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Índice
Mensagem na Garrafa
Atila José Borges
Na restauração................................................................
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Atila José Borges
Na restauração
NÃO BASTA superarmos viagens com
tempestades, relâmpagos e cascatas se continuarmos a
c...
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outros devem ser na razão inversa do que exigirmos de
nós mesmos.
NÃO BASTA apreciarmos o erguimento festivo
dos templos...
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Tem trabalhos publicados no Brasil, Estados Unidos da América, Portugal, Argentina, Paraguai e na China. É autor de nove...
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Uma Trova de Londrina/PR
Cidinha Frigeri
O pão e o vinho, que trago
à mesa para nós dois,
são muito mais que um afago,
v...
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Um Poema de Lisboa/Portugal
Antonio Gedeão
AMOR SEM TRÉGUAS
É necessário amar,
qualquer coisa, ou alguém;
o que interess...
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por outra a luz das estrelas
que andam no céu a rolar.
Por esta entra a Via Láctea
como um vapor de algodão,
por aquela ...
9
Um Poema de Lisboa/Portugal
Antonio Gedeão
DESENCONTRO
Que língua estrangeira é esta
que me roça a flor do ouvido,
um vo...
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umas tantas criaturas
que vivem num charco imundo
arrancando arroz do fundo
de pestilentas planuras.
Um sol de arestas ...
11
E se pinta e borda?
Um Poema de Lisboa/Portugal
Antonio Gedeão
LIÇÃO SOBRE A ÁGUA
Este líquido é água.
Quando pura
é in...
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de amores de longa data
que um dia viveu, enfim...
E num sorriso matreiro
esse velhinho sortudo
sem falar, segue faceir...
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– antes das grandes conquistas
erguem-se as grandes barreiras!
Um Poema de Lisboa/Portugal
Antonio Gedeão
PEDRA FILOSOF...
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Recordando Velhas Canções
Baby
(1968)
Caetano Veloso
Você precisa saber da piscina,
da Margarina,
da Carolina,
da gasol...
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Ia de ponta a ponta, e aos seus olhos parecia
exatamente um espelho
porque, do que sabia,
só um espelho com isso se par...
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Um Poema de Lisboa/Portugal
Antonio Gedeão
POEMA DAS FLORES
Se com flores se fizeram revoluções
que linda revolução dar...
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Recanto da Paz.
Cantemos aos céus,
Regência de Deus,
Louvor, louvor a Goiás!
(repetem-se os três últimos versos)
A cort...
18
quer se grite ou não se grite,
nenhum dar-se de dentro se refrata,
nenhum ser nós se transmite.
Quem sente o meu sentim...
19
Em 1932, um ano depois de se ter licenciado, forma-se em ciências pedagógicas na Faculdade de Letras da cidade invicta,...
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21
Após acender o isqueiro
"desaparece" o rapaz.
Não viu o grande letreiro:
– PERIGO - NÃO FUME – GÁS.
As tuas mãos displi...
22
Mulher se faz elegante,
mesmo sem a passarela.
A moda mais importante
é a nobreza dentro dela.
Na mansão da dona Wanda,...
23
Por carta, mando-te um beijo
muito antecipadamente;
em breve, terei o ensejo
de dá-lo pessoalmente.
Por ter chegado aos...
24
Kardecista desde a juventude.
Participa como titular das: Academia de Letras de Juiz de Fora, Academia Juizforana de Le...
25
Desta vidinha de rei.
Mas ninguém me turba em meio
Do jantar; sobra o lazer.
E adeus. Figas ao prazer
Que pode aguar um...
26
– Ó, Tupã, não posso mais dar um passo e
morrerei com meu filho no ventre! – exclamou ela,
sozinha e esfomeada no meio ...
27
— Nãu, oubriugaudo.
— Um café?
— Tenhu qui paugar?
— Claro que não. É por conta do escritório.
— Entãu eu aceitu um cau...
28
— Por acaso isso é algum tipo de brincadeira?
— Nãu senhour. Clauro que nãu.
— Então?
—O Orlaundo, como diusse, está so...
29
Expressões Idiomáticas
de Origem Mitológica
Trabalho de Sísifo
Tarefa exaustiva, interminável e inútil.
Origem: Na mito...
30
Origem: Na tradição mitológica grega, Cila e Caríbdis
eram dois monstros marinhos que moravam nos lados
opostos do estr...
31
Leito de Procrusto
Aplicação arbitrária de uma medida única; sujeição
forçada à opinião ou vontade de outrem.
Origem: P...
32
Profecia de Cassandra
Profecia catastrófica, na qual ninguém acredita.
Origem: Cassandra era uma das filhas de Príamo, ...
33
monte Aventino, onde guardava o fruto de seus roubos.
Certa feita, Hércules retornava para casa depois de
haver roubado...
34
"O orgulho da riqueza subiu à sua cabeça, Lakshmi
irá te abandonar."
Então Indra, que havia percebido a loucura que
tin...
35
forma de Kurma, seu Avatar com forma de tartaruga,
colocou o monte nas costas e o levou de volta à
superfície. Os Devas...
36
Dhanvantari! Aqui começa a luta entre os Assuras e os
Devas. Vishnu que via tudo, resolveu ajudar os Devas.
Ele se disf...
37
Pedro Marques
Olegário Mariano:
entre romantismo e modernismo
Resumo: As categorias literárias atribuídas a
Olegário Ma...
38
imaginação” (Campos, 1935, p. 155). Canto da Minha
Terra (1927), realização máxima do interesse
nacionalista aos poucos...
39
urbanos. Ao contrário dos valores culturais efetivados
em cidades como Rio de Janeiro, os do interior
estariam, suposta...
40
A morada na roça é como o ninho
Feito de penas brandas como arminho,
Onde repousa um’avesinha à sesta.
Oh! como é bom v...
41
Noivado de papoulas e de ramos
Que ao longo das estradas vão florindo...
Foi assim meu amor, que nos amamos
Neste silên...
42
Quando chegava o inverno horrendo e fero
Varrendo o canavial do sul a norte,
Não avalias tu meu desespero
Para te conse...
43
amado Bilac cada vez mais vivo na admiração
brasileira, preferindo, muitas vezes, a qualquer motivo,
o que bendissesse ...
44
desabrochar em vergéis incomparáveis exaltando o
homem que a povoa e a opulenta. (Mariano, 1936, p.
257)
O regionalismo...
45
Te manda matar.”
No seu berço de rendas com brocados d´doiro
Os olhinhos redondos de espanto e alegria,
Ele olha a vida...
46
Pelas estrelas do Cruzeiro que me deixam anestesiado,
Pelos crepúsculos profundos que põem lágrimas no
meu olhar;
Pelo ...
47
sudeste), uma vez perdida as “raízes”, resta-lhe ser
propulsor da economia, organizador político. Na
quinta, depois de ...
48
Cansados da longa caminhada, decidiram amarrá-lo
a uma palmeira, guardando para o dia seguinte a
oportunidade de fazere...
49
— Alto lá! Não é ele o assassino!
Era o camelo que, amarrado à sua palmeira, tinha
presenciado tudo desde o princípio e...
50
período, mostra os dilemas da família, com base no
conflito de opiniões entre o pai anarquista, o filho que
adere ao co...
Almanaque Chuva de Versos n. 405
Almanaque Chuva de Versos n. 405
Almanaque Chuva de Versos n. 405
Almanaque Chuva de Versos n. 405
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Mensagem na Garrafa, com o paranaense Atila José Borges;
Chuva de Versos homenageia o poeta português, António Gedeão;
O Trovador Homenageado é de Juiz de Fora/MG, Aloysio Alfredo Silva;
Jean de La Fontaine com mais uma fábula em versos, “O Rato Caseiro e o Rústico”
No Folclore Indígena Brasileiro, a Origem do Oiapoque
Nas seções de contos, o capixaba Aparecido Raimundo de Souza com “Liungua Preusa”
“Luzia”, da sorocabana Carina Isabel M. Cardoso
Algumas Expressões Idiomáticas de Origem Mitológica
Uma lenda da Mitologia Hindu: “Lakshmi”
Pedro Marques, escreve sobre o poeta Olegário Mariano (publicado no número anterior): entre romantismo e modernismo;
Fábulas Sem Fronteiras, vai à África, com “A Hiena Mazona”
No teatro, a peça “Bella Ciao”;
Clevane Pessoa nos apresenta uma parábola em versos: “A Flor Dourada e o Pássaro Verde”, e logo em seguida uma entrevista com a escritora.
Marcelo Spalding em mais uma parte da História da leitura: A ascensão do romance
Na Estante de Livros, Simões Lopes Neto e seu livro “Contos gauchescos”, e logo após um conto deste livro: ”Trezentas Onças”.
A cultura na Música, inicia com a primeira parte do “O Anel do Nibelungo”, que foi composta pelo compositor alemão, Richard Wagner, contando a história da mitologia nórdica.

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  1. 1. 2 Índice Mensagem na Garrafa Atila José Borges Na restauração..........................................................................3 Chuvisco Biográfico......................................................4 Chuva de Versos ..............................................................6 - 18 Poeta Homenageado António Gedeão ....................................................7 - 18 Chuvisco Biográfico....................................................18 Trovador Homenageado Aloysio Alfredo Silva...........................................................20 Chuvisco Biográfico....................................................23 Jean de La Fontaine O Rato Caseiro e o Rústico........................................24 Chuvisco Biográfico....................................................25 Folclore Indígena Brasileiro Origem do Oiapoque..................................................25 Aparecido Raimundo de Souza Liungua Preusa..........................................................26 Chuvisco Biográfico....................................................28 Expressões Idiomáticas de Origem Mitológica...................29 Lenda da Mitologia Hindu Lakshmi......................................................................33 Pedro Marques Olegário Mariano: entre romantismo e modernismo...37 Fábulas Sem Fronteiras África A Hiena Mazona.........................................................47 Teatro de Ontem, de Hoje, de Sempre Bella Ciao...................................................................49 Carina Isabel M. Cardoso Luzia ..........................................................................51 Chuvisco Biográfico....................................................52 Clevane Pessoa Parábola em Versos: A Flor Dourada e o Pássaro Verde.............................53 A Escritora em Xeque Clevane Pessoa.........................................................55 Marcelo Spalding História da leitura (IV): A ascensão do romance.....................................62 Chuvisco Biográfico....................................................64 Estante de Livros Simões Lopes Neto Contos gauchescos....................................................65 Trezentas Onças........................................................69 Chuvisco Biográfico....................................................73 A Cultura na Música O Anel do Nibelungo: Parte 1: O Ouro do Reno............................................75
  2. 2. 3 Atila José Borges Na restauração NÃO BASTA superarmos viagens com tempestades, relâmpagos e cascatas se continuarmos a conservar a secura em nosso interior. NÃO BASTA desbastarmos a pedra bruta com sofreguidão se confundirmos ideal com fantasia e não compreendermos que a dor também é cinzel em nossas vidas, NÃO BASTA realizar muitas marchas se o que buscamos é às apalpadelas e sem rumo. A marcha ao infinito só é realizável com passos finitos. NÃO BASTA querermos entender o final do caminho quando nem sequer sabemos o que é peregrino. NÃO BASTA querermos ser perfeccionistas se não existem regras humanas exatas; prumos rigorosamente estáticos; esquadros humanos infalíveis e compassos humanos que não circunscrevam e erro e a imperfeição. NÃO BASTA aplaudirmos aquisições se não guardarmos com probidade e zelo aquilo que já possuímos. NÃO BASTA acelerarmos nossos passos se eles continuarem a ser passos perdidos que não nos levem a lugar nenhum. NÃO BASTA empunharmos espadas flamejantes se não entendermos que as mãos que as seguram devem também saber apertar outras mãos e usá-las para erguer e construir, fazendo dela o prolongamento do coração. NÃO BASTA galgarmos o ápice das escaladas se não tivermos a humildade de nos reportarmos às câmaras escuras para lembrar que lá também se revelam cenas coloridas. Se tivermos só nuvens sob os nossos pés, certamente cairemos. NÃO BASTA olharmos para os céus se nele não crermos, pois sendo assim não poderemos ver nada além das nuvens. NÃO BASTA sermos livres e de bons costumes se não tivermos a sabedoria de reconhecer a nossa própria ignorância. NÃO BASTA saborearmos a taça da vida humana se não entendermos que ela é um processo de aprendizagem e que devemos encontrar na lágrima salgada a doçura do agradecimento. NÃO BASTA cavarmos masmorras aos vícios se não encontrarmos o ser humano que existe em nós, reconhecendo que as exigências que fizermos aos
  3. 3. 4 outros devem ser na razão inversa do que exigirmos de nós mesmos. NÃO BASTA apreciarmos o erguimento festivo dos templos, mas sabermos que as mais sinceras e humildes tarefas são, desde que bem entendidas, colunas de luz para ampliadas lides e missões. NÃO BASTA acendermos luzes em templos e palácios, se não acendermos a nossa própria luz, por mais tênue que seja, conduzindo e vivendo a verdade. NÃO BASTA termos um templo abarrotado de fiéis, e com cheiro de tinta novo se ele encobrir um carcomido edifício lembrando sepulcros caiados por fora… NÃO BASTA uma grandiosidade numérica. As dízimas periódicas também são resultados de numeradores e denominadores formados por poucos ou infinitos números cujos resultados são sempre acompanhados de três pontos alinhados entre si... ' Átila José Borges nasceu em 28 de fevereiro de 1936, na cidade de Porto União/SC. Filho de Óttilo Borges e de Garacita Martins Ricardo Borges Licenciado em Ciências pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Bacharel em ciências econômicas pela Fundação de Estudos Sociais do Paraná. Oficial Especialista em Comunicações pela Escola de Oficiais Especialistas da Aeronáutica. Licenciado em Estatística Superior pelo Ministério da Educação e Cultura. Foi oficial da Força Aérea Brasileira, professor da Universidade Federal do Paraná, do Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná, da Fundação de Estudos Sociais do Paraná e instrutor da Força Aérea Brasileira. Jornalista e Relações Públicas. Entre muitas honrarias que recebeu no percurso de sua vida, foi agraciado com as medalhas de Cavaleiro da Ordem do Mérito Aeronáutico; Cavaleiro da Grã Cruz do Governo da Polônia; Medalha Mérito Santos Dumont; Medalha Militar de Prata; Medalha Max Wolf Filho da Legião Paranaense do Expedicionário; Troféu “Escrínio de Santos Dumont”; Comenda Maçônica Duque de Caxias do Grande Oriente do Brasil /Paraná, entre outros. Cidadão Honorário de Curitiba. Obteve várias homenagens, placas de prata e bronze e troféus, entre as quais, das Forças Aéreas dos Estados Unidos, Bolívia, Turquia, Itália, Inglaterra e Vietnã do Sul. Foi eleito o melhor Relações Públicas das Forças Armadas pelo jornal “Letras em Armas” e pelo jornal “Diário Popular” de Curitiba. Átila foi criador, fundador e Diretor do Museu Entre Nuvens e Estrelas, inaugurado pelo então Presidente Fernando Henrique Cardoso, que ficou em exposição no Aeroporto Afonso Pena por mais de cinco anos. Produziu e apresentou por mais de vinte anos, na TV Paranaense Canal 12 o programa Entre Nuvens e Estrelas (em prol da aviação) e foi colunista da Gazeta do Povo, também por mais de vinte anos Membro da Academia de Cultura de Curitiba; Associado “Bandeirante” do Círculo de Estudos Bandeirantes/PR; Filiado ao Grande Oriente do Brasil, Grau 33
  4. 4. 5 Tem trabalhos publicados no Brasil, Estados Unidos da América, Portugal, Argentina, Paraguai e na China. É autor de nove trabalhos técnicos editados e distribuídos pela Encyclopaedia Britannica do Brasil e Barsa Society além da Editora Três, Laboratório Ache do Brasil, entre outros. Obras Memórias de um guri em tempo de guerra; No pico do diabo; As mais 100 belas mensagens; Mais de 700 pensamentos preferidos; Peludos x pelados – A Guerra do Contestado; Emoções, eu vivi… ; A menina e o general; Eu contos, além de vários trabalhos diversificados, publicados em diversos órgãos da imprensa brasileira.
