Almanaque chuva de versos n. 421

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Chuva de Versos com haicais e trovas de diversos locais do Brasil e exterior;

O poeta homenageado é o mineiro Paulo Mendes Campos;

A trovadora homenageada é de Amparo/SP, Eliana Dagmar;

Uma outra forma poética, o Poetrix, criada pelo baiano Goulart Gomes, neste número alguns poetrix da autoria de seu criador e uma rápida pincelada sobre o que é Poetrix;

Aparício Fernandes contando a “História da Trova” , com muitas trovas, na primeira parte sobre o 2º. Festival Brasileiro de Trovadores, realizado na cidade de Maringá/PR, em 1970.

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Almanaque chuva de versos n. 421

  1. 1. 2 Uma Trova de Curitiba/PR Vanda Fagundes Queiroz Não sei quem é mais feliz, quem é mais abençoado: - Se é quem recebe ou quem diz um simples "muito obrigado". Uma Trova de Taubaté/SP Angélica Villela Santos Com tudo desmoronando na batalha pela vida, fica a Esperança, amparando nossa força esmorecida. Um Soneto de Belo Horizonte/MG Paulo Mendes Campos NESTE SONETO Neste soneto, meu amor, eu digo, Um pouco à moda de Tomás Gonzaga, Que muita coisa bela o verso indaga Mas poucos belos versos eu consigo. Igual à fonte escassa no deserto, Minha emoção é muita, a forma, pouca. Se o verso errado sempre vem-me à boca, Só no meu peito vive o verso certo. Ouço uma voz soprar à frase dura Umas palavras brandas, entretanto, Não sei caber as falas de meu canto Dentro da forma fácil e segura. E louvo aqui aqueles grandes mestres Das emoções do céu e das terrestres. Uma Trova Humorística do Rio de Janeiro/RJ Edmar Japiassú Maia No distrito, em seu plantão, pelo mau gosto e imperícia, a peruca do escrivão era um caso de polícia!... Uma Trova de Mogi das Cruzes/SP Decio Rodrigues Lopes Na minha "Melhor Idade", sendo velho, sou criança. Vivendo a felicidade... No carrossel "Esperança"!
  2. 2. 3 Um Soneto de Belo Horizonte/MG Paulo Mendes Campos TEMPO-ETERNIDADE O instante é tudo para mim que ausente Do segredo que os dias encadeia Me abismo na canção que pastoreia As íntimas nuvens do presente. Pobre do tempo, fico transparente A luz desta canção que me rodeia Como se a carne se fizesse alheia À nossa opacidade descontente. Nos meus olhos o tempo é uma cegueira E a minha eternidade uma bandeira Aberta em céu azul de solidões. Sem margens, sem destino, sem história, O tempo que se esvai é minha glória E o susto de minh'alma sem razões. Uma Quadra Popular Autor Anônimo Menina dos olhos pretos, sobrancelhas de retrós, dá um pulo lá na cozinha, vá coar café pra nós. Fonte: Azevedo,Teófilo de. Literatura popular do norte de Minas: a arte de fazer versos.São Paulo, Global Editora, 1978. Cultura Popular, 3. Uma Trova Hispânica da Argentina Ramón Rojas Morel Tus besos me comunican los latidos de tu ser y siento cómo armonizan la fuerza de mi querer. Um Soneto de Belo Horizonte/MG Paulo Mendes Campos SONETO DE PAZ Cismando, o campo em flor, eu vi que a terra Pode ser outra terra, de outra gente, Para o prazer armada e competente E desarmada para a voz da guerra. No chão, olhando o céu que nos desterra, Sem terminar falei, presente, ausente, Ó vento desatado da vertente, Ó doce laranjal sem fim da serra! Mais tarde me esqueci, mas esse instante De muito antiga perfeição campestre Fez-me constante um pensamento errante:
  3. 3. 4 Era o sem tempo, a paz da eternidade Unindo a luz celeste à luz terrestre Sem solução de amor e de unidade. Trovadores que deixaram Saudades Waldir Neves Rio de Janeiro/RJ (1924 – 2007) É uma lágrima sentida que toda mulher enxuga: – a que lhe rola escondida por sobre a primeira ruga! Uma Trova de São Paulo/SP Aparecido Elias Pescador Nossos momentos felizes, da boêmia mocidade, só deixaram cicatrizes no rosto de uma saudade. Uma Trova de São Paulo/SP Divenei Boseli Uma lágrima sequer, eu vi no adeus… nem depois. Não faz mal… eu sou mulher, posso chorar por nós dois! Um Haicai de Santa Juliana/MG Dáguima Verônica Um Soneto de Belo Horizonte/MG Paulo Mendes Campos O VISIONÁRIO Debaixo dos lençóis, a carne unida, Outro alarme mais forte nos separa. Vai ficar grande e feia a mesma cara Com que surgimos cegos para a vida.
