AS ENFERMEIRAS NA FORÇA EXPEDICIONÁRIABRASILEIRA1º Ten Al JULIANA FARIAS COÊLHO CÂMARARIO DE JANEIRO2008
AS ENFERMEIRAS NA FORÇA EXPEDICIONÁRIABRASILEIRA1º Ten Al JULIANA FARIAS COÊLHO CÂMARARIO DE JANEIRO2008Trabalho de conclu...
M496iCâmara, Juliana Farias Coêlho.As Enfermeiras na Força Expedicionária Brasileira /. -Juliana Farias Coêlho Câmara. - R...
RESUMOO objetivo deste trabalho é realizar uma revisão de literatura sobre a atuação das enfermeirasque integraram a Força...
ABSTRACTThe objective of this work was doing a literature revision on the performanceof the nurses who had integrated Braz...
AGRADECIMENTOSA minhas irmãs e sobrinhas, por tornarem essa “jornada” mais suave.A Sílvio, meu noivo, pelo seu amor e apoi...
DEDICATÓRIAA meus pais, Lúcio da Costa Câmara e Rita de Cássia Farias Coêlho Câmara,por se dedicarem, incessantemente, em ...
SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO..........................................................................................................
1 INTRODUÇÃOA Segunda Guerra Mundial foi um conflito que envolveu 63 países, 80% dapopulação mundial e teve duração de cin...
O Brasil vivia sob um regime que se chamou Estado Novo e que duraria oitoanos (de novembro de 1932 a outubro de 1946). A C...
poupariam recursos financeiros e humanos. Com isso, os norte-americanospressionaram o governo do Brasil a enviar um estrut...
2 METODOLOGIAEste trabalho realizou uma revisão de literatura sobre a atuação dasenfermeiras na Força Expedicionária Brasi...
3 REVISÃO DE LITERATURA3.1 COMPOSIÇÃO DA FEBDe acordo com Morais (1960), a FEB era constituída de uma Divisão deInfantaria...
- Depósito de Pessoal .3.2 QUADRO DE ENFERMEIRAS DO EXÉRCITOAtravés do Decreto nº 6097, em 15 de dezembro de 1943, foi cri...
profissionais, de 3 anos; o de Samaritanas (artigo 99 de Enfermagem), ou seja, osupletivo de enfermagem, de 3 anos em 1; e...
O destacamento precursor recebeu ordens para realizar todos os preparativospara partir para a Guerra (tomar as vacinas, co...
- 16º Hospital de Evacuação, em Pistóia, sob barracas, com capacidade para 400leitos;- 7º Hospital de Guarnição de Livorno...
O estado de saúde dos militares que embarcaram a bordo do navio GeneralMann, rumo ao Teatro de Operações Terrestres, em Ná...
macacão verde-oliva semelhante ao usado pelos mecânicos, pois o Exército nãoestava preparado para a incorporação do segmen...
enfermeiras usassem o uniforme americano no recinto do hospital, trocando-opelo verde-oliva quando saíssem.O trato com as ...
De acordo com Cansanção (1987), com o deslocamento das tropas parafrente, as outras enfermeiras se deslocaram para o 38th ...
As enfermeiras realizaram um trabalho notável: além do serviço deenfermagem, davam apoio e carinho aos feridos.
4 CONCLUSÃOA presença das enfermeiras na Força Expedicionária Brasileira representou oingresso das mulheres no Exército, s...
CANSANÇÃO, E. E foi assim que a cobra fumou. Rio de Janeiro: MarquesSaraiva, 1987.CANSANÇÃO, E. 1... 2... Esquerda... Dire...
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  1. 1. AS ENFERMEIRAS NA FORÇA EXPEDICIONÁRIABRASILEIRA1º Ten Al JULIANA FARIAS COÊLHO CÂMARARIO DE JANEIRO2008
  2. 2. AS ENFERMEIRAS NA FORÇA EXPEDICIONÁRIABRASILEIRA1º Ten Al JULIANA FARIAS COÊLHO CÂMARARIO DE JANEIRO2008Trabalho de conclusão de curso apresentado àEscola de Saúde do Exército, como requisitoparcial para aprovação no Curso de Formaçãode Oficiais do Serviço de Saúde, especializaçãoem Aplicações Complementares às CiênciasMilitares.Orientador: Capitão-Tenente Josinete Mello dosSantos..
