvitomar uma decisão inusitada. Última Oração. Era um domingo e resolvi realizar a minha última oração sobreesta questão, que tanto me atormentava. Minha oração tinha o seguinte teor: “Senhor,estou cansado e angustiado de tanto orar e esperar pela Daisy. Todos os meus esforçospara travar contato com ela foram infrutíferos. Peço que neste momento o Senhor retireeste pesado fardo de minha vida e coloque em Suas mãos. Faça o que achar melhor.Acatarei a Sua decisão, seja ela qual for. Somente peço que sonde as profundezas domeu coração e veja os meus sentimentos, a minha sinceridade e as minhas intenções eque tudo seja feita conforme a Tua vontade”. A partir daquele instante, sentiimediatamente um grande alivio. Parecia que um enorme peso fora tirado de meusombros. Agora o problema não era mais meu e sim de Deus. Solução de Deus. Na segunda-feira fui trabalhar normalmente no SegundoCartório de Justiça Cível, no Fórum de Mogi das Cruzes. Quando o relógio marcou13h30, por uma simples brincadeira, fiz um pequeno anel de arame e fui entregar para agarota que tirava cópias de Xerox na sala ao lado. Nesse momento, ao entrar na sala,tive uma grande surpresa. Quando olhei para o balcão vi a Daisy aguardando para seratendida por algum funcionário. Fiquei atordoado. Não conseguia acreditar no que estava vendo, mas estando emmeu ambiente de trabalho sentia-me seguro. Sem pensar duas vezes, aproximei-me daDaisy e, cumprimentando-a, perguntei-lhe o que desejava. Ela explicou-me que tinhavindo inscrever-se no concurso público para escrevente e que a funcionária daadministração do Fórum estava solicitando Xerox de seus documentos pessoais paraefetivar a inscrição. Tremendo da cabeça aos pés, solicitei-lhe os documentos e levei-os para a garotatirar a Xerox. A seguir, sem saber por que, acompanhei a Daisy até a sala de inscriçãodo concurso. Prontifiquei-me a arranjar-lhe algumas apostilas sobre as matérias quecairiam nas provas do concurso. Após, despedi-me, voltei radiante para o meu local detrabalho. Finalmente eu havia conseguido conversar pela primeira vez com da Daisy eainda teria a oportunidade de conversar novamente, quando fosse levar as apostilas. No dia seguinte às 8h00 dirigi-me para o seu local de trabalho na EscolaAdventista Modelo. Levava em minhas mãos as duas apostilas de concurso paraescrevente. Ao entregar-lhe as apostilas, expliquei-lhe rapidamente o conteúdo de cadauma delas. A seguir ela agradeceu a gentileza e fui embora para o meu local de trabalho. Passado alguns dias, mandei-lhe um ramalhete de flores acompanhado por umbelo relógio feminino onde mandei gravar a seguinte mensagem: “Daisy com carinhoLeandro”. Ela ligou e agradeceu pelo presente. Mais tarde fiquei sabendo pelas suascolegas de trabalho que, durante aquele dia, ela ficava muitas vezes entretidaobservando o relógio. Que coisas poderiam estar ocorrendo em sua mente? Em 23 de novembro de 1987, escrevi-lhe uma longa poesia contando-lhe sobre omeu grande amor, e a remeti pelo correio. Numa tarde, ela ligou e disse que haviarecebido a minha carta e que precisávamos conversar. Eu disse que sim. Entãomarcamos um encontro que seria realizado numa tarde de quinta-feira na IgrejaAdventista do Sétimo Dia de Mogi das Cruzes, durante o casamento do Silvano e daKátia Moyano. O Encontro. Na quinta-feira solicitei ao meu chefe para sair mais cedo dotrabalho, com o que ele consentiu. Então fui para minha casa, tomei um banho, escovei
  18. 18. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Milos dentes, penteei os cabelos, coloquei a minha melhor roupa, perfumei-me e fui para aigreja. Por estar atrasada ao encontro, pensei que a Daisy havia desistido. Porém, vinteminutos depois, ela compareceu e estava simplesmente linda. Trajava um belo conjuntoamarelo e sapatos pretos. Seus negros cabelos estavam perfumados e bem arrumados.Após a cerimônia religiosa do casamento do Silvano e da Kátia, saímos do templo efomos passear pelas ruas da cidade. Conversamos sobre mil e uma coisas, das quais nãome lembro de nenhuma. Porém, lembro-me de ter subido um enorme morro que acaboucom o meu fôlego. Depois de muito caminhar, finalmente chegamos a uma casa, que a Daisy dissetratar-se da residência de sua tia Floripes e de seu tio Euclides, onde ela também estavaresidindo. Nesta casa fui muito bem recepcionado pela Floripes, Rosemary e o Tom. Otio Euclides não se encontrava presente. Ofereceram-me um copo de laranjada compedaços de bolo, os quais saboreei com grande prazer. Depois de certo tempo, ninguém mais ficou na sala, exceto eu e a Daisy.Aproveitei a oportunidade para lhe falar sobre a minha vida e a minha grande paixãopor ela. Após o que, lhe fiz um pedido de namoro. Ela disse que precisava me conhecermelhor. A princípio fiquei totalmente desnorteado e desapontado; eu esperava que elaretribuísse imediatamente os meus sentimentos de amor, os quais eu vinha cultivando hámais de um ano. Naquele momento pensei que tudo estava perdido e senti o ímpeto dedesanimar. Minha vontade era a de sumir daquele local. Minha esperança somente foi reanimada quando ela disse que poderíamos nosencontrar para um pudesse conhecer melhor o outro. Com o passar do tempo elaconheceu minha personalidade, meu caráter, meus valores morais, espirituais eemocionais e apaixonou-se loucamente por minha pessoa. Conversávamos longamente por telefone. Muitas vezes ela aproveitava o seuhorário de almoço e vinha visitar-me no meu local de trabalho. Aos sábados nosencontrávamos na igreja e aos domingos eu viajava até a casa de sua mãe, dona Leonor,que residia no distrito de Sabaúna. Passei muitas horas agradáveis naquela localidade. Novo Casamento. Meu namoro com a Daisy Menezes durou exatamente quatroanos e meio. Foram três anos e meio de namoro e um ano de noivado. Tempo suficientepara que conhecêssemos nossos defeitos e virtudes. Em 25 de junho de 1992 casei-meno civil e no dia 28 de junho de 1992 no religioso. Nosso casamento foi oficiado pelo pastor Davi Marski, na cidade de Mogi dasCruzes. Com capacidade para quatrocentas pessoas, a igreja central estava lotada pelapresença dos irmãos, amigos e parentes, que nos honraram com a sua inestimávelpresença. Finalmente a Daisy Meneses tornou-se a minha amada e querida esposa. Ela temsido uma leal e amorosa companheira no decorrer dos anos. Verdadeiramente pudecomprovar o provérbio de Salomão que diz: “O que acha uma mulher acha uma coisaboa e alcançou a benevolência do Senhor”. (Provérbios 18:22). Pregações. Em dezembro de 1987, o irmão Vandir Lopes de Oliveira estavaescalado para pregar na igreja de Brás Cubas. Mas, devido a um compromissoanteriormente agendado, estava impedido de comparecer e pediu ao pastor Davi Marskipara indicar alguém para substituí-lo. Como eu estava no local certo, no momento certoe com as pessoas certas, o pastor foi direto ao assunto: – Gostaríamos de ter você como pregador. Espero que aceite esta incumbência epregue em Brás Cubas no sábado.
