2 
Este livreto é uma homenagem a este grande trovador, um grande irmão, um grande amigo. 
Uma perda irreparável neste mom...
3 
Hermoclydes Siqueira Franco nasceu em Niterói, em 26 de maio de 1929. 
Aposentado. Advogado e administrador formado, re...
4 
Os seus primeiros trabalhos literários de algum valor foram uma versão em quadras da ORAÇÃO DE S. 
FRANCISCO DE ASSIS (...
5 
ORAÇÃO OOORRRAAAÇÇÇÃÃÃOOO DDDDEEEE 
SSSS....FFFFRRRRAAAANNNNCCCCIIIISSSSCCCCOOOO DDDDEEEE AAAASSSSSSSSIIIISSSS 
((((VVV...
6 
Fazei-me agente Senhor 
De Vossa radiosa paz 
Permiti que eu leve o AMOR 
Onde o ÓDIO esteja mais... 
Onde estiver a OF...
7 
TROVAS
8 
A bengala cor da paz, 
que o homem cego conduz, 
tem um mistério que faz 
o som transformar-se em luz! 
Abraça o tempo ...
9 
A sereia que amanhece 
lá na praia, solitária, 
faz lembrar, ao que parece, 
nossa musa imaginária!... 
Às vezes, trofé...
10 
Carregado de esperanças 
E atropelando a saudade, 
Lá vai meu “trem de lembranças” 
Buscando a felicidade!... 
(Niteró...
11 
Das emoções a mais grata, 
Que vale por um tesouro, 
É ver coroada em prata 
Trajetória escrita em ouro!... 
(São Paul...
12 
- É franzinho e, como tal, 
De lutas não sabe nada. 
Mas, quando chega o Natal, 
É “fera” na rabanada... 
(Grêmio Port...
13 
Foi tanta emoção sentida, 
Foram mil sonhos sonhados, 
Que atravessamos a vida 
Como eternos namorados... 
Friburgo da...
14 
Mãe! Flor de amor e bondade, 
Nem precisa rima rica, 
Na poesia de saudade 
Da lembrança que nos fica! 
Mandei pintar ...
15 
Minhas mãos, cheias de anseios, 
são barcos que, em águas turvas, 
deslizando em mil passeios, 
se perdem nas tuas cur...
16 
Não há sonho mais bonito 
Nem mentira mais falaz 
Do que o amor infinito 
Que a vida jamais nos traz! 
Não julgues a a...
17 
No “bailinho da Madeira” 
A esperta cachopa Elvira 
“entornava” o Macieira 
Para se virar...no Vira! 
(Grêmio Portuguê...
18 
Nosso romance é um tesouro 
De amor, de luz e carinho, 
Escrito com letras de ouro 
Em folhas de pergaminho!... 
(Nite...
19 
O tempo é um Deus invisível, 
Com poderes infinitos, 
Que ao passar, irreversível, 
Destrói quimeras e mitos!... 
(Nit...
20 
Para ser livre e ufano, 
Ter poder, ser sempre um bravo, 
Na verdade o ser humano 
Da lei deve ser escravo... 
Pelo te...
21 
Seria o grande momento, 
Para toda a humanidade, 
Se o bom Deus mandasse o vento 
Varrer do mundo a maldade... 
Ser mã...
22 
Terminado o encantamento, 
Só restou a indiferença 
De um calado sofrimento 
Marcando sempre presença! 
Teu amor é o s...
23 
Vem amor, morar comigo, 
Que eu te mostro o que é viver 
E, em longa noite contigo, 
Eu te ensino o que é prazer... 
V...
24 
Junho 
Simboliza Maringá... 
O Ipê-Roxo o outono atesta 
E, de quem passa por lá, 
Deixa, sempre, a alma em festa! 
Ju...
25 
PROPOSIÇÕES AO VOCABULÁRIO EM TROVAS 
LETRA “A” 
ABRIL: Mês da reverência 
A Tancredo e Tiradentes; 
Liberdade, Inconf...
26 
ALMAÇO: Papel de prova 
Que nos relembra o passado. 
ALMEJAR: Vencer com trova 
Que não tenha “pé-quebrado”. 
ALMIRANT...
27 
BANDA: Marcial ou “furiosa”, 
Sons para todos os gostos. 
Também rasteira maldosa 
Que machuca muitos rostos... 
BANDE...
28 
CASAMENTO: Matrimônio; 
Enlace pela existência; 
Invenção de Santo Antônio 
Que hoje está em decadência... 
CASERNA: V...
29 
CHARNECA: Terreno inculto. 
CHARQUE: A tal carne-de-sol 
(eis, de novo, aqui o vulto 
da rima para arrebol...) 
CHEFE:...
30 
DELICADO: Suave; Meigo. 
DELÍCIA: Uma gostosura. 
DELITO: Sendo de leigo 
Torna fácil a “soltura”. 
DEZEMBRO: Mês do N...
31 
FANTASMA: Visão; Imagem 
Que é, simplesmente, ilusória; 
E vibrante personagem, 
Herói de infantil estória... 
FAROFA:...
32 
GUARDA-COSTAS: É patrulha; 
Marinha no litoral; 
O truculento que empulha, 
Em troca do vil metal... 
LETRA “H” 
HABAN...
33 
ITAPOÃ: Praia linda 
E famosa, na Bahia. 
Por ali, ressoa, ainda, 
De Vinicius a elegia. 
LETRA “J” 
JACI: Em tupi é l...
34 
JUNHO: Das noites mais frias, 
Dos balões, dos namorados... 
É o mês dos mais lindos dias, 
Dos “arraiais” enfeitados....
35 
LANTERNA: Foco de luz; 
Para os trens, é furta-fogo; 
No futebol, uma cruz, 
Se o “lanterna” é o Botafogo... 
LATOUR: ...
36 
MARÇO: Mês da fundação 
Deste Rio de Janeiro; 
Da triste revolução 
Que enganou o brasileiro... 
MORATÓRIA: Vil “pendu...
37 
LETRA P 
PALAVRA: Som; Expressão. 
PALCO: Proscênio de teatro. 
PALHAÇO: Arma a confusão, 
Do circo, no anfiteatro... ...
38 
LETRA “R” 
RABANADA: É refinada 
Iguaria de Natal; 
E perigosa pancada 
Da cauda de um animal! 
REALEJO: Quanta emoção...
39 
LETRA “T” 
TIRO: Efeito do atirar; 
Disparo de arma de fogo; 
Nas corridas é ganhar 
Com roubalheira no jogo! 
TOMBO: ...
40 
Do país da liberdade; 
Nome do pai, sem igual, 
Que me traz tanta saudade! 
LETRA “X” 
XAVECO: Barco da China; 
Na gír...
41 
POESIAS 
O INFINITO EM TEUS BRAÇOS 
Em teus braços, no sonho mais bonito, 
Desfrutei o calor da chama acesa... 
Conhec...
42 
SER PAI 
Ser pai é ser amigo diligente, 
é saber escutar mágoas e dores... 
Ser pai é procurar ser indulgente, 
sem de...
43 
Uma saudade imortal, 
Ficará, qual pedestal, 
A sustentar seu violão... 
No cantar de um seresteiro, 
Neste Brasil, br...
44 
A CAIXA DE OURO 
(Para Waldyr Neves, in memoriam) 
A “Caixa Preta” que levou um grande amigo 
deixou, no solo, um rast...
45 
De luar prateando a serrania... 
Sonha o poeta que sempre conserves 
O mágico esplendor e a realeza!... 
Na pureza dos...
46 
PRECE 
Para minha filha ROSSANA 
Oh! Deus, de imensa misericórdia!... 
Dai que eu tenha o poder dos poderes... 
Que te...
47 
IMUTÁVEL 
Caiam pétalas de rosas 
brancas, rubras, amarelas, 
sobre os teus louros cabelos… 
E o orvalho das noites fr...
48 
LOUVAÇÃO A CHICO MENDES 
É preciso clamar, com mais vigor, 
Contra o grupo cruel e invasor, 
Que pretende findar com a...
49 
VINTE SÉCULOS ATRÁS 
Vinte séculos atrás, 
Passou pela terra Alguém 
Que tinha no olhar a Paz 
E no coração o Bem! 
Qu...
50 
A SAGA DOS REIS MAGOS 
Ao norte da Tessália, em solidão, 
O ateniense GASPAR, sob emoção, 
Recebeu a mensagem do Criad...
