5.a experiencia da formação do caráter de cristo em nós

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5.a experiencia da formação do caráter de cristo em nós

  1. 1. A experiência da formação do caráter de Cristo em nós NOTAS A EXPERIÊNCIA DA FORMAÇÃODO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS 136
  2. 2. A experiência da formação do caráter de Cristo em nós NOTASA EXPERIÊNCIA DA FORMAÇÃODO CARÁTER DE CRISTO EM NÓSEsboço do Planejamento do Curso Meta Que você possa expressar completamente a beleza dapessoa de Jesus através de você. Que Seu caráter humilde e santose mostre através da sua vida. Outros Objetivos • Que você descubra que a vida cristã é uma parceria com o Espírito Santo e que para ser transformado em seu caráter Ele espera a sua resposta. • Que você comece a ser sensível à voz de Deus compreendendo quando Ele quer tocar em alguma área sensível. • Que você veja a mão do Senhor operando através de circunstancias, pessoas e pressões e dê a Ele a resposta esperada. • Que se possa reconhecer em você os traços de humildade, quebrantamento e espírito ensinável assim que essas verdades começarem a ser compreendidas e aplicadas na sua vida. Sugestões Bibliográficas 1. O QUEBRANTAMENTO E A LIBERAÇÃO DO ESPÍRITO -T. S. Watchman Nee 2. VIDA QUE NASCE DA MORTE – T. A. Hegre 3. O HOMEM ESPIRITUAL VOL. I, II E III - T. S. WatchmanNee 4. VIDA EM PROFUNDIDADE – Paul BillheimerRecomendações Muito Importantes Diga ao Senhor em oração que você está abertohumildemente aos seus tratamentos em sua vida e a partir daíobserve os acontecimentos e circunstâncias agindo de modo aentrar no padrão de Jesus. Não se desanime se não consegueresponder em tudo. As mãos do Senhor, o oleiro, não desistirão devocê, mesmo que falhe. Volte ao altar da consagração e diga aJesus que está disposto a repetir a cartilha até a Sua imagem serformada completamente em você. E lembre-se! Esse processodurará a sua vida inteira.Avaliação • Descreva a experiência do cooperar com o Espírito Santo. • Defina o que é caráter. • Como o caráter de Cristo é formado em sua vida? • Como o seu responder pode apressar ou atrasar esse processo? • Pessoas duras experimentam situações mais drásticas? Por que? • Como o quebrantamento opera em nós? Qual seu resultado? 137
  3. 3. A experiência da formação do caráter de Cristo em nós NOTASA EXPERIÊNCIA DA FORMAÇÃODO CARÁTER DE CRISTO EM NÓSO Caráter De Cristo Em Nós É Formado Pela Cruz O caminho para o caráter de Cristo é o caminho da operaçãoda cruz em nós. Não há outra maneira das marcas do caráter deCristo serem formadas, a não ser pela cruz. E a cruz é oquebrantamento da vontade e força humana pela ação doSenhor.Deus prepara circunstâncias e situações que tratam comnossas vontades para que possamos ser quebrantados. É atravésda lei da cruz (Mt. 16:24) que somos formados em nosso caráter. Esta lei opera em nós, moldando-nos e ensinando-nos a vidado Espírito. Não há como conter o processo dos tratamentos doSenhor para formar o caráter cristão. Como é bom vivermos e nosrelacionarmos com pessoas quebrantadas e doces, que foramtratadas por Deus. A cruz é que opera em nós a beleza do Senhor.A cruz é o instrumento de Deus para moldar-nos à semelhança deCristo. A cruz é que nos capacita para termos o caráter que suportao poder de Deus. Antes de Jesus subir, Ele desceu (Ef. 4:8-9). Esteé o princípio de Deus. Antes de conhecermos o poder e a glóriatemos que ser tratados pela cruz de Cristo. Quanto mais alto Deusfor nos levar, significa que mais tratamentos precisamos ter emnosso caráter. Existe um princípio aqui: As pressões e tentaçõesaumentam à medida que subimos em Deus. Por isto, mais base decaráter uma pessoa precisa ter na guerra contra o mundo espirituale o pecado. Jesus passou tal pressão que suou gotas de sangue(Heb.12:4). O caráter do obreiro precisa ter sido formado pela cruz.A maturidade emocional e espiritual vêm pelos tratamentos da cruzde Cristo. Os homens de Deus precisam ser homens que vencemos ataques do inimigo em sua mente e emoções, e isto vem peloquebrantamento. Não podem ser pessoas frágeis que cedem àspressões malignas sobre a carne. O alicerce de uma casa é a partemais delicada da construção. Da mesma forma, na Igreja, ter líderesfortes, tratados e preparados é a parte mais delicada e maisimportante da construção. As pressões não vêm somente pelosataques do inimigo mas também pelos princípios que envolvembusca de Deus. As vezes, quanto mais buscamos ao Senhor,parece que tanto mais os céus se fecham e se tornam de bronze. Éum princípio que precisamos saber: os que buscam ao Senhor, quemuitas vezes oram e jejuam, sentem muita resistência eaparentemente nada acontece. Ou às vezes as pressões eproblemas aumentam. Este princípio está ligado ao fato de que noscéus algo está sendo gerado e por isto estamos pagando opreço.Sempre, antes da visitação de Deus e dos avivamentos, oshomens usados sofrem, choram e gemem, até que a mão doSenhor seja livre para operar. Portanto, como obreiros de Deusnecessitamos conhecer estes caminhos, e estarmos preparadospara enfrentá-los. 138
  4. 4. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósDefinição De Caráter NOTAS O caráter refletirá os traços da natureza pecaminosa (sendoinfluenciado pelo mundo), ou os traços da natureza divina (sendoinfluenciado pela Palavra de Deus). Caráter é a soma total de todasas influências positivas ou negativas, aprendidas na vida de umapessoa. Se manifestará através dos seus valores, motivações,atitudes, sentimentos e ações. Em Hb. 1:3, o escritor afirma que Cristo é o próprio caráter deDeus. Caráter é como uma marca impressa que distingue a pessoa.O caráter de Deus que foi impresso em Jesus Cristo precisa serimpresso na Igreja para que, desta forma, o mundo creia em Deus.Nossa primeira decisão é crer. Devemos ter uma decisão de seguira Jesus tornando-nos seus discípulos e, por fim, sermos feitosconforme Sua própria imagem (Rom. 8:29 e I Cor. 15:49);identificados, desta forma como cristãos. Caráter no grego significa IMAGEM.Heb. 1:3, Afirma que Cristo é o próprio Caráter de Deus, a própriaestampa da natureza de Deus, aquele em que Deus estampou ouimprimiu Seu ser. Caráter é o sinal identificador da natureza de qualquer ser oucoisa (dicionário de Psicologia- Cabral e Nick). É o conjunto deaspectos que caracterizam o Ego. O caráter é formado pelaaprendizagem. Todo ser humano a partir do seu nascimentocomeça a receber influências do meio ambiente onde se encontra.Estas influências são assimiladas e com o tempo passam a fazerparte do caráter. Esse processo de aprendizagem é feito poridentificação, imitação, punição, e recompensa. O propósito é que ohomem se torne à imagem do seu Filho, o Senhor Jesus Cristo,Deus-homem. Este propósito não mudou. A queda do homem nãomudou este plano e propósito de Deus. Desde Adão, passado porJesus e pela Igreja o plano de Deus será sempre o mesmo - Heb.2:10 " Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quemtodas as cousas existem, conduzindo muitos filhos à Glória,aperfeiçoasse por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles."Se a igreja deve atingir esta meta, seus líderes devem mostrar ocaminho, devem ir na frente. O caráter e a personalidade do SenhorJesus Cristo devem ser desenvolvidos nos líderes da Igreja antesde ser formado no Seu povo. O caráter de alguém será conhecidoatravés de três maneiras.Forma de Pensar A forma de pensar de uma pessoa é percebida pela maneiracomo ela constrói a sua escala de valores. O meu caráter édeterminado em primeiro lugar pelo aspecto moral, ou seja, aquiloque eu considero correto, errado, permitido, proibido e assim pordiante. Se eu aprovo aquilo que definitivamente é errado então sepode dizer que o meu caráter é defeituoso, um "Mau Caráter".Quando nos convertemos a primeira coisa que devemos fazer érenovar a nossa mente. Renovar nesse caso significa mudar a 139
  5. 5. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósminha maneira de perceber as coisas e também a minha escala de NOTASvalores. A vontade de Deus é que tenhamos o caráter de Cristo, asua mente (I Cor. 2:16).Estilo de Vida O estilo de vida de uma pessoa é determinado pelos seusalvos, hábitos e costumes. Se o meu grande alvo na vida é ganhardinheiro, eu devo desenvolver um estilo de vida compatível comesse alvo. Devo desenvolver os hábitos e costumes coerentes como que quero alcançar. Se eu quero ser atleta e não treino há algoerrado. Se eu quero me desenvolver nos estudos mas não meaplico a ler em casa também há algo errado. O estilo de vida fazparte do nosso caráter, a prova disso é que normalmente pessoasde uma mesma profissão apresentam características de carátersemelhantes. Não é difícil percebermos isso em empresários,caminhoneiros, programadores, etc.Conduta A conduta é o conjunto de comportamentos que aprendemose que se firmam dentro de nós. Conduta é tudo aquilo que fazemos,falamos, sentimos, esperamos e desejamos. A conduta semanifesta na minha relação com outras pessoas. O meucomportamento diante de outras pessoas manifesta o meu caráter,ou seja, a minha forma de pensar e os motivos que vão dentro docoração. Estes três elementos compõem o nosso caráter.Evidentemente eles não podem ser observados separadamente. Emtudo aquilo que fazemos manifestamos estes três aspectossimultaneamente.Todos nós ao nos convertermos já possuímos umcaráter formado. Esse caráter foi formado por tudo aquilo querecebemos de nosso meio ambiente. Muito daquilo que aprendemosestá correto mas existem partes da nossa forma de pensar, donosso estilo de vida e da nossa conduta que devem sertransformados.Todo o nosso crescimento espiritual é demonstrado pelo nossocaráter. Se com o passar do tempo acumulamos muitoconhecimento, mas não demonstramos nenhuma mudança nocaráter isso mostra que o conhecimento foi em vão. Deus estáprofundamente interessado em nossa conduta. Jesus e osApóstolos gastaram muito espaço para tratar de frutos, decomportamento, de conduta, de coração, como vemos: Mt. 5:48 – “... portanto, sede vós perfeitos como perfeito é ovosso Pai celeste”. II Cor 13:9 –“... porque nos regozijamos quando nós estamosfracos, e vós, fortes, e isto é o que pedimos, o vossoaperfeiçoamento”. Gl. 4:19 – “Meus filhos, por quem de novo sofro as dores departo, até ser Cristo formado em vós”; 140
