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Uma Trova de Bandeirantes/PR
Maria Lúcia Daloce
Neste meu rosto enrugado,
outrora cheio de encantos,
teu perfil foi dese...
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Uma Trova de Saquarema/RJ
Charles de Oliveira Soares
Entre as montanhas de rocha,
no céu limpo de verão,
vejo o sol como...
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Um Poema de Belém/PA
Alonso Rocha
Soneto à mesma flor
Quando moço roubei na madrugada
do seio de uma flor recém-aberta
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Uma Haicai de São Paulo/SP
Alonso Alvarez
lua nublada
no alto da montanha
a solitária árvore
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Um Poe...
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crio meu próprio universo!...
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Um Poema de Belém/PA
Alonso Rocha
Poema do ultimo instante
( ao poeta...
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Um Poema de Belém/PA
Alonso Rocha
Minha prece
Por meu filho no dia da sua morte
(… para Ronaldo Alonso)
Ele era um pássa...
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Se a felicidade
Existe realmente
Ou é um sonho meu
Meu Deus não sei rezar
Perdoe, por favor
Perdi meu tempo aprendendo a...
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Sorve teu cálice antes que derrame
ninho vazio que o vento derrubou.
Porque quando eu cair num dia incerto
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Poemas para Cidades Brasileiras
Dorothy Jansson Moretti
Graças à Minha Cidade
(28 de agosto, aniversário de Itararé/SP)...
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– envelhecido pó – na tua lâmina.
E na visão da imagem refletida
em desespero e espanto me descubro
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Poeta eclético, não aprisionado a escolas e sem preconceito com qualquer forma de manifestação poética, Alonso Rocha fo...
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A igreja, as flores e o eleito;
ela de branco e eu tristonho:
– foi o cenário perfeito
para o enterro do meu sonho.
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Nas manhãs, num velho rito
(com o fim de protegê-las)
o Sol – pastor do infinito –
guarda o rebanho de estrelas.
Pelas ...
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Sempre que eu sonho na vida,
sou numa luta sem jaça
borboleta enlouquecida
batendo contra a vidraça.
Sem resposta que c...
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Millôr Fernandes
Versos à Imagem de Haicais
A caveira é bem rara
Pois não pensa nem fala:
Só encara.
A girafa, calada,
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É impudico
Só ter fortuna
O rico.
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A vida para mim
Já não é vital.
É meu conforto
Da vida só me tiram
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Menino chorando
As lágrimas no chão
Vai contando.
Meu dinheiro
Vem todo
Do meu tinteiro
Meu protesto
É só andar com pes...
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No hall escuro
o segurança
mata o inseguro.
Nos dias quotidianos
É que se passam
Os anos
Nunca esqueça:
A vida
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Pra ser feliz de verdade
É preciso encarar
A realidade.
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E não cumprir:
– Taí viver.
Probleminhas terrenos:
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Em 1935, também com 36 anos, falece sua mãe, o que faz com que os irmãos Fernandes passem a levar uma vida dificílima. ...
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programa foi transferido para a TV Tupi do Rio de Janeiro, com o título de “Treze lições de um ignorante” e suspenso po...
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Em 1983, é homenageado pela Escola de Samba Acadêmicos do Sossego, de Niterói (RJ). Millôr não comparece ao desfile. Pa...
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Aparício Fernandes
A Trova no Brasil
Trovas de Protesto
Com trovas também se protesta. Foi o que fiz certa
vez, penaliz...
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– São heroínas também,
como herói foi Tiradentes!
Ah! Que vergonha danada!
– Aí mesmo, em seu Estado,
já existe escola ...
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A situação é séria
e exige uma solução.
– Não deixemos na miséria
os esteios da nação!
Portanto, Governador,
pague às m...
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MENÇÕES HONROSAS:
Agenir Leonardo Victor (Maringá/PR)
Carlos Henrique Silva Alves (Senhor do Bonfim/BA)
Eulinda Barreto...
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Edmar Japiassu Maia (Nova Friburgo/RJ)
Josafá Sobreira da Silva (Rio de Janeiro/RJ)
Roberto Tchepelentyky (São Paulo/SP...
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Concurso Estadual (RS)
Tema: Treva (lírica/filosófica)
VENCEDORES:
1º lugar: Luiz Damo (Caxias do Sul)
2º lugar: Delcy ...
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MENÇÕES HONROSAS:
Cláudio Derli Silveira (Porto Alegre)
Doralice Gomes da Rosa (Porto Alegre)
Magnólia da Rosa (Porto A...
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MENÇÕES ESPECIAIS
1º Maria Helena Espinosa Mata / México
2º Hilda Augusta Schiavoni / Argentina
3º Maria Cristina Fervi...
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MENÇÕES ESPECIAIS
Alison Escobar Bitencourt
Douglas Barreto Centeno
Manoela Santos Muniz da Silva
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Chuva de versos com haicais e trovas de diversos trovadores do mundo.
O poeta e trovador homenageado é o mesmo, o falecido paraense Alonso Rocha, “Príncipe dos Poetas do Pará”.
Millor Fernandes com alguns versos à moda de haicais.
Aparício Fernandes, com a Trova no Brasil, fala sobre as Trovas de Protesto.
Resultado final de concursos de trovas, II Concurso Literário Foed Castro Chamma e XXIII Jogos Florais de Porto Alegre 2015.