  3. 3. M496iCâmara, Juliana Farias Coêlho.As Enfermeiras na Força Expedicionária Brasileira /. -Juliana Farias Coêlho Câmara. - Rio de Janeiro, 2008.23 f. :Orientador: Josinete Mello dos SantosTrabalho de Conclusão de Curso (especialização) – Escola de Saúdedo Exército, Programa de Pós-Graduação em Aplicações Complementaresàs Ciências Militares.Referências: f. 23.1. Enfermeiras. 2. FEB. 3. Segunda Guerra Mundial. I. SantosJosinete Mello dos. II. Escola de Saúde do Exército. III. Título.CDD 617.69
  4. 4. RESUMOO objetivo deste trabalho é realizar uma revisão de literatura sobre a atuação das enfermeirasque integraram a Força Expedicionária Brasileira (FEB). O Brasil vivia um período chamadoEstado Novo (de novembro de 1932 a outubro de 1946), quando o mundo inicia o maiorconflito armado da história: a Segunda Guerra Mundial, em que dois blocos de países seconfrontam, quais sejam, os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), que desejavam imporuma “nova ordem” na Europa e na Ásia, e os países Aliados, liderados pelos Estados Unidos,União Soviética, França e Inglaterra e compostos pelo restante do mundo. Uma das razões quelevaram o Brasil a entrar na guerra foi o ataque de submarinos alemães a navios brasileiros.Assim, foi criada a FEB, com o objetivo de enviar combatentes brasileiros para lutar ao ladodos países aliados, em solo italiano. Os Estados Unidos pressionaram o Brasil para enviarapoio logístico de saúde para a guerra e foi criado, por Decreto, o Quadro de Enfermeiras daReserva do Exército. Foram enviadas para Itália 67 enfermeiras do Exército e 6 daAeronáutica. As enfermeiras da FEB atuaram em seções brasileiras nos hospitais americanosnos diversos escalões que compuseram a assistência à saúde no Teatro de Operações Terrestres(TOT), tendo atuações de grande valia para a manutenção e recuperação da higidez física emental dos brasileiros que combateram na Itália, além do socorro aos outros militares aliados,aos prisioneiros alemães e à população civil. O conforto moral proporcionado pelasenfermeiras da FEB, além de assistência médica, aos feridos e doentes no TOT na Itália, foiessencial para a campanha vitoriosa dos militares brasileiros na Segunda Guerra Mundial.Palavras-chaves: Enfermeiras, FEB, Segunda Guerra Mundial.,
  5. 5. ABSTRACTThe objective of this work was doing a literature revision on the performanceof the nurses who had integrated Brazilian Expedicionary Force (FEB). Brazillived a called period “Been New” (of November of 1932 to October of 1946),when the world initiates the biggest armed conflict in history: Second WorldWar, where two blocks of countries if collate, which were, the countries of theAxis (Germany, Italy and Japan) and the Allies, led for the United States,SovietUnion, France and Britain and composites for the remain of the world. GermanSubmarines had sunk Brazilian ships and this was one of the reasons becauseBrazil entered in the war. Thus, the FEB was created, with the objective to sendBrazilian troops to fight besides of the countries Allies, in Italy. The UnitedStates had pressured Brazil to send logistic support of health for the war andwere created, for decree, the Staff of Nurses of the Reserve of the Army. 67nurses of Army and 6 of the Air Force had been sent for Italy. The nurses of theFEB had acted in Brazilian sections in the American hospitals in the diversesteps that compose the assistance to the health in the Terrestrial OperationTheater (TOT), having performances of great value for the maintenance andrecovery of the physical and mental health of the Brazilians who had fought inItaly, beyond the aid to the other military allies, the german prisoners and thepopulation . The moral comfort proportionated by the nurses of the FEB, beyondmedical assistance to the wounded and sick people in the TOT in Italy wasessential for the victorious campaign of the Brazilian military in Second WorldWar.Key-words : Nurses, FEB, Second World War.
  6. 6. AGRADECIMENTOSA minhas irmãs e sobrinhas, por tornarem essa “jornada” mais suave.A Sílvio, meu noivo, pelo seu amor e apoio incondicionais.À Capitão-Tenente Josinete Mello Silva, pela sua disponibilidade em meorientar.Ao Capitão-Tenente Artur Ventura (IM), pela surpreendente amizade eatenção.Ao Major Luiz Carlos Burgarelli, pela dedicação aos co-orientados e atodos que necessitarem de sua ajuda.Aos colegas de curso, que se tornaram amigos e que assim permaneçam.A todos os que servem na Escola de Saúde do Exército, pela paciência epelo convívio enriquecedor.
  7. 7. DEDICATÓRIAA meus pais, Lúcio da Costa Câmara e Rita de Cássia Farias Coêlho Câmara,por se dedicarem, incessantemente, em nos deixar como herança o que há demais valioso: a honestidade, a responsabilidade, a perseverança, a disciplina e orespeito ao próximo.Aos meus avós, Rômulo Camboim Câmara (in memorian), Maria de Lourdesda Costa Câmara, Djalma Lins Coêlho e Maria Nelly de Farias Coêlho,exemplos de virtudes a serem seguidos.