  19. 19. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil Senti-me completamente atordoado. Porém, percebi que estava recebendo umchamado que não poderia recusar. – Com todo o prazer! – exclamei. Durante a semana preparei uma mensagem bíblica e no sábado seguintedesloquei-me de trem para o distrito de Brás Cubas, acompanhado pela Daisy, que naépoca era minha namorada. Preguei, ou melhor, fiz uma singela leitura de uns vinte versículos bíblicos sobrea justificação pela fé, cuja apresentação durou cerca de vinte minutos, especialmenteconsiderando o fato de que não fiz nenhum comentário ao apresentar os textos bíblicos. Eu tremia como uma vara verde sacudida pelo vento. O papel do rascunho emminhas mãos balançava mais do que uma gangorra. Os ouvintes estavam simplesmenteextasiados, não pela minha pregação, mas pelo meu nervosismo. Porém, conseguichegar até ao fim da minha apresentação. Quando terminei, ouvi, no fundo do salão, ummenino perguntar para a sua mãe: – Mãe já acabou? – Sim, filho já acabou? – respondeu a mãe. Após o término do culto religioso, voltando para o centro de Mogi das Cruzes, aDaisy teceu algumas considerações sobre o meu desempenho, a quais reconheciimediatamente que ela tinha razão. Eu nunca havia antes apresentado qualquer discursoem público, muito menos um sermão. Depois disto, passei a ser escalado regularmente pelo pastor Davi Marski pararealizar palestras nas igrejas de Biritiba Mirim, Brás Cubas, Jundiapeba, Mogi dasCruzes e Sabaúna. Fui me aperfeiçoando cada vez mais e mantive essa atividade pormuitos anos, até que a Classe Bíblica passou a exigir minha contínua presença. Professor de Escola Sabatina. Incentivado pela professora Ozilda PereiraMoreira, tornei-me professor da Escola Sabatina. Para exercer essa função com prestezapassei a ler e a estudar vários livros sobre as regras de ensino, arte de falar em publicoetc. Também passei a frequentar a Classe dos Professores, que funcionava todos ossábados das 8h00 às 9h00. Nessa classe a lição semanal era apresentada, discutida,esclarecida e todas as dúvidas fulminadas. Os professores saiam da classe “afiados”para apresentar as lições aos alunos de maneira uniforme e coerente com os demaisprofessores. A classe dos professores era muito concorrida e frequentada assiduamente pelospilares da igreja Adventista do Sétimo dia de Mogi das Cruzes daquela época,destacando-se Antenógenes Negrão, Antônio Prado Júnior, Divina Rosa Moyano, IsraelDias, José Moyano, Ozias Pereira, Pastor Benedito, Pedrina Pereira, Pedro B’ärg,Vandir Lopes de Oliveira, Waldemar Defendi, Yolando Fisch etc. Para ter uma ideia de todo o conteúdo da lição da semana, eu a estudavarigorosamente em uma única vez. Porém, no decorrer da semana eu realizava pesquisasem dicionários bíblicos, enciclopédias bíblicas, livros doutrinários visando enriquecer omeu conhecimento e a minha apresentação no sábado. Também fazia várias anotaçõesnas margens das lições e muitas vezes colava folhas com informações extras no meiodas lições semanais. Constatei que essa atividade como professor da Escola Sabatina deu-me certabagagem em conhecimento doutrinário, transmitiu-me segurança para falar em público,diminuiu a minha inibição e ajudou-me a crescer na arte da oratória. Professor de Classe Bíblica. Num sábado o professor titular da Classe Bíblica,Pedro B’ärg, havia faltado por motivo de viagem ao Rio de Janeiro. Como havia muitasvisitas na classe, o diretor da Escola Sabatina, Antônio Prado Júnior, solicitou-me para
  20. 20. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Milapresentar a lição no lugar do professor Pedro B’ärg. Sem pensar duas vezes aceitei aincumbência com prazer. Imediatamente dirigi-me para a sala da Ação Missionária,peguei um curso bíblico e apresentei uma de suas lições. No ano seguinte fui nomeado vice-professor da Classe Bíblica, sob a inestimávelsupervisão do professor Pedro B’ärg. A partir de então, sempre que o professor Pedrotivesse que se ausentar eu assumia a direção da classe. Isto ocorreu durante alguns anos,mas quando eu também tive que me ausentar chamei meu amigo Paulo César Mazantipara assumir a direção da classe no meu lugar. Mais tarde, por questão de saúde, o professor Pedro B’ärg solicitou o seuafastamento definitivo da Classe Bíblica e o meu amigo Paulo Mazanti assumiu a suadireção, realizando um grande trabalho evangelístico. Em atenção aos apelos dos seus filhos, o professor Pedro B’ärg decidiu mudar-sede Mogi das Cruzes e fixar moradia em Santa Catarina, onde sua filha mantémresidência. Posteriormente, eu e meu amigo Paulo fomos nomeados pela comissão daigreja para coordenar a Classe Bíblica, a qual passou a ser conhecida pelo nome de“Classe de Visitas”. Além da Classe de Visitas, que funciona todos os sábados pelo período damanhã, o Paulo e eu achamos por bem implantar mais duas classes: uma de visitas euma pós-batismal, as quais funcionariam todos os sábados, no período da tarde. Essastrês classes encontram-se em plena atividade até aos dias de hoje. Trabalho Missionário. Decorrido cinco meses do meu batismo, exatamente nodia 20 de fevereiro de 1988, o grande diretor da Ação Missionária da Igreja Adventistade Mogi das Cruzes, Antenógenes Negrão, realizou um poderoso sermão convocandotodos os membros da igreja para trabalhar como missionários voluntários no bairro daVila Industrial, localizado na cidade de Mogi das Cruzes. Antenógenes falava com autoridade e a igreja inteira deixou-se persuadir pelaenérgica exortação, atendendo ao apelo do sermão. A seguir Antenógenes deuorientações de como proceder ao abordar as pessoas em suas residências