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Olivaldo Junior
O Homem Triste
Era uma terra em que todos sorriam bastante.
Menos um homem, o homem triste. Aquele homem...
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Uma Trova de Maringá/PR
Alberto Paco
Nos meus tempos de criança,
alheio a qualquer perigo,
brincava com segurança
por so...
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Razões para nunca desistir,
Lições aprendidas para ensinar,
Yin – energia da Lua para fluir.
Rosas, as flores preferidas...
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tanta dicha yo sentí
que por poco me desmayo.
Um Poema de Mimoso do Sul/ES
Alci Santos Vivas Amado
SONETO
Desejo namorá-...
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Não há melhor momento para a reconciliação
Não me julgue por fora como alguém que ao ler um
livro
Já o julgou pela capa,...
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Nesse momento de maturidade
Seja ético e sem tempestade.
No diário, escrevo com a pena
Desde o nosso primeiro ficar
Quan...
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Não te valorizei, despedacei a tua vida
Perdoe-me o jeito de te procurar.
Minha mediocridade te leva à depressão...
Silê...
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Na lista das amizades
mais nomes então desenho
São novas preciosidades
No rol de amigos que tenho.
Um Poema de Mimoso do...
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O íntimo do poeta,
Não julgue
Pela aparência;
Nem pelo título de suas poesias,
Vinde ao Recanto das Letras
Partilhe de ...
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Vestido de cetim
Na mão direita rosas
vou levar
Olha a lua mansa a se derramar
(me leva amor)
Ao luar descansa meu cami...
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La-laia-laia la-laia-laia
Por onde for
quero ser seu par
Uma Trova de Fortaleza/CE
Francisco José Pessoa
Na avenida do ...
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as velhas promessas
Uma Trova de Caicó/RN
Mara Melinni
A velha esquina esquecida,
toda enfeitada de flor,
sem querer, f...
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Estribillho
Honra, pois ao herói desbravador.
Em tua homenagem este hino de louvor.
Salve Ampére! Ó querida cidade
berç...
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Chuvisco Biográfico do Poeta
Alci Santos Vivas Amado nasceu em Santo Antônio do Muqui, Distrito de Mimoso do Sul/ES, no...
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1909
2003
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A brisa da madrugada
entrando pela janela,
balança a rede bordada
de sonhos, dos sonhos dela...
A brisa da mocidade
pas...
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A patinha procurava
um ricaço só pra ela...
Encontrou: o pato estava
“recheado”... e na panela!
A solidão mais sofrida
...
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Ela estufou... só na frente,
e contou pra sua amiga
que foi o inchaço do dente
que desceu para a barriga!
É no fim da c...
20
Na rude encosta deserta,
por onde escorrega a vida,
não tem hora ou data certa
o comboio da partida…
Na seara desta vid...
21
Quando chegou parecia
ter chegado a madrugada...
E partiu levando o dia,
deixando a noite fechada.
Quando o boi é retal...
22
Deu à luz lá do seu modo
ao primeiro incompetente
para que fosse o pomo
da discórdia dessa gente
não precisou muito tem...
23
de algum desavisado
que ousar estender a mão
a todo ser esquisito
que da inveja é discípulo
o seu lema é traição.
Onde ...
24
toda a sua luta é vã
é improfícuo o seu afã
pra quem Deus é a referência.
Por isso a inveja terá
o seu fim concreto e c...
25
Enfim, ar rima com parar e Ninguém rima com
trem. Vejamos mais um exemplo:
CIGARRO
Olho a noite pela
vidraça. Um beijo,...
26
“No princípio, após a morte do filho da virgem,
eram as mulheres que tocavam paxiúba (instrumentos
de sopro) e vestiam ...
27
cerâmicas quebradas e machados. Imediatamente
Rodrigues reconheceu que os fragmentos
desenterrados eram bem semelhantes...
28
— Vou fazer o meu testamento. Você, se quiser,
pode subir naquela figueira e ir comendo uns figos
enquanto me espera.
O...
29
Tudo perfeito, afinal, naquele dia. Em cadeiras
caprichosamente arrumadas sob a sombra do parreiral
em cachos, amigos e...
30
esperando na margem de lá, com a mão estendida…, e
ao caminhar em sua direção não verei mais nada além
daqueles olhos d...
31
prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido.
Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.
Mas se durante muito...
32
Sem descanso tecia a mulher os caprichos do
marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de
moedas, as salas de criad...
33
Pintura: Salvador Dali
Rosa Maria Graciotto Silva
Revisitando as fadas com Lobato
1. Considerações preliminares
A liter...
34
da tradição local, reunia 61 histórias seguindo o
modelo de Charles Perrault que, em 1697, designara os
Contos da mamãe...
35
entre 1894 a 1931, o número de cem mil exemplares
colocados no mercado ( Lourenço Filho, apud
Zilberman, 1986:322).
Par...
36
letra de forma; contrai-se o horror do impresso.
(Cavalheiro, 1962:182, V. II)
2. As reinações de Lobato
Optando por um...
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demais personagens do mundo encantado: Cinderela,
Branca de Neve, Rosa Branca e Rosa Vermelha,
Chapeuzinho Vermelho, Ga...
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Através da curiosidade de Emília fica-se sabendo o
porquê de os sapatinhos de Cinderela ora serem de
cristal, ora de ca...
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havia fugido uma vez, e apesar de capturado estava
preparando nova fuga –– dele e de vários outros. ( p.96
)
O recurso ...
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existentes e abrindo outras, Lobato criou um mapa de
um mundo ficcional que se transforma a cada instante,
sempre a esp...
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no sobrenome” (LIVRO I, p. 11) – que recebe uma
sesmaria no município de Cachoeira, como
reconhecimento do rei de Portu...
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vai sendo apresentada pela ótica popular, em pequenos
versos:
“Lá vai Policarpo Golfão
No seu cavalo alazão”. (LIVRO XV...
43
“Ao contrário dos negros, os índios conservavam-
se em silêncio, no mesmo lugar onde desde o começo
estavam. Trocavam e...
44
O tráfico de escravos praticado pelo padre
Salviano Rumecão é por ele cinicamente narrado ao
seu amigo Quincas Alçada; ...
45
Herberto Sales incorpora ao seu romance a
figura de mestre Manuel, do saveiro Viajante Sem
Porto – personagem de Jorge ...
46
fazem deste romance uma síntese da narrativa
genuinamente brasileira.
Fonte: http://www.seruniversitario.com.br Acesso ...
47
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  1. 1. 2 Olivaldo Junior O Homem Triste Era uma terra em que todos sorriam bastante. Menos um homem, o homem triste. Aquele homem, apesar de o sol nascer e morrer no horizonte, de a lua surgir e esmaecer ao sol posto, aquele que havia sido menino era triste. A tristeza tem jeito de traça e corrói a alegria do peito que a deixa roer. Quando menos se espera, a danada já roeu um orifício e fez morada em seu peito. A partir daí, difícil, bem difícil despejá-la. Foi assim com o homem triste, que deixou a tal tristeza roer o peito em que somente a alegria morava, roendo- o também. Triste. Um dia, no entanto, já triste de tanta tristeza, o homem viu passar um grande circo na estrada da terra em que morava. Era um daqueles circos enormes, com muitos palhaços, bailarinas, trapezistas e nenhum animal, enfim, um circo que apostava na arte. A arte é por si mesma itinerante e, assim como a inspiração, planeja voos para os lugares mais loucos, no dentro dos dentros do mundo. “A alegria passava!”, pensou o homem triste, quase sem crer na alegria. Um palhaço com carinha de estrela o convidou a segui-lo. Reticente, não sabia se queria. O homem triste, beirando a estrada de terra em que passava o circo, ficou em dúvida se seria alegre caso fosse embora. O circo era uma festa. Por último, animando o povo, vinham músicos com violões, violinos e meias-luas, num lirismo só. Alegre, o homem triste cedeu à música que o convidava a ser alegre como um sabiá que conseguiu voltar para o seu lugar. Um dos palhaços o tomou finalmente pelas mãos e ele se foi com o circo para outras terras, numa estrada para o horizonte. As caras alegres de ali nunca mais veriam o homem triste. Olivaldo Gomes da Silva Júnior, nasceu em Aguaí/SP, fixando residência em Mogi-Guaçu/SP, aos sete anos de idade.Graduado em Letras, com Habilitação em Português e Inglês, pela FIMI (Faculdades Integradas Maria Imaculada). Curso livre de Canto Popular, Curso Técnico de Radialismo. Presidente da Casa do Escritor e União Brasileira de Trovadores (UBT) – Seção Mogi Guaçu, SP, desde abril de 2011. Membro da Academia Guaçuana de Letras (AGL), desde 2007 .
  2. 2. 3 Uma Trova de Maringá/PR Alberto Paco Nos meus tempos de criança, alheio a qualquer perigo, brincava com segurança por sobre os campos de trigo! Uma Trova de Belém/PA Nazareno Tourinho Parece que a minha sina, na caminhada da vida, é deixar em cada esquina uma esperança perdida. Um Poema de Mimoso do Sul/ES Alci Santos Vivas Amado REFLEXO DA SEPARAÇÃO Não sei que seria de mim Se algo viesse acontecer, Viesse nosso amor ao fim Acredite, não iria morrer! O que percebo pela cidade Cenas fúteis, e, deprimente, Filho sem rumo, felicidade, Criança silenciosa e doente. Mãe o coloca contra o pai... E vice-versa, vida turbulenta, Fica uma balança, volta e vai. Sofrida! Inconsequentemente... Imposta pela sociedade e o sistema, Esses versos nos ajudam a ir adiante. Uma Trova Humorística do Rio de Janeiro/RJ Edmar Japiassú Maia Cheio de fé, bebe tanto, mas do veneno não morre... E tanto ele "salva o santo", que o santo vive de porre! Um Acróstico de São Paulo/SP Marly Rondan MARLY RONDAN Mil projetos para concluir, Alguns sonhos para realizar.