  8. 8. SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO.........................................................................................................82 METODOLOGIA ....................................................................................................113 REVISÃO DE LITERATURA..................................................................................123.1 COMPOSIÇÃO DA FEB.........................................................................................123.2 QUADRO DE ENFERMEIRAS DO EXÉRCITO......................................................133.3 ATIVIDADE LOGÍSTICA DE SAÚDE NO TOT.....................................................153.4 ATUAÇÃO DAS ENFERMEIRAS NA 2ª GUERRA MUNDIAL..............................184 CONCLUSÃO............................................................................................................22REFERÊNCIAS.............................................................................................................23
  9. 9. 1 INTRODUÇÃOA Segunda Guerra Mundial foi um conflito que envolveu 63 países, 80% dapopulação mundial e teve duração de cinco anos e oito meses, deixando 60milhões de mortos.Adolf Hitler, que tinha a Alemanha sob seu poder, Benito Mussolini da Itália,e o Imperador Hiroíto, do Japão, firmaram o Pacto Tripartite, onde resolveramse assistir mutuamente e colaborar para a satisfação das suas aspirações aosespaços da Grande Ásia, Extremo Oriente e aos territórios da Europa. Atravésdesse Pacto, o Japão reconheceu e aceitou a direção da Alemanha e da Itália nacriação de uma nova ordem na Europa. A Alemanha e a Itália, por sua vez,reconheceram e aceitaram a direção do Japão na criação de uma nova ordem noespaço da grande Ásia e Extremo Oriente.No dia 1° de setembro de 1939 a Alemanha invadiu a Polônia e, nessaocasião, os Governos francês e inglês declararam guerra a Alemanha iniciando a2° Guerra Mundial.Os países da América assinaram a ”Declaração Geral de Neutralidade dasRepúblicas Americanas”. Nela se firmava a posição de neutralidade, a proibiçãode instalações de bases militares em seus territórios e se estabelecia a “zona desegurança”, envolvendo o continente americano.Em 7 de dezembro de 1941, a guarnição americana de Pearl Harbour foiatacada por submarinos e por aviões japoneses pilotados por kamikazes quedestruíram totalmente o porto americano e a maioria dos navios ali fundeadosalém de todas as instalações da base. Esse ataque levou 26 nações livres dediferentes partes do mundo a se associarem e firmarem, a 1° de janeiro de 1942,no Rio de Janeiro, a Declaração de empregarem todos os seus recursos militaresou econômicos contra os membros do Pacto Tripartite. Cada governo secomprometia a cooperar com os Governos signatários da Declaração e a nãofirmar com os inimigos armistícios ou paz sem a concordância dos demais .Em 28 de Janeiro de 1942, o Ministro das Relações Exteriores, OsvaldoAranha, cumprindo ordens do governo, comunicou que o Brasil se afastavadefinitivamente do convívio com a Alemanha, Itália e Japão, solidarizando-secom as repúblicas do continente americano, às quais estava ligado porindissolúveis laços de camaradagem.
  10. 10. O Brasil vivia sob um regime que se chamou Estado Novo e que duraria oitoanos (de novembro de 1932 a outubro de 1946). A Constituição de 10 denovembro de 1937 permitira que o Presidente Getúlio Vargas governasse semlimitações jurídicas, sem congresso, sem governos estaduais autônomos, sempartidos políticos e sem eleições.Os chamados países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), em que vigoravamregimes totalitários, tinham notória simpatia pelo governo de Vargas. Noentanto, no Brasil, também existia uma facção pró-Estados Unidos liderada porOsvaldo Aranha.Vargas procurava manter o Brasil neutro e tirar vantagens econômicas da lutaentre os países do Eixo e os países Aliados, estes últimos liderados pelosEstados Unidos e representados pelo restante do mundo.Nesse conturbado período da História, a crise da economia agroexportadoraacarretada pelo crack da bolsa de valores de Nova York provocou um fortemovimento de industrialização no país, pois as dificuldades de importação eramgrandes. Nessa perspectiva, em que o Estado necessitava de mão-de-obra dereserva a fim de manter salários baixos, as mulheres engajam neste processo,conquistando posicionamento na estrutura social. O voto feminino foi umadessas conquistas, formalizada na Constituição de 1934. Há tempos, as mulheresjá reunidas pelo sentimento de consciência de classe, lutavam por esses e outrosdireitos, tornando evidente o processo de inserção da mulher como sujeitopolítico significante na estrutura social brasileira (MARCUSE, 1967).Até 1942, o Brasil se manteve neutro no conflito mundial. Porém, oafundamento de navios brasileiros por submarinos alemães determinou umadeclaração de guerra à Alemanha e à Itália e mostrou que era insustentável aditadura de Vargas. A população exigia que o Brasil tomasse providências arespeito dos ataques aos navios brasileiros, clamando, nas ruas, através depasseatas, que entrássemos na Guerra.No dia 09 de agosto de 1943, foi criada a FORÇA EXPEDICIONÁRIABRASILEIRA-FEB. A criação da FEB tem como marco inicial a ComissãoMilitar Mista Brasil-Estados Unidos e como ponto de partida a autorização queo Presidente Vargas deu ao General Leitão de Carvalho, em 29 de março de1943, para que planejasse com os americanos a utilização de tropas brasileirasem operações de guerra.Com a entrada do Brasil na guerra, os norte-americanos reforçaram a idéia danecessidade de que os países Aliados deveriam embarcar para a Europa,apoiados por uma estrutura logística significativa, já que, dessa forma, aqueles
  11. 11. poupariam recursos financeiros e humanos. Com isso, os norte-americanospressionaram o governo do Brasil a enviar um estruturado corpo de saúde. Asmulheres brasileiras estariam incumbidas de cumprir este papel assistencial,pois, culturalmente, a função de enfermeira era designada às mulheres.Essa pressão política exercida pelos norte-americanos, aliada à crescenteinserção da mulher brasileira no mercado trabalho, e à valorização do Estadotrabalhista de Vargas acerca do processo de voluntariado frente à guerra, foramos possíveis fatores determinantes para impulsionar o ingresso das mulheres nasForças Armadas e para a criação do QUADRO DE ENFERMEIRAS NA FEB.Além disso, como enfermeiras brasileiras prestaram assistência aosnáufragos, vítimas dos ataques dos alemães, sentiram obrigação moral de teruma atitude ativa frente à àquelas vidas perdidas. Uma dessas enfermeiras foiElza Cansanção Medeiros, que, em 1943, morava em Maceió e auxiliou noatendimento dos náufragos do navio Itapagé, prestando assistência médica esocial.
