Vigilância epidemiológica

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Vigilância epidemiológica

  1. 1. Vigilância Epidemiológica Disciplina: Bioestatística e Epidemiologia Curso: Enfermagem 3ºP 2010.1
  2. 2. Histórico <ul><li>Início do século XX -> Primeiras intervenções estatais no campo da prevenção e controle de doenças; </li></ul><ul><li>As intervenções consistiam em campanhas sanitária e visavam controlar as doenças que comprometiam a atividade econômica; </li></ul><ul><li>O modelo operacional baseava-se nas etapas: preparatória, ataque, consolidação e manutenção. </li></ul>
  3. 3. Histórico <ul><li>A expressão Vigilância Epidemiológica passou a ser aplicada a doenças transmissíveis na década de 50, para designar as atividades desenvolvidas na Campanha de Erradicação da Malária; </li></ul><ul><li>A vigilância era direcionada às pessoas com base no isolamento e não de forma coletiva. </li></ul>
  4. 5. Histórico <ul><li>Na década de 60, também foi instituída uma fase de vigilância epidemiológica durante a campanha de erradicação da varíola; </li></ul><ul><li>Foram realizados: </li></ul><ul><li>Vacinação em massa; </li></ul><ul><li>Busca ativa de casos; </li></ul><ul><li>Detecção precoce dos surtos; </li></ul><ul><li>Bloqueio imediato da transmissão da doença. </li></ul>
  5. 7. Histórico <ul><li>No Brasil, a Campanha de Erradicação da Varíola (1966-73) é reconhecida como o marco da institucionalização das ações de vigilância no país; </li></ul><ul><li>Em 1969, a partir do modelo da CEV, foi organizado um sistema de notificação de doenças e estas informações foram disseminadas em um boletim epidemiológico quinzenal; </li></ul><ul><li>O principal êxito deste esforço foi o controle da poliomielite no Brasil, na década de 80; </li></ul><ul><li>As profundas mudanças no perfil epidemiológico das observações permitiu, na 21ª Assembléia Mundial de Saúde, a abrangência do conceito para, além das doenças transmissíveis, as doenças não transmissíveis e agravos. </li></ul>
  6. 8. Conceito <ul><li>Segundo a Lei Orgânica da Saúde (Lei 8.080/90) a vigilância epidemiológica é &quot;o conjunto de atividades que permite reunir a informação indispensável para conhecer, a qualquer momento, o comportamento ou história natural das doenças, bem como detectar ou prever alterações de seus fatores condicionantes, com o fim de recomendar oportunamente, sobre bases firmes, as medidas indicadas e eficientes que levem à prevenção e ao controle de determinadas doenças&quot;. </li></ul>
  7. 9. Vigilância Epidemiológica <ul><li>Compreende os níveis municipal, estadual e nacional; </li></ul><ul><li>As ações executivas são de responsabilidade do nível estadual, porém seu exercício apropriado exige conhecimento analítico da situação de saúde local; </li></ul><ul><li>Cabe aos níveis nacional e estadual conduzir ações de caráter estratégico e de longo alcance; </li></ul><ul><li>A eficiência do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE) depende do desenvolvimento harmônico das funções realizadas nos diferentes níveis. </li></ul>
  8. 10. Vigilância Epidemiológica <ul><li>Tem como propósito fornecer orientação técnica permanente para os profissionais de saúde; </li></ul><ul><li>Constitui um instrumento importante para o planejamento, organização e operacionalização dos sistemas de saúde; </li></ul><ul><li>São funções da VE: Coleta de dados, análise e interpretação dos dados, recomendação das medidas de controle, promoção das ações de controle, avaliação da eficácia e efetividade das medidas adotadas, divulgação das informações pertinentes. </li></ul>
  9. 11. Coleta de Dados e Informações <ul><li>O cumprimento das funções da VE depende da disponibilidade dos dados; </li></ul><ul><li>A qualidade das informações depende da coleta adequada desses dados onde ocorre o evento sanitário; </li></ul><ul><li>Os responsáveis pela coleta devem estar preparados para aferir a qualidade do dado obtido; </li></ul><ul><li>Os dados devem ser representativos em relação à magnitude do problema; </li></ul><ul><li>O fluxo , a periodicidade e os tipos de dados devem corresponder às necessidades, com base nos indicadores. </li></ul>