  4. 4. 5 Vemos o que não vemos. Quando, erguida A parede invisível, o olhar pára De olhar, abre-se além uma seara Muito real porém desconhecida. São dois mundos. Um deles não tem jeito: Cheio de gente, é só como o deserto, Duro e real, parece imaginário. Também dois corações temos no peito Mas não sei se o que bate triste e certo Vai reunir-se além ao visionário. Uma Trova de São Paulo/SP Renata Paccola Uma lágrima que escorre traz mais brilho à própria face se a cada sonho que morre há um novo sonho que nasce! Um Haicai de Ilhéus/BA Abel Silva Pereira Secretas mensagens trazem, hoje, os vaga-lumes. Por que não abri-las? Uma Trova de Nova Friburgo/RJ Maria de Jesus de S. Abreu Cantando amores partidos boêmia, na ausência tua, arranco versos sentidos nas longas noites de lua. Um Soneto de Belo Horizonte/MG Paulo Mendes Campos REI DA ILHA No fim da rua, um pônei rubro, rubro, No fim da tarde, um muro escuro, um muro. Descubro alguma coisa mais? Descubro: Um coração impuro, tão impuro. Querer guardar este sinal (querer) De que minh'alma não morreu? Morreu. Ser ou não ser como esta tarde (ser) Que apareceu e desapareceu? Ser como a tarde que voltou, voltou Além de meus enganos, muito além... Eu vou por um país, por onde eu vou, Onde existe uma ilha, a minha ilha. Ali não há ninguém. Ninguém? Alguém Regressará por mim, ó minha filha.
  5. 5. 6 Um Haicai de Manaus/AM Zemaria Pinto barco vagabundo, desliza à pele do rio a árvore morta Uma Trova de Natal/RN Maria A. B. Dutra Aceita, amigo, esta cruz que, em teu caminho, encontraste... A revolta não conduz à paz que, um dia, sonhaste! Um Poema de Belo Horizonte/MG Paulo Mendes Campos CANTIGA PARA TOM JOBIM Quem for além simplesmente deste espelho transparente há de sumir? ou se ver? relembrar? ou esquecer? Quem for além simplesmente deste espelho transparente há de sentir? ou sonhar? prosseguir? ou regressar? Mas quem achar uma seta que lhe apontar o sentido neste espelho, há de se achar no paraíso, perdido, onde achará o poeta, de repente ou devagar. Recordando Velhas Canções Meu pequeno Cachoeiro (1970) Raul Sampaio Eu passo a vida recordando De tudo que aí deixei Cachoeiro, Cachoeiro, vim ao Rio de Janeiro Pra voltar e não voltei. Mas te confesso na saudade As dores que arranjei pra mim Pois todo pranto dessas mágoas Ainda irei juntar às águas do meu Itapemirim. Meu pequeno Cachoeiro, vivo só pensando em ti Ai! que saudades dessas terras
  6. 6. 7 Entre serras Doce terra onde eu nasci. Recordo a casa onde eu morava, O muro alto, o laranjal, Meu flamboyant, na primavera, Que bonito que ele era, dando sombra no quintal. A minha escola, a minha rua, Os meus primeiros madrigais, Ai! como o pensamento voa ao lembrar a terra boa, Coisas que não voltam mais! Uma Trova de Belo Horizonte/MG Eugênio Morato Fácil falar em ternura, quando se trata de amor... Difícil é, na amargura, ser terno, dentro da dor... Um Soneto de Belo Horizonte/MG Paulo Mendes Campos EPITÁFIO Se a treva fui, por pouco fui feliz. Se acorrentou-me o corpo, eu o quis. Se Deus foi a doença, fui saúde. Se Deus foi o meu bem, fiz o que pude. Se a luz era visível, me enganei. Se