Almanaque chuva de versos n. 419

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No Chuva de Versos, trovas e haicais de diversas localidades;
A poetisa homenageada é acreana radicada em São Paulo, Dora Dimolitsas;
A trovadora homenageada, premiada em diversos concursos de trovas é de Nova Friburgo/RJ, Clenir Neves Ribeiro;
Na Gaveta de Haicais, o amazonense de Manaus (já falecido), Anibal Beça;
Primeira parte do artigo “Trovas Circunstanciais”, de Aparício Fernandes.

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Almanaque chuva de versos n. 419

  1. 1. 2 Uma Trova de Curitiba/PR Vânia Ennes Apesar da longa ausência, sinto a sua vibração… que marcou minha existência e tatuou meu coração! Uma Trova de Santa Juliana/MG Dáguima Verônica de Oliveira Em pensamentos risonhos, naveguei pelos espaços numa gôndola de sonhos, feliz cativa em teus braços! Um Poema de São Paulo/SP Dora Dimolitsas AURORA DEUSA DA MANHÃ Aurora, deusa da manhã. Que abre o sol, Que vem montada em seus Cavalos brancos, Saudando as dríades; Encantando Orfeu; Inspirando, Fidias, e também Homero. Trazendo as graças Que acompanhando Vênus Dão as mãos Em danças de boas ações; Enchendo os corações de encanto e vida As Musas montadas em pégasos Saindo em proteção das artes, ciências, e letras Na fonte de Hipocrene. Uma Trova Humorística de Porto Alegre/RS Milton S. Souza Eu sou frango... e só me ralo: – se escapo de ser canjinha, quando estou virando galo sou morto e viro galinha. Uma Trova de Bragança Paulista/SP Maria Cristina Cacossi Capodeferro Palavras são qual sementes: - uma vez disseminadas abraçam sonhos das mentes, levando-os pelas estradas...
  2. 2. 3 Um Poema de São Paulo/SP Dora Dimolitsas QUEM SOU Sou coração, furacão e vulcão. Sinto a vida em mim pulsando Como se cada célula falasse. Sou amor, flor e dor. Sou bela, áurea etérea da Terra Sou lágrima de saturno. Sou germe invisível Átomo perdido no universo Sou terra, da espécie humana. Sou potência invisível, humana. Sou impulsiva, audaciosa e esotérica. Sou princípio e força invisível. Sou imagem e eclosão Da humanidade terrestre Eu sou a Dora. Uma Quadra Popular Autor Anônimo Caititu do Mato-Grosso corre mais do que cotia. Quando vejo mulher velha, dou bênção e chamo tia. Fonte: Azevedo,Teófilo de. Literatura popular do norte de Minas: a arte de fazer versos.São Paulo, Global Editora, 1978. Cultura Popular, 3. Uma Trova Hispânica da Venezuela Ángela Desirée Palacios Es la música alimento para el espíritu triste, como un dulce sentimiento que se queda y en ti existe Um Poema de São Paulo/SP Dora Dimolitsas A REVOLTA DOS DEUSES Transbordo ópera na espreita Explosão nuclear, começo e fim Medos, tsunami, violação do estante Abro as cortinas e entulhos se sobrepõem Transformações profundas sísmicas Medos, lágrimas e espanto Já é tarde demais Os deuses já despem os véus
  3. 3. 4 Trovadores que deixaram Saudades Aurora Pierre Artese Rio de Janeiro (1909 – 2003) São Paulo/SP A brisa do amor caindo em minha rede do outono, é primavera florindo uma roseira sem dono!... Uma Trova de Bauru/SP Eulinda Barreto Fernandes Desfolhei as margaridas pra saber do bem querer... Mal querer às escondidas, estava sempre a vencer! Uma Trova de Mangualde/Portugal Elisabete Aguiar Não adies seu Amor para outro dia ou momento; pois o vento embala a flor sem pedir consentimento. Um Haicai de Pereira Barreto/SP Teruko Oda Como versos livres - ao toque dos tico-ticos - as flores que caem... Um Poema de São Paulo/SP Dora Dimolitsas SÃO PAULO À NOITE São Paulo de noite nas ruas Parece nua com suas cores, suas luzes piscando Todas no mesmo ritmo, como um grande coração. As luzes parecem pulsação. Nos bares a vida noturna embala As caras que encaram no peito a noite. Não tem jeito, a noite é linda e leve, Leva-nos a muitas reflexões. Aqui, acolá, uma pessoa passa cantando, falando, sorrindo. Olhando pra longe bem ao longe, A existência do que parece vazio, Do que nos fala ao ouvido, baixinho. Através do vento que bate no rosto Cochichando palavras inexplicáveis. A noite em São Paulo é mágica Ando na Avenida Paulista Preocupada, pensativa, mas feliz, Bebendo a brisa que passa Abraçando a noite que fala… Pensando em Você, como está:
  4. 4. 5 Pensa em nós, ou faz tudo Para me afastar de suas lembranças? Lamento dizer, mas você está impregnado Em mim, assim como estou em você. Somos ligados não sei por quê acordo No Céu, mas sei que são laços eternos. Por isso já aprendi a amá-lo Na incerteza das suas lembranças, mesmo de longe, Morrendo de ciúmes de quem está perto. Uma Trova de Nova Friburgo/RJ Elisabete Souza Cruz Em nosso amor conflitante as dimensões são iguais: - tanto faz, longe ou distante, é sempre longe demais! Um Haicai de São José dos Pinhais/PR Sérgio Francisco Pichorim As vagens abertas. O ipê lança suas sementes ao vento que passa. Uma Trova de Santos/SP Antonio Colavite Filho As lágrimas das meninas, Deus, não podendo contê-las, recolhe nas mãos divinas e com elas faz estrelas… Um Poema de São Paulo/SP Dora Dimolitsas AMOR EM ECO Havia astros refletindo Com a luz do luar Em sinfonia pronuncia O nome do amor em eco. O relógio marcando a hora Do dia que logo vai clarear, Mãos prontas para estrelas pegar Num reflexo da luz Que a noite está sempre mostrando. Nas cantigas grito, Em sinfonia pronuncio O teu nome ao cantar o amor. Um Haicai de São Paulo/SP Rodrigo de A. Siqueira Barco de papel naufraga na torrente chuva de verão.
  5. 5. 6 Uma Trova de São Paulo/SP Domitilla Borges Beltrame Brigamos, mas a tormenta em instantes se desfaz... um grande amor sempre inventa um arco-íris de paz! Um Poema de São Paulo/SP Dora Dimolitsas POETAS EM SARAU Da sacada do prédio ao lado Vejo poetas em deliciosos saraus, Muita gente circulando Bebendo as palavras poéticas, Vejo os rostos das pessoas Que na noite deixam a alma falar Transitando nos corredores. Paro e me pergunto A poesia é sonho ou é real? Chego à conclusão: Bem vivida a vida é poesia Recordando Velhas Canções Bandeira branca (marcha/carnaval, 1970) Max Nunes e Laércio Alves Bandeira branca, amor Não posso mais Pela saudade que me invade Eu peço paz. Saudade mal de amor, de amor Saudade Dor que dói demais Vem meu amor Bandeira branca Eu peço paz. Bandeira branca, amor Não posso mais Pela saudade que me invade Eu peço paz. Uma Trova de São Paulo/SP Divenei Boseli Choro junto à sepultura de sonhos mortos repleta, e a razão, mãos na cintura, diz: – quem mandou ser Poeta?
  6. 6. 7 Um Poema de São Paulo/SP Dora Dimolitsas A LINGUAGEM POÉTICA Traz o envolvimento perceptivo, Criativo e principalmente belo. Capaz de abraçar nossa alma por inteiro. Ilustra e da cores a nossa imaginação, O poeta em sua capacidade de ver e comunicar Constrói todo um universo Faz viagens, permitindo que sua criação Tenha vida própria e alma… as imagens transitam entre um elo e outro. E assim o Poeta se comunica, cumprindo Seu compromisso social de levar beleza e cor es A todo espaço que pareça vazio.. Um Haicai de Salvador/BA Oldegar Franco Vieira (1915-2006) O VENTO NAS PORTAS O vento batendo as portas; lembranças mortas vão revivendo. Uma Trova de São Paulo/SP Roberto Tchepelentyky Na despedida, o teu lenço deixou o meu com “revolta”! Nem viu, num adeus intenso... que o meu...acenava: Volta!!! Um Poema de São Paulo/SP Dora Dimolitsas A TELA Na Pintura descrita em tela. Descrevo em teu corpo Os versos metamorfoseados. Descrevo nos pinceis, O reverso do verso, Na ação incontida Da memória contida. Hinos de Cidades Brasileiras Anapurus/MA Anapurus, Anapurus Foste berço nessa região De uma tribo destemida
  7. 7. 8 Que habitou o nosso Maranhão (BIS). Fruto do rio és o teu nome, Sempre há de florescer A vila risonha e pacata Tornou-se uma bela cidade. No teu céu sopra o ar puro, Em tuas matas belas verdejantes Tem palmeiras onde as aves cantam Entoando o teu canto inebriante. Lutando com forças e ardor Ganhaste a tua liberdade A vila risonha e pacata Tornou-se uma bela cidade. Uma Trova de São Paulo/SP Humberto Rodrigues Neto Dá-me, Deus, com certa urgência, a graça que aqui rabisco: – dez por cento da paciência que puseste em São Francisco! Um Poema de São Paulo/SP Dora Dimolitsas Arquiteta de luz No sacrário de minh’alma Trago na memória O plasma microscópico Da arquitetura de luz Meu corpo Faz a criação dos ais Condensação do éter Pensamento que sai Palavra que faz, e desfaz Lâmpada que ascende, No cantar e falar ______________ Doroty B. J. Dimolitsas (Dora Dimolitsas) nasceu em Sena Madureira, estado do Acre. Trabalhou e se preparou profissionalmente no 