Exemplar avulso
                                                                                  R$ 4,90




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                                  fazer a diferença na
                                    sua vida ...
Ao leitor


                                                              A dupla cidadania                               ...
Divulgação

                      ISSN 1679-0243
  Órgão Oficial da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB)
  de perio...
Mensagem do presidente




A vida da Igreja
                                                                              ...
Vida com Deus




Sara, modelo de fé na
terceira
                                                                         ...
Em foco




           Solução para                                                                                   “Não...
Adoração e louvor




                     A bênção do culto
David Karnopp                                                ...
Música na igreja




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Capa                                                                       Montagem sobre fotos Arquivo Editora Concórdia
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Picharam o Cristo Redentor                                                    de seminômades do Antigo Oriente Próximo,
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Fotos: Arquivo Editora Concórdia

     Capa


 o teu nome”, diz o SENHOR. Esta é uma                  cador em Bagdá que u...
Vida cristã




                                                        Castelo Forte,
                                   ...
Meditação




Fotos: Arquivo Editora Concórdia
                                                                           ...
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Mensageiro Luterano

  1. 1. Exemplar avulso R$ 4,90 ISSN 1679-0243 9 771679 024000 Setembro 2010 | No 9 | Ano 93 ma ara Deus Pich e obr ad M as a sa lvaç ão será con hec ida p or to dos ! Vida com Deus Em foco Meditação Sara, modelo de fé Solução para Eu, Jesus... na terceira idade o hino difícil pág. 06 pág. 07 pág. 14
  2. 2. 365 mensagens que vão fazer a diferença na sua vida em 2011 Reserve já o seu! R$17,50 Preço de catálogo (sem desconto) Descontos e prazos especiais para mais unidades. Consulte o agente de literatura, o pastor Fone: (51) 3272.3456 da sua congregação, ou entre em www.editoraconcordia.com.br contato com a Editora Concórdia. pedido@editoraconcordia.com.br
  3. 3. Ao leitor A dupla cidadania Nesta edição O mês de setembro registra a data da proclamação da Indepen- dência do Brasil, que é motivo de orgulho para todos os cidadãos bra- Vida com Deus 06 sileiros. Ter uma Pátria livre, onde, em tese, cada um tem a liberdade de decidir a sua vida pessoal, familiar, religiosa, política, profissional, Em foco 07 etc. é uma grande bênção. Claro, partimos do pressuposto de que as leis sejam justas e que valem para todos; de que os valores comuns e Adoração e louvor 08 as instituições organizadas para a boa ordem social são reconhecidas e protegidas; de que os direitos, assim como os deveres, são respeitados Capa 10 e cumpridos por todos. Neste contexto social, político, cultural, religioso, de sonhos e Meditação 14 realidades distintas, de conquistas e desafios permanentes, somos chamados novamente ao exercício especial da cidadania terrena, Educação Teológica 16 para (através do voto em outubro) escolhermos novos governantes, federais e estaduais, nos poderes executivo e legislativo. Testemunhos 22 Como cristãos, a partir da fé, so- mos portadores de duas cidadanias: Divulgação 23 avulso Exemplar R$ 4,90 100 0 ssora CMYK 9-0243 00 ico de impre Perfil genér 95 9 024 cores: padrão Perfil de o Tela Composiçã ISSN 167 75 a terrena e a celestial. 7 9 7716 25 5 A terrena, recebemos por direito Notícias 25 100 0 95 | Ano 93 75 Set embro 201 o 0|N 9 a de nascimento e já a vivemos, no aramDeus 25 5 agora, plenamente. Nessa, nós Pich de Virando a página 34 0 votamos e somos votados; gover- ob ra namos e somos governados, em diferentes níveis institucionais. ação a salv ida Temos direitos a usufruir e deve- Mas e c conh ! será odos res a cumprir, em igual medida. por t 05 100 Portanto, não podemos ficar 95 75 alheios ao que acontece ao o Meditaç Eu, ão Jesus. .. 25 5 100 Em foc 0 nosso redor. Somos chamados o para Mensagem do presidente Soluçã difícil 95 m Deus pág. 14 o hino 75 Vida co fé delo de pág. 07 Sara, mo idade eira na terc a participar direta ou indire- A vida da Igreja 25 pág. 06 5 0 o.cdr tamente, e devemos fazer as nossas ML agost broCapa nuncio ML Setem 3DesktopA :49 agosto.ps Settings12 2010 16:38 Capa ML nts andde agosto de C:Docume ira, 16 segunda-fe escolhas, em todos os setores da vida, buscando sempre o melhor para todos. A cidadania celestial, recebemos pelo renascimento no santo 09 Batismo. Nela, viveremos em plenitude só lá na pátria celeste. No Música na igreja entanto, desde agora ela influencia e direciona as nossas escolhas O dom da música de cada dia. Pois, enquanto estamos aqui no mundo, caminhamos com os olhos voltados para o alto, porém, com os pés no chão. Em outras palavras: estamos no mundo, mas dele não somos, aqui nós vivemos distantes do lar; a nossa morada de paz se reveste, a pátria celeste é o nosso lugar! Enquanto isso não acontece, vivemos em oração e ação, em 13 louvor e serviço, a Deus e ao próximo. Pensemos nisso enquanto Vida Cristã fazemos as nossas escolhas para a próxima eleição. Castelo Forte, devoções diárias Gratidão especial a todas as pessoas que nos envia- ram mensagens de felicitações pelos 87 anos da Editora Concórdia, completados em 13 de agosto de 2010. m 21 Perguntas Dons espirituais Nilo Wachholz Editor-Redator editor@editoraconcordia.com.br Mensageiro Luterano | Setembro 2010 | Nº 9 | ANo 93 3