  5. 5. 6 Uma Trova de Londrina/PR Cidinha Frigeri O pão e o vinho, que trago à mesa para nós dois, são muito mais que um afago, visando o agora e o depois. Uma Trova de Caicó/RN Prof. Garcia Revendo entulhos e tacos, na tapera dos meus sonhos, chorei por ver tantos cacos dos meus dias mais risonhos!
  6. 6. 7 Um Poema de Lisboa/Portugal Antonio Gedeão AMOR SEM TRÉGUAS É necessário amar, qualquer coisa, ou alguém; o que interessa é gostar não importa de quem. Não importa de quem, nem importa de quê; o que interessa é amar mesmo o que não de vê. Pode ser uma mulher, uma pedra, uma flor, uma coisa qualquer, seja lá do que for. Pode até nem ser nada que em ser se concretize, coisa apenas pensada, que a sonhar se precise. Amar por claridade, sem dever a cumprir; uma oportunidade para olhar e sorrir. Uma Trova Humorística de São Paulo/SP Renata Paccola Um degrau eu sempre subo quando a grana é insuficiente e pulo em cima do tubo pra sair pasta de dente... Uma Trova de Juiz de Fora/MG José Messias Braz No aeroporto, o adeus, o abraço... e no olhar... rastros de dor! – Lá se foi, rasgando o espaço, uma promessa de amor!... Um Poema de Lisboa/Portugal Antonio Gedeão AURORA BOREAL Tenho quarenta janelas nas paredes do meu quarto. Sem vidros nem bambinelas posso ver através delas o mundo em que me reparto. Por uma entra a luz do Sol, por outra a luz do luar,
  7. 7. 8 por outra a luz das estrelas que andam no céu a rolar. Por esta entra a Via Láctea como um vapor de algodão, por aquela a luz dos homens, pela outra a escuridão. Pela maior entra o espanto, pela menor a certeza, pela da frente a beleza que inunda de canto a canto. Pela quadrada entra a esperança de quatro lados iguais, quatro arestas, quatro vértices, quatro pontos cardeais. Pela redonda entra o sonho, que as vigias são redondas, e o sonho afaga e embala à semelhança das ondas. Por além entra a tristeza, por aquela entra a saudade, e o desejo, e a humildade, e o silêncio, e a surpresa, e o amor dos homens, e o tédio, e o medo, e a melancolia, e essa fome sem remédio a que se chama poesia, e a inocência, e a bondade, e a dor própria, e a dor alheia, e a paixão que se incendeia, e a viuvez, e a piedade, e o grande pássaro branco, e o grande pássaro negro que se olham obliquamente, arrepiados de medo, todos os risos e choros, todas as fomes e sedes, tudo alonga a sua sombra nas minhas quatro paredes. Oh janelas do meu quarto, quem vos pudesse rasgar! Com tanta janela aberta falta-me a luz e o ar. Uma Quadra Popular Autor Anônimo Amanhã eu vou-me embora, eu não vou-me embora não. Se eu tivesse de ir-me embora, eu não estava aqui não. Uma Trova Hispânica da Argentina Nora Lanzieri Tus dos ojos son mis soles, que iluminan mi camino, y el mar con sus caracoles el paraíso divino.
  8. 8. 9 Um Poema de Lisboa/Portugal Antonio Gedeão DESENCONTRO Que língua estrangeira é esta que me roça a flor do ouvido, um vozear sem sentido que nenhum sentido empresta? Sussurro de vago tom, reminiscência de esfinge, voz que se julga, ou se finge sentindo, e é apenas som. Contracenamos por gestos, por sorrisos, por olhares, rodeios protocolares, cumprimentos indigestos, firmes aperto de mão, passeio de braço dado, mas por som articulado, por palavras, isso não. Antes morrer atolado na mais negra solidão. Trovadores que deixaram Saudades Augusto Rubião – Bom dia, Felicidade... com tanta pressa aonde vais? – Vou plantar uma saudade onde o amor não volta mais!... Uma Trova de Belo Horizonte/MG Clevane Pessoa Tem gente que tanto mente, conta lorota, faz fita, que, da verdade descrente, nem em si próprio acredita. Um Poema de Lisboa/Portugal Antonio Gedeão DOR DE ALMA Meu pratinho de arroz doce polvilhado de canela; Era bom mas acabou-se desde que a vida me trouxe outros cuidados com ela. Eu, infante, não sabia as mágoas que a vida tem. Ingenuamente sorria, me aninhava e adormecia no colo da minha mãe. Soube depois que há no mundo
  9. 9. 10 umas tantas criaturas que vivem num charco imundo arrancando arroz do fundo de pestilentas planuras. Um sol de arestas pastosas cobre-os de cinza e de azebre à flor das águas lodosas, eclodindo em capciosas intermitências de febre. Já não tenho o teu engodo, Ó mãe, nem desejo tê-lo. Prefiro o charco e o lodo. Quero o sofrimento todo, Quero senti-lo, e vencê-lo. Uma Trova de Porto Alegre/RS Lisete Johnson Hão de volver as ternuras adormecidas em mim, se despertares as juras de ternura e amor sem fim. Um Haicai de Irati/PR Marcelly Caroline Bueno (10 anos) Férias de verão O cãozinho é companheiro Também na piscina. Um Poema de Lisboa/Portugal Antonio Gedeão GOTAS DE LÁGRIMA Eu, quando choro, não choro eu. Chora aquilo que nos homens em todo o tempo sofreu. As lágrimas são as minhas mas o choro não é meu. Uma Trova de Belo Horizonte/MG Luiz Carlos Abritta Não foi perto, nem distante: o nosso amor, ideal, nasceu da luz de um instante e se tornou imortal! Uma Triverso de Maringá/PR A. A. de Assis Se borda é prendada, bem mais ainda se pinta.
  10. 10. 11 E se pinta e borda? Um Poema de Lisboa/Portugal Antonio Gedeão LIÇÃO SOBRE A ÁGUA Este líquido é água. Quando pura é inodora, insípida e incolor. Reduzida a vapor, sob tensão e a alta temperatura, move os êmbolos das máquinas que, por isso, se denominam máquinas de vapor. É um bom dissolvente. Embora com exceções mas de um modo geral, dissolve tudo bem, ácidos, bases e sais. Congela a zero graus centesimais e ferve a 100, quando à pressão normal. Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão, sob um luar gomoso e branco de camélia, apareceu a boiar o cadáver de Ofélia com um nenúfar na mão. Uma Trova de São Fidélis/RJ Fátima Panisset A minha alma tão pequena perto de um mar tão profundo torna-se grande e serena para as ressacas do mundo. Uma Glosa de Porto Alegre/RS Gislaine Canales Glosando Alceu Gouveia VELHINHO SORTUDO MOTE: A cabecinha de prata, do velhinho quedo e mudo, de amores de longa data no seu silêncio diz tudo. Glosa: A Cabecinha de prata, de um prateado tão bonito, parece que nos relata seus anseios de infinito! No pensamento reluz, do velhinho quedo e mudo, a mocidade, que em luz, ele relembra a miúdo. E essa lembrança desata as mil histórias sem fim
  11. 11. 12 de amores de longa data que um dia viveu, enfim... E num sorriso matreiro esse velhinho sortudo sem falar, segue faceiro... no seu silêncio diz tudo. Um Poema de Lisboa/Portugal Antonio Gedeão PASTORAL Não há, não, duas folhas iguais em toda a criação. Ou nervura a menos, ou célula a mais, não há, de certeza, duas folhas iguais. Limbo todas têm, que é próprio das folhas; pecíolo algumas; bainha nem todas . Umas são fendidas, crenadas, lobadas, inteiras, partidas, singelas, dobradas. Outras acerosas, redondas, agudas, macias, viscosas, fibrosas, carnudas. Nas formas presentes, nos atos distantes, mesmo semelhantes, São sempre diferentes. Umas vão e caem no charco cinzento, e lançam apelos nas ondas que fazem; outras vão e jazem sem mais movimento. Mas outras não jazem, nem caem nem gritam, apenas volitam nas dobras do vento. É dessas que eu sou. Um Haicai de Mallet/PR Natali Miszkievicz 8 anos Domingo de sol Tomo banho de piscina Com as bonecas. Uma Trova do Rio de Janeiro/RJ Josafá Silveira da Silva Insisto em que não desistas jamais das glórias que queiras:
  12. 12. 13 – antes das grandes conquistas erguem-se as grandes barreiras! Um Poema de Lisboa/Portugal Antonio Gedeão PEDRA FILOSOFAL Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer, como esta pedra cinzenta em que me sento e descanso, como este ribeiro manso em serenos sobressaltos, como estes pinheiros altos que em verde e ouro se agitam, como estas aves que gritam em bebedeiras de azul. Eles não sabem que o sonho é vinho, é espuma, é fermento, bichinho álacre e sedento, de focinho pontiagudo, que fossa através de tudo num perpétuo movimento. Eles não sabem que o sonho é tela, é cor, é pincel, base, fuste, capitel, arco em ogiva, vitral, pináculo de catedral, contraponto, sinfonia, máscara grega, magia, que é retorta de alquimista, mapa do mundo distante, rosa-dos-ventos, Infante, caravela quinhentista, que é Cabo da Boa Esperança, ouro, canela, marfim, florete de espadachim, bastidor, passo de dança, Colombina e Arlequim, passarola voadora, pára-raios, locomotiva, barco de proa festiva, alto-forno, geradora, cisão do átomo, radar, ultra-som, televisão, desembarque em foguetão na superfície lunar. Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida. Que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança.
  13. 13. 14 Recordando Velhas Canções Baby (1968) Caetano Veloso Você precisa saber da piscina, da Margarina, da Carolina, da gasolina Você precisa saber de mim Baby, baby, eu sei que é assim Baby, baby, eu sei que é assim Você precisa tomar um sorvete Na lanchonete, andar com gente Me ver de perto. Ouvir aquela canção do Roberto. Baby, baby, há quanto tempo Baby, baby, há quanto tempo Você precisa aprender inglês Precisa aprender o que eu sei E o que eu não sei mais E o que eu não sei mais Não sei, comigo vai tudo azul Contigo vai tudo em paz Vivemos na melhor cidade Da América do Sul Da América do Sul Você precisa, você precisa Não sei, leia na minha camisa Baby, baby, I love you Baby, baby, I love you Uma Trova de Bauru/SP João Batista Xavier Oliveira Jamais devemos deixar a nossa esperança fora. Cada dia é um despertar na juventude da aurora! Um Poema de Lisboa/Portugal Antonio Gedeão POEMA DA MEMÓRIA Havia no meu tempo um rio chamado Tejo que se estendia ao Sol na linha do horizonte.
  14. 14. 15 Ia de ponta a ponta, e aos seus olhos parecia exatamente um espelho porque, do que sabia, só um espelho com isso se parecia. De joelhos no banco, o busto inteiriçado, só tinha olhos para o rio distante, os olhos do animal embalsamado mas vivo na vítrea fixidez dos olhos penetrantes. Diria o rio que havia no seu tempo um recorte quadrado, ao longe, na linha do horizonte, onde dois grandes olhos, grandes e ávidos, fixos e pasmados, o fitavam sem tréguas nem cansaço. Eram dois olhos grandes, olhos de bicho atento que espera apenas por amor de esperar. E por que não galgar sobre os telhados, os telhados vermelhos das casas baixas com varandas verdes e nas varandas verdes, sardinheiras? Ai se fosse o da história que voava com asas grandes, grandes, flutuantes, e pousava onde bem lhe apetecia, e espreitava pelos vidros das janelas das casas baixas com varandas verdes! Ai que bom seria! Espreitar não, que é feio, mas ir até ao longe e tocar nele, e nele ver os seus olhos repetidos, grandes e úmidos, vorazes e inocentes. Como seria bom! Descaem-se-me as pálpebras e, com isso, (tão simples isso) não há olhos, nem rio, nem varandas, nem nada. Um Haicai de Cornélio Procópio/PR Rafaela Cristina Moreira 10 anos Família se encontra Férias na casa da tia, Piscina transborda! Uma Trova de Pindamonhangaba/SP José Valdez Castro Moura Saudade, que dor enorme, é triste o nosso sentir: – você se deita e não dorme e nem me deixa dormir!