  12. 12. 2 METODOLOGIAEste trabalho realizou uma revisão de literatura sobre a atuação dasenfermeiras na Força Expedicionária Brasileira.
  13. 13. 3 REVISÃO DE LITERATURA3.1 COMPOSIÇÃO DA FEBDe acordo com Morais (1960), a FEB era constituída de uma Divisão deInfantaria, que passou a se chamar 1º DIE, e de Órgãos Não-Divisionários.Segundo Morais (1960), a Primeira Divisão de Infantaria Divisionáriatinha como composição:- Comandante Geral de Divisão;- Quartel Geral, Estado-Maior Geral e Estado Maior Especial;- Infantaria Divisionária: Comandante e 03 Regimentos de Infantaria;- Artilharia Divisionária: Comandante e 04 Grupos de Artilharia;- Esquadrilham de Aviação-ELO;- Batalhão de Engenharia;- Batalhão de Saúde: possuía como Comandante o Ten Cel médico BonifácioAntônio Borba e como Subcomandante o médico João Maliceski Júnior;- Esquadrão de Reconhecimento;- Companhia de Transmissões – Comunicação.A Tropa Especial era assim composta, de acordo com Morais (1960):- Comando do Quartel General e da Tropa Especial;- Destacamento de Saúde;- Cia de Manutenção;- Cia de Intendência;- Pelotão de Sepultamento;- Pelotão de Polícia;- Banda de Música .Os Órgãos Não-Divisionários, segundo Morais (1960), compunham-se do (a):- Comandante da FEB;- Serviço de Saúde da FEB: tinha como chefe o Coronel médico EmanuelMarques Porto;- Agência do Banco do Brasil;- Pagadoria Fixa;- Seção Brasileira de Base;- Depósito de Intendência;- Serviço Postal;- Serviço de Justiça;
  14. 14. - Depósito de Pessoal .3.2 QUADRO DE ENFERMEIRAS DO EXÉRCITOAtravés do Decreto nº 6097, em 15 de dezembro de 1943, foi criado o Quadrode Enfermeiras da Reserva do Exército no Serviço de Saúde. Esse Quadrodestinava-se à formação de enfermeiras militares, mediante um trabalho deadaptação das enfermeiras civis. Assim, se tentou criar o Corpo de Enfermagemcom as alunas da Escola Anna Nery, mas a diretora da Escola foi categórica emafirmar que ”enfermeira de Anna Nery não se sujeitaria a ganhar os quatrocentose vinte mil réis”, então, oferecidos. Logo, o Corpo de Enfermeiras da Reserva doExército foi todo criado com voluntárias (CAMERINO, 1983). Elza CansançãoMedeiros, aos 22 anos de idade, foi a primeira voluntária brasileira a seapresentar para a Segunda Guerra Mundial, tendo se alistado no dia 18 de abrilde 1943 (CANSANÇÃO, 1987).O curso de formação foi realizado no Rio de Janeiro pela Diretoria de Saúdedo Exército e, nas sedes das Regiões Militares, pelas respectivas chefias doServiço de Saúde (CAMERINO, 1983). Teve duração de seis semanas e eracomposto de treinamento físico (na Fortaleza São João), treino de natação (coma nadadora Maria Lenk, melhor nadadora brasileira na época), instrução militar,ordem unida, adaptação ao meio militar e microbiologia. Pela manhã, ocorria oestágio técnico e prático, no Hospital Central do Exército e na Policlínica queterminava às 12 horas e, à tarde, o treinamento militar, que era composto de aulateórica no Ministério da Guerra, que começava às 13 horas e terminava às 16horas quando se iniciava a Educação Física na Fortaleza de São João. Como ointervalo entre as instruções da manhã e da tarde era curto, várias alunasdesmaiavam de fome durante as atividades físicas, pois apenas conseguiamdeglutir um sanduíche no percurso, de bonde, entre a Policlínica e o Ministérioda Guerra (CANSANÇÃO, 1987).Várias enfermeiras tiveram costelas e clavículas quebradas e luxações, poisos exercícios eram perigosos, como a passagem pelo pórtico de 5 metros dealtura, sem rede de proteção (CANSANÇÃO, 1987).Todas deviam ser portadoras de diplomas, pois quando houve a recusa daEscola Anna Nery, o Exército se viu na necessidade de aceitar diplomas deenfermagem de outras Escolas. Havia, na época, 3 tipos de cursos: o de