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  1. 1. 2 Uma Trova de Bandeirantes/PR Maria Lúcia Daloce Neste meu rosto enrugado, outrora cheio de encantos, teu perfil foi desenhado no contorno dos meus prantos! ____________________ Uma Trova de Saquarema/RJ João Carvalho Neto Na aurora da juventude desperta o sol - é verão; mas, chegando o inverno rude, traz velhice ao coração. ____________________ Um Poema de Belém/PA Alonso Rocha Carta a um poeta Despoja-te do dorso em chamas se em tuas mãos a palavra – moeda de encantamento – em versos sangra. Não ocultes o teu rosto deixa-o duplicado no espelho da metáfora. Se – Lua em pedaços – o agora te destrói Deus sem braços reinventa o amanhã pois sonho é armadura embora armadilha. E se imensa a solidão grita a tua fome ao deserto porque se calas o silêncio te incendeia e te consome. ____________________ Uma Trova Humorística de Salvador/BA Hildemar Araújo Costa Jogador de muita raça, o compadre Zé Nozinho, ele fazia trapaça, mesmo jogando sozinho. ____________________
  2. 2. 3 Uma Trova de Saquarema/RJ Charles de Oliveira Soares Entre as montanhas de rocha, no céu limpo de verão, vejo o sol como uma tocha fenecer na imensidão. ____________________ Um Poema de Belém/PA Alonso Rocha Soneto à lua cheia Lua de celofane – lua amarga, a mensagem de amor que hoje me trazes rasga no coração como tenazes, essa dor que se alarga, que se alarga. Lua de gesso estéril, em tua carga, por não me decifrar, tu te comprazes, em ver que eu sou, em tons tristes, lilases, jogral de um circo azul, na noite larga. De sofrer já cansei, mas dizes: – “Ama!” e tua luz – espelho onde me encanto – na ante-manhã deserta, se derrama. Porém não creio mais no teu milagre; – quem teve tanto amor, odeia tanto; eu que fui vinho agora sou vinagre. ____________________ Uma Quadra Popular Autor Anônimo Ninguém viu o que eu vi hoje: – um macaco fazer renda, e também vi um peru caxeirando numa venda. Fonte: Azevedo,Teófilo de. Literatura popular do norte de Minas: a arte de fazer versos.São Paulo, Global Editora, 1978. Cultura Popular, 3. ____________________ Uma Trova Hispânica do México Sara Baca Vaca ( Angelina Sara ) El trino es música bella que nos transporta a la altura; es el fulgor de una estrella o de un bebé, la ternura. ____________________
  3. 3. 4 Um Poema de Belém/PA Alonso Rocha Soneto à mesma flor Quando moço roubei na madrugada do seio de uma flor recém-aberta uma gota de orvalho e como oferta a deixei em teus lábios, abrigada. Hoje, quando recordo (Oh! Doce Amada!) esse tempo de arroubo e descoberta uma saudade, trêmula, desperta e vem sangrar-me com a sua espada. Iguais a flor, também envelhecemos mas ao despetalar ainda trazemos almas unidas, mãos entrelaçadas, porque do amor a essência mais preciosa ( assim como o perfume de uma rosa) permanece nas pétalas secadas. ____________________ Trovadores que deixaram Saudades Antonio Bispo dos Santos São Cristóvão/SE (1917 – 2010) Niterói/RJ Meigo menino sem nome - alma e vida seminuas - devora o vinho da fome pelas adegas das ruas. ____________________ Uma Trova de Rio Novo/MG Eugenia Maria Rodrigues Esqueça o orgulho, a vaidade! Busque um mundo mais perfeito, que a semente da bondade pede espaço no seu peito ____________________ Uma Trova de Natal/RN Clarindo B. de Araújo O seu feitiço martela tanto meu peito magoado, que, na cruz nos braços dela eu já me sinto pregado!... ____________________
  4. 4. 5 Uma Haicai de São Paulo/SP Alonso Alvarez lua nublada no alto da montanha a solitária árvore ____________________ Um Poema de Belém/PA Alonso Rocha Soneto à jovem esposa Hoje eu te trago, em minhas mãos, guardada, a gota d’água – a pérola serena – que eu roubei de uma pálida açucena recém-aberta pela madrugada. Louco poeta que sou! (Oh! Doce Amada!) Em trazer-te essa dádiva pequena. Culpa as estrelas, culpa a cantilena do vento. E em nossa alcova penumbrada dormes. E nem percebes no teu sono que em teus lábios, fechados, abandono a lágrima de luz – um mundo pleno. Não despertes, ririas certamente se me visses beijando, ingenuamente, tua boca molhada de sereno. ____________________ Uma Trova de Orós/CE José Ferreira Lima Filho Artista sem pão na mesa, vou seguindo a multidão, cantando minha tristeza no palco da solidão... ____________________ Um Haicai de Curitiba/PR Delores Pires MUDANÇA Cheia de neblina a cidade, em verdade, foge da rotina. ____________________ Uma Trova de Fortaleza/CE Arimatéa Filho No vasto palco da ideia, malabarista do verso, aos aplausos da plateia,
  5. 5. 6 crio meu próprio universo!... ____________________ Um Poema de Belém/PA Alonso Rocha Poema do ultimo instante ( ao poeta José Guilherme, onde estiver) Havia o sonhador a mesa e os seus convivas. O pão infermentado fragmentado e o vinho das angústias. – Senhor! Afasta o cálice ( câncer sobre a carne) e a cruz dos sem-perdão. Deixa-me (ainda) repartir os peixes e os lírios de teus campos – dízimo deste encanto lobo que me devora. Atira sobre o poema o círculo perfeito e os dados da palavra. Derrama a chuva tua lança e os teus cravos na terra que semeio. Assim falava o Poeta enquanto o sol e outros deuses (os mortos esquecidos) com essência de mirra em seus turíbulos já perfumavam a pedra – altar para o seu corpo. ____________________ Uma Aldravia de Belo Horizonte/MG Marzo Sette Torres poesia concisa sintética precisa melódica havia ____________________ Uma Trova de Ananindeua/PA Cincinato P. Azevedo A vida é belo cenário no qual cumprimos a sina de rei, jogral, operário, e a morte cerra a cortina. ____________________
  6. 6. 7 Um Poema de Belém/PA Alonso Rocha Minha prece Por meu filho no dia da sua morte (… para Ronaldo Alonso) Ele era um pássaro, Senhor, cujas asas feriste antes do vôo. Ele era fonte e sufocaste o canto em sua garganta e pouca além da lágrima e do riso – como apelo ou mensagem – lhe deixaste. Ele era frágil, Senhor, e lhe enevoaste o entendimento e com agudos espinhos o pregaste tantos anos no seu leito. Até seus olhos, Senhor, – inquietos peixinhos coloridos – aprisionaste no reduzido aquário do seu quarto. Mas eu te louvo, Senhor, por Tua bondade quando lhe ensinaste a gritar a palavra “mãe” – única de sua boca – como sinal de angústia e como hino de amor. Hoje, Dá-me a beber, Senhor, o Vinho de Tua Paz na mesma taça de fel e sofrimento com que o premiaste, para que eu possa de joelhos celebrar contigo um retorno de um anjo ao Teu reinado! ____________________ Recordando Velhas Canções Se eu pudesse conversar com Deus (1970) Nelson Ned Eu hoje estou tão triste Eu precisava tanto conversar com Deus Falar dos meus problemas Também lhe confessar Tantos segredos meus Saber da minha vida E perguntar porque ninguém me respondeu
  7. 7. 8 Se a felicidade Existe realmente Ou é um sonho meu Meu Deus não sei rezar Perdoe, por favor Perdi meu tempo aprendendo a amar Alguém que nunca soube o que é o amor Eu sei que é impossível Mas eu queria tanto conversar com Deus Nestas horas tão tristes Só Deus me ajudaria A esquecer você Mas sei que estou errado Sou eu quem devo os meus problemas resolver Meu rosto está molhado De lágrimas cansadas De chorar por você Meu Deus não sei rezar Perdoe, por favor Perdi meu tempo aprendendo a amar Alguém que nunca soube o que é o amor. ____________________ Uma Trova de Natal/RN Clarindo Batista de Araújo Da nossa união frustrada resta um cenário de escombros, além de uma cruz pesada que ainda trago nos ombros. ____________________ Um Poema de Belém/PA Alonso Rocha Breve Tempo Se me queres amar ama-me nesta hora enquanto fruto dando-te a semente. Se te apraz me louvar louva-me agora quando do teu louvor vivo carente. Aprende a te doar antes que a aurora mude nas cores cinza do poente. Se precisas chorar debruça e chora hoje que o meu regaço é doce e quente. A vida é breve dança sobre arame.