eu era o só, o só então amei. Se Deus era a mudez, ouvi alguém. Se o tempo era o meu fim, fui muito além. Se Deus era de pedra, em vão sofri. Se o bem foi nada, o mal foi um momento. Se fui sem ir nem ser, fiquei aqui. Para que me reflitas e me fites estas turvas pupilas de cimento: se devo a vida à morte, estamos quites. Um Haicai de Niterói/RJ Paulo Roberto Cecchetti ARCO-ÍRIS Chuva de verão, traz arco-íris no céu: gotas de cristal! Uma Trova de Pouso Alegre/MG Aprygio Nogueira Ternura - ponte afetiva
  7. 7. 8 construída de calor, que serve, quando se avisa, de passagem para o amor. Um Soneto de Belo Horizonte/MG Paulo Mendes Campos SALA DE JANTAR Faltava um tema a nossa companhia, Faltava a nossa mesa certo espaço: O mar em nossa casa não bramia, Mar de gravura dá certo embaraço. A chuva de repente era alegria, À falta de amplidão para o fracasso: A serra do curral nos elidia, O mar das elegias traz cansaço. O mar a nossa gente não curtia, Só o céu nos abria seu compasso: Só o dente do sal nos conhecia, Só no prato de sopa era o sargaço. Só no piano um brigue estremecia, Só na vaga do vento nosso abraço. Hinos de Estados Brasileiros Estado do Amazonas I Nas paragens da história o passado é de guerras, pesar e alegria, é vitória pousando suas asas sobre o verde da paz que nos guia. Assim foi que nos tempos escuros da conquista apoiada ao canhão novos povos plantaram seu berço, homens livres, na planta do chão. (Estribilho) Amazonas de bravos que doam, sem orgulho nem falsa nobreza aos que sonham, teu canto de lenda, aos que lutam, mais vida e riqueza. II Hoje o tempo se faz claridade, só triunfa a esperança que luta, não há mais o mistério e das matas um rumor de alvorada se escuta. A palavra em ação se transforma e a bandeira que nasce do povo liberdade há de ter seu plano, os grilhões destruindo de novo. (Estribilho)
  8. 8. 9 Amazonas de bravos que doam, sem orgulho nem falsa nobreza aos que sonham, teu canto de lenda, aos que lutam, mais vida e riqueza. III Tão radioso amanhece o futuro nestes rios de pranto selvagem, que os tambores da glória despertam ao clarão de uma eterna paisagem. Mas viver é destino dos fortes, nos ensina, lutando, a floresta, pela vida que vibra em seus ramos, pelas aves, sua cores, sua festa. (Estribilho) Amazonas de bravos que doam, sem orgulho nem falsa nobreza aos que sonham, teu canto de lenda, aos que lutam, mais vida e riqueza. Uma Trova de Jacarepaguá/RJ Josafá Sobreira da Silva Deus construiu no horizonte, onde ninguém pode ver, uma belíssima ponte que a gente cruza ao morrer! Um Soneto de Belo Horizonte/MG Paulo Mendes Campos ESCRITÓRIO: ACHANDO ELEGIA Daqui resta de mim o repertório Das máscaras, um drama de vivências, Fugas, sublimações, ambivalências, Mares, teatros, faias, de escritório. Menino, aqui, numa semana santa, Curvo e sem rumo, a revoar, achei O jardim sepulcral de Thomas Gray: Que, desde cedo, aquele que se espanta, Sozinho, em festa, monta a sua vida Nas peças de cordel do claustro humano, Para seguir além de seu engano, E deste labirinto achar saída. Nas tramas do abajur, arte poética, A vida tem de ser a luz hermética.
