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Uma Trova de Maringá/PR
A. A. de Assis
A bênção, queridos pais,
que às vezes sois mães também.
Em nome de Deus cuidais
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Descreve uma frase assim
Cheia de amor, pois, enfim,
Do meu peito um clamor sai:
- Eu quisera ser um pai
Tal qual o meu ...
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Uma Trova de Brasília/DF
Antonio Carlos Teixeira Pinto
É de dor a sensação:
meu pai… arrastando os passos;
e eu… puxando...
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por esta terra onde se sofre tanto.
Não basta sua lembrança ao nosso pranto
que a saudade é perpétua e não se olvida…
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de qualquer gesto ruim,
basta um sorriso esboçar.
Se todo pai percebesse
a força que ele tem,
ensinaria a seu filho
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Nos livros da vida, meu pai, aprendeste
que só por si mesmo se pode vencer!
A fé e a coragem com as quais conviveste
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Uma Trova de Nova Friburgo/RJ
Sérgio Bernardo
Um homem, quando se vai,
deixa esta imagem no adeus:
– perante Deus… a de ...
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Um Poema de Belo Horizonte/MG
Gustavo Drummond
Meu Pai
Madrugada chuvosa, tão cedo,
foste embora, deixou-me com meus med...
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Achou o carro roubado
e na "Loto" fez a quina!
Nasceu pra lua virado...
"Vá ter sorte assim na China!”
À deriva, neste ...
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Falo sempre, em meu delírio,
que a natura é caprichosa!
Do lodo é que vem o lírio,
e entre espinhos surge a rosa.
Meu s...
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Eliana Ruiz Jimenez
Gaveta de Haicais
Escritos na PRIMAVERA
Bem-te-vis em pares
preparam ninhos nos postes.
Em alta ten...
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Tantos professores
abriram nossos caminhos.
E quem abre os deles?
A sapa sapeca
sapeou pela lagoa.
E engirinou!
Teatro ...
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A luz acanhada
dilui-se em serena alvura.
Procissão de nuvens.
Ameno domingo.
Bocejam as criaturas
na lenta manhã.
Doce...
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Escreve crônicas, contos, poemas livres, trovas, haicais e literatura infanto-juvenil. Autora do livro: A tropa do ambi...
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Thalma Tavares
O Trovador e a Trova
O objetivo neste pequeno ensaio, que dedico
aos novos irmãos Trovadores, não é tant...
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“Por ser poeta acredito
em dias menos sombrios.
Meu sonho, quase infinito,
cabe em meus bolsos vazios.”
Enquanto lá for...
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Um alerta de CÉLIO GRUNEVALD nesta Trova do
tema Justiça:
“Quando a Justiça nos choca
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“Duvidar ninguém se atreve,
de que as estrelas que eu fito
são Trovas que Deus escreve
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E vale a pena a gente citar outras Trovas
inteligentes que eu chamaria de produto do senso
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“Da mais funda escuridão,
pergunta um cego: - O que é Luz?
E alguém, por definição,
lhe põe nas mãos uma cruz.”
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Nota sobre o Almanaque
O download (gratuito) dos números anteriores em formato e-book, pode ser obtido em
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Trovas e poemas homenageando os pais;
O trovador homenageado, é de Ribeirão Preto, Sylvio Ricciardi, falecido em 2008.
A haicaista radicada em Balneário Camboriú, poeta e trovadora premiadissima, Eliana Ruiz Jimenez;
Thalma Tavares apresenta um artigo recheado de trovas: "O Trovador e a Trova.