e distribuiufolhetos e endereços com o número das casas que cada membro deveria visitar.Também recebi folhetos e um endereço com o número de várias residências que eudeveria visitar. Por sugestão do Antenógenes Negrão eu deveria realizar essa atividadejunto com a minha namorada Daisy Menezes. Posteriormente, por minha própria conta, passei a visitar outras ruas do bairro daVila Industrial e a ministrar estudos bíblicos a diversos interessados. Nos primeiros anosde minha atividade evangelística, empregava o meu mini projetor de “slides”,apresentando os cursos “Encontro com a Vida” e “A verdade Para o Tempo do Fim”.Até hoje guardo o projetor e os cursos como uma lembrança daquelas jovens tardes desábado. Cinco anos depois do meu batismo, o recém-batizado, Paulo César Mazanti,convidou-me para formar com ele uma dupla missionária. Desde então, passamos avisitar muitos outros bairros da cidade de Mogi das Cruzes, ministrando estudosbíblicos a dezenas de interessados de casa em casa, nas classes bíblicas e nas igrejaslocais. Como resultado, muitas almas se entregaram a Cristo pelo santo batismo e estãocongregadas nas igrejas de César de Souza, Jundiapeba e Mogi das Cruzes. Algumas Experiências. A seguir apresento resumidamente algumas dasexperiências pela qual passei e que ilustram as curiosas surpresas que encontrei emminhas atividades como missionário voluntário. 1. Em certa ocasião, ao bater na porta de uma das casas da Vila Industrial, fuiconvidado a entrar. Já na porta da residência pude sentir que a casa inteirinha estava
  21. 21. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Milimpregnada por um forte e nauseante cheiro de cachorro. Ao adentrar numa pequena eescura sala, meus olhos foram dirigidos para quatro cachorros de porte médio queestavam deitados no sofá e no tapete daquela saleta. Porém, a cena que se seguiudeixou-me profundamente impressionado. Observei que sentada no sofá, no meiodaqueles cachorros malcheirosos, estava a irmã Esidia Silva Oliveira toda sorridente,ministrando estudos bíblicos para uma senhora, que era a mãe do rapaz que me atendeu.Notando que a família estava bem assessorada pela Esidia despedi-me e fui emborarefletindo na cena que acabara de presenciar. 2. Em outra ocasião fui atendido por um rapaz que me convidou para entrar emsua residência. Ofereci-lhe estudos bíblicos, o que ele aceitou. Nas semanas seguintes,durante a apresentação dos estudos, pude perceber que ele tinha certa obsessão por umlivro de ficção que havia lido. Ele cria cegamente que os norte-americanos haviamconstruído uma máquina do tempo e realizado uma viagem ao passado, visitando aépoca e a região onde Jesus vivia. Nada conseguia dissuadi-lo dessa fantasia. Após otérmino do curso, ele ainda continuava preso nessa armadilha de Satanás. 3. Numa outra residência da Vila Industrial, um rapaz de, aproximadamente,trinta anos de idade aceitou receber estudos bíblicos. No decorrer das semanas, duranteos momentos dos estudos bíblicos, pude perceber que quando o Sol se punha o moradornão ligava a luz elétrica e o estudo prosseguia em meio à escuridão. Também notei quenaquela casa era um entra e sai de homens. Depois de batizado, esse morador não sefirmou na verdade. Somente bem mais tarde descobri a razão. Ele era homossexual ejamais conseguiu abandonar essa opção. 4. Em outra casa fui recebido por uma senhora e suas três filhas adolescentes.Ao entrar naquela residência, deparei-me com uma macumbeira fazendo um trabalhobravo na sala daquela casa. Recebendo explicações da moradora fiquei sabendo que elaestava se divorciando de um violento marido, que era policial militar. Ela não quisreceber estudos bíblicos, mas deixei alguns folhetos e livros para os membros daquelafamília e despedindo-me fui embora. 5. Num sobrado, fui atendido por uma jovem mulher que disse ser daAssembleia de Deus. Ofereci-lhe o curso bíblico “Encontro com a Bíblia”, o qual elaaceitou com prazer. Sábado após sábado eu levava uma lição e recolhia a anterior, quedepois devolvia corrigida. Porém, quando fui levar a décima quinta lição do curso, fuiatendido pelo seu marido, a quem conhecia de vista. Ele trouxe a lição anterior e disseque a sua esposa não faria mais nenhuma. Ele deixou bem claro que não queria que amulher fizesse as lições porque ela estava começando a questionar a validade dodomingo. Ele afirmou que a sua família era da Assembleia de Deus há três gerações eseu pai pastor da referida denominação. Também disse que não era conveniente que suaesposa continuasse fazendo aquelas lições e que eu não deveria trazer mais nenhuma.Despedi-me dele e fui embora. Tempos depois o casal mudou-se para outra localidade.Mais tarde fiquei sabendo que eles haviam se divorciado e abandonado a sua igreja. 6. Em outra ocasião eu e a Daisy fomos bem recebidos numa residência por umsimpático casal espírita que havia passado por várias tragédias. Eles aceitaram receberorações e estudos bíblicos. Sábado após sábado pude notar que a dona da casa era umapessoa amargurada. Ela não sabia falar de outra coisa a não ser de sua tragédia pessoal.Constantemente eu a ouvia agoniada contar sempre a mesma e triste história de suavida. Muitas vezes eu mesmo ficava deprimido, ouvindo os detalhes mórbidos dessashistórias. Porém, à medida que ela foi conhecendo a verdade e se libertando doespiritismo, suas feridas emocionais foram sendo curadas. Hoje ela deixou de ser umapessoa amargurada e passou a ver alegria na vida. 7. Junto com a Daisy apresentei estudos bíblicos para outra família muitoamorosa. Durante o estudo o chefe da família parecia bem interessado na mensagem.
