Escravidão: Outras Histórias

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Escravidão: Outras Histórias

  1. 1. ESCRAVIDÃO Outras histórias Prof. Carlos Prof. Carlos
  2. 2. África antiga – mudando (pré)conceitos <ul><li>Centros de economia internacional e de vendas de livros científicos e filosóficos, uma das maiores universidades do mundo, contatos comerciais a milhares de quilômetros, esculturas em estilo realista que rivalizavam com as gregas e romanas, obras de arte com estilo expressionista que só no século XX os europeus seriam capazes de apreciar, tecnologia metalúrgica superior a muitos povos, cidades com bairros para estrangeiros, reinos tão ricos onde os animais de estimação usavam coleiras de ouro, senhores com escravas brancas, igrejas cristãs, judeus negros, construções de templos e palácios, porcelana chinesa em aldeias no meio da selva...uma África nada parecida com a que estamos acostumados em muitos livros e filmes. </li></ul>
  3. 3. <ul><li>Na África anterior a chegada e conquista dos europeus existia uma gigantesca variedade de povos, línguas e etnias. Uma variedade cultural em enormes proporções, assim como os indígenas da América do sul, por exemplo. </li></ul>
  4. 4. Contato e Captura <ul><li>Pesquisas atuais falam em mais de 300 povos africanos trazidos para o Brasil dos mais variados locais da África. </li></ul><ul><li>A maneira mais comum de obter escravos era comprando de mercadores africanos. O tráfico de escravos enriqueceu muitos reinos africanos. </li></ul><ul><li>Africanos são transformados em mercadorias através de duas formas: guerras ou crimes. </li></ul><ul><li>Interessante que por diversas vezes reis africanos enviaram para o Brasil seus representantes propondo acordos a fim de monopolizar o comércio e isolar os concorrentes da Europa no tráfico. </li></ul><ul><li>Alguns ex-escravos poderiam retornar para a África e lá poderiam se tornar intermediários entre os reinos que vendiam escravos e os portugueses. </li></ul>
  5. 6. Escravos índios e negros <ul><li>Desde o séc. XV portugueses compravam escravos africanos para levá-los até Açores e Madeira. </li></ul><ul><li>No Brasil, no início da conquista, preferiram utilizar escravos indígenas e foi assim até o XVII quando os portugueses passaram a usar mais escravos africanos que indígenas. </li></ul><ul><li>Por quê? </li></ul>
  6. 7. Motivos do colonizador <ul><li>Índios são preguiçosos? Negros resistem melhor às tarefas pesadas? Índios se rebelavam e os negros eram dóceis? </li></ul><ul><li>Um dos motivos é que muitos índios morreram, forma expulsos de suas terras e massacrados pelos europeus (doenças tem a sua participação nesse ponto) </li></ul><ul><li>Claro que não podemos deixar de lado o fator econômico, afinal de contas desde o século XV Portugal realizava o tráfico de almas para a Europa e ilhas do atlântico. </li></ul>
  7. 8. Rebeldia dos escravos <ul><li>Índios nunca admitiram o cativeiro e os escravos africanos foram tão rebeldes quanto os indígenas. </li></ul><ul><li>Uma das formas de reação foram os quilombos, palenques e cumes em Cuba, maroons na Jamaica, grand marronage no Haiti, busch negroes nas Antilhas holandesas. </li></ul><ul><li>Quilombos não foram uma forma de reproduzir o modo original africano. Eles abrigavam diversas etnias africanas e a própria cultura colonial. </li></ul><ul><li>Existiam maneiras sutis de resistência. Por exemplo, o escravo fazia “corpo mole” roubava uma comida na cozinha, fingia-se de doente. Escravas grávidas optavam pelo aborto e muitos não agüentaram a saudade de casa e a vida desgraçada, e simplesmente se mataram. </li></ul>