  3. 3. 4 Razões para nunca desistir, Lições aprendidas para ensinar, Yin – energia da Lua para fluir. Rosas, as flores preferidas. Olhar especial para a criança. Nunca deixa o medo vencer. Diante de adversidades: esperança. Amor pela humanidade. No momento: alegria de viver! Uma Trova de Juiz de Fora/MG Messias da Rocha Quando a paixão foge à norma, a razão com maestria rege a orquestra que transforma nosso amor em sinfonia. Um Poema de Mimoso do Sul/ES Alci Santos Vivas Amado VIAJANTE Vieste de longe, eficiente, ave-ninho, Colocou em confusão minha mente exagerada. Jamais fui provocado em paralela estimulada Mas confesso viajante, necessito de carinho. Foi muito rápida, emotiva, sinto, não estou sozinho, Meus bloqueios físicos evaporaram nessa alvorada. Entre psicose e medo, não fugirei dessa estrada. Não vacilarei, entregarei às curvas do seu caminho. E amanhã, farei parte dessa concentração. Nesse corpo deserto, linda e nua, Energética, delicada, nova estimulação. Ao regressar-te, nossa história perderá a ligação, Será somente uma saudade tua, Talvez, presente, nessa recordação. Uma Quadra Popular Autor Anônimo A perdiz pia no campo comendo seu capinzinho. Quem tem amor anda magro, quem não tem, anda gordinho. Uma Trova Hispânica da Venezuela Carlos Rodríguez Sánchez Cuando yo te conocí aquella noche de mayo
  4. 4. 5 tanta dicha yo sentí que por poco me desmayo. Um Poema de Mimoso do Sul/ES Alci Santos Vivas Amado SONETO Desejo namorá-la à moda antiga, Beijar-lhe a face e a mão, Você me fere me instiga Faz do meu corpo um corrimão. Trago flores à rainha do jardim, Meu olhar brilha, meu amor lhe ofereço, Você me alucina: Coitado de mim! Perdi o freio, agora só resta o começo. Você está linda! É assim que eu a vejo Sobre leito nupcial, vou lhe amar, E sua boca exaltar com terno beijo. Meu desejo você desprezou No mais puro e santo momento Mas em nossas vidas, um fruto ficou. Trovadores que deixaram Saudades Antonio Bispo dos Santos São Cristóvão/SE (1917 – 2010) Niterói/RJ Nada no mundo separa os meus anseios risonhos. É você, princesa rara, na coleção dos meus sonhos!… Uma Trova de Santos/SP Cláudio de Cápua Seguindo o garoto a vida, cresce empinando ilusões, entre lutas, muita lida, vai somando decepções! Um Poema de Mimoso do Sul/ES Alci Santos Vivas Amado FILOSOFIAS Minha vida é uma rede que o destino balança E nesse vai e vem da vida só vejo contramão Embora machucado, não aprecio a vingança Ela só é tão completa quando se dá o perdão.
  5. 5. 6 Não há melhor momento para a reconciliação Não me julgue por fora como alguém que ao ler um livro Já o julgou pela capa, abra-o e leia-o Só assim não ficará contramão. Bem sei que será uma ação difícil, Mas você deve tentar fazê-la, Um pingo de descuido! Pode a um mar de lagrimas. Levá-la Siga aquele que lhe oferece pouco, E não aquele que lhe promete muito. A oportunidade é igual à bola cruzada: Tem que cabecear na hora certa. Não me aponte minhas faltas, eu fujo, Elas são anônimas! Talvez tenha o dedo sujo, A calúnia é igual ao carvão; quando não aleija, marca, São como as flores mais belas também murcham. Quando eu viajar para a eternidade Comigo não queres pegar carona, Pois o seu futuro já foi escrito em meu passado, Para provar que fui um homem, e. Não conquistei mil mulheres Pois investi em nossa felicidade. Viva bem a sua vida, livre mais com barreira Se viver assim será eterna despercebida Vai passar muito tempo! Muito tempo... Como falecida. Uma Trova de Natal/RN Jonas Ramos da Cunha À sombra de uma palmeira de um solar colonial, aquela velha porteira parece um cartão postal. Um Haicai de Curitiba/PR Mário A. J. Zamataro começa a chover – céu pesado e vento leve no início da noite Um Poema de Mimoso do Sul/ES Alci Santos Vivas Amado PENA Todas as respostas sem pena Sejam legítimas; não idiotas
  6. 6. 7 Nesse momento de maturidade Seja ético e sem tempestade. No diário, escrevo com a pena Desde o nosso primeiro ficar Quando num pacto de amar Entre o imaginário e o real. Acredito que eu seja um canário Se não canto morro! Tenho de conviver com isso, Pena que me causa pena! Essa história poderá ser caracterizada Entre o puritanismo e o sensacionalismo Somos conto de fadas! Amor patético, provocante obsessivo. Que pena! Fica aquém do romance? Sem domínio perfeito da escrita Construída por uma pena! Dá pena! Uma história simples, mal frita. Solidário! Invisto no amor, Na alegria e na vida de cada dia De tanto que acredito, ergueu-se uma armadilha E quem caiu? Fui eu! Numa tremenda covardia. Ontem foi tudo pena! Hoje somos somente penas Amanhã a narração o fará com a pena. Uma Trova de Taubaté/SP Dias Monteiro Tendo a flor do teu sorriso e os teus amáveis carinhos, com mais firmeza hoje eu piso nos cascalhos dos caminhos! Uma Aldravia do Rio de Janeiro/RJ Marilza de Castro poesia une versos universos em poesia Um Poema de Mimoso do Sul/ES Alci Santos Vivas Amado SOLIDÃO A DOIS É triste a solidão! Amarga e dolorida Eu imaginava que fosse fácil amar
  7. 7. 8 Não te valorizei, despedacei a tua vida Perdoe-me o jeito de te procurar. Minha mediocridade te leva à depressão... Silêncio, egoísmo, auto-estima esquecida Nas teias da indelicadeza, magoei teu coração, Desculpa-me, esqueci até da nossa união ungida. Eu te anulei com fútil vaidade, Não renovei tua auto-confiança Só pensando em minha felicidade. Não sei falar bonito, só sei que te amo, Tira-me desse sepulcro, não há outra opção, Continua minha rainha, dá-me a ressurreição! Uma Trova do Recife/PE Geraldo Lyra Garimpo, lugar de sonho de repentina riqueza e pesadelo medonho da pobre Mãe Natureza! Uma Glosa de São José dos Campos/SP Adamo Pasquarelli Glosando Miguel Russowsky (Joaçaba/SC) Mote: Os "Bons-dias!” quando os digo com sorriso, amor e empenho, acresço mais um amigo no rol de amigos que tenho. Glosa: Os "Bons-dias!" quando os digo, os digo com emoção; antes os dias bendigo do fundo do coração. Embelezo meu viver com sorriso, amor e empenho pra jamais vir a perder os amigos que mantenho. Feliz, assim, eu prossigo; e a cada dia que passa acresço mais um amigo que também feliz me abraça!
  8. 8. 9 Na lista das amizades mais nomes então desenho São novas preciosidades No rol de amigos que tenho. Um Poema de Mimoso do Sul/ES Alci Santos Vivas Amado POETA Com sua imaginação Começamos á viajar... Ler, acordar, refletir... Pensar que há Entre o não gostar e o amar. Poeta seu coração Sempre irá sonhar, existir, viver, Nunca vai se alterar, Nem mesmo ao morrer; Só desfalecerá Quando deixar de amar. Segue sua sina áspera, Tendo como lema O espelho do passado; Muitas vezes ama! Não sendo correspondido, Mas mesmo assim Traz ondas de esperança, Pois, ainda acredita, Nos dons adquiridos. Lembra de outrora, Olhos verdes da Margarida, Entre a mesa do bar e o decote da selva, Exibe os seios, Espancando-lhe a vida Instigando incorruptivos anseios. Disfarçado... Olha levemente para aquele foco, Deseja o corpo sem pecado, Coberto com vestido, Tecido liso, Mangas e polpas... Bem franzidas, Só de fotografar, Sente na alma um bem estar, Esse néctar das frutas, Que sempre quis blindar. Apaixonado... Tem saudade de sua história, Mas, não divide com ninguém, E nem os seus ideais Com aqueles que não os tem. Se não conhece
  9. 9. 10 O íntimo do poeta, Não julgue Pela aparência; Nem pelo título de suas poesias, Vinde ao Recanto das Letras Partilhe de suas fantasias. Um Haicai de Curitiba/PR José Marins árvores do outono - dão cores ao vento sul folhas de mil tons Uma Trova de São Paulo/SP Divenei Boseli Orquestra das mais bizarras nos troncos e galharadas, é o zunido das cigarras nas tardes ensolaradas! Um Poema de Mimoso do Sul/ES Alci Santos Vivas Amado MIMOSO DO SUL Não agrida sua terra natal, Mimosa, Mimoso, vale encantado Onde nasceu sua vida e seu filho amado, Herdando sua cultura e o berço imortal. Cidade repleta de histórias gigantes Oferece boa educação e tudo que nos envolve Uma administração de garra nos devolve São lutas, parceria na rua dos Feirantes. Sei que nem todo político é fiel, Trapaça, um lava a mão do outro, Tornando os habitantes como fel. Resgatemos a liberdade e a paz, Um pássaro isolado não faz festa, Juntos na certeza que a ética se refaz. Recordando Velhas Canções Andança (1968) Edmundo Souto, Paulinho Tapajós e Danilo Caymmi Vim tanta areia andei Da lua cheia eu sei Uma saudade imensa Vagando em verso eu vim
  10. 10. 11 Vestido de cetim Na mão direita rosas vou levar Olha a lua mansa a se derramar (me leva amor) Ao luar descansa meu caminhar (amor) Meu olhar em festa se fez feliz (me leva amor) Lembrando a seresta que um dia eu fiz por onde for quero ser seu par Já me fiz a guerra por não saber me leva amor Que esta terra encerra meu bem-querer amor E jamais termina meu caminhar me leva amor Só o amor me ensina onde vou chegar por onde for quero ser seu par Rodei de roda andei Dança da moda eu sei Cansei de ser sozinha Verso encantado usei Meu namorado é rei Nas lendas do caminho onde andei No passo da estrada só faço andar me leva amor Tenho a minha amada a me acompanhar amor Vim de longe léguas cantando eu vim me leva amor Vou e faço tréguas sou mesmo assim por onde for quero ser seu par) Já me fiz a guerra por não saber me leva amor Que esta terra encerra meu bem-querer amor E jamais termina meu caminhar me leva amor Só o amor me ensina onde vou chegar por onde for quero ser seu par La-laia-laia la-laia-laia me leva amor La-laia-laia la-laia-laia amor La-laia-laia la-laia-laia me leva amor
  11. 11. 12 La-laia-laia la-laia-laia Por onde for quero ser seu par Uma Trova de Fortaleza/CE Francisco José Pessoa Na avenida do fracasso onde a humanidade avança, em cada esquina que passo eu planto um pé de esperança. Um Poema de Mimoso do Sul/ES Alci Santos Vivas Amado VAMOS CONSTRUIR A PAZ Nossa discussão; O motivo é tão banal, Está longe a doçura De era, cheia de ternura. Após secar-me do banho, Deixei a toalha molhada, Atrás da porta... Não pendurada. Lá vem você, Dando-me aula de postura, Esmagando o meu ego, Com seu jeito de loucura. No passado, ainda noivos, Havia suavidade com fartura, Hoje qualquer pretexto Afasta-nos como criatura. Como se você Sempre estivesse às alturas, Sem omissão ou defeito, Coberta em armadura. As décadas que se passam Nossa jornada aproxima do fim, Para que e por que Brigamos tanto assim. Resgatemos nossa paz pura, Transformar coisas inúteis em água Que possa ser vinho, ser aquela figura, Prá nossas vidas, o amor sempre nos perdura. Um Haicai de Curitiba/PR Álvaro Posselt Novo calendário - Recebem tinta fresca
  12. 12. 13 as velhas promessas Uma Trova de Caicó/RN Mara Melinni A velha esquina esquecida, toda enfeitada de flor, sem querer, fez-se guarida de nossa história de amor. Um Poema de Mimoso do Sul/ES Alci Santos Vivas Amado DOCE FANTASIA Durante um sono no meu leito, Escoltado por poluição! Noturno, Vem a mente tudo que tínhamos feito, Fui ao espaço, visitei o saturno. Apoiado em meu sonho, Questionei-me: Cadê você? Como o barco que fere as águas calmas, Surgiste e veio me receber. Encontro-te em qualquer lugar, Tu serás sempre o meu bálsamo, Socorre-me quando estou nas nuvens. Vens sempre me apascentar. Tirou-me as sandálias, dizendo: “Graciosos são os seus pés” Também me desvestiu a túnica, Com o apoio de uma mão única, Enquanto a outra me acariciava; Comecei a desaparecer, Pela campainha que tocava. Já era outro dia! Novo amanhecer. Hinos de Cidades Brasileiras Ampére/PR Vila de Ampére foi o nome primeiro nos albores de tua fundação Que te deu um valente pioneiro ao despertar, meu querido rincão. Estribillho Honra, pois ao herói desbravador. Em tua homenagem este hino de louvor. Do mais elevado idealismo foi a decisão dos filhos teus Plena de amor pátrio e civismo fundaram esta terra abençoada por deus.