5º Batalhão de Engenharia e Construção, em Porto Velho - Rondônia (atuando na área de Saúde). Esteve presente e participou na construção da cidade de Vilhena. Foi para São Paulo em 1969, sendo aprovada em concurso para o governo federal. Prestou serviços no Hospital Brigadeiro, em São Paulo, na função de laboratorista, tendo vários cursos de especialização em Hematologia, Bioquímica, Hemoterapia, Citologia, Citoquímica e Bacteriologia.Também com Curso de extensão em Puericultura e Educação Sanitária.Participou de várias atividades nacionais de vacinas contra a poliomielite.Atuou como membro da CIPA, com estágio em Análise Clínica, na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de São Paulo.Trabalhou também no Hospital Ipiranga. Faz escola de Poesia, Cinema e Teatro na Casa das Rosas, em São Paulo
  8. 8. 9 Escritora,poetisa,atriz,escritora,produtora Cultural, e Jornalista. representante dos Projetos Culturais:Poemas a Flor da Pele, Proyecto Cultural /Sur/Paulista,com eventos dentro dos hospitais públicos, para pacientes, funcionários, e crianças leucêmicas, e hemofílicas,è cônsul Poetas Delmundo bela vista.Colunista do Jornal o Rebate ,e o São José ,produtora de eventos no Centro Cultural de São Paulo, e na Biblioteca Alceu Amoroso Lima pela Prefeitura. Participação em 120 antologias, e dois livros solos,Coruja Mitológica, e Poesia e Fractais. É poeta Prata da Casa das Rosas . Membro da  Academia de Letras Falasp  Academia de Letras da Mantigueira- Dalasp  Academia de Letras Itapirense de Letras e Artes-Falasp  Academia de Cabo Frio,  Academia de Arte de Cabo Frio-ArtPop  Academia Cabista de Letras, Artes ,  Academia de Letras de Niteroiense de Belas Artes,Letras e Ciencias,  Guardiã do Cinquecentenário:Premio ,da Academia Brasileira de Honrarias ao Merito Varias medalhas e Premios do Proyecto Cultural Sur, varios Premios da companhia de teatro Loucos do Taró, e Cicesp. Autora das peças: Dama de Vermelho Por intenção, e Cortejo de Baco,além do Roteiro do Filme:Os Druidas e o Segredo da Pedra da Luz (em parceria) Fontes: http://rebra.org/; http://www.blocosonline.com.br/; www.almadepoeta.com/dorotydimolitsas.htm
  9. 9. 10
  10. 10. 11 A patroa: “O que me pasma é, no seu quarto, um gemido!” - Não se assuste, é que o fantasma tem a voz do seu marido! A velha pensão da Inês serve estranha refeição... - Nunca vi tanto freguês depois que fecha a pensão!… A vizinha, sem alarde, recebe uma visitinha que chega domingo à tarde e sai segunda à tardinha!… Brigamos... e mesmo tensa renovei minha proposta... Como dói, se a indiferença traz em silêncio a resposta! Chega a tarde... e há nostalgia nesta angústia desmedida... Que importa o nascer do dia? - Tudo é tarde em minha vida!... Coincidência que me arrasa, que me assusta e me espezinha... - Meu marido chega em casa quando chega o da vizinha! Dei um basta à indiferença!... - Nem tentes mais meu perdão, pois foi na tua presença que eu conheci solidão!… De remédio tem mania, mas vício... não tem nenhum!... - Toma mil gotas por dia... da erva "Cinquenta e um"!… Ela grita, aliviada, certa noite na mansão... - O fantasma da empregada tem a cara do patrão!… Ele jura ter carinho... caindo a sogra, sem pressa, prepara, devagarinho, a pimenta na compressa!… Errei muito no passado, e hoje digo, de antemão, que para tanto pecado talvez não haja perdão!… Errei por não estar perto desse amor, sereno e doce, mas, juro, daria certo, por mais errado que fosse!…
  11. 11. 12 Está no hospício o Zequinha e, por mais que a noiva torça em vez de usar camisinha, é só camisa de força!… Este amor já está em mim, mais que eterno, reconheço... - Se um dia foi quase fim, foi num outro o recomeço!… É um detalhe, terno e doce, que a saudade vem lembrando - E eu sinto como se fosse o meu passado voltando!… Eu só o conheci agora!... - E a fofoqueira: - Há um engano! Ele visita a senhora, já contei, há mais de um ano!… Fim do amor ... eu, já cansado, sinto a angústia de estar vendo todo o segredo guardado no sonho que está morrendo. Foi minha sogra internada no Hospício municipal... - Pior é que, ante a danada, qualquer maluco é normal!… Foste embora sem razão... - Sozinha em meu universo, eu transformei solidão em rima para o meu verso!… Gastei meus sonhos sozinho... Voltaste tarde demais... - Tenho, agora, o teu carinho, mas... meus sonhos... nunca mais!… Há muita briga e baderna no bar do casal Gusmão, se alguém, nele, passa a perna e alguém, nela, passa a mão! Houve briga e zum-zum-zum antes mesmo do casório... - O Zé não quis ser mais um a ter culpa no cartório!… Malandro e da pá virada, em casa faz o que quer... - Quando briga com a empregada, faz as pazes com a mulher!… Melhora a sogra, e o Clemente que em carinhos se desdobra, diz que salvou a doente... com remédio para cobra!…
