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Carlos Leal - A Boémia e o Fado. Memórias do Actor.

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Capítulo chamado "A Bohemia e o Fado", retirado do livro de Carlos Leal (1877-1964): Carlos Leal No Palco e na Rua - Impressões do Homem e do Artista, Lisboa, Typ. Costa Sanches. 1920.

Assim se vivia o fado nos inicios do século XX. Um belissimo retrato, escrito e vivido por um artista de teatro.

Carlos de Melo Leal

Actor e escritor português

(Lisboa, 27/12/1879 - 15/04/1964)

recebeu as seguintes distinções:
Condecoração da Cruz de Cristo
Condecoração de Santiago de Espada

Estreou-se como actor no teatro de amadores na comédia Simplício, Castanha & Cª. Representou outras peças num teatrinho de família, à Travessa do Enviado de Inglaterra, passando depois para o Grupo Dramático Raimundo Queirós (Largo do Jardim do Regedor) e deste para o Teatro das Trinas, onde foi visto pelo actor Taborda, tinha então 16 anos.

Estreia-se profissionalmente como actor a 16-06-1895, no Teatro do Príncipe Real, com a revista "Festas de Santo António", original de Dupont de Sousa e a peça "Intrigas no bairro" de Luís de Araújo, sucedendo que a peça “caiu” e a empresa durou três noites. [in: dossier nº 117 do Arquivo do TNDMII].

Em Fevereiro de 1896, por empenho de Taborda, entrou na sociedade do Teatro da Trindade, depois para o D. Amélia e para o Teatro da Rua dos Condes, sempre sob a direcção do actor Vale, sendo depois escriturado por Lucinda Simões (a qual tinha a preocupação de ensinar e com quem muito aprendeu) para o Teatro D. Amélia, com cuja companhia percorreu também as províncias [in: dossier nº 117 do Arquivo do TNDMII];

Carlos Leal, reclama porém que a sua verdadeira estreia se deu em 1896 (por erro, está 1895) no espectáculo "Retalhos de Lisboa", no Teatro da Trindade [LEAL: 1920];


Aquando a trabalhar no Teatro do Príncipe Real (sem data especificada) Carlos Leal representou o Cardeal Ximenes, o Intendente da Polícia no reinado de [A côrte] Henrique III e o nobre Marquês de Vila Garcia do Drama do povo [LEAL: 1920, 42];

Carlos Leal estreia-se como autor com a revista em dois actos "Já te pintei!", escrita em colaboração com Daniel Moreira, estreada a 23-12-1911 no Pavilhão Internacional (já demolido) no Rio de Janeiro (Brasil), sendo que as principais peças representadas enquanto autor (até 1931) são: "No país do sol" (em colaboração com Avelino de Sousa), "Braga por um canudo", "Pé de dança" (em colaboração com Avelino de Sousa), "Aguenta aí!" (em colaboração com Daniel Moreira), "A bomba", (em colaboração com o escritor brasileiro Cardoso de Meneses), "De três assobios" (em colaboração com Daniel Moreira) [in: dossier nº 117 do Arquivo do TNDMII]

Em 1913, no Teatro da República (Rio de Janeiro) com uma companhia por si dirigida, Carlos Leal apresentou, entre outros espectáculos, a famosa revista intitulada "O 31" [LEAL: 1920]. - o famoso "Fado do 31" ouviu-se aqui, pela primeira vez.
Carlos Leal reformou-se em 1952 [dossier nº 117 do Arqu

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Carlos Leal - A Boémia e o Fado. Memórias do Actor.