  9. 9. 10 Paulo Mendes Campos nasceu a 28 de fevereiro de 1922, em Belo Horizonte - MG, filho do médico e escritor Mário Mendes Campos e de D. Maria José de Lima Campos. Começou seus estudos na capital mineira, prosseguiu em Cachoeira do Campo e terminou em São João del Rei. Começou os estudos de Odontologia, Veterinária e Direito, não chegando a completa -los. Seu sonho de ser aviador também não se concretizou. Diploma mesmo, gostava de brincar, só teve o de datilógrafo. Muito moço ainda, ingressou na vida literária, como integrante da geração mineira a que pertence Fernando Sabino e pertenceram os já falecidos Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino, João Ettiene Filho e Murilo Rubião. Em Belo Horizonte, dirigiu o suplemento literário da Folha de Minas e trabalhou na empresa de construção civil de um tio. Foi ao Rio de Janeiro, em 1945, para conhecer o poeta Pablo Neruda, e por ali ficou. No Rio já se enco ntravam seus melhores amigos de Minas — Sabino, Otto, e Hélio Pellegrino. Passou a colaborar em O Jornal, Correio da Manhã> (de que foi redator durante dois anos e m eio) e Diário Carioca. Neste último, assinava a "Semana Literária" e, depois, a crônica diá ria "Primeiro Plano". Foi, durante muitos anos, um dos três cronistas efetivos da revista Manchete. Admitido no IPASE, em 1947, como fiscal de obras, passou a redator daquele órgão e chegou a ser diretor da Divisão de Obras R aras da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Em 1951 lança seu primeiro livro, "A palavra escrita" (poemas). Casou-se, nesse mesmo ano, com Joan, de descendência inglesa, tendo tido dois filhos: Gabriela e Daniel. Buscando meios de sustenta r a família, Paulo Mendes Campos foi repórter e, algumas vezes, redator de publicidade Foi, também, hábil tradutor de poesia e prosa inglesa e francesa — entre outros Júlio Verne, Oscar Wilde, John Ruskin, Shakespeare, além de Neruda. Cético, sem perder a ternura, jamais fez concessões e tinha horror à vulgaridade, fosse ela temática ou vernacular. A perplexidade humana é devassada em sua poesia; sua prosa é penetrante, algumas vezes cheia de bom humor. Paulo Mendes Campos faleceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 1 de julho de 1991, aos 69 anos de idade. Em 1999 foi homenageado pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro: tem seu nome uma pequena praça que fica no cruzamento da s ruas Dias Ferreira, Humberto de Campos e General Venâncio Flores, no Leblon. Alguns livros: A Palavra Escrita, poesia, 1951; Forma e Expressão do Soneto, antologia, 1952; Testamento do Brasil, poesia, 1956; O Domingo Azul do Mar, poemas, 1958; Antologia Brasileira de Humorismo, 1965; O Cego de Ipanema, crônicas, 1960; Homenzinho na Ventania, crônicas, 1962; O Colunista do Morro, crônicas, 1965; Hora do Recreio, crônicas, 1967; O Anjo Bêbado, crônicas, 1969; Fonte: http://www.releituras.com/pmcampos_bio.asp
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  11. 11. 12 A certeza que me encanta e a ti também, certamente, é saber que a mãe mais santa será sempre a mãe da gente! Aplauso é luz de dois gumes... Cuidado... avisa o teu ego... O excesso, às vezes, de lumes transforma o sábio num cego... As veredas de meu ego são rotas de um labirinto que quanto mais eu trafego, mais perto de mim me sinto! Chegar longe é quase nada para aquele que na vida faz do ponto de chegada novo ponto de partida. Com pedrinhas de saudade uma torre eu construí: – dentro dela tenho a idade dos sonhos que já vivi! Coragem mesmo, de fato, encontro em cada Maria que da prole, em raso prato, mata a fome todo dia! Da infância ainda guardo viva a imagem de um lampião: – era uma estrela exclusiva num céu tão perto do chão! De meu pai, desde pirralha, guardo a lição que hoje entono: - não há fortuna que valha a paz que me embala o sono! Disfarcei, com tal destreza, minha dor e cicatriz, que até a própria tristeza pensou que eu fosse feliz! Esta certeza me invade e a vida nunca a distorça: - Um sorriso de bondade convence mais do que a força! Estrela de um brilho régio, de uma luz que não se esvai; Luzia - que privilégio! - foi meu mestre, amigo e pai. Falso amor, ainda me inspira tantos versos de saudade... Que importa se era mentira? Eu fui feliz de verdade!