  12. 12. 13 Mesmo se triste e magoado, meu sonho não acabou... - Nosso amor, que hoje é passado, para mim nunca passou!… Na carta, volto a rever lembranças, tuas e minhas... - hoje eu só consigo ler saudade... em todas as linhas!… Não sei se a casa é assombrada, mas a vizinha me pasma... - Quando chega a madrugada, é um entra e sai de fantasma!… Nosso amor nasceu sagrado, mas, com o tempo errou tanto, que hoje chamam de pecado o que outrora, já foi santo!… O amor que teve importância, passou tão perto, e eu, calada, só pude ver a distância de dois na mesma calçada!… O Manoel do Bar, no beco, pagou um mico danado... Gritou: “Sai um vinho seco, que o pau d’água está molhado!...” Os sonhos, como contê-los, se o amor, cansado, sem voz, nem quer ouvir os apelos que nós fizemos a nós?! Ouço passos da sacada, ansiosa, chego ao portão... - E vejo, em minha calçada, o final da solidão!… “Pagou um mico” perfeito a Clara, em busca de fama! Disse à esposa do prefeito: “eu sou a segunda dama!...” Partiste... e em meio à lembrança a saudade continua pondo luzes de esperança nos postes de minha rua! Por mais que eu tente esconder nosso amor, que é todo medo, o meu olhar, sem querer, revela o nosso segredo. Por timidez, dei as costas ao amor que eu sempre quis... E a vida deu-me as respostas às perguntas que eu não fiz!…
  13. 13. 14 Que adianta fazer propostas?... - Nem tenho mais teu abraço -, se eu mesmo dou as respostas às perguntas que eu te faço!… Sei quanto errei no passado... Paguei caro à solidão!... E o pior preço cobrado, foi não ter o teu perdão!… Sem pressa, vai percebendo, na firma, quando ele atrasa, que o seu patrão vai fazendo um "serão" em sua casa!… Sou poeta do Universo, feito de sonho e magia, pois faço de cada verso meu sonho de cada dia!… Tão metida a ser Dondoca, tinha um castigo, a Maria: - Quando fazia fofoca, a dentadura caia!... Vendo a espera angustiante, o meu relógio, sem graça, vai mostrando o teu semblante em cada instante que passa!… Vendo as tristezas tão minhas na tua ausência, a lembrança fez da saudade, entre linhas os meus versos de esperança!… Voltas com outra proposta, mas, eu, fingindo altivez, uso o poder na resposta e digo não, outra vez! ...
  14. 14. 15 Anibal Beça Gaveta de Haicais A cigarra canta o anúncio de sua morte - formigas na contra-dança. Ao chegar da rua os olhos do cão me dizem – entre com ternura. Ao passar a chuva abre o sol timidamente um claro sorriso. Apenas um gesto e o homem é capaz de vida - reparto o caqui. Broca no bambu deixa furos vazados: O vento faz música. Cercada de verde ilha na hera do muro: uma orquídea branca. Céu de primavera. Nas açucenas floridas dura mais o orvalho. Coruja na cumeeira arrepia no seu canto - a viúva reza. De manhã, a brisa encrespa o igarapé e penteia as águas. De repente caminham em fila na trilha — formigas tucandeiras.
  15. 15. 16 Folha no rio vai para o mar sem volta - chorão se renova. Girassol na tarde se curva em reverência: o sol se vai. Grito de agonia: periquito na jaqueira preso na resina. Leveza de vôo - ah, se as palavras pousassem como esta libélula. Na soleira do sítio a negra graúna canta ao silêncio do sol. Noitinha na várzea: com a lua na garupa búfalos regressam. Nos olhos do cão eu recomponho essa calma que só ele conhece. Roupas estendidas — o clarear dos relâmpagos alveja o varal. Seis horas da tarde: sons de cigarras os sinos do templo Sobe a piracema - ano que vem outros peixes nadarão de novo. Sozinho na casa. Lá fora o canto das cigarras — ah, se não fossem elas… Trinar de canário — um canto de desencanto de preso no aviário. Vento de verão vem com bafo de mormaço - garoa ameniza. Haicais para os Olhos da Amada do encontro teus olhos chegam dança que não destrança aos sons que almejam.