  1. 1. IMPRESSÕE * DO HOMEM E DO ARTISTA
  2. 2. lll A Bohemia_ e__o , nlFiadóí l Ao Mu : uu : e cento, no mu uma n eu = - No (FIIÍAÍ d'un! ÍIFIIMÍII me u mm an. . pj¡ r AVELINO n¡ SOUSA Certo dia-e por sinal, era de noite-o originalissimo marque: de Angeja, em cavaco ameno, :fuma festa make» ven/ ca, dizia-me "que eu teria um grande futurom-e pareceu- meÍque falava com sinceridade o pltoresco fidalgo-deta- lhava e apreciava as minhas qualidades, dizendo "que o meu unico defeito era a voz rouca, mas que o publico se habitua- ría, como se habituou aos defeitos vocaes de Pola, João e Augusto Rosa, Joaquim dmlmeida, Joaquim Silva, Ferreira da Silva, Vale e josé Ricardo. " ' De facto, a garganta roufenha, massacrada pela¡ diversa¡ aguardenies filtrada: pelommeus intimo¡ Cannes, foi identifi- cando-se com o kom da representação, passando quasi sem transição para a Bohemia onde havia o espirito de ítít: dos artistas da época. Andávmios, então, familiarizados com os intelectuags, que nos discutiam e conviviam comnasco ass# duamente, e com. : alma popular. ' A-ndávamos por ahi. . . Pelo seio dos consagrados nos ilustrávamos. O snabismo, não fazia parte das nossas existen- cia: : eramosuns simples, acompanhadm-quanias vezesi-r pelos nobres de autenticos pergnminlme, com mais demo n39.. .
  3. 3. cracla talvez, e, sobretudo, educação, do que a que hoje nos envolve. .. arlistimmente falando. Havia o espirita-mesura; o sorriso-cinquenta! ' y Oh l, Tempo! Oh! Maris. . . Como diria o Padre Antonio Vieira, e-certamente com muito mais razão-o terá repe- tido o seu colega Santos Farinha, cujo nome muito vem hon- rar estas paginas, porquanto o simpatica sacerdote e ilustre pregador, tem sido sempre um grande amigo da gente de tea- tro, posto que n'este tenha sido injustamente ridicularisado. a a a Durante algum tempo habitei no Bairro Alto, de prefe- rencia a outros bairros mais salubres da cidade. Agradava-me sobremaneira a turbulencía caracteristica da bohemia do nosso pequeno 'Mantmartm Levantava-me de madrugada_ quando me levantava, pois que na maioria das vezes 'nem mesmo chegava a deitar-me- para tear no Alfaia, no Fortes-Barracão, no Mealhada. EmbaIava-me a vozearia das cortezãsbaratas, das Margarida Gautlzier de contrabando, e, quantas vezes, despertava a um a' da guarda! sintomatíco, quasi sempre mês'- cladoide estalidos sêcos e proprios dos sopapos rufieiros. . . Chegavam-me aos tímpanos' os acordes melancólicos das guitarras coçadas no Paesinha da rua das Gaveas; o aroma da figacleíra semi-torrada das iscas da esquina e os quartos _de bife saborosissimos, regados pelos cangirõesinhosrdo Tazão, .eram-me em extremo fantiliares. O Vale, o Silva Pe› réira, o Telmo, o Alexandre Ferreira, o Cardoso, o Sarmento e muitos outros bons artistas, saboreavafn com prazer os pe'- tiscos do lugubre Tatão de teatralíssima memoria. Na "Flôr de S. Roque" noitava-'se a frugalidade das omelettes fcamaroeiras, com o JoséRiCardO-sempre apaixo- nadoecom o Carlos Trilho, então. muito hespanholado, com o Albino. Sarmento, reporter graduadissímo do Diario de Notícias, o Lobato, Ravix das Novidades, o França, o Ina- cio Peixoto que, quando via. que não a convidavam. . . comia uma saruiwtth de queiio, encostadinho ao balcão-crak mais economica-regada com um copito de agua. . . e quantos, quantos bohemios ' hoje blasíesl. . . As cabapas, o Fortes da travessa da Espera, a Primeira de Maia e outros muitos tascos, fiavam aos actores, como retribuição da enorme freguezia que es- tes lhes levavam ! E' que não ha como a gente de teatro para afreguezar uma casa! A sala de visitas. .. o nosso club, era na Ilha dos galegos, ao largo das Duas Egrejas, _que cognominara- mos o escritorio! Por ali passava todo o cortejo possuidor dos nossos corações, do lado. . . direito, a cuja frente n'um doirado e florido andor equilibrado em garrafas de cham- pagne, vinha a nossa deusa, a bela Rosario Berrinche. Tinha uma boa alma esta formosa raparigap-sbohemia incorrigivel -quantas vezes, nos càtava as algibeiras para dar aos pobres. Mais tarde; salto 'a colina-idos avmtaes de madeira, _e mudo para a rua Santo Antonio dos Capuchos, onde a minha' habitação foi cognominada de Leg-arde, em virtude do seu aspecto nobre e da escolhida frequencia estrangeira. .. lá n'esse tempo havia partidarios da uaiãa-iberica e. . . fra/ m» Kang-io Berrinche fila. Foiesse o ultimo Chateau-encantado onde, transpondo" o portão Solarengo, represente¡ as 'der/ dns tragedias e far› ças do delírio mapear! Quantas vezes acordei como o celebre Kzan, sem que metaltasse o respectivo Salomão a compôr- me' as vestes 'em desalinho, precisamente na altura em que a Aurora -'na paixão simbolica de um quadro melancolicb e doentio em excesso-me dava os bons dias, erguendo as _41_