  13. 13. 14 Estribillho Honra, pois ao herói desbravador. Em tua homenagem este hino de louvor. Salve Ampére! Ó querida cidade berço augusto da paz e esplendor És um templo de felicidade colméia de intenso labor Estribillho Honra, pois ao herói desbravador. Em tua homenagem este hino de louvor. Ampére teu destino é a glória! Siga sempre a rota do sucesso Grandiosa há de ser tua vitória Na caminhada em busca do progresso. Estribillho Honra, pois ao herói desbravador. Em tua homenagem este hino de louvor. Do Sudoeste, solo privilegiado. Do Paraná, filho altivo e gentil. Querido ampére meu rincão adorado Orgulho maior de um povo varonil. Uma Trova de Bandeirantes/PR Maria Lúcia Daloce Contra os medos e fracassos meu talismã é a oração; só Deus nos estende os braços quando o mundo... nos diz Não! _______________________ Sobre a canção “Andança” Danilo compôs a melodia da primeira parte, Edmundo a da segunda e, novamente Danilo, a da parte que é usada em contracanto, cabendo a Paulinho fazer a letra, que trata da caminhada sem fim de um romântico andarilho. Meio samba, meio toada, moderna e bem estruturada, “Andança” mostra certa influência do estilo Milton Nascimento, uma tendência que pode ser observada no final dos anos sessenta, principalmente em músicas concorrentes aos festivais. Aliás, o próprio Milton afirmou em depoimento a Zuza Homem de Mello, em junho de 69: “Não há muita diferença entre minha música e a de Danilo e Dori, porque a gente faz a mesma coisa, de um modo geral. Menos na melodia e na letra, mais na harmonia e no ritmo.” Apresentada por Beth Carvalho e os Golden Boys, “Andança” foi a terceira colocada na parte nacional do III FIC e uma das mais aplaudidas pelo público Fonte: Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. A Canção no Tempo. v.2
  14. 14. 15 Chuvisco Biográfico do Poeta Alci Santos Vivas Amado nasceu em Santo Antônio do Muqui, Distrito de Mimoso do Sul/ES, no dia 1 de novembro de 1945. Prestou o Serviço Militar no Terceiro Batalhão de Caçadores, em Vitória/ES. Na década de 70 foi para o Rio de Janeiro, onde fez o primeiro e o segundo grau. Trabalhou na Usina Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis, onde morou por vinte anos. Casou-se com Maria José Ribeiro, exercendo o cargo de Auxiliar de escritório e Administrativo, Escriturário, datilógrafo e por fim Assistente Administrativo. Retornou á terra natal no final de 1988. Engajou-se em Movimentos Populares. Escreveu uma coluna no Jornal local e coordenava um programa radiofônico. Lançou três livros: Santo Antônio Descendente de Corpo Inteiro, Insinuações Poéticas, Duelo do Perdão. Lançou na cidade de Mimoso do Sul o livro em que tomou parte com três trabalhos inéditos "Antologia de escritores brasileiros". Colaborou no resgate Cultural com FAOP, SEBRAI. onde fez pesquisa para o lançamento do Catálogo: Resgate Cultural da Bacia do Rio Itabapoana. Historiou a Comunidade Eclesial de Base de Santo Antonio do Muqui e também o folclórico as Pastorinhas. Hoje pertence a AMA "Academia de Artes Mimosense" e APOLO - Academia Poçoense de Letras e Artes.
  15. 15. 16 1909 2003
  16. 16. 17 A brisa da madrugada entrando pela janela, balança a rede bordada de sonhos, dos sonhos dela... A brisa da mocidade passa rápida, impaciente, jamais volta e sem piedade carrega os sonhos da gente… A brisa do amor caindo em minha rede do outono, é primavera florindo uma roseira sem dono!... Acreditam os marujos que as cantigas da sereia marulham nos caramujos que o mar atira na areia. Ah! Se Deus ficar zangado, qualquer dia, por capricho, joga este mundo danado dentro da lata de lixo! Ah... se no inverno da idade, voltassem as andorinhas, aquelas, da mocidade, que um dia foram só minhas! A inocência tem a graça e o porte de uma rainha; límpida jóia sem jaça, da mais pura água marinha. A Maria do Rosário vaidosa e analfabetinha, procura um veterinário que tire "pés de galinha"... Anunciando a calmaria, certa pomba mensageira trouxe o olhar de um novo dia num raminho de oliveira. Ao partir ficou presente uma estranha nostalgia, e percebi, de repente, que eu te amava e não sabia!
  17. 17. 18 A patinha procurava um ricaço só pra ela... Encontrou: o pato estava “recheado”... e na panela! A solidão mais sofrida é quando o tempo envelhece na curva triste da vida, onde o amor desaparece... As Trovas que ele escreveu têm valor... mas não têm preço. Luiz Otávio não morreu foi morar noutro endereço. Até onde a Fé alcança, Anchieta deu agasalho, e nasceu dessa esperança a Capital do Trabalho. A viúva do Licínio, pelo jogo tem um fraco... e sustenta o condomínio com o lucro do... “buraco”!... Caminho despercebida entre os que vivem tão sós... mas daria a minha vida para alguém dizer-me... Nós! Ciumenta, a pata chorava, procurando pelas matas, sabendo que o pato estava andando com duas patas! Declina o sol e retrata, no crepúsculo silente, uma estrela cor de prata no sorriso do poente! De um segredo bem guardado num alento quase mudo, fiz um verso em tom magoado e, sem querer... disse tudo! Duas almas quando juntas se completam sem temor... mas quando o amor faz perguntas, a incerteza mata o amor.
  18. 18. 19 Ela estufou... só na frente, e contou pra sua amiga que foi o inchaço do dente que desceu para a barriga! É no fim da caminhada, quando nada mais se alcança, que uma luz quase apagada traça um risco de esperança... Enquanto aumenta a cidade na moderna construção, cresce comigo a saudade dos tempos do... casarão!... É secreto para o mundo esse mundo de nós dois... Nosso amor é tão profundo que nem importa o depois… Felicidade é um recado sem data, sem remetente, chegando sempre atrasado na caixa postal da gente! Ferve o leite na panela, e o garoto sapeando, diz à mãe, pela janela: – “A panela está babando!...” Foi dando o pé que ficou um papagaio assanhado, até que um dia virou “lourinho desmunhecado”! Menino pobre, sem rosto, sem futuro, sem roteiro, só festeja o seu desgosto com cola de sapateiro... Muitos versos em segredo te escrevi, com emoção... Não mandei, pois tive medo da resposta ser... um “não”! Na moldura da janela, a tua sombra franzina, é uma pintura sem tela entre as rendas da cortina.
  19. 19. 20 Na rude encosta deserta, por onde escorrega a vida, não tem hora ou data certa o comboio da partida… Na seara desta vida eu quero colher agora toda esperança perdida que, sem querer, joguei fora… No começo o tempo sobra, na juventude incontida, e depois a idade cobra restos que sobram de vida! No espaço da porta aberta, entra a saudade e, comigo, divide a mesma coberta que eu dividia contigo!... Nossa vida é um manto feito com capricho e sutileza, bordado pelo direito, sobre o avesso da incerteza. O apressado inconsequente trocando as “bolas” do assunto, deu pêsames ao nubente e parabéns... ao defunto! O segredo desta vida é criar de um quase nada, uma trilha bem florida, no agreste da longa estrada. Pinheiros ao sol levante, parecem taças voltadas sorvendo o orvalho espumante no festim das madrugadas... Quando a saudade procura entrar, arrombando as portas, ilumina a casa escura das minhas lembranças mortas! Quando certo olhar me afaga, eu mergulho no infinito de um eco que se propaga na insistência do meu grito.
  20. 20. 21 Quando chegou parecia ter chegado a madrugada... E partiu levando o dia, deixando a noite fechada. Quando o boi é retalhado e sem dó entra na faca, muda de nome o coitado e vira... carne de vaca! Se eu tranco a porta da frente para não sofrer com ela, a saudade impertinente quebra os vidros da janela! Seguindo os passos das horas na solidão desmedida, eu perdi muitas auroras na aurora da minha vida. Solidão... pautas vazias, cantigas lentas, remotas... solfejo marcando os dias no descompasso das notas! _________________ Literatura de Cordel Tere Penhabe Lenda da Inveja Lá no começo do mundo a inveja não existia a convivência dos seres era de amor e alegria o demônio insatisfeito com esse trato bem feito foi criando a ignomínia.