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  1. 1. 2 Uma Trova de Maringá/PR A. A. de Assis A bênção, queridos pais, que às vezes sois mães também. Em nome de Deus cuidais dos filhos que d’Ele vêm! Uma Trova de Bauru/SP João Batista Xavier Oliveira Na leveza do carinho de tuas mãos emplumadas sinto ser um passarinho nas brisas das alvoradas! Um Poema de Ribeirão Preto/SP Nilton Manoel Meu Pai Eu, era bem criança e inda me lembro quando adentravas-te ao lar sorrindo comovido, e aos beijos ias para a minha mãe contando vários fatos de mais esse dia vivido. E então cada um ia sentar-se pra merenda defronte a mesa antiga e de tábuas de pinho, posta na sala, em que na casa da fazenda a família ceava em fraternal carinho. E á hora da janta, enquanto a sopa fumegava, numa terrina grande e exalando temperos, cada um se levantava e com ardor rezava, Ante meu pai, que em pé, sempre ao bom Deus louvava, com as orações, que, eu em hora de desespero repito inda hoje, assim como ele me ensinava. Uma Trova de Belém/PA Antonio Juraci Siqueira Com amor segue em teus trilhos, do bom caminho não sai para que, sempre, teus filhos possam chamar-te de…Pai! Uma Décima de Fortaleza/CE José Francisco Pessoa Neste domingo de agosto Os sinos bem mais badalam Os passarinhos se calam Do sol nascente ao sol posto E um sorriso no meu rosto
  2. 2. 3 Descreve uma frase assim Cheia de amor, pois, enfim, Do meu peito um clamor sai: - Eu quisera ser um pai Tal qual o meu é pra mim. Uma Trova de Curitiba Vanda Alves da Silva Eu nunca temo o futuro, se você pai, me conduz, ao vasto porto seguro, com o seu rastro de luz! Uma Trova de Amparo/SP Eliana Dagmar Meu velho pai me dizia com profunda lucidez: - Nem a mais alta honraria vale mais do que a honradez! Um Poema de Bauru/SP João Batista Xavier Oliveira ETÉREO TRIBUTO -I- Era uma pessoa de bom coração; um homem sensato, longe da malícia. Sofria calado quando a humilhação partia seu peito (acima da sevícia). Passou toda a vida sempre brincalhão; viver a seu lado foi uma delícia. Ao lar, sempre ao lar, sua grande missão; a Deus, sempre a Deus, ao próximo, carícia. Lembrança que a vida imortal incentiva encontro futuro por merecimento com auras floridas de azul firmamento. Da sua virtude tem paz rediviva. Memória perene que nunca se esvai. Escrevo esses versos a você, meu pai!! Trovadores que deixaram Saudades João Freire Filho Rio de Janeiro/RJ (1941 – 2012) Ah… meu pai! Por tua ação eu não temia revés: – Segurando a tua mão, eu tinha o mundo a meus pés!
  3. 3. 4 Uma Trova de Brasília/DF Antonio Carlos Teixeira Pinto É de dor a sensação: meu pai… arrastando os passos; e eu… puxando pela mão quem já me levou nos braços! Uma Trova de Santos/SP Carolina Ramos Esse mesmo pai que um dia Deus me ofertou, ao nascer, é o pai que eu escolheria, caso pudesse escolher! Uma Glosa de Caicó/RN Prof. Garcia Glosando Selma Patti Spinelli (São Paulo/SP) Mote: Sou fiel e não te nego este dever que é uma lei: – não pelo amor que foi cego, mas pelo ‘sim’ que te dei. Glosa: Sou fiel e não te nego. Por te amar, sempre pequei; Este pecado eu carrego... Só que até quando, eu não sei! Mesmo o amor cego, me ensina, este dever que é uma lei: – Não é em qualquer esquina, Que vive o amor que sonhei! Aos teus anseios, me entrego, Mesmo sofrendo de dor; não pelo amor que foi cego, Mas por ser cego de amor! Meu pesadelo é sem fim, Desde o tempo em que te amei... Não porque disseste sim, mas pelo ‘sim’ que te dei! Um Poema de Porto Alegre/RS Ialmar Pio Schneider Soneto A Meu Pai (Homenagem Póstuma Ao Meu Pai no Dia dos Pais – 14 de agosto, Henrique Schneider Filho, falecido em 1970) Descansa aqui o nosso pai da vida
  4. 4. 5 por esta terra onde se sofre tanto. Não basta sua lembrança ao nosso pranto que a saudade é perpétua e não se olvida… Viveu, lutou… foi breve a despedida; aos pés do Criador caiu, entanto; morte serena como morre um santo, após saber da sua missão cumprida. Mas viverá pra sempre nos seus filhos e na recordação de sua esposa; ninguém há de seguir confusos trilhos por falta dos conselhos que nos deu; se o corpo permanece nesta lousa, a alma, com certeza, está no Céu… Uma Trova de Caçapava/SP Élbea Priscila de Souza e Silva Um homem sem preconceito, um sábio diante da vida, meu pai legou-me o direito de andar de cabeça erguida… Uma Trova de Pinhalão/PR Lêda Terezinha de Oliveira Do céu, meu pai é por mim, qual querubim protetor, muito sinto que é assim, meu pai, um anjo de amor. Um Poema de Campos dos Goytacazes/RJ Heloísa Crespo A Força de Um Pai Se todo pai percebesse a força dada por Deus, perante todos os filhos ‘se acharia’ um deus. Ele é sempre um grande homem, líder por natureza, não precisando de esforço para mostrar sua grandeza, não importando o que seja: - velho, alegre, fechado, austero, novo, feliz, intransigente ou calado. Pai tem um quê de fascínio sobre seu filho bebê, adolescente ou adulto, tem magia do poder. O perdão sempre ele tem para voltar a reinar,
