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Abel
Fernandes
Valorize o que você tem agora
A gente só dá valor à infância,
quando ela já passou…
Quando ela ficou lá n...
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E ande, corra, se movimente
enquanto seu corpo pode,
olhe as flores, as nuvens e as estrelas
enquanto seus olhos são cap...
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Uma Trova de Rio Branco do Sul/PR
Sara Furquim
Quanta surpresa causaste!
Não esperava tão cedo,
ser feliz por ver o enga...
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e o que ele guarda em segredo
"tô" careca de saber!
Uma Trova de Belo Horizonte/MG
Thereza Costa Val
Teu retrato até ras...
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Uma Trova Hispânica da Espanha
María Oreto Martínez
Sanchis
La familia es el consuelo
en amarguras y penas,
la alegría y...
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De um mundo onde, talvez, eu já vivi outrora.
E sei, por intuição que a morte não supera
A vida, que transcende o espaço...
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como se fosse um vagão,
como se fosse um amor
que se faz em compaixão!...
Pega a poesia, senhor,
como se fosse um destin...
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Saudade - perfume estranho
de uma flor já ressequida
entre as páginas de antanho
dos livros de nossa vida.
Saudade - cor...
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ouço a voz da ventania
embalando a rede..., e deito...
numa varanda vazia!
Um Poema de Sorocaba/SP
Dorothy Jansson More...
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Um Poema de Montes Claros/MG
Geraldo Freire
RETORNO À MINHA ALEGRIA
Meus braços estão vazios do teu corpo...
Minh'alma ...
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Longe você, longe você, longe você
Uma Trova de São Paulo/SP
Sérgio Ferreira
Tentar desfazer as mágoas
que o meu peito ...
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no inverno passado.
Viva eternamente a POESIA!
Hinos de Cidades Brasileiras
Boqueirão do Leão/RS
Nos campos altos da se...
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Um Poema de Montes Claros/M
João Valle Maurício
MUNDO VAZIO
Palavras vazias
Num mundo vazio.
Palavras
Clamando justiça,...
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Belo Horizonte em Trovas (Parte 2)
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José Caram Elias Jaude
Voa, voa, ó andorinha
e vai em busca de alguém
entregar esta cartinha
e contar o que ela tem.
Jo...
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José Lourenço
A saudade sempre é vida,
por mais que doa na gente.
recordar um Bem, querida,
é vivê-lo novamente.
José L...
18
Laura Aparecida da Silva
Foi pensando na alegria,
que Deus nos criou a flor,
dando-lhe muita harmonia,
alegria, paz e a...
19
Lygia Britto de Souza
Quando eu sinto o vento arfando
teus cachos em mil novelos,
penso em teu gesto afagando
as mechas...
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Maria da Conceição Vieira de Almeida
Para enganar o meu pranto,
conto histórias, canto a dor
e me abrigo no acalanto
do...
21
Maria Odete Souto Pereira
Foste chuva de verão,
benfazeja e passageira;
mas teu abraço, esse não,
me aquecerá a vida in...
22
Olga Salomão de Francoubt
Vento, não batas à porta,
pois isso não fica bem…
penso ser minha Maria,
vou abrir, não é nin...
23
Sílvia de Lourdes Araújo Motta
Três filhos são lindos laços,
do meu amor sem medida,
para todos, dou abraços
e bênçãos ...
24
Waldemar Pequeno
Há uma luz que me alumia,
uma luz que o céu não tem,
nem de noite e nem de dia;
-a dos olhos do meu be...
25
J.B. Xavier
Cunhaporã - Uma história de amor
III
QUANDO CHEGA O AMOE
E luas à frente daquela orgia,
Ouviu-se na aldeia,...
26
Sou Chuva dos Prados. Eu sou Nhuamã,
Cansado de luas de extensa jornada...”
“Sois vós Nhuamã , o cacique charrua,
Que m...
27
Cantigas e hinos.
E nossos meninos
Crescem felizes, eternas crianças.
Caçamos o potro selvagem nas serras,
Veloz como o...
28
Por que tão mais cedo preferem sofrer?’
E o nome eu ouvi dos lábios serenos
Da deusa do lago.
Um nome que trago
Queiman...
29
Que conheces tão bem,
apraz-me dizer:
Os Tupis, teus amigos,
Quebrarão as lanças
Dos teus inimigos.
Nada temas.
Nada e ...
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Folclore Brasileiro
Cabra Cabriola
31
A Cabra Cabriola é um ser imaginário da mitologia
infantil portuguesa, mas também surge no resto da
península Ibérica, ...
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crianças mal comportadas, e tem as mesmas
características da nossa Cabriola.
No Brasil, deriva-se de um mito afro-brasi...
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Lino Mendes
Baú de Memórias: A Páscoa em Portugal
Embora nesses tempos (1920/1930) a religiosidade
fosse maior entre as...
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É certo que o dinheiro era pouco, mas as amêndoas (de
massa de centeio) eram baratas e vendiam -se ao preço
de dois tos...
36
Carmo emprestava a voz. O Sermão do Encontro”
tinha lugar ou frente à Travessa dos Combatentes com
o orador na varanda ...
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se destacar as notações íntimas, a musicalidade e a
preferência pelo traço misterioso, onírico, mágico na
representação...
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FISCHER, Luís Agusto. Um passado pela frente: poesia gaúcha ontem e hoje. 2.ed. Porto
Alegre: Ed. da Universidade/UFRGS...
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voz, mas também precisa ser curioso, pesquisar,
percorrer rotas externas.
Solicitei a escritores, editores e poetas, co...
40
Fiúza, quais conselhos poderia dar para os novos
escritores que desejam escrever biografias. Ele
respondeu: “Acho que n...
41
Escrever um livro é uma tarefa empolgante. Se for
de ficção, o autor deve desenvolver o enredo passo a
passo, alguns me...
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Estante de Livros
Isabel Furini
Passageiros do Espelho
A coletânea de contos tem a característica de respeitar o estilo...
43
Esse trabalho começou em fevereiro deste ano,
quando a Editora Íthala nos convidou para organizar
uma coletânea de cont...
44
Apresentação de Passageiros do Espelho, por
José Feldman
A Antologia de Contos que aqui se apresenta, compilada pela
es...
45
Mais Concursos de Trovas com Inscrições Abertas
XIV Concurso de Trovas do CTS/UBT CAICÓ-RN 2015
Prazo: 30 de junho de 2...
46
CONCURSO PARA SÓCIOS CORRESPONDENTES –
Tema: BRINQUEDO,
coordenador Hélio Pedro Souza,
rua Cel. Luciano Saldanha, 1740,...
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Coordenador:
Thalma Tavares
Rua México, 584 -Jardim das Américas
14200-00 - São Simão – SP
NORMAS ESPECIAIS:
a) 2 (duas...
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  1. 1. 2 Abel Fernandes Valorize o que você tem agora A gente só dá valor à infância, quando ela já passou… Quando ela ficou lá no fundo da memória… E não há como voltar atrás! Não há como tirar os pelos dos rostos… O cansaço dos músculos e ossos… O branco dos cabelos… Paletós empoeirados… Não há como vestir novamente aquelas calças curtas até os joelhos… Não há como voltar a correr pelos campos e prados… E depois deitar-se na grama verde e sonhar que é um Super-homem, ou um Batman ou um Robin! A gente só dá valor ao amor quando ele foi embora… Quando a casa ficou silenciosa, como agora… Quando não há mais aquela saudosa presença, aqueles ruídos de panelas fumegando no fogão… E aquelas batidas fortes no coração… Quando não há mais aquele calor gostoso na cama, vindo da mulher que a gente ama, aquele cafezinho quentinho de manhã… A gente só dá valor ao amor quando a solidão veio sentar-se no sofá da sala, e contar-nos lindas histórias de tempos antigos, quando os minutos eram amigos, e se alongavam, e se derramavam lentamente em dias cheios de alegria, e havia esperanças de melhores dias, e o ar era impregnado de poesias, e havia noites estreladas, e a gente saia por aí andando por estradas de mãos dadas somente para contemplar o luar… Quando a gente se aquietava para ouvir melodias… A gente só dá valor à felicidade quando o véu cinzento da tristeza veio envolver a nossa alma, e tudo é vazio e frio, e o destino é um rio que corre silencioso pelas noites e os fantasmas rondam pela casa vazia e a cama fica assim tão fria… Portanto, amigo, acaricie sua mulher enquanto ela está aí contigo, dê-lhe presentes enquanto ela está presente… Abrace-a enquanto ela está bem aí na sua frente… Diga-lhe as palavras mais carinhosas enquanto ela não se fez ausente!
  2. 2. 3 E ande, corra, se movimente enquanto seu corpo pode, olhe as flores, as nuvens e as estrelas enquanto seus olhos são capazes de vê-las… Enfim amigo, vive a vida intensamente, não deixe que o entusiasmo se ausente, vive, amigo, vive agora o momento presente! Vive amigo! Enquanto a vida está aí contigo E também comigo… Agora! __________________ Abel Fernandes é natural de Marília/SP (1945), radicado em São Paulo/SP. Filósofo, pintor, escritor, poeta e restaurador.