  15. 15. profissionais, de 3 anos; o de Samaritanas (artigo 99 de Enfermagem), ou seja, osupletivo de enfermagem, de 3 anos em 1; e o de Voluntárias Socorristas, comduração de 3 meses. Portanto, havia, na FEB, apenas 6 enfermeirasprofissionais, vindas do Hospital Alfredo Pinto, da Cruz Vermelha e uma daEscola Anna Nery. Como a Aeronáutica ofereceu o salário de oficial, ou seja,1(um) conto e duzentos, então as enfermeiras da Escola Anna Nery foram paraaquela Força.Ao término do curso intensivo, as alunas consideradas habilitadas erampropostas para nomeação, ao Ministério da Guerra e consideradas preparadaspara participar como oficiais enfermeiras na 2ª Guerra Mundial (CAMERINO,1983).A primeira turma de voluntárias do Exército era composta de 50 alunas,porém apenas 37 foram incorporadas e seguiram para a Itália. A esse primeirocurso seguiram mais quatro, entretanto, apenas 10 da segunda turma foramconvocadas; o restante passou a situação de ex-aluna do curso de Emergênciadas Enfermeiras do Exército, sem nenhum direito a posto hierárquico(CANSANÇÃO, 1987).A mulher brasileira continuava sofrendo ataques de preconceitos de váriasvertentes da sociedade, e até mesmo pessoas inseridas no alto comandohierárquico do governo posicionavam-se contra suas inserções no ExércitoBrasileiro. A reprovação social veio a se revelar em toda sua plenitude, quando aSra. Dutra, esposa do ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra, foi nomeadapatrono das enfermeiras da FEB. Às moças que lhe levaram a notícia, elaapontou a porta da rua dizendo, em voz alta, que era contra o fato de mulheresentrarem no Exército e que “isso era coisa de moças que não prestavam”(MORAIS, 1949).A incorporação do segmento feminino na Força Terrestre, como militar e noQuadro de Oficiais, representou um evento ímpar para a mulher brasileira atéaquele período.Apesar de todas as dificuldades, foi formado, sob sigilo absoluto, oDestacamento Precursor da FEB, composto pelas enfermeiras Elza CansançãoMedeiros, Virgínia Maria de Niemeyer Portocarrero, Carmen Bebiano de MelloBraga, Antonieta Ferreira e Ignacia de Melo Braga. O médico designado foi oMajor Ernestino Gomes de Oliveira. Esse Destacamento tinha como missãorecepcionar os 5 (cinco) mil brasileiros do 1° Escalão da FEB a bordo do navioGeneral Mann, que desembarcariam em Nápoles (CANSANÇÃO,1987).
  16. 16. O destacamento precursor recebeu ordens para realizar todos os preparativospara partir para a Guerra (tomar as vacinas, confecção da placa de identificação -dog tag-, estar de posse do material fornecido pela Intendência, além de outros),porém o destino desse Destacamento Precursor era desconhecido(CANSANÇÃO, 1987).3.3 ATIVIDADE LOGÍSTICA DE SAÚDE NO TOTSegundo Morais (1960), a atividade de saúde estava cargo do Serviço deSaúde da FEB. Este compreendia três escalões bem distintos: o da FEB, o daDivisão e o das Unidades.De acordo com Morais (1960) o escalão da FEB, como órgão de cúpula, tinhasob sua responsabilidade o funcionamento dos demais escalões, inclusive osencargos de hospitalização, bem como a atividade de suprimento Classe VIII.Sob sua assistência direta, estavam o Serviço Dentário, o Posto Avançado deNeuropsiquiatria e as Seções Hospitalares junto aos hospitais norte-americanos.O Posto Avançado de neuropsiquiatria era destinado a receber, observar etratar os doentes precoces de Neuropsiquiatria surgidos no âmbito da Divisão.85% dos pacientes deste Posto foram recuperados e devolvidos à tropa, sendo osdemais recolhidos a hospitais da retaguarda (norte-americanos) (MORAIS,1960).As Seções Hospitalares foram desdobradas juntas aos hospitais norte-americanos, visando a atender os baixados brasileiros naqueles hospitais, após aevacuação do âmbito divisionário. Tal medida destinava-se a proporcionarmelhores condições de atendimento aos brasileiros, ante a dificuldade derelacionamento com médicos e enfermeiros norte-americanos, devido à barreirado idioma (MORAIS, 1960).Para Morais (1960), estas Seções foram desdobradas em todos os hospitaisque se constituíram na cadeia de evacuação e hospitalização e apoiava a 1ª DIE.Esses hospitais eram, seqüencialmente:- 32º Hospital de Campo, em Valdibura, sob barracas, com capacidade para 25leitos, atendia os feridos mais graves, em caráter de urgência e cujo comando foientregue ao Professor Alípio Correa Neto, apesar de se tratar de um hospitalamericano.