  22. 22. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 MilFazia perguntas, mostrava grande interesse na palavra da verdade. Por outro lado a suaesposa parecia indiferente e distante. Ela realizava os estudos normalmente, mas nãodemonstrava nenhuma emoção ou interesse pela mensagem. Quando fiz o apelo para obatismo, para minha surpresa, somente ela e o seu simpático filho manifestaram odesejo pelo batismo, enquanto que o seu esposo decidiu postergar o batismo. Passaram-se muitos anos até que, por influência de muitos outros irmãos, esse chefe de família serendeu e entregou a sua vida a Cristo Jesus pelo santo batismo. 8. Trabalhando junto com o meu amigo Paulo César Mazanti, apresentamos umaséria evangelística na favela do Gica. Três ou quatro famílias reuniam-se todos ossábados às 15h00 para ouvir a mensagem do evangelho. Para organizar a apresentaçãodo estudo no pequeno espaço disponível do barraco, solicitei que o Paulo pregasse aPalavra de Deus, enquanto eu cuidaria das crianças, em especial de um lindo recém-nascido que ficava o tempo todo em meus braços. O barraco ficava superlotado deinteressados e não havia espaço para ninguém se sentar. Durante uma hora o Paulofalava e pregava a Palavra de Deus e ninguém se sentia incomodado pelo fato de estarem pé. Foram tardes maravilhosas e muito produtivas. 9. Atendendo ao amável convite do irmão Edson Felix, diretor da nascente igrejade César de Souza, o Paulo Mazanti, Moacir dos Passos e eu realizamos todos osdomingos, durante seis meses, uma conferência naquela localidade, a qual foi muitoabençoada e enriquecedora. Cargos na Igreja. Desde que fui batizado venho ocupando diversos cargos naigreja onde congrego. No decorrer dos anos fui Professor da Escola Sabatina, Professorda Classe de Visitas, Coordenador de Classe Bíblica, Secretário da Ação Missionária,Tesoureiro, Promotor de Literatura e Ancião. Nos dias de hoje, eleito pela comissão da igreja, venho coordenando a Classe deVisita. Nesta atividade, tenho recebido o inestimável auxílio de vários professores, entreos quais se destacam: Cínthia Passos Assumpção Pedroso, Maurício Epiphânio,Maurício Shoji Kimoto, Moacir dos Passos, Nilton Satio Murakami e Willians Robertoda Silva. Não há como expressar suficientemente minha gratidão a todos àqueles quemencionei e a muitos outros que me ajudaram em muitas outras questões. A todos osmeus sinceros agradecimentos e votos de sucesso.
  23. 23. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil Resumo Fundamentada na Bíblia Sagrada e no Espírito de Profecia, a presente obrademonstra cabalmente que o assinalamento dos “servos de Deus” começou com aproclamação da mensagem do terceiro anjo e terminará pouco antes do fechamento daporta da graça com o assinalamento dos 144 mil. A obra defende a tese de que “144 mil” é um número simbólico formado pela“grande multidão”, cujos membros serão constituídos unicamente pelos justos queestiverem vivos após o fechamento da porta da graça. Na grande tribulação, também conhecida como tempo de angústia de Jacó, os144 mil sairão vitoriosos e jamais passarão pela experiência da morte. Os demais assinalados que morreram na fé da mensagem do terceiro anjo e queserão ressuscitados por ocasião da queda da sétima praga não constituirão membros dos144 mil. Todavia, juntos, testemunharão a segunda vinda de Cristo e este mundo.
  24. 24. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil Prefácio Quando os Adventistas do Sétimo Dia resolveram dar início à sua abençoada ebem sucedida obra de publicação, o assinalamento dos 144 mil foi um dos primeirosartigos a ser impresso em seu periódico. Desde então, surgiram muitas interpretações a respeito do assinalamento dos 144mil. Para alguns, os 144 mil são representados um número literal constituído por justosvivos e justos mortos. Para outros os 144 mil são representados por um númerosimbólico constituído somente por justos vivos. Ainda outros adotam variações dessasduas posições doutrinárias. Unicamente com base nos textos divinamente revelados, este livro apresentauma interpretação que procura generalizar a compreensão existente a respeito dos 144mil. Nesta interpretação não existem contradições de qualquer natureza e todas asperguntas são respondidas de forma natural, sem “forçar”, “distorcer” ou “desprezar” oconteúdo do texto divinamente revelado. Algumas interpretações existentes a respeito do assinalamento dos 144 milfogem ao senso comum, outras desprezam o caminho da boa lógica e ainda outras sedesviam vergonhosamente das rigorosas regras científicas da Hermenêutica eescorregam para o lado fantasioso da Homilética. Sem nenhuma exceção, todas essasinterpretações deixam algo a desejar. Muitas delas passam por alto alguns pontosfundamentais, os quais ficam sem explicações. Outras, por contrariarem alguns textosclaramente revelados, acabam desmoralizadas, fato que fulmina vergonhosamente a teseprocurava defender. A presente obra não pretende misturar suposições com certezas. Embasada naHermenêutica Sacra, a interpretação apresentada neste livro responde satisfatoriamentea algumas questões cruciais, que permite uma compreensão mais profunda a respeitodos 144 mil, tais como: “o número 144 mil é literal ou simbólico?”; “os 144 mil serãoconstituídos somente pelos santos vivos ou incluirão os santos mortos?”; “os 144 milserão todos os santos vivos dos últimos dias ou serão um grupo especial, selecionadodentre os demais santos vivos?”; “a obra de assinalamento dos santos está emandamento ou é uma obra futura?”; “o assinalamento englobará somente os 144 mil ououtros santos podem ser assinalados sem tomar parte integrante dos 144 mil?”. Uma passagem inspirada que todas as interpretações sobre os 144 mil precisamlevar em consideração, sem entrar em contradição, é o célebre testemunho dado porEllen White a respeito do falecimento da Senhora Hastings. Eis aqui o conteúdo dareferida passagem: “Vi que ela estava selada, e à voz de Deus ressurgiria e se ergueria sobre aterra, e estaria com os 144.000. Vi que não precisamos chorar sobre ela; elarepousaria durante o tempo da angústia, e tudo que pudéssemos lamentar serianossa perda de ficar privados de sua companhia. Vi que seu falecimentoredundaria em bem”. (II ME, 263). Esta é a passagem crucis, que serve como guia ou ponto de referência, pelo qualo sincero pesquisador deve dirigir o curso do seu estudo, para descobrir toda verdadesobre os 144 mil. Este singelo parágrafo do Espírito de Profecia apresenta uma síntese riquíssimaem informações sobre o assinalamento dos 144 mil. Uma minuciosa dissecação desta
