Apostilavibracao2002 b

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Apostilavibracao2002 b

  1. 1. AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A VIBRAÇÕES Anis Saliba Filho (*) INTRODUÇÃO Embora não seja tão comentada ou estudada, a exposição ocupacional à vibração também é uma grande matéria para pesquisa e atuação dos higienistas, uma vez que sua ocorrência na indústria é tão frequente quanto qualquer outro agente ambiental; os efeitos no organismo provenientes da exposição ocupacional a este agente são consideráveis, o que reforça a necessidade de avaliação e controle. Na prática, a exposição à vibração é estudada de duas formas, isto é, vibrações de corpo inteiro e vibrações localizadas (mão/braço). Haverá a exposição de corpo inteiro, sempre que um indivíduo estiver situado sobre uma superfície com excesso de vibração ou operando equipamentos e veículos pesados. A exposição localizada resulta da utilização de ferramentas manuais, pneumáticas ou elétricas, as quais existem em enorme diversidade e aplicabilidade. O grande problema é a transmissão da vibração de uma máquina, equipamento ou ferramenta ao corpo ou partes do corpo de um indivíduo, que, associada ao tempo de exposição diário, poderá resultar em efeitos no organismo, como será visto adiante. A importância da avaliação deste agente físico, além da principal que é a prevenção de doenças ocupacionais, está no fato de sua exigência em critérios ocupacionais, tais como NR 15 (insalubridade), NR 09 (PPRA), INSS (aposentadoria especial), ACGIH etc. OCORRÊNCIAS As vibrações de Corpo Inteiro são aquelas em que todo o corpo ou grande parte do mesmo está exposta a movimentos vibratórios, e ocorre mais intensamente em veículos e equipamentos móveis, onde há um posto de operação (em geral um assento), e a vibração do veículo ou equipamento é transmitida ao operador/motorista. Em menor escala, observa-se superfícies, pisos, plataformas industriais etc, que podem transmitir vibração ao homem. As vibrações Localizadas são transmitidas às mãos e aos braços, em geral através de ferramentas vibratórias, sejam elas elétricas, pneumáticas ou com outra forma de energia (p.ex. lixadeiras, marteletes, moto-serras). Também podem ser transmitidas por equipamentos conduzidos manualmente, como por exemplo compactadores de solo. Para um reconhecimento inicial de situações típicas de exposições a vibrações, apresenta-se na página a seguir dois estudos estrangeiros, com alguns exemplos de exposições. (*) Engenheiro Eletrônico e de Segurança do Trabalho. Atua no ITSEMAP do Brasil, em Higiene Industrial e Análise de Riscos. INDÚSTRIAS EUROPÉIAS COM EVIDÊNCIAS CLÍNICAS DE SOBREEXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A VIBRAÇÕES
  2. 2. (segundo Taylor & Pelmear - Londres 1975) Indústria / Atividade Tipo de Vibração Principais Fontes de Vibração Agricultura Fabricação de Caldeiras Construção Civil Corte de Diamantes Florestagem Fundição Fabricação de Móveis Ferro e Aço Serraria Fabricação de Máqs. operatrizes Mineiração Rebitagem Borracha Estampagem Estaleiro Trabalhos em Pedra Têxtil Transportes corpo inteiro localizada corpo inteiro localizada localizada corpo inteiro localizada localizada localizada localizada localizada localizada corpo inteiro localizada localizada localizada localizada localizada localizada localizada corpo inteiro operação de tratores ferramentas pneumáticas operação de veículos pesados perfuratrizes/marteletes ferramentas manuais operação de trator/off-roads motosserra equipamentos pneumáticos cinzel pneumático ferramentas manuais motosserras/ferramentas manuais ferramentas manuais veículos pesados/off road perfuratrizes ferramentas manuais ferramentas manuais ferramentas manuais ferramentas manuais ferramentas manuais máquinas de costura/teares veículos- motorista e passageiro