  15. 15. 16 Um Poema de Lisboa/Portugal Antonio Gedeão POEMA DAS FLORES Se com flores se fizeram revoluções que linda revolução daria este canteiro! Quando o clarim do sol toca a matinas ei-las que emergem do noturno sono e as brandas, tenras hastes se perfilam. Estão fardadas de verde clorofila, botões vermelhos, faixas amarelas, penachos brancos que se balanceiam em mesuras que a aragem determina. É do regulamento ser viçoso quando a seiva crepita nas nervuras e frenética ascende aos altos vértices. São flores e, como flores, abrem corolas na memória dos homens. Recorda o homem que no berço adormecia, epiderme de flor num sorriso de flor, e que entre flores correu quando era infante, ébrio de cheiros, abrindo os olhos grandes como flores. Depois, a flor que ela prendeu entre os cabelos, rede de borboletas, armadilha de unguentos, o amor à flor dos lábios, o amor dos lábios desdobrado em flor, a flor na emboscada, comprometida e ingênua, colaborante e alheia, a flor no seu canteiro à espera que a exaltem, que em respeito a violem e em sagrado a venerem. Flores estupefacientes, droga dos olhos, vício dos sentidos. Ai flores, ai flores das verdes hastes! A César o que é de César. Às flores o que é das flores. Hinos do Brasil Estado de Goiás Santuário da Serra Dourada Natureza dormindo no cio Anhangüera, malícia e magia, Bota fogo nas águas do rio. Vermelho, de ouro assustado, Foge o índio na sua canoa. Anhangüera bateia o tempo: – Levanta, arraial Vila Boa! Estribilho: Terra Querida Fruto da vida,
  16. 16. 17 Recanto da Paz. Cantemos aos céus, Regência de Deus, Louvor, louvor a Goiás! (repetem-se os três últimos versos) A cortina se abre nos olhos, Outro tempo agora nos traz. É Goiânia, sonho e esperança, É Brasília pulsando em Goiás! O cerrado, os campos e as matas, A indústria, gado, cereais. Nossos jovens tecendo o futuro, Poesia maior de Goiás! Terra Querida Fruto da vida, Recanto da Paz. Cantemos aos céus, Regência de Deus, Louvor, louvor a Goiás! (repetem-se os três últimos versos) A colheita nas mãos operárias, Benze a terra, minérios e mais: – O Araguaia dentro dos olhos, eu me perco de amor por Goiás! Terra Querida Fruto da vida, Recanto da Paz. Cantemos aos céus, Regência de Deus, Louvor, louvor a Goiás! (repetem-se os três últimos versos) Uma Trova de Portugal Maria José Fraqueza Pelas procelas da vida passei tanto vendaval... A cada onda vencida nela afundei o meu mal! Um Poema de Lisboa/Portugal Antonio Gedeão POEMA DO HOMEM SÓ Sós, irremediavelmente sós, como um astro perdido que arrefece. Todos passam por nós e ninguém nos conhece. Os que passam e os que ficam. Todos se desconhecem. Os astros nada explicam: arrefecem. Nesta envolvente solidão compacta,
  17. 17. 18 quer se grite ou não se grite, nenhum dar-se de dentro se refrata, nenhum ser nós se transmite. Quem sente o meu sentimento sou eu só, e mais ninguém. Quem sofre o meu sofrimento sou eu só, e mais ninguém. Quem estremece este meu estremecimento sou eu só, e mais ninguém. Dão-se os lábios, dão-se os braços dão-se os olhos, dão-se os dedos, bocetas de mil segredos dão-se em pasmados compassos; dão-se as noites, dão-se os dias, dão-se aflitivas esmolas, abrem-se e dão-se as corolas breves das carnes macias; dão-se os nervos, dá-se a vida, dá-se o sangue gota a gota, como uma braçada rota dá-se tudo e nada fica. Mas este íntimo secreto que no silêncio concentro, este oferecer-se de dentro num esgotamento completo, este ser-se sem disfarce, virgem de mal e de bem, este dar-se, este entregar-se, descobrir-se e desflorar-se, é nosso, de mais ninguém. Uma Trova de Fortaleza/CE Francisco José Pessoa Tuas palavras magoam, mas te perdoo, pois, enfim, são abelhas que ferroam mas que dão mel para mim. António Gedeão (pseudônimo de Rómulo Vasco da Gama de Carvalho Filho) filho de um funcionário dos correios e telégrafos e de uma dona de casa, nasceu a 24 de novembro de 1906, em Lisboa/Portugal. Sua mãe, apesar de contar somente com a instrução primária, tinha como grande paixão a literatura, sentimento que transmitiu ao filho Rómulo, assim batizado em honra do protagonista de um drama lido num folhetim de jornal. Responsável por uma certa atmosfera literária que se vivia em sua casa, é ela que, através dos livros comprados em fascículos, vendidos semanalmente pelas casas, ou, mais tarde, requisitados nas livrarias, inicia o filho na arte das palavras. Desta forma Rómulo toma contato com os mestres - Camões, Eça, Camilo e Cesário Verde, o preferido - e conhece As Mil e Uma Noites, obra que viria a considerar uma da suas bíblias. Criança precoce, aos 5 anos escreve os primeiros poemas e aos 10 decide completar "Os Lusíadas" de Camões. Embora a literatura o tenha acompanhado durante toda a sua vida, não se mostrava a melhor escolha para quem, além de procurar estabilidade, era extremamente pragmático e se sentia atraído pelas ciências justamente pelo seu lado experimental. Desta forma, a escolha da área das ciências. Estuda Ciências Fisico-Químicas na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.
  18. 18. 19 Em 1932, um ano depois de se ter licenciado, forma-se em ciências pedagógicas na Faculdade de Letras da cidade invicta, prenunciando assim qual será a sua atividade principal daí para a frente e durante 40 anos - professor e pedagogo. Ensinou durante 14 anos no liceu Camões, sendo convidado a lecionar no liceu D. João III, em Coimbra, permanecendo aí até, passados oito anos, regressar a Lisboa, convidado para professor metodólogo do grupo de Físico-Químicas. Além da colaboração como co-diretor da "Gazeta de Física" a partir de 1946, concentra, durante muitos anos, os seus esforços no ensino, dedicando-se, inclusive, à elaboração de compêndios escolares, inovadores pelo grafismo e forma de abordar matérias tão complexas como a física e a química. Dedicação estendida, a partir de 1952, à difusão científica a um nível mais amplo através da coleção Ciência Para Gente Nova e muitos outros títulos, entre os quais Física para o Povo, cujas edições acompanham os leigos interessados pela ciência até meados da década de 1970. Apesar da intensa atividade científica, não esquece a arte das palavras e continua, sempre, a escrever poesia. Porém, não a considerando de qualidade e pensando que nunca será útil a ninguém, nunca tenta publicá-la, preferindo destruí-la. Só em 1956, após ter participado num concurso de poesia de que tomou conhecimento no jornal, publica, aos 50 anos, o primeiro livro de poemas Movimento Perpétuo. No entanto, o livro surge como tendo sido escrito por António Gedeão, e o professor de física e química, Rómulo de Carvalho, permanece no anonimato a que se votou. O livro é bem recebido pela crítica e António Gedeão continua a publicar poesia, aventurando-se, anos mais tarde, no teatro e,depois, no ensaio e na ficção. A obra de Gedeão é um enigma para os críticos, pois além de surgir, estranhamente, só quando o seu autor tem 50 anos de idade, não se enquadra claramente em qualquer movimento literário. Contudo o seu enquadramento geracional leva-o a preocupar-se com os problemas comuns da sociedade portuguesa, da época. Nos seus poemas dá-se uma simbiose perfeita entre a ciência e a poesia, a vida e o sonho, a lucidez e a esperança. Aí reside a sua originalidade, difícil de catalogar, originada por uma vida em que sempre coexistiram dois interesses totalmente distintos, mas que, para Rómulo de Carvalho e para o seu "amigo" Gedeão, provinham da mesma fonte e completavam-se mutuamente. A poesia de Gedeão é, realmente, comunicativa e marca toda uma geração que, reprimida por um regime ditatorial e atormentada por uma guerra, cujo fim não se adivinhava, se sentia profundamente tocada pelos valores expressos pelo poeta e assim se atrevia a acreditar que, através do sonho, era possível encontrar o caminho para a liberdade. É deste modo que "Pedra Filosofal", musicada por Manuel Freire, se torna num hino à liberdade e ao sonho.E, mais tarde, em 1972, José Nisa compõe doze músicas com base em poemas de Gedeão e produz o álbum "Fala do Homem Nascido". Incapaz de ficar parado, dedica-se por inteiro à investigação publicando numerosos livros, tanto de divulgação científica, como de história da ciência. Gedeão também continua a sonhar, mas o fim aproxima-se e o desejo da morrer determina, em 1984, a publicação de Poemas Póstumos. Em 1990, já com 83 anos, assume a direção do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa, sete anos depois de se ter tornado sócio correspondente da Academia de Ciências, função que desempenhará até ao fim dos seus dias. Quando completa 90 anos de idade, a sua vida é alvo de uma homenagem a nível nacional. O professor, investigador, pedagogo e historiador da ciência, bem como o poeta, é reconhecido publicamente por personalidades da política, da ciência, das letras e da música. A 19 de Fevereiro de 1997 morre Rómulo de Carvalho. Gedeão, esse já tinha morrido alguns anos antes, quando da publicação de Poemas Póstumos e Novos Poemas Póstumos. http://www.citi.pt/cultura/literatura/poesia/antonio_gedeao/biografia.html
  19. 19. 20
  20. 20. 21 Após acender o isqueiro "desaparece" o rapaz. Não viu o grande letreiro: – PERIGO - NÃO FUME – GÁS. As tuas mãos displicentes, no meu rosto a deslizar, são mansas águas correntes sem pressa de desaguar… A terra, embora cansada não guarda o menor rancor; devolve a cada enxadada, alimento, sombra e flor. A trova tem a magia de revelar de repente a tristeza ou a alegria ocultas dentro da gente. Cada vez me fica a prova e eu me convenci, enfim, que palpita em cada trova um bom pedaço de mim. Eu fugindo da saudade, ocultei-me num abrigo; ela, porém, por maldade, foi lá pernoitar comigo. Eu leio no teu sorriso o que diz teu coração; por isso, não é preciso tanta dissimulação. Meus filhos, esta criança nascida do amor primeiro, será, por certo, a bonança, do meu viver derradeiro. Muita moça maltrapilha, sem brinco, broche ou cordão, tem uma estrela que brilha, no céu do seu coração. Mulher que não acredita no dom da maternidade, pode ser mulher bonita, mas, não, mulher de verdade.
  21. 21. 22 Mulher se faz elegante, mesmo sem a passarela. A moda mais importante é a nobreza dentro dela. Na mansão da dona Wanda, se o marido vai pescar, a luz verde na varanda é o sinal que eu posso entrar. Não desespere, querida, eu sei que o fracasso dói; mas nas bigornas da vida. é que se forja o herói. Não quero vela, nem flor, enfeitando a minha cova; mas escrevam, por favor, a minha mais bela trova. No calor da discussão no lar, emprego ou na rua, não exija educação, mas sempre demonstre a sua. No enterro do seu Terêncio, era grande o falatório; defunto gritou: Silêncio! esvaziou-se o velório. Odeio o espelho do quarto, quando reflete o meu rosto. Confesso que eu ando farto de encarar tanto desgosto. O governo sanguessuga. para as dívidas saldar, quer que até a tartaruga, pague imposto pra morar. O índio, com estardalhaço. diz para o filho pequeno: – Joga fora este pedaço, carne de padre é veneno. O seu lábio semi-aberto e seu olhinho fechado, me convidam, estou certo, para um beijo apaixonado.
  22. 22. 23 Por carta, mando-te um beijo muito antecipadamente; em breve, terei o ensejo de dá-lo pessoalmente. Por ter chegado aos cinquenta, não me sinto na pior; bacalhau - diz Dona Benta - quanto mais seco melhor. Quando, à tarde, o sol descansa de um dia de muita lida, a lua lhe envia, mansa, um beijo de despedida. Quem quiser ganhar o mundo conquistando-o por inteiro, faça um esforço profundo de domar, a si. primeiro. Respeite a terra cansada, meu amigo lavrador, não dê só golpes de enxada, mas também carinho e amor. Se queres ser trovador, fazer trovas de verdade, coloque rimas de amor nas canetas da humildade. Temos no exemplo dos rios uma lição modelar; Eles vencem desafios, porque sabem contornar. Transparente é minha mágoa, que nem consigo fingir, pois meus olhos rasos d'água já não permitem mentir! Aloysio Alfredo Silva, escritor, poeta, trovador, articulista, professor, advogado, aposentado do Banco do Brasil, nasceu em Juiz de Fora/MG, a 2 de janeiro de 1931. Segundo ele: "Em Juiz de Fora eu nasci/no dia dois de janeiro./ Sorríu-me a lua Jaci/ que foi quem me viu primeiro./A Jesus agradeci/por ter nascido mineiro. Filho único de Norival José da Silva (falecido), natural de Angustura (MG) e de Dona Maria da Glória do Nascimento Silva, de São Pedro Pequeri (MG). Casou-se com Vera Lúcia Calzavara, ceramista e escultora. Trabalhou apenas em dois empregos: Cia Mineira de Eletricidade (16 anos) e Banco do Brasil (26 anos). Pelo banco exerceu funções em Volta Redonda, Barra Mansa e Três Rios. Aposentou-se aos 55 anos de idade em Juiz de Fora. Somente na terceira idade que iniciou a sua carreira literária propriamente dita, embora já escrevesse esporadicamente. Tem o Curso Técnico de Contabilidade e Bacharel em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora.