  25. 25. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Milmensagem fornece os dados fundamentais e necessários para a uniformização de umainterpretação generalizada a respeito do assinalamento dos 144 mil. Alicerçado unicamente neste trecho divinamente inspirado, note comosobressaem as seguintes diretrizes básicas para uma interpretação correta e semcontradições sobre a questão envolvendo o assinalamento dos 144 mil: Primeira diretriz. A falecida Senhora Hastings “estava selada”, mas ela nãoera a única. Observe o que diz outro texto divinamente inspirado: “O selo de Deus estásobre eles. Farão parte do número dos quais o Senhor disse: ‘Bem-aventurados osmortos que desde agora morrem no Senhor’”. (VII BC, 982). Isto significa que a obra deassinalamento dos servos de Deus já estava em andamento na época do falecimento daSenhora Hastings, com muitos outros santos sendo assinalados. Quanto ao assinalamento dos 144 mil ainda trata-se de um evento vindouro, oqual ocorrerá pouco antes do fechamento da porta da graça. Note: “Os vivos justosreceberão o selo de Deus antes do fim da graça; também que eles fruirão honrasespeciais no reino de Deus”. “Em especial na obra final da igreja, no tempo doassinalamento dos cento e quarenta e quatro mil que hão de permanecer irrepreensíveisdiante do trono de Deus, sentirão muito profundamente os erros do povo professo deDeus”. (I ME, 66; I TS, 335). Segunda diretriz. A falecida Senhora Hastings “à voz de Deus ressurgiria e seergueria sobre a terra”. Isto significa que “à voz de Deus” haverá uma ressurreiçãoespecial, da qual a Senhora Hastings fará parte. Observe o esclarecimento inspirado:“Houve um grande terremoto. As sepulturas se abriram e os que haviam morrido na féda mensagem do terceiro anjo, guardando o sábado, saíram de seus leitos de pó,glorificados, para ouvir o concerto de paz que Deus deveria fazer com os que tinhamguardado a Sua lei”. (HR, 409). Terceira diretriz. A falecida senhora Hastings “estaria com os 144.000”. Istosignifica que a Senhora Hastings não fará parte integrante dos 144 mil, todavia estarávivendo “com” os 144 mil, após a sua ressurreição especial. A própria Ellen Whitetambém estará “junto” com os 144 mil, mas também não constituirá parte deste seletogrupo. Observe o que diz a pena inspirada: “Pedi ao meu anjo assistente que medeixasse ficar ali. Não podia suportar o pensamento de voltar a este mundo tenebroso.Disse então o anjo: ‘Deves voltar e, se fores fiel, juntamente com os 144.000 terás oprivilégio de visitar todos os mundos e ver a obra das mãos de Deus’”. (PE, 40). A bem da verdade, não serão somente as senhoras Hastings e Ellen White queestarão juntas com os 144 mil, mas também todos os assinalados que tiverem oprivilégio de participarem da ressurreição especial: “Houve um forte terremoto. Assepulturas se abriram, e os mortos saíram revestidos de imortalidade. Os 144.000clamaram ‘Aleluia!’, quando reconheceram os amigos que deles tinham sido separadospela morte”. (PE, 16). Quarta diretriz. A falecida Senhora Hastings “repousaria durante o tempo daangústia”. Isto significa que ela não passará pela prova da grande tribulação, tambémconhecida como tempo de angústia de Jacó. Portanto, mais uma vez fica claro que aSenhora Hastings e todos os que reviverem na ressurreição especial não farão parteintegrante dos 144 mil, haja vista que estes passarão pelo tempo da angústia. Observe oque diz o seguinte texto inspirado: “Ninguém, a não ser os cento e quarenta e quatromil, pode aprender aquele canto, pois é o de sua experiência - e nunca ninguém teveexperiência semelhante. ‘Estes são os que vieram de grande tribulação’ (Apocalipse7:14); passaram pelo tempo de angústia tal como nunca houve desde que houve nação;suportaram a aflição do tempo da angústia de Jacó; permaneceram sem intercessordurante o derramamento final dos juízos de Deus”. (GC, 649).
  26. 26. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil Quinta diretriz. A Senhora Hastings estava morta: “Vi que seu falecimentoredundaria em bem”. Isto quer dizer que a Senhora Hastings não fará parte integrantedo grupo dos 144 mil, haja vista que estes não provarão a morte. Observe o que diz otexto inspirado: “Logo ouvimos a voz de Deus, semelhante a muitas águas, a qual nosanunciou o dia e a hora da vinda de Jesus. Os santos vivos, em número de 144.000,reconheceram e entenderam a voz, ao passo que os ímpios julgaram fosse um trovão outerremoto”. “Deus queria ser honrado fazendo um concerto com aqueles que haviamguardado Sua lei, à vista dos gentios em redor deles; e Jesus queria ser honrado,trasladando, sem que vissem a morte, os fiéis e expectantes, que durante tanto tempo Ohaviam esperado”. “Estes, tendo sido trasladados da Terra, dentre os vivos, são tidoscomo as primícias para Deus e para o Cordeiro”. (PE, 15 e 283; GC, 654). Sexta diretriz. Além da senhora Hastings, de Ellen White e de todos os santosque participarem da ressurreição especial, nenhum outro grupo de pessoas émencionado como estando “junto” com os 144 mil. Isto ocorre porque todos os que nãopassarem pela morte durante o tempo de angústia constituirão os 144 mil. De formaalguma haverá dois grupos distintos de santos vivendo no período do fechamento daporta da graça e durante a queda das sete últimas pragas. Não haverá nenhum grupo desantos formando uma grande multidão e nenhum outro menor constituindo os 144 mil.Mas todos formarão apenas um grupo: o grupo dos 144 mil. Após essa breve dissecação do texto do Espírito de Profecia torna-se claro quaissão os princípios basilares orientadores que devem ser empregados na apresentação edefesa de uma interpretação lúcida e generalizada a respeito do assinalamento dos 144mil. É o singelo objetivo desta obra, com base nas Escrituras Sagradas e no Espíritode Profecia, atender a todos esses requisitos fundamentais para explicar o ensino bíblicosobre o assinalamento dos 144 mil.