51 
O MANTO SAGRADO 
Mil relâmpagos, trovões, 
Fez-se noite em pleno dia... 
Tantas mágoas e emoções 
No coração de Maria!...
52 
Fontes: 
As trovas e poesias foram cedidas pelo próprio autor quando em vida. 
Algumas trovas são do site da Eliana Ru...
Tributo a Hermoclydes Siqueira Franco
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Tributo a Hermoclydes Siqueira Franco

537 visualizações

Publicada em

Poeta e trovador carioca

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
537
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
3
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
1
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Tributo a Hermoclydes Siqueira Franco

  1. 1. 2 Este livreto é uma homenagem a este grande trovador, um grande irmão, um grande amigo. Uma perda irreparável neste momento. A este amigo especial, que tão pouco tivemos a amizade, mas que este pouco pareceu uma eternidade. Feliz de que tenhas cruzado em meu caminho. Éramos como uma folha que fica nos galhos da árvore, distante, mas quando o vento soprava, agitava os galhos e fazia com que nos encontrássemos. Hoje você nos deixa um pouco de si e leva um pouco de nós. Hoje eu olho pela janela, e não vejo a chuva para lavar as lágrimas que embaçam meus olhos por sua partida. Hoje não há poesia, pois os versos estão presentes junto a seu corpo. Hoje não há sorrisos, não há música, não há passarinhos cantando, não há cor no céu. Quando um amigo se vai, é como se parte da gente se transformasse em um grão de areia e se perdesse numa praia enorme, esperando o momento que a maré vá nos arrastar. Hoje meu coração está de luto, mudo, triste. Adeus, meu amigo! José Feldman
  2. 2. 3 Hermoclydes Siqueira Franco nasceu em Niterói, em 26 de maio de 1929. Aposentado. Advogado e administrador formado, respectivamente, pela Faculdade de Direito de Niterói e pela Universidade Gama Filho. Começou a escrever literariamente em 1980, quando a preocupação com o que fazer após a aposentadoria, para preencher a mente com algo que pudesse trazer satisfação e impedir que a falta do trabalho pudesse trazer qualquer tipo de isolamento ou insatisfação. Na verdade sempre gostou de literatura, desde a mocidade, de maneira que não houve uma influência direta para que começasse a escrever. A preocupação com a futura aposentadoria levou-o a esse caminho. Em 1985, iniciou preparativos para ingressar no meio trovadoresco, através da União Brasileira de Trovadores (UBT), o que veio a mostrar-se uma positiva decisão, ocorrendo a filiação à seção do Rio de Janeiro no 2º semestre daquele ano. A aposentadoria viria a concretizar-se em 1991, após 40 anos de trabalho em apenas duas empresas brasileiras: a Cia. Aços Especiais Itabira (ACESITA), de l95l a l973, e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 1973 a 1991.
  3. 3. 4 Os seus primeiros trabalhos literários de algum valor foram uma versão em quadras da ORAÇÃO DE S. FRANCISCO DE ASSIS (1985), posteriormente musicada pela trovadora -musicista GLORINHA VELLOSO, e o poema “PARQUE ITATIAIA (A Natureza, o Poeta e o Insensato) – 1º premio em Concurso Comemorativo do cinqüentenário dos parques Nacionais Brasileiros (1987). Não possui livros editados. Apenas diversas plaquetes em edições restritas feitas artesanalmente e distribuídas gratuitamente a amigos. Destes o mais importante é a série “TROVAS, SIMPLESMENTE TROVAS”: 1º VOL/1993; 2º VOL/1998; 3º VOL/2003; o VOL. IV, a em 1998, seguindo o mesmo processo. Como escritor conheceu perfeitamente suas limitações, mas procurou manter acesa a chama da esperança e jamais deixar de sonhar, apanágio maior dos poetas. Ao longo de 20 anos de participação em concursos de trovas e de poesias, é natural que possua cerca de 400 premiações nesses certames. Grande é a alegria por ter obtido o 1º prêmio em quadras no I Concurso Algarve/Brasil (1997) e Menção Honrosa no II (1998) e duas Menções Honrosas no Grande Concurso de Quadras de S. João (1993) do Jornal de Noticias do PORTO. Algumas poesias (sonetos e poemas) premiadas em vários estados brasileiros. A quem começasse a escrever agora, o único conselho que daria seria no sentido de que estude permanentemente todos os meandros de nossa Língua Portuguesa, para não se permitir cometer erros crassos em seus escritos, como ocorre comumente com tantos pseudo-escritores. Faleceu no Rio de Janeiro, em 8 de agosto de 2012.
  4. 4. 5 ORAÇÃO OOORRRAAAÇÇÇÃÃÃOOO DDDDEEEE SSSS....FFFFRRRRAAAANNNNCCCCIIIISSSSCCCCOOOO DDDDEEEE AAAASSSSSSSSIIIISSSS ((((VVVVeeeerrrrssssããããoooo eeeemmmm QQQQuuuuaaaaddddrrrraaaassss)))) QQQQuuuuaaaaddddrrrraaaassss ddddeeee HHHHEEEERRRRMMMMOOOOCCCCLLLLYYYYDDDDEEEESSSS SSSS.... FFFFRRRRAAAANNNNCCCCOOOO
  5. 5. 6 Fazei-me agente Senhor De Vossa radiosa paz Permiti que eu leve o AMOR Onde o ÓDIO esteja mais... Onde estiver a OFENSA Que eu sempre espalhe o PERDÃO... Onde houver DISCÓRDIA, intensa, Que eu sempre faça a UNIÃO! Onde DÚVIDA existir, Que eu possa levar a FÉ E onde o ÊRRO persistir, Toda a verdade da SÉ... DESESPERO em ESPERANÇA, TRISTEZA em pura ALEGRIA, Que eu transforme, com bonança, As TREVAS em LUZ do dia... OH! Mestre – Amor Singular – Concedei seja meu fado CONSOLO a todos levar, Mais do que ser CONSOLADO! Que eu consiga COMPREENDER, Mais do que ser COMPREENDIDO. Possa AMAR, com todo o ser, Muito mais que SER QUERIDO! Pois DANDO é que se RECEBE - ao irmão necessitado - PERDOANDO se percebe Que, também, se é PERDOADO! Dái-me, Senhor, a esperança, Pela maneira mais terna, Pois MORRENDO é que se alcança A glória da VIDA eterna!...
  6. 6. 7 TROVAS
  7. 7. 8 A bengala cor da paz, que o homem cego conduz, tem um mistério que faz o som transformar-se em luz! Abraça o tempo que corre, Na rapidez em que avança, Que um bom momento não morre, Acaba sempre em lembrança! A emoção é bailarina, Num palco azul de ilusões... Se Deus a fez feminina, Tinha lá Suas razões. A fraqueza é um artifício que leva alguém, sem escalas, a abrir as portas do vício e não saber mais fechá-las!... A inspiração é uma fada, Com varinha de condão... Quando toca a musa, amada, Há poesia em profusão!... A maior das Criações De Deus, ao fazer o mundo, Foi a Mãe que, entre emoções, Possui o amor mais profundo! Anjo negro, flagelado, Em seu caminho sem luz, Cada guri favelado Traz um pouco de Jesus!... (Niterói/1987 – Caminho) Ante a maçã do pecado na dúvida, vou sofrendo: - Se como... sou castigado; se não como... me arrependo! Ao soprar beijos de flores ao seu lap-top ou PC, não sabe quantos amores afastam-se de você... Aquele que a paz expande Tem a luz, bem definida, Que se transforma no grande Prazer de viver a vida!
  8. 8. 9 A sereia que amanhece lá na praia, solitária, faz lembrar, ao que parece, nossa musa imaginária!... Às vezes, troféus de glória e incensos de aduladores podem fazer da vitória o ocaso dos vencedores!... A tempestade aparente Do teu gênio, por magia, Transformou-se de repente, Ao meu beijo, em calmaria! A vagar pela cidade, Desde os tempos de menino, Procuro a felicidade Que mora além do destino!... Aventureiros do mar não temem vento ou tufão, no prazer de navegar a vida encontra a razão!… A verdade que redime não viveria de luto se a mentira fosse crime E, enfim, pagasse tributo!… A vida, assim como os rios, tem seus meandros também: Esconde fatos bravios e mostra imagens do Bem!… A vida é a fada-madrinha Que, ao ver nosso intenso flerte, Deu-me, em toque de varinha, O prazer de conhecer-te! A vida é dura batalha que não aceita um "talvez" e nem outorga medalha aos filhos da timidez! (Niterói/1999 – Timidez) "Cantar na Chuva" eu quisera aquela canção bonita que em performance sincera Gene Kelly nos incita!..."