  23. 23. 24 Kardecista desde a juventude. Participa como titular das: Academia de Letras de Juiz de Fora, Academia Juizforana de Letras, Academia dos Poetas e Prosadores de Minas Gerais, Casa do Poeta Belmiro Braga, Academia Municipalista de Letras do Estado de Minas Gerais, Associação Cultural Luso-Brasileira, União Brasileira de Trovadores, Galeria dos Trovadores do Brasil e Academia Ubaense de Letras. Livros publicados: "Gênios ou Ingênuos" (1983 e 1988); "As Águas Sagradas de Todos os Tempos" (1984); "Os Cometas e a Estrela de Belém" ((1985); "Os Vilões do Templo" (1985); "Sou Mineiro. Uai" (1994); "IX Anos de Trova" (1994); "Sobre Natural" (1996); "Reminiscências Juizforanas" (1996); "Minhas doces e amargas redondilhas" (1997) e "A morada eterna" (1998). Tem matéria publicada em prosa e/ou em verso em todos os jornais e revistas de Juiz de Fora e 25 jornais do interior do país. Jean de La Fontaine O Rato Caseiro e o Rústico Convida, uma vez, ratinho Mui galante e cortesão, Certo arganaz montesinho A sobras dum perdigão. Em guedelhudo tapete Luz o esplêndido talher. São dois, mas valem por sete. Que apetite! que roer! Foi folgança regalada; Nada inveja um tal festim. Senão quando, na malhada, Pilha-os súbito motim. Passos à porta da sala... Param os nossos heróis. E o terror, que pronto os cala, Lança em pronta fuga os dois. Foi-se a bulha. Muito à mansa Vêm-se chegando outra vez. «Demos remate à folgança – Diz o da corte ao montês. – Nada. Mas vem tu comigo Jantar amanhã; bem sei Que lá me não gabo, amigo,
  24. 24. 25 Desta vidinha de rei. Mas ninguém me turba em meio Do jantar; sobra o lazer. E adeus. Figas ao prazer Que pode aguar um recreio.» Tradução de José de Sousa Monteiro Jean de La Fontaine foi um poeta e fabulista francês. Filho de um inspetor de águas e florestas, nasceu na pequena localidade de Château-Thierry/França, em 8 de julho de 1621. Estudou teologia e direito em Paris, mas seu maior interesse sempre foi a literatura. Escreveu o romance "Os Amores de Psique e Cupido" e tornou-se próximo dos escritores Molière e Racine. Em 1668 foram publicadas as primeiras fábulas, num volume intitulado "Fábulas Escolhidas". O livro era uma coletânea de 124 fábulas, dividida em seis partes. La Fontaine dedicou este livro ao filho do rei Luís 14. As fábulas continham histórias de animais, magistralmente contadas, contendo um fundo moral. Escritas em linguagem simples e atraente, as fábulas de La Fontaine conquistaram imediatamente seus leitores.Várias novas edições das "Fábulas" foram publicadas em vida do autor. A cada nova edição, novas narrativas foram acrescentadas. Em 1692, La Fontaine, já doente, converteu-se ao catolicismo. Antes de vir a ser fabulista, foi poeta, tentou ser teólogo. Além disso, também entrou para um seminário, mas aí perdeu o interesse. A sua grande obra, “Fábulas”, escrita em três partes, no período de 1668 a 1694, seguiu o estilo do autor grego Esopo, o qual falava da vaidade, estupidez e agressividade humanas através de animais. Faleceu em Paris, 13 de abril de 1695. Folclore Indígena Brasileiro Origem do Oiapoque Os índios oiampis explicam de maneira melancólica o surgimento do rio Oiapoque, no extremo norte do Brasil. Tudo começou num tempo muito antigo, quando a fome e a doença estavam afligindo a aldeia dos oiampis. Tarumã, uma bela índia, estava grávida e decidiu procurar um lugar livre da moléstia e da penúria para criar seu filho. Com a barriga pesada, a pequena índia começou sua peregrinação solitária pela mata, mas passados alguns dias sentiu que não teria mais forças para ir a lugar algum.
  25. 25. 26 – Ó, Tupã, não posso mais dar um passo e morrerei com meu filho no ventre! – exclamou ela, sozinha e esfomeada no meio da mata. Então Tupã, apiedado, transformou-a numa enorme cobra. Tarumã, convertida nessa cobra, encontrou forças para seguir adiante, levando sempre o filho no ventre, até que, um dia, encontrou um lugar aprazível, onde havia água e terra boa para plantar. – Aqui haveremos todos de viver! – disse ela, pensando em retornar às pressas para avisar a gente da sua aldeia. Antes de retornar, porém, ela deu à luz uma menina. – Graças a Tupã não nasceu uma cobrinha! – disse ela, aninhando nas suas dobras o pequeno ser. Tarumã refez todo o trajeto com a menina na garupa até chegar de volta à sua aldeia. Entretanto, viu-se surpreendida pela péssima recepção dos seus. E não era para menos, já que Tarumã ainda ostentava sua figura de cobra gigante. – É a Cobra-Grande! – disse um índio, apavorado. Desde tempos imemoriais que os índios amazônicos nutrem um medo atroz da Cobra-Grande, um ser frio e devastador, cujo único propósito é alimentar-se de índios e animais. Imediatamente, um grupo de valentes surgiu com arcos e flechas e começou a arremessar uma verdadeira chuva de setas para cima da pobre índia-cobra. Tarumã não foi atingida, protegida que estava por suas escamas, mas sua filhinha não teve a mesma sorte e acabou varada por uma flechada certeira. Ao ver a filha morta, a cobra lançou para o ar um silvo de dor e tristeza tão aterrador que os índios saíram correndo em todas as direções. Imediatamente, um verdadeiro rio de lágrimas brotou das pupilas da cobra, preenchendo todo o sulco que ela abrira durante a sua viagem de ida e de volta. Um rio imenso formou-se, e a cobra mergulhou nas suas águas caudalosas, desaparecendo para sempre. Fonte: Franchini, Ademilson S. As 100 melhores lendas do folclore brasileiro. Porto Alegre/RS: L&PM, 2011. Aparecido Raimundo de Souza Liungua Preusa O advogado indica uma cadeira para o rapaz que acaba de entrar em sua sala. Antes de sentar, o moço tira da cabeça um chapéu ensebado e o coloca sobre a mesa cheia de papéis e processos. — Aceita água gelada?
  26. 26. 27 — Nãu, oubriugaudo. — Um café? — Tenhu qui paugar? — Claro que não. É por conta do escritório. — Entãu eu aceitu um caufé. Chama a secretária pelo interfone e solicita que traga a bebida para dois. — Vamos ao seu caso, senhor… Como é mesmo seu nome? — Adeugeusto Fumouso. — Pois não. O que está acontecendo? — Meu aumiugo se meuteu nuuma encreunca e a pouliucia leuvou eule paura a deleugaucia. — Sabe o motivo? — Seugundo o pouliciaul de plauntão, roubo de uma mouto. Mas já fuoi tuudo deuviudamente esclaureucido. — Mas seu amigo continua detido? — Nãu. Acaubou de ser liubeurado. Souto, aufiunau, está em causa, grauças a Deuus. Soulto. A secretária chega com a bandeja e serve os dois homens em silêncio: — Senhor, açúcar ou adoçante? — Auçuucar, pour fauvour. — Não entendi, cavalheiro! — Aucho meulhor toumar aumaurgo, meusmo. Terminada essa tarefa, a jovem retorna à recepção. — Bem, seu Adegesto… — Adeugeusto… — Seu amigo não está mais na delegacia? — Grauças a Deus, nãu. — Confesso ao senhor que não entendi uma coisa. Como se chama, afinal, esse seu amigo: Souto ou Solto? — Orlaundo… — Mas o senhor disse à minha colega, ainda há pouco, que seu amigo Souto foi… — Nãu, nãu diusse. Fui bem clauro com eula. Faulei o seuguinte: Que o meu aumiugo Orlaundo… De ounde eussa criatutura tirou eusse taul de Souto? — O que o senhor falou, afinal, para minha sócia? — Que meu aumiugo Orlaundo esteuve, mas agoura nãu estáu mais. — Mais o quê? — Na deleugaucia, com o doutour deuleugaudo. — Então ele foi realmente solto? — Fuoi. Diaunte diusso eu vim auté auqui agraudecer, pois nãu vuou mais preucisar de seus serviuços. Taumbém sauber se deuvo alguma coisa coum reulaução a hounourários. — Tudo bem, o prezado não me deve nada. Apenas gostaria de um pequeno esclarecimento. Estou pra lá de confuso. Desculpe a insistência. Seu amigo é o Souto? — Nãu, doutor. Pour tuudo quaunto é mais saugraudo. — Realmente acho que não estamos conseguindo nos entender. O Souto foi preso e agora está solto? — Souto e Soulto nuunca estiveuram preusos, doutor. Preuso estauva o Orlaundo… Risos.
  27. 27. 28 — Por acaso isso é algum tipo de brincadeira? — Nãu senhour. Clauro que nãu. — Então? —O Orlaundo, como diusse, está souto, Enteunde o que diugo? Eule, augoura, eustá soulto. O advogado, impensadamente, resolve brincar com o cidadão. Fala, ou melhor, arremeda, de forma grotesca. — “Iustu nus leuva a councluir que eule reualmente nãu está maius preuso?”. O sujeito se enfurece. Dá um tapa na mesa. Por pouco não derruba o restante do café: — O senhour pour aucauso reusoulveu tiurar saurro da miunha caura e me gouzar? — De forma alguma. O cidadão se levanta, muito nervoso, passa a mão no chapéu ensebado, vira as costas e sai da sala. Fontes: Aparecido Raimundo de Souza. Refúgio para Cornos Avariados. SP: Ed. Sucesso, 2011 Imagem = www,folhauniversal.com.br Aparecido Raimundo de Souza, jornalista e escritor nasceu em Andirá/PR, em 19 de março de 1953. Escreve, desde os 14 anos, mas só conseguiu publicar seu primeiro trabalho em livro, em 2006. Em Osasco, onde morava com os pais, passou a publicar frases no Jornal Diário de Osasco, onde, mais tarde, ao completar 18 anos, passou a ser responsável por uma coluna chamada “Sociedade”. Escreveu e publicou, os livros "Quem se abilita?" (sem o h mesmo), com prefácio do escritor Paulo Coelho, "As mentiras que as mulheres gostam de ouvir" entre cerca de 20 livros publicados. Os textos retratam o cotidiano das pessoas. São escritos leves e soltos, alguns cheios de intransigências, outros salpicados de ironia e muita irreverência e picardia. Seu estilo lembra o escritor gaúcho Luiz Fernando Veríssimo, embora tenha criado uma grafia própria e inconfundível que cativa o leitor. Segundo Aparecido: “Nenhum livro, por mais esdrúxulo que seja seu tema central, deve ser considerado de qualidade menor. Não devemos esquecer que há público para todos os gostos e gêneros. A moda ‘Crepusculesca’ está bem em evidência, assim como outros temas, como o espiritismo, os livros de autoajuda, os romances de amor, os romances biográficos, os de enredos policiais, enfim, tudo é valido, tudo é literatura e, por essa razão, o bom leitor, o leitor assíduo e atento, assim como eu me considero, deve ler de tudo, inclusive, bulas de remédios.” Jornalista da “Isto é”, está radicado há cerca de 30 anos em Vila Velha/ES.
  28. 28. 29 Expressões Idiomáticas de Origem Mitológica Trabalho de Sísifo Tarefa exaustiva, interminável e inútil. Origem: Na mitologia grega, Sísifo, rei de Corinto, era considerado o mais astuto de todos os mortais. Após ter provocado a ira de Zeus por denunciar o rapto da mortal Egina, Sísifo escapou algumas vezes de Tânato, o deus da Morte, através de engenhosos ardis. Muito depois Hermes logrou levá-lo ao Hades, onde foi condenado, por toda a eternidade, a rolar até o cume de uma montanha uma grande pedra, que, ao alcançar o topo, despenca novamente montanha abaixo. Esforço hercúleo ou titânico Esforço gigantesco, além (ou no limite) das possibilidades humanas. Origem: Héracles (nome original grego) ou Hércules (nome romano) era um herói e semi-deus, filho de Zeus e da mortal Alcmena e um importante personagem da mitologia greco-romana. Dotado de coragem e força descomunais, participou de inúmeros episódios heróicos, destacando-se seus famosos doze trabalhos. Os Titãs eram criaturas formidáveis, descendentes do Céu, Urano e da terra, Gaia, destacando-se entre os seres que enfrentaram Zeus e os deuses olímpicos na sua ascensão ao poder. Dentre os mais famosos titãs (masculinos) e titânides (femininos), podem-se mencionar Atlas, Hiperião, Prometeu, Reia e Tétis. Bicho de sete cabeças Enorme ameaça ou dificuldade, requerendo grande coragem e/ou astúcia para ser superada. Origem: A expressão tem origem discutida, mas destacam-se duas interpretações. A primeira sustenta que sua origem está na mitologia grega, mais precisamente na história da Hidra de Lerna, uma monstruosa serpente com sete (ou nove) cabeças que se regeneravam mal eram cortadas e exalavam um vapor que matava quem estivesse por perto. A morte da Hidra foi o segundo dos famosos doze trabalhos de Hércules. De acordo com uma segunda teoria, a expressão seria uma referência à primeira das duas bestas do Apocalipse de São João, descrita como um monstro de sete cabeças e dez chifres. Entre Cila e Caríbdis Entre duas formidáveis ameaças, sem chance de escapar e/ou sem saber qual das duas é o mais perigosa.