  12. 12. 13 Igual penetra faceiro meu coração sem juízo, deita e rola por inteiro na festa do seu sorriso! Luiz Otávio renova o perfume que há no verso, semeando a Rosa da trova pelos jardins do universo! Meu reino é coisa tão minha, é meu lar e onde estiver, nele sou mais que rainha: – sou mãe,amiga e mulher! Meus sonhos tinham outrora toda a altivez dos pinheiros, que a serra da vida agora vem transformando em madeiros... Meu tesouro é singular, superlativo e tão pleno... E, mesmo assim, no meu lar cabe num berço pequeno! Nana-nenê... Teus caminhos, mesmo que excedam meus passos, ainda cabem todinhos no aconchego dos meus braços… Não condenes o delírio que atiça as paixões humanas; não perde a pureza o lírio colhido por mãos profanas... Não te iluda a fantasia nem te impressione a bravata: – há palhaço todo dia vestindo terno e gravata. Na solidão da sarjeta, sob a marquise tão nua, o sono cobra gorjeta dessas crianças de rua... Nem sempre o tamanho ordena a nobreza de um troféu: – na manjedoura pequena coube um Rei maior que o Céu! No delírio, entre lençóis, a tua boca encarnada tem a cor dos arrebóis invadindo a madrugada... Olho a estrada percorrida e reconheço, à distância, que o respeito pela vida a gente aprende na infância.
  13. 13. 14 Palavra é força graúda, mesmo em pequena oratória. Um bilhete, às vezes, muda todo o curso de uma história... Para fugir da saudade me disfarcei de alegria; e a danada, por maldade, pôs a mesma fantasia.. Quanta exceção há na regra que o adeus, às vezes, constrói: – pois chegar nem sempre alegra e partir nem sempre dói... Senhor Deus, misericórdia, se, na soma dos meus dias, tantas vezes fui discórdia e não a Paz que querias... Sereno é colcha fluida que ao cair, abençoada, cobre a relva adormecida no berço da madrugada... Siga, filho, nessa graça da virtude que o distingue: – seja o brilho da vidraça, jamais a mão do estilingue. Só o amor sabe de cor esta divina lição: – nenhuma ofensa é maior que a grandeza do perdão! Sou saudade caminhando pelos pés de uma lembrança, a todo instante indagando o porquê de tanta andança... Torno a vida um fardo leve porque acredito no amor; sou palhaço que se atreve a sorrir da própria dor... Velhice é a idade de quem perdeu o brilho do olhar; é a vida empurrando alguém que desistiu de sonhar...