  8. 10. Palmares <ul><li>Existiram centenas de quilombos no Brasil, mas o mais famoso foi Palmares. </li></ul><ul><li>Em meio as invasões holandesas muitos escravos aproveitaram o caos e fugiram para a serra da Barriga (AL) e assim várias aldeias começaram a surgir. Palmares era uma união de diversas aldeias totalizando mais de 20 mil moradores. </li></ul><ul><li>Governo colonial enviou diversas expedições para destruir Palmares. </li></ul><ul><li>O último rei de Palmares foi Zumbi que comandou a luta contra um muito bem armado “exército” colonial chefiado por Domingos Jorge Velho. </li></ul><ul><li>Palmares foi invadido, incendiado e até mesmo as crianças não foram poupadas (1695). </li></ul><ul><li>Palmares foi mesmo vencido? </li></ul><ul><li>Cada vez que havia uma fuga se perguntavam: haverá mais fugas? E com o aumento das fugas, novas perguntas: haverá um Quilombo? Quando surgia um Quilombo, se perguntavam: será como Palmares? </li></ul>
  9. 12. Tumbeiros <ul><li>“ Os vivos, os moribundos, e os mortos amontoados em uma única massa. Alguns desafortunados no mais lamentável estado de varíola, sofrivelmente doentes com oftalmia, alguns completamente cegos, outros, esqueletos vivos, arrastando-se com dificuldade para cima, incapazes de suportarem o peso de seus corpos miseráveis. Mães com crianças pequenas penduradas em seus peitos, incapazes de darem a elas uma gota de alimento. Como os tinham trazido até aquele ponto parecia surpreendente: todos estavam completamente nus. Seus membros tinham escoriações por terem estado deitados sobre o soalho durante tanto tempo. No compartimento inferior o mau cheiro era insuportável. Parecia inacreditável que seres humanos pudessem respirar tal atmosfera, e viver. Alguns estavam sob o soalho, chamado convés, morrendo – um já morto.” </li></ul>
  10. 15. Igreja e escravidão <ul><li>Bispos e padres acreditavam que a escravidão na América era um meio de trazer os africanos para a “verdadeira religião” </li></ul><ul><li>“ Na África vocês veneravam demônios e agora estão sofrendo o castigo de Deus. A escravidão é o preço do seu pecado. Se forem obedientes estarão perdoados e, depois da morte, irão para o céu” </li></ul><ul><li>A Igreja justificava a escravidão e o pior, os padres acreditavam nisso. </li></ul><ul><li>Com relação aos indígenas era levemente diferente, pois devido as pressões da Igreja, desde 1570 Portugal fazia leis proibindo a escravidão indígena, a não ser que fosse pela Guerra Justa. </li></ul>
  11. 16. Lucros do tráfico? <ul><li>Mais da metade de todo o tráfico de escravos da África para o Brasil era realizado por traficantes do Brasil. </li></ul><ul><li>Os mais ricos moravam em Salvador e no Rio de Janeiro. Alguns chegavam até mesmo acumular certa fortuna e atuavam como banqueiros, emprestando dinheiro para fazendeiros da colônia. </li></ul><ul><li>Os mais interessados no tráfico eram, portanto, os próprios colonos. Latifundiários sedentos por mão-de-obra e traficante que lucravam alto. </li></ul><ul><li>Tão intensa quanto a ligação com a Europa, era a que se estabelecia com os portos africanos. </li></ul>
