O ebo no culto aos orixas cn

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O ebo no culto aos orixas cn

  1. 1. ORIXAS
  2. 2. Este O ebó no c u lto aos orixás, de Orlando J. Santos, Bàbàlóòrisà da Naçâo Kétu, integra um esforço de recuperaçâo de saberesancestrais comuns aos africanose seus descendentes na diàspora que, por razóesinúmeras, vém se perdendo,com incalculáveis prejúizos paraa cultura negro-brasileira e paraa afirmaçâo de nossa identidadenacional. O Autor co mega porabordar a noçâo de Olódùm arè.A seguir, observa a constituigaodo Orí (cabeça) e do homemcomo um todo. Dedica-se àexplicitaçâo de Ésù, primordialao saber e práticas rituais.Oferece-nos uma visâo sumáriado que sâo os Ò ri s à e asprincipáis características decada um, terminando pordetalhar o "a sse nta m elo" detrès deles, os mais importantespara os fins a que se propóe otexto: Esù, O gún e Ó ósáálá. Ingressa, finalmente, emseu objetivo específico, o ebó noCandomblé, comegando pelomais importante, o E b o rí (ouBori), destinado à cabega (Orí);seguido do oferecimento doigbín a Óósáálá, um dos maiscomplexos, delicados eimportantes sacrificiosofcrecidos (o igbin é
  3. 3. Série Orò — Vol. 3 CIP-Brasil. Catalogaçao-na-fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ. Santos, Orlando José dos S236e 0 ebó no culto aos orixés / Orlando J. Santos; [ilustra- çôes, Renats Martins]. — Rio de Janeiro: Pallas, 1993. 140 p. (Série Orò; v. 3) Bibliografia. ISBN 85-347-0017-6 1. Candomblés — Rituais e préticas. 2. Deuses dos can- domblés — Culto. I. Tftulo. II. Série. CDD -2 9 9 .6 7 93-1007 CDU -2 9 9 .6 .3
  4. 4. ORLANDO J. SANTOS OEBÓNo Culto aos Orixás Qj PAUA$ Rio de Janeiro 1993
  5. 5. Copyright© 1993 by Orlando J. Santos Editores Cristina Warth Ari Araujo Capa Krisnas llustragoes Renats Martins Composipao Cid Barros Montagem e Desenhos José Geraldo O. Lacerda Revi sao Tipográfica Vera Lúcia Santana Coordenapao Editorial Hernani de Andrade Direitos reservados desta edipao á PALLAS — Editora e Distribuidora Ltda. Rúa Frederico de Albuquerque, 44Higienópolis — CEP 21050-840 — Río de Janeiro — RJ Tel.: 270-0186 - Fax: (021) 590-6996 É U s
  6. 6. A ElaQue me prendeucorn o poderoso ebódo am or verdadeiro.
  7. 7. AGR ADECIMENT O S — A meu ori, que me fez e me faz forte dia-a-dia.Ibà. — A Ogún, senhor da riqueza quantitativa e quali­tativa. Senhor dos caminhos da mode/a^ao, da prosperi -dade e da sabedoria. Meu òrisà. Ibà. — A meu Bàbàlààse. Vafdemar Nagozinho. fbà. — A M ar/y B acciotti dos Santos, que datilografou erevisou o texto inicial, demonstrando paciencia com aminha impertinencia e mania de perfeccionismo. — A meus editores — A r i A^aujo e Cristina Warth —minha gratidao pe/o espado concedido no catálogo edi­torial da Pallas. — A meu Filho-de-Santo Waldemar de Alm eida —Sóngó "cuca-fresca" — que só vai se preocupar no diaem que a "havaiana" aumentar de preqo. Obrigado p o rm u ito. . . — A Ajibola isau Badiru (Bábá Onfíségún), pelos¡números ensinamentos que me tem transmitido. Que o áse de Ogún acompanhe a todos p o r toda a vida.
  8. 8. APRESENTA^ÀO Este livro de Orlando J. Santos, Bàbàlóòrisà daNaqao Kétu, integra um estorco de re c u p e ra lo de sabe­res ancestrais copiuns aos africanos e seus descendentesna diàspora que, p o r razòes inùmeras, vèm se perden- do, com incalculáveis prejuizos para a cultura negro-bra-sileira e para a a firm a rio de nossa identidade nacional. Sua p u b i ¡cacao envolve questoes nao somente é ti­cas, como também referem à óptica pela qual ve o m un­do, bem corno, ainda, é visto o Povo-do-Santo pela so­c i ed ad e global em que está inserido. tais questoes envolvem, essencialmente, o segredosob o qual sao mantidas certas informaQoes essenciais,estratégia que, num sistema de tradiQao oral do saber,nao só o integra — funcionando como instrum ento regu­lador da distribuicao do conhecimento — bem como temsua excelencia e eficácia demonstradas como pràtica dosaber ritual; funcionou, também, como técnica de pre­servado, frente à repressao cu jo gradiente vai da escravi-zaqao à folclorizagao, do aqoite ao oihar recriminador,da tortura e prisao à d iscrim in a d o e ao preconceito. Ora, esta estratégia, tao necessària em determinadom om ento, aliada à falta de registros escritos (ao contrá- V II
  9. 9. rio do que ocorreu em outros lugares, dos quais Cuba éex empio) — somada, ainda, a ¡números outros fatoresdentre os quais, admitamos, a inseguranca e a vaidade fa-zem presenta até hoje — levaram a urna espécie de solu-cao de continuidade na transmissao desses saberes, ge-rando adaptagòes onde estas nao cabem; perda de "fu n ­dam entos" imprese indiveis à eficacia dos rituais; insegu-ranca onde tal sentimento nao pode encontrar lugar; de-sordem; quebra da hierarquia; em suma, urna sucessaodas chamadas "marmotagens"; a possibi/idade da deso-nestidade fazer frente à competencia. Isto, sem contar a criagao do tao decantado "m o ­delo de pureza Nagó", fruto da réagao e, ao mesmo tem­po, da manutengao de tal estado de co isas, alimentadopela i/¡sao deformada de certa intelectualidade acadé­mica. Neste contexto, o trabalho de Orlando J. Santos,um legítim o intelectual "do sistema", com seu saber fo r­jado na pràtica ritu a l do Candombté, assoma em im p o r­ tancia no sentido da re c u p e ra lo desses saberes cuja d i­ vulgaba o em letra de forma nao significa sua vulgariza-gao, pelo contràrio, visa a provar — ao Povo-do-Santo e àsociedade global com o um todo — que nao estamos tra­ tando com um mero tecido de superstigoes, mas comurna complexa e s u til epistemologia, como bem já oadvertiu Roger Bastide. E se o tex to, p o r vezes, pode parecer confuso, isto sedeve à legítima tradiga o do saber negro-brasileiro que,ao invés de buscar a dissecala o do objeto, circunda-o,aborda-o em suas m últiplas facetas, em sua totalidade econcretude, conferíndo à cap tagao de sua essència o ca-ráter de revelagao. A qui, Orlando J. Santos comega p o r abordar leve­mente a nogao de Olódumarè. A seguir, observa a consti- tuigao do O rí (cabega) e do homem com o um todo. De­dicase à expücitagao de Èsù, p rim o rd ia l ao saber e prá- ticas rituais. Oferece-nos urna visao sumária do que saoos Orisà e as principáis características de cada um, ter­minando p o r detalhar o "assentamento" de tres deles, osV III
  10. 10. mais importantes para os fins a que se propôe o texto:Êsù, Ûgiin e Òòsààlà. Ingressa o A u to r, finalmente, em seu objetivo espe­c ífico, o Ebó no Candomblé, começando pelo mais im ­portante sacrificio (ebo), o Eborí (ou Bori), destinado àcabeça (O ri); seguido do oferecimento do igbin a Oòsà-álá, um dos mais complexos, delicados e importantes sa­crificio s oferecidos (o ìgbfn é considerado o "b o i deO xalá"). Finalmente, penetramos no campo mais genéricoda pràtica do ebo, aquele voltado às demandas que nossao impostas pelo dia-a-dia, para as quais o sacrificio sefaz necessàrio em busca da vitória, do sucesso e do equi­lib rio . Constatando a simplicidade e a seriedade de taispráticas rituais, m elhor compreender o L e ito r os cuida­dos de que se cercou o A u to r antes de revelá-los, forne-cendo conhecimentos indispensáveis a quem pretendeu tiliza rse das sutis energías que envolvem sua pràtica. Autorizam o-nos, pois, a fazer urna ú ltim a observa-çao àqueles a quem sua leitura se destina: respeito à sua ca­beça — à força divina que ne/a habita —, à cabeça de seusemelhante, sao componentes essenciais ao bom ê xito detais práticas, onde o òdio, a mesquinhez e sentimentosbaixos nao podem encontrar tugar, sob risco de "o feitiçovirar contra o fe itice iro ". O que costumamos classificarcomo bem e mal, sao faces de uma mesma moeda, cujovalor precisamos saber a ferir. ê , porta n to, com m u ito prazer, que apresento aop úb lico le ito r mais este trabaiho de Orlando J. Santos,0 Ebó no Culto aos Orixàs, desejando-lhe — e a todos —sucesso e m u ito À^e. Ari Araujo
  11. 11. ÍNDICEAgradecimento VIApresentapao V IIIntrodugao 1A ¡mportáncia de Olódumaré 30 culto de Orísá 7£su 19Assentamento de £sú (pessoal) 29Ésu Om¡ Yangí 31Os Ór/sá 33 Ésú 35 Ogún 37 Osóós/ 39 Osónyin 41 Lógún Ede 43 Osumáré 45 Obá/úwáiyé 47 Sóngó 49 Qsun 51 O yá 53 Yemonja 55 Naná 57 Orísáá/á 59
  12. 12. Assentamento de ògun 61Assentamento de òrisààlà 75Eb o ri 77Orò de sacrificio para o ig b in de Orisàalà 95Ebós de Odù e efo 101Outros ebós 115Palavras finais 126Bibliografia 127
  13. 13. INTRODUCTO Existe a manifestacao dos Orisà, no consciente e noinconsciente dos homens. Existem a razao e a emopao,que geram acertos e desacertos. E a cada passo há sem­pre algo a ser reformulado, repensado, refeito, m odifica­do. Seja lá o que for,é preciso que se abra um caminhopor onde se possa respirar com razáo o nosso dia-a-dia. £ necessàrio refazer a consciencia de quem sou EU,para encontrar o e qu ilib rio emocional, adormecido emnosso inconsciente. Comece, já, a questionar a sua vida com os òrisà eo porqué dos òrisà em sua vida. 0 meu in tu ito com este — O Ebó no Culto aos Ori-xás — é faze-lo ciente de que ebo só é im portante quan­do se o faz tendo por finalidade a reestruturacao do individuo com o meio onde vive. Se cuide! O A u to r 1
  14. 14. A IMPORTANCIA DE OLÓDÙMARÈ Ele pode ser visto como a base estrutural do U ni­verso. 0 centro nervoso, ondas eletromagnéticas do bu­raco negro. Partículas que deram origem á Terra e a to ­das as formas de vida. Entretanto, encontramos dificuldades para explicara esséncia de Olódumaré, que está intrínsecamente aco­plado á fragm entado e expansao do p rin cip io cosmoló­gico*. E isso só nos permite ter ¡dé¡as aproximadas, naoexatas, do que seja Deus. Desta forma, passamos por umprocesso experimental de laboratorio existencial. Quicá um dia nos encontremos dentro dos paráme­tros previstos por Olódumaré, cuja onipresenca estáguardada em segredo numa simples partícula de átomo— barreira da existencia onde nos tornamos inertes á es-trutura global do Universo em que nao se enquadram asidéias comuns.* Nota do E d ito r: I interessante observar que tal princ ìp io de expansao — doqual Èsù é o agente — coincide com a teoria do Big Bang, a mais provàvelpara a origem do universo, e que acaba de ser atestada pelo astrofisico ame­ricano George Smoot. 3
  15. 15. Assim, a causa-origem de todas as causas continuasendo um grande m istério para o homem que, de todasas formas (com mu ¡tas filosofías, crenpas e crendices),tenta explicar o inexplicável. E de Olódúmaré só é possí-vel explicar o efeíto, porque a causa, mesmo quando en-quadrada numa visao espiritualista, acaba por esbarrarem um grande porqué, a p artir do momento de conce-ber-se as idéias de tempo e espapo. Se a vida surgiu a p artir de urna transmutapao frag­mentada de Olódúmaré, podemos tra duzi-loda seguinteforma: Dizer — Fazer — Organizar — lanpar energía ca­paz de movimentar-se no espapo vazio e fazer-se onipo-tente, onipresente e onisciente em relapao ao Universoque Ele próprio criou. E a alma da existencia passa a sersombra e o espirito da vida, vento. Desta forma, o homem continua, como sempre, ámercé do p róprio destino, sem m uita consciencia de si.Ele, entao, tem que retroceder ao seu passado, em buscade sua origem — sopro eterno de vida. E entre as vidaseternas estao os órisá, porpao de Olódúmaré fe ito ho­mem. Estes foram os primeiros seres criados, com ajuncao de: A G U A + T E R R A = BARRO BARRO + SOPRO D IV IN O = M O VIM ENTO M O VIM EN TO + ESTRUTURA = HOMEM HOMEM + CONSCIÉNCIA = ORÍSÁ. Assim sendo, o homem comum é resultado dessajunpao, e dentro dele existem ¡números pontos a seremtocados para que se transforme continuamente. O pro-cesso é lento, porém exato. Para compreender esta colo-capao é bastante simples: basta olhar o tronco de umaár-vore e ver que a natureza se perde em seus ramos, trans­formando-a em fonte de vida. Entretanto, isto só é pos-sível porque as substancias de seu porte sao sugadas datérra através da raiz. E nós precisamos fazer isso: entrar em nosso campomagnético em busca da verdade e de nossa origem, bus­4
  16. 16. car o tronco com direcionamento para a raiz, para que aramagem nao se perca no nada. . . E a raiz é o nosso ôrîsà(antepassado divino), que faz parte da estrutura terrestree da consciencia de Olôdùmarè. Assim, a importáncia deOlódúmaré é igual à importáncia que o homem dá parao seu ôr/sà — o rí (cabeça) / sà (protetor) — ou seja, pro-tetor da cabeça.
