Resenha final

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Resenha final

  1. 1. PRODUÇÃO TEÓRICA FINAL DA DISCIPLINA: EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EMANCIPATÓRIAS EM SAÚDE I UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA CENTRO DE CIENCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL INTEGRADA EM SISTEMA PÚBLICO DE SAÚDE PRODUÇÃO TEÓRICA FINAL DA DISCIPLINA: EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EMANCIPATÓRIAS EM SAÚDE I TIAGO PEREIRA DE SOUZA SANTA MARIA, RS, BRASIL 2010
  2. 2. PRODUÇÃO TEÓRICA FINAL DA DISCIPLINA: EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EMANCIPATÓRIAS EM SAÚDE I PRODUÇÃO TEÓRICA FINAL DA DISCIPLINA: EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EMANCIPATÓRIAS EM SAÚDE I por TIAGO PEREIRA DE SOUZA Produção teórica final da disciplina de EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EMANCIPATÓRIAS EM SAÚDE I, do Curso de Pós-Graduação em Residência Multiprofissional Integrada em Sistema Público de Saúde, Área de Ênfase Atenção Básica/Saúde da Família, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS). Professoras: Fgª. Profª. Drª. Elenir Fedosse Enfª. Profª. Drª. Malene Gomes Terra SANTA MARIA, RS, BRASIL 2010
  3. 3. PRODUÇÃO TEÓRICA FINAL DA DISCIPLINA: EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EMANCIPATÓRIAS EM SAÚDE I MATRICIAMENTO: UM CASTELO DE CARTAS A partir das discussões potencializadas em sala de aula, subsidiadas pelas leituras dos aportes teóricos e, textos complementares emerge a necessidade de escrever as reflexões que fiz ao tentar aproximar as leituras da nossa prática profissional em Estratégia de Saúde da Família, no município de Santa Maria-RS. Tal necessidade, cabe salientar, não surge apenas da carência teórica oferecida pela graduação no tocante da saúde coletiva mas sim, do processo de trabalho ao qual estamos envolvidos, remetendo a primeira reflexão deste material. O somatório da ausência de discussões norteadas por conceitos de educação e linguagem (mesmo nos núcleos profissionais que tem por objeto de estudo tais áreas), à precarização do sistema público de saúde, “clama” por conteúdos e espaços que permitam pensar em saúde no seu conceito ampliado de abordagem. A atuação em saúde na lógica da Estratégia de Saúde da Família, não exige um comprometimento meramente administrativo dos profissionais envolvidos na sua concepção, a exigência vai além. Conhecer a conceitualização da educação, do entendimento que o sujeito se constitui através da sua interação sócio-cultural e que a linguagem se estabelece enquanto instrumento desta constituição, garante um olhar diferenciado das ações que buscam o conceito ampliado de saúde. Imaginando que traçar um paralelo da nossa prática com a temática da disciplina, configuraria uma possível tese de doutorado sem previsão de páginas e possíveis reflexões, optei por fazer um recorte nesta gama de possibilidades, abordando o tema “Apoio Matricial”. O Apoio Matricial, comumente chamado de Matriciamento, pode ser entendido como um modelo de integração entre especialistas que vão até as unidades de saúde para interagir com as equipes de trabalhadores. Parece simples lido sem a reflexão necessária para entender que, num espaço público sem a menor estruturação muitas vezes o diálogo, a troca de saberes, a socialização do conhecimento não é possibilitada como deveria. Outro aspecto a ser mencionado está no fato de que o Matriciamento por si só, já configura um modelo de contra-hegemonia, que descaracteriza a figura do Médico como sendo o centro das ações e necessidades. Durante os meses que estamos trabalhando, estudando, falando, enfim, “vivendo saúde” conseguimos perceber que a teoria do apoio matricial não se sustenta sem o conhecimento prévio de outras teorias, de outros aportes e reflexões. Como pensar em socializar conhecimentos se nossa concepção de educação é opressora? Se os espaços que estamos não comportam uma educação formal. Alguns trechos do texto Diálogo, escrito pelo professor Paulo Freire e extraído