  4. 4. Divulgação ISSN 1679-0243 Órgão Oficial da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) de periodicidade mensal (exceto janeiro e fevereiro - edição única). Registrado sob nº 249, livro M, nº 1, em dezembro de AESI realiza Fórum de Ação Social 1935, no Registro de Títulos e Documentos do Rio de Janeiro, No fim de semana dos dias 25 e 26 de setembro, a AESI conforme o Decreto-Lei de Imprensa nº 24776 de 14/07/1934. – Associação das Entidades de Assistência Social da IELB – Projeto e Produção Gráfica Editora Concórdia Ltda. promove o 2º Fórum de Ação Social, em Toledo, PR. Tendo Redação: mensageiro@editoraconcordia.com.br como meta despertar, orientar, fortalecer e motivar para ações Editor concretas de amor e serviço ao próximo, a entidade quer reu- Nilo Wachholz - Reg. Prof. MTb: 42140/SP Assistente Editorial nir representantes das entidades sociais filiadas ou não a AESI, Daiene Bauer Kühl - Reg. Prof. MTb: 14623/RS Coordenadores Distritais da Área Social e membros da IELB interessados no assunto. Revisão Aline Lorentz Sabka A AESI se propõe a auxiliar a Igreja para conscientizar, motivar e orientar cada congregação, a Diagramação Leandro da Rosa Camaratta fim de que se torne um(a) Agente/Agência de Serviço e Ação Social, ali onde estiver inserida. Estagiário de Design O Fórum é uma grande oportunidade para o crescimento e reflexão sobre esta área na Christian Schünke Colaboradores fixos IELB. Assim, todos juntos poderão testemunhar e viver o amor de Cristo. Bruno Ries, Luisivan Vellar Strelow Marcos Schmidt, Mona Liza Fuhrmann, Contato: Pelo e-mail dorcastoledo@uol.com.br, com Rejane. Rosemarie K. Lange, Vitor Radünz, Waldyr Hoffmann Assinaturas Mais informações no site www.editoraconcordia.com.br. Lianete Schneider de Souza Logística PALESTRAS Marcelo Azambuja 25 de setembro (sábado) Assinatura no Brasil Semestral R$ 29,00; Anual R$ 46,00; Bianual R$ 86,00 1. Perspectiva Bíblica da Ação Social – Olhar de compaixão, Pastor Gerhard Grasel, Assinatura para outros países ULBRA, Canoas, RS Anual US$ 52,00; Bianual US$ 100,00 2. Perspectiva Prática – Direitos sociais e humanização dos serviços, Assistente Social Tiragem desta edição: 9 mil exemplares Rejane L. Neumann, Centro Comunitário e Social Dorcas, Toledo, PR A Redação reserva-se o direito de publicar ou não o material a enviado, bem como editá-lo para fins de publicação. Matérias 3. Perspectiva Legal - Legislação atual e um olhar gerencial, Assistente Social Simone assinadas não expressam necessariamente a opinião da Redação ou da Administração Nacional da IELB. O conteúdo do Mensa- Beatriz Ferrari, Prefeitura Municipal de Toledo, PR geiro pode ser reproduzido, mencionados o autor e a fonte. 26 de setembro (domingo) Editora 4. Perspectiva Missionária – Compartilhando experiências da vida com Deus, Pastor José Concórdia Daniel Steimetz, Associação Ev. Luterana de Caridade, AELCA, Porto Alegre, RS Av. São Pedro, 633 – Bairro São Geraldo 5. Relato da AESI e Desafios no Planejamento da IELB, Pastores Nelson Kissler e Tealmo CEP 90230-120 – Porto Alegre – RS Fone/Fax: (51) 3272 3456 Percheron (presidente e vice presidente da AESI), Geraldo Schüller (vice-presidente da www.editoraconcordia.com.br twitter.com/edconcordia IELB) e Mario Lehenbauer (Assessor de Ação Social e Coordenador de Projetos da IELB) Editora: editora@editoraconcordia.com.br 6. Atividade em grupo – Propostas para a Ação Social da IELB Livraria: comercial@editoraconcordia.com.br Diretoria Executiva Henry J. Rheinheimer (presidente), Clóvis J. Prunzel, Nilo Wachholz, Nilson Krick e Rubens José Ogg Do leitor Gerente Nilson Krick nilson@editoraconcordia.com.br Estimado Editor, Depto Financeiro Recebi, com satisfação, o exemplar de agos- Joel Weber Que o Salvador Jesus der- Editor to, da revista Mensageiro Luterano, que aborda rame sempre as ricas bençãos Nilo Wachholz com muita propriedade o assunto Música Sacra. editor@editoraconcordia.com.br sobre a sua vida e a toda equipe Comissão Editorial Da bem cuidada reportagem assinada por Paulo Rubens José Ogg, Célia M. Bündchen, do Mensageiro Luterano. Quero Clóvis J. Prunzel, Nilo Wachholz, Udo Kunstmann, deduz-se que a Igreja Luterana Adilson Schünke e Nilson Krick aproveitar para parabenizá-los tem cultivado, desde a Reforma, não só a Música por todas as matérias publicadas, Sacra Litúrgica, mas a Música Sacra Clássica IGREJA EVANGÉLICA LUTERANA DO BRASIL e dizer que é muito gratificante – privilégio que nem todas as Igrejas sabem Rua Cel. Lucas de Oliveira, 894 ler o Mensageiro e receber infor- Bairro Mont’Serrat - CEP 90440-010 aproveitar. Este é, sem dúvida, o grande legado mações e notícias que acontecem Porto Alegre/RS – Brasil de Lutero. Que esse esforço seja abençoado. Fone: (51) 3332 2111 / Fax: (51) 3332 8145 Talita de Almeida Montenegro na nossa querida IELB. e-mail: ielb@ielb.org.br Igreja Presbiteriana do Riachuelo Jonas Hoffmann Diretoria Nacional 2010/2014 Rio de Janeiro, RJ Presidente da CEL Castelo Forte, Presidente Egon Kopereck Nova Venécia, ES 1º Vice-presidente Arnildo Schneider 2º Vice-presidente Geraldo Walmir Schüler Secretário ERRATAS Rubens José Ogg Tesoureiro * Na página 34, da edição de agosto, os nomes Renato Bauermann * A data do falecimento do pastor Emilio do missionário e do pastor que trabalharam na Frederico Augusto Krieser, publicada no região de Passo Fundo, RS, estão incorretos. O A IELB crê, confessa e ensina que os livros canônicos das Escrituras Sagradas, do Antigo e do Novo Testamento, são a texto Ainda o Dia do Pastor, na edição de missionário é John Busch, formado em feverei- Palavra infalível revelada por Deus e aceita, como exposição correta dessa Palavra, os livros simbólicos da Igreja Evangélica agosto de 2010, está incorreta. A data certa ro de 1911, em Saint Louis, EUA; e o pastor é Luterana, reunidos no Livro de Concórdia do ano 1580. é 6 de novembro de 1980. Daltro Kautzmann. 4 Mensageiro Luterano | Setembro 2010 | Nº 9 | ANo 93