  3. 3. EXPOSIÇÕES POTENCIAIS À VIBRAÇÃO NAS INDÚSTRIAS AMERICANAS (segundo Wasserwan & Taylor - NIOSH - USA - 1977) Tipo de Indústria ou Atividade Tipo de Vibração Principais Fontes de Vibração Dirigir caminhão / ônibus Operação de equipamentos pesados Operação de trator e maq. agrícola Fundição Operação de empilhadeira Operação de ponte rolante Indústria têxtil Refino de metal Pedreira Mineiração (subterrânea/ar livre) Indústria gráfica Indústrias de calçados Florestagem Construção civil Estaleiro Metalurgia corpo inteiro corpo inteiro corpo inteiro corpo inteiro localizada corpo inteiro corpo inteiro corpo inteiro corpo inteiro corpo inteiro corpo inteiro localizada corpo inteiro localizada localizada localizada localizada localizada Movimento do veículo scrapers, carregadeiras etc tratores, colheitadeiras empilhadeiras, pontes rolantes, lixadeiras, esmerilhadeiras etc movimento do veículo movimento da ponte teares empilhadeiras, pontes rolantes, caminhões máquinas e veículos pesados máquinas e veículos pesados marteletes e equip. pneumáticos máquinas gráficas máquinas de costura motosserras marteletes e equip. pneumáticos ferramentas manuais furadeiras, lixadeiras, esmerilhadeiras
  4. 4. CONCEITOS TEÓRICOS A vibração é um movimento oscilatório de um corpo, devido a forças desequilibradas de componentes rotativos e movimentos alternados de uma máquina ou equipamento. Como todo corpo com movimento oscilatório, um corpo que vibra descreve um movimento periódico, que envolve um deslocamento, num certo tempo, daí, resulta a velocidade, bem como a aceleração do movimento em questão. Outro fator importante é a frequência desse movimento, isto é, o número de ciclos (movimentos completos) realizado num período de tempo. No caso de ciclos por segundo, utiliza-se a unidade Hertz (Hz). Todo corpo pode ser interpretado como um sistema mecânico de massa e mola, lembrando-se que, na prática, existe também o amortecimento. Assim, todo corpo possui uma freqüência natural de oscilação, podendo ser quantificada com um pequeno estímulo no sistema. No entanto, este corpo poderá estar sujeito a forças externas, vibrações de outras fontes, que podem entrar em contato com o mesmo. As vibrações externas possuem também freqüências. Se chamarmos a freqüência da vibração externa a um corpo de freqüência de excitação, haverá o fenômeno de ressonância quando a freqüência de excitação se igualar à freqüência natural, resultando num crescente aumento de tranmissividade de movimento, que, em condições severas chega a ser destrutivo para o corpo em questão. No caso da exposição humana às vibrações, dentre outros fenômenos envolvidos, como a simples transmissão de movimento ao corpo ou parte dele, um caso particular a ser salientado é a possibilidade de ressonância entre freqüências de excitação da fonte de vibração (veículos, equipamentos etc) e algumas partes do corpo humano. RESPOSTA DO CORPO HUMANO À VIBRAÇÃO A vibração de uma máquina é causada pelo movimento de seus componentes. Cada componente em movimento possui uma determinada freqüência, o que faz com que a vibração global transmitida ao corpo humano em contato com uma máquina ‚ constituída de diferentes freqüências ocorrendo simultaneamente. Isto é um fator importante a ser considerado para a avaliação da vibração, pois, por outro lado, o corpo humano não ‚ homogeneamente sensível às freqüências da vibração. Para uma melhor compreensão de como o corpo humano ‚ mais sensível a determinadas faixas de freqüências de acordo com segmentos corporais, utiliza-se um modelo mecânico simplificado, que mostra as faixas de freqüências naturais de partes importantes do corpo, conforme ilustrado a seguir. Deve ser ressaltado que, dada uma freqüência de excitação, a ressonância irá ocorrer quando esse valor se igualar à freqüência natural do corpo ao qual ela se transmite. QUANTIFICAÇÃO DA VIBRAÇÃO Num movimento oscilatório pode se quantificar vários parâmetros, dentre eles, o deslocamento, a velocidade e a aceleração. No caso de vibração para efeitos de higiene industrial, avalia-se a aceleração, em m/s2 , ou, opcionalmente, em dB. Para aceleração de vibração, o decibel é assim obtido: dB = 20 log a/ao onde: a = aceleração avaliada