  6. 6. A experiência da formação do caráter de Cristo em nós Ef. 1:4 – “Assim como nos escolheu nEle antes da fundação NOTASdo mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele”; II Tm 3; 17 – “A fim de que o homem de Deus seja perfeito eperfeitamente habilitado para toda boa obra”. II Pe. 1; 3 –“ Visto como pelo seu Divino poder nos tem sidodoadas todas as cousas que conduzem à vida e à piedade, peloconhecimento completo daquele que nos chamou para sua própriaglória e virtude”. Em Rom. 8:29 vemos que o propósito eterno de Deus é termuitos filhos, mas não apenas isso, estes filhos devem sersemelhantes a Jesus. Deus quer filhos que manifestem o caráter deJesus. Quando o homem caiu o propósito de Deus foi apenasadiado, não foi mudado. A Igreja do Senhor deve atingir esta meta eos seus líderes devem mostrar o caminho, devem ir à frente dorebanho. O caráter de Senhor Jesus deve ser desenvolvido noslíderes da Igreja antes de ser formado no seu povo. Não são poucos os escândalos que têm surgido entre líderesinvestidos de autoridade que não receberam aprovação no caráter.Um líder que apresenta deficiências sérias em seu caráter possuiassim, um grande obstáculo para a atuação de Deus em sua vida.As deficiências de caráter nas vidas dos membros da igreja sedevem, em grande parte, aos próprios líderes. Em certo sentidoigreja é o retrato da sua liderança. Líderes relapsos geram um povorelapso. Líderes preguiçosos geram um povo igualmentepreguiçoso. Se a liderança é imatura inevitavelmente também opovo o será. Nunca será demais enfatizarmos o caráter do obreiro,pois isto determina o sucesso no ministério. Somente um caráterformado e aprovado pode suportar as pressões da obra e asdificuldades do ministério.A Diferença Entre Caráter e Dons Existe uma distorção que tem assolado a Igreja do Senhordurante os séculos: a valorização dos dons em detrimento docaráter. Um dom é uma dádiva de Deus. Deus concede a todosindistintamente. Os dons podem ser: naturais ou espirituais. Osdons naturais são aqueles com os quais nascemos como:inteligência, astúcia, memória, capacidade do tocar, cantar, praticardeterminados esportes, etc. Os dons espirituais nos são concedidospelo Espírito Santo como instrumentos na sua obra: I Cor. 12:7-10.Os dons são muito úteis mas são secundários. Deus coloca emprimeiro lugar a vida e o caráter. Todos podem achar que umdeterminado irmão que possui uma grande inteligência ecapacidade extraordinária de memorização deverá se tornar umgrande pregador. Isto é um tremendo equívoco e não passa dementalidade mundana. A Igreja de Deus não é edificada com essascoisas. Se tal irmão ainda não passou pelo processo da Cruz nãoserá útil para Deus, apesar do seu dom. Outra pessoa pode ainda pensar que outro irmão, por ter umdom de cura e discernimento de espíritos, venha a ser uma coluna 141
  7. 7. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósna casa de Deus. Isto também é um engano. Os dons são úteis mas NOTASnunca podem ser a base da obra de edificação da Igreja. Este é omotivo por que existem tantos escândalos: priorizamos mais o domque o caráter. Os dons, sejam espirituais ou naturais, devem passarpela Cruz antes de serem úteis. O ministério é edificado sobre ocaráter e não sobre os dons. Deus não vai enviar ninguém semantes tratar com o seu caráter. Os dons atraem os homens mas ocaráter atrai a Deus. No livro de Êxodo encontramos um exemplo clássico doequívoco de se priorizar os dons. A palavra do Senhor diz que opovo de Israel estava sendo escravizado por Faraó. Moisés era ohomem que Deus havia escolhido para levar a cabo o seu propósito.Moisés havia sido criado no palácio de Faraó e recebeu a melhorinstrução da época, era um homem excepcionalmente talentoso. Opróprio Moisés tinha algum entendimento desse fato e em certomomento se dispôs ele mesmo a libertar o seu povo da escravidão (ver Ex. 2:11-15 ). Moisés se achava capaz e perfeitamentehabilitado por que possuía a instrução Egípcia. Deus porém colocaMoisés de molho por quarenta anos no deserto de Midiã até que oseu caráter pudesse ser aprovado por Ele. Do ponto de vista naturalMoisés já estava pronto aos quarenta anos quando matou o egípcio,mas do ponto de vista de Deus precisou de outros quarenta anosaté ao ponto de não mais confiar na sua força ou nos seus talentos.( Ver Ex. 3:10 ). Quanto mais um homem confiar em si mesmo, nosseus talentos naturais, menos utilidade terá para Deus.O critério de Deus sempre é escolher o que se acha frágil, incapaz edesqualificado. A glória de Deus se torna manifesta quando pessoasa quem não reputávamos qualquer valor se levanta em poder eautoridade. Fica patente que Deus é quem faz e não é um simplesuso de talentos especiais.A Formação Do Caráter " Porque é Deus quem efetua em vós tanto o querer como orealizar..." . Todos nós desejamos ter um caráter aprovado por Deus.Todos nós queremos agradar a Deus e por isso ficamos apenasesperando saber as normas para começarmos a praticá-las. A vidacristã não é um mero cumprimento de normas e preceitos pois nãoestamos mais debaixo de domínio da lei. A vida cristã se resumesimplesmente em:" Cristo em vós " ou seja, a vida cristã consiste,em poucas palavras, na dependência completa do Espírito Santoque habita em nós. É Ele quem muda o nosso querer e também éEle quem nos capacita a fazer a sua vontade. Ele é tudo em todos.Jesus é a nossa bondade, a nossa mansidão, a nossa justiça, Elena verdade é tudo o que necessitamos. Tudo o que precisamos jáestá em nós na pessoa do Espírito Santo. Seria muito fácilcomeçarmos a nos esforçar para cumprir um conjunto dequalidades, não é essa, porém, a nossa proposta. Desejamos queos irmãos tenham revelação do pleno suprimento de Deus paranossas vidas pois na medida em que entendermos isso, as 142
  8. 8. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósqualidades de caráter naturalmente vão tomando forma. O pleno NOTASsuprimento de Deus para nós é Cristo Jesus que habita em nós.Seja Ele a nossa vida. Seja Ele tudo em todos. Não adianta falarmos de caráter e conduta se nós ainda nãonos apropriamos do pleno suprimento de Deus para nós: alibertação do velho homem, do poder do pecado, a nossajustificação e regeneração em cristo, a dependência completa doespírito e o andar no espírito. Precisamos nos apropriar destasgrandes realidades espirituais, mas não apenas isto, precisamosaprender a perceber a direção de Deus em nosso espírito, fazermosseparação entre ALMA - ESPÍRITO, e conhecermos a prática darenúncia diária do EU no princípio da Cruz. Todas essasexperiências devem ser compreendidas no espírito.Quando enfatizamos muito as qualidades recomendáveis, corremoso risco de estabelecermos um amontoado de regrinhas que nãoestão na Bíblia. Tais como: cinco passos para vencer a ira; dezpassos para vencer a lascívia. etc. Essas coisas não funcionam enos desviam do centro da vida cristã. CRISTO É A NOSSA VIDA. Avida do cristão é Cristo. Muitos pensam que podem ser santos setão somente conseguirem vencer certos tipos de pecados. Outrospensam que sendo humildes e gentis são vitoriosos. Ainda algunsimaginam que orando mais e lendo a Bíblia, tendo cuidado parajejuar e vigiar então alcançarão um caráter Santo. Outros concebema idéia de que somente matando o Ego terão vitória. Todas estasfórmulas tem a aparência de piedade e sinceridade mas tudo isso évão. Não podemos viver a vida cristã usando mil e uma fórmulaspara os mais variados problemas. Na prática não funciona. O queDeus deseja é que entendamos que Cristo é a nossa vida, o perfeitosuprimento de Deus para todas as nossas necessidades.Com este entendimento em vista vamos estudar alguns princípiosfundamentais que aumentarão a compreensão de que Cristo é defato a nossa vida.A Formação Do Caráter Através Dos Tratamentos De Deus É a graça de Deus que me capacita a fazer as coisas certasdiante de Deus(II Pe.1:1-11). A leitura deste texto nos ajuda nacompreensão do processo que Deus usa para desenvolver o caráterde um cristão. Deus, através de Jesus Cristo, nos provê a Suaprópria natureza. As promessas Divinas nos foram outorgadas ( verII Pe.1:4 ), e o poder de Deus é a nossa garantia de que Elerealizará em nós as mudanças necessárias. ( ver II Pe.1:3 ).Somente através de uma atitude diligente podemos alcançar oaperfeiçoamento do nosso caráter, precisamos ter a decisão desermos semelhantes a Cristo, termos em nós a natureza Divinaamadurecida ( ver II Pe.1:10 e 11 ).A vida cristã é um processo. Precisamos vencê-la passo a passo,cada degrau corresponde a um novo nível alcançado, nova vitóriaem determinada área, até alcançarmos o topo da escada. Aresponsabilidade de Deus é prover a todo crente a própria naturezaDivina através do arrependimento do pecado e da fé em Jesus 143
  9. 9. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósCristo. A responsabilidade do homem é aplicar e cumprir esta NOTASrealidade em sua vida.Deus tem dado por direito aos crente, tudo oque é necessário para uma vida santa: AUTORIDADE E PODER. Ocristão tem o que precisa para desenvolver um caráter maduro,seguindo o Senhor Jesus.Descrevendo O Processo Todos nascemos em iniqüidades e fomos formados empecado. Todos temos por nascimento uma natureza caída, que nosacompanhará ou não por toda a vida. A natureza caída do homemnão está em harmonia com nenhuma das coisas do Senhor. Deuscolocou diante do cristão a meta da perfeição. Maturidade espiritualé a meta Bíblica para todos os que estão em Cristo Jesus. Por vezes a carnalidade do homem não permite que eledesenvolva seu caráter como as Escrituras ordenam. Esta naturezahumana é tratada definitivamente pelo Poder da Cruz, mas o Ego éa principal razão pela qual o homem precisa do tratamento de Deus.Cada cristão precisa do tratamento de Deus para motivá-lo aprosseguir em direção à perfeição espiritual.O Propósito Do Tratamento O cristão necessita do tratamento de Deus em sua vida porque possui áreas escondidas em sua vida que devem ser reveladas.Deus deseja revelar estas áreas escondidas de pecados em nós, demaneira a nos ajudar a crescer. As Escrituras afirmam que é Deusquem revela tais segredos. Deus revela os nossos pecados ocultos para que nãosejamos destruídos, nem o nosso ministério. Deus revela estasáreas escuras, que estão presentes dentro de nós, para querenunciemos a elas. Para que isto aconteça o cristão precisa dagraça de Deus por que, humanamente, a tendência é cobrir suaspróprias falhas e fraquezas. O homem deseja sempre defender-se eesconder os motivos do coração. Deus deu ao cristão o Seu Espírito Santo. É o Espírito quemrevela as necessidades espirituais do homem, sondando o coraçãodo cristão para revelar os pecados que devem ser abandonados. Apalavra "revelar" significa retirar a tampa, e a palavra "ocultar"significa esconder, cobrir, cobrir a vista, ou encobrir o assunto. Deustenta retirar a cobertura de cima do homem, enquanto que o homemfaz tudo para retê-la. Há vários homens nas Escrituras que ilustram o fato depecados ocultos. O começo de suas vidas contrastou drasticamentecom o fim delas. Começaram bem e acabaram tragicamente.Os homens podem começar bem mas, se tiverem pecados ocultosem suas vidas, os quais não confessam, mas os alimentam semarrependimento, estarão destruindo suas vidas e ministérios. Em IISm. 1:19, Davi lamentando a morte de Saul e Jônatas, chama três 144