  10. 12. Tipos de Dados <ul><li>Dados Demográficos, Ambientais e Socioeconômicos </li></ul><ul><li>Permitem quantificar os grupos populacionais; </li></ul><ul><li>Dados a respeito do número de habitantes, nascimentos e óbitos devem ser discriminados segundo discriminação por sexo, idade, ocupação, condições de saneamento; </li></ul><ul><li>A disponibilidade dos dados demográficos e socioeconômicos é primordial para caracterização da dinâmica populacional e condições de vida; </li></ul><ul><li>Dados climáticos e ecológicos também são importantes. </li></ul>
  11. 13. Tipos de Dados <ul><li>2) Dados de Morbidade </li></ul><ul><li>Permitem a detecção imediata ou precoce dos problemas sanitários; </li></ul><ul><li>Os dados são oriundos da notificação de surtos e casos, da produção de serviços ambulatoriais e hospitalares, das investigações epidemiológicas; </li></ul><ul><li>Seu uso apresenta dificuldades relacionadas à representatividade e abrangência dos sistemas de informações disponíveis. </li></ul>
  12. 14. Tipos de Dados <ul><li>Dados de Mortalidade </li></ul><ul><li>São indicadores da gravidade do fenômeno vigiado; </li></ul><ul><li>São oriundos de declarações de óbitos </li></ul><ul><li>Notificação de Surtos e Epidemias </li></ul><ul><li>A detecção precoce ocorre quando o sistema de vigilância epidemiológica local está bem estruturado; </li></ul><ul><li>Possibilita a constatação de qualquer indício de elevação no número de casos de uma patologia ou a detecção de outras doenças. </li></ul>
  13. 15. Fontes de Dados <ul><li>Notificação </li></ul><ul><li>“ É a comunicação da ocorrência de determinada doença ou agravo à saúde feita à autoridade sanitária por profissionais de saúde ou qualquer cidadão, para fins de adoção de medidas de intervenção pertinentes”; </li></ul>
  14. 16. Anexo I. Lista nacional de agravos de notificação compulsória Botulismo Cólera Coqueluche Leishmaniose tegumentar americana Leishmaniose visceral Leptospirose Malária Dengue Difteria Doença de Chagas (casos agudos) Doenças meningocócicas e outras meningites Meningite por Haemophilus infl uenzae Peste Poliomielite Paralisia fl ácida aguda Esquistossomose (em área não-endêmica) Febre amarela Febre do Nilo Raiva humana Rubéola Sarampo Febre tifóide Hanseníase Hepatites virais Sífi lis congênita Síndrome da imunodefi ciência adquirida (aids) Síndrome respiratória aguda grave Tétano Infeccção pelo vírus da imunodefi ciência humana (HIV) em gestantes e crianças expostas ao risco de transmissão vertical Tuberculose Varíola
  15. 17. Fontes de Dados <ul><li>Os critérios para inclusão de doenças e agravos na lista de notificação compulsória são os seguintes: </li></ul><ul><li>Magnitude </li></ul><ul><li>Aplicável à doenças de elevada freqüência; </li></ul><ul><li>Traduzem-se por altas taxas de incidência, prevalência, mortalidade e anos potenciais de vida perdidos. </li></ul><ul><li>Potencial de Disseminação </li></ul><ul><li>Elevado poder de transmissão da doença </li></ul>
  16. 18. Fontes de Dados <ul><li>c) Transcendência </li></ul><ul><li>Severidade. Taxa de letalidade, de hospitalização e de seqüelas; </li></ul><ul><li>Relevância social. Manifesta-se pela sensação de medo, de repulsa ou de indignação; </li></ul><ul><li>Relevância econômica. </li></ul><ul><li>d) Vulnerabilidade </li></ul><ul><li>- Disponibilidade concreta de instrumentos específicos de prevenção e controle da doença. </li></ul>
  17. 19. Fontes de Dados <ul><li>e) Compromissos Internacionais </li></ul><ul><li>Ocorrência de epidemias, surtos e agravos inusitados à saúde. </li></ul><ul><li>O funcionamento de um sistema de notificação é diretamente proporcional à capacidade de se demonstrar o uso adequado das informações recebidas, de forma a conquistar a confiança dos notificantes; </li></ul><ul><li>Deve-se notificar a simples suspeita da doença; </li></ul><ul><li>A notificação deverá ser sigilosa; </li></ul><ul><li>A notificação deve ser feita mesmo na ausência de casos (Notificação Negativa). </li></ul>