  29. 29. 30 Origem: Na tradição mitológica grega, Cila e Caríbdis eram dois monstros marinhos que moravam nos lados opostos do estreito de Messina, que separa a Itália da Sicília, e personificavam os perigos da navegação perto de rochas e redemoinhos. Cila, que já fora uma bela ninfa, era uma devoradora de homens. No cimo do rochedo oposto ao de Cila, em frente a uma gruta onde Caríbdis se escondia, erguia-se uma figueira negra. Três vezes por dia, Caríbdis saía da gruta e sorvia as águas do mar, para depois cuspi-las, num turbilhão5 . Quando Odisseu passou pelo estreito de Messina, depois da guerra de Troia, foi arrastado pelo turbilhão de Caríbdis, após um naufrágio provocado pelo sacrilégio cometido contra os bois de Hélio. Conseguiu, porém, agarrar-se à figueira e depois a um mastro do navio naufragado, logrando escapar e prosseguir sua viagem de volta à Ática . Calcanhar de Aquiles Ponto vulnerável, físico, moral ou intelectual. Origem: Aquiles foi um semi-deus e herói da mitologia grega, considerado o maior guerreiro da Guerra de Troia e o personagem principal da Ilíada, de Homero. Quando Aquiles nasceu, sua mãe Tétis mergulhou seu corpo no rio Estige para torná-lo imortal; ficou, no entanto, vulnerável no calcanhar, parte do corpo pelo qual ela o segurava. No final da guerra contra Troia, Aquiles foi efetivamente morto por uma flechada no calcanhar, desferida por Páris, príncipe troiano. Toque de Midas Capacidade de enriquecimento fácil, que pode se voltar contra o beneficiado, como castigo por sua ambição desmedida. Origem: Midas foi um personagem da mitologia grega, rei da cidade frígia de Pessinus. Após ter libertado Sileno, mestre e pai de criação do deus Dionísio, recebeu, como recompensa que ele próprio escolhera, o dom de transformar qualquer coisa em ouro, pelo simples toque. Este dom mostrou-se trágico quando Midas percebeu que nunca mais poderia comer nem beber nada. Desesperado, quase morrendo de fome, Midas implorou a Dionísio que lhe retirasse o terrível dom. Belo como um Adônis Jovem de extrema beleza, disputado pelas mulheres. Origem: Adônis, na Mitologia grega, era um príncipe que nasceu das relações incestuosas que o rei Cíniras de Chipre manteve com a sua filha Mirra. Devido à sua extrema beleza, Adônis despertou o amor das deusas Perséfone e Afrodite, que passaram a disputar sua companhia, tendo finalmente que submeter-se à sentença de Zeus. Este estipulou que Adônis passaria um terço do ano com cada uma delas, mas Adônis, que preferia Afrodite, permanecia com ela também o terço restante. Como no terço correspondente a Perséfone (esposa de Hades, deus do mundo inferior) Adônis ficava com ela no submundo, nasce desse mito a ideia do ciclo anual da vegetação, com a semente que permanece sob a terra por quatro meses.
  30. 30. 31 Leito de Procrusto Aplicação arbitrária de uma medida única; sujeição forçada à opinião ou vontade de outrem. Origem: Procrusto (ou Procusto) era um bandido da Ática, famoso pelas torturas que infligia aos viajantes a que oferecia hospedagem, até que ficassem da medida de um leito de ferro que havia em sua casa. Se os hóspedes fossem mais altos, ele os amputava; se eram mais baixos, eram esticados até atingirem o comprimento correto. Ninguém sobrevivia, pois nunca uma vítima se ajustava exatamente ao tamanho da cama. Mais tarde, foi morto por Teseu, que lhe aplicou seu próprio castigo 9 10 . Curiosamente, a tradição rabínica menciona que um dos crimes cometidos contra os forasteiros pelos habitantes de Sodoma era quase idêntico ao de Procusto, dizendo respeito à cama de Sodoma (mitat s'dom) na qual os visitantes da cidade eram obrigados a dormir. Tomar a nuvem por Juno Iludir-se; tomar os desejos por realidade. Origem: Após apiedar-se de uma punição aplicada ao vilão Íxion, criador de cavalos, Zeus convidou-o para um banquete no Olimpo. Tendo-se embriagado pelo néctar, Íxion passou a assediar Hera (Juno, na mitologia romana), a própria mulher de seu anfitrião. Ao perceber as intenções do visitante, Hera alertou o esposo a respeito das intenções de seu convidado. Zeus, em lugar de irritar-se, achou divertida a situação, e para testar seu hóspede, moldou uma nuvem na forma de sua própria esposa e deixou-a a sós com Íxion, que a possuiu. Desse conúbio nasceu a raça dos Centauros, metade homens, metade cavalos. Como Íxion divulgou aos mortais que havia possuído a esposa de Zeus, este o fulminou com um raio e o lançou ao Tártaro, onde foi preso a uma roda em chamas e condenado a nela girar pela eternidade. Pomo da discórdia Motivo principal de uma disputa; algo que dá motivo a uma grande desavença. Origem: Ofendida por não ter sido convidada para as núpcias de Tétis com Peleu, Éris, a deusa da Discórdia, resolveu vingar-se lançando sobre a mesa do banquete uma maçã de ouro, com a inscrição "Para a mais bela das deusas". As três deusas mais poderosas, Hera, Afrodite e Atena, imediatamente quiseram o troféu. Para se livrar da delicada situação, Zeus, o senhor do Olimpo, transferiu a decisão para Páris, filho do rei Príamo, de Troia, que havia demonstrado imparcialidade em uma disputa de touros contra o deus Ares. Em troca da maçã de ouro, Atena ofereceu a Páris uma vitória gloriosa na guerra; Hera, o reinado absoluto de toda a Europa e Ásia; Afrodite, o amor da mais bela mulher do mundo. Páris concedeu o título a Afrodite e a deusa prometeu-lhe o amor da belissima Helena, casada com o rei de Esparta, Menelau. Com a ajuda de Afrodite, Páris raptou Helena e levou-a para casar-se com ele em Troia, evento que provocou a célebre Guerra de Troia.
  31. 31. 32 Profecia de Cassandra Profecia catastrófica, na qual ninguém acredita. Origem: Cassandra era uma das filhas de Príamo, rei de Troia, que recebera do deus Apolo a proposta de ganhar o dom da profecia, em troca de entregar-se a ele. Cassandra aceitou a condição, mas depois de receber o dom, esquivou-se a cumprir o combinado. Para vingar-se, Apolo manteve o dom, mas condenou-a a uma completa falta de persuasão. Durante a guerra de Troia, Cassandra por diversas vezes alerta os troianos de perigos iminentes (sendo o último deles a armadilha do cavalo de Troia), mas invariavelmente não é ouvida. Após a guerra é levada como escrava e amante por Agamenon, chefe supremo dos exércitos gregos. Presente de grego Presente ou oferta que traz prejuízo ou aborrecimentos a quem a recebe. Origem: Após 10 anos de sítio, sem derrotar as defesas das muralhas de Troia, os gregos, num estratagema concebido por Odisseu, simularem terem desistido da guerra e embarcaram em seus navios, deixando na praia um enorme cavalo de madeira, que os troianos levaram para o interior de sua cidade, como símbolo de sua vitória. À noite, quando todos dormiam, os soldados gregos escondidos dentro do cavalo saíram e abriram os portões da cidade. O exército grego pôde assim entrar em Troia, conquistar a cidade, destruí-la e incendiá-la. Agradar a gregos e troianos Agradar a todos, mesmo a pessoas com características muito diferentes; agradar a dois partidos opostos. Origem: Páris, príncipe troiano, raptou Helena, rainha grega, esposa de Menelau. Gregos e troianos envolveram-se em violenta guerra. O conflito durou dez anos e terminou com a destruição de Troia. A vitória dos gregos foi possível graças a Odisseu, que teve a ideia de construir o célebre cavalo de Troia. Por esta história se conclui que agradar a gregos e troianos é uma tarefa difícil, mesmo impossível. Espada de Dâmocles Perigo iminente, fruto da inveja e/ou da ambição pelo poder. Origem: Dâmocles, cortesão e bajulador do rei Dionísio I de Siracusa, expressava constantemente sua inveja pela sorte do tirano. Para dar-lhe uma lição, Dionísio combinou que lhe passaria o poder por um dia. À noite, durante o banquete que o tirano lhe ofereceu, Dâmocles percebeu que sobre sua cabeça pendia a espada do tirano, suspensa por um fio de cabelo. Com isso este lhe fez perceber que o poder está sempre à mercê das mais perigosas ameaças. Cova de Caco Esconderijo de ladrões. Origem: Caco era um célebre bandido da mitologia romana, metade homem e metade animal, filho do deus do fogo, Vulcano. Caco vivia numa caverna sob o
  32. 32. 33 monte Aventino, onde guardava o fruto de seus roubos. Certa feita, Hércules retornava para casa depois de haver roubado os bois de Gerião (um de seus famosos doze trabalhos) e parou para descansar às margens do Tibre. Naquela noite, Caco roubou oito dos melhores touros e novilhas do rebanho, arrastando-os pelas caudas para cobrir suas pegadas. Quando Hércules despertou, procurou em vão o gado perdido, mas, ao passar perto da cova de Caco, escutou uma das novilhas mugir. Seguindo o som, Hércules encontrou Caco e o matou, recobrando assim o gado roubado. Caixa de Pandora Algo que gera forte curiosidade, mas que é melhor não ser revelado ou estudado. Origem: Pandora foi a primeira mulher, forjada por Hefesto e Atena por orientação de Zeus, para punir a raça humana, a quem Prometeu tinha acabado de dar o fogo roubado dos deuses. Pandora foi foi enviada a Epimeteu, irmão de Prometeu, como um presente de Zeus. Prometeu alertou o irmão quanto ao perigo de se aceitar o presente, mas Epimeteu ignorou a advertência e tomou Pandora como esposa. Pandora trouxera consigo uma pequena caixa de ouro (ou jarra, ou ânfora, de acordo com outras tradições), colocada por Zeus em sua bagagem. Mal chegou à Terra, Pandora, movida por irresistível curiosidade, acabou abrindo a caixa, liberando assim todos os males que haveriam de afligir a humanidade dali em diante: a dor, o sofrimento, a velhice, a doença, a miséria, a ambição, o ódio, a guerra, a loucura, a mentira, a paixão... No fundo da caixa, restou apenas a esperança. A vingança de Zeus estava consumada. Fontes: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_express%C3%B5es_idiom%C3%A1ticas_de_origem_hist% C3%B3rica_ou_mitol%C3%B3gica Imagem = Caixa de Pandora, pintura de John William Waterhouse Lenda da Mitologia Hindu Lakshmi Numa época remota, existia um grande Asceta, o Sábio Durvasa. Um dia, ele estava caminhando com uma guirlanda de flores na mão, que na Índia se chama "Santanaka" para oferecê-la a Indra. Indra que vinha na posição oposta cavalgando o elefante Airavata, passou pelo sábio e o ignorou. Indra fez com que Airavata pisasse e rasgasse a guirlanda de flores. Durvasa se encheu de ira e rogou uma praga em Indra:
  33. 33. 34 "O orgulho da riqueza subiu à sua cabeça, Lakshmi irá te abandonar." Então Indra, que havia percebido a loucura que tinha feito, se curvou perante Durvasa e pediu seu perdão. Durvasa disse: "Que Vishnu o faça feliz" e partiu. Por causa da maldição de Durvasa, Lakshmi deixou Indra e desapareceu. Como Lakshmi, a deusa da prosperidade, poder e coragem, desapareceu, a vida dos Devas se tornou miserável. Os Assuras depois dessa oportunidade, invadiram o paraíso, derrotaram Indra e os Devas em uma guerra e ocuparam o paraíso. Indra perdeu seu reino e todo seu poder para os Assuras, e os Devas perderam sua imortalidade e seu valor. Vários anos se passaram. O mestre de Indra, Brihaspati pensou num caminho para acabar com os problemas de Indra. Então ele foi juntamente com os Devas falar com Brahma, que os levou até Vishnu, de acordo com os desejos dos Devas. Então Vishnu disse: "Não tenham medo, eu lhes mostrarei uma maneira, o mar de leite precisa ser agitado. É certamente uma tarefa muito difícil, então façam amizade com os Assuras, e peçam sua ajuda. Usem a montanha Mandara como poste, e Vasuki, o rei das serpentes como corda. Eu irei ajudar na hora certa. Quando o oceano é agitado, o Amrita emerge das profundezas, bebam ele e sejam imortais, vocês ganharam força e poderão derrotar os Assuras. Quando o mar for agitado, Lakshmi que havia desaparecido, reaparecerá e derramará sua graça sobre vós". Brihaspati foi muito inteligente. Ele foi ter com os Assuras, e com astúcia conseguiu fazer amizade com os mesmos. Então ele pediu que os ajudassem no Batimento do mar de Leite. Os Assuras aceitaram, porque secretamente queriam o Amrita para eles. Depois de conseguirem a ajuda dos Assuras, eles começaram a fazer oferendas ao Oceano de leite. Os Devas e os Assuras ofereceram toda sorte de ervas e plantas para o Oceano. Todos se juntaram para realizar a tarefa de adquirir o Monte Mandara. Eles alcançaram a planície onde o majestoso monte estava posto. Depois de grande trabalho de cavar, conseguiram desarraigar o monte da terra. Eles então tentaram carregar a montanha Mandara para o oceano, mas o peso da montanha era demais para eles, muitos morreram e muitos se machucaram. Pouco tempo depois Vishnu chegou e com um olhar ressuscitou todos os mortos e curou todos os feridos. Então ele mandou Garuda carregar o monte mandara para o oceano. Garuda carregou o monte Mandara nas suas costas até a beira-mar, então o imergiu no oceano de leite. Ele amarrou Vasuki o rei das cobras como corda no monte. Os Assuras e os Devas ficaram cada um com uma ponta da serpente, então começaram a bater no oceano. O batimento continuou por um longo tempo sem que nada emergisse dele, até que o monte começava a deslizar para o fundo do oceano. Os Devas e os Assuras não poderiam continuar com o batimento sem o monte mandara. Até que eles foram abençoados com a Misericórdia de Vishnu. Vishnu, escutou o choro deles e veio logo ao resgate. Então ele tomou a