  10. 10. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósvezes:" Como caíram os valentes! ". Nesta lamentação Davi NOTASdescreve os "valentes" no inicio da vida ministerial como: • Formosos ( ver Vs. 19 ) • Poderosos ( ver vs. 19 ) • Amados e queridos ( ver Vs. 23 ) • Mais ligeiros do que as águias ( ver Vs. 23 ) • Mais fortes do que leões ( ver Vs. 23 ) Muitos homens de Deus tem seu bom começo mas emfunção do pecado secreto, da falta de operação do Senhor em seucaráter, acabaram num fim trágico. Veja alguns exemplos: Saul I Sm. 10 Espírito independente I Sm.31 Salomão II Cr. 1:7-17 Orgulho, cobiça, I Rs.11, valoreserrados, auto-confiança. Sansão Jz. 14:15-15 Luxúria, cedeu às suas Jz.16:20-27emoções e sentimentos errados. Todo líder precisa lembrar que o propósito dos tratamentosde Deus é revelar seu coração para que ele não caia. Algunsexemplos Bíblicos de homens que começaram bem e terminaramem tragédias, por não entenderem os propósitos do tratamento deDeus em suas vidas.Propósito De Deus No Tratamento Transformar o Crente à Imagem de Jesus Cristo Esteprocesso é relatado em II Cor. 3:18. " E todos nós com o rostodesvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor,somos transformados de glória em glória, na sua própria imagem,como pelo Senhor, o Espírito ".A palavra "transformar aqui, no Grego, " metamorphos", significa:Mudança completa de um formato em outro. É a raiz da palavracientífica usada para descrever o processo de transformação deuma lagarta em borboleta. Este processo leva tempo e gastaenergia. A lagarta muda de um formato para um outrocompletamente diferente.O cristão também precisa passar por uma metamorfose a cada dia.O cristão que segue ao Senhor e responde positivamente tem maise mais, da sua natureza restaurada e transformada à imagem doSenhor Jesus.Limpar toda sujeira Deus quer nos tornar puros. Ele está constantemente levandoseu povo ao fogo através dos seus tratamentos. Em todo o mundo,está havendo muita pressão e calor sobre o povo de Deus. Estecalor está ordenado por Deus, para purgar seu povo. A palavra"purgar" significa refinar, tornar puro, mudar pelo calor. O povo de Deus, como o metal, é preparado para uso. Todaa sujeira e sobras extras são trazidas à superfície para seremlançadas fora. Escória é aquilo que é lançado fora, matéria que 145
  11. 11. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósdobra, a parte não aproveitável. Deus está nestes dias removendo NOTAStodo o excesso e escória dos seus líderes. Ele quer odesenvolvimento do caráter em todos os seus líderes ( Is 1:22-25,Ez. 22:18-19, Mt. 3:12, II Tm 2:21 ).Deus quer limpar as nossas vestes O pisoeiro era um artesão que limpava todas as fibras de umpano, para que o material pudesse se tornar um lindo traje.Freqüentemente, ele estabelecia seu negócio perto de riachos, edepois de lavá-los várias vezes, os estendia sob pedras achatadas.Depois ele batia os panos crus com um bastão de pisoeiro. Estebastão era enorme e tinha dentes de ferro que serviam para extrairsujeira dos panos. Conforme ele batia nos panos crus, todos osfragmentos e sujeira subiam a superfície e a água os varria. Poreste processo, o material era limpo. Após a limpeza, o materialestava pronto para o artífice, para transformá-lo em um magníficotraje. Malaquias 3:1-3 diz que Jesus é como "o fogo do ourives ecomo a potassa dos lavandeiros..." e Ele sabe como nos bater semmachucar. Deus tem um bastão que usa para extrair toda a sujeirada vida dos cristãos. Deus não usa seu bastão simplesmente paraostentar o poder, mas usa-o para limpar as vestes dos seus filhos.Deus quer produzir frutos em nossas vidas Em João 15 temos a parábola da vinha e dos ramos. Oagricultor que poda a vinha deverá, às vezes, usar a tesoura depodar. Os galhos mortos devem ser cortados de maneira a nãoextrair a seiva necessária dos galhos vivos. Os galhos que não dãofrutos são cortados. Mas as varas que dão frutos, são podadas paradar mais frutos. Deus irá podar, purgar, refinar e cortar as varas quedão frutos para produzirem mais frutos. O propósito de Deus ésempre positivo e redentor. Aqueles que desejarem mais frutosserão os mais podados.O propósito do tratamento de Deus é preparar os vasos paraservi-lo A partir do momento em que o vaso é formado do barro até omomento em que é retirado do forno, ele e submetido a umprocesso definido de formação. A aplicação das mãos do oleirosobre o vaso às vezes é dura e firme. A roda do oleiro, o forno, tantoquanto as mãos do oleiro, são todas partes vitais na preparação dovaso. O propósito de Deus nessa situação é ter o vaso para suahonra - Jer. 17:1-10; II Tm 2:19-20. As Escrituras indicam que Judas, o apóstolo caído, e traidorde Jesus Cristo, enforcou-se no campo do oleiro ( Mt. 27:1-10 ).Neste campo foi encontrado um vaso humano, rejeitado, corrompidoe mutilado, vaso para desonra, como tantos outros.Faltou algo na preparação de Judas como líder. O propósito dotratamento de Deus, na vida de Judas, tanto quanto na vida de 146
  12. 12. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósqualquer outro cristão que esteja sendo treinado para liderar, é NOTASexpor as falhas do vaso rapidamente, para que Ele possa tratar comas falhas e curá-las e deste modo usar o vaso para honra. Deusquer usar os vasos eficazmente para um propósito específico e nãodestruí-los.Deus quer trazer crescimento às nossas vidas Em Is. 54:2 o profeta proclama: " amplia o espaço de tuatenda ". Figuradamente isto pode significar que Deus quer ampliar acapacidade daqueles que estão se preparando para liderar SuaCasa, a fim de que recebam mais do Senhor. II Samuel 22:37declara que o Senhor pode alargar os passos dos líderes. Is. 60:5diz que o coração da pessoa pode ser dilatado a fim de que seu"depósito espiritual " também aumente. O propósito do tratamentode Deus é nos alargar de muitas maneiras. Deus deseja expandir onosso ministério e a nossa função na casa do Senhor, assim comoo nosso caráter.Algumas áreas em nossas vidas onde podemos dizer que Deusquer alargar: • Nossa Visão - I Cr.4:10 • Nossos Passos - I Sm. 22:37 • Nossos Corações - Is. 60:5 • Nossas Fronteiras - Ex.34:24 • Nossa Força - I Sm. 2:1 • Nossa Habitação - Ez.41:7, Pv.24:3-4, Is. 54:2 • Nosso Ministério - II Co. 6:11 e 13,II Co. 10:15-16Deus quer através do tratamento em nossas vidas, nos levar auma busca intensa da sua pessoa O Senhor trará as pressões e o calor sobre os líderes emperíodos específicos, para motivá-lo a buscá-lo. A pressão não épara desviá-los mas, para colocá-los na direção de Deus. Muitasvezes, os tempos difíceis e as circunstâncias duras são malinterpretadas pelo líder em preparação. Todos estes tratamentossão para motivar o homem a se voltar para Deus como a sua únicaforça. Um líder deve aprender a buscar a Deus em tempos difíceis,para que aprenda a ajudar outros a fazer o mesmo. Jesus aprendeupelo que sofreu. É a experiência que nos capacita a conduzir outros.Deus quer mais do seu espírito fluindo em nossas vidas As Escrituras retratam o vinho como indicativo do Espírito deregozijo (Mt.9:17, At.2:13-16;Ef.5:18). O tempo da colheita era umtempo de alegria para todo o povo. Após o longo período de espera,era finalmente hora da colheita. Neste tempo, toda a família seenvolvia na sega. 147
  13. 13. A experiência da formação do caráter de Cristo em nós As mulheres e as crianças colocavam nas cabeças as uvas NOTAScolhidas.Levavam estas uvas para grandes tonéis de pedras. Ondepisadores aguardavam descalços as uvas a serem esmagadas. Ospisadores então iniciavam o processo de andar por cima das uvasmaduras, apertando-as para a extração do suco. Enquanto opisador fazia isto ele se segurava na viga de madeira que estavaligada ao mastro no centro do tonel. A maior parte do seu peso,descansava nesta viga, de maneira a não pisar com demasiadaforça sobre as uvas. Se ele pisasse forte demais sobre as uvas, eleesmagaria a semente juntamente com a uva. Se isto acontecesse ovinho se tornaria amargo, prestando somente para dar aos animais. A aplicação é maravilhosa. Deus é o pisador das uvas quesomos nós. Ele deseja que o vinho do Seu Espírito flua das nossasvidas e ministério. Ele nos aperta. Este é um processo duro,doloroso, mas Deus nunca esmagará nossos espíritos ( a sementeda uva ) para não nos tornar amargos. Uma vida amarga não é boapara ninguém. Deus não deseja líderes amargos. Ele quer que ovinho novo e fresco do Seu Espírito flua através de nossas vidas.Através dos tratamentos Deus quer nos dar nova visão Em II Co. 4:16-18, Paulo enfoca esta realidade. Todas aspressões, aflições e provas que vem sobre nós agora, são paraoperar algo eterno. Não devemos olhar apenas para o presente,analisando aquele momento. Precisamos encarar o futuro,pensando no fruto eterno que será em nós, e através de nós, navida de outros. Dons são dados, mas o caráter é desenvolvido. Ocaráter tem valor eterno, irá conosco para a Eternidade (ver I Co.13:8 e 13).Nossa Atitude Diante do Tratamento de Deus Termos o caráter desenvolvido à semelhança do de JesusCristo é muito mais importante do que as aflições que possamosviver nesta vida. Suportando estas aflições no presente teremos ocaráter de Jesus Cristo sendo desenvolvido em nós.Nossas atitudes ou reações diante das circunstâncias que Deus usapara tratar conosco definem nossa aceitação do tratamento, ou não.Algumas atitudes que devemos desenvolver quando passamos porprovas:• Oração - ( ver Tg. 5:13 ).• Contrição - ( ver I Pe.4:19 )• Reflexão - ( ver Hb. 12:3 )• Louvor - ( ver Sl. 74; 21).• Suportar as Circunstâncias - ( ver Mt. 10:22 e Ico. 10:13)• Gozo - ( Ver Mt. 5:12 e Rm. 5:3 ).• Disposição para Mudança - ( ver II Sm. 12:13 ). Resistir geralmente quer dizer "se segurar ou ser indiferentedurante os tratamentos".Em Jacó vemos uma atitude certa em 148