  5. 5. Mensagem do presidente A vida da Igreja o lançamento dos novos devocionários Foto: Rodrigo Abreu/ Arquivo Castelo Forte e Cinco Minutos Com Jesus. Que bênção termos a nossa disposição um material tão rico, tão acessível e de tão grande valor para alimentar a nossa fé! O grande pregador Spurgeon disse: “O altar da família é uma das melhores e mais anti- gas instituições no mundo, e abençoada é a família onde ele existe”. Não deixemos de adquirir o nosso devocionário, e, por que não pensar em dar de presente aos nossos vizinhos, amigos, colegas de trabalho e amigo secreto (oculto) de final de ano?! Um devocionário é um excelente meio de testemunhar nossa fé. Pensemos nisto! Eleições E, por fim, não poderia deixar de trazer uma palavra também sobre o importante Q pleito que está diante de nós. Não deixe- ueridos irmãos e irmãs em Cristo! Os ERPEDs têm acontecido por todas as mos de fazer a nossa parte. Devemos ter Setembro é o mês da ESCOLA regiões do nosso Brasil, e fico feliz, quan- muito cuidado e critério ao escolher os DOMINICAL. Em Pv 22.6, o sábio do ouço o nosso Coordenador do PEM, nossos candidatos – eles estarão a nossa Salomão diz: “Ensina a criança no caminho pastor Adilson Schünke, falar com alegria frente nos próximos quatro anos. Coloque- em que deve andar, e, ainda quando for e entusiasmo da participação crescente mos nas mãos de Deus a decisão do nosso velho, não se desviará dele”. É na infân- dos professores nestes eventos. Quando povo. Depois de eleitos, aceitemos a deci- cia que aprendemos a maior parte das a Congregação/Paróquia/Distrito paga são tomada e incluamos, constantemente, coisas. Se perdermos essa fase, deixando as despesas dos nossos professores, para os nossos governantes em nossas orações. de inculcar nelas os valores essenciais, é eles participarem dos cursos de aperfeiço- Por vezes, somos muito rápidos em criticar, difícil mudar mais tarde. Por isso, a Esco- amento, e lhes oferece apoio e as melho- mas esquecemos de pedir e buscar a ajuda la Dominical deve receber uma atenção res condições para desenvolverem o seu e benção de Deus sobre eles. e um cuidado bem especial em nossas trabalho, não estamos gastando dinheiro, Aos candidatos, ligados a nossa Igreja, congregações. Felizes as Comunidades mas investindo no nosso próprio futuro desejamos as mais ricas bênçãos de Deus, que têm zelado por este trabalho com como Igreja. e rogamos para que do alto obtenham sa- as crianças em seu meio, incentivando Deus abençoe nossos professores e bedoria, coragem, discernimento e muita professores e professoras, providenciando professoras. Deus conceda sempre ânimo, fé, para desempenharem com responsabi- material, oferecendo um lugar adequado coragem, alegria e força para esta sublime lidade o seu dever. Também aqui é grande para o trabalho, enfim, colocando entre missão. e profunda a verdade: “Feliz a nação cujo as prioridades do seu planejamento o Deus abençoe as crianças. Participem, Deus é o Senhor” (Sl 33.12). m atendimento aos pequeninos, pois, assim, venham e tragam com vocês os vossos pais podem sonhar com um futuro promissor para os cultos. ERRATA: Diferente do que foi publicado neste espaço, na em suas Comunidades. Deus abençoe a todos os pais, que de edição de agosto, Maripá pertence ao Distrito Sete Quedas. Queridos membros da Igreja, cuidem forma responsável, consciente e amorosa bem das crianças; invistam na preparação trazem seus filhos para a igreja, para a Es- dos professores! A Comissão da Escola cola Dominical, depois para a Juventude, Dominical da IELB tem se preocupado enfim, para dentro da vida da Igreja. Egon Kopereck em oferecer sempre, a cada ano, material Pastor, presidente da IELB de qualidade, bem como em ajudar na Vida devocional presidente@ielb.org.br formação e preparação dos professores. Também no mês de setembro, acontece Mensageiro Luterano | Setembro 2010 | Nº 9 | ANo 93 5
  6. 6. Vida com Deus Sara, modelo de fé na terceira “Pela fé, até a própria Sara Fotos: Arquivo Editora Concórdia recebeu a virtude de conceber um filho, mesmo fora da idade, porquanto teve por fiel aquele idade que lho havia prometido.” Hebreus 11.11 já idosa, tornou-se mãe. O riso de dúvida de Sara se transformou em riso de alegria: Deus me deu motivo de riso; e todo aquele que ouvir isso vai A pergunta de Sara, “será ver- rir-se juntamente comigo (Gn 18.12; dade que darei ainda à luz, 21.6,7). No Evangelho de João, a sendo velha?” (Gn 18.13), declaração de Sara aparece, outra aparece, de forma inversa, na per- vez invertida, quando Jesus declara: gunta de Nicodemos: Como pode um Abraão, vosso pai, alegrou-se por ver homem nascer, sendo velho? Pode, o meu dia, viu-o e regozijou-se (Jo porventura, voltar ao ventre materno 8.56). No riso de Abrão e Sara pelo e nascer segunda vez? (Jo 3.4). O que nascimento de Isaque estava incluída é mais difícil: gerar filhos quando se a alegria da salvação (Sl 51.12), a é idoso(a) ou ser gerado de novo? A alegria pela vinda do Salvador Jesus resposta é a mesma: para Deus não ao mundo. haverá impossíveis em todas as suas A idosa matriarca da fé derramou, promessas (Lc 1.37). Sara confiava sem dúvida, muitas lágrimas em sua que, mesmo em sua idade avançada, vida de espera pelo cumprimento da Deus era poderoso para cumprir o que promessa divina, mas no fim preva- prometera (Rm 4.21). leceu o riso de alegria, porque Deus A idade traz consigo provações à é fiel e poderoso para cumprir todas fé, desconhecidas dos mais jovens. O as suas promessas. Muitas vezes, Sara envelhecimento poderá mesmo ser deve ter dito em seu coração: será ver- acompanhado pela graça de Deus? Não dade que darei ainda à luz, sendo ve- seria contraditório crer na ressurreição lha? Mas encontrava conforto na Pa- para a vida eterna diante dos sinais do lavra de Deus: acaso, para o SENHOR envelhecimento? As perguntas de Sara há coisa demasiadamente difícil? (Gn e de Nicodemos são típicas da terceira 18.13,14). A cruz e as lágrimas são por idade, quando se confia nas