  34. 34. 35 forma de Kurma, seu Avatar com forma de tartaruga, colocou o monte nas costas e o levou de volta à superfície. Os Devas e os Assuras respiraram aliviados, pois agora poderiam continuar com o batimento do oceano. O Batimento do oceano de leite continuou com vigor. Então surgiu do fundo do oceano uma nuvem de fumaça que sufocava os Devas e os Assuras. Então eles começaram a clamar por socorro, pois estavam sem saber o motivo do sufocamento, até que descobriram que o Oceano tinha expelido o "Kalakuta", um veneno mortal. Todos estavam amedrontados diante da ferocidade do veneno. Os Devas oraram fervorosamente por Shiva e esperaram que ele poderia vir para ajudá-los, pois era uma substância que corroía tudo que tocava, e Shiva era o mais resistente dos Deuses. Shiva escutando o clamor dos Devas, rapidamente veio ao local, então, como foi pedido pelos Devas, Shiva concordou em beber o veneno. Shiva reteu o veneno em sua garganta, e salvou os Devas da destruição. O veneno era muito poderoso, tanto que fez com que a garganta de Shiva ficasse azul, por isso até hoje ele é chamado de "Neel-Kantha", que significa "aquele que tem a garganta azul". Depois que o veneno foi consumido por Shiva, os Devas e os Assuras continuaram mais uma vez com o Batimento do Oceano de leite. Passado algum tempo com o batimento do oceano, os Presentes Celestiais tomaram forma, o batimento trouxe à tona vários tesouros perdidos: Sura (deus do vinho); Chandra (a lua); Apsaras (ninfas celestiais); Kaustabha (uma jóia preciosa para o corpo de Vishnu); Uchchaihshravas (o cavalo divino); Parijata (a árvore dos desejos); Kamadhenu (a vaca sagrada); Dhanvantari (o médico dos deuses) Airavata (o elefante de quatro trombas) Panchajanya (concha sagrada de Vishnu) Sharanga (o arco invencível). Continuando com o batimento, no meio das ondas do oceano de leite, uma deusa angelical apareceu, ela estava sentada em cima de um lótus desabrochado com um colar de flores de lótus no pescoço e segurando um lótus na mão. Sua aparição foi a mais atraente de todas. Em sua face havia um sorriso brilhante, era a própria Lakshmi! Os sábios começaram a entoar cânticos em honra de Lakshmi, enquanto as apsaras dançavam. Os elefantes esguichavam água sagrada nela, ela adquiriu o nome de Gajalakshmi. O rei do oceano apareceu em sua forma natural e revelou que Lakshmi era sua filha. O rei presenteou Lakshmi com jóias e roupas, dando à ela uma guirlanda de flores de lótus. Quando todos os Devas olhavam surpresos, Lakshmi colocou a guirlanda no pescoço de Vishnu e, a partir daí, começou a habitar seu coração. Quando Lakshmi olhou para Indra ele logo adquiriu vigor e um brilho extraordinário. Os Devas e os Assuras continuaram a bater no oceano, até que finalmente Dhanvantari emergiu do mar. Dhanvantari é o médico dos Devas. Ele carrega um pote sagrado nas mãos, esse pote continha o Amrita, néctar que garante imortalidade a quem bebesse. Quando os Assuras viram o que tinha acontecido, correram e tomaram o pote das mãos de
  35. 35. 36 Dhanvantari! Aqui começa a luta entre os Assuras e os Devas. Vishnu que via tudo, resolveu ajudar os Devas. Ele se disfarçou de Mohini. Mohini emergiu do oceano com beleza e graça. Ela chegou para os Assuras e perguntou: "Porque vocês estão lutando?" Eles responderam: "Nós lutamos porque queremos o Amrita!" Mohini sorrindo disse: "Não briguem pelo Amrita! Se vocês aceitarem, eu mesmo sirvo ele pra vocês! Façam duas filas, uma de Devas e outra de Assuras!" Os Assuras encantados aceitaram a proposta, assim como os Devas. Mohini, com seus truques, serviu veneno aos Assuras e Amrita aos Devas. Os Assuras encantados nem se tocaram do truque que havia sido usado. Os Devas beberam o Amrita e ganharam imortalidade, então começaram uma guerra com os Assuras, os quais foram derrotados facilmente. Nota: Lakshmi é uma divindade do hinduísmo, esposa do deus Vishnu, o sustentador do universo na religião hindu. É personificação da beleza, da fartura, da generosidade e principalmente da riqueza e da fortuna. A deusa é sempre invocada para amor, fartura, riqueza e poder. É o principal símbolo da potência feminina, sendo reconhecida por sua eterna juventude e formosura. Lakshmi é uma Shakti, a esposa de Vishnu. Manifesta o poder que sustenta o Universo e o mantêm em equilíbrio. É representada sobre a flor de lótus, símbolo da pureza e do conhecimento. Valoriza a beleza, a generosidade, a justiça, misericórdia e representa o bem-estar, a boa alimentação, fertilidade, riqueza espiritual e material, saúde e sorte. Pode ser vista sentada sobre uma flor de lótus, ou segurando flores de lótus nas mãos, e um cântaro que jorra moedas de ouro. Apadma é o nome dado a Lakshmi, quando representada sem o lótus, ao sair do Oceano. Lakshmi é uma Deusa Indiana consorte Vishnu, um Deus Protetor, que é muito amada por seu povo. Foi ela que deu a Indra, o Rei dos Deuses, o soma (ou sangue do conhecimento) do seu próprio corpo para que ele produzisse a ilusão do parto e se tornasse o Rei dos Devas. A Deusa Lakshmi significa "boa sorte" para os hindus. A palavra "Lakhsmi" é derivada da palavra "Laksya" do sânscrito, significando o "alvo", o "objectivo". Fonte: http://contosencantar.blogspot.com.br/search/label/Contos%20e%20Lendas%20da%20Mitologia%20Hindu
  36. 36. 37 Pedro Marques Olegário Mariano: entre romantismo e modernismo Resumo: As categorias literárias atribuídas a Olegário Mariano, êxito de público e crítica na primeira metade do século XX, passam pelas principais linhas crítico-interpretativas da poesia brasileira. De fato, o poeta refunde características românticas, parnasianas e simbolistas com a faceta nacionalista do modernismo. Nesse amplo quadro historiográfico, ressalto a ponte que sua obra propõe entre romantismo e modernismo através do nacionalismo. 1. Introdução Olegário Mariano (Recife, 1889 – Rio de Janeiro, 1958), escritor de proa em seu tempo, experimentou diversas correntes poéticas de olhos sempre atentos aos temas brasileiros. Formado na estética parnasiana sob influxos simbolistas e decadentistas, conhecedor das inovações que iniciam o século XX, os críticos, em geral, concordam quanto a sua notável infidelidade em relação às orientações literárias, mesmo àquelas pelas quais transitou. Na década anterior à Semana de 22, período não raro visto como vácuo criativo, expandiu as possibilidades da versificação tradicional de maneira algo sutil e inédita. Longe de abandonar o característico senso melódico, dilatou o decassílabo e o alexandrino, seus metros prediletos, até os limites do verso livre e da prosa ritmada. Habilmente, Olegário não buscou o verso livre, mas fortaleceu, sobretudo nos anos 30, talvez sob efeito do modernismo, “uma espécie de compromisso entre ele e a versificação regular” (Bandeira, 1978, p. 199). Conseguiu, na prática, reelaborar a espontaneidade e a agilidade dos ritmos regulares românticos, enrijecidos no parnasianismo final. A inclinação para os elementos que se apresentam como índices de nacionalidade a partir do romantismo, certo sertanismo, a notável apropriação do popular e do folclore pernambucano, é um dos pontos de síntese da poética de Olegário Mariano. Para Humberto de Campos, a produção do poeta seria antes “reflexo do meio, e do momento, do que da sua própria
  37. 37. 38 imaginação” (Campos, 1935, p. 155). Canto da Minha Terra (1927), realização máxima do interesse nacionalista aos poucos tornado projeto literário, escrito no instante do mergulho modernista no Brasil, indiciaria o oportunismo de Olegário: “tornou-se novidade a poesia cabocla, a celebração do país e da natureza que lhe deu estes céus e estas montanhas. O poeta adquire uma corda nova, ajusta-a à sua lira delicada, e canta com o vigor e a graça dos que mais alto e soberbamente a cantaram” (Campos, idem). No que tange às influências do parnasianismo, simbolismo e até da onda decadentista do inicio do século, o julgamento sustenta-se. Mas ao diferente do que acredita Campos – aliás, inspiradíssimo na moda critica de Taine – Olegário não começa o nacionalismo por ocasião da avalanche modernista, mesmo certamente estimulado por ela. Antes de Canto da Minha Terra, Olegário, invariavelmente, dispensa atenção aos temas, lendas ou paisagens do Brasil. Em Visões de Moço (1906), que o poeta excluiu de suas poesias completas, quando estréia aos dezessete anos de idade, há os versos, por exemplo, de “Vendo um barco”. No soneto, sobretudo no segundo quarteto, o eu lírico, num claro aproveitamento biográfico, expressa a nostalgia por Pernambuco, metáfora de um lugar em que é possível escapar da “agonia” humana e mergulhar no mar alentador da poesia. Trata-se da recuperação modificada do motivo, bastante explorado por poetas românticos como Casimiro de Abreu, da infância idealizada, da terra natal com colorido brasileiro, como idílio. Vendo o Barco É neste barco que me vou embora De tarde, quando é rubra a serrania... Quando o horizonte imenso se colora Dos raios que o sol deita da agonia... Corta o barquinho, as águas... Mar em fora Iremos ambos loucos de alegria, Ver Pernambuco quando rompa a aurora Mergulhado nos mares da poesia... Flutua sobre a espuma do oceano... Breve estaremos lá na pátria terra Vendo o azulado céu pernambucano... Vamos, ligeiro, sacudindo as velas Pelo mar deslizando... Ao longe a serra. Em cima a céu ornando-se de estrelas... (Mariano, 1906, p. 24) Do mesmo volume, o soneto “Quadro”, agora em alexandrinos, traz o apreço pelo homem do campo. O tom caboclo, afinal, acaba revelando uma especificidade do nacionalismo romântico; a que assume os interiores rurais do país como genuinamente mais brasileiros que os centros
  38. 38. 39 urbanos. Ao contrário dos valores culturais efetivados em cidades como Rio de Janeiro, os do interior estariam, supostamente, imunes dos influxos estrangeiros. O homem interiorano calejado na lida com terra, desfrutando a fauna e a flora exuberantes in loco, substitui o índio na figuração da identidade nacional; puro no caráter e, ao mesmo tempo, mistura já das três raças (índio, negro e branco), sem os traços selvagens que distanciavam o ideal do homem brasileiro do europeu, deveria, portanto, apresentar-se como sinônimo da essência nacional. Quadro Eis o carro de bois seguindo a verde estrada E as aves em lote vão cantarolando... No meio da campina o gado pasta em bando Enquanto o sabiá saúda a madrugada... É o tempo em que no céu a estrela d’alvorada Vai desaparecendo em nuvens se embuçando... E o bando d’aves mil esvoaça chilreando, E o carro vagaroso atravessa a esplanada. O regato entre as flores corre em murmúrio... De cada flor molhando o seio perfumado, Desaparece em recato incógnito, sombrio. Agora o camponês montando um cavalinho, Com seu grande chapéu de palha desabado Em áspero rojão vai da roça caminho... (Mariano, 1906, p. 30) “Em caminho da roça”, explode a idealização do estilo de vida cabocla. O poeta assume a voz do homem do campo que possui a natureza da “bendita terra” ao alcance das mãos e dos pés, podendo, assim, integrar- se a ela. O sabiá, ave tornada símbolo de nacionalidade principalmente com a “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias, e que já cantara no soneto anterior, voa absoluto aqui. A roça fortalece-se como lugar tão seguro, tão inviolável e tranqüilo, que chega a ser comparada a um ninho “feito de penas brandas como arminho”; como se este homem resultante da mistura, no mínimo, do colonizador português com o indígena, com o escravo, tivesse brotado naturalmente dali, planta nativa. Em caminho da roça Em caminho da roça. Que alegria Que mudança de clima, de ar e terra!... Aqui, há no arvoredo uma harmonia Dos pássaros cantando... ao longe a serra. Onde e sol no Zenith – pino do dia Dardeja os raios. Que beleza encerra Esta mata florida, onde, erradia, Voeja o sabiá!... Bendita terra!
  39. 39. 40 A morada na roça é como o ninho Feito de penas brandas como arminho, Onde repousa um’avesinha à sesta. Oh! como é bom vagar no verde prado! Lá ouvir o mugir do manso gado, A ver constante a natureza em festa!... (Mariano, 1906, p. 36) 2. Ultimas Cigarras. Nacionalismo crescente. Em Últimas Cigarras (1915), sexto livro da carreira, o impulso nacionalista mistura-se ao exercício de um topos grego ambientado na paisagem local: da epígrafe tomada a Anacreonte (séc. VI a.C.), passando pelos mais de quarenta poemas canta a cigarra que se tornaria símbolo de sua poesia. O vínculo com a tradição anacreôntica é enxertado, ainda, pela fábula “A Cigarra e Formiga” de Esopo (também grego do séc. VI a.C.) mas traduzida por La Fontaine, e ocorre exatamente no volume que alçou o nome de Olegário Mariano ao cimo da poesia brasileira do período. “O livro o consagrou definitivamente como o nosso poeta mais representativo do momento, de mais afinidade com o público, louvado por igual pela crítica de todos os setores literários” (Lima, 1968, p. 17). O encontro de Olegário com Anacreonte encontra respaldo significativos na literatura brasileira: Tomás Antonio Gonzaga, na lira 29, Primeira Parte de Marília de Dirceu; Silva Alvarenga, “Rondó I”; Gonçalves Dias, “A minha musa”; Machado de Assis, “Uma Ode de Anacreonte”; Alberto de Oliveira, “Vaso Grego”; Raimundo Correia, “O espelho de Anacreonte”, “Anacreôntica” e “A Luís Delfino”; Olavo Bilac, “Medalha Antiga”; Magalhães de Azeredo, “Ode à Grécia”. Apenas alguns exemplos cabais. Ao mesmo tempo, e num contexto ampliado, a antiga lírica grega é freqüentada pelas molas mestras da poesia moderna desde o século XIX. Em Olegário, a busca pela tradição “direto na fonte” tenta neutralizar leituras anteriores, compreende não só a escolha refletida de Anacreonte, mas a própria concepção de artista gerada em sua poesia. Num momento de desprendimento do parnasianismo em que se formou, fundamenta sua identidade poética com os elementos da nacionalidade edificados pelo romantismo. Alegria da Vida Parece que ando a sentir mais a vida. Outono! – É a suavidade da paisagem. Há carícias na luz que anda esbatida Em espasmos de cor pela folhagem. Folhas rolando no úmido regaço Da Terra; aromas de magnólias e de mirtos. Árvores levantando para o espaço Apostolicamente os braços hirtos...