  4. 4. Hoje, a pobresita, vê-se substituída pela enorme avalan- che de automoveis, baratas-caras como qualquer arrôba de carvão ou barrica de assucar, pelas motocyclettes e torpedos em que se morre a valer, e ainda por aquelas outras anti- paticas mótos que por ahi andam fervendo como chaleiras, com um semicupio ao lado, banheira ou o quer que é, de uma fealdade horripilante, desconfortavel, e d'um enorme perigo individual. E d'ahi, o nomeestá mesmo a dizer: side- çar, sae do carro e. .. esmurra os queixos ou entorna a massa enceialica! - . E a educação urbana? Tambem mudou muito-para peor-mórmente pelo que respeita. aos substitutos dos anti- gos condutores da viação-animal. O progresso acelerou tudo, desde a electricidade á má-creação! Chama-se um carro ele- ctrico a dez centimetros' da paragem, e logo se ouve a fra- seologia moderna do respectivo condutor: - Vá lá ia vêr ! . . . Mexa-se depressa ! E o passageiro, obedece timidamente. . . Ai, não ! O caso' não_é para brincadeiras, porque sua excelencia toca a cam- painha mal a gente põe o pé direito no estribo, e o esquerdo vae-se arrastando com o risco de quebrar-se nos obstaculos do reles e primitivo empedrado das nossas sujissimas arte- rias citadinas. Mas, do mal o menos: antes se quebre só o pé esquerdo, do que os dois. . . Seria muito peor! De resto, o *ilustre guarda-freio, motomeíro, ou o que é elle, raras ve- zes tem ouvidos, quanto mais olhos para vêr estas coisas! S6 ' uma coisa os preocupa: é se n'uma volta dos rails abalrôam. com algum automovel que lhes danifica o salva-vidas. .. inventado para matar a gente. Então, sim! E' preciso parar a valer, não ter pressa, apurar responsabilidades, não vá a Companhia obrigal-os a pagar a reparação do desastre. .. Ahl Bemditos sejam os varios Gangas que lhe atraves- sam , a carroça no caminho. . . Aquilo é queijo, nunca mais- ànda! ' ' Mas, em summa: Le mande mqrelze. . . Tudo mudouzTe- mos aviação, submarinos, destroyers, cantinas, dinheiro para comprar tudo isto, grande frota ek-alemã que deu para em- prestar e alugar! Mudou tudo. .. . Viva o luxo! Até a bohe- mia mudou: ' , Wants, havia espirito, silhuetas perfumadas de mulher, comovendo-nos e' animando-nos com a macieza veludinea do seu olhar amoroso, interesseiro talvez, mas ao menos sem pressa. .. ' . Hoje, os bohemios, são um triste arremêdo da Alegria passada, verdadeiros adelaide. ; imbecis e balôfos, sem espi- rito nem graça, correndo atraz d'e croias temexidas e apres- sadas, de pernas á vela, que lhes gritam como os condutores dos electricos: "Vê lá se te avias, ó coiso ! u Tudo mudou. . . Até o ministerio dos estrangeiros foi parar ás Necessidades. .. O que revela as nossas necessida- des! ... Lembra-me agora, a proposito, um famoso couplet que eu dizia na revista O' diz guarda, que só em Lisboa deu mais de trezentas representações-peça onde nasceram o enge- nho-buffo do Nascimento _Fernandes e a popularidade da desditosa Julia Mendes. lntitulava-se contradições de Lisboa, e aqui deixo um retalhinho paraamostra: E' Lisboa a si mesmo bem contrária 2 Diz a Avenida ser da Liberdade, mas tem ao fundo a tal Penitenciaria e andam sempre a vedal-a, e com grade! Deíronte do Castelo, fica a Graça que não tem, “isso não, graça nenhuma. . . P'ra lá chegar é mesmo uma desgraça ! Um¡ pessôa chega a deitar espuma! Mas, para mim, o caso mais ratão, d'entre tantas, tão varias chuchadeiras, é uma rua haver do Capelão onde, á certa, não ha frades nem freiras! Onde o Christo não teve desprazeres, ha um largo chamado do Calvario í cemiterio se chama dos Prazeres, ao campo que é da dor um santuario ! _45_