  27. 27. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil Introdução Para algumas poucas pessoas é um verdadeiro tabu estudar, pesquisar, pregar,pensar ou ouvir falar sobre o controvertido assunto bíblico do assinalamento dos 144mil. Essas pessoas aferram-se numa teoria e ficam empacadas na plena convicção deque elas, e somente elas, possuem toda verdade a respeito do assunto dos 144 mil e queninguém mais pode pensar de modo diferente sobre este polemico tema. A simples manifestação desse sentimento demonstra que no coração dessescrentes habita um espírito de intolerância religiosa, o qual jamais deveria existir na vidade um cristão sincero e fiel à verdade divinamente revelada. Alguns cristãos parecem que desconhecem o caráter amoroso de Deus e oprincípio do livre arbítrio, do qual a liberdade de expressão faz parte integrante. Todosos seres inteligentes foram dotados pelo criador com as faculdades da razão, do livrearbítrio e o da fala para poderem expressar livremente os seus pensamentos e opiniõessobre algum assunto. No campo legislativo, o direito da liberdade de expressão não foi adquirido semgrandes lutas. No século XVIII, em defesa da liberdade de expressão, o filosofo francêsVoltaire (1694-1778), foi levado a declarar a celebre sentença: – Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, masdefenderei até a morte o direito de você dizê-las. O espírito de tolerância e respeito pela opinião alheia é algo totalmentedesconhecida por uma minoria de indivíduos que se rotulam de cristãos. Sobre a questãodos 144 mil, alguns gostam de citar uma passagem escrita por Ellen White, como umaespécie de mordaça para mostrar que esse assunto não deve ser pesquisado e nem sedeve falar sobre ele. Porém, tal atitude revela implicitamente uma posição deintransigência religiosa. A passagem em questão é a seguinte: “Não é Sua vontade que eles se metam em discussões acerca de questões queos não ajudam espiritualmente, tais como: Que pessoas vão constituir os cento equarenta e quatro mil? Isto, aqueles que forem os eleitos de Deus hão, de semdúvida, saber em breve”. (I ME, 174). Bem analisada esta passagem não orienta ninguém a ignorar ou deixar de buscaruma compreensão mais profunda a respeito das verdades reveladas sobre oassinalamento dos 144 mil, mesmo porque os cristãos foram exortados pela própriaescritora Ellen White a proceder do seguinte modo: “Procuremos, com todo o poder queDeus nos tem dado, estar entre os cento e quarenta e quatro mil”. (RH, 9 de março de1905). A questão que se levanta é a seguinte: como poderemos empenhar-nos “comtodo poder que Deus nos tem dado” para “estar entre os cento e quarenta e quatro mil”se não soubermos nada sobre eles? No texto em destaque e em análise, o que Ellen White afirmou foi que “não éSua vontade que eles se metam em discussões acerca de questões que os não ajudamespiritualmente”. A expressão “discussões” dentro do contexto do trecho examinadosimplesmente quer dizer que não é da vontade de Deus que os cristãos partem paraaltercações, bate-bocas, contendas ou contestações “acerca de questões que os nãoajudam espiritualmente”. Logo, a passagem em análise não proíbe as pesquisas e osestudos acerca de questões que venham a ajudar espiritualmente.
  28. 28. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil Dentro deste espírito, a presente obra não tem o intento de polemizar ou entrarem controvérsia com quem quer que seja sobre questões que “não ajudamespiritualmente”. A verdade é que este livro procura tão-somente ofertar ao leitor umasingela interpretação hermenêutica da palavra inspirada sobre a questão dos 144 mil,como tantas outras interpretações que existem em livre circulação no mercado editorial. Este livro não apresenta nenhuma matéria que não vise unicamente ampararespiritualmente o fiel cristão. Muito pelo contrário, os assuntos aqui abordados buscamajudar espiritualmente a todos aqueles que estão interessados em conhecer maisprofundamente a Palavra de Deus porque “os que hão de receber o selo do Deus vivo, eser protegidos, no tempo de angústia, devem refletir completamente a imagem deJesus”. (PE, 71). As “discussões” que foram mencionadas por Ellen White fazem referências às“questões... tais como: Que pessoas vão constituir os cento e quarenta e quatro mil?”Portanto, o texto da escritora não diz que estamos proibidos de estudar o assunto, massimplesmente diz que não devemos discutir quem vai pertencer a esse seleto grupo depessoas. Uma simples leitura da presente obra, permitirá constatar que ela não indicaráquem são as “pessoas que vão constituir os cento e quarenta e quatro mil”. Nãoapresenta nomes, genealogias, telefone, endereços ou documentos pessoais quepermitam identificar quem são os indivíduos que formarão o grupo dos 144 mil. A escritora também deixou bem claro que a questão pessoal dos 144 mil não épara ficar escondida, abandonada, ignorada ou esquecida, mesmo porque “aqueles queforem os eleitos de Deus hão, de sem dúvida, saber em breve”. Com isso fica claro quechegaria o tempo em que chegaria o tempo em que não haveria mais dúvidas sobre os“cento e quarenta e quatro mil”. Ainda em relação ao assinalamento dos 144 mil, Ellen White afirmou a seguinteverdade: “Há algumas coisas para as quais devemos silenciar. Tenho recebidocartas perguntando sobre questões concernentes ao selamento do povo de Deus,quem será selado, quantos, e outras curiosas perguntas. Eu penso que devemosresponder-lhes que leiam e falem das coisas que estão plenamente reveladas”.(Carta 58, 1900). Bem, este livro trará à baila o assunto dos 144 mil, porém, discorrerátão-somente a respeito “das coisas que estão plenamente reveladas” nas EscriturasSagradas e no Espírito de Profecia. Todas as coisas que não estiverem “plenamentereveladas” não serão objeto de análise na presente obra. No que pese ao sentimento de intolerância religiosa que é manifestado poralgumas poucas pessoas, a interpretação e a compreensão da Palavra de Deus nãodevem ser abandonadas ou ficar ocultas aos olhos dos homens simplesmente porquealguns não querem abandonar suas acariciadas opiniões e pontos de vistas, mesmoporque “apenas os que forem diligentes estudantes das Escrituras, e receberam o amorda verdade, estarão ao abrigo dos poderosos enganos que dominam o mundo”. (GC,624). Ao contrário do que pensam aqueles que são intolerantes à exposição de ideiasdiferentes das suas, à “medida que nos aproximamos do termo da história deste mundo,as profecias referentes aos últimos dias exigem nosso estudo especial. O último dosescritos do Novo Testamento está cheio de verdades cuja compreensão nos énecessária”. (Mar, 158). “Os acontecimentos ligados ao final do tempo da graça e obrade preparo para o período de angústia, acham-se claramente apresentados. Multidões,porém, não possuem maior compreensão destas importantes verdades do que teriam senunca houvessem sido reveladas”. (GC, 593). Finalmente, faz-se necessário lembrar que a Igreja Adventista do Sétimo dianunca tomou qualquer posição dogmática quanto à questão dos 144 mil. Ela jamais sereuniu em concilio para deliberar sobre qualquer particularidade a respeito dos 144 mil.