  17. 17. O CULTO DE ÒRÌSÀ o O culto de òrfsà está intimamente relacionado comos cuidados que cada um deve ter com a pròpria cabega,que é um guia certo, ou incerto, do nosso destino. O homem tem a tendencia natural de olhar para fo­ra, sempre buscando solupoes ñas periferias do seu EU e.esquecendo-se quase que completamente de se voltar pa­ra dentro de si mesmo onde, sem dúvida, encontrará res-postas adeqüadas às suas perguntas mais intrigantes. A cabera pode ser entendida como o micro domacrocosmo no homem. Por ser O rí a cabera física,esta é, portanto, símbolo da cabera interior chamadaO rí ¡nú, que constituí a esséncia do ser e controla total­mente a personalidade do individuo, guíando-o e ajudan-do-o desde antes do nascimento, durante a vida e após amorte. Esta é, entao, a centelha divina no humano. A cabega {Ori} é a prímeira a receber a luz e a re-ceber de Deus ( Olódúmaré ) o destino, na ocasiao do nas­cimento. Um dos nomes de Deus é Oríse — fonte da qual ori-gínam-se os seres — e, originalmente, todo O rí è bom,porém, sujeito a mudanzas, pois a sua pròpria condutápode transformá-lo negativamente e iniciar-se, assim,
  18. 18. urna série de acontecimentos intermináveis de infelici­dades na vida de um homem, a despeito de seus esforpospara tentar melhorar. Em casos assim, o O rí precisa, entao, de cuidadosespeciáis, é cultuado como urna divindade "parcialmen­te" independente e recebe oferendas e orapoes no ato li­túrgico conhecido por Eborí. Desta forma, os adeptosdo culto de órísá dizem: O rí mo pé o o! Cabera, eu te chamo! O rí re mo k í o! Cabera, eu te saúdo!O Destino do Homem é preciso compreender que a base do sustento hu­mano é o seu futuro. Onde agora apóia os seus pés, serásua morada eterna. Mais tarde, juntar-se-lhe-á a força es-trutural da composiçâo terrestre. Quem hoje-é descen­dente, amanha será ancestral, e certamente sentir-se-áfeliz no espaço-além, por ser lembrado pelos seus des­cendentes que, nao se esquecendo de seus antepassados,procuram, através do culto, melhorar ou, até mesmo,erradicar problemas de origem genética. Desta forma, o individuo que é consciente de si,sabe o Odú (destino) que rege a sua ancestralidade e seeste tem sido bom para o desenvolvimento material eespiritual da familia. Se nao tem sido bom, ele entaomodifica o seu destino familiar. Esta é urna das finalida­des do culto aos Orísá. Para exemplificar, digamos que o Odú que regeurna determinada familia seja: Çtaôgùndà. Baseado nes-te código, podemos dizer que esta familia é de guerrei-ros, de homens fortes e valentes. Mas, que tipo de guer-reiros? Aqueles que sempre vencem as batalhas? Ou,simplesmente, arrumam confusóes, gerando problemaspara todos? Se é isto o que ocorre, a providencia a ser8
  19. 19. (ornuda é despachar o lado negativo de Etaógúndá, que«wtá prejudicando, por exemplo, Otun áiyé (o lado direi-to, ancestralidade masculina). O mesmo pode estar ocorrendo com Osi áiyé (o la­do esquerdo, ancestral idade femmina). Sabendo de sua origem, o homem conhece a si mes­mo. Pode olhar para o íyo Orún (origem espiritual), bemcomo para o Íwo-Orún (futuro) com dignidade. Desper­tar Osúu (consciencia do inconsciente, que é o divinono homem, manifèstagao de Deus). E Deus nao é ne-n h u m bicho-de-sete-cabegas. é o simples despertar daconsciencia plena do homem. E o "adversário" é sim­p le m en te aquele que ofusca a consciencia para que, nostroperos da visao mental, o homem se encontre com aluz. Assim sendo, a escuridao é claridade absoluta. Desperte! Olhe para dentro de si e chame por Orí.Verá, assim, o despertar de um Deus forte, capaz de ilu ­minar a sua mente ofuscada pelos preconceitos doshomens. Veja-se dentro de sua originalidade:O LAD O D IR E IT OPARA OS SEUSAN TEPASSADOSM ASCULINOS0 I IGADO COMOO CENTRO DASSUASEM O Q Ó ES SEM REACOES81 NTI M ENTAIS OS PÉS VO LTA D O S PARA O SEU F U TU R O (OSSO - ESQUE LETO). COMPONENTE ES TR U T U R A L DA T E R R A
  20. 20. Nao podemos esquecer que a Terra é quem conta otempo — e se conta o tempo, ela sabe de tudo —, e quemsabe de tudo, merece respeito. Além de contar o tempo,gera o espago que se divide em quatro, e o homem temos quatro pontos cardeais expressos em si mesmo. Estárelacionado ao corpo ("eu" físico), representado pelamente em atividade, criando, simbolizando a inteligen­cia, a ordem, a justiga e o amor em seus aspectos posi­tivos. N O R TE — SU L - Pise no chao com respeito, e ganhe favores do lugaronde vive e do espago gerado em torno de si. Deus é isso: é a Natureza em toda a sua plenitude.é o equilibrio estrutural, emocional e social. O homemnao estando envolvido com a Natureza perde a sua"identificagao emocional inconsciente” com os própriosfenómenos naturais. Se ame,, se goste, se respeite. Isso é bom! E o resul­tado do que é bom é sempre satisfatório para mu ¡tos. Avida é isso, sem cortes, sem pontas, sem fim e sem come-go, sem fobias, sem torturas mentáis que levam sempre oindividuo a urna desestruturagao emocional. A manifestagao de Deus é visfvel no homem debom caráter, e bom caráter incluí verdade, sinceridade,honestidade e serenídade.10
  21. 21. O homem nao precisa julgar-se superior a todos osou tros e levantar a cabeça acima do normal, dando-nos.i percepçâo clara de sua atrofia mental. Também naoprecisa curvar-se demais, deixando claro a sua timidez ecomplexo de inferioridade. Seja normal. Seja divino!. . . Se voce é bàbà/ôàrïçà (zelador), conscientize-se desua real condiçâo dentro do culto, nao utilizando seusconhecimentos para explorar a falta de experiéncia dosiniciados. Se você é íyáwó, ou iniciado de qualquer outro•irau dentro da hierarquia existente no Candomblé,lembre-se que o conhecimento dos mais graduados nem•.ompre constituí sabedoría, portanto, estes nao podemutilizar o que sabem para dímínuf-lo como pessoa. O•¡imples conhecer pode ser urna arma contra aqueles quenao tém pleno dominio do conhecimento. Sempre que possível faça lembrar aos mais velhostío culto que íyáwó também é responsável pela continui-<kide da tradiçâo religiosa. E isso só pode ser realidade<|uando o iniciado nao somente sabe como se faz um ri­tual, mas também quai a sua finalidade e a que se refe-rem seus atos. Nao se conforme jamais com respostas, tais como:"ó segredo reservado aos mais velhos". Se um bábáló-ôrisà age desta forma, ou ele nao sabe o que está fazendo,ou entao pensa que a sua cabeça é "lixo". Por acaso,pensa ele que a força dos ôr/sà vai eternizá-lo sobre aTerra? E que por isso nao tem necessidade de transmitiro conhecimento para aqueles que o acompanham? Dequalquer forma, este é um tipo de pessoa que nao servepara ser o seu A/ááse. íyáwó, se cuide! Se goste! Se respeite! "Quemsabe, morre igual áquele que nao sabe", e pelo avessotodos somos iguais. Respeito náo inclui necessar¡ámentehumilhaçâo. Reconheça o seu lugar e posicione-se darnelhor maneira possível. Seja digno do ôrisà aoqual per-tence. Deixe seu o rí brilhar de tal forma que a luz refle- tida seja como um espelho, onde mu ¡tos possam se mirarna fidelidade da sua personal¡dade. 11
  22. 22. O Candomblé, hoje, é sem dúvida urna religiao commuita freqüéncia e pouca permanencia, e isso se deve àexistencia de "sacerdotes" inescrupulosos, do tip o queraspa, pinta, catula, adoxa e assenta sem saber o qué. Eunao me cansarei de dizer que a cabega dos outros nao élaboratòrio de pesquisas. "F a ze r" Santo é despertar oadormecido no mais profundo do inconsciente humano,e isso é arte ritualística de manipulagao da pròpria vida,o que, com certeza, nao está ao alcance de m uita gente. Assim é que o íyáwo, ou até pessoas com títu lo s deégbónrni, Ogan, etc., saem de suas casas de origem embusca de um outro Pai-de-Santo que o adote. Este, porsua vez, sedento por um "a xe zin h o " (dinheiro), e m o ti­vado peio orguiho de ter sob seu áse um filh o de outrobàbélóòn$à, tenta corrigir "e rros". Tanto unscom o ou­tros, indulgentes, apressados e súbitos, quebram em pe- o que nao pode ser reajuntado — a mente hu- u- Isto é apenas um exempío do que acontece emdsccr. Òr.. do sacerdócio apressado. Por isto, antes de "fa z e r" Santo escolha, e mu itobem, o seu A/áa$e. Mu ¡tos dizem que o Orìsà é quem es-colhe o bàbé/óòrisà. Puro engano, porque o livre a rb i­trio é, nada mais, nada menos, que o poder absoluto dedecisao. E o fu tu ro do homem depende dele decidir oque ele quer hoje, agora. Cuide do seu presente e preser­ve o seu fu tu ro , em bom estado de e qu ilibrio, é preferí-ve! nao ter Santo " fe ito " , do que ter santo "m al fe ito ".E isso pode ser observado, analisado sem muita d ificu l-dade, na pròpria estrutura sòcio-econòmica e cultural deboa parte dos adeptos do culto que se julgam com umgrande "p o d e r", porém, desprovidos da base estruturaldo conhecimento ritual, através da qual é possível a tin ­gir a esséncia, a espiritualidade, ligar o homem aos òrìsàe estes à fonte de vida, tornando-o um veículo de comu-nicagáo social, facilitando m uito os seus passos sobre aTerra. Havendo c o m u n ic a lo entre os homens, haverácomunicacao entre os òrìsà, e conseqüentemente comOlódùmarè, que é a fonte de todas as fontes de vida, oconsciente e inconsciente do ser.