  5. 5. E' Boa-Hora nvçasa iatalista _. . _ ; _ onde em mit-hora a gentedagntrada; a Tapada, 'é aberta: e": Bela Vista', é que, pllos lados todos, é tapadal Mas uma' 'coisahirmais piraruidal, a destacar de tanto easo mcertog: _ Haver uma . Receive Eventual - __ . . que ítudo quanto temos de mais certo! . «Ha ainda as--ruasz do Quebra-Costas, calçada dos Paulis- tas_ idea talvez- de algum -pauliteiro-o beco doMonête, - raio de nomel-Calçada doCastelo-Picão, rua-de-SJoão dos Bemcasados-. se calhar onde tem havido mais -divorcios -pateo de Bota-abaixo, rua da Emenda-e que bem-emen- -d-ado tudo . isto. ,eral--Rua da Mãe dÍAgua, faltando para com- plemento a do Pae do Vinho! _ _ v_ Não será para admirar quevaindavapareça--como dizia certo espirituoso revistografo-a Rudá: Fulano de tal, es- posa e filhos! . Não é, pois, para estranhar_ que os estrangeiros -ao lê- rem tão estapafurdios nomes de ruas-gm 'ulguem apontados, não á “cidade de marmoree granito a eira-mar plantadau, mas a um grande manicemio! Creio até que, em face do ex- posto, não seria falha de senso que a Sociedade Propaganda de Portugal pitaco: : umaplaca de lfclasse recomendando o João do Grão . da travessa . da Palha, digo, .da _rue dos Cor- reiros, onde por signal ha um só! r_ . Tudo mudará, como ja mudou a que nos restava de pessoal e característico, ficando-nos sómente o Fado, o nosso triste e linda Fado! " ' ' " ' ' A canção nacional, de lampejos místicos, que nos embala m infancia, nos auge nafádolesçencía e nos suavlsa as agru- ras na maloridadqêcomo que um_ himnode' amor que nos : acompanha sempre, dqherçoá_ cova! E' uma. sentimeutalisa- e_m. . ção. musical, de uma _tão grande uncão~ que, ao ouvll-a. 0110-' ramos de alegria. O Fadoatrae-nqs pela_ magiawpoeticados seus sons suaves, .como ontros= nã0 hi. RÍTNNÚO “é °_5 es' cymgéíros que o escutam _com um estranho W319?! Him? ? patríoltico e consolador, unico que os destinos' politicos nao, podem . destruir, o Fado_ é rico, :›- mesmoÀrmliona-rio! Dentro d'elle, ha_uma verdadeira . apotéose musical onde se encon- tram iavValsa, a Mazurka, a Polka, alótam Í-Ilíídumz 0 T3"g°r' a alegria 'da operetta, a magestade da opera, depois o Vira, o Fandango, para emseus harpejvosmelodícos, logo encone' trarmos a Jrnarcha -funebre em toda a sua dramatisaçãm ale ao chôro convulsivo! Vive. eternamente na alma dos portu- gulezes, desde as camadas populares ás camadas burguezas, desde os bancos de Coimbra aos salões aristocraticos, sendo da 'suahistoria o ter vibrado em labios fidalgüâ. e nerdwjando em paginas emocionantes, como as da Sever-a e do VÍmlOSOI i 0 conde devlmioso _ . um duro golpe sofreu, ' . quando lhe foram dizer": tua Severa morreu f 'No braço dasua banza ' um laço de fumo armou, quando lhe foram dizer: A Several já expirou! Levantou-lhe um monumento . .com dois ciprestcs ao lado. ' e um letreiro z-Aqui jaz quem foi rainha do Fado! (l) 0123,19. que inspírqu José Mallaõaj-. notavel. pintor' dos humildes, o 'maior de todos 05 1706439* 1131893 POFÍUZWZÂ** vizve no seu soberbo quadro, assombroso' de . verdadere de 7- . ,:» (1) Teofilo Braga- Calttíantíro PapulrmPañngurz. _ 4,7.. .
  6. 6. colorido, executado quasi 'por entre mil perigos e peripecias divertidas, no seio da sociedade zm que vivia o madêlií! Vicente Arnoso, o querido poeta, é um apaixonado d'essa portuguezissima canção desde os tempos doirados da sua boliemia coimbrã. Quantas noites de estouvada esturdia, sem outras preocupações »que não fossem as que poderiam palpi- tar nos nossos seres independentes de estudantes e artistas, subindo ao calvizria da Universidade quando a prata esbatida da lua” iluminava -o monumento a Camões, e o saudoso 'Al- berto Costa (Pad-Ze), neutra de vastos, montava o leão! Vegetavamos pelas vielas da Lusa-Athenas, senhores ab- solutos de todas as suas poetieas miserias de um sabor tao nacional, ouvindo as cortezãs gargantear e os rapazes futri- eas, e nós, tangendo a guitarra. Que tempos! Que saudadel. . . Uma da¡ cortezis, de fórmas vis, ridículas, cheirando muito a alho e tresandando a vinho, com a too: : febril sailtavam-tlie as claviciilas no magra peito no, da ea: do pergaminho. Oiitns, eram gentis, cltlomticas, gulosas, gostavam de comer, sómente, a¡ sobremesas, e sabiam cantar coisas Iibidinosas . com frases de soldado-e um av de arquidiiqiiezas. Gnome Junqueira Por isso vos lamento, mu-etrízes: Não sois tão imunes, quanto infeliizeo! ” Abel Botelho Muitas vezes, i beira do Mondego, as tricanas pareciam sereias a chamar-nos, articulando, n'um portuguez proprio das suaebocan tubras, as quadras belas de João de Deus, de Antonio Nobre, Hilario, Fogaça, Eugenidde Castro, e de tantos e tantos poetas de raça que teem aquecido o talento ao : ol meigo da nossa terra! M43_ E o Vicente, fidalgo de sempre. encantador : :atum-In que vive iifiima. sociedade hoje tão corroida e matizada de indisciplina, vae acomndando-se, alheado, sem uma máculñ» bom como o era seu perdido echorado irmã! ) 1050. 