  5. 5. 6 de qualquer gesto ruim, basta um sorriso esboçar. Se todo pai percebesse a força que ele tem, ensinaria a seu filho a arte de viver bem: - mão estendida, amor, carinho e atenção, uma palavra amiga cheia de compreensão, vendo o olhar do seu filho, vendo o que ninguém vê, dando o braço num abraço, fazendo a dor não doer. Acorde, enquanto é tempo no tempo que não se vai. Descubra o valor que tem e a grande força de um pai! Uma Trova de Caicó/RN Prof. Garcia Lembrança que me distrai, que acaba com meu desgosto, é ver teu rosto, meu Pai retratado no meu rosto! Uma Trova de Curitiba/PR Nei Garcez Você sempre foi meu guia nos abismos desta vida, e eu jamais o percebia, ó meu pai… Que linda lida! Um Poema de Londrina/PR Leonilda Yvonnetti Spina Teus Passos Teus passos pesados ficaram gravados em nossa memória… Pisaram caminhos, destruíram espinhos, fizeram uma história! Com o suor do rosto colheste a vitória! O amor ao trabalho, a tua luta constante fizeram de ti nosso exemplo marcante! O grande respeito que nos incutias até pelo passo, pausado, imporias! Já te deitavas, mal a noite surgia. Ao romper da manhã, disposto acordavas. Teus passos tão fortes ao longe se ouvia, quando, no silêncio, a dormir nos deixavas.
  6. 6. 7 Nos livros da vida, meu pai, aprendeste que só por si mesmo se pode vencer! A fé e a coragem com as quais conviveste traçaram, pra sempre, teu modo de ser! Depois… te cansavas numa caminhada. Já não tinhas, de outrora, a força dos braços. Mas, confesso, meu pai, não havia nada melhor de se ouvir… que o rumor de teus passos! Uma Trova de Belo Horizonte/MG Olýmpio S. Coutinho Meu pai, que eu nunca esqueci, veja em mim a sua glória; segui seus passos, venci! É sua a minha vitória. Uma Trova de Ribeirão Preto/SP Nilton Manoel Se a vida, enche-se de brilho no dia a dia de pai, é porque a vida do filho é a grande graça do PAI! Um Poema do Rio de Janeiro/RJ Adozinda Aguiar Meu Pai Queria ainda uma vez mais mostrar-te As rosas que nasceram na varanda Os rouxinóis pousando na sacada E a canção do Roberto nas paradas. Queria que ainda visses meus poemas E me dizer , talvez de qual gostavas E o cachecol de lã que estou tecendo Pra me aquecer nas frias madrugadas. Queria beijar mais uma vez As fortes mãos com que me abençoavas E o teu límpido olhar iluminado Sentir me acompanhar por onde andava. Chego à casa , abro a porta , tua guitarra Abandonada no canto do sofá Tem um triste lamento em cada corda: …Ele se foi e não vai mais voltar!
  7. 7. 8 Uma Trova de Nova Friburgo/RJ Sérgio Bernardo Um homem, quando se vai, deixa esta imagem no adeus: – perante Deus… a de um pai: – perante o filho… a de um Deus! Um Poema de Alegrete/RS Mário Quintana As Mãos de Meu Pai As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis Sobre um fundo de manchas já da cor da terra – como são belas as tuas mãos pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiam da nobre cólera dos justos… Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza que se chama simplesmente vida E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços da tua cadeira predileta, uma luz parece vir de dentro delas… Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente, vieste alimentando na terrível solidão do mundo, como quem junta uns gravetos e tenta acendê -los contra o vento? Ah! Como os fizeste arder, fulgir, com o mil agre das tua mãos! E é, ainda, a vida que transfigura as tuas mãos nodosas… essa chama de vida – que transcende a própria vida … e que os Anjos, um dia, chamarão de alma. Uma Trova de Bauru/SP Ercy Maria M. Marques Dosando amor e energia ele cumpriu seu destino. Oh meu pai! como eu queria ser novamente um menino! Uma Trova de Bandeirantes/PR Neide Rocha Portugal Pai, a saudade me acorda e traz, do nosso passado, o rancho, o fumo de corda… e o teu chapéu amassado!