  9. 9. 10 Carregado de esperanças E atropelando a saudade, Lá vai meu “trem de lembranças” Buscando a felicidade!... (Niterói/1997 – Busca) - Cidade cinquentenária, Brasilia estende o seu leque E, com força extraordinária, Nos faz lembrar Kubitscheck! (Nova Friburgo/2010 – Cinquentenário de Brasília) Cigano de olheiras fundas, pele morena,crestada, quantas tristezas profundas já deixaste pela estrada? (Ribeirão Preto/2009 – Cigano) Cirandas, rodas, cantigas, Emoções que ao pensamento Trazem lembranças antigas Do eterno Campo São Bento! (Niterói/1986 – Campo São Bento) Com efeitos especiais, Meus sonhos mostram, em tela, Os teus encantos reais Na mais bonita aquarela!... Com talhadeira e martelo, Finas madeiras entalho... E esse trabalho é tão belo Que já nem sei se é trabalho!... (São Paulo/2004 – Trabalho) Da borboleta que voa, Traçando um balé simplório, Guardei a lembrança boa Dos jardins do Sanatório... (Nova Friburgo/1999 – I GINCANA DE TROVAS –- Sanatório Naval) Da guerra, entre os seus horrores, não há glória que compense, para os Pracinhas, as dores de quem perde ou de quem vence!...
  10. 10. 11 Das emoções a mais grata, Que vale por um tesouro, É ver coroada em prata Trajetória escrita em ouro!... (São Paulo/2003 – Prata) Deixaste, pai, um vazio que nem preciso explicar pois que foste sempre um rio correndo para o meu mar!… De Noel Rosa a lembrança sempre traz grande emoção: -Saudade que vive mansa, com “Feitio de Oração”!... De que a vida é emocionante um dia tive a certeza, num passeio apaixonante pelos canais de Veneza!... De subidas e descidas a vida, esse desencontro, nos faz viver várias vidas na emoção de cada encontro. DEUS – o Divino Arquiteto – Legislando com nobreza, Sem qualquer ante-projeto Fez as Leis da Natureza! (Niterói/1886 – Lei) Dizem que todo baixinho Tem mania de grandeza... Por isso é que o meu vizinho Só chama a mulher... de “alteza”!… (Nova Friburgo/1999 – Mania) Do antigo romance, instável, A minha lembrança traz Um número inumerável De calmas noites sem paz!... (São Paulo/2011 – Romance) Dupla festa preconizo Para as noites de luar: A festa do teu sorriso. Na festa do meu olhar!... (São Paulo/2008 – Festa)
  11. 11. 12 - É franzinho e, como tal, De lutas não sabe nada. Mas, quando chega o Natal, É “fera” na rabanada... (Grêmio Português de Friburgo/2009 – Rabanada) Em busca do bom Santiago caminho, enfrento a neblina, e me sinto, assim, bem pago em minha fé peregrina!... Em privação de sentidos, Em teus braços perfumados, Sonhei sonhos não vividos... Vivi sonhos não sonhados... Encontrei, que sensação, na praia em manhã feliz, numa garrafa, a Oração de São Francisco de Assis!... Era uma vez... A saudade da meiga MÃE que ensinava, na minha infância, a verdade nas histórias que contava!… Escondendo tal carinho Em seu semblante sisudo, Meu PAI me pôs no caminho Preparado para tudo!... Eterno dominador, Eu me curvo ao teu fascínio. E, em vez de ser teu senhor, Entrego-me ao teu domínio!... (Niterói/1995 – Domínio) Eu, no rumo das gaivotas no mar rendado de espumas, dentre centenas de rotas, busco o roteiro em que rumas… Facho de luz sobre o mar, à noite, suprindo o sol, mostra o clarão, a brilhar, todo o valor de um farol!... Foi a escolha mais amarga Que entristeceu os meus feitos, Pondo a saudade tão larga Nos meus ombros tão estreitos... (Nova Friburgo/2008 – Escolha)
  12. 12. 13 Foi tanta emoção sentida, Foram mil sonhos sonhados, Que atravessamos a vida Como eternos namorados... Friburgo da marinhagem, Na Serra, expulsou o mal... Seu clima e sua paisagem E o Sanatório Naval!... (Nova Friburgo/1999 – I GINCANA DE TROVAS –- Sanatório Naval) FRIBURGO, em sonho real, Fará, nas tardes bonitas, Do Corredor Cultural Uma sala de visitas... (Nova Friburgo/ 1992 – Conc. Paralelo – Corredor Cultural) - FRIBURGO, sem ter o mar, tendo um clima divinal, pôde a Marinha abrigar No Sanatório Naval! (Nova Friburgo/1999 – I GINCANA DE TROVAS –- Sanatório Naval) Galera envolta em espumas, Navega a lua, no céu, Num mar de nuvens e brumas, Pescando estrelas ao léu!... (São Paulo/1995 – Mar) Lembrando o triste momento Em que, a chorar, foste embora, Julgo ouvir na voz do vento Minha própria voz que chora... (Niterói/1989 – Vento) Livro aberto expande a luz... Quem ama o bom livro, jura que a leitura é que conduz aos caminhos da cultura! Lobo mau, o vento, ao léu, Se transforma em furacão Ao ver, nas nuvens do céu, Carneirinhos de algodão!... Mãe e filho, uma só vida, No enlevo da gestação, Dupla emoção repartida Pelos canais de um cordão! (Nova Friburgo/1992 – Emoção)
  13. 13. 14 Mãe! Flor de amor e bondade, Nem precisa rima rica, Na poesia de saudade Da lembrança que nos fica! Mandei pintar um afresco, na parede, lá em casa: "Um lustro... o TROVADORESCO!..." Um Jornal que sempre arrasa!… Maravilha em resplendor, onde Deus sempre é louvado, o RIO guarda o Senhor no Cristo do Corcovado! MEMÓRIA... Forja de sonhos, Arquivo de sentimentos, Relicário onde os tristonhos Escondem seus bons momentos... Minha fé a grande força Que trago desde criança, Não deixa que a vida torça O meu rumo de esperança Minha MÃE, frases serenas, seus conselhos e bondades tornaram bem mais amenas minhas sofridas saudades!… Minha pátria iluminada, Tendo o poder que sonhei, Teme a Deus e vive, amada, Sob os auspícios da lei... (Niterói/1986 – Poder) Minhas mãos, barcos sem velas, em carinhosos desvelos, navegam, quais caravelas na noite dos teus cabelos! Minhas mãos, barcos soturnos, Em teu corpo a deslizar, São navegantes noturnos Aprendendo a navegar... (Niterói/1998 – Navegante)
  14. 14. 15 Minhas mãos, cheias de anseios, são barcos que, em águas turvas, deslizando em mil passeios, se perdem nas tuas curvas… Mirando o mais belo dote de sua nova empregada, Diz-lhe o luso “armando o bote”: “Hoje eu quero rabanada”... (Grêmio Português de Friburgo/2009 – Rabanada) Na distância, ao teu aceno, Quanta tristeza me invade: - O trem ficando pequeno E, em mim, crescendo a saudade!... (Nova Friburgo/1987 – Aceno) -Na infância risonha e bela, Fui navegante revel. Na fantasia singela De um barquinho de papel... (Niterói/1998 – Navegante) Na linda macarronada que juntos compartilhamos, houve um "fio-de-meada" em que, a sorrir, nos beijamos!... Na luta pela conquista Do melhor que a via encerra, Sou um simples pacifista: “Faço o amor, não faço a guerra”. Não dancei, de forma ousada, nem mesmo em um piquenique, mas ouvi, com minha amada, Sinatra no "Chek to Check"!... Não há na História senão Um poder discricionário Que prende quem rouba um pão E leva um santo ao Calvário!... (São Paulo/1996 – Santo) Não há rosa sem espinhos… …e na procura da glória, são as pedras do caminho que dão valor à vitória.