  16. 16. 17 do carinho Teus olhos traçam nesse tão largo afago curvas que abraçam. da paixão teus olhos ardem ao lume qual perfume brasas que espargem. do amor teus olhos brilham entre luas azuis e nuas a paz que trilham. da entrega teus olhos choram em prece que enaltece os salmos que oram. da doação teus olhos formam das ázimas lagrimas rios que ao mar tornam. do cotidiano teus olhos cantam em temor ao desamor males que espantam. do desejo teus olhos vibram harpejos de desejos no olor que aspiram. do prazer teus olhos quebram momento e alumbramento os tons que celebram. do ciúme teus olhos fitam na ronda o meneio da onda o mar que atiçam. Haicais no País do Carnaval Para Millor Fernandes Carnaval ritmo de marcha: chora um pierrô na hora negra que atarraxa.
  17. 17. 18 maestro o momo balança sensual no carnaval a ginga da pança. trio elétrico se o povo balança nem sempre é feliz quem tem a alegre frevança. milagre na dança do samba Brasil: desfile de anil no jeito de bamba. brasileiríssima o bloco dos sujos em trote leva o pacote dos próprios sabujos. 4ª feira ingrata fim de carnaval acorda o Brasil nas hordas do choro geral. ================ pavio curto Escutando o mar: audição na concha o leão ruge à preamar. dói trinar de canário é o canto do desencanto preso no aviário. porta-voz um pé lá e cá o sapo inflando seu papo em janauacá. bote a cobra se apóia na arquitetura que é dura casca de jibóia. rinha quando o gongo bate é hora que aflora a espora do galo em combate.
  18. 18. 19 lição saí da rasteira no tombo do seu quilombo às de capoeira. dieta antes de ser já é pescada a leve fritada do igarapé. viagem a linha descaída comanda a pipa que panda rasa e distraída. capa e espada o touro na arena é langue de olhar exangue nos olés da pena. Anibal Augusto Ferro de Madureira Beça Neto era amazonense de Manaus, onde nasceu a 13 de setembro de 1946 e faleceu hoje, 25 de agosto de 2009.Dividiu seus primeiros estudos entre colégios de Manaus e em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul. Dur ante sua permanência no Rio Grande do Sul, mais precisamente em Porto Alegre, travou conhecimento com o poeta Mario Quintana, quem lhe deu os primeiros ensinamentos e o estímulo para caminhar pelas veredas da poesia. Especialista em tecnologia educacional na área de Comunicação Social (UFRJ), Teve passagens, como repórter, redator, colunista, copy-desk e editor, em todas as redações dos jornais de Manaus, do ínicio da década de 60 até final da década de 80; foi diretor de produção da Televisão Educativa do Amazonas – TVE. Consultor da Secretaria de Cultura e Turismo do Amazonas. Idealizador e Editor-geral do suplemento literário “O Muhra”, de circulação bi-mestral, editado pela referida secretaria. Envolvido com teatro, artes plásticas, foi na música popular que a sua contribuição se faz mais efetiva como compositor, letrista e produtor de espetáculos e de discos. Desde 1968, quando venceu o I Festival da Canção do Amazonas, Aníbal foi colecionando prêmios com mais de 18 primeiros lugares em festivais em sua terra, no Brasil e no exterior. Representou o Brasil no VIII Festival de Joropo de Villa Vicencio, Colômbia (1969); Foi o único artista amazonense a se classificar e se apresentar no Festival Internacional da Canção FIC, em 1970, com a música “Lundu do Terreiro de Fogo”, defendida pela cantora Ângela Maria. Tem músicas gravadas por vários artistas brasileiros. Aníbal Beça, além da sua condição artística era produtor e animador cultural nato. Sua participação política tinha-se plasmado no âmbito de entidades de classe, como diretor do Sindicato dos Escritores, presidente da ACLIA Associação de Compositores, Letristas e Intérpretes do Amazonas, Presidente do Coletivo Gens da Selva (ONG), Vice-Presidente da UBE-AM União Brasileira de Escritores, seção Amazonas