  8. 8. 9 Um Poema de Belo Horizonte/MG Gustavo Drummond Meu Pai Madrugada chuvosa, tão cedo, foste embora, deixou-me com meus medos, tantos anseios, sem meios de dizer adeus. Chuva de estrelas, pranto, Homenagem do céu. Seus ideais sepultos, Seus planos findados, antes de terminados. Calada a voz que gritava gols, pelos campos do mundo, pelos jogos da vida, destruída. Locutor emudecido, Poeta sem versos, Cronista; perdida inspiração. Precoce, morte, Eterna vivência; deixaste de herança, a coragem pra dizer a verdade, Ficaste, perene, na lembrança; na alma criança, no peito aflito; um grito que não cala. Saudade que não sara, e fica... Vazio que não se preenche, Está em mim, nas minhas preces, nas minhas dúvidas, nas horas duras, na alegria triste, porque não existe você. Guerreiro, Herói, Ídolo, Super tudo, O homem do meu mundo, Espelho, que reflete a paz. Quem sabe um dia desses, dê uma chegada aqui Numa fuga inesperada, Uma palavra, um beijo, Um sorriso, surpresa grata, um único desejo; Depois volte pra lá...
  9. 9. 10
  10. 10. 11 Achou o carro roubado e na "Loto" fez a quina! Nasceu pra lua virado... "Vá ter sorte assim na China!” À deriva, neste mundo, meu coração sofredor não se esquece, um só segundo, do teu beijo abrasador. A máscara de alegria em meu rosto com freqüência, é apenas a fantasia no carnaval da existência A Pafúncia, dorminhoca, cozinha, vendo a novela... e, suspirando, a coroca deixou queimar a panela! A preguiça era tamanha que, ao te esperar na porteira, sentei numa pedra estranha; me estrepei! Pedra não cheira… Atirado em fria estiva, sem bússola, em pleno mar, meu coração, à deriva, morre de tanto te amar… Deixe de orgulho e me abrace que vai ser melhor assim!... Tire a máscara da face, que eu sei que és louca por mim. Dentre as flores do jardim e escondido nas ramadas, é o espinho o espadachim das rosas despreocupadas. Ela me chamou de bobo, porque eu olhei, da janela, quando o vento, com afobo, levantou a saia dela. Em minha lira tão pobre, não achei a sutileza de uma rima ou verso nobre para cantar-te a beleza! Em tua lira, a paixão canta meiguice e magia! Até os anjos, na amplidão, batem palmas de alegria! Entre espinhos e entre flores, em seus dias tão cruentos, é nas mãos dos professores que desabrocham talentos.
  11. 11. 12 Falo sempre, em meu delírio, que a natura é caprichosa! Do lodo é que vem o lírio, e entre espinhos surge a rosa. Meu salário é tão pequeno, não dá pra nada comprar; não dá nem para o veneno, se eu quiser me suicidar! Meu salário,eu nem te conto! Ele ficou tão em baixa, que se tiram o "desconto", fico devendo pro Caixa! Nesta ansiedade aflitiva procurei-te sem cessar... Meu coração à deriva, nem sabe onde procurar. No cristal da fonte brilha espelho espetacular! E a lua cheia, andarilha, vaidosa... vem-se espelhar… O talento é dom latente, ou melhor, ouro em jazida; que sobressai, de repente, entre os cascalhos da vida! Partiste... e a angústia em surdina, gerando a cumplicidade, veio morar, clandestina, no meu plantão de saudade. Que grande dádiva encerra a mão de Deus, onisciente, quando acende aqui na terra a chama do sol nascente. Quero que poupem dinheiro, comprando apenas um pão! E passem o pão no cheiro da panela do Chefão! Triste sorte a do seu Lessa: casou com loura "branquinha" e hoje tem chifres à beça! ... E uma filha mulatinha… Tua constante evasiva fez de mim, ano após ano, um barco triste, à deriva, no mar do meu desengano… Tuas mãos, tão delicadas, sobre a lira, de mansinho, são pombinhas namoradas construindo um lindo ninho!
  12. 12. 13 Eliana Ruiz Jimenez Gaveta de Haicais Escritos na PRIMAVERA Bem-te-vis em pares preparam ninhos nos postes. Em alta tensão. Ah… o impressionismo… Diante de mim, Monet emoção etérea. Rolinhas se enroscam nas palmeiras do quintal. Ovinhos à vista. Trabalho, trabalho. Formigas em carreirinha levam folhas verdes. Vida em tons pastéis até encontrar seu olhar. Paleta de cores. Mais um dia nasce. E esse amor que me vigia é a luz da manhã. Gorjeia em triversos o trinca-ferro do sul. Poeta do bosque. Incessante chuva. Em dia de escuridão as luzes acesas. Dissolve as estrelas uma luz no firmamento. O sol da manhã. Estrelas do mar, a maré nunca mais trouxe… Detritos na areia.