  15. 15. 16 Não há sonho mais bonito Nem mentira mais falaz Do que o amor infinito Que a vida jamais nos traz! Não julgues a alheia sorte Pelo brilho do brasão: A luz que brilha mais forte Tem mais curta duração... Não pode haver igualdade Nem sonhos sobrevividos, Quando morre a liberdade No grito dos oprimidos... (Niterói/1993 – Grito) Não pode haver raciocínio quando a miséria, sem nome, invade qualquer domínio e o domina pela FOME!... (Amparo/2002 – Fome) Não tive coragem, creia, De fugir nesta revolta... Por isso é que, volta e meia, Vivo dando a meia-volta!... Nas mensagens de prazer, Carteiro, nas tarde mansas, Tens o condão de trazer O renascer de esperanças... Navegantes de Cabral Deram, num sonho febril, Ao pequeno Portugal A dimensão do Brasil!... (Niterói/1998 – Navegante) Na vida, estrada de sonhos, Conheci divinos seres Que me ensinaram, risonhos, Segredos de mil prazeres!... Na vida, eterna procura, Buscando a felicidade. Faltou-me, sempre, em ventura O que sobrou em saudade! ... (São Paulo/2006 – Vida)
  16. 16. 17 No “bailinho da Madeira” A esperta cachopa Elvira “entornava” o Macieira Para se virar...no Vira! (Grêmio Português de Friburgo/2007 – Cachopa) Noel, em tarde tranqüila, Compondo um samba sutil, Fez o “Feitiço da Vila” Enfeitiçar o Brasil!... (São Paulo/2010 – Feitiço) Noite de Paz e de Amor! Noite de sonho e de luz... Veio ao mundo o Salvador, O Deus-Menino, Jesus!... No “grande prêmio” da vida, É vencedor, sem igual, Quem usa o Bem, sem medida, Desde a largada ao final!... (Niterói/2009 – Prêmio) No meu sonho, em bela imagem, Neste meu destino incerto, Seu recado foi miragem E apagou-se em meu deserto!… No pranto em forma de riso, Disfarcei a minha dor... Mesmo à sombra de um sorriso, Cabe o ocaso de um amor!.. (São Paulo/2011 – Pranto) Nos meus dias de criança, nem sempre pude sorrir... Mas vive, em mim, a esperança na luz azul do PORVIR!… (Clube da Simpatia/2012 – Porvir) Nossas sombras, abraçadas, Sob a luz do luar risonho, Atravessam madrugadas Em busca do mesmo sonho!
  17. 17. 18 Nosso romance é um tesouro De amor, de luz e carinho, Escrito com letras de ouro Em folhas de pergaminho!... (Niterói/1992 – Romance) Numa paixão imortal, Minhas tristezas eu venço, Beijando o sabor de sal Que deixaste no meu lenço!... (São Paulo/2011 – Sal) O amor à pátria da gente Não precisa explicação... Basta um mapa diferente, Em forma de coração!... (Niterói/1999 – Amor à Pátria) O fulgor da Estrela-Guia Viu nascer em Nazaré: Para o mundo, novo dia; Para os homens, nova Fé!... O grau de felicidade Que tenho e me faz risonho, Resulta da minha idade Ter a idade do meu sonho! (São Paulo/1996 – Idade) O meu sonho é folha morta Que a ventania desfaz, No inverno, que desconforta, Das minhas noites sem paz!... (São Paulo/1987 – Paz) O que dói em meu desgosto, Que me rouba a paz e a calma, Não são as marcas no rosto, São as cicatrizes na alma!... (São Paulo/2003 – Cicatriz) Os tempos da meninice foram bons tempos de paz... Hoje parece tolice querer olhar para traz!...
  18. 18. 19 O tempo é um Deus invisível, Com poderes infinitos, Que ao passar, irreversível, Destrói quimeras e mitos!... (Niterói/1994 – Mito) Para o viciado, sem sorte, Que a vida agride e deserta, Se a droga é o rumo da morte, O amor é o grito de alerta!… (Niterói/1993 – Grito) Preparando o vôo lindo no rumo da liberdade, o canário, em sonho infindo, vai "matar sua saudade"!… Quando as folhagens de outono atapetam meus caminhos, o bucolismo dá sono e eu sonho com teus carinhos!... Quando o horizonte e o infinito Escondem o teu vulto amante, Eu me pergunto num grito: - Qual dos dois é mais distante?... (Grêmio Português de Friburgo/2008 – Infinito) Quanta gente de talento Passou a vida e não fez Do amor seu grande momento Por causa da timidez... (Niterói/1999 – Timidez) Que me rouba a paz e a calma, Não são as marcas no rosto, São as cicatrizes na alma!... (São Paulo/2003 – Cicatriz) O triste da caminhada, Na longa estrada da vida, É ver a fome estampada Em tanta gente excluída! Para espantar minha dor, Eu passo a vida a cantar, Sabendo que mal de amor Ninguém consegue espantar...
  19. 19. 20 Para ser livre e ufano, Ter poder, ser sempre um bravo, Na verdade o ser humano Da lei deve ser escravo... Pelo teu corpo, em viagens De sonhos e encantamentos, Minhas mãos passam mensagens De indescritíveis momentos... Plangem sinos, é Natal, Festa em nossos corações... O Deus-Menino, imortal, É o centro das emoções... Rendeira, à luz das candeias, Vai vencendo nostalgias, Sentindo que ficam cheias As suas noites vazias... (Niterói/2002 – Renda) Respeitados os anéis quando beijar for proibido por avisos ou painéis, o amor estará perdido!... São Paulo, com amizade, oferece o que preciso, pois, se estou na Liberdade, logo ali é o Paraiso!... Sempre acaba a tirania - entre firmes desagravos – Na força da rebeldia E na ousadia dos bravos! (Niterói/2001 – Ousadia) Sempre acaba a tirania - entre firmes desagravos – Na força da rebeldia E na ousadia dos bravos! (Niterói/2001 – Ousadia) Sem preconceito ou pudor, Mas de emoções verdadeiras, Grandes momentos de amor Não delimitam fronteiras!... (Nova Friburgo/2006 – Fronteira)
  20. 20. 21 Seria o grande momento, Para toda a humanidade, Se o bom Deus mandasse o vento Varrer do mundo a maldade... Ser mãe é trabalho insano Que tal carinho irradia E te faz, por todo o ano, Ser a mãe de cada dia! Sigo a vida, noite e dia, Sem rumo... desencontrado... Eis que a minha biografia Parece letra de fado!... (Grêmio Português de Friburgo/2010 – Fado) Sob o poder do fascínio Que a tua presença traz, Minha alma perde o domínio De um corpo que perde a paz! (Niterói/1995 – Domínio) Sobre o mar, com sete cores, fim da tardinha a enfeitar, mostra o arco-iris valores da natureza sem par!... Sofro tanto a tua ausência E é tão grande o meu cansaço Que o sonho em minha existência Tem vida e não tem espaço... (Nova Friburgo/1991 – Espaço) Sou como um velho veleiro, Velas rotas, mastro torto, Que um destino aventureiro Não deixa parar no porto!... (São Paulo/1990 – Porto) Tenho o meu coração preso, em gaiola singular: Teus braços onde, surpreso, aprendi o verbo amar! Tenho um cão chamado THÉO, grande amigo, inseparável... Ao meu lado, está no céu e eu me sinto invulnerável!
  21. 21. 22 Terminado o encantamento, Só restou a indiferença De um calado sofrimento Marcando sempre presença! Teu amor é o suave açoite Que eu desejo, em calmaria: Como o dia busca a noite... Como a noite busca o dia! Teu orgulho, em doce imagem, Na outra margem pontifica... Um dia, cria coragem, Atravessa a ponte... e fica! (Niterói/2009 – Ponte) Trago tantas emoções Nas minhas canções serenas Que, quando canto as canções, Vivo de emoções, apenas!... Tu foste, na minha vida, Tempestade que passou... Neblina descolorida Que alguma nuvem deixou!... Um lençol verde de paz... Um rio... Uma catarata... Lindas flores... animais... Sons do silêncio, eis a mata!... (Sem verbos) Um samba juntou-se, um dia, A uma valsa de emoção... Dessa união nasceria O som do samba-canção!... (São Paulo/1999 – Um Ritmo Musical na Trova) Vacila o meu coração, Na dúvida mais intensa, Entre seguir a razão Ou fazer o que êle pensa... (São Paulo/1998 – Dúvida) “Vai ver se estou lá na esquina!” E o gajo diz “é pra já”... Vai e volta e, então opina: - Não estás lá... estás cá!... (Grêmio Português de Friburgo/2008 – Gajo)
  22. 22. 23 Vem amor, morar comigo, Que eu te mostro o que é viver E, em longa noite contigo, Eu te ensino o que é prazer... Vendo que hoje te renovas, Quero, brindando ao momento, Incluir-te em minhas trovas, Meu velho Campo São Bento!... (Niterói/1986 – Campo São Bento) Versejando à luz difusa, Se o sentimento me inspira, Eu te elejo a doce musa Que há de tanger minha lira!... AS FLORES DE MARINGÁ Janeiro Tamareiras do Oriente e Palmeiras das Canárias alegram o olhar da gente, em tonalidades várias! Fevereiro Em fevereiro, dourado, Copada e em porte turuna, Surge o vulto amarelado Da bela Sibipiruna! Março Em março, fim de verão, floresce amarela a Acácia... Raízes firmes no chão mostram, do solo, a eficácia. Abril Uma Roxa Quaresmeira, Que leva um nome cristão, Abre o seu leque altaneira Bem relembrando a Paixão! Maio Uma Paineira vaidosa, Depois de flores mostrar, Se prepara, mãe formosa, Para as sementes lançar!