  5. 5. ao= aceleração de referência (10-6 m/ s2 ) A medição é possível através da utilização de um acelerômetro, que é um transdutor que transforma o movimento oscilatório num sinal elétrico, enviado a um medidor-integrador. Existem dois tipos básicos de acelerômetros, quais sejam, compressão e cisalhamento. ANTECEDENTES LEGAIS E TÉCNICOS ♦ ANTECEDENTES LEGAIS A exposição a vibrações é contemplada na legislação brasileira no Anexo no 8 da NR-15 da Portaria 3214/78, alterado pela portaria no 12/83, que reproduzimos a seguir. NR-15 - ANEXO 8 VIBRAÇÕES  As atividades e operações que exponham os trabalhadores, sem a proteção adequada, às vibrações localizadas ou de corpo inteiro, serão caracterizadas como insalubres, através de perícia realizada no local de trabalho.  A perícia, visando à comprovação ou não da exposição deve tomar por base os limites de tolerância definidos pela Organização Internacional para a Normalização - ISO em suas normas ISO 2631 e ISO/DIS 5349 ou suas substitutas.  Constarão obrigatoriamente do laudo de perícia: a) o critério adotado; b) o instrumental utilizado; c) a metodologia de avaliação; d) a descrição das condições de trabalho e o tempo de exposição às vibrações; e) o resultado da avaliação quantitativa f) as medidas para eliminação e/ou neutralização da insalubridade, quando houver.  A insalubridade, quando constatada, será de grau médio. ♦ ANTECEDENTES TÉCNICOS Norma ISO 5349/86 A norma ISO 5349/86 trata da exposição humana à vibração localizada. A seguir apresentamos uma síntese de seus aspectos gerais.  A faixa de frequências considerada é de 5 a 1500 Hz.  Considera um sistema de coordenadas triortogonal, sendo que existem duas opções para posicionamento dos eixos, no caso de transmissão de vibração para as mãos, em equipamentos de pega (empunhar), uma delas, basicêntrica, que toma como referência a interface da transmissão de vibração e a outra, biodinâmica, que toma como referência a cabeça do terceiro metatarso.
  6. 6.  A norma produz um critério (guia) para relacionamento da aceleração ponderada da vibração e o tempo diário de exposição; não define os limites de exposição segura.  Não especifica o grau de risco à saúde, sendo tal deixado para as autoridades locais (países membros).  É feita observação que métodos atuais de avaliação se baseiam no componente de máxima aceleração ponderada.  O parâmetro a ser medido é a aceleração, em m/s2 , rms. O equipamento de medição deve ser devidamente calibrado através de um calibrador apropriado.  Prevê o uso de medidores integradores, com integração linear.  Para sinais com picos de aceleração muito elevados, poderá haver erro por sobrecarga. Desta forma, será preferencial o uso de um filtro mecânico passa-baixas, com função de transferência linear calibrada, cortando os componentes acima de 3000 Hz.  Muitas outras variáveis da situação são citadas como importantes para reporte.  A avaliação se baseia na exposição diária; será expressa em termos da aceleração ponderada equivalente para 4 horas  Acredita-se que o tempo total de transmissão efetiva de vibração não excede a 4 horas Diárias (como mostrado pelos estudos nos quais se baseou a norma). Entretanto, para transformar outros períodos de medição contínua ou de ciclos característicos de operação, o valor pode ser corrigido para o nível ponderado equivalente para 4 horas, através da seguinte equação: a4 = (T/4)1/2 . at sendo: a4 - aceleração corrigida para 4 horas (m/s2 ) T - tempo total considerado (horas) at - aceleração obtida no período "T" (m/s2 )  Havendo diferentes períodos de exposição a diferentes níveis, pode-se obter o nível ponderado equivalente diário, através de cálculos.  Para vibração multiaxial, recomenda-se a verificação dos 3 eixos de medição e a avaliação será baseada na componente de maior valor.  Anexo A (critério)  baseia-se no valor de aceleração ponderada equivalente para 4 horas, rms, eixo dominante.  baseia-se em aproximadamente 40 estudos de exposição até 25 anos. Exposições habituais/cotidianas de um único equipamento.  é possível interpolação ente as curvas  com o valor de aceleração encontra-se o tempo em anos para a instalação de desordens vasculares (branqueamento de dedos).  o critério não se aplica a valores de aceleração superiores a 50 m/s2 .