promessas breve tempo, enquanto peregrinamos de Deus: como é possível conciliar a e envelhecemos, mas a glória e a promessa de novo nascimento e de alegria serão eternas (1 Pe 1.6). Sara nova vida com os sinais irreversíveis comprovou, pela fé, a fidelidade de do envelhecimento? Assim, como gerar “Como é possível conciliar a Deus e a verdade da sua Palavra: os que com lágrimas semeiam com júbilo filhos e nascer de novo, como podemos promessa de novo nascimento e de crer na promessa de ressurreição para a ceifarão (Sl 126.5). nova vida com os sinais irreversíveis Na terceira idade, cristãos en- vida eterna se envelhecemos continua- do envelhecimento? Assim, como contram conforto nas promessas do mente? A resposta é a que Sara recebeu, e à qual se apegou com verdadeira fé: gerar filhos e nascer de novo, como Senhor que faz nascer e faz viver para acaso, para o SENHOR há coisa dema- podemos crer na promessa de a eternidade. m siadamente difícil? (Gn 18.14). ressurreição para a vida eterna se O que parecia impossível tornou-se Luisivan Vellar Strelow, colaborador do ML envelhecemos continuamente?” e mestre em Teologia (STM) realidade pelo poder de Deus – Sara, 6 Mensageiro Luterano | Setembro 2010 | Nº 9 | ANo 93
  7. 7. Em foco Solução para “Não se enganem; não sejam apenas ouvintes dessa mensagem, mas ponham em o hino difícil prática o que ela manda. Porque aquele que ouve a mensagem e não a pratica é como um homem que olha no espelho e “ Já podeis, da Pátria filhos, ver con- tente a mãe gentil...”. A maioria dos brasileiros não sabe cantar o resto do Hino da Independência, o que não signi- aquilo que vimos no Fantástico (da Rede Globo) do dia 8 de agosto vereadores corruptos, flagrados, gastando dinheiro público em turismo. E assim, o perigo de vê como ele é. Dá uma olhada, depois vai embora e logo se esquece de sua aparência” fica falta de patriotismo. Pode ser uma suspirar pela desafinada e velha canção da questão cultural; ou porque é complicado ditadura, e rejeitar a sinfonia da liberdade mesmo, assim como o próprio Hino Nacio- regida pela batuta dos direitos e deveres 1.22-24). Ou seja, se esquece de que, ele nal – todos com um vocabulário parecido da democracia – uma orquestra em que o próprio, foi eleito e agora vive a mordomia com “os grilhões que nos forjava da perfí- maestro é o próprio povo. – e não “na mordomia”. dia astuto ardil”. Um problema que acontece também na “Os grilhões que nos forjava da perfídia Penso que esses hinos são a própria cara Igreja. O cristão, eleito para os propósitos astuto ardil, houve mão mais poderosa, da política brasileira. Muito interessante de Deus (1 Pedro 1.2), cidadão dos céus zombou deles o Brasil”. Alguém entendeu? no papel, nos gabinetes, mas distante das (Filipenses 3.20), que recebeu de Cristo Vamos então ao dicionário para descobrir ruas, da compreensão popular. A gente até a independência da morte (1 Coríntios que é isso que acontece com o “hino difí- sabe assobiar a melodia, mas, na hora de 15.57), pode facilmente enredar-se na cil” na política e na Igreja, e é disto que cantar, se enrola nas palavras, tem lapso desafinada e herética canção “deixa a precisamos nos libertar. Em linguagem de memória, se perde no significado. Por vida me levar, vida leva eu”. Pode tapar popular, “diante da desleal sabedoria do exemplo: Quem foi o meu candidato na os ouvidos ao aviso: “Não vivam como jeitinho que nos moldava na ignorância, última eleição? Qual a função do Senador? vivem as pessoas do mundo, mas deixem agora tem uma mão mais forte que dá o O que faz um Deputado? Quais os com- que Deus os transforme” (Romanos 12.2). troco”. Esta mão é o entendimento, seja promissos do Presidente da República? Uma acomodação melódica, tradicional, na cidadania deste mundo e da celestial. Para onde vai todo o dinheiro arrecadado enfadonha, presente apenas nos bancos Ou como diz o texto sagrado: “Então não nos impostos? perfilados da igreja, mas distante do seremos mais como crianças, arrastados Mesmo assim, ninguém duvida que verdadeiro culto lá fora, do oferecer-se pelas ondas e empurrados por qualquer a democracia, igual aos hinos cívicos, é completamente a Deus num sacrifício vivo vento de ensinamentos de pessoas falsas” preciosa e interessante. Quem sabe a so- (Romanos 12.1). Por isso, o recado: “Não (Efésios 4.14). m lução seja uma “nova tradução”. Não na se enganem; não sejam apenas ouvintes letra dos hinos, porque isto geraria a maior dessa mensagem, mas ponham em prática confusão, mas uma “nova tradução na o que ela manda. Porque aquele que ouve linguagem de hoje” na cultura de um povo a mensagem e não a pratica é como um Marcos Schmidt que só lembra do Hino Nacional quando homem que olha no espelho e vê como Pastor da IELB em Novo Hamburgo, RS Colaborador do ML tem Copa do Mundo, que só vibra quando ele é. Dá uma olhada, depois vai embora marsch@terra.com.br tem campanha política. E daí acontece e logo se esquece de sua aparência” (Tiago Mensageiro Luterano | Setembro 2010 | Nº 9 | ANo 93 7
  8. 8. Adoração e louvor A bênção do culto David Karnopp “O Senhor te abençoe nal de concordância, de aprovação. Quando e te guarde. O Senhor faça os filhos pedem alguma coisa para os pais, nem sempre os pais precisam responder E m cada final de culto, você vê o pas- resplandecer o seu rosto com palavras. Às vezes, por um simples tor levantar as mãos e pronunciar a sobre ti e tenha misericórdia sorriso, os filhos já sabem que a resposta é bênção: “O Senhor te abençoe e te de ti. O Senhor sobre ti levante afirmativa. E o sorriso de Deus para o seu guarde. O Senhor faça resplandecer o seu o seu rosto e te dê a paz.” povo é a certeza da sua misericórdia. rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti. O Vale lembrar que ele não quer ser Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê imaginado como um juiz severo, mas, sim, a paz”. Desde a infância conhecemos esta tenha misericórdia; o Senhor levante o rosto como um