  23. 23. 24 Junho Simboliza Maringá... O Ipê-Roxo o outono atesta E, de quem passa por lá, Deixa, sempre, a alma em festa! Julho A esconder toda a tristeza, Em julho, que se faz belo, Maravilha, com certeza, É ver o Ipê-Amarelo! Agosto Em agosto, entre os Ipês, Viceja a Pata-de-Vaca, Frondosa como Deus fez Que, florida se destaca... Setembro Um Flamboyant em setembro Na Catedral... na Avenida... Da flora querido membro, A Maringá dá mais vida!... Outubro Se o Jacarandá floresce Em seu tom de suave rubro, Quem é da terra conhece - É chegado o mês de outubro. Novembro A saudar a Catedral, Novembro é das Tamareiras. É quando a Avenida Herval Tem as tardes mais fagueiras. Dezembro “Maringá... Cidade em flor”... À Neide fornece inteira, Para pintar, com amor, A Buganvíllea-Roseira
  24. 24. 25 PROPOSIÇÕES AO VOCABULÁRIO EM TROVAS LETRA “A” ABRIL: Mês da reverência A Tancredo e Tiradentes; Liberdade, Inconfidência E alegrias pertinentes... AÇUCAR: É a sacarose; Doçura, (quase lhaneza). ACUMPUTURA: É uma dose De agulhadas, à chinesa. ADEUS: Triste interjeição, Diz quem parte, diz quem fica. Quase sempre é rejeição. Quase sempre não se explica. AGÔSTO: Mês singular, Que marca bem nosso inverno. Traz as ressacas ao mar E ao céu um luar eterno... ALABASTRO: É uma gipsita Que tem alvura translúcida. ÁLACRE: Alegria (aflita) De gente nem sempre lúcida. ALAMBIQUE: Que destila. ALAMEDA: Arborizada, Qual “Boulevard” lá da Vila, Por Noel eternizada. ÁLBUM: Família vistosa. ALBUMINA: A proteína Que dizem ser perigosa Quando encontrada na urina. ALCATRA: Carne de boi; Boa de panela ou tacho. ALCATRÃO: Se não é, foi O conhaque do borracho. ÁLCOOL: Um líquido forte, Derruba qualquer valente. ALCÓOLATRA: Ser, ser sorte, Que esbarra, sempre, na gente.
  25. 25. 26 ALMAÇO: Papel de prova Que nos relembra o passado. ALMEJAR: Vencer com trova Que não tenha “pé-quebrado”. ALMIRANTE: É oficial Mesmo depois do “pijama”. ALMOÇAR: No “natural” Sem engordar um só grama. ALMOFADINHA: Rapaz Que se traja com apuro. ALMOTOLIA: É o que faz O óleo entrar, mesmo no escuro. AMÉRICA: O Novo Mundo Descoberto por Colombo. AMESTRAR: Treinar, a fundo, Sem dar lambadas no lombo. ARQUITETO: É o engenheiro Que dizem que até deu certo. ARQUIVO: Só de dinheiro; E há tanto ladrão por perto. Letra “B” BABÁ: que não cause danos, Para quaisquer afazeres... BACALHÁU: Dos lusitanos Eis o maior dos prazeres! BACO: Grande Deus do vinho. BAÇO: Glândula. Sem brilho. BACORIM: É leitãozinho. BAFEJO: A vida no trilho. BAGUNÇA: Pândega; Inteira E ruidosa reinação... BAILE: Na côrte ou gafieira Sempre a mesma animação. BAITA: Grande; Bem crescido. BAIXEL: Uma embarcação. BAIXELA: Brinde querido Que vira “de estimação”...
  26. 26. 27 BANDA: Marcial ou “furiosa”, Sons para todos os gostos. Também rasteira maldosa Que machuca muitos rostos... BANDEIRA: A própria nação; Símbolo para se amar; Praça que, em pleno verão, No Rio... parece o mar.... BOCEJO: Em marmanjo é sono Mas, em nenê, é gracejo... Enfado em que nem o dono Da boca, doma-la, vejo. BORDEL: Velho lupanar, Ou melhor, casa suspeita. (Depois do motel chegar, agora, tudo se ajeita). BOTE: Embarcação pequena Que ajuda na pescaria... De uma cobra que envenena Deus nos livre! Ave-Maria! LETRA “C” CAETETU: Porco-do-mato. CAFAJESTE: Homem canalha. CAFÉ: Gostoso, de fato. CAIXÃO: A final mortalha! CALCANHAR: Parte do pé; Marca a marcha militar... CALVÁRIO: Monte da fé, Que viu Jesus expirar... CANJERÊ: Feitiçaria. CANJICA: Milho cozido. CANOA: Só embarcaria Para destino sabido. CARLOS GOMES: Brasileiro De nome internacional; Encantou o mundo inteiro Com seu gênio musical.
  27. 27. 28 CASAMENTO: Matrimônio; Enlace pela existência; Invenção de Santo Antônio Que hoje está em decadência... CASERNA: Velho quartel, Onde se tem dura vida; Atura-se o coronel Sem se ter boa comida... CASSINO: Casa de jogo De azar (para quem tem sorte) CASTIÇAL: Velas em fogo Que iluminam nossa morte. CASTIGO: É uma punição Que se aplica a delinqüentes. CASTO: Puro coração. CASTOR: Bicho bom de dentes... CATÃO: Virtuoso; Austero. CATAPLASMA: Papa quente Para inflamações. (Espero Que o meu pobre peito agüente.) CATAPORA: Varicela, Deixa a gente quase rengue. Mas, hoje, nem pense nela: Cuidado, mesmo, é com DENGUE. CEIA: O Natal é bonito! CELESTIAL: O que é do céu. CELEUMA: Briga; Conflito; Confusão; Muito escarcéu. CERTIDÃO: Papel passado Que atrapalha o casamento. Às vezes, sem “atestado” É maior o entendimento. CERTAME: Ás vezes, concurso Literário, entre amadores. Nossa UBT, hoje, é curso De trovas e trovadores... CERVEJA: Lúpulo e malte Fermentados com cevada. No Carnaval, nunca falte! O ano inteiro: Não se evada...
  28. 28. 29 CHARNECA: Terreno inculto. CHARQUE: A tal carne-de-sol (eis, de novo, aqui o vulto da rima para arrebol...) CHEFE: De índios é o pajé. CHEIA: Uma enchente fluvial. CHEQUE: É dinheiro (ou não é?). CHIBATA: Vem do juncal. CHICOTE: Látego; Açoite. CHIFRE: Corno; Guampa; Ponta. (Se não te cuidas, à noite, uma mulher logo apronta...) CHINÊS: A língua da China; O homem nascido lá. CHIMPANZÉ: Mono traquina. CHISPE: O bom que o porco dá. CHORO: Lembra Pixinguinha E, também bebê-chorão... Homenagens ao Braguinha: “Carinhoso” – que emoção! CIÊNCIA: Conhecimento. Que palavra sonorosa! Que grande acontecimento, Seu “concurso” Dona Rosa... CIMO: O mais alto a escalar. CINEASTA: O Diretor (eis que “Eu sei que vou te amar” faz a glória do Jabor!). CIÚME: Zelo amoroso; Às vezes, também, inveja. CIVIL: Ato respeitoso; Polícia que não se peja... LETRA “D” DANAÇÃO: Condenação (já dizia o velho Dante). DECATLETA: Um campeão. DÉBIL: Insignificante.