  17. 17. - 16º Hospital de Evacuação, em Pistóia, sob barracas, com capacidade para 400leitos;- 7º Hospital de Guarnição de Livorno; 45º e 182º Hospitais de Guarnição deNápoles; 300º Hospital Geral de Nápoles, todos de maior porte e possibilidades;- Hospital de Convalescentes de Montecatini, misto de hospital e hotel, dispondodos meios para recuperação física e mental do homem.Segundo Morais (1960), os feridos e doentes que não podiam ser tratados noprazo de 120 dias, fixado para o Teatro de Operações, eram imediatamenteevacuados para a Zona do Interior. Os demais, uma vez restabelecidos,transferiam-se para o Depósito de Pessoal, retornando à tropa comorecompletamento.De acordo com Silveira (1989), à frente da rede hospitalar, funcionava oServiço de Saúde da 1ª DIE, destinado a estabelecer a ligação entre as unidadese a retaguarda, cabendo-lhe, especificamente, a evacuação no âmbitodivisionário, dispondo, para esta tarefa, de um Batalhão de Saúde, composto poruma Companhia de Tratamento e de três Companhias de Evacuação. ACompanhia de Tratamento equipava os Postos de Triagem divisionários.Foi desdobrado um posto na região de Porreta Terme, posteriormentedeslocado mais para o sul, devido aos constantes bombardeios sobre a região.Em 29 de novembro de 1944, data da realização do segundo ataque a MonteCastelo, este posto recebeu e processou 124 feridos (SILVEIRA, 1989).Cada Regimento, ou Grupo ou Unidade, segundo Silveira (1989), equivalentepossuía um Destacamento de Saúde, chefiado por um oficial médico, destinado aprestar os primeiros socorros aos feridos e doentes, preparando-os para aevacuação ou os restituindo às posições. Nos postos de Comando dos batalhõeseram instalados Postos de Socorro, onde se realizavam operações de grandeemergência. O ferido era inicialmente carregado por padioleiros do batalhão atéo jipe e levado para o Posto de Socorro do Batalhão. Depois de examinado esocorrido, era removido em ambulância para o destino que seu caso exigia. Opadioleiro e o enfermeiro dos pelotões de combate prestavam os primeirossocorros, aplicando pensos, plasma, garrotes e imobilização de membrosfraturados, muitas vezes em pleno combate, sob o fogo inimigo.Todas as equipes do Serviço de Saúde, tanto dos Destacamentos Regimentais,como a do 1° Batalhão de Saúde, e do próprio Hospital de Campo, tinhamextrema mobilidade, acompanhando o deslocamento da tropa para prestarmelhor atendimento ao soldado ferido (SILVEIRA, 1989).
  18. 18. O estado de saúde dos militares que embarcaram a bordo do navio GeneralMann, rumo ao Teatro de Operações Terrestres, em Nápoles, era precário, pois,além de essa ser a realidade da saúde dos brasileiros, na época, as inspeções desaúde para os combatentes que iriam lutar na FEB foram sumárias e ineficientes.Além disso, durante a viagem, que durou 14 dias, os militares ficavam emcabinas estanques, dormindo em macas, sendo 4 macas por fila, com direito aapenas 2 refeições por dia. Estes fatos acarretaram surtos de sarampo, varicela,coqueluche e outras doenças a bordo. Devido à semelhança do uniformebrasileiro com o alemão e ao péssimo aspecto dos brasileiros por causa dodesgaste da viagem, além dos outros fatores citados, quando desembarcaram, a16 de julho, em Nápoles, foram confundidos com prisioneiros alemães(CANSANÇÃO, 1987).Apesar de todos esses fatores, a capacidade de adaptação das tropasbrasileiras impressionou os americanos, sobretudo levando-se em consideraçãoque, sendo de um país tropical e com pouco tempo de ambientação, osbrasileiros tiveram de enfrentar o duro inverno dos Apeninos, um dos maisrigorosos da Europa. O “pé de trincheira” era um mal muito comum queacometia os Exércitos, no inverno, devido à permanência dos soldados em locaismuito úmidos e frios, dificultando a circulação do sangue nas extremidades docorpo, sobretudo nos pés, causando, muitas vezes, a gangrena. As tropasbrasileiras, surpreendentemente, apresentaram baixo índice de “pé detrincheira”, devido à capacidade de improvisação. O pracinha brasileiro cobriabem os pés com um pedaço de cobertor e forrava a galocha com feno seco, palhaou mesmo pano. Depois colocava os pés na galocha deixando-os secos e nãoapertados, permitindo que a circulação ocorresse adequadamente. A bota ficavapendurada no cinto, na mochila ou em outro local próximo, para ser usadaquando ia dirigir algum veículo ou realizar longa marcha (CANSANÇÃO,1987).3.4 ATUAÇÃO DAS ENFERMEIRAS NA 2ª GUERRA MUNDIALO Destacamento Precursor saiu no dia 7 de julho, de avião, para Natal. Asenfermeiras embarcaram, sem avisar a seus familiares, uniformizadas com um