  21. 21. 22 Deu à luz lá do seu modo ao primeiro incompetente para que fosse o pomo da discórdia dessa gente não precisou muito tempo veio à tona o tormento da inveja pertinente. A inveja sempre tenta apagar a luz alheia é irmã do egocentrismo parente de gente feia que não agüenta sorrisos acha que não é preciso não há nada em que creiam. Dizem que é alma coxa que se arrasta pelo mundo adquiriu esse defeito nas guerras do submundo lutando ao lado da ira que é mãe da sua cartilha o seu teor mais profundo. Tem motivos de sobra pra não suportar espelhos porque vê os seus defeitos eles mostram sem rodeios o mal-humor que lhe é caro o azedume que lhe embala vai da cara até os joelhos. Onde a inveja impera a maldade anda livre de mãos dadas com o demo pois pra ele é bom alvitre que ele foi seu criador por pura falta de amor e burrice sem limite. Invejoso não se apruma não toma jeito na vida está sempre semeando a tristeza que é sua lida de nada ele é capaz é cria de satanás e é a cria mais querida. Saibam, a inveja é peste que não dá para encarar eu encaro até a morte da inveja quero afastar gente invejosa é triste vive com o dedo em riste prontos para acusar. Acredite quem quiser corrói até o coração
  22. 22. 23 de algum desavisado que ousar estender a mão a todo ser esquisito que da inveja é discípulo o seu lema é traição. Onde a inveja está não se pode ser feliz ela mata o bom-humor só no fato de existir mas quem acha que agüenta essa alma melequenta não passa de aprendiz. Com quem a inveja professa conviver não vale a pena o seu coração é gruta a sua alma é pequena não consegue ver a luz de uma estrela que reluz se não for a sua mesma. Mas a lenda não termina só na sua criação conhecê-la até o fim não tenham essa ilusão entretanto sei também que ela mora num harém e idolatra o seu patrão. As ninfas do tal harém todo mundo já conhece a mentira e a hipocrisia são primatas dessa messe eunuco é o egocentrismo formam um grande abismo que o pior ser não merece. Que a vaidade não tem vez nesse circo de horrores eu aprendi e pude ver pois a inveja é temores temor de não ser igual de não ter o cabedal de quem está nos arredores. E por fim diz a tal lenda que o invejoso no futuro vai perceber a esparrela de ficar em cima do muro vendo a alegria de um lado do outro o amor reinado e ele sempre inseguro. Pois a inveja não consegue esconder as evidências de que o ser é mal amado apesar das aparências
  23. 23. 24 toda a sua luta é vã é improfícuo o seu afã pra quem Deus é a referência. Por isso a inveja terá o seu fim concreto e certo antes do mundo acabar dela ele será liberto mas eu não vou esperar tenho muito a quem amar a inveja não quero perto. Terezinha Aparecida Penhabe Rossignoli, nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo/SP, em 1954. Foi bancária. Fez o curso de Letras licenciatura plena. Em 1999, foi à Itanhaém/SP, onde viveu até maio de 2004, quando transferiu-se para a cidade de Santos/SP. Premiada em diversos concursos de poesias. Profa. Ana Suzuki AULA 7 Os haicais rimados de Guilherme de Almeida Sendo eu de Campinas, difícil não mencionar o grande campineiro Guilherme de Almeida, que escreveu muitos haicais, a eles acrescentando título e rimas. Alguns títulos considero desnecessários, além de grandes demais. Mas quem sou eu para criticar o trabalho Príncipe dos Poetas Brasileiros? Quanto às rimas, eram dificílimas, porque internas também. Exemplo: HISTÓRIA DE ALGUMAS VIDAS Noite. Um silvo no ar. Ninguém na estação. E o trem passa sem parar. Como podem ver, o primeiro verso rima com o terceiro e, além disso, no segundo verso, a segunda sílaba rima com a última, o que pode ser esquematizado assim: __ __ __ __ x __ y __ __ __ __ y __ __ __ __ x
  24. 24. 25 Enfim, ar rima com parar e Ninguém rima com trem. Vejamos mais um exemplo: CIGARRO Olho a noite pela vidraça. Um beijo, que passa, acende uma estrela. Entretanto, toda essa engenharia poética tem o dom de fornecer uma dica importante: Não é preciso que cada frase seja completa. Ela pode, perfeitamente, encerrar-se no verso que que vem depois. NOTURNO Na cidade, a lua: a jóia branca que bóia na lama da rua. continua… Que será kigologia? Folclore Indígena Brasileiro O Mítico Jurupari e As Amazonas Jurupari foi o herói mítico criado pelos homens para explicar e justificar as duras leis aplicadas às mulheres, que ficaram relegadas a uma total situação de inferioridade. Ele veio do céu e é o Coaraci Raia, o Filho do Sol, um equivalente ao “filho do Deus Sol”, cuja intervenção se faz de forma direta às mulheres, retirando-lhes todo o poder. A realização da grande Festa do Jurupari, onde não era permitida a participação feminina, foi uma das maiores causas para agravar as diferenças nas relações entre homens e mulheres. O objetivo da festa não era outro senão intimidar e despertar uma atitude mais passiva e submissa do mulherio, para maior tranqüilidade dos homens. Existe uma lenda que diz assim:
  25. 25. 26 “No princípio, após a morte do filho da virgem, eram as mulheres que tocavam paxiúba (instrumentos de sopro) e vestiam as máscaras. Mas este tinha, sem dúvida, as suas razões para não amar as mulheres. Um dia desceu do céu e perseguiu uma delas, que tinha a máscara e as paxiúbas. Ela parou para urinar e depois lavar-se. Jurupari afinal à alcançou. Deitou-a sobre a pedra, violou-a e tirou-lhe as paxiúbas e a máscara. Desde esta época, as mulheres não devem ver as máscaras, sob pena de morte, e Jurupari instituiu definitivamente a Casa dos Homens e a Festa dos Homens.” As Amazonas seriam então, um resquício vivo, da rebelião das mulheres, que não submeteram a nova ordem social imposta herói mítico Jurupari, que introduzia o predomínio do homem sobre a mulher. Portanto, podemos afirmar, que na Amazônia, em tempos ainda não totalmente determinados, imperava o matriarcado, mas as mulheres acabaram perdendo seu poder e Jurupari instituiu novas leis. Não conformadas com tais ditames, por diversas vezes deve ter havido a tentativa de retomada desse poder. Como não foi alcançado o objetivo e em vista da forte repressão feita pelos homens, fugiram e foram construir tribos onde viviam sós. As tentativas dos homens de dominar tais comunidades, por certo devem ter ocorrido. Daí a belicosidade das mulheres, que estabeleceram um grande poder para se defenderem. É interessante acrescentar, que mesmo na lenda de Jurupari, ainda se conservava a predominância da natureza feminina, pois a palavra Coaraci, segundo Barbosa Rodrigues é de significado feminino: a) CO = verbo ser b) ARA = o dia c) CI = mãe, de onde…. COARACI, que dizer “MÃE DO DIA”, atestando a proeminência feminina frente a radical mudança de costumes… BUSCAS ARQUEOLÓGICAS Dezenas de buscas arqueológicas sucederam-se no Brasil, mas foi somente na Região Norte que os guerreiros nórdicos voltam à vida e a história. Em torno de 1871, João Barbosa Rodrigues, um naturalista, foi designado pelo Império para explorar as imediações dos rios Tapajós, Trombetas e Jamundá. Ele recolheu amostras vegetais e catalogou dados etnográficos, retornando a capital no ano de 1875, publicando em seguida, seus estudos. A região do rio Jamundá foi escolhida por ser o local onde se presumia ser o habitat das míticas guerreiras amazonas. Nas proximidades da cidade de Óbidos, Rodrigues encontrou vestígios de uma antiga aldeia indígena, que suspeitou ser a tribo da qual as amazonas faziam parte. A medida que deu prosseguimento as escavações, mais aumentavam suas esperanças. Surgiram um grande número de
  26. 26. 27 cerâmicas quebradas e machados. Imediatamente Rodrigues reconheceu que os fragmentos desenterrados eram bem semelhantes aos já encontrados no Peru e na Escandinávia. Tudo indica que realmente existiu um elo de ligação entre a Europa e o Brasil e, existiu um povo mais civilizado do que se suponha, habitando estas paragens. Entre eles estavam as nossas amazonas. Fonte: http://www.rosanevolpatto.trd.br/lendaasamazonas.htm. Acesso em 13 março 2008. As Aventuras de Pedro Malasartes Vida e Morte do Malasartes Dizem que Malasartes era o diabo. Pois não era e tanto não era que um dia, depois que Pedro Malasartes deu pousada a Jesus Cristo, este como sempre acompanhado de Pedro — São Pedro, o chaveiro — concedeu-lhe, em paga, o direito de fazer três pedidos. — Quero — pediu prontamente Malasartes — que quem subir nessa figueira (apontou para uma figueira no quintal) não possa descer sem que eu mande. — Concedido. — Quero… — Pede o reino do céu. — Aconselhou São Pedro. — Quero — disse o outro sem fazer caso da interrupção — que quem entrar no meu surrão não possa sair sem minha ordem. — Concedido. — E quero… — … o reino do céu. — Insinuou São Pedro. — Que reino do céu, o quê?! Deixe de ser bobo! Quero que ninguém possa por a mão no meu boné. Só eu. — Concedido. Somente depois que eles partiram lembrou-se que não tinha pedido nada. — Não há de ser nada. Chamou o diabo, pediu-lhe dinheiro e prometeu- lhe a alma, em troca. — Daqui a dez anos pode vir me buscar. Daí a dez anos, o diabo apareceu.
  27. 27. 28 — Vou fazer o meu testamento. Você, se quiser, pode subir naquela figueira e ir comendo uns figos enquanto me espera. O diabo assim fez e, quando quis descer da árvore, não pôde. Esforçou-se, ameaçou, pediu, e, por fim. Pedro soltou-o com a condição de lhe deixar mestre satanás mais vinte anos de vida. Daí a vinte anos o diabo voltou. Pedro disse: — Meu surrão está pronto. Quer me ajudar a amarrá-lo? O diabo foi ajudar, mas quando estava bem perto, Pedro o empurrou para dentro. Por mais que esperneasse, não conseguiu sair. Então Pedro disse: — Você pode ir embora, mas está desfeito o nosso trato. Nunca mais me ponha os pés aqui. O diabo deu o fora. E Pedro acabou indo para o céu, por artes do bonezinho. Foi assim: Morreu. Apareceu no céu e São Pedro bateu-lhe com a porta na cara. “Você não quis pedir o reino do céu, agora aqui você não entra”. — Está bem — resignou-se Malasartes. — Então vou para o inferno. Foi ao inferno e o diabo não o quis lá. Voltou ao céu e pediu a São Pedro que, já que não era possível entrar que o deixasse ficar sentado à porta. São Pedro encolheu os ombros. — Se é só isso… Pedro ficou. Não demorou muito aproveitou-se de uma distração do santo chaveiro e atirou o bonezinho para dentro. Acontece que ninguém podia pegar no bonezinho. E acontece também que quem entra no céu não pode mais sair — pormenor típico de várias histórias populares do tipo desta. E, assim, o Malasartes entrou para pegar o boné e ficou no paraíso. Olga Agulhon Na Safra da Vida, a Magia das Cores No espelho não mais encontro aquela jovem que um dia foi a noiva de branco a se olhar uma última vez antes de se entregar… Um último retoque nos negros fios encaracolados; uma última ajeitada na grinalda de flores de laranjeira… e pronto! Tão linda imagem… perfeita! Estava ali a encarnação da esperança!