  3. 3. 4 Uma Trova de Rio Branco do Sul/PR Sara Furquim Quanta surpresa causaste! Não esperava tão cedo, ser feliz por ver o engaste de tua aliança em meu dedo. Uma Trova de São Paulo/SP Jaime Pina da Silveira Quando a lembrança revolve os baús da tenra idade e o meu passado devolve, eu faço um brinde à saudade. Um Poema de São Paulo/SP Humberto – Poeta PREITO Á NATUREZA Ah… Natureza! Que cruel regime te impõe o homem, perdulário e ateu: agride fauna e flora, alheio ao crime de estragar o que Deus nos concedeu! O ar, o sol, o azul que esmalta o espaço, O homem faz réus de equívocos critérios; enche os céus desse trágico bagaço de pós mortais e gases deletérios! Quando se rouba à mata a ave inocente e polui-se a mercúrio a água dos rios, é nessas horas que o Senhor pressente o quanto somos maus e somos frios! Da árvore que estala, vindo ao chão, evola-se um lamento ao infinito, mas não o ouve o autor da infanda ação, pois só Deus é capaz de ouvir tal grito! Natureza: viemos de outras plagas pra crescer nos reencarnes sucessivos, mas te enchemos de pústulas e chagas, inda presos a instintos primitivos! Falhos que somos desde os cromossomos, de nós tirai, Senhor, machado e serra; lembrai-nos que, afinal, nada mais somos que meros forasteiros sobre a Terra! Uma Trova Humorística de Juiz de Fora/MG Arlindo Tadeu Hagen Meu sogro cheio de medo, tenta a peruca esconder
  4. 4. 5 e o que ele guarda em segredo "tô" careca de saber! Uma Trova de Belo Horizonte/MG Thereza Costa Val Teu retrato até rasguei para fugir à verdade… “Sem lembranças”… eu pensei, mas ninguém rasga a saudade! Um Poema de Porto Alegre/RS Ialmar Pio Schneider MENSAGEM AO POETA Vai em frente, segue a estrada sem muito esperar da glória; vida simples, devotada… Se alguém ouvir tua estória, nostálgica e merencória, canta sempre, até por nada !… Faze como o passarinho que saúda a natureza, enquanto busca um raminho, com afã e singeleza, p’ra construir o seu ninho: - maior prova de beleza. Sejam teus versos cantigas que a gente escuta na rua; pobres canções, mas amigas como as estrelas e a lua; pois a terra será tua, longe de dor e fadigas… Não temas crítica austera e nem te afastes do tema, sempre alcança quem espera… Prosseguir ! seja o teu lema e verás a primavera cingir-te com seu diadema !… Uma Quadra Popular do Norte de Minas Gerais Autor Anônimo Limoeiro pequenino, carregado de “fulô”, eu também sou pequenino, carregado de “amô”.
  5. 5. 6 Uma Trova Hispânica da Espanha María Oreto Martínez Sanchis La familia es el consuelo en amarguras y penas, la alegría y el anhelo que fraguan bellas cadenas. Um Poema de Maringá/PR José Roberto Balestra A BARRAGEM Há dias que tanto faz como tanto fez Que a coisa fique cinza ou amarela Feito alguma estupidez Ou qualquer abanadela De um doce adolescer Hoje amanheci assim Não troco uma Zepparella Por um velho e bom Led Zeppelin A vida é boa barbaridade Melhor é ter um dente só E andar pela cidade Do que ficar logo banguela Sem nenhuma bocatividade Esperando quando a barragem romper… Trovadores que deixaram Saudades Ademar Macedo Santana do Matos/RN (1951 - 2013) Natal/RN+ Após causar desencantos e nos fazer peregrinos, a seca faz chover prantos nos olhos dos nordestinos… Uma Trova de São Paulo/SP Selma Patti Spinelli No refúgio desmanchamos, quando ficamos a sós, esses nós que carregamos no fundo de todos nós! Um Poema de Montes Claros/MG Alfredo Marques Vianna de Góes AD IMORTALITATEM Sinto a saudade vã de recôndita era...
  6. 6. 7 De um mundo onde, talvez, eu já vivi outrora. E sei, por intuição que a morte não supera A vida, que transcende o espaço e o tempo em fora... A vida é como o tempo: uma emoção de espera... Se acaso vem, depois da noite vem a aurora. Se um ser morre, ressurge, alhures, noutra esfera... E assim como expirou, renasce e revigora. Então, noutro avatar, em nova natureza Revive, ama e, no amor, realiza a humanidade. E a vida continua além da flama acesa Do milagre vital, da entidade criada, Por ser eterno o ser, essência e atividade Do próprio Deus que anima a gênese do Nada. Uma Trova de Porto Alegre/RS Flávio Roberto Stefani As pedras do meu caminho vou transpondo-as com ardor, e cada dia um trechinho vira caminho de amor. Um Haicai de Santa Juliana/MG Um Poema de Mogi-Guaçu/SP Olivaldo Júnior ORDEM POÉTICA Pega a poesia, menino, como se fosse uma cor, como se fosse um balão, como se fosse uma dor que lhe dá no coração!... Pega a poesia, rapaz, como se fosse uma flor,
  7. 7. 8 como se fosse um vagão, como se fosse um amor que se faz em compaixão!... Pega a poesia, senhor, como se fosse um destino, como se fosse capaz, como se fosse uma coisa que lhe cabe na razão! Uma Trova de Nova Friburgo/RJ Elisabeth S. Cruz Orgulho bobo… vaidade, caprichos do amor sobejo… Eu, morrendo de saudade, fingir que nem te desejo! Uma Quadra de Ganilhos-Aljubarrota/Portugal José António Palma Rodrigues Minha Escola, minha amiga, tudo o que ensinaste outrora é o elo com que me liga a tudo o que sou agora. Um Poema de Montes Claros/MG Cândido Canela SAUDADE Saudade - recordação, de tudo quanto ficou bem fundo, no coração do velho que muito amou. Saudade - sorriso e dor, pranto dos olhos que rola, saudade - prece de amor passado que nos consola. Saudade - nosso presente, relembrando os nossos fados, saudade - sabor ardente de antigos beijos trocados. Saudade - luar de prata, festivos saraus de outrora, saudade - mulher ingrata, que a gente reclama e chora. Saudade - infância passada, juventude que se foi. terno canto à madrugada de um velho carro-de-boi.
  8. 8. 9 Saudade - perfume estranho de uma flor já ressequida entre as páginas de antanho dos livros de nossa vida. Saudade - corpo ainda leve, risos abertos e francos, saudade- flocos de neve dos nossos cabelos brancos. Saudades, enfim, são dores da velhice, atroz , arfante, ouvindo trovas de amores da mocidade distante. Uma Trova de Pouso Alegre/MG Conceição de Assis Desprezei tua amizade, queria mais, muito mais!… Hoje sou nau da saudade, apodrecendo no cais. Uma Glosa de Fortaleza/CE Nemésio Prata Glosando Miguel Russowsky (Joaçaba/SC) Mote: O silêncio às vezes fala de saudades - Quem diria... quando a rede, a sós, se embala numa varanda vazia! Glosa: O silêncio às vezes fala tão audível que enternece o meu coração; que cala para ouvir a sua prece! Ao encher o coração de saudades - Quem diria... aguço a minha audição para ouvir sua eufonia! A saudade, "quinem" bala, me mata, pensando nela, quando a rede, a sós, se embala sem ter nós dois dentro dela! Em silêncio, no meu peito
  9. 9. 10 ouço a voz da ventania embalando a rede..., e deito... numa varanda vazia! Um Poema de Sorocaba/SP Dorothy Jansson Moretti NOS TEUS SETENTA ANOS (Ao Colégio “Amadeu Amaral”)* Velha escola que todos nós amamos, que envolves igualmente tanto afeto, nesta imensa família que formamos, és a extensão de nosso próprio teto. A quantas gerações que aqui passaram nesses tão longos anos de existência, estas velhas paredes abrigaram, iniciando-as às letras e à ciência! Quanto riso infantil, por estas salas, já rebentou em cascatas fluentes! Quanto arrulharam nos beirais das alas os teus eternos pombos inocentes! Percorrendo os teus longos corredores, e os degraus desgastados das escadas, sinto a força dos meus antecessores, nestas marcas que aqui foram deixadas. E evocando essas sombras do passado, invade-me uma doce fantasia... Ah se o tempo que tudo desenrola, fizesse alguém dizer de mim, um dia: - Ela também lutou ao nosso lado... Ela deixou seu rasto em nossa escola! *Escola Amadeu Amaral, no bairro Belenzinho, em São Paulo/SP, prédio construído em 1909, tombado pelo patrimônio público. Poema feito em 1979. Um Haicai de Belo Horizonte/MG Eolo Yberê Libera A mão que me espera traça o caminho da volta abrindo janelas. Uma Trova de São José dos Campos/SP Amilton Maciel Monteiro Eu li num velho alfarrábio o que agora certifico: – O rico nem sempre é sábio, mas o sábio é sempre rico.