  12. 17. Controle pela violência <ul><li>Um dos recursos para dominar o escravo era a violência física. </li></ul><ul><li>Alguém aqui já levou uma “tunda”? </li></ul><ul><li>A escravidão foi uma história de brutalidades. </li></ul><ul><li>Um dos castigos mais comuns era o tronco onde o feitor surrava as costas e as nádegas até a carne rasgar. Feito isso aplicava sobre os ferimentos um coquetel de sal, pimenta e urina. Doía e inflamava. </li></ul><ul><li>Suplícios eram intermináveis: cortar o nariz, orelhas, órgãos sexuais, limar os dentes até a raiz. </li></ul><ul><li>As escravas mais bonitas e jovens podiam ser forçadas a ter relações com o senhor despertando o ciúmes nas senhoras. Capatazes arrancavam dentes, orelhas, mamilos. Violência atrás de violência. </li></ul><ul><li>Mas como explicar 300 anos de um regime... Baseado apenas na violência? </li></ul>
  13. 19. Controles sutis <ul><li>Os senhores ofereciam certas “vantagens” para o escravo de “melhor comportamento” </li></ul><ul><li>Mais carne na hora do almoço, descanso semanal, promoção a escravo doméstico, ganhar uma calça nova. </li></ul><ul><li>Muitos senhores libertavam seus cativos, mas mesmo liberto ele não gozava de direitos de homem livre. A alforria poderia ser o resultado de uma negociação. </li></ul><ul><li>Muitos escravos fugiam e negociavam a sua volta, exigindo certas melhorias na sua condição. Não se trata de greve (que acontece com trabalhadores assalariados), mas uma forma de negociação e resistência. </li></ul><ul><li>Além da brutalidade a escravidão oferecia brechas </li></ul>
  14. 20. Brecha Camponesa <ul><li>Um outro mecanismo de controle e manutenção da ordem escravista foi a criação de uma margem de economia própria para o escravo dentro do sistema escravista, a chamada brecha camponesa’. Ao ceder um pedaço de terra em usufruto e a folga semanal para trabalhá-la, o senhor aumentava a quantidade de gêneros disponíveis para alimentar a escravatura numerosa, ao mesmo tempo em que fornecia uma válvula de escape para as pressões resultantes da escravidão. </li></ul><ul><li>a ilusão de propriedade ‘distrai’ a escravidão e prende, mais do que uma vigilância feroz e dispendiosa, o escravo à fazenda. ‘Distrai’, ao mesmo tempo, o senhor do seu papel social, tornando-o mais humano aos seus próprios olhos. (...) Certamente o fazendeiro vê encher-se a sua alma de certa satisfação quando vê vir o seu escravo da sua roça trazendo o seu cacho de bananas, o cará, a cana, etc. </li></ul>
  15. 21. Complexidade da escravidão <ul><li>Latifundiários não eram os únicos proprietários de escravos. Pequenos fazendeiros também tinham seus cativos. </li></ul><ul><li>Nas cidades haviam muitos escravos. Limpavam a casa, na cozinha, tratavam cavalos, traziam água. </li></ul><ul><li>Outros eram utilizados em obras públicas: construção de prédios, calçamento de ruas, carregar excrementos humanos (tigres). Ajudavam nos trabalhos de ferreiros, carpinteiros, alfaiates, etc. </li></ul><ul><li>Um exemplo interessante era o escravo de ganho que buscava um emprego, ganhava uma certa quantia de dinheiro, que pertencia ao senhor. </li></ul><ul><li>Escravos podiam ser alugados para alguns serviços como transportar móveis de uma casa para outra, serviços sexuais, entre outros. </li></ul>
  16. 24. Todos somos africanos <ul><li>Música </li></ul><ul><li>Comidas típicas </li></ul><ul><li>Palavras </li></ul><ul><li>Conhecimentos tecnológicos </li></ul><ul><li>Artesanato </li></ul><ul><li>Mineração </li></ul>
  17. 25. <ul><li>A escravidão marcou a sociedade brasileira atual. Os negros e mulatos, que descendem dos antigos escravos, são a maioria dos pobres. Os descendentes dos índios também não estão em melhor situação. Os sentimentos racistas e a discriminação contra a população negra continuam existindo no Brasil. Sem dúvida, são uma cruel herança do tempo da escravatura e mostra que o passado morto ainda pode ser um pesadelo para os vivos do presente. </li></ul>

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