  28. 28. 29 Tudo perfeito, afinal, naquele dia. Em cadeiras caprichosamente arrumadas sob a sombra do parreiral em cachos, amigos e familiares em sincera torcida… Quase toda a italianada da colônia… As uvas pendiam roxas e perfumadas, indicando fartura e bons presságios ao alcance das mãos. O noivo, de pé, no altar, com brilho de gel nos cabelos, vestia, com certeza, o seu melhor traje. Aguardava, aflito, a donzela que tomaria por esposa como quem espera, finalmente, começar a viver… Cheio de sonhos no olhar! Não vi, ao caminhar em sua direção, nada além daqueles olhos de anil e promessas… Olhos que guardariam aquele momento para sempre em sua retina… Olhos que me diziam: – Venha, não tenha medo, ninguém aqui ousará ofendê-la, e hoje é o seu dia de rainha. Unidos pelo santo laço do matrimônio, não mais enfrentaríamos a resistência dos sogros… Estava feito! Outras safras vieram, ano após ano. Junto com a colheita da uva e a produção do vinho, comemorávamos o aniversário de casamento e, de quando em quando, a dádiva da vida sendo gerada em ventre fértil. Nem tudo foi assim tão lindo do jeito que foi sonhado… Nem todas as promessas foram cumpridas… Algum encanto se desfez aqui ou acolá, mas tudo foi bem-vindo… Estávamos juntos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença… Fomos abençoados com cinco valorosos filhos, que formavam lindo degradê, e nossas vidas estariam para sempre entrelaçadas. Volto a me buscar no mesmo espelho da penteadeira de imbuia, na mesma casa caiada com as cores da terra… e o meu amor está de partida. Busco-me no espelho e não me vejo. Na imagem refletida, uma outra habita. Insisto e me procuro naquela imagem de cabelos de neve cobertos… Não reconheço nenhum traço. Não vejo quem sou, não encontro quem fui quando trocamos o “sim” diante do altar… Lembro-me dos olhos de promessas cheios… Éramos outros… Tão jovens! A velhice enrugou o nosso olhar… Não me reconheço diante do espelho e meu loiro não pode me ajudar nesse momento, pois trava um longo combate com a morte, no quarto ao lado… Insisto, aprumo os óculos, fixo-me bem posicionada… nada! O velho espelho também exibe as marcas do tempo. Choro… e as lágrimas silenciosas escorrem lentamente, percorrendo os inúmeros sulcos esculpidos em meu rosto. Recomponho-me! Aprendi a aceitar os punhados de dor que a vida me reserva e esconde entre tantos potes de felicidade. Volto e sento-me a seu lado. Ainda ouço um último sussurro: – Te amo, minha nega!… E então, finalmente, me reencontro naquelas retinas, que sempre me viram além da cor e das marcas do tempo. Firme, seguro sua mão até a travessia, com a certeza de que, na minha hora, ele estará me
  29. 29. 30 esperando na margem de lá, com a mão estendida…, e ao caminhar em sua direção não verei mais nada além daqueles olhos de anil e promessas… Outra safra se aproxima e a saudade ainda machuca o peito, mas alegro-me com a chegada dos filhos ao nosso pedaço de terra nesse cantinho do mundo. A natureza novamente em cachos perfumados e coloridos. Agradeço ao Criador da vida! O meu quinhão de alegria sempre foi maior que o meu quinhão de dor… Meus filhos, participando da colheita da uva, são como bálsamo para os meus olhos… Lindos e fortes, uma mistura perfeita de raças, o branco e o negro em profusão de amor: na safra da vida, a magia das cores! Crônica Vencedora do Concurso Nacional de Crônicas do 3º Jogos Florais de Caxias do Sul (RS) – 2011 Fonte: Jornal O Diario. Caderno D+. 31 janeiro 2012. Olga Agulhon pedagoga, especialista em Literatura Brasileira e agricultora, nasceu em 1965, em Assis/SP. Morou em Ivatuba e, iniciou seus estudos em Maringá. Formou-se em Pedagogia, Especialização em Literatura Brasileira, do Departamento de Letras (UEM). Autora de Delírios (poesias), As três estatuetas de bronze (infanto-juvenil), O tempo (poesias) e Germens da terra (contos). Membro da Academia de Letras de Maringá (ALM) e Academia de Letras do Brasil/PR, ocupou o cargo de Presidente na ALM. Pertence a União Brasileira dos Trovadores/Maringá. Foi Secretária Municipal da Mulher e atualmente Secretária Municipal da Cultura em Maringá/PR Marina Colasanti A Moça Tecelã Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava- se ao tear. Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte. Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava. Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de
  30. 30. 31 prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela. Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza. Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias. Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer. Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado. Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta. Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida. Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade. E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar. — Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer. Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente. — Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata. Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira. Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre. — É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!
  31. 31. 32 Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer. E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo. Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear. Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela. A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu. Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte. Fontes: Marina Colsasanti. Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento. RJ: Global Editora , 2000. Ilustração de Ana Peluso Marina Colasanti (Asmara, 26 de setembro de 1937) é uma escritora e jornalista ítalo-brasileira nascida na então colônia italiana da Eritreia.Viveu sua infância na Líbia e então voltou à Itália onde viveu onze anos. Emigram para o Brasil em 1948 com a eclosão da Segunda Guerra Mundial. No Brasil estudou Belas-Artes e trabalhou como jornalista, tendo ainda traduzido importantes textos da Literatura italiana. Como escritora, publicou 33 livros, entre contos, poesia, prosa, literatura infantil e infanto-juvenil. Seu primeiro livro foi lançado em 1968 e se chama Eu sozinha. Seu livro de contos "Uma ideia toda azul" recebeu o prêmio O Melhor para o Jovem, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. É casada com o também escritor Affonso Romano de Sant'Anna. Em 2010, recebeu o Prêmio Jabuti pelo livro “Passageira em trânsito”.
  32. 32. 33 Pintura: Salvador Dali Rosa Maria Graciotto Silva Revisitando as fadas com Lobato 1. Considerações preliminares A literatura infantil surgiu no Ocidente por volta do final do século XVII, época que também registrou o apogeu dos contos de fadas. Oriundos da tradição oral e não tendo, originalmente, a criança como público- alvo, os contos inseriram-se, com o tempo, no acervo literário infantil, ocupando um lugar definitivo. É em 1697, com a publicação de uma coletânea de oito contos em prosa, que o escritor francês Charles Perrault marca a ascensão de um gênero que terá ampla receptividade no leitor-criança. Esses contos, prescindindo às vezes da presença das fadas, mas envolvidos na áurea do maravilhoso, encontraram larga difusão na segunda metade do século XVII e meados do século XVIII, retornando com vigor no século XIX, principalmente na Alemanha com os contos dos Irmãos Grimm, e na Dinamarca, com os contos de Hans Christian Andersen. Gênero que saltou da oralidade para perpetuar-se na literatura escrita, os contos de fadas avançaram fronteiras e já no século XIX, encontramos em terra brasileira a proliferação desses contos através das traduções de Alberto Figueiredo Pimentel e Carlos Jansen, que tiveram o cuidado de promover uma adaptação da linguagem, tornando-a próxima da língua portuguesa falada no Brasil. A Carlos Jansen, alemão radicado no Brasil, coube a difusão de obras em que o elemento maravilhoso se fazia presente como se verifica, por exemplo, em Contos seletos das mil e uma noites (1882) e As aventuras do celebérrimo Barão de Münchausen (1891), ao lado de histórias de aventuras como Robinson Crusoé (1885), Viagens de Gulliver (1888) e D. Quixote de La Mancha (1901). Entretanto, foi Figueiredo Pimentel o grande divulgador dos contos de fadas, reunindo principalmente contos de Charles Perrault, Irmãos Grimm e Andersen nas obras: Contos da Carochinha (1894), Histórias da Avozinha (1896), Histórias da Baratinha (1896) e Contos de Fadas (1896). Segundo Arroyo (1986:177) Contos da Carochinha, com o subtítulo Contos populares morais e proveitosos de vários países, traduzidos e recolhidos diretamente
  33. 33. 34 da tradição local, reunia 61 histórias seguindo o modelo de Charles Perrault que, em 1697, designara os Contos da mamãe gansa como Histórias ou narrativas do tempo passado com moralidades. A exemplo, portanto, da literatura infantil européia, a nossa literatura, que nesse primeiro momento era somente nossa quanto ao fato de ser traduzida em língua portuguesa abrasileirada, trazia em seu bojo a preocupação com o aspecto formativo da literatura. Diferenciava-se, entretanto, da literatura veiculada nas escolas, marcada por ideais pedagógicos e sem qualquer alusão ao elemento maravilhoso. Saindo do âmbito escolar e visando a um público emergente, os contos de Figueiredo Pimentel resgataram o popular e o mundo das maravilhas, suprindo uma carência então vigente: o conhecimento dos clássicos europeus através de uma linguagem solta, livre, espontânea e bem brasileira para o tempo subvertendo, assim, os cânones da época ( Arroyo, 1986: 178). É pelos fins do século XIX, que ganha pulso em nossa recém-criada República, a viabilização de um projeto educativo que via no texto infantil e na escola a possibilidade de contribuir para a formação de futuros cidadãos. Juntando-se a isso a preocupação generalizada com a carência de obras adequadas à criança brasileira e que fossem feitas por brasileiros, é que nasce a nossa literatura para crianças. Entre os escritores que se prontificaram a concretizar esse projeto situam-se Coelho Neto, João do Rio, Tales de Andrade, Arnaldo de Oliveira Barreto, Júlia Lopes de Almeida, Francisca Júlia, Olavo Bilac, Manuel Bonfim, Júlio César da Silva e outros (Lajolo, 1984). Olavo Bilac e Manuel Bonfim, no prefácio de Através do Brasil (1910) explicitam a ligação da nossa incipiente literatura com os ideais pedagógicos ao afirmarem que a obra fora elaborada com o intuito de constituir-se no único livro de leitura para o curso médio das Escolas Primárias do Brasil, a fim de trazer às crianças o conhecimento necessário para a sua formação cultural, moral e cívica (apud Zilberman, 1986:18). Nos laços entre a literatura e a escola, não havia espaço para a fantasia. E é ainda Olavo Bilac quem, no prefácio de sua obra Poesias Infantis (1904), adverte o leitor dos perigos existentes em histórias maravilhosas e tolas que desenvolvem a credulidade das crianças, fazendo-as ter medo das coisas que não existem (apud Zilberman,1986:273). A produção literária nacional atenta à difusão dos ideais de glorificação à Pátria, enaltecimento da natureza, valorização de heroísmos, preocupação com os registros cultos da língua portuguesa, se ganhou notoriedade devido à sua vinculação à escola, garantia certa de sucesso mercadológico, não servira, entretanto, para suprimir a divulgação dos contos maravilhosos, provenientes do acervo europeu. Prova disto são as obras de Figueiredo Pimentel que, convivendo no mesmo espaço de tempo com os chamados livros de leitura escolar , alcançaram um número significativo de edições, sendo que somente sua primeira obra Contos da Carochinha obtivera,