  19. 19. 20 Seu trânsito amplo, por diversos setores artísticos, que se estende até à manifestação da arte mais popular brasileira, o carnaval, fez com que fosse lembrado, e merecidamente homenageado, em 99, como tema de enredo “Aníbal Bom à Beça” da Escola de Samba “Sem Compromisso”. Fazia parte da Ala dos Compositores das Escolas de Samba Reino Unido da Liberdade e Sem Compromisso, dando a esta última, seu único título pela autoria do enredo e do samba de enredo “Joana Galante – Axé dos Orixás”, e classificou a referida escola entre as três primeiras colocações com os samba de enredo: “Hotel Cassino – Apoteose Boêmia”, “Hoje tem Guarany”, “Vento e sol, passa cerol – A Arte de empinar papagaios” ; “Sol de Feira – O pregão da Alegria”. Seu primeiro livro Convite Frugal, data de 1966. A propósito de sua poesia, o poeta Carlos Drummond de Andrade, teceu, em 31 de julho de 1987 – pouco antes de morrer – o comentário: “Li Filhos da Várzea, os poemas-pôster e os haicais afetuosamente a mim dedicados. Obrigado por tudo, meu caro poeta. É de coração aberto que lhe desejo a maior receptividade pública e compreensão para a bela poesia que está elaborando e que, espero, marcará seu nome como um dos que en grandeceram o cultivo artístico do verso.” Em 1994, com o livro Suíte para os Habitantes da Noite, sagrou-se vencedor, dentre 7.038 livros de todo o país, do 6º Prêmio Nestlé de Literatura Brasileira – categoria poesia. O livro, lançado sob o selo da editora Paz e Terra, saiu em 1995. Anibal Beça se destaca pela sua prática do haicai. Foi membro da UBE , União Brasileira de Escritores, do Coletivo Gens da Selva (ONG) e do Clube da Madrugada, entidade instaur adora dos movimentos renovadores no campo literário e artístico do Amazonas. Em junho de 99, Representou o Brasil no VIII Festival Internacional de Poesia de Medellín, e em agosto/99 no Encontro Internacional de Escritores da Associação Americana para o desenvolvimento cultural, em Bogotá. Tem participação em diversas antologias: A Nova Poesia Brasileira de Olga Savary; A Poesia do sec. XX – Amazonas de Assis Brasil; Poesia Sempre da Fund. Biblioteca Nacional.; Antologia FUI EU de Eunice Arruda. Bibliografia Convite Frugal, 1966; Filhos da Várzea e outros poemas(abrigando o livro Hora Nua), 1984; Itinerário da Noite Desmedida à Mínima Fratura, 1987; Quem foi ao vento, perdeu o assento, (Teatro), 1987; Marupiara – Antologia de Novos Poetas do Amazonas, (organizador), 1989; Suíte para os Habitantes da Noite, (Vencedor do VI Prêmio Nestlé de Literatura Brasileira), 1995; Banda da Asa – poemas reunidos, 1998. Fonte: Jornal de Poesia
  20. 20. 21 Registro Histórico da Trova
  21. 21. 22 Aparício Fernandes Trovas Circunstanciais Parte 1 Existe um tipo de trovas de duração relativamente efêmera, às quais não se pode atribuir grande valor literário ou artístico, mas que nem por isso deixam de ser interessantes e dignas de menção. São as trovas de circunstância, que assim denominamos por se basearem em ocorrências ou costumes ocasionais. Neste aspecto estão incluídas as trovas de propaganda, as que utilizam gírias, as de brincadeira, visando determinado fato ou pessoa, as de exaltação a personalidades famosas (excetuamos desta categoria as trovas sobre Jesus Cristo), as que abordam temas como o petróleo, nomes de cidades, realizações governamentais, nomes de livros, etc. De um modo geral, não gostamos de trovas laudatórias, mas isso é apenas um ponto de vista pessoal, proveniente talvez do grande respeito que temos por todos os gêneros de Poesia, mormente pela Trova. Com o advento dos Jogos Florais e dos frequentes concursos de trovas, cujas festividades de encerramento reúnem um grande número de trovadores, esses encontros passaram a ser um campo fértil para as trovas de circunstância. Vejamos alguns exemplos. O poeta João Rangel Coelho (pai de Colbert Rangel Coelho, muito embora o velho Rangel faça questão de dizer que Colbert é que é filho dele) é um dos grandes campeões da trova no Brasil. Além disso, quando lhe dá na veneta, torna-se tão mordaz que, junto dele, a famosa "boca de inferno" de Gregório de Matos seria uma mísera boca de fogareiro. Não menos ágil de pensamento é o poeta e trovador Aristheu Bulhões, reside nte em Santos. Sendo excelente repentista, o Aristheu, mal acaba de declamar uma trova que vem de improvisar, e já está mentalmente compondo outra quadrinha para dizer em seguida. Certa vez, no ônibus que nos levava para um dos Jogos Florais de Nova Friburgo, João Rangel Coelho estava conversando com a queridíssima (de
