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A Economia Verde e Inclusiva de Jorge Moreira, Revista O Instalador 235

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Os políticos devem perder o medo das políticas ambientais, porque só estas garantem um futuro para a humanidade. Devem combater a inércia dos interesses instalados e abrirem-se à ecoinovação para salvarem a Terra. Eles terão agora uma excelente oportunidade para mostrarem ao mundo que podem fazer a diferença - reaproximar a economia das pessoas e colocá-la em harmonia com a natureza...

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A Economia Verde e Inclusiva de Jorge Moreira, Revista O Instalador 235

  1. 1. 78 O Instalador Nov'15 www.oinstalador.com Opinião AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS A Economia Verde e Inclusiva Já nos resta pouco tempo. Tempo para combater as alterações climáticas. Tempo para garantir um crescimento verde, resiliente ao clima e sustentável. Tempo para lançar uma revolução das energias limpas . Ban Ki-Moon Texto_Jorge Moreira [Ambientalista] Fotos_Arquivo alterações climáticas. Todas estas Metas encontram-se interligadas e a conse- cução de uma traz benefícios para as outras. De uma forma holística, estas Metas impulsionam a atual sociedade, sustentada por uma economia com resul- tados ambientais dramáticos e submissa a interesses financeiros autistas, para um modelo económico verde e inclusivo, que No passado mês de setembro, na cimeira das Nações Unidas sobre o desenvolvi- mento sustentável, foram definidas as 17 Metas Globais de ação até 2030. Uma agenda trabalhada por governos e ONG de todo o mundo que tenciona acabar com a pobreza, promover a prosperidade e o bem-estar de todos os seres huma- nos, proteger o ambiente e combater as recoloque cada ser humano no cerne das preocupações e em harmonia com o ambiente. Pelo menos desde 1990 assistimos a uma redução da extrema pobreza nos países em desenvolvimento. Contudo, este flagelo é inadmissível no século XXI, face ao imenso luxo e desperdício observado
  2. 2. O Instalador Nov'15 www.oinstalador.com 79 Opinião AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS como os restantes 99% e a situação agravou-se substancialmente durante a crise económica. Da mesma forma, con- tinua-se a assistir à exploração exaustiva dos recursos naturais, à degradação generalizada da qualidade do ar, água e solos e ao aquecimento global antropo- génico. Só com uma economia verde e inclusiva é possível minorar os impactes ambientais das atividades económicas, libertar cidadãos reféns de corporações que exploram desenfreadamente capital humano e natural e empoderar pessoas em atividades económicas sustentáveis. Uma economia verde e inclusiva significa uma economia sustentável, equitativa, resiliente, ecoeficiente, limpa, descar- bonizada, responsável, justa, circular e intergeracional. Capaz de criar pros- peridade económica e bem-estar para todos os seres humanos e, ao mesmo nos países desenvolvidos e, infelizmente, há ainda um enorme percurso até con- seguirmos eliminá-la por completo. Haja vontade real! Paralelamente, a iniquidade continua a existir mesmo onde se verifi- cou um acentuado progresso perante os níveis de pobreza. Este facto deve mere- cer especial atenção por parte de todos nós, porque o rendimento laboral é mui- tas vezes sinónimo de exploração. Mas, engana-se quem imagina uma estrada completamente desimpedida, que leva os mais pobres ao sucesso socioeconómi- co. O aumento significativo da população mundial, as políticas económicas cen- tradas nas minorias ricas, as alterações climáticas e a degradação dos serviços de ecossistema são barreiras bem difí- ceis de superar pelos mais vulneráveis. E, segundo um relatório sobre a riqueza mundial divulgado pelo Crédit Suisse, 1% da população mundial tem tanto dinheiro tempo, preservar e recuperar a natureza. Incentiva a governança, envolvendo e capacitando todos os cidadãos, mesmo os menos qualificados, em atividades económicas conscientes e eticamente cuidadas, sem esquecer as gerações futuras de poderem usufruir dos mes- mos recursos e dos melhores serviços ecossistémicos. Uma economia verde e inclusiva não é compatível com a perpetuação do modelo vigente centrado no lucro per si, no poder centralizado e nos combustíveis fósseis. Depois de garantidas as justas remune- rações e o bem-estar dos colaboradores, o lucro deve ser q.b. para permitir a inves- tigação e o desenvolvimento salutar da empresa. Também não é conciliável com a exploração de seres humanos pobres ou em idade escolar (segundo os parâ- metros dos países industrializados), onde
  3. 3. 80 O Instalador Nov'15 www.oinstalador.com Opinião AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS a atividade é, em muitos casos, altamente nociva e realizada em ambientes degra- dados. Da mesma forma, o verde não é consociável com a poluição ou a emissão maciça de gases com efeito de estufa, o colapso dos stocks naturais, o sofrimento animal e o ecocídio. Nem tampouco com consumos e resíduos elevados. Assim, a economia verde e inclusiva deve ser capaz de fornecer bens e serviços social e ecologicamente cuidadosos a um preço justo. Isto é: incluir o valor real do trabalho humano e a raridade na natureza; ter em conta os consumos energéticos e da água; o uso eficiente dos recursos natu- rais; o tratamento efetivo dos resíduos de produção e outros elementos/compostos danosos para o ambiente; incluir produ- tos, cujos resíduos no fim do