  7. 7.  os tempos de trabalho considerados são entre 1 e 25 anos e as percentagens de população exposta variam de 10 a 50%.  O anexo também oferece recomendações básicas de controle relacionados a higiene industrial e de ordem médica. Norma ISO 2631/85 A norma ISO 2631 trata da exposição humana à vibração de corpo inteiro. A seguir apresentamos uma síntese de seus aspectos gerais.  faixa de frequências considerada é de 1 a 80 Hz.  Tipos de limites: conforto reduzido/proficiência reduzida por fadiga/limite de exposição (limite de tolerância). É adotado um sistema de coordenadas com centro no coração, triortogonal.  Existem limites distintos, sendo um para o eixo z e outro para os eixos x e y.  Os limites se referem ao ponto de entrada no corpo humano; as medições devem ser feitas o mais próximo possível de tal ponto ou área; havendo material resiliente entre a estrutura do banco e a pessoa, é permissível interpor suportes rígidos para o transdutor, como folhas metálicas finas adequadamente conformadas.  O parâmetro a ser medido é a aceleração, em m/s2 , rms. O equipamento de medição deve ser devidamente calibrado através de um calibrador apropriado.  Podem ser feitas medições em faixas de terços de oitava ou medições ponderadas em frequência.  Os limites de tolerância definidos correspondem a aproximadamente a metade do limiar de dor ou tolerância voluntária de pacientes saudáveis em pesquisas de laboratório (sexo masculino).  A avaliação deve levar em conta períodos de amostragem maiores que um minuto.  Ao se desejar um número único para a quantificação em um único eixo, recomenda-se utilizar o método ponderado.  Para componentes vetoriais da mesma ordem de grandeza, deve-se ponderar cada eixo para os níveis equivalentes na faixa de 4 a 8 Hz, combinando-se como segue: a = ((1,4 ax)2 + (1,4 ay)2 + (az)2 )1/2 Esse valor, que corresponde ao vetor soma, deve ser comparado aos limites definidos para o eixo z. Esclarecimentos relativos à Norma ISO 2631/97 Tendo-se em vista que em 1997, a norma ISO 2631 foi reformulada, dentre as principais alterações está a inexistência de limites de exposição fixados, e a norma somente fornece guias para a verificação da severidade das exposições. Cada país deverá adotar seu limite de exposição, e, uma vez que a NR 15 - Anexo 8 remete à ISO 2631, o critério adotado pelo ITSEMAP será o seguinte: - Para o uso relacionado ao âmbito da NR 15: como é mencionada a ISO 2631, que atualmente não define mais limites de exposição, partindo-se do princípio que na ausências de limites, deverá ser adotado um a critério do avaliador, e, adicionando-se o fato de que a ISO 2631 de 1997 menciona que os limites de exposição da edição de 1986 não deixam de
  8. 8. proteger o exposto, tais limites continuarão sendo adotados para a finalidade de caracterização da sobreexposição ou não, nos termos da NR 15. - Para o uso relacionado ao âmbito do PPRA - NR 09, isto é, finalidades preventivas, priorizações de medidas de controle etc, deverão ser adotados os limites de tolerância da ACGIH mais recentes (1998) Os limites são representados por tempos máximos diários de exposição, em função dos valores medidos de aceleração, em cada eixo de medição, e da frequência da vibração. Atualmente, a prática de avaliação admite uma série de considerações abrangentes e otimizações, sendo que:  utiliza-se medição ponderada em frequência, já incluída no equipamento de medição, oferecendo número único, em m/s2 ou dB;  utiliza-se medições de nível equivalente, longas, sempre maiores que um minuto;  utiliza-se o vetor soma dos 3 eixos (SUM), sempre que os mesmos possuírem valores da mesma ordem de grandeza. Todavia, o uso do valor soma pode ser feito sempre. Com os dados obtidos dessa forma, entra-se no ábaco da norma, obtendo-se o tempo máximo permitido. Com os tempos máximos permitidos pode-se conhecer a severidade da exposição. Efeitos no Organismo - Vibrações de Corpo Inteiro 1) Resumo do estudo NIOSH de 1979 sobre Vibrações de Corpo Inteiro (1) A população potencialmente exposta de motoristas de caminhão foi estimada em 4 milhões. O estudo epidemiológico durou dois anos e considerou um total de 3205 motoristas de caminhões interestaduais. O grupo de controle foi formado por 1137 controladores de tráfego aéreo (grupo sedentário) As vibrações podem estar parcialmente