  14. 14. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósresposta aos tratamentos de Deus. Através das Escrituras Deus se NOTASidentifica com três homens. Muitas vezes Deus disse: " Eu sou oDeus de Abraão, de Isaque e de Jacó ". Sendo o Deus de Abraão,nos fala que é um Deus que guarda o concerto. Sendo o Deus deIsaque fala do Deus dos milagres. Mas, quando a Escrituraproclama que Ele é o Deus de Jacó, fala de Deus como sendo Deusda mudanças, pois mudou o nome de Jacó, e a sua natureza desuplantador, para Israel.Diante do tratamento de Deus podemos ter duas atitudes: Podemos ter a atitude de Cristo que se humilhou e cedeu efoi à cruz ou ainda a atitude da serpente. Esta é arrogante e sedefende em tudo e acaba por se rebelar contra Deus. Estas duasatitudes se contradizem. Alguns líderes aprenderam a responder aDeus como Cristo outros como uma serpente. E você? Reage aostratamentos de Deus como um verme ou como uma serpente?Nossa Atitude Como Resposta Devemos aceitar o tratamento de Deus em nossa vida,crendo que " Todas as coisas cooperam para o nosso bem ",visando um fiel proveito: O aperfeiçoamento ( maturidade ) do nossocaráter. Todos aqueles poderosos homens de Deus iniciaram seusministérios com o esplendor do sucesso e terminaram derrotados.Possuíam qualidades positivas no início de suas vidas e ministérios.Por exemplo: humildade, sabedoria, fé, conhecimento, unção,coração pronto para Deus. Apesar de todas as qualidades sólidas efortes que porventura possuamos devemos ter sensibilidade eobediência ao Senhor, inclusive durante os tratamentos em nossasvidas.Os tratamentos de DeusO Deserto e As Circunstâncias Todos os grandes nomes mencionados na Bíblia, foram dehomens que antes de realizarem qualquer coisa relacionada ao seuministério, passaram pelo deserto. Foram colocados à prova, sobforte pressão, pois o alvo de Deus era formar um " CARÁTER "solidificado. Muitos foram levados "Literalmente" ao deserto, outrospassaram por provas dificílimas. Alguns fizeram do deserto suaprópria casa, outros não aceitaram esse tratamento. Não há naBíblia nenhum homem que teve um Ministério próspero ereconhecido sem ter passado pelo deserto, e todos que tentaramassumir posições, sem a devida formação foram lançados por terra.O alvo de Deus para nossas vidas é que sejamos completamenteaprovados em nossas atitudes, nas motivações do nosso coração,que sejamos a expressão de Cristo para as pessoas no seuquebrantamento, amor e brandura. O poder de Deus expressasempre Sua Grandeza e Glória, por outro lado o caráter de Cristo 149
  15. 15. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósem nós revela Sua pessoa. Deus não tem como meta apenas NOTASrevelar Sua Grandeza, Ele quer revelar-se. Mas como homensduros, obstinados, arrogantes e cheios de si podem chegar a essaposição de expressarem Cristo? Através dos tratamentos de Deus.Dentre estes os mais eficientes são o Deserto e as Circunstâncias.O Que é o Deserto? O deserto aponta para uma fase em nossas vidasdeterminada por Deus para nos amadurecer e aprofundar norelacionamento com Ele. É um tempo difícil para a carne e para oEgo, pois normalmente o deserto vem para golpeá-los. A Bíblia diz que Deus é Pai, que nos ama e zela de nós comgrande cuidado. Quando estamos no deserto, normalmente nosentristecemos achando que Deus não nos ama, não nos ouve e quenos rejeitou. Mas é exatamente o contrário! Nunca gostamos dodeserto porque somos infantis no conhecimento de Deus. Tal comoas crianças, nós gostamos do que é agradável mas detestamos oque nos causa desprazer. Deus não tem compromisso em nos seragradável. Ele tem a decisão de fazer o que é melhor. Muitas vezeso que fazemos não agrada nossos filhos, mas não nos perturbamos.Sabemos que o que fazemos é o necessário. É o melhor. É comessa ótica que Deus nos envia ao deserto.Deserto é Tempo de Pressão Só somos totalmente conhecidos quando colocados sobpressão. E esta pressão vem, primeiro para que se torne conhecidoo que realmente somos. Nós achamos que nos conhecemos bem.Que engano!Nesse processo de nos conhecermos, a auto-análise e aintrospecção só atrapalham pois as suas cogitações vem da mentecom conceitos totalmente deturpados. Fora da luz e revelação doEspírito Santo nenhum conceito sobre nós mesmos é digno decrédito. A auto-análise gera orgulho ou sentimentos de inferioridade,é carnal e altamente nociva. O deserto traz essa pressão a fim deque se manifeste o que somos para as pessoas. Há muitos irmãosque em condições normais gastam imensa energia da alma paramanterem firmes suas máscaras de espiritualidade, paciência,brandura, pureza e profundidade no conhecimento de Deus. Estãotodo o tempo se policiando a fim de vender uma imagem que nãocorresponde à sua realidade. Entretanto, quando as pressões dodeserto vem, tudo desmorona. O que somos, somos. O quefingimos ser, cai às vistas de todos. Toda a nossa carnalidade ficaexposta. O deserto nos capacita a suportar pressões. Não épossível Deus confiar nada a nós antes de passarmos pelo deserto.Esta fase em nossas vidas visa transformar pessoas fracas evacilantes em pessoas fortes e corajosas. Antes de passarmos poresse tempo, quando as pressões do diabo, do sofrimento e doconflito vinham, nossa tendência era jogar tudo para cima,assentarmos sobre uma pedra e chorarmos clamando pela nossa 150
  16. 16. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósmãe. Não éramos confiáveis. O deserto nos torna rijos, destemidos NOTASe calejados para as pressões. De tempos em tempos nossacapacidade de suportar pressões vai aumentando, ao mesmo tempoque aumenta a unção, as responsabilidades e o reconhecimentodos homens. Sem passarmos pelo deserto tomaríamos para nós toda aglória que pertence a Deus. Não éramos confiáveis. Quando sob amenor pressão, tornávamos incrédulos, murmurávamos, eabandonávamos tudo. Após o deserto as coisas mudam.Deserto é Lugar de Solidão Por muitas vezes, quando mais desejei a presença deamigos, pastores e discípulos não as tive. Estava no deserto. Muitasvezes desejei a intimidade de grandes homens de Deus, mas emtodas estas ocasiões fui frustrado por Deus. Eu depositava grandesexpectativas na vida de alguns notáveis homens de Deus, mas oSenhor nunca permitiu que estas expectativas se cumprissem: Deusqueria que dependesse exclusivamente dEle, não do homem.Temos toda essa tendência, sincera, de buscar a Deus através dehomens e mulheres que já alcançaram grande intimidade com Ele.Não queremos passar pelo processo do deserto. Desejamos acharnas pessoas o que Deus quer nos dar de sua própria presença. Odeserto vem para nos decepcionar com toda expectativa eesperança colocada no homem. Isso não é negativo, é muito bompara nós. Passamos a ter como única alternativa o Senhor. Chegaum tempo em que já esperamos tanto do homem sem nada receberque nos desiludimos. Abandonamos aquela idéia infantil do "grandehomem de Deus que virá de não sei de onde, vai impor as mãosnão sei de que jeito eliminando todos os problemas e transformandoa vida num mar de rosas".Na solidão do deserto parece que não hámais ninguém com quem podemos contar. Todas as pessoas setornam distantes, impessoais e parecem não nos compreender. Issoé obra de Deus. Ele quer se tornar o nosso amigo mais íntimo,nosso companheiro de todas as horas, o ombro amado ondechoramos as nossas tristezas. Ele se torna no deserto a únicapessoa a quem podemos recorrer. Ao sairmos do deserto perdemosas amizades naturais, os heróis humanos, os parentes maisqueridos e ganhamos a Deus. Bendita perda; bendito ganho!O Deserto é Lugar do Esgotamento da Alma No deserto não tem água, não tem vida, não tem descanso.Só calor e exaustão. Nossas energias naturais vão se esgotandopouco a pouco até não haver mais nenhuma força, nenhum ânimo,nenhum entusiasmo. O tempo do deserto é tempo sem sabor, semcor, sem novidade, sem sentimento. Deus retira todos os estímulosnaturais que nos animavam no natural. O alvo de Deus é nos livrarda dependência da nossa vida natural e nos capacitar a dependerinteiramente do Seu Espírito. Enquanto temos estímulos de todas asformas, não precisamos depender de Deus. Fazemos tudo no 151
  17. 17. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósentusiasmo da alma. O alvo de Deus com esse tempo é retirar os NOTASestímulos a fim de andarmos nas nossas próprias forças e nosexaurirmos completamente. Quantos homens e mulheres de Deus passam por períodosde estafa. O que caracteriza esse esgotamento é a exaustão detodas as energias da alma. Às vezes até oramos por tais irmãospara que Deus os restabeleça. Tal oração é contrária à vontade deDeus. Aliás, Deus mesmo vai cooperar para que a estafa, oesgotamento mais completo venha o mais depressa possível. Seandamos baseados em nossa vida natural, não estamos andandopor fé e nem no Espírito. Chame como quiser mas a Bíblia diz queisso é andar na carne. Precisamos saber que andar na carne não ésó cometer pecados grosseiros e manifestar aqueles frutos horríveismencionados em Gálatas 5. Andar na carne é não depender deDeus, é depender de sua vida natural, de seu Ego. O deserto pois,vem para nos acabar. Vem para destruir toda auto-confiança. Moisés antes do deserto desejava uma revelação e em seuafã matou com as mãos um egípcio. Parecia que a promessa delibertação da nação dependia exclusivamente dele. Após os 40 anosno deserto ele disse ao Senhor: "tu deves estar enganado, nem aomenos sei falar." Segundo a Bíblia Moisés se tornou o homem maismanso de toda a terra. Bendito deserto!No Deserto Deus se Mostra Como Luz. Podemos experimentar a presença de Deus sobre nós comodeleite e como luz. Como é bom adorarmos o Senhor e sentirmosSua maravilhosa presença. Não há na terra nada tão aprazível. Masa Bíblia diz que Deus também se manifesta como luz:"Na tua luzvemos a luz"; "Ele é o sol da justiça " e "Nele estava a vida e a vidaera a luz dos homens".No deserto a poderosa presença de Deus semanifesta como uma forte e vigorosa luz que penetra nas regiõesmais profundas e interiores de nosso ser. Sob a luz de Deus vamosconhecendo a Ele na Sua glória, por outro lado nos conhecendo emnossa miséria também. Que grande contraste há entre o Deuseterno e o eu finito; entre a Grandeza de Deus e a minhainsignificância;entre o Deus Santo e o eu pecador. No Desertoconhecemos a face de Deus, ao mesmo tempo que nosconhecemos. Esse contraste entre a Glória e a miséria é que nostorna verdadeiramente humildes.Ao sairmos do deserto, saímosconvencidos de que não há em nós mesmos nada útil para Deus,nada próprio para Deus, nada próprio para o Reino. Sabemos quesomos totalmente desqualificados e vis. Moisés e Paulo eram tãocultos, tão capazes, tão arrogantes, tão independentes de Deus, tãoseguros de si mesmos, tão inteligentes, tão auto-confiantes... Apóso deserto o primeiro disse: "não sei falar"e o segundo disse:"nãohabita em mim bem nenhum; sou o maior pecador". Há muitosirmãos que afirmam conhecer a Deus, nas suas atitudes depõem ocontrário. Quão incoerente é afirmarmos conhecer a Deus e sermosao mesmo tempo orgulhosos, jactanciosos e arrogantes. Averdadeira maturidade não faz propaganda do seu próprio nome, 152