  18. 20. Fontes de Dados <ul><li>Outras bases de dados: </li></ul><ul><li>Laboratórios </li></ul><ul><li>Complementam o diagnóstico de confirmação de casos; </li></ul><ul><li>Servem como fonte de conhecimento de casos que não foram notificados. </li></ul><ul><li>Investigação Epidemiológica </li></ul><ul><li>Casos e surtos complementam informações de fontes de infecção e mecanismos de transmissão; </li></ul><ul><li>Também possibilita a descoberta de novos casos. </li></ul>
  19. 21. Fontes de Dados <ul><li>Outras bases de dados: </li></ul><ul><li>Imprensa e população </li></ul><ul><li>Devem ser sempre consideradas para a realização da investigação pertinente; </li></ul><ul><li>Pode ser o primeiro alerta sobre a ocorrência de uma epidemia ou agravo inusitado. </li></ul>
  20. 22. Fontes de Dados <ul><li>Fontes Especiais de Dados </li></ul><ul><li>Estudos Epidemiológicos </li></ul><ul><li>Inquérito Epidemiológico. Estudo do tipo amostral, quando as informações são inadequadas; </li></ul><ul><li>Levantamento Epidemiológico. Os dados complementarão as informações já existentes. </li></ul>
  21. 23. Normatização <ul><li>A definição de normas técnicas é imprescindível para a uniformização de procedimentos e a comparação dos dados e informações produzidos pelo sistema de vigilância; </li></ul><ul><li>É importante a definição da doença ou agravo; </li></ul><ul><li>Geralmente, os casos são classificados como suspeitos, compatíveis ou confirmados. </li></ul>
  22. 24. Retroalimentação do Sistema <ul><li>Consiste no retorno regular de informações às fontes produtoras, demonstrando a sua contribuição no processo; </li></ul><ul><li>O conteúdo da informação fornecida deve corresponder às expectativas criadas nas fontes; </li></ul><ul><li>A credibilidade do sistema depende de que os profissionais de saúde e as lideranças comunitárias se sintam participantes e contribuintes. </li></ul>
  23. 25. Avaliação dos sistemas de Vigilância Epidemiológica <ul><li>O sistema é eficiente quando seu funcionamento é aferido regularmente; </li></ul><ul><li>Deve demonstrar os resultados obtidos com a ação desenvolvida que justifiquem os recursos investidos; </li></ul><ul><li>Avaliações periódicas devem ser realizadas em todos os níveis, com relação aos seguintes aspectos: </li></ul><ul><li>Atualização da lista de doenças e agravos; </li></ul><ul><li>Cobertura da rede de notificação e participação das fontes; </li></ul><ul><li>Funcionamento do fluxo de informações; </li></ul><ul><li>Investigações realizadas e sua qualidade; </li></ul>
  24. 26. Avaliação dos sistemas de Vigilância Epidemiológica <ul><li>Retroalimentação do sistema; </li></ul><ul><li>Composição e qualificação da equipe técnica responsável; </li></ul><ul><li>Interação com a comunidade cientifica e centros de referência;custos de operação e manutenção. </li></ul><ul><li>As medidas quantitativas incluem: </li></ul><ul><li>Sensibilidade. Capacidade em detectar casos; </li></ul><ul><li>Especificidade. Capacidade de excluir os não-casos; </li></ul><ul><li>Representatividade. Identificar os subgrupos da população; </li></ul><ul><li>Oportunidade. Agilidade do fluxo do sistema de informação. </li></ul>
  25. 27. Avaliação dos sistemas de Vigilância Epidemiológica <ul><li>As medidas qualitativas incluem: </li></ul><ul><li>Simplicidade. Facilitar operacionalização e reduzir custos; </li></ul><ul><li>Flexibilidade. Capacidade de adaptação a novas situações epidemiológicas; </li></ul><ul><li>Aceitabilidade. Disposição de indivíduos, profissionais ou organizações de participarem e utilizarem o sistema. </li></ul>
  26. 28. Perspectivas <ul><li>Uma das características da VE é estar permanentemente acompanhando o desenvolvimento científico e tecnológico mediante articulação com a sociedade científica e formação de comitês técnicos assessores; </li></ul><ul><li>No Brasil, a VE ainda apresenta uma série de insuficiências decorrentes de dificuldades políticas, administrativo-financeiras e de deficiência em recursos humanos; </li></ul><ul><li>O desafio é trabalhar para o desenvolvimento da consciência sanitária dos gestores municipais dos sistemas de saúde, para que estes passem a priorizar as ações de saúde pública. </li></ul>

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