  29. 29. 30 DELICADO: Suave; Meigo. DELÍCIA: Uma gostosura. DELITO: Sendo de leigo Torna fácil a “soltura”. DEZEMBRO: Mês do Natal, Dos presépios, de Jesus... Tem riqueza emocional Que fala de amor e luz! LETRA “E” ECLUSA: Comporta; Dique. ECO: É o som repetido Até do sino em repique. ÉDEN: Paraíso perdido. ELÁSTICO: Que se estica; É prodígio verdadeiro. Quem sabe, um dia, se aplica Na fábrica de dinheiro?... ELEIÇÃO: Arbítrio; Escolha. “Queremos Constituinte”. Outra lei, novinha em folha, Surgirá, por conseguinte... ELENCO: Grupo de artistas. ELETRICIDADE: Luz. ELOGIO: Aos gabolistas. EMA: Pernalta; Avestruz. LETRA “F” FÁBULA: É a bicharada Dando lições de moral. FACA: Quem tem, amolada, Lá no norte é “maioral”... FACE: Rosto; Vulto; Cara. FALHA: Defeito; Omissão. Para alguns é muito rara; Eu as tenho, em profusão... FALIDO: É o vulgar “quebrado” Que gastou mesmo sem ter. FAMILIA: Unida, ao seu lado, Consequências a sofrer.
  30. 30. 31 FANTASMA: Visão; Imagem Que é, simplesmente, ilusória; E vibrante personagem, Herói de infantil estória... FAROFA: Dom domingueiro - melhor quando de peru - Orgulho do “farofeiro” Da praia de Itaipu. FASCINAÇÃO: Atração; Valsa de muito bom gosto Que dancei, numa paixão, Na base do rosto-a-rosto... LETRA “G” GETÚLIO VARGAS: Legenda; Petrobrás – grande momento! Leis Trabalhistas, na agenda E na Carta-Testamento. GORILA: Grande macaco Que jamais andou fardado. GOSTO: O que tantos têm fraco. GOTEIRA: Pingo-pingado... GRAMÁTICA: Rege a língua. Tanta gente descompassa Que certas trovas, à mingua Das regras, perdem a graça. GRAMPO: Peça de metal, Com várias aplicações. No telefone é ilegal Vigia das ligações. GUARATINGUETÁ: “Guará” Bem simplesmente à paulista. Deixei emoções por lá; Trouxe a saudade sulista! GUERRILHA: Guerra entre irmãos, Em ataques de emboscada. Se os povos dessem as mãos Seria a paz conquistada!
  31. 31. 32 GUARDA-COSTAS: É patrulha; Marinha no litoral; O truculento que empulha, Em troca do vil metal... LETRA “H” HABANERA: Lembra a Espanha; Dança e musica de escol. HABEAS-CORPUS: Não se ganha De juiz de futebol... HORACIO: Poeta latino, De estilo “enxuto” (bem seco?); Em Niterói – que homem fino E nobre: Horácio Pacheco! HORTO: Arvoredo; Floresta; O Jardim das Oliveiras. HOSANA: É louvor; É festa Nas comunhões domingueiras... LETRA “I” IANQUE: Norte-americano. IARA: Senhora mãe d’água. IATAGÃ: Sabre otomano IATE: Cura qualquer mágoa... IDEALISTA: Sonhador. IDILIO: Romance suave. IEMANJÁ: Deusa do amor Que protege qualquer nave... IRÔNICO: Zombeteiro. IRRACIONAL: Sem razão. ISCA: Pavio de isqueiro; Comida de tubarão... ITAIPAVA: Clima frio. Arvoredo... Rios claros... Flores que, em tardes de estio, Recendem perfumes raros!
  32. 32. 33 ITAPOÃ: Praia linda E famosa, na Bahia. Por ali, ressoa, ainda, De Vinicius a elegia. LETRA “J” JACI: Em tupi é lua Que clareia em tempo seco... Ilumina até a rua Do bardo JACY PACHECO... JANEIRO: Mês dos Reis-Magos; Do grande São Sebastião; Traz, entre risos e afagos, As belezas do verão. JEITOSO: Hábil; Airoso. JEREBA: Desajeitado JERICO: Burro teimoso. JEROPIGA: “Fermentado”. JIBÓIA: Grande serpente Que ensinou a “jiboiar”; Comer o quanto se agüente Para, depois, descansar... JILÓ: É fruto amargoso. JIRÁU: Estrado de varas; É, também, bar luxuoso Onde vão as “avis-raras”. JOÁ: É planta espinhosa De lindos frutos, até. JOANETE: Forma curiosa Do grande dedo do pé. JOANINHA: Fusca da “cana”, É o terror dos marginais... JOANINO: De João ou Joana; Festejos tradicionais... JULHO: Guarda uma lembrança Da revolução paulista Que revelou a pujança Da gente nacionalista.
  33. 33. 34 JUNHO: Das noites mais frias, Dos balões, dos namorados... É o mês dos mais lindos dias, Dos “arraiais” enfeitados... LETRA “k” “K” – Consoante velar, surda; Em grego, seu nome é Kapa: Tornou-se uma letra absurda (e foi riscada do mapa!) KU-KLUX-KAN: Que o Tennessee, Ocultamente, criou... Sociedade cruel, em si, Que todo um povo manchou... KAISER: Foi imperador Na Alemanha ultrapassada... Hoje, em dias de calor, É cerveja (...bem gelada!) LETRA “L” LÁGRIMA: É qual curso d’água, Da emoção, na geografia: Ora a nascente é na mágoa, Outras vezes, na alegria... LAMPEJO: Aquele momento Do “achado”, da grande trova! LAMÚRIA: Queixa; Lamento, Se o “achado” nada inova... LANÇA-PERFUME: Bisnaga Cheia de éter perfumado. Quando aspirado, embriaga... ... e dá um “bode” danado! LANCE: Perigo; Aventura; No jogo, aquele que arrisca: Se perder, vem a fatura; Se ganhar, então, petisca!
  34. 34. 35 LANTERNA: Foco de luz; Para os trens, é furta-fogo; No futebol, uma cruz, Se o “lanterna” é o Botafogo... LATOUR: A torre (na França) Que nos lembra uma palmeira; Também nos traz à lembrança O amigo LATOUR ARUEIRA... LEÃO: Rei dos animais; Constelação zodiacal; Na “Seleção”, entre os tais, Ainda pode ser “o tal”... LENÇOL: É peça de pano Usada nos dormitórios. LENDA: Conto; E até engano De mentirosos notórios... LETRA “M” MACAMBÚZIO: Carrancudo; Muito triste; Embezerrado. MACHADO: Derruba tudo; Na ecologia é odiado... MAIO: Mês das mães. Todo o ano Traz lembranças da Princesa... MAIÔ: traje; menos pano, Mais “saúde” e “natureza”... MALMEQUER: Flor pequenina Destinada a adivinhar, Como fada, se a menina Vai, ou não, ser nosso par... MANCHETE: Televisão; Rádio; Revista; Notícia Que é dada com sensação Quando o caso é de polícia! MANGARATIBA: É recanto Entre o mar e a serrania, Qual jardim feito de encanto, Por Deus, no primeiro dia...
  35. 35. 36 MARÇO: Mês da fundação Deste Rio de Janeiro; Da triste revolução Que enganou o brasileiro... MORATÓRIA: Vil “pendura”; Calote internacional; Toda nação que está “dura” Guarda este trunfo final... LETRA “N” NÁDEGA: Parte carnosa Que sempre existiu oculta; E, agora, a moça charmosa, Num biquini, “desoculta””. NAMORAR: É cortejar. NÃO: Advérbio; Negação; Para quem quer namorar, É triste escutar um “NÃO”!... Nuvem: Vapor condensado, De formas maravilhosas. Ao por-do-sol, encarnado, Lembra um canteiro de rosas... LETRA “O” ODALISCA: Fantasia Que se vê nos carnavais... Bela mulher que servia Aos sultões orientais! OBRA: Efeito do trabalho, É o que diz o dicionário; E fruto de muito “malho” Foi este vocabulário! OUTUBRO: Mês das crianças - as vozes da primavera - Neste mundo de esperanças Ser criança – ah! Quem me dera...