Deus gracioso. E a misericórdia bênção. Apesar disso, e muitas vezes pela e dê a paz. A primeira parte de cada frase de Deus tem a dimensão da obra de Cristo pressa do culto terminar logo, a grandeza invoca o nome de Deus, e a segunda a sua em favor de nós. Ele veio ao mundo, se co- e profundidade dela nos passam desperce- ação sobre o seu povo e em favor dele. Ve- locou em nosso lugar, deu a vida por nós, bidas. Qual é a importância desta bênção jam que elas não são palavras quaisquer. para que nós, pela fé nele, pudéssemos para a vida da Igreja? Além disso, a palavra bênção tem o receber, de graça, a salvação. Primeiro, não são palavras humanas; sentido de dar algo bom, de dar o melhor, Levantar o rosto tem o sentido de estar tampouco são palavras para simplesmente de fazer feliz, de suprir nossas necessida- atento. Aquele que está cabisbaixo, geral- sinalizar que o culto está terminando. São des, tanto materiais quanto espirituais. E mente, está desatento ao que se passa ao palavras que Deus mandou o sacerdote só Deus pode nos dar o melhor e nos fazer seu redor. Porém, Deus está atento a tudo Araão dizer ao povo de Israel, quando este feliz, pois os que estão sob a bênção de Deus o que acontece com seu povo, e o seu olhar peregrinava pelo deserto (Nm 6.22-27). Por estão bem guardados e protegidos, inclu- é olhar da paz. Esta paz de Deus é tudo o isso, é chamada de bênção araônica. Para sive do poder do diabo. Deus não somente que Deus tem de bom para os seus filhos, o povo de Israel, esta bênção era a certeza nos dá coisas boas, mas afasta de nós tudo principalmente o perdão obtido por Cristo da companhia de Deus na dura caminhada o que causa mal, tanto para o corpo como na cruz. Aliás, é só através de Cristo que pelo deserto. E na nossa dura caminhada para a alma. Lembrando que a bênção de podemos ver o rosto gracioso de Deus. de hoje, as palavras desta bênção, são de Deus não pode ser retirada ou modificada Ouvir a bênção ao final de cada culto grande valor. Além dela, outras formas de por ninguém, mas, infelizmente, nós (por é maravilhoso, pois ela é a certeza de que bênçãos também são usadas no culto. descrença) podemos nos desviar dela. Deus está conosco. Assim, fortalecidos pela Segundo, estas palavras são uma prova A expressão resplandecer o rosto traz a Palavra e pelos Sacramentos, podemos da bondade e misericórdia de Deus. Esta ideia de rosto sorridente, e o sorriso é um si- voltar aos nossos lares e trabalhos com bênção é formada por a certeza de que não três frases, e, em cada estamos sós. Em tudo, uma delas, o nome do a bênção de Deus nos Senhor é repetido três acompanha. Além de vezes. Isso lembra que que sob a bênção de as bênçãos vêm do Deus podemos repar- Pai, do Filho e do Espí- tir a paz com o nosso rito Santo. A repetição próximo, dando alegre também é uma ênfase testemunho da miseri- de que o Senhor é córdia divina. a fonte de todas as Que Deus, em bon- bênçãos. Cada uma dade, nos mantenha das três frases tem o debaixo dela! m Senhor como sujeito e é sempre seguido por dois verbos: O Senhor David Karnopp, pastor em abençoe e guarde; o Vacaria, RS. Membro da Senhor resplandeça e Comissão de Culto da IELB 8 Mensageiro Luterano | Setembro 2010 | Nº 9 | ANo 93 Foto: Rodrigo Abreu/ Arquivo
  9. 9. Música na igreja Foto: Arquivo Editora Concórdia “O dom musical, a musicalidade, deveria ser uma enorme preocupação para a O dom da música Igreja: como bem conduzir os especialmente dotados, os intensamente agraciados pelo dom da música? Ou será à toa que a Bíblia os menciona? Qual é, então, a responsabilidade Paulo Brum Como não se pode ter certeza do completo da Igreja para com a força conhecimento de toda a herança trazida por alguém, presupõe-se que, se uma pessoa é poderosa deste dom?” A Bíblia menciona alguns dons es- dotada musicalmente ou não, este assunto peciais. Entre eles está o “dom da está absolutamente sujeito a enganos. música”. Em termos de pedagogia específica: padecem de potencialidades musical, este se denomina musicalidade Descobrindo os dons em outras áreas. Casos de musicalidade e é definido como o interesse e a aptidão Assim sendo, é irrelevante cogitar ou extrema são lamentavelmente danosos se de alguém para fazer música. discutir, em aulas de música, se o aluno forem mal conduzidos. tem ou não talento. O mais prudente e O comum das pessoas é possuir uma A musicalidade é inata o mais sábio, portanto, é supor que em musicalidade média variável, e o interes- ou adquirida? todos os seres humanos existam todos os sante é que lhes seja oferecido contato com Muito se tem discutido se a musicalida- dons, e, assim, proporcionar situações a linguagem musical desde cedo, ainda de é um fator hereditário ou ambiental. É favoráveis à sua manifestação produtiva na infância. preciso considerar hereditariedade como e positiva. Tradicionalmente, as igrejas cristãs têm sendo a gama de todas as possibilidades Sabemos que nem todas as pessoas proporcionado a seus membros, e pessoas humanas passíveis de serem convertidas são igualmente dotadas, nem qualitativa, próximas a suas comunidades, um des- em faculdades ativas. A constrangedora nem quantitativamente. Há aquelas que, contraído e intrínseco ambiente musical, afirmação de que o talento musical é herda- mesmo em situações altamente favorá- propício à descoberta e à valorização dos do e inato tem embasado muitas injustiças veis, não demonstram a menor tendência dons musicais. Entretanto, têm falhado, e graves erros educacionais. Muitos pais a determinada área. Ocorre, porém que, no que se refere ao aprimoramento deles, insistem na genialidade de seus filhos e os em termos musicais, raríssimos são os principalmente na atualidade. obrigam a penosas e mal ministradas “lições casos de incapacidade total. E mesmo A preocupação com a música tem sido de música” pelo simples motivo de acreditar dentre os que são absolutamente inca- muito mais utilitária do que reflexiva, bem que isso é “o forte da família”. pazes de produzir música, compondo ou mais com as aparências de seus espetáculos Por outro lado, as pessoas costumam interpretando, existem aqueles que são do que com o seu real significado. considerar que lhes é impossível possuir sensíveis apreciadores. Pensemos... m certas tendências naturais apenas por não Possuir ou não o dom da música não poder verificá-las em seus ascendentes justifica nem superioridade, nem infe- conhecidos e próximos. Apenas essa convic- rioridade de um sobre o outro. Pessoas Paulo Brum, capelão de música da ULBRA, ção de que lhes falta alguma coisa faz com extremamente musicais, habitualmente, pastor da CELSP, Canoas, RS que lhes atrofie o talento correspondente. padecem dos prejuízos da genialidade Integrante da Comissão de Culto da IELB Mensageiro Luterano | Setembro 2010 | Nº 9 | ANo 93 9