  19. 19. macacão verde-oliva semelhante ao usado pelos mecânicos, pois o Exército nãoestava preparado para a incorporação do segmento feminino (MORAIS, 1949).De acordo com Cansanção (1987), em Natal, tiveram o primeiro contato coma guerra, pois viram o periscópio de um submarino do inimigo quase aflorando,quando os holofotes da Marinha varriam o mar. Partiriam de Natal para Dacar,mas como um avião havia sido abatido, na rota, foram para a Ilha de Ascensão,posteriormente para Acra, de lá para Costa do Ouro (atual Gana), pernoitaramem Dacar, dali seguindo para Atar, Robert Fild, Marrakesh e Casablanca, ondeficaram durante 3 dias e, finalmente, chegaram a Alger. Ficaram em Alger semsaber para onde iriam, quando os alemães, pelo rádio deram a notícia que “seencontravam em Alger, as enfermeiras com o Major médico e que se destinavama Nápoles”. No dia 15 deixaram Alger com destino a Nápoles.Segundo Cansanção (1987), a situação das enfermeiras brasileiras eraconfusa, pois diziam que elas pertenciam ao círculo de oficiais, porém nãopossuíam divisas. Essa falta de clareza e definição fez com que as primeirasenfermeiras a embarcarem passassem fome, pois não podiam freqüentar orefeitório de oficiais, nem o de civis.Na mesma noite de sua chegada a Nápoles, as enfermeiras haviam sidoinformadas que os alemães estavam cientes da movimentação brasileira e de quehaviam prometido uma festa de boas vindas. Durante a noite inteira foi feita umabarragem de artilharia antiaérea americana, que foi apreciada como espetáculopelas enfermeiras brasileiras (CANSANÇÃO,2003).O Destacamento Precursor foi designado para a seção hospitalar brasileira do45th Field Hospital e para o 182nd Station Hospital. No primeiro hospital,ficaram Ignacia e Elza, sendo incumbidas de receber cerca de 300 brasileirosque chegaram baixados do navio General Mann e que para aquele hospitalhaviam sido encaminhados. Distribuídos nas várias enfermarias que compunhamo 45th Hospital, os pracinhas ficariam também sob os cuidados das enfermeirase dos médicos norte-americanos. Dado que os brasileiros e os norte-americanosnão compreendiam o idioma um do outro, a enfermeira Elza foi tambémintérprete, tendo seu nome bradado pelos alto-falantes do hospital inúmerasvezes. No 182nd, ficaram Carmen, Virgínia e Antonieta (CANSANÇÃO, 2003).Para Cansanção (1987), a inclusão de um contingente feminino pegou desurpresa os planejadores encarregados de determinar o vestuário desse novocorpo auxiliar do Exército e, como a confecção do fardamento das enfermeirasnão foi realizado adequadamente, o Chefe do Serviço de Saúde autorizou que as
  20. 20. enfermeiras usassem o uniforme americano no recinto do hospital, trocando-opelo verde-oliva quando saíssem.O trato com as enfermeiras de outras nacionalidades, porém, tornara-se omaior problema. As brasileiras, hierarquicamente, não possuíam posto militarque pudesse ser equiparado com o das enfermeiras norte-americanas (todasoficiais), pois eram consideradas enfermeiras de 3º classe, sendo equiparadas a2º Sargento, logo, sofriam desagradáveis humilhações por parte das americanas,o que levou Elza a participar ao comandante da FEB, General Mascarenhas deMorais, a respeito da conflitante situação. Após um estudo realizado nalegislação, encontrou-se a solução do problema em um regulamento nãorevogado da Guerra do Paraguai: a prática do arvoramento, em outras palavras,as enfermeiras de terceira-classe seriam “arvoradas” ao posto de 2° tenente,podendo fazer uso das insígnias do mesmo, gozar dos direitos e vantagensinerentes, com exceção da pecuniária (CANSANÇÃO,2003).Segundo Cansanção (2003), as primeiras enfermeiras arvoradas foram ascinco que chegaram no Destacamento Precursor de Saúde. À medida que asdemais enfermeiras brasileiras foram chegando à Itália, eram de imediatoarvoradas ao posto de 2° tenente, o que lhes poupava os vexames iniciais que ascompanheiras precursoras haviam sofrido (CANSANÇÃO,).A chegada de outras colegas enfermeiras, nos dias que seguiram, diminuiu ovolume do trabalho e com a visita de Clarice Lispector no hospital, muitosdoentes puderam ter cartas escritas pela gentil senhora e mais tarde escritorabrasileira de renome, na época, esposa de Mauri Gugel Valente, cônsulbrasileiro da Itália (CAMERINO,1983).Em número de 73, sendo 67 do Exército e 6 da Aeronáutica, as enfermeirasforam seguindo para o front em pequenos grupos, por via aérea(CAMERINO,1983).As enfermeiras foram lotadas desde o hospital de campo, na frente de batalha,até os hospitais de retaguarda, a saber: o 32°Field Hospital,o 16° EvacuationHospital, o 38° Evacuation Hospital,o 7° Station Hospital, no qual Elza assumiua chefia de 24 enfermeiras, o 105° Station Hospital, o 45° General Hospital, o182° General Hospital e o 300° General Hospital.Uma vez resolvido o entrave da situação hierárquica, a situação entre asenfermeiras melhorou significativamente e a então 2° tenente Elza, desejosa emir para o front, requereu junto aos canais competentes e obteve sua transferênciapara o 38th Evacuation Hospital, no vilarejo de Santa Luccia, em Cecina(CANSANÇÃO,2003).