  34. 34. 35 entre 1894 a 1931, o número de cem mil exemplares colocados no mercado ( Lourenço Filho, apud Zilberman, 1986:322). Paralelamente às histórias de Perrault, Grimm e Andersen divulgadas por Figueiredo Pimentel e que foram traduzidas diretamente dos originais, vicejavam no Brasil os contos pertencentes à tradição oral, transmitidos de geração à geração, principalmente, pelos imigrantes europeus e seus descendentes que aqui aportaram. Inseridos no cotidiano brasileiro, em um ambiente culturalmente diversificado pelo encontro de múltiplas vozes (alemã, francesa, portuguesa, espanhola, italiana e africana) esses contos passaram a se diferenciar do berço de além-mar, ganhando novas versões. Em Câmara Cascudo (1956), que procedeu à recolha de contos da oralidade, vamos encontrar, por exemplo, A Gata Borralheira, um dos mais conhecidos de Charles Perrault, miscigenado a outros contos. Bicho de Palha, versão encontrada na tradição oral do Rio Grande do Norte, mescla dois contos de Perrault: o já referido A Gata Borralheira e Pele de Asno, a que se acrescenta o toque popular, quer relacionado à denominação do conto e ao nome da heroína (Maria), quer na inserção da religiosidade, pois a entidade mediadora que auxilia a protagonista não é uma fada, mas sim, Nossa Senhora. Similarmente, nos contos recolhidos por Sílvio Romero (1954), A Gata Borralheira transforma-se em Maria Borralheira, numa história que lembra tanto A Gata Borralheira quanto As fadas de Perrault, sem deixar de inserir, também, o elemento religioso. Aqui, a velhinha de As fadas é substituída por Nosso Senhor e a varinha de condão atua não pela magia de uma fada, mas pela intercessão do poder divino. Ao findar do século XIX e primeiras décadas do século XX, a literatura infantil brasileira depara-se ante duas vias. A primeira, adotando o processo mimético europeu, cativa o leitor pela presença do maravilhoso, entretanto lhe faltam as raízes brasileiras. É um produto importado que embora passando por um processo de adaptação com relação à língua e apresentando histórias resultantes da intertextualidade de outras, como Bicho de Palha e Maria Borralheira, continua sendo um acervo de histórias alheias. Se por um lado, a simbologia presente nos contos atende aos anseios que são universais ao ser humano, como quer Bettelheim (1980), por outro lhe falta a representação da criança brasileira, em suas peculiaridades. A segunda via abre caminho para uma literatura caracterizada como brasileira, isto é, feita por brasileiros e para a criança brasileira. Entretanto, os seus propósitos não convencem o leitor-criança e muito menos o adulto, gerando insatisfações como a expressa por Monteiro Lobato: A nossa literatura infantil tem sido, com poucas exceções, pobríssima de arte, e cheia de artifício, – fria, desengraçada, pretensiosa. Ler algumas páginas de certos “livros de leitura”, equivale, para rapazinhos espertos, a uma vacina preventiva contra os livros futuros. Esvai-se o desejo de procurar emoções em
  35. 35. 36 letra de forma; contrai-se o horror do impresso. (Cavalheiro, 1962:182, V. II) 2. As reinações de Lobato Optando por uma terceira via, surge a literatura infantil de Monteiro Lobato mostrando que é possível produzir obras que seduzam o leitor-criança, explorando o lado mágico da vida, utilizando em larga escala o elemento maravilhoso sem deixar, entretanto, de focalizar a criança brasileira e o contexto em que está inserida. Com A menina do Narizinho arrebitado, obra publicada em 1920 e levada às escolas em 1921 como “segundo livro de leitura” e já com o título Narizinho Arrebitado, Lobato consegue um fato inédito no âmbito do mercado livreiro: esgotar 50.000 exemplares em cerca de oito a nove meses (Cavalheiro, 1962:147, V. II). Rompendo com a literatura tradicional, Lobato angaria, na época, comentários como os feito por Breno Ferraz: ... um livro absolutamente original, em completo, inteiro desacordo com todas as nossas tradições “didáticas”. Em vez de afugentar o leitor, prende-o. Em vez de ser tarefa, que a criança decifra por necessidade, é a leitura agradável, que lhe dá a amostra do que podem os livros (...) a historieta fantasiada por Monteiro Lobato, falando à imaginação, interessando e comovendo o pequeno leitor, faz o que não fazem as mais sábias lições morais e instrutivas: desenvolve-lhe a personalidade, libertando-a e arrimando-a para cabal eclosão, fim natural da escola. (apud Cavalheiro, 1962:146, V.II) Durante a década de 20, Monteiro Lobato cria outras dez histórias que, somadas à primeira, resultam no livro Reinações de Narizinho, publicado em 1931. Promovendo uma fusão entre realidade e fantasia, anulando os limites de espaço e de tempo, Lobato faz com que o sítio de dona Benta transforme-se na morada, não só dos habitantes do sítio, como também dos integrantes do mundo das maravilhas. Já na primeira história, Narizinho Arrebitado, encontramos o Pequeno Polegar fugindo de seu mundo e de dona Carochinha, a fim de vivenciar novas aventuras: ... Ando atrás do Pequeno Polegar [...] Há duas semanas que fugiu do livro onde mora e não o encontro em parte nenhuma. Já percorri todos os reinos encantados sem descobrir o menor sinal dele. [...] tenho notado que muitos dos personagens das minhas histórias já andam aborrecidos de viverem toda vida presos dentro delas. Querem novidades. Falam em correr mundo a fim de se meterem em novas aventuras. Aladino queixa-se de que sua lâmpada maravilhosa está enferrujando. A Bela Adormecida tem vontade de espetar o dedo noutra roca para dormir outros cem anos. O Gato de Botas brigou com o marquês de Carabás e quer ir para os Estados Unidos visitar o Gato Félix. Branca de Neve vive falando em tingir os cabelos de preto e botar ruge na cara. Andam todos revoltados, dando-me um trabalhão para contê-los. Mas o pior é que ameaçam fugir e o Pequeno Polegar já deu o exemplo. [...] Tudo isso [...] por causa do Pinóquio, do Gato Félix e sobretudo de uma tal menina do narizinho arrebitado que todos desejam muito conhecer.(Reinações de Narizinho, p.11) Cansado das velhas histórias emboloradas pelo tempo, Polegar abre o caminho para a vinda das
  36. 36. 37 demais personagens do mundo encantado: Cinderela, Branca de Neve, Rosa Branca e Rosa Vermelha, Chapeuzinho Vermelho, Gato de Botas, Barba Azul, Patinho Feio, Hansel e Gretel, o Soldadinho de Chumbo, o Alfaiate Valente, Ali Babá, Aladino, Lobo Mau, os heróis gregos Perseu e Teseu, além de Xeerazade e todo o séquito das mil e uma noites. A estes heróis do passado juntam-se outros da contemporaneidade de Lobato, como Tom Mix e Gato Félix, que saem das fitas de cinema e histórias em quadrinhos interagindo com os habitantes do sítio e do mundo maravilhoso. Se as personagens dos contos antigos visitam o sítio, rompendo o espaço geográfico e temporal, os moradores do sítio também se aventuram, empreendendo, tal como Polegar, visitas a outros reinos. É desta forma que visitam em Pena de Papagaio a terra das fábulas e seus fabulistas famosos La Fontaine e Esopo, presenciando as fábulas acontecendo e participando ativamente de outras como em Os animais e a peste, que traz como resultado a vinda de mais um morador para o sítio: o burro falante. E as incursões continuam. Próxima aventura: as terras do barão de Münchausen e com a participação do mundo adulto, pois D. Benta acompanha as crianças na nova empreitada. Em Reinações de Narizinho o mundo maravilhoso passa a fazer parte do cotidiano das crianças. Assim é que Narizinho em suas incursões pelo Reino das Águas Claras vivencia um conto de fadas, transformando-se pelas “mãos” mágicas de dona Aranha numa princesa que se prepara para o encontro com o príncipe que se é escamado, é, acima de tudo, encantado. O esplendor de seu vestido ofusca os de Pele de Asno e de Cinderela descritos por Perrault e Irmãos Grimm. Suas maravilhosas vestes, tanto as do primeiro encontro ( p.14-15), quanto as confeccionadas para a celebração de seu casamento com o príncipe (p. 61), resultam da interação de elementos que fogem do domínio do real. Dona Aranha, a costureira de cerca de mil anos de idade, assim metamorfoseada por uma fada má, vale- se de um tecido tramado pela fada Miragem, cortando- o com a tesoura da Imaginação e cosendo-o com a linha do Sonho e com a agulha da Fantasia (p. 63). Tem-se aí a identificação dos recursos utilizados pela costureira Aranha com os selecionados e organizados por Lobato para sua recriação dos contos maravilhosos, em que a miragem, a imaginação, a fantasia e o sonho deixam o campo da abstração e concretizam-se nas aventuras vividas por Narizinho e sua comitiva, nas onze histórias que compõem a obra Reinações de Narizinho. Se no Reino das Águas Claras, presentificado nas histórias Narizinho Arrebitado e O casamento de Narizinho, Lobato promove o encontro do antigo com o contemporâneo de sua época, maior ênfase se encontra nas peripécias que ocorrem no Sítio do Picapau Amarelo. É na festa organizada para recepcionar os integrantes do mundo maravilhoso (Cara de Coruja), que Lobato proporciona uma verdadeira fusão entre o real do sítio e a ficção dos contos. Desse encontro resulta um maior conhecimento por parte dos habitantes do sítio e, concomitantemente, do leitor.