  10. 10. Capa Montagem sobre fotos Arquivo Editora Concórdia “... por meio de você eu abençoarei todos os povos do mundo” (Gn 12.3) Desfigurar a criação divina remonta a tempos bem antigos. Pela queda em pecado, o ser humano pichou a criação e a sua comunhão com Deus, ainda no Jardim do Éden. As consequências foram desastrosas. O medo de Deus e o desespero diante da morte e da condenação eterna tomaram conta de todas as pessoas. Porém, Deus mudou essa história quando decidiu que “a salvação será conhecida por todos!” 10 Mensageiro Luterano | Setembro 2010 | Nº 9 | ANo 93
  11. 11. Picharam o Cristo Redentor de seminômades do Antigo Oriente Próximo, O Rio de Janeiro se prepara para receber que conhecemos bem a partir de descobertas as Olimpíadas. Monumentos estão sendo res- arqueológicas. taurados e dentre eles está a estátua do Cristo Aparentemente Abrão era um homem nobre Redentor. Enquanto os andaimes ainda cercavam e rico. “Abrão, sai da tua terra [...] eu te aben- o monumento, um grupo de vândalos conseguiu çoarei”, diz Deus. Ele é um Deus desconhecido, subir, às escondidas, e pichou a estátua nos falando a um Abrão pagão, idólatra, numa lin- braços, no peito e no rosto com inscrições de guagem que este nunca havia ouvido. A escolha protesto – o Cristo Redentor ficou pichado e de Abrão mostra que a missão de Deus é sur- desfigurado. preendente. Foge aos padrões humanos daquela Pichar Deus e a sua obra não é coisa nova. época e de hoje – a escolha não é por obras, mas Desfigurar a criação divina remonta a tempos pela graça. bem antigos. Os capítulos iniciais de Gênesis (1 E você vai perguntar: é razoável o que Deus a 11) demonstram isso. Pela queda em pecado, pede a Abrão? Um homem de 75 anos deixar o ser humano pichou a criação e a comunhão a família do pai e viajar para o desconhecido? “ com Deus; no dilúvio, a humanidade desdenhou Que garantias Deus lhe dá? Humanamente, o próprio Deus por 120 anos; na construção da nenhuma. Apenas promessas _ um candelabro Torre de Babel, no capítulo 11, os seres humanos de sete promessas. tentaram destronar Deus e colocar no topo mais É assim que Deus trata conosco; trata conos- alto do mundo uma grande placa, um grande Abraão não é nome co como tratou com Abrão. Não em termos de outdoor luminoso com seus próprios nomes para exigência, de ordem, mas, acima de tudo, em ter- se engrandecerem e se tornarem famosos. de perfume ou de mos de promessa. Esperando contra a esperança Para não exterminar a humanidade rebelde, uma grife, mas Abrão _ um sheik da fé _ faz da sua caminhada Deus confunde as linguagens de maneira que um uma peregrinação baseada em promessas, contra não entendia a linguagem do outro. E quando é um nome que o mundo e para conquistar o mundo. você não entende a linguagem do outro, você se encolhe, se isola, se desespera e sente a morte confessa um Deus A ação de Deus latejar em seu coração. que quer ser “Pai de Esta é a maneira que Deus coloca em ação seus personagens de fé. Os heróis e heroínas de Em Abrão, um novo começo multidões”. Já não é Deus não transitam em um espaço de sucesso ou Em Gênesis 11, Deus parece fechar o envelope e entregar a humanidade ao seu próprio desti- Abraão quem vive, de fogueira de vaidades. Eles atuam em contextos de oposição: podem estar sozinhos contra o no. Porém, em Gênesis 12.1-3, Deus abre um mas Cristo vive em mundo; podem sair da segurança em que estão novo envelope. É um novo começo, uma nova para arriscar tudo, inclusive a vida diante do oportunidade de salvação para o mundo. De Abraão. É por isso chamado de Deus. certa forma, Deus faz uma nova criação – nesse novo envelope não está a humanidade, mas um que nele e em nós, Para o mundo, a Igreja parece anêmica, fraca e arcaica. E muitas vezes Deus permite que assim indivíduo: o patriarca Abrão. serão benditas todas aconteça. A nossa situação parece fútil, nossa Por que Deus escolhe Abrão? Havia alguma obra inócua; nos sentimos isolados e desolados. qualidade em Abrão que o habilitasse para tal? as famílias da terra. Como Abrão, parece que estamos sozinhos Na verdade, na questão da eleição, assim como Não por causa contra o mundo e, entretanto em meio a essa do sacrifício na cruz, temos um exemplo de como fragilidade, Deus age para fazer de nós uma a sabedoria de Deus e o seu pensamento diferem do nosso nome, bênção para o mundo. E à medida que somos da nossa sabedoria e dos nossos pensamentos. chamados a ser uma bênção para o mundo, nos A sabedoria de Deus está em absoluto contraste mas por causa do colocamos na linhagem de Abrão, não por sermos com toda e qualquer sabedoria do mundo, como nome daquele por nobres, ricos, mas unicamente porque confiamos diz Paulo aos Coríntios: “Deus escolheu as coisas nas promessas de Deus. Estão certas as crianças fracas do mundo para envergonhar as fortes”, quem vivemos e da nossa Escola Dominical quando cantam: “Pai para que ninguém se vanglorie. somos peregrinos no Abraão tem muitos filhos, muitos filhos ele tem: eu sou um deles, você também”. A razão da escolha mundo. A pergunta surge em nós: Por que Deus esco- O foco de Deus lheu a você e a mim? Há lógica nesta escolha? Deste candelabro de promessas que Deus dá Abrão possivelmente fazia parte de um grupo a Abrão, uma se pode destacar: “engrandecerei Mensageiro Luterano | Setembro 2010 | Nº 9 | ANo 93 11