  36. 36. 37 LETRA P PALAVRA: Som; Expressão. PALCO: Proscênio de teatro. PALHAÇO: Arma a confusão, Do circo, no anfiteatro... PASSADO: É aquela espiral Que, ao girar, traz ao presente A memória emocional Das profundezas da mente... PENUMBRA: Sombra incompleta; Paraíso dos casais... PENÚRIA: Falta completa Do que os ricos têm demais... PÉROLA: Glóbulo duro Que a ostra custa a formar. O homem gasta o ouro puro No presente de um colar... PICANÇO: Plástico artista; Médico, poeta e pintor; Em tudo perfeccionista, Tem trabalhos de valor... PRIMAVERA: A terra canta, No cantar dos passarinhos. O sol nasce... Tudo encanta... (E eu sonho com teus carinhos)... LETRA “Q” QUADRA: É uma praça de esporte; Em quatro versos é a trova. “Quase a quina” quando a sorte submete-nos a uma prova... QUADRADO: Tem quatro lados Iguais, em ângulos retos: Os cidadãos antiquados, Como dizem nossos netos
  37. 37. 38 LETRA “R” RABANADA: É refinada Iguaria de Natal; E perigosa pancada Da cauda de um animal! REALEJO: Quanta emoção, Guardo desde a minha infância: - Acordes no coração! - Sons perdidos na distância! LETRA “S” SABÃO: O sal de potássio; Cara metido a sabido; Censura feita a pascácio Por pecado cometido... SABIÁ: Sendo macho, canta. A fêmea nem mesmo pia. Se o fato a ninguém espanta, Chico Buarque não sabia... SÃO LOURENÇO: Parque d’águas, De festivais gastronômicos, Onde se esquecem as mágoas, Por preços não astronômicos. SELVA: Floresta fechada; Residência do Tarzã. SELVAGEM: Onça pintada Que se esconde de manhã. SETEMBRO: É o mês das flores, Após o inverno da espera: Com muita luz, muitas cores E a festa da Primavera!... SILVIO CALDAS: Seresteiro, Com alma de passarinho, Tem, pelo Brasil inteiro, A alcunha de “Caboclinho”...
  38. 38. 39 LETRA “T” TIRO: Efeito do atirar; Disparo de arma de fogo; Nas corridas é ganhar Com roubalheira no jogo! TOMBO: Queda desastrada (do cavalo o que dói mais); TOMBOS: Cidade encantada, Escondida nas Gerais... TROVA: É poema pequeno. TROVADOR: Quem o constrói. TROVOADA: Com tempo ameno, Sempre ocorre em Niterói... LETRA “U” URBANO: Civilizado (que raridade, entre nós); No rádio, há pouco passado Brilhou tanto o URBANO LÓES. LETRA “V” VERANÓPOLIS: Jardim, É um novo éden, melhorado: Quem come maçãs, enfim, Já não comete pecado... VIÚVA: Se rica, é cercada De jovens atrás do dote. VIUVEZ: De moça assanhada, É mel que entorna do pote... LETRA “W” WATTIMETRO: É um aparelho Que determina a potência Da energia (e não espelho Para fases da existência...). WAGNER: Músico alemão, Fez “Tanhauser”, “Lohengrin”... Alma feita de emoção E sentimentos sem fim... WASHINGTON: A capital
  39. 39. 40 Do país da liberdade; Nome do pai, sem igual, Que me traz tanta saudade! LETRA “X” XAVECO: Barco da China; Na gíria é o próprio logro. XAXADO: p’rá nordestina, Umbigada sem malogro... XAXIM: Vaso para plantas; Samambaia avantajada. XENOFILIA: Te encantas Pela mulher importada?... LETRA “Y” “Y”: Uma coordenada, segunda, cartesiana... Tem grafia ultrapassada Que meu prenome ainda emana... LETRA “Z” ZABANEIRA: Escandalosa; Mulher que nos causa horror Por ser, sempre, perigosa; ZABUMBA: Bombo; Tambor. ZANZIBAR: Terra africana. ZARABATANA: É mortal. ZEBRA: Dá, toda semana, Na “loteca” nacional... ZEPELIM: Quanta lembrança Da aeronave “Dirigível” Que, aos meus olhos de criança. Era espetáculo incrível... ZOOLOGIA: A Biologia A estudar os animais. ZOOLÓGICO: Nostalgia Que a nossa infância nos traz...
  40. 40. 41 POESIAS O INFINITO EM TEUS BRAÇOS Em teus braços, no sonho mais bonito, Desfrutei o calor da chama acesa... Conheci , do prazer, o eterno grito E as belezas sem fim da natureza. Sons do céu escutando, com certeza, Do silêncio quebrei o velho mito. Esqueci o valor da farta mesa E, de calmo, me fiz homem aflito!... Em teus braços, perdido de emoção, Fiz da vida o mais fundo de um vulcão, Fiz , do vasto, o recesso mais restrito! Em teus braços, poeta e sonhador, Conheci, numa noite de esplendor, O mistério insondável do infinito!… ARCO-ÍRIS o regar, em meu lar, plantas e flores Numa linda manhã primaveril, A esquecer-me os percalços que, entre dores, Dão à vida, de fato, um cunho hostil, Eis que um raio de sol, suave e gentil, Colore o jato d’água em sete cores, De mutantes matizes, qual sutil Arco-íris – encanto dos pintores!... Que alegria! Que orgulho tão profundo! Sentir tal maravilha, num segundo, No milagre ocorrido em meu jardim! Os mistérios sem fim da natureza, Insondáveis sabemos, com certeza, Só acontecem... Se Deus quiser assim!…
  41. 41. 42 SER PAI Ser pai é ser amigo diligente, é saber escutar mágoas e dores... Ser pai é procurar ser indulgente, sem deixar de entender jovens clamores... Ser pai é compreender novos valores, ser um guia seguro e confidente. Ser pai é dar conselhos, mandar flores, é ser franco e leal, justo e exigente! Ser pai é dar arrimo, força e amparo, de carinhos jamais fazer-se avaro, sobretudo se um filho, acaso, cai. Ser pai é estar atento e sempre em guarda, se vencido, manter a voz galharda e chorar, se preciso... Isto é SER PAI!… ADEUS, CABOCLINHO Poema em Memória de Sílvio Caldas Vai , querido Caboclinho, Da voz forrada de arminho, Fazer serestas, no céu... Vai cantar nossa Aquarela, Que lá no céu, da janela Um anjo abrirá o véu... As “gaivotas e “andorinhas”, Que ouviam sempre, às tardinhas, Seu canto de paz e amor, Farão vôos de saudade, Nessa tristeza que invade Velhas tardes de esplendor. “Marias” e “Florisbelas”, em homenagens singelas, jamais irão esquecer, as noites febris de festas, de iluminadas serestas, com seu cantar de prazer!...
  42. 42. 43 Uma saudade imortal, Ficará, qual pedestal, A sustentar seu violão... No cantar de um seresteiro, Neste Brasil, brasileiro, Vibrará seu coração! Do seu “palco iluminado”, Agora triste, apagado, As luzes, vamos retê-las... Nesta triste despedida, Chorando a sua partida, Cantaremos “Chão de Estrelas”!… O SEGREDO DA VIDA Quando rapaz, amigo dos amigos, Não cometi, jamais, um ato falho... Tratei com cortesia aos inimigos, - Desses gratuitos, que nos dão trabalho!... A alguns, com frio, cedi agasalho Amenizando-lhes pobres abrigos... E, aos abastados, levei pelo orvalho Em serenatas, nos moldes antigos! Passado o tempo, ao recordar de tudo, Sinto, em minha alma, afagos de veludo Por todo o bem que faço e me compraz... Tantas lembranças, boas de verdade, Ainda me mostram que, na realidade, O SEGREDO DA VIDA está na Paz!