  37. 37. 38 Através da curiosidade de Emília fica-se sabendo o porquê de os sapatinhos de Cinderela ora serem de cristal, ora de camurça. Ou ainda, elucida-se o verdadeiro final desta história, se é o contado por Perrault ou o dos Irmãos Grimm. Estas e outras questões são levantadas buscando respostas dos diretamente envolvidos nas histórias. Resgatam-se portanto, histórias antigas que retiradas da fixidez da escrita, transformam-se em histórias reais, possibilitando que o sítio se transforme, como disse Dona Benta, num livro de contos da carochinha. As idas e vindas de personagens de diferentes histórias e diferentes autores, assim como as aventuras do pessoal do sítio por outras paragens, revelam ao leitor um mundo em que ele pode interagir, de tal forma que os seus sonhos e suas fantasias passam a ser possíveis de uma real concretização. E isto se torna possível pela atuação das personagens do sítio que, representando o anseio dos pequenos leitores, estabelecem comparações entre uma história e outra, apontam defeitos, buscam soluções, questionam e obtém respostas. Com isso, Lobato transforma em realidade um de seus sonhos: transformar o sítio (leia- se sua obra) na morada de seus leitores. Convidado a participar desse jogo em que o real e o imaginário se fundem ou se confundem, o leitor se vê enredilhado nas tramas tecidas pelo mestre Lobato, que marotamente, na voz de Peninha revela que o mundo das maravilhas existe por toda parte e para nele ingressar basta ter imaginação: [...] O mundo das maravilhas é velhíssimo. Começou a existir quando nasceu a primeira criança e há de existir enquanto houver um velho sobre a terra (p. 134). Entre os recursos empregados por Lobato que viabilizaram os novos rumos da literatura infantil brasileira, destaca-se a centralização dos eventos na personagem-criança. Esta, que até então ocupava um patamar inferior na literatura a ela endereçada, passa a ser o foco de interesse da obra lobateana, acarretando modificações significativas tanto no campo ideológico quanto no estético. Priorizando a criança “reinadeira”, sempre pronta a vivenciar novas aventuras e, ao mesmo tempo, ávida em adquirir novos conhecimentos, Lobato indica ao leitor o caminho a ser trilhado pela imitação dos heróis-mirins Narizinho, Emília e Pedrinho. Intrepidez, criatividade e imaginação fértil caracterizam o perfil infantil lobateano em oposição ao modelo inculcado pela literatura escolar, que promovia a fidelidade à criança exemplar, totalmente dependente dos ditames do mundo adulto. Se, nos contos antigos transmitidos pela literatura escrita e oral, as personagens ( em geral jovens casadoiros ) mostravam-se passivas, dependentes de auxílio externo para conseguirem superar obstáculos ou obterem ascensão social, Lobato resolve tal problema, retomando essas histórias e promovendo a rebeldia das personagens: Esquecidas de que eram famosas princesas, foram correndo receber o pequenino herói. Era ele o chefe da conspiração dos heróis maravilhosos para fugirem dos embolorados livros de dona Carocha e virem viver novas aventuras no sítio de dona Benta. Polegar já
  38. 38. 39 havia fugido uma vez, e apesar de capturado estava preparando nova fuga –– dele e de vários outros. ( p.96 ) O recurso usado por Lobato, em que os habitantes do sítio interagem com as personagens do mundo maravilhoso, tem como conseqüência o reforço no propósito que une as personagens dos dois mundos e que, evidentemente, deverá atuar de forma eficaz no destinatário da obra. Após a leitura de Reinações de Narizinho, o leitor terá acrescido à sua história não só conhecimentos, mas, sobretudo, a reflexão necessária para se tornar um leitor dotado de um olhar mais crítico, quer com relação ao mundo ficcional que lhe é ofertado, quer com relação ao mundo real de que faz parte. Ao privilegiar a ótica infantil, Lobato elege como prioridade o ludismo que perpassa, sobremaneira, todas as histórias. Ludismo este que se encontra no inusitado das cenas compartilhadas pelas crianças, animais e objetos antropomorfizados e pelos adultos que compactuam com as personagens-mirins, aceitando e vivenciando o jogo do faz-de-contas. Criando cenas bem-humoradas, o narrador convida o leitor para compartilhar da brincadeira, como se observa no desenrolar da primeira história, no momento em que o besouro discute com o príncipe do Reino das Águas Claras a respeito da “misteriosa elevação”, onde estão apoiados: [...] Abaixou-se, ajeitou os óculos no bico, examinou o nariz de Narizinho e disse: –– Muito mole para ser mármore. Parece antes requeijão. –– Muito moreno para ser requeijão. Parece antes rapadura –– volveu o príncipe. O besouro provou a tal terra com a ponta da língua. –– Muito salgada para ser rapadura. Parece antes...( p.08) O espaço vazio, representado pelas reticências, surge como um convite à entrada do leitor, indicando- lhe a continuação do diálogo. Essa interação do leitor com o texto, espraia-se pela obra. E, se uma das intenções de Lobato era recuperar os contos tradicionais sob uma nova ótica, o leitor é, novamente, solicitado a colaborar. Desta feita, como se participasse de um jogo de “quebra-cabeças”, cabe-lhe identificar os contos famosos de Charles Perrault, Irmãos Grimm e Andersen, pelas pistas que são inseridas na construção do texto. Assim, [...] O peixinho, porém, que era muito valente permaneceu firme...(p. 09) lembra O soldadinho de chumbo de Andersen; [...] a baratinha de mantilha, de nariz erguido para o ar como quem fareja alguma coisa. [...] Estou sentindo o cheirinho dele (p. 13) lembra O pequeno polegar de Perrault e Joãozinho e Maria dos Grimm; [...] –– Estou vendo uma poeirinha lá longe! ( p. 93) remete ao conto O Barba-Azul de Perrault. Reservando um lugar para o leitor no relato, convidando-o para ingressar no mundo mágico da ficção, onde tudo é possível, a obra lobateana cumpre o seu papel revolucionário. Recuperando caminhos esquecidos, traçando veredas, ampliando as já
  39. 39. 40 existentes e abrindo outras, Lobato criou um mapa de um mundo ficcional que se transforma a cada instante, sempre a espera de um novo traçado. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARROYO, Leonardo. Literatura infantil brasileira. São Paulo: Melhoramentos, 1988. BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980. CASCUDO, Luís da Câmara. ‘A literatura oral’ in História da literatura brasileira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954. CAVALHEIRO, Edgard. Monteiro Lobato: vida e obra. V. II. São Paulo: Brasiliense, 1962. LAJOLO, Marisa. ZILBERMAN, Regina. Literatura infantil brasileira: histórias e histórias. São Paulo: Ática, 1984 LOBATO, Monteiro. Reinações de Narizinho. São Paulo: Brasiliense, 1982. ROMERO, Sílvio. Contos populares do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954. ZILBERMAN. Regina. LAJOLO, Marisa. Um Brasil para crianças: para conhecer a literatura infantil brasileira: histórias, autores e textos. São Paulo: Global,1986. Fonte: XIII Seminário do CELLIP – Campo Mourão, 1999 Rosa Maria Graciotto Silva possui graduação em Letras pela Fundação Faculdade Estadual de Educação, Ciências e Letras de Paranavaí / PR (1970), mestrado em Letras: Língua e Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade do Sagrado Coração, de Bauru / SP (1983), doutorado em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, de São José do Rio Preto / SP (1996) e pós doutorado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2006). Atualmente é professor associado da Universidade Estadual de Maringá./ PR. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Infantil e Juvenil, atuando principalmente nos seguintes temas: leitura, literatura, leitor,recepção,ensino. Estante de Livros Herberto Sales Os Pareceres do Tempo Herberto Sales (Andaraí, BA, 1917- Rio de Janeiro,RJ,1999) surge no panorama literário brasileiro, em 1944, com o seu primeiro romance, Cascalho, a nos apresentar os crimes e lutas inerentes aos garimpos, num contexto de violência e aventura, numa moderna retomada da temática de Lindolfo Rocha, regionalista do princípio do século XX. Quarenta anos depois de Cascalho, precedidos pela publicação de contos e outros romances do autor, surgem Os Pareceres do Tempo, “romance de duas velhas famílias que se enredam em episódios vividos por uns tantos membros dela: os Golfões e os Rumecões, na antiga região denominada Cuia d’Água.” O cenário principal de Os Pareceres do Tempo é a Bahia do final do século XVIII. O romance tem como ponto de partida a vinda para o Brasil do português Antônio José Pedro Policarpo Golfão – “mais crescido nos prenomes, que
  40. 40. 41 no sobrenome” (LIVRO I, p. 11) – que recebe uma sesmaria no município de Cachoeira, como reconhecimento do rei de Portugal por seu pai, um fidalgo, cujo nome não nos é dado a conhecer, ter morrido ainda no mar, indo para a Índia, em missão portuguesa. Ou numa “outra versão da morte do fidalgo: a que ele, entre os da família do tão célebre apelido Golfão, o mais antigo ancestral na tradição referido, encontrou a morte, não no mar, mas na batalha de Alcácer-Quibir, batendo-se contra o gentio, no elevado propósito de no incréu incutir a Fé, com a ajuda eficaz da Espada; isso, sob o comando superior e piedoso de El-Rei D. Sebastião, que ali, desgraçadamente, também pereceu”. Este é, pois, fato cuja veracidade é incerta: “Conquanto não haja documentos que indiquem, sob a grave proteção dos arquivos, haver existido em qualquer tempo esse fidalgo, não ousamos pôr em dúvida tão respeitável versão, que até nos chegou sem discrepância, robustecida por mais de dois séculos de tradição local”. (LIVRO I, p.11) E, como está nos REGISTROS FINAIS (p. 409), segundo o narrador: “Estes registros fizemo-los depois de visitarmos em Cuia d’Água a antiga fazenda do capitão Policarpo, já praticamente em ruínas. Braulino José foi o nosso principal informante. Levou-nos até ao cemitério da fazenda, em parte já invadido pelo mato”. O enredo de Os Pareceres do Tempo é construído com base na tradição oral interna da obra, através do depoimento do filho de Policarpo – Braulino José, aos 132 anos de idade – dado ao narrador; depoimento este aliado à dinâmica do panorama da Bahia dos anos de setecentos. Mas “a dualidade de versões do óbito infortunado fidalgo e – já agora, por que não dizer? – também possível guerreiro, de quem em linha direta descendia Policarpo Golfão, não alterou o desfecho do reconhecimento póstumo que por justiça a pátria lhe tributou, aquinhoando, como de fato aquinhoou, o seu filho único e legítimo com a já competentemente citada sesmaria no alto serão da Bahia, então sede do governo colonial do Brasil”. (LIVRO I, p. 13) Eram, portanto, as terras do Brasil de quem aqui chegasse munido de documento de doação concedido pelo rei de Portugal. Desde Cascalho, verificamos esse gosto do autor pela oralidade popular: “Nos barulho do Coxó Briga até as lagartixa – Os calango de combléia E elas de manulicha…” (p. 47). “Viva Santa Rita, Que é Santa mulher, No céu e na terra, Ela faz o que quer!” (p.78). Em Os Pareceres do Tempo, a construção da vida de Policarpo, refletida no seu estado de espírito, nos