  12. 12. Fotos: Arquivo Editora Concórdia Capa o teu nome”, diz o SENHOR. Esta é uma cador em Bagdá que um dia mandou seu bênção estranha. servo ao mercado. Não demorou muito e Engrandecer o teu nome? Quem não o servo voltou, pálido e trêmulo, e muito gostaria de ter o seu nome engrandecido? nervoso disse ao seu senhor: “Mestre, lá Mas não seria isso abrir de novo o antigo no mercado eu fui empurrado por uma se- envelope? Voltar a Gênesis 11, com mais nhora na multidão e quando me virei vi que uma Torre de Babel e nela colocar uma nova quem me havia empurrado era a morte. Ela placa, um novo outdoor, agora com apenas olhou para mim e fez um gesto ameaçador. um nome: Abraão? Aliás, um novo nome: Mestre, por favor, me empresta o seu cavalo de Abrão para Abraão. Seria isso o que porque tenho que correr para escapar dela. Deus está dizendo? Claro, Abraão é chama- do no texto bíblico de amigo de Deus, pai dos crentes, o ancestral do Messias. Vou fugir para Samarra e lá vou me escon- der – e a morte não vai me encontrar.” O mercador emprestou seu cavalo e o servo Anastácio Porém, nos parece que o texto quer dizer muito mais do que isso. O foco não fugiu a galope para Samarra. Mais tarde, o Mestre foi ao mercado e recebe é Abraão, o foco não somos nós! “En- viu a morte em pé no meio da multidão. Foi grandecerei o teu nome ou engrandecerei o nome que representas.” até ela e perguntou: “porque você assustou o meu servo esta manhã com um gesto voluntários Abraão fora chamado por Deus, batizado ameaçador?” “Aquele não foi um gesto ame- por Deus, é uma nova criatura, Abraão não é açador”, disse a Morte, “foi apenas um gesto A Congregação Luterana Indígena, nome de perfume ou de uma grife, mas é um de surpresa. Eu fiquei admirada por vê-lo em de Anastácio, MS, desenvolve em seu nome que confessa um Deus que quer ser “Pai Bagdá, porque eu tenho um encontro marca- meio um projeto chamado Projeto Sa- de multidões”. Já não é Abraão quem vive, do com ele esta noite em Samarra”. maritano. Trata-se de uma ação social mas Cristo vive em Abraão. É por isso que nele médica, onde recebem uma equipe e em nós serão benditas todas as famílias da O encontro com o Redentor de voluntários norte-americanos lu- terra. Não por causa do nosso nome, mas por Todos têm um encontro com a morte em teranos da área da saúde. Médicos, causa do nome daquele por quem vivemos e Samarra. Os da queda, do dilúvio, da Torre dentistas, enfermeiras, bioquímicos, somos peregrinos no mundo. de Babel, os cananeus, nós todos. Contudo, oftalmologistas, técnicos da saúde, isto é motivo de alegria e não de medo, por- farmacêuticos, assistentes sociais, A resposta de Abraão que Deus abriu novo envelope em Abraão professores de Escola Bíblica, vo- “Partiu, pois, Abraão como lhe dissera e no Messias que dele descende. Deus en- luntários em geral, todos devida- o SENHOR”, diz o versículo 4. O que velopou em barro, com cada um de nós, o mente documentados, se reúnem aconteceria se Deus não tivesse tido esse seu próprio Filho que, ao morrer e ressuscitar, para juntos prestarem atendimento diálogo com Abraão? E mais, o que acon- abriu o envelope da sepultura para que nós médico-odontológico às comunidades teceria se Abrão não tivesse partido? Onde pudéssemos viver e o medo da morte não indígenas da tribo Terena. Este ano, estaríamos nós e bilhões de cristãos hoje mais latejasse em nossos corações. o atendimento será realizado nas espalhados pelo mundo? Tudo o que Abraão Pela língua como de fogo do Espírito aldeias dos municípios de Miranda precisou fazer, ele fez. Ele disse “Amém” ao Santo, todas as linguagens estranhas se e Nioaque, e tem data prevista para que Deus havia lhe prometido. unem no Pentecostes de Deus para ouvir os dias 4 a 14 de outubro. A equipe A Escritura chama isso de fé. Fé é a cer- a doce linguagem do Evangelho – o Evan- ainda não está totalmente definida. teza de coisas que se esperam e a convicção gelho que anuncia o Cristo que nasceu, Logo, se você deseja usar seus dons de fatos que se não veem. A confiança de morreu e ressuscitou. Esta é a linguagem na área da saúde, como intérprete, Abraão não repousa sobre algo tênue como que acolhe, que perdoa, que salva. Este ou simplesmente participar desta ação “a espuma da cerveja”, como diz Lutero, é o Cristo que a Escritura revela, e que missionária diferenciada, entre em mas estava fincada sobre algo firme, ou nós, como suas cartas vivas, queremos contato com o pastor Mario Lehen- seja, as promessas de Deus. descrever e pintar na nossa vida e nosso bauer (mario@ielb.org), Assessor de É com esta promessa que Abraão en- ministério para o mundo. Este Cristo Ação Social da IELB, ou com o pastor frenta o mundo da sua época. Enfrenta os Redentor ninguém jamais poderá pichar Paulino Ratund (paulusratus@hot- cananeus, ferezeus, girgazeus, todos aque- ou desfigurar. m mail.com). Ou mande um e-mail para les povos que numa linguagem estranha cong.luterana.indigena@gmail.com, haviam feito aliança com a morte. coordenadores desta ação no Brasil. Rev. Dr. Acir Raymann, é professor de Teologia Esta é uma excelente oportunidade O encontro em Samarra Exegética do Antigo Testamento. Devoção proferida na 60ª Convenção Nacional da de servir ao Senhor Jesus e de teste- Uma antiga lenda nos fala de um mer- munhar a sua fé. IELB, em Foz do Iguaçu, abril 2010. 12 Mensageiro Luterano | Setembro 2010 | Nº 9 | ANo 93