  8. 8. 9 Sorve teu cálice antes que derrame ninho vazio que o vento derrubou. Porque quando eu cair num dia incerto parado o coração o olhar deserto nem mesmo eu saberei que já não sou. ____________________ Um Haicai de Boa Vista/RR Eliakin Rufino lua de maio prazer crescente no meu quarto ____________________ Uma Trova de Fortaleza/CE Leda Costa Lima No palco azul da memória, nós dois... sós... ainda temos lembrança da bela história da união... que nem vivemos... ____________________ Um Poema de Belém/PA Alonso Rocha Noturno canto Das papoulas da noite colho o espanto – chuva antes da Lua aparecer – e das gotas do orvalho teço o canto, mistura de cansaço e de sofrer. Na armadilha da aranha aceito o encanto ( macho prestes a amar e fenecer) e da ferida aberta flui-me o pranto – linfa de garça em vôo de se perder. Ninguém percebe como dói a espera – ave noturna, cais de pedra, fera – atalho de um caminho amargo e escuro. Então floresce o poema, essa oferenda, mais sombra do que luz, trapo que renda, flauta de amor de pássaro maduro. ____________________
  9. 9. 10 Poemas para Cidades Brasileiras Dorothy Jansson Moretti Graças à Minha Cidade (28 de agosto, aniversário de Itararé/SP) Itararé, que amo tanto, que me viste, pequenina, da brisa ao meigo acalanto, a correr pela campina, ou de teus rios num recanto, me envolver na espuma fina, ver o sol no eterno encanto ir descansar na colina… Segui sempre te querendo e extasiada estou vivendo a sublime maravilha de entre sonhos tão antigos ter IRMÃOS nos meus amigos, e me chamares de FILHA! Obs: declamada pela autora ao receber seu título de Cidadã Itarareense. ____________________ Uma Trova de Natal/RN Joamir Medeiros Nada em verdade supera este cenário de cores: - ver chegar a primavera cobrindo a terra de flores. ____________________ Um Poema de Belém/PA Alonso Rocha No espelho Da armadura do medo me desnudo o estandarte na mão, a flor no peito e enfrento, temerário, o cristal vivo de tua face – espelho onde me busco. Sou dócil ao teu poder e mel e seiva da boca se derramam em doce riso, como a rasgar a carne me entretenho para me alimentar de encantamento. Entrego-te meu rosto e o desfiguras e a máscara real pesada tomba
  10. 10. 11 – envelhecido pó – na tua lâmina. E na visão da imagem refletida em desespero e espanto me descubro na placenta da morte prisioneiro. Raimundo Alonso Pinheiro Rocha nasceu em Belém em 15 de dezembro de 1926 e morreu em 23 de fevereiro de 2010, filho do poeta Rocha Júnior e Adalgiza Guimarães Pinheiro Rocha. Foi casado com Rita Ferreira Rocha e pai de cinco filhos. Conhecido como príncipe os poetas, Raimundo ocupou a cadeira número 32 da Academia Paraense de Letras desde 22 de Novembro de 1996, participou da diretoria da Academia desde o ano de 1996, ininterruptamente, com mandato até 2010. Por profissão, trabalhou como bancário, atuando também no sindicalismo no período de 1954 a 1976, tendo sido diretor do Sindicato dos Bancários do Pará e membro-fundador da Federação dos Bancários do Norte-Nordeste. Foi o IV Príncipe dos Poetas do Pará, escolhido após consulta a um colégio eleitoral constituído de 200 personalidades integr antes dos círculos culturais, científicos e sociais do Estado, pessoas essas ligadas às artes e selecionadas p or uma comissão especial formada pelos escritores Georgenor de Sousa Franco Filho, Pedro Tupinambá, Victor Tamer e Albelardo Santos. O resultado de votação através de voto assinado foi apurado em 1987, tendo recebido na sessão solene de 21 de julho de 1989 (sesquicentenário de Machado de Assis) a comenda de 35 gramas de ouro, oferecida pelo governo do Estado do Pará. Na adolescência, em 1942, fundou a Academia dos Novos em companhia de Jurandyr Bezerra, Max Martins e Antônio Comaru Leal. Ao grupo vieram juntar-se jovens intelectuais da época, como Benedito Nunes, Haroldo Maranhão, Leonan Cruz, Raimundo Melo, Fernando Tasso de Campos Ribeiro, Arnaldo Duarte Cavalcante, Gelmirez Melo, Edmar Souza, Benedito Pádua, Otávio Blatter Pinho, Antero Soeiro, Eduálva ro Hass Gonçalves, Alberto Bordalo e Lúcia Clairefort Seguin Dias. Seu livro de poesias Pelas Mãos do Vento, obteve os prêmios Vespasiano Ramos (1954) da Academia Paraense de Letras e Santa He lena Magno (1955) do governo do Estado do Pará. Em (2004) foi presidente (por 4º. Mandato) da União Brasileira de Trovadores – seção Belém, tendo promovido em 1997 o I Jogos Florais de Belém, bem como o XIII Concurso nacional de Trovas no ano de 2002/Belém -Pará. A trova, forma poética que cultivou somente há pouco tempo, proporcionou a Alonso Rocha inúmeras vitórias em Jogos Florais e concursos pelo Brasil, notadamente no Pará, no Ceará, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Norte e Rio Grande do S ul. Como sonetista, foi apontado como um dos melhores dos últimos tempos e um dos maiores dos últimos 50 anos do Pará. Malba Tahan, no livro A Lua (editora Luz, Rio, 1955) publicou o seu soneto à “Lua Cheia” e o classificou como “autêntico Príncipe da Poesia Contemporânea. Alonso Rocha queera sócio-correspondente das: “Academia Norte Rio-Grande de Letras, Academia Municipalista de Letras do Brasil, Academia Sete - Lagoana de Letras, Academia Eldoradense de Letras, do Cenáculo Brasileiro de Letras e Artes, sócio honorário da Academia Piau iense de Letras e cidadão honorário do Município de Marapanim-PA.