vinculadas a certas desordens musculoesqueletais, digestivas e circulatórias entre os expostos com mais de 15 anos de serviço. Os motoristas estão mais predispostos ou propensos ao desenvolvimento de síndromes dolorosas de origem vertebral, deformações da espinha, estiramentos e maus-jeitos, apendicites, problemas estomacais e hemorróidas. Todavia, posturas forçadas, manuseio de cargas e maus hábitos alimentares não podem ser descartados como causas das desordens. Outros estudos em laboratório mostraram grande relação causal com desordens gastrointestinais (testes com animais) e uma cadeira vibratória usada como simulador em testes com motoristas revelou que a vibração causa desconforto e pode interferir com a destreza de comando manual e a acuidade visual. 2) Resumo do Estudo de Guinard & King - Londres – 1972 (2) Prováveis efeitos fisiológicos classificados: a) Atividade muscular/postura: Na faixa de 1 a 30 Hz, os avaliados encontram dificuldades para manter a postura, bem como um aumento de balanço postural. Há também uma tendência à lentidão de reflexos na extensa faixa de frequências entre 10 e 200 Hz. b) Efeitos no sistema cardiovascular: Em frequências inferiores a 20 Hz, ocorre um aumento da
  9. 9. frequência cardíaca, durante a exposição à vibração. Parece resultar uma resposta vasoconstritora periférica em testes com humanos e animais, para níveis moderados de vibração. c) Efeitos cardiopulmonares: aparentemente existem alterações nas condições de ventilação pulmonar e taxa respiratória com vibrações da ordem de 4,9 m/s2 (134 dB), na faixa de 1 -10 Hz. d) Efeitos metabólicos e endocrinológicos: foram observadas alterações na bioquímica urinária e sanguínea, como uma reação genérica em humanos e animais. e) Efeitos no sistema nervoso central: um estudo polonês sobre trabalhadores agrícolas e florestais descreveu os efeitos do que se chamou “vibration sickness”: • o primeiro estágio caracteriza-se por epigastralgia, distensões, náuseas, perda de peso, redução de acuidade visual, insônia, desordens no labirinto, cólicas no cólon etc. • num segundo estágio as dores se intensificam, mais concentradas no sistema muscular e osteoarticular.Exames em trabalhadores revelaram atrofia muscular e lesões tróficas na pele. Considera-se difícil determinar o exato momento em que as alterações patológicas ocorrem, devido, especialmente à variabilidade de sensibilidade (susceptibilidade) individual à vibração. f) Efeitos no sistema gastrointestinal: foi realizada uma série de estudos laboratoriais utilizando macacos, com o esforço conjunto entre o NIOSH e USAF. Nesses estudos, os macacos foram submetidos a uma vibração vertical de corpo inteiro com 1,5 g de pico e frequência de 12 Hz, por 5 horas/dia, 5 dias/semana, num total de 130 horas. Os resultados das necrópsias indicaram uma fadiga generalizada, lesões e sangramentos gastrointestinais em 10 animais expostos e nenhum efeito foi notado nos 13 animais do grupo de controle. Foram obtidos resultados similares em outras pesquisas. São citados ainda efeitos como enjôo (motion sickness), bem como várias situações que causam desconforto (efeitos na performance do trabalho). Efeitos no Organismo - Vibrações Localizadas Resumo do Estudo realizado por Taylor e Pelmear, sobre a síndrome de vibrações localizadas (4) Os primeiros sintomas da síndrome são formigamento ou adormecimento leve e intermitente ou ambos, que são usualmente ignorados pelo paciente por não interferirem no trabalho e outras atividades. Mais tarde o paciente pode experimentar ataques de branqueamento de dedos confinados primeiramente às pontas; entretanto, com a continuidade da exposição, os ataques podem se estender à base do dedo. O frio frequentemente provoca os ataques, mas há outros fatores envolvidos como mecanismo de disparo, como a temperatura central do corpo, taxa metabólica, tonus vascular (especialmente cedo de manhã) e estado emocional. Os ataques usualmente duram 15 a 60 minutos, mas nos casos avançados podem durar 1 ou 2 horas. A recuperação se inicia com um rubor, uma hiperemia reativa, usualmente vista na palma, avançando do pulso para os dedos. Nos casos avançados, devido aos repetidos ataques inquêmicos, o tato e a sensibilidade à temperatura ficam comprometidos. Há a perda de destreza e incapacidade para a realização de trabalhos finos.