  10. 10. 11 Um Poema de Montes Claros/MG Geraldo Freire RETORNO À MINHA ALEGRIA Meus braços estão vazios do teu corpo... Minh'alma está ausente da tua alma... E aqui dentro tão frio, Tão frio, Que chego a tremer neste vazio! Vem! Há torrentes de lágrimas rolando Pelos longos caminhos de minha solidão. E há corvos grasnando Nos misteriosos escaninhos do meu coração! Vem ! Caminha! E, em vindo, então, Eu sentirei toda a pujança do meu verso... Afastarei toda a angústia do Universo... - No momento exato em que tu fores minha ! Recordando Velhas Canções O caderninho (jovem guarda, 1967) Olmir Stocker Eu queria ser o seu caderninho Pra poder ficar juntinho de você Inclusive na escola eu iria com você entrar E na volta juntinho ao seu corpo eu iria ficar E em casa então, você me abriria Para me estudar, e se assustaria Ao ver revelado em seu caderninho o meu rosto Me olhando dizendo baixinho Benzinho eu não posso viver longe você Eu queria ser o seu caderninho Pra poder ficar juntinho de você Inclusive na escola eu iria com você entrar E na volta juntinho ao seu corpo eu iria ficar E em casa então, você me abriria Para me estudar, e se assustaria Ao ver revelado em seu caderninho o meu rosto Me olhando dizendo baixinho Benzinho eu não posso viver longe você
  11. 11. 12 Longe você, longe você, longe você Uma Trova de São Paulo/SP Sérgio Ferreira Tentar desfazer as mágoas que o meu peito guarda e sente é como querer que as águas corram da foz… à vertente! Um Poema de Santo Antonio do Monte/MG Carlos Lúcio Gontijo POEMA DO OUTRO Sobre a linha dos horizontes O meu poema liberto de palavras Céu aberto em muitas pontes Destino a que me doei enjanelado Para renascer em corpo alado Sob o ensolarado olhar do outro... Um Haicai de São Paulo/SP Eunice Arruda Fiapos nos dentes o rosto todo amarelo É tempo de manga Uma Trova do Rio de Janeiro/RJ Sérgio Bernardo O leito, o sonho, a comida… tudo entre nós partilhei. Entretanto, a minha vida foi inteira que eu te dei! Um Poema de Ohio/Estados Unidos Teresinka Pereira DIA DA POESIA NO BRASIL (14 de março) O Brasil tem mais poetas que qualquer outro país. Há poetas que escrevem POESIA e poetas que fazem a poesia virar asas de liberdade lírica e flores de emoção. Não importa o tempo nem o desabrochar da idade: a poesia sempre nos dá um toque de vitória e renascemos em cada primavera como a roseira que murchou
  12. 12. 13 no inverno passado. Viva eternamente a POESIA! Hinos de Cidades Brasileiras Boqueirão do Leão/RS Nos campos altos da serra Lindas matas e bom chão, Povo ordeiro e honesto Cultivando a tradição. É a terra do fumo, Do milho e do pinhão, E este lugar que vos falo É o Boqueirão do Leão. Chegando nesta cidade Já se tem boa impressão, Pinhais, açudes e rios Livres de poluição. Onde tem gaúchas bonitas, Erva- mate e o chimarrão, E este lugar que vos falo É o Boqueirão do Leão. Onde se cultiva o fumo, O arroz e o feijão, Onde se planta o milho E a erva pro chimarrão. Das matas sai a madeira E ainda sobra o pinhão E este lugar que vos falo É o Boqueirão do Leão. Falando um pouquinho dele Me encho de emoção, Quero voltar pra minha terra, Quero voltar pro meu chão. Quero encontrar meus amigos, Quero encontrar meus irmãos E este lugar que vos falo É o Boqueirão do Leão. Uma Trova de Caicó/RN Djalma da Mota Corta-se a mata nativa, fica o campo a céu aberto… É a força bruta nociva na construção do deserto.
  13. 13. 14 Um Poema de Montes Claros/M João Valle Maurício MUNDO VAZIO Palavras vazias Num mundo vazio. Palavras Clamando justiça, Rogando perdão, Chorando sem fé. Palavras Pedindo amor, Esperando Orando Compreensão. Palavras Voando confusas; Alucinadas Em multidão. Palavras vazias Num mundo sem formas, Sem perfume Sem beleza, Sem calor... Mundo que segue Sempre girando, Sempre perdido Eternamente envolvido, Em nebulosa de dor., Palavras sem formas Em todas as línguas Em todas as bocas Em todas as cores. E os homens falando Sempre falando. E ninguém escutando. O som das palavras Não tem ressonância É Babel de mensagens Ganhando distância Voando sem eco Pelo mundo afora. E os homens perdidos, Sofridos, Desesperados, angustiados, Falando, sempre falando E o mundo girando, Sempre girando, Sempre mais frio. Palavras sem formas Num mundo vazio!
  14. 14. 15 Belo Horizonte em Trovas (Parte 2)
  15. 15. 16 José Caram Elias Jaude Voa, voa, ó andorinha e vai em busca de alguém entregar esta cartinha e contar o que ela tem. José Carlos Baeta Tem cada igreja seus sinos, cada sino tem um som; soam às vezes como hinos, e, muitas vezes, só um “bom”. José Couri É de me dar nostalgia esse horizonte sem fim, porque me lembra, Maria, tua distância de mim… † – José Chamone Tenho irmãs freiras, por isto não receio azares meus, pois sendo esposas de Cristo, eu sou cunhado de Deus. † – José de Andrade e Silva Eu sempre fui um escravo de teus caprichos, querida; mesmo julgando-me bravo, fiz da prisão minha vida. José de Assis A caridade em ação da grande obra Vicentina, nos brota do coração… Ó que dádiva divina. † – José de Oliveira Fonseca A velhice é fim de estrada… à sua espera, um segredo; para trás, só fica o nada e, na frente, mora o medo!!! José Lara Graças ao nosso minério, nossas matas, nossas fontes serão logo um cemitério… Adeus, meu belo horizonte!
  16. 16. 17 José Lourenço A saudade sempre é vida, por mais que doa na gente. recordar um Bem, querida, é vivê-lo novamente. José Lucas Filho Pensei que o tempo esfriasse a chama do amor de outrora, mas vejo um sol que renasce a cada romper da aurora… José Octávio de Brito Capanema E tomando verbo e brilho, aprumado, já em cena, falando, na voz do filho, emocionado ele acena. José Osvaldo de Souza Não mudou a minha sina, em tantos anos a fio: acordo e sigo a rotina dum horizonte sombrio. † – José Valeriano Rodrigues Onde a saudade é nascida, minha saudade a revê. quando vejo a despedida dos outros, – penso em você. Jupyra de Oliveira Vasconcelos e Almeida Sua carta custou tanto, foi tanto tempo a passar que a saudade, ao ver meu pranto, também se pôs a chorar. Juraceí Barros Gomes Do cruzeiro da cidade, onde todos nós brincamos, só ficou muita saudade da infância que lá deixamos. Laércio Andrade Pedroso É o pensamento que insiste na verdade que não nego; A perfeição só existe dentro dos olhos de um cego.
  17. 17. 18 Laura Aparecida da Silva Foi pensando na alegria, que Deus nos criou a flor, dando-lhe muita harmonia, alegria, paz e amor. Leila Míccolis Esse perfume- gostoso que de muito longe vem, tão delicado e amoroso, só pode ser do meu bem. Leolina de Oliveira Mendonça Fiz trovas para matar saudades do trovador, que me deixando a chorar, não pensou na minha dor. † – Libânio Rodrigues Trabalhador incansável nem tempo tem pra cuspir. Inda consegue, notável, Trovas fazer, sem dormir. Lígia Maria de Rezende “Ama e faze o que quiseres” dizia Santo Agostinho porque -puro em seus misteres- traça o amor reto caminho! Lucília Cândida Sobrinho Sedução é como o vinho: – inebria de repente, mas fica sempre o gostinho da conquista inconsequente. Lucy Moreira da Silva Rodrigues Saber bem envelhecer pode ser arte ou virtude. Difícil deixar de ter saudades da juventude. Luiz Carlos Abritta O que conta nessa vida não é tempo, nem idade, mas a procura renhida da deusa felicidade.
  18. 18. 19 Lygia Britto de Souza Quando eu sinto o vento arfando teus cachos em mil novelos, penso em teu gesto afagando as mechas dos meus cabelos. Lygia Gomes de Pádua Concebo na trova o encanto porque nela encontro o amor. percebo sob o seu manto quanto é bom ser trovador. Marcos Nogueira da Gama Toda fortuna que é obtida sem trabalho e sem amor, traz desenganos na vida, faz do rico um sofredor. Maria Anita Guimarães Amor é forma constante de conservar a união, mais aumenta, se distante, de perto…mais emoção. Maria Auxiliadora de Carvalho e Lago A maior sabedoria dispensa toda ciência: é aprender com Maria fé, amor e paciência. Maria Auxiliadora Galinari Nascimento (Dodora Galinari) Como prova de me amar, Deus achou uma solução: – foi letra de MÃE gravar na palma de minha mão. † – Maria Bicalho Parreiras Randt Na mentira tanto tempo, nosso falso amor viveu, por isso no contratempo, não resistindo, morreu. Maria Carmem C. A. Ximenes de Souza O Encontro dos Trovadores vindo de outras paragens, carrega muitos valores em suas ricas bagagens.
  19. 19. 20 Maria da Conceição Vieira de Almeida Para enganar o meu pranto, conto histórias, canto a dor e me abrigo no acalanto dos versos do meu amor. Maria da Costa Lage Este mistério de outono vem me envolvendo, mansinho… Velhice é como abandono do amor que se foi do ninho. Maria da Cruz Pereira Nunes Pro Calvário foi Jesus, levando a Cruz, grande dor! dia sombrio e sem luz… morreu Jesus por amor. † – Maria Dolores Paixão Lopes Lola de Oliveira Um raio de sol, que a medo, a vidraça atravessou, desvendou nosso segredo… o amor que a noite ocultou… Maria Edna da Silva Lopes Como é bom rever amigos e pôr a conversa em dia, lembrar dos tempos antigos no reencontro da alegria. Maria Eneida Nogueira Guimarães Só através da aparência, nunca se pode escolher, pois a verdadeira essência é difícil de se ver. Maria Lúcia de Godoy Pereira Uma palavra bem dita é como seta certeira: a sua ação infinita, vale uma sentença inteira. Maria Natalina Jardim de Almeida Por um filho, amor tão doce nutre a mãe em demasia, se um cento de filhos fosse pelos cem dividiria.