  11. 11. 12 Poeta eclético, não aprisionado a escolas e sem preconceito com qualquer forma de manifestação poética, Alonso Rocha foi dinâ mico colaborador da gestão e representatividade da Academia Paraense de Letras. Sua derradeira participação em atividades literárias aconteceu em 2009 em Belém representando a Academia Paraense de Letras c omo Júri do II Prêmio AP de Literatura, da Assembléia Paraense. Recebeu vários troféus, medalhas e diplomas, resultantes de cert ames poético como: 1º. Lugar no concurso promovido pelo jornal “A Província do Pará” e Prefeitura Municipal de Belém (1961); 2° Concurso do Norte e Nordeste de Poesia, patrocinado pelo jornal “Folha do No rte”; Palma de Ouro e Palma de Bronze, no concurso Poetas do Mundo Lusíada da Academia de Poemas de Massachusetts (Estados Unidos da América -1987); Medalha de Bronze, no concurso Evolução da Cultura Brasileira, na segunda metade do século XX, do Cenáculo Brasileiro de Letras e Artes (Rio de Janeiro, 1933); 1º. Lugar, por unanimidade, do 1º. Concurso Nacional de Poesia do Clube dos Magistrados do Rio de Janeiro (1997) e honrosas c lassificações em concurso de sonetos em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de janeiro; Medalha condecorativa José Veríssimo; Medal has culturais Olavo Bilac, Paulino de Brito, Dr. Acylino de Leão, D. Pedro I; Centenário do Teatro da Paz; Bicentenário da Igreja São João Batista; Centenário d a Fundação da Biblioteca e Arquivos Públicos do Pará, conferidos pelo governo do Estado do Pará; Conselho de Cultura do Pará e Academia Paraense de Letras; Medalha Olavo Bilac, do Cenáculo Brasileiro de Letras e Artes; Medalha condecorativa da Academia Municipalista de Letras do Brasil e Diplom a de Honra ao Mérito do Instituto de Educação do Pará. Livros Publicados "Pelas Mãos do Vento" (poesia) 1955; e "Bruno de Menezes" ou a Sutileza da Transição (Ensaio ao lado de Célia Coelho Bassalo , J. Arthur Bogéa, João Carlos Pereira e Joaquim Inojosa) 1994, "O Tempo e o Canto" (poesia) 2009. Fonte: Academia dos Poetas Paraenses
  12. 12. 13
  13. 13. 14 A igreja, as flores e o eleito; ela de branco e eu tristonho: – foi o cenário perfeito para o enterro do meu sonho. Ao lembrar que o teu brinquedo é decifrar-me, sorrio... - De nada vale o segredo de um velho cofre vazio. Ao teu "fogo" sou submisso (mesmo sabendo quem és) e me basta esse "feitiço" para que eu viva a teus pés. Cabelos brancos da idade, recolho do poço limpo a única joia - a saudade - que me restou do garimpo. Dei conforto em hora aguda a tantos (que nem mais sei), mas na dor só tive ajuda de mãos que nunca ajudei. De uma paixão incontida, o tempo – insano juiz – pode curar a ferida mas nos deixa a cicatriz. Em silêncio os cinco dedos da minha mão de aprendiz, guardam íntimos segredos das trovas que eu nunca fiz. Em sofrer minha alma insiste, mesmo sabendo, também, que a dor da espera é mais triste se não se espera ninguém... Louco artista é o trovador, que o sofrimento renova quando exibe a própria dor no palco de sua trova. Não desistas nem te dobres se o teu trabalho é perdido, pois nos garimpos dos pobres há sempre um veio escondido.
  14. 14. 15 Nas manhãs, num velho rito (com o fim de protegê-las) o Sol – pastor do infinito – guarda o rebanho de estrelas. Pelas leis da natureza, sem ouro e glória vivemos; porém, com toda certeza, nós, sem água, morreremos. Poesia, como eu entendo, é milagre de escrever... Quase dizer, não dizendo... ou não dizendo...dizer! Por esse amor insensato eu sei que o céu me condena, mas a escolha do meu ato eu troco por qualquer pena. Por que tanto preconceito, cobiça, orgulho e ambição, se os homens só têm direito a sete palmos do chão? Quando, ao luar, nadas nua e os teus brancos seios vejo, sangra, ao feitiço da lua, o açude do meu desejo. Quando já idoso e grisalho te abraças numa paixão, o tempo é o roto espantalho que te afugenta a razão. Quando o sofrer é infinito e a vida nos deixa a sós, ao sufocarmos o grito, grita o silêncio por nós. Quem se julga eterno herdeiro de um mundo farto e bizarro, esquece que Deus - o Oleiro - cobra o retorno do barro. Se em noite de Lua cheia rolas em doce arrepio, de certo um boto vagueia na preamar de teu cio.
  15. 15. 16 Sempre que eu sonho na vida, sou numa luta sem jaça borboleta enlouquecida batendo contra a vidraça. Sem resposta que conforte, dúvida imensa me corta: – Qual o segredo da morte? Fim? Partida? Porto? Porta? Sobra do amor, rarefeita, e tudo o que me restou, a ternura é a flor que enfeita o jarro triste que eu sou. Tu partiste: em penitência, sem pranto que me conforte, eu sinto na dor da ausência tua presença mais forte. ____________________
  16. 16. 17 Millôr Fernandes Versos à Imagem de Haicais A caveira é bem rara Pois não pensa nem fala: Só encara. A girafa, calada, Lá de cima vê tudo E não diz nada. À nossa vida A morte alheia Dá outra partida. A palmeira e sua palma Ondulam o ideal Da calma. A vida é um saque Que se faz no espaço Entre o tic e o tac. Coisa rara: Teu espelho Tem a minha cara. Com que grandeza Ele se elevou Às maiores baixezas! Com pó e mistério A mulher ao espelho Retoca o adultério. Democracia é um espeto! Pra mim, é preto no branco Pra ele, é branco no preto. Diz-me de quem sais, Grito-te meus ais - Somos hai-kais iguais.
  17. 17. 18 É impudico Só ter fortuna O rico. Eis o meu mal A vida para mim Já não é vital. É meu conforto Da vida só me tiram Morto. Envelhecido, cheio de saudade Ando na multidão Sempre da mesma idade. E o medo que mete Esse espelho Que não reflete? Esnobar É exigir café fervendo E deixar esfriar. É tudo natural: A galinha - poedeira O galo - teatral. Eu vim com pão, azeite e aço; Me deram vinho, apreço, abraço: O sal eu faço. Exótico, O xale da velha Na jovem é apoteótico Fiquei bom da vista! Depressa, Um oculista! Há colcha mais dura Que a lousa Da sepultura? Lá está o magistrado Com seu ar De injustiçado. Maravilha sem par A televisão Só falta não falar. Meio-dia e as sombras somem. Eis uma escondida Embaixo do homem.
  18. 18. 19 Menino chorando As lágrimas no chão Vai contando. Meu dinheiro Vem todo Do meu tinteiro Meu protesto É só andar com pessoas Que detesto. Morta, no chão, A sombra É uma comparação. Morto de ciúme Sob a luz da lua Vaga- lume lume. Nada tem nexo. Tudo é apenas Um reflexo. Não esmaguem a barata Sua nojeira É inata. Na penumbra, a sós. Quando a luz se acende Já não somos nós. Na poça da rua O vira-lata Lambe a Lua. Nas pistas Aviões cheios De arrivistas. Na vida, o gozado É que nem o palhaço É engraçado. No aeroporto cheio eu filo o adeus alheio. No aeroporto, puxa-sacos Se despedem De velhacos. No ai Do recém-nascido A cova do pai.