  23. 23. Isto é possível quando se acorda e se diz: O rí m i o! O rí mo pe o o! Sim, chame, convide sua cabega a participar do seudia-a-dia. O rí é urna divindade com poderes ilim itados,cnquanto que os órísá nao atuam em todos os camposde agáo. Além do mais, o poder do óri$á é igual ao de-•.(.nvolvimento do Orí, a depender da clareza de concep-gáo do individuo em relagao a urna determinada d ivin ­dade (órisá). Aqueles que Ihe conhecem a origem, hierarquia,(josto e costume, evocagSes e ritos, conseguem com faci-lidade atingir a esséncla do óri$á. Isto é resultado daconcepgao limpa. Do saber fazer, sabendo o porqué, oque também é resultante da firmeza do O r í /nú — que jádespertou a consciencia do EU. Assim é que se cultuam os órísá acreditando na ca-bega e na diregao dada á ritualidade. 0 conceito que os yorúbá tém a respeito dos órísá6 que todos nós viemos ao mundo para aproveitar devi-damente o nosso tempo. E as pessoas que estao envolvi­das no culto, no decurso deste tempo, devem aproveitá-lo no aprimoramento das coisas relativas ao estudo ecompreensao da ritualidade, de modo a aprender " tu d o "sobre os órísá , alcangando o respeito, em decorréncia dobom senso e de sua forga no desenvolvimento dos rituaisem que atua. é sabido por todos que a m elhor maneira de seaprender a executar os atos litúrgicos é, sem dúvida, emsua Casa-de-Santo de origem, onde cada iniciado podeparticipar, questionar seu Alááse e obter respostas am­pias em relagáo ao que ocorre em dado momento.Assim, vai-se aprendendo, enquanto esclarecem-se as dú-vidas. Este é o ambiente adequado a um aprendizado se­guro, onde a prática da magia pode provar sua eficácia,em termos de resultados fináis. 0 iniciado pode ce rtifi-car-se, día após día, da potencialidade do culto. 13
  24. 24. Mas, a verdade é que a transmissao oral deixou etem deixado lacunas a serem preenchidas. Em decorrén-cia disso, mu ¡tos tém se dedicado a escrever livros e maislivros sobre as nossas tradigoes, Alguns dignos de elogiose outros de péssima qualidade, tanto gráfica, quanto Iite-rária e, por que nao dizer mesmo, desmoralizadores doculto. De qualquer forma, a preocupagao de todos temsido a de escriturar as diversas formas de culto aos órisá,considerando que, por mais tempo de convivéncia e par-ticipag§o nos ritos afro, nao se pode dizer que este ouaquele adepto tenha se tornado um conhecedor profun­do de "todas" as práticas. Apesar da liturgia seguir urna linha x, em termosde execugao, cada bábálóórisá tem os seus "segredos"guardados debaixo de suas próprias unhas, e ao escreversobre o tema revela um pouco de seus conhecimentos,do seu ás$. Assim, nasce a necessidade de buscar na lite­ratura candomblecista um pouco mais de Saber, frisandoque conhecimento nao é sabedoria, pois esta só se alcan-ga com a vivencia. E pensar que alguns "Zeladores"proíbem os seus filhos-de-santo de lerem. . . Será porquesabem demais, ou de menos? Outro fator importante é que o Candomblé brasi­lero tem suas origens em vários pontos da África. Ospovos que nos transmitiram o culto fizeram-no de formaidéntica á de suas origens. Porém, 400 anos depois, pormais que nos esforcemos, nao conseguiremos realizar oculto como era feito em sua origem. Nossa religiao éoutra? Nao! Tomou forma diferente, foi adaptada a no-vos costumes. As mulheres africanas, feitas de ór/sá, por exemplo,sao vestidas somente da cintura para baixo. A visao quese tem disso é como se fosse urna banana descascada atéa metade, revelando o seu interior. O significado é que aparte em descoberto é sagrada (é Santo), e nao pode sertocada pelo homem, que passa a se interessar pela partecoberta, onde existe mais um mistério a ser desvendado.Isso no Brasil seria um absurdo. Os povos que transmitiram melhor a visao que ti-14
  25. 25. nham sobre o mundo, a vida, e Deus, foram os yorúbá(nagó), os ¡ejes (Ewe-Fón) e oscongo-angolanos (bantus).Estes conseguiram sobreviver ás pressoes, tanto raciais,quanto culturáis. Plantaram para sempre o culto de ò rì-sà, Inkic.e, Vodun, etc. em térras brasileiras, ainda quemal, devido à perseguigáo policial e ás pressoes da reli-giao predominante. O Candomblé, em seu caráter uniyersal, tem mu itomais que manifestagao ritualística. Inclui sabedoria,crenga, arte, moral, leis e costumes. Isto está presente nopensamento de toda comunidade, de forma implícita eexplícita, objetivando compreender a humanidade e a vi­da, de modo a integrar o individuo ao Cosmo. 0 culto de òrisà é conhecido como urna das maisantigas religioes do mundo, na história da civilizagao dohomem, e seu objetivo principal é alcanzar o entendi-mento com o Todo, abrindo caminhos de paz, harmo­nía, moral e fé para a humanidade. Embora náo existam leis escritas que determinemcomo proceder ritualisticamente, elas fazem parte do sa­ber oral, passado de geragao a geragao, tornando-as in-contestáveis no seio comunitàrio candomblé fsta, exata-mente por estas leis serem a mola mestra que desenvolvea uniao de todos os elementos. O culto é estruturado em: O/ódùmarè — Senhor supremo do destino — DEUS. Irúnm o/é — Seres divinos de comunicagáo à Olódù- marè. Or¡$á — Sao Irúnm olés de comunicagáo. O rúnm ilá — Divindade da sabedoria e patrono do oráculo de lfá-Qp$lé e de Ifá-O/okum . Egúngún — SÍío espfritos dos ancestrais. Os quatro pontos cardeais simbolizam o Universocomo um todo. Por sua vez, os componentes do Univer­so sao reagrupados, pertencendo a um desses quatropontos. Assim, temos: o masculino à direita, o femininoà esquerda, a cabega para o nascente (origem) e os péspara o poente (futuro). 15
  26. 26. ÍY O ORÜN FRO NTE - NASCENTE - O RIG EM ÍW Ó ORÚN O C C IPITAL - POÉNTE - FUTURO A crenca geral é que Olódumaré é o criador do U n i­verso e de tudo que existe. Espalhou seus poderes sobreas coisas de tal forma que seu próprio nome revela as ca­racterísticas do poder que possui — Deus — em relacaoao Universo que ele próprio criou. Os órisá sao divindades intermediárias de comuni-cagao. Tendo cada um a responsabilidade de guiar os es-p in to s para a companhia daqueles da mesma linhagem.Cada um deles tem o seu dia sagrado, alimentos, animaíspara sacrificios e folhas adequadas á sua forma específi­ca de comunicagao. A sua importancia está intrínseca­mente relacionada com a sua especíalidade, o dom inioque tem sobre um determinado elemento da Natureza,caracterizando assim o seu poder espiritual e o seu meiode atuacao. Desta forma, a grandeza de um determinadoórisá nao é tao essencial, mas a inter-relacao entre um eoutro é que é realmente importante. As sociedades africanas tém urna conceptpao dualsobre a existencia e os fenómenos da Natureza. 0 pri-16
  27. 27. meiro relaciona-se com a existència no À iy é {terra habi­tada); e no Òrun (espaco além). O segundo refere-se aosfenómenos naturais. Cada individuo possui seu espirito especifico (O r0 .I sto, por sua vez, encontra-se agrupado com outros demesma linhagem ou caràter (Ègbé Òrun — grupo ouinombro de origem espiritual). No que diz respeito aos fenómenos naturais, o que.ilcta a um membro de um Ègbé Òrun afeta da mesmaforma a um membro do Ègbé Aiyé. Assim, todos na Ter-i.i tém seu doublé no além, e a atuacao do homem é a■ ituacao de Olódùmarè (Deus), no plano naturai e so-brenatu ral. Ritualisticamente, acredita-se que todas as coisasda Natureza, tais como pedra, areia, madeira, água, plan­ta, ote., possuem esséncias que podem ser “ ex tra idas" e11 1¡I izadas para se fazer algo em beneficio dos homens. Rituais sao promovidos e correspondem à eficáciado nossas rezas que abrem facilmente um canal de comu-nicacao dos nossos desejos a Deus. Mas estes rituais va-riam em forma e ordem. É preciso saber o tip o certo eossa determinacao advém de Ifá-Olokun. E quando é fei-to dentro das especificacoes corretas, os resultados seraosempre satisfatórios. Todos os ritos da pràtica religiosa sao sistematiza­dos. Desde encantacao, consulta do jogo dos búzios, sa­crificios, oferendas, dancas, músicas e mesmo o aparen­ temente simples ato de colher ervas sao revestidos debastante objetividade. A preocupacao principal é o bem-estar da coletivi-dade, cuja responsabilidade de cada membro varia de¡icordo com o seu nivel de conhecimento. O principalobjetivo é saber fazer sem, necessariamente, ter contatocom a negatividade. Desta forma, o Candomblé é urna variante religiosaforte. Cada membro detém, no hálito, no olhar, no an­dar, ñas maos e no pensamento, um poder genérico espi­ritual. As vezes de caráter imperceptíve!. Mas a verdadeé que os adeptos nao tém somente este poder, como 17
  28. 28. também podem atuar ñas conseqüencias deste mesmopoder. Onde tudo pode ser feito , ou desfeito. O objetivo deste nosso trabalho é tentar revelar asimplicidade contida na complexidade dos ritos sacrifi-ciais denominados ebo.18
  29. 29. ESU £sú, divindade criada desde os tempos primordiais,c o porteiro de Olódúmaré (Deus). Representante dosliomons e dos Or/sá. Preconceituosamente, é visto como,i nogagao da bondade e, nao raram ente, associado ao de­monio da visao religiosa crista. Todavía, é ele — £su — quem estabelece a extensai (‘de de comunicagao entre os seres e a natureza divina<|ii(* os circunda. Está ¡nerentemente re la cio na d o as partículas ató­micas ou subatómicas; as cargas e lé tric a s o u eletrónicasí|iic o sangue seencarrega de d is trib u ir. £su aparece com agente do plasm a sangüíneo e bio-i ltMrico. Ele, n verdade, está associado a vários tipos de ai.ulugoes energéticas que form am complexos agrupa-mrntos que logo se auto-organízam como urna rede detorgas uniformes, ou seja, urna colegao de partículas(i’lrttrons, íons, partículas neutras), ligadas á produgao<lc r.KÜagoes eoscilagoes de caracteres diversos. Assím, o"plasma biológico" [£ su), perm ite estabelecer urna cor-nfl.igao entre o processos in terno s do organismo e as scondigóes externas do ambiente. Desta forma, o plasma pode s e r definido coino amíimlestagáo bioelétrica natural de t o d o organismo vivo, 19