  41. 41. 42 vai sendo apresentada pela ótica popular, em pequenos versos: “Lá vai Policarpo Golfão No seu cavalo alazão”. (LIVRO XVII, p. 94) “Lá vai Policarpo Golfão No seu cavalo alazão Com Liberata no coração”. (LIVRO XLIX, p. 350) “Lá vai Policarpo Golfão No seu cavalo alazão De volta da sua vingança Com Liberata na lembrança (LIVRO LII, p. 372) “Lá vai Policarpo Golfão No seu cavalo alazão Levando com devoção A sua igreja no coração”. (LIVRO LIV, p. 398) Conta-nos o narrador – tão ironicamente distanciado do autor no prefácio – como as três raças que compõem a mestiçagem brasileira conviviam, mas não se misturavam, procurando conservar suas características sociais e culturais. “E foram todos, depois, para a mesa, com o Fidalgo sentado à cabeceira, e Policarpo a seu lado. O padre Gumercindo e o padre Salgado, e mais o Quincas Alçada, ocuparam os outros lugares. Isto no corpo principal da mesa; porque, continuando-a, no seu desdobramento festivo, democraticamente franqueado aos principais auxiliares de Policarpo na fundação da fazenda e na edificação da casa-grande, outros lugares havia, reservados ao mestre-de-obras Dinis e a seu filho Serafim, e ao capitão-do-mato José do Vale e ao seu auxiliar Bertoldo. E abriram-se garrafas de vinho, e com generosidade o serviram, as garrafas transitando na mesa e esvaziando-se no degustado e comovido suceder dos goles, que o vinho, a todos apetecendo, também lhes lembrava, no enlevo de seus vapores, o tão distante quanto amado Portugal. (…) (…) Os escravos e os índios comiam à parte, servindo-se duns fumegantes caldeirões comandados pelo índio Nicodemus (ex-Sinimu), disso encarregado por Quincas Alçada. (…)” (LIVRO XXIII, p. 134-5) Ainda neste almoço, os escravos cantaram e dançaram: “Taratatara kundê / Ogum de lê / Oyá jamba / Maion gangê / Kawô / Kawô / Oyá ajô” E comenta o narrador: “Ninguém entendia o que diziam, o que cantavam eles; mas as palavras, os sons da cantoria deles impressionavam pela tristeza profunda e doce, pela dorida melancolia que comunicavam, ao mesmo tempo em que eram carregados duma aspereza de imprecações dramáticas”. E diz mais o narrador:
  42. 42. 43 “Ao contrário dos negros, os índios conservavam- se em silêncio, no mesmo lugar onde desde o começo estavam. Trocavam entre si, às vezes, um olha, mas, entre si, não se falavam. Ou falavam entre si com os olhos.” (LIVRO XXIII, p. 135-6) Essa reação dos índios de não se deixarem dominar nem aculturar é-nos mostrada mais à frente da narrativa de modo decisivo: “Policarpo reconheceu-o: – Gonçalo! – Não sou Gonçalo! – respondeu o índio, evidentemente zangado. Meu nome é Icurê. Gonçalo foi o nome que padre botou em índio. Gonçalo é nome de branco. Icurê não é branco. Índio é índio. Meu nome é Icurê.” (LIVRO I, p. 358) Nessa narrativa nós, leitores, somos conduzidos pelos passos do tentacular Policarpo – “consta que era alto, e corpulento; era branco, e louro, com viçoso bigode e barba farta, emparelhados com basta cabeleira cacheada. Um homem bonito; um soberbo varão, segundo registro da mais fundamentada tradição oral.” (LIVRO I, p. 12) – até a cruel realidade de um contexto onde “o levar ou o trazer escravos assim acorrentados e amarrados, (…) era fato assaz corriqueiro naqueles tempos, nas ruas da Bahia; ninguém lhes prestava atenção, ou quase ninguém”. (LIVRO XI, p. 58). Nesse mundo antiético, onde o caos e o cotidiano se justapõem – o vai-e-vem de escravos acorrentados, estranhos transeuntes traficados da África nas ruas da Bahia, a esbarrarem-se com as famílias portuguesas que, se por um lado mostravam religiosidade, temor a Deus, por outro, faziam tráfico de escravos, na sua maioria: “Explicou, ainda, o Almeidão a Policarpo Golfão que, tendo em vista que a hospedaria não lhe proporcionava a ele satisfatórios lucros, resolvera, para não ter de resignar-se ao ganho dum sustento sem futuro, buscar em outra atividade a necessária complementação de renda. E que a escolha dessa atividade recaíra no tráfico de escravos, por ser ela, além de lucrativa, de muita respeitabilidade na Bahia. Ademais, quase todos que a ela se entregavam eram portugueses, não os de inferior condição, mas, ao contrário, os de mais representação na colônia; e, tanto isto era verdade, que os portugueses traficantes de escravos tinham mesmo a sua Irmandade própria, que cuidava dos seus interesses deles na sociedade civil e no Foro; e que constituía a dita Irmandade, em suma, uma respeitabilíssima entidade sócio-jurídica, que se organizara sob a grave invocação de São José. Enfim, a ninguém repugnava – fosse português o sujeito, fosse ele até mesmo brasileiro – a ninguém repugnava traficar com escravos, visto ser esta atividade, no comércio baiano, quiçá do Brasil, um dos ramos mais lucrativos.” (LIVRO III, p. 20)
  43. 43. 44 O tráfico de escravos praticado pelo padre Salviano Rumecão é por ele cinicamente narrado ao seu amigo Quincas Alçada; justificando-se: “A propagação da fé, dos ensinamentos da Igreja; o empenho em manter os fiéis à salvaguarda do Demônio, pregando-lhes a palavra de Jesus, e ensinando-lhes a serem justos uns para com os outros: o piedoso pastoreio das almas, para manter em fervorosa união o rebanho de Deus – se, de fato, todas essas altas atribuições dignificavam e elevavam a missão do sacerdote, não havia, na prática, como preterir, no exercício delas, a pecúnia, a remuneração, o santo e rico dinheirinho (…) E os mártires, como se sabia, tendiam, com o progresso, a desaparecer de todo.” (LIVRO V, p. 27-8) Tudo a transcorrer dissimuladamente, num misto de profanação e religiosidade, compondo o decoro hipócrita de uma sociedade impudentemente barroca. Os Pareceres do Tempo são também uma história de amor. Duas mulheres amam Policarpo: Liberata Rumecão e a escrava Gertrudes. Mas o triângulo amoroso não se consolida de fato, em nenhum momento da narrativa, talvez por preconceito ou por ser Poli carpo realmente fiel ao seu amor por Liberata, até mesmo depois da morte dela. Em determinado momento ele diz à Gertrudes: “- Sabes que podias ter tido um filho meu? – perguntou-lhe Policarpo, olhando-a com ternura. Ela baixou a cabeça. Ele, com um sorriso embaraçado: – Esquece o que te disse. Hoje somos compadres. Hoje somos apenas amigos. De resto, Liberata te estimava muito, e sabia que eu te estimava. Esquece o que te disse. Liberata estará sempre entre mim e ti”. (LIVRO LIV, p. 393) E é pelo amor de Liberata que Policarpo se enche de vigor, de coragem, de energia para realizar todos os seus empreendimentos, para viver. Liberata vivia no Solar dos Sete Candeeiros e a sua presença, com seus “cabelos muito negros” que “caíam-lhe em tranças sobre o busto, emoldurando-lhe o rosto gracioso” (LIVRO VI, p. 32) é sempre, para Policarpo, a luz que ilumina a áspera realidade daquele contexto “uma formosa jovem que, mostrando-se ao sol, e tendo por ele realçada a sua beleza (…) pareceu-lhe ela a Policarpo Golfão como se fora uma flor, ou uma luz, porque era luzente como uma estrela a sua figura gentil.” (LIVRO VI, p. 32) E, no decorrer da narrativa: “Era a donzela Liberata que entrava. Então, a nave acendeu-se em ouro e púrpura, e em ouro acesa iluminou nos altares os crisântemos, no teto a fímbria das cornijas, na capela-mor os tocheiros perfilados. (…) – Liberata… As letras daquele mágico nome: forma e cor e luz saindo ordenados dum resplandecente maço de emoções que uma fita desatasse” (LIVRO XXVIII, p. 172- 3). “Como uma luz que na sombra de repente se acendesse.” (LIVRO XXXVIII, p. 250)
  44. 44. 45 Herberto Sales incorpora ao seu romance a figura de mestre Manuel, do saveiro Viajante Sem Porto – personagem de Jorge Amado – “que nasceu em saveiro e morou sempre em saveiro, aparenta trinta anos, ninguém lhe dá os cinquenta que traz no costado, todo ele é de uma cor só, um bronze escuro, e é tão difícil dizer se é branco, negro ou mulato; é um marinheiro que raramente fala e que é respeitado em toda a zona do cais do porto da Bahia e em todos os pequenos portos onde pára seu saveiro.” Configura-se, aqui, uma personagem mítica, alegórica, semelhando-se, em alguns aspectos, a Caronte, o barqueiro que transportava as almas para o Hades, o inferno grego. Em Os Pareceres do Tempo, mestre Manuel, num diálogo com Policarpo, explica a origem do nome do seu barco: “- Mas, Manuel, que te deu na telha para batizares o teu barco com o nome de Viajante Sem Porto? Olha que estranhei esse nome! Então não tens tu um porto para ti e o teu barco? – tornou Policarpo Golfão, sorrindo e fazendo sorrir também o Almeidão e Quincas Alçada. – É que esse nome foi dum barco do meu pai – disse mestre Manuel. Enfim, se isto é verdade, também verdade é que vivo de porto em porto com o meu barco, como se porto não tivéssemos ele e eu: quando chego a um, já tenho que partir para outro. Não me parece mau esse nome Viajante Sem Porto. Não o acho nada estranho. E só espero é que o Manuelzito, meu único filho homem, quando mais tarde lhe houver chegado a vez de me substituir, que seja também um mestre e que tenha também o seu Viajante Sem Porto, que haverá de tomar o lugar do meu.” (LIVRO X, p. 55) E comenta o narrador de Os Pareceres do Tempo, numa clara referência a Jorge Amado: “Praza a Deus que, em dias que hão de vir, encontre essa bela região do Recôncavo baiano um escritor que a descreva num livro tão belo quanto ela, que corra o Brasil e o próprio mundo; e que, captando toda a poesia que docemente a impregna, fale dos seus saveiros e da sua gente, talvez dum novo Viajante Sem Porto, talvez dum novo mestre Manuel”. (LIVRO XII, p. 66) Conclusão Os Pareceres do Tempo são uma obra de ficção, cujo contexto narrativo é a Bahia do final do século XVIII. O enredo deste romance é tecido aliando ficção e realidade; uma ficção construída com base na tradição oral interna da obra. Os Pareceres do Tempo conta-nos histórias de amor, de dominação, mas, sobretudo, a história da formação de um povo; da construção de um país, do Brasil. Herberto Sales, em Os Pareceres do Tempo, através da humanidade de suas figuras, apresenta-nos uma história cheia de força, vigorosamente atual, numa expressão e linguagem tão equilibradas, que
  45. 45. 46 fazem deste romance uma síntese da narrativa genuinamente brasileira. Fonte: http://www.seruniversitario.com.br Acesso 8 maio 2013. Herberto de Azevedo Sales nasceu em Andaraí/BA, em 21 de setembro de 1917. Trabalhou como oficial de cartório, garimpeiro e comerciante, atividades que lhe deram a base e conhecimento para sua primeira obra. Publicou, em 1944, seu romance de estréia, Cascalho, baseado na vida dos mineradores de diamantes e considerado um clássico do regionalismo literário. Mudou-se para o Rio de Janeiro, então capital da República, onde passa a laborar como jornalista em diversos órgãos da imprensa, com destaque para a revista O Cruzeiro que, durante décadas, foi o mais importante periódico do Brasil. Em 1974 muda-se para Brasília, onde ocupa a função de diretor no Instituto Nacional do Livro. Ocupou a cadeira n.3 da Academia Brasileira de Letras. No governo José Sarney é nomeado assessor da Presidência da República, até quando, em 1986, foi a Paris, na condição de adido cultural da Embaixada do Brasil. Quando volta ao país, busca o isolamento na pequena cidade de São Pedro da Aldeia. Era casado com Maria Juraci Xavier Chamusca Sales, com quem teve três filhos. Faleceu no Rio de Janeiro, em 13 de agosto de 1999.
  46. 46. 47 Nota sobre o Almanaque Este Almanaque é distribuído por e-mail e colocado nos blogs http://www.singrandohorizontes.blogspot.com.br e http://universosdeversos.blogspot.com.br Os textos foram obtidos na internet, em jornais, revistas e livros, ou mesmo colaboração do poeta. Algumas imagens são montagens, cujas imagens principais foram obtidas na internet e geralmente sem autoria, caso contrário, constará no pé da figura o autor. Este Almanaque tem a intencionalidade de divulgar os valores literários de ontem e de hoje, sejam de renome ou não, respeitando os direitos autorais. Seus textos por normas não são preconceituosos, racistas, que ataquem diretamente os meios religiosos, nações ou mesmo pessoas ou órgãos específicos. Este almanaque não pode ser comercializado em hipótese alguma, sem a autorização de todos os seus autores e ilustradores.

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