  14. 14. 15 Goulart Gomes Poetrix A FILOSOFIA A GOLPES DE MARTELO ela disse "Nietzsche" ele falou "Saúde" incompatibilidade de academias ANTES QUE O SOL NASÇA Imagine um dia assim Luzes rasgando a aurora A manhã, embriagada, perdendo a hora BAILARINA na ponta dos pés rodopiam o mundo e nós, juntos ESPELHO D'ÁGUA as trutas se banham nas nuvens enquanto o sol rompe as gotas navego ou flutuo? minimalista nunca minto às vezes, apenas encolho a verdade MISSIVA começo com minha graça termino com votos de paz minhas mal-tratadas linhas QUATRO ELEMENTOS tu, no ar; eu, na água ambos, na terra em brasa
  15. 15. 16 SOBRE ESTA PEDRA ERGUEREI Molhada. A gema intumescida Por sobre, a relva Caverna escondida SÉRIE "TAROT" TAROTRIX 0 – O POETA louco de Deus bardo bobo revolucionando o mundo TAROTRIX 1 – O MAGO jovem, sou Hermes ancião, Merlin: o que está acima, está em mim TAROTRIX 2 – A SACERDOTISA em tuas mãos, a verdade nos teus olhos, a ternura mulher, em divindade TAROTRIX 3 – A IMPERATRIX com as mãos no cetro despe o manto entre risos, faz-se rainha TAROTRIX 4 – O IMPERADOR meu reino entre quatro paredes um império se ergue nos lençóis deste leito TAROTRIX 5 – O HIEROFANTE se o papa é pop e o bispo, milionário quero São Pedro para empresário! TAROTRIX 6 – OS AMANTES desde o Éden impossível escolha entre Lilith e Eva TAROTRIX 7 – O VEÍCULO Apolo, Arjuna, São Cristóvão as setas da alma apontam a direção TAROTRIX 8 – A JUSTIÇA o Universo dança. entre causa e efeito equilibra-se uma sentença
  16. 16. 17 TAROTRIX 9 – O EREMITA quando o silêncio fala no vazio das coisas: encontro íntimo TAROTRIX 10 – A FORTUNA meneios de Shiva segredos de Esfinge as Moiras tecem confidências TAROTRIX 11 – A FORÇA confidências entre a bela e a fera “Força Sempre” diz-me ela TAROTRIX 12 – O SUSPENSO sobre o precipício imponho-me o suplício promessas de Prometeu TAROTRIX 13 – O CEIFA(DOR) romper casulos quebrar as cascas renascer a cada morte TAROTRIX 14 – A TEMPERANÇA como quem enterra a semente para repartir o pão aguardo uma nova estação TAROTRIX 15 – O DEMÔNIO O corpo pede! - Nada em demasia, O Oráculo, repetia TAROTRIX 16 – A TORRE - Quem vem lá?, grito ao fantasma e do eco do eco do meu medo - Sou tu, responde o espelho TAROTRIX 17 – A ESPERANÇA imortal, habitas meu peito em teus olhos, a eternidade meu mundo pelo teu beijo TAROTRIX 18 – A LUA um outro lado, ignorado meio-Ogum, meio-dragão lunático, aluado
  17. 17. 18 TAROTRIX 19 – O SOL a luz se faz fogo que não arde tudo é vida, e nada mais TAROTRIX 20 – O JULGAMENTO diante dos meus pecados sou promotor, juiz e advogado: em paz, pronuncio meu veredicto TAROTRIX 21 – O UNIVERSO a matéria se transforma, a energia flui; eu, penso. Deus, faz Poesias... O que é poetrix (excerto de artigo de José de Sousa Xavier) O poetrix, embora inicialmente proposto como evidente alternativa ao haicai, apresenta características próprias que o faz diferente. Trata-se de um poema contemporâneo em terceto, de temática livre, com título, ritmo e um máximo de trinta sílabas métricas, que possui figuras de linguagem, de pensamento, tropos ou teor satírico. O neologismo foi criado a partir de POE (poesias) e TRIX (três). O Manifesto Poetrix, inicialmente, foi concebido da seguinte forma: 1. No POETRIX, o título é desejável, mas não exigível. Ele exerceria uma função de complementaridade ao texto, definindo-o ou sendo por ele definido. (depois, o título passaria a ser uma exigência) 2. Não existe rigor quanto ao número de sílabas, métrica ou rimas no POETRIX, mas o uso do ritmo e da similaridade sonora das palavras, sim. (depois, foi estabelecido o limite de 30 sílabas métricas) 3. O uso de metáforas e outras figuras de linguagem são uma constante no POETRIX, assim como a criação de neologismos. 