  13. 13. 14 Tantos professores abriram nossos caminhos. E quem abre os deles? A sapa sapeca sapeou pela lagoa. E engirinou! Teatro giratório. Há lugar para sentar em palco de sonhos? Escritos no VERÃO Deixar-se levar é viajar sem e-tickets. Pensamentos bons… O verão, em férias, acinzenta o céu e o mar. Guarda-sóis guardados. Moradas no morro. Chove muito, chove mais, morro abaixo, morte. Boiando no rio um sofá é entregue ao mar. E quem vai sentar? Escritos no OUTONO Poeta na praia, voyeur em noite encantada. Excessos da lua. Luona no mar tinge de prata o horizonte. Presente de maio. Nuvens versus sol, luta no ringue do céu. E quem vencerá? Lua em perigeu gera preciosas saudades. Reflexos no mar. Voltaram as nuvens, a luz cansou de brilhar. Feriado solar. Perigeu no mar tinto de prata o horizonte presente de maio. Outono abre alas para o sol quase verão. Graça da estação.
  14. 14. 15 A luz acanhada dilui-se em serena alvura. Procissão de nuvens. Ameno domingo. Bocejam as criaturas na lenta manhã. Doces caramelos. Tantos sabores da infância em tardes sem culpa. Orgulhoso o sol ostenta a pinta no rosto. Passeio de Vênus. Escritos no INVERNO O frio de junho. Casacos livres do armário desfilam na rua. Na tarde sisuda, o vento arrepia as folhas Chocolate quente. Os balões no céu já não são mais inocentes. Florestas em chamas. Dia em tons de cinza. Num ninho de cobertores, o calor das cores. Marasmo diário. Na rede do pescador, garrafas e latas. Fios por toda parte levam notícias e sonhos. As pessoas ficam. Na história, o grito lá nas margens do Ipiranga… Hoje só detrito. No carro de som a propaganda política. Vai ganhar no grito? Eliana Ruiz Jimenez, nasceu em São Paulo, Capital. Com formação em Letras e em Direito, exerce a advocacia em Balneário Camboriú/SC. Ligada a entidades de proteção ao meio ambiente, faz parte da Comissão de Meio Ambiente e Urbanismo da OAB. Suas incursões literárias vão das crônicas a poesias livres, trovas e literatura infanto-juvenil. É autora do livro “A tropa do ambiente em a internet do futuro”. Eliana Ruiz Jimenez, nasceu em São Paulo, Capital, e reside em Balneário Camboriú desde 2001. Tem formação em Letras e em Direito. Ligada a entidades de proteção ao meio ambiente. Presidente da Comissão de Meio Ambiente e Urbanismo da OAB e secretária do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Balneário Camboriú/SC.
  15. 15. 16 Escreve crônicas, contos, poemas livres, trovas, haicais e literatura infanto-juvenil. Autora do livro: A tropa do ambiente em: A internet do futuro. Tem vários trabalhos premiados em concursos literários. Membro da Academia de Letras de Balneário Camboriú e sócia correspondente da ATRN – Academia de Trovas do Rio Grande do Norte. Publicações: Livro Infantojuvenil A tropa do ambiente Poesias A rua da amoreira – poesias livres (inédito); Poesias urbanas e outras paixões – poesias livres. Possui várias dezenas de premiações, como: Crônica, Prêmio SESC de Literatura de 2014 – crônica Rubem Braga – título: “Tração humana” – selecionada para antologia; 23º Concurso Nacional de Poesias Augusto dos Anjos – Leopoldina/MG - 2014 – 2º. Lugar; Poemas no ônibus e no trem – Edição 2014 – de Porto Alegre - poesia selecionada para veiculação no transporte urbano; Poemas no ônibus de Gravataí – 11ª. Edição – 2014 – poesia selecionada para veiculação no transporte urbano; II Concurso Nacional de Poesias “Narciso Araújo” da Academia de Artes, Cultura e Letras de Marataízes/ES – 2014 – 1º Lugar; VI Concurso Literário “Cidade de Maringá”/PR - 2013 – Homenagem ao Jubileu de Ouro da Cocamar - 1º Lugar; I Concurso de Trovas do Japão – Tema: Migrante – 4º. lugar e trova destaque; Concurso de Trovas da União Brasileira de Trovadores – Seção São Paulo – 2014 – categoria