  18. 18. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósnão edifica um monumento a si mesmo e nem se julga competente. NOTASQuanto mais conheço a Deus, mais me conheço.Nossa Maleabilidade Determina a Duração e a Intensidade doDeserto. Deus espera sempre uma atitude responsiva no deserto. Maso que é ter uma atitude responsiva? É sermos maleáveis, é não nosendurecermos ante aquilo que Deus vem golpeando. É tão triste vercrentes sendo tratados por Deus e que, ao invés de se humilharemfortalecem as antigas posições. Muitas vezes corremos esse riscode não sermos sensíveis e não percebermos que aquilo de negativoque está acontecendo é Deus desejando nos falar e nos mudar.Sofremos em nossa reputação e nos defendemos, somos criticadose criticamos; somos agredidos e agredimos. Sofremos prejuízo elogo inventamos um modo de passar o prejuízo para outro. Quandoinjustiçados vamos à desforra. Reivindicamos, exigimos,desprezamos e usamos da nossa força humana para estabelecernossa própria vontade. Não percebemos que ao impormos estamosfora do padrão do caráter de Cristo e nos endurecemos contra ostratamentos de Deus, pois justamente aquilo que mais nosincomodou era a mão de Deus nos tratando. Aquele chefe notrabalho, aquele líder na Igreja, aquela pessoa que mais nosincomoda, aquele a quem mais é difícil de se submeter, amar eaceitar é justamente quem está mais sendo usado por Deus paranos aperfeiçoar. Ceda! Seja maleável, mude, responda a Deus. Amão bendita do oleiro se revela muitas vezes justamente nasituação que você mais detesta.Quanto mais resistirmos em nossa obstinação e dureza mais tempopassamos no deserto. E quanto mais o tempo passa mais duro vaise tornando o deserto. Deus nos envia ao deserto para nos levar àsemelhança de Cristo, entretanto algumas pessoas são tão duras,empedernidas e obstinadas que acabam morrendo no deserto. Vidacristã é coisa séria. Que seria morrer no deserto? É viver a vidainteira resistindo a Deus e sendo resistido por Ele. Não se usufrui desua graça, de sua bênção, do seu descanso e da sua vida. Nada navida dos tais funciona. Tornam-se pessoas amargas, críticas.Acham tudo muito falho. Estão sempre cheias de auto-piedade, decobranças aos pais aos amigos e aos líderes na igreja. O mundotodo está errado, o mundo todo é alvo de suas fortes críticas. Aoagirem assim estão aprofundando o sofrimento, tornando as crisesmais agudas e aumentando a fase do deserto. Moisés passou 40longos anos no deserto para que Deus pudesse usá-lo, para que aface do Senhor pudesse ser vista por ele. Deus não tem prazer nodeserto. Ele tem prazer em nossa resposta. Há pessoas que falamdo seu deserto como se fosse uma grande vantagem. Quãoignorantes são! Estão dando testemunho de sua grande dureza.Não devemos endurecer-nos, pelo contrário devemos amar adisciplina do Senhor cedendo rapidamente e mudando de coração ede atitudes. Na escola de Deus não se pode pular de cartilha. Sesomos reprovados, nalgum tempo depois passaremos pelo mesmo 153
  19. 19. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósteste. Isso se repetirá até darmos a Deus a resposta de NOTASquebrantamento e mudança que Ele espera de nós.As Circunstâncias de Tratamento Além do deserto, que poderíamos chamar de fases nas quaispassamos uma ou mais vezes, Deus nos cria circunstâncias paranos aperfeiçoar. Essas circunstâncias certamente virão para tratar-nos nas áreas onde somos mais difíceis. Por exemplo: se o nossocoração é extremamente apegado a bens materiais Deus nos daráprejuízo, frustração após frustração. Se somos daquele tipo tímidoque pouco liga para as coisas de Deus mas que é grandementepreocupado com a opinião das pessoas a seu respeito e com suareputação, este irmão vai sofrer vexame após vexame até suareputação ir para o brejo. Se é do tipo que ama os primeiroslugares, lhe será reservado sempre aquele lugar desprestigiado eignorado. Se cobra o amor das pessoas, jamais o receberá. Isso seperpetuará até ceder a Deus tendo seu coração completamentenEle, até que se disponha ao invés de cobrar , dar amor, atenção, erespeito negando-se a si mesmo completamente.O QUEBRANTAMENTO Qualquer pessoa que serve a Deus descobrirá, mais cedo oumais tarde, que o grande impedimento para a sua obra não sãooutras pessoas mas, sim, ela mesma. Descobrirá que sua alma eseu espírito não estão em harmonia, pois os dois tendem paradireções opostas. Sentirá também, a incapacidade de sua almasubmeter-se ao controle do espírito, tornando-a, assim, incapaz deobedecer aos mandamentos mais sublimes de Deus. Perceberárapidamente que a maior dificuldade acha-se na sua alma, pois estao impede de fazer uso do seu espírito.Muitos dos servos de Deusnem sequer conseguem fazer as obras mais elementares.Normalmente, devem ser capacitados pelo exercício do seu espíritoa conhecer a Palavra de Deus, a discernir a condição espiritual deoutra pessoa, entregar as mensagens de Deus com unção ereceber as revelações de Deus. Mesmo assim, devido às distraçõesda alma parece que seu espírito não funciona apropriadamente. Ébasicamente porque a alma nunca foi tratada. Por esta razão, oreavivamento, o zelo, o muito implorar e o ativismo não passam deum desperdício de tempo. Conforme veremos, há apenas um sótratamento que pode capacitar o homem a ser útil diante de Deus: oquebrantamento.O Homem Interior e o Homem Exterior Note como a Bíblia divide o homem em duas partes: "Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus "(Rm 7:22). Nosso homem interior deleita-se na lei de Deus. “... quesejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem 154
  20. 20. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósinterior" (Ef. 3:16). E Paulo também nos informa: " Mesmo que o NOTASnosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homeminterior se renova de dia em dia" (2 Co 4:16). Quando Deus vem habitar em nós mediante o Seu Espírito, aSua vida e o Seu poder, entra em nosso espírito, é o quechamamos de" homem interior. " Fora deste homem interior há aalma, na qual funciona nossos pensamentos nossas emoções enossa vontade. O homem periférico é nosso corpo físico. Assim,falaremos do homem interior como sendo o espírito, do homemexterior como sendo a alma, e do homem periférico sendo o corpo,Nunca devemos nos esquecer de que nosso homem interior é oespírito humano onde Deus habita, onde Seu Espírito se combinacom nosso espírito. Assim como nós vestimos roupas, assimtambém nosso homem interior "veste" um homem exterior: o espírito"veste" a alma. E, de modo semelhante, o espírito e a alma"vestem" o corpo. Está bem evidente que o homem geralmente estámais consciente do homem exterior e do periférico, e dificilmentereconhece ou entende seu espírito. Devemos saber que aquele que pode trabalhar para Deus, éaquele cujo homem interior pode ser liberado. A dificuldade básicade um servo de Deus acha-se no fracasso do homem interior deirromper pelo homem exterior. Logo, devemos reconhecer diante deDeus que a primeira dificuldade que enfrentamos na obra não estános outros mas, sim em nós mesmos. Nosso espírito parece estarembrulhado num invólucro de modo que não pode facilmenteirromper de lá. Se nunca aprendemos como liberar nosso homeminterior por meio de irromper pelo homem exterior, não temoscapacidade de servir. Nada pode obstacular-nos tanto quanto estehomem exterior. Se nossas obras são frutíferas ou não, depende senosso homem exterior foi quebrantado pelo Senhor de modo que ohomem interior possa passar e se manifestar. Este é o problemabásico. O Senhor deseja quebrar nosso homem exterior a fim deque o homem interior possa ter uma via de saída. Quando o homeminterior for liberado, tanto os descrentes quanto os cristãos serãoabençoados.A Natureza Tem Sua Maneira de Quebrar O Senhor Jesus conta-nos em João 12:24 "Se o grão detrigo, caindo na terra, morrer, produz muito fruto." A vida está nogrão de trigo, mas há uma casca, uma casca muito dura, do lado defora. Enquanto aquela casca não for rachada e aberta, o trigo nãopode brotar nem crescer. "Se o grão de trigo, caindo na terra, nãomorrer..." Que morte é essa? É o arrombar da casca mediante acooperação da temperatura e a umidade no solo. Uma vez que acasca é fendida e aberta, o trigo começa a crescer. Então, aquestão aqui não é se há vida dentro, mas, sim, se a casca externafoi rachada. A Escritura continua, dizendo: "Quem ama sua vida (Grego,alma) perde-a; mas aquele que odeia a sua vida (Grego, alma)neste mundo, preserva-la-á para a vida eterna" (v.25). O Senhor 155
  21. 21. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósnos mostra aqui que a casca externa é nossa própria vida (a vida da NOTASnossa alma), ao passo que a vida interior é a vida eterna que Elenos deu. Para permitir que a vida interior se manifeste, é imperativoque a vida exterior seja rompida. Se o exterior permanecer intacto, ointerior nunca poderá aparecer. Dirijamos estas palavras para aquele grupo de pessoas quepossui a vida do Senhor. Pode ser achada duas condições distintas:uma inclui aqueles em que a vida é confinada, restringida,aprisionada e incapaz de se manifestar; a outra inclui aqueles emque o Senhor forjou um caminho, e a vida deles, portanto, éliberada.A pergunta, pois, não é como obter a vida, mas, sim, como permitirque esta vida apareça. Quando dizemos que temos necessidade deque o Senhor nos quebrante, não é meramente um modo de falar,nem é apenas uma doutrina. É vital que sejamos quebrantados peloSenhor. Não que a vida do Senhor não possa cobrir a terra, mas,sim, que Sua vida está sendo aprisionada por nós. Não que oSenhor não possa abençoar a igreja, mas, sim, que a vida doSenhor está tão confinada dentro de nós que não se manifesta. Seo homem exterior permanecer intacto, nunca poderemos ser umabênção para a Sua igreja, e não podemos esperar que a palavra deDeus seja abençoada através de nós!O Vaso de Alabastro Deve Ser Quebrado A Bíblia conta acerca do Nardo puro. Deus, deliberadamenteusou este termo "puro" na Sua palavra para mostrar que éverdadeiramente espiritual. Mas se o vaso de alabastro não forquebrado, o Nardo puro não fluirá. Por estranho que pareça, muitosainda estão valorizando demasiadamente o vaso de alabastro,pensando que seu valor excede o do ungüento. Muitos pensam queseu homem exterior é mais precioso do que seu homem interior.Este fica sendo o problema na igreja. Uma pessoa tem em grandeestima sua habilidade, pensando que é bem importante; outravaloriza suas próprias emoções, e se estima como uma pessoamuito espiritual; outra têm alta consideração por si mesmas, esentem que são melhores que outros, que sua eloqüênciaultrapassa a das demais, que sua rapidez de ação e exatidão dejulgamento são superiores, e assim por diante. Nós, porém, nãosomos colecionadores de antiguidades; somos aqueles quedesejamos cheirar somente a fragrância do ungüento. Sem quebraro exterior, o interior não surgirá. Deste modo, individualmente nãotemos qualquer fluir, como também a igreja não tem um caminhovivo. Por que, pois, devemos considerar-nos tão preciosos, senosso interior retém a fragrância, ao invés de liberá-la?O Espírito Santo não cessou de operar. Um evento após outro, umacoisa após outra vem a nós. Cada operação disciplinar tem um sópropósito: quebrar nosso homem exterior a fim de que nossohomem interior possa se manifestar. Aqui porém, está nossadificuldade: ficamos impacientes por causa de ninharias, 156