4. A interação autor/leitor deve ser provocada através da subliminaridade do POETRIX. 5. O POETRIX é necessariamente uma arte minimalista, ou seja, ele procura transmitir a mais completa mensagem com o menor número de palavras. 6. O POETRIX considera Passado, Presente e Futuro como uma só dimensão: TEMPO, podendo ser utilizado indistintamente. 7. No POETRIX o observador (autor), as personagens e o fato observado podem interagir, criando condições suprarreais ou ilógicas ("non sense"). Posteriormente sofreu mudanças, como: exigência do título e ter um máximo de trinta sílabas. No plural a palavra poetrix não se altera, e os praticantes do estilo são chamados de poetrixtas. A
  18. 18. 19 partir deste estilo de poesia, no largo intercâmbio praticado pelos autores no grupo virtual POETRIX (literatrix-subscribe@yahoogrupos.com.br), foram criadas outras variações, e chamadas de “Formas Múltiplas do Poetrix”. As quais temos: duplix, triplix, multiplix (criações coletivas criadas por dois ou mais poetrix, conforme indica as palavras), clonix (gerado a partir de outro já existente), graftix (ilustrado), concretix (poetrix concreto) e cirandas (séries de poetrix temáticos). Fonte: http://www.movimentopoetrix.com/ José Goulart de Souza Gomes nasceu em Salvador/BA, em 1965. Administrador de Empresas, pós -graduado em Literatura Brasileira (UCSAL) e em Gestão de Comunicação Integrada (ESPM -RJ). Atua na área de Comunicação Empresarial. É espiritualista e pesquisador de ficção científica. Fundador do Grupo Cultural Pórtico (1995) e criador da linguagem poética Poetrix (1999). Obteve dezenas de prêmios em concursos de poesia, prosa e festivais de música e participou de mais de 50 coletâneas publicadas no Brasil, Cuba, Espanha, USA, Itália, França e Coréia do Sul e tem trabalhos divulgados em vários outros países. Coordenador do Movimento Internacional Poetrix e do Grupo Cultural Pórtico. Como editor alternativo propiciou a publicação de 56 livros e coletâneas de novos autores. Algumas obras: Anda Luz (1987); Todo Desejo (1990); Sob a Pele (1994); Esfinge Lunar e Outros Enigmas (2001); Trix, Poemetos Tropi-kais (1999); Minimal, dos males o menor (2007); A Divina Comédia no Cordel (1989); Todo Tipo de Gente, contos (2003), 501 Poetrix: para ler antes do amanhece r (2011). Fontes: Goulart Gomes. Minimal, dos males o menor. Salvador/BA: Copygraf, 2007. Goulart Gomes (org.). 501 Poetrix: para ler antes do amanhecer. Lauro de Freitas/BA: Livro.com, 2011.
  19. 19. 20 Arquivo Histórico da Trova
  20. 20. 21 Aparício Fernandes Histórias da Trova 2o . Festival Brasileiro de Trovadores, de Maringá 1a. Parte. 2o. Festival Brasileiro de Trovadores, realizado em abril de 1970, na cidade de Maringá/PR. Na Catedral de Maringá foi celebrada uma missa originalíssima, onde as orações, após serem ditas na forma tradicional, eram repetidas em trovas (de autoria de A. A. de Assis), com fundo musical e vocalização feita pelo Coral Municipal de Maringá. A Igreja lindamente ornamentada com flores oferecidas pelo Dr. Akira Oda, dono de uma das melhores floriculturas brasileiras, estava repleta. No entanto, reinava um silêncio impressionante. Muitos dos presentes tinham lágrimas nos olhos. Irmanadas a poesia e a espiritualidade, o resultado foi simplesmente inesquecível. O que ninguém esperava é que o padre Sidney Zanettini, celebrante do ofício, resolvesse também fazer o seu sermão em… trovas! Ei-lo, na íntegra: Autoridades presentes, minhas senhoras senhores, crianças e adolescentes, caríssimos trovadores! Perdão eu lhes pediria pelo pouquíssimo dote que tem, para a poesia, este humilde sacerdote. Mas se, nesta ocasião, a Trova aqui se sublima, eu quero abrir meu sermão tentando fazê-lo em rima.