00m E1 conformação inteligente de que os coisas são 0 011-9 55°- E' o herdeiro fadista dos pergaminhos que o Fado adqul” - . _ . - J riu-na nobreza de Portugal. Nao ha muito, espargia num jornal de Lisboa esta linda prosa: Maria Vitoria Um anno passou sobre a sua morte. Fã¡ ¡ml! “m allm Quê WW” (oval do cemiterio de Bomfim, etla iicnii para sempre dormindo o somno da marte. . ' . , Passou um anna, e já ninguem tala d'ella : Passa adoravel e destram- beihada rapariga, qu: com os seus tados, tora o culto das plateias po- pulares. - Pobre Maria Vitoria l _ - Ainda hoje, ao paga-mag pelo Eden, viamos em grandes letras, annunciando O 31, essa cele- bre revista a que ella em vida prestou até quasi as ultimas representações, os restos da sua vida de tuberculoisa, o ul- timo fio dessa vo: harmonio- sa e doce, incoiitundivelmente bela. toda feita de sentimento, de dõrr e de tragedia. Pobre Maria Vitoria ! já. ninguem tala dlella. Tragica vida a da seen¡ onde as figuram, mesmo as mais ' queridas do publico, estão con- denadas a vida efemern dus T0535. UHLRHHO PQSSOH, Ê a olham-rios em redor de nósgvi- _ mm mui; mos, desaparecida e tam em ~ vitima da tuberculose, apa- _ _ v nhada mess: vida da onliemi¡ e esturdia essa outra interessante ilgnfüv . . . i t'tua no Julia Mendes, nao encontramos uma só que ao de lexe as subs i _ teatro popular. E' que hlaria Vltoriaconsubstanciava em si a começar na _49 __
  7. 7. que outñora, altivamente, ao sol de cem batalhas, assaltarido muralhas, trincheiras derrubando e conquistando os mares e o imperio oriental dos povosmalabares, 'spalliou na terra inteira o sangue seu, fecundo ! -Um povo, emfim, que deu mundos novos ao mundo! Péâllla já, porém, demasiadamente sobre este sólo bom, a carga deprimente de mil espoliaçõesfvergonhas, e a torpeaa qu: a monarquia impunha i ? M51 PDYÍHEHCH. por @enviando dos reis e due seus governantes, da negra Reacção e nfautros rapinantes que, d'un¡ modo cruel, ignobil e emhusteiio, lam/ çavam o pai: na garra dia estrangeiro : E este. cnbiçoso, a prega ; a sspreitava. . ' . ,. . . . . . Ea Patria, agonlsava. . . . . Era preciso agir. Então, o Povo lieroico, «m um norriso estoico a isluminarmlhe o rosto intensamente rubro, na america manhã meu 5 de outubro que lia seis anos passeupcom as armas na mão, em nome do Progresso, em nome da Razão, expondo a prqzria viela enipvol da Vida Publica, ka a Revolução, implantou a Republica! a aurora redentora augusta e tão louçã que faz d'este Brazüuma naçiovinnã, l-iospitnleira ebpa, _ç, tgo exala: ealtiva, que em datatlo fest¡ a. , , V, eu teiiliompmeirpeittyamido e yum só laço, os dois povos irmãos l E, n'um fraterno : braço e dôce comunhão toda espiritual, eu sinto bem aquiiz-Brazil e» Portugal l E depois, a fantasia Na Paiz do Sol, cujos versos mara- vilhosos, musicadosí çom talento , pelo _maestro Luz Junior, le- varam umgúsociedade _escolhida ao Eden-Teatro_ a ouvir a . Aveflljariç, ,a Qmrdq ao sal, em- qluarito _povo Aaplaudia freneti? caxxrnzenteatjtospficatiraçla do Ca- vadar, superiormente interpreta- do pelo Antonio Gomes, tirada que, de per si, chega bem para- consagrar um poeta. ' Luz Junior, um maestro ins-i' piradissímo e especialmente fa- dista, tem composto tambem os mais populares fados da nossa epoca sobre versos de Celestino Liu Joiilor Gaspar da Silva, (Símplex), outro poeta' do povo actualmente no Brazil. Exaltado propagandista do' novo regimen, no tempo das perseguições, são do Celestino estas quadras que eu dizia Íaíziààiilfàêjãz' &f; “a i ¡Jiwçaíéiiaàéiiiiiááilár """ ' ' Bemdiio foi teu gesto, oh l Eovo Luzitano! E agora, Portugal, esa-a Patria formosa e altiva, aeiñeüiaüdñ a Fenix fabulosa, , aentewe mamar, mega, de proprio eooemkto, n'uma estagio colossal' que ao HIMHÚD causa ¡membro! am anos haja u, que a mõhha Patria bela quebrou um jugo vi)! ... 'E eu, tão longe d'ella. .. Ah! ... Longe della, não! ” O Pow Bnagileiro. ê bem o set¡ ífmãao, é bem um gêmea seu p'| a Lingua, e p'la Vontade de vêr irradia¡ a lua da Liàeriilaü, #52_ n'uma das suas aplaudidas peças: Portugal é um velho marinheiro, de porte nobre, altivo e olhar iogoso, cujos pés, o Oceano sobraneeiro, devotamente beija, respeitoso ! Portugal, é o guerreiro imorredoiro que, lieroico, audacioso e invencível, 'screveu de mar a mar, em leu-asdkairo uma epopeia enorme, inesquecível ! _'53 _.