  19. 19. 20 No hall escuro o segurança mata o inseguro. Nos dias quotidianos É que se passam Os anos Nunca esqueça: A vida Também perde a cabeça. Nunca tive medo, gente, Se, onde há perigo, Alguém vai na frente. O cético sábio Sorri Só com um lábio. O hai-kai, Descobri noutro dia, É o orvalho da poesia. O inacreditável é crível Mas o impossível Não é possível. O irmão siamês É um invento Chinês. Olha, Entre um pingo e outro A chuva não molha. O pato, menina, É um animal Com buzina. O veludo Tem um perfume Mudo. Passeio aflito; Tantos amigos Já granito. Pensa o outro lado: Só quem tem fama É difamado. Por fim se descobriu; O soldado desconhecido É um civil.
  20. 20. 21 Pra ser feliz de verdade É preciso encarar A realidade. Prometer E não cumprir: – Taí viver. Probleminhas terrenos: Quem vive mais Morre menos? Santo de verdade: Um egoísta Da generosidade. Será que o doutor Cobra pela cura Ou cobra a dor? Tem cautela; – Ajuda o sol Com uma vela. Usucapião É contemplar as nuvens Do próprio chão. Vê-se, pelo trajar, Que seu estado civil É militar. Viva o Brasil Onde o ano inteiro É primeiro de abril. Milton Viola Fernandes, filho de Francisco Fernandes e de Maria Viola Fernandes, Millôr Fernandes nasceu no dia 16 de agosto de 1923 no Méier, subúrbio do Rio de Janeiro. Só seria registrado no ano seguinte, tendo como data oficial de nascimento o dia 27 de maio de 1924. Sua certidão de nascimento, grafada à mão, fazia crer que seu nome era Millôr e não Milton. Seu pai, engenheiro emigrante da Espanha, morre em 1925, com apenas 36 anos. A família começa a passar por dificuldades e sua mãe passa horas em frente a uma máquina de costura para poder sustentar os 4 filhos. Apesar do aperto, o autor teve uma infância feliz, ao lado de 10 tios, 42 primos e primas e da avó italiana D. Concetta de Napole Viola. Estuda na Escola Ennes de Souza, de 1931 a 1935, por ele chamada de Universidade do Meyer, mas que na verdade era uma escola pública. A chegada ao Brasil das histórias em quadrinhos, em 1934, faz de Millôr um leitor assíduo dessas publicações, em especial de Flash Gordon, de autoria de Alex Raymond, e, com isso, dar vazão á sua criatividade. Sob a influência de seu tio Antônio Viola, tem seu primeiro trabalho publicado em um órgão da imprensa — "O Jornal", do Rio de Janeiro, tendo recebido o pagamento de 10 mil reis por ele. Era o início do profissionalismo, adotado e defendido para sempre.
  21. 21. 22 Em 1935, também com 36 anos, falece sua mãe, o que faz com que os irmãos Fernandes passem a levar uma vida dificílima. Essa coincidência de datas leva Millôr a escrever um conto, "Agonia", publicado na revista "Cigarra" em janeiro de 1947, onde afirmava: "Tenho dia e hora marcada pa ra me ir e o acontecimento se dará por volta de 1959". A morte da mãe o leva a morar em Terra Nova, subúrbio próximo ao Méier. Trabalha, em 1938, entregando o remédio para os rins "Urokava" em farmácias e drogarias. Durou pouco esse emprego. Logo vai ser contínuo, repaginador, factótum, na pequena revista "O Cruzeiro", que nessa época tinha, além de Millôr, mais dois funcionários: um diretor e um paginador. Com o pseudônimo "Notlim" ganha um concurso de crônicas promovido pela revista "A Cigarra". Com isso, é promovido e passa a trabalhar no arquivo. O cancelamento de publicidade em quatro páginas de "A Cigarra" fez com que fosse chamado por Frederico Chateaubriand para preencher as páginas que ficaram em branco. Cria, então, o "Poste Escrito", onde assinava-se Vão Gôgo. O sucesso da seção faz com que ela passe a ser fixa. Com o mesmo pseudônimo, começa a escrever uma coluna no "Diário da Noite". Assume a direção de "A Cigarra", cargo que ocuparia por três anos. Dirigiu também "O Guri", revista em quadrinhos e "Detetive", que publicava contos policiais. Ciente da necessidade de se aprimorar, estuda no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro de 1938 a 1943. Em 1940, muda-se para o bairro da Lapa, centro da cidade, e passa a morar próximo a Alceu Pena, seu colega em "O Cruzeiro". Colabora na seção "As garotas do Alceu" como colori sta e versejador. Autodidata, faz sua primeira tradução literária: "Dragon seed", romance da americana Pearl S. Buck, com o título "A estirpe do dragão", em 1942. No ano seguinte retorna, com Frederico Chateaubriand e Péricles, à revista "O Cruzeiro". Em dez anos, a tiragem foi um grande êxito editorial, passando de 11 mil para mais de 750 mil exemplares semanais. Em 1945, inicia a publicação de seus trabalhos na revista "O Cruzeiro", na seção "O Pif-Paf", sob o pseudônimo de Vão Gôgo e com desenhos de Péricles. No ano seguinte lança "Eva sem costela — Um livro em defesa do homem", sob o pseudônimo de Adão Júnior. Sua colaboração para "O Cruzeiro", em 1947, atinge a marca de dez seções por semana. Em 1948 viaja aos Estados Unidos, onde encontra-se com Walt Disney, Vinicius de Moraes, o cientista César Lates e a estrela Carmen Miranda. Casa-se com Wanda Rubino. Publica "Tempo e Contratempo", com o pseudônimo de Emmanuel Vão Gôgo, em 1949. Assina seu primeiro roteiro cine matográfico, "Modelo 19". O filme, lançado com o título "O amanhã será melhor", ganha cinco prêmios Governador do Estado de São Paulo. Millôr é agraciado com o de melhores diálogos. Em 1951, na companhia de Fernando Sabino, viaja de carro pelo Brasil, durante 45 dias. Lança a revista semanal "Voga", que teve apenas cinco números. Viaja pela Europa por quatro meses, em 1952. "Uma mulher em três atos", sua primeira peça, estréia no Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo (SP), em 1953. No ano seguinte, compra o imóvel que se tornaria famoso — "a cobertura do Millôr", no bairro de