  21. 21. 22 Aceitem um forte abraço, carinhoso e cordial, na homenagem que lhes faço em nome da Catedral. Que São Francisco de Assis, o trovador pobrezinho, receba agora, feliz, nossas preces, com carinho! E que nossa Padroeira, Nossa Senhora da Glória, guie a Trova brasileira numa feliz trajetória! E que esta jovem cidade, que é cidade e que é canção, implante a felicidade em todos, no coração! Cantem, poetas, e encantem a vida de toda gente. Mas, quando cantarem, cantem as coisas belas somente. Cantem pregando a esperança, falando de paz e amor, e da bem-aventurança que herdamos do Criador. Haja em seus versos a prova do que é bom fazer o bem! Que Deus abençoe a Trova e os trovadores também! Desculpem-nos recebê-los nesta velha Catedral. No ano que vem, vamos tê-los na outra, monumental. Reparem que um novo Templo vai crescendo ao nosso lado. É o belo e sublime exemplo de um povo a Cristo irmanado! Caríssimos trovadores, o que, porém, mais importa, é manter para os senhores sempre aberta a nossa porta. Uma alegria sincera sua presença nos dá, transformando em primavera este outono em Maringá. Que Deus lhes dê nesta vida felizes inspirações e uma bênção comovida por suas lindas canções!
  22. 22. 23 Levem às suas cidades, às suas terras distantes, muitas e alegres saudades destes alegres instantes. Que aqui, da mesma maneira, as saudades ficarão, na alegria alvissareira que as suas trovas nos dão. Amigos, muito obrigado por esta oportunidade de tê-los ao nosso lado em nossa comunidade. Voltem sempre a Maringá, que a vocês estende a mão e em nome do Paraná lhes abre o seu coração. Cantem a paz, a alegria, cantem cantigas de amor, que a verdadeira poesia agrada a Nosso Senhor! A missa foi encerrada ao som do Hino dos Trovadores, cantado pelo Coral Municipal de Maringá, letra e música de Luiz Otávio. De Curitiba, o Secretário de Educação e Cultura do Estado do Paraná, sr. Nelson Luís Silva Fanaya, causou sensação quando, despachando em trovas, enviou aos organizadores e participantes do Festival a seguinte mensagem: Ao poeta, cuja imagem lembra uma eterna canção, enviamos a mensagem da Pasta de Educação. Por que nós, de alguma forma, também fazemos poesia. E o Paraná se transforma, pois a cultura irradia. O nosso poema é nobre, porque é feito da criança que em cada escola descobre uma trova de esperança. O Paraná se engalana, enchendo-se de alegria. E aos trovadores se irmana no Festival da Poesia. A todos vocês que, unidos, falam de amor e saudade, queremos, agradecidos, trazer a nossa amizade. Queiram todos, neste dia, aceitar a saudação de nossa Secretaria de Cultura e Educação! Fonte: Aparício Fernandes. A Trova no Brasil: história & antologia. Rio de Janeiro/GB: Artenova, 1972
  23. 23. 24 Nota sobre o Almanaque O download (gratuito) dos números anteriores em formato e-book, pode ser obtido em http://independent.academia.edu/JoseFeldman Os textos foram obtidos na internet, em jornais, revistas e livros, ou mesmo colaboração do poeta e escritores. As imagens são montagens, cujas imagens principais foram obtidas na internet e geralmente sem autoria, caso contrário, constará no pé da figura o autor. Alguns textos obtidos na internet não possuem autoria. Este Almanaque tem a intencionalidade de divulgar os valores literários de ontem e de hoje, sejam de renome ou não, respeitando os direitos autorais. Seus textos por normas não são preconceituosos, racistas, que ataquem diretamente os meios religiosos, nações ou mesmo pessoas ou órgãos específicos. Este almanaque não pode ser comercializado em hipótese alguma, sem a autorização de todos os seus autores.

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