A Participação Ritualparte 1Prof. Júlio RochaDisciplina: Rádio e TV 1Ano: 20133º Período de Publicidade e PropagandaAulas:...
• Em meio ao universo dasmídias, sabemos o timingcomunicacional responsável pelomontante dos investimentospublicitários em...
• Entretanto, não nosinteressa, por ora, a relaçãodireta e explícita entre timinge capital. Escutamos, acontrapelo, o perc...
• Reduzida àdesimportância, a repetiçãoexaustiva do nome daemissora, das horas e dosminutos oralizados nasestações de rádi...
• O calendário, consideradocomo organizador dotempo, das atividadescotidianas e da vidapública, é um objetosocial, mesmo q...
• Calendário, do latimcalendarium, designa o “livro decontas”, pois os romanospagavam seus juros nascalandae, o primeiro d...
• Os que controlam o calendário controlam indiretamente o trabalho, otempo livre e as festas (Le Goff, 1992, p. 494).A Par...
• O poder eclesiástico, ondeexistia, por muito tempomanipulou e interpretou ocalendário o calendário:A Participação Ritual
• Eles determinavam a liturgia, aconduta dos dias festivos, ascomidas, a mímica, agestualidade, em prazos que serepetiam r...
• Por vezes, o calendárioaproxima a ordenaçãosimbólica à natureza; é o casode alguns ritos, inseridos nosritos do calendár...
• As reflexões de Pross assinalamo caráter de coesão e coaçãoque o calendário imprime aosujeito, proporcionando-lhevantage...
• A semana, invenção humana nocalendário, só difundida noOcidente depois do século IIId.C., introduziu o tempolivre, vacân...
• Não obstante cada cultura estabelecesse o dia de repouso em datasdiferentes:A Participação Ritual
• A sexta-feira dos mulçumanos, osábado dos judeus e o domingodos cristãos, o tempo livre, aindaque prescrito e legitimado...
• Pross (1989) considera otempo livre, os fins desemana e as grandes fériasque acompanham overão, ritos profanos docalendá...
• Edgar Morin, em suas reflexões sobre a cultura de massa, dialoga comPross:A Participação Ritual
• O lazer moderno não é apenas o acesso democrático a um tempo livre queera o privilégio das classes dominantes. Ele saiu ...
• O tempo livre transformadoem tempo deconsumo, redefinido comolazer, obriga-nos a praticaros ritos do calendário, poissom...
• Morin (1987, p. 69) também nos diz que a ética do lazer toma corpo e seestrutura na cultura de massa:que não faz outra c...
• Menos apocalíptico queMorin, Pross elucida aquestão das mídiasconsiderada como sistemade sinais mobilizadores deenergias...
• Valendo-se de um dos axiomasmetacomunicacionais da pragmáticada comunicação descritos porWatzlawick (1967, p. 47): “não ...
• A necessidade de comunicar-se do sujeito converte os meios existentes decomunicação em condições obrigatórias da vida so...
• O princípio que rege esta inter-relação é o da economia do sinal.O desenvolvimentotecnológico, que tornadesnecessária a ...
• Além do esforço real, o preçopago para a aquisição dainformação, o receptor tambémparticipa com seu temposubjetivo e bio...
• A obrigatoriedade dacomunicação e da participaçãono calendário produz o quePross (1989) denominacarência psicofísica, tr...
• O ritual situa-se no eixo doentretenimento: relaxamento daconsciência, perda davigília, automatismo, eliminaçãoda vida c...
• Os ritos aligeiram a relação existente entre ordenação egocêntrica esupra-ordenação social, ativando a primeira em benef...
• Incrustado ao lazer, ao tempolivre, o entretenimentocrescente, sob a formaritual, propõe-se a compensaros déficits emoci...
• Os “déficits” emocionais que geram oentretenimento não são superados.Os meios de comunicação de massamantêm esses “défic...
• As mídias, estimulando aansiedadeparticipativa, garantem opoder dos produtos dacomunicação, o controle doemissor. Atuam ...
• A atividade social precisa ser ordenada em um rito de calendário, queconstitui o rito básico de toda sociedade (..) E aí...