Ipanema. Nasce seu filho Ivan. Em 1955, divide com o desenhista norte-americano Saul Steinberg o primeiro lugar da Exposição Internacional do Museu da Caricatura de Buenos Aires, Argentina. Escreve “Do tamanho de um defunto”, que estreou no Teatro de Bolso (Rio) e, depois, adaptado pelo próprio autor para o cinema, tendo o filme o título de “Ladrão em noite de chuva”. Nesse ano escreve “Bonito como um deus”, que estréia no Teatro Maria Della Costa, em São Paulo (SP), e ainda “Um elefante no caos” e “Pigmaleoa”. Em 1956, passa a ilustrar todos os seus textos publicados na revista "O Cruzeiro". No ano de 1957, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro recebe exposição individual do biografado. Realiza a cenografia de “As guerras do alecrim e da manjerona”. Esse trabalho foi premiado pelo Serviço Nacional de Teatro no ano de 1958. Nesse ano, conclui a primeira tradução teatral: “Good people”, então intitulada “A fábula de Brooklin — Gente como nós”. Fez parte do grupo que "implantou" o frescobol no posto 9, Ipanema, Rio de Janeiro. Escreve o roteiro de “Marafa”, a partir do romance homônimo de Marques Rebello. Em 1959. No mesmo ano, apresenta na TV Itacolomi, de Belo Horizonte, a convite de Frederico Chateaubriand, uma série de programas intitulada “Universidade do Méier”, na qual desenhava enquanto fazia comentários. Posteriormente, o
  22. 22. 23 programa foi transferido para a TV Tupi do Rio de Janeiro, com o título de “Treze lições de um ignorante” e suspenso por orde m do governo Juscelino Kubitschek após uma crítica à primeira dama do país: Disse Millôr: "Dona Sarah Kubitschek chegou ontem ao Brasil depois de 5 meses de viagem á Europa e foi condecorada com a Ordem do Mérito do Trabalho." Nasce sua filha, Paula. Nos anos seguintes, já integrado á intelectualidade carioca, convive com Péricles, criador de "O Amigo da Onça", Nelson Rodrigues, David Nasser, Jean Manson, Alfredo Machado, Fernando Chateaubriand, Emil Farhat e Accioly Netto, entre outros. Em 1960, depois de resolvidos os problemas com a censura, estréia no Teatro da Praça, no Rio, ”Um elefante no caos”. O título original da peça era “Um elefante no caos ou Jornal do Brasil ou, sobretudo, Por que me ufano do meu país” rendeu a Millôr o prêmio de “Melhor Autor” da Comissão Municipal de Teatro. O filme “Amor para três”, com roteiro do biografado, baseado em “Divórcio para três”, de Victorien Sardou. Expõe, em 1961, desenhos na Petit Galerie, no Rio. Viaja ao Egito e retorna antes do previsto, tendo em vista a renúncia do presidente Jânio Quadros. Trabalha por 7 dias no jorna l "Tribuna da Imprensa", Rio, que mais tarde pertenceu a seu irmão Hélio Fernandes. Foi demitido por ter escrito um artigo sobre a corrupção na imprensa. Os editores, o poeta Mário Faustino e o jornalista Paulo Francis pediram também demissão em solidariedade. No ano seguinte, na edição de 10 de março de “O Cruzeiro”, “demite” Vão Gôgo e passa a assinar Millôr. A Amstutz & Herder Graphic Press, importante publicação de Zurique, dedica uma página de seu anuário ao autor. “Pigmaleoa” é apresentada, no Teatro Rio. Em 1963, escreve a peça teatral “Flávia, cabeça, tronco e membros”. Viaja a Portugal e, durante sua ausência, a revista “O Cruzeiro” publica editorial no qual se isenta de responsabilidade pela publicação de “História do Paraíso”, que obteve repercussão negativa por parte dos leitores católicos da revista. Millôr deixa a revista e começa a trabalhar no jornal “Correio da M anhã”, ficando até o ano seguinte. A partir de 1964, e até 1974, colabora semanalmente no jornal Diário Popular, de Portugal. A página mereceria o seguinte comentário de um ministro de Salazar: "Este tem piada, pena que escreva tão mal o português". Lança a revista “Pif-Paf”, considerada o início da imprensa alternativa no Brasil. Foi fechada em seu oitavo número, por problemas financeiros. Volta à TV, em 1965, como apresentador na TV Record, ao lado de Luis Jatobá e Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), do “Jornal de Vanguarda”. “Liberdade liberdade” estréia no Teatro Opinião, no Rio, musical escrito em parceria com Flávio Rangel. Composta pelo biografado, a canção “O homem” é defendida no II Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record, por Nara Leão, em 1966. Monta, ao ar livre, no Largo do Boticário, Rio, só com atores negros, sua adaptação de “Memórias de um sargento de milícias”. Em 1968 passa a colaborar com a revista “Veja”. No ano seguinte, participa do grupo fundador de “O Pasquim”. Lança o livro “Esta é a verdadeira história do Paraíso” e também “Trinta anos de mim mesmo”, numa sessão de autógrafos denominada “Noite da contra- incultura”. Em 1975, faz exposição de 25 quadros “em branco, mas com significado”, na Galeria Grafitti, no Rio. No ano seguinte, escreve para Fernanda Montenegro a peça “?..”, que se tornou o grande sucesso teatral de Millôr ao ser encenada no Teatro Maison de France, no Rio. Em 1977, realiza nova exposição de seus trabalhos no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Estréia no Teatro dos Quatro, Rio, a peça “Os órfãos de Jânio”, em 1980. O ano de 1982 é de muito trabalho. O autor escreve e publica a peça “Duas tábuas e uma paixão”. Traduz a opereta “A viúva alegre”, de Franz Lear, apresentada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. “A eterna luta entre o homem e a mulher”, no Teatro Clara Nunes – Rio. Escreve a adaptação de “A chorus line”. Estréia “Vidigal: Memórias de um sargento de milícias”. São dele, nessa peça, os cenários, figurinos e letras, escreve e representa o espetáculo “O gesto, a festa, a mensagem”, na TV Record de São Paulo. Deixa a revista “Veja”.