  40. 40. 41 Noivado de papoulas e de ramos Que ao longo das estradas vão florindo... Foi assim meu amor, que nos amamos Neste silêncio evocativo e lindo. Vegetação exuberante e acesa Que vibra, que perfuma, que cintila. Parece que no Outono a Natureza Tem mais fecundidade e clorofila. No cenário da terra adolescente, A paisagem de encantos se renova. E a alma panteísta delirantemente Vibra numa explosão de vida nova. Ó Natureza! A ti me entrego, suplicante, Braços para o trabalho e ânsia incontida Para beber na tua seiva fecundante O vinho, a graça, a formosura e a vida. (Mariano, 1957, p. 179) Há três camadas de leitura. Na primeira, o eu lírico é simplesmente um felizardo, sente “a alegria da vida” ao rememorar a efusão amorosa sucedida num outono. Toda a natureza se mostra formidável, aromática e luminosa mesmo no outono, porque “foi assim, meu amor, que nos amamos / neste silêncio evocativo e lindo”. Paira uma ingenuidade casimiriana nesse amor pela natureza. Na segunda, tomando Últimas Cigarras como unidade narrativa, a voz deste poema é a própria cigarra personificada. Como se aquela cigarra divulgadora do estio, referida desde a ode anacreôntica da epígrafe e ao longo do livro, despertasse da posição passiva de objeto e, em linguagem poética, comentasse a arrebentação da vida que tanto anuncia em seu trinado que canta a estação da fertilidade. Numa terceira camada, a persona poética alinha-se ao despontar do projeto literário de visada nacionalista. Olegário Mariano vem lastreando seu plano, desde o primeiro livro, com a idealização do Brasil rural, ao que incluirá, ao poucos, os motivos folclóricos. Reconhecer o modus vivendi do sertanejo, do desbravador dos interiores, suas paisagens, significa assumir a tradição sertanista implementada desde o romantismo de um Castro Alves de “Canção do Violeiro” ou “Gondoleiro do Amor”, continuada pelo Raimundo Correia de “Noivado no Sertão”, ou pela obra de Catulo da Paixão Cearense. Na estrofe final, o poeta chama para si, em devoção, a natureza brasileira que aos poucos surge povoada de homens, lendas e costumes brasileiros: “Ó Natureza! A ti me entrego, suplicante”. Cada vez mais, buscará uma cadeira nessa tradição, a disposição para concretizar tal intento está sugerida: “Braços para o trabalho e ânsia incontida / Para beber na tua seiva fecundante”. Velha Amizade Amiga! Desde criança que eu te quero! Quantas noites pensei na tua sorte! Teu canto é emocional porque é sincero E exprime a Terra na expressão mais forte.
  41. 41. 42 Quando chegava o inverno horrendo e fero Varrendo o canavial do sul a norte, Não avalias tu meu desespero Para te conseguir salvar da morte. Tinha a loucura de te ouvir em tudo... Tua cantiga vaga e transitória Para os meus nervos era de veludo. E em casa, numa evocação perene, Lia, de olhos em pranto, a tua história Por um velho senhor de La Fontaine. (Mariano, 1957, p. 183) Narrativa para enternecer. Desde criança, o eu lírico detinha curiosidade lúdica, senão obsessiva, pela cigarra onipresente em som e imagem: “tinha a loucura de te ouvir em tudo...” Sente pena da cigarra concreta abatida pelo inverno. O desespero de conhecer a morte do inseto, leva o menino a descobrir a cigarra literária, portanto eterna, de La Fontaine. Esse movimento, na cigarra, do supostamente real para o simbólico, para o universo fabular, deu-se com o próprio poeta, quando em “A Cigarra que Ficou”, poema de abertura do livro, escolhe para tema a que “cantava melhor”, isto é, a da tradição. O “canavial” indica a paisagem dos engenhos, do Pernambuco em que Olegário Mariano viveu até os nove anos. Gilberto Freyre liga o uso desses rastros de memória a um “romantismo lamartinesco”, sublinhando “a evocação dos seus dias de menino de casa-grande dos arredores do Recife. Arredores onde as cigarras que, nos dias de verão, continuam a cantar romanticamente nas mangueiras, têm hoje o nome de ‘olegárias’: homenagem desses arredores a um poeta que a admiração dos recifenses não esqueceu” (Freyre, 1958). 3. Canto da Minha Terra. Nacionalismo nas veias Antes desse livro-chave, saído em 1927, Olegário Mariano já dava seguimento à tradição nacionalista em marcha na poesia brasileira. Do volume Ângelus (1911), os versos de “Dona Tristeza”. De Sonetos (1912), “Mãe d’água”. De Evangelho da Sombra e do Silêncio (1912), “Dezembro”. De Água Corrente (1918), “A Fazenda Santa Cruz”. De Castelos na Areia (1922), “A Balada das Folhas”. Percorri, pontualmente, tal filiação em Visões de Moço e Últimas Cigarras os quais, com Canto da Minha Terra, faíscam como estrelas principais na articulação do nacionalismo mariano. Mas a formalização e o comprometimento com um projeto de poesia nacionalista viriam em 1926, num momento de apogeu da trajetória do poeta: o discurso de posse na Academia Brasileira de Letras. Um trecho decisivo: Nesta hora, dia a dia mais em êxtase diante da minha terra e da minha gente, tão bela e tão boa, volvo para ambas a sensibilidade e as exalto e as abençôo com uma devoção enternecida. É o exemplo do nosso
  42. 42. 43 amado Bilac cada vez mais vivo na admiração brasileira, preferindo, muitas vezes, a qualquer motivo, o que bendissesse desta nossa Pátria unida e forte. (Mariano, 1936, p. 257) Olavo Bilac, que a partir de 1888, com a publicação da primeira versão de Poesias, até sua morte em 1918, tornou-se poeta nacional, ícone do artista-intelectual de toda a geração que com Machado de Assis fundadora da ABL. Um olhar ligeiro vê nisso já um impasse. Como alguém, depois da Semana de 22, conceberia Bilac, parnasiano atacado e ridicularizado pelos modernistas, como exemplo a ser seguido? Ou ainda: como alguém com essa mentalidade poderia gerar em sua obra uma ponte entre romantismo e modernismo? Ora, o amplo reconhecimento reservado a Bilac em vida, talvez o maior que um poeta no Brasil tenha gozado em todos os tempos, não se evaporou com o advento do modernismo. Embora parte de sua produção seja palatável apenas a leitores de erudição, outra porção substancial de inflexão romântica (a série Via-Láctea, anos a fio declamada de cor nos salões) e nacionalista (“O Caçador de Esmeralda”, sonetos como “Língua Portuguesa” e “Música Brasileira”) era saboreada como sinônimo do melhor já feito em verso em terras tupiniquins. Em segundo lugar, para compreender com algum distanciamento crítico a produção de autores como Olegário Mariano e de todos que pouco ou nada se associaram ao combate modernista, é preciso cercar mais as continuidades que as rupturas na evolução da literatura brasileira. Olegário não revela ímpeto para reescrever a história do Brasil através do que supõe primitivo, como na antropofagia oswaldiana, pretende, isso sim, inscrever-se numa tradição nacionalista já aberta e percorrida, inclusive, por Bilac. São duas estratégias distintas de valorização da identidade nacional, num momento tensivo como os anos 20. Uma tradicional, herdeira do romantismo, jamais interrompida, promovida, de alguma maneira, pelo estado desde o império e completamente absorvida pelas instituições de cultura e educação. Outra, surgida no bojo do modernismo, com a novidade de vir municiada com dicção e afirmação de vanguarda; em vez de herdeiros da tradição literária brasileira, escritores como Mário de Andrade, colocam-se como pesquisadores novos, habilitados para sondar o folclore, os mitos indígenas, africanos e sertanejos. Daí a idéia da reinvenção modernista do Brasil. Na prática, porém, tanto a estratégia prolongadora, quanto a de descontinuidade, chegam a resultados aproximáveis. Sugiro, neste sentido, a conversa entre o prolongador Canto da Minha Terra e transgressor Remate de Males (1930), de Mário de Andrade. Ambos os livros buscam nomear e representar o que seja mais autenticamente brasileiro. Sem pretender incidir no regionalismo de horizontes limitados, parece-me que é o momento de explorarmos as nossas reservas folclóricas, tão ricas como as que mais o forem neste pletórico Novo Mundo, cantando ao mesmo passo a terra morena e moça que assombra o estrangeiro pela sua exuberância prodigiosa e
  43. 43. 44 desabrochar em vergéis incomparáveis exaltando o homem que a povoa e a opulenta. (Mariano, 1936, p. 257) O regionalismo deve ser evitado, pois ao se voltar para a cultura particular e natural de determinada área, deixa de lado exatamente a unidade de espírito que constituiria a identidade brasileira, como nos românticos, numa espécie de harmonização positiva da grande diversidade de paisagens físicas e humanas do país. Guilherme de Almeida, modernista de primeira hora, em seu ensaio Do Sentimento Nacionalista na Poesia Brasileira, também de 1926, assume posição semelhante, revivendo o desejo de continuidade entre aqueles que assumiram a ruptura modernista: “brasileiro não quer dizer regionalista; e regionalista quer dizer caipira, tabaréu, sertanejo, roceiro, maturo, mambira... O movimento brasileiro é lógico, é centrífugo e não centrípeto; parte do particular para o geral. O contrário é absurdo” (Almeida, 1926, p. 105). Explorar as reservas folclóricas do Recife, por exemplo, apenas no que as diferencia do resto do Brasil não é realizar poesia nacionalista, é ser bairrista. Ambas proposições são de difícil execução, exigem do poeta um equilíbrio, um pé na região escolhida, outro numa idéia geral de nação. Mais uma intersecção entre romantismo e modernismo. Eu por mim comprometo-me a colaborar nessa obra que há de ser eminentemente nacional, uma vez que nela se moverão os nossos heróis em tipos reais ou lendários, esplenderão os nossos aspectos panorâmicos, gorgolejarão as nossas cachoeiras, correrão os nossos rios, avultarão as nossas montanhas, florirão os nossos jardins e fulgurarão as nossas noites em incêndios maravilhosos nas clareiras das matas, sob a benção estrelada do Cruzeiro. (Mariano, 1936, p. 257) A concretização desse projeto literário, firmado em tom de compromisso patriótico, viria no ano seguinte com o aparecimento de Canto da Minha Terra. O livro engrena uma evidente pesquisa nacionalista, mas Olegário Mariano acrescenta ao seu projeto uma nota absolutamente fundamental, nem sempre disponível a qualquer poeta: a memória. Por ter nascido e crescido no Recife, os motivos populares e folclóricos, sobretudo os exclusivos e praticados em Pernambuco, não são encenados com o distanciamento de quem os observa e os recolhe de longe. Como ocorre com o Manuel Bandeira de “Evocação do Recife”, Olegário recheia muitos poemas deste volume com elementos biográficos. O refrão em ritmo de domínio público de “Tutu-Marambá”, por exemplo, pulsa mais vida quando imagino o próprio poeta ouvido o numa cena quase imemorial da meninice. A intenção nacionalista é atravessada pela verossimilhança de um rastro de memória: Tutu-Marambá “Tutu-marambá Não venhas mais cá Que o pai do menino
  44. 44. 45 Te manda matar.” No seu berço de rendas com brocados d´doiro Os olhinhos redondos de espanto e alegria, Ele olha a vida como quem olha um tesoiro... – Meu filho é o mais lindo desta freguesia! O filho da coruja! A boquinha em rosa, a mãozinha suja, Com os dedinhos gordos já dá adeus. Fala uma língua que ninguém compreende... Toda a gente que o vê se surpreende: Tão bonitinho! Benza-o Deus! É redondo como uma bola. O seu polichinelo com um grande guizo, É a única coisa que o consola... Meu filho é o meu maior sorriso. Que noite clara anda lá fora! O luar entra no quarto, manso e lindo, Com a expressão angélica de quem chora... Roça o berço: o menino está dormindo. Então a voz que mal se sente, Vai cantando maquinalmente: “Tutu-marambá Não venhas mais cá Que o pai do menino Te manda matar.” (Mariano, 1957, pp. 279-280) No que toca o aproveitamento em refrão da quadra popular entre aspas, o poema coincide com os interesses nacionalistas românticos e modernistas. Mas o tratamento formal do tema, diferente das citações de Visões de Moço e Últimas Cigarras, possui características do modernismo que diz não aderir. A colagem do refrão destacado espacialmente na página, é técnica exaustiva nas vanguardas do período. A tensão entre as redondilhas menores da quadrinha, dos alexandrinos da primeira estrofe e todos os outros versos livres rimados gera um ritmo popular em sua regularidade, mas quebrado, estranho em suas inconstâncias métricas. A linguagem direta sem oferecer dificuldade semântica ou sintática de leitura, os diminutivos para descrever a criança lastreiam esta língua poética de uma simplicidade brasileira buscada pelo Ascenso Ferreira de Catimbó ou pelo Jorge Lima de Poemas. Todo o livro busca a realização poética do projeto nacionalista. O longo poema de abertura “O Meu Brasil” pode ser lido, inclusive, como desenvolvimento, espécie de tradução em verso, do trecho comentado acima do discurso na ABL. Apresentarei, para arredondar a discussão, um último poema que, embora menor, possui função semelhante ao poema inicial. Canto da Minha Terra Amo-te, ó minha Terra, por tudo o que me tens dado: Pelo azul do teu céu, pelas tuas árvores, pelo teu mar;