  20. 20. 21 Maria Odete Souto Pereira Foste chuva de verão, benfazeja e passageira; mas teu abraço, esse não, me aquecerá a vida inteira. Marleide Canedo de Oliveira A vida nos leva sonho, nos devolve outros também; de todos os que transponho, só o amor supera o bem. Marlene Duarte de Sá As nuvens brancas de arminho, no céu puro cor de anil, se movem devagarinho desenhando seu perfil. Marleide Leite O egoismo que nos cega não traz nenhuma emoção. Quem na vida o amor sonega, põe ódio no coração. Marta Anael de Moura Magalhães O amor é pura atitude que assumimos livremente, um terno olhar de virtude faz amar eternamente. Mercês Maria Moreira No céu do meu coração, teu amor é sol de outono, aquecendo a solidão do meu profundo abandono. Napoleão Ferreira de Macedo e Melo Antigo Curral del-Rei, depois, Cidade Jardim… Hoje, poluída, nem sei como chamar-te, por fim! † – Nilo Aparecida Pinto Sonhei com a Virgem Maria - no céu, num trono de flores, - Nossa Senhora aplaudia - o canto dos Trovadores.
  21. 21. 22 Olga Salomão de Francoubt Vento, não batas à porta, pois isso não fica bem… penso ser minha Maria, vou abrir, não é ninguém. Olímpio da Cruz Simões Coutinho Não quero melhor abrigo do que no teu coração, onde o nosso amor antigo desconhece a ingratidão. † – Paulo de Tarso Costábile Declina o sol e aparece o colorido horizonte! Roga-se em serena prece que um novo dia desponte. Paulo Emílio Pinto Mais bebo, mais me angustio, tamanha é a dor que me invade. -Sou planta de beira-rio numa enchente de saudade. Relva do Egypto Rezende Silveira Das mãos de Deus vai caindo, em forma de chuva mansa, a bênção da água…e espargindo as sementes da esperança. Renato Passos O médico, grande artista, na arte de poder curar, tem que ser malabarista, pra sua morte driblar. Rosa de Souza Soares Sabe porque só me resta debruçar-me na janela? É porque o melhor da festa é mesmo esperar por ela. Sidnéia Nunes Guimarães E Deus nos trouxe a verdade: -nascimento de Jesus… Sua própria eternidade trouxe ao mundo paz e luz.
  22. 22. 23 Sílvia de Lourdes Araújo Motta Três filhos são lindos laços, do meu amor sem medida, para todos, dou abraços e bênçãos por toda a vida. Stella da Costa César Amor de ternura feito numa noite enluarada… Por um nada foi desfeito, numa fria madrugada. Terezinha Raposo Cosenza Minha cidade é uma fonte, de pureza cristalina, onde a visão do horizonte, é um sonho que não declina. Theolina Vilela Quantas vezes o palhaço com sorriso de alegria disfarçando seu fracasso, ganha o pão de cada dia. Thereza Costa Val (Maria Therezinha Costa Val Araújo) Quando a noite silencia, a saudade chega, intensa e ocupa a casa vazia onde, outrora, eras presença. Vicente de Paula Viotti Auto-estima é natural, mas se demais, é vaidade, sendo evidente sinal de oculta mediocridade. † – Virgílio G.Assunção Das prendas do coração só a saudade- destoa: nas outras mora o perdão e a saudade não perdoa. Yvonne Grossi Escreve-me e manda flores, poesias, constantemente, como entender seus amores se a presença é tão ausente?
  23. 23. 24 Waldemar Pequeno Há uma luz que me alumia, uma luz que o céu não tem, nem de noite e nem de dia; -a dos olhos do meu bem. Wanda de Paula Mourthé Brilho, sombra, e agora o breu: – roteiro de vida a dois… Amor fugaz que morreu sem a chance de um depois. Wilma de Paula (Peixoto) Lana Vem caindo devagar, boa chuva e é de verão. Eu me ponho a divagar: se volto com ele ou não. † – Zélia Barros Alencar Janelas mais indiscretas que as dos teus olhos, não vi: revelam coisas secretas, sempre falando por ti. Zeni de Barros Lana As flores que tu me atiras, com falsidade sem fim, são pedras, pois são mentiras que doem dentro de mim. † – Zenília Paixão As suas mãos enrugadas às minhas se entrelaçaram, lembrando emoções passadas que em nossas almas ficaram. Ziláh Ávila Castro Tua presença me traz sempre esta mesma emoção; jogando assim, para trás, tristezas que lá se vão. † – Zilda Novais Caminhando passo a passo, entre sonhos me embalei, mas passo a passo desfaço todos sonhos que sonhei. Fonte: Seleção por Silvia Motta
  24. 24. 25 J.B. Xavier Cunhaporã - Uma história de amor III QUANDO CHEGA O AMOE E luas à frente daquela orgia, Ouviu-se na aldeia, já ao fim do dia O ruído abafado de um calmo tropel. E entrou pela taba, pasma, assustada, Cansado e exausto de tal cavalgada, Garboso guerreiro e seu belo corcel. O espanto nos olhos tornou evidente O susto que havia nos índios valentes, Enquanto o corcel relinchava cansado. Olhavam o homem que o controlava. Seguro de si, o animal comandava. Jamais tinham visto um índio montado. “Quem sois? Que quereis?” - disse um, afobado. “Eu sou Nhuamã , a chuva dos prados. Procuro abrigo, e por certo o encontrei.” “O Oyakã não está , pois foram à caça. Mas ocas não faltam, repousa a carcaça, Que à noite, ao fogo, vos acordarei.” E à noite, então os homens sentaram Em volta do lume e seus casos contaram. E após todos terem seus casos contado, Saiu o cacique de onde sentara. Rompendo a noite com voz forte e clara, Chamou o estranho que estava ao seu lado. “Estranho, quem sois?” - bradou Ygarussú. “Me dizem que vindes dos prados do sul...” A taba calou em silêncio, agoniada. “Abrigo vos peço até amanhã .
  25. 25. 26 Sou Chuva dos Prados. Eu sou Nhuamã, Cansado de luas de extensa jornada...” “Sois vós Nhuamã , o cacique charrua, Que monta o Vento nas noites de lua, Que os prados cultuam, de todos temido? Sois vós Nhuamã , o leal combatente, Que a todos ampara, gentil e valente, Que em guerras ainda jamais foi vencido?” “Assim o dissestes, Grande Ygarussú !” “Sois vós de quem falam os cantos do sul trazendo-me os feitos heróicos e ternos? E tuas mãos de veludo que afagam a flor, São as mesmas que tocam os hinos de amor, E as mesmas capazes de ir aos infernos?” “Sois vós que hoje vem à minha aldeia, Que a fama de bravo meu sangue incendeia, E que afoito já quer partir amanhã ? Sois vós que aqui vem pedindo-me abrigo? Sois vós, que, afinal, terei por amigo?” “Sim, Grande Chefe, eu sou Nhuamã !” E disse o oyakã, erguendo seus braços: “Olhai este homem e seus fortes traços, Do qual sua força não quero aferir. Olhai para quem a derrota esqueceu, E que considero agora irmão meu. Seu canto de guerra queremos ouvir!” Com gestos seguros, nos ermos da noite, Com voz trovejante, tal qual um açoite, Cantou o seu canto o Grande Nhuamã. Seus olhos, no entanto, do meio da arena, Pousaram no olhar da suave morena, Corando as faces de Cunhaporã. * * * “Eu venho de longe, de terras distantes. Dos prados dourados, Dos campos dobrados, E tenho por taba os espaços gigantes. Eu venho de longe, das terras da Lua, Da grama molhada, Do Sol, da geada, E trago o orgulho de ser um charrua. Lamento os mortos, doentes, feridos, Nas guerras cruentas, Batalhas sangrentas, Mas muito me ufano de ter um amigo. Não busco a morte, o estertor, a ferida, Nos campos de guerra. O que em mim se encerra É a busca dos risos felizes da vida, Os arcos trocamos por ávidas danças,
  26. 26. 27 Cantigas e hinos. E nossos meninos Crescem felizes, eternas crianças. Caçamos o potro selvagem nas serras, Veloz como o vento. Mas somos a um tempo Amados na paz e temidos nas guerras. Nós sempre nos pampas buscamos ficar” - Falou Nhuamã - “O próprio Tupã Nos deu essa terra de belo luar... Que vento é esse que sopra uivante Ano após ano? É o Minuano, soprando a vida instante a instante. Guerreiros valentes lutei e venci Em nome da paz. Meu corpo ainda traz Medonhas lembranças que nunca esqueci. Ali uma flecha, aqui uma lança, ali O branco atirou. Nhuamã, eis quem sou! E apesar dos perigos, encontro-me aqui. Caçando feliz ou lutando nas guerras Em mil estertores, Eu busco os amores De olhos bonitos, em longínquas terras. Tupã me guiou por caminhos escuros Que Jassy iluminou. E eis que aqui estou Em meio à floresta de ares tão puros. Se amo os espaços, que faço na selva E nela me embrenho? Tupis! aqui venho Deixando as mais lindas coxilhas de relva. Um dia, num lago, surgiu-me Yara À luz de Jassy. E então me senti Possuído de amor nessa noite tão clara... ‘Tua amada te aguarda’ - Yara dissera. ‘Cavalga p’ro norte. E cuidado com a Morte Que em flecha ligeira decerto te espera.’ Quem é minha amada. senhora das águas? Indaguei ansioso. ‘Não sê curioso, Que junto com o amor te esperam as mágoas.’ Seu nome ao menos não podes dizer? Insisti desafiante. ‘Ah! os amantes!
  27. 27. 28 Por que tão mais cedo preferem sofrer?’ E o nome eu ouvi dos lábios serenos Da deusa do lago. Um nome que trago Queimando-me a alma qual doces venenos. Meu braço me ampara, senhora. Observe.” E a flecha voou E no alvo pousou. ‘Na selva teu braço de nada te serve.’ ‘A selva é escura’ - falou com voz fria - ‘E em certos locais, Apesar dos demais, A treva até mesmo a Jassy desafia! Parte, guerreiro, e cuidado com a súcia Do grande arvoredo! Não tema ter medo! Na selva, guerreiro, o que vale é a astúcia.’ Confie em mim, minha deusa e senhora, Farei minha sorte Até mesmo com a morte!” ‘Cavalga, guerreiro, e parte agora!’ E, pois, eis-me aqui na solene aldeia Dos bravos Tupis. Os povos mais vis Venci ! E eis-me aqui junto à vossa candeia. Lutei nas florestas, calquei sob os pés Guerreiros valentes, Comedores de gente, caigangues, xavantes e os vis aimorés. Feliz, meu regresso trará mais vitórias Ao meu amanhã. Eu sou Nhuamã, De futuro feliz e passado de glórias!” * * * Suspensas no ar as palavras ficaram Ecoando em todos os que as escutaram, Criando mil sonhos de amor, de perigos. Guerreiros e velhos - gentil comunhão - Deitaram seus arcos e flechas no chão: Mudo sinal de que eram amigos. E bradou Ygarussú: “Honras as tabas dos Grandes Tupis! Se Yara é quem quis Findar tua procura, Aqui tu serás, Aqui viverás Contente e feliz. Se, porém, desejares Os outros lugares
  28. 28. 29 Que conheces tão bem, apraz-me dizer: Os Tupis, teus amigos, Quebrarão as lanças Dos teus inimigos. Nada temas. Nada e ninguém! E quem, meu amigo, foi a escolhida? Por quem tu lutaste P’rá haver-te aqui? Que moças desejas Daquelas adiante?” Os olhos, num instante, Do ansioso Nhuamã , Pousaram brilhantes, Sorridentes, Nos olhos ternos, No olhar desafiante, Nos lábios, no corpo, No belo semblante Daquela que um dia Esposa seria Do Grande Oyakã. E chispas partiram Do olhar febril Da tupi e do charrua, Brilhando luminosos Mais claros que a lua. Ygarussú percebeu Os olhares tão ternos, E o terrível instante O levou aos infernos. Restava saber Se era ela a escolhida. Se assim fosse, o ousado Pagaria com a vida! * * * Vocabulário: Nhuamã = Garoa, chuva fina.
  29. 29. 30 Folclore Brasileiro Cabra Cabriola
  30. 30. 31 A Cabra Cabriola é um ser imaginário da mitologia infantil portuguesa, mas também surge no resto da península Ibérica, foi depois levada para o Brasil pelos portugueses. A Cabra Cabriola é a personificação do medo, um animal em forma de cabra, um animal frequentemente de aspecto monstruoso comedor de crianças, um papa-meninos. No século XIX a Cabra Cabriola era tema de uma canção de embalar: "Cabra cabriola Corre montes e vales, Corre meninos a pares Também te comerá a ti Se cá chegares" Considerada mais temida que o Lobisomem e a Mula-sem-Cabeça, que são mitos vindos de fora há muito mais tempo, a Cabra Cabriola, logo se tornaria o consolo das mães, já que não precisavam se esforçar muito para fazerem seus filhos tomarem o rumo da cama logo cedo. Para os pequenos era o maior pesadelo. São muitos e faz parte da tradição regular, os contos populares em que figura a Cabra Cabriola em ação. Os testemunhos de época logo se tornavam valiosos meios para as mães colocarem na linha seus filhos travessos, ou malcriados. Era uma Bicho que deixava qualquer menino arrepiado só de ouvir falar. Soltava fogo e fumaça pelos olhos, nariz e boca. Atacava quem andasse pelas ruas desertas às sextas a noite. Mas, o pior era que a Cabriola entrava nas casas, pelo telhado ou porta, à procura de meninos malcriados e travessos, e cantava mais ou menos assim, quando ia chegando: Eu sou a Cabra Cabriola Que como meninos aos pares Também comerei a vós Uns carochinhos de nada... As crianças não podiam sair de perto das mães, ao escutarem qualquer ruído estranho perto da casa. Podia ser qualquer outro bicho, ou então a Cabriola, assim era bom não arriscar. Astuta como uma Raposa e fétida como um bode, assim era ela. Em casa de menino obediente, bom para a mãe, que não mijasse na cama e não fosse traquino, a Cabra Cabriola, não passava nem perto. Quando no silêncio da noite, alguma criança chorava, diziam que a Cabriola estava devorando algum malcriado. O melhor nessa hora, era rezar o Padre Nosso e fazer o Sinal da Cruz Nomes comuns: Cabra Cabriola, Cabriola, Papão de Meninos, Bicho Papão, etc. Origem Provável: O mito do Bicho papão que ataca as crianças travessas, é bem antigo e remonta ao tempo da Idade Média na Europa. Na América Central, o Gulén Gulén Bo, é um negro que também assusta e come as
  31. 31. 32 crianças mal comportadas, e tem as mesmas características da nossa Cabriola. No Brasil, deriva-se de um mito afro-brasileiro, onde acreditava-se tratar-se de um duende maligno que tomava a forma de uma cabra. Costumava atacar as mães quando estavam amamentando, bebiam seu leite direto nos seus seios, e depois devoravam as crianças. Além de Pernambuco, foram encontradas versões deste mito nos estados do Ceará e Pará. A Cabra Cabriola no Piauí e Pernambuco data dos século XIX e XX. A figura da Cabra Cabriola, também é mencionada na Espanha e Portugal. Possivelmente veio para o Brasil no tempo da colonização, e com a urbanização das cidades, ganhou fôlego.
  32. 32. 33
  33. 33. 34 Lino Mendes Baú de Memórias: A Páscoa em Portugal Embora nesses tempos (1920/1930) a religiosidade fosse maior entre as nossas gentes, pois para assistir a Missa ou mesmo rezar o terço muitos eram os que vinham dos arredores (do campo). A quadra da PÁSCOA já tinha ultrapassado as fronteiras do religioso, pois a crentes e não crentes se ouvia logo de manhã (domingo) o desejo de uma “Boa Páscoa. ”Como em todo o lado a Quaresma começava à “Quarta-Feira de Cinzas” o que não impedia que nesse mesmo dia se realizasse o “Enterro do Santo Entrudo”que viria a ser proibido de maneira brutal aí por 1950, e terminava no Sábado de Aleluia pelas 10 horas quando os sinos repicavam na torre da Igreja enquanto a garotada, batendo as “ matracas “diziam” Aleluia, Aleluia, Cristo Ressuscitou”. Mais tarde começaram a dizer “Aleluia, Aleluia, Bacalhau” para a rua. É que de uma maneira geral a população respeitava o jejum não comendo carne no dia de sexta-feira. Nos meios-dias santos,— de quinta feira ao meio-dia a sexta feira à mesma hora –não se trabalhava, não se mexia em terra, e às 15 horas dessa mesma sexta-feira, em casa ou no trabalho, respeitava-se um minuto de silêncio. Ainda durante a “Quaresma” e também mais ou menos até aos anos 50, mais concretamente na terceira quarta-feira tinha lugar a “Serração das Velhas”. Diga-se, entretanto, que a PÁSCOA tem lugar no 1º domingo depois da Lua Cheia que ocorra no dia ou depois do dia 21 de Março. É uma festa móvel que ocorre 47 dias depois da “Quarta-feira de Cinzas”. A “Semana Santa”, durante a qual decorrem as cerimônias relativas às várias fases do processo que leva à crucificação, tem início no domingo anterior (Domingo de Ramos), que simboliza a entrada de Jesus em Jerusalém, e durante o qual são benzidos os “ramos de palmeira”. PÁSCOA é tempo de festa, que se no aspecto religioso difere de terra para terra, o mesmo acontece no campo do lúdico, mas com a simbologia a não ter fronteiras. O “ovo” (símbolo do nascimento), o “folar”, as “amêndoas”, o pão e o vinho”(que representam a última ceia do Senhor), o “círio” (a grande vela que se acende na aleluia) são entre outros , símbolos que marcam esta quadra. Curiosamente, e sem que saibamos o por quê, em Montargil não são ramos de palmeira que se benzem mas sim de alecrim e de oliveira que são depois colocados em cruzes de cana, nas hortas e nas cearas. Havia até quem colocasse duas cruzes, uma voltada para a outra. Entretanto, décadas atrás (1920/1930) era por aqui tradição que ao domingo de Páscoa os pastores viessem dos campos à vila para comprar as amêndoas.
  34. 34. 35 É certo que o dinheiro era pouco, mas as amêndoas (de massa de centeio) eram baratas e vendiam -se ao preço de dois tostões a meia-quarta. Aliás, houve tempo em que nesta “quadra” se andava pela rua “rifando” pacotes de amêndoas—era o “Caçurras”, embora este não saísse da porta da taberna, era o “Rabanita” e era o “Perneta” e se calhar outros que agora não recorda. A cada jogador ( teriam que ser entre 3 a 9 e por um tostão eram dadas três cartas de um baralho de que se retiravam as figuras ganhando aquele que tivesse a carta com mais pintas. Outro costume que também desapareceu, era o do “enganchar”. Rapariga com rapaz ou rapariga com rapariga, enganchando dedo mindinho com dedo mindinho diziam “enganchar, enganchar, para na quaresma fazer rezar”, e quem no domingo de Páscoa se deixasse enganar, isto é, se deixasse fazer rezar primeiro ,—apontava-se e dizia-se Reza –lá tinha que dar o “folar”, que normalmente era um pacote de amêndoas . Mais tarde e ao enganchar já se dizia, ”enganchar, enganchar, para na Páscoa fazer rezar”. Os que ” enganchavam” ficavam “compadres” (Compadres da Páscoa),e o “folar” constava sempre de amêndoas, mas no caso das raparigas estas ofereciam sempre mais qualquer coisa como por exemplo uma “gravata”, um “lenço” ou um “colarinho”que nesse tempo era desligado da camisa. Claro que havia sempre retribuição daquele que fazia “rezar”. Nalguns pontos do país também é dado o nome de “folar” a um bolo que se faz por esta altura (e não só, creio) mas foi hábito que por aqui não se enraizou. No entanto, aí pelos anos 1945/50, o Mestre Alfredo, um verdadeiro artista na arte de padeiro, fazia um “folar” da massa das “arrufadas”, que como se sabe é um bolo pouco doce. De formato circular, levava ao centro um ovo e cruzando sobre o mesmo duas “asas” como as das cestas e naturalmente da mesma massa. Era então cozido no forno a lenha o que como se sabe lhe dava outro sabor. Quanto à gastronomia, a ementa era a canja de galinha ou de peru (este em casas mais endinheiradas), e as ditas aves assadas no forno a lenha (que lhe dava um outro sabor). À quinta e/ou à sexta feira santa (dias em que não se comia carne) o bem tradicional arroz com castanhas. No que respeita a doces, as afamadas tigeladas, e os doces de amêndoa (os queijinhos e as tortas). Mas também nos falaram no chibo e no borrego assados (mas em fornos a lenha) havendo ainda quem nos fale, para o almoço, da sopa de pé de porco . Durante muitos anos, a “Procissão dos Passos” que merecia uma enorme adesão, realizava-se no “Domingo de Ramos” para não coincidir com a que aqui ao lado se realizava em Cabeção. Durante a mesma, que percorria a Rua do Comércio e a Rua da Misericórdia, estava assinalada a “Via Sacra”sendo cada uma das 14 “estações” marcada por um altar, que determinava uma paragem do cortejo, sendo então entoado um cântico alusivo ao acontecimento, com acompanhamento de algum instrumental— Contrabaixo (Chico Lourenço), Trompete (José Arlindo) e Clarinete (Fouchinha) enquanto o maestro Alves do
  35. 35. 36 Carmo emprestava a voz. O Sermão do Encontro” tinha lugar ou frente à Travessa dos Combatentes com o orador na varanda do Pailó (já numa segunda fase) ou então frente ao Moura (com o orador na varanda da casa deste). Era um momento emotivo, que sensibilizava mesmo os não crentes.. O “ Baile da Pinha” realizava-se no domingo anterior à Páscoa. E na segunda-feira (de Páscoa) embora fosse dia de trabalho, era costume ir-se em grupos fazer “piqueniques” no campo, pelo que muitos nesse dia tomavam uma “empreitada” para poderem ir para a festa. Domingo de Páscoa era altura em se realizavam muitos batizados, mas em tempos mais remotos era Domingo de Pascoela a data escolhida , chegando a ser 45 no mesmo dia Fonte: O Autor (Montargil/Portugal) Solange Fiuza Cardoso Yokozawa Presença simbolista em Mario Quintana (Parte IV, final) Intimamente ligado a esse gosto quintaneano, e modernista, por desentranhar o ritmo poético a partir do “bulício cotidiano”, e com ele concorrendo para afastar a musicalidade simples de Canções da música sublime dos simbolistas, está a preferência do lírico gaúcho por buscar, no ritmo que pulsa na literatura popular, a musicalidade de sua poesia, de modo a fazer com que o diálogo com as “formas simples”, que se faz tanto no nível temático quanto no nível sonoro, se afirme como uma das evidências desse livro e como um dos traços característicos de toda a poética quintaneana. Na “Canção de junto do berço” (Quintana, 1989, p. 39), ressoa a sonoridade do acalanto. O ritmo das advinhas compõe a “Canção de domingo” (Quintana, 1989, p.39). Em “Canção de muito longe” (Quintana, 1989, p.49), o poeta encontra, na cantiga da infância “A canoa virou”, o foco musical desencadeador da recordação poética. “Canção do meio do mundo”, poema que, figurando na primeira edição de Canções, foi posteriormente substituído por “Pequena crônica policial” e passou a integrar os sonetos de A Rua dos Cataventos (soneto XXIV, 1989, p.19-20), recria o ritmo da conhecida “Ciranda cirandinha”. Além dessas intertextualizações particulares, há o aproveitamento freqüente que Quintana faz do verso heptassílabo e da quadra, respectivamente o metro e a estrofação mais comuns da literatura popular. Em um balanço das tendências simbolistas observadas em A Rua dos Cataventos e Canções, pode-
  36. 36. 37 se destacar as notações íntimas, a musicalidade e a preferência pelo traço misterioso, onírico, mágico na representação dos “objetos” como as principais convenções simbolistas que vão persistir nos quintanares, assimiladas às necessidades individuais do poeta. Em se tratando das notações íntimas, são elas que, ao lado do humor, vão dar o tom dominante dos quintanares e fazer com que eles, mesmo quando vazados em prosa, não percam a emoção poética. Se o humor impede que o intimismo em Quintana resvale para o derramamento dos românticos ou para a poesia pura dos simbolistas, o lirismo íntimo desvia o seu humor do poema-piada, da paródia combativa da vanguarda de 22. A musicalidade, encontrando em Canções a sua realização máxima, persiste nas demais produções de Quintana, fazendo-se sentir inclusive nos poemas em prosa. A ênfase que o poeta coloca nos elementos sonoros da poesia define a musicalidade como um dos principais traços caracterizadores de sua poética e faz de sua lírica uma das mais musicais da poesia brasileira. Tendo em Verlaine o seu modelo de realização musical, Quintana, ao encontrar na língua de todo dia, com seus clichês, seu ritmo irregular, suas formas populares, o ritmo de onde desentranha sua melodia e sua harmonia, afasta-se da sonoridade sublime dos simbolistas. A preferência quintaneana por recriar insolitamente a realidade, de modo a desentranhar-lhe a magia, filia-se à fixação simbolista pela sugestão e pelo mistério. Mas enquanto os simbolistas buscavam o mistério contido em formas vagas, indefiníveis, etéreas, Quintana, aproveitando e levando adiante a preferência modernista por poetizar o cotidiano, opta por descobrir o mistério da vida cotidiana, ou melhor, por banhar esta realidade de todo dia numa intensa irrealidade, numa forma onírica, sobrenatural e lúdica. Como teoriza Quintana em sua poética, “a poesia é um sintoma do sobrenatural” (1994, p.158), mas, como o poeta adverte, “o mistério está aqui” (1994, p.180). Emblemático desse procedimento quintaneano é o livro Apontamentos de História Sobrenatural. Para um leitor que não tenha familiaridade com a poesia de Quintana, com o insólito dos títulos de seus livros, a simples leitura desse título poderia criar a expectativa de que a matéria do livro é o sobre-humano, o extraterreno. Essa expectativa se desfaz ante a leitura dos primeiros poemas, que revelam que a realidade recriada não é outra que essa que se desenrola diante dos olhos do leitor. E este se indaga: --Mas onde está o sobrenatural do livro? É então que ele descobre que o sobrenatural, do livro e da vida, está é aqui, nesta realidade de todo dia. Referências bibliográficas ADORNO, T. Notas de literatura I. Trad. Jorge M. B. de Almeida. São Paulo: Duas Cidades, Ed. 34, 2003. ANDRADE, Mário de. A escrava que não é Isaura: discurso sobre algumas tendências da poesia modernista. In: ______. Obra imatura. São Paulo: Livraria Martins /s.d./. BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. 19. ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1991. BALAKIAN, Anna. O Simbolismo. Trad. José Bonifácio A Caldas. São Paulo: Perspectiva, 1985.
  37. 37. 38 FISCHER, Luís Agusto. Um passado pela frente: poesia gaúcha ontem e hoje. 2.ed. Porto Alegre: Ed. da Universidade/UFRGS, 1998. MOREYRA, Álvaro. Casa desmoronada. Porto Alegre: /s.n./ 1909. ______. Circo. Porto Alegre: IEL, 1989. NEJAR, Carlos. As palavras, as reticências, os mistérios. Zero Hora, Porto Alegre, 30 jul. 1994. Segundo Caderno, p. 5. QUINTANA, Mario. A vaca e o hipogrifo. 4. ed. Porto Alegre: L&PM, 1983. ______. Caderno H. Porto Alegre: Globo, 1994. ______. Da preguiça como método de trabalho. Rio de Janeiro: Globo, 1987. ______. Poesias. 8. ed. São Paulo: Globo, 1989. ______. Velório sem defunto. 2. ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1992. SCHÜLER, Donaldo. A poesia no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1987. VERLAINE, Paul. Oevres poétique completes. Paris: Gallimard, Bibliothèque de la Plêiade, 1968. WILSON, Edmund. O castelo de Axel: estudo sobre a literatura imaginativa de 1870 a 1930. Trad. José Paulo Paes. 2.ed. São Paulo: Cia das Letras, 2004. ZILBERMAN, Regina. A literatura no Rio Grande do Sul. 3.ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1992. Fonte: Literatura : caminhos e descaminhos em perspectiva / organizadores Enivalda Nunes Freitas e Souza, Eduardo José Tollendal, Luiz Carlos Travaglia. - Uberlândia, EDUFU, 2006. CD-Rom Solange Fiuza Cardoso Yokozawa, doutorou-se em Letras, área de concentração Literatura Brasileira, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2000), realizou mestrado em Letras e Linguística, área de concentração Literatura Brasileira, na Universidade Federal de Goiás (1995) e graduou-se em Letras na Faculdade de Filosofia Cora Coralina (1991). É profesora da Universidade Federal de Goiás desde 2002, onde atua em nível de graduação e pós-graduação, mestrado e doutorado. Desenvolve estudos sobre poesia brasileira moderna e contemporânea. Coordena o projeto "Poesia brasileira contemporânea e tradição", financiado pela FAPEG. Desenvolve estágio pós-doutoral na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Portugal, com projeto intitulado "Reconfigurações da poesa lírica em Cesário Verde e João Cabral". Entre várias outras publicações, é autora do livro "A memória lírica de Mario Quintana" e coorganizadora do livro "O legado moderno e a (dis)solução contemporânea". Isabel Furini Conselhos para Novos Escritores Escritores iniciantes são como sementes jogadas em um jardim. Quais crescerão? Isso ninguém sabe. Quem será o autor iniciante hoje, mas reconhecido em 2030 ou 2045? O caminho do escritor é, como dizia, Hemingway, um caminho solitário. O escritor é individualista, precisa de introspecção para encontrar sua própria
  38. 38. 39 voz, mas também precisa ser curioso, pesquisar, percorrer rotas externas. Solicitei a escritores, editores e poetas, conselhos para os iniciantes. Claudio Daniel, poeta, jornalista e doutorando em Literatura Portuguesa pela USP, só disse o seguinte: “meu conselho é leitura, leitura, leitura, leitura e leitura”. Uma visão semelhante é a do escritor e também professor universitário Miguel Sanches Neto: “Que nunca deixem de ler muita literatura, pois não há outro caminho para a construção de um estilo, de uma voz, de uma visão do mundo, do que lendo a literatura que nos antecedeu. Escrever deve ser sempre um subproduto da leitura, uma forma de unir nosso nome a uma tradição, nem que seja negando-a”. Plínio Martins, escritor e diretor da Edusp, disse: “Leia. Leia muito. Quanto mais uma pessoa lê, melhor ela domina sua linguagem e torna-se capaz de transmitir melhor suas próprias ideias. É importante também ter cuidado ao analisar sua própria produção criticamente. Vale a pena pedir opinião de terceiros ou até mesmo um parecer de outros autores que já tenham publicado obras similares”. Paulo Tadeu, jornalista, dono da editora Matrix e escritor de livros infantis: “Meu conselho é escrever sobre o que se gosta, e ler muito. Esse amor pela palavra escrita vai gerar frutos uma hora ou outra”. Patrícia Vence Castilla, dona a editora Ruínas Circulares, de Buenos Aires deu algumas sugestões: “Leitura, muitíssima leitura contemporânea de autores consagrados de cada país. Capacitação. Aproximar-se das oficinas literárias que contam com bons coordenadores, de preferência escritores, porque penso que nenhum artista ― escultor, artista plástico, ator etc. ― jamais duvidaria em procurar um mestre para ser orientado no ofício escolhido. Então, para escrever bem, a primeira coisa a fazer, segundo o meu critério, seria capacitar-se”. Para o escritor e jornalista José Castello “Toda grande ficção precisa despertar, antes de tudo, um sentimento de estranheza. Aquela sensação que nos leva a dizer: ‘Nunca li uma coisa assim!’, ou ‘De onde esse autor tirou isso?’. A literatura é o terreno do singular. Sempre que alguma coisa se repete, nos decepcionamos um pouco. Portanto, não dá para dizer que isso, ou aquilo, me impressiona mais. Eu me impressiono mais com o susto, o espanto de encontrar uma coisa que eu não pensava que pudesse existir”. Outros profissionais da área do livro assinalaram caminhos diferentes. Isso me fez lembrar das palavras de Borges, que falou que sempre havia lido, nunca existiu uma época em que ele não lesse. E não falava só de livros, logicamente, mas de realizar uma leitura do mundo. O bebê lê alegria ou a tristeza no rosto materno. Crianças aprendem a ler a linguagem dos olhares e dos gestos. Escutei dizer que o jovem fala o que vive e os velhos vivem do que falam, fabulam, renovam biografias, enfim, reestruturam o passado para manter uma autoimagem positiva. Alguns entrevistados falaram um pouco desse caminho de descobertas. Perguntei ao jornalista e escritor, autor de Meu nome não é Johnny, Guilherme
  39. 39. 40 Fiúza, quais conselhos poderia dar para os novos escritores que desejam escrever biografias. Ele respondeu: “Acho que não tenho autoridade para tal. De qualquer forma, arriscaria dizer a eles que tão importante quanto a vida do biografado é o olhar do autor sobre ela”. Já Wanderlino Teixeira, escritor e poeta, membro da Academia Niteroiense de Letras, aconselhou: “estar atentos ao que os rodeia, não se fiem apenas na inspiração. Escrever é trabalho de carpintaria”. Roberto Araújo, do Conselho editorial da Editora Europa, deu sua visão: “Livros não surgem por mágica. O conteúdo, que é sempre o que efetivamente interessa, tem que ser trabalhado cuidadosamente na cabeça do autor. O conselho mais prático que posso dar é que um livro é sempre fruto de um trabalho disciplinado. Algumas horas por dia devem ser separadas exclusivamente para este trabalho. E repetidos todos os dias. A verdade é que a concentração sempre demora. Para ela chegar ao ponto é necessário reler os capítulos anteriores, refletir sobre a nova cena, elaborá-la na cabeça e então partir para a escrita. Não há regras rígidas, já que este é um trabalho artístico, mas eu tenho a forte convicção que sem disciplina não é possível escolher com sabedoria as milhares de palavras que compõem um livro. Também acho inútil o uso de álcool ou qualquer tipo de droga. Com a consciência alterada, as palavras parecem ter uma força que não será compreendido por mais ninguém a não ser o autor. Se a intenção for publicar, o trabalho fica todo perdido. O certo é que é preciso garra e determinação. Nada está acima em termos de realização intelectual do que escrever e publicar um livro. É um esforço que vale a pena”. Depois escutamos os conselhos de Reinaldo Polito, autor de livros de oratória que já venderam mais de 1.000.000 de exemplares: “Minha sugestão, portanto, aos jovens escritores é que estudem muito bem essa arte. Aprendam os pilares básicos de como escrever livros. Comecem publicando textos menores em blogs e sites. Abram suas obras para a crítica de amigos, conhecidos e até desconhecidos. Aprendam que é melhor receber críticas antes de publicar definitivamente seus livros. Saibam que depois de publicados os livros não lhe pertencerão mais. Serão de propriedade dos leitores. Conheço pessoas que escreveram sem se preocupar com pesquisas, sem se aprofundar nos temas que abordaram, sem analisar as características de suas personagens. Foram tão criticadas que se sentiram desestimuladas a continuar. Escrever é uma arte que se aprende fazendo. Quanto mais a pessoa escrever mais competente se tornará. Tem de saber também que depois que o livro estiver pronto não será fácil publicar, que depois de publicado também não será fácil vender. Entretanto, o prazer de escrever irá compensar todos esses desafios. Vale a pena”. Quando a jornalista Luana Gabriela me pediu “dicas” para os novos escritores eu fiquei pensando que é muito mais fácil perguntar do que responder, mas falei:
  40. 40. 41 Escrever um livro é uma tarefa empolgante. Se for de ficção, o autor deve desenvolver o enredo passo a passo, alguns mestres do oriente falam que qualquer arte deve ser iniciada com cuidado, com leveza, como quem caminha pisando sobre papel de arroz. Acontece que o caminho do escritor é longo ― e não é tão charmoso como as pessoas pensam. Escrever é um trabalho solitário. Então, a primeira dica é ter disciplina, escrever diariamente, ainda que seja uma página. E no mínimo uma vez na semana reler as páginas escritas procurando aprimorar o texto. Outra “dica” é estar sempre atento aos detalhes, caminhar pela rua, ouvir as pessoas. Observar gestos, atitudes, comportamentos e tomar notas daquilo que foi mais interessante. E depois, ao escrever um conto, um romance, analisar se algumas dessas notas podem servir para completar a construção de nossos personagens ou do cenário. Escrever é também aprimorar a leitura do mundo. Fonte: A Autora ________________________________ Isabel Florinda Furini, educadora e escritora, de nacionalidade argentina, rradicada em Curitiba/PR. escreve poemas desde criança, já foi premiada em alguns concursos. Publicou 15 livros, entre eles a Coleção "A Corujinha e os Filósofos" da Editora Bolsa Nacional do Livro, em 2006. Em 2007 redigiu a obra SENAC PARANÁ, 60 ANOS e publicou "O Livro do Escritor", da editora Instituto Memória, Curitiba, 2009. Ministra palestras e oficinas direcionadas a novos escritores.
  41. 41. 42 Estante de Livros Isabel Furini Passageiros do Espelho A coletânea de contos tem a característica de respeitar o estilo de cada autor. Podemos então nos deleitar com os retratos muito bem elaborados por Bruno Camargo Manenti. Outros de alta dramaticidade, entre eles os trabalhos de Alessandra Pajola, Alessandra Magalhães, Fernando Scaff Moura, Sônia Cardoso e Zeltia G. Não falta uma visão do mundo espiritual feita pela professora Natália Bueno. Já o escritor Fernando Botto lembrou a infância e Maria Edna fala da idade madura. Elayne Sampaio e Ricardo Manzo nos levam por caminhos inesperados. Fernando Scaff Moura nos empurra para uma época de horrores que ainda está viva na memória da América Latina. Na apresentação de “Passageiros do espelho”, José Feldman, da Academia de Letras do Brasil/Paraná, fala: “Morremos e renascemos a cada conto. A cada espelho. Nos vemos confiantes, solitários, agoniados, suicidas, aliviados, tristes e alegres. Somos vários espelhos, mas ao final, apenas um”. A escritora e poeta Adélia Maria Woellner escreveu no prefácio: “Os ‘passageiros do espelho’ rompem silêncios, oferecendo suas histórias, seus devaneios, seus encantos, os arcanos da imaginação”. Fortalece esse trabalho a colaboração especial do escritor, professor e crítico literário Miguel Sanches Neto, que nos convida a fazer uma “Viagem de Volta”. Nas orelhas do livro a atriz, radialista e escritora gaúcha Ângela Reale destaca que no livro penetramos “em mundos tão diversos, em encontros inusitados, sonhos desfeitos, amores de longe e de perto, saudades, morte e vida”. Cada um dos contos é como um reflexo do acontecer. É a vida que se espelha na construção ficcional. Múltiplas manifestações construindo ninho nas palavras – e nos silêncios.
  42. 42. 43 Esse trabalho começou em fevereiro deste ano, quando a Editora Íthala nos convidou para organizar uma coletânea de contos com alunos e ex-alunos da oficina “Como Escrever um Livro”, que ministramos no Solar do Rosário, o espaço criado pela doutora Regina Casillo. Como o número de participantes era limitado, falamos com os alunos do curso do primeiro semestre. Nem todos estavam dispostos a embarcar na aventura de escrever, reescrever e publicar. Alguns decidiram que ainda não estavam preparados ou que não podiam dedicar muito tempo a esse trabalho. E respeitamos a decisão de cada um deles. Foi então o momento de falar com alguns ex-alunos com os quais mantemos contato pelo e-mail, como é o caso do escritor e professor Fernando Botto. Ele morou um tempo na Angola e, muito gentil, procurou-me quando voltou a Curitiba para que eu autografasse alguns exemplares de “O Livro do Escritor” para enviar a seus amigos angolanos. Também mantivemos contato com a jornalista e professora Alexandra Pajola, que participou da oficina e tem paixão pela escrita. Alessandra Magalhães e Natália Bueno, cada uma com seu estilo, destacaram-se durante as oficinas, e sempre enviam e-mail falando de seus novos trabalhos. Com Sonia Cardoso foi um encontro casual na recepção da Biblioteca Pública do Paraná. Ela já havia publicado um romance e estava iniciando outro trabalho literário quando eu fiz o convite para participar da antologia. Sonia aceitou imediatamente. Ela havia participado de uma oficina de contos que eu ministrei no Delfos, e tinha vários contos escritos. Uniu-se ao grupo minha amiga Sandra Rey Mosteiro, cujo pseudônimo é Zeltia G. Ela mora na Espanha, país onde edita a revista ZK 2.0. O convite ao escritor Miguel Sanches Neto também surgiu espontaneamente. Ele havia sido meu entrevistado, e eu gostei muito da honestidade de suas respostas, além de admirar seus trabalhos como “Chove sobre minha infância” e “Venho de um país escuro”. Os trabalhos foram árduos. Eu sei que o crítico acha que poucos trabalhos têm verdadeiro valor, mas eu quero mostrar os passos de um livro do ponto de vista do escritor. Escrever, reescrever sabendo que é impossível agradar a todos, mas cinzelando os contos com paixão. Só faltava uma boa apresentação para o nosso livro. A poeta Adélia Maria Woellner, pessoa despojada de vaidade, disse humildemente que escreveria, mas que se não gostássemos do prefácio, poderíamos ficar à vontade para escolher outra pessoa. Adélia é membro da Academia de Letras, e ficamos comovidos com a sua humildade. José Feldman, que apresenta o livro, é escritor, poeta e presidente da Academia de Letras do Brasil/Paraná. Faltava só escrever as orelhas. Era um trabalho que eu pessoalmente não queria fazer, porque, além de organizar a coletânea, dois contos de minha autoria estavam lá, e acho triste quando a mesma pessoa organiza, escreve, prefacia, apresenta, faz as orelhas… Dá a sensação de orquestra de uma pessoa só. Eu gosto da diversidade. Gosto de olhares diferentes. Então solicitei a participação da atriz e cronista Angela Reale.
  43. 43. 44 Apresentação de Passageiros do Espelho, por José Feldman A Antologia de Contos que aqui se apresenta, compilada pela escritora e educadora Isabel Furini, faz com que ingressemos num Palácio de Espelhos num Parque de Diversões. Cada espelho reproduz imagens diversas de nós, e é assim que são os escritores que compõem esta coletânea. Cada qual carregou um pouco de si, fazendo com que desperte a nossa curiosidade pelo próximo espelho. A cada conto vivenciamos situações diversas, muitas delas levando-nos a refletir sobre nossas próprias vidas. Seja um personagem que se deixa levar pelas lembranças e pelo despertar de sua escravidão ao tempo, ou uma mulher atormentada por múltiplos pesadelos, a monotonia da vida de uma escritora, o apego ao nosso passado, a noite de estréia do balé, a angústia de uma escritora que deseja escrever textos de impacto para cativar o leitor, assim como o humor presente em um escritor que morre e é disputado pelo céu e o inferno, ou mesmo o humor negro de um corpo encontrado, nos fazendo enveredar por uma novela policial que nos coloca dúvidas e faz com que ansiemos por seu desfecho. Sentimos na pele a vida daqueles que viveram as guerrilhas aqui na América do Sul ou mesmo no Oriente Médio. Em contrapartida, há aqueles que nos conduzem em direção a luz, como se estivéssemos em contato direto com Deus, nos fazendo sentir algo além das estrelas, maior que o próprio universo. Morremos e renascemos a cada conto. A cada espelho. Nos vemos confiantes, solitários, agoniados, suicidas, aliviados, tristes e alegres. Somos vários espelhos, mas ao final, apenas um. Enfim, são os espelhos da vida que retratam em sua imagem, se não todos, mas muitos dos momentos que vivenciamos no presente ou no passado, seja em nossa vida cotidiana ou apenas desejos ou anseios enraizados em nossos sonhos. É viver cada instante da vida. É sentir ela fluindo pelo nosso ser. Nas palavras do poeta português Fernando Pessoa: “A vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.”
  44. 44. 45 Mais Concursos de Trovas com Inscrições Abertas XIV Concurso de Trovas do CTS/UBT CAICÓ-RN 2015 Prazo: 30 de junho de 2015 Tema Estadual (apenas residentes no Rio Grande do Norte): SOMBRA Coordenador: Wellington Freitas Rua: Renato Dantas, 33 - Caicó-RN CEP: 59300-000 Tema Nacional e Internacional para Língua Portuguesa: SEIVA Tema para "Novos Trovadores": "SEIVA” Coordenador: Djalma Alves da Mota Rua: José Eustáquio, 1330 - Bairro Paraíba- Caicó-RN CEP: 59300-000 Tema para Língua Española: MAR (virtual) Coordenadoras: Gislaine Canales e Cristina Oliveira Chaves. Prazo para recebimento: 30.06.2015. UMA TROVA por autor em todos os níveis. XXXV Concurso de Trovas da ATRN 2015 Prazo: 30 de junho de 2015TROVAS LÍRICAS E FILOSÓFICAS CONCURSO NACIONAL Tema: ANOITECER, coordenador José Lucas de Barros, Travessa Alda Ramalho Pereira, 1010, Tirol, Natal/RN, CEP 59014-602. CONCURSO ESTADUAL – Tema: RELÍQUIA, coordenador Flávio Roberto Stefani, Rua Otto Niemeyer, 2460, CEP 91910-001, Porto Alegre RS.
  45. 45. 46 CONCURSO PARA SÓCIOS CORRESPONDENTES – Tema: BRINQUEDO, coordenador Hélio Pedro Souza, rua Cel. Luciano Saldanha, 1740, bairro Capim Macio, Natal/RN, CEP 59078-390. CONCURSO PARA SÓCIOS EFETIVOS – Tema: LADEIRA, coordenador Mílton Souza, rua João Paris, 211, Porto Alegre/RS, CEP 91160-440. NORMAS ESPECIAIS: a) 2 (duas) trovas inéditas, por concorrente, para cada tema; b) Prazo para chegada das trovas: 30 de junho 2015; c) Sistema de envelopes; d) Endereçar as trovas aos coordenadores de cada concurso, colocando como remetente ADEMAR MACEDO; e) Admite-se o uso de cognatos para todos os temas. José Lucas de Barros, Presidente da Academia de Trovas do Rio Grande do Norte. Pirangi/Parnamirim/RN, 8 de março de 2015. Concurso de Trovas da UBT Natal 2015 Prazo: 30 de junho 2015 Trovas Líricas e Filosóficas CONCURSO NACIONAL Veteranos e Novos Trovadores Tema: AMANHECER Coordenador: FABIANO DE CRISTO GUIMARÃES WANDERLEY Av. Amintas Barros, 2393, Lagoa Nova, Natal/RN, CEP 59054-465. CONCURSO ESTADUAL Tema: LAÇO
  46. 46. 47 Coordenador: Thalma Tavares Rua México, 584 -Jardim das Américas 14200-00 - São Simão – SP NORMAS ESPECIAIS: a) 2 (duas) trovas inéditas, por concorrente, para cada tema; b) Prazo para chegada das trovas: 30 de junho 2015; c) Sistema de envelopes; d) Endereçar as trovas aos coordenadores de cada concurso, colocando como remetente ADEMAR MACEDO; e) Admite-se o uso de cognatos para todos os temas. FABIANO DE CRISTO GUIMARÃES WANDERLEY, Presidente da UBT NATAL/RN Natal, 8 de março de 2015.
  47. 47. 48 Nota sobre o Almanaque Este Almanaque é distribuído por e-mail e colocado nos blogs http://www.singrandohorizontes.blogspot.com.br e http://universosdeversos.blogspot.com.br Os textos foram obtidos na internet, em jornais, revistas e livros, ou mesmo colaboração do poeta. As imagens são montagens, cujas imagens principais foram obtidas na internet e geralmente sem autoria, caso contrário, constará no pé da figura o autor. Este Almanaque tem a intencionalidade de divulgar os valores literários de ontem e de hoje, sejam de renome ou não, respeitando os direitos autorais. Seus textos por normas não são preconceituosos, racistas, que ataquem diretamente os meios religiosos, nações ou mesmo pessoas ou órgãos específicos. Este almanaque não pode ser comercializado em hipótese alguma, sem a autorização de todos os seus autores.

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