  8. 8. Portugal, é o 'corria delicioso, pntrin d'un¡ povo' nobre e sorthador, onde o sol e mais vivo e mais formosa e nasce a Aurora a ouvirpailções d'a*m'or. Portugal, é o leão que, após"um sbmno', que a todos ia sendo bem tatál, ' ' acorda, e ao acordar derruba nm trono voltando a ser o grande Portugal! V Por 'ser inédito, também aqui deixo arqúivado um gra- cíosb xttonologo, tambem original seu, que SímpleÇr _escreveu expressamente para mim em 50 de , jíxntioi de 1909.' Nunca cheguei a recital-o, porque sernpre estive em desacordo 'born os dez , por cento. . . Ainda me julgo capazde dar : ins m» cuenta. .. › ' “ ' Saibam vossas excelencias que vou retirar-me í vida mais privada e comcdida que qualquer mortal suporte; da minha antiga bohemia pouco on nada restará. .. Eu creio que ficará da por mto. .. e está com sorte! Aos meus antigos credores que já mandei reunir, faço as contas resumir porque lhes vou dar um corte; terão todos que sofrer: Dou ao hotel, ao barbeiro, alfaiate e sapateiro dez por cento. . . e estão com sorte! Antigamente, é sabido que tinha amantes aos centos! Gosei bem dõces momentos, porque amar foi o meu forte'. .. Pois. tudo foi reduzido quasi a zero, bem depressa: Já lfnão vou de cabeca. . . Dez par mala. .. e _está com sorte! E o caso é que, jávna tha, sc alguma me vê tambem, mostra-me assim com desdem um sorriso de má morte; e, qnandoialam de . mim, do meuyaltntc_ passado, dizem logo: -Hojc, çoitaldo. .. . Dez por cento. . . e está com sorte! E' issomesmo o que en qúero! Vou mostrar a toda a gente que estou um homem decente e sou rapaz de bom porte". Descancem, pois, os maridos; socegnem, paes de familia. . . O Leal, deu-lhe a qnizilia: Dez por cento. .. e está com sorte! Tanto assim, que vou buscar nm descanço xfmeu contento: -0 Lealatae p'ra nm convento. viver em paz é seu norte! E se um dia fôr tentado pelo olhar @uma freirinhx, digo logoz-Olha, filhinha. - . De: por um. . . e estás-com sorte! Cántava e tocava o Fado, foi corista, ponto, jornalista e revisteiro, perseguido tambem pela pouca sorte, que »é afinal a sina de quasi todos os nossos poetas. O musico insigne, que é Filipe Duarte, deve ser consià demdo-a- dentro da Divina Arte-o Artista Maximo do_ Fado. A isso lhe dá direito, para não citar outros trabalhos de subido valor, a sua explendida e notabilissima parti- tura da 'peça O fada, soberba de _inspiração e orquestrada d'um modo superior, e que foi a garantia ddsucçssovda peça. A maneira verdadeiramente* fidalga _e altiva como Q grande musico' defendeu a deliciosa trava nas colunas dó semanario A Canção de Portugal, pode o publico consta _.55_
  9. 9. tal-a pela leitura deste' trecho que, do referido periodico, traslado: - ' › Se quem gosta do Fado é fadista, eu sou o primeiro bailãa do meu paiz, mas nâo melamento, porque tenho por companheiros ilustres tadis~ tas como Rey Colaço, Julio Neuparth, Francisco Bahia e tantos outros corn quem infelizmente não me posso comparar no campo da arte, mas a quem me posso juntar como modesto propagandista daicancio mais sublime que até hoje tem saido do coração de um povo que sabe sofrer. . . cantando. Para mim existe uma certa diferença entre o fadista e o faquista! O fadista é o cantador do Fado (o trovador, como se diria no tempo dos capotes brancos); o faquísta é um cavalheiro macileuto, esqualido, de calça afíambrada de boca de sino, andar gingão e maneiras provocantcs, cígarrinho atraz da orelha _ou armado em arco aounto da boca, tendo sempre a navalha em riste para atacar o adversario, pondo-lhe as tripas ao sol ou ao luar, segundo a hora ou a estação, marcada pelo uBorda d'Agua". Contundir o fadista com o rutia é querer deprimir uma canção que tem percorrido desde o mais nobre salão á mais lunnilde choupana! Con- iundir o cantador do Fado' com o facuiista é querer duprimir o belo tra- balho do mais ilustre estrangeiro que tem estado entre nós, o saudoso Vi- ctor Hussla (vide rapsodías) até ao mais modesto compositor da opcreta O Fado! ' ' E'. finalmente, querer deprímir o assombroso trabalho de Listz que, segundo todas as probabilidades, fundamentou uma das suas mais belas rapsodias no Fado portuguez. Barbiere, o grande zarzuelista, o primeiro regente de musica classica do seu tempo, o erudito e sabio musicograío, desejou ouvir o Fado á guitarrapor um fadista de verdad! A audição deu-se no armazem de mu- sua euparth, na presença de varios