  23. 23. 24 Em 1983, é homenageado pela Escola de Samba Acadêmicos do Sossego, de Niterói (RJ). Millôr não comparece ao desfile. Passa a colaborar com a revista “Isto é”. Lança “Poemas”, em 1984. Estréia o musical “O MPB4 e o dr. Çobral vão em busca do mal”. No ano seguinte, colabora com o Jornal do Brasil. Lança o “Diário da Nova República”. É montada a peça “Flávia, cabeça, tronco e membros” no Teatro Ginástico – Rio. Passa a usar o computador para escrever e desenhar, em 1986. Escreve, com Geraldo Carneiro e Gilvan Pereira, o roteiro do filme “O judeu”, baseado na vida de António José da Silva,concluído em 1995. No ano seguinte, lança “The cow went to the swamp / A vaca foi para o brejo”. Deixa a revista “Isto é “ e o Jornal do Brasil, em 1992. No ano de 1994, lança “Millôr definitivo — A bíblia do caos”. Escreve a peça “Kaos”, Adapta para a Rede Globo “Memórias de um sargento de milícias”. A partir de um argumento de Walter Salles, escreve o roteiro “Últimos diálogos”, em 1995. Em 1996, passa a colaborar nos jornais “O Dia” (RJ), “O Estado de São Paulo” (SP) e “Correio Braziliense” (DF). Neste último, trabalharia somente até o fim do ano. Em 1998, em parceria, assina o roteiro de “Mátria”. No ano seguinte, começa a adaptar “Os três mosqueteiros”, de Dumas, para o formato de musical, trabalho que não chegou a ser concluído. Em 2000, escreve o roteiro de “Brasil! Outros 500 — Uma Pop Ópera”, que teve sua estréia no Teatro Municipal de São Paulo. Deixa de colaborar com “O Estado de São Paulo” e “O Dia”. Passa a colaborar com coluna semanal na “Folha de São Paulo”. Lança o site “Millôr On Line” (http://www.millor.com.br). No ano seguinte, deixa a “Folha de São Paulo” e volta ao “Jornal do Brasil”. Em 2002, publica “Crítica da razão impura ou O primado da ignorância”, em que analisa as obras “Brejal dos Guajas e outras histórias”, de José Sarney, e “Dependência e desenvolvimento na América Latina, de Fernando Henrique Cardoso. Deixa de colaborar, em novembro, com o “Jornal do Brasil”. Em 2003, ilustra “O menino”, volume de contos de João Uchoa Cavalcanti Netto, e faz cem desenhos para uma nova compilação das “Fábulas fabulosas”. Em 2004, lança pela Editora Record, “Apresentações”. Em meados de agosto de 2004 é anunciado seu retorno às folhas da revista semanal “Veja”, a partir de setembro daquele ano. Millôr faleceu no dia 27 de março de 2012, em casa, no bairro de Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro. Fontes: Livros do autor, Internet, CD "Em busca da Imperfeição", de 1999, produzido pela Neder & Associados e “Cadernos de Literatura Brasileira– Instituto Moreira Salles.
  24. 24. 25 Aparício Fernandes A Trova no Brasil Trovas de Protesto Com trovas também se protesta. Foi o que fiz certa vez, penalizado com a situação das professoras mineiras que, além de receberem (no caso seria melhor dizer “não receberem”) um salário ridículo, ainda se viam sujeitas a vexames devido ao atraso sistemático, às vezes de muitos meses, no tocante ao recebimento de sua raquítica remuneração. Vai daí, enderecei ao então Governador Israel Pinheiro, o seguinte protesto: Ilustre Governador Doutor Israel Pinheiro, peço vênia para expor um drama que é bem mineiro. Talvez não tenham levado até seu conhecimento que as professoras do Estado não recebem pagamento. Sim porque, desde janeiro, (meu Deus, como o tempo passa!) as mestras, sem ver dinheiro, vão trabalhando de graça… Essas moças estudaram, são cheias de idealismo, e o que sabem propagaram, dando lições de civismo! Aguentam alunos burros, que nem Jó aguentaria, e suportam pais casmurros e mães com “filholotria”. Um ano vai, outro vem, elas sempre sorridentes…
  25. 25. 26 – São heroínas também, como herói foi Tiradentes! Ah! Que vergonha danada! – Aí mesmo, em seu Estado, já existe escola fechada por atraso de ordenado! Quanto mais Minas precisa de cultura e de instrução, vemos pobres professoras morrendo de inanição! Mas há manobras manhosas na sua filosofia: – as classes mais poderosas sempre recebem em dia… E enquanto o ensino se afoga, vai crescendo a cretinice. – Será que o Senhor advoga o incremento da burrice? Não é que eu queira impedir gestões governamentais: – o senhor há de convir que já foi longe demais… Na justiça eu me regulo, não fujo dessa premissa. Por isso é que eu fico fulo quando vejo uma injustiça! A professora primária merece todo respeito: – solte esta verba ordinária a que elas já têm direito! Analisando a questão, com muita filosofia, eu vejo a contradição nesta tremenda ironia: “Israel” é tradição de sucesso financeiro. E o seu sobrenome, então, até rima com dinheiro! Além disso, governando as minas que são gerais, o senhor está zombando de quem esperou demais…
  26. 26. 27 A situação é séria e exige uma solução. – Não deixemos na miséria os esteios da nação! Portanto, Governador, pague às moças sem demora. Ou então faça um favor: – renuncie e dê o fora!… Fonte: Aparício Fernandes. A Trova no Brasil: história & antologia. Rio de Janeiro/GB: Artenova, 1972 XXIII Jogos Florais de Porto Alegre 2015(Trovas) Concurso Nacional Categoria Novos Trovadores Tema: Vida VENCEDORES: 1º lugar: Clóvis Wilson Mattos Andrade (Senhor do Bonfim/BA) 2º lugar: Clóvis Wilson Mattos Andrade (Senhor do Bonfim/BA) 3º lugar: Luzia Brisolla Fuim (São Paulo/SP)
  27. 27. 28 MENÇÕES HONROSAS: Agenir Leonardo Victor (Maringá/PR) Carlos Henrique Silva Alves (Senhor do Bonfim/BA) Eulinda Barreto Fernandes (Bauru/SP) MENÇÕES ESPECIAIS: Ana Cristina Schmidt da Silva (Brusque/SC) Luzia Brisolla Fuim (São Paulo/SP) Marília Oliveira (Porto Alegre/RS) Concurso Nacional/Internacional Tema: Luz VENCEDORES: 1º lugar: Vanda Alves da Silva (Curitiba/PR) 2º lugar: José Gilberto Gaspar (São Bernardo do Campo/SP) 3º lugar: Olympio da Cruz Simões Coutinho (Belo Horizonte/MG) 4º lugar: Luiz Poeta (Rio de Janeiro/RJ) 5º lugar: José Ouverney (Pindamonhangaba/SP) MENÇÕES HONROSAS: J. B. Xavier (São Paulo/SP) Relva do Egypto Rezende Silveira (Belo Horizonte/MG) Sandro Pereira Rebel (Niterói/RJ) Selma Patti Spinelli (São Paulo/SP) Wanda de Paula Mourthé (Belo Horizonte/MG) MENÇÕES ESPECIAIS: Ailto Rodrigues (Nova Friburgo/RJ) Antonio Augusto de Assis (Maringá/PR)