  29. 29. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 MilA Igreja nunca declarou um credo formal a respeito dos 144 mil. Diante da totalausência de qualquer posição dogmática por parte da Igreja a respeito desta matéria,torna-se claro que o assunto envolvendo a questão dos 144 mil está em aberto aosestudos e às pesquisas bíblicas e teológicas. Portanto, seja qual for a posição adotadapelo pesquisador, este não poderá ser considerado, por quem quer que seja, comoherético ou apostata, simplesmente porque o pesquisador não está violando nenhumaregra de fé ou posição dogmática estabelecida nas crenças fundamentais da IgrejaAdventista do Sétimo dia.
  30. 30. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil AbreviaturasAA – Atos dos ApóstolosBC – The Seventh day Adventist Bible Commentary (Vols. I-VII)CPE – Conselhos Professores, Pais e EstudantesCSM – Conselhos Sobre MordomiaDTN – O Desejado de Todas as NaçõesEF – Eventos FinaisEv – EvangelismoFFD – Filhos e Filhas de Deus- Meditações MatinaisFEC – Fundamentos da Educação CristãGC – O Grande ConflitoHR – História da RedençãoIR – A Igreja RemanescenteLA – To The Litte Remmant Scattered AbroadM – ManuscritoMar – Maranata! - Meditação MatinalMDC – O Maior Discurso de CristoME – Mensagens EscolhidasMR – Manuscript ReleasesPJ – Parábolas de JesusPE – Primeiros EscritosPP – Patriarcas e ProfetasPR – Profetas e ReisRH – Review and HeraldTC Testimonies for the Church (Vols. I-IX)TI – The Youths InstructorTM – Testemunho para Ministro e Obreiros EvangélicosTS – Testemunhos Seletos (Vols. I-III)VE – Vida e EnsinosVJ – Vida de Jesus
  31. 31. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil 1 144 mil: Literal ou Figurado “E ouvi o número dos assinalados, e eram cento e quarenta equatro mil assinalados, de todas as tribos dos filhos de Israel”. (Apocalipse 7:4). A palavra “literal” traz à mente o sentido de algo determinado, rigoroso,preciso, exato e fixo, enquanto que o vocábulo “figurado” fornece a ideia de algosimbólico, alegórico, emblemático e típico. As discussões quanto ao fato dos 144 mil ser constituído por um número literalde pessoas (número definido, composto de exatamente tantos indivíduos) ou figurado(número representativo, indefinido em suas proporções) vem de longa data. Porém, asênfases escriturística apontam para um número figurado. O Apocalipse afirma que os 144 mil assinalados com o selo de Deus provêm “detodas as tribos dos filhos de Israel”. (Apocalipse 7:4). Diante disso, considere asseguintes evidências que comprovam que os 144 mil estão representados por umnúmero simbólico: Primeira evidência. Caso os 144 mil assinalados fossem constituídos por umnúmero literal de indivíduos, então – por questão de coerência – as doze tribos dosfilhos de Israel seriam tribos literais. Consequentemente, os 144 mil abrangeriamsomente os israelitas literais e ninguém mais. Em contraste, caso os 144 mil assinaladossejam formados por um número figurado, então – por questão de coerência – as dozetribos dos filhos de Israel também teriam que ser figuradas. Segunda evidência. Em 1891, um obreiro adventista chamado Chapmanescreveu uma carta para Ellen White apresentando, entre outros assuntos, a opinião deque os 144 mil “serão os judeus que aceitarão a Jesus como Messias”. Então, EllenWhite respondeu que tais ideias “não se harmonizam com a luz que Deus me tem dado”.(XIV MR, 1107). Essa carta colocou um fim na questão, mostrando que os 144 mil nãoserão constituídos pelas doze tribos literais dos filhos de Israel e nem exclusivamentepor judeus. Assim conclui-se que os 144 mil não se referem a um número literal depessoas, mas trata-se apenas de um número simbólico. Terceira evidência. Supondo que os 144 mil sejam compostos por um númeroliteral de indivíduos, então – por questão de coerência – todos eles terão que procederdas doze tribos literais dos filhos de Israel. Ocorre que as doze tribos dos filhos Israelnão mais existem. Elas se perderam no tempo a partir do exílio assírio (II Reis 17:5-6).Diante deste fato, conclui-se que os 144 mil são representados por um númerosimbólico. Quarta evidência. Considerando que os 144 mil assinalados sejam constituídospor um número literal, então – por questão de coerência – somente eles serãoassinalados em suas testas com o selo de Deus e ninguém mais, porque as SantasEscrituras dizem que “eram cento e quarenta e quatro mil assinalados” (Apocalipse 7:4).Todavia, sabemos que, além dos 144 mil, muitas outras pessoas serão assinaladas com oselo de Deus. Portanto, mais uma vez evidencia-se um número simbólico.
  32. 32. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil Quinta evidência. Supondo que os 144 mil assinalados sejam formados por umnúmero literal então – por questão de coerência – todos eles serão homens porque,segundo as Escrituras Sagradas, eles “não estão contaminados com mulheres”(Apocalipse 14:4). Porém, sabemos que tanto homens quanto mulheres serãoassinalados com o selo de Deus em suas testas. Logo se pode concluir que o número144 mil é simbólico. Sexta evidência. Admitindo-se que os 144 mil assinalados sejam constituídospor um número literal, então – por questão de coerência – todos eles serão celibatários,“porque são virgens” (Apocalipse 14:4). Sétima evidência. Caso os 144 mil sejam constituídos por um número literal,então ocorreriam duas situações bem distintas: Primeira, ao completar o número dos144 mil, qualquer outro cristão seria excluído do seleto grupo. Segunda, ao completar onúmero dos 144 mil, ninguém mais poderá morrer, mesmo que seja de velhice, doençaou acidente, posto que o número precisa ser mantido inalterado. Dentro de um mesmo texto profético que trata de um mesmo assunto, nenhumser humano – por particular interpretação – pode classificar o que é literal ou simbólicopelo seu próprio entendimento pessoal. Nem pode usar dois pesos e duas medidas para omesmo texto. É absolutamente necessário que leve em consideração o critério da lógicatextual. A Ciência da “Hermenêutica Sagra” estabelece a seguinte regra interpretativa:quando as figuras de um texto bíblico são simbólicas, então todas as figuras devem serconsideradas como simbólicas, a menos que haja fortes evidências para consideraralguma figura em particular como literal. Destarte, diante das evidências lógicasapresentadas nesta breve análise, fica claro que o número 144 mil é simbólico porqueestá relacionado e inserido no meio de figuras proféticas simbólicas.