  22. 22. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósmurmuramos diante de perdas de pequena monta. O Senhor está NOTASpreparando um modo de usar-nos, mas, mal Sua mão nos tocou,sentimo-nos infelizes, até ao ponto de contendermos com Deus e denos tornarmos negativos em nossas atitudes. Desde que fomossalvos, fomos tocados várias vezes e de várias maneiras peloSenhor, e tudo com o propósito de quebrar nosso homem exterior.Quer tenhamos consciência disto, quer não, o alvo do Senhor équebrar este homem exterior.Desta maneira, o Tesouro está no vaso de barro, mas se o vaso debarro não for quebrado, quem poderá ver o Tesouro que estádentro? Qual é o objetivo final da operação do Senhor em nossasvidas? É quebrar este vaso de barro, é quebrar nosso vaso dealabastro, é arrombar nossa casca. O Senhor anseia por achar ummeio de abençoar o mundo através daqueles que pertencem a Ele.O quebrantamento é o caminho da bênção, o caminho dafragrância, o caminho da frutificação, mas também é um caminhosalpicado de sangue. Sim, há sangue de muitas feridas. Quandonos oferecemos ao Senhor para fazer a Sua obra não podemos nosdar ao luxo da morosidade, de nos pouparmos. Devemos deixar queo Senhor rache totalmente nosso homem exterior, de modo que Elepossa achar um caminho para Suas operações.Cada um de nós deve descobrir para si mesmo qual é a mente doSenhor para sua vida. É um fato muitíssimo lamentável, que muitosnão sabem qual é a mente ou intenção do Senhor para suas vidas.Precisam de que Ele abra os seus olhos, para ver que tudo quantoentra nas suas vidas pode ter significado. Entender o propósito doSenhor é ver muito claramente que Ele visa um único objetivo: oquebrantamento do homem exterior. Muitas pessoas, no entanto, antes mesmo que o Senhor ergaSua mão, já estão aflitas. Oh! devemos reconhecer que todas asexperiências, problemas e provações que o Senhor nos envia sãopara nosso bem supremo. Não podemos esperar que o Senhor nosdê coisas melhores, pois estas são as melhores. Se alguém seaproximasse do Senhor, e orasse, dizendo: "Oh Senhor, por favor,deixa-me escolher o melhor." Creio que Ele lhe diria: "Aquilo que Eute dei é o melhor; tuas provações diárias são para teu máximoproveito." Assim, o motivo por detrás de toda a providência de Deusé quebrantar nosso homem exterior. Uma vez que isto ocorre e oespírito pode fluir, então, começamos a exercitá-lo.O Tempo do Nosso Quebrantamento O Senhor emprega dois meios diferentes para quebrar nossohomem exterior: um é paulatino, o outro é repentino. Para alguns, oSenhor dá um quebrantamento súbito seguido por um paulatino.Com outros, o Senhor dispõe para que tenham provações diáriasconstantes, até que, um dia, leva a efeito um quebrantamento emgrande escala. Se não for o repentino primeiro, e depois o paulatino,então, é o paulatino seguido pelo repentino. Parece que o Senhornormalmente trabalha conosco durante vários anos antes de poderrealizar esta obra de quebrantamento. 157
  23. 23. A experiência da formação do caráter de Cristo em nós A cronologia está na mão dEle. Não podemos encurtar o NOTAStempo, embora certamente o possamos prolongar. Em algumasvidas, o Senhor pode realizar esta obra depois de uns poucos anosde trato; noutras, é evidente que depois de dez ou vinte anos a obraainda está incompleta. Isto é muito sério! Nada é mais lastimável doque desperdiçar o tempo de Deus. Quão freqüentemente a igreja éatrapalhada! Podemos pregar com o uso da nossa mente, podemoscomover os outros com o uso das nossas emoções; mas se nãosabemos usar nosso espírito, o Espírito de Deus não poderá tocaras pessoas através de nós. A perda será grande, se prolongarmosdesnecessariamente o tempo.Logo, se nunca antes nos consagramos de modo total e inteligenteao Senhor, façamo-lo agora, dizendo: "Senhor, para o futuro daigreja, para o evangelho, para o Teu caminho, e também para minhaprópria vida, ofereço-me sem condições, sem reservas, nas Tuasmãos. Senhor, deleito-me em oferecer-me a Ti e estou disposto adeixar-Te fazer toda a Tua vontade através de mim."O Significado da Cruz Ouvimos falar freqüentemente acerca da cruz. Talvezestejamos por demais familiarizados com o termo. Mas o que é acruz afinal das contas? Quando realmente compreendermos a cruz,veremos que significa o quebrantamento do homem exterior. A cruzreduz o homem exterior à morte; racha a casca humana e a abre. Acruz deve quebrar tudo quanto pertence ao nosso homem exterior:nossas opiniões, nossos modos, nossa habilidade, nosso amor-próprio, nosso tudo.Tão logo que nosso homem exterior é destruído, nosso espíritopode sair facilmente para fora. Considere certo irmão, comoexemplo. Todos quantos o conhecem reconhecem que tem umamente aguçada, uma vontade dinâmica, e profundas emoções. Mas,ao invés de ficarem impressionadas por estas característicasnaturais da sua alma, impressionam com a facilidade de tocar emseu espírito. Sempre que as pessoas estão tendo comunhão comele, encontram um espírito, em espírito limpo. Por que? Porque tudoquanto é da sua alma foi transformado.Esta transformação do homem exterior é uma questão fundamental.Devemos deixar o Senhor forjar um caminho em nossas vidas.Duas Razões para Não Ser Quebrantado Por que é que, depois de muitos anos de trato, algumaspessoas permanecem inalteradas? Alguns indivíduos tem umavontade forte; alguns tem emoções fortes; e outros tem uma menteforte. O Senhor pode quebrantá-los e há duas razões principais paraisto acontecer. A primeira é que muitos que vivem nas trevas nãoestão vendo a mão de Deus. Enquanto Deus está operando,enquanto está destruindo, não reconhecem que o tratamento vemda parte dele. Estão destituídos de luz, e, somente vêem homensque se opõem a eles. Imaginam que o meio-ambiente é realmente 158
  24. 24. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósdifícil, que as circunstâncias são as culpadas.Não entendem que NOTASnão é mão humana e nem mão de família nem de irmãos e irmãs naigreja, mas, sim, a de Deus. Assim, continuam nas trevas e nodesespero, perdendo oportunidades de serem quebrantados peloSenhor. A segunda razão, outro grande impedimento à obra de quebrantaro homem exterior é o amor-próprio. Devemos pedir que Deusremova nosso o coração do amor-próprio. A medida em que Ele lidaconosco em resposta à nossa oração, devemos adorar e dizer: "ÓSenhor, se isto for da Tua mão, que eu o aceite no meu coração."Lembremo-nos de que a única razão para todo mal entendido, todaa irritação, todo descontentamento, é que secretamente amamos anós mesmos. Assim, planejamos um modo mediante o qualpodemos livrar a nós mesmos. Muitas vezes, os problemas surgemporque procuramos uma via de escape, uma fuga da operação dacruz. Não tente escapar da cruz pois assim só adiará o tempo deDeus na sua vida. Deixe Deus operar até que atinja Seu propósito,que não é outro senão que Sua vida seja vivida através de ti.As Feridas Virão Inevitavelmente. Ninguém é mais belo do que alguém que está quebrantado! Ateimosia e o amor-próprio cedem lugar à beleza na pessoa que foiquebrantada por Deus. Vemos Jacó no Antigo Testamento, mesmono ventre da sua mãe, lutava com seu irmão. Era sutil, enganoso,traiçoeiro. Por isso, sua vida estava cheia de tristezas e mágoas.Ainda jovem, fugiu do seu lar. Durante vinte anos foi logrado porLabão. A esposa do amor de seu coração, Raquel, morreuprematuramente. O filho do seu amor, José, foi vendido. Anos maistarde, Benjamin foi preso no Egito. Deus tratou com elesucessivamente, e Jacó encontrou infortúnio após infortúnio.Finalmente, depois de muitos tratamentos deste tipo, o homem Jacófoi transformado. Durante seus últimos anos, era bem transparente.Quão nobre foi sua resposta a Faraó! Quão belo foi seu fim, quandoadorou a Deus, apoiado no seu bordão! Quão claras eram suasbênçãos pronunciadas sobre seus descendentes! Depois de ler aúltima página da sua história, queremos curvar a cabeça e adorar aDeus. Aqui temos alguém que está amadurecido, que conhece aDeus. Várias décadas de tratos tiveram como resultado que ohomem exterior de Jacó foi quebrantado. Na sua velhice, o quadro ébelo. Cada um de nós tem boa parte da mesma natureza de Jacóem nós. Nossa única esperança é que o Senhor marque umcaminho para fora, quebrando o homem exterior de tal maneira queo homem interior possa surgir e se visto; isto é precioso, e é ocaminho daqueles que servem ao Senhor. Somente assim podemosservir; somente assim podemos levar os homens ao Senhor. Tudo omais está limitado quanto ao seu valor. Somente a pessoa atravésde quem Deus pode aparecer, é útil. Depois de nosso homem exterior ter sido ferido, tratado, elevado por várias provas, deixamos o espírito emergir. É triste 159
  25. 25. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósencontrar alguns irmãos e irmãs cujo ser total permanece intacto, NOTASnunca tendo sido tratado e transformado.Que Deus tenha misericórdia de nós, mostrando-nos claramenteeste caminho, e revelando-nos que é o único caminho. Queninguém menospreze os tratos do Senhor. Que Ele nos reveleverdadeiramente o que significa o quebrantamento do homemexterior. Se o homem exterior permanecesse integral, tudo seriameramente mente, totalmente inútil. Tenhamos esperança de que oSenhor venha a tratar de nós de modo completo.Como Nós Somos Antes do Quebrantamento O quebrantamento da alma é a experiência de todos aquelesque servem a Deus. Deve acontecer antes que Ele possa nos usarde modo eficaz. Quando alguém está trabalhando para Deus, duaspossibilidades podem surgir. Primeiramente, é possível que, com ohomem exterior intacto, o espírito da pessoa seja inerte e incapazde funcionar. Se for uma pessoa habilidosa, sua mente governa seutrabalho; se for uma pessoa compassiva, as emoções controlamsuas ações. Tal trabalho pode parecer bem sucedido, mas não podetrazer as pessoas a Deus. Em segundo lugar, o espírito podeaparecer revestido dos pensamentos ou das emoções da própriapessoa. O resultado é misturado e impuro. Tal obra trará os homenspara uma experiência mista e impura. Estas duas condiçõesenfraquecem nosso serviço a Deus. Se desejamos trabalhar de modo eficaz devemos reconhecerque, basicamente, " é o Espírito que vivifica." Mais cedo ou maistarde - se não no primeiro dia da nossa salvação, talvez dez anosmais tarde - devemos reconhecer este fato. Muitos têm de sertrazidos ao fim da sua sabedoria e ver o vazio da sua labuta antesde saberem quão inúteis são seus muitos pensamentos, suasvariadas emoções. Não importa quantas pessoas você pode atraircom seus pensamentos ou emoções, o resultado vem a ser nada.Finalmente devemos confessar: " É o Espírito que vivifica." Somenteo Espírito faz as pessoas viverem. O homem pode ser trazido para avida somente pelo Espírito. Muitas pessoas que servem ao Senhorchegam a enxergar este fato somente depois de passarem pormuita tristeza e muitos fracassos. Finalmente, a palavra do Senhorpassa a ter significado para elas: aquilo que vivifica é o Espírito.Quando o espírito é liberado, os pecadores podem nascer de novo eos santos podem ser estabelecidos. Quando a vida é comunicadaatravés do canal do espírito, aqueles que a recebem nascem denovo. Quando a vida é fornecida através do espírito para os crentes,resulta em serem estabelecidos. Sem o Espírito, não pode havernovo nascimento, nem estabelecimento. Uma coisa notável é que Deus não quer fazer distinção entreo Seu Espírito e o nosso espírito. Há muitos lugares na Bíblia ondeé impossível determinar se a palavra " espírito" indica nosso espíritohumano ou o Espírito de Deus. Os tradutores bíblicos, desde Luteroaté os estudiosos da atualidade que labutaram nas versões, nãoconseguiram resolver se a palavra " espírito”, usada em muitos 160