Fonte:• NUNES, Mônica Rebecca Ferrari. O mito no rádio: a voz e os signos de renovaçãoperiódica. 3. ed. São Paulo: Annablu...
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A participação ritual

  1. 1. A Participação Ritualparte 1Prof. Júlio RochaDisciplina: Rádio e TV 1Ano: 20133º Período de Publicidade e PropagandaAulas: 43 e 44
  2. 2. • Em meio ao universo dasmídias, sabemos o timingcomunicacional responsável pelomontante dos investimentospublicitários em cada meio e emcada emissora.A Participação Ritual
  3. 3. • Entretanto, não nosinteressa, por ora, a relaçãodireta e explícita entre timinge capital. Escutamos, acontrapelo, o percursocircular que acompanha asindicações horárias.A Participação Ritual
  4. 4. • Reduzida àdesimportância, a repetiçãoexaustiva do nome daemissora, das horas e dosminutos oralizados nasestações de rádio sugere-nosum tipo especial derecitação: narração comhora e local marcados.A Participação Ritual
  5. 5. • O calendário, consideradocomo organizador dotempo, das atividadescotidianas e da vidapública, é um objetosocial, mesmo quereligioso, quando ligado ascrenças.A Participação Ritual
  6. 6. • Calendário, do latimcalendarium, designa o “livro decontas”, pois os romanospagavam seus juros nascalandae, o primeiro dia dotempo natural, social e ocontrole do poder sempreestiveram juntos:A Participação Ritual
  7. 7. • Os que controlam o calendário controlam indiretamente o trabalho, otempo livre e as festas (Le Goff, 1992, p. 494).A Participação Ritual
  8. 8. • O poder eclesiástico, ondeexistia, por muito tempomanipulou e interpretou ocalendário o calendário:A Participação Ritual
  9. 9. • Eles determinavam a liturgia, aconduta dos dias festivos, ascomidas, a mímica, agestualidade, em prazos que serepetiam ritmicamente (...) Asfestas servem à economia dasforças da alma, posto que, emvirtude de suas referênciasmetafísicas, liberam o tormentodaluta, diária, e, naturalmente, servem para a autopresentação dequem as organizam(Pross, 1989, p.78).A Participação Ritual
  10. 10. • Por vezes, o calendárioaproxima a ordenaçãosimbólica à natureza; é o casode alguns ritos, inseridos nosritos do calendário, descritospor Pross (1980, p. 130), queseguem as trocas climáticas, aoposição claro/escuro, asmudanças de estação.A Participação Ritual
  11. 11. • As reflexões de Pross assinalamo caráter de coesão e coaçãoque o calendário imprime aosujeito, proporcionando-lhevantagens e sanções, em faceda obrigatoriedade daparticipação, como sublinhamsuas palavras. Também otempo biológico e subjetivo dohomem fica a mercê dacronologia, „provavelmente asuprema força simbólica davida cotidiana‟ (Pross, 1989, p.76).A Participação Ritual
  12. 12. • A semana, invenção humana nocalendário, só difundida noOcidente depois do século IIId.C., introduziu o tempolivre, vacância na vida rotineira eno ritmo regular do trabalho.A Participação Ritual
  13. 13. • Não obstante cada cultura estabelecesse o dia de repouso em datasdiferentes:A Participação Ritual
  14. 14. • A sexta-feira dos mulçumanos, osábado dos judeus e o domingodos cristãos, o tempo livre, aindaque prescrito e legitimado portradições religiosas, transformou-se, nas sociedades urbanizadascontemporâneas, em fim desemana de dois dias, o weeke-endinaugurado naInglaterra, primeira naçãoindustrializada.A Participação Ritual
  15. 15. • Pross (1989) considera otempo livre, os fins desemana e as grandes fériasque acompanham overão, ritos profanos docalendário, assim como otempo fixo de trabalho.A Participação Ritual
  16. 16. • Edgar Morin, em suas reflexões sobre a cultura de massa, dialoga comPross:A Participação Ritual
  17. 17. • O lazer moderno não é apenas o acesso democrático a um tempo livre queera o privilégio das classes dominantes. Ele saiu da própria organizaçãodo trabalho burocrático e industrial. O tempo de trabalho enquadrado emhorários fixos, permanentes, independentes das estações s retraiu sob oimpulso do movimento sindical e segundo a lógica de uma economiaque, englobando lentamente os trabalhadores em seu mercado, encontra-se obrigada a lhes fornecer não mais apenas um tempo de repouso e derecuperação, mas um tempo de consumo (Morin, 1987, p. 67).A Participação Ritual