  33. 33. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil 2 144 mil: Duas Listas de Tribos “Da tribo de Judá, havia doze mil assinalados; da tribo de Rúben,doze mil; da tribo de Gade, doze mil; da tribo de Aser, doze mil; da tribo de Naftali, doze mil; datribo de Manassés, doze mil; da tribo de Simeão, doze mil; da tribo de Levi, doze mil; da tribo deIssacar, doze mil; da tribo de Zebulom, doze mil; da tribo de José, doze mil; da tribo de Benjamim,doze mil”. (Apocalipse 7:5-8). Caso os 144 mil assinalados com “o selo do Deus vivo” (Apocalipse 7:2)sejam constituídos por um número literal de santos provenientes das doze tribos dosfilhos de Israel (Apocalipse 7:4), então as doze tribos mencionadas no Apocalipsedevem corresponder perfeitamente à lista original das tribos literais dos filhos de Israel. As doze tribos literais dos filhos de Israel estão registradas no “Livro da Lei deMoisés” e são as seguintes: Judá, Issacar, Zebulom, Rúben, Simeão, Gade, Efraim,Manassés, Benjamim, Dã, Aser e Naftali (Números 10:14-17). Porém, as doze tribosdos filhos de Israel citadas no livro do Apocalipse são as seguintes: Judá, Rúben, Gade,Aser, Naftali, Manassés, Simeão, Levi, Issacar, Zebulom, José e Benjamim (Apocalipse7:5-8). Analisando e confrontando criteriosamente estas duas relações de tribos,qualquer pessoa chegaria às seguintes conclusões: Primeira conclusão. A lista literal das doze tribos dos filhos de Israelmencionada por Moisés em Números 10:14-27, não corresponde à lista proféticamencionada por João em Apocalipse 7:5-8. Segunda conclusão. As tribos de “Levi” e “José” foram incluídas na relaçãoapresentada no livro do Apocalipse. Ocorre que essas duas tribos jamais fizeram parteda relação original das tribos literais registradas em Números 10:14-27. Tanto “José”como “Levi” jamais receberam território para constituir as tribos literais dos filhos deIsrael “porque os filhos de José foram duas tribos, Manassés e Efraim: e aos levitas nãoderam herança na terra, senão cidades em que habitassem, e os seus arrabaldes para seugado e para sua possessão”. (Josué 14:4). Terceira conclusão. A relação profética mencionada em Apocalipse omite duasdas tribos que de fato receberam território e fizeram parte literal dos filhos de Israel:“Dã” e “Efraim”, substituindo-as por “Levi” e “José” para manter o número de doze. Quarta conclusão. Manassés é filho de José, assim a tribo de Manasses jáestaria incluída em José. Diante dessas quatro conclusões, torna-se evidente que os 144 mil sãorepresentados por um número simbólico. Isto porque as doze tribos dos filhos de Israelrelacionadas no livro do Apocalipse não correspondem às doze tribos literais instituídaspor Moisés no livro de Números. Destarte, como as doze tribos são figuradas, aconclusão é uma só: os “cento e quarenta e quatro mil”, por serem membros integrantesde tribos figuradas, obrigatoriamente serão constituídos por um número simbólico e nãoliteral. O bom senso e a boa lógica exigem tal conclusão.
  34. 34. LEANDRO BERTOLDOA Verdade Sobre os 144 Mil 3 144 mil: Testemunho dos Teólogos “E vi outro anjo subir da banda do sol nascente, e que tinha o selodo Deus vivo; e clamou com grande voz aos quatro anjos, a quem fora dado o poder de danificar aterra e o mar. Dizendo: Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que hajamosassinalado na testa os servos do nosso Deus”. (Apocalipse 7:2-3). Além das evidências apresentadas nas páginas das Escrituras Sagradas, muitossão os teólogos adventistas de renome internacional que também defendem a tese deque os 144 mil serão constituídos por um número figurado e não literal. Observe otestemunho de alguns desses grandes teólogos: Primeiro testemunho. C. Mervyn Maxwell declarou o seguinte: “Temos queadmitir que, se tomarmos o número 144 mil como sendo literal, confrontar-nos-emoscom muitas dificuldades”. (Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse, pág.215). Segundo testemunho. “Nesses capítulos”, escreveu Roy Allan Anderson,“encontram-se muitas passagens metafóricas e podemos correr o risco de perder de vistaa beleza deste símbolo por insistir em tornar estritamente literal o número. Este númerosignifica plenitude, totalidade”. (Revelações do Apocalipse, pág. 94). Terceiro testemunho. Fernando Chaiji articulou que “a visão de Apocalipse 7 e14 é evidentemente simbólica. As mulheres, as virgens, o cordeiro, as primícias, sãotodos simbólicos. De modo que há coerência se considerarmos este número tambémcomo simbólico.” (Vitória da Igreja na Crise Final, pág. 116). Quarto testemunho. Henry Feyerabend afirmou que “se tomarmos os 144 milliteralmente, todos devem ser judeus oriundos das doze tribos. Todos são homens etodos são virgens”. (Apocalipse Verso Por Verso, pág. 68). Quinto testemunho. A Igreja Adventista do Sétimo Dia tem apresentado emsuas lições da Escola Sabatina a posição de que os 144 mil são constituídos por umnúmero simbólico: “Mas 144.000 não designa o número literal dos escolhidos, assimcomo 490 não é o número de perdões a serem oferecidos aos ofensores. Os 144.000 são,portanto, o grupo pleno e completo que estará selado, limitado não pelos números, maspor sua fidelidade a Deus”. (Lição da Escola Sabatina, do 2º trimestre de 1981, pág. 74). Sexto testemunho. “Seria um erro deduzir que João estava pensando em termosliterais. A menção dos 144.000 está contida numa profecia muito simbólica. Apocalipse7 usa tais símbolos como “quatro anjos”, “quatro cantos”, “quatro ventos”, “Oriente”,“o selo” na fronte dos que constituem o povo de Deus. Interpretar literalmente essessímbolos seria omitir o ponto principal da passagem”. (Lição da Escola Sabatina, nº 374do 2º trimestre de 1989). Essas são algumas declarações proferidas por alguns eminentes teólogos eautoridades eclesiásticas da Igreja Adventista do Sétimo Dia a respeito do número 144mil ser representado por um valor simbólico e não literal.

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