  21. 21. De acordo com Cansanção (1987), com o deslocamento das tropas parafrente, as outras enfermeiras se deslocaram para o 38th Evacuation Hospital,primeiro em Santa Luccia e depois em Pisa. Esse hospital foi inundado pelaságuas do Rio Arno, em 2 de novembro de 1944, devido ao represamento domesmo pelos alemães e posterior estouro de suas comportas. Neste dia,encontrava-se no hospital, cerca de 3000 pessoas entre pacientes e pessoal deserviço. Os americanos providenciaram, de imediato, a remoção de todos ospacientes para um edifício em construção, nas proximidades da área, com umagrande eficiência.Segundo Cansanção (1987), após a perda total do 38th Evacuation Hospital, aseção hospitalar brasileira foi instalada no 16th Evacuation Hospital, em Pistóia.Sob algumas barracas onde se alojaram enfermeiras que serviram nesse hospital,havia um paiol de pólvora do Exército italiano, porém elas apenas ficaramsabendo depois de terminada a guerra.Em Livorno, porém, a situação disciplinar do 7th Station Hospital erapreocupante. Tratava-se do hospital que tinha o maior contingente deenfermeiras servindo e sua administração estava provando ser tarefa difícil. Daspalavras do Coronel Generoso Ponce, subchefe do Hospital, recebia, a Ten Elza,a sua mais nova missão: “Ten Elza, nós pedimos que venha para esse hospitalpara assumir a chefia deste grupo. Se não quiserem lhe obedecer peloregulamento, meta-lhes o braço, isto aqui está uma baderna!”(CANSANÇÃO,2003).Frente ao grande número de pacientes, alguns com gravíssimos ferimentos,além da questão administrativo-disciplinar, foi necessário que a Ten Elza atuassecom rigor, acirrando o seu trabalho de fiscalização e também o de intérprete, oque harmonizou a comunicação entre como também estabilizando a caóticasituação que a inexistência de um idioma comum causava no relacionamentoentre todos ali (CANSANÇÃO, 1987).As pesadas atribuições do cargo de chefia do 7th em muito consumiram a TenElza, que, com problemas de saúde, a fizeram requerer o desligamento dafunção. Em resposta, foi designada como oficial de ligação, em virtude dareconhecida facilidade com que manejava o idioma inglês.Na condição de oficial de ligação serviu sob o comando do Ten Cel AugustoSette Ramalho, no 182th Station Hospital. A atuação da Ten Elza na 2° GuerraMundial recebeu elogios do Tem Cel Ramalho e este a recomendou para suasubstituta no comando do 182th Station Hospital (CANSANÇÃO, 1987).
  22. 22. As enfermeiras realizaram um trabalho notável: além do serviço deenfermagem, davam apoio e carinho aos feridos.
  23. 23. 4 CONCLUSÃOA presença das enfermeiras na Força Expedicionária Brasileira representou oingresso das mulheres no Exército, sendo, este fato, impulsionado pelasmudanças sociais e econômicas que ocorriam no Brasil na década de trinta.A importância das enfermeiras na 2° Guerra Mundial vai além do tratamentocurativo aos doentes e feridos, pois a presença de um apoio com característicasmaternais foi fundamental para o equilíbrio emocional das tropas brasileiras noTeatro de Operações na Itália, o que rendeu atuações vitoriosas devido àbravura de militares que saíram do Brasil desacreditados pelos própriosbrasileiros e que iriam lutar contra aquele que era considerado o melhor soldadodo mundo.A atuação relevante e a coragem daquelas mulheres que auxiliaram no apoioà saúde dos combatentes brasileiros e aliados em solo italiano, na SegundaGuerra Mundial, tornou-se exemplo, até os dias atuais e estímulo para a entradada mulher em áreas, no mercado de trabalho, antes dominadas pelos homens.REFERÊNCIASCAMERINO, O. de A. A Mulher Brasileira na Segunda Guerra Mundial.Rio de Janeiro: Capemi, 1983.
  24. 24. CANSANÇÃO, E. E foi assim que a cobra fumou. Rio de Janeiro: MarquesSaraiva, 1987.CANSANÇÃO, E. 1... 2... Esquerda... Direita... Acertem o passo. Rio deJaneiro : Marques Saraiva, 2003.CASTRO, T de. História Documental do Brasil. Rio de Janeiro: Biblioteca doExército, 1995.COSTA, L. C. A.; MELLO, L. I. História do Brasil. São Paulo: Scipione, 1993.GOMES, A. de C. A Invenção do Trabalhismo. Rio de Janeiro; RelumeDumará,1994.MARCUSE, H. Ideologia da Sociedade Industrial. São Paulo: Zahar ,1967.MORAIS, B. Testemunho de uma enfermeira in: depoimento de oficiais dareserva sobre a FEB. São Paulo; 1949.MORAIS, J. B. M. A Feb pelo seu Comandante. Rio de Janeiro. Biblioteca doExército, 1960.SILVEIRA, J.X. A Feb por um soldado. Rio de Janeiro. Biblioteca doExército, 1989.WEFFORT, F. Os Clássicos da Política. São Paulo: Ática, 2000.

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