  18. 18. • O tempo livre transformadoem tempo deconsumo, redefinido comolazer, obriga-nos a praticaros ritos do calendário, poissomos impelidos aparticipar, entretendo-nos.A Participação Ritual
  19. 19. • Morin (1987, p. 69) também nos diz que a ética do lazer toma corpo e seestrutura na cultura de massa:que não faz outra coisa senão mobilizar o lazer (através dos espetáculos, dascompetições da televisão, do rádio, da leitura de jornais e revistas).A Participação Ritual
  20. 20. • Menos apocalíptico queMorin, Pross elucida aquestão das mídiasconsiderada como sistemade sinais mobilizadores deenergias psicofísicas doemissor e do receptor.A Participação Ritual
  21. 21. • Valendo-se de um dos axiomasmetacomunicacionais da pragmáticada comunicação descritos porWatzlawick (1967, p. 47): “não se podenão comunicar”, Pross aponta aincapacidade dos sujeitos, mesmo quenão diretamente interessados nacomunicação, de negar seuenvolvimento com os meioseletrônicos impressos. A participaçãodo receptor no processocomunicacional vale como prova destatus.A Participação Ritual
  22. 22. • A necessidade de comunicar-se do sujeito converte os meios existentes decomunicação em condições obrigatórias da vida social (Pross, 1989, p. 99).A Participação Ritual
  23. 23. • O princípio que rege esta inter-relação é o da economia do sinal.O desenvolvimentotecnológico, que tornadesnecessária a presença físicados produtores dacomunicação, reduz o gasto desinais enviados pelos emissorese, consequentemente, promoveaumento do esforço por parte doreceptor.A Participação Ritual
  24. 24. • Além do esforço real, o preçopago para a aquisição dainformação, o receptor tambémparticipa com seu temposubjetivo e biológico, assujeitadoaos ritos modernos docalendário: ritos de trabalho eritos de lazer.A Participação Ritual
  25. 25. • A obrigatoriedade dacomunicação e da participaçãono calendário produz o quePross (1989) denominacarência psicofísica, traduzidaem desconhecimento, e emcarência emocional. Parasuprimir o déficit gerado pelodesconhecimento, busca-se ainformação, e, por sua vez, parasuperar a carênciaemocional, busca-se oentretenimento.A Participação Ritual
  26. 26. • O ritual situa-se no eixo doentretenimento: relaxamento daconsciência, perda davigília, automatismo, eliminaçãoda vida cotidiana. A participaçãonos atoscomunicativos, incluídos nosritos do calendário, enquadratambém o receptor no rito:A Participação Ritual
  27. 27. • Os ritos aligeiram a relação existente entre ordenação egocêntrica esupra-ordenação social, ativando a primeira em benefício da segunda(Pross, 1980, p. 134).A Participação Ritual
  28. 28. • Incrustado ao lazer, ao tempolivre, o entretenimentocrescente, sob a formaritual, propõe-se a compensaros déficits emocionais, emboranunca o faça efetivamente:A Participação Ritual
  29. 29. • Os “déficits” emocionais que geram oentretenimento não são superados.Os meios de comunicação de massamantêm esses “déficits” paracontinuar a procura doentretenimento (Baitello, 1989).A Participação Ritual
  30. 30. • As mídias, estimulando aansiedadeparticipativa, garantem opoder dos produtos dacomunicação, o controle doemissor. Atuam na vidasocial:A Participação Ritual
  31. 31. • A atividade social precisa ser ordenada em um rito de calendário, queconstitui o rito básico de toda sociedade (..) E aí vêm os veículos decomunicação de massa que naturalmente se aproveitam disto(Pross, 1992, p. 9).A Participação Ritual
  32. 32. Fonte:• NUNES, Mônica Rebecca Ferrari. O mito no rádio: a voz e os signos de renovaçãoperiódica. 3. ed. São Paulo: Annablume, 1999.

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