Os maias capítulo i 1-2014

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Os maias capítulo i 1-2014

  1. 1. Os Maias Eça de Queirós
  2. 2. John Bull
  3. 3. Dia de Reis — O Zé Povinho levantar-se-á?
  4. 4. A atualidade (1901)
  5. 5. RAFAEL BORDALO PINHEIRO Rafael Augusto Prostes Bordalo Pinheiro (Lisboa,1846 -1905) • Artista polifacetado: desenhador, aguarelista, ilustrador, decorador, ceramista (Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha), professor; • Crítico social e político: caricaturista, jornalista, percursor do cartaz artístico em Portugal e criador da representação popular do Zé Povinho (1875).
  6. 6. Sarau (1880)
  7. 7. Grupo do Leão (1885)
  8. 8. COLUMBANO BORDALO PINHEIRO Columbano Bordalo Pinheiro (Lisboa,18571929) • Pintor naturalista e realista português • Irmão de Rafael Bordalo Pinheiro
  9. 9. GRANDE ANALEPSE • O narrador recua mais de 50 anos (época do liberalismo em Portugal – c. 1820) para relatar a vida de Afonso da Maia, um jovem que partilhou o ideário revolucionário do seu tempo e conheceu a oposição da família aristocrática e conservadora, defensora do absolutismo — veja-se, particularmente, a posição do seu pai, Caetano da Maia, descrito como um «português antigo e fiel que se benzia ao nome de Robespierre (um dos fautores da Revolução Francesa).
  10. 10. CRÍTICA SOCIAL • A «Lisboa miguelista» é descrita na perspetiva de Afonso da Maia «como uma Tunes barbaresca; essa rude conjuração apostólica de frades e boleeiros, atroando tabernas e capelas; essa plebe beata, suja e feroz, rolando do lausperene para o curro, e ansiando tumultuosamente pelo príncipe que lhe encarnava tão bem os vícios e as paixões…» • O «mundo de Queluz» (da corte régia) é caracterizado como «bestial e sórdido».
  11. 11. REFORMA SOCIAL • Afonso da Maia, jovem amadurecido após uma temporada em Inglaterra, propõe uma reforma moderada da sociedade: – «admitia […] o esforço de uma nobreza para manter o seu privilégio histórico; mas então queria uma nobreza inteligente e digna, como a aristocracia tory […], dando em tudo a direção moral, formando os costumes e inspirando a literatura, vivendo com fausto e falando com gosto, exemplo de ideias altas e espelho de maneiras patrícias…»
  12. 12. O EXÍLIO EM INGLATERRA • Depois de ver o seu palacete invadido pelos esbirros do regime, Afonso da Maia parte «para uma longa demora, nos arredores de Londres», onde conviverá com «os emigrados liberais, Palmela e a gente do “Belfast”».
  13. 13. CRÍTICA SOCIAL E POLÍTICA • Porém, «A sua alma reta não tardou a protestar vendo a separação de castas, de jerarquias, mantidas ali na terra estranha entre vencidos da mesma ideia — os fidalgos e os desembargadores vivendo no luxo de Londres à forra, e a plebe, o exército, depois dos padecimentos da Galiza, sucumbindo agora à fome, à vérmina, à febre nos barracões de Plymouth.»
  14. 14. A ATITUDE DE AFONSO • «Teve logo conflitos com os chefes liberais; foi acusado de vintista e demagogo; descreu enfim do liberalismo.» • «Isolou-se então — sem fechar todavia a sua bolsa, donde saíam às cinquenta, às cem moedas…» • «Teve relações; estudou a nobre e rica literatura inglesa; interessou-se, como convinha a um fidalgo em Inglaterra, pela cultura, pela cria dos cavalos, pela prática da caridade».
  15. 15. Condessa de Runa
  16. 16. CARACTERIZAÇÃO DA CONDESSA DE RUNA • Social: – «D. Maria Eduarda Runa, filha do conde de Runa» (p. 15), «antigo mimoso de D. Carlota Joaquina, hoje conselheiro ríspido do senhor D. Miguel» (p. 16). • Física: – «uma linda morena, mimosa e um pouco adoentada. […]» (p. 15), «pequenina e trigueira» (p. 17). • Psicológica: – Muito arreigada ao seu país («Verdadeira lisboeta») (p. 17), detesta tudo o que é inglês e, num saudosismo triste, aspira ardentemente pelo regresso a Portugal (vide p. 17); – Revela-se profundamente devota («a devoção dos Runas!» — p. 17), cultivando uma religiosidade de novenas, santinhos, procissões e romarias, de dogmas soturnos e «pavores do Inferno» (p. 21) — a importância conferida ao catolicismo leva-a a procurar educar o filho segundo um catecismo redutor e deprimente, ministrado pelo Padre Vasques, e a ter sempre a casa povoada de «figuras canónicas» (p. 19), a cheirar ao «bafio da sacristia» (p. 19); – É dada a melancolias, a tristezas, a estados depressivos (vide p. 19); – Manifesta um excessivo protecionismo relativamente ao filho, rodeando-o de cuidados e interdições, coibindo-o de viver uma vida saudável e extrovertida, evitando que ele se afaste para ir estudar para Coimbra.