  43. 43. 44 A CAIXA DE OURO (Para Waldyr Neves, in memoriam) A “Caixa Preta” que levou um grande amigo deixou, no solo, um rastro azul, feito de luz da mais brilhante intensidade, que produz a alma simplória quando deixa o velho abrigo. E, da vontade de voltar a estar contigo, nossa esperança,em pensamento, nos conduz ao campo santo, para estar diante da cruz que agora e sempre há de luzir em teu jazigo! Eternamente, os versos lindos que fizeste serão lembranças que o futuro espalhará e, em CAIXA DE OURO, nas memórias ficarão... Resta o consolo que o porvir, de oeste a leste, a chama acesa do seu estro manterá a iluminar, de cada amigo, o coração!… PARQUE ITATIAIA: A NATUREZA, O POETA E O INSENSATO A NATUREZA Itatiaia, parque dos meus sonhos, Monumento vivo à natureza, Desfrutar teu verde exuberante É escutar os sons do teu silêncio!... Itatiaia, mundo de emoções, Dos regatos límpidos, travessos, Dos sagüis brejeiros, assustados, Dos ipês valentes, mais floridos!... Nas manhãs de inverno, entre neblinas, Nos teus bosques voam, peregrinas, A ves livres, lindas borboletas, Beija-flores gentis e sensuais... O POETA Quantos versos de amor inspiraste, No esplendor de tua mata virgem, No remanso de tuas colinas, Nas tardes de rubro por-do-sol... Quantas noites claras e formosas,
  44. 44. 45 De luar prateando a serrania... Sonha o poeta que sempre conserves O mágico esplendor e a realeza!... Na pureza dos teus mananciais, Corre a seiva livre da poesia Que alimenta a lira do poeta Ao tanger dos lindos madrigais!... O INSENSATO Eis que existe o homem do machado. O insensato da tocha incendiária, O inimigo cruel, destruidor, Que não tendo os olhos do pintor, Nem a alma gêmea à do poeta Ou, sutil, a argúcia da mulher, Vai – com fúria vil, devastadora – Queimando a floresta sem piedade, Represando os rios de águas mansas. Massacrando pássaros e plantas... ...Tal o algoz mortal da natureza, Por si mesmo antítese da vida! Poema vencedor do Concurso Nacional “O Homem e a Natureza” comemorativo do cinquentenário do Parque Nacional de itatiaia, Resende/RJ - 1987 MULHER Seja, sempre, a razão dos pensamentos Que os meus sonhos perpassam de emoções... Seja o brilho de todos os momentos E a mais rara entre vivas sensações... O desejo de intensas vibrações Que percorrem meu corpo como os ventos! A esperança de suaves ilusões E a certeza tranquila dos intentos! Seja o aroma mais puro e delicado Que o das flores silvestres da campina E a oração que embeleza a minha vida"!... Seja o vulto sutil e iluminado, Encanto da beleza feminina, Seja o meu talismã, mulher querida!...
  45. 45. 46 PRECE Para minha filha ROSSANA Oh! Deus, de imensa misericórdia!... Dai que eu tenha o poder dos poderes... Que tenha o condão De alegrar todas as tristezas E de acalmar furacões... De enfrentar tempestades E de vencer maremotos... De escalar as montanhas do impossível E, em seu topo, fincar O símbolo verde da esperança... De lançar um brado indomável, Capaz de calar a voz Dos ecos insondáveis... De vencer todas as guerras da insensatez E de desfraldar bandeiras de bem-querer... De sufocar todos os medos E cruéis angústias... De fazer pousar, em minhas mãos cansadas, O mais terno colibri... De encontrar, neste mundo de desesperanças, A nau da felicidade E de oferecê-la, integral, À candura de minha filha... Oh! Deus, de imensa misericórdia!
  46. 46. 47 IMUTÁVEL Caiam pétalas de rosas brancas, rubras, amarelas, sobre os teus louros cabelos… E o orvalho das noites frias - sereno das madrugadas - sobre o teu vulto tranquilo… Caiam as bençãos de Deus e o cantar dos querubins, sobre o teu ser temporal… Caiam meus olhos, inquietos, e os meus sonhos mais complexos, em tua alma acolhedora… A beleza de que és feita, permanecerá intacta, perturbadora… Imutável!… PRINCESINHA EM FESTA ao anivesário de Macaé A Princesinha "hoje desperta em festa Enfeitiçando o belo litoral. À noite, será tempo de seresta À lua - a voz do povo por coral!... Surge o sol, dando o encanto matinal À homenagem que a natureza presta. Passarinhos, buscando um canto igual, Fazem revoada, vindos da floresta... Recendem mil aromas naturais Das flores, de perfumes tropicais, Nas praças e jardins belas vistas... Hoje é dia da Lira e da Nova Aurora desfilarem garbosas, como outrora. em louvor aos progressos e conquistas!
  47. 47. 48 LOUVAÇÃO A CHICO MENDES É preciso clamar, com mais vigor, Contra o grupo cruel e invasor, Que pretende findar com a Amazônia... Certa gente que vem d’outro hemisfério, Cria um clima de posse e de mistério E a Amazônia se faz uma colônia... Triste enredo de dor, coisa de duendes, O massacre anunciado... e Chico Mendes Cai por terra, apesar da vigilância... Mas, quem sabe, de fato, a realidade Que se esconde febril na ambigüidade Dessa trama infernal de ódio e ganância?... Esse herói sonhador ainda revive, Virou lenda de amor e ora convive Com pajés e caciques, numa festa! Protegido, hoje, à sombra das cascatas, Seu espírito forte corre as matas Sob o olhar de Tupã, deus da floresta!... É preciso clamar, contra-impelir, Nessa guerra em defesa do porvir, Afastando insensatos e insensíveis... E quando, enfim, calarem moto-serras, Se apagarem queimadas sobre as terras, Fauna e flora serão imperecíveis!…
  48. 48. 49 VINTE SÉCULOS ATRÁS Vinte séculos atrás, Passou pela terra Alguém Que tinha no olhar a Paz E no coração o Bem! Que pelo Verbo Divino Aos povos viera pregar O Evangelho que o destino O incumbira de espalhar. A mensagem que trazia, Fundamentada no amor, Inundou a Samaria De encantamento e esplendor. Assim, também, a Judéia E Nazaré pequenina, Testemunhas da odisséia, Desde a Estrela Peregrina, Até ao drama do Calvário, Naquela tarde sem luz, Que se tornou o sacrário Do flagelo de Jesus!... Vinte séculos atrás, Passou pela Terra Alguém Que tinha, no olhar, a Paz E, no coração, o Bem!…
  49. 49. 50 A SAGA DOS REIS MAGOS Ao norte da Tessália, em solidão, O ateniense GASPAR, sob emoção, Recebeu a mensagem do Criador!... Sob um pálio de luz esplendorosa, De uma estrela de força misteriosa, Sentiu, na alma, a presença do Senhor!... Dirigiu-se à Antioquia e, solitário, Montando o mais vistoso dromedário, Pôde alcançar os confins do deserto. MELCHIOR, o indiano, em refúgio afastado, Junto às nascentes do Ganges sagrado, Teve a mesma visão do rumo certo!... Buscando um mesmo sítio no areal, Partiu, levando em seu rico embornal, Fartas porções de incenso, mirra e de ouro... Na imensidão (o Espírito a velar), Já esperava por eles BALTASAR, O egípcio, também junto ao seu tesouro! Esse encontro de reis, predestinados, Em meio dos desertos calcinados, Foi traçado por Força Superior... Eram sábios – vivendo entre os ateus – Que criam na existência de um só Deus: Honra a BALTASAR, GASPAR e MELCHIOR!... Do deserto partiram, sem canseiras, Em busca do recanto, entre oliveiras, Onde houvera nascido o Deus-Menino... Levados pela estrela à manjedoura, Viram todos a Luz imorredoura Que ao mundo iria dar novo destino!…
  50. 50. 51 O MANTO SAGRADO Mil relâmpagos, trovões, Fez-se noite em pleno dia... Tantas mágoas e emoções No coração de Maria! Após o padecimento, A Via-Sacra vencida, Da morte o grave momento Chegou para o Deus da vida... Depois do final quebranto, Restou Seu manto sagrado Que levou remorso e pranto Ao romano desvairado. Na Páscoa, ano trinta e três, Quando o dia escureceu, Morreu Jesus, Rei dos Reis, Mas o mundo renasceu... E, na tristeza da morte, Teve o povo o Seu perdão... Cristo seguiu Sua sorte: - Divina ressurreição!...
  51. 51. 52 Fontes: As trovas e poesias foram cedidas pelo próprio autor quando em vida. Algumas trovas são do site da Eliana Ruiz Jimenez (SC) que fez uma homenagem ao Hermoclydes, em seu blog HTTP://poesiaemtrovas.blogspot.com.br (não deixe de visitar o blog) Biografia foi obtida no Portal CEN e Macae News.

×