  26. 26. A experiência da formação do caráter de Cristo em nóslugares no Novo Testamento, se refere ao espírito humano ou ao NOTASEspírito de Deus. Da Bíblia inteira, Romanos 8 é muito provavelmente ocapítulo em que a palavra " espírito" é empregada maisfreqüentemente. Quem pode discernir quantas vezes a palavra"espírito" neste capítulo se refere ao espírito humano e quantasvezes ao Espírito de Deus? Em várias versões existentes, a palavra" pneuma" (espírito) às vezes é escrita com uma letra maiúscula;noutras ocasiões, com uma letra minúscula. É simplesmenteimpossível distinguir. Quando, na regeneração, recebemos nossonovo espírito, recebemos o Espírito de Deus, também. No momentoem que nosso espírito humano é ressuscitado do estado da morte,recebemos o Espírito Santo. Freqüentemente dizemos que oEspírito Santo habita em nosso espírito, mas achamos difícildiscernir qual é o Espírito Santo e qual é o nosso próprio espírito. OEspírito Santo e nosso espírito se combinam tanto, que emboracada um seja individual, não são facilmente distinguidos. Deste modo, a liberação do espírito, é a liberação do espíritohumano, bem como a do Espírito Santo, que está no espírito dohomem. Visto que o Espírito Santo e o nosso espírito, são unidosem um só (1 Co 6:17), pode ser distinguidos somente no nome, enão no fato. E visto que a liberação de um importa na liberação dosdois, outros podem tocar o Espírito Santo quando tocam o nossoespírito. Graças a Deus porque à medida em que você deixa aspessoas entrarem em contato com o seu espírito, deixa-as teremcontato com Deus. O seu espírito trouxe o Espírito Santo aoshomens. Quando o Espírito Santo está operando, precisa sertransportado pelo espírito humano. A eletricidade numa lâmpadaelétrica, não viaja como o raio. Deve ser conduzida através de fioselétricos. Se você quiser usar a eletricidade, precisa de um fioelétrico para trazê-la até você. De modo semelhante, o Espírito deDeus faz uso do espírito humano para transmiti-lo, e através dele,Ele é trazido ao homem. Toda pessoa que recebeu a graça, tem o Espírito Santohabitando no seu espírito. Se pode ser usado pelo Senhor, ou não,depende, não do seu espírito, mas, sim, do seu homem exterior. Adificuldade de muitas pessoas é que seu homem exterior não foiquebrantado. Não há evidência daquele caráter marcado pelosangue - daquelas chagas ou cicatrizes. Assim, o Espírito de Deus éaprisionado dentro do espírito do homem e não pode irromper esair. Às vezes o nosso homem exterior está ativo, mas o homeminterior permanece inativo. O homem exterior se manifesta,enquanto que o homem interior fica para trás.Alguns Problemas Práticos Vamos passar tudo isto em revista através de algunsproblemas práticos! Tomemos a pregação como um exemplo. Quãofreqüentemente podemos estar pregando com sinceridade - dandouma mensagem bem preparada e sólida - mas interiormente nos 161
  27. 27. A experiência da formação do caráter de Cristo em nóssentimos frios como gelo. Ansiamos por animar os outros, mas nós NOTASmesmos não ficamos comovidos. Há falta de harmonia entre ohomem exterior e o interior. O homem exterior está suado com ocalor, mas o homem interior está tremendo de frio. Podemos contaraos outros quão grande é o amor do Senhor, mas pessoalmentenão somos tocados por ele. Podemos contar aos outros quãotrágico é o sofrimento da cruz, mas, ao voltar para nosso quarto,podemos rir. O que podemos fazer a respeito disto? Nossa mentepode labutar, nossas emoções podem ser energizadas, mas otempo todo, temos a sensação de que o homem interior estámeramente observando os acontecimentos. O homem exterior e ointerior não estão unidos. Considere outra situação. O homem interior está sendodevorado pelo zelo. A pessoa quer gritar, mas nada consegueexpressar. Depois de falar por muito tempo parece que ainda estáandando em círculos. Quanto mais anseia por falar, mas nãoconsegue achar expressão. Quando se encontra com um pecador,seu homem interior tem vontade de chorar, mas ele não conseguederramar uma lágrima. Há um senso de urgência dentro dele, masquando sobe ao púlpito e procura gritar, vê-se perdido num labirintode palavras. Uma situação desta é muito penosa. A causa radical éa mesma: a casca externa ainda se apega a ele. O exterior nãoobedece aos ditames do interior: chorando por dentro, mas por fora,sem se comover; sofrendo por dentro, mas por fora, a mente pareceestar em branco. O espírito ainda tem de descobrir um meio deatravessar a casca. Deste modo, o quebrantamento do homem exterior é aprimeira lição para toda pessoa que deseja aprender a servir aDeus. Aquele que é verdadeiramente usado por Deus, é aquele cujopensamento e emoção externa, não agem independentemente. Senão aprendermos esta lição, a nossa eficácia, será grandementeprejudicada. Que Deus nos traga ao lugar em que o homem exterioré completamente quebrantado.Quando prevalecer esta condição,haverá fim desta atividade exterior com a inércia interior; acabará ochorar interior com a compostura exterior. Seus pensamentosajudarão o seu espírito ao invés de atrapalhá-lo. De modo semelhante, nossas emoções também são umacasca muito dura. Muitos que desejam estar felizes não podemexpressar felicidade, ou talvez queiram chorar, sem, porém,consegui-lo. Se o Senhor tiver ferido nosso homem exterior atravésda disciplina ou da iluminação do Espírito Santo, poderemosexpressar alegria ou tristeza conforme os ditames do interior. A liberação do espírito nos possibilita permanecer cada vezmais em Deus. Tocamos o espírito da revelação divina. Quandoestamos testemunhando ou pregando, transmitimos a palavra deDeus através do nosso espírito. Além disto, podemos, muitoespontaneamente, entrar em contato com o espírito dos outros,mediante o nosso espírito. Sempre que alguém fala em nossapresença, podemos "tirar a medida dele" - avaliar que tipo depessoa é, qual atitude está adotando, que tipo de cristão é, e qual éa sua necessidade. Nosso espírito pode tocar o espírito dele. E o 162
  28. 28. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósque é maravilhoso, é que outros facilmente entram em contato com NOTASo nosso espírito. No caso de alguns, apenas temos um encontrocom seus pensamentos, com suas emoções, ou com sua vontade.Depois de conversar com eles durante horas a fio, ainda nãoencontramos a pessoa real, embora ambos sejamos cristãos. Acasca exterior é grossa demais para outras pessoas tocarem ohomem interior. Com o quebrantamento do homem exterior, oespírito começa a fluir e sempre está aberto diante de outraspessoas.Aventurando-se e Recolhendo-se Uma vez que o homem exterior tenha sido quebrantado, oespírito do homem muito naturalmente, permanece na presença deDeus sem cessar. Dois anos depois de certo irmão ter confiado noSenhor, leu “ A Prática da Presença de Deus" do Irmão Lawrence.Depois de lê-lo, sentiu-se aflito com seu fracasso quanto apermanecer incessantemente na presença de Deus como o IrmãoLawrence. Fez então, uma aliança com horário marcado para orarcom alguém. Por que? Bem, a Bíblia diz: "Orai sem cessar," elesmudaram a expressão para " Orai toda hora." Cada vez que ouviamo relógio bater a hora, oravam. Esforçavam-se ao máximo pararecolher-se em Deus, porque achavam que não podiam manter-secontinuamente na Sua presença. Era como se Ele tivesse idoembora quietamente enquanto trabalhavam, e, assim precisassemrapidamente recolher-se em Deus. Ou se projetasse para foraenquanto estudavam, e agora deviam fazer um rápido retorno paraDeus. De outra forma, achar-se-iam ausentes de Deus durante o diainteiro. Oravam freqüentemente, passando dias inteiros orando noDia do Senhor e metade do dia aos sábados. Assim continuaram,durante dois ou três anos. Mesmo assim, o problema aindapermanecia: recolhendo-se, desfrutavam da presença de Deus, masao saírem para fora, perdiam-na. Naturalmente, este problema nãoé só deles; tal é a experiência de muitos cristãos. Indica queestamos procurando manter a presença de Deus por meio da nossamemória. O senso da Sua presença flutua de acordo com a nossamemória. Quando nós nos lembramos, há a consciência da Suapresença; senão, não há nenhuma. Isto é pura tolice, pois apresença de Deus está no espírito e não na memória. Para solucionar este problema, devemos primeiramenteresolver a questão do quebrantamento do homem exterior. Vistoque nem nossa emoção nem nosso pensamento tem a mesmanatureza que Deus, não podem ser juntados com Ele. O Evangelhosegundo João, capítulo 4, mostra-nos a natureza de Deus. Deus éEspírito. Somente nosso espírito é da mesma natureza de Deus;logo, pode ser eternamente unido com Ele. Se procurarmos chegara obter a presença de Deus por meio de dirigir nosso pensamento,então, quando não estamos nos concentrando, Sua presençaparece perdida. Além disto, se procurarmos usar nossa emoção, amesma coisa acontece, Sua presença parece ter ido embora.Àsvezes estamos felizes, e tomamos este fato por termos a presença 163