ciclo de vida sejam reaproveitados na elaboração de novos e nunca serem de obsolescência programada. Por conseguinte não se trata de colocar o marketing a funcionar, esverdear uma componente do processo e colocar um bem ou serviço como verde e inclusivo, como se verifica na maior parte dos casos. Trata-se de munir os agentes económicos micros e macros de um conjunto complexo de elementos com cuidados socioambientais efetivos que desemboque no verdadeiro desen- volvimento sustentável. Um desenvolvi- mento que evidencie o que de melhor a humanidade pode ser, desconstruindo um desenvolvimento tecnocrata gélido abstraído do bem-estar de cada ser humano. Não confundir o abandono da técnica, que deve estar ao serviço de um mundo humano e natural adorável, belo, limpo e saudável. Um mundo democráti- co, pacífico, solidário, movido a energias renováveis, com o florescimento sadio da natureza silvestre, com cidades inteligen- tes focadas no bem-estar integral e uma agricultura segura, saudável, eticamente correta e em consonância com os ciclos naturais. Alguns exemplos de economia verde utili- zam estruturas naturais para filtrar a água ou removeram poluentes sem recorrerem a técnicas industriais, que têm muitas vezes impactos e consumos elevados. A engenharia natural recupera rios e solos com o recurso a materiais e mão de obra local. Comunidades autossustentadas, técnicas de agricultura biológica para comércio local, empresas ecoeficientes com produção de bens saudáveis para o ser humano e a natureza, ecoresorts e fi- nanceiras que incluam políticas socioam- bientais exigentes e compensem clientes com comportamentos ecológicos, são Há ainda um enorme percurso até conseguirmos eliminar a pobreza por completo
  4. 4. O Instalador Nov'15 www.oinstalador.com 81 Opinião AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS alguns exemplos considerados. Lamen- tavelmente, todas as atividades reconhe- cidas têm de ter a respetiva certificação verde, o que traz custos adicionais aos bens e produtos com cuidados ambien- tais especiais. Não se trata de estar con- tra às certificações, que além de criarem emprego e dinamizarem a economia verde, dão garantias ao consumidor final. Contudo, não deveriam ser as entidades com atividades insustentáveis a terem certificação e pagarem por isso? Então, não é que as atividades económicas que prestam um excelente serviço social e ambiental ainda têm de pagar por serem boas? O ónus encontra-se invertido. Certamente que ao aplicarem-se taxas às atividades descuidadas, elas acabariam por mudar as suas políticas de produ- ção. Outra incongruência da economia tradicional é dar valor a um conjunto de árvores mortas e (quase) nenhum valor a uma floresta viva, capaz de proporcionar serviços de ecossistema que suportam a vida, regulam o clima, armazenam a água, purificam o ar, controlam pragas e doenças e inspiram os nossos sentidos. Falta associar um valor económico real aos sistemas ecológicos que propor- cionam serviços ambientais. Com esta medida, muitos espaços naturais seriam, obviamente, recuperados e preservados. Todavia, esta medida deverá ser imple- mentada até melhor solução, porque os mecanismos económicos são os mesmos da atualidade. E, embora o sistema seja mais justo e equilibrado, na vida real não devemos reduzir tudo a um valor econó- mico. A vida de um ser senciente, um rio, uma montanha ou uma floresta nativa não têm preço. Estas coisas não podem ser traduzidas pelo valor que uma só espécie pode cegamente e interesseiramente dar. A economia verde está na base do com- bate à corrupção, à pobreza, à iniquidade e às atividades antropogénicas nocivas ao ambiente. A transição para uma economia verde vai alavancar o emprego. Novos postos vão ser criados face às oportunidades e exigências técnicas naturais, que irão exceder o número de perdas de emprego daqueles que ainda executam atividades insustentáveis. Nestes casos, será necessário o inves- timento na requalificação dos respetivos colaboradores. As muitas oportunidades de empregabilidade, a consequente viva- cidade dos novos mercados verdes e o eventual colapso da economia tradicional mundial - perante as consequências das alterações e adaptações climáticas (se nada for feito) - deverão ser argumentos mais que suficientes para uma viragem do paradigma político e económico. Portanto, quando os políticos apoiam certos programas com grande impacte ambiental em prol da economia e das pessoas ou são incompetentes ou estão em conivência com os promotores des- ses programas. Da mesma forma, a crise económica não deve servir para baixar o nível da exigência ambiental. Os polí- ticos devem perder o medo das políticas ambientais, porque só estas garantem um futuro para a humanidade. Devem combater a inércia dos interesses insta- lados e abrirem-se à ecoinovação para salvarem a Terra. Eles terão agora uma excelente oportunidade para mostrarem ao mundo que podem fazer a diferença - reaproximar a economia das pessoas e colocá-la em harmonia com a natureza. Na Conferência das Partes da Conven- ção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, a realizar-se em Paris, no final deste mês e início do próxi- mo, os políticos e líderes mundiais terão um desafio sem precedentes: um acordo internacional para conter o aquecimento global abaixo de 2°C. Esta meta implica o recurso a políticas orientadas para a economia verde e inclusiva. Faço votos que o acordo seja alcançado. Paz a todos os seres

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