  4. 4. PRODUÇÃO TEÓRICA FINAL DA DISCIPLINA: EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EMANCIPATÓRIAS EM SAÚDE I do livro Pedagogia do Oprimido, nos fazem pensar que a educação em saúde faz parte da base do que, despretensiosamente, nomeie de “Castelo de Cartas”. ...Como posso dialogar, se me fecho à contribuição dos outros, que jamais reconheço, e até me sinto ofendido com ela?... ...Como posso dialogar se temo a superação e se, só em pensar nela, sofro e definho?... ...A auto-suficiência é incompatível com o diálogo. Os homens que não tem humildade ou a perdem, não podem aproximar-se do povo. Não podem ser seus companheiros de pronúncia do mundo. Se alguém não é capaz de sentir-se e saber- se tão homem quanto os outros, é que lhe falta ainda muito que caminhar, para chegar ao lugar de encontro com eles. Neste lugar de encontro, não há ignorantes absolutos, nem sábios absolutos, há homens que, em comunhão, buscam saber mais... FREIRE, 1974 Mas afinal, porque um Castelo de Cartas? Imaginamos que a construção de um castelo de cartas não é fácil. Precisão, paciência, controle da respiração e perspicácia, são algumas características necessárias para chegar até a última carta (a do topo). Agora imaginamos que essa carta do topo conota a efetivação do Apoio Matricial, e que cada andar deste castelo configura um “nicho” teórico responsável pelo sustento de tal tecnologia. Mais profundamente, podemos imaginar que cada andar é composto por cartas, estas representando uma temática que deve ser entendida pela necessidade de sustentar um novo andar, ou na metáfora uma nova ramificação teórica. Cada carta tem a sua importância, cada carta independente do andar que tiver, é responsável pelo sustento da estrutura. Se uma carta cair: o castelo desaba. Essa reflexão nos faz pensar que o matriciamento não é uma teoria operacional independente, que a ação de “matriciar” necessita de uma gama de conceitos prévios que garantiriam uma sustentação desta ação.
  5. 5. PRODUÇÃO TEÓRICA FINAL DA DISCIPLINA: EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EMANCIPATÓRIAS EM SAÚDE I Figura 1 - Ilustração da Teoria do Castelo de Cartas Ilustrativamente (Figura 1), podemos observar que a base da operacionalização do Matriciamento exige o conhecimento de Educação em Saúde afim de possibilitar a efetivação da troca de conhecimento de núcleo, bem como a integração entre especialista/equipe/população. Ainda na base, a Humanização das Relações (tendência teórica em muitas escolas de saúde e projetos governamentais) seria fundamental já que, em razão do acelerado processo de desenvolvimento tecnológico em medicina, a singularidade do paciente — emoções, crenças e valores — ficou em segundo plano; sua doença passou a ser objeto do saber reconhecido cientificamente. O Conhecimento Multiprofissional dá acesso a diferentes formas de integração entre os especialistas, além de, apresentar como possível a identificação e indicação de casos para cada núcleo profissional, efetivando assim um ensaio de interdisciplina. Entender os processos de Gestão da Saúde também é fundamental para atual na atenção básica, quando pensamos na avaliação, planejamento, execução, reavaliação e replanejamento tanto numa ótica “macro” (políticas públicas) quanto num viés “micro” (PTS), por exemplo. A Linguagem enquanto instrumento constitutivo possibilita aos profissionais uma re-significação da participação dos usuários, escuta qualificada e perspectiva da co-participação de decisões. Deste modo, independente da existência destas “cartas”, nada pode ser feito se não existir o conhecimento prévio das Políticas Públicas em saúde, bem como o contexto histórico desta efetivação. Sabemos que conforme a ilustração, vários outros temos poderiam ser abordados nesta breve produção, porém no quis respeito aos conteúdos dados, esperamos ter possibilitado a conciliação entre materiais apresentados e possibilidades na atuação em Apoio Matricial. Acreditamos que no decorrer desta formação, existirão espaços para adquirirmos mais “cartas” e, ao fim deste percurso, possamos colocar em prática um VERDADEIRO MATRICIAMENTO.

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