  28. 28. 29 Edmar Japiassu Maia (Nova Friburgo/RJ) Josafá Sobreira da Silva (Rio de Janeiro/RJ) Roberto Tchepelentyky (São Paulo/SP) Vanda Fagundes Queiroz (Curitiba/PR) Concurso Nacional/Internacional Tema: Sombra VENCEDORES: 1º lugar: Wanda de Paula Mourthé (Belo Horizonte/MG) 2º lugar: Edmar Japiassu Maia (Nova Friburgo/RJ) 3º lugar: Ercy Maria Marques de Faria (Bauru/SP) 4º lugar: Ercy Maria Marques de Faria (Bauru/SP) 5º lugar: Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho (Juiz de Fora/MG) MENÇÕES HONROSAS: Arlindo Tadeu Hagen (Juiz de Fora/MG) Campos Sales (São Paulo/SP) José Ouverney (duas) (Pindamonhangaba/SP) Lucília Alzira Trindade de Carli (Bandeirantes/PR) MENÇÕES ESPECIAIS: Antonio Colavite Filho (Santos/SP) Austregésilo de Miranda Alves (Senhor do Bonfim/BA) Dari Pereira (Maringá/PR) Josafá Sobreira da Silva (Rio de Janeiro/RJ) Sérgio Ferraz dos Santos (Nova Friburgo/RJ)
  29. 29. 30 Concurso Estadual (RS) Tema: Treva (lírica/filosófica) VENCEDORES: 1º lugar: Luiz Damo (Caxias do Sul) 2º lugar: Delcy Canalles (Porto Alegre) 3º lugar: Lisete Johnson (Porto Alegre) 4º lugar: Milton Souza (Porto Alegre) 5º lugar: Ialmar Pio Schneider (Porto Alegre) MENÇÕES HONROSAS: Alice Brandão (Caxias do Sul) Amália Marie Gerda Bornhein (Caxias do Sul) Clênio Borges (Porto Alegre) Flávio Roberto Stefani (Porto Alegre) Neoly de Oliveira Vargas (Sapucaia do Sul) MENÇÕES ESPECIAIS: Delcy Canalles (Porto Alegre) Gislaine Canales (Porto Alegre) Ialmar Pio Schneider (Porto Alegre) Luiz Damo (Caxias do Sul) Zélia de Nardi (Caxias do Sul) Concurso Estadual (RS) Tema: Brilho (humorística) VENCEDORES: 1º lugar: Milton Souza (Porto Alegre) 2º lugar: Luiz Machado Stábile (Uruguaiana) 3º lugar: Milton Souza (Porto Alegre) 4º lugar: Magnólia da Rosa (Porto Alegre) 5º lugar: Luiz Machado Stabile (Uruguaiana)
  30. 30. 31 MENÇÕES HONROSAS: Cláudio Derli Silveira (Porto Alegre) Doralice Gomes da Rosa (Porto Alegre) Magnólia da Rosa (Porto Alegre) Lisete Johnson (Porto Alegre) Neoly de Oliveira Vargas (Sapucaia do Sul) MENÇÕES ESPECIAIS: Cláudio Derli Silveira (Porto Alegre) Lisete Johnson (Porto Alegre) Maria Dornelles (Itapuã) Neoly de Oliveira Vargas (duas) (Sapucaia do Sul) Concurso Internacional em Língua Hispânica Tema: Luz VENCEDORAS: 1º Dioselina Yvaldy de Sedas/ Panamá 2º Mirta Lilian Cordido / Argentina 3º Cristina Olivera Chávez / México-USA 4º Mirta Lilian Cordido / Argentina 5º Dioselina Ivaldy de Sedas / Panamá MENÇÕES HONROSAS 1º Maria Helena Espinosa Mata / México 2º Jaime Solis Robledo / México 3º Carlos E. Rodriguez Sanchez / Venezuela- USA 4º Irene Mercedes Aguirre / Argentina 5º Marta Senovia Velasquez Vélez / Colombia
  31. 31. 32 MENÇÕES ESPECIAIS 1º Maria Helena Espinosa Mata / México 2º Hilda Augusta Schiavoni / Argentina 3º Maria Cristina Fervier / Argentina 4º Rene B. Arriaga Del Castillo / México 5º Carlos Imaz Alcaide / França Concurso Estudantil Tema: Claridade (Lírica/Filosófica) (Para alunos, professores e colaboradores da PUC) VENCEDORAS 1º lugar: Lúcia Barcelos 2º lugar: Maria Carolina da Cunha 3º lugar: Francisco Alberto Rheingantz Silveira MENÇÕES HONROSAS Eva Alda Cavasotto Maria Carolina da Cunha Marina Dani Gomes Concurso Estudantil Tema: Som (Lírica/Filosófica) VENCEDORAS 1º lugar: Fernanda Santos Acunha 2º lugar: Jenifer Janice Pereira Vergueiro 3º lugar: Thiago Roque da Silva MENÇÕES HONROSAS Charles Benhur Júlia Rodrigues Luiza Nunes Ribeiro
  32. 32. 33 MENÇÕES ESPECIAIS Alison Escobar Bitencourt Douglas Barreto Centeno Manoela Santos Muniz da Silva Nickolas da Silva Linck II Concurso Literário Foed Castro Chamma- 2015 (Trovas) Promoção: ALACS – Academia de Letras, Artes e Ciências do Centro-Sul do Paraná - Sede: Irati/PR VENCEDORES 1º lugar: Marina Gomes de Souza Valente (Bragança Paulista/SP) 1º lugar: Milton Souza (Porto Alegre/RS) 2º lugar: Dodora Galinari (Belo Horizonte/MG) 2º lugar: Maria Nelsi Sales Dias (Santos/SP) 3º lugar: Arlindo Tadeu Hagen (Juiz de Fora/MG) 4º lugar: Marli Bardeiro Palma (São Vicente/SP) 5º lugar: Sonia Maria Ditzel Martelo (Ponta Grossa/PR) 5º lugar: Carolina Ramos (Santos /SP) 6º lugar: Antonio Colavite Filho (Santos/SP) 6º lugar: Carlos Henrique da Silva Alves (Senhor do Bonfim/BA) MENÇÕES HONROSAS (Sem ordem de classificação) Fabiano de Cristo Magalhães Wanderley (Natal/RN) Marina Gomes de Souza Valente (Bragança Paulista/SP) Roberto Tchepelentyky (São Paulo/SP) Eliana Ruiz Jimenez (Camboriú /SC) Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho (Juiz de Fora /MG)
  33. 33. 34 Nota sobre o Almanaque O download (gratuito) dos números anteriores em formato e-book, pode ser obtido em http://independent.academia.edu/JoseFeldman Os textos foram obtidos na internet, em jornais, revistas e livros, ou mesmo colaboração do poeta e escritores. As imagens são montagens, cujas imagens principais foram obtidas na internet e geralmente sem autoria, caso contrário, constará no pé da figura o autor. Alguns textos obtidos na internet não possuem autoria. Este Almanaque tem a intencionalidade de divulgar os valores literários de ontem e de hoje, sejam de renome ou não, respeitando os direitos autorais. Seus textos por normas não são preconceituosos, racistas, que ataquem diretamente os meios religiosos, nações ou mesmo pessoas ou órgãos específicos. Este almanaque não pode ser comercializado em hipótese alguma, sem a autorização de todos os seus autores.

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