  22. 22. 23 nós todos) trovadora Magdalena Léa, que, segundo o A. A. de Assis, é o único broto com mais de cinquenta aninhos. Na ocasião, Magdalena mostrava ao Rangel uma fotografia de suas filhas (dela). De repente, o Aristheu interrompe a conversa para dizer ao Rangel a centésima trova que havia improvisado. Este, que escutara pacientemente as outras noventa e nove, não aguentou mais. Virando-se para Magdalena e apontando a fotografia, saiu-se com esta: As tuas filhas são belas, são uns primores de Deus. Eu adoro os ares delas, mas detesto os aris...teus! Ainda em Friburgo, nos I Jogos Florais daquela cidade, em 1960, calhou de ficarem no mesmo hotel as trovadoras Helena Ferraz, Cléa Marina e Augusta Campos. A expansividade era natural, contrastando com o silêncio reticencioso de uma velha reprodução da Mona Lisa de Leonardo da Vinci, ali pendurada à guisa de ornamentação. Augusta Campos, poetisa cearense residente no Rio, verdadeiro azougue em matéria de trovas de circunstância, lançou ao quadro um olhar desconfiado e no dia seguinte comentava: Na parede, a Mona Lisa, vendo a nossa animação, fica assim meio indecisa, sem saber se ri ou não. Anos depois, a mesma poetisa estava assistindo a uma reunião da antiga seção da Guanabara do Grêmio Brasileiro de Trovadores, quando entra na sala, triunfalmente, uma trovadora cujo vestido causaria complexo de Inferioridade ao mais rutilante dos arco-íris. Na mesma hora, Augusta Campos sapecou esta quadrinha: Margarida vai passando no seu traje original. Pensa que está abafando, parece um pavão real... Naturalmente, mudamos o nome da poetisa "homenageada", para evitar embaraçosas acareações. Vamos a mais um exemplo de trova de circunstância. Nosso querido amigo e confrade Adalberto Dutra de Rezende, mineiro de Cataguases, radicado no Paraná, trovador de alto nível e advogado ilustre, é, sem sombra de dúvida, um homem decidido. Imaginem que, alguns dias antes da semana santa do ano de 1962, deixo u a paisagem plácida de Bandeirantes (onde reside)e veio ao Rio apenas para comunicar-me e também ao Colbert Rangel Coelho, Zálkind Piatigorsky e José Maria Machado de Araújo, que havia organizado em Bandeirantes, sob os auspícios do Lions e do Rotary Club, uma Noite de Autógrafos, na qual deveríamos autografar nossos livros, para o
  23. 23. 24 público local. A festa seria... no sábado de aleluia! Chantageados pela amizade, não houve como alegar a exiguidade do tempo. Fomos. Em lá chegando — como diriam os puristas — notamos que o Zé Maria estava meio preocupado, e até mesmo arredio. É que sua esposa estava nos preparativos finais para a chegada do primeiro herdeiro d o casal. Sabendo disto e aproveitando a deixa proporcionada por uma das melancólicas e solitárias caminhadas do trovador lusitano, compusemos esta quadrinha, de parceria com o nosso anfitrião e também com Zálkind Piatigorsky; Lá se vai o Zé Maria, cabisbaixo, andando a pé, pensando: será Maria? cismando: será José? Pouco tempo depois nascia Maria Lúcia, primogênita do casal Machado de Araújo. Censurando os três jotas (Juscelino, Jânio e João Goulart) e fazendo alusão às letras iniciais de seus respectivos sobrenomes surgiu certa vez, entre o povo, uma trova muito bem feita, embora bastante ferina. Além de ser de circunstância, é também anônima, pois não se sabe quem a compôs. Ei-la: Em três anos — quase nada! — os três jotas: K — Q — G, fizeram da pátria amada esta coisa que se vê. Em vez de coisa, a palavra era outra, que preferimos não publicar. Aliás, nosso interesse peia quadrinha é simplesmente trovadoresco, sem qualquer inclinação política. Certa vez, minha esposa (ainda éramos namorados), quando lecionava num Grupo Escolar, em Minas, viu-se às voltas com um singelo problema: devia conseguir uma trova que falasse em alimentação, para ser recitada por um dos seus alunos. Não conseguindo encontrar logo a tal trova, ela mesma fez esta oportuna quadrinha, que salvou a situação, e cuja autoria modestamente atribuiu a um "poeta desconhecido". Eis a trova, perfeitamente caracterizada como "de circunstância", que um de seus pequenos alunos recitou com a ênfase e os gestos de praxe: Gosto muito de legumes, verdura e frutas também. Como tudo sem queixumes, sou forte como ninguém! No dia 21 de novembro de 1965, como parte das festividades dos Primeiros Jogos Florais da Guanabara, foi oferecido aos trovadores um almoço no "Vale do Paraíso Campestre Clube", localizado em Jacarepaguá. Surgiu então a ideia de se fazer entre os presentes um concurso-relâmpago, tendo como tema o nome do clube. Cada um improvisou a sua trova e a poetisa Lourdes Povoa Bley alcançou o 1.° lugar com esta trova de circunstância:
  24. 24. 25 Esta soberba mansão tem tudo de que preciso. Deixo, pois, meu coração no "Vale do Paraíso". Quando, no Ceará, desmoronou a barragem do açude de Orós, fazendo inúmeras vítimas, as circunstâncias me inspiraram esta quadrinha, que dediquei ao bravo povo cearense; Se a Desgraça conhecesse a fibra que existe lá, já teria desistido de vencer o Ceará! Certa vez, conversavam alguns trovadores quando notaram que um pouco adiante, dois padres trocavam ideias sobre o controvertido assunto do celibato sacerdotal. Imediatamente, o trovador A. A. de Assis aproveitou a circunstância para ironizar; Parece incrível, de fato: – os padres, neste momento, lutam contra o celibato, e nós — contra o casamento! Não há poeta ou trovador que alguma vez não tenha sido perseguido por um pai ou mãe, pedindo versos para os seus rebentos. Certa vez tive q ue improvisar, para um cartão de aniversário, esta quadrinha de circunstância, horrivelzinha como ela só, mas que o orgulhoso papai achou uma beleza: Hoje eu completo um aninho e estou contente, porque vou repartir meu bolinho, dando um pedaço a você. Em outra ocasião, Colbert Rangel Coelho, integrando um grupo de trovadores que viajavam para participar de uns Jogos Florais, teve a sorte de, no ônibus, sentar-se ao lado de uma moça muito bonita, mas calada e compenetrada. Colbert ficou quietinho mas, na primeira parada, ao descer para um cafezinho, piscou o olho e nos segredou: Eu sentado na beirada, ela junto da janela. — Graças às curvas da estrada, vou sentindo as curvas dela... Em Pouso Alegre,MG, fiz uma trova de circunstância que passou a figurar no cardápio da Cantina Uirapuru, e que me valeu uma refeição de graça: Se você está com fome, não faça como um zulu! — Civilizado só come na Cantina Uirapuru!...
  25. 25. 26 Em 1969, na cidade mineira de Juiz de Fora, quando do encerramento de um concurso de trovas promovido pelo Lions Clube local, estiveram presentes duas grandes poetisas portuguesas; Maria Helena e Maria Amélia Novais. No banquete oferecido aos trovadores, Elton Carvalho, que é um excepcional "fazedor" de trovas de circunstância, sentou-se entre as duas referidas poetisas. Lá pelas tantas, dirigindo -se aos demais trovadores, que se haviam localizado na outra extremidade da mesa, saiu-se com esta belíssima trova, onde há uma oportuna alusão ao rio Tejo, que banha a capital portugu esa: Amigos, não os invejo, tão distantes, isolados: – estou feliz como o Tejo, com Portugal dos dois lados. O Desembargador Dr. Luís Antônio de Andrade, uma das maiores culturas jurídicas de nosso país, certa vez ofertou ao poeta Manu el José Lamas um exemplar de nossa coletânea 'Trovadores do Brasil", dedicando-o com esta trova de circunstância, cujo último verso é o seu próprio nome, um setissílabo perfeito: Ai vão, meu caro Lamas, como prova de amizade, as trovas que tanto amas! Luis Antônio de Andrade, Eis uma trova de circunstância laudatória, feita por Inês Gaspar Palácio, homenageando a cidade de Maringá {PR): Maringá! Quanta esperança se contempla em teu caminho, pois teu lema é segurança, trabalho, fé e carinho! O poeta Ary de Andrade refere-se a um esperto motorista de caminhão que, ao longo das estradas, "aplicava" sempre esta trova, a qual servia tanto para comover os credores como para as suas conquistas amorosas de Romeu perambulante: Você não tem coração! Se tivesse, não faria que um chofer sem um tostão vivesse nesta agonia! Fonte: Aparício Fernandes. A Trova no Brasil: história & antologia. Rio de Janeiro/GB: Artenova, 1972
  26. 26. 27 Nota sobre o Almanaque O download (gratuito) dos números anteriores, em formato e-book, pode ser obtido em http://independent.academia.edu/JoseFeldman Os textos foram obtidos na internet, em jornais, revistas e livros, ou mesmo colaboração do poeta e escritores. As imagens são montagens, cujas imagens principais foram obtidas na internet e geralmente sem autoria, caso contrário, constará no pé da figura o autor. Este Almanaque tem a intencionalidade de divulgar os valores literários de ontem e de hoje, sejam de renome ou não, respeitando os direitos autorais. Seus textos por ética não são preconceituosos, racistas, que ataquem diretamente os meios religiosos, nações ou mesmo pessoas ou órgãos específicos. Este almanaque não pode ser comercializado em hipótese alguma, sem a autorização de todos os seus autores.

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