professores. * “Barbiêre delxou-se atrebatar e, éheio de orgulho hespanhol, -soltou a seguinte exclamação: Mui biln! Mai' bien! mas usted tw canta mulagueña mnqqyçH-Z, sentando-se ao piano, cantou as suas malagueñxzs com-agraça de uuLhorn bespanbol e a perícia de um grande musico, em certamen com › 4 . r . › . ~ umautentico fadista VÕOVBRIITO Alto. Esturiíias~ consagradas? tem as tido o Fado em todos os témpos¡ e; entre elas, a Palmira' Bohemia', aÍPaZmíra 'dont/ tos 05115105,- nome de 'guerra que provinhaídos 'seus olhos belos, negros e expressivosÍÀmbas canlavarrbcom as suas engraça- das : bôcas de labios seusuaes", que pareciam dizer-nos-coisas peeadorasi' “ * _55_ A , Portuzelos-, uma r degenerada, corpulenta . e debrosto orieutal-sabiaqunrenta» ev-nove cantigas e fazia lembrar 'a cigarra, cantando desde o scintilar da lua até ao raiarídosol', com aquele' dulciñicante / ritmo que mais tardeecobu nas gar'- ganus, tuberculosas da Iu-lia Mendesí e da pobre Maria *Vi- ctoria. A Pc-rtuzelos, nasceu em Alfama. e tinha irmãs, tambem lindas, uma das quaes-creio que a mais velha-possuia_ um bonito 'rosto semelhando -o das imagens bemrdodeladas dos al- tares ricos. Traballíavamnkima fabrica para onde iam deÇcha- Marin Formula: _ “an, lito e lenço, com o andar bam- boleante que dá o característico fadista ás mulheres da antiga Lisboa. E a Julia fioristav? Baixinha, loira, de olhos azues, ,ven- dendo *flores pelas portas dos cafés, pelos teatros, um verda- deirodicionario de' calão, gin- góna' e petulante, refilando com tudo e com todos, consagrada nas patuscadas fidalgas da Lis- boa moderna, para. o fado final do ultimo cópo, n'um árremedo de severa "sem Vimioso nem Custadia. , Hoje, a Julia, que pe: - tence a- uma familia de artistas, passa pelas ruas, de toque sóbrio na cabeça, e' com: um aspecto ~ de vmatrorxa-patteira. Masai, de : dus-lama quemdhevdêmm emontrão: Res ponta, remoça e rosna-z-O' bit/ tinha, desviagxiueme con- tundesl. . . ' v ~ A Ema d'O1iveira, essa engraçada garota que eubaptisei
  10. 10. actriL-egualmenteten¡ sabido imprimir algumrsentirnento ao FadmE 'a : Ema é hoiaium elementoâmprescindivel nb teatro nevistairo. ' ¡Aeíirartcindao Alves, ,corista, mais conhecida pela severa, inda y fatalidade¡ balão e insolenciap-com um coração de mamar-né aoutmmstouvadarcanladeira, emparelhando com a não , mermo esturdia e» bnnitaoactrizita-sempre fugidia~ Er- . .melinda Fontes, que me recorda estes versos ~de Luiz de Magalhães: 'Quem te lançou ahi? Quem é que te arrojou , ata-sorflido cairel dos vícios díssolutos? _ Dize, mulher, qual foi a mão que te arrancou¡ a ilôr de laranjeira dos peitos impolutos? Seria o teu suave fado, o teu destino, a- sorte? 'Ilserla' a propensão nativa da tua alma? “Jtcasmurn Deus cruel te designou tal sorte -Turbanctortq da vida, a transparencia calma? Tem um 'rosto , gentil esta pequena: ,nq palco, é «um biscuit. Parece-meato ouvil-a 'cantar', um pagemsito. .antigo, com voa de: rouxinol, a desconcertarese em modos rutíõns. “nwmmka E avTina Coelho? Que sentimento @mando 5°. , fadistav ha ainda na 'sua tatígada gar- . ganta! ' ' lim 1013, contractei para uma tournée ao Brazil, a can- 'tgttrizüe fados Aurelia Mendesçlíra uma rapariga morenade olhos tivos e expressivos, mas degenio rebelde e selvagem. Cañiayaacom muito sentimento', sarmdeixarsperder- umansiç laba. Umwdáia, desesperado com a sua-indisciplina, reprehen- di-a chatumdonlhe malcriadz 'e aiaalfabeta: Então, - de olhos em braza, retorquiu-mez-Está engatxadolñimão sou analfúbcta. . . som-brasileira J: r O diabo da- rapariga, pelos modos, tinha nascido t? ) mzPaiãs. .' ' ' _as- Voltandocomigo, de novo, ao Rio, pasmei de ouvir-lhear- 1emedar~ sistematicamente, o silabado cadencíds das senho- ras cariocas. E, como). interro- gassej respondeu muito senhora ne' sí: 'l ' ' -*Qai'-q¡u2re. .. e' ftaxil A: poláte; 'queriárdize/ _t-'o so- Iabue/ Caitada' 'or lá5ficoufrpro~ digalisandõtdda a fadisial inteli- gênêiá' : à unicalquãlídade apre- véiaveFtfuêtíossuia. 'l ograúo l é a epoca. 0 'aan- ga, fez umeiito enorme na' po- › - pulação: _foda a ljisboálftoiatraz _ _ numa. uma. , das' camadafpópulares que iam ' ' ao 'Eden vêr_a 'creação do Amarante, notavel de observação e de detalhe. Esteartísta, deixa umagaleria de papeis em revistas que -o irotabilisa, por se preocupar' sempre ein ex- teriorisal-os_ com um tipo bem nacional, O rapazote do Toma Ztí cerejas, o Pont-porn e o Garzga, 'são trez rabulas que merecem trez Sauliagos! O Garzga, fez Lisboa ganga. Amalqreadorç-zz. Os pia- nos coçados pelas meninas solteiras, gagnejaram-lhe o ' Fado; uma visinlta ia-me en- ) _ louquecendo com a furia n 4 à ganguísta estropoada no seu ¡meum mu_ maldito 'organilhol Perdi a ' '5 noção' do Fado. , . e senti-me . transportado "aos 'tempos ílmemoriaes_ da Âflma D' sÍAA educação urbana, brigou-se. Tudo falavae fala ainda â ma- _59_