  10. 10. Prosseguindo a exposição, o número de ataques de branqueamento se reduz, sendo substituído por uma aparência cianótica dos dedos. Finalmente, pequenas áreas de necrose da pele aparecem na ponta dos dedos (acrocianose). PROCEDIMENTO DE AVALIAÇÃO a) VIBRAÇÕES DE CORPO INTEIRO 1) INSTRUMENTAL NECESSÁRIO - Medidor/Integrador de precisão tipo 1 - com módulo para vibrações (ex. B&K 2231 + módulo 7105) - Unidade para vibração humana (ex. B&K 2522) - Acelerômetro de Assento (ex. B&K 4322) 2) PROCEDIMENTO Após a verificação da calibração do medidor, acopla-se o acelerômetro de assento ao conjunto de leitura (medidor + unidade para vibração). No caso de vibração em superfícies deve-se posicionar o acelerômetro no próprio piso, firmando-o com as mãos ou com um peso homogêneo (ex. saco com areia). No caso de veículos, deve-se instalar o acelerômetro no próprio assento, considerando-se os eixos triortogonais, da forma ilustrada abaixo: Lembrar que o instrumento deve estar configurado de forma que faça leituras da aceleração para corpo inteiro, ponderada e triaxial. Quando o operador for iniciar o trabalho com o veículo avaliado, inicia-se a medição. Minutos após o início da execução de sua tarefa típica, já é possível terminar a medição e realizar as leituras. O valor a ser anotado é a aceleração equivalente (Aeq nos três eixos, bem como a soma vetorial). 3) INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS : Com o valor da aceleração no eixo Z ou da soma vetorial (em casos nos quais os valores dos três eixos são da mesma ordem de grandeza), entra-se no gráfico do limite de exposição da norma ISO 2631 e obtém-se o tempo máximo diário permitido (horas), que deve ser comparado como tempo líquido de exposição pesquisado, possibilitando assim a conclusão acerca da exposição em questão. b) VIBRAÇÕES LOCALIZADAS 1) INSTRUMENTAL NECESSÁRIO - Medidor/Integrador de precisão tipo 1 - com módulo para vibrações (ex. B&K 2231 + módulo 7105) - Unidade para vibração humana (ex. B&K 2522) - Acelerômetro com pequena massa e alta resistência a choque (ex. B&K 4393) - Adaptadores para Mão, prisioneiro e demais acessórios
  11. 11. 2) PROCEDIMENTO Após a verificação da calibração do medidor, acopla-se o acelerômetro ao conjunto de leitura (medidor + unidade para vibração). A próxima etapa consiste em posicionar e fixar o acelerômetro junto ao ponto mais próximo da transmissão às mãos, considerando-se os eixos triortogonais, segundo a ilustração abaixo. A fixação da base do acelerômetro no equipamento avaliado pode ser feita através de prisioneiros rosqueados, cola de alta aderência, cera de abelha, abraçadeira etc. Deve ser ressaltado que o procedimento de fixação no equipamento requer muitos cuidados, pois além do posicionamento representativo quanto aos eixos, deve ser buscada a melhor fixação para cada caso, a fim de evitar que ele fique com folgas, que, no momento da medição vão resultar em valores incoerentes e até‚ na soltura do acelerômetro, podendo danificar esse sensível transdutor. No entanto, atualmente existem adaptadores anatomicamente desenhados para a empunhadura manual, nos quais se instala o acelerômetro, com pontos certos para os três eixos. Veja a seqüência de ilustrações a seguir: (3) Segundo a ISO 5349, quantifica-se a aceleração apenas no eixo predominante. Quando é possível reconhecer preliminarmente qual o eixo com maior intensidade, instala-se o acelerômetro apenas na respectiva coordenada. Caso contrário, faz-se a medição dos três eixos (um por vez) e verifica-se qual apresentou predominância. Quando o operador for iniciar o trabalho com a ferramenta, inicia-se a medição. Minutos após o início de sua tarefa típica, já é possível terminar a medição e realizar a leitura da aceleração . O valor a ser anotado é a aceleração equivalente (Aeq, no eixo predominante) 3) INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS : a) ISO 5349: Com o valor da aceleração no eixo predominante, deve-se estimar o tempo líquido de uso diário. Se o mesmo for igual a 4 horas, entra-se com a aceleração obtida no gráfico da ISO 5349, caso contrário, deve-se calcular a aceleração equivalente para 4 horas, através da seguinte fórmula: A4 = _t_ . At 4 onde At = aceleração avaliada para o tempo líquido estimado t = tempo líquido estimado A4 = aceleração equivalente para 4 horas de uso diário Através da aceleração para 4 horas/dia, é possível verificar a gravidade da exposição, pois obtemos a previsão do tempo em anos para o aparecimento de sintomas (início de branqueamento) relativo a percentis dos funcionários expostos. Observe-se que não se trata de um limite de tolerância. Para tanto, recomenda-se utilizar o critério da ACGIH. b: ACGIH Este critério limita o valor da aceleração, conforme o tempo de uso diário (intermitente ou não) de determinada ferramenta. Basta verificar se o valor da aceleração obtido está dentro do limite definido para o intervalo de tempo utilizado. O limite é reproduzido abaixo: Exposição Diária Total em horas Valores da aceleração (intermitente ou não) eixo dominante (m/s2) (rms ponderada)
  12. 12. 4 < T < 8 4 2 < T < 4 6 1 < T < 2 8 T < 1 12 ASPECTOS GERAIS DE CONTROLE Uma vez detectada uma sobreexposição a vibrações, deve-se buscar soluções para controle da exposição. As alternativas principais são duas: a) redução do nível de vibração gerado ou transmitido b) redução do tempo de exposição à vibração Desde já salienta-se que não é tão simples e fácil obter grandes reduções nos níveis de vibração gerados; porém, em alguns equipamentos pode ser conseguido relativo sucesso através de manutenção, ajustes e até‚ mesmo reprojeto. Pode-se buscar a redução da vibração transmitida, no caso de corpo inteiro, através de melhorias nos assentos de veículos (amortecedor, revestimento com atenuação), por exemplo. Quanto às vibrações localizadas, revestimentos de manoplas, utilização de luvas com material de grande absorvêcia devem auxiliar sensivelmente. Vale lembrar que luvas normais não apresentam, por outro lado, grandes atenuações. Outra alternativa, para corpo inteiro ou localizadas, consiste na redução do tempo de exposição, por funcionário, ou seja, otimizar o trabalho, providenciar pausas, promover o rodízio de funcionários em cada atividade etc. Referências Bibliográficas (1) – NIOSH – National Institute of Occupational Safety and Health – Occupational Hazards - Ja. 1979 - Tradução e Adaptação - Mario Luiz Fantazzini (2) Human Aspects of Occupational Vibration - Donald Wasserman - USA – 1987 - tradução/adaptação: Anis Saliba Filho (3) Vibration Effects On The Hand-Arm In Industry – Brammer / Taylor Nov. 1982 (4) ITSEMAP do Brasil – Material Didático – Curso Avançado de Agentes Físicos – Mario Luiz Fantazzini (5) ISO 5349 - Mechanical Vibration - Guidelines for the Measurement and the Assessment of Human Exposure to Hand- transmissed Vibration - 1986 (6) ISO 2631 - Evaluation of Human Exposure to Whole-Body Vibration - 1985

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