vencedora; XVI Jogos Florais Nacionais/Internacionais de Santos – 2014 – categoria vencedora; XXXIV Concurso da Academia de Trovas do Rio Grande do Norte – ATRN – 2014 -3º. Lugar; XXIV Concurso de Trovas de Pindamonhangaba 2014 – Menção Honrosa; X Concurso de Trovas da UBT – Maranguape/CE- 2º. Lugar; Jogos Florais de Ribeirão Preto/SP – 2014 – categoria vencedora- 4º. lugar; Jogos Florais de Cantagalo/RJ – 2014 – Vencedora. Participação em antologias e coletâneas. Publicações em revistas e e-books. Tem vários trabalhos disponibilizados nos seguintes blogs: http://poesiaemtrovas.blogspot.com (Trova-legenda); http://elianaruizjimenez.blogspot.com (crônicas); http://poesiasurbanasetrovas.blogspot.com (poesias livres e haicais)
  16. 16. 17 Thalma Tavares O Trovador e a Trova O objetivo neste pequeno ensaio, que dedico aos novos irmãos Trovadores, não é tanto dizer trovas, quanto falar da Trova e daquele que a faz. Se fôssemos buscar nos tratados a definição da palavra TROVADOR, certamente eles nos levariam de volta à Idade Média onde a figura daquele cavalheiro medieval pouco tem a haver com este cidadão de hoje, tão comum quanto qualquer de nós, mas que possui o dom poético de fazer Trovas. Daquele medieval cavalheiro, o Trovador de hoje herdou mais o nome do que o status e a condição. Ao nome acrescentou o seu talento pessoal, a sua capacidade criadora. Mas o seu relacionamento com a Trova, diferentemente daquele, não se resume apenas ao ato de compô-las e dizê-las publicamente. Os Trovadores de agora pensam, sentem e amam ao compasso da Trova. E quem nos confirma isto é LUIZ OTÁVIO quando nos diz: “Tirem-me tudo o que tenho, neguem-me todo o valor!... Numa glória só me empenho: - a de humilde Trovador!” Mas CAROLINA RAMOS também confirma nossa opinião com esta linda Trova: “Trovador, quando padece ao enfrentar duras provas, guarda a angústia numa prece e reza... fazendo Trovas.” No limite dos quatro versos de uma Trova, os Trovadores empreendem viagens maravilhosas ao nosso desconhecido mundo interior e a todos os imagináveis mundos da fantasia humana. Faz da Trova uma profissão de fé, um eloqüente atestado de suas crenças, de suas convicções, assim como faz SARA MARIANY KANTER nesta Trova:
  17. 17. 18 “Por ser poeta acredito em dias menos sombrios. Meu sonho, quase infinito, cabe em meus bolsos vazios.” Enquanto lá fora os poderosos se digladiam semeando a descrença, a violência, o ódio e o ceticismo no coração das criaturas, os Trova dores seguem destilando amor, acreditando no semelhante, sonhando e colocando o coração bem acima das torpezas humanas. E neste contexto insere-se perfeitamente esta Trova de nosso irmão da UBT-Belém do Pará, ANTÔNIO JURACY SIQUEIRA: “Canta Trovador! Teu canto alvissareiro e fecundo é uma canção de acalanto ninando as mágoas do mundo!” De fato, “ninar as mágoas do mundo” é atributo sublime e só poderia ser dado aos poetas. E assim dizendo, o autor os elege consoladores das queixas universais. Mas, para reforçar a idéia de Antônio Juracy, temos esta outra Trova de LUIZ OTÁVIO: “Bendigo a Deus ter me dado a sorte de Trovador. Pois o mal quando é cantado, diminui o seu rigor...” Para o bom Trovador, em termos de criatividade, a Trova é sempre uma expectativ a do inusitado e ele, Trovador, o intérprete das esperanças da humanidade, o paladino do amor, da paz, da justiça e da fraternidade. É também, quando necessário, o crítico, o cronista do cotidiano, o humorista alegre e refinado, o observador arguto. E trovas existem aos milhares que nos mostram toda essa gama de virtudes. São incontáveis e passaríamos aqui um tempo enorme dizendo apenas diminuta parcela de um todo difícil de registrar. Nos limitaremos, pois, a dar apenas uma ligeira mostra do gên io dessa estirpe iluminada chamada TROVADORES. Iniciaremos a mostra com uma observação triste de ABGAIL RIZZINI, nesta sua Trova do tema Esperança: “Olhar triste é o da criança que olha a vitrina, e em segredo, chora a morte da esperança ante o preço de um brinquedo!” Uma Trova de infância na saudade de NEY DAMASCENO: “Num velocípede antigo que tem quase a minha idade, passeia a infância comigo pelas ruas da saudade”