  11. 11. neira do Gàngrà, Parece , que fazemos gala na miseria ou que- remos todos ser carroceiros, com giría, chicote etudol O_ calão, é o estilo. E, todavia, 'em teatro. , _ tudo é _ inconstante¡ efémero, passageiro! 0. que. hontenm _toi um sucesso, já hoje não lembra a ningixem, A critica. esqueceu já a. .ma, gist_ral_ra~ bula de umputro _çarrocei- ro, ,encarnada pelo modesto- actor José Alves, _n'um sc» revista Prá, frente. Artista cheio de »qualidades para a scena e tambem com_ grande vocação para a indumentaria, que a pouca sorte e a doen- ça, atiraram parao olvido- O Fado [irá-soberba, orquestração do . maestro Ni- colino Milano-tambem fez: ,época e foi atacado e assas-r sinado pelas diversas Soisas- da Baixa, _da Alta, dos Algar- ves. .. d'aquem e d'alem~ mar! k O carro do jacinto, re- tumbante sucesso da revista. Sal z Pimenta, que aportu~ _ guezou a actriz Carmen Car- ina' mu¡ m¡ ccnnoeeim _ d_ mu. , q. ” mu, doso e era sempre bisado, com entusiastico frenesi to- dás noites _no Trind v . Êadb d? 105510 . ea celebre'. parodia do Esculapio, ovnotabilissimo reporter do Crime e popularissimo gazeti- _oo_ berbo e realissimo tipo, na. _é tambemmuitose populairisou. lheifo, gêl/ ixto' do jornal 052mb, fez época cantado' brilham temente _pelo Roldão, 'seu'aútof. ' ' O _Fado : :à '3IÍ lque' ppz 'em' destaque o maestro Alves Coelho', geiriêu-tambcría faria, róncando nos gramofones do Universo. " *Poisise 'até foi intercalado 'nos' hvmnosdos paizes aliados, quando um tocador ambulante em _Madrid festeiava a data do armisticiol-O homem desconhecia aPartugueza, e então, tomou o expediente de atacar el fado trinteum. Na revista Híla¡ Charley! representada com sucesso no Apolo de Paris, o numero de maiorvexito era o "dllEÍlOv -Marriac e Vilbert', cuja musica era. . . o Fada do 31 ! O Fado, nos deu um ministro. . . e bem duro foi o seu Fado pelas arcadas do Terreiro. Hoie o Fado, anda para ahi dcsfalecido. A boemia insta- lou-se nos alcaparras, onde os "clubmenu empalidecem, e es› tonteiam nos "ringn tangas argentinos, aos sons diabolicos das orquestras tziganas, acompanhando' as fitias das sevilha» nas baratas, que nos impingem o Hierro mata e o lãlícaria. O ambiente do bom vinho por tonta da iai/ radar, do aroma do loiro e do alho do qúarÍaÍde bife, trocou-se, pelas trufas, lagostas e mayonaises envenenadas_ com azeites e Vinagres artificiaes, regado tudo, com os varios champagnes estran- geiros das caves de Lamego, da Bairrada e da Vinícola, que ' em baldes de cristofle, espreitam os_ seus pagantes perdula- rios e. .. trouxas! lsto, emquanto as semsaboronas ninfas calatetadas de Cold Cream e ver/ nilton, atundadas nas ma- ples, fumam desabridamente cigarrilhas egypcias e mastigam pastilhas de cocaína. E_ é assim n'este artificial viver, entre um febril oasis mundano, que a raça se detinha, que a Humanidade morre. . . E o FadOP-Hoie canta-o no teatro a esbelta Maria Litaly, a simpatica Justina de Magalhães, o Roldão, o Amarante, a Elvira Costa e a Zulmira Miranda; No gramofone, o Alvaro Barradas e o Reinaldo Varela. Em Coimbra, o academico Menano; e por ahi. .. por esta mesclada Lisboa, gagueia-se o fado no Retiro das Pedralvas, _.51_
  12. 12. (LP. áJâPe-Fs , asim ara ? h , m mm' s m mas» *m* “'32 ° V' “Re 3 Cmsamssmbufu axñfryanxa: 23.1%( W'“'sâqçdê¡êâr§rñ°4lilíeã , Oxãm Mangue. é Cm 99.» . Magma &Âgywmaàmdeg #amam 'ãôn°mñ9«der Em ds aQUáIQZnaMs; w¡ mu ubmup. .anbsíhz _ . . r b mfmw” (= ~ÍUÍQÍÍZÍIZI11ÍOÍJ EfñÍl 3 x whxíãÃs #E9533 r amoíbaqxa a. uomn: _ainda , 2 nbszmseawa: ami) ' : :Em mei/ sx : M ' v , aum v: ,zimq *sb zml-aq/ . ›; asloq oh¡ í nbr! o 514d¡ . nxxxrm) . wn N. . 25h ? nñ › v' MWM v -~ _MMC www* n); AubnTHÍl' m! mb uma dm. U m. ob t: mior ob . . com e euaogsi nbzzgax . msíañbxa 9h para¡ «xl» amu. ; . ohohhu sb ashL-x? m ma¡ aummí _.59 mh_ 'km3 'zh mbmaínlx: n'um 93m". xrbi-rdszab msmu¡ . mu - . sn (bay: › ! W151 im: 'vfrn ,1'3'Ií'. !cíaííívwv m”

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