  13. 13. Vida cristã Castelo Forte, devoções diárias Quantas pessoas recebem o benefício da leitura da Palavra e da devoção do Castelo Forte diariamente? Nos lares, nos escritórios, nas salas de aula, nas prisões, nos hospitais, milhares de pessoas estão lendo conosco experiências com a leitura família, juntando as mãos em oração, cul- do Castelo Forte... tuando o nosso Deus Pai, Filho e Espírito Santo, e sendo orientados e desafiados em nossos amigos, em sua vida cristã. Cada escritor tem o brasileiros aqui em Nairóbi. Dis- privilégio e a responsabilidade de pregar tribuí 10 exemplares no começo do para uma audiência muito maior do que ano e deixei um na sala de recepção da qualquer templo pode suportar. – A título Embaixada Brasileira. Dois amigos me de informação, em 2010, foram vendidos garantiram que leem regularmente, os 85 mil exemplares! outros, espero que estejam lendo de vez em quando. Um casal ficou especialmente Naqueles que deixam o Castelo Carlos Walter Winterle feliz em receber o exemplar de presente, Forte na estanteou na cabeceira pois nos contaram que, quando moravam da cama, mas não o leem. Estão no Rio de Janeiro há uns 20 anos, recebe- com um prato delicioso à sua disposição, Q uando minha esposa e eu lemos ram um exemplar do seu pastor e, depois mas não degustam a comida. Seja no a devoção do Castelo Forte, a de lido, conservam este exemplar na sua início do dia, como muitos fazem; seja cada noite após a janta, fico biblioteca até hoje! É um belo presente a no final do dia, a palavra bíblica diária e pensando: ser dado no final do ano, e não custa mui- a correspondente reflexão são um alento to mais do que um elaborado cartão de e um descanso em meio aos nossos com- em nossos filhos, que estão longe, no Natal. Tente colocar na sala de recepção promissos diários. Brasil e na Alemanha, e que se irmanam do seu dentista, do seu médico... Mesmo Está na hora de comprar o CASTELO conosco na leitura do Castelo Forte. De que alguém leve para casa, a semente FORTE 2011! Não pense só em si; com- vez em quando, comentamos uma ou está plantada. pre um ou mais exemplares para dar de outra devoção que causa mais impacto presente. Sei que muitos já fazem isto, mas em cada família. Nosso filho mais velho Nas milhares de pessoas que se todos os leitores adotarem esta prática, relatou estes dias que estava caminhan- adquirem o Castelo Forte a cada poderemos dobrar o número de exem- do com a esposa e comentando sobre os ano. Quantas pessoas recebem o benefí- plares publicados a cada ano, levando planos futuros, o que estava pela frente, cio da leitura da Palavra e da devoção do assim a Palavra de Jesus a mais corações, etc... À noite, quando leram a devoção, Castelo Forte diariamente? Nos lares, nos aquecendo-os com o amor de Cristo. m encontraram a resposta para as suas escritórios, nas salas de aula, nas prisões, indagações (devoção do dia 16/05/10). nos hospitais, milhares de pessoas estão E assim, compartilhamos diversas outras lendo conosco. É como que numa grande Carlos Walter Winterle, Nairóbi, Quênia. Mensageiro Luterano | Setembro 2010 | Nº 9 | ANo 93 13
  14. 14. Meditação Fotos: Arquivo Editora Concórdia Eu, Jesus... Orlando Eller que fosse a nossa comida, ela estava lá, no assoalho de tábua de jequitibá e na sempre quentinha, com ingredientes de cumeeira sombria, para deter o diabo lá quem ganhou, de novo, algo de inigua- fora e apascentar a todos em sono leve, D lável sabor. a fim de que houvesse o melhor repouso esculpe-me, Jesus, mas eu acho Ah, você se lembra, claro. Eu gostava entre todos na face da Terra. que estaria bem mais feliz hoje da sopa de inhame chinês que mamãe E eu nem sabia então que a Terra era se ainda fosse aquele menino preparava pra nós dois e para os outros, é redonda… Porém, eu tinha certeza de que descalço, de pés em frieira no tempo frio óbvio, que à mesa se assentavam conosco. era tua, por criação e cuidado. E que lá, de chuva, que à mesa orava na imensidão E você nos ajudava, depois de lavada a desde a eternidade, estava você, no Natal, de uma fé convencida: “Jesus, sei unser louça, afinando a voz, a aprender a can- na Páscoa, no Ano Novo, na festa da Con- Gast” (Jesus seja nosso convidado). E, tar um louvor… louvor de gente simples firmação, no culto do domingo, na igreji- depois de me fartar com toda a simpli- da roça, louvor de quem já era da nação nha do Dez de Mutum, esta tão distante cidade, em mim pulsava a gratidão ao santa e do povo exclusivo. lá de casa que nos custava duas horas a dizer: “Gott, dier sei Dank für Speise um E quando mamãe, no pé, pelo caminho, Drank” (Nós te agradecemos, ó Deus, pela seu bronco jeito de ser, “Era tudo muito bonito, como nas trilhas em mata comida e bebida). mas hábil de ensinar, aberta. Contudo, a Ah, Jesus, faz muito tempo que eu ensaiava seu peque- era inusitado e bom saber que caminhada nunca não mais o convido à mesa; nem que seja no coral pra cantar em havia um céu à vista.” virou cansaço. pra dizer depois, de cabeça baixa e olhos qualquer lugar, e até Você se lembra cerrados, que eu me sinto (e nem sei mais na igrejinha que fosse, a gente se sentia das aulas de catecismo do pastor Klich? se sou!) imensamente grato pelo quanto arrebatada e, não raro, tinha a sensação Sim, aquele mesmo, o estagiário que você ganhei de novo, como a cada dia ocorre, de que um anjo, feliz com a fidelidade decidiu levar tão cedo para o céu por para o almoço ou para o jantar à mesa do canto, abraçava a gente em gloriosa causa de uma dor de dente? Pois ele ex- que seja simples, mas plena. sensação de quem, seguro, flutua no ar, plicava, explicava, explicava... e mandava Eu quero lhe dizer que então a minha com imenso e absoluto prazer. decorar versículo por versículo, manda- vida era melhor, porque eu estava mais Depois, quando papai apagava a única mentos, artigos, enfim, o que lhe parecia perto de você. Você almoçava e jantava lamparina, para economizar querosene, direito seu e vontade dele. E hoje, Jesus, lá em casa, comigo, com meus pais, você ficava lá, em algum canto, na mi- o que se aprende com tanto querer? com meus irmãos. E, por mais simples nha cabeça, na mente dos meus irmãos, A gente aprendeu muito, às vezes mais 14 Mensageiro Luterano | Setembro 2010 | Nº 9 | ANo 93

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