  18. 18. 19 Um alerta de CÉLIO GRUNEVALD nesta Trova do tema Justiça: “Quando a Justiça nos choca e a verdade é inconsistente, há sempre um sino que toca na consciência da gente...” Uma exaltação à Liberdade nesta vibrante Trova de WALDIR NEVES: “A glória dos homens brilha com fulgor de eternidade, toda vez que uma Bastilha tomba aos pés da Liberdade!” Uma dissertação sobre o amor e a morte nesta Trova de CLEÓMENES CAMPOS: “O amor e a morte, a rigor, são faces da mesma sorte: – no fim da palavra amor começa a palavra morte!” Eis aqui uma Trova onde a ambigüidade de sentidos, inteligentemente arquitetada por CLÓVIS MAIA, enriquece o gênero humorístico: “Quando a Dinha está acamada eu agradeço à vizinha que passa a noite acordada e faz tudo pela Dinha...” Uma Trova em que o saudoso JOSÉ MARIA MACHADO DE ARAUJO evoca, lírica e tristemente, a lembrança materna e se confessa publicamente: “Minha mãe chorou mais pranto que a mãe de Nosso Senhor. A Virgem chorou um Santo; Minha mãe – um pecador!” Uma constatação do mais puro lirismo nesta Trova de despedida de JOUBERT DE ARAUJO SI LVA: “De todas as despedidas, esta é a mais triste, suponho: - duas almas comovidas chorando a morte de um sonho!” Outra Trova de despedida na inteligente e fatalista conclusão do saudoso CARLOS GUIMARÃES: “De despedidas, apenas, compõe-se, afinal, a vida: - mil despedidas pequenas e uma Grande despedida!” O Trovador DIAS MONTEIRO, extasiado ante a beleza noturna do firmamento, nos faz uma ousada afirmação poética nesta Trova repleta de lirismo:
  19. 19. 20 “Duvidar ninguém se atreve, de que as estrelas que eu fito são Trovas que Deus escreve no livro azul do Infinito!...” E, por fim, do tema Tempestade, uma Trova em que CIPRIANO FERREIRA GOMES nos mostra o seu poder de criatividade na beleza desta comparação inusitada a qual se dá o nome de “ACHADO”: “Tempestade!... E o mar erguido é um cavalo em movimento que tendo o dorso ferido, desfere coices no vento!...” Habituado a trovar sobre qualquer tema, o bom Trovador desconhece assuntos que a Trova não consiga abordar de modo sutil e convincente, para não dizer inteligente e original. É o caso de palavras e temas considerados esdrúxulos e antipoéticos. CAROLINA RAMOS nos dá o exemplo, utilizando numa Trova a palavra CEBOLA que muitos consideram poeticamente inaceitável. Provando o contrário, ela fez de improviso, durante uma reunião da UBT-São Paulo, a seguinte Trova lírica: “Na feirinha da amizade, de produtos desiguais, a CEBOLA da saudade já me fez chorar demais.” E eis aqui, também, como o Trovador IZO GOLDMAN, vencendo um desafio, encontrou saída para rimar numa Trova a palavra CINZA com a sua única rima natural: “Papai do Céu tá RANZINZA! - diz meu netinho assustado: Pintou todinho de CINZA o lindo céu azulado!” E vejam o que fez o príncipe LUIZ OTÁVIO com as palavras RADAR e BISTURI nestas duas Trovas: “O coração de mãe tem um RADAR de tal pujança, que vê melhor, vê além do que a própria vista alcança.” “O trem, cansado e sedento, subindo a nublada serra, é um BISTURI barulhento rasgando o seio da terra...” Mais do que um simples exercício intelectual ou um passatempo, como querem alguns, a Trova é um sentimento, é um estado de amor e muitas vezes uma bênção, porque acaba sempre por preencher lacunas existenciais na vida daqueles que a cultivam no seu cotidiano.