  17. 17. Pedro da Maia
  18. 18. CARACTERIZAÇÃO DE PEDRO DA MAIA • Física: – «pequenino e nervoso como Maria Eduarda, tendo pouco da raça, da força dos Maias; a sua linda face oval de um trigueiro cálido, dois olhos maravilhosos e irresistíveis, prontos sempre a humedecerse, faziam-no assemelhar a um belo árabe» (p. 20); – «são e, como todos os Maias, valente» (p. 21). • Psicológica: – A passividade, a indolência, o desinteresse: «sem curiosidade, indiferente […]. Nenhum desejo forte parecera jamais vibrar naquela alma meio adormecida e passiva» (p. 20); – A fragilidade, o carácter depressivo: «Era em tudo um fraco; e esse abatimento contínuo de todo o seu ser resolvia-se a espaços em crises de melancolia negra, que o traziam dias e dias mudo, murcho, amarelo, com as olheiras fundas e já velho.» (p. 20); – A dependência emocional: «O único sentimento vivo, intenso, até aí, fora a paixão pela mãe.» (p. 20).
  19. 19. A EDUCAÇÃO DE PEDRO • «Com o magistério a que o Padre Vasques submete Pedro da Maia, assistimos ao desenvolvimento da típica educação portuguesa oitocentista e conservadora: o primado da cartilha e com ela uma conceção essencialmente punitiva da devoção religiosa; o latim como prática pedagógica fossilizada e não criativa; e sobretudo a fuga ao contacto direto com a natureza e com as realidades práticas da vida.» Carlos Reis, Introdução à leitura d’Os Maias, pp. 41-42
  20. 20. REALISMO / NATURALISMO • «Com o Naturalismo, a caracterização das personagens especializa-se: estão em causa, então, sobretudo fatores educacionais, elementos concernentes à hereditariedade, relações com o meio e sua influência, etc. Tudo inspirado numa conceção determinista e evolucionista da existência, a que não eram alheias as teses de Darwin a propósito da origem das espécies e da sua seleção por força de características ambientais específicas.» Carlos Reis, Introdução à leitura d’Os Maias, p. 35
  21. 21. PEDRO DA MAIA PERSONAGEM NATURALISTA • Apesar de Os Maias serem considerados um romance híbrido (que integra ideologias heteróclitas), a composição desta personagem segue o cânone naturalista.
  22. 22. PEDRO DA MAIA PERSONAGEM NATURALISTA FATORES QUE CONTRIBUEM PARA O SEU FIM TRÁGICO: • O peso da hereditariedade: – vinculação ao ramo familiar dos Runas, sabendo-se que estes primavam pela morbilidade e pela vulnerabilidade psíquica (um antepassado da condessa teria mesmo enlouquecido e cometido suicídio — ver página 22); • A influência deletéria da educação e do meio: – a educação segundo o «pesadume crasso da cartilha» (p. 18) e o ambiente beato, repressivo e soturno; – o «romantismo torpe» (p. 21) e a boémia nos «lupanares e botequins» de Lisboa (p. 21); – as companhias duvidosas.
  23. 23. As fases da vida de Pedro da Maia Ler as páginas 21 e 22
  24. 24. PEDRO — A CRISE FÚNEBRE • «Quando a mãe morreu, numa agonia terrível de devota, debatendo-se dias nos pavores do Inferno, Pedro teve na sua dor os arrebatamentos de uma loucura. […] caiu numa angústia soturna, obtusa, sem lágrimas, de que não queria emergir, estirado de bruços sobre a cama numa obstinação de penitente.», saindo «todos os dias a passos de monge, lúgubre no seu luto pesado, para ir visitar a sepultura da mamã...» (p. 21).
  25. 25. PEDRO — A CRISE BOÉMIA • «Esta dor exagerada e mórbida cessou por fim; e sucedeu-lhe, quase sem transição, um período de vida dissipada e turbulenta, estroinice banal, em que Pedro, levado por um romantismo torpe, procurava afogar em lupanares e botequins as saudades da mamã.» (p. 21).
  26. 26. PEDRO — A CRISE MÓRBIDA • «Ao fim de um ano de distúrbios no Marrare, de façanhas nas esperas de toiros, de cavalos esfalfados, de pateadas em S. Carlos, começaram a reaparecer as antigas crises de melancolia nervosa; voltavam esses dias taciturnos, longos como desertos, passados em casa a bocejar pelas salas, ou sob alguma árvore da quinta todo estirado de bruços, como despenhado num fundo de amargura. Nesses períodos tornava-se também devoto» (p. 21).
  27. 27. PEDRO — A PAIXÃO FATAL • «Mas um dia, excessos e crises findaram. Pedro da Maia amava! Era um amor à Romeu, vindo de repente numa troca de olhares fatal e deslumbradora, uma dessas paixões que assaltam uma existência, a assolam como um furacão, arrancando a vontade, a razão, os respeitos humanos e empurrando-os de roldão aos abismos.» (p. 22).

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