  45. 45. 46 Pelas estrelas do Cruzeiro que me deixam anestesiado, Pelos crepúsculos profundos que põem lágrimas no meu olhar; Pelo canto harmonioso dos teus pássaros, pelo cheiro Das tuas matas virgens, pelo mugido dos teus bois; Pelos raios do sol, do grande sol que eu vi primeiro... Pelas sombras das tuas noites, noites ermas que eu vi depois; Pela esmeralda líquida dos teus rios cristalinos, Pela pureza das tuas fontes, pelo brilho dos teus arrebóis; Pelas tuas igrejas que respiram pelos pulmões dos sinos, Pelas tuas casas lendárias onde amaram nossos avós; Pelo ouro que o lavrador arranca das tuas entradas, Pela benção que o poeta recebe do teu céu azul, Pela tristeza infinita, infinita das tuas montanhas, Pelas lendas que vêm do Norte, pelas glórias que vêm do Sul; Pelo teu trapo de bandeira que flamula ao vento sereno, Pelo teu seio maternal onde a cabeça adormeci, Sinto a dor angustiada de ter o coração pequeno Para conter a onda sonora que canta de amor por ti. (Mariano, 1957, pp. 295-296) Como anteriormente, haveria longa análise a propor ao presente poema. Composto em polimetria rimada, longe dos melhores do poeta, os versos interessam pela evidente direção programática. Se ao longo do volume Olegário Mariano exercita o projeto nacionalista, por exemplo, ao recontar a lenda da Mãe D’água em “Iara”, ou ao recuperar a brincadeira de soltar balões em “Cai,Cai, Balão”, nos versos de “O Meu Brasil” e “Canto da Minha Terra” comenta a própria acomodação do país no epicentro de interesses da poesia nacional. Lançar mão de cansativa estrutura anafórica – só não inicia quatro versos flexionando a preposição pelo – reveste o poema com uma epiderme de exaltação ao modo do Hino Nacional. O poema fornece, de fato, o mapa de ação para escrever poesia nacionalista: na primeira estrofe, sublinha-se a beleza tropical exuberante; na segunda, esta terra já se mostra ocupada, seja pela presença dos bois, seja por ter sido o berço do poeta (“o sol que eu vi primeiro”); a terceira potencializa os recursos naturais abundantes “(pela esmeralda da liquida de seus rios”), simboliza a religiosidade marcante do povo (“as igrejas que respiram pelos pulmões dos sinos”); na quarta, refere- se à nossa vocação agrária empreendida pelo homem do campo que desbravou a selva, à comunhão telúrica entre poeta e país. No verso “pelas lendas que vêm do Norte, pelas glórias que vêm do Sul”, descortina-se a representação do país vinda do romantismo: o Norte (entenda-se também nordeste) como abrigo das tradições nacionais porque menos corrompido pelo contato estrangeiro; o Sul (entenda-se também
  46. 46. 47 sudeste), uma vez perdida as “raízes”, resta-lhe ser propulsor da economia, organizador político. Na quinta, depois de repassar os principais símbolos que costumam caracterizar toda poesia de viés nacionalista, dá-se a assunção do amor por uma concepção de Brasil voltado para o desenvolvimento de seu interior. Aqui, Olegário se afasta do modernismo que se interessava pelo folclore, pelo popular, mas que mantinha um olho vivo no crescimento urbano do país com sua decorrente revolução econômico-cultural. A possibilidade de confrontar, através da obra de Olegário Mariano, os dois momentos literários que buscaram de maneira sistemática definir o Brasil e o que possa ser identidade nacional, é das questões que intriga meu doutoramento acerca do poeta. Neste breve espaço, apenas coloquei a questão testando alguns caminhos de uma reflexão que ainda trabalha para chegar a resultados profícuos. 4. Referências bibliográficas Almeida, G. Do Sentimento nacionalista na poesia brasileira. São Paulo: Casa Garraux, 1926. Bandeira, M. A Poesia de Olegário Mariano, In: Andorinha, andorinha. Organização de Carlos Drummond de Andrade. São Paulo / Rio de Janeiro: Círculo do Livro / José Olympio, 1978. Campos, H. de. Poesia nacionalista, In: Crítica: primeira série. Rio de Janeiro: José Olympio, 1935. Freyre, G. O poeta Olegário Mariano”, In: O Cruzeiro. Rio de Janeiro, 14-06-1958. Lima, H. “Apresentação”, In: Olegário Mariano: poesia. Rio de Janeiro: Agir, 1968. Mariano, O. Discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, In: Discursos acadêmicos vol. VI (1924-1927). Rio de Janeiros: Civilização Brasileira, 1936. ______. Toda uma vida de poesia – poesias completas vols. I e II. Rio de Janeiro: José Olympio, 1957. ______. Visões de moço. Rio de Janeiro: Typ. Carvalhaes, 1906. Fonte: SOUZA, E.N.F.; TOLLENDAL, E.J.; TRAVAGLIA, Luiz Carlos (orgs.). Literatura: Caminhos e descaminhos em perspectiva. Uberlândia: UFU, 2006. Biografia de Olegario Mariano, no numero anterior, 404. Fábulas Sem Fronteiras África A Hiena Mazona Outrora, dois homens, Ali e Mustafá, atravessaram o deserto na companhia de um leão, uma serpente, uma hiena e um chacal. A certa altura, os alimentos acabaram-se e os seis viandantes começaram a sentir fome. Por sorte, chegaram a um oásis onde encontraram um camelo.
  47. 47. 48 Cansados da longa caminhada, decidiram amarrá-lo a uma palmeira, guardando para o dia seguinte a oportunidade de fazerem um saboroso petisco. Mas a hiena, que é o animal mais sôfrego de quantos existem acima da Terra, ficou acordada planejando um estratagema para ficar com o camelo só para si. Quando já todos estavam a dormir, aproximou-se do leão e disse-lhe ao ouvido: — Toma cuidado, que o chacal tem a intenção de nos roubar o camelo… — Ai sim?! — disse o leão. — Eu já lhe dou o arroz! Aproximou-se do chacal que estava a dormir e, sem quaisquer explicações, deu-lhe uma valente paulada e matou-o instantaneamente. E deitou-se outra vez a dormir. Um já está! — pensou a hiena. Esta, assim que o leão adormeceu, foi ter com a serpente. Acordou-a e disse-lhe em voz baixa: — Viste o que o leão fez? Matou o chacal e desconfio que vai fazer o mesmo a todos nós, para poder ficar com o camelo só para si!… — Ai o vigarista! — comentou a serpente. — Ainda bem que me avisaste, porque eu vou cortar o mal pela raiz. Chegou junto do leão e picou-o com os seus dentes venenosos, matando-o sem lhe dar tempo sequer de acordar. — Já vão dois! — pensou a hiena esfregando as patas de contente e rindo da maneira que lhe é característica. Dali a pouco, estava junto de Ali, abanando-o. — Acorda, Ali. Sabes o que eu acabo de presenciar? A serpente assassinou o leão e o chacal. Não tarda que faça o mesmo conosco, para ficar com o camelo sozinha… — Traidora! Quem nos manda confiar nela?… Ali acercou-se do réptil com uma grande pedra e, sem fazer ruído, esmagou-lhe a cabeça. — Três! — rejubilou a hiena. Quando Ali voltou a pegar no sono, a matreira besuntou-lhe as mãos com sangue dos animais mortos e correu em seguida a acordar Mustafá — Acorda, Mustafá! Olha que Ali já matou a serpente, o chacal e o leão. Receio que queira fazer-nos o mesmo a nós, para ficar sozinho com o camelo. — Falas a sério? — admirou-se Mustafá. — Olha para ele e verás. Então Mustafá atirou-se furiosamente ao companheiro, gritando: — Desgraçado! Estás a fingir que dormes? É verdade que mataste o leão, o chacal e a serpente? Desculpa-te, se puderes, caso contrário, pagarás com a vida o teu ardil! Acordando estremunhado, Ali só dizia palavras sem sentido, como se na verdade tivesse sido apanhado em flagrante. Mustafá erguia já o punhal e preparava-se para fazer justiça com as próprias mãos, quando se ouviu uma voz:
  48. 48. 49 — Alto lá! Não é ele o assassino! Era o camelo que, amarrado à sua palmeira, tinha presenciado tudo desde o princípio e explicou tintim por tintim como as coisas se tinham passado. Mas antes que o camelo acabasse de falar, já a hiena tinha dito de si para si: “Pernas para que vos quero”. Os dois homens agradeceram muito ao camelo: um por lhe ter salvo a vida, o outro por lhe ter evitado cometer um assassínio. E acabados os agradecimentos desamarraram a sua “refeição”. — Estás livre. Podes ir à tua vida. Nós, porém, temos de ficar sem comer até ao próximo oásis. — Não se preocupem — tranquilizou-os o camelo. — Eu ajudo-vos a encontrar comida. Quando amanheceu, conduziu-os até ao castelo dos gênios do oásis. — Aqui encontrarão tudo quanto quiserem, comam e bebam, mas saiam antes do anoitecer, não vão os gênios surpreender-vos quando chegarem. Ali e Mustafá assim fizeram e, a meio da tarde, saíram do castelo, bem comidos e bebidos… A hiena, que os tinha seguido de longe, mal os viu sair, resolveu entrar. Porém não foi capaz de refrear a gula e comeu, comeu… sem dar pelas horas. À noite, os gênios regressaram ao castelo e, vendo-a a empanturrar-se com aquilo que lhes pertencia, mataram-na, sem lhe desejarem sequer “bom apetite”. Desde esse dia que se diz: Muitas vezes procuramos a verdade pelo lado de cá e ela está do lado de lá. Fonte: Fábulas africanas. Lisboa, Editorial Além-mar, 1991 Teatro de Ontem, de Hoje, de Sempre Bella Ciao Dirigida pelo argentino Néstor Monasterio, radicado em Porto Alegre, Bella Ciao é uma das mais premiadas montagens do teatro gaúcho. O texto do dramaturgo paulista Luís Alberto de Abreu mostra a saga de uma família de imigrantes italianos, no decorrer de quase 40 anos, desde sua chegada ao Brasil até a luta pela democratização do país no período do Estado Novo. A história, centrada na figura do patriarca Giovanni Baracheta, interpretado por Carlos Cunha Filho, além de traçar um painel político e comportamental do
  49. 49. 50 período, mostra os dilemas da família, com base no conflito de opiniões entre o pai anarquista, o filho que adere ao comunismo e a jovem que renega o namorado por causa de sua militância revolucionária. Monasterio, responsável também pela elogiada montagem gaúcha de Rasga Coração, de Oduvaldo Vianna Filho, em 1984, explica em entrevista, a escolha do texto: “Bella Ciao juntava tudo o que eu penso sobre teatro. É um texto generoso, saboroso, brilhante. Tem um motivo muito forte de estar ali. Vai recuperando a dignidade do ser humano. Vai dizendo o que é um ser humano que luta, que não desiste nunca. Que tem uma ideia”. O elenco ensaia durante um ano e estreia no Centro de Cultura de Novo Hamburgo, em abril de 1989. A seguir faz uma temporada na região da Serra Gaúcha, fortemente marcada pela colonização italiana. Só então inicia sua temporada no Teatro Renascença, em Porto Alegre. Apesar de cobrirem um longo período de tempo, as sessenta cenas que compõem o espetáculo se sucedem sem o recurso do black out. Um grande painel serve de cenário único em que os ambientes e a dramaticidade das cenas são sublinhados pelo jogo de luzes, especialmente em lilás e vermelho. Nas cenas iniciais, em que a família Baracheta deixa sua terra rumo ao Brasil, os atores falam em italiano. “No entanto, as dificuldades de compreensão idiomática são compensadas pela boa performance dos atores que, com gestos e expressões peculiares ao comportamento latino, estabelecem uma eficiente comunicação com a plateia. Além disso, à medida que transcorre a ação, os personagens vão mesclando os idiomas, permitindo maior clareza no entendimento do texto”, observa a crítica Maria Luiza Khaled, no Jornal do Comércio. O espetáculo cai no gosto do público e da crítica, a ponto de permanecer dois anos em cartaz e viajar por outros estados e pelo interior do Rio Grande do Sul. Para o crítico Cláudio Heemann, “com o pitoresco linguajar italiano e as explosões temperamentais de latinidade, o texto encontra humor para desenhar seus personagens. Produz efeito do realismo e humanidade sem deixar esquecido o painel e retrato coletivo”. O crítico Décio Presser destaca que “o quarteto central, responsável pelos elementos da família, coloca uma sinceridade nos personagens que torna-se difícil ao espectador não ser envolvido pelas emoções”. Bella Ciao recebe o Prêmio Açorianos de melhor espetáculo, diretor, trilha sonora original, para Néstor Monasterio e Paulo Campos; atriz, para Lurdes Eloy; atriz coadjuvante, para Heloísa Palaoro; e ator coadjuvante, para Fernando Waschburger. Ganha, ainda, o Prêmio Quero-Quero de melhor espetáculo e direção; ator, para Carlos Cunha Filho; e atriz, para Lurdes Eloy. A peça é premiada também no Festival de São José do Rio Preto, São Paulo, nas categorias de melhor espetáculo, direção, ator, atriz coadjuvante e ator coadjuvante. Fonte:Enciclopédia Itaú Cultural

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