  30. 30. que interage com os distintos campos existentes em to r­ no de si ou meio externo. Com a ajuda dele, cada organis­ mo pode pulsar em harmonía com o Universo. 0 Èsù do plasma sangüíneo é o Èsù Bara (rei docorpo) e todos o tèm como individual. £ o que chama­ mos de Èsù pessoal. 0 in d ivid uo jà nasce com eie. £ oelemento animador da matèria. Èsù anima os seres, e de­ les se nutre até o desvanecer da materia, cuja constitui-cao Ihe pertence — Agua + Terra — que deu origem à Esù Oni-Yangí, cujas características sao as mesmas do homem, e se manifesta através da bondade e da maldadehumana. Desta forma, é como se todos nós fòssemos"m e io " Èsù e "m e io " Olódùmarè. Se a vida nos fo i doa-da por Olódùmarè, esta certamente nao se perpetuaría,nao fosse o sangue doado por Èsù, que também é divinoe se manifesta em tudo e em todos. A verdade é que somos filhos dessa juncao: barro +èém i (sopro divino). Enquanto a matèria fica no fu iu ro ,a essència do ser volta à origem e, por outro lado, nemtudo é pó. Porque Èsù è a metamorfose — o grandetransformador —, organizador físico e espiritual. Criadoespecialmente para inspecíonar os feitos dos homens edos Or isa. Ele atua em todos os níveis, espalhando oudistribu indo o áse dos homens, dos Orìsà e de O lódù­marè. Este mesmo Èsù Bara cria, com a pròpria forca in­terna do homem (fluido energético humano), o Èsù bio-elétrico — ou Èsù social. Este é o interm ediàrio de co-municacao, já que as partículas de átomo, íons e p a rtí­culas neutras vao se agrupando até adquirir vida pròpriae se instalar no quarto estado da materia (4?circunferen­cia do corpo). Neste caso, ele aparece como Èsù oótáòrisà. O prím eiro òrisà (ejéédá), está fixado no segundoestado da matèria, e o segundo òrisà (a djun tó ) no tercei-ro estado. Assim, qualquer informacao que vier de foraou de dentro necessariamente tem que passar por Èsù.Como Èsù saiu de dentro, a sua tendència é escapar do
  31. 31. homem, fugir, cortar qualquer elo de ligacao existente.Oliando Èsù comega a se distanciar da matèria, as extre­midades (pés e maos) do homem ficam trios. Hà necessi-dado, entao, de fazer culto, chamà-lo de volta, para ener-i|i/a r novamente o corpo. 39 ESTADO 4 o ESTADO DA M A T È R IA : •<- DA M A T È R IA : È K EJÌO U ÙRiSÀ ÈSÙ ÙRISÀ ADJUNTÓ 2 ° ESTADO DA M A T È R IA : O r ì s A ELÉÈD A / ............/ 1° ESTADO DA M A T È R IA : / O HOMEM /IN IC IO DA V ID A .CONSCIÉNCIA D IV IN A E comum ouvirmos, no meio candomblecista, fra-ses assim: " Èsù està frio ", ou entao, "Èsù està quenti-nho". Quando Èsù está quente (próxim o), a esfera doiiulivTduo é vermelha e sua pele, por mais que a tempera-tuia ambiente esteja baixa, é quente. Quando Èsù se afasta do corpo do homem, a suaiv;f(fra (muitos a chamam de aura) fica completamentea/ul. O sujeito passa a agir com absoluta emocao, acabaso perdendo e desorganizando sua vida, já que as in fo r­m a le s de fora nao chegam corretas ao cérebro, da mes­illa forma que as de dentro nao atingem a consciencia do Todo. O que precisa ser entendido é que o nosso plasmahioclétrico {Èsù) nao tem o m ínim o interesse em nospassar estas informagoes, exatamente pelo fato de ele ani­mar a matèria, sair dela e se n u trir dela pròpria. Mais umm otivo de se fazer culto e estar de bom acordo com Èsù.Seu elemento é o fogo, e este nada mais é do que umelemento bioplasmático (a ciencia há de confirm ar isso). 21
  32. 32. O dualismo é a característica do Universo, poistudo está apoiado em dois pólos. Assim, è s ù age comexpressa permissao de Otódùmarè. Se ele é o mensageirodos Orisà, é porque só ele pode dar movimento às coi­sas, por conseguinte, somente ele pode transportar amensagem do som que sai. Esta é urna das razôes de Èsùocupar um lugar de destaque em toda liturgia candom-blecista e receber oferendas antes de todos os Òrìsà. Èsù é a expansâo de vida que transpira por todos osporos do Universo, como se fosse urna peneira, filtrandotodas as impurezas psíquicas e comportamentais dos se­res. Por isso, os que nao estao seguros do pròprio cará-ter, dizem: Èsù másé m i orno ejòmiròn n i o sé. Exu, nao me faça mal, faça mal ao filho de outra pessoa. Todos do culto de Orisà querem estar de bom acor-do com Èsù, sem necessariamente estar de amores comele. Fundamentado apenas em um profundo conheci-mento de si mesmo, tendo consciencia de que Èsù é omovimento da pròpria existência. Èsù a ñlá Katú. Exu, aquele cuja grandeza se manifesta em todo lugar. Se todos tém o seu Èsù Bara, logo ele é individual,porque a composiçâo oigânica de cada um é diversifica­da. 0 comportamento, entao, passa a ser único, e Èsùpassa a ser o ajuste, o corretivo, o gerador da conscienciae do refletir. Cabe ao homem optar por seu lado Ebora(força caòtica, acoplada à pròpria natureza de forma in-controlável), ou seu lado irùnmon/è (ser divino, com res­ponsabilidades a cümprir, na Terra e no Espaço, geradosem torno do pròprio homem). Cada açâo do homemgera urna reaçâo, e o presente é sem dúvida o filho do22
  33. 33. pussado, da mesma forma que o fu tu ro é o fiiho do pre­sente. £sù é força completa, quando dele se diz: Logémón brun Senhor poderoso no órun. A/áagbára Senhor do poderou entâo: E/égbára Senhor da força. Ê o comunicador, o ¡ntermediador. é a paiavra deOlódùmarè, o equilibrador de tudo, do todo. È a capaci-dade dinámica da vida. Na teologia Yorùbâ, Ésú é a divindade por ordemda unidade psíquica do Ser que deu origem ao m ovim en­to de Luz, objeto central de estabilidade coletiva do ho-mem. Ele é descrito com um caráter tao versátil que de-vemos ser cautelosos a respeito do que dissermos sobreele. ésú é certamente um òr/sà inclassificávei (em qual-quer concepçâo que nâo seja de dentro da teologiaYorúbá). Ele é mu ito mais que as informaçôes que oclassificam como isto ou aquilo. Ele nâo foi um ser hu­mano deificado, como algumas divindades que conhece-mos. Ele é urna das principáis divindades do céu, ondeestava com Olódùmarè desde o principio da criaçâo.Nasceu juntamente com o Universo, é o ministro do es-paço e serve à vontade da criaçâo. Ê a divindade mao direita de Orúnmilá (Ór/$a dasabedoria). É primordialmente um "relaçôes públicas es­pecial" entre o céu e a terra, o inspetor geral que comu­nica regularmente à Olódùmarè os feitos dos homens edas divindades. Testa e faz relatónos sobre a exatidao dos cultose 23
  34. 34. dos sacrificios em particular. 0 seu dever consiste emouvir O rúnm ilá e declarar a sua vontade para os homens,mesmo que essa vontade gere alguns atrapalhos para ohomem para que, dentro das armadilhas de Ésu, estepossa novamente se encontrar com Deus. A lenda que apresento a seguir ilustra m uito bem aconduta moral do homem e a acao de Ésu para despertara sua consciéncia: Ésu, o Mercador de Filá Certo homem tinha duas lindas esposas, as quais ele amava igualmente e que estavam no m elhor dos termos. Tao pacífica era a casa onde eles viviam que se tornaram para seus vizinhos modelos de har­ monía conjugal e fam iliar. As pessoas achavam que nada poderia perturbar as felizes relacoes que exis- tiam entre eles. Ésú soube disso e nao gostou. Assím, ele esquematizou urna armadilha para eles de modo astuto e usual. Fez um füá m uito bonito, transformou-se num comerciante e colocu-o á ven­ da no mercado, tendo cuidado, porém, em nao ven- dé-lo a ninguém, até aparecer urna das duas esposas para comprá-lo. Urna délas, ao visualizar o fi¡á, ¡me­ diatamente o adquíriu e alegremente o levou para presenteá-lo ao marido. Este, ao receber o belo pre­ sente, fícou tao agradavelmente surpreso que, in­ conscientemente, demonstrou sua apreciacao e gra- tidao de um modo que tornou a outra esposa des­ confiada e ciumenta. Esta, porém, nada disse. Aguardou aprensivamente e com ¡nquietacao cres- cente o próxim o dia de feíra. Quando o dia chegou, ela fo i bem cedo ao mercado em busca de um pre­ sente bem melhor, e a qualquer custo, para seu marido. E la esta Esu, esperando-a com outro filá que, comparado com o prim eíro, engrandecia-o em graca e beleza. Triunfante, a segunda esposa com- prou este novo füá e o levou para casa dando-o ao24
  35. 35. marido. O efeito fo¡ mágico, tornando-a, assim, a preferida do marido. Do jeito que Èsù queria: o palco estava armado para a rivalidade agugada entre as duas esposas, cada urna empenhando-se para so­ brepujar a outra no perigoso jogo de ganhar o amor do marido. Èsù, vindo em a u xilio de cada urna na sua vez do jogo, e o hum or do marido balangando da direita para a esquerda com a chegada de presen­ tes cada vez mais bonitos. Quando Èsù ficou satis- fe ito, as pepas tinham sido bem colocadas como um quebra-cabecas, e a desastrosa explosáo inevita- velmente ocorreria. Entao, ele abruptamente dei- xou de ir ao mercado. A próxima esposa em visita a feira ficou frustrada, nao encontrando mais o "ta l com erciante". V olto u para casa em grande fùria. Sendo assim, o objetivo de Èsù em desarmonizar aquela fam ilia, no que estiverà trabalhando com grande m alicia, por firn aconteceu, ocorrendo en­ telo urna grande tragèdia. A agao de Èsù pode ser vista como simplesmente mal­dosa, mas é o tip o de maldade que gera justiga e exem-plo social. Entao, pergunto: Èsù é o Demònio? Nao!Èsù é a agao de Olódùmarè no destino dos homens e naorganizagáo da vida. Ele é bom, o que nao é bom é ocom portam ento do homem. Èsù, nesta lenda, nao aparece como guardiáo dos sa­crificios, e sim como guardiáo dos bons costumes. Èsù senta-se no pé do ind ivid uo , e este passa a respi­rar com muita dificuldade, o ar fica m u ito pesado, o solmu ito quente, o frió demasiado. O in d ivid uo chora eÈsù chora com ele. Èsù arranja problema onde nao há problema. A verda-de é que ele cumpre sua missao de agente universal dobem e do mal. Ele é aquele que dorme em casa e tranca a porta comum porrete, é urna divindade bastante sensível, fica in­dignado por qualquer m otivo. Parece possuir um poderque somente Olódùmarè pode conter. Urna palavra dita 25
  36. 36. em momento nao apropriado pode despertar a sua ira.Èsù joga nos dois times sem constrangimento. Anda se-nhoriaimente, sutilmente, balancando-se para a direita epara a esquerda; é o Dono do Corpo. E os Yorùbà saobastante cuidadosos neste sentido. Referem-se a Èsù, di-zendo: O ri m i màà (jé k ij rrio r i ìjà rè. Minha cabeca nao vai p erm itir que eu experimente a sua fùria. Na verdade, ele é tem ido até pelas outras divindades, e isso ocorre em virtude de seu o ficio . Èsù tem o poder de vida e m orte sobre todos. Alérn do mais, é incidental­ mente malicioso, um fazedor de travessuras, capaz de causar grandes confusóes. Provocando situacoes co m p li­cadas ou promovendo malicia entre as pessoas. Por isso,é melhor estar de bom acordo com Èsù, eie quebra em pedacinhos o que nao pode ser reajuntado. Certa vez, Sòngó dizia, gabando-se, que nao havia ne- nhum òr isa que ele nao pudesse dominar. Èsù logo o de-safiou: — ¡sto incluí a mim? Sòngó inmediatamente replicou, desculpando-se: — Mas por que? Certamente voce nao poderia ter sido incluido! Há quem diga que a forca prim ordial de Èsù, nestemundo, é armar emboscadas e criar situacoes dúbias,mas, mesrno assim, nao podemos associá-lo ao Diabo. Èsù, em nossa concepcao, é apenas a interacao b io ­energética entre um homem e os demais. É a combina-cao dos plasmas biológicos entre si. E quando nao háequ ilibrio plasmático, o homem cedo ou tarde fica en­fermo: do corpo, da mente e da alma. Os Yorúbá entendem que para tudo correr bem é ne­cessàrio que o homem esteja harmoniosamente em con­tato com as vibracoes positivas de È$ù. Depositam todaa sua fé em su as capacidades benevolentes e protetoras.26
  37. 37. Ele ocupa urna posigáo de destaque, é representado porum sím bolo que é levantado no centro da cidade ou po-voado, o que é freqüentemente repetido dentro de casae em portas de templos, onde se cultuam os órísá. Aspessoas se dirigem á £§u religiosamente, de modo a bus­car com ele um bom relacionamento. Há lugares onde festivais sao promovidos anualmenteem seu nome. Em Hé O lují, esse acontecimento se dá emfevereiro, para marcar o cultivo anual da térra. Os Yorú-bá organizam esse festival para pedir as béngaos de Esú,acalmando-o, para que tudo corra bem com o trabalhodurante o ano. Ele é, indubitavelmente, urna das p rin ci­pas divindades dos Yorúbá. Nao há lugar onde nao sejacultuado e propiciado. A nossa visao é que Olódumaré e Bsü sao justos. Ago­ra, se a justiga aplicada resulta em descontentamente pa­ra o sujeito, isto acontece em decorréncia de seu compor-tamento. A justiga em si nao é boa e nem má, é simples-mente justiga! Assim, na mente dos candomblecistas, nao existe oconceito do bem e mal. Nao temos um Deus da luz e ou-tro das trevas. Temos o Universo como um Todo, mani-festagao de Olódumaré (o Deus Supremo). O que acon­tece, porém, é que somos um povo que "d iv id e " Deusem diversas partes. Acreditamos que cada elemento oufenómeno da natureza seja urna manifestagao única deSeu poder. O nosso objetivo é estar de bom acordo comtodos os elementos, de modo a abragarmos somente olado favorável. A água (Osun) deve servir para man-ter a nossa harmonía orgánica, saciar a nossa sede e ou-tras tantas finalidades inumeráveis. £ claro que a águaéum a trib u to maravilhoso de Olódumaré, e está presentedesde a gestagao do ser. E a falta desta, mata os seres,mata a vida. Ao mesmo tempo, ela pode provocar doen-gas terríveis. Isso, os candomblecistas atribuem á ira de0§un. Desta forma, cada Orísá corresponde a um ele­mento da natureza, sem con tu do deixar de ser UM emrelagao ao Universo. Quando fazemos culto a um determinado elemento da 27
  38. 38. natureza (Or/sá), como por exemplo: ao raio (Sóngó) re­presentante da ira de Olódumaré, o nosso objetivo éatingir a esséncia, a consciéncia de Olódumaré como umtodo. Acreditamos que cada agao gera urna reapáo pro­porcional ao som emitido. Saudamos a sua origem, fa-zendo referencia ás suas qualidades de energizador datérra sem esquecer, contudo, de seu poder destruidorque racha pilao, paredes, árvores, etc. Desta forma, anossa consciéncia é completa e a nossa fé nao é cega. Fazemos referencia ás suas qualidades, com bastanteobjetividade, acreditando no poder criador e transforma­dor da palavra. EM TUDO NA V ID A SÓ A JUNÇÂO DE DOIS PÓLOS PODE GERAR EN E R G IA PARA G A R A N T IR O M O V IM E N TO Èsù o jíré Ó? Exu, vocé amanheceu bem?28
  39. 39. AS SENT AMENTO DE ÈSÙ (pessoal)— 200 (duzentas) pedras de caminho (redondinhas)*— 6 (seis) penas de odide* *— tecido vermelho— muitos búzíos— urna cabapa grande,Procedimento: Pega-se a cabaga e corta-se ao meio, na horizontal. Re*veste-se com o tecido e enfeita-se com búzios, ñas bor­das. Fazem-se seis furos em torno da cuia superior e en­feita-se com os ikóòdide. As pedras p5em-se dentro dacuia inferior.Folha8 de Ésù— Mamona— Pega-pinto* O número 200 (/gba) significa "grande quantidade".* * As penas do pássaro odfde sáo chamadas de ikóòdide. 29
  40. 40. — Folha-da-costa— Folha-da-fortuna— Bredo sem espinho— Alfavaquinha— Malmequer bravo— Folha-de-fogo— Cansa ncao-de-porco— Carrapicho-de-agulha.Sacrificio— Um frango vermelho— Urna galinha-dangola.Oferendas— Um o6/dividido em duzentas partes (em cima de Èsù)— Um orógbó— Seis bifes assados no forno e temperados com: ataare, azeite-de-dende e cebóla.— Gin seco.Obs.: — Nunca se deve despejar mel sobre o assenta- mento de Èsù. E também nunca se deve exagerar na quantidade de azeite-de-dendè. 0 que ocorre é o seguinte: quando se oferece gin (que é urna bebida extremamente quente), é corno se fosse fogo em cima de Èsù. Se colocarmos óleo em cima de qualquer fogo, a tendencia dele é au­ mentar mas, se exagerarmos na quantidade, o fogo se apaga.— Quem tem este tip o de Èsù assentado, deve, todos os dias, antes de lavar a boca, mastigar um ataare, des- tampar o assentamento, rezar os o r í k i e fazer os pedi­ dos para o dia. 0 maior problema dos candomblecis- tas é nao encontrar tempo para fazer um culto c o n ti­ nuo e conceptivo.30
  41. 41. ÉSÚ O M IY A N G Í Este é o Esu da comúnidade. é o guardiao dos ter-reiros de Candomblé. Sua cofnposigao é de acordo com os fundamentosde cada Zelador. Todavía, quando se tem conceppao lim-pa a respeito do caráter de Esú, ele é preparado com: ar-gila, matéria inicial á existencia humana; e ferro, que en­tra apenas para formar sua estrutura. Os animais de sacrificio sao os mesmos do £sü pes-soal. A diferenga é que qualquer um dos membros da co-munidade pode ir no pé deste £§ü e fazer seus pedidose reclamapSes. E é neste caso que mora o perigo, porquenota-se que os maís novos nao tem se preocupado muitocom os efeitos que um simples pensamento pode pro­vocar. 31
  42. 42. OS ORÍSÁ O destino das pessoas é regido pelos Odu, predesti­n ado de tudo o que existe no Universo, favoráveis oudesfavoráveis á vida, em todos os sentidos. Cada Odü, portanto, está dividido em duas catego­rías: positivo e negativo, e representa a mais alta mani-festapao da energía cósmica — de onde nasceu a vida —,e que deu origem aos Orí$á básicos, surgindo, assim, ou-tros Orísá, mutagoes dos primeiros, dando origem a urnalinhagem de descendentes que chegam até nós por estefio que nos liga á ancestralidade. Deste modo, todos nós somos Orísá de comunica*Cao e a manifestapao do homem é a manifestapao da na-tureza e de Deus.
  43. 43. ÈSÙ Em sua origem cosmogenética é o responsável pelaexistencia da vida na Terra, é, portante», o inspetor deOlôdùmarè (Deus), desde os tempos primordiais. £ o viajante da rota céu «— terra, m uito veloz, e ►pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Todos precisam abraçar seu lado favorável, de mo­do a transitar pelas encruzilhadas da vida sem serem per­turbados por ele. Os Orisà dependem de Èsù para fazerem transm itiras comunicaçôes dos homens a Deus, pelo fato dele estarlocalizado no meio das encruzilhadas de très pontas, deonde sáo gerados vários caminhos, tornando-o, assim, otra du to r divino das mensagens de Qrúnmílá (divindadedo Oráculo de Ifá). é urna divindade do fogo, associada ao movimentoe ao processo de criaçâo dos seres, é, portanto, um O ri­sà da fértilidade e procriaçâo. Enquanto o homem respira pelas narînas, Êsù res­pira por todos os poros. Está associado aos elétrons, àenergia, cuja grandeza se manifesta em toda a parte. Èsù másé m i orno elôm irôn n i ó sé Exu, nao me faça mal, faça mal ao filh o de outra pessoaCores: vermelho e pretoDia: segunda-feiraNatureza: encruzilhadas de très pontas (oríta m éta)Metal: bronzeSaudaçâo: Laróyé!Contas: miçangas azul-arroxeadoEmblema: ogo (porrete), ádó (cabaça). 35
  44. 44. ÓGÚN é o Orisà dos caminhos, da prosperidade e da sabe-doria. Está associado ao ferro, elemento essencial à cons-trugao de qualquer objeto. é senhor de dois facoes; um ele usa para cortar ahorta, e o outro para abrir caminhos. Mesmo tendo águaem casa, banha-se com sangue. Em vez de roupa, usafogo para se cobrir. Está associado ás lavas vulcánicas esua fùria, quando experimentada pelo homem, é desinte­g ra d o na certa. £ um Orisà nervoso, colérico, que fere e mata, évalente e sanguinàrio. Com sua natureza tenaz, faz oudesfaz, desconhece totalm ente a razao e age somente pe­la emogao. Está agregado ao sulfato ferroso do ffgado,centro das emogoes e sensagoes humanas. E o dono da forja, da casa e do espago fora dela.Portanto, é um vencedor de bataihas. Removs os obstá­culos e abre os caminhos da modelagao da disposigaoorgànica. Tem o poder do fogo e anda lado a lado com Èsù.Enquanto èsù é o ponto central do triángulo, Ogún re­presenta os caminhos gerados pelo triángulo. é um Orisà de vitó ria , o grande conselheiro na horade se escolher novos caminhos a seguir. Por esta razao sediz: Ogún ó sin im onlè! Ogun, o im onlè a quem servireiCor: azul-marinho ou verdeDia: terga-feiraNatureza: jazidas de ferro, caminhos, matasMetal: ferroSaudagao: Ogún yé!Contas: migangas azul-marinho ou verdesEmblema: Á d á m é ji (dois facóes). 37
  45. 45. ósóósl é um Onsá que está associado ao frío , neblina, or-valho e a tudo que nasce e cresce. Por consegu inte, estárelacionado com a fotossfntese — fixapáo do gás carbó­nico do ar, através da apao da radiapao solar. Como aclo ro fila tem p a rtic ip a d o fundamental neste processo,Qsóósi se torna o irmao de Qsóny/n, que é o Onsá daesséncia vegetal. Sendo capador e dom inador da fauna e da flora, ge-ra progressos e riquezas ao homem, proporcionando amanutenpao do sustento. é um capador que usa ofá (arco e flecha), arma po­derosa. Qsóósi quando bloqueia o caminho, nao o de-simpede. Por isso se diz: Ode ó! Máá s if í ofá re Láyé m i! Oh, capador! Nao atire sofrimentos em minha vida, com o seu arcoCores: azul-turquesa e azul com douradoDia: quinta-feiraNatureza: florestas, selvas, árvoresMetal: latcíoSaudapao: O kéáró!Contas: mipangas azul-claroEmblema: Ofá (arco e flecha) e írukpré (rabo de boi). 39
  46. 46. ÔS0NYÏN é o senhor absoluto das vegetaçôes. Orfsà das fo-Ihas e de suas apiicaçôes litúrgicas e toda composiçâomágica do Candomblé. Nada se faz sem Ú s^nyín; ele é o detentor da força,do Áse, ¡ndispensável para as divindades. Foi OsQnyínquem ensinou a !fá a arte curativa, é sempre evocadoquando as coisas nao vao bem. é o senhor da magia e da medicina, como Èsù; é ocompanheiro indispensável de Orúnmí/á. Portador essencialmente de energías cósmicas queconferem ao ser humano o maravilhoso poder de racio­cin io . Por isso se diz: Osónyin o! Jé ewé ó jé o Qsónyin o! Jé oàgùn ó jé o 0 Ossain, permita que a folha produza seu efeito. 0 Ossain, permita que a magia e a medicina produzam seus efeitos.Cor: verdeDía: terça-feiraNatureza: floresta, folhas e raízesMetáis: ferro, prata, estanho, lataoSaudaçâo: Ewé, ewé Q sónyin!Contas: miçangas verdes e brancasEmblema: galhos de café com frutos. 41
  47. 47. L Ó G Ü N EDÉ é também um guerreiro entre os Úrisa. Surge comodivindade dentro do runkg (camarinha), onde é feita ajunpao de Q$$d.S com Q§un, passando a ser o mensagei- 1ro de Osun YépQnda. É um c a p to r habilidoso; em térra firm e se alimen­ta de capa e, su^merso, alimenta-se de peixes. £, portan-to, urna d iv in ó le que domina o poder de mutapao etransforma-se n ° q ue quiser. Por isso se diz: Ológún, fíhQn awo fun fu n Lóni, n ¡ ola ó y íó ó f¡hQn dúdú Logun, m ^stra a P^le que desejar. Se mostraf Pele clara hoje, amanha mostrará pele escura.Cores: azul-cla^o com amarelo-ouroDias: quinta e sábadoNatureza: rios e matasMetáis: cobre, ouro e latáoSaudapao: LóÓs/ 16osi Lógún!Contas: mipan9as azul-claro alternadas com amarelo- ou roEmblema: Ofa e abébé, 43
  48. 48. ÓSÜMÁRÉ É o Úrisá da riqueza (material e espiritual). Estáassociado ao ciclo vita l, sím bolo de continuidade da v i­da. É representado por urna serpente, que, rastejando so­bre a Terra, desenhou vales e rios. é o Orisá que controla e regula os movimentos ce­lestes. Simboliza a atividade, a continuidade e a perma­nencia. Sua comunicagao com os homens é expressa pe­lo arco-iris, o que revela as suas m últiplas fungoes. Levaágua dos mares, transformando-a em chuva, trazendo oraio e o trovao á Terra, garantindo a fértilidade e o cres-cim ento dos elementos da natureza. Por isso se diz: A ró b o bo y i! Aquele que va¡, dá a volta e continua!Cores: verde e amareloDía: terga-feiraNatureza: arco-irisMetal: ouroSaudagáo: A róbó bo y i!Contas: m ¡gangas verdes e amarelas e brajá de búziosEmblema: Ejó m é jí ¡de (duas cobras de bronze ou lat§o). 45
  49. 49. O B Á L Ú W Á IY É é a divindade da m orte e somente ele pode evitá")^’é considerado o Reí do Mundo e está associado á raó {&gao solar, o que Ihe confere o títu lo de Bábá ighónQ0— Pai do fogo. é um Orísá ambivalente e a ele sSo atribuidasdoengas contagiosas. A febre, doengas de pele, ce gu e i^surdez, catapora e sarampo sao considerados m a n ife s^goes de Obátúwáiyé, que utiliza estes meios para levar ° sseres humanos á regeneragao de algum mau costume.isso se diz: A tó tó o ! Silencio!Cores: preto, vermelho e brancoDia: segunda-feiraNatureza: sol, térraMetal: zinco, estanhoSaudagáo: A tó tó o !Contas: migangas pretas, vermelhas e brancasEmblema: jasara (cetro),cabaga.
  50. 50. SONGO Ser humano deificado, representado pelas torcasviolentas da natureza. Foi associado a Jákúta, divindadeque luta com pedras, que expressa a ira de Olódümaré,através do raio e do trovao. é um Órísá que persegue os ladroes, mentirosos emalfeitores, para esfregar suas caras no chao, sem pie-dade. Isso ocorre porque Songó é um Órísá que rolano chao quem o ofende, da mesma maneira que um no­velo de la. Por isso, seus adeptos sempre pedem a ele pa­ra que nao os deixe in frin g ir as leis dos homens, e que desuas bocas nao saiam palavras que venham a ofender al-guém. Por isso se diz: Songo, oósá tió beru ológbó. Xangó, a divindade que assusta até o gato.Cores: vermelho e brancoDia: quarta-feiraNatureza: raios, trovoes, pedreiras, meteorosMetal: bronzeSaudacao: Ká woóo, ká biyé sí!Contas: micangas vermelhas e brancasEmblema: Seré (cabaca de pescoco alongado). 49
  51. 51. ÔSUN Ê a graciosa mâe das águas profundas. Divindadedos rios, fontes e regatos. Orïsà que enfeita seus filh o s com ouro e fica m uitotempo no fundo das águas gerando riquezas; que conhe-ce o segredo da vida, mas nâo o revela. Mâe procriadora, está associada a fisiología fem ini-na. Preside a menstruaçâo, gestaçâo e nascimento. éconsiderada a dona do ovo, símbolo de fé r tilidade, amaior célula viva, e que evoca a idéia de fartura e r i­queza. Em uma de suas qualidades, tern-se Osun Àpéré, se-nhora das águas frescas, dotada de força masculina, guer­reara que, ao se fazer presente, rodopia como o vento,sem que possamos ve-la, apenas ou^i-la, com sua voz a fi­nada que se assemelha ao canto do çgà (pássaro amare-lo). é por esta razâo que m uitos a confundem com Oya(ôrisà do vento). Enfrenta pessoas poderosas e com sabedoria asacalma com sua doce água que fluí sem cessar. Por issose diz: fíora yéyé, gbémi! Mae grandiosa, proteja-me!Cores: amarelo-ouro ou cinzaDias: quinta e sábadoNatureza: água doce, rios, lagos e cachoerrasMetal: cobre (considerado um metal nobre, representante do ouro)Saudaçâo: fíora yéyé o! (Apárá)fíora yéyé ó f i dé río m o nContas: miçangas amarelo-ouroEmblemas: abèbè (leque de metal amarelo) e ¡dé. 51
  52. 52. OYA é a divindade dos ventos. Guerre¡ra forte e deste­mida. Ortsá veloz, que nos golpeia cort1a rapidez de umpiscar de olhos. . , , Está presente no tempo e no esp3^0, a V m - sóñ órun — mae das nove partes do cé^~f 0 9ra|] e ven"daval que faz a limpeza do ar que resp1 ^317105, ar emm ovim ento caracteriza a sua essénci^ co™° 0 °9 °que nos queima, sem que tenhamos po$t0 a mao ne e- É um Orísá que faz as coisas s im ^ n e a m e n te , gra­pas á sua agilidade de espalhar o seu á ? n° m u^ o os ?vivos e dos mortos, por seu poder e 0 nísciencia- or ISS0se diz: Oya aláagbára ¡nú afééfé Oyá, a poderosa que vive no ventoCores: branco com rosa, estampado con1 vermelhoDias: segunda e quarta-feiraNatureza: vento, raio, montanhas de do|S cumesMetal: cobreSaudapao: Eé páá héé oya! ..Contas: migangas marrons (de preferéncia coraEmblema: írúkeré (rabo de boi preto). 53
  53. 53. YEM O N JA Está associada à foz dos rios e quebra-mares. Maedos peixes e de todas as caberas. é evocada para trazer prosperidade e fertiIidade. éum Ùrisà que tem o poder de curar as doenpas comágua, sem derramamento de sangue. Com sua pròpria ri­queza (os peixes) eia pode curar um mau orí, no ato doEbori. É um dos Ùrisà mais velhos entre os irúnmon/q (se­res espirituais) e por este m otivo come ju n to com Egún-gún (ancestrais), para saber seus segredos. Distribuí encargos e fungoes a todos e em tudo poeordem. Por isso se diz: ly á m í ñsé owó pèlé-pèlé nínu om i Minha mae está erguendo as maos, suavemente, dentro das águasCores: prata e azul-claroDia: sábadoNatureza: mar, foz dos rios, enseadas, baiasMetal: prataSaudagao: Odó íyá!Contas: mipangas pingo dáguaEmblema: Abèbè (leque de metal prateado). 55
  54. 54. NÁNÁ é um Onsá bastante complexo. Representa a me-mória transcendental do ser humano e o acervo das rea-goes pré-históricas de nossos antepassados. é urna divindade das águas paradas e dos pantanos.Responsável pela matéria-prima (barro) que deu formaao prim eiro homem, participando, assim, da criagao domundo e dos seres. Náná rege físicamente o estómago, os intestinos, amemória e os pés. Temida por todos que conhecem osseus hábitos e costumes, é este Or¡§á o representante dacontinuidade da existencia humana e, portanto, da mor-te. Por isso se diz: Sálu bá Náná B urúku! Divindade que separa os espfritos trevosos da morte!Cores: azul e branco ou roxoDia: terga-feiraNatureza: pantanos, charcos, lago, lamaMetal: estanhoSaudapao: SálubáContas: migangas brancas rajadas de azulEmblema: Ib irin (cetro de nervura de dendezeiro) 57
  55. 55. Ó R ÍS Á Á L Á é o governante da vida, está associado á matriz cós­mica, como p rin cip io masculino e femimno do podercosmogenético. Criador do mundo inorgánico, preside a passagerndo sobrenatural á existencia física (nascimento) e tanr^.bém á morte, quando o ser perde a individualidade e vo|-ta ao pó. Or¡§áálá fo i quem deu form a ao homem, portante^é o responsável pelos defeitos relacionados com a cri^.pao. Está associado á idéia de repouso, imobilidade,tranqüilidade e silencio. Detesta violéncia, brigas e tem horror a sangue. Evj.ta tudo que é excitante. Por isso é tido como urna divin-dade da paz, imóvel como urna pedra no fundo dágua. Onde há desavengas, Orísáálá se envolve na purerado branco, e brilha em itindo luz para proteger seus se­guidores. Por isso se diz: Oba ñlá, bábá o! Oh, grande reí, meu pai!Cor: brancoDia: sexta-feiraNatureza: céu, montanhaMetal: prata, platinaSaudagao: Eépáá bábá!Contas: m¡gangas brancasEmblema: Opásóró (cajado) 59
  56. 56. ASSENT AMENTO DE OGÚN — 1 facâo — 1 enxada — 1 foice — 1 pedaço de ferro (velho, bastante enferrujado) — 1 aigu ¡dar grande — m u ito v in h o branco — m u ito m ò n riw ò (folha de dendezeiro) Quando se faz Ogún, deve-se cobri-lo com m ò n ri­wò, para que sua manifestaçâo seja tranqüila e a menosselvagem possfvel. H aja vista que Ogún, no culto, é con­siderado Ebora (força caótica incontrolável).Animais de Sacrificio — 1 cabrito vermelho — 4 frangos vermelhos — 2 pombos brancos — Temperos: ataare e azeite-de-dendé — Inhame é indispensável em qualquer oferenda para Ógún. 61
  57. 57. Folhas de Ógún — Erva-tostao — Pérégún — Parietária — Canela de macaco — Folha de irokó (gameleira) — Espada de Ogún (jungá) — Palmeira de dendé (m o n riw ó ). Esta é a principal folha de Ogún. {Obs.: a folha de iro k ó é indis- pensável a todos os Orisá e pode ser substituida por todas as outras, contudo, a folha principal de cada Ori§á, esta nao comporta substituigao.)Como Colher as Folhas — Ao raiar do día tome um bom banho com sabao-da-costa. Vista roupas brancas e cubra o o r í com pano-da-costa. — Faga urna oferenda para QsQnyin com: — 1/2 copo de mel — 1 pedago de fum o — 1 vela — 4 moedas de igual valor — Antes de adentrar na mata, bata ipatéwó —paó —(palmas com ritm o próprio) e faga a saudagao: 0rí$á igbó iba Ori$á Oko iba Qrisá Oya iba Qri§á Qd{? iba Ori§á Ogún iba Orisá Osónyin iba — Entre no mato mastigando ataare ou o b i (parapurificar o hálito). Escolha urna árvore frondosa e limpebem o chao. Acenda a vela, faga a oferenda do mel e dopedago de fum o para Osónyin. Enguanto isso diz-se:62
  58. 58. Mo júbá Qsónyín, orísá ewé Ossaiyn, orixá das folhas, saudagoes. Qsónyín mo pé o o! Ossaiyn, eu te chamo! — E cante:* Áwa dágó lo jú ewé, awa dágó fo jú e m o oógún, A dágó fo jú ewé, a dágó fo jú e m o oógún. auá dagó lójú eué auá dagólójú é ma óogum auá dagó lójú eué auá dagólójú é ma óogum Nós te pedimos licenga para os nossos olhos, folha, Pedimos licenga para os nossos olhos verem vosso Conhecimento da medicina, nós te pedimos licenga Para os nossos ólhos, folha, pedimos licenga para Os nossos olhos verem vosso conhecimento da magia, ★★★ Ewé e n i ásá k i ó jé, ewé jé si gbogbo Orísá Ewé k i mo ásá k i ó jé bábá, ewé jé si gbogbo Orísá. eué é ni axá qui o jé eué jé si bóbó orixá eué qui ma axá qui o jé babá eué jé si bóbó orixá. Folha, vocé é e tem a tradigao dos costumes do culto sagrado Folha, vocé é para todos os orixás, folha que Entende (conhece) os costumes tra d ic io n a l e é o Nosso Pa¡, folha, é para todos os orixás. •k -ir Ewé p$fé pé á n í tó pé ewé, pelé pé á n í tó pé, Lákáká a fún ó n i fééréfé pelé pé á n í tó pé.* Cantigas extrafdas de O LIV E IR A , A lta ir B. Cantando para os Orixäs. Riode Janeiro, Ed. Pallas, 1 993, p. 44-50. 63
  59. 59. euè puélé pué ani tò pué eué puélé pué ánf tò pué lacaca a fum o ni fééréfé puélé pué àni tò pué. Pegue a folha gentilmente, demoradamenté, bastante demorado A folha, gentilmente demorado, bastante demorado, E se esforce tenazmente (com tenacidade), e a Folha nos será dada alegremente. — Ao term inar de apanhar as folhas, retire-se domato com m u ito respeito. — Ao chegar £m casa, selecione as folhas e lave-ascom m uito cuidado. Vá depositando no p-iláo de Òrìsà-átá, juntam ente com um obi, orógbó, aridán, noz-mosca­da (ralados) e um pouco de mel. Comece entao a socar,enquanto canta para Ò sónyin: Ewé oògùn m òn, ewè àsà ewè oògùn m $n lQnòn, Ewé oògùn m òn, ewé m i lò k è ewé a sù sà lgngn. eué òogum ma eué axà euè òogum ma lóna eué òogum ma eué mi loqué eué assúxá lóna. Folha que conhece a medicina (cura da) Folha das tradigoes e costumes (litúrgicos) Folha que conhece os caminhos da magia Folha que conhece a medicina Folha, leve-me para o alto (ascender na vida) Folha que nós trocamos nos caminhos das tradigòes. ★★ ★ Pèrègùn a/àwé titu n ó, pèrègùn aiàwé titu n , Gbogbo pèrègùn a/àwé lése, pèrègùn a/éwé titu n ó. pérégun alàué titum ò pérégum alàué titum bòbò pérégum alàué léssé perégum alaué titum ò. Peregum é o dono das folhas novas e frescas. Todos os pereguns sao donos das folhas novas e frescas.64
  60. 60. E tem seu pròprio suporte, pois peregurn é o dono Das folhas novas e frescas. ★★★ Osonyìn a/áwo wa, §àwùre pipé Orì$à ewé Osonyìn a/áwo wa, sàwùre p ip é Orìsà ewé ósanhim aláuo uà xauùré puipué òrfsà eué ósanhim alàuò uà xauùré puipué òrisà eué Osónyìn é nosso sacerdote, faga-nos o encanto Que nos traga boa sorte erh sua totalidade, 0 O rixádas folhas.* — Urna parte das folhas será utilizada para forrar ochao onde será posto o assentamento do Orìfà. — Caso estiver com iyáw ó recolhido, urna parte se­rá para o fo rro da esteira. — U tilize o bagago das folhas para lim par as ferra-mentas do Orìsà. — Para fazer sacrificios, ou mesmo urna oferendapara Ogún, deve-se levar em considerado o horário queo Orìsà sai e o horário que ele volta. Ogúnt p or ser capa­dor, seu costume é sair bem cedo e voltar à tarde. Assim,os sacrificios devem ser feitos pela manha ou à tarde.Tudo no cu lto é urna quest§o de análise do co nte xto so­cial humano e do com portam ento do Orìsà.Comidas Secas — m ilho torrado — amendoim torrado — feijao fradinho torrado — inhame assado — feijao preto semicozido — égbo (canjica branca cozida)* Cantigas extraTdas de O L iV E IR A , A lta ir B. Cantando para os Orixäs. Riode Janeiro, Ed. Pallas, 1993, p. 44-50. 65
  61. 61. — 7 acagás — 7 o b i vermelhos (o b i branco nao serve para oferenda) — 7 orógbóSacrificio — Com 7 ataare na boca, oferega as folhas de aroei-ra para o bode comer. Enquanto se diz: E m o f ò r i kan, mo f o r ió . . . — Quando o animai corner as folhas, grita-se o no­me do Orisà: Ogún yè e e! Oni/é, o n i tèm i K i ó n i ògo. Mo /uba bàbà m i 0 k i n i HQpo Qwàà, 0 wá n iié , Ogún O nifré oko mi. Ogún O n i/ré okùnrin gbón-gbón gidi. Ogún O n ifré okùnrin són-són gidi. O kùnrin wá, O kùnrin wò, O kùnrin wà àwa wòwó. O kùnrin gbón-gbón, gbón gbón. O kùnrin gbón-gbón gbèlé, Ogún! Aso inón n i aso Egúngún, Aso m ò n riw o n i aso Osónyin Meus respeitos, meu pai! Aquele que se m ultiplica por dez, Aquele que vem para casa, Ogún, Senhor de iré e da minha fazenda.66
  62. 62. Aquele que está na casa, Ogún, Senhor de !ré e da minha fazenda. Ogún, Senhor de iré, homem ¡mpossível e importancia. Ogún, Senhor de íré, o homem que derrub3 árvores e abre clareiras na floresta, de re importancia. Homem, venha, Homem, olhe. O homem que está nos vigiando no culto. Homem ¡mpossível de se ter problemas co1 e*e1 quando se é cauteloso. Homem ¡mpossível que dá sustentagao á c^sa> É Ogún! Roupa de fogo é a roupa de Egúngún. Roupas de folhas de palmeiras é a roupa óe O sónyin! — Neste momento, coloca-se m o n riw o nos öm brosdo iyáw ó e também em cima das ferramentas de ÜQÚn. Awa áygn, áwa ¿yon, Äwa áyon, áwa áygn Orisá t í i korá re lé g^e- Ogún Onílé ááro! Olóonon im gn! Ogú n Onílé a ti ekún! Ogún ofóode dé ola! O nífré , O nílé kQngun kóngun óde orun, Ogún O nífré oko m i! Ogún n íig b á tí ó t i oké bo, Asg inón lo mu bora eje! Á is í lów ó re sorg. Olóoko m i, dákun dääbö f i ye dé non. Dákun dääbö ka a f i ye dé non. Ogún O nííre Oko m i! Méje lOgún wgn! Méje lO gún! Méje níré, 67
  63. 63. Méje lO gún! Iré k í i sé ¡té Ogún. Qya k í won ágbede nibé. O wá mqmun ni. Ogún O níiré oko ó m i! Dákun wá gbá qbo re, Ogún O niíré ó sin Im onte! Nosso esforgo, nossa perseverarla, Nosso esforgo, nossa perseveranga, Orisá que traz a riqueza, fértilidade e felicidade para morar em casa. Ogún é dono da casa e da forja! Senhor dos caminhos das folhas novas de palmeira! Ogún, dono da casa e do leopardo! Ogún, dono dos caminhos que chegam á riqueza! Senhor de íré, dono da casa cujas fronteiras ficam acima do teto do Orun, Ogún, senhor de Iré da minha fazenda! Ogún, que quando desceu da montanha cobria-se com roupas de fogo e sangue! Sem sua ajuda é d ifíc il. Senhor da minha fazenda, por favor, proteja-nos para que voltemos vivos dos caminhos. Por favor, proteja-nos para que usemos e cheguemos vivos dos caminhos. Ogún, Senhor de Iré E da minha fazenda! Sao sete os Ogún! Tem sete Ogún! Sete em íré, Tem sete Ogún! íré regozija-se por tornar-se a casa de Ogún. Oya cum prim enta os ferreiros de lá. Ele está bebendo cerveja (em un). Ogún, Senhor de Iré e da minha fazenda! Por favor, venha receber seu ebó, Ogún, Senhor de íré, o im onle a quem eu servírei68
  64. 64. Neste momento, comegam os sacrificios, peladem do preceito. 0 lo m i ntlé à ti f i èj$ w$! Alàa$o n ilé fiim Q n bòra Ogún! Ogún tó dé n i je ajá. Qlóolà n i mu jé ènign. Ogún ìkg la igbín n i je. Ogún gbénòn-gbénòn ó je igi n i t i e. O nílré tàgbède pé-ñ-pé irin n i tòro. Ogún O nílré, Ogún y è e e! Ire owó, ire omo. Ogún olóoko lé ààrò! Ló ó jé oba n ílé ààrò. Ogún tò kgn òde dé im gn! 0 ló jé oba n i gé ààrò. N i gbogbo irúnm onlé bá péjó. Lqnón sawo jé. Ogún y è e e! Ogún O nííré oko m i ó sin imgnle. O lóom i n ílé à ti f iè jè we. Aláaso n ílé f i omg k í í bòra. Ogún, dákun wá gbébo re. Ogún ka lówó owo. Ogún k i a kólé già! Áse, áse, áse! A n i á$$ gngn k í í (orúko Ogún). Ogún ònòn n i ò d i m ò àdé. Ogún dákun màà jé k i gngn O d i mo wá. Ogún, OIó r oko. Ogún, ó pa ñgbá. Ogún ló k i ebg Ig gbé ¡su. O lóroko mgsu t i i isu fíjin n o n . Wònrgn-wònron! O kúnrin gbón-gbon gidi. O kúnrin són-són gidi. O kúnrin wá! O kúnrin wó!
  65. 65. O kúnrin wówo!O kunrin (gbón-gbón — gbón-gbón)O kúnrin gbón-gbón gbéié.Ógún O nífré oko mi.Ogún O nífré ó kó o m i!Ógún dákun iré gbogbo wa.Kó iyá lé wa.Iré gbogbo IQonon ¡re gbogbo!¡re gbogbo won wá wQlé wa.Kó si m i!Iré gbogbo wá léé m i wá.¡re gbogbo,Ase, á$q, áse!Ele tem água em casa e usa tom ar banho de sangue!Ogún é o Senhor que tem roupas em casa, mas veste-se com folhas novas de palmeiras!Ogún é aquele que ao chegar come cachorro.Senhor da riqueza e que pode tornar ricas as pessoas.Ogún que usa marcas tribais come caracol.Ogún carpinteiro é aquele que consomé urna árvore apenas ao encostar-se nela.Senhor de íré que deixa o ferro pequenino como efeito.Ogún, Senhor de fré, salve Ogún!Traga felicidade de dinheiro e felicidade de filhos.Ogún, dono da fazenda e da casa da forja!Ele é o reí na casa da forja.Ogún é quem segue o caminho para chegar ás folhas novas de palmeira!Ele é o reí para quem cortamos antee¡padamente.Com quem todos os irúnm onié juntam-se para suprir suas deficiencias.A quem cultuamos no caminho (ou: Quem é cultuado no caminho).