  20. 20. 21 E vale a pena a gente citar outras Trovas inteligentes que eu chamaria de produto do senso de oportunidade e que fazem parte também das chamadas Trovas Circunstanciais: Vejamos, por exemplo, como o Trovador ARLINDO TADEU HAGEN soube aproveitar com oportunismo e bom senso, a perfeita identidade de seus ideais com os ideais de um amigo, construindo uma Trova singela, significativa e convincente: “Existe tanta união, entre os meus sonhos e os teus, que só não és meu irmão por um descuido de Deus.” CONCHITA MOUTINHO DE ALMEIDA, saudosa Trovadora da UBT-São Paulo, referindo-se à sua alma de sonhadora e por extensão à alma de seus irmãos Trovadores, soube explorar com inteligência a dualidade quixotesca da natureza humana, enfocando as antíteses: sonho e realidade, corpo e espírito; nesta Trova que nos enviou numa carta: “De sonhar jamais se cansa - este é o seu supremo dote – meu corpo de Sancho Pança tem alma de D. Quixote!” E de novo citamos WALDIR NEVES, para uma outra mostra de senso de oportunidade. Ele obteve menção honrosa no Concurso Paralelo aos XXXV Florais de Nova Friburgo, em homenagem à saudosíssima NYDIA IAGGI MARTINS, com esta Trova: “De esposa e mãe, nos misteres, de alma e corpo ela se deu e foi “todas as mulheres” na mulher que prometeu.” WALDIR soube aproveitar com oportunida de o “achado” primoroso desta conhecidíssima Trova de NYDIA: “No dia em que tu quiseres ser meu senhor e meu rei, serei todas as mulheres na mulher que te darei!” Vejam como DURVAL MENDONÇA, soube fugir do lugar comum nesta trova do tema “Farol”: “Noite escura!... De repente, dois faróis surgem na estrada... E a escuridão sai da frente como quem foge, assustada.” O Trovador fluminense VILMAR LASSENCE, foi vencedor de um concurso com uma das mais belas trovas do tema “Luz”. Ei-la:
  21. 21. 22 “Da mais funda escuridão, pergunta um cego: - O que é Luz? E alguém, por definição, lhe põe nas mãos uma cruz.” A origem da Trova perde-se na Idade Média. Serviu aos troveiros e trovadores provençais para comporem e cantarem, na língua d’oc e língua d’oil, as suas cantigas d’amigo, cantigas d’escarneo ou de maldizer. A Trova nem sempre teve a mesma forma. Ao longo do tempo, desde a França até a Península Ibérica, ela sofreu várias modificações até transformar-se na deliciosa “Quadrinha Popular Portuguesa” que, por sua vez, deu origem à Trova como hoje a conhecemos e como é praticada nos concursos da UBT e, atualmente, através da Internet. Tudo graças ao idealismo do fundador da UBT, LUIZ OTÁVIO, o Príncipe dos Trovadores Brasileiros. Para que a Trova continuasse como arte aprimorada, como veículo dos mais elevados sentimentos do homem, foi necessário o apoio e o patrocínio de entidades associativas, beneficentes e governamentais que, ao lado da UBT, têm contribuído para a sua divulgação em todo o país e no exterior, através de concursos e jogos florais que hoje somam mais de quarenta eventos anuais, considerando-se os realizados através da Internet. Não obstante esse apoio, a UBT e a Trova são ainda órfãs do interesse das entidades culturais do país e sobrevivem como fontes de cultura, graças à boa vontade, ao amor que alguns Trovadores, abnegados idealistas, têm pelo movimento trovadoresco. Assim, meus irmãos, o TROVADOR E A TROVA, apesar de todos os percalços que têm encontrado no curso dos acontecimentos, neste país que aind a não firmou idealmente suas raízes culturais e não aprendeu a valorizar a cultura, a Trova vem cumprindo o seu papel; vem alimentando os nossos sonhos, alavancando as nossas esperanças, reavivando a nossa fé e a nossa crença num mundo melhor. E enquanto houver no coração das pessoas sensíveis um espaço para a poesia, aí a Trova terá encontrado sua morada e jamais perderá o seu encanto. E, com esta certeza, eu posso lhes confiar um segredo: Se o destino desaprova minha ilusão desmedida, eu ponho ilusões na Trova e sigo iludindo a vida... Fonte: Thalma Tavares, palestra aos novos trovadores, 1994.
  22. 22. 23 Nota sobre o Almanaque O download (gratuito) dos números anteriores em formato e-book, pode ser obtido em http://independent.academia.edu/JoseFeldman Os textos foram obtidos na internet, em jornais, revistas e livros, ou mesmo colaboração do poeta e escritores. As imagens são montagens, cujas imagens principais foram obtidas na internet e geralmente sem autoria, caso contrário, constará no pé da figura o autor. Alguns textos obtidos na internet não possuem autoria. Este Almanaque tem a intencionalidade de divulgar os valores literários de ontem e de hoje, sejam de renome ou não, respeitando os direitos autorais. Seus textos por normas não são preconceituosos, racistas, que ataquem diretamente os meios religiosos, nações ou mesmo pessoas ou órgãos específicos. Este almanaque não pode ser comercializado em hipótese alguma, sem a autorização de todos os seus autores.

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