  29. 29. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósde Deus. Deste modo, quando a felicidade cessa, a presença foge! NOTASOu podemos supor que Sua presença está conosco enquantolastimamos e choramos. Infelizmente, não podemos derramarlágrimas durante nossa vida inteira. Logo, nossas lágrimas sesecarão, e depois, a presença de Deus desaparece. Tanto nossospensamentos quanto nossas emoções são energias humanas.Todas as atividades devem chegar ao fim. Se procuramos manter apresença de Deus com a atividade, então, quando a atividadecessa, Sua presença termina. A presença de Deus requer umanatureza igual à dEle. Somente o homem interior é da mesmanatureza de Deus. Através dele, exclusivamente, a presença deDeus pode ser manifestada. Quando o homem exterior está ematividades, estas podem perturbar o homem interior, de tocar napresença de Deus. Deus nos deu o espírito para nos capacitar a corresponder aEle. O homem exterior, no entanto, sempre está correspondendo àscoisas de fora, e daí nos priva da presença de Deus. Não podemosdestruir todas as coisas do lado de fora, mas podemos quebrantar ohomem exterior. Milhões e bilhões de coisas no mundo, estãototalmente além do nosso controle. Cada vez que alguma coisaacontece, nosso homem exterior corresponderá; todavia nãoconseguimos desfrutar em paz da presença de Deus. Concluímos,portanto, que experimentar a presença de Deus depende doquebrantamento do nosso homem exterior. Se, pela misericórdia deDeus, nosso homem exterior foi quebrantado, podemos sercaracterizados da seguinte maneira: Ontem, estávamos cheios decuriosidade, mas hoje é impossível ser curioso. Anteriormente,nossas emoções podiam facilmente ser despertadas, ou movendonosso amor, a mais delicada das emoções, ou provocando nossaira, a mais grosseira delas. Mas agora, sejam quantas forem ascoisas que vierem em cima de nós, nosso homem interior ficaimperturbável, a presença de Deus fica imutável, e nossa pazinterior permanece sem a mais leve agitação. Torna-se evidente queo quebrantamento do homem exterior é a base para desfrutar dapresença de Deus. O Irmão Lawrece estava ocupado em serviçosde cozinha. As pessoas pediam, impacientes, as coisas quequeriam. Embora houvesse o tinido de pratos e utensílios, seuhomem interior não se perturbava. Podia sentir a presença de Deusna agitação de uma cozinha tanto quanto na oração em momentosquietos. Por que? Estava impenetrável aos barulhos externos.Aprendera a comungar no seu espírito e desconsiderar a vida dasua alma. Alguns acham que, para ter a presença de Deus, seuambiente deve estar livre de perturbações tais como o tinido dosutensílios. Quanto mais longe estão da humanidade, tanto melhorpoderão sentir a presença de Deus. Que erro! O problema acha-se,não nos pratos, nem nas outras pessoas, mas, sim, neles mesmos.Deus não vai livrar-nos dos pratos; livrar-nos-á das nossasrespostas! Não importa quão barulhento fica lá fora, o lado dedentro não precisa corresponder. Visto que o Senhor quebrantounosso homem externo, simplesmente reagimos como se não 164
  30. 30. A experiência da formação do caráter de Cristo em nóstivéssemos ouvido. Louvado seja Deus, podemos possuir uma NOTASaudição muito afinada, mas, devido à obra da graça em nossasvidas, não estamos influenciados de modo algum pelas coisas quefazem pressões sobre nosso homem exterior. Podemos ficar diantede Deus em tais ocasiões tanto quanto, quando estivermos orandosozinhos. Uma vez que o homem exterior é quebrantado, a pessoa jánão precisa recolher-se em Deus, pois sempre está na presençaDele. Não é assim no caso daquele cujo homem exterior ainda estáintacto. Depois de fazer algum dever, precisa voltar, pois supõe quese movimentou para longe de Deus. Até mesmo ao fazer a obra doSenhor, escapa dAquele a quem serve. Assim, parece que a melhorcoisa para ele é não fazer movimento algum. Apesar disto, os queconhecem a Deus não precisam voltar, porque nunca seausentaram. Desfrutam da presença de Deus quando consagramum dia a oração, e desfrutam da mesma presença em grau muitosemelhante quando estão ativamente ocupados nas tarefas da vidadiária. Talvez seja nossa experiência comum que, ao nosaproximarmos de Deus, sentimos Sua presença; ao passo que, seestamos ocupados em algum trabalho, sentimos que fizemos umalonga viagem e que devemos voltar. Qual é a resposta? Oquebrantamento do homem exterior torna desnecessárias taisvoltas. Sentimos a presença de Deus na nossa conversação etarefas diárias tanto quanto ajoelhados em oração. Cumprir nossastarefas diárias não nos afasta de Deus; logo, não precisamos voltar.A Divisão Entre o Homem Exterior e o Interior:Alma e Espírito Quando o homem exterior é quebrado, as coisas de foraserão conservadas fora, e o homem interior viverá diante de Deuscontinuamente. O problema de muitas pessoas é que seu homemexterior e seu homem interior estão juntos, de modo que o queinfluencia o externo influencia o interno. Através da operaçãomisericordiosa de Deus, o homem exterior e o homem interiordevem ser separados. Então, aquilo que afeta o homem exterior nãopoderá alcançar o interior. Embora o homem exterior estejaocupado numa conservação, o homem interior está tendocomunhão com Deus. O homem exterior talvez ache pesaroso terque ouvir o tinido dos pratos; o homem interior, no entanto,permanece em Deus. A pessoa pode levar a efeito suas atividades,entrar em contato com o mundo através do homem exterior, mas,mesmo assim, o homem interior permanece sem ser afetado porquevive diante de Deus. Consideremos um ou dois exemplos. Certo irmão estátrabalhando na estrada. Se seu homem exterior e interior já foramdivididos, este último não será perturbado pelas coisas externas.Pode labutar no seu homem exterior, enquanto, ao mesmo tempo,está internamente adorando a Deus. Ou considere um pai: seuhomem exterior talvez esteja rindo e brincando com seu filhinho. De 165
  31. 31. A experiência da formação do caráter de Cristo em nósrepente, surge certa necessidade espiritual. Pode imediatamente NOTASenfrentar a situação com seu homem interior, pois nunca esteveausente da presença de Deus. Assim, é importante quereconheçamos que a divisão entre o homem exterior e o homeminterior tem um efeito muito decisivo sobre o trabalho e a vida dapessoa. Somente assim é que a pessoa pode labutar sem distração. Podemos descrever os crentes como sendo pessoas "únicas"ou " duplas." No caso de alguns, seu homem interior e exterior sãoum só; com outros, os dois foram separados. Enquanto alguém éuma pessoa " única," deve conclamar a totalidade do seu ser paraseu trabalho ou para sua oração. Ao trabalhar, deixa Deus para trás.Ao orar mais tarde, deve separar-se do seu serviço. Porque seuhomem exterior não foi quebrantado, está forçado a aventurar-se ea recolher-se. A pessoa " dupla," do outro lado, tem a capacidadede trabalhar com seu homem exterior enquanto seu homem interiorpermanece constantemente diante de Deus. Sempre que anecessidade surge, seu homem interior pode fluir com força emanifestar-se diante de outras pessoas. Desfruta da presençaininterrupta de Deus. Perguntemos a nós mesmos: Sou uma pessoa" única" ou " dupla "? Faz toda a diferença, realmente, se o homemexterior é dividido do interior. Se, pela misericórdia de Deus, você experimentou estadivisão, você sabe que há um homem dentro de você que mantém acalma. Embora o homem exterior esteja ocupado em coisasexternas, estas não penetrarão no homem interior. Aqui está o segredo maravilhoso! Conhecer a presença deDeus é através da divisão destes dois. O Irmão Lawrence pareciaativamente ocupado com os trabalhos da cozinha, mas dentro delehavia outro homem que ficava diante de Deus e que desfrutava decomunhão com Ele, sem perturbação alguma. Semelhante divisãointerior conservará nossas reações livres da contaminação da carnee do sangue. Concluindo, lembremo-nos de que a capacidade de usarnosso espírito depende da obra dupla de Deus: o quebrantamentodo homem exterior e a divisão entre o espírito e a alma, ou seja: aseparação do nosso homem interior do exterior. Somente depois deDeus ter realizado estes dois processos em nossa vida é quepoderemos exercitar nosso espírito. O homem exterior équebrantado mediante a disciplina do Espírito Santo; é dividido dohomem interior pela revelação do Espírito Santo(Hb 4:12).A Manifestação de Deus e a Restrição de Deus Houve um tempo em que Deus Se confiou à forma humanana Pessoa de Jesus de Nazaré. Antes do Verbo Se tornar carne, aplenitude de Deus não conhecia limite algum. No entanto, uma vezque a encarnação veio a ser uma realidade, Sua obra e Seu podereram limitados a esta carne. Este Homem, Cristo Jesus, restringiráa Deus ou O manifestará? A Bíblia nos mostra que, longe de limitara Deus, Ele manifestou a plenitude de Deus de modo maravilhoso. 166
  32. 32. A experiência da formação do caráter de Cristo em nós Em nossos dias, Deus Se confia à igreja. Seu poder e Sua NOTASobra estão na igreja. Assim como nos Evangelhos achamos toda aobra de Deus dada ao Filho, assim hoje Deus confiou à igreja todasas Suas obras, e não agirá à parte dela. Desde o Dia do Pentecosteaté ao tempo presente, a obra de Deus tem sido levada à efeitoatravés da igreja. Pense na responsabilidade tremenda da igreja! Oato de Deus em confiar-Se à igreja é como Seu ato anterior deconfiar-Se a um só Homem, Cristo - sem reservas, sem restrições.A igreja, porém, pode restringir a obra de Deus ou limitar Suamanifestação. Jesus de Nazaré é o próprio Deus. Seu ser inteiro, de dentropara fora, é revelar a Deus. Suas emoções refletem as emoções deDeus; Seus pensamentos revelam os pensamentos de Deus.Enquanto estava nesta terra podia dizer: "Não para fazer a minhaprópria vontade; e, sim, a vontade daquele que me enviou..." OFilho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que virfazer o Pai... Porque eu não tenho falado por mim mesmo, mas oPai que me enviou, esse me tem prescrito o que dizer e o queanunciar" (João 6:38; 5:19; 12:49). Aqui vemos um Homem emquem Deus depositou sua confiança. Ele é o Verbo que Se tornou carne. É Deus que Se tornouhomem. É perfeito. Quando veio o dia em que Deus desejouDistribuir Sua vida entre os homens, aquele Homem podia declarar:" Se o grão de trigo, caindo na terra... morrer, produz muito fruto "(João 12:24). Deste modo, Deus escolheu a igreja para ser Seuvaso hoje - o vaso daquilo que Ele fala, para a manifestação do Seupoder e da Sua operação.O ensino básico dos Evangelhos é a presença de Deus em umHomem, ao passo que o das Epístolas é a de Deus na igreja.Quando esta luz raiar sobre nós, ergueremos espontaneamentenossos olhos ao céu, dizendo: " Ó Deus! Quanto nós Teimpedimos!" Em Cristo, o Deus onipotente ainda era onipotente semsofrer qualquer restrição ou estreitamento. O que Deus espera hojeé que este mesmo poder possa permanecer intacto à medida emque Ele reside na igreja. Ele deve ficar tão livre para manifestar-Sena igreja quanto o era em Cristo. Qualquer restrição ouincapacidade na igreja invariavelmente limitará a Deus. Esta é umacoisa muito séria; não a mencionamos levianamente. O impecilhoem cada um de nós constitui-se um impecilho para Deus. Por que a disciplina do Espírito Santo é tão importante?Porque a divisão entre o espírito e a alma é tão urgente? É porqueDeus precisa ter um caminho através de nós. Que ninguém penseque estamos interessados apenas na experiência espiritual. Nossozelo e dedicação é o caminho de Deus e Sua obra.Deus está livre para operar através das nossas vidas? A não serque sejamos tratados e quebrantados através da disciplina,restringiremos a Deus. Sem o quebrantamento do homem exterior,a igreja não pode ser um canal para Deus. 167

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