  66. 66. Salve Ógún!Ógún, Senhor de Iré e da minha fazenda, o Imonle a quem eu serví reí.Senhor que tem água em casa e que usa tomar banho de sangue.Dono das roupas da casa, a quem os filhos cumprimentam ao vest¡rem-se.Ogún, por favor, venha receber seu ebó.Ogún é quem nos ajuda a termos tradigao.Ógún, com quem construiremos a riqueza da nossa casa!Assim, seja, assim seja, assim seja!Nós temos a graga de no caminho cum prim entar (nome do Ogún).Ogún do cam inho é quem conhece o lado errado da espada.Ogún, por favor, nao permita que os caminhosEstejam errados para mim.Ogún, o dono que olha a fazenda.Ogún, ele mata, ele recebe.Ogún é aquele que irá receber oferendas de inhames.Dono que olha a fazenda e conhece o bom inhame apenas olhando á distancia.Ele é irrequieto!Homem irascfvel, mas de m uita importancia.Homem que derruba árvores na floresta e abre clareiras, ele é m uito im portante.O homem que vem!0 homem que olha!O homem que vigia o culto!0 homem com quem é impossível de se ter problemas com ele quando se é cauteloso.Homem irascfvel que protege a casa.Ogún, Senhor de Iré e da minha fazenda.Ógún, Senhor de Iré, o prim eiro para mim!Ógún, por favor, faga-nos todos felizes.Nao castigue nossa casa. 71
  67. 67. Que sejam felizes todos os carninhos, felizes todos! Sejam felizes todos os que estao dentro de nossa casa. 0 prim eiro para ;n¡rn! Sejam felizes todos os que estáo vindo á minha casa. Todos felizes, Assim seja, assim seja, assim seja! — Ao term inar os sacrificios, partem-se os o bi, jgando-os e extraindo as respostas do Órisá: Vejamos as combinagoes possíveis, no jogo de o b iou qualquer outro jogo ritual ístico, cuja composigao se­ja quatro. Tomemos os búzios como exemplo: SIM c o n firm a joga da a n te rio r SIM NAO NAO — Quem está intimamente fam iliarizado com o stema, pode, tranqüilamente, extrair outras informagSes,da seguinte forma: o b i de quatro partes — 2 partes saofemininas e 2 sao masculinas. 1. Um fem inino aberto e os outros fechados — A jé — quer dizer: riqueza. Se olhássemos apenas pelo significado de Okonron, o resultado seria nao,
  68. 68. no entanto, este éum OkQnrQn cheio de prospe- ridade. 2. Um masculino e u^1 feminino abertos — Ejire — quer dizer: amizade. é 11 1 resultado de bom ,7 relacionamento social e Q a oferenda foi bem ue 0 C 0 113 3. Dois masculinos abertos - O kóóron ~ quer d i­ ~ zer: crimes, dificuldades, ameagas e disputas, é um resultado excelente quando a finalidade do que se faz seja perseguir alguem. as se, por exemplo, esta queda tenha safdo após um assen- tam ento de Ógún, ¡st ° significa que este Ogún é um Ebora e o seu culto tem q ue ser feito no mato. . 4. Dois fem ininos abertos - Y e y e -O ro n - quer d i­ zer: fraqueza. é um resultado que indica nao ha- ver progressos, através do ritual feito. 5. Dois masculinos e um fern|nin0 abertos —A k ita — quer dizer: sucesso, porém, depois de rnuitas dificuldades. Este resultado propoe paciencia pa­ ra solucionar os problemas- 6. Um masculino e dois femininos abertos — O bita — quer dizer: neutro- . . 7. Dois masculinos e dois fem ininos abertos _ O fun ta b i A la fia - quer dizer: tud o de bom. Es­ te resultado é a ¡ndicagao de que o sucesso será absoluto. Enfim, o meu objetivo é transm t r práticas rituahs-ticas, observando os cuidados necesarios a sua execupao.Ógún, por exemplo, é um Onsá extremamente perigoso,que está relacionado com o sulfato ferroso^do figado(centro das emopoes humanas — onde a razao fica sem6Sp3£C>) Ogún é um Or¡$á único, com sete qualidades. Urnadélas o destaca como um grande cortador de caberas.Outra, é considerada como o Ogún dos barbeiros e comecábelos. Outra o faz tao violento que comea ferrugemdo p ró prio ferro, o seu elemento- E quan o aparece na 73
  69. 69. qual¡dade de Úgún-Mákin-dé destaca-se como um espe­cialista em comer gente. Portanto, fica aquí o meu aler­ta: de que nao é aconselhável liciar com este Orisá casonao se tenha urna conceppao limpa do seu caráter com-portamental, na Terra e no espaco.74
  70. 70. AS SENTAMENTO DE ÒRÌSÀÀLÀ — 1 bacia de louga ou àgata grande — 1 pedra branca — terra fértil — areia branca — 96 bùzios — 10 pratos brancos — 10 idés de metal branco — 1 quartinha — 1 pilao — 1 ¡rùkqrQ branco — 1 òpà$òrò — 10 e fu n — muitas moedas de níquel ou prata — pano branco de algodao puro — algodao — o riProcedimento — Coloque a terra na bacia e cubra-a com urna ca­mada de areia. No centro colocam-se a pedra, os búzios, asmoedas e os ¡de. 75
  71. 71. — Com os pratos.faga urna circunferencia em voltados objetos, que estao no centro da bacía. — Os efun sao embrulhados no algodao e serviraocomo oferenda permanente. — 0 pílao é o seu assento; o opásóró o seu apoio;e o irükéré é o símbolo de sua realeza e autoridade. — 0 paño servirá para cobrír o assentamento. Estesimboliza a natureza da luz branca do Orisá.Sacrificios — 2 igbin (caracol da térra) — 2 pombos (estes nao sao sacrificados)Comidas —10 Ékuru funfun (¡nhame cozído, socado no pi- lao e embrulhado em folhas de bananeíra) — 10 acagás (éko) — Égbo (canjica branca) com orí — arroz com clara de ovos e mel — sementes de abóbora (tira-se a casca). Fazer um puré com molho de tomate, espinafre e cebóla ralada. — puré de feijao branco (sem pele). Com Orí e ce- bola ralada. — frutas: uvas verdes — flores brancasFolhas de Órísáálá — Cana-do-brejo — Capeba — Folha-da-costa (branca) — G olfo branco — Cajá — Jarrinha — Folha da fortuna — Folha-de-vintém — Rama-de-leite — Beldroega — Folha-de-le¡te — Folha de iro k ó76
  72. 72. EBORI e 9 Muitos sacerdotes e outros estudiosos respeitáveisda cultura afro-brasileira escreveram sobre o ato litú rg i­co, denominado de E borí: Ebo — sacrificio; O rí — cabe-ga. £ urna forma ritual istica de alimentar a cabeca e fo r­talecer a psique. Os textos desses autores comecam sempre nos im-pressionando pela sua composicao, no tocante ao jogode palavras, mas nao tardam em nos decepcionar com asfamosas frases: "É segredo da seita", ou "é segredo re-sen/ado aos iniciados — awo", e a decepcao do le ito r écompleta, porque nao encontrou no corpo da obra oque leu no índice ou na apresentacao. Em resumo, o queesses autores nos dizem é que guardam os principios doato para nao fe rir os preceitos da religiao. Pretexto! Em diversas destas obras encontraremos — e semnenhuma desculpa — receitas abomináveis de feiticarias.E eu pergunto: isso nao fere a dignidade humana? Naofere a concepcao do Candomblé, que visa simplesmenteo encontro, o e q u ilib rio com Olódúmaré? 0 que realmente precisamos fazer é, através da in-formacao (nao-"misteriosa” ), expressar a nossa visáo demundo, de vida e de Deus, sem reticencias. Sem conota- 77
  73. 73. goes que gerem dúvidas e preconceitos, deixando claroque, enquanto outras religíSes creem que Deus perdoaos seus pecados, nós eremos em Oiódùmarè como oe q u ilib rio do Universo. Desta form a, nada é segredo, na­da é m istério, nada é "pecam inoso". Julgo, entao, desne-cessária a omissao do conhecimento a leigos ou a inicia­dos mais novos do culto, sob pretexto de nao possuíremá$e, visto que o áse aumenta exatamente com o pròprioconhecimento do individuo. 0 E b o rí é, sem dúvida, urna das mais belas práticasda liturgia candombleísta. Sua necessidade surge, exata­mente, quando urna determinada pessoa se sente psico­logicamente desestruturada, o que a leva a perturbagoesfísicas e mentáis e sua vida comega a sofrer urna sèrie demudangas indesejáveis. Neste caso, E b o rí é urna obriga-gáo simples, porém mu ito eficiente, e faz com que a pes­soa volte à sua estabilidade emocional.Ritual Primeiramente consulta-se ¡fá, para saber quais saoos Orisà da pessoa. Isso é fe ito para que nao se cometamerros, tais como: oferecer o b í a cabega de um filh o deSqngó; mel aos filh o s de Osóos/; ou dendé aos filhos deÓri§áálá. O ato do E borí, como já expliquei acima, é pa­ra a cabega do in d ivid uo e nao para o Or isa. Podem ser oferecidas para o O rí as comidas sagra­das dos Orí$á, como normalmente se faz, todavía nao érigorosamente necessàrio seguir-se esta regra porque —já que o E b o rí é urna festa para a cabega — ele pode co­mer e beber tudo que o in d ivid u o goste. Alguns detalhesdevem ser observados. Por exemplo: nao oferecer com i­da apimentada ao O rí de quem nao goste deste condi­mento, porque se a pessoa rejeita é si nal de que O rí naoaceita. Se E b o rí é urna grande festa para a cabega da pes­soa, para que esta venha a fica r contente, os participan-78
  74. 74. tes devem ser seus bons amigos, para que venham co-mungar juntamente com a felicidade da pessoa que rece­be o Ebg. Para receber E b o r ía pessoa devé passar por urna sé-rie de rituais de limpeza:Ebp Ikú — Pàdè de azeite-de-dendé — Pàdè de água — Pàdè de mel — 9 àkàrà — 9 èkuru — 9 acapás (e ko) brancos — 9 acapás (eko) vermelhos — 9 ovos brancos — graos: feijáo preto feijáo fradinho feijao carioca arroz (cru) pipocas canjica branca — Legumes: beterraba cenou ra batata inhame cebóla — Verduras: couve repolho alface — Ave: um frango branco — Outros: 1 pano branco do tamanho da pessoa 9 velas 1 alguidar grande — Folhas: pèrègùn, aroeira, sao-gongalinho 79
  75. 75. — Tempero: sal, água, cachaga, azeite-de-dendè e mel.Procedimento — Poem-se as oferendas arrumadas em ordem, aolado, e acendem-se as 9 velas. — Pega-se o alguidar e coloca-se-o em frente à pes-soa. Esta deve estar com a coluna bem reta e relaxada.De olhos fechados, com 9 ataare na boca e pedindo paras¡ tudo de bom. — Poe-se um pouco de sal dentro do alguidar ediz-se: I yo, ¡yo, /ó gè ly ò /ó gè — Em seguida poe-se um pouco de água e diz-se: Sé kara tú om¡ K¡ odó bo k i ara tú om¡ K io d ó bo — Poe-se um pouco de cachapa e diz-se: E bara o t í E n i là o r í o ó E bara o t í E nilà o r í — Poe-se um pouco de azeite-de-dendè e diz: /rójú o tobé Epo ¡rójú q/obé epo — Por ú ltim